

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada me domine. (NVI – 1Co 6.12). Esse texto e seu contexto imediato, revela o pensamento mundano que influenciava, não apenas os moradores de Corinto, mas também a igreja plantada naquele lugar. Vejamos, portanto, as duas premissas que fundamentavam a permissividade e o comportamento pecaminoso:
a. A primeira premissa deles era: “Todas as coisas me são lícitas”. Na cidade de Corinto defendia-se uma liberdade total, irrestrita e incondicional. Paulo, então, coloca uma adversativa. Ele usa um “mas”, um “porém”. Isso, porque para a sociedade Corinto todas as coisas eram lícitas, e essa filosofia estava influenciando a igreja. Eles consideravam todas as coisas indistintamente como lícitas, sem nenhuma restrição. Inclusive, estavam aplaudindo e sendo condescendentes como pecados escandalosos, como incesto e imoralidade sexual.
b. A segunda premissa deles era: “O alimento é para o estômago assim como o sexo é para o corpo”. A máxima da igreja de Corinto para incentivar a imoralidade da igreja era: “O alimento é para o estômago assim como o sexo é para o corpo”. Os coríntios pensavam que assim como o apetite é natural e o corpo precisa de alimento, também o sexo era um desejo natural e precisava ser satisfeito. Para eles uma pessoa não podia reprimir seus apetites sexuais. Mas Paulo ensina: “Os alimentos são para o estômago, e o estômago para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém o corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo” (6.13). A conclusão e aplicação relevante do texto acima mencionado para o assunto abordado nessa lição é: Um bom líder a serviço do povo o ajuda a discernir o pecado que está em seu meio. Hoje em dia o incesto não é comum, mas a ganância, a violência e o orgulho são evidentes. Se a igreja deve ser um povo santo e uma testemunha fiel perante a sociedade, devemos tratar esses pecados com a seriedade devida. Paulo demonstra que a igreja não segue o modelo da sociedade secular e que, portanto, os crentes devem andar, viver e falar de modo diferente.
RESUMO DA LIÇÃO
A Igreja tem um relevante papel como coluna e firmeza da verdade; e trata do mistério da piedade, que é a sublime revelação de Cristo. Vamos desembrulhar esse texto? Faremos isso em dois pontos:
a. Como coluna e firmeza da verdade, a Igreja deve se apegar à Palavra de Deus como a sua regra de fé e prática, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda (Js 1.7-8). A Igreja deve estudar, meditar, memorizar e obedecer à Bíblia, que é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça (2 Tm 3.16-17).
b. Como tratadora do mistério da piedade, a Igreja deve se maravilhar com o amor de Deus que enviou o seu Filho unigênito ao mundo para nos salvar (Jo 3.16). A Igreja deve adorar a Cristo, que se humilhou, se esvaziou, se fez servo, se tornou obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.5-8). A Igreja deve também seguir o exemplo de Cristo.
CONSIDERAÇÕES PRELIMIRARES
Sobre esse texto em especifico (1Tm 3.14-16), Charles Swindoll escreveu: A primeira seção da mensagem de Paulo para seu protegido desencorajado em Éfeso focava o trabalho do ministro (1Tm 1.1 —3.13). Paulo lembra Timóteo de sua obrigação como pastor (1.1-20), menciona a oração como a primeira prioridade do ministro (2.1-8), esclarece a posição e o papel das mulheres na igreja (2.9-15), estabelece as qualificações dos presbíteros da igreja (3.1-7) e para os diáconos (3.8-13). A segunda seção (4.1—6.21) testa a vida íntima e a conduta do ministro, com particular ênfase no pastorear. Entre essas duas seções de ensino, encontramos uma costura ligando-as (3.14-16), um interlúdio breve, pessoal e intrigante. Primeira Timóteo 1.1—3.13 e 4.1—6.21 nos mostra Paulo, o apóstolo endurecido pela batalha; 3.14-16 revela Paulo, o amigo íntimo de Timóteo.
I. O PROPÓSITO DE PAULO
1.1 Uma palavra pessoal.
Escrevo estas coisas a você, esperando ir vê-lo em breve. (NAA – 1Tm 3.14). Depois de tratar das qualificações dos presbíteros e dos diáconos, Paulo passa a falar sobre os atributos da igreja de Deus. O propósito do apóstolo é orientar o jovem pastor Timóteo acerca do correto procedimento na casa de Deus. Timóteo deve saber supervisionar o culto e a eleição de oficiais. Stott tem razão em dizer que, se as instruções dos apóstolos com respeito a doutrina, ética, unidade e missão da igreja tivessem sido dadas apenas sob a forma oral, a igreja teria ficado como um viajante sem mapa ou como uma embarcação sem leme. Contudo, pelo fato de as instruções apostólicas terem sido dadas por escrito, sabemos algo de que de outro modo não teríamos tido conhecimento; ou seja, qual deve ser a conduta das pessoas na igreja. Paulo agora declara as razões para ministrar essas instruções ao jovem pastor Timóteo (2.1–3.13) por escrito. Elas são:
a. Embora eu espere vê-lo logo, temo que demore.
