Na noite deste domingo, 18 de janeiro, o Garden Recepções foi palco de uma grande celebração com o encerramento do 29º Congresso da Mocidade da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Filial Tabira. O culto, que teve início às 18h30, reuniu jovens, membros da igreja, lideranças e convidados, sendo marcado por um ambiente de comunhão, adoração e profunda edificação espiritual.
A celebração foi dirigida pelo gestor local, Pastor Antônio Roberto, que conduziu toda a programação com zelo pastoral e sensibilidade espiritual. O momento de louvor contou com a participação da Banda Renovação, da cantora Sara Rozendo e dos corais de jovens das filiais de Betânia e Fátima de Flores, que abrilhantaram a noite com apresentações cheias de unção, preparando o coração da igreja para a ministração da Palavra. O evento também contou com a presença de autoridades do município de Tabira, entre elas o prefeito Flávio Ferreira Marques, a vereadora Esthefany de Junior e a Secretária Executiva da Mulher, Ilma Rocha, que prestigiaram o encerramento do congresso.
A mensagem da noite foi ministrada pelo Evangelista Henrique Agnis, que trouxe uma reflexão baseada em João 21:1-17, destacando o reencontro de Jesus com seus discípulos e o chamado ao serviço, à restauração e ao compromisso com a obra de Deus. A palavra impactou a igreja e levou os presentes a um momento de introspecção e decisão espiritual.
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Reencontro do blogueiro Zé Freitas com Flávio Ferreira Marques, prefeito de Tabira PE, o mais novo prefeito do alto Pageú. Os mesmos se conheceram na época que Flávio também era blogueiro do (Tabira hoje). Na época o mesmo também era secretário de administração em Tabira e Zé Freitas, secretário de agricultura em Santa Terezinha PE. Flávio, com o cargo que ocupa atualmente, não o deixou envaidecido, pelo contrário, continua humilde, simples e receptivo.
Ao final da celebração, doze pessoas foram batizadas com o Espírito Santo, ratificando que o Senhor falou poderosamente aos corações durante todo o congresso. O encerramento do 29º Congresso da Mocidade reafirmou o compromisso da IEADPE Filial Tabira com a formação espiritual da juventude e deixou um legado de fé, renovação e esperança para todos os participantes.
Na noite deste sábado, 17 de janeiro, o Garden Recepções foi palco de uma grande celebração: a Igreja Evangélica Assembleia de Deus Filial Tabira realizou a abertura do 29º Congressoda Mocidadecom uma programação repleta de adoração, comunhão e palavra aplicada. O culto, marcado pela presença calorosa dos jovens e da comunidade, teve início às 18h e reuniu ministérios convidados e lideranças da igreja. O culto foi dirigido pelo gestor local, Pastor Antônio Roberto, que conduziu a noite com zelo e espiritualidade. A programação contou com momentos marcantes de louvor, com a participação da Banda Renovação, das cantoras Samara e Sanara, além dos corais de jovens das filiais de Custódia e Santa Terezinha, que abrilhantaram a celebração com apresentações cheias de unção, preparando o coração da igreja para a mensagem da Palavra de Deus. Estiveram presentes também autoridades como a vereadora tabirense Estefany de Junior, o vereador solidonense Vitorino e o conselheiro tutelar Genildo, juntamente com suas respectivas famílias. A ministração ficou por conta do Ev. Enoque Carlos, preletor oficial da abertura, que trouxe uma palavra fundamentada em Romanos 12:2,convocando os jovens à renovação da mente e à transformação de vida que só Cristo pode operar. A mensagem destacou a importância de não se conformar com os padrões deste mundo, mas de viver uma fé prática, refletida em atitudes que glorificam a Deus. Ao final da celebração, houve um momento especial de apelo, no qual uma vida se rendeu aos pés de Cristo, evidenciando que o Espírito Santo falou poderosamente aos corações. A primeira noite do congresso foi marcada por gratidão, quebrantamento e grande expectativa para os próximos dias.
Ev. Enoque Carlos
A Igreja Evangélica Assembleia de Deus Filial Tabira – PE agradece a todos os envolvidos na realização do evento e convida a todos a continuarem participando da programação do 29º Congresso da Mocidade, crendo que Deus ainda fará grandes coisas no decorrer desta festividade.
Quando o calor aperta e o corpo pede uma pausa do fogão, nada melhor que preparar pratos que refrescam sem pesar no estômago. As receitas certas transformam o almoço em uma experiência leve e saborosa, perfeita para manter a energia sem aquela sensação de desconforto que alimentos pesados trazem em dias de temperatura elevada.
Macarrão com camarão ao limão e ervas Reunimos 5 preparações deliciosas que combinam praticidade com frescor. Cada sugestão foi pensada para você aproveitar refeições nutritivas sem passar horas na cozinha. Descubra abaixo como tornar seus almoços mais agradáveis nesta estação!
1. Macarrão com camarão ao limão e ervas Ingredientes 300 g de macarrão tipo talharim sem glúten 400 g de camarão médio cru, limpo e sem casca 60 ml de azeite de oliva 3 dentes de alho picados 120 ml de vinho branco seco Raspas de 1 limão-siciliano 40 ml de suco de limão-siciliano Sal a gosto Pimenta-do-reino moída a gosto 1 colher de sopa de salsinha fresca picada 1 colher de sopa de cebolinha verde picada 1 concha de água do cozimento do macarrão Água para cozinhar o macarrão Modo de preparo Em uma panela em fogo médio, cozinhe o macarrão em água com sal até ficar al dente. Reserve uma concha da água do cozimento, escorra e mantenha o macarrão quente. Em um recipiente, tempere os camarões com sal, pimenta-do-reino e metade das raspas de limão. Aqueça uma frigideira grande em fogo médio-alto, adicione metade do azeite e grelhe os camarões por cerca de 2 minutos de cada lado, até ficarem rosados. Retire e reserve.
Na mesma frigideira, reduza o fogo para médio e acrescente o restante do azeite. Junte o alho e refogue por cerca de 30 segundos, sem dourar. Adicione o vinho branco e deixe ferver até reduzir levemente. Acrescente o suco de limão, as raspas restantes e misture. Incorpore o macarrão cozido, mexendo para envolver no molho. Adicione a água do cozimento para ajustar a textura. Volte os camarões à frigideira, misture delicadamente e aqueça por cerca de 1 minuto. Finalize com salsinha e cebolinha. Ajuste sal e pimenta-do-reino e sirva imediatamente.
2. Quinoa com legumes, ovo pochê e molho de iogurte Ingredientes 1 xícara de chá de quinoa crua Água para cozinhar 1 cenoura ralada 1/2 xícara de chá de milho-verde cozido 1 colher de sopa de azeite de oliva 4 ovos 1 xícara de chá de iogurte natural 1 colher de sopa de suco de limão 1 colher de chá de sal Modo de preparo Lave a quinoa e cozinhe-a com a água em uma panela, em fogo médio, por cerca de 15 minutos, até os grãos ficarem macios. Reserve. Depois, em um recipiente, misture a quinoa com a cenoura, o milho-verde e o azeite e reserve.
Ovo pochê Em uma panela, aqueça a água até quase ferver. Quebre um ovo em um recipiente e despeje cuidadosamente na água. Cozinhe por cerca de 3 minutos. Repita com os demais ovos. Em seguida, misture o iogurte, o suco de limão e o sal até formar um molho liso. Sirva a quinoa com o ovo pochê por cima e finalize com o molho.
Poke de frango desfiado com arroz, abacate e legumes Foto: Miguel Soutullo | Shutterstock / Portal EdiCase 3. Poke de frango desfiado com arroz, abacate e legumes Ingredientes 2 xícaras de chá de arroz branco cru 4 xícaras de chá de água 1 colher de chá de sal 400 g de peito de frango 1 folha de louro 1 dente de alho Sal a gosto 120 g de milho-verde cozido 150 g de tomate-cereja cortado ao meio 120 g de cebola-roxa picada 1 abacate cortado em fatias 3 colheres de sopa de molho de soja 2 colheres de sopa de azeite de oliva 1 colher de sopa de óleo de gergelim 1 colher de sopa de suco de limão 1 colher de chá de mel 1 colher de chá de gengibre ralado 1 colher de sopa de gergelim branco 1 colher de sopa de gergelim preto Modo de preparo Em uma panela, coloque o arroz, a água e o sal. Leve ao fogo médio e cozinhe até a água secar e os grãos ficarem macios. Desligue o fogo, tampe a panela e reserve. Coloque o peito de frango em outra panela, cubra com água, acrescente o alho, o louro e o sal. Cozinhe em fogo médio até ficar bem macio. Escorra, descarte os temperos e desfie o frango ainda quente. Em uma tigela, misture o molho de soja, o azeite, o óleo de gergelim, o suco de limão, o mel e o gengibre. Acrescente o frango desfiado e misture até ficar bem envolvido pelo molho. Para a montagem, distribua o arroz no fundo de uma tigela. Por cima, disponha o frango temperado, o milho-verde, o tomate-cereja, a cebola-roxa e o abacate, organizando os ingredientes em partes separadas. Finalize com o gergelim branco e preto e sirva em seguida.
4. Peixe grelhado com salada de grão-de-bico e hortelã Ingredientes 4 filés de peixe branco 1 colher de sopa de azeite de oliva 1 colher de chá de sal 1/2 colher de chá de pimenta-do-reino moída 2 xícaras de chá de grão-de-bico cozido e escorrido 1 xícara de chá de tomate picado 1/2 xícara de chá de cebola-roxa picada 2 colheres de sopa de hortelã picada 2 colheres de sopa de suco de limão Modo de preparo Em um recipiente, tempere o peixe com sal e pimenta-do-reino. Após, aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio, adicione o azeite e grelhe os filés por 3 minutos de cada lado, até dourarem e ficarem macios. Em seguida, em uma tigela, misture o grão-de-bico, o tomate, a cebola-roxa, a hortelã e o suco de limão. Sirva o peixe acompanhado da salada, mantendo tudo em temperatura ambiente para maior frescor.
5. Salada de lentilha com legumes crus Ingredientes 1 xícara de chá de lentilha verde crua 3 xícaras de chá de água para o cozimento 1 xícara de chá de tomate sem sementes cortado em cubos pequenos 1 xícara de chá de pepino japonês cortado em cubos pequenos 1/2 xícara de chá de cebola-roxa picada em cubos pequenos 1/2 xícara de chá de salsinha fresca bem picada 1/4 de xícara de chá de hortelã fresca picada 1/4 de xícara de chá de azeite de oliva 3 colheres de sopa de suco de limão Sal e pimenta-do-reino moída a gosto Modo de preparo Coloque a lentilha em uma panela média, adicione a água e leve ao fogo médio. Cozinhe até que os grãos fiquem macios, porém firmes. Escorra bem a água e espalhe a lentilha em uma travessa para esfriar completamente.
Após, transfira a lentilha para uma tigela grande. Acrescente o tomate, o pepino e a cebola-roxa, misturando delicadamente para manter a textura dos legumes. Junte a salsinha e a hortelã picadas, distribuindo de maneira uniforme por toda a salada. Em um recipiente separado, misture o azeite de oliva, o suco de limão, o sal e a pimenta-do-reino até formar um tempero homogêneo. Despeje sobre a salada e mexa com cuidado até envolver todos os ingredientes. Leve à geladeira por pelo menos 20 minutos antes de servir, para que os sabores se integrem e o prato fique ainda mais refrescante.
A Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (Anses) publicou, na terça-feira, 13, um relatório que vincula o uso de redes sociais à deterioração da saúde mental de adolescentes, com impacto severo sobre o público feminino. O documento surge em meio ao debate legislativo no país para proibir o acesso de menores de 15 anos a plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Snapchat.
Relatório da Anses baseia-se em 5 anos de pesquisa e análise de mil estudos científicos;
Meninas são as mais afetadas por estereótipos de gênero e pressão estética digital;
Metade dos jovens entre 12 e 17 anos utiliza as redes de duas a cinco horas por dia;
Agência recomenda mudança nos algoritmos e configurações de proteção nativas.
Evidências científicas e pressão social
O alerta é resultado de um comitê de especialistas que documentou efeitos negativos “variados e documentados”. Segundo Olivia Roth-Delgado, responsável pelo painel, o estudo fornece argumentos científicos robustos para a regulação do setor. A agência define as redes acessadas via smartphone como uma “caixa de ressonância inédita” para comportamentos de risco e para o fortalecimento de estereótipos prejudiciais.O relatório destaca que a exposição a imagens modificadas digitalmente projeta padrões irreais de beleza, resultando em baixa autoestima, depressão e transtornos alimentares. As adolescentes, que utilizam as plataformas com maior frequência que os meninos, sofrem uma pressão social intensificada por papéis de gênero. O documento aponta que grupos LGBTQIA+ e jovens com diagnósticos prévios de saúde mental também estão em maior vulnerabilidade.
Regulação e mudanças estruturais
Diferente da Austrália, que estabeleceu em dezembro de 2025 o limite de 16 anos para o uso dessas ferramentas, a França discute na Assembleia Nacional duas propostas de lei que fixam a barreira nos 15 anos.A Anses aconselha que o poder público atue “na raiz”, obrigando as empresas de tecnologia a reformularem seus algoritmos e técnicas de persuasão. A recomendação é que os menores só tenham acesso a interfaces projetadas especificamente para proteger a saúde biopsicossocial, eliminando configurações predeterminadas que incentivam o uso prolongado e a comparação social constante.
A expansão da oferta de serviços especializados de saúde para a população brasileira passa pelo aumento da capacidade de atendimento do SUS. Por isso, o Ministério da Saúde garantiu R$ 499 milhões do Novo PAC Saúde, destinados à construção de mais três maternidades e três policlínicas nos estados de Sergipe, Amazonas, Pará, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. As obras dessas novas unidades de saúde tiveram autorização para terem início, em cerimônia realizada nesta sexta-feira (16) nos municípios que vão sediá-las.
Cada maternidade terá capacidade de comportar mais de 6 mil nascimentos por ano, o que significa um aumento significativo na oferta de serviços obstétricos em todo o país. Em média, cada uma delas pode realizar mais de 16 mil procedimentos por ano. Já as policlínicas contarão com estruturas e equipamentos de saúde que podem impactar diretamente a vida de cerca de 350 mil pessoas na cidade e região em que forem construídas.
“A expansão da assistência especializada é um compromisso do governo do presidente Lula e do Ministério da Saúde que, com o programa Agora Tem Especialistas, está aumentando a oferta de atendimentos em todo o Brasil a fim de reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. As novas maternidades e policlínicas vão ao encontro desse objetivo”, afirmou o ministro da Saúde interino, Adriano Massuda.
As novas unidades de saúde vão fortalecer as redes de atenção materna e infantil em Governador Valadares (MG), Anápolis (GO), Sumaré (SP), São Félix do Xingu (PA), Parintins (AM) e no estado de Sergipe, em Aracaju, nos quais representantes do Ministério da Saúde, das Prefeituras e da Caixa Econômica Federal hoje participaram da assinatura dos termos de serviço para o início das obras. Com recursos do Novo PAC, o Ministério da Saúde está investindo, ao todo, R$ 31,5 bilhões em obras, equipamentos e veículos para fortalecer o SUS em todo o país. Trata-se do maior programa de investimentos em infraestrutura do sistema público, que já investiu em 2.600 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 330 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 101 policlínicas, 4.800 ambulâncias do SAMU e 800 Unidades Odontológicas Móveis (UOM) pelo país.
Policlínicas: acolhimento de vítimas de violência e outros serviços de saúde
Com base em projeto referencial fornecido pelo Ministério da Saúde, os municípios de Governador Valadares (MG), Anápolis (GO) e Sumaré (SP) terão policlínicas com salas de ultrassom, salas lilás para acolhimento de vítimas de violência, sala de tomografia, espaços para reabilitação, entre outros serviços. As policlínicas são unidades especializadas de apoio diagnóstico com serviços de consultas clínicas realizadas por equipes médicas e multiprofissionais, definidas com base no perfil epidemiológico da população da região. Nessas unidades, são realizados exames gráficos e de imagem com fins diagnósticos e oferta de pequenos procedimentos.
Maternidades: assistência à mulher, à gestante, à puérpera e ao recém-nascido
Para prestarem assistência à mulher, à gestante, à puérpera e ao recém-nascido de risco habitual e de alto risco, o município de São Félix do Xingu (PA) receberá uma maternidade de porte I, e Aracaju (SE) e Parintins (AM), maternidades de porte II. Nesses locais, serão oferecidos serviços 24h com atendimento de urgência e emergência obstétrica e/ou ginecológica, internação hospitalar, terapia intensiva, além de atendimento ambulatorial.
O projeto referencial do Ministério da Saúde tem como diferenciais o espaço da recepção – que garante uma espera confortável e com privacidade -, salas lilás, suítes para pré-parto, parto e pós-parto – onde os períodos clínicos do parto podem ser assistidos com privacidade no mesmo ambiente -, centros de parto normal intra-hospitalares com banheira, espaços adequados para garantir que o atendimento imediato ao recém-nascido seja realizado no mesmo ambiente do parto sem interferir na interação mãe e filho, além da implementação do acolhimento com classificação de risco (ACCR).
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou com o Município de Salvador (BA) contrato no valor de R$ 264 milhões para a aquisição de 226 ônibus a diesel Euro 6, a serem utilizados no transporte público coletivo de passageiros. O financiamento compõe escopo do Novo PAC – Refrota, programa coordenado pela Casa Civil.O financiamento viabiliza a renovação da frota do sistema de transporte coletivo por ônibus de Salvador, com a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos, seguros e eficientes, contribuindo diretamente para a redução da idade média dos ônibus em circulação e para a melhoria da qualidade do serviço prestado à população. Além de elevar o conforto e a confiabilidade do transporte coletivo, a operação tem impacto positivo na mobilidade urbana e na sustentabilidade ambiental, ao incentivar a entrada de veículos com melhor desempenho energético e menores emissões de poluentes. Atualmente, são transportados 1,2 milhão de passageiros por dia no sistema de transporte coletivo por ônibus de Salvador, que serão diretamente beneficiados pelos novos veículos. A operação de financiamento para a aquisição de novos ônibus em Salvador está inserida no escopo do Novo PAC – Refrota, programa que tem como objetivo o fortalecimento da mobilidade urbana nas cidades brasileiras, através do apoio à aquisição de novos veículos e equipamentos de transporte, tais como ônibus elétricos, sistemas de recarga, ônibus Euro 6 e sistemas sobre trilhos.
“O Governo Federal, através do Novo PAC, reafirma seu compromisso com a melhoria concreta da mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras. O investimento na renovação da frota de ônibus de Salvador significa promover um transporte público mais eficiente, menos poluente e mais digno para milhões de brasileiros que dependem diariamente desse serviço.”, destaca o ministro da Casa Civil e coordenador do Novo PAC, Rui Costa.“Ao apoiar a renovação da frota de transporte coletivo de Salvador, o BNDES cumpre seu papel histórico de indutor do desenvolvimento. Essa operação, no âmbito do Novo PAC, combina melhoria dos serviços públicos, ganho ambiental com o aumento da adoção de ônibus Euro 6 e impacto direto na vida de mais de um milhão de passageiros por dia, reforçando o compromisso do Banco com cidades mais eficientes e sustentáveis.”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Entre março de 2024 e janeiro de 2026, dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão responsável pelo monitoramento ambiental e territorial da Amazônia por meio de imagens de satélite e sistemas de inteligência, indicaram uma redução de 98,77% das áreas de garimpo ativo na Terra Indígena Yanomami. No período de maior pressão (2024), o garimpo ilegal ocupava cerca de 4.570 hectares do território. Ao final de 2025, a área identificada como garimpo ativo havia sido reduzida para 56,13 hectares.
