19 de setembro de 2026 14:49

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CRISE ESPIRITUAL E FALSA RELIGIOSIDADE

FIDELIDADE ÀS ESCRITURAS EM OPOSIÇÃO À APOSTASIA

INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos uma das fases mais sombrias do período dos Juízes, quando o nome do Senhor ainda era conhecido e pronunciado, mas sua Palavra já não era levada em consideração. A história de Mica, do jovem levita e da tribo de Dã mostra o que acontece quando a religião se afasta das Escrituras e passa a ser moldada pelos desejos pecaminosos do coração, pelo amor ao dinheiro e pela ambição. O pecado que começou a ser tolerado e praticado dentro de uma família ganhou proporções cada vez maiores, alcançou um levita e, por fim, transformou-se na religião de uma tribo.

Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES Ora, esse homem, Mica, possuía um santuário, fez um manto sacerdotal e alguns ídolos da família e pôs um dos seus filhos como seu sacerdote. (Jz 17.5, NVI). Mica fez uma capela. Ele fez outros ídolos e também uma roupa de sacerdote. Separou um dos seus filhos para ser o seu sacerdote. (Jz 16.28, NTLH). A situação espiritual da família de Mica pode ser compreendida pela maneira como ele organizou o culto dentro da própria casa. A NVI afirma que ele “possuía um santuário” enquanto a NTLH diz que ele tinha uma “capela”. As duas traduções se referem a um espaço particular destinado às práticas religiosas de Mica, estabelecido em desacordo com as determinações do Senhor para a adoração em Israel. Portanto, em Juízes 17.5 constatamos até onde podemos chegar quando decidimos servir a Deus segundo nossos próprios critérios. Mica tinha um santuário, fez objetos de culto e consagrou um de seus filhos como sacerdote, embora nada disso correspondesse ao que o Senhor havia estabelecido para Israel. Diante disso, o narrado bíblico escreve no versículo seguinte: “cada um fazia o que achava mais certo” (Jz 17.6).

Alguns pontos merecem destaque:
  Em primeiro lugar, não cabe a nós decidir como Deus deve ser servido. Mica tomou para si uma autoridade que não possuía. Em vez de obedecer ao que o Senhor havia ordenado, organizou o culto de acordo com aquilo que julgava adequado. Sua prática pode ter parecido correta aos seus próprios olhos, mas estava em desacordo com a vontade de Deus.

  Em segundo lugar, corremos o mesmo perigo quando escolhemos na Palavra de Deus apenas aquilo que desejamos obedecer. Podemos aceitar o que confirma nossas convicções, rejeitar o que nos confronta e adaptar aquilo que exige mudança. Nesse caso, já não estamos permitindo que as Escrituras corrijam nossa vida; estamos tentando fazer com que elas concordem conosco.

 

RESUMO DA LIÇÃO
O abandono do verdadeiro culto a Deus leva à crise espiritual e produz uma falsa religiosidade. Abandonar o verdadeiro culto significa deixar de adorar a Deus conforme Ele determinou em sua Palavra. Deste modo, isso pode acontecer sem que o nome do Senhor seja abandonado, pois alguém pode continuar falando de Deus e praticando atos de devoção enquanto passa a servi-lo segundo os próprios critérios. Foi exatamente o que ocorreu na casa de Mica. Como somente Deus possui autoridade para determinar como deve ser adorado, a sinceridade do adorador não torna aceitável aquilo que Ele não ordenou. Israel havia recebido instruções claras sobre o culto e, por isso, foi advertido a não fazer cada um aquilo que considerasse correto (Dt 12.8,13,14). Nadabe e Abiú demonstram a seriedade dessa exigência, pois foram julgados justamente por oferecer diante do Senhor um fogo que Ele não havia ordenado (Lv 10.1-3). O falso culto praticado por Mica foi ganhando proporções à medida que outras pessoas se envolveram com ele: primeiro o jovem levita e, depois, toda a tribo de Dã. A narrativa mostra como práticas erradas, quando aceitas em vez de corrigidas, podem ser repetidas, ampliadas e incorporadas por outros. O mau exemplo é contagiante.

1. A VÃ RELIGIOSIDADE DE UMA FAMÍLIA
Pergunta chave: Como a religiosidade de uma família pode ser vazia mesmo usando o nome de Deus?
Ideia central do ponto: Na casa de Mica, ainda se falava em Deus, mas a fé que professavam não era mais fé no Deus de Israel revelado nas Escrituras. Quando nossas escolhas deixam de ser submetidas à Palavra, podemos chamar de devoção aquilo que Deus condena.
1. 1 O furto de Mica.
Verdade central: Mica devolveu o dinheiro que havia furtado, mas não porque reconheceu seu pecado diante de Deus. Corrigiu o prejuízo causado à mãe, mas não mudou sua relação com o pecado.
Para refletir: Ao corrigir um erro, pergunte a si mesmo diante de Deus: você realmente quer abandonar o pecado ou apenas escapar de suas consequências?

A LIÇÃO DIZ: O capítulo 17 de Juízes apresenta uma família que vivia na região de Efraim (Jz 17.1- 3). Era uma casa espiritualmente confusa, decorrente do afastamento da Lei do Senhor ao longo dos anos. Mica, cujo nome significa “Quem é como Deus?”, havia furtado de sua mãe, mil e cem moedas de prata e agora estava restituindo. A sua restituição não foi decorrente de arrependimento, mas por medo da maldição que a sua genitora havia lançado sobre o ladrão. Entramos agora na terceira e última seção do livro de Juízes, dos capítulos 17.1 a 21.25. Já vimos as duas primeiras seções: a primeira, dos capítulos 1.1 a 3.6; e a segunda, dos capítulos 3.7 a 16.31. Os últimos cinco capítulos são diferentes dos anteriores, pois já não há anúncio de uma nova opressão nem o surgimento de um juiz libertador. O narrador muda a forma de apresentar os acontecimentos e passa a retratar a confusão de um povo cada vez mais rendido ao pecado. Depois de Sansão, o danita, a família, o culto e a própria sociedade, que já vinham em uma corrida acelerada rumo ao abismo, chegam agora às portas de uma crise ainda mais profunda. Warren Wiersbe observa que a desintegração de Israel se manifesta em três áreas principais da vida: o lar, o ministério e a sociedade. A família, o governo e a igreja são as três instituições estabelecidas por Deus; portanto, se elas entrarem em colapso, a sociedade desmorona.
Vamos ao texto bíblico:
   Havia um homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era Mica.  Ele disse à sua mãe: — As mil e cem moedas de prata que lhe foram roubadas, e a respeito das quais a senhora me falou e proferiu maldições, eis que esse dinheiro está comigo; eu o peguei. Então a mãe lhe disse: — Que o Senhor o abençoe, meu filho! Assim, ele devolveu as mil e cem moedas de prata à sua mãe, que disse: — De minha parte dedico esta prata ao Senhor Deus a favor de meu filho. Será usada para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição. Por isso, agora eu devolvo esta prata a você (Jz 17.1-3, NAA). Depois da morte de Sansão, o livro de Juízes deixa de narrar a atuação dos libertadores e passa a apresentar episódios que revelam a situação espiritual, moral e social de Israel. A primeira história desse epílogo tem início dentro da casa de uma família desconhecida da região montanhosa de Efraim. Nenhum rei, juiz ou comandante militar participa da cena. O narrador acompanha uma mãe, seu filho e uma grande quantidade de prata que havia sido roubada. A escolha dessa família nos permite enxergar que a decadência da nação de Israel já havia alcançado as relações familiares e a conduta diária dos israelitas.
  O personagem principal é inicialmente identificado no texto hebraico pela forma completa de seu nome, mîkāyĕhû, que significa “Quem é como o Senhor?”. Trata-se de uma pergunta retórica cuja resposta esperada é: ninguém. O nome preservava uma bela declaração sobre a incomparabilidade do Deus de Israel e provavelmente refletia a fé de quem o havia escolhido. Daniel Block chama atenção, entretanto, para a profunda incongruência existente entre o significado do nome e a conduta daquele homem. Mica carregava no nome uma confissão correta a respeito do Senhor, mas vivia como se os mandamentos do Senhor não possuíssem autoridade sobre ele. 

  A quantidade de prata roubada demonstra a gravidade do crime cometido. Embora a NAA utilize a expressão “moedas de prata”, o siclo funcionava como uma medida de peso, pois a prata ainda era pesada nas transações comerciais. Mil e cem siclos correspondiam a aproximadamente treze quilos de prata, uma fortuna para aquele período. Mais adiante, Mica oferecerá ao levita dez siclos por ano, além de roupa e sustento (Jz 17.10). Portanto, o valor roubado correspondia a cento e dez vezes a parte em prata daquele pagamento anual. A mesma quantidade havia sido mencionada no capítulo anterior, quando cada um dos governantes filisteus prometeu entregar mil e cem siclos de prata a Dalila para que ela descobrisse o segredo da força de Sansão (Jz 16.5). Essa correspondência levou alguns intérpretes a sugerir que a mãe de Mica seria Dalila e que ele poderia ser filho de Sansão. A hipótese, porém, não possui nenhuma sustentação no relato bíblico além dessa semelhança monetária. O narrador não identifica aquela mulher, não estabelece qualquer ligação familiar com Sansão nem oferece informações que permitam chegar a essa conclusão. A gravidade do furto também deve ser avaliada pela identidade da pessoa prejudicada. Mica não roubou um desconhecido, mas sua própria mãe. Com esse ato, violou o mandamento “Não furte” e desprezou a honra que deveria dedicar aos pais (Êx 20.12,15). O livro de Provérbios classifica com severidade semelhante aquele que rouba o pai ou a mãe e tenta diminuir a gravidade do ato: “Quem rouba o seu pai ou a sua mãe e diz: ‘Isto não é pecado’, é companheiro do destruidor” (Pv 28.24). A corrupção espiritual daquela família torna-se evidente antes mesmo da confecção das imagens e da organização do santuário. A confissão feita por Mica foi bem objetiva: “eu o peguei”. Ele reconheceu que a prata estava em seu poder e admitiu ser o responsável pelo desaparecimento. O narrador não registra tristeza pelo pecado, pedido de perdão ou preocupação com o sofrimento causado à mãe. Mica permaneceu com a prata até ouvir a maldição e, somente depois, revelou que era o ladrão. Embora não seja possível examinar todos os seus sentimentos, a
sequência dos acontecimentos indica que sua atitude foi motivada pelo medo das consequências. Warren Wiersbe resume bem a situação: “Foi o medo da maldição, não o temor do Senhor, que levou o filho a confessar o crime e devolver o dinheiro”. Mica temeu aquilo que poderia lhe acontecer, mas o relato não demonstra que estivesse entristecido por ter ofendido a Deus e desonrado sua mãe.

Esse episódio nos oferece duas aplicações.
Em primeiro lugar, admitir um erro por medo das consequências não é o mesmo que se arrepender. Uma pessoa pode confessar porque foi descoberta, porque teme uma punição ou porque já não consegue esconder o que fez. A tristeza segundo Deus, porém, leva o pecador a reconhecer a gravidade de sua desobediência e produz arrependimento acompanhado de mudança (2Co 7.10). Mica queria livrar-se da maldição, mas não demonstrou a mesma preocupação em abandonar o pecado.
Em segundo lugar, o arrependimento verdadeiro procura reparar o prejuízo causado. Pedir perdão a Deus não elimina a responsabilidade de devolver aquilo que foi roubado, corrigir uma mentira ou reparar um dano quando isso ainda é possível. Zaqueu demonstrou a transformação ocorrida em sua vida quando se dispôs a restituir aquilo que havia adquirido desonestamente (Lc 19.8). Quem se arrepende verdadeiramente não tenta somente aliviar a consciência; assume a responsabilidade pelo mal praticado e procura corrigir suas consequências. 

1.2 A maldição e a bênção da mãe.
Verdade central: A mãe de Mica amaldiçoou o ladrão, mas, ao descobrir que era o próprio filho, o abençoou sem confrontar sua desonestidade.
Para refletir: Não permita que o amor por alguém da família o leve a encobrir um pecado que precisa ser confrontado com verdade e amor.
A LIÇÃO DIZ: A mãe de Mica também revela sua religiosidade vazia (Jz 17.2-4). Com extrema facilidade, usava sua boca para amaldiçoar e para abençoar, como se houvesse poder em suas palavras. Essa noção é típica de uma religiosidade esotérica. Além disso, a mãe não confrontou o filho, expondo sua desonestidade.O termo hebraico traduzido como “proferiu maldições” é ʾālâ e pode expressar o ato de jurar, colocar alguém sob juramento ou invocar uma maldição. Naquela ocasião, a mulher provavelmente pronunciou uma declaração solene contra o responsável pelo furto, colocando-o sob a ameaça do julgamento divino. As maldições eram levadas a sério no antigo Oriente Próximo, o que explica o temor de Mica ao perceber que aquelas palavras recaíam sobre ele. O narrador, entretanto, descreve o comportamento da família sem afirmar que as palavras daquela mulher possuíam poder para determinar o destino do ladrão.
  Quando Mica reconheceu ser o culpado, sua mãe respondeu: “Que o Senhor o abençoe, meu filho!”. A referência ao Senhor mostra que o nome do Deus de Israel permanecia na linguagem daquela casa. Sua bênção poderia expressar o alívio pela recuperação da prata, mas também parece ter sido uma tentativa de cancelar a maldição anterior. Robert Chisholm observa que a mulher agia como se pudesse controlar o resultado por meio de suas declarações: primeiro colocou o ladrão sob maldição e, depois, tentou proteger o filho pronunciando sobre ele uma bênção.
A religiosidade esotérica mencionada pela revista refere-se a ideia de atribuir poder automático a alavras, objetos, gestos ou fórmulas. A bênção bíblica, porém, não funciona como uma declaração capaz de obrigar Deus a realizar aquilo que alguém pronunciou. Quando os sacerdotes abençoavam Israel, diziam: “O Senhor os abençoe e os guarde” (Nm 6.24). Ao concluir essa instrução, Deus declarou: “Assim, porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei” (v.27). Os sacerdotes pronunciavam a bênção, mas somente o Senhor poderia concedê-la. O erro da mãe de Mica não estava no desejo de ver o filho abençoado, mas na tentativa de abençoá-lo sem tratar sua desonestidade.    Ela comemorou a devolução do dinheiro, porém não o confrontou por ter violado os mandamentos de Deus e tê-la desonrado. O amor dos pais não deve ser usado para diminuir a gravidade dos erros dos filhos. Criá-los “na disciplina e na admoestação do Senhor” exige ensino, exemplo e correção, sempre sem violência ou humilhação (Ef 6.4). Esse episódio nos oferece duas aplicações.
O cristão pode pedir a proteção do Senhor e pronunciar palavras que edifiquem sua família, mas nenhuma frase possui poder para obrigar Deus a fazer o que desejamos. Nossas orações devem permanecer submissas à vontade divina e de acordo com as Escrituras.
Abençoar os filhos não significa aprovar ou esconder seus erros. Pais cristãos demonstram amor quando ensinam, corrigem e conduzem os filhos ao arrependimento. A omissão pode evitar um conflito imediato, mas contribui para que atitudes pecaminosas permaneçam sem tratamento e gerem mais problemas
depois.
1.3 Sincretismo religioso.
Verdade central: Mica criou um santuário particular, misturou o culto ao Senhor com práticas idólatras e consagrou um sacerdote fora da ordem estabelecida por Deus. Passou a servir a Deus do seu próprio jeito, e não como o Senhor havia determinado.
Para refletir: Examine se sua forma de adorar está de acordo com as Escrituras ou apenas reproduz costumes e modismos que parecem espirituais.
  A LIÇÃO DIZ: Para agravar, Mica também tinha “uma casa de deuses” (Jz 17.5), uma espécie de santuário privado, seu próprio centro de culto, em clara violação à ordem divina de que ao entrarem na terra deveriam cultuar somente no lugar que o Senhor determinasse (Dt 12). Era um “culto no lar”, mas totalmente distorcido. Unia elementos do culto israelita, com um éfode (colete usado pelos sacerdotes, especialmente o sumo sacerdote) e com terafins (pequenas imagens caseiras de deuses pagãos). Por fim, consagrou um de seus filhos como sacerdote, fora dos preceitos do sacerdócio (Êx 28.1; Nm 3.10).
Vamos ao texto bíblico:
 Porém o filho devolveu a prata à sua mãe, que pegou duzentas moedas de prata e as deu a um ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e uma de fundição. E a imagem ficou na casa de Mica. E, assim, este homem, Mica, veio a ter um santuário. Fez uma estola sacerdotal, alguns ídolos do lar, e consagrou um de seus filhos para ser o sacerdote. 6Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo (Jz 17.4-6, NAA). A decadência espiritual que já havia alcançado o caráter e as relações familiares agora influenciava negativamente o culto. A imagem confeccionada com a prata foi colocada na casa de Mica, que organizou ao seu redor uma estrutura própria de adoração. Havia um santuário, objetos de culto e até um sacerdote. Mica não havia abandonado o nome do Senhor, mas passou a servi-lo segundo suas próprias ideias, misturando elementos do culto israelita com práticas que Deus havia proibido. Essa combinação caracteriza o sincretismo religioso. Como vimos no texto principal, a palavra hebraica traduzida pela NAA como “santuário” significa literalmente “casa de Deus” ou “casa de deuses”. A NVI também emprega “santuário”, enquanto a NTLH utiliza “capela”. Portanto, se tratava de um local particular de culto, organizado para funcionar como um pequeno templo. Mica, porém, não possuía autoridade para estabelecer por conta própria um lugar de adoração, pois o Senhor havia determinado que Israel apresentasse seus sacrifícios no lugar escolhido por Ele (Dt 12.5- 14). Naquele período, o santuário de Israel estava em Siló (Jz 18.31). Entre os objetos presentes no santuário estavam um éfode e os terafins. O éfode pertencia ao contexto do serviço sacerdotal e também aparece relacionado, em algumas passagens, à consulta da vontade de Deus. Não há consenso sobre o que exatamente Mica fabricou, pois o termo pode indicar uma veste sacerdotal ou algum objeto utilizado no culto. Os terafins, por sua vez, eram imagens pagãs de uso doméstico associado a práticas religiosas e também podiam ser usadas na tentativa de obter respostas sobre o futuro. A finalidade desses objetos nos ajuda a compreender por que, mais adiante, os danitas pedem ao sacerdote de Mica: “Consulte a Deus, para que saibamos se prosperará o caminho que levamos” (Jz 18.5). 