b. No entanto, a questão não admite demora, porque ela tem que ver com a casa de Deus. O texto mostra que Paulo tinha uma relação muito próxima e afetuosa com Timóteo, que era seu filho na fé, seu discípulo e seu companheiro de ministério, homem da sua confiança. A passagem também mostra que Paulo tinha uma vida dinâmica e missionária, que o levou a viajar por vários lugares do Império Romano, pregando o evangelho e fundando igrejas. Além de ensinar que ninguém trabalha sozinho na obra de Deus, tanto Paulo precisava de auxiliares, como seus auxilias precisavam de consolo, animo e orientação.
1.2 Mudança de planos
Qual é a intenção do comentarista neste ponto? Mostrar que embora façamos planos e projetos, quando nos sujeitamos a Deus e a sua vontade, o que prevalece é o projeto divino. Por diversas vezes, Paulo teve seus planos mudados pelo Senhor, leia Atos 16.6-10: 6 E percorreram a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. 7 Chegando perto de Mísia, tentaram ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu. 8 E, tendo contornado Mísia, foram a Trôade. 9 À noite, Paulo teve uma visão na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe rogava, dizendo:
— Passe à Macedônia e ajude-nos. 10 Assim que Paulo teve a visão, imediatamente procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho. Provavelmente, Paulo não visitou Timóteo em Éfeso, todavia, permaneceu dentro do projeto divino (Is 55.8,9).1.3 “Mais se tarda” Infelizmente, Paulo não podia correr para o lado de Timóteo. A forma grega do verbo demorar sugere um elemento de incerteza, mas Paulo escolheu a voz ativa, em vez da voz passiva. A frase é mais bem traduzida por “se eu atrasar”, em vez de se eu demorar. Ele obviamente queria apoiar o amigo — preferivelmente em pessoa e o mais rápido possível — mas o apóstolo também tinha de manter suas próprias prioridades no ministério. O que podemos destacar neste subponto é o pensamento do comentarista que diz: “O apóstolo se mostrou precavido e diligente, fazendo o melhor uso possível do principal meio de comunicação da época.” Temos feito bom uso dos meios de comunicação? Como temos usado nossas redes sociais? Temos as usado em beneficio do reino ou somos escravos delas? Pense!
II. À IGREJA DO DEUS VIVO
2.1 “Como convém andar”.



A conduta cristã, a verdadeira devoção, não se fundamenta na opinião humana, não no costume mundano ou midiático, não na “natureza”, mas no mistério de Deus. Quem quer fazer parte do povo de Deus, deve se afastar do pecado e andar de modo digno do evangelho. Se dirigindo aos coríntios, Paulo escreveu 1Co 10.31,32: 31 Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. 32Não se tornem motivo de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem para a igreja de Deus. A vida cristã deve nortear-se por dois princípios importantes. O primeiro é a glória de Deus, e o segundo é o bem de nossos semelhantes. Aqui, Paulo trata do primeiro princípio: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. Muitas vezes, jovens cristãos se deparam com situações nas quais precisam discernir se determinada atividade é certa ou errada. Uma boa forma de avaliar a situação é perguntar: “Deus será glorificado? Antes de participar desta atividade, poderei curvar a cabeça e pedir que o Senhor seja engrandecido por meio daquilo que estou prestes a fazer?” O segundo princípio é o bem dos semelhantes. Não devemos tornar-nos causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus. Aqui, Paulo divide a humanidade em três classes. Os judeus são, evidentemente, a nação de Israel. Os gentios são os gentios inconversos, enquanto a igreja de Deus abrange todos aqueles que creem no Senhor Jesus Cristo, quer de origem judaica, quer gentia. Em certo sentido, se dermos nosso testemunho fielmente, acabaremos ofendendo outros e despertando sua ira. Não é disso, porém, que o apóstolo trata aqui. Ele se refere, antes, à ofensa desnecessária. Adverte-nos a não usar nossos direitos legítimos de modo que sejamos causa de tropeço para outros.
2.2 Casa de Deus.
A palavra grega oikos, traduzida por casa, mostra que a igreja é uma família. Se a igreja não é um grupo de irmãos, então não é uma verdadeira igreja. A palavra oikos pode significar tanto o edifício quanto a família que ocupa o edifício. A igreja é a casa de Deus nos dois sentidos. Ela é tanto a morada de Deus (1Co 3.16) quanto a família de Deus (3.15). Isso revela a grande responsabilidade que temos de viver de acordo com o evangelho.