Essa redução territorial teve impacto direto sobre a estrutura econômica do garimpo ilegal, com prejuízos estimados em mais de R$ 642 milhões, atingindo desde os pontos de extração até as rotas de abastecimento e escoamento do ouro. As 9 mil ações resultam de uma atuação contínua coordenada pela Casa de Governo, em Roraima, envolvendo a Força Nacional de Segurança Pública, a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Polícia Judiciária da Força Nacional (PJFN), o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira. As operações se basearam em fiscalização em campo, ações de inteligência, controle do espaço aéreo e fluvial e bloqueio das rotas logísticas utilizadas por invasores. Como resultado dessas ações, foram inutilizadas 45 aeronaves, 77 pistas de pouso clandestinas e 762 acampamentos, além da apreensão de combustíveis, motores, embarcações e outros equipamentos utilizados na atividade garimpeira.
Vista aérea do rio Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami. | Foto: Bruno Mancinelle / Casa de Governo
No mesmo contexto, em 2025, o cerco às rotas logísticas foi intensificado, com ações estratégicas em eixos sensíveis do território, como a região do rio Uraricoera, historicamente utilizada como corredor de acesso por garimpeiros. Nessas áreas, o bloqueio fluvial, a destruição de estruturas ilegais e a presença permanente das forças de segurança reduziram a circulação de invasores. Apreensão de ouro e mercúrio. No acumulado de 2024 e 2025, foram apreendidos 249 quilos de ouro em Roraima, sendo cerca de 213 quilos apenas em 2025, enfraquecendo diretamente a base financeira que sustenta a cadeia logística do garimpo ilegal, desde a extração até o transporte e o escoamento do minério. Outro dado relevante foi a apreensão de 232 quilos de mercúrio, insumo fundamental para o funcionamento do garimpo ilegal e diretamente associado à contaminação de rios e do solo. As apreensões ocorreram desde a abertura da Casa de Governo, como parte do controle da cadeia logística do garimpo ilegal. Além dos efeitos econômicos e operacionais, a diminuição da presença de garimpeiros teve impactos diretos na segurança das comunidades, de equipes de saúde, agentes ambientais e profissionais que atuam na região. Com menos invasores circulando, houve redução de conflitos e a retomada gradual de atividades tradicionais, como as roças e a pesca. Ao atingir, no início de 2026, a marca de 9 mil ações, o enfrentamento ao garimpo ilegal entra em uma fase de continuidade sistemática, com foco na prevenção de novas tentativas de ocupação, no monitoramento permanente, e em melhorias contínuas no âmbito ambiental e social.
A primeira parcela de janeiro do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) foi repassada às prefeituras na sexta-feira (9). Ao todo, os municípios partilham cerca de R$ 6 bilhões, valor aproximadamente 7% maior do que o transferido no mesmo decêndio de 2025.
O especialista em orçamento público, Cesar Lima, reforça que, apesar do avanço e das boas perspectivas para 2026, é fundamental que os gestores municipais ajam com cautela e apliquem os recursos de forma eficiente. Segundo ele, muitos municípios ainda enfrentam um cenário de endividamento, com dificuldades para manter a folha de pagamento e as despesas com fornecedores em dia.
“Esses valores se referem a uma arrecadação realizada nos últimos dez dias de 2025. Eles chegam em um bom momento, já que vários municípios enfrentam dificuldades até mesmo para o pagamento da folha salarial dos seus funcionários, e esse recurso pode ajudar a atravessar esse período”, destaca. “Além de poder ser utilizado para o pagamento da folha salarial, o FPM também pode servir para quitar dívidas que, eventualmente, não foram pagas em 2025 e ficaram para 2026. Como há um resultado melhor do que o registrado em janeiro do ano passado, isso pode trazer algum alívio e permitir um certo ajuste das contas dos municípios com seus fornecedores”, complementa Lima.
Um levantamento divulgado no fim do ano passado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), aponta que 1.202 prefeituras (28,8%) enfrentam atrasos no pagamento de fornecedores. O estudo também indica que a escassez de recursos tem reflexos adicionais nas contas públicas. Segundo a CNM, 1.293 prefeituras (31%) empurraram despesas de 2025 para 2026 sem a devida previsão orçamentária, configurando os chamados restos a pagar.
FPM: distribuição regional dos recursos
No Sudeste, os municípios do estado de São Paulo concentram o maior volume de recursos entre todas as regiões do país, com um total de R$ 748 milhões. Entre as cidades beneficiadas estão Jundiaí, Itaquaquecetuba e Guarujá.
Na Região Centro-Oeste, Goiás é o estado com o maior repasse. Os municípios goianos vão dividir cerca de R$ 195 milhões, destinados a cidades como Caldas Novas, Catalão e Itumbiara. No Norte do país, o Pará lidera o recebimento, com aproximadamente R$ 172 milhões, que serão distribuídos entre municípios como Paragominas, Redenção e Tucuruí. Já no Nordeste, a Bahia é o estado que receberá o maior montante, com mais de R$ 486 milhões. Entre as cidades beneficiadas estão Juazeiro, Jequié e Ilhéus. No Sul, o destaque é o Rio Grande do Sul, cujos municípios vão partilhar mais de R$ 383 milhões. Entre as cidades com maiores repasses, estão Alegrete, Bagé e Bento Gonçalves.
FPM: municípios com repasse bloqueado
Até o último dia 7 de janeiro, apenas o município de Dom Silvério (MG) estava com o repasse do FPM bloqueado, segundo informações do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi).
De acordo com o Tesouro Nacional, os bloqueios podem ocorrer por diversos motivos, como:
falta de pagamento da contribuição ao Pasep;
dívidas com o INSS;
débitos inscritos na dívida ativa pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN);
ausência de prestação de contas no Sistema de Informações sobre Orçamento Público em Saúde (Siops).
Sobre o FPM
Considerado a principal fonte de receita de cerca de 80% dos municípios brasileiros, o FPM é um repasse previsto na Constituição Federal. Os recursos do fundo correspondem a 22,5% da arrecadação da União com o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
O valor recebido por cada município varia conforme o número de habitantes e é atualizado anualmente com base nos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Aumento de valores em 2026
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que 58 municípios terão aumento de arrecadação neste ano em razão da elevação dos coeficientes do FPM, motivada pelo crescimento das faixas populacionais.
As informações constam na Decisão Normativa nº 219/2025, que estabelece os coeficientes do FPM para 2026. Confira a lista:
Santo Antônio do Içá (AM);
Campo Novo do Parecis (MT);
Prado (BA);
Rorainópolis (RR);
Careiro (AM);
Querência (MT);
Eusébio (CE);
Araquari (SC);
Careiro da Várzea (AM);
Breves (PA);
Cachoeira Grande (MA);
Barra Velha (SC);
Fonte Boa (AM);
Colares (PA);
Itaitinga (CE);
Camboriú (SC);
Japurá (AM);
Viçosa (MG);
Colatina (ES);
Canelinha (SC);
Pauini (AM);
Mãe do Rio (PA);
Piúma (ES);
Guaramirim (SC);
Mazagão (AP);
Moju (PA);
Hidrolândia (GO);
Maravilha (SC);
São Gabriel da Cachoeira (AM);
Caetés (PE);
Orizona (GO);
Balneário Piçarras (SC);
Tapauá (AM);
Bom Jesus (PI);
Esmeraldas (MG);
Pinhalzinho (SC);
Uarini (AM);
Murici dos Portelas (PI);
Frutal (MG);
Sangão (SC);
Oiapoque (AP);
Francisco Beltrão (PR);
Santa Margarida (MG);
Turvo (SC);
Caldeirão Grande (BA);
Marialva (PR);
Teófilo Otoni (MG);
Indiaroba (SE);
Conceição do Coité (BA);
Prudentópolis (PR);
Três Lagoas (MS);
Capela do Alto (SP);
Jussara (BA);
Siqueira Campos (PR);
Cáceres (MT);
Tatuí (SP);
Pilão Arcado (BA);
Chupinguaia (RO).
FPM: calendário de repasses
Normalmente, os repasses do FPM ocorrem nos dias 10, 20 e 30 de cada mês. Quando a data coincide com fim de semana ou feriado, a transferência é antecipada para o primeiro dia útil anterior.
O Ministério da Saúde publicou a Portaria 10.132/2026, que lista os valores destinados aos municípios e ao Distrito Federal para o pagamento do piso salarial dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) em 2026. O montante é composto pela Assistência Financeira Complementar (AFC) da União e pelo Incentivo Financeiro (IF).
A AFC garante que os profissionais da categoria recebam, no mínimo, o piso salarial nacional estabelecido em lei. Já o IF é destinado ao fortalecimento das políticas públicas relacionadas à atuação dos ACEs na área de Vigilância em Saúde.
Os valores são transferidos aos Fundos Municipais de Saúde em parcelas mensais e buscam colaborar para o cumprimento do piso salarial da categoria. No mês de novembro, as prefeituras recebem uma parcela extra adicional. Pela Portaria, o cálculo teve como base o cadastro de agentes do Sistema de Cadastramento de Estabelecimentos de Saúde (SCNES) de outubro de 2025. A publicação destaca que a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente vai monitorar o cadastramento dos ACE pelos municípios no SCNES mensalmente. A medida tem como objetivo garantir a efetivação dos repasses da AFC e do Incentivo Financeiro para fortalecer a atuação dos agentes nos municípios.
Considerando o Incentivo Financeiro e a AFC, o estado de São Paulo recebe o maior investimento, na ordem de R$398,5 milhões. O segundo maior montante foi destinado a Minas Gerais, sendo R$ 451,5 milhões. Em seguida aparece a Bahia, com R$ 243,6 milhões.
Confira o total do repasse para cada UF, conforme a Portaria:
AC – Incentivo: R$ 847.134,60 | AFC: R$ 16.095.557,40
AL – Incentivo: R$ 2.785.850,60 | AFC: R$ 52.931.161,40
AM – Incentivo: R$ 2.800.601,70 | AFC: R$ 53.211.432,30
AP – Incentivo: R$ 754.413,40 | AFC: R$ 14.333.854,60
BA – Incentivo: R$ 12.182.301,30 | AFC: R$ 231.463.724,70
CE – Incentivo: R$ 7.457.734,70 | AFC: R$ 141.696.959,30
TO – Incentivo: R$ 1.483.539,20 | AFC: R$ 28.187.244,80
Agentes de Combate às Endemias
Os Agentes de Combate às Endemias (ACE) são profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). O grupo desempenha um papel fundamental no combate às endemias, como dengue, além da atuação na promoção da saúde pública no país, com atividades de educação em saúde. Entre as atribuições dos ACEs estão a realização de visitas domiciliares, com inspeções em residências e comércios com vistas a identificar focos de vetores, como o mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue.
Os profissionais promovem, ainda, ações educativas, voltadas à conscientização da comunidade sobre a importância da prevenção e controle de doenças endêmicas.
O trabalho dos agentes também abarca a aplicação de larvicidas e inseticidas nos focos de proliferação de vetores. Os trabalhadores realizam, ainda, coleta de dados para registrar a incidência de vetores e doenças na área de atuação. Os ACEs têm contato direto com a comunidade. Com isso, promovem integração e constroem um relacionamento de confiança com os moradores, com vistas a facilitar o acesso às informações e às ações de saúde pública.
A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi sancionada nesta quarta-feira (14) pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). A norma estabelece as despesas públicas e apresenta a estimativa de receitas ao longo de 2026. A proposta havia sido aprovada pelo Congresso Nacional no fim de 2024.
No total, o Orçamento da União para este ano será de R$ 6,54 trilhões, com meta de superávit primário de R$ 34,2 bilhões. Já o salário mínimo foi reajustado de R$ 1.518 para R$ 1.621.
De acordo com o texto, a área da Saúde contará com recursos totais de R$ 271,3 bilhões, enquanto a Educação terá R$ 233,7 bilhões.
Em relação a programas sociais, foram reservados R$ 158,63 bilhões para o Bolsa Família e R$ 11,47 bilhões para o programa de incentivo financeiro a estudantes do Ensino Médio, conhecido como Pé-de-Meia. Além disso, R$ 4,7 bilhões estão previstos para o programa que garante acesso ao botijão de gás a famílias de baixa renda.
Vetos
Ao alegar inconformidades legais, o presidente vetou dois dispositivos que somam quase R$ 400 milhões em emendas parlamentares. Segundo o governo, os trechos foram adicionados durante a tramitação da proposta no Congresso Nacional e não constavam na programação orçamentária enviada pelo Poder Executivo, conforme estabelece a Lei Complementar 210/24.
Esses vetos ainda serão analisados por deputados e senadores, que poderão mantê-los ou derrubá-los.
Emendas parlamentares
O texto aprovado prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares. Desse montante, aproximadamente R$ 37,8 bilhões serão destinados a emendas impositivas (de pagamento obrigatório). As emendas individuais somam R$ 26,6 bilhões, enquanto as emendas de bancada, destinadas às bancadas estaduais, totalizam R$ 11,2 bilhões. Já as emendas de comissão, que não têm execução obrigatória, chegam a R$ 12,1 bilhões. Além do veto de quase R$ 400 milhões em emendas parlamentares, o governo trabalha com a possibilidade de editar outros atos normativos para remanejar mais R$ 11 bilhões em emendas para outras ações.
PLANO PERFEITO A salvação da humanidade: a mensagem central das Escrituras
INTRODUÇÃO Em um mundo onde o afeto é frequentemente proporcional ao mérito, costumamos acreditar que precisamos ser “suficientemente bons” para sermos aceitos pelas pessoas e, sobretudo, por Deus. Entretanto, a nossa experiência diária com falhas e fragilidades nos leva a uma inquietude: quem poderia amar e resgatar alguém imperfeito? A narrativa bíblica rompe essa lógica ao nos apresentar o Calvário, onde o Justo morreu pelos injustos “enquanto ainda éramos fracos e pecadores”. Portanto, vamos abordar a natureza do Deus que salva. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus?
TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES Provem, e vejam como o SENHOR é bom. Como é feliz o homem que nele se refugia! (Sl 34.8, NVI). Procure descobrir, por você mesmo, como o SENHOR Deus é bom. Feliz aquele que encontra segurança nele! (Sl 34.8, NTLH). Deste texto bíblico, emanam algumas verdades espirituais: 1. Deus deseja ser conhecido de forma pessoal e direta. Não apenas obedecido, mas saboreado. 2. A verdadeira felicidade está em confiar. A bem-aventurança vem da dependência de Deus. 3. Fé é uma experiência viva. Ela passa pelos sentidos. 4. A bondade de Deus é absoluta e sempre acessível. Mesmo em meio ao sofrimento (como no contexto de Davi), o salmista declara: “Ele é bom.” RESUMO DA LIÇÃO A obra da salvação, que é revelada plenamente em Jesus Cristo, expressa a bondade, o amor e a santidade de Deus. BA obra da cruz resolve o “dilema divino”: como perdoar o pecador (expressão de Amor e Bondade) sem violar a justiça que exige a punição do pecado (expressão de Santidade). Em Cristo, Deus proveu o sacrifício que a Sua própria santidade exigia, permitindo que a Sua graça fluísse para a humanidade. Portanto, a salvação revela plenamente quem Deus é: um Pai amoroso que quer salvar, mas também um Juiz justo que não pode inocentar o culpado sem um resgate.
1. O DEUS QUE SE REVELA COMO SALVADOR Ideia central do ponto: A Escritura apresenta Deus como Redentor, bom e confiável, revelado plenamente em Jesus. 1.1 A história da salvação mostra Deus como o Redentor. Ideia central: Deus toma a iniciativa de derrotar o mal e restaurar o relacionamento com o ser humano (Gn 3.15; Sl 105.5-6). O aluno deve sair sabendo: identificar a redenção como iniciativa de Deus. A LIÇÃO DIZ: Desde Gênesis, Deus se revela como o Redentor que toma a iniciativa de colocar em prática um plano de salvação para derrotar o mal e restaurar o relacionamento do ser humano com Ele (Gn 3.15). A história pode ser dividida em quatro grandes momentos: 1.1.1 Na criação, vemos o Deus trino todo-poderoso, transcendente, autoexistente, suficiente em si mesmo, eterno, santo e perfeito em todos os seus atributos, criando todas as coisas que existem, desde as mais remotas e distantes galáxias até a terra e tudo o que nela há. Vemos a criação do homem imago Dei, segundo a imagem do próprio Deus, em estado de inocência e liberdade, debaixo do governo moral de Deus, ordenado a ser responsável e obediente e a governar sobre todas as coisas criadas, para a glória do criador. 1.1.2 Na queda, vemos o homem transgredindo a lei de Deus e se afastando dele, caindo de seu estado de inocência e felicidade e legando para a humanidade esta condição de condenação, aprisionando sua liberdade às inclinações do pecado, sendo tanto responsável por ele como vítima de sua poluição. Vemos o efeito da queda na criação, trazendo maldição para este mundo e resultando na grande tragédia da história do homem. 1.1.3 Na redenção, vemos ainda que Deus resolveu oferecer salvação ao homem e o fez de modo que sua justiça, ofendida pela transgressão da lei causada pelo pecado do homem, fosse satisfeita. Em amor, desde os tempos eternos, Deus o Pai resolveu salvar pecadores em seu Filho, Jesus Cristo, o qual, sendo um com Deus o Pai, entrou na história, assumiu a natureza humana e viveu como homem, obedecendo toda a lei e cumprindo toda a justiça de Deus o Pai, a ponto de oferecer-se a si mesmo como sacrifício e propiciação a Deus em favor dos homens, justificando os pecadores que se achegam a ele, movidos pela ação do Espírito de Deus que os regenera, em arrependimento e fé, sendo reconciliados com Deus e adotados em sua família. 1.1.4 Finalmente, temos a consumação de todas as coisas, vemos como o cristão é preparado nesta vida para a vida porvir; sendo santificado e perseverando em sua peregrinação. Vemos o que acontece após a morte do homem, seja do justo ou do injusto, sobre o céu e o inferno, o julgamento final, a ressurreição do corpo e a redenção final e definitiva da criação: novos céus e nova terra; todas essas coisas operando segundo o propósito e decretos de Deus e para glória dele. Em toda a história de criação, queda, redenção e consumação, há um protagonista: o Deus triúno. Ele se revela na própria história como o Redentor, isto é, aquele que resgata o seu povo da culpa e do poder do pecado por iniciativa soberana, cumprindo suas promessas e restaurando o que foi corrompido. Esse fio redentor aparece já no início, em Gênesis 3.15, quando Deus anuncia que da semente da mulher viria aquele que esmagaria a cabeça da serpente. Ali, a Escritura não apenas descreve a gravidade da queda, mas também registra a primeira promessa de redenção, estabelecendo que a vitória sobre o mal não viria do esforço humano, mas do agir de Deus. Essa promessa não fica suspensa. Ela progride ao longo da revelação bíblica e alcança seu cumprimento na “plenitude do tempo”, quando, conforme Gálatas 4.4, Deus envia o seu Filho, “nascido de mulher”. Essa expressão retoma, em linha direta, a promessa de Gênesis 3.15 e mostra a fidelidade de Deus em conduzir a história para o cumprimento do que havia dito. Assim, a história revela Deus como Redentor: aquele que prometeu a redenção e que, em Cristo Jesus, efetivamente a realizou. 1.2 Deus é bom e digno de confiança. Ideia central: A bondade de Deus sustenta a confiança e o temor do Senhor, e a salvação procede da sua benignidade (Tt 3.4-5). O aluno deve sair sabendo: explicar que a salvação resulta da bondade e misericórdia de Deus, não de mérito humano.