  Nem tudo naquele santuário era, em sua origem, pagão. O éfode possuía lugar legítimo no culto de Israel, mas Mica o fabricou e utilizou fora daquilo que Deus havia estabelecido. Ao mesmo tempo, acrescentou os terafins e manteve a imagem feita com a prata. Logo, o que chamamos de sincretismo religioso se caracteriza por essa mistura: elementos ligados ao culto do Senhor foram retirados de seu lugar apropriado e reunidos com práticas idólatras.
  A escolha de um de seus filhos como sacerdote completou essa estrutura. A expressão traduzida como “consagrou” significa literalmente “encheu a mão” e era empregada para a ordenação sacerdotal. Mica, contudo, não tinha autoridade para realizar tal consagração nem para escolher quem exerceria o sacerdócio. Deus havia separado Arão e seus descendentes para essa função e estabelecido responsabilidades específicas para os levitas (Êx 28.1; Nm 3.5-10). Desta forma, Mica não apenas criou seu próprio santuário e seus objetos de culto, mas também escolheu seu próprio sacerdote.
  A avaliação do narrador vem logo em seguida: “cada um fazia o que achava mais certo” (Jz 17.6). A frase não elogia pessoas sinceras tentando fazer o melhor que podiam; ela descreve uma sociedade em que cada um havia transformado o próprio julgamento em critério para decidir o que era certo. Mica exemplifica exatamente essa condição. Em vez de submeter seu culto ao que Deus havia estabelecido, fez aquilo que parecia correto aos seus próprios olhos. A referência à ausência de um rei também precisa ser compreendida com cuidado. O restante da história de Israel mostrará que a existência de uma monarquia não resolveria o problema, pois reis como Jeroboão e Manassés também conduziriam o povo à idolatria. A crise era mais profunda: Israel havia rejeitado o governo de Deus expresso em sua aliança e em sua Palavra. Sem essa submissão, cada pessoa se tornava sua própria referência para decidir como viver e como adorar.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Por que Mica devolveu o dinheiro roubado?
2. Qual foi a reação da mãe ao receber o dinheiro de volta?
3. O que havia na “casa de deuses” de Mica?
4. O que significa sincretismo religioso?

2. QUANDO O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO SE DISTORCE
Pergunta chave: Como a vocação pode ser distorcida por interesses financeiros?
Ideia central do ponto: O levita deveria servir conforme a vontade de Deus, mas aceitou a proposta de Mica movido pelo que receberia em troca. A vocação é corrompida quando os interesses pessoais passam a dirigir as escolhas ministeriais.
2.1 O levita sem direção.
Verdade central: O jovem levita procurava um lugar onde pudesse se estabelecer e aceitou servir no santuário particular de Mica. Sua decisão mostra até que ponto já havia chegado a decadência espiritual no período dos Juízes.
Para refletir: Antes de aceitar uma oportunidade, avalie se ela honra a Deus ou apenas atende a uma necessidade imediata.
A LIÇÃO DIZ: A degeneração espiritual de Israel estava também entre aqueles consagrados ao serviço religioso. Um jovem levita que peregrinava em Belém de Judá veio parar na montanha de Efraim, na casa de Mica e sua família (Jz 17.7-11). Ao saber que se tratava de um levita, Mica lhe faz uma proposta para que seja por “pai”, no sentido de honra e estima, como um “guia espiritual”, e também sacerdote da casa. Por seus serviços lhe pagaria o salário de dez moedas de prata por ano, mais roupas e comida (v.10). Sem muito pensar, o rapaz aceitou a oferta, tornando-se o sacerdote particular da casa.
A Bíblia diz:
  Havia um jovem de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e estrangeiro naquele lugar. Esse homem partiu da cidade de Belém de Judá em busca de outro lugar para morar. E assim, seguindo o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, até a casa de Mica. E Mica lhe perguntou: — De onde você vem? Ele respondeu: — Sou levita de Belém de Judá e estou procurando um lugar para morar. Então Mica disse: — Fique comigo, como meu conselheiro e sacerdote. Eu lhe darei dez moedas de prata por ano, a roupa e o sustento. O levita entrou e consentiu em ficar com aquele homem. E o jovem era para ele como um de seus filhos. Mica consagrou o jovem levita, que passou a ser o seu sacerdote. E o jovem ficou na casa de Mica. Então Mica disse: — Agora sei que o Senhor me fará bem, porque tenho um levita como sacerdote (Jz 17.7-13, NAA).
  A crise espiritual que havia se instalado na casa de Mica alcança agora alguém que, por pertencer à tribo de Levi, deveria conhecer e preservar aquilo que Deus havia estabelecido para o culto de Israel. O novo personagem é um jovem levita que residia como estrangeiro em Belém de Judá. Embora morasse naquela região, sua origem era levítica, e Belém não fazia parte das cidades destinadas aos levitas em Josué 21.9-16, o que ajuda a compreender sua condição naquele lugar. Os levitas não receberam um território próprio como as demais tribos, porque foram separados para responsabilidades relacionadas ao serviço do Senhor. Cabia-lhes auxiliar no culto e ensinar ao povo a Lei de Deus (Nm 3.5-9; Dt 33.10). Por isso, seu sustento dependia das provisões estabelecidas na Lei e da fidelidade dos demais israelitas em cumpri-las. O narrador não explica por que aquele jovem decidiu deixar Belém. É possível que enfrentasse dificuldades para se manter, especialmente naquele período de decadência espiritual, mas o texto não permite afirmar qual foi a razão de sua partida. Ao chegar à casa de Mica, o levita encontrou um santuário particular, objetos de culto proibidos e um sacerdócio criado sem autorização divina. Por pertencer à tribo de Levi, ele deveria reconhecer que aquela estrutura contrariava a Lei e se recusar a participar dela. Entretanto, a possibilidade de encontrar moradia e sustento tornou a proposta de Mica atraente. O homem que deveria conhecer os limites estabelecidos por
Deus acabou aceitando servir justamente onde esses limites estavam sendo desrespeitados.
Esse episódio nos oferece, pelo menos, uma aplicação:
Buscar trabalho, moradia ou melhores condições de vida é legítimo, mas uma necessidade não torna correta qualquer oportunidade que apareça. Antes de aceitar uma proposta, precisamos considerar se ela pode ser recebida sem comprometer nossa obediência a Deus.
2.2 Contratando um sacerdote.
Verdade central: Mica ofereceu salário, roupas e sustento para ter o levita como sacerdote particular, e ele aceitou. O ministério, que deveria ser exercido segundo a vontade de Deus, tornou-se uma negociação entre o que Mica queria e o que o levita receberia.
Para refletir: Vigie suas motivações ao servir a Deus. Dinheiro, posição ou reconhecimento nunca devem pesar mais do que a fidelidade ao Senhor.
A LIÇÃO DIZ: O jovem levita esqueceu-se da sua vocação e transformou o ministério de sacerdote em conveniência financeira. Tornou-se um sacerdote contratado, dentro de uma relação religiosa de conveniência. Em troca de lucro, oferecia “cobertura espiritual” para a casa de Mica. Enquanto este, ao sustentarfinanceiramente um sacerdote, presumia que tinha a bênção de Deus (Jz 17.13). O Novo Testamento adverte quanto ao pecado da simonia: comprar ou vender benefícios espirituais (At 8.18-20). Até a chegada do jovem levita, um dos filhos de Mica exercia o sacerdócio naquele santuário. Quando soube que o viajante pertencia à tribo de Levi, Mica viu nele a oportunidade de dar maior legitimidade ao culto que havia organizado. Ter um levita como sacerdote tornaria seu santuário mais respeitável, embora as imagens, o lugar de culto e o próprio sacerdócio continuassem em desacordo com a Lei de Deus. 

  A proposta incluía uma posição dentro da família, o exercício do sacerdócio, dez moedas de prata por ano, roupas e sustento. Mica também convidou o jovem para ser seu “pai”, título de honra atribuído a alguém reconhecido como conselheiro. A NAA procura comunicar esse sentido ao traduzir a expressão como “meu conselheiro e sacerdote”. Há uma ironia na sequência do relato: convidado para ser “pai”, depois de aceitar a proposta o levita tornou-se para Mica “como um de seus filhos” (Jz 17.10,11).
A expectativa de Mica fica evidente em sua declaração: “Agora sei que o Senhor me fará bem, porque tenho um levita como sacerdote” (Jz 17.13). Ele imaginava que a presença de um levita lhe garantiria o favor de Deus, mesmo sem abandonar os ídolos. Em vez de adequar sua vida ao que Deus havia ordenado, Mica acrescentou ao santuário aquilo que julgava faltar para sentir-se aprovado. Ter o sacerdote certo, porém, não poderia tornar certo um culto que continuava errado. Nesse sentido, também precisamos ter cuidado com a ideia de “cobertura espiritual” quando ela é apresentada como se a ligação com determinado líder garantisse proteção, bênção ou uma posição privilegiada diante de Deus. A Bíblia ensina o cuidado pastoral, a responsabilidade dos líderes e o respeito daqueles que são conduzidos por eles (Hb 13.17; 1Pe 5.2,3), mas não atribui ao líder o papel de mediador da bênção divina. Cristo é o cabeça da Igreja e o único mediador entre Deus e os seres humanos (Cl 1.18; 1Tm 2.5).
A palavra “simonia” surgiu a partir de Simão, o mágico, que ofereceu dinheiro aos apóstolos para adquirir a autoridade de conceder o Espírito Santo pela imposição das mãos (At 8.18-20). Posteriormente, o termo passou a designar a compra ou venda de cargos, poderes ou benefícios espirituais. O acordo entre Mica e o levita não deve ser chamado de simonia em sentido estrito, pois o texto descreve a contratação e o sustento de um sacerdote. Existe, contudo, uma aproximação do conceito de simonia: Mica tratou aquilo que pertencia ao culto de Deus como algo que poderia contratar em benefício próprio. O episódio adverte tanto quem exerce o ministério quanto quem procura o auxílio de seus líderes.
Dinheiro, sustento, posição ou reconhecimento não podem levar um ministro a aceitar aquilo que ele deveria confrontar. Da mesma forma, nenhuma oferta, cargo ou proximidade com um líder pode compensar uma vida em desacordo com a Palavra.
2.3 A falsa espiritualidade hoje.
Verdade central: Mica queria garantir o favor de Deus sem se submeter ao que Ele havia ordenado. O mesmo erro se repete quando alguém transforma a fé em instrumento para obter dinheiro, prestígio ou influência.
Para refletir: Desconfie de qualquer mensagem que prometa benefícios sem exigir arrependimento, santidade e obediência.
A LIÇÃO DIZ: A cena bíblica retrata uma religião corrompida, que substitui a verdade por vantagens materiais, e transforma a fé em instrumento de busca por sucesso e prosperidade financeira. Nos tempos atuais, essa falsa espiritualidade se expressa por meio de modismos, sincretismo religioso e pragmatismo utilitário. A Palavra de Deus alerta contra tais práticas (1Tm 6.5,10; 2Pe 2.3). Ao escrever a Timóteo, Paulo advertiu sobre homens que consideravam “a piedade como fonte de lucro” (1Tm 6.5). Eles associavam a devoção aos benefícios materiais que poderiam obter, mas o apóstolo respondeu que “grande fonte de lucro é a piedade com contentamento” (v. 6), lembrando que nada trouxemos para este mundo e nada poderemos levar dele (vv. 7,8). A Bíblia não condena o trabalho, a aquisição honesta de bens ou a prosperidade financeira; condena o uso da fé como instrumento para o enriquecimento.

Os três desvios mencionados pela revista podem ser reconhecidos com facilidade.O modismo ocorre quando uma prática é aceita porque se tornou popular, e não porque possui fundamento bíblico.O sincretismo, como vimos anteriormente, mistura a fé cristã com crenças e rituais incompatíveis com as Escrituras. O pragmatismo utilitário considera correto tudo aquilo que produz o resultado desejado. Se atrai multidões, aumenta a arrecadação ou gera visibilidade, passa a ser defendido como aprovado por Deus. Entretanto, bons resultados não transformam o erro em verdade. O homem e a mulher que são autênticos servos de Deus não utilizam Cristo como instrumento para alcançar seus interesses pessoais, pois reconhecem que Ele é o próprio Senhor da vida. Antes de aceitar qualquer ensino, precisamos perguntar se ele respeita o contexto das Escrituras, se conduz a uma vida de fidelidade e se apresenta Cristo como Senhor ou somente como um meio para conseguir aquilo que desejamos.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. O que o levita estava buscando quando chegou à casa de Mica?
2. O que Mica ofereceu ao levita em troca de seus serviços?
3. Por que Mica achava que agora teria a bênção de Deus?
4. O que é simonia?

3. A CORRUPÇÃO DA FÉ E SUAS CONSEQUÊNCIAS DESTRUIDORAS
Pergunta chave: Como a corrupção da fé alcançou uma tribo inteira?
Ideia central do ponto: A tribo de Dã procurou resolver por conta própria o problema de sua herança. Depois de buscar orientação com um levita comprometido com o culto de Mica, roubou os ídolos, atacou Laís e fez da nova cidade um foco permanente de idolatria em Israel.
3.1 Uma tribo em busca de terra.
Verdade central: Dã já havia recebido sua herança, mas não tomou posse dela pela fé e pela obediência. Em vez de buscar o Senhor diante da dificuldade, a tribo procurou uma terra que parecesse mais fácil de conquistar.
Para refletir: Não abandone uma responsabilidade só porque outro caminho parece mais fácil. Nem toda oportunidade é sinal de que Deus está nos conduzindo por ela.
A LIÇÃO DIZ: Embora Josué já tivesse designado uma porção da terra para a tribo de Dã (Js 19.40- 48), eles não conseguiram tomar posse de sua herança (Jz 1.34). Em vez de reconhecerem seu fracasso e clamarem ao Senhor por auxílio, saíram em busca de outro território até chegarem à região de Efraim, mais especificamente à casa de Mica (Jz 18.1,2). Eles queriam herança, mas sem a direção de Deus. Eis mais uma marca da falsa religião!

A Bíblia diz:
  Naqueles dias, não havia rei em Israel, e a tribo dos danitas estava procurando um território para morar, porque, até aquele dia, não tinha recebido herança entre as tribos de Israel.Então os filhos de Dã enviaram cinco homens dentre todas as famílias da sua tribo, homens valentes, de Zorá e de Estaol, para espiar e explorar a terra. E lhes disseram: — Vão e explorem a terra. Chegaram à região montanhosa de Efraim, até a casa de Mica, e ali pernoitaram. Quando se aproximaram da casa de Mica, reconheceram a voz do jovem levita. Chegaram perto dele e lhe perguntaram: — Quem trouxe você para cá? O que você está fazendo aqui? E o que prende você a este lugar? Ele respondeu: — Assim e assim Mica fez comigo: ele me contratou, e eu me tornei o sacerdote dele. E eles lhe disseram: — Então, por favor, consulte a Deus, para que saibamos se o caminho que seguimos irá prosperar (Jz 18.1-5, NAA). Depois de mostrar a corrupção do culto na casa de Mica e a infidelidade do levita, o narrador passa a acompanhar a tribo de Dã. A expressão “naqueles dias, não havia rei em Israel” liga os dois capítulos e deixa claro que a decadência espiritual já ultrapassava os limites de uma família. Assim como Mica organizou o culto segundo seus próprios critérios, os danitas também passaram a decidir seus caminhos sem se submeter ao que Deus havia determinado.

  Apesar de não ser uma tribo grande (Nm 1.39), Dã recebeu um excelente território quando a terra foi dividida (Js 19.40-48). Os amorreus, porém, arredaram os filhos de Dã até às montanhas e não os deixaram descer ao vale (1.34). Dã não conseguiu tomar posse do território loteado para ela, pois os amorreus eram muito fortes. No cântico de Débora, Dã é descrita como uma tribo que se localizava perto do mar (5.17). Como os filisteus, povo oriundo da Grécia, no século 12 a.C., ocuparam a região costeira da Palestina, e como Gaza e Ascalom eram duas de suas cidades mais proeminentes à beira mar, os danitas devem ter encontrado emprego trabalhando nas embarcações filisteias. Artur Cundall sintetiza essa situação, assim: Os danitas tornaram-se incapazes de ocupar o território que lhes fora alocado (Js 19.41-46), devido à oposição dos amorreus e, depois, à pressão dos filisteus. Empurrados para as montanhas, ficaram confinados a uma área demasiadamente pequena, na região de Zorá e Estaol, onde se deram as façanhas de Sansão (13.2,25), em território que, de acordo com Josué 15:33 ficava também nas fronteiras de Judá. Warren Wiersbe, foi muito preciso quando escreveu: “Deus colocou cada tribo exatamente onde desejava que ficasse. Ao rejeitar o território que o Senhor havia separado para ela, a tribo de Dã estava opondo-se à vontade de Deus”.
3.2 Uma fé corrompida.
Verdade central: A decadência de Dã se aprofundou em três escolhas: ouvir um sacerdote que dizia o que queriam ouvir, acolher um levita movido por prestígio e unir a conquista de Laís ao culto idólatra.
Para refletir: Você busca a vontade de Deus ou busca quem confirme o que já decidiu fazer?
A LIÇÃO DIZ: Na sequência do relato (Jz 18.3-31), observamos as diversas expressões de uma fé deturpada, que se afasta da vontade de Deus e acaba gerando consequências devastadoras tanto para indivíduos quanto para toda a comunidade: Um sacerdote que fala o que querem ouvir (vv.3-6);Ídolos roubados (vv.7-26);Violência e institucionalização da idolatria (vv.27-31).Ampliando as informações do comentarista da lição destacamos que Warren Wiersbe elenca cinco pecados da tribo de Dã, no texto em apreço: cobiça (18.1,2), conselho pecaminoso (18.3-6), roubo e intimidação (18.14-26), violência e homicídio (18.7-13,27-29) e idolatria (18.30,31). A corrupção da fé dos danitas tornou-se evidente quando os espias procuraram o levita de Mica para consultar a Deus. A expedição já estava em andamento e o caminho havia sido escolhido; portanto, eles não desejavam submeter seus planos à vontade divina, mas obter a garantia de que seriam bem-sucedidos. Sem que o narrador registre qualquer consulta ao Senhor, o levita respondeu: “Vão em paz. O caminho de vocês está sob as vistas do Senhor” (Jz 18.6). Ao apresentar aquelas palavras como uma resposta favorável, o sacerdote falou falsamente, pois Deus jamais aprovaria a incredulidade e a infidelidade de uma tribo que havia desprezado sua herança e decidido agir segundo os próprios critérios. O levita disse o que os danitas queriam ouvir e atribuiu aprovação divina a uma decisão pecaminosa. 

  Essa corrupção se agravou quando os seiscentos homens passaram pela casa de Mica e os cinco espias roubaram a imagem, a estola sacerdotal e os ídolos do lar. O levita protestou até receber a proposta de servir a uma tribo inteira. Seu coração ficou contente, ele mesmo recolheu os objetos religiosos e acompanhou os danitas (Jz 18.19,20). O sacerdote que deveria confrontar a idolatria tornou-se responsável por transportá-la e ampliá-la. Assim, o falso culto que pertencia a uma família passou a ser adotado por uma tribo.