2.3 O Deus vivo.
No Antigo Testamento, o Senhor é chamado de “o Deus vivo” em contraste com os ídolos sem vida dos pagãos. A essência da promessa da aliança feita por Deus aos israelitas era que ele habitaria entre eles e seria o Deus deles, e eles seriam seu povo. Uma consciência ainda mais vívida da presença do Deus vivo deveria caracterizar a igreja cristã hoje. Somos o templo do Deus vivo. Em nossa adoração, nós nos curvamos diante do Deus vivo. Por meio da leitura e exposição de sua Palavra, ouvimos sua voz falando conosco. Nós o encontramos à sua Mesa, quando ele se faz conhecido a nós por meio do partir do pão. Em nossa comunhão, nós nos amamos como ele nos amou. E nosso testemunho se torna mais ousado e mais urgente.
III. O MISTÉRIO DA PIEDADE
3.1 Coluna da verdade
Precisamos viver o evangelho que pregamos! Timóteo e toda a igreja deveriam estar fundamentadas na verdade e viver de acordo com a verdade. A igreja é comparada com uma coluna e um fundamento. Como a coluna sustenta o teto e como o fundamento sustenta toda a estrutura da casa, assim a igreja sustenta a gloriosa verdade do evangelho no mundo. A igreja sustenta a verdade por ouvi-la e obedecer-lhe (Mt 13.9), por usá-la corretamente (2Tm 2.15), por guardá-la no coração (Sl 119.11), por defendê-la (Fp 1.16), por proclamá-la (Mt 28.18–20). A igreja sustém a verdade: Ouvi-la e obedecê-la (Mt 13.9) Manuseá-la corretamente (2Tm 2.15) Guardá-la no coração (Sl 119.11) e Proclamá-la como a Palavra da Vida (Fp 2.16). Ou, se preferir em: Digeri-la (Ap 10.9). Isso requer estudo e meditação. Defendê-la (Fp 1.16) Divulgá-la (Mt 28.18, 20) Demonstrar seu poder na vida consagrada (Cl 3.12–17).
3.2 Verdade libertadora
Não troque a espada do Espírito pelo canivete cego dos falsos evangelhos! Pregue a Palavra!A palavra é poderosa para libertar e transformar. Analisando essas duas metáforas, John Stott assevera que a igreja tem dupla responsabilidade em relação à verdade. Primeiro, como fundamento, sua função é sustentar a verdade com firmeza, de tal forma que ela não caia por terra sob o peso de falsos ensinos (evangelho coaching, político e progressista). Segundo, como coluna, tem a função de mantê-la nas alturas, de modo que não fique escondida do mundo. Sustentar com firmeza a verdade é a defesa e a confirmação do evangelho; mantê-la bem alto é a proclamação do evangelho. A igreja é chamada para esses dois ministérios.
3.3 O conteúdo da mensagem
Finalmente, o centro da igreja é Jesus Cristo (3.16), que para Paulo é o conteúdo da fé cristã. Tal como expressa aqui é, talvez, um dos primeiros hinos-credo da igreja. O motivo é a pessoa de Jesus:
a. O mistério da encarnação: Deus foi manifestado em carne.
b. Justificado pelo Espírito: uma referência ao seu batismo e à exaltação de Cristo.
c. Visto por anjos. De difícil interpretação, parece ser a adoração feita pelos anjos quando
ressuscitou.
d. Proclamado ou pregado aos gentios, às nações. Os efésios são prova disso.
e. Ressuscitou e subiu aos céus. Ser recebido nos céus é uma expressão de triunfo e adoração gloriosa.
3.4 Buscando equilíbrio
Duas coisas importantes podem ser ditas aqui:
a. O segredo do equilíbrio na vida cristã é ter Cristo sempre no centro de todas as coisas. Ele é o fundamento, o modelo, o propósito e o alvo de tudo o que fazemos. Ele é o Senhor e o Salvador de todos os que creem nele. Ele é a fonte, o meio e o fim de todas as coisas. Ele é o autor e o consumador da nossa fé. Ele é a cabeça da igreja, que é o seu corpo. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, o herdeiro de todas as coisas, o resplendor da glória de Deus, a expressão exata do seu ser (Cl 1.15-20; Hb 1.1-4).
b. Tudo o que fazemos deve ser para honrar, louvar e adorar a Deus, que nos criou, nos redimiu e nos santifica em Cristo. Tudo o que somos deve refletir a graça, a bondade e a santidade de Deus, que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz em Cristo. Tudo o que temos deve ser usado para servir, abençoar e testemunhar de Deus, que nos deu todas as coisas em Cristo. Como Paulo diz em Romanos 11.36: “Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas: glória, pois, a ele eternamente. Amém!”
CONCLUSÃO
A igreja não pode abrir mão do ensino verdadeiro das Escrituras. Mas, atente para essa verdade, o ensino sadio do evangelho não é defendido e propagado apenas com argumentos, mas também, com vida prática. Viva o evangelho!