A LIÇÃO DIZ:O Salmo 34 nos convida a experimentar a bondade divina e, como resultado, a felicidade alcança aquele que confia nEle (v.8). Quando provamos da sua bondade e nos entregamos a Ele com plena confiança, o temor do Senhor — uma atitude que caracteriza a verdadeira sabedoria espiritual (Pv 1.7) — passa a fazer parte da nossa vida. A Bíblia ensina que a bondade é um dos principais atributos de Deus. Ela está na sua essência. A bondade é uma expressão de sua natureza divina. Ele é intrinsecamente bom e amoroso. De acordo com a Bíblia, a bondade de Deus é manifestada de várias maneiras. Primeiro: ela se manifesta na criação. A criação é descrita como sendo “bom” pelo menos sete vezes, refletindo, assim, o caráter do Criador. A bondade é sua marca registrada sobre todas as coisas e a criação foi o seu primeiro ato de bondade.
Segundo: ela se manifesta na redenção: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” (Lc 2.14). A redenção é a expressão da bondade de Deus. Quando o homem caiu em pecado, a bondade agiu no sentido de resgatar o homem de seu estado miserável. Terceiro: ela se manifesta na providência ao nos trazer conforto e orientação em meio às aflições da vida. Em dar respostas às nossas orações. Prover os recursos quando somos tentados, ao curar nossas doenças ou quando oferece gratuitamente perdão quando pecamos. A bondade de Deus é uma fonte de esperança e consolo para o cristão. Visto que a sua bondade dura para sempre, jamais deveríamos ficar desanimados. “O Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam.” (Na 1.7). Como não confiar e temer um Deus tão bondoso assim? 1.3 Jesus revela a natureza salvadora de Deus. Ideia central: Em Cristo habita a plenitude da divindade; ver o Filho é conhecer o Pai como Deus bom e Salvador (Jo 14.9-10). O aluno deve sair sabendo: afirmar que Jesus revela o Pai e fundamenta o conhecimento verdadeiro do Deus que salva. A LIÇÃO DIZ: A Palavra de Deus nos mostra que, em Jesus Cristo, habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). Em João 14, Jesus declarou:“Quem me vê a mim vê o Pai; […] Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (Jo 14.9,10). O termo grego pleroma, traduzido como “plenitude”, significa a soma total do que Deus é, todo o Seu ser, Seus atributos e Seus poderes. Paulo utiliza este termo, que era comum no vocabulário dos falsos mestres (gnósticos), para refutá-los. Enquanto os gnósticos ensinavam que a plenitude divina estava distribuída entre várias emanações espirituais ou anjos, Paulo afirma que toda a plenitude reside em Cristo. O verbo usado para “habita” (katoikeo) indica uma residência permanente e contínua, em contraste com uma estada temporária. Isso significa que a divindade não veio sobre Jesus apenas no batismo para deixá-lo na cruz (como ensinavam algumas heresias), mas que Ele possui essa plenitude de forma inalienável e eterna. No Evangelho de João, a revelação da divindade de Cristo é aprofundada através da explicação de Seu relacionamento com o Pai. Quando Filipe pede: “Senhor, mostra-nos o Pai”, Jesus responde com uma repreensão terna que revela Sua identidade: “Quem me vê a mim vê o Pai”. Ninguém jamais viu a Deus em Sua essência espiritual, pois Ele habita em luz inacessível. No entanto, Jesus, o Filho Unigênito, é quem o “revelou” (Jo 1.18). O termo grego implica que Jesus é a “exegese” ou a explicação completa de Deus. Ele não aponta apenas para Deus; Ele é a auto-revelação de Deus. Ver Jesus, Suas obras, Seu amor, Sua santidade, é ver o caráter e a natureza do Pai em ação. A declaração “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14.10) descreve uma união mística e ontológica conhecida como pericorese (habitação mútua). Eles são distintos como pessoas (o Filho não é o Pai), mas são um em essência e substância. Não há conflito de vontades ou separação de poder; as palavras que Jesus fala e as obras que Ele realiza são as palavras e obras do Pai que habita nEle.
2. A SALVAÇÃO COMO PROVA DO AMOR DE DEUS Ideia central do ponto: A cruz demonstra o amor de Deus e exige uma resposta prática de gratidão e testemunho vivencial. 2.1 A salvação como ato de amor. Ideia central: Cristo morreu pelos ímpios; Deus prova seu amor ao agir por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5.6-8; Ef 2.1). O aluno deve sair sabendo: definir a salvação como ação amorosa de Deus em favor de quem não merecia. A LIÇÃO DIZ: Romanos 5 descreve a morte de Cristo, o Justo, no lugar dos ímpios (Rm 5.6) e revela o ato mais amoroso de Deus: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Deus entregou seu Filho único por amor. Ele não o entregou depois que fomos justificados, regenerados e santificados; pelo contrário, Ele o entregou quando ainda estávamos “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Ora, se isso não é amor, então o que seria? Esse é o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta — um amor sofredor, bondoso, verdadeiro (1Co 13.4-7). Vamos focar em Romanos 5.8. A expressão no original que foi traduzida como amor é ágape. Esta é a palavra mais frequente no Novo Testamento para descrever o amor cristão e o amor divino. Refere-se a uma “benevolência invencível” e uma “infinita boa vontade”. Não é apenas uma emoção, mas uma atitude da vontade que busca o maior bem do outro, independentemente de seus méritos. É um amor abnegado, inteligente, com propósito e ativo. Diferente do eros (que busca satisfação própria), o ágape busca o bem do objeto amado, mesmo que este seja indigno ou inimigo. A causa do amor de Deus não está no objeto amado, mas nele mesmo. Cristo não morreu por alguém que merecia o amor de Deus. Ao contrário, Paulo diz que éramos fracos (5.6), ímpios (5.6), pecadores (5.8) e inimigos (5.10). Numa linguagem crescente, o apóstolo elenca quatro predicados sombrios da deplorável condição humana. Embora fôssemos merecedores do juízo divino, ele graciosamente derramou em nosso coração seu imenso amor. Deus não poderia achar nos fracos, ímpios, pecadores e inimigos algo que atraísse seu amor. O caráter incomum e singular do amor de Deus se revela no fato de que ele foi exercido a favor daqueles cuja condição natural era absolutamente repugnante diante da sua santidade. Deus amou infinitamente os objetos da sua ira. 2.2 O amor de Deus se manifestou na cruz. Ideia central: Deus amou o mundo e enviou o Filho como propiciação; a cruz expressa amor universal (Jo 3.16). O aluno deve sair sabendo: explicar que a cruz é a expressão objetiva do amor de Deus e o fundamento da salvação. A LIÇÃO DIZ: A doutrina do amor de Deus é o fundamento da obra da salvação. Como pentecostais, afirmamos com convicção: o que motivou o envio de Jesus Cristo à cruz foi o incomparável amor de Deus. A Bíblia declara: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Aprendemos desde cedo, no discipulado, que a palavra graça significa favor imerecido. Contudo, à luz do texto bíblico que acabamos de ler, podemos ampliar esse conceito e afirmar que a graça é a maior de todas as dádivas concedidas a quem merecia o maior de todos os castigos. A graça é um presente de Deus aos homens: ela é oferecida gratuitamente, mas custou o sangue precioso de Jesus Cristo. João 3.16, é talvez, um dos versículos mais conhecidos Bíblia, é o Evangelho em miniatura, o Evangelho em ponto pequeno. Como em uma só gota de orvalho se vê todo o universo, aqui, nestas poucas palavras, vê-se toda a boa nova da salvação de Deus. Notem-se estes pontos: 1) Deus, o maior Ser. 2) Amou, o maior sentimento. 3) O mundo, o maior grupo. 4) De tal maneira, o maior grau. 5) Que deu, o maior ato. 6) O Seu Filho unigénito, a maior Dádiva. 7) Para que todo aquele, a maior oportunidade. 8) Que nEle, a maior atração. 9) Crê, a maior simplicidade. 10) Não pereça, a maior promessa. 11) Mas, a maior diferença. 12) Tenha, a maior certeza. 13) A vida eterna, a maior possessão. 2.3 Respondendo ao amor de Deus com gratidão. Ideia central: A gratidão pela salvação aparece em escolhas diárias que honram a Cristo e servem ao próximo (Rm 5.8; 1Jo 4.19). O aluno deve sair sabendo: aplicar a gratidão como prática: conduta, serviço e testemunho coerentes com o evangelho. A LIÇÃO DIZ: A gratidão verdadeira se mostra no comportamento: nas decisões que tomamos, nas amizades que cultivamos, na maneira como lidamos com as tentações e na disposição em servir a Deus e ao próximo. Como escreveu o apóstolo João: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). A vida cristã não é uma tentativa de ganhar o favor de Deus através de esforços humanos, mas sim uma resposta amorosa à iniciativa divina. Como o apóstolo João declarou: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Esse versículo estabelece que o amor de Deus é a causa, e o nosso amor é a consequência; o amor dEle é a fonte, e o nosso é o fluxo que retorna a Ele. Como, em forma de gratidão, devemos responder a esse tão grande amor? 2.3.1Obediência. A pessoa que compreende a profundidade do amor de Deus não obedece por medo ou para acumular méritos, mas porque deseja agradar ao Pai. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15), indicando que a obediência é a prova irrefutável do amor e da gratidão temos a Deus. 2.3.2 Prioridades e recursos. As decisões sobre o uso do tempo e do dinheiro refletem onde está o coração. A gratidão nos leva a submeter com alegria tudo que somos e tudo que temos ao Senhor. 2.3.3 Santidade. Diante das encruzilhadas da vida, o cristão grato decide andar na luz, rejeitando as “obras das trevas”, pois entende que foi resgatado de um “vão modo de viver” para uma vida de propósito. 2.3.4 Amor fraternal. A prova de que amamos a Deus (a quem não vemos) é o amor pelos irmãos (a quem vemos).
3. A SANTIDADE DO DEUS QUE SALVA Ideia central do ponto: O Deus que salva é santo; a salvação inclui transformação e um chamado contínuo à santidade. 3.1 Deus é absolutamente santo. Ideia central: A santidade é atributo essencial de Deus e a base do chamado ético do seu povo (Is 6.3; 1Pe 1.15-16; Lv 11.44). O aluno deve sair sabendo: relacionar o chamado “sejam santos” ao caráter do próprio Deus. A LIÇÃO DIZ: A Bíblia revela que uma das características fundamentais de Deus é a sua santidade. No livro do profeta Isaías, lemos a proclamação dos anjos: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). O apóstolo Pedro escreve em sua Primeira Epístola: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15). Esse chamado à santidade está diretamente relacionado à própria natureza santa de Deus, como está escrito: “Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16; cf. Lv 11.44). A santidade de Deus, fundamentalmente, revela que Ele é separado e distinto de tudo o que existe. Essa separação possui dois aspectos principais: 3.1.1 Transcendência majestosa. Deus é “totalmente santo”. Ele está separado da criação e elevado acima dela em glória e majestade infinita. A santidade descreve a excelência superlativa de Sua natureza, a soma total de Suas perfeições. Quando os serafins clamam “Santo, Santo, Santo” em Isaías 6.3, a repetição (o triságio) enfatiza que essa qualidade nEle é suprema e inigualável, indicando que Ele não pertence à esfera do comum ou do profano. 3.1.2 Pureza absoluta. A santidade implica que Deus está eternamente separado de todo pecado, impureza e maldade. Ele é “tão puro de olhos, que não pode ver o mal” (Hc 1.13). Sua natureza é a própria antítese da corrupção e do mal; Ele é luz e nEle não há treva alguma. Por ser santo, Ele ama a justiça e abomina a iniquidade, sendo a Sua santidade o padrão moral para todo o universo . Portanto, em vez de imitar o mundo ímpio com seus modismos, nossa vida deve reproduzir o caráter santo daquele que nos chamou. Ser piedoso significa ser semelhante a Deus, que é santo em todos os seus caminhos. A fim de sermos como ele, precisamos ser santos em tudo o que fazemos e dizemos. Nesta vida, jamais seremos tão santos quanto ele, mas devemos ser santos porque ele é. O dever de ser santo envolve um duplo movimento: separação do pecado (aspecto negativo) e dedicação a Deus (aspecto positivo). O cristão foi chamado para fora do sistema de valores do mundo (“não vos amoldeis às paixões”, 1 Pe 1.14) para ser propriedade exclusiva de Deus. 3.2 A salvação é um chamado à santidade. Ideia central: A salvação inclui santidade posicional e santidade progressiva (Rm 6.22; 1Co 1.2; Hb 10.10; 2Co 3.18; Fp 2.12-13). O aluno deve sair sabendo: distinguir posição em Cristo e processo de transformação, mantendo responsabilidade e a dependência de Deus. A LIÇÃO DIZ: A doutrina bíblica da salvação ensina que, ao sermos alcançados pela graça, experimentamos o que muitos estudiosos chamam de santidade posicional, ou seja, refere-se à condição de santos que o salvo recebe no momento em que a salvação é operada (1Co 1.2; Hb 10.10). Essa é uma realidade imediata e completa, vinda direta e exclusivamente de Deus. Além dessa realidade, há outra denominada de “santidade progressiva”, que se refere ao processo contínuo de transformação interior operada pelo Espírito Santo ao longo da caminhada espiritual (2Co 3.18; Fp 2.12,13). Gosto muito de uma frase que diz: Deus chama o ímpio para a salvação, o salvo para santificação e o santo, Ele chama para a obra. De fato, a salvação é um chamado para à santidade.A Bíblia apresenta a santificação como uma posição (status) conferida por Deus e um processo (vivência) desenvolvido no crente. A santidade posicional é um ato forense, instantâneo e definitivo de Deus. Ela não depende do grau de pureza moral que o crente alcançou, mas da sua união com Cristo. No momento da conversão, o crente é posicionalmente “santificado”. Isso significa que ele foi “separado” do mundo profano e transferido para a esfera do sagrado, tornando-se propriedade exclusiva de Deus. É uma mudança de status legal e de relacionamento, não necessariamente de caráter imediato. Por isso, Paulo pôde chamar os coríntios de “santificados em Cristo Jesus” e “santos”, apesar de seus muitos problemas morais e divisões internas. Enquanto a posicional é um ato único, a progressiva é um crescimento contínuo e moral. É a transformação do caráter interior, onde o crente, capacitado pelo Espírito Santo, mortifica os atos da carne e cultiva virtudes espirituais. santidade progressiva nunca será concluída nesta vida; ela aponta para a glorificação, quando nossa condição moral finalmente corresponderá perfeitamente à nossa posição legal. 3.3 A cruz: o encontro da justiça e do amor de Deus e o caminho para a santidade. Ideia central: Na cruz, Deus julga o pecado e oferece graça; Cristo leva a culpa e garante justificação ao que crê (Hc 1.13; Is 53.5; Rm 3.26). O aluno deve sair sabendo: explicar como a cruz expressa a justiça e graça de Deus.
A LIÇÃO DIZ: A cruz de Cristo é o maior marco da história da salvação. Nela, a justiça de Deus e o seu amor infinito se encontram de forma perfeita, preparando e apontando o caminho da santidade. O dilema teológico fundamental resolvido na cruz é como um Deus santo e justo pode perdoar pecadores culpados sem comprometer a Sua própria integridade moral. A justiça de Deus exige que o pecado seja punido. Deus não pode simplesmente “fazer vista grossa” para a iniquidade, pois Sua natureza santa não tolera o mal. A lei divina declara que “a alma que pecar, essa morrerá” e que “maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei. Se Deus apenas perdoasse sem uma satisfação penal, Ele negaria Sua própria justiça e santidade. O pecado é uma ofensa contra a majestade infinita de Deus e exige uma reparação. Na cruz, Jesus atuou como nosso substituto. Ele não morreu como um mártir ou apenas como um exemplo, mas assumiu o lugar dos pecadores. A justiça de Deus foi satisfeita porque o castigo que nós merecíamos, a ira divina e a morte espiritual, foi derramado sobre Cristo. Ele bebeu o “cálice” da ira de Deus até a última gota. Ao mesmo tempo que a cruz é a suprema demonstração da justiça (julgando o pecado), ela é a prova máxima do amor de Deus (salvando o pecador). O crente foi “crucificado com Cristo” (Gl 2.20). Legal e espiritualmente, a velha vida sob o domínio do pecado acabou. O “corpo do pecado” foi despojado de seu poder tirânico. Portanto, é por meio da cruz que o caminho da santidade é possibilitado. A cruz é o fundamento da história da salvação: 3.3.1 Para Deus é a satisfação de Sua justiça e a expressão suprema de Seu amor, permitindo que Ele perdoe sem deixar de ser santo. 3.3.2 Para o pecador é o único lugar de refúgio onde a culpa é removida e a paz com Deus é estabelecida. 3.3.3 Para o santo é a fonte de poder que quebra o domínio do pecado, purifica a consciência e motiva uma vida de consagração e serviço sacrificial.
CONCLUSÃO Chegamos ao final deste estudo compreendendo que a salvação não é uma conquista humana baseada em obras, mas uma expressão soberana da graça de Deus. Vimos que Ele não é um Ser distante ou indiferente; Ele é o Redentor que, desde o Gênesis, tomou a iniciativa de resgatar a humanidade caída. A Cruz de Cristo permanece como o monumento central da história, o lugar onde o “dilema divino” foi resolvido: a justiça de Deus julgou o pecado e o amor de Deus absolveu o pecador. Aprendemos que fomos amados não quando éramos amáveis, mas quando éramos inimigos, o que torna a graça um favor escandalosamente imerecido. Portanto, a nossa resposta a esse grande amor não pode ser a passividade. A salvação nos confere uma nova posição de santos, mas também nos impulsiona ao processo de santificação progressiva. Que possamos sair desta lição não apenas com o intelecto preenchido, mas com o coração grato, decididos a viver uma vida de obediência e pureza que reflita o caráter do Deus que nos salvou.
A SANTÍSSIMA TRINDADE O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
INTRODUÇÃO Como podemos medir a verdadeira dimensão do amor? Não apenas por palavras, mas pela magnitude da renúncia envolvida e pelas ações empreendidas. Ao observarmos a narrativa bíblica, notamos que a redenção humana foi uma iniciativa soberana de Deus planejada desde a eternidade. Nesta lição, abordaremos o envio do Filho Unigênito. Veremos como esse evento, ocorrido na “plenitude dos tempos”, é a prova suprema do amor do Pai e a revelação clara da Santíssima Trindade trabalhando em perfeita harmonia para garantir a nossa salvação. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. (1Jo 4.9, NVI). Foi assim que Deus mostrou o seu amor por nós: ele mandou o seu único Filho ao mundo para que pudéssemos ter vida por meio dele. (1Jo 4.9, NTLH). Apenas quatro vezes no Novo Testamento encontramos afirmações sobre o que Deus é, três delas feitas por João: Deus é “espírito” (Jo 4.24), “luz” (1.5) e “amor” (4.8). A quarta é “Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29; cf. Dt 4.24). Essas afirmações não são definições completas de Deus, mas revelam o que ele é em sua natureza. Afirma que “Deus é amor” significa que ele não somente é a fonte de todo amor (4.7), mas é amor em sua própria essência. É importante, entretanto, lembrarmos que se Deus é amor, ele também é espírito, luz e fogo consumidor. Temos de manter em harmonia esses aspectos do ser de Deus, pois só assim poderemos compreender como um Deus, que é amor, castiga os ímpios com ira eterna. João, portanto, apresenta uma prova cabal de que Deus é amor. “Manifestar” significa tornar plenamente conhecida, com detalhes, mediante revelação clara, alguma coisa que estava oculta. A vinda do Senhor Jesus ao mundo tornou plenamente conhecido o amor de Deus pelo seu povo.