A corrupção da fé do povo de Israel chegou à sua expressão mais grave depois da conquista de Laís. Os danitas reconstruíram a cidade, deram-lhe o nome de Dã e estabeleceram nela a imagem roubada. No encerramento da narrativa, o levita é identificado como Jônatas, descendente de Moisés, o que demonstra até onde havia chegado a decadência espiritual de Israel. Timothy Keller diz que esse fato é uma prova de que Deus não tem netos. Cada ser humano tem de ter um encontro pessoal com Deus. Ninguém se torna parente de Deus a partir da árvore genealógica; nenhuma tribo, ou denominação religiosa, ou igreja local está ligada a Deus por um ancestral. O fato de os danitas terem alcançado seus objetivos não comprova que Deus aprovou suas decisões. Eles conquistaram a cidade, conservaram o sacerdote e estabeleceram seu culto, mas fizeram tudo isso em desobediência ao Senhor.
Esse episódio nos oferece duas aplicações.
• Ao buscar aconselhamento, precisamos estar dispostos a ouvir uma resposta que contrarie nossos desejos. Quem procura somente pessoas que confirmem suas decisões não deseja conhecer a vontade de Deus, mas revestir seus planos de aprovação religiosa.
• Quem ministra a Palavra não pode usar o nome de Deus para legitimar aquilo que as Escrituras condenam. O desejo de agradar às pessoas levou o levita a oferecer uma falsa garantia aos danitas e a participar da expansão da idolatria.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. Por que a tribo de Dã estava procurando outra terra?
2. O que o levita respondeu quando os danitas perguntaram sobre o caminho?
3. O que os danitas fizeram com os ídolos de Mica?
4. O que aconteceu com a cidade de Laís?

CONCLUSÃO
A história de Mica, do jovem levita e da tribo de Dã mostra como uma crise espiritual ganha proporções quando a Palavra de Deus deixa de determinar nossas escolhas. O erro praticado dentro de uma família alcançou um levita e, depois, foi incorporado por uma tribo inteira. O nome do Senhor continuava sendo pronunciado, mas cada um passou a servi-lo segundo aquilo que parecia certo aos próprios olhos. Que esta lição nos leve a rejeitar toda forma de falsa religiosidade, submeter nossos desejos às Escrituras e permanecer fiéis ao Senhor. Deus abençoe todos os professores. Esperamos vocês na próxima aula, em nome de Jesus. Amém.

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Comitê Gestor da Internet apresenta 46 diretrizes para a regulação das redes sociais no Brasil

O Comitê Gestor da Internet no Brasil apresentou nesta quinta-feira (17) um guia para a regulação das redes sociais no país. São sugestões de regras para preservar a liberdade de expressão com transparência e segurança.

O livreto traz o trabalho de um ano. O consenso de diversos setores da sociedade brasileira, dividido em 46 diretrizes, sobre como as redes sociais deveriam funcionar no Brasil para serem mais seguras e transparentes.

“Para estar mais aderente a princípios que a gente considera que preservam o direito da sociedade brasileira, o nosso desenvolvimento econômico, os direitos humanos, protegem a liberdade de expressão, a privacidade, portanto, transformando a internet em um lugar um pouco mais confiável e seguro”, diz Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

O documento é do Comitê Gestor da Internet, formado por representantes do governo, setor privado, organizações sem fins lucrativos, comunidade científica e tecnológica. Especialistas que concordam que a gente precisa saber mais sobre como as redes operam.

“Porque a gente não sabe o que está acontecendo. E, se a vida é cada vez mais digital, se o mercado passa cada vez mais por essas plataformas, se, por exemplo, as campanhas eleitorais, a forma de os governos se comunicarem com a população e as instituições em geral passam por essas plataformas, quem define quem tem a liberdade de expressão são elas, porque essas empresas moderam o conteúdo do jeito que querem”, afirma Marie Santini, diretora e fundadora do NetLab UFRJ.

E é preciso transparência para evitar a desinformação.

“Ou seja, eu preciso fazer com que as pessoas sejam capazes de verificar a origem, a fonte, se a informação é íntegra, se ela não foi manipulada”, diz Márcio Borges, pesquisador do NetLab- UFRJ.

O Brasil já deu um passo importante na defesa de quem está mais exposto no ambiente virtual. Exatamente seis meses atrás, entrava em vigor o ECA Digital, com as regras para proteger as crianças e os adolescentes na internet. Mas os especialistas afirmam que, sem transparência das redes, fica muito difícil fiscalizar a implementação. 

“O ECA Digital veda, inclusive, você fazer o perfilamento, que é você selecionar conteúdos com fins comerciais para crianças e adolescentes, por exemplo. Isso está na lei. Agora isso precisa ser implementado, fiscalizado e punido. E para saber se está implementado com o do devido rigor, a gente precisa de transparência”, afirma Rodrigo Nejm, especialista em educação digital do Instituto Alana.

As diretrizes publicadas nesta quinta-feira (17) não têm força de lei. Foram criadas para servir de guia na construção de redes sociais melhores para os brasileiros.

“A gente ainda precisa de um marco legal aprovado pelo Congresso Nacional, que represente o denominador comum da visão dos diferentes segmentos da sociedade brasileira, em como a gente gostaria que essas empresas prestassem seus serviços, respeitando a Constituição brasileira, respeitando a integridade da informação, protegendo os direitos humanos”, opina Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

g1

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Europa quer proibir uso de plataformas digitais por menores de 13 anos

 A Europa cobra responsabilidade das empresas de tecnologia: tanto nas redes sociais, quanto na inteligência artificial.

 A Europa quer redesenhar a fronteira entre crianças e o mundo digital. E a proposta é rede social só a partir dos 13 anos. Conta pessoal, só aos 15. Entre 13 e 15 anos, apenas contas supervisionadas pelos pais ou responsáveis, com recursos limitados e uso máximo de uma hora por dia. O projeto ainda terá de passar pelo Parlamento europeu e pelos governos do bloco, e chega em um momento em que aumenta a preocupação a tecnologia da inteligência artificial. Na Escócia, o Rei Charles III reuniu alguns dos nomes mais fortes do setor. Charles falou do potencial para transformar a medicina e salvar vidas. Mas também fez um alerta. Disse que a inteligência artificial pode trazer “perigos existenciais” se cair nas mãos erradas e questionou se os controles existentes serão suficientes antes que seja tarde demais. Em Estrasburgo, a resposta é criar regras. Na Escócia, discutir princípios. São caminhos diferentes diante da mesma questão: quanto mais poderosa se torna a tecnologia, maior é a pressão para que quem a desenvolve responda também pelos riscos.

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PF faz operação contra importação ilegal de eletrônicos no Rio

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (17), a Operação Conexão Paralela para investigar um grupo suspeito de trazer eletrônicos ilegalmente para o Brasil e comercializar os produtos sem o recolhimento dos impostos. Ao todo, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em Maricá, na Região Metropolitana. Na capital, as ações ocorrem na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Copacabana, Bangu e Guaratiba. Segundo a PF, a investigação começou após uma denúncia encaminhada pelo ComunicaPF, canal da corporação para o recebimento de informações sobre possíveis crimes de atribuição federal. As apurações apontam que o principal operador do esquema seria um policial militar. Ele atuaria com outros investigados na entrada clandestina de aparelhos eletrônicos, principalmente smartphones, no país. De acordo com a investigação, dezenas de milhares de dispositivos teriam sido introduzidos no Brasil nos últimos cinco anos. A movimentação financeira atribuída ao grupo é estimada em cerca de R$ 60 milhões no período. Durante as buscas, os agentes apreenderam celulares e peças em um escritório localizado na Barra da Tijuca. Também foram realizadas diligências na residência do principal alvo, no Recreio dos Bandeirantes. Os investigados poderão responder pelos crimes de descaminho e associação criminosa. A PF informou que outros delitos podem ser identificados durante o avanço das investigações.

cnnbrasil.

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Pessoa que estava em casa vizinha a Milton Leite diz à polícia que dinheiro apreendido em malas é do ex-vereador

Ex-vereador se apresentou à polícia na tarde desta sexta; polícia apreendeu R$ 280 mil e US$ 89 mil em malas e encontrou uma ‘passagem secreta’ em imóveis ligados a ele. Valores são investigados.

Uma pessoa que estava em uma casa vizinha a um dos imóveis ligados ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) disse nesta sexta-feira (18) à polícia que o dinheiro apreendido em malas durante os desdobramentos da Operação Vectura Corrupta pertence ao político.

Agora, a polícia investiga a origem do dinheiro, e o relato vai ser formalizado em depoimento.

Durante as buscas, os policiais apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil em dinheiro vivo, que estavam guardados dentro de malas. A quantia em dólares equivale a cerca de R$ 457 mil na cotação considerada pelas autoridades. Somados, os valores representam aproximadamente R$ 737 mil em espécie.

Segundo os investigadores, o fato de o dinheiro estar dentro de malas é um dos elementos que chamou a atenção da polícia e pode indicar que os valores estavam preparados para serem transportados. Essa é uma hipótese da investigação, a finalidade do dinheiro também precisa ser esclarecida.

Polícia encontra dinheiro em imóveis ligados a Milton Leite. — Foto: Reprodução

Polícia encontra dinheiro em imóveis ligados a Milton Leite. — Foto: Reprodução

A apreensão ocorreu durante buscas em Sorocaba, no interior de São Paulo, em imóveis ligados a Milton Leite. O ex-vereador se apresentou à polícia nesta sexta-feira (18).A Operação Vectura Corrupta investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo.

‘Passagem secreta’

Milton Leite é considerado foragido da Justiça. — Foto: Reprodução

Milton Leite é considerado foragido da Justiça. — Foto: Reprodução

Durante as buscas, os agentes também encontraram uma espécie de “passagem secreta” ligando dois imóveis. Segundo a investigação, uma das casas estaria ligada a um assessor de Milton Leite e a outra pertenceria ao próprio ex-vereador. A polícia suspeitava que Milton pudesse estar escondido em um dos endereços, mas ele não foi encontrado. A passagem entre os imóveis passou a ser analisada pelos investigadores como um possível indício de que o político poderia ter circulado ou permanecido no local antes da chegada das equipes.

Os policiais também encontraram documentos durante as buscas.

‘Dono de fato’ da Transwolff

Computadores e dinheiro são apreendidos em imóvel ligado a Milton Leite no interior de São Paulo. — Foto: Eliezer dos Santos/TV Globo

Computadores e dinheiro são apreendidos em imóvel ligado a Milton Leite no interior de São Paulo. — Foto: Eliezer dos Santos/TV Globo

A investigação apura a relação de Milton com empresas do setor de transporte e suspeitas de ligação com integrantes do PCC. A decisão judicial que autorizou a prisão temporária também menciona declarações de policiais militares segundo as quais ele seria o “dono de fato” da Transwolff.

Milton nega envolvimento com o PCC e também nega ser proprietário ou gestor da empresa.

Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo que operam na capital paulista teriam algum tipo de controle direto ou indireto de integrantes ligados à facção. Essa é uma conclusão da investigação e ainda está sujeita à apuração judicial.

Foragidos na operação contra o PCC no transporte público de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Foragidos na operação contra o PCC no transporte público de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

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Plataformas para crianças devem publicar relatório de transparência até esta quinta

Transcrição
  Plataformas digitais acessadas por crianças e adolescentes com mais de 1 milhão de usuários menores de 18 anos precisam publicar o primeiro relatório semestral de transparência previsto no ECA Digital. A obrigação vale para provedores de aplicações de internet voltados a menores de idade ou com acesso provável por esse público.  A Agência Nacional de Proteção de Dados esclareceu que o prazo deve considerar a data em que a lei completa um ano.  O Relatório inicial deve cobrir o primeiro semestre de 2026, com uma exceção para quem não tem dados consolidados no começo do ano. O documento precisa detalhar como a plataforma protege crianças e adolescentes e como lida com riscos e denúncias. O ECA Digital lista informações mínimas que devem constar no relatório semestral de transparência. Entre os itens exigidos estão dados sobre denúncias, moderação e medidas de prevenção a ilícitos O autor da proposta do ECA Digital foi o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe. Ele destaca a importância e o ineditismo da legislação. Nós estamos regulando parcialmente a atividade das empresas mais poderosas da história do capitalismo. Essa é a primeira lei das Américas nessa matéria. As empresas serão obrigadas a, por padrão, organizar seus aplicativos, seus produtos, seus serviços na forma mais protetiva para a criança e adolescente. Esse é um projeto, essa é uma legislação voltada para a proteção da criança e adolescente.” A publicação dos relatórios de transparência integra o conjunto de obrigações do ECA Digital voltadas a dar mais transparência e segurança ao ambiente digital utilizado por crianças e adolescentes. Mais informações sobre a Lei e sobre as demais obrigações previstas podem ser consultadas em gov.br/anpd. Da Rádio Senado, Pedro Pincer

senado.leg.br

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Antes do Bolsa Família, eu vi crianças sem infância

  Do homem que Manuel Bandeira viu catando comida no lixo

às crianças que encontrei trabalhando em fornos de carvão,

a história de um Brasil que mudou — e por que o Bolsa Família

não pode ser compreendido apenas pela disputa eleitoral de 2026.

  O reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a poucas semanas da eleição, produziu a reação previsível de seus adversários. Candidatos da oposição o classificaram como eleitoreiro, e houve questionamentos sobre sua legalidade. A proximidade das urnas torna legítimo discutir politicamente o momento escolhido pelo governo. Mas há duas questões diferentes aqui. Uma é jurídica. Outra, muito mais importante, é saber o que o Bolsa Família significou para o Brasil.

Comecemos pela lei.

O artigo 73, parágrafo 10, da Lei nº 9.504, a Lei das Eleições, proíbe, no ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública. Mas o próprio dispositivo estabelece exceções. Entre elas estão os “programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior”.

É precisamente nessa exceção que se enquadra o argumento jurídico em defesa do reajuste do Bolsa Família: trata-se de um programa permanente, instituído por lei e em execução orçamentária muito antes de 2026. Eventuais questionamentos sobre o caso concreto, evidentemente, cabem à Justiça Eleitoral. O reajuste anunciado em setembro é de 15,04%, correspondente à inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023. O piso por família sobe de R$ 600 para R$ 691. Os novos valores começam a ser pagos em outubro.

Esses são os números. Mas números não explicam inteiramente o que está em discussão.

Para compreender o Bolsa Família, é preciso lembrar de que Brasil estamos falando.

Em 1947, Manuel Bandeira escreveu um dos poemas mais dolorosos da literatura brasileira. Chamava-se “O Bicho”:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Em dez versos curtos, Bandeira retratou um país no qual a fome podia retirar de um ser humano até aquilo que, aos olhos dos outros, o distinguia de um animal. O choque do poema está justamente na última palavra: homem.

Quase meio século depois, aquele Brasil ainda existia.

Eu o vi.

Em 1995, percorri diferentes regiões do país para uma reportagem sobre trabalho infantil publicada pela revista Veja, “O Suor dos Pequenos”. Havia pelo menos 3 milhões de crianças às quais, na prática, era negado o direito à infância.

Elas não brincavam. Muitas mal estudavam. Trabalhavam.

Vi isso de perto.

Em Mato Grosso do Sul, conheci um viúvo já idoso que trabalhava em fornos de carvão alimentados com madeira. Ele tinha três filhas. Uma delas tinha apenas sete anos.

As três meninas trabalhavam junto com o pai.

Não porque alguém naquela família acreditasse que criança deveria trabalhar. Trabalhavam porque a remuneração dependia da quantidade de carvão de eucalipto produzido e porque, sem o trabalho delas, entraria ainda menos dinheiro em casa.

E, mesmo trabalhando todos, passavam fome.

Quando terminei a entrevista, fiz uma coisa que um repórter não deve fazer. Sem que aquele homem percebesse, tirei R$ 100 da carteira e deixei o dinheiro sobre um móvel. Corrigidos para valores de hoje, seriam algo em torno de R$ 570.

Não queria que ele soubesse que tinha sido eu. Repórter não paga por entrevista — e eu não estava pagando pela entrevista. Queria apenas que ele encontrasse aquele dinheiro depois. Talvez pensasse que tivesse esquecido que o possuía. Talvez uma das meninas o encontrasse. Talvez imaginassem que tivesse sido um acaso, uma sorte inesperada, quem sabe até um pequeno milagre.

Passaram-se mais de 30 anos, mas nunca esqueci aquela família.

Nem deixei de pensar que, entre o homem que Manuel Bandeira viu catando comida entre os detritos em 1947 e aquelas três meninas que encontrei trabalhando em fornos de carvão quase cinquenta anos depois, havia uma linha terrível de continuidade.

Era o Brasil da fome.

É preciso lembrar desse Brasil para compreender o significado histórico das políticas de transferência de renda.

O Bolsa Escola federal foi criado no governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, como um programa nacional de renda mínima vinculada à educação. A ideia era simples e poderosa: transferir dinheiro às famílias pobres e, em contrapartida, manter as crianças na escola, reduzindo a pressão para que trabalhassem. O benefício era de R$ 15 por criança, limitado a três crianças por família.

Em 2003, já no governo Lula, nasceu o Bolsa Família. Ele reuniu programas que existiam separadamente — entre eles Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás — numa política nacional unificada de transferência de renda.

Nos governos Lula e Dilma Rousseff, o programa ganhou escala e se transformou em uma das principais peças da rede brasileira de proteção social.

É importante reconhecer essa história inteira. Políticas públicas raramente nascem de uma única pessoa ou de um único governo. O Bolsa Família tem antecedentes. 

Houve experiências municipais de renda mínima e Bolsa Escola, como as de Anthony Garotinho quando prefeito de Campos de Goytacazes e de José Roberto Magalhães Teixeira, então prefeito de Campinas. Houve uma experiência de dimensão maior, a de Cristovam Buarque, no Distrito Federal.

Houve também o programa federal de Fernando Henrique Cardoso. Houve a unificação e a expansão promovidas a partir do primeiro governo Lula. Houve sua continuidade, mudanças de desenho e novas ampliações nos governos seguintes.

Mas também é um fato que o combate à fome ocupa um lugar antigo na trajetória política de Lula, muito anterior à sua chegada ao Palácio do Planalto.

Na biografia de Lula escrita por Fernando Morais, há relatos impressionantes do que ele encontrou ao percorrer o Brasil na primeira Caravana da Cidadania, em 1993, dez anos antes de assumir a Presidência.

A fome não aparecia como uma abstração estatística. Estava diante dele.

Havia gente revirando lixo à procura de comida. Houve uma mulher que desmaiou de fome. E outra que passou mal depois de comer palma, vegetação usada na alimentação do gado.

Lula perguntou se ela estava doente, se estava se sentindo mal.

Ela respondeu:

“Não, seu Lula, não estou doente. Estou com fome. Isso que eu vomitei é palma que comi hoje cedo, para forrar o estômago.”