VERDADE PRÁTICA O envio do Filho revela o amor do Pai e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes. A verdade prática resume bem o conteúdo que abordaremos na lição: 1 Graduado em teologia pela UniCesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco 1. O envio do Filho revela o amor do Pai. O ato de Deus Pai enviar o Filho ao mundo é a suprema demonstração de Seu amor. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (Jo 3.16). 2. A perfeita unidade da Trindade no plano da salvação. O plano salvífico é, portanto, trinitário em sua origem, execução e consumação. 3. A garantia da redenção. A redenção é eficaz porque foi realizada pelo próprio Filho eterno, plenamente divino e plenamente humano, capacitado para satisfazer a justiça divina pela unção do Espírito, cujo o ministério foi aprovado pelo Pai.
1. O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI Ideia central do ponto: O Pai revela seu amor ao enviar o Filho, por iniciativa soberana, e isso expõe a unidade trinitária na redenção. 1.1 O amor incondicional do Pai. Ideia central: O amor (agápē) de Deus é gracioso e imerecido, e se expressa no envio do Filho (Jo 3.16–17; 1Jo 4.8–10). O aluno deve sair sabendo: definir ágape como amor que envolve decisão e ação, e rejeitar a ideia de que o amor de Deus se baseia em algum mérito humano. A LIÇÃO DIZ: O envio de Jesus Cristo — o Filho Unigênito do Pai, é a maior demonstração do amor de Deus ao mundo (Jo 3.16). O verbo grego para este amor é “aqapáō” e o substantivo é “agápē”. Expressam a natureza essencial de Deus (1Jo 4.8) e a busca pelo bem-estar de todos (Rm 15.2). Conforme usado, acerca de Deus, manifesta interesse profundo e constante de um Ser perfeito para seres completamente indignos (Vine, 2002, p. 395). O idioma grego possui uma riqueza de termos para descrever o amor, permitindo distinções que muitas vezes se perdem em outras línguas. No grego do Novo Testamento, há três palavras frequentemente associadas a tradução do termo amor: 1.1.1 Ágape (Agepê / agapáō). Esta é a palavra mais frequente no Novo Testamento para descrever o amor cristão e o amor divino. Refere-se a uma “benevolência invencível” e uma “infinita boa vontade”. Não é apenas uma emoção, mas uma atitude da vontade que busca o maior bem do outro, independentemente de seus méritos. É um amor abnegado, inteligente, com propósito e ativo. Diferente do eros (que busca satisfação própria), o agápe busca o bem do objeto amado, mesmo que este seja indigno ou inimigo. 1.1.2 Philia (phileõ). Descreve o amor de amizade, o afeto caloroso e a comunhão. É usada para descrever o amor entre amigos verdadeiros e o amor do Pai pelo Filho, bem como o amor de Jesus por Lázaro. Embora alguns tentem classificar philia como inferior a agápe, em muitos contextos do Novo Testamento (especialmente em João), os termos são usados como sinônimos intercambiáveis. 1.1.3Storgê. Descreve o amor familiar, a afeição natural entre pais e filhos. O substantivo não aparece no Novo Testamento, mas o conceito existe e formas compostas (como philostorgos, “amar cordialmente”) são usadas, como em Romanos 12.10. 1.1.4Eros. Refere-se ao amor passional, sexual e ao desejo de posse. Esta palavra não aparece no Novo Testamento. É descrita como um amor que busca a autossatisfação, em contraste com o agápe que busca o outro. 1.2 A iniciativa soberana de Deus. Ideia central: A salvação procede do propósito de Deus em Cristo e antecede qualquer resposta humana (Ef 1.4–5,9; Rm 5.8). O aluno deve sair sabendo: explicar que a iniciativa da salvação não parte do ser humano, mas de Deus. A LIÇÃO DIZ: Desde a eternidade, antes da Queda no Éden, Deus traçou um plano de redenção em Cristo (Ef 1.4,5). Até mesmo anterior a fundação do mundo, o Filho já estava destinado para nossa salvação (1Pe 1.18-20). Deus, em sua soberania e seu imensurável amor, tomou a iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef 1.9). A Escritura ratifica que o amor divino antecede qualquer atitude humana: “não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10). Vamos compreender, em primeiro lugar, o texto de Efésios 1.4-5 (NAA) que diz: Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito de sua vontade,Deus, em Sua onisciência, previu a queda do homem e planejou a redenção antes mesmo da criação. As Escrituras revelam que o plano de salvação remonta à eternidade passada, onde Deus estabeleceu que Cristo seria o Cordeiro morto desde a fundação do mundo. Portanto, a eleição é um ato eterno fundamentado na presciência de Deus, onde Ele, antecipadamente, conheceu aqueles que responderiam ao Seu chamado pela fé.A eleição “olha” para o aspecto passado da salvação. Refere-se ao ato de Deus escolher um povo para Si mesmo. É o ato pelo qual Deus escolhe homens para si. A eleição é baseada na presciência de Deus. Deus elege para a salvação aqueles que Ele previu que aceitariam o Seu chamado e creriam em Jesus.A predestinação “olha” para o aspecto futuro. Ela se refere ao destino ou ao propósito pré-determinado por Deus para aquele povo que Ele elegeu. Portanto, A predestinação não é um decreto de quem será salvo ou condenado, mas a definição do futuro e dos benefícios daqueles que já são de Cristo. Deus predestinou que os que estão em Cristo desfrutem da posição de filhos (adoção), com todos os direitos e privilégios de herdeiros. É um ato da graça soberana que nos coloca na família de Deus, uma realidade presente que será plenamente realizada na redenção do nosso corpo. Tudo isso ocorre de acordo com o beneplácito (a boa vontade) de Deus. Não depende de obras ou mérito humano, mas da graça. A vontade de Deus não é restritiva (escolhendo apenas alguns para salvar), mas inclusiva no sentido de que Ele deseja que todos se salvem, embora a eficácia dessa vontade dependa da resposta humana de fé, que é possibilitada pela graça.
Em segundo lugar, corroborando com a ideia de que o amor de Deus antecede qualquer resposta humana, O apóstolo Paulo escreveu: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores. (Rm 5.8 NAA). A causa do amor de Deus não está no objeto amado, mas nele mesmo. Cristo não morreu por alguém que merecia o amor de Deus. Ao contrário, Paulo diz que éramos fracos (5.6), ímpios (5.6), pecadores (5.8) e inimigos (5.10). Numa linguagem crescente, o apóstolo elenca quatro predicados sombrios da deplorável condição humana. Embora fôssemos merecedores do juízo divino, ele graciosamente derramou em nosso coração seu imenso amor. Deus não poderia achar nos fracos, ímpios, pecadores e inimigos algo que atraísse seu amor. O caráter incomum e singular do amor de Deus se revela no fato de que ele foi exercido a favor daqueles cuja condição natural era absolutamente repugnante diante da sua santidade. Deus amou infinitamente os objetos da sua ira. Portanto, fica mais que evidente que a salvação, além de ser uma iniciativa divina, é um dom gracioso da parte de Deus. 1.3 O envio do Filho e a Trindade. Ideia central: “O envio do Filho é uma expressão do amor do Deus Triúno, que resplandece em toda a história da salvação. O aluno deve sair sabendo: destacar o envolvimento da Trindade no plano da redenção, afirmando a unidade de essência entre as pessoas da Trindade e distinguir as funções na economia da salvação. A LIÇÃO DIZ: Embora a missão do Filho seja descrita por meio do verbo “enviar” (Jo 3.17,18,34), a ideia aqui é de um presente gracioso de Deus (1Jo 4.10). Em seu amor soberano, o Pai ofereceu sua dádiva mais preciosa — o seu Filho Unigênito: “para que por Ele vivamos” (1Jo 4.9). O texto bíblico nos diz: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (Jo 3.16-18, NAA). Aprendemos desde cedo, no discipulado, que a palavra graça significa favor imerecido. Contudo, à luz do texto bíblico que acabamos de ler, podemos ampliar esse conceito e afirmar que a graça é a maior de todas as dádivas concedidas a quem merecia o maior de todos os castigos. A graça é um presente de Deus aos homens: ela é oferecida gratuitamente, mas custou o sangue precioso de Jesus Cristo. João 3.16, é talvez, um dos versículos mais conhecidos Bíblia, é o Evangelho em miniatura, o Evangelho em ponto pequeno. Como em uma só gota de orvalho se vê todo o universo, aqui, nestas poucas palavras, vê-se toda a boa nova da salvação de Deus. Notem-se estes pontos: 1) Deus, o maior Ser. 2) Amou, o maior sentimento. 3) O mundo, o maior grupo. 4) De tal maneira, o maior grau. 5) Que deu, o maior ato. 6) O Seu Filho unigénito, a maior Dádiva. 7) Para que todo aquele, a maior oportunidade. 8) Que nEle, a maior atração. 9) Crê, a maior simplicidade. 10) Não pereça, a maior promessa. 11) Mas, a maior diferença. 12) Tenha, a maior certeza. 13) A vida eterna, a maior possessão. Portanto, o plano da redenção revela o envolvimento do Deus triúno. Nas obras de Deus na história, especialmente na salvação, vemos o Pai enviando, o Filho vindo e obedecendo ao Pai para realizar a redenção, e o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, aplicando com eficácia ao crente a obra de Cristo consumada na cruz. Essa dinâmica corresponde ao que chamamos de Trindade econômica, isto é, as ações distintas do Pai, do Filho e do Espírito na história da salvação. Nesse âmbito, há uma subordinação funcional do Filho ao Pai, porque o Filho é enviado e cumpre a vontade do Pai. Contudo, essa subordinação não é ontológica. Ontológica diz respeito ao ser de Deus. Assim, na Trindade ontológica, não existe hierarquia de essência: Pai, Filho e Espírito são igualmente Deus, coeternos e consubstanciais. Logo, a ordem das missões na redenção expressa funções, não inferioridade.
2. O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS Ideia central do ponto: O Pai envia o Filho no tempo determinado, nascido de mulher, sob a lei, para redimir e conduzir o povo de Deus à adoção (Gl 4.4–6). 2.1 A preparação histórica e religiosa. Ideia central: Deus prepara o cenário histórico-cultural e a expectativa messiânica para a chegada do Salvador e a expansão do evangelho. O aluno deve sair sabendo: identificar fatores providenciais (contexto romano, grego koiné, expectativa messiânica) como meios sob o governo de Deus. A LIÇÃO DIZ: O envio de Cristo não foi um plano improvisado, mas um desígnio eterno, cumprido “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4). Indica que a vinda do Messias se deu no tempo determinado pelo Deus Pai (Rm 5.6). A Trindade, em perfeita sabedoria e unidade, determinou o momento exato para a execução do plano redentor (Ef 1.10,11). O texto bíblico diz: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”. A expressão “plenitude do tempo” (pleroma tou chronou) indica o momento cronológico decisivo, predeterminado por Deus Pai, que encerra o período de preparação e inicia o tempo do cumprimento. Não foi o tempo que forçou a ação de Deus, mas Deus quem determinou o tempo. O “tempo oportuno” incluiu fatores como: 2.1.1 Pax Romana (O cenário político e infraestrutural). O mundo mediterrâneo desfrutava de um período de paz imposta por Roma (a Pax Romana), cessando as guerras entre nações rivais. Isso tornava as viagens relativamente seguras, visto que os mares estavam livres de piratas e as fronteiras estavam consolidadas. Roma construiu uma vasta rede de estradas excelentes (“as estradas romanas”), que conectavam os centros estratégicos do império à capital. Embora construídas para fins militares e administrativos, essas estradas facilitaram imensamente o movimento rápido de viajantes e, consequentemente, dos pregadores do Evangelho. 2.1.2 A Língua grega (O veículo cultural). Enquanto Roma forneceu as estradas, a Grécia forneceu a língua. As conquistas de Alexandre, o Grande, helenizaram o mundo antigo, estabelecendo uma língua comum. O grego koiné (comum) tornou-se a língua universal do comércio, da diplomacia e da literatura em todo o império. Isso permitiu que os apóstolos pregassem em qualquer lugar sem a necessidade de aprender novos idiomas locais e escrevessem o Novo Testamento em uma língua que quase todos podiam ler. 2.1.3 A Diáspora judaica (A base religiosa). A dispersão dos judeus (Diáspora) por todo o mundo conhecido criou “cabeças de ponte” estratégicas para o cristianismo. Em quase todas as cidades do império havia uma colônia judaica e uma sinagoga. As sinagogas serviam como locais de ensino e adoração, onde se lia a Escritura. Elas foram o ponto de partida natural para a missão de Paulo; ali ele encontrava judeus e gentios “tementes a Deus” (prosélitos) que já conheciam o monoteísmo e as Escrituras, mas precisavam ouvir sobre o Messias. 2.1.4 A falência moral e a fome espiritual (O contexto existencial). O cenário espiritual do mundo pagão era de decadência e vazio, criando um anseio por algo verdadeiro. Os antigos deuses mitológicos da Grécia e de Roma haviam perdido sua influência sobre o povo e não ofereciam mais satisfação espiritual ou esperança. As filosofias humanas mostravam-se vazias diante da morte e do sofrimento. A sociedade estava saturada de imoralidade, crueldade e idolatria. Em Roma e na Grécia, a vida familiar estava em colapso e a depravação era generalizada. Havia uma sensação generalizada de desespero e um desejo por um Salvador. O mundo estava consciente de sua falência moral e ansiava por uma religião que fosse real e satisfatória. O Evangelho chegou justamente quando o homem reconheceu que não podia salvar a si mesmo e que o “século presente” era mau. A “plenitude do tempo” descreve um momento histórico único onde a paz romana facilitou o acesso físico, a língua grega facilitou a comunicação intelectual, a sinagoga judaica forneceu a base teológica, e a miséria espiritual do paganismo criou a necessidade existencial para a vinda de Cristo. 2.2. O Filho nascido sob a Lei. Ideia central: Cristo assume verdadeira humanidade e cumpre integralmente a Lei, qualificando-se como o justo que oferece o sacrifício perfeito. O aluno deve sair sabendo: explicar “nascido de mulher” (encarnação) e “sob a lei” (obediência completa), sem reduzir Jesus a um mero mestre de exemplo moral. A LIÇÃO DIZ: A Escritura afirma que o Filho veio “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4b). A expressão “nascido de mulher”, reafirma que Cristo assumiu nossa natureza humana (Hb 2.14; Fp 2.7,8). A declaração “nascido sob a lei” significa que Jesus cumpriu todas as exigências da Lei mosaica (Mt 5.17). Ele foi o único homem a cumprir plenamente a Lei de Deus, sem a transgredir em momento algum (1Pe 2.22). Vamos expor este subponto ponto: 2.2.1 Nascido de mulher. Essa expressão enfatiza que o Filho de Deus assumiu a natureza humana completa. Ele não apenas “apareceu” como homem, mas entrou no mundo através do processo natural de nascimento, tornando-se participante da condição humana com todas as suas fragilidades (exceto o pecado). O Verbo eterno assumiu uma natureza que não possuía antes. Teologicamente, a expressão remete à primeira promessa do Evangelho em Gênesis 3.15, identificando Jesus como a “semente da mulher” que esmagaria a serpente. Além disso, ao nascer de mulher, Jesus tornou-se nosso parente de sangue, um de nós, nosso irmão. Essa identificação era necessária para que Ele pudesse agir como nosso representante e Sumo Sacerdote misericordioso. 2.2.2 Nascido sob a Lei. Ele nasceu sob a Lei para cumpri-la perfeitamente onde Adão e Israel falharam. Ele obedeceu plenamente e satisfez todas as exigências de justiça da Lei. Sua vida de perfeita obediência é a base da justiça que é imputada aos crentes. Por isso que ele é o Justo e o justificador daqueles que creem. 2.3 A adoção de filhos. Ideia central: “A redenção inclui filiação adotiva: em Cristo, e pelo Espírito, o crente recebe o status de filho e pode clamar “Aba, Pai”. O aluno deve sair sabendo: distinguir o Filho por natureza dos filhos por adoção e reconhecer a ação do Espírito na certeza e intimidade filial. A LIÇÃO DIZ: A obra do Filho não apenas trouxe perdão, mas também nos concedeu a posição de filhos adotivos (Gl 4.5). Cristo é o único Filho de Deus por natureza (Jo 1.18); e os crentes tornam-se filhos por adoção (Jo 1.12,13). O texto bíblico diz: para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao nosso coração, e esse Espírito clama: “Aba, Pai!” Assim, você já não é mais escravo, porém filho; e, sendo filho, também é herdeiro por Deus. (Gl 4.5-7, NAA). Jesus não se tornou Filho de Deus em um determinado momento da história; Ele já era o Filho preexistente que o Pai enviou ao mundo. Ele é o Filho por natureza, possuindo a mesma essência do Pai, sendo o “unigênito”. A Sua filiação é eterna e intrínseca à Sua divindade. Ele é o “Filho do seu amor”. Diferentemente de Cristo, nós não somos filhos por natureza, mas nos tornamos filhos por adoção mediante a obra de redenção. O termo grego huiothesia (adoção) é usado por Paulo para descrever a nova posição legal e relacional do crente. A palavra é composta por huios (filho) e thesis (colocação/posição), significando literalmente “colocar na posição de filho”. Refere-se ao ato de Deus conceder o status de filho adulto a alguém que não pertencia à família por natureza. Paulo utiliza uma ilustração jurídica baseada na lei romana (patria potestas). A adoção era um processo legal sério que envolvia a transferência de uma pessoa da autoridade de um pai para outro. Isso implicava quatro consequências principais, que se aplicam espiritualmente ao texto: 2.3.1 Mudança de família. A pessoa perdia todos os direitos na antiga família (mundo/pecado) e ganhava todos os direitos de um filho legítimo na nova família (Deus). 2.3.2 Cancelamento de dívidas. A vida antiga e todas as dívidas do adotado eram legalmente canceladas; ele começava uma vida nova. 2.3.3 Herança. O adotado tornava-se coerdeiro dos bens do novo pai. 2.3.4 Realidade jurídica. Aos olhos da lei, ele era absolutamente filho de seu novo pai. A adoção é distinta da regeneração (novo nascimento), embora ocorram simultaneamente. A regeneração muda a nossa natureza (dando-nos vida), enquanto a adoção muda a nossa posição (dando-nos direitos legais).
3. A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO Ideia central do ponto: O único Deus opera trinitariamente na salvação: o Pai deseja e envia, o Filho realiza, e o Espírito aplica com eficácia a obra realizada pelo Filho. 3.1 A vontade do Pai realizada pelo Filho. Ideia central: O Filho cumpre a vontade do Pai com obediência perfeita, garantindo vida eterna aos que o Pai lhe dá. O aluno deve sair sabendo: explicar a obediência filial de Cristo e sua centralidade na redenção.
A LIÇÃO DIZ: O Filho veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai: “eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). Essa vontade, segundo Cristo, é que nenhum daqueles que o Pai lhe deu se perca, mas tenham a vida eterna (Jo 6.39,40). A obediência de Jesus é perfeita, revelando plena submissão ao Pai. Ele mesmo testifica: “porque eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8.29). Essa obediência alcançou o clímax na entrega voluntária de sua vida por amor: “sendo obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Por meio de sua vida sem pecado e morte sacrificial, a justiça de Deus foi plenamente satisfeita (Rm 3.24-26). Em Cristo, vemos a expressão sublime da obediência, do amor e da unidade perfeita na Trindade. Vamos tentar analisar esse subponto em partes. Em primeiro lugar, a afirmação “eu desci do céu” (Jo 6.38) atesta a pré-existência de Cristo e sua divindade. Ele não veio realizar uma vontade própria, desconectada ou oposta à do Pai; pelo contrário, embora tenha vontade própria, esta está em perfeita sintonia e submissão à vontade do Pai. Não existe choque entre as vontades na Trindade; o Filho age em total harmonia com Aquele que o enviou. Em segundo lugar, a “vontade daquele que me enviou” é específica: a preservação absoluta dos salvos. Cristo recebeu do Pai um povo, “todos os que me deste”, e a vontade divina é que nenhum desses se perca. A vontade do Pai é que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna agora e a ressurreição garantida no futuro. Mesmo que morram, eles não estão “perdidos”, pois estão sob a custódia de Cristo, que tem o poder e a autoridade para trazê-los de volta à vida. Em terceiro lugar, Jesus testifica: “Aquele que me enviou está comigo… porque eu faço sempre o que lhe agrada”. A obediência de Jesus não era esporádica, mas constante (“sempre”). Fazer a vontade de Deus era a “comida”, isto é, a satisfação da alma de Jesus. O Pai ama o Filho não apenas por sua natureza divina, mas também por causa dessa obediência voluntária e sacrifical, como declarado no batismo e na transfiguração: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Por fim, a obediência de Cristo não foi apenas viver sem pecado, mas submeter-se à morte. A expressão “obediente até a morte” indica a extensão da submissão. O acréscimo “e morte de cruz” enfatiza a profundidade da humilhação, pois era uma morte maldita e vergonhosa, reservada aos criminosos. Ao aceitar a cruz, Jesus desceu ao ponto mais baixo possível para redimir a humanidade, transformando o instrumento de vergonha em símbolo de glória.A obra de Cristo resolveu o dilema cósmico: como um Deus santo pode perdoar pecadores sem comprometer Sua justiça? No passado (Antigo Testamento), Deus, em sua tolerância, deixou impunes os pecados (ou seja, não executou o juízo final imediatamente), aguardando a cruz. Na cruz, Deus demonstrou Sua justiça ao punir o pecado em Cristo, permitindo-Lhe ser, ao mesmo tempo, “justo” (porque o pecado foi punido) e “justificador” (daquele que tem fé em Jesus). A cruz é o local onde o amor e a justiça de Deus se encontram perfeitamente.
3.2 A mediação exclusiva do Filho. Ideia central: Somente Cristo revela plenamente o Pai e provê acesso a Deus por seu sacrifício; por isso, ele é o único Mediador. O aluno deve sair sabendo: definir “mediador” como o único que revela e reconcilia, e avaliar como “mediadores paralelos” deformam o conhecimento do Pai e conduzem o homem à idolatria. A LIÇÃO DIZ: O Filho é o único caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Esse acesso é exclusivo porque Ele é a revelação plena do Pai (Jo 1.18), e o único que pode satisfazer a justiça divina mediante o seu sacrifício no Calvário (Hb 9.15). A exclusividade da mediação de Cristo está enraizada na estrutura trinitária. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16), e o Espírito Santo testifica do Filho (Jo 15.26). A mediação de Cristo é exclusiva porque reúne, de modo único, requisitos que nenhuma criatura pode possuir ou cumprir. (1Tm 2.5; Hb 7.25). Vamos enumera-las: 3.2.1 Plena divindade (capacidade de representar Deus e satisfazer a justiça divina). O Mediador precisa ser Deus verdadeiro, porque somente Deus pode representar perfeitamente os interesses de Deus, sustentar a honra do seu nome e satisfazer plenamente sua justiça. Por isso, Jesus é apresentado como plenamente Deus, eterno e consubstancial com o Pai: “No princípio era o Verbo… e o Verbo era Deus” (Jo 1.1) e, nele, “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). Essa verdade exclui anjos, santos ou qualquer criatura, pois todos são ontologicamente incapazes de mediar com base na justiça divina. Não por acaso, heresias como o arianismo foram rejeitadas, porque, ao negar a divindade plena do Filho, desmontam a própria base de uma mediação salvadora. 3.2.2 Plena humanidade sem pecado (representação legítima dos homens diante de Deus). O Mediador também precisa ser verdadeiro homem, pois deve representar os homens diante de Deus; entretanto, precisa ser sem pecado, para não necessitar de mediação em favor de si mesmo. Cristo é o “segundo Adão”, plenamente humano e, ao mesmo tempo, impecável: “foi tentado em todas as coisas… mas sem pecado” (Hb 4.15). A mediação exige alguém apto a carregar os pecados de outros, e isso exclui qualquer pessoa marcada pelo pecado original e por pecados pessoais. 3.2.3 A Posse de uma vida indissolúvel. Um mediador que morre e permanece morto não pode garantir uma salvação eterna. Os sacerdotes da ordem de Arão eram impedidos pela morte de continuar. Cristo, porém, vive para sempre para interceder. Ele foi constituído sacerdote “segundo o poder de vida indissolúvel” (Hb 7.16). Sua ressurreição garante a validade perpétua de Sua mediação. Além disso, a ideia de múltiplos mediadores paralelos contradiz a exclusividade afirmada pela Escritura: “há um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). 3.3 A aplicação da salvação pelo Espírito. Ideia central: O Espírito convence, regenera, ilumina, sela e santifica, confirmando a obra salvadora no crente. O aluno deve sair sabendo: enumerar as ações do Espírito na aplicação da salvação e manter a lógica bíblica de que o Espírito conduz a Cristo e ao Pai. A LIÇÃO DIZ: O Espírito Santo, chamado de Consolador e Espírito da verdade, foi enviado pelo Pai e pelo Filho. Jesus disse que o Espírito viria para convencer o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8-11). É o Espírito que ilumina a mente para o conhecimento de Deus (2Co 4.6), ensina a verdade (Jo 14.26), regenera os pecadores (Tt 3.5), sela os que creem (Ef 1.13), opera a santificação progressiva (2Ts 2.13), e assegura a perseverança dos crentes (Fp 1.6). Além disso, o Espírito glorifica o Filho, pois foi enviado para testificar de Cristo (Jo 15.26), revelando sua Pessoa e obra ao coração humano. O Espírito nunca age independentemente do Filho ou do Pai. Sua missão é, intrinsecamente, a de exaltar a glória do Deus Triúno (Jo 16.13,14).Vamos explorar melhor esse tema quando abordarmos as lições que tratam especificamente da Pessoa do Espírito. Além disso, este subponto contém tanta informação que é impossível examinar seus detalhes no tempo disponível para a exposição em sala. Portanto, quero apenas enumerar seus pontos principais: 3.3.1 O Espírito é enviado pelo Pai e pelo Filho como Consolador e Espírito da verdade. Ele não é uma força impessoal, mas a terceira Pessoa divina que vem em missão, para continuar a obra de Deus na história da salvação (Jo 14.26; Jo 15.26, NAA). 3.3.2 O Espírito convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo. É a ação divina que desmascara o pecado, evidencia a justiça de Cristo e anuncia o juízo de Deus (Jo 16.8-11, NAA). 3.3.3 O Espírito ilumina a mente para o conhecimento de Deus. Ele abre o entendimento para que a luz do evangelho seja recebida, de modo que o pecador reconheça a glória de Deus revelada em Cristo (2Co 4.6, NAA). 3.3.4 O Espírito ensina a verdade e conduz o crente na revelação de Deus. Ele faz a Palavra ser compreendida e aplicada, formando discernimento espiritual e firmeza doutrinária na vida cristã (Jo 14.26; Jo 16.13, NAA). 3.3.5 O Espírito regenera e renova o pecador. A entrada na vida cristã ocorre por novo nascimento, como ato soberano de Deus que cria vida espiritual onde antes havia morte (Tt 3.5, NAA). 3.3.6 O Espírito sela os que creem, garantindo pertencimento e segurança em Deus. O selo confirma que o crente é de Deus e antecipa a consumação da redenção, funcionando como marca de propriedade e garantia (Ef 1.13, NAA). 3.3.7 O Espírito santifica de modo progressivo, conformando o crente a Cristo. A santificação é obra contínua do Espírito que combate o pecado e produz maturidade espiritual (2Ts 2.13, NAA). 3.3.8 O Espírito assegura a perseverança dos crentes, sustentando a “boa obra” até o fim. 3.3.9 O Espírito glorifica o Filho e testifica de Cristo ao coração humano. Sua missão é cristocêntrica: ele revela a Pessoa e a obra de Cristo, levando o pecador a confiar no Filho (Jo 15.26; Jo 16.13-14, NAA). 3.3.10 O Espírito aplica a salvação sem agir isoladamente, preservando a lógica trinitária da redenção. Ele conduz a Cristo e, por Cristo, ao Pai, de modo que a aplicação da salvação exalte a unidade do Deus Triúno (Jo 14.6; Jo 16.13-14; Ef 2.18, NAA).
CONCLUSÃO Chegamos ao final deste estudo com a certeza de que o envio do Filho é a prova suprema e irrefutável do amor de Deus. Aprendemos que a salvação não foi um improviso, mas um projeto eterno da Santíssima Trindade: o Pai planejou e enviou por iniciativa soberana; o Filho obedeceu e executou a obra da redenção na “plenitude dos tempos”; e o Espírito Santo aplica essa obra eficazmente em nós. Mais do que perdoados, fomos elevados à posição de filhos adotivos que clamam “Aba, Pai”. Diante dessa “benevolência invencível”, nossa resposta deve ser de adoração contínua. Que a revelação desse amor sacrificial nos motive a viver exclusivamente para a glória do Deus Triúno, servindo-O com gratidão e anunciando essa verdade ao mundo.
Alice Carvalho é uma artista multifacetada. Atua, dirige, produz, faz música, escreve, pinta… Está no elenco de O Agente Secreto, acaba de ganhar um Grammy Latino com o BaianaSystem e até já publicou livros que hoje são parte da leitura didática de escolas do Rio Grande do Norte. Aos 29 anos, é uma atriz fora da curva, muito pela trajetória e pelo corre que a trouxe até aqui.
“Muitos dos trabalhos que fiz na minha vida, fiz porque eu precisava comer. Mas nunca fiz nada que contrariasse meus ideais éticos, políticos, artísticos e morais”, diz em entrevista exclusiva para a Quem. Conversamos com Alice por zoom, uma semana depois das fotos dessa capa. Ela estava em São Paulo para um jantar beneficente e voltaria para Salvador, onde participou da pré-estreia do filme de Kleber Mendonça Filho e dias depois se apresentou no festival Afropunk.
Entre uma coisa e outra, Alice participou de um evento em Fortaleza e voltou para o Rio de Janeiro, onde mora desde 2023. Na expectativa para a shortlist do Oscar, que será divulgada no próximo 16 de dezembro, se prepara para o lançamento da segunda temporada de Cangaço Novo, série do Prime Video que mudou a carreira (e a vida) dela, mas prefere não se “encastelar” enquanto o terreno para a premiação norte-americana é desenhado.
Enquanto no filme pernambucano ela faz Fátima, par de Wagner Moura e personagem decisiva na trama, na série dá vida à protagonista Dinorah. Apesar de viverem em polos opostos, as personagens são complexas, fortes e representativas, sem cair em estereótipos — qualidades que também se aplicam à Joaninha, de Renascer, e à Otília, de Guerreiros do Sol, e são primordiais na escolha de Alice do que representar.
Nascida em Natal, mas criada em Nova Parnamirim, região metropolitana da capital potiguar, Alice viveu a pré-adolescência e adolescência na Coophab (Cooperativa Habitacional dos Servidores e Trabalhadores Sindicalizados do RN), na periferia da cidade. Cresceu junto com nove irmãos e primos-irmãos, já com o senso de que deveria ser exemplo para eles. Esse mesmo propósito guia a carreira e as escolhas que faz. “Talvez a única projeção que tenho na minha vida é de ser uma referência positiva para as gerações que virão depois de mim. Não quero perpetuar estereótipos e não quero que achem que só existe esse espaço estereotipado para a gente” afirma. Criança ‘encapetada’, diz que dava trabalho aos professores, mas a primeira vez que ficou em recuperação foi na faculdade de artes visuais — e porque trabalhava para se manter. Ao contrário do que muitos podem esperar tudo isso fez dela parte do time que se importa mais com a qualidade da arte que produz do que com dinheiro fácil ou com o capital social adquirido com a fama. Lida bem e entende a importância da notoriedade, mas não tira os pés do chão e nem se deixa levar por convites, acessos ou sorrisos. “Não posso me deslumbrar [com a fama], porque isso passa, mas a minha cor, o meu jeito de falar, o lugar de onde eu venho, a forma de me impor no mundo, meus valores, isso eu não posso mudar”.
A turnê de divulgação de O Agente Secreto terminou, por enquanto. Quais são seus próximos compromissos com o filme? Kleber [Mendonça Filho], Wagner [Moura] e outros colegas de equipe estão num momento de campanha internacional e a gente fica aqui nessa espera e na torcida de que saia algo positivo na shortlist do Oscar. Fico aqui fazendo barulho para as pessoas irem ao cinema e à postos para uma possível campanha coletiva lá fora, caso isso venha a acontecer. As coisas estão começando a se desenhar agora.
Já está preparando sua vida para caso o filme saia na shortlist? Não. Não sou muito essa pessoa, vou deixando as coisas acontecerem que é para não ficar castelando muito e me frustrar. Acho que a despretensão é muito amiga da boa surpresa. Ser pretensiosa é amiga da frustração, então, estou bem do lado oposto disso. Enquanto isso, estou cuidando de outras coisas. Estou me preparando para um filme que devo rodar no ano que vem. Ainda não posso falar qual é, mas talvez seja a personagem mais importante da minha vida até agora. Nesse momento só tenho olhos para isso. Também tenho a divulgação do Cangaço Novo, segunda temporada, que deve começar no ano que vem.
Você caiu de paraquedas no set desse filme. Foram três dias do convite à gravação. Por que aceitou? Sabia do contexto histórico do filme, tinha vários amigos no elenco que comentavam sobre estarem muito felizes com o texto e com a experiência de preparação, mas eu não tinha lido o roteiro. Quando fui chamada, estava fazendo a novela [Renascer] e fui bem às pressas, porque queria participar de qualquer jeito. Achava que faria muito sentido para mim trabalhar com Kleber [Mendonça Filho]. Sou muito fã do cinema dele e também absurdamente fã de Wagner [Moura] — já tinha essa paquera profissional. Ele assistiu Cangaço Novo, a gente já se falava e nós dois trabalhamos muito com a Fátima Toledo, que sempre falava de um para o outro. Eu já sabia, também, que Carlos Francisco e Aline Marta Maia seriam os atores que interpretariam os pais dessa personagem e isso já era muito honroso para mim. Sou muito fã deles. Não quis nem ler o roteiro, fui embora.
Alice Carvalho usa vestido Misci — Foto: Múcio Ricardo
E você assistiu pela primeira vez em Cannes! Como foi a experiência? Muito surpreendente, porque eu não tinha dimensão do tamanho da personagem. Achei que ela era do tamanho daquela cena. Achei que era uma participação de luxo (risos). Foi incrível, porque no final das contas, aquela cena era só a ponta do iceberg diante da construção que o roteiro de Kleber fazia sobre essa mulher. Fiquei muito emocionada, comecei a chorar. Vi aquela criança maravilhosa interpretando o filho da gente… Lembro de estar hipnotizada vendo aquela cena do restaurante e começaram aplausos e manifestações da plateia lá na França. Aí o Robério Diógenes, que é o ator que faz o delegado, me cutuca e fala assim: “É para você”. Só então eu me dei conta, acordei do transe e entendi que estava recebendo um aplauso ali em Cannes. Foi muito bonito.
“Não existe papel pequeno. Não sou uma pessoa que tem pretensão de protagonismos, porque o trabalho minucioso, bem feito, é grande em qualquer dimensão e lugar”
É uma participação e tanto, de fato. Uma personagem que justifica a história… Sempre fui uma atriz de participações, com uma trajetória muito sólida no teatro e na performance, mas, no audiovisual, sempre fiz participações e personagens coadjuvantes — e sempre fui muito feliz assim. Tem uma coisa que a gente aprende desde sempre na vida e na profissão, mas é dessas que a gente precisa sempre escutar para reaprender: não existe papel pequeno. Não sou uma pessoa que tem pretensão de protagonismos, não, porque acho que o trabalho minucioso, bem feito, ele é grande em qualquer dimensão, em qualquer lugar.
Mesmo sendo um papel que, num primeiro momento, parece pequeno, já ouvi de outros atores que O Agente Secreto era o filme em que todo mundo queria estar. Era o seu caso. Como tem escolhido o que fará? Muito de acordo com meus princípios. Tenho feito muitas coisas, mas tenho a sorte de trabalhar com pessoas muito legais, da minha agência, que é só de mulheres, a minha assessora de comunicação, a minha stylist. Trabalho numa egrégora feminina, muito consciente dos meus desejos e dos nossos desejos enquanto coletivo. Tenho uma liberdade muito grande para, mesmo diante do convite mais sedutor e mais grandioso, falar não sem culpa nenhuma — isso depois do Cangaço Novo.
Antes, não? Venho de uma origem simples, de um lugar e de uma família simples. Muitos dos trabalhos que fiz na minha vida, fiz porque eu precisava comer. Muitas das funções que eu aprendi na minha vida, foi porque eu precisava comer. Mas nunca fiz nada que contrariasse meus ideais éticos, políticos, artísticos e morais. Não sei se me considero um artista idealista, mas sempre tive um prumo. É meu machado de Xangô; sou filha de Xangô. Minhas escolhas passam por esse lugar. A escolha de dizer não abre espaço para outras coisas acontecerem. Tenho cuidado e, além de colecionar projetos muito legais dos últimos cinco anos para cá, período muito importante de minha vida, coleciono também nãos que foram fundamentais para mim. Alguns eu disse com o coração partido, pensando se eu estava fazendo o certo, mas depois entendia que sim. Faço também a escolha de não saturar minha imagem e de, mesmo que os personagens habitem universos parecidos, como por exemplo em Cangaço Novo e Guerreiros do Sol, que têm como pano de fundo a mitologia do cangaço brasileiro, tenho cuidado de escolher personagens que estejam em polos opostos energeticamente. Essas escolhas, não sei se são todas racionais, mas tenho uma intuição muito forte quanto aos personagens que eu quero fazer e não arredo o pé.
“Muitos dos trabalhos que fiz na minha vida, fiz porque eu precisava comer. Mas nunca fiz nada que contrariasse meus ideais éticos, políticos, artísticos e morais”
Alice Carvalho usa vestido Penha Maia e calça Gucci no The Vault — Foto: Múcio Ricardo
Me conta um pouco como foi sua infância em Natal? Foi muito feliz. Venho de uma família muito amorosa e que sempre me apoiou nessa coisa que viria a se tornar minha profissão, mas que sempre esteve dentro de mim. Comecei a fazer teatro muito nova na escola e depois fui até para a igreja católica, porque era o lugar onde havia um grupo de jovens que tinha teatro — e nunca fui católica, mas fui, tudo pela pela arte. Depois estudei performance, entrei na faculdade e me formei em artes visuais, mas sempre fazendo teatro.