É difícil encontrar uma definição mais brutal da fome.

Aquela mulher, as meninas dos fornos de carvão e o homem de Manuel Bandeira pertenciam a épocas diferentes. Mas pertenciam ao mesmo Brasil.

Um Brasil que mudou.

O Bolsa Família não acabou com a pobreza. Não acabou com a desigualdade. E, obviamente, não eliminou a fome para sempre. Nenhuma política pública tem esse poder isoladamente.

Mas cenas como aquelas deixaram de fazer parte da rotina brasileira na escala em que ocorriam.

O país, contudo, voltou a assistir a imagens semelhantes décadas depois. Durante o governo Bolsonaro, apareceram filas de brasileiros em busca de ossos e restos de carne. Em Cuiabá, em 2021, pessoas chegaram a dormir na rua para conseguir lugar numa fila de distribuição de ossos.

O Brasil também voltou ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO. Em 2025, a organização anunciou que o país havia novamente saído dele: no triênio 2022-2024, a proporção média da população em situação de subalimentação ficou abaixo do limite de 2,5% utilizado pela instituição.

O mercado de trabalho é outra parte indispensável dessa história. Transferência de renda e emprego não são políticas contraditórias. São complementares.

O Bolsa Família não foi concebido para substituir o trabalho. Para milhões de brasileiros, ele complementa uma renda que, mesmo quando existe emprego, pode ser insuficiente para pagar alimentação, aluguel, gás, transporte e as despesas dos filhos.

É nesse contexto que precisam ser entendidos os R$ 600 que agora passarão a ter um piso de R$ 691.

Para quem observa o programa exclusivamente da perspectiva da disputa eleitoral, R$ 691 podem parecer apenas mais uma peça no tabuleiro político.

Para quem conheceu o Brasil das crianças nos fornos de carvão, esse dinheiro tem outro significado.

Pode significar uma criança que não precisa acompanhar o pai ao forno.

Uma menina que pode ir à escola em vez de ajudar a produzir carvão.

Uma família que não precisa escolher quem comerá melhor naquele dia.

O combate à fome não apareceu na agenda de Lula em setembro de 2026.

É um tema presente em sua trajetória política há décadas, antes de sua primeira eleição para a Presidência. E o Bolsa Família não nasceu nesta eleição. É resultado de uma construção institucional iniciada antes de Lula, unificada e ampliada a partir de 2003 e mantida, com diferentes nomes, desenhos e valores, por governos posteriores.

Por isso, qualquer discussão sobre eventual finalidade eleitoral do reajuste precisa conviver com outro dado histórico: a prioridade conferida por Lula ao combate à fome é muito anterior à eleição de 2026.

Eu vi o Brasil antes do Bolsa Família.

Vi uma menina de sete anos trabalhando num forno de carvão porque sua família precisava do trabalho de uma criança para tentar comer.

Manuel Bandeira, quase cinquenta anos antes, tinha visto um homem procurando comida no lixo.

“Meu Deus”, escreveu ele, “era um homem”.

É uma frase que o Brasil levou décadas para começar a deixar para trás.

Talvez uma das melhores maneiras de medir o que o país mudou seja justamente esta: cenas que durante tanto tempo fizeram parte da paisagem brasileira passaram a nos parecer intoleráveis.

E talvez seja essa a dimensão que não deveria desaparecer quando o Bolsa Família volta a ser discutido apenas como uma questão eleitoral.

Antes de ser um número numa pesquisa, uma despesa no Orçamento ou um argumento numa campanha, há uma pergunta muito mais antiga.

É a pergunta que atravessa o poema de Bandeira, a menina que encontrei no forno de carvão e a mulher que Lula encontrou comendo palma para enganar o estômago:

O que uma sociedade está disposta a fazer para que ninguém precise passar fome?

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Governo estuda comprar e perdoar dívidas antigas com descontos de até 97%

  247 – O governo federal avalia criar uma nova etapa do Desenrola Brasil baseada na compra de dívidas antigas de famílias, sobretudo débitos contraídos durante a pandemia de Covid-19. A proposta em discussão prevê que os credores ofereçam descontos elevados, que podem chegar a 97%, e admite a possibilidade de cancelamento definitivo dos valores após a aquisição pelo poder público.As informações foram publicadas neste sábado (19) pelo jornal O Globo, que também revelou dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO) indicando inadimplência em cerca de 30% das operações parceladas realizadas na mais recente versão do Desenrola.Segundo os dados obtidos pelo jornal, 5,54 milhões de dívidas foram renegociadas desde o lançamento dessa etapa do programa, em maio. Desse total, 2,25 milhões deram origem a novos empréstimos, enquanto as demais foram quitadas à vista após os descontos.

 Entre as operações renegociadas, 30,34% aparecem como inadimplentes neste mês. Considerando o saldo ainda existente na carteira, R$ 1,25 bilhão de um total de R$ 3,3 bilhões deixou de ser pago, proporção equivalente a 37,4%.

O Ministério da Fazenda informou ao Globo que nenhuma operação foi, até agora, coberta pelo FGO. A pasta afirmou também que está verificando os números com as instituições financeiras participantes porque parte dos registros classificados como inadimplentes pode corresponder a operações posteriormente canceladas. Isso ocorre quando o consumidor fecha a renegociação, mas não paga nem mesmo a primeira parcela. Nesses casos, o novo contrato é desfeito e a dívida original volta a existir.

Governo avalia mudar o modelo

A taxa de atraso reforçou a discussão dentro da equipe econômica sobre uma alternativa que não obrigue as famílias a assumir um novo financiamento para resolver débitos antigos.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao Extra nesta semana que pretende apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma nova iniciativa para enfrentar o elevado estoque de dívidas das famílias sem depender de sucessivas renegociações. Pelo desenho atualmente analisado, o governo promoveria uma espécie de leilão entre os credores para adquirir débitos com elevado deságio. O foco estaria em dívidas de baixo valor, contraídas entre dois e cinco anos atrás e consideradas de difícil recuperação pelos bancos e demais credores.

Grande parte desse estoque teria origem no período da pandemia.

Em alguns dos cenários analisados pela equipe econômica, os descontos para a compra desses débitos ficariam entre 95% e 97%. Com um deságio dessa magnitude, técnicos avaliam que seria possível, na hipótese mais favorável considerada pelo governo, cortar pela metade tanto o estoque de dívidas quanto o número de inadimplentes, segundo O Globo.

Cancelamento das dívidas é opção preferida

Uma das possibilidades seria o Tesouro comprar os créditos e assumir a posição de credor, registrando os valores como ativos a receber.

O desenho considerado mais atraente na discussão técnica, porém, seria adquirir as dívidas com grande desconto e cancelá-las imediatamente. Nesse caso, o consumidor deixaria de ter qualquer valor pendente referente àquele débito. A operação teria impacto nas despesas primárias do governo e dependeria, portanto, de espaço no Orçamento. Durigan tem defendido que a solução consiga reduzir significativamente o estoque de dívidas antigas sem provocar uma despesa elevada para os cofres públicos.

Regra eleitoral está sob análise

Outro ponto ainda não resolvido é a possibilidade de lançar a iniciativa durante o período eleitoral de 2026.

O governo analisa juridicamente se a medida poderia esbarrar nas restrições previstas pela legislação eleitoral para a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública em ano de eleição. Uma das interpretações discutidas no governo é que não haveria impedimento porque o Desenrola já está em funcionamento neste ano. A nova proposta, entretanto, apresenta uma diferença relevante: em vez de simplesmente facilitar a renegociação entre consumidor e credor, o Estado poderia passar a comprar diretamente os débitos, eventualmente por meio de uma empresa estatal.

Ainda não há decisão definitiva sobre o formato nem sobre o calendário.

Caso a avaliação jurídica seja favorável, o governo ainda precisará decidir se coloca a iniciativa em prática antes ou depois do primeiro turno das eleições. Se os pareceres concluírem pela impossibilidade de implementação neste ano, a proposta poderá ficar para um eventual próximo mandato.

Desenrola renegociou R$ 28,37 bilhões

A versão mais recente do Desenrola renegociou R$ 28,37 bilhões em dívidas de famílias brasileiras entre 5 de maio e 31 de agosto, segundo números do Ministério da Fazenda mencionados pela reportagem.

Após a aplicação dos descontos, o valor efetivamente devido caiu para R$ 5,71 bilhões. O cálculo reúne tanto os débitos pagos à vista quanto aqueles transformados em novos contratos de crédito. Podiam participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalentes a R$ 8.105, e que tivessem parcelas vencidas havia entre 90 dias e dois anos em modalidades como cheque especial, crédito pessoal sem garantia e cartão de crédito.

Somente dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 foram incluídas.

Os abatimentos variaram conforme a modalidade e o tempo de atraso. No cheque especial e no rotativo do cartão, chegaram a variar de 40% a 90%. No crédito direto ao consumidor e no parcelamento do cartão, ficaram entre 30% e 80%.

Depois do desconto, o saldo poderia ser pago à vista ou dividido em até 48 meses, com juros limitados a 1,99% ao mês.

Na primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, foram renegociados R$ 53,07 bilhões em débitos de aproximadamente 15 milhões de pessoas. Desse montante, R$ 25,57 bilhões estavam relacionados ao público com renda de até dois salários mínimos e contavam com garantia do FGO.

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Abin alerta Lula e TSE para risco crítico de interferência dos EUA nas eleições

  Relatório enviado ao governo Lula e ao TSE aponta escalada da atuação de Washington e tentativa de influenciar o ambiente político brasileiro

247 – A  Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como de nível “crítico” o risco representado pela escalada da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil no contexto das eleições de 2026. O diagnóstico consta de um relatório confidencial encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.

As informações foram reveladas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo o documento, a inteligência brasileira identifica uma “escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”, dentro de um padrão mais amplo de influência de Washington sobre a região.

O relatório associa o movimento à política externa do segundo governo de Donald Trump, voltada à reafirmação da influência dos Estados Unidos na América Latina. Nesse contexto, Washington buscaria limitar o avanço de potências concorrentes, especialmente a China, sobre ativos estratégicos, infraestrutura e relações econômicas na região.

Brasil é apontado como alvo prioritário

Na avaliação apresentada pela Abin, o Brasil ganha importância especial nessa disputa por reunir capacidade econômica e política para manter maior autonomia internacional diante das demandas norte-americanas. A leitura do órgão de inteligência é que a resistência brasileira a um realinhamento automático com Washington contribuiu para uma sequência de medidas econômicas, comerciais e diplomáticas contra o país.

O governo Trump já adotou sobretaxas sobre produtos brasileiros, medidas diplomáticas restritivas e sanções contra determinados alvos. Em agosto, durante uma conversa telefônica com Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para parte das medidas comerciais eram infundadas. A ligação também incluiu uma defesa, por Lula, do sistema eleitoral brasileiro. Apesar de momentos recentes de distensão entre os dois presidentes, a avaliação registrada pela Abin é de que a pressão sobre o Brasil não foi interrompida.

Eleição entra no centro das preocupações

Um dos pontos mais sensíveis do relatório é a identificação de iniciativas norte-americanas relacionadas diretamente ao ambiente eleitoral brasileiro. A Casa Branca chegou a propor uma declaração conjunta que buscava comprometer o Brasil com a não imposição de restrições à participação de chamados “dissidentes políticos” nas eleições. Segundo a avaliação relatada pela inteligência brasileira, a iniciativa ultrapassaria o terreno diplomático e alcançaria questões submetidas às instituições brasileiras.

Lula rejeitou a proposta e classificou o documento como “arquivo morto”.

A preocupação com uma eventual interferência dos Estados Unidos nas eleições já havia aparecido no próprio diálogo entre Lula e Trump em agosto. Na ocasião, o presidente brasileiro fez uma defesa do sistema eleitoral nacional durante a conversa de mais de uma hora entre os dois chefes de Estado.

Marco Rubio aparece como personagem central

O relatório também destaca a atuação do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Segundo a análise da Abin divulgada pela Folha, Rubio ocupa posição central na estratégia de pressão sobre o Brasil e tem direcionado críticas diretamente a Lula. O órgão interpreta a atuação do secretário dentro de uma política regional destinada a aumentar a influência de Washington e reduzir o espaço de governos menos alinhados aos Estados Unidos. O Brasil aparece nessa disputa também por sua relação com os Brics e com a China. A política externa se tornou, inclusive, um dos pontos de divergência entre os candidatos à Presidência em 2026, com propostas distintas sobre Brics, Washington, Pequim, Mercosul e minerais estratégicos.

Sanções e crime organizado integram cenário de pressão

Outro eixo apontado pela inteligência envolve medidas norte-americanas relacionadas ao crime organizado brasileiro.

Washington ampliou sanções contra pessoas e empresas acusadas de relações financeiras com organizações criminosas, com consequências que podem atingir operações em dólar e relações com instituições financeiras internacionais.

A classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas também se tornou objeto de divergência entre os dois governos. Na ligação de agosto, Lula afirmou a Trump que o Brasil tem instrumentos próprios para enfrentar facções criminosas e sustentou que esses grupos, embora provoquem terror cotidiano, não se confundem necessariamente com organizações terroristas.

Para a Abin, medidas econômicas, diplomáticas, políticas e de segurança precisam ser analisadas em conjunto, diante do risco de produzirem efeitos sobre o ambiente político brasileiro em pleno ano eleitoral.

O alerta enviado ao governo e ao TSE transforma, assim, a possibilidade de interferência externa em uma preocupação institucional formal às vésperas da disputa presidencial de 2026.

brasil247

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Quanto tempo deve durar o banho? Veja o que é suficiente

O banho pode ser um dos momentos mais demorados da rotina. Para muita gente, o chuveiro não serve apenas para a higiene: também é uma oportunidade para relaxar, se aquecer ou simplesmente aproveitar alguns minutos sem pressa.

Entre os mais jovens, esse hábito aparece com ainda mais frequência.

Quanto tempo é suficiente?
Para quem entra no chuveiro apenas para lavar o corpo, três minutos podem ser suficientes. Quando a lavagem dos cabelos faz parte da rotina, esse período pode chegar a aproximadamente cinco minutos.

  O tempo maior, porém, nem sempre está relacionado à necessidade de limpeza. Em muitos casos, o chuveiro assume outras funções. Relaxar, espantar o frio ou começar o dia com mais calma estão entre os motivos que fazem algumas pessoas permanecerem debaixo da água por mais tempo.

O que faz o banho durar mais
   O horário também pode influenciar. Pela manhã, quando há uma rotina a cumprir, a tendência é que o banho seja mais rápido. À noite ou nos fins de semana, com menos compromissos imediatos, é mais fácil prolongar esse momento.

  A pressão da água também pode interferir. Quando o jato é fraco, algumas pessoas ficam mais tempo no chuveiro na tentativa de alcançar uma sensação de limpeza adequada.

Banho longo também pesa no consumo
 O tempo passado debaixo d’água também se reflete no consumo. Dez minutos podem representar um gasto de até 150 litros, o equivalente a cerca de 750 copos comuns.Embora alguns minutos extras pareçam pouco, a soma ao longo dos dias pode representar uma diferença significativa no volume utilizado.

folhape

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Brasil vai às urnas em um momento delicado

  O Brasil vai às urnas em uma fase de fragilidades para a República. A democracia não está sob a ameaça de um golpe armado, como ocorreu depois das eleições de 2022, mas sofre um processo de corrosão interna provocado pela disfuncionalidade das instituições. O Judiciário está paralisado por disputas entre seus integrantes; o Congresso tornou-se cada vez mais fisiológico e patrimonialista; e o Executivo usa o Orçamento para ampliar vantagens eleitorais, apesar do desequilíbrio fiscal. Ainda bem que haverá eleições, feitas por meio do voto direto, secreto e universal, protegido pela segurança das urnas eletrônicas e pela rápida apuração dos resultados. Em 4 de outubro, caberá ao eleitor demonstrar a responsabilidade que tem faltado aos candidatos e às instituições.

  O reajuste do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691, anunciado a 17 dias do primeiro turno e com pagamento previsto entre as duas votações, é o exemplo mais recente dessa disfuncionalidade. Trata-se de uma contradição difícil de esconder. O governo alega que está apenas repondo a inflação acumulada desde o último reajuste. A lei admite a correção dos benefícios, mas o calendário da medida revela sua finalidade política.

  Não está em discussão a importância do Bolsa Família. O programa é indispensável para milhões de brasileiros e representa uma política pública de enorme alcance social. O benefício é um direito financiado pelos contribuintes, não uma dádiva concedida pelo governante de plantão.

  O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, encerrou uma sessão extraordinária na última terça-feira sem uma conclusão quanto à abertura de investigação de um de seus integrantes, expondo divisões, suspeitas recíprocas e dificuldades para estabelecer um procedimento consensual. Em crise institucional histórica, a mais alta Corte do país tem seus limites de atuação e sua capacidade de salvaguardar a estabilidade democrática questionados. Precisa dar uma resposta à crise que não seja corporativa, mostrando-se maior que ela e retomando o caminho da estabilidade e da legitimidade.

  Há de se considerar ainda a realidade do Congresso Nacional, mergulhado na prática de converter parcelas crescentes do Orçamento em instrumento de poder sem assumir responsabilidade correspondente pela execução das políticas públicas. Nesse ambiente de disfuncionalidades, a eleição funciona como a principal oportunidade de prestação de contas. O voto não resolverá sozinho as crises, mas continua sendo o mecanismo mais legítimo para impor limites. A palavra final ainda pertence ao eleitor. Que não se desperdice o voto.

correiobraziliense

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Saiba o que a polícia encontrou na casa do ex-vereador Milton Leite

  A Polícia Civil e o MP-SP encontraram uma passagem secreta e R$ 765 mil reais em dinheiro na casa do ex-vereador Milton Leite em Sorocaba, no interior de São Paulo. Leite era procurado desde a manhã de quinta, 17, após ser alvo de um mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MP-SP na quinta-feira, 17, para apurar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.

  A polícia apura a possibilidade de ter ocorrido um vazamento da operação, uma vez que Leite ficou mais de 24 horas foragido. Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, 11 foram cumpridos até o momento. Outras cinco pessoas, incluindo o presidente do Água Santa, Paulo Sirqueira Korek Farias, ainda estão foragidas.

A ação de quinta-feira é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na época, a investigação revelou uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da “Sintonia Restrita” e da “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais. A Justiça autorizou o mandado de prisão temporária contra Leite sob a justificativa de que ele é “citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”.

“Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da empresa Transwolff”, disse o desembargador Sergio Ribas em sua decisão.

A Transwolff é uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do MP-SP, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção. A defesa da Transwolff afirmou que Leite nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários. Segundo os advogados, qualquer afirmação nesse sentido é equivocada e não corresponde à realidade.