Como o teatro e a arte como um todo entraram na sua vida? Eu era uma criança muito hiperativa e sempre tive uma família muito frutífera. Meu tio é músico; Antônio de Pádua, ele é maestro e foi uma grande referência artística para mim. Fiz aula de música novinha — tinha aprendido a tocar violão meio empiricamente, depois consegui estudar música numa escolinha lá no meu bairro. Era uma criança muito danada e tinha esse professor de artes, lá na minha escola, que entendia que eu tinha uma outra necessidade de expressão. Eu era muito trabalhosa, era o cão chupando manga! A criança que o professor entrava na sala e sabia que ia ter problema. (Risos)
Por quê? Porque eu era muito palhaça! (Risos) Não era briguenta, não, mas era muito palhaça. Tinha umas tiradas, umas mungangas assim… Desde muito nova. Engraçado que hoje eu vejo minha irmã mais nova com um perfil muito parecido ao meu. Eu fazia vários esportes, também. Queria estar em tudo, tinha uma postura de querer ser líderzinha da sala. No teatro eu me encontrei, porque lá eu tinha um palco literal para aparecer. Mas era boa aluna. Nunca fiquei de recuperação! Louco, isso. Fui ficar de recuperação na faculdade, duas vezes, mas é porque eu trabalhava ao mesmo tempo.
Tem só uma irmã? Não, tenho vários. Dois por parte de pai, duas por parte de mãe e cinco primos que foram criados juntos. No fim das contas, sou eu e mais nove.
Alice Carvalho usa top Intimissimi e blazer D&G e calça Gucci, ambos no The Vault — Foto: Múcio Ricardo
Você falou que, durante a faculdade, acabou indo para a recuperação porque trabalhava e trabalhava porque precisava comer. Como foi essa fase? Precisava me manter para manter meu sonho de ser atriz. Então eu trabalhava como assistente da assistente de serviços gerais num teatro de shopping, lá em Natal, ganhando por diária. Ao mesmo tempo, também tocava na noite como DJ e fazia assistência de produção em alguns lugares. Jaiara [Fontes], que hoje é minha stylist, também produzia festas, nessa mesma pegada que eu, querendo fazer o corre dela, e eu produzia algumas junto com ela e também tocava nas festas dela. A cena cultural de Natal sobrevive muito nesse lugar do multifacetado pela necessidade.
Quando sua carreira (e consequentemente sua vida) virou? Foi com Cangaço Novo. Quando lançou foi um estrondo surpreendente até para mim, que não esperava que teria tanto sucesso. Foi algo que fez com que eu fosse vista. Fiz o teste para a série em 2020, convidada pela produtora de elenco Carol Martins — ela me viu declamando um texto no show do BaianaSystem, gostou e veio atrás de mim. Na época, fui para João Pessoa fazer essa audição e já saí de lá meio que sabendo que Dinorah era minha, tinha sido um teste muito bom. Só que aí o Brasil parou por causa da Covid-19 e eu passei um tempo sem ouvir falar do Cangaço, até que, em setembro de 2020 essa produção voltou a acontecer, tive que fazer outros testes, uma bateria infinita, porque agora era tudo online, e entrei oficialmente para o elenco no começo de 2021. Começamos a filmar no fim do mesmo ano e estreamos em 2023.
Dinorah te rendeu um prêmio Grande Otelo! Isso! E também um PCA, um Prêmio Potências, um Troféu Cultura… Foi uma maluquice. De fato, foi a virada na minha carreira, porque além de ser uma personagem muito boa, bastante disruptiva e com contornos decoloniais no discurso, ela está junto de um elenco que é brilhante e que tem essa cara de Brasil. Não coincidentemente, quem produziu o elenco da série é a mesma pessoa que produziu o elenco de O Agente Secreto.
Você fez faculdade de artes visuais, como saiu do teatro para parar nas artes visuais? Foi meio incidental, porque na primeira vez que passei no vestibular foi para teatro, mas estava no primeiro ano do ensino médio. Fiz para experimentar a coisa. No segundo ano, passei em segundo lugar, mas ainda não tinha acabado o ensino médio; fui atrás de fazer provão e de ter uma liberação judicial para me emancipar, uma onda toda. No fim das contas, fiz o Enem no terceiro ano, mas já não cursei o pré-vestibular, tinha feito o provão no segundo ano. Fiz só por desencargo, caso não conseguisse entrar em teatro. Nessa época, tinha um teste de habilidade específica que é necessário para poder cursar artes cênicas, e, nesse meio tempo, fui fazer meu primeiro teste de elenco na TV Globo. Foi um convite que recebi para uma novela e, ou fazia o teste de habilidade específica da faculdade, ou o da Globo. Perdi o da universidade e não passei na Globo. Meu avô me aconselhou, então, a fazer artes visuais, por já estar no departamento de artes.
E lá continuou? Eu me apaixonei, porque comecei a estudar performance e arte contemporânea, que eram coisas que sempre gostei. Me formei, tenho uma licenciatura em artes visuais, sou professora. Talvez se eu não estivesse onde estou agora, tivesse tentando uma carreira acadêmica. Já desenhava e pintava desde pequenininha, sempre gostei e hoje talvez seja essa a minha arte que as pessoas menos veem, junto com a música. Tenho até expressado mais esse lado musical por causa do BaianaSystem.
Como o BaianaSystem surgiu na sua vida? Foi um encontro bem poderoso entre eu e Russo Passapusso, em 2018, naquele momento de segundo turno daquelas eleições tenebrosas que elegeram o presidente que está preso e condenado [Jair Bolsonaro – PL]. Nosso encontro foi nesse ideal político.
Qual o papel do Baiana na sua vida e qual seu papel na banda? Vocês ganharam um Grammy Latino! A gente começou a parceria com essa videoperformance, que foi importante para a produtora de elenco do Cangaço me conhecer. Nessa mesma época, eles estavam no meio do desenvolvimento de um álbum chamado O Futuro Não Demora, que venceu o Grammy Latino de 2019. Rolou uma sintonia muito grande e comecei a participar de maneira direta e indireta dos papos conceituais sobre o disco. Comecei a dirigir videoclipes para eles, como o A Vida É Curta Para Viver Depois, participei da concepção visual de outros clipes e outros álbuns e, de uns tempos para cá, começamos a fazer mais performances juntos e a partilhar conceitos criativos para o show e para o Navio Pirata, que é o trio elétrico do Baiana (que acontece em São Paulo e Salvador). Depois veio o [álbum] O Mundo dá Voltas, que ganhou novamente o Grammy Latino; participo de uma faixa que talvez seja o grande single do disco, Balacobaco, que surgiu do interesse de Anitta de trabalhar com a gente. É bem louca essa coisa de Grammy. No dia da premiação minha mãe me mandou uma mensagem falando: “Você sabe que está indicada ao Grammy, né?”. Isso é bem maluco, mesmo.
Além dessa maluquice, você ainda tem livros publicados… É natural, acho que a escrita está muito intrínseca ao meu trabalho como atriz, porque comecei a me desenvolver como dramaturga para escrever projetos para mim. Essas publicações também são todas meio incidentais, não gosto de forçar lugares, rótulos e obras. Alguns desses livros foram adotados como livros paradidáticos em escolas do Rio Grande do Norte e isso é muito caro para mim. Eu não seria nada se não fosse a educação. Se não fossem as escolas, a universidade pública.
Isso é muito incrível, ter seus livros ajudando na formação de crianças e adolescentes. Se vê nesse lugar de influência para novas gerações? Talvez esse seja o lugar em que eu mais me vejo. Isso é quem eu quero ser.
“Talvez a única projeção que tenho na minha vida é de ser uma referência positiva para as gerações que virão depois de mim. Não quero perpetuar estereótipos, não quero que achem que só existe esse espaço estereotipado para a gente”
Por que? Porque acho que a gente precisa ter referências positivas. Eu tive referências muito positivas no Rio Grande do Norte; tive Titina Medeiros, Quitéria Kelly, César Ferrario… Tive esses referenciais muito positivos, mas não com um recorte racial próximo ao meu. Ainda jovem, tive a sorte de conhecer o trabalho de Alessandra Augusta, uma atriz potiguar imensa, que é uma mulher negra e uma grande referência para mim. Sei da importância que ela teve na minha vida, quando me vi colega dela.Toda vez que penso nessa projeção que meu trabalho tem agora, penso em como eu olhava para essas referências e como eu olhava para o meu tio, que é um homem negro e que é maestro — hoje ele montou um clube de choro em Viena. Talvez a única projeção que tenho na minha vida é de ser uma referência positiva para as gerações que virão depois de mim. Inclusive, os nãos que eu dou também passam muito por esse lugar. Não quero perpetuar estereótipos, não quero que achem que só existe esse espaço estereotipado para a gente. Penso muito nisso nas decisões artísticas que tomo. Prefiro estar ganhando nada, mas fazendo um trabalho incrível com meus amigos, do que ganhando muito dinheiro e fazendo uma coisa que não boto tanta fé e que não vai mudar a vida de ninguém.
Apesar de ter isso como uma meta de vida, de alguma forma tentar ser exemplo é pesado? Não. Não mesmo. Acho que o fato de ter crescido com muitos irmãos, em sua grande maioria mais novos que eu, talvez tenha desenvolvido em mim um senso de responsabilidade, de ser exemplo para o outro. Meu avô tem isso. Venho de uma família extremamente matriarcal, não tenho uma referência machista dentro da minha casa. Todas as referências de machismo que tive na minha vida estavam fora dela. Isso é bem impressionante, bem raro. Então, talvez o fato de eu não sentir peso em tomar essas decisões foi porque eu sempre vi também meus avós tomando esses tipos de decisões. Eles foram militantes progressistas na mesma época que O Agente Secreto se passa e isso era uma coisa muito natural dentro de casa. Meu avô sempre leu o que eu escrevia e trocava ideias comigo. Sempre tive uma conversa muito aberta sobre minhas escolhas e sobre quem eu sou no mundo, minha identidade. Às vezes tem coisas que são pesadas no sentido de exaustão, porque fico querendo abraçar o mundo com as pernas, quero fazer tudo ao mesmo tempo e, infelizmente, eu não consigo ser 60 pessoas ao mesmo tempo.
Alice Carvalho usa regata Courréges no The Vault e saia Adrian Degreas — Foto: Múcio Ricardo
É impossível a gente falar de tudo isso e não falar de recortes. Você é uma mulher preta e nordestina. Imagino que teve mais dificuldades por isso. Tive e tenho. A fama é um capital social. Quando ela acontece na vida de alguém, não necessariamente te dá dinheiro, mas te dá certo poder de barganha, por você cativar uma base de fãs e respeito em diferentes lugares. E pode parecer, até para mim mesma, que, com esse capital social, em algum lugar terei como superadas certas opressões que foram muito corriqueiras na minha vida inteira. Mas, elas não desaparecem, elas começam a acontecer de uma outra forma. É por isso que não posso me deslumbrar com os sorrisos ou com uma coisa que é momentânea. Isso que está acontecendo na minha vida agora, um monte de coisa massa, trabalhos legais, talvez trabalhos onde outras pessoas quisessem estar… Não posso me deslumbrar com isso, porque isso passa, mas a minha cor, o meu jeito de falar, o lugar de onde eu venho, a forma de me impor no mundo, meus valores, isso eu não posso mudar. A forma como o outro me vê e como vai destilar seus preconceitos sobre meu corpo, isso também não muda, nem com dinheiro, nem com fama ou com capital social. Não vai deixar de acontecer. Por isso me mantenho tão firme aos meus ideais e tenho tanto cuidado com a forma como eu me coloco no mundo, como me exponho e com o exemplo que vou dar.
“Não posso me deslumbrar com isso [a fama], porque isso passa, mas a minha cor, o meu jeito de falar, o lugar de onde eu venho, a forma de me impor no mundo, meus valores, isso eu não posso mudar”.
Já aconteceu de produtores de elenco pedirem para você suavizar seu sotaque ou algo assim?Quando eu era mais nova, isso acontecia. E aí passei um bom tempo sem fazer testes de elenco e comecei a fazer as minhas coisas lá em Natal. Tem um projeto que nasceu justamente deste lugar — se chama Septo, uma websérie que fiz com o pessoal do Caboré Audiovisual, de 2015 para 2016. Fizemos essa série e isso me nutriu durante muito tempo. E aí quando chegou a [série da TV Globo] Segunda Chamada na minha vida, fui bem respeitada com relação à minha forma de falar, pois já tinha um trabalho interessante acontecendo. Outros testes que eu fazia também já tinham respeito por esse lugar, porque o mundo começou a caminhar (mesmo que devagar) em direção a tentar se emancipar dessa xenofobia arraigada.
Sim, o cenário mudou um pouco — espero. Muitos atores nordestinos estão em ascensão e chegando em lugares muito interessantes na grande mídia, no cinema nacional e internacional — como o próprio Wagner Moura, baiano do interior, há muitos anos fazendo esse sucesso que ele faz no mundo inteiro. As coisas começaram a mudar e quando chegou Cangaço Novo, foi um encaixe perfeito. A partir daí, tudo que veio depois não teve esse papo de sotaque. Agora eu quero ter o direito de fazer uma personagem e experimentar ter uma outra prosódia, como a que a gente entende como prosódia do Rio de Janeiro. Como vi recentemente Isadora Cruz, paraibana, fazer; Rodrigo Garcia, pernambucano, fazer; e tantos outros colegas. Como vi vários atores de outras regiões do País, artistas que não são nordestinos, fazendo prosódias que tentam se assemelhar com essa homogeneização do Nordeste. Quero ter o direito a isso, quero muito. O nordestino está em todo lugar do mundo. Se você puxar uma vaia cearense na Nova Zelândia, você vai ouvir alguém respondendo. Já não tem mais essa coisa careta e ultrapassada de ter que suavizar o sotaque ou mudar o sotaque porque você está fazendo uma história no Rio de Janeiro.
Estamos numa geração de nordestinos que diz não, não vou suavizar, não vou fazer, não vou me caricaturizar. E as pessoas têm que aprender a lidar com isso. Quantas novelas bíblicas você assistiu na sua vida e viu atores cariocas, falando ‘ox hebreux’? A gente compra porque faz parte do pacto narrativo. Quantas vezes eu vi Tony Ramos fazer um indiano, depois um grego e a gente compra? Por que será de outro mundo, então, ter uma personagem de Natal morando na Barra da Tijuca? Por que teria que explicar isso?
Falando na Barra da Tijuca, como foi sua mudança para o Rio de Janeiro? Me mudei por causa de Guerreiros do Sol. Também foi uma mudança natural. A gente filmava a novela seis dias de trabalho para um de folga e era uma personagem que me demandava bastante tempo, então fazia mais sentido morar por aqui. No final desse processo, fui convidada para fazer Renascer, logo na sequência, começando a filmar aqui no Rio. Fui ficando. Foi uma chegada muito importante, porque hoje eu tenho uma rede de apoio muito forte aqui. Tem as pessoas que trabalham comigo, que estão todas aqui, mas, mais que isso. Alinne Moraes, por exemplo, é minha vizinha e uma pessoa muito importante para minha chegada aqui; Cadu Libonati, que também fez Guerreiros do Sol, mora pertinho de mim… Já tinha uma comunidade de amigos morando há bastante tempo, como Thardelly Lima, Suzi Lopes, Bruno Garcia, uma galera que eu amo demais e já mora aqui há um tempo, então eu fui criando essa rede de amigos. Uma pessoa que também foi fundamental nesses meus primeiros anos no Rio foi Preta Gil, que esteve bastante próxima a mim. Eu convivo muito mais com nordestinos, os forasteiros, do que com cariocas de fato. Faz todo sentido morar aqui pela natureza, pela conexão com o mar, também, que são coisas muito importantes. Já me sinto como em casa. É meio estranho, mas é bom, também.
Alice Carvalho usa vestido Penha Maia e calça Gucci no The Vault — Foto: Múcio Ricardo
E artisticamente, no sentido do trabalho, essa mudança foi importante? Foi, porque eu tinha um teto, conseguia voltar para casa depois de sair dos Estúdios Globo. Isso foi massa. Esse ano também rodei uma série da Netflix chamada Fúria, que foi toda filmada aqui no Rio de Janeiro. Filmar e voltar para casa é uma sensação maravilhosa. Passei muito tempo num estilo meio mambembe, de locação em locação, então me deu uma tranquilidade diante dessa agenda caótica. Ter meu cantinho é muito importante para a minha paz. Botar minhas coisinhas na parede, pendurar a foto dos meus avós em algum lugar… Isso dá um gás para a caminhada.
Imagino que ter seu próprio canto seja uma vitória pessoal também, diante de toda a sua história? Muito! Lembro de quando eu comprei meu colchão, fiquei muito emocionada. Fui uma criança criada na frente da TV, daquela cabeçuda, pequenininha. Ela foi minha grande babá e talvez uma das grandes impulsionadoras do meu desejo de ser atriz. Lembro de sentar embaixo dela, com minha avó na cozinha, antes de ir para escola ou depois, voltando. Brincava na rua, também, mas bem menos do que gostava de assistir televisão. Cresci e continuo sendo essa pessoa. Falei para minha mãe assim: “Um dia quando eu tiver um dinheiro, vou comprar uma TV que vai ser do tamanho da parede”. As besteiras… (risos)
E você comprou? Comprei! Durmo debaixo de um painel de LED. (risos) Sou também uma pessoa muito caseira, continuo sendo a mesma criança que fica debaixo da TV, assistindo filme e novela.
O que gosta de fazer no seu tempo livre? Não sei se eu acredito que uma pessoa que está no BaianaSystem, que atacava de DJ em Natal e viveu mambembe, é uma pessoa caseira… Ficar embaixo da minha grande televisão! Mas, sem ironia, sempre estou viajando de um lugar para o outro. Raramente as pessoas me verão numa festinha. Não sou uma uma pessoa de beber muito, também. Quando não estou trabalhando, vou para a praia cedo, molhar os pés, passo um tempão por lá. E sou regueira! Se quiser me achar no Rio, veja se tem algum show de reggae — estarei lá. Alma de pinta, né? Alma de maloqueira.
Alice Carvalho usa vestido Misci e sapatos Ferragamo — Foto: Múcio Ricardo
E você está solteira? Gente, que perguntas são essas, Mateus? Será que eu te conto? (risos)
Perguntas de um perfil. Só conta se você quiser, claro. Não sei, será que vale? Não, não estou solteira. Pronto, contei. É um momento bem feliz da minha vida, bem massa. É isso.
Você realmente é uma pessoa mais reservada em relação à vida pessoal. Como tem lidado com esse novo capital social que é a fama e como tem medido o que expõe ou não? Não tenho medido muito, acho que é um comportamento muito natural meu, sempre fui um pouco mais reservada e prefiro preservar minha família, meus amigos e a pessoa com quem eu estou me relacionando. Sempre tive isso, antes e agora. Hoje só tenho mais cuidado de que as pessoas não sejam expostas sem terem o desejo disso. Sou muito cuidadosa com o fato de não querer colocar as pessoas em situações que elas não querem estar, com a câmera na cara ou qualquer coisa assim. Sou reservada. Minha avó me falava muito uma coisa assim: ‘Não quer que ninguém saiba, não faça’. Tenho muito isso na minha vida.
Como é a sua relação com as redes sociais, falando em exposição? Tranquila. Hoje a demanda de atenção tem sido maior, principalmente nessas épocas de lançamento. Tem uma equipe que trabalha comigo, que entende dos reports de cada mídia, e cuidam dos números, dos engajamentos, entendem disso e daquilo. Eles me auxiliam, porque é muito difícil estar presente na vida cotidiana — que é algo que é fundamental para o meu trabalho –, se você está observando o mundo com uma tela na sua frente. Ao mesmo tempo, tenho que estar na tela, porque tenho que falar do filme, quero falar com as pessoas… Entendi que é saudável ter uma equipe me ajudando nisso, mas tudo passa pelo meu meu crivo, pelo meu controle. Uma coisa que acontece muito é quando eu entro em processo preparatório, fico mais off, mesmo, porque a natureza da imersão é estar inteira em uma coisa só. Controlo muito meu tempo de tela para não me abestalhar.
E em relação à publicidade, dentro e fora das redes, como tem sido? Acho que o mercado entende qual publicidade direcionar para mim, tem aparecido muitos trabalhos legais e eu tenho gostado de fazê-los. Por exemplo, fiz uma publicidade muito, muito interessante com o pessoal do Sebrae, sobre comprar dos pequenos negócios, que tem tudo a ver comigo. Fiz também uma propaganda de colchões, a melhor para uma mulher exausta como eu. (Risos) Eu sou muito sortuda, cara. As coisas têm dado muito certo, me sinto muito grata porque não tenho passado muitos desconfortos. Não sei se são as coisas que eu atraio energeticamente, sei lá, sou bem macumbeira, ou se é a forma como eu me coloco no mundo. O fato é que as propostas que chegam para mim são muito interessantes, é um momento bem especial na minha vida, mesmo.
A confirmação de Juliano Floss (21) no grupo Camarote do BBB 26 agitou as redes sociais na noite desta segunda-feira, 12, mas ninguém vibrou ou sofreu mais do que sua namorada, a cantora Marina Sena (29). Imediatamente após o anúncio, a artista utilizou o Instagram para convocar sua base de fãs e revelar um “ultimato” que deu ao influenciador antes do confinamento. Já sentindo o peso da distância, Marina não escondeu a emoção ao comentar as publicações oficiais do programa. “Estou passando mal já”, disparou ela, antes de declarar torcida total: “Vai brilhar, meu amor”. Em uma sequência de vídeos publicados nos Stories, a cantora mostrou que o apoio vem acompanhado de uma cobrança divertida. Marina explicou que Juliano tem a “obrigação” de vencer as dinâmicas do jogo, como a Prova do Líder ou a Prova do Anjo, para que ela possa enviar notícias da “família” felina do casal. “Gente, é isso, Jubli está lá no Big Brother e já estou morrendo de saudade. Já estou passando mal de saudade”, desabafou a cantora. Ela continuou, detalhando a conversa decisiva que teve com o namorado: “E, pra compensar essa saudade, falei com Juliano: ‘Você vai, mas é pra você ganhar. Ganhar Prova do Líder, Prova do Anjo, porque quero mandar meu vídeo com os meus gatos, com os nossos gatos. Fazer um tour pelos gatos, mostrar como estão os gatos pra ele’”.
Mutirões e sangue no olho
Engajada, Marina Sena já assumiu a posição de “chefe de torcida” e pediu ajuda aos seguidores para manter o amado na casa mais vigiada do Brasil. “Vocês vão ter que me ajudar a dar conta da saudade e fazer muito mutirão pro gatinho ganhar”, pediu. Finalizando o recado com bom humor e competitividade, ela reforçou o pedido de garra ao tiktoker: “Você vai com sangue no olho pra compensar isso que vou passar, essa saudade. Nós vamos fazer ele ganhar, gente”, completou, empolgadíssima. “E vamos de puxar mutirão pro meu amor“, escreveu na legenda.
Que tal aprender a preparar para a família, com o Canal Nossa Cozinha com Fátima Barros, um delicioso pudim de padaria, que é um clássico da confeitaria e vai aguçar a sua memória afetiva com boas lembranças da infância? Bem cremoso e doce na medida certa, ele acompanha uma calda de caramelo incrível e será um sucesso em sua casa!
Como fazer pudim de padaria
Para o pudim de padaria, você vai iniciar pela calda de caramelo, seguindo as orientações e utilizando açúcar e água. Caramelize o fundo de uma forma redonda com uma parte da calda e reserve o restante. Em seguida, para a massa do pudim, adicione no liquidificador: os ovos inteiros, o leite integral, o açúcar, a farinha de trigo sem fermento, a manteiga ou margarina, a essência de baunilha (opcional) e o queijo parmesão ralado ou o coco ralado. Finalize a receita seguindo o passo a passo, sirva e delicie-se!
Ingredientes da receita de pudim de padaria
Para a calda de caramelo
½ xícara (chá) de água em temperatura ambiente (125 ml)
1 xícara (chá) de açúcar (180 g)
Para o pudim
3 colheres (sopa) bem cheias de manteiga ou margarina (90 g)
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado (25 g) ou 2 colheres (sopa) de coco ralado
1 litro de leite integral
4 ovos grandes, inteiros (200 g)
1 colher (sopa) de essência de baunilha (opcional)
2 xícaras (chá) de farinha de trigo sem fermento (260 g)
2 xícaras (chá) de açúcar (360 g)
água em temperatura ambiente o quanto baste e gotas de vinagre (para o banho-maria)
Obs.: a medida da xícara é de 250ml.
Modo de preparo
Da calda de caramelo
Em uma panela adicione 1 xícara (chá) de açúcar e leve ao fogo médio, deixando derreter e caramelizar, mexendo com uma colher de pau, após começar a cristalizar.
Com o açúcar totalmente derretido, abaixe o fogo e adicione, cuidadosamente, ½ xícara (chá) de água em temperatura ambiente.
Mantenha em fogo médio para derreter os gruminhos que se formaram, sem ficar mexendo.
Desligue o fogo e despeje uma parte da calda no fundo de uma forma redonda (22 cm de diâmetro x 5 cm de altura).
Reserve o restante da calda para o momento de servir.
Deixe reservado enquanto você faz a massa do pudim.
Do pudim / finalização
No copo do liquidificador coloque: 4 ovos grandes, inteiros, 1 litro de leite integral, 2 xícaras (chá) de açúcar, 2 xícaras (chá) de farinha de trigo sem fermento, 3 colheres (sopa) bem cheias de manteiga ou margarina, 1 colher (sopa) de essência de baunilha (opcional) e 2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado (25 g) ou 2 colheres (sopa) de coco ralado.
Tampe e deixe bater por 3 minutos para homogenizar.
Transfira essa mistura batida para a forma já caramelizada.
Em uma forma grande em que caiba a forma do pudim, coloque água em temperatura ambiente e gotinhas de vinagre (para o banho-maria) e acomode a forma caramelizada com a massa do pudim dentro dela.
Tampe a forma do pudim com papel-alumínio (parte brilhante voltada para o alimento) e leve para assar em forno pré-aquecido a 200 °C, por 50 minutos.
Retire do forno, levante o papel-alumínio com cuidado, espete uma faquinha e, se sair limpa, o pudim está assado, senão, volte ao forno por mais alguns minutos.
Tire, deixe amornar e depois leve o pudim na forma para a geladeira por, pelo menos 4 horas.
Após esse tempo, retire, passe uma faquinha sem serra na lateral da forma, depois leve por alguns segundos para a boca do fogão, para soltar a calda e desenforme.
Sirva com mais calda de caramelo que você reservou e aprecie seu espetacular pudim de padaria!
Que tal dar uma alegrada no café ou lanche da família, preparando estes espetaculares bolinhos de batata-doce, do Canal Cleo Alves, que ficam deliciosos e tem um preparo bem simples? O resultado são bolinhos macios e fofinhos, não levam farinha de trigo, são livres de glúten e vão encantar a todos! Confira tudo, faça e arrase!
Como fazer bolinhos de batata doce
Para os bolinhos de batata doce, coloque no liquidificador: a batata-doce crua, os ovos, o leite de coco, o óleo, o açúcar, o parmesão ralado e a farinha de arroz, batendo por 3 minutos. Por fim, inclua o fermento em pó e volte a bater ligeiramente, apenas para agregar. Passe para forminhas já untadas e enfarinhadas, sem preencher até em cima e asse em forno pré-aquecido a 180 °C, por 25 a 30 minutos. Tire, deixe amornar, desenforme, sirva e delicie-se!
Ingredientes da receita de bolinhos de batata doce
250 ml de leite de coco
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
1 xícara (chá) de farinha de arroz
50 ml de óleo
3 ovos inteiros
½ colher (sopa) de fermento químico em pó
400 g de batata-doce crua picada
½ xícara (chá) de açúcar
Modo de preparo
No copo do liquidificador adicione: 400 g de batata-doce crua picada,3 ovos inteiros, 250 ml de leite de coco, 50 ml de óleo, ½ xícara (chá) de açúcar, 2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado e 1 xícara (chá) de farinha de arroz.
Tampe e deixe bater por 3 minutinhos.
Por último, junte ½ colher (sopa) de fermento químico em pó e torne a bater rapidamente, somente para misturar.
Despeje em forminhas untadas e enfarinhadas, sem completar até em cima e leve para assar em forno pré-aquecido a 180 °C, por cerca de 25 a 30 minutos, até ficarem douradinhos por cima (espete um palito no centro, se sair limpo, está assado).
Retire, aguarde amornar, desenforme, sirva e aprecie seus divinos bolinhos de batata-doce!
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o caso Master pode ser “a maior fraude bancária” da história brasileira. Segundo ele, os efeitos da liquidação da instituição financeira também são de interesse público, uma vez que o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) é capitalizado pela Caixa e o Banco do Brasil. “O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Podemos estar diante disso. Temos que cuidar de todas as cautelas devidas, garantindo espaço para defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo firmes”, disse o ministro a jornalistas nesta terça-feira (13).
A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em novembro, motivada por “grave crise de liquidez”. Por essa razão, o FGC vai ressarcir cerca de 1,6 milhão de credores que tinham depósitos e investimentos no Banco Master, somando R$ 41 bilhões. É a maior operação deste tipo na história. “O FGC, que todo mundo considera fundo privado, é capitalizado também por dois bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa respondem por 1/3 da capitalização do FGC. É um assunto de interesse público por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos”, declarou o ministro.Haddad afirmou também que o Ministério da Fazenda tem dado respaldo institucional ao Banco Central. A autoridade monetária é alvo de um processo no TCU (Tribunal de Contas da União), que apura se houve falhas na liquidação do Master. O Banco Central retirou na última segunda-feira (12) o recurso sobre a inspeção determinada inicialmente de forma monocrática pelo TCU. A petição entrou no sistema após reunião entre o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, o presidente da Corte, Vital do Rêgo, e o ministro do TCU Jhonatan de Jesus. Com a retirada dos recursos, o BC sinalizou não ser mais necessário levar o tema para análise no plenário do TCU. “Toda transparência pode ajudar. Se a intenção for boa, a transparência vai ajudar. Estou seguro do trabalho que o Galípolo e sua equipe fizeram. Nós atuamos conjuntamente quando o assunto era da Fazenda. Tivemos conversas com o procurador-geral da República [Paulo Gonet]. Tivemos o melhor aconselhamento possível até aqui. O trabalho do BC é tecnicamente robusto”, declarou Haddad.
O presidente do Tribunal de Contas da União afirmou nesta sexta-feira (9) que o Banco Central tomou a decisão correta ao determinar a liquidação do Banco Master. A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao Supremo Tribunal Federal um documento em que nega envolvimento dele em ataques coordenados nas redes sociais contra o Banco Central. A Polícia Federal começou a investigar pagamentos milionários para influenciadores digitais com objetivo de desacreditar a atuação do BC no processo de liquidação do Master. Diante das acusações de irregularidades, a defesa de Vorcaro decidiu apresentar as alegações do dono do Master antes de qualquer solicitação.O documento foi encaminhado ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília. Os advogados pediram inclusive a abertura de uma investigação sobre a propagação do que consideram fake news contra o banqueiro.Mas, nesta sexta-feira (9), em entrevista à jornalista Andréia Sadi, do Estúdio I, na GloboNews, o influenciador e vereador do PL, da cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul, disse que foi procurado por uma agência que ofereceu uma proposta milionária em troca de publicações em defesa do Master. Segundo Rony Gabriel, o contato com ele foi feito por André Salvador, um dos sócios da agencia que teria sido contratada por Vorcaro Rony Gabriel, vereador Erechim/RS (PL)
“Fizemos uma reunião via aplicativo de vídeo e nessa reunião, ai sim ele trouxe que se tratava de um reposicionamento de imagem eles eram empresa de reposicionamento e contenção de crises de imagem e assim por diante, e que se tratava de Daniel Vorcaro, se tratava do Banco Master, isso ficou claro na reunião, e diante disso eles queriam que fizessem vídeos no sentido descredibilizar o BC para dar entender que foi feita a liquidação do Banco master com certa celeridade”. O ministro Jonathan de Jesus, relator do caso, chegou a determinar uma inspeção em documentos do BC, o que provocou uma série de manifestações em defesa da autonomia da instituição feitas por entidades do setor financeiro, associações de bancos. O próprio Banco Central recorreu e pediu que a decisão fosse analisada pelo colegiado do tribunal.
Após a repercussão, o relator recuou e suspendeu a inspeção até decisão do plenário do TCU. Nesta sexta-feira (9), o presidente do tribunal, Vital do Rego Filho, disse que vai se reunir com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, na próxima segunda-feira, para tratar do tema. E reconheceu publicamente que o Banco Central não tinha outra opção senão liquidar o conglomerado Master. “O que nós vamos ver é que o Banco Central tem toda razão em ter liquidado o banco. Como faz qualquer agência reguladora. Estou a favor do meu tribunal. Se não o tribunal é enfraquecido. Se não puder fiscalizar agência reguladora, ele sai enfraquecido do processo. Então, eu sou o presidente e eu tenho convicção constitucional que nós vamos fiscalizar, independente de eu ter achado pessoalmente correta ou não a atitude do Banco Central, mas cabe ao Banco Central liquidar e eu achei correto”, diz Vital do Rêgo Filho, presidente do TCU. Durante o processo que levou à liquidação, o Banco Central identificou uma cadeia de transações entre o banco e a gestora de fundos Reag para que o dinheiro de títulos supervalorizados voltasse para o controle de Daniel Vorcaro e diretores do Master. A Reag foi um dos alvos da operação Carbono Oculto, que apura a lavagem de dinheiro do PCC. A TV Globo apurou que pelo menos quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado também fizeram parte da fraude do Master. O escândalo do Master também preocupa aposentados e pensionistas. O Fundo Garantidor de Créditos – um fundo privado com dinheiro dos próprios bancos, cobre parte dos investimentos de clientes – empresas e pessoas físicas. Mas 18 fundos de pensão não tem essa proteção porque investiram em letras financeiras do Master – títulos de renda fixa sem cobertura do FGC. Ao todo, mais de R$ 1,8 bilhão foram investidos de outubro de 2023 até dezembro de 2024. Segundo o Ministério da Previdência, está previsto em lei que, Estados e Municípios são os responsáveis diretos por garantir o pagamento de aposentadorias e pensões caso os recursos acumulados pelos regimes próprios de previdência sejam insuficientes. Ou seja, nestes casos, o estado ou município deve cobrir eventuais faltas financeiras para assegurar que todos os benefícios sejam pagos integralmente.
O Jornal Nacional não teve retorno da defesa de Daniel Vorcaro, e não conseguiu contato com André Salvador.
Dez promotores de Justiça pediram exoneração no Maranhão.
O prefeito afastado de Turilândia, Paulo Curió, do União Brasil, a esposa dele, Eva Curió e outros oito investigados estão presos no complexo penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, desde 25 de dezembro. Segundo o Ministério Público, no total 21 pessoas, incluindo servidores e 11 vereadores participaram de um esquema que desviou mais R$ 56 milhões do município No início da semana passada, todos prestaram depoimento. 20 suspeitos permaneceram em silêncio. Somente uma suspeita falou e negou as acusações. Na quarta-feira, as defesas dos investigados pediram à justiça a soltura deles. A desembargadora Maria Soares Amorim, responsável pelo caso, então, determinou que o Ministério Público apresentasse um parecer. No sábado, o procurador geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, se manifestou pela soltura de todos os investigados. No documento, o procurador-geral em exercício recomendou que as prisões preventivas fossem convertidas em medidas cautelares. Ou seja, eles poderiam ser libertados, com o uso de tornozeleira eletrônica. E que isso seria suficiente para resguardar a investigação e impedir a atuação do grupo.
Após o parecer do chefe em exercício do Ministério Público, os dez promotores que integravam o Gaeco, o grupo de atuação especial de combate às organizações criminosas, pediram para sair do cargo. Eles enviaram um documento ao procurador-geral de Justiça em que afirmam que a manifestação do MP pela soltura dos investigados compromete o trabalho que revelou o esquema de fraudes. Nesta segunda-feira (12), o caso teve um novo capítulo. A desembargadora Maria Soares Amorim analisou o parecer favorável do Ministério Público, mas não se convenceu e manteve a prisão de quase todos os suspeitos. A única que terá prisão domiciliar é uma servidora que está em tratamento médico e será monitorada por tornozeleira eletrônica. O procurador-geral do titular do estado, Danilo Castro Ferreira está em férias. Mas nesta segunda-feira (12) de manhã, divulgou uma nota quem afirma que o parecer favorável à liberdade suspeitos não representa uma tentativa de abrir mão ou contornar as normas que regem o processo penal. Por enquanto, Turilândia continua sendo administrada pelo presidente da Câmara José Luís Araújo Diniz, do União Brasil. O vereador está em prisão domiciliar.
O cinema brasileiro fez história no domingo (11) à noite no Globo de Ouro, o prêmio da associação de imprensa estrangeira de Hollywood. O Agente Secreto levou dois prêmios: melhor filme de língua não inglesa, e melhor ator, para Wagner Moura. Os correspondentes Nilson Klava e Felippe Coaglio acompanharam a festa – e o dia seguinte. O suspense acabou quando a atriz britânica Minnie Driver arriscou o português. “Parabéns… secret agent”. O Agente Secreto venceu na categoria de melhor filme de língua não-inglesa, desbancando produções da Noruega, França, Espanha, Coreia do Sul e Tunísia.
Era o roteiro que todos nós sonhávamos para aquela noite. O Brasil voltava a fazer história no Globo de Ouro, 27 anos depois de Central do Brasil.
“Dedico este filme aos jovens cineastas. Este é um momento muito importante na história para se fazer filmes aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Jovens cineastas americanos, façam filmes! Muito obrigado”, disse Kleber Mendonça Filho. Ainda faltava uma cena fundamental e ela veio. Em 2025, Fernanda Torres ganhou o premio pela atuação em “Ainda Estou Aqui”. Este ano, foi a vez de Wagner Moura ser reverenciado. No caminho até o palco, aplaudido de pé, teve abraço em Adam Sandler e em ninguém menos que Júlia Roberts.. E lembra do molho? Olha aí o sambinha no palco…
“Meus colegas indicados, vocês são atores extraordinários. Compartilho este prêmio com vocês. Muito obrigado. Obrigado, Neon. Minha equipe, obrigado pela amizade de vocês. Kleber Mendonça Filho, você é um gênio, e você é meu irmão, e eu te agradeço por isso e por muitas. Muito obrigado. O Agente Secreto é um filme sobre memória, ou a falta dela, e trauma geracional. Acho que se o trauma pode ser transmitido entre gerações, os valores também podem. Então, este prêmio é para aqueles que se mantêm fiéis aos seus valores em momentos difíceis. Para a San, para nossos filhos, para a nossa vida juntos. Eu te amo muito. Para todo mundo no Brasil, assistindo isso agora, viva o Brasil, viva a cultura brasileira! Muito obrigado!”.