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Contribuições para campanhas chegam a R$ 423 milhões; saiba quem são os maiores doadores

  A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, as doações de pessoas físicas a campanhas eleitorais alcançaram o valor de R$ 423 milhões. Os dados são do sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e foram atualizados na manhã desta sexta-feira (18).

  O ranking de doações é liderado pelo empresário Carlos Suarez, também conhecido como Rei do Gás. Segundo os dados do portal, ele destinou R$ 5,7 milhões a partidos e a candidatos.

  Entre as legendas beneficiadas, estão MDB, União Brasil, PSDB, PP e PSD. Cada uma recebeu R$ 1 milhão. Ele também enviou recursos ao PSB e aos candidatos ao posto de deputados estaduais João Pedro Souza Nunes (MDB-RS) e Murilo Machado Silva (MDB-RS).

  Baiano, Suarez mantém relação com políticos de diferentes partidos. Seu principal eixo de negócios envolve o setor de gás, onde controla ou tem participação em empresas ligadas à distribuição e transporte de gás natural, como Termogás, TGBC, Cigás e CS Energia. Ele também é ligado a projetos de infraestrutura energética. O segundo maior montante de doações provém de Alexandre Grendene, empresário ligado ao setor de calçados e cofundador da empresa que leva seu sobrenome. Um total de R$ 3,7 milhões foi distribuído entre candidatos a governos estaduais no Rio Grande do Sul e no Ceará. Zucco (PL), que mira o governo gaúcho, recebeu R$ 2,5 milhões. Ciro Gomes (PSDB), que concorre ao governo cearense, recebeu R$ 500 mil, assim como o candidato ao Senado pelo Ceará Cid Gomes (PSB). Há também uma doação a candidata a deputada estadual Regina Maria Becker, com R$ 200 mil. O terceiro maior doador é Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan, grande conglomerado que controla negócios estratégicos nos setores de energia, logística e infraestrutura. São R$ 3,2 milhões destinados a candidaturas até então. O montante de R$ 1 milhão foi direcionado ao MDB. O restante foi direcionado a 15 candidatos a deputado federal ou estadual. O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) recebeu R$ 300 mil. Os demais, R$ 200 mil, Quarto maior doador, Robert Carlos Lyra, presidente da Delta Sucroenergia, direcionou R$ 2,6 milhões, distribuídos entre o partido PP — R$ 1,5 milhão — e a candidatos em Minas Gerais. Destacam-se ainda R$ 500 mil destinados a Flávio Roscoe, que concorre ao estado pelo PL. O empresário Pedro Grendene é o quinto maior doador. Ele destinou R$ 2,4 milhões a candidatos no Ceará e no Rio Grande do Sul, assim como seu irmão. Destaca-se R$ 1 milhão destinado ao candidato ao governo cearense Elmano de Freitas (PT).

Confira matéria no Correio Braziliense.

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Gilmar Mendes decide que reajuste do Bolsa Família feito por Lula não fere regras eleitorais

   O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (18) que o decreto que reajustou os valores do Bolsa Família não viola as regras eleitorais. A decisão atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), órgão que representa o governo federal na Justiça, apresentado no mesmo dia, para que a Corte reconhecesse a constitucionalidade da medida.

  O piso do benefício, mantido em R$ 600 desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobe para R$ 691, um aumento de 15,04%. O novo valor passa a valer em outubro, com pagamentos a partir do dia 19, período que cai entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais.

  O pedido da AGU chegou em meio a críticas ao governo, já que o reajuste foi anunciado a poucos dias do primeiro turno. O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, chegou a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do aumento, alegando que a medida teria finalidade eleitoreira.

DP

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Wanessa Camargo fala de crise financeira e abandono de amigos pós-BBB: ‘Dói pra caramba’

 Wanessa Camargo, de 43 anos, contou que enfrentou uma grande crise financeira e precisou fazer empréstimos após participar do BBB 24. A cantora disse que foi uma fase difícil, mas a experiência a deixou mais forte e a ajudou a entender quem são seus amigos de verdade. De acordo com a filha de Zezé Di Camargo, pessoas que a conheciam há mais de 20 anos viraram a cara para ela por “lacração”.

 “Eu estava cancelada. As pessoas não entendiam, não queriam me ouvir, não me chamavam. Poucos amigos me deram a mão. Fiquei sem fazer renda. Meu custo continuou aqui [no alto] e, de repente, eu tive que fazer assim [diminuir]. E taca-lhe empréstimo”, revelou Wanessa no podcast RivoTalks

De acordo com a cantora, ela topou o desafio do confinamento para mostrar ao público quem ela é de verdade e não por questões financeiras. “Fui para um lugar que eu não precisava e me ferrei financeiramente, acontece com muita gente, porque você para [de trabalhar]. Se você for olhar pelo lado prático, teve vários pontos negativos”, avaliou.

Apesar disso, ela não se arrependeu: “Sou uma pessoa de olhar a vida de outra forma. A força interna que eu ganhei no pós para lidar com as dores, para lidar com a opinião pública, para lidar com o julgamento [compensou]. Eu fiquei muito mais preparada para o que vai vir. Retomei minha força, separei o joio do trigo das minhas relações, de quem está comigo e de quem não está comigo, isso foi muito nítido”.

De acordo com a artista, poucas pessoas ficaram ao seu lado quando ela foi expulsa do reality show por dar um tapa na perna de Davi Brito, campeão da edição. Wanessa falou que foram poucos os amigos que “deram a mão e conversaram” com ela. “Não teve um que levantou o dedo [para me ajudar], fora do âmbito familiar e meu ex-namorado [Dado Dolabella]. Algumas pessoas levantaram minha bandeira e defenderam. Foram poucas”.

O que mais chateou a cantora foi ver pessoas que há conheciam há anos virando a cara para ela. “Seguiram a manada da lacração. Isso dói pra caramba. Teve pessoas que perguntei: ‘Você me conhece há 20 e poucos anos e está dizendo que sou isso. Mas você já viu na vida fora de lá?’. Ele: ‘Não, mas lá você foi’. Não condiz, está falando pelo recorte que viu”, recordou.

Para a filha de Zezé, tudo mudou quando ela participou de outra atração da Globo. “Dança dos Famosos foi um presente. Ali eu pude ser eu e ter fragilidade. Foi lindo. Acredito que demore o tempo que for, mas a verdade sempre aparece, as coisas são colocadas no lugar, o mundo é justo”, concluiu.

revistaquem

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Malu Mader surpreende ao declarar voto em Lula e faz declaração polêmica

Na gravação, Malu relembrou o início da carreira e afirmou que acompanha há décadas as transformações do setor cultural brasileiro. Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a atriz falou sobre um período que descreveu como de dificuldades para artistas e para a produção cinematográfica.

“Eu comecei a trabalhar como atriz aos 15 anos e vi o que aconteceu quando decidiram que os artistas eram inimigos. Cinema parado, projetos na gaveta. Como se contar a nossa história fosse um luxo. Agora, o cinema brasileira renasceu. Nós voltamos a filmar, a gerar empregos e a ver o filme inteiro aplaudindo de pé o nosso cinema, a cultura brasileira. Isso não caiu do céu. Foi a escolha de um governo que entende que cultura é trabalho, é economia e é a alma de um país. O Brasil pode e deve acreditar nas suas próprias histórias. Por isso, o meu voto já tem lado. Meu nome é Malu Mader e eu estou com Lula. O Brasil está pronto para mais.”

Malu declara voto em Lula

Ao longo do vídeo, a atriz deixa explícita sua posição para a disputa presidencial. A manifestação ocorre poucas semanas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

“Por isso, o meu voto já tem lado”, afirma Malu.

A declaração ocorre após a participação da atriz, no último domingo (13), em um ato realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro, no qual artistas como Claudia Abreu, Betty Goffman e Tony Bellotto também declararam apoio à candidatura de Lula.

Cultura como argumento
Em sua fala, Malu Mader colocou a produção cultural no centro de sua justificativa. A atriz afirmou que, em sua avaliação, a retomada de filmes e a geração de empregos no setor estão relacionadas às escolhas feitas pelo governo.

Segundo ela, o cinema brasileiro voltou a produzir e a conquistar reconhecimento do público, além de representar uma forma de contar histórias nacionais.

A atriz também defendeu que o Brasil valorize suas próprias narrativas e ressaltou a relação entre cultura, trabalho e economia.

“Agora, o cinema brasileira renasceu. Nós voltamos a filmar, a gerar empregos e a ver o filme inteiro aplaudindo de pé o nosso cinema, a cultura brasileira.”

Carreira de mais de quatro décadas
A declaração política foi feita poucos dias depois de Malu completar 60 anos. A atriz iniciou a carreira ainda adolescente e teve sua primeira experiência profissional na televisão aos 16 anos, na novela Eu Prometo, da Globo. Desde então, construiu uma trajetória marcada por novelas, minisséries e trabalhos no cinema.

Ao relembrar sua trajetória no vídeo, ela utilizou justamente o início da carreira para contextualizar sua relação com a cultura e com o audiovisual brasileiro. Malu também reforçou que acredita na capacidade do país de produzir e valorizar suas próprias histórias antes de finalizar a mensagem com a declaração explícita de apoio ao atual presidente.

“Meu nome é Malu Mader e eu estou com Lula. O Brasil está pronto para mais.” 

terra

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Passou fome? Wanessa Camargo revela o que aconteceu com sua vida após o ‘BBB24’: ‘Me ferrei’

   Cantora relembrou período após deixar o reality, falou sobre queda nos trabalhos, empréstimos e afastamento de pessoas que considerava amigas

  Segundo Wanessa, o primeiro ano após o confinamento foi especialmente complicado. Com a repercussão negativa e menos oportunidades profissionais, ela afirmou que deixou de gerar renda enquanto suas despesas continuavam e precisou recorrer a empréstimos para conseguir manter os compromissos.

  “Eu tava cancelada, as pessoas não entendiam, não queriam me ouvir, as pessoas não me chamavam, poucos amigos me deram a mão. Eu fiquei sem fazer renda, assim, e de repente meu custo continuou aqui, e de repente eu tive que fazer assim, ‘ó, e taca-lhe empréstimo’. Então, assim, eu falei: cara, o que que eu fiz, né? Eu fui pra um lugar que eu não precisava e me ferrei financeiramente. O que acontece com muita gente, que chega lá e, financeiramente… porque você para, né? Então, assim, se você for olhar pelo lado prático, tem vários pontos negativos”, revelou a cantora.

  Cantora fala sobre amizades após o reality
Além dos reflexos profissionais e financeiros, Wanessa afirmou que a experiência também mudou sua percepção sobre as relações pessoais. De acordo com a artista, algumas pessoas que considerava próximas se afastaram após a repercussão de sua participação no programa.

Para ela, o período serviu para identificar quem realmente permaneceu ao seu lado diante das críticas e do julgamento público.

  “Eu sou uma pessoa de olhar a vida de outra forma. Então a força que eu ganhei no pós, interna, pra lidar com as dores, pra lidar com opinião pública, pra lidar com julgamento, eu fiquei muito mais preparada pro que vai vir. Eu tomei a minha força, separei o joio do trigo das minhas relações, de quem tá comigo, de quem não tá comigo. Isso foi muito nítido. Então o meu tempo pra essas que estavam do meu lado, quando eu saí, onde é que eu saí, bati a perna ali? Aquelas pessoas que me procuraram, me deram a mão, conversaram comigo, e não pedir que assim, não teve um. Que levantou o dedo fora do âmbito mais trabalhado do meu ex-amorado. Algumas pessoas levantaram minha bandeira e me defenderam. Mas muitas poucas que me conhecem de verdade”.

  Wanessa destacou ainda que a experiência, apesar das dificuldades, trouxe um amadurecimento pessoal. A cantora afirmou ter saído do episódio mais preparada para lidar com críticas e julgamentos.

  Wanessa questiona narrativa exibida no BBB24
Durante a entrevista, a cantora também comentou a forma como acredita ter sido retratada no programa. Para Wanessa, a edição teria privilegiado uma narrativa em que ela aparecia como a vilã da história.

“O enredo é: Vanessa é a vilã. O que que corrobora pra ele? Mostrar ela fumando, não mostrar ela sendo carinhosa com os participantes, não mostrar quando ela resolveu a situação e foi carinhosa e abraçou. Então não interessava, não interessa mostrar ela cozendo feijão todo dia, limpando banheiro todo dia, entendeu? Aí o único VT que eu tive foi um de patricinha”, concluiu.

A participação de Wanessa no BBB24 terminou após sua expulsão do programa, em fevereiro de 2024. Na época, a cantora deixou a competição depois de uma acusação de agressão envolvendo Davi Brito, que posteriormente negou ter sofrido agressão física. A saída provocou forte repercussão nas redes sociais e marcou um dos momentos mais comentados daquela edição.

terra

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PF apreende R$ 600 mil em ação contra crimes eleitorais em Niterói

  A Polícia Federal (PF) apreendeu nesta terça-feira (14) R$ 600 mil em espécie durante uma ação contra crimes eleitorais em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Após um trabalho de inteligência e troca de informações, os policiais federais abordaram uma mulher em Piratininga e localizaram as cédulas. O dinheiro estava em uma bolsa em maços de R$ 50 mil e R$ 100 milDocumentos e planilhas também foram apreendidos. A mulher foi encaminhada à Delegacia de PF em Niterói para prestar esclarecimentos.A corporação não informou se ela ficou presa. “As investigações seguem com o objetivo de aprofundar as investigações, especialmente com relação à origem do dinheiro apreendido e sua destinação”, disse a PF.

g1

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PF apreende R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo que abasteceriam campanha eleitoral no Pará; dois são presos

  Dinheiro de suposto desvio de recursos públicos foi retirado de agência bancária em Belém. Investigação da PF com a CGU aponta para financiamento eleitoral ilegal.

Duas pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (16), logo após sacarem R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo em uma agência bancária de Belém. A PF não confirmou quem são os investigados. De acordo com a PF, o dinheiro apreendido é fruto de desvio de recursos públicos e tinha como destino final o financiamento ilegal de campanhas políticas no estado. Além do montante milionário em cédulas, os policiais federais apreenderam uma arma de fogo e diversos documentos e materiais de interesse para a investigação. Todo o conteúdo apreendido passará por perícia técnica.

Rastreamento do dinheiro

A operação que resultou no flagrante contou com a colaboração ativa da Controladoria-Geral da União (CGU). Técnicos do órgão federal auxiliaram os investigadores na análise financeira e no rastreamento da origem dos recursos, o que permitiu identificar o momento exato da retirada do dinheiro no banco. A suspeita é de que o esquema utilize “caixa dois” para abastecer candidaturas locais, configurando crime eleitoral.

Crimes investigados

Os dois suspeitos presos foram encaminhados à sede da PF e, posteriormente, colocados à disposição do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA).

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, por uma série de crimes graves, entre eles:

  • Lavagem de dinheiro;
  • Peculato (desvio de dinheiro público por servidor);
  • Corrupção eleitoral;
  • Associação criminosa;
  • Porte ilegal de arma de fogo;
  • Resistência à prisão.

  A Polícia Federal informou que as investigações continuam em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no esquema de desvio e receptação dos valores.

g1

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Setor empresarial reage à crise institucional e cobra transparência do STF

  Um grupo de 2.757 entidades empresariais divulgou nesta quarta-feira (9) um manifesto em que pedem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que examine, em sessão pública, fatos que, segundo o documento, estão relacionados à crise institucional enfrentada pelo país. A mobilização foi articulada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que reuniu representantes de diferentes setores da economia.

   O texto, denominado “Manifesto à Nação Brasileira”, também é assinado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio SP).

  Presidente da CACB, da FACESP e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alfredo Cotait Neto afirmou que o manifesto representa uma cobrança da sociedade civil por transparência e esclarecimentos do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, a intenção é que os fatos sejam discutidos pelo Plenário e apresentados de forma clara à população.

  “Estamos surpresos e indignados com a situação que o país está nesse momento. O STF é o órgão que tem como função defender a Constituição e ela precisa ter, nesta sua prerrogativa, uma condição de isenção, de transparência, de equilíbrio. Nós fazemos parte da sociedade civil e a sociedade civil quer respostas. A assinatura do manifesto vai muito nesta linha, exigindo que o STF cumpra o seu papel, que se leve para o plenário a discussão e que possa haver transparência e se levante os dados para que a sociedade tenha conhecimento”, destacou.

  “Segurança jurídica e confiança são os fatores preponderantes para você ter segurança nos investimentos, para você ter uma economia mais pujante, para você ter o setor produtivo atuante, para você ter os investimentos desenvolvendo a economia e desenvolvendo o Brasil. Quando você perde essa confiança, os investidores se retraem. Provavelmente o Brasil vai cada vez mais entrar em uma espiral de dificuldade”, complementou Cotait.

Pedido ao Supremo

As entidades afirmam que o país atravessa uma crise institucional e apontam o próprio STF como centro das preocupações apresentadas no manifesto. “O Brasil, como é notório, atravessa uma crise institucional de extrema gravidade, e o seu epicentro é, precisamente, a Corte de Justiça a quem a Constituição confiou a última palavra. Não se trata de ruído passageiro”, pontuou o documento.

Em outro trecho, o manifesto relacionou a legitimidade do Judiciário à confiança nas instituições.

“Não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita. A autoridade de um tribunal não decorre da toga nem do cargo, mas da legitimidade que só a imparcialidade, a transparência e a exemplaridade conferem. Se a legitimidade é questionada, tudo o mais se torna incerto: a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a própria paz social”, destaca o texto.

As entidades reconheceram o papel do STF como “guardião da Constituição”, mas defenderam que a Corte também deve prestar contas à sociedade.
“Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas”, disse o grupo.

O manifesto pediu ainda que o Plenário do Supremo analise os fatos em uma sessão pública.

“A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a Nação aguarda não admite prazo! Cada dia é um dia a mais de descrédito. O País já venceu crises profundas e delas saiu mais forte, porque, em cada uma, houve quem se recusasse a calar. Ninguém, ninguém está acima da LEI”, enfatizou o documento.

Na avaliação do cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros, a crise institucional ultrapassou os limites da política e, conforme o conteúdo do manifesto, também passa a preocupar quem “produz, investe e gera empregos no país”.

“O investidor procura estabilidade, previsibilidade e instituições que funcionem normalmente. O mercado financeiro e o setor produtivo olham para vários indicadores antes de colocar o dinheiro no Brasil. Não observa apenas os indicadores macroeconômicos como inflação, juros, câmbio, crescimento do PIB. Também olha para a qualidade das instituições, o respeito aos contratos e a previsibilidade das eleições”, analisou.  

“Caso a crise persista, pode haver aumento da percepção de risco, maior cautela nas decisões de investimento e também uma cobrança de um custo financeiro maior para aplicar investimentos no país. A transparência e a rapidez na resposta institucional são valiosas do ponto de vista econômico”, reforçou Medeiros.

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FPM: municípios recebem 4% a mais no primeiro decêndio de setembro

    Os municípios brasileiros receberam nesta quinta-feira (10) os recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O valor inclui o repasse de R$ 4,9 bilhões referente ao primeiro decêndio de setembro e mais de R$ 9,7 bilhões da parcela adicional de 1% do FPM, implementado pela Emenda Constitucional 112/2021. Neste decêndio,  a parcela é 4% superior ao repassado no mesmo período de 2025.

   O especialista em orçamento público Cesar Lima destaca que o primeiro decêndio confirma o cenário de um ano positivo para o FPM. Ele ressalta, ainda, que os recursos podem ser usados livremente pelas prefeituras, sem vinculação específica em áreas como saúde e educação.

  “Esperamos que os gestores possam fazer um bom uso desses recursos. Ambos os recursos não têm nenhuma vinculação. Então, eles podem ser aplicados em qualquer um dos serviços públicos mantidos pelos municípios. O que representa um grande ganho para as populações”, afirma Lima.

Maiores valores por estado

   São Paulo concentra o maior volume de recursos neste primeiro decêndio de setembro, com quase R$ 610 milhões. Entre os municípios paulistas com os maiores repasses estão Franca, Itu e Pindamonhangaba, cada um com valores superiores a R$ 2,6 milhões.

  Na sequência aparece Minas Gerais, com mais de R$ 606 milhões. No estado, Betim, Contagem e Ibirité estão entre os municípios que recebem os maiores valores, todos acima de R$ 2,8 milhões. 

Repasse extra

O valor extra é garantido por meio da Emenda Constitucional 112/2021 e os recursos já eram esperados pelas prefeituras. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), este ano marca o fim da regra de transição estabelecida pela emenda.

Em relação ao repasse extra, São Paulo também recebe o maior volume de recursos, somando quase R$ 1,2 bilhão. Entre os municípios paulistas com os maiores repasses extras estão Mogi das Cruzes, Bragança Paulista e Taboão da Serra, cada um com valores superiores a R$ 5,2 milhões.

Já Minas Gerais aparece logo em seguida, com repasse de mais de R$ 1,1 bilhão. Entre as cidades mineiras que recebem os maiores montantes estão Betim, Contagem e Divinópolis, cada uma recebendo mais de R$ 5,6 milhões.

Em 2026, o repasse chega ao primeiro ano de aplicação integral do percentual de 1% sobre os 12 meses de arrecadação considerados no cálculo. A regra foi implantada de forma gradual: começou em 0,25% em 2022, passou para 0,5% em 2024 e alcançou 1% em 2025.

Na avaliação da Confederação, o volume de recursos representa reforço relevante para o caixa das prefeituras. A entidade destacou, em nota, que o repasse garante maior estabilidade fiscal e a continuidade dos serviços essenciais à população no segundo semestre.

Em nota, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destacou a importância do valor para os municípios. “É um valor importante para os prefeitos tentarem suportar a difícil realidade financeira, especialmente em um ano em que mais de 54% dos municípios estão no vermelho”, disse.

O recurso extra não sofre retenção do Fundeb e integra a Receita Corrente Líquida (RCL) dos municípios. A CNM destaca que os gestores devem considerar o valor nas obrigações fiscais e ficar atentos às regras de aplicação dos recursos. Por exemplo, ao cumprimento da aplicação obrigatória do percentual constitucional em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE).

FPM: municípios bloqueados

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El Niño 2026: Cemaden alerta para impactos do fenômeno nas escolas

     Escolas estaduais e municipais de todo o país devem se preparar para os possíveis impactos do El Niño 2026-2027. O alerta integra uma nota técnica elaborada por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com o Instituto Alana. As recomendações são destinadas aos gestores estaduais e municipais das redes de ensino.

   O objetivo da iniciativa é contribuir para o fortalecimento das estratégias de adaptação às mudanças climáticas em escolas e comunidades escolares. A ideia também é estimular a gestão na redução de riscos de desastres, considerando os possíveis impactos associados ao El Niño 2026/2027. A análise indica que o planejamento e a adoção de medidas de preparação para possíveis impactos do fenômeno climático devem integrar as estratégias de gestão de riscos das redes de ensino. 

Segundo o Cemaden, eventos climáticos como ondas de calor, secas, inundações, alagamentos, tempestades, vendavais e outros eventos extremos podem afetar a saúde, o bem-estar, a segurança e o direito à educação.

Nota técnica

O documento “El Niño 2026-2027: Orientações para a preparação das redes de ensino brasileiras” orienta estados e municípios a adotarem medidas preventivas para reduzir os riscos relacionados aos efeitos do fenômeno climático nas unidades escolares.

Segundo o Cemaden, a preparação das redes de ensino é importante para reduzir os impactos de desastres e garantir maior segurança e continuidade das atividades escolares.

O documento lista uma série de ações sobre como as redes de ensino podem se preparar e reduzir os riscos nas unidades escolares. 

Entre as recomendações estão: 

  • Planejamento antecipado;
  • Destino de recursos orçamentários para adaptação climática em diferentes escalas:;
  • Integração da gestão de riscos de desastres, da Educação Ambiental e do letramento climático ao Projeto Político-Pedagógico (PPP);
  • Realização de formações periódicas às equipes da área da educação, considerando as particularidades de cada território; 
  • Identificação de áreas e escolas mais vulneráveis, orientação e adequação da infraestrutura escolar.

A publicação destaca que, embora as Secretarias de Educação sejam responsáveis por orientar e viabilizar parte das ações, a efetividade das medidas depende da articulação com as escolas e as comunidades. 

Escolas como abrigo temporário 

A nota orienta, ainda, que as prefeituras evitem usar as escolas como abrigos temporários. De acordo com o Cemaden, o planejamento municipal deve identificar previamente os locais para acolher a população em situações de desastre.

Pela nota técnica, as escolas devem ser consideradas apenas em caráter excepcional e temporário, para garantir o direito à educação dos estudantes.

Segundo o Cemaden, a adoção das medidas, considerando as características de cada território, pode fortalecer a capacidade local de prevenir e reduzir riscos, preparar as redes para situações de emergência, coordenar ações e enfrentar possíveis impactos.

A nota técnica foi elaborada por pesquisadores especialistas em Educação para Redução de Riscos e Desastres (ERRD) do Cemaden. 

A ERRD busca desenvolver, nas comunidades escolares, conhecimentos, habilidades e atitudes que contribuam para prevenir e responder a situações de emergência.

El Niño

O Cemaden informou que o monitoramento da temperatura do Oceano Pacífico Tropical mostrou que o El Niño apresentou rápido fortalecimento, e alcançou anomalia de cerca de 1,8 °C, em agosto de 2026. As projeções da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) indicam que o fenômeno poderá atingir intensidade muito forte no período de setembro a novembro. 

Além disso, o período de máxima intensidade deve ocorrer antes do esperado, atualmente, previsto para o trimestre de outubro a dezembro de 2026. “Esse cenário reforça a necessidade de implementação imediata de ações de prevenção e preparação nas redes de ensino”, reforçou o Cemaden, em nota oficial.

Brasil 61

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Congresso do IEL orienta estudantes sobre escolhas e futuro profissional

    O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) realizou, na última sexta-feira (11), o primeiro Congresso de Carreira. A iniciativa faz parte do programa Jornada de Carreira e busca apoiar estudantes do ensino médio na construção de projetos de vida e de carreira

Realizado em formato digital, o evento foi transmitido para 25 escolas da rede do Serviço Social da Indústria (SESI) em 23 estados. A programação incluiu palestras e conversas sobre escolhas profissionais, mercado de trabalho, indústria, inovação e novas carreiras

   A proposta foi ampliar o contato dos jovens com diferentes possibilidades profissionais e aproximá-los de experiências de profissionais que já atuam no mercado. Os palestrantes participaram presencialmente na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. 

Para contemplar os estudantes dos dois turnos, o congresso teve duas transmissões, uma pela manhã e outra à tarde, com o mesmo conteúdo. 

Segundo a gerente de Carreiras e Educação Executiva do IEL, Michelle Queiroz, a programação foi pensada para ampliar o repertório dos estudantes e ajudá-los a refletir sobre as próprias escolhas

“Nós trouxemos especialistas para falar sobre autoconhecimento, diferentes possibilidades de carreira, tanto no setor privado quanto na universidade, soft skills e tendências sobre profissões futuras. Falamos também sobre construir uma carreira e, ao longo do tempo, poder mudar os rumos, independentemente da formação. A nossa ideia era trazer uma visão de inspiração, para que os alunos pensem e comecem a se conectar com as suas escolhas, trilhar o seu caminho, para depois pensar no desenvolvimento profissional”, afirmou. 

Talentos, sonhos e escolhas

A programação foi aberta pela mentora de carreira e criadora de conteúdo Camila Croz, com a palestra “Talentos, sonhos e escolhas: como começar a construir seu caminho”. Ela abordou temas como identidade, interesses e potencialidades e ressaltou que uma escolha profissional não precisa determinar toda a trajetória de uma pessoa

“Hoje, no congresso, foi muito importante mostrar para os estudantes como funciona a vida real. Mostrar, através de histórias reais, que a jornada pode ser muito divertida, com muitos desafios, principalmente quando o estudante entende que não é hoje que ele vai escolher qual é o futuro. Porque o futuro não se escolhe, o futuro se constrói”, disse. 

Segundo Camila, planejar o futuro não significa definir uma única profissão, mas conhecer possibilidades e entender que os caminhos podem mudar ao longo da trajetória. A partir de exemplos e experiências, a palestra mostrou que uma carreira pode ser construída por etapas, com espaço para testes, mudanças de direção e novas descobertas

Nesse processo, a experimentação contribui para ampliar o repertório dos jovens e ajudá-los a identificar interesses, habilidades e ambientes nos quais podem se desenvolver. 

“Hoje, temos estudantes com uma visão muito deturpada da realidade. Estão muito ligados às redes sociais. Precisamos fazer esse papel de orientar e proporcionar opções de visão de futuro, para que eles possam articular o que existe no mundo e o que encaixa no perfil pessoal”, destacou. 

Indústria, inovação e futuro

Na sequência, o talk show “Indústria, inovação e futuro: as novas possibilidades de carreira para jovens” promoveu uma conversa sobre as transformações no mundo do trabalho, as oportunidades na indústria e os caminhos de formação para as profissões do futuro

A superintendente nacional do IEL, Sarah Saldanha, mediou o debate com Ana Lúcia Vargas Arigony, responsável pelas áreas de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa e Científica e de Pesquisa & Inovação da L’Oréal na América Latina, e com a professora e pesquisadora em Administração da Universidade de Brasília (UnB) Helena Costa

As convidadas compartilharam experiências profissionais e apresentaram aos estudantes diferentes possibilidades de atuação. Ana Lúcia também falou sobre a própria trajetória e sobre as diferentes frentes de atuação da L’Oréal, incluindo indústria, serviços, pesquisa e desenvolvimento

Durante o debate, Sarah destacou que a Jornada de Carreira oferece atividades estruturadas para o desenvolvimento de competências e a preparação dos estudantes para as escolhas profissionais. Ao abordar a insegurança que pode surgir diante da primeira experiência no mercado de trabalho, a superintendente pediu às convidadas orientações para os jovens que ainda não se sentem preparados para ingressar no ambiente profissional. 

Para Ana Lúcia, a experimentação faz parte do processo de construção de uma carreira. “O que fazer e o que não fazer, é esse o questionamento. Se ainda não existe uma certeza ou convicção, não tem problema, é possível ter a fase do experimento. Se aquela é a primeira experiência, o importante é dialogar, buscar relações, inspirações em pessoas e trajetórias, se engajar em projetos, e isso pode dar uma nova segurança e aumentar o repertório”, explicou. 

Já Helena Costa incentivou os estudantes a buscarem oportunidades de forma ativa e a não terem receio de apresentar seus interesses. Segundo ela, atitudes como enviar e-mails, buscar contatos e se apresentar podem ajudar a abrir portas. 

“Dar valor ao tempo que cada um tem. O tempo é limitado e a forma como o usamos é importante para o crescimento e para as perspectivas de futuro, para bater em novas portas, para dizer: olha, eu estou aqui, e me mostrar presente em um mundo de oportunidades”, destacou. 

Jovens compartilham experiências

No encerramento, as alunas da rede SESI Júlia Mezzari, de Santa Catarina, e Ayla Fernanda Leal, de Manaus (AM), participaram do Painel Jovem “Nossa geração, nosso futuro: conversas reais sobre caminhos profissionais”

As estudantes compartilharam experiências de autoconhecimento, planejamento e descoberta de possibilidades profissionais, além de relatarem como a Jornada de Carreira tem contribuído para esse processo. 

Júlia destacou o impacto das mentorias no desenvolvimento pessoal e acadêmico. “Eu acho muito interessante as mentorias que fazemos e tudo que aprendemos dentro do programa Jornada de Carreira, como estudante e como pessoa também, porque é o que vamos levar para a nossa vida”, relatou. Segundo ela, o programa também tem ajudado a aprimorar competências que já possui, como a comunicação, que pode contribuir para sua escolha profissional

Para Ayla, as atividades ajudam a lidar com as incertezas em relação ao futuro. “Esse é meu segundo ano no programa Jornada de Carreira e isso tem me auxiliado muito a controlar meus medos com relação ao futuro, com relação às minhas escolhas. Participar do congresso também me traz expectativas para novas opções para o meu futuro e para a carreira que vou escolher”, disse. 

Jornada de Carreira

O Congresso de Carreira integra o programa Jornada de Carreira, desenvolvido pelo IEL em parceria com o SESI. A iniciativa atende alunos do 1º e 2º ano do ensino médio da rede SESI e oferece atividades como mentorias, testes vocacionais, visitas a indústrias e ações voltadas ao autoconhecimento e ao planejamento profissional

O programa é estruturado em três eixos: olhar para si, olhar para o mundo e olhar para o futuro. As etapas propõem atividades que estimulam o autoconhecimento, a compreensão das oportunidades de carreira e o planejamento de trajetórias profissionais diante das transformações tecnológicas e sociais

“O programa não é apenas um projeto: é uma bússola para orientar os jovens na travessia da adolescência para a vida adulta, com clareza, confiança e propósito”, conclui Sarah Saldanha. 

Brasil 61

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Prognóstico agroclimático: Inmet alerta produtores rurais sobre seca no Norte e chuvas excessivas no Sul

  Produtores rurais devem enfrentar condições climáticas distintas nas diferentes regiões do país entre setembro e novembro. O Boletim Agroclimatológico Mensal do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta tendência de redução das chuvas e temperaturas elevadas em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto a Região Sul deve registrar maior disponibilidade de água e excesso de umidade em algumas áreas.

  O cenário pode exigir atenção no planejamento das atividades agrícolas e pecuárias, principalmente em relação à disponibilidade de água no solo. O boletim do Inmet apresenta estimativas dos estoques de água e informações climáticas voltadas ao planejamento do setor agropecuário.

  No Norte, a previsão indica condições mais secas em parte da região, com impactos sobre a disponibilidade hídrica e o desenvolvimento das atividades no campo. No Nordeste e no Centro-Oeste, a combinação de menor volume de chuvas e temperaturas elevadas também pode aumentar a demanda por água.

  Já no Sul, o excesso de umidade pode dificultar operações agrícolas, como preparo do solo, plantio e colheita, além de favorecer a ocorrência de doenças em determinadas culturas.

Impacto nas produções

Norte

Conforme o Boletim, a restrição hídrica, associada à temperatura elevada na Região Norte, poderá intensificar o estresse das culturas e demandar maior atenção em algumas áreas. O alerta é para localidades produtoras de arroz de várzea da região de Marajó, especialmente nas lavouras em fases mais sensíveis ao déficit hídrico, como floração e enchimento de grãos. 

Em contrapartida, em Roraima, onde o milho de terceira safra deverá estar nas fases de maturação e colheita, o Inmet informa que o tempo seco previsto para o período tende a favorecer a produção. 

Nordeste

Já na Região Nordeste, entre as previsões do Inmet, a deficiência hídrica associada ao calor intenso poderá comprometer o crescimento e a produção de biomassa das pastagens, especialmente nas áreas de sequeiro do Maranhão, Piauí, Ceará, oeste do Rio Grande do Norte, oeste da Paraíba, oeste de Pernambuco, sertão de Sergipe e semiárido baiano.

Nessas regiões nordestinas, há previsão de redução da oferta e da qualidade da forragem. Segundo o boletim, o cenário poderá afetar o ganho de peso dos bovinos de corte e elevar os custos de produção devido à necessidade de suplementação alimentar. 

Centro-Oeste

Em setembro, a estiagem deverá favorecer a colheita do algodão, milho de segunda safra e sorgo  no Centro-Oeste. Já no sul de Mato Grosso do Sul, as chuvas acima da média poderão dificultar a colheita do milho e do trigo. Em outubro, a insuficiência de água no solo e as altas temperaturas no sudoeste de Mato Grosso poderão prejudicar a germinação e o estabelecimento da soja. Nesse caso, há o risco de falhas e replantio. 

O Inmet alerta, ainda, que a menor disponibilidade de água também poderá favorecer incêndios, reduzir a qualidade das pastagens e afetar o desempenho do rebanho. 

Já em novembro, a previsão indica alta nos níveis de armazenamento de água no solo em grande parte da região – exceto no sudoeste de Mato Grosso e no norte de Mato Grosso do Sul. Pelo prognóstico, o cenário deve favorecer as lavouras de soja semeadas mais tardiamente.

Sudeste

Para a Região Sudeste, a previsão climática indica chuvas acima da média em São Paulo e triângulo mineiro. Já nas áreas do centro-norte da região deverão ter chuvas abaixo da média, especialmente no centro-norte de Minas Gerais, Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro. 

A temperatura média do ar também deve permanecer acima da média climatológica em toda a Região Sudeste. 

Em grande parte de São Paulo, no sul e sudeste de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, a chuva pode favorecer culturas agrícolas, como cana-de-açúcar, hortifruticultura e pastagens. 

O Inmet pontua na publicação que, durante o trimestre, o início da semeadura da soja em São Paulo e Minas Gerais poderá ser mais desafiador em Minas Gerais, devido à redução das chuvas, temperaturas elevadas e baixos níveis de água no solo, especialmente em setembro e outubro. 

Para milho, feijão e trigo, as condições climáticas devem contribuir para o encerramento da colheita em Minas Gerais, enquanto, em São Paulo, as chuvas poderão dificultar as operações. 

Sul

Com a previsão de chuvas acima da média em toda a Região Sul, em setembro, os maiores excedentes deverão se concentrar no sul do Paraná, centro de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul. 

Já o mês de outubro deve registrar os maiores excedentes de chuva do trimestre, estendendo para áreas do sul do Paraná, todo o estado de Santa Catarina e o centro, oeste e norte do Rio Grande do Sul. Já em novembro, o excesso de água no solo está previsto para noroeste do Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina.

Segundo o Instituto, as condições podem dificultar a semeadura do arroz irrigado, em áreas com drenagem deficiente. O excesso de umidade também poderá atrasar a colheita.

O boletim completo pode ser acessado em portal.inmet.gov.br. 

Brasil 61

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ENTRE TEMPESTADES E PROMESSAS

A IGREJA DOS GENTIOS
Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

INTRODUÇÃO
Depois de permanecer preso por dois anos em Cesareia e de apelar para César, Paulo foi enviado a Roma sob a guarda do centurião Júlio. Durante a viagem, já depois do Dia da Expiação, quando a navegação pelo Mediterrâneo se tornava perigosa por causa da proximidade do inverno, o apóstolo advertiu que prosseguir com o itinerário traria graves prejuízos a todos os viajantes, mas seu conselho foi ignorado. Pouco depois, uma violenta tempestade atingiu o navio, e todos perderam a esperança de sobrevivência. Nesse momento de desespero, Deus confirmou que Paulo chegaria a Roma e garantiu que nenhuma das pessoas que viajavam com ele perderia a vida. Nesta lição, estudaremos por que a advertência de Paulo foi ignorada, de que maneira a promessa de Deus renovou a esperança dos que estavam no navio e como o Senhor preservou todas as vidas durante o naufrágio. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
Mas agora recomendo-lhes que tenham coragem, pois nenhum de vocês perderá a vida; apenas o navio será destruído. (At 27.22, NVI). Mas agora peço que tenham coragem. Ninguém vai morrer; vamos perder somente o navio. (At 27.22, NTLH). Em momentos de crise, muitas pessoas avaliam a fidelidade de Deus pelo resultado que esperavam receber: “Se Deus está comigo, tudo precisa terminar exatamente como eu gostaria.” A experiência vivida por Paulo e pelos demais passageiros do barco em Atos 27 mostra outra realidade. Deus havia prometido preservar a vida de todos, mas não prometeu impedir a tempestade, conservar o navio ou poupar aqueles homens do desgaste de uma viagem traumática. A embarcação foi destruída, a carga se perdeu e todos chegaram à terra depois de enfrentar dias de medo e incerteza. Mesmo assim, nenhuma vida foi perdida, exatamente como o Senhor havia anunciado. A fidelidade de Deus, portanto, não pode ser medida pela forma como gostaríamos que a crise ou problema fosse resolvido, mas pelo cumprimento daquilo que Ele realmente prometeu. Por isso, em momentos de crise, precisamos distinguir entre aquilo que esperávamos que Deus fizesse e aquilo que Ele de fato prometeu ou não fazer.

VERDADE PRÁTICA
Mesmo quando perdas materiais são inevitáveis, Deus preserva a vida e cumpre suas promessas àqueles que confiam nEle. Há confiança quando conhecemos o caráter de alguém e temos razões para considerar sua palavra segura. Confiar, portanto, é levar essa palavra a sério e agir na convicção de que quem falou será fiel ao que disse. Uma pessoa é confiável quando há coerência entre o que diz e o que faz, de modo que podemos depender de sua palavra. Deus é confiável porque seu caráter não muda, sua palavra não falha e seu poder é suficiente para realizar aquilo que prometeu. Ele não promete tudo o que queremos, nem afirma que nos poupará de toda perda ou sofrimento. Contudo, aquilo que Ele promete certamente se cumpre (Nm 23.19; Hb 10.23). Por essa razão, confiar em Deus é continuar levando sua Palavra a sério mesmo quando as circunstâncias parecem seguir na direção contrária. Nem sempre compreenderemos o que Ele está fazendo ou por que permitiu determinado caminho, mas sabemos quem Ele é. A nossa confiança deve se manter firme porque Deus não muda, não mente e não deixa de cumprir aquilo que prometeu.

1. A TEMPESTADE QUE SURGE NA VIAGEM
Pergunta chave: Por que a viagem se tornou desastrosa e o que isso revela?
Ideia central do ponto: Paulo advertiu sobre os perigos de prosseguir viagem naquele período, mas sua advertência foi ignorada. A tripulação preferiu confiar na experiência dos marinheiros e no vento favorável que surgiu logo depois. A aparente segurança, porém, durou pouco. O Euroaquilão atingiu o navio com violência, e a tripulação perdeu o controle da embarcação. Depois de muitos dias sem ver o sol nem as estrelas, toda esperança de salvamento começou a desaparecer.

1.1 A decisão precipitada de navegar apesar da advertência de Paulo (vv.9-12).
Verdade central: Paulo advertiu sobre os perigos de prosseguir viagem naquele período, mas sua advertência foi ignorada.
Para refletir: Quando a experiência humana parece mais segura do que aquilo que Deus diz, em quem você escolhe confiar?
A LIÇÃO DIZ: Mesmo na condição de prisioneiro, Paulo demonstra discernimento espiritual ao alertar que a viagem seria perigosa e traria prejuízos (v.10). Contudo, o centurião e a tripulação confiaram mais na experiência técnica do piloto do que na orientação que Deus concedia por meio do apóstolo (v.11). Essa escolha revela uma tendência recorrente do ser humano: priorizar a lógica humana em detrimento da direção divina.

O texto bíblico diz:
Depois de muito tempo, tendo-se tornado a navegação perigosa, e já passado o tempo do Dia do Jejum, Paulo os aconselhou,dizendo: — Senhores, vejo que a viagem vai ser trabalhosa, com dano e muito prejuízo, não só da carga e do navio, mas também da nossa vida. Porém o centurião dava mais crédito ao piloto e ao mestre do navio do que ao que Paulo dizia. Não sendo o porto próprio para invernar, a maioria deles era de opinião que deviam partir dali, para ver se podiam chegar a Fenice e aí passar o inverno, visto ser um porto de Creta, que olha para o noroeste e para o sudoeste (At 22.9-12, NAA). A viagem até Bons Portos havia consumido muito tempo, e o período favorável à navegação estava chegando ao fim. Lucas informa que o Jejum, uma referência ao Dia da Expiação, já havia passado. Celebrada entre o final de setembro e o começo de outubro, essa data indicava a aproximação de uma estação marcada por ventos fortes, tempestades e maior dificuldade para navegar em mar aberto. A advertência de Paulo, portanto, correspondia às condições que todos já enfrentavam: a viagem estava lenta e o risco aumentava a cada dia. Embora não fosse marinheiro, Paulo também não era um passageiro inexperiente. Antes dessa viagem, ele já havia sobrevivido a três naufrágios e passado uma noite e um dia à deriva no mar (2Co 11.25). Quando ele declarou que a viagem poderia causar grandes prejuízos à carga, ao navio e às vidas, o apóstolo avaliava a época do ano, os ventos contrários e sua própria experiência. Lucas não afirma que Paulo recebera uma revelação específica naquele momento. A expressão “vejo que a viagem vai ser trabalhosa” descreve uma percepção fundamentada nas circunstâncias. A revelação divina será registrada claramente mais adiante, quando um anjo assegurar que Paulo chegaria a Roma e que todos os passageiros seriam preservados (At 27.23,24). Por essa razão, o que Paulo diz nos versículos 9 e 10 deve ser
compreendido como uma avaliação prudente, própria de um homem experiente e espiritualmente sóbrio, e não necessariamente como uma profecia. O centurião, por sua vez, decidiu seguir o parecer do piloto, do proprietário do navio e da maioria. Bons Portos oferecia abrigo, mas não possuía boas condições para passar todo o inverno. Fenice, localizada cerca de sessenta e cinco quilômetros a oeste, parecia oferecer um porto mais protegido. A proposta possuía argumentos técnicos, porém seus defensores valorizaram as vantagens do destino sem considerar adequadamente os perigos do trajeto. A passagem bíblica não ensina que o conhecimento profissional é inimigo da fé. O piloto conhecia o mar, e o proprietário conhecia a embarcação. Contudo, nenhum dos dois controlava os ventos nem podia garantir que o navio chegaria a Fenice. O erro cometido por aqueles homens estava na confiança excessiva de que experiência, planejamento e o apoio da maioria seriam suficientes para vencer as condições que já se mostravam perigosas. Lucas também não declara que a tempestade foi um castigo enviado por Deus porque a advertência de Paulo havia sido rejeitada. A tripulação assumiu um risco elevado e sofreu as consequências de uma decisão imprudente. A soberania de Deus será percebida na maneira como o Senhor preservará os passageiros e cumprirá seu propósito de levar Paulo a Roma, apesar da perda do navio e da carga.
Aplicações:
• Uma decisão desejável pode ser tomada no momento errado. Fenice oferecia melhores condições, mas a viagem até lá era perigosa. Antes de avançar em nossos planos, precisamos avaliar o destino, o caminho e o momento. A opinião da maioria não elimina os riscos. Muitas pessoas podem concordar com uma escolha  precipitada. O cristão, no entanto, deve examinar as razões apresentadas e levar as advertências a sério.
• A fé em Deus não deve despreza o conhecimento técnico. Profissionais devem ser ouvidos, mas sua competência possui limites. Decisões sábias reúnem conhecimento, oração, experiência, bons conselhos e humildade.
• Esperar em uma situação desconfortável pode evitar perdas maiores. Permanecer em Bons Portos não era a opção mais agradável, porém seria mais prudente do que enfrentar o mar naquela época do ano.

1.2 A fragilidade humana diante das forças da natureza (vv.13-17).
Verdade central: A crise mostrou que circunstâncias favoráveis não transformam uma decisão imprudente em uma decisão correta. Às vezes, aquilo que parece confirmar nosso caminho apenas nos dá confiança para continuar na direção errada.
Para refletir: Não devemos tomar um alívio momentâneo ou uma circunstância favorável como prova de que Deus aprovou nossa decisão. Em alguns casos, ventos favoráveis apenas antecedem a tempestade que expõe a fragilidade de nossas escolhas.

A LIÇÃO DIZ: Um vento favorável levou a tripulação a acreditar que a decisão fora correta (v.13), mas logo foram surpreendidos pelo Euroaquilão, um vendaval que tirou completamente o controle do navio (vv.14,15). Todo esforço humano mostrou-se insuficiente: cordas, manobras e estratégias falharam (v.17). A tempestade expôs os limites da força humana e revelou a necessidade de depender de Deus. Quando o vento sul começou a soprar brandamente, os marinheiros aproveitaram a oportunidade para seguir viagem. Fenice, como já informado, ficava cerca de sessenta e cinco quilômetros a oeste de Bons Portos e, com aquelas condições, o percurso poderia ser concluído em poucas horas. Eles levantaram âncora e navegaram bem próximos da costa de Creta. A viagem, que já era arriscada por causa da época do ano, parecia finalmente contar com condições favoráveis. No entanto, a situação mudou pouco depois. Lucas informa que um vento de força extraordinária, chamado Euroaquilão, precipitou-se sobre a ilha. O nome dado a este fenômeno natural reúne termos relacionados aos ventos leste e norte e descreve um forte vento de nordeste conhecido pelos navegadores do Mediterrâneo. O autor ainda o chama de typhōnikós, termo que comunica a violência de um vento semelhante a um tufão. As regiões montanhosas de Creta favoreciam mudanças repentinas dessa natureza, com fortes correntes de ar descendo das montanhas em direção ao mar. A força do Euroaquilão atingiu o navio de tal maneira que os marinheiros já não conseguiam manter a embarcação na direção pretendida. Lucas afirma que ela “não podia resistir ao vento” e, por isso, eles se deixaram levar (v.15). A expressão não significa que abandonaram o navio à própria sorte, mas que desistiram de tentar manter a rota para Fenice. Continuar lutando diretamente contra aquele vento era impossível. Ao passarem pelo lado protegido da pequena ilha de Cauda, encontraram abrigo suficiente para tomar algumas medidas de emergência. Primeiro, recolheram com dificuldade o bote que seguia rebocado atrás do navio. Em seguida, utilizaram cabos para cingir a embarcação. Não sabemos exatamente como esse procedimento foi realizado, mas provavelmente os cabos foram passados ao redor ou por baixo do casco para reforçar sua estrutura e diminuir o risco de que as fortes ondas o partissem.
  Os marinheiros também temiam ser levados até Sirte, região de bancos de areia na costa do norte da África, conhecida pelo perigo que oferecia aos navios. Por essa razão, baixaram algum equipamento para diminuir a velocidade da embarcação. O termo empregado por Lucas não permite determinar com certeza se era uma âncora flutuante, parte do aparelho das velas ou outro recurso náutico. O certo é que eles procuravam reduzir a deriva e evitar que o vento os conduzisse para uma região ainda mais perigosa. Portanto, embora já não conseguissem conduzir o navio contra a força do vento, os marinheiros fizeram o que ainda estava ao alcance deles e tomaram medidas para evitar um desastre maior.

Aplicações:
• Nem sempre poderemos mudar a situação, mas ainda podemos decidir como enfrentá-la. Quando determinadas circunstâncias fogem ao nosso controle, devemos identificar aquilo que continua sob nossa responsabilidade e agir.
• Confiamos em Deus enquanto fazemos aquilo que está ao nosso alcance e fazemos aquilo que está ao nosso alcance enquanto confiamos em Deus.
1.3 A perda da esperança diante da adversidade (vv.18-20).
Verdade central: Mesmo depois de lançarem ao mar a carga e parte dos equipamentos, a tripulação continuava sem controlar a situação. Sem sol, sem estrelas e, portanto, sem referência para a navegação, todos perderam a esperança de sobreviver.
Para refletir: Quando suas referências falharem e você já não souber para onde seguir, não se entregue ao desespero. O fato de você não enxergar uma saída não significa que Deus perdeu o governo da situação.
A LIÇÃO DIZ: Com o agravamento da tempestade, a tripulação lançou fora a carga e os próprios
equipamentos do navio (vv.18,19). Após muitos dias sem sol ou estrelas, perderam toda referência e esperança de salvação (v.20).

O texto diz:

  Açoitados severamente pela tormenta, no dia seguinte começaram a jogar a carga no mar. E, no terceiro dia, nós mesmos, com as próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio. E, não aparecendo, havia já alguns dias, nem sol nem estrelas, caindo sobre nós grande tempestade, dissipou-se, afinal, toda a esperança de salvamento (At 27.18-20, NAA). Ao passo que a tempestade se prolongava, as medidas de emergência se tornavam cada vez mais severas. Lucas informa que, no dia seguinte, começaram a lançar parte da carga ao mar e, no terceiro dia, desfizeram-se também de equipamentos da embarcação (vv. 18,19). A sequência dos dias mostra que o perigo de naufragarem não diminuía. Como ainda havia trigo no navio perto do naufrágio (v. 38), a carga não foi descartada de uma só vez. Aos poucos, aquilo que antes tinha valor comercial passou a ser sacrificado para aliviar a embarcação e aumentar as chances de sobrevivência. Depois de muitos dias sob céu encoberto, aqueles marinheiros perderam também suas principais referências de navegação. O sol e as estrelas eram usados para determinar posição e direção no mar, mas a tempestade impedia qualquer observação. Eles não enfrentavam apenas ondas violentas; já não sabiam onde estavam nem para onde haviam sido levados. A expressão usada por Lucas para descrever a tempestade reforça que a violência do mar continuava intensa, sem qualquer sinal de melhora. Nesse ponto, o desgaste acumulado alcança seu limite. Dias de tempestade, pouca alimentação, perda da carga, descarte de equipamentos e ausência de referências levaram todos a concluir que não escapariam com vida. Quando Lucas escreve que “foi desaparecendo, afinal, toda a esperança de sermos salvos” (v. 20), o verbo “salvar” se refere à sobrevivência ao naufrágio. Pelas condições que podiam avaliar, já não havia motivo para esperar um desfecho favorável.

  A primeira pessoa empregada por Lucas torna essa descrição ainda mais significativa. Ele não relata apenas que os marinheiros perderam a esperança; afirma que “nós” a perdemos. Lucas estava dentro daquele navio e experimentava o mesmo desgaste dos demais. Ao registrar que toda esperança de sobrevivência havia desaparecido, Lucas leva o relato ao ponto de maior tensão e prepara o contraste com o que acontecerá em seguida. Quando os marinheiros já não encontravam qualquer razão para acreditar que escapariam com vida, Paulo se levantou para anunciar que Deus havia
prometido preservar todos os que estavam a bordo.
Aplicações:
• As crises prolongadas desgastam de maneira diferente das crises repentinas. Depois de muitos dias sob pressão, pessoas experientes podem chegar ao limite físico e emocional. Precisamos reconhecer esse desgaste antes de tratar o abatimento alheio como falta de fé.
• Há momentos em que preservar o que possui maior valor exige aceitar outras perdas. A carga tinha valor financeiro, mas já não valia mais do que a sobrevivência das pessoas. Nem tudo precisa ser preservado a qualquer custo.
• O esgotamento das possibilidades humanas não determina o desfecho da história. No versículo 20, ninguém enxergava saída. Nos versículos seguintes, Deus mostraria que o futuro daquela viagem não seria decidido pela tempestade.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Por que a advertência de Paulo foi ignorada?
2. O que aconteceu depois que um vento favorável soprou?
3. O que a tripulação fez quando a tempestade se agravou?
4. Por que perderam toda esperança de salvação?

2. A INTERVENÇÃO DE DEUS NA HORA DO DESESPERO
Pergunta chave: Como Deus interveio na hora do desespero?
Ideia central do ponto: Após muitos dias sem comer, Paulo transmitiu a promessa de Deus: nenhuma vida seria perdida. Fortalecido por essa palavra, assumiu a liderança e passou a encorajar e orientar os demais.
2.1 A palavra de encorajamento de Paulo (vv.21-26).
Verdade central: Paulo lembrou que sua advertência havia sido ignorada, mas não para humilhar os demais. Ele retomou o episódio para fortalecer sua nova palavra de ânimo: Deus havia garantido que nenhuma vida seria perdida.
Para refletir: “Tende bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio” (At 27.22). Esperança verdadeira se fundamenta em Deus, não em otimismo.

A LIÇÃO DIZ: Após muitos dias de jejum forçado e absoluto desânimo, Paulo se levanta com autoridade espiritual para falar aos que estavam no navio. Antes de encorajá-los, relembra que sua advertência fora ignorada, o que confere peso às palavras de ânimo que se seguem. Em meio ao caos, o apóstolo transmite esperança, afirmando que não haveria perda de vidas (v.22). Essa esperança não era ilusória, mas fundamentada em Deus, que fortalece os abatidos (Is 41.10) e enche seus servos de esperança pelo poder do Espírito Santo (Rm 15.13). Depois de registrar que todos haviam perdido a esperança de sobrevivência, Lucas volta sua atenção para Paulo. O apóstolo se levantou no meio dos passageiros, que há muito tempo não conseguiam alimentar-se adequadamente, e tomou a palavra. A tempestade continuava intensa, o navio permanecia à deriva e nenhuma mudança nas condições do mar indicava que o perigo estava terminando. A esperança seria recuperada por meio de uma palavra recebida de Deus. Antes de transmitir a mensagem de ânimo aos homens, Paulo recordou que sua advertência em Bons Portos havia sido ignorada. Suas palavras podem soar como uma repreensão, mas cumprem uma função retorica importante no relato. A previsão anterior do apóstolo havia sido confirmada pelos acontecimentos. Se o conselho dado por Paulo antes da partida se mostrara correto, a nova mensagem também merecia ser ouvida. O apóstolo não retomou o erro cometido para permanecer discutindo o passado; ele desejava preparar aquelas pessoas para ouvirem o que Deus havia comunicado. A nova palavra de Paulo era muito diferente da advertência anterior. Em Bons Portos, ele havia previsto prejuízos para o navio, a carga e as vidas. Agora, podia afirmar que o navio seria perdido, porém ninguém morreria. A diferença entre as duas declarações deve ser observada. A primeira resultou de sua experiência e da avaliação das condições da viagem. A segunda estava fundamentada numa revelação recebida durante a noite. Paulo repetiu duas vezes seu apelo: “tenham bom ânimo” (vv. 22,25). Ele não pediu que ignorassem o perigo nem tentou convencê-los de que a tempestade terminaria imediatamente. O navio ainda seria destruído, e todos continuariam expostos às dificuldades do naufrágio. O bom ânimo solicitado pelo apóstolo consistia em abandonar o desespero e levar a sério a garantia de que nenhuma vida seria perdida. A razão dessa confiança encontra-se na declaração: “eu confio em Deus que tudo vai acontecer conforme me foi dito” (v. 25). Paulo considerava verdadeira a palavra de Deus antes de contemplar seu cumprimento. O mar não havia se acalmado, a tripulação continuava sem controlar o navio e a terra ainda não estava à vista. Mesmo assim, o apóstolo sabia que o desfecho da viagem já não dependia daquilo que os passageiros conseguiam enxergar, mas da fidelidade daquele que havia falado.

Aplicação:
• O encorajamento precisa estar fundamentado na verdade. Diante do sofrimento, não devemos oferecer garantias que Deus não deu. Paulo reconheceu que o navio seria perdido e anunciou somente aquilo que havia recebido do Senhor.
2.2 A promessa de Deus em meio à crise (vv.23,24).
Verdade central: O anjo assegurou que Paulo compareceria diante de César e que todos os que navegavam com ele seriam preservados. A promessa estava firmada no propósito de Deus, não nas condições do navio.
Para refletir: “Deus te deu todos quantos navegam contigo” (At 27.24). A presença de um servo fiel pode se tornar bênção para muitos.
A LIÇÃO DIZ: Quando toda expectativa humana se esvaiu, Deus interveio sobrenaturalmente. Um anjo do Senhor apareceu a Paulo, assegurando que nenhum dos 276 homens pereceria, embora o navio fosse destruído. Essa promessa reafirma que muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas (Sl 34.19). Ao declarar “Deus, de quem eu sou” (v.23), Paulo reconhece sua total pertença ao Senhor, lembrando que fomos comprados por alto preço (1Co 6.19,20). Durante a noite, enquanto o navio continuava sendo castigado pela tempestade, Paulo recebeu a mensagem que lhe permitiria falar aos demais trazendo-lhes esperança. Um anjo do Deus a quem ele servia esteve ao seu lado e anunciou que Paulo chegaria diante de César e que todos os que viajavam com ele seriam preservados (vv. 23,24). Lucas não descreve a aparência do mensageiro nem fornece detalhes da manifestação, porque o interesse do relato está no que Deus comunicou. Havia agora uma palavra divina sobre o desfecho da viagem. Ao contar o que havia acontecido, Paulo declarou que o anjo vinha do “Deus de quem eu sou e a quem sirvo” (v. 23). Com essas palavras, ele identifica publicamente o Deus ao qual sua vida pertencia. Paulo não estava apenas dizendo em quem acreditava; afirmava que pertencia ao Senhor e vivia para servi-lo. Em um navio ocupado por pessoas de diferentes origens e crenças, sua esperança estava vinculada ao Deus que acabara de lhe falar. Antes de anunciar o que aconteceria aos demais passageiros, o anjo dirigiu uma palavra ao próprio Paulo: “Não tenha medo” (v. 24). Depois de tantos dias de tempestade e da perda da esperança de viverem mencionada no versículo 20, essa palavra mostra que Paulo também precisava ser fortalecido. A garantia de que Paulo sobreviveria estava ligada diretamente ao propósito de levá-lo a Roma: “É necessário que você compareça diante de César” (v. 24). Esse encontro não dependia apenas de uma decisão judicial romana, pois o próprio Senhor já havia declarado que Paulo testemunharia em Roma (At 23.11). Por isso, a tempestade não poderia encerrar sua viagem antes que esse propósito se cumprisse. Junto com a garantia dada a Paulo, Deus também anunciou a preservação de todos os que estavam no navio: “Deus lhe deu todos os que estão navegando com você” (v. 24). O verbo “deu” não significa que aquelas pessoas passariam a pertencer ao apóstolo, mas que suas vidas lhe haviam sido concedidas como favor. Mais adiante, Lucas informará que havia duzentas e setenta e seis pessoas a bordo (v. 37). 

O alcance dessa promessa precisa permanecer dentro do que o próprio episódio afirma. O texto não ensina que todo cristão receberá proteção contra qualquer tragédia nem que todos ao seu redor serão sempre preservados por causa de sua presença. Naquela viagem, Deus havia determinado que Paulo chegaria a Roma e, junto com esse propósito, prometeu salvar a vida de todos os passageiros. Nada impediria o cumprimento da palavra dada por Deus.
Aplicações:
• As promessas divinas precisam ser respeitadas em seu alcance. Não devemos transformar uma promessa específica feita a Paulo numa garantia de que o cristão jamais sofrerá perdas ou verá pessoas próximas morrerem.
• O servo de Deus deve preocupar-se com as pessoas que atravessam a crise ao seu lado. A mensagem recebida por Paulo incluía soldados, marinheiros, prisioneiros e passageiros. A graça de Deus alcançaria pessoas que ainda não conheciam o Senhor a quem o apóstolo servia.

2.3 A fé e a liderança espiritual de Paulo (vv.33-36).
Verdade central: Paulo creu que Deus cumpriria exatamente o que havia dito e passou a agir de acordo com essa certeza.
Para refletir: É um erro esperar que Deus resolva tudo enquanto deixamos de fazer aquilo que está ao nosso alcance.
A LIÇÃO DIZ: Fortalecido pela promessa divina, Paulo assume liderança espiritual e prática. Ele exorta todos a se alimentarem, pois precisariam de forças para sobreviver ao desfecho da crise. Ao partir o pão e dar graças a Deus diante de todos, testemunha uma fé viva que inspira coragem e esperança (Mt 5.16). Na décima quarta noite, depois de quase duas semanas à deriva, os marinheiros perceberam que estavam se aproximando de alguma terra. Lucas situa o navio no “mar de Ádria”, nome que, naquele período, abrangia uma área maior do Mediterrâneo central e não deve ser confundido com o atual mar Adriático. Como ainda era noite, a tripulação não podia identificar a costa, mas as sondagens confirmaram que a profundidade diminuía rapidamente: primeiro vinte braças, cerca de 37 metros, e pouco depois quinze, aproximadamente 27 metros. O receio era atingir alguma região rochosa antes do amanhecer. Por isso, lançaram quatro âncoras pela popa e permaneceram esperando a chegada do dia (vv. 27-29). Enquanto o navio permanecia ancorado, alguns marinheiros tentaram fugir. Eles começaram a baixar o bote sob o pretexto de que lançariam âncoras pela proa, mas Paulo percebeu a intenção e advertiu o centurião: “Se estes não permanecerem no navio, vocês não poderão se salvar” (v. 31). A declaração não contradiz a promessa de que todos sobreviveriam. Deus havia garantido o resultado, mas a experiência dos marinheiros ainda seria necessária para conduzir a embarcação até a costa. Dessa vez, ao contrário do que acontecera em Bons Portos (v. 11), o centurião levou a advertência de Paulo a sério, e os soldados cortaram as cordas do bote, impedindo a fuga. Com o amanhecer se aproximando e o desembarque ainda pela frente, Paulo insistiu para que todos se alimentassem. A referência aos catorze dias sem comer não precisa ser entendida como abstinência absoluta de alimento durante todo esse período. A tempestade, o trabalho constante e a ansiedade haviam impedido refeições regulares, deixando os passageiros debilitados justamente quando precisariam de força para chegar à terra. Por isso, Paulo afirma que comer era necessário para a sobrevivência e reforça a promessa com uma expressão conhecida das Escrituras: nenhum deles perderia sequer um fio de cabelo (vv. 33,34).

Diante de todos, Paulo tomou o pão, agradeceu a Deus, partiu-o e começou a comer. Embora a linguagem lembre outras cenas de refeições no Novo Testamento, o texto não descreve uma celebração da Ceia do Senhor. Dar graças antes de comer fazia parte do costume judaico, e naquele navio Paulo realizou publicamente aquilo que fazia como servo de Deus. Seu gesto teve efeito imediato: os demais recuperaram o ânimo e também comeram (vv. 35,36). Depois que todos se alimentaram, a tripulação lançou ao mar o trigo que ainda restava, aliviando o peso da embarcação para que ela pudesse avançar o máximo possível em direção à costa (v. 38). Portanto, enquanto aguardavam o cumprimento da promessa de Deus, preparavam-se para o difícil desembarque que viria com o amanhecer.
Aplicação:
• O cuidado espiritual inclui as necessidades físicas. Pessoas cansadas, famintas ou emocionalmente esgotadas precisam de palavras de ânimo, mas também necessitam de cuidado, alimento e descanso.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. O que Paulo disse após muitos dias de desânimo?
2. O que o anjo do Senhor disse a Paulo durante a noite?
3. O que Paulo fez depois de receber a promessa?
4. A intervenção divina eliminou a tempestade imediatamente?

3. A PROVIDÊNCIA DIVINA NO NAUFRÁGIO (At 27.39-44)
Pergunta chave: Como a promessa de Deus se cumpriu?
Ideia central do ponto: O navio se perdeu, mas a promessa de Deus permaneceu intacta. Em meio ao naufrágio, o Senhor impediu que os presos fossem mortos e preservou a vida de todos os que estavam a bordo.
3.1 O cuidado de Deus preservando vidas (vv.39-44).
Verdade central: O naufrágio não anulou a promessa de Deus. O navio foi destruído, mas todos chegaram à terra firme com vida, exatamente como o Senhor havia anunciado.
Para refletir: Não conclua que Deus falhou só porque algo se perdeu no caminho.
A LIÇÃO DIZ: A promessa do Senhor cumpriu-se integralmente: todos chegaram em segurança à terra,
conforme havia sido anunciado (Lc 21.18). O naufrágio do navio não impediu o agir de Deus, antes confirmou sua fidelidade. Com a chegada do dia, os marinheiros puderam examinar o trecho da costa para o qual haviam sido levados. Eles não reconheceram a terra, mas avistaram uma baía que possuía uma praia e decidiram dirigir o navio para aquele ponto. Lucas acrescenta que pretendiam encalhá-lo ali “se fosse possível” (v. 39). A expressão indica que a tripulação enxergava uma oportunidade, e não uma garantia que chegariam. O objetivo era aproximar a embarcação da margem o suficiente para facilitar a saída dos passageiros.

   A última manobra exigiu que a tripulação devolvesse ao navio alguma capacidade de direção. As cordas das quatro âncoras foram cortadas, pois recolhê-las tomaria tempo e poderia alterar a posição da embarcação. Os remos laterais usados como lemes, que permaneciam presos enquanto o navio estava ancorado, foram soltos e recolocados na água. Depois disso, os marinheiros levantaram a vela da proa para aproveitar o vento e seguir em direção à praia (v. 40). Cada ação tinha a finalidade de controlar os últimos movimentos do navio. O encalhe aconteceu antes que o casco alcançasse a margem. Lucas afirma que a embarcação atingiu um lugar onde “duas correntes se encontravam”, expressão que também pode descrever um baixio cercado por águas de direções diferentes. A proa penetrou no fundo e ficou imóvel, enquanto a popa continuou exposta à força das ondas. O contraste entre as duas partes explica a rápida destruição do casco. A parte dianteira permaneceu presa, mas a traseira começou a desfazer-se sob os repetidos impactos do mar (v. 41). A perda da embarcação obrigou todos a atravessarem o trecho final dentro da água. Aqueles que sabiam nadar deveriam lançar-se primeiro e seguir até a terra. Os demais poderiam apoiar-se em tábuas e em pedaços que se soltavam do casco (vv. 43,44). A distinção feita por Lucas mostra que os passageiros não possuíam as mesmas condições. Alguns tinham habilidade para nadar; outros precisavam de algo que os mantivesse na superfície. O importante era que cada pessoa recebesse um meio compatível com sua necessidade.

Aplicações

• Não devemos desprezar os meios simples pelos quais Deus pode nos ajudar. Naquele dia, saber nadar ou encontrar uma tábua foi decisivo para atravessar as águas.
• Pessoas que enfrentam a mesma crise podem precisar de auxílios diferentes. Exigir de todos a capacidade dos nadadores deixaria os mais frágeis sem apoio.O exemplo deste episódio nos ensina que devemos reconhecer os limites de cada pessoa e oferecer a ajuda necessária.
3.2 A soberania divina acima das decisões humanas (vv.42,43).
Verdade central: Os soldados planejaram matar os prisioneiros, mas o centurião os impediu para salvar Paulo. Uma decisão tomada em favor de um homem acabou preservando a vida de todos.
Para refletir: Você confia que Deus governa até as decisões de autoridades que parecem ter poder sobre você?
A LIÇÃO DIZ: Diante do risco de fuga dos prisioneiros, os soldados decidiram matá-los para evitar punições severas, prática comum no contexto romano (At 12.19; 16.27). No entanto, esse plano humano foi frustrado. Júlio, o centurião, desejando salvar Paulo, impediu a execução. Quando o navio começou a se partir, outro perigo ameaçou a vida dos prisioneiros. Os soldados temiam que algum deles aproveitasse a confusão para escapar e, por isso, planejaram matá-los antes que deixassem a embarcação. A decisão dos soldados estava relacionada à disciplina militar romana. Um guarda poderia ser severamente responsabilizado caso o prisioneiro sob sua custódia escapasse. Herodes mandou executar os guardas depois da libertação de Pedro, e o carcereiro de Filipos tentou tirar a própria vida quando pensou
que os presos haviam fugido (At 12.19; 16.27). Os soldados queriam evitar uma possível punição, mas procuraram fazê-lo à custa da vida daqueles que deveriam vigiar. O plano não foi executado porque Júlio interveio em favor de Paulo. Era o mesmo centurião que recebera os prisioneiros em Cesareia e providenciara a mudança de navio em Mirra (vv. 1,6). A embarcação havia mudado, mas os soldados e os presos continuavam sob sua autoridade. Júlio podia impedir a matança e determinar como todos deveriam abandonar o navio.

  Ao longo da viagem, a maneira como Júlio tratou Paulo passou por mudanças. Em Sidom, permitiu que ele visitasse os amigos; em Bons Portos, preferiu ouvir os profissionais do mar; durante a tempestade, passou a considerar seriamente suas advertências; e, no momento do naufrágio, decidiu preservar sua vida (vv. 3,11,31,43). Lucas não afirma que o centurião tenha se convertido, mas mostra que Paulo conquistou seu respeito e sua confiança. A intervenção de Júlio preservou todos os prisioneiros porque não seria possível salvar Paulo sem impedir que os demais fossem mortos. O centurião agiu movido pelo desejo de proteger o apóstolo, mas sua decisão contribuiu para o cumprimento do que Deus havia anunciado. Quando os soldados planejaram uma matança, o Senhor já havia preparado uma autoridade capaz de contê-los.

Aplicações
• Quem possui autoridade deve empregá-la para impedir o mal. Júlio não acompanhou a decisão dos soldados; usou sua posição para interromper o plano antes que ele se transformasse em uma carnificina.
• Uma vida íntegra pode conquistar respeito mesmo entre aqueles que não compartilham da nossa fé. A conduta de Paulo durante a viagem contribuiu para que sua palavra e sua vida fossem consideradas no momento decisivo.
3.3 O cumprimento fiel da promessa de Deus (v.44).
Verdade central: A promessa se cumpriu exatamente como Deus havia anunciado: ninguém morreu. Nem a tempestade, nem a destruição do navio, nem o perigo final impediram o cumprimento da Palavra de Deus.
Para refletir: Confie na promessa sem determinar a Deus como ela deve se cumprir.
A LIÇÃO DIZ: Conforme a palavra do Senhor, todos escaparam com vida. A fidelidade de Deus prevaleceu sobre o caos da tempestade. Durante toda a crise, Paulo permaneceu sustentado pela promessa divina, demonstrando que a esperança firmada em Deus não decepciona. A declaração que encerra o capítulo confirma o cumprimento de tudo o que Deus havia anunciado durante a tempestade. Ao escrever que “assim todos chegaram salvos à terra” (v. 44), Lucas fecha o relato destacando o resultado. Nenhuma das 276 pessoas que estavam a bordo perdeu a vida. A palavra “todos” confirma, sem exceção, aquilo que havia sido prometido nos versículos anteriores.

  O desfecho deste episódio demonstra que Deus cumpriu exatamente o que havia dito. Nem a violência da tempestade, nem a destruição do navio, nem as decisões humanas puderam impedir sua palavra. O Senhor é fiel, sua palavra é verdadeira e seu poder está acima dos acontecimentos naturais e das ações humanas. Por isso, podemos confiar nele mesmo quando ainda não sabemos como sua promessa se cumprirá.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. A promessa de Deus se cumpriu? Quantos sobreviveram?
2. O que os soldados queriam fazer com os prisioneiros?
3. Por que o centurião impediu a execução?

  CONCLUSÃO
Agradecemos a Deus pela oportunidade de concluirmos mais uma pré-aula da Escola Bíblia Dominical. Nesta lição, aprendemos que decisões imprudentes podem produzir grandes perdas e que a experiência humana possui limites. Também vimos que, quando todos perderam a esperança, a Palavra de Deus sustentou Paulo e trouxe ânimo às pessoas que estavam no navio. Mesmo com a destruição da embarcação, o Senhor cumpriu exatamente o que havia prometido e preservou todas as vidas. Que esta lição nos ajude a ouvir as advertências, agir com prudência e permanecer firmes na Palavra de Deus quando surgirem as tempestades. As circunstâncias podem escapar do nosso controle, mas jamais estarão fora do governo do Senhor. Esperamos você na próxima pré-aula, em nome de Jesus. Deus abençoe. Amém!

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