Era a primeira vez que uma produção brasileira vencia duas categorias do Globo de Ouro. O Agente Secreto conta a história de um professor universitário que volta para o Recife na década de 1970, durante a ditadura militar, para reencontrar o filho. Ele quer recomeçar a vida fora do país para fugir de um passado misterioso que vai se revelando aos poucos. Mas descobre que está sendo procurado por matadores de aluguel.
O prêmio de melhor filme de drama — o principal da noite — acabou ficando com a produção Hamnet – a vida antes de Hamlet. Mas não tem problema. O nosso roteiro dos sonhos já estava completo. “Rapaz, é incrível, é uma emoção arretada e a gente repetir um feito que o Ainda Estou Aqui fez no ano passado, né… É incrível para o cinema brasileiro, para a cultura brasileira. A gente está feliz demais”, disse Wagner Moura.
Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura entraram por esse tapete vermelho com três indicações ao Globo de Ouro — um feito inédito pra uma produção brasileira. Era a certeza de que o Agente Secreto já estava fazendo história em Hollywood. Mas eles foram além. E saíram da noite com dois globos de ouro e com o caminho pavimentado para continuar fazendo história por outro tapete vermelho, o do Oscar.
O Rio de Janeiro acordou neste domingo sob um cenário típico de verão, com sol forte, sensação de abafamento e termômetros apontando para os 40 °C. Mas o calor não vem sozinho. Ao longo da tarde, os cariocas também vão encarar um desafio invisível e perigoso. A umidade relativa do ar deve despencar para níveis entre 21% e 30% em diferentes pontos da cidade.
O alerta foi emitido pelo Sistema Alerta Rio e vale das 14h deste domingo até as 18h de segunda-feira. A combinação de altas temperaturas e ar seco acende um sinal de atenção, principalmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
No sábado (10), o município já havia atingido o nível 3 do Protocolo de Calor. O estágio indica temperaturas entre 36 °C e 40 °C por pelo menos três dias consecutivos. A previsão para este domingo confirma o cenário, com calor intenso, céu aberto e nenhuma chance de chuva.Quando a umidade do ar cai abaixo dos 30%, o corpo sente rapidamente os efeitos. Entre os principais impactos estão o ressecamento da pele e das mucosas, irritação nos olhos, sangramentos no nariz e aumento do risco de crises alérgicas, respiratórias e infecções. Especialistas alertam que, nesses dias, é fundamental reduzir a exposição ao sol e adotar cuidados simples que fazem diferença no bem-estar.
Veja os cuidados recomendados para enfrentar o tempo seco
Hidrate-se com frequência, mesmo sem sentir sede;
Evite atividades físicas ao ar livre entre 10h e 16h;
Use soro fisiológico nos olhos e no nariz para aliviar o ressecamento;
Aplique protetor solar e prefira roupas leves;
Mantenha ambientes ventilados;
Evite queimar lixo ou vegetação, o que piora a qualidade do ar.
Quando o alívio deve chegar?
Para este domingo (11), a temperatura mínima não deve ficar abaixo dos 21 °C. Na segunda-feira (12), o calor segue forte e o tempo permanece seco. Já na terça-feira, há chance de pancadas isoladas de chuva, embora os termômetros ainda possam alcançar os 40 °C O primeiro sinal de alívio só deve aparecer na quarta-feira (14), com redução discreta da temperatura máxima, que deve ficar em torno dos 37 °C. Ainda é uma marca elevada, mas menos extrema.
A indisponibilidade, desatualização ou ausência de informações de transparência dos municípios em sites oficiais pode se tornar crime de responsabilidade de prefeitos e secretários municipais. É o que propõe o deputado Kim Kataguiri (União-SP) no projeto de lei 708/2025. Em análise na Câmara dos Deputados, o texto altera o Decreto-lei 201/1967, responsável por estabelecer as diretrizes que guiam prefeitos e vereadores, para prever pena de reclusão de seis meses a dois anos em caso de insuficiência nas informações públicas ofertadas. O texto também engloba situações em que a prefeitura da cidade esconde, manipula ou tenta omitir informações que deveriam estar no Portal da Transparência a fim de dificultar investigações ou fiscalizações. Se a conduta for realizada com a participação de terceiros ou com o intuito de beneficiá-los, a sanção pode ser agravada em até metade.
Texto tramita desde fevereiro de 2025.Bruno Spada/Câmara dos Deputados.
Em casos onde sejam praticados atos de improbidade administrativa com prejuízo financeiro ao munícipio ou contrariem princípios da administração pública, a proposta endurece as penalidades. Com a proposta, prefeitos e vereadores enquadrados perdem o mandato e são proibidos de exercício de qualquer cargo ou função pública por até oito anos, além de ser obrigado a ressarcir os valores corrigidos.
Para Kataguiri, ao reforçar o compromisso com a integridade na administração municipal, a medida pode reduzir fraudes e desvios de recursos públicos.
“Essa medida busca assegurar que a sociedade tenha amplo acesso a informações sobre contratos, licitações, convênios e prestações de contas dos recursos públicos, prevenindo irregularidades e combatendo a impunidade.”
Tramitação
A proposta aguarda designação de relator na Comissão de Administração e Serviço Público. O texto ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, e posteriormente, será debatida e votada em Plenário.
PLANO PERFEITO A salvação da humanidade: a mensagem central das Escrituras
INTRODUÇÃO Na lição desta semana, estudaremos a respeito do problema do pecado. A doutrina do pecado, ou Hamartiologia como é chamada pela Teologia Sistemática, é fundamental para o entendimento da condição humana diante de Deus e da necessidade que o homem tem da salvação por meio de Cristo. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. (Rm 3.23, NVI). Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. (Rm 3.23, NTLH). Paulo vem construindo um argumento em sua carta aos Romanos: tanto judeus quanto gentios estão “debaixo do pecado”, de modo que ninguém pode se apresentar diante de Deus como justo por mérito próprio (Rm 3.9-20, NAA). Então, (Rm 3.23) funciona como uma conclusão resumida de seu argumento: todos pecaram e, portanto, todos ficam aquém da glória de Deus. Premissa: o pecado alcança todos. Conclusão: todos precisam da mesma intervenção divina. A necessidade de salvação é universal porque todos pecaram. Todos pecaram em Adão, que pecou, como representante de todos os seus descendentes. No entanto, os seres humanos não são apenas pecadores por natureza; também são pecadores por prática. Carecem, em si mesmos, da glória de Deus.
RESUMO DA LIÇÃO O pecado separa, mas Cristo restaura: Ele é a solução divina para a culpa, o sofrimento e a morte que assolam a humanidade. A verdade prática está fundamentada em um encadeamento de textos bíblicos que começam com a ruptura do relacionamento entre Deus e o ser humano. Isaías afirma que as iniquidades fazem separação e produzem divisão entre o povo e o seu Deus (Is 59.2, NAA). Essa separação, por sua vez, explica por que o 1Graduado em teologia pela UniCesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco pecado se torna o problema central do ser humano, ele desloca a pessoa da comunhão com a fonte da vida, e, portanto, afeta sua existência de forma ampla. Paulo, então, explicita a consequência mais terrível desse quadro ao declarar que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23, NAA). A morte, aqui, aparece como resultado de uma vida desligada de Deus. Nesse ponto, podemos afirmar que Jesus é a única solução para o maior problema do homem, porque Deus “nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo” e, em Cristo, reconcilia consigo o mundo, “não lhes imputando os pecados” (2Co 5.18-19, NAA). A reconciliação responde diretamente à separação indicada por Isaías: o que o pecado dividiu, Deus repara por meio de Cristo. Por fim, a esperança diante do sofrimento e da morte se ancora na identidade e na promessa de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida”, e quem crê nele tem vida que ultrapassa a morte (Jo 11.25-26, NAA). Só em Jesus e por meio dele é que a humanidade recebe vida e tem esperança verdadeira.
1. A ORIGEM DO PECADO NA HUMANIDADE Ideia central do ponto: O pecado entrou na história humana por meio da desobediência voluntária em um contexto de liberdade responsável, e, desde então, tornou-se uma realidade universal que afeta toda a humanidade (Gn 2.16-17, NAA; Gn 3.1-7, NAA; Rm 5.12, NAA). 1. O livre-arbítrio do ser humano. Ideia central do subponto: Deus cria o ser humano com dignidade moral e lhe dá um mandamento que pressupõe uma escolha real; por isso, a desobediência não pode ser tratada como “acidente inevitável”, mas como decisão responsável (Gn 2.16-17, NAA). O aluno deve sair sabendo: Explicar por que o mandamento em (Gn 2.16-17, NAA) implica responsabilidade, e não fatalismo. Distinguir “liberdade” de “autonomia absoluta”: liberdade bíblica é capacidade de responder a Deus, e não licença para redefinir o bem. Justificar, com base no texto, que Deus não é o autor do pecado, ainda que governe a história.
A LIÇÃO DIZ: Pelas Escrituras Sagradas, entendemos que o ser humano foi criado por Deus com certo nível de perfeição, justiça e santidade. Além disso, Ele deu ao ser humano uma sabedoria especial — vinda diretamente dEle para a alma, sem que ele precisasse aprender com outras pessoas, antes da Queda (Gn 2.19,20). Nesse estado de pureza e santidade, em que a imagem divina se estabeleceu no homem, Deus também deu liberdade plena para o ser humano escolher entre obedecê-lo e desobedecê-lo. Isso fica claro quando lemos o mandamento de Deus para Adão, mostrando que havia ali uma escolha real a ser feita (Gn 2.16,17). Deus criou o ser humano livre e com dignidade moral. A proibição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal era uma oportunidade para o homem demonstrar seu amor e fidelidade a Deus. O mandamento não era uma ordem moral intrínseca (como “não matar”), mas um “mandamento positivo” (algo que é errado apenas porque foi proibido), servindo como teste de obediência e submissão por amor. A desobediência de Adão não pode ser tratada como um acidente inevitável. A queda não foi determinada pela onipotência de Deus, mas apenas conhecida pela Sua onisciência. O pecado teve origem em um ato voluntário do homem; Adão não foi obrigado a pecar. Pelo livre-arbítrio, Adão podia opinar, decidir e escolher entre fazer a sua vontade ou a de Deus. Será que Adão e Eva eram realmente livres para poderem escolher de forma neutra entre pecar ou não pecar? Essa pergunta sempre gerou muita polêmica no meio cristão desde a antiguidade. Se eram livres, o que significa ter liberdade? O que é o livre-arbítrio? No decorrer da história cristã, muitos teólogos têm se esforçado na tentativa de explicar o que seria de fato o livre-arbítrio humano. Por exemplo, se o livre-arbítrio for entendido como “poder fazer qualquer coisa”, então eu teria que perguntar: “Deus é livre?” Você provavelmente dirá que sim. Então eu perguntaria: “Deus pode pecar?” Não! Deus não pode nem mesmo ser tentado a pecar, Ele é totalmente imune ao mal. Mas se existe algo que Deus não pode fazer, como podemos dizer que Ele é de fato, livre? Nesse ponto cria-se um conflito, pois nossa definição de livre-arbítrio se choca com a realidade da natureza divina. Deus é livre, mas não pode pecar porque, isso é contrário a sua própria natureza santa. Ou seja, teoricamente, se Deus quisesse pecar, ele poderia, pois nada nem ninguém o impediria, mas sua natureza santa, faz com que Ele não queria pecar, ou seja, pelo poder de sua autodeterminação, Ele sempre fará somente aquilo que Ele quer fazer. Essa é a correta definição de livre-arbítrio. A liberdade real, consiste em ter plenas condições de conseguir fazer, somente aquilo que de fato a pessoa quer fazer, conforme sua própria força de vontade. Liberdade: é não ser subjugado por nenhuma influência externa e ter um domínio próprio total e pleno, para sempre conseguir fazer apenas o que de fato a pessoa quiser fazer, conforme sua vontade. Sendo assim, Adão, antes da queda era totalmente livre, pois foi criado perfeito, puro, santo e não conhecia o mal. Porém, mesmo assim, era possível para Adão praticar mal-uso dessa liberdade. Após a Queda, o livre-arbítrio natural para o bem espiritual foi corrompido. O que existe agora não é uma autonomia natural, mas um “arbítrio liberto” pela graça preveniente. A capacidade de crer e obedecer não provém de uma bondade inerente ou autônoma do homem, mas é inteiramente derivada da graça de Deus que restaura a faculdade de escolha. Deus governa o universo e nada acontece sem Sua permissão, mas Ele não causa o pecado. Deus permite o pecado (no sentido de não impedir a liberdade), mas não o efetua nem o aprova. A queda de Adão ocorreu por “mera permissão de Deus”, distinta da predestinação. Tornar o pecado necessário através de um decreto divino faria de Deus o autor do pecado, o que é repugnante à natureza de Deus. Deus não pode ser tentado pelo mal nem tenta a ninguém; Ele odeia o mal. 1.2 A tentação e a escolha errada. Ideia central do subponto: A tentação opera por meia da distorção da Palavra e por meio da suspeita sobre o caráter de Deus; então, ela reorganiza desejos do coração e conduz o homem a uma escolha errada que rompe a confiança e a obediência (Gn 3.1-6, NAA). O aluno deve sair sabendo: Identificar o “método” da serpente: questionar (“É assim que Deus disse?”), negar (“Certamente não morrereis”) e prometer autonomia (“sereis como Deus”) (Gn 3.1-5, NAA). Perceber que pecado, aqui, não é apenas impulso; é também uma disputa de interpretação e confiança. Aplicar (1Co 10.13, NAA): nem sempre dá para evitar a tentação, mas é possível resistir por caminhos legítimos.
A LIÇÃO DIZ: A serpente, que é identificada na Bíblia como Satanás ou o Diabo, apareceu no Jardim do Éden como uma criatura usada por ele para enganar Eva, que havia sido criada por Deus (Gn 3.1). O plano do Inimigo era enfrentar Deus usando a própria criação dEle — e essa é, basicamente, a história do pecado: o ser humano caído passa a distorcer o que Deus criou, assim como a serpente fez no Éden (cf. Gn 3.2-5; Rm 1.22,23). Depois disso, a mulher pegou o fruto, comeu e deu ao seu marido, que estava com ela, que também comeu (Gn 3.6). Foi assim que o pecado entrou no mundo, resultado de uma escolha errada do primeiro casal após ceder à tentação. Desde então, a humanidade, assim como Adão e Eva, tem seguido o caminho da desobediência a Deus. Vamos destacar os métodos da serpente olhando especificamente para Genesis 3.1-5: 1.2.1 Questionar a Palavra (“É assim que Deus disse?”): O primeiro passo da tentação foi lançar dúvida sobre a veracidade e a precisão do que Deus disse. A serpente distorceu o mandamento divino (que proibia apenas uma árvore) generalizando a proibição para sugerir que Deus era excessivamente restritivo (“Não comereis de toda árvore?”). Essa tática ainda é usada para descredibilizar a Bíblia e para promover uma mentalidade de que ela é opressiva e patriarcal. 1.2.2 Negar o juízo (“Certamente não morrereis”): Após plantar a dúvida, a serpente contradisse abertamente o aviso de Deus sobre a morte. Isso minimizou a gravidade do pecado e suas consequências, sugerindo que a desobediência não traria penalidade. 1.2.3 Prometer autonomia (“Sereis como Deus”): O terceiro ataque visou o caráter e as intenções de Deus. O tentador insinuou que Deus estava escondendo algo bom (a sabedoria) por inveja ou medo de perder Sua supremacia. A promessa era que, ao desobedecer, o ser humano alcançaria um nível superior de existência, igualando-se a Deus em conhecimento e independência. Que engodo terrível! Quantas pessoas em nosso tempo tem abraçado o pecado com a expectativa de uma vida extraordinária! No entanto, tudo o que encontram é o vazio existêncial, o medo, a culpa e a desesperança. Ser tentado não constitui pecado em si mesmo; o próprio Jesus foi tentado em tudo, mas permaneceu sem pecado. A tentação é uma proposta externa; o pecado ocorre quando a vontade humana consente e cede a ela. Deus é fiel e não permite que sejamos tentados além do que podemos suportar (1 Co 10.13). Ele sempre provê o livramento ou o escape. Portanto, Deus não pode ser culpado e nem responsabilizado pelos pecados que cometemos. 1.3 “Todos pecaram”. Ideia central do subponto: A queda não fica restrita ao Éden; ela inaugura uma condição universal, de modo que todos participam da realidade do pecado e se tornam “destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23, NAA; Rm 5.12, NAA). O aluno deve sair sabendo: Diferenciar “atos de pecado” (o que fazemos) de “condição pecaminosa” (o que nos marca) sem cair em determinismo (Rm 5.12, NAA; Sl 51.5, NAA).
A LIÇÃO DIZ: A Bíblia deixa bem claro que o pecado de Adão e Eva afetou toda a humanidade: “todos pecaram” (Rm 5.12). Isso significa que o ser humano já não carrega mais aquela perfeição, justiça e santidade que tinha antes da Queda. Agora, todos nascem com uma natureza profundamente afetada pelo pecado (Rm 3.23; Sl 51.5). Essa é a doutrina bíblica do Pecado, que nos ajuda a entender por que existe tanto mal no mundo. A Bíblia ensina que existe uma solidariedade da raça humana em Adão. Quando o apóstolo Paulo afirma que “por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12), ele não está se referindo apenas aos pecados factuais do dia a dia, mas à herança do pecado. O homem foi criado originalmente com uma natureza santa, voltada para Deus e dotada de justiça original. No entanto, a Queda desfigurou essa imagem. A declaração de que todos “destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23) indica que a humanidade perdeu aquela realeza moral e espiritual e o estado de glória que possuía antes da Queda. O pecado deve ser compreendido não apenas como um ato de transgressão, mas como um estado da alma. A humanidade passou de um estado de inocência para um estado de iniquidade e separação de Deus. Por isso, tratamos o primeiro pecado como “Queda”. A doutrina do pecado original ensina que a corrupção da natureza humana é transmitida de geração em geração. Não nos tornamos pecadores apenas quando cometemos o primeiro ato de pecado; pelo contrário, pecamos porque já nascemos pecadores. O Salmo 51.5(“Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe”) é a confissão de que o estado pecaminoso é inato, remontando ao momento da concepção. A Bíblia corrobora com isso em Efésios 2.3, afirmando que somos “por natureza filhos da ira”. O termo “natureza” (phusis) refere-se à realidade fundamental ou origem de uma coisa, indicando que o “conteúdo” de todas as pessoas é corrupto desde a origem. Essa condição herdada é frequentemente chamada de depravação total ou corrupção total. Isso não significa que o homem seja tão mau quanto poderia ser, mas que o pecado afetou todas as áreas do ser humano. Devido a essa natureza decaída, o ser humano perdeu a capacidade de fazer o bem espiritual ou de voltar-se para Deus por suas próprias forças, estando “morto” em seus delitos e pecados, necessitando absolutamente da graça divina para ser vivificado.
2. AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO Ideia central do ponto: O pecado produz efeitos em cadeia: rompe a comunhão com Deus, fere a consciência com culpa e vergonha, e introduz sofrimento e morte; portanto, ele é a raiz teológica dos males humanos (Is 59.2, NAA; Gn 3.7-10, NAA; Rm 6.23, NAA). 2.1 Separação de Deus. Ideia central do subponto: A primeira consequência do pecado é relacional: ele cria divisão entre o ser humano e Deus, e isso explica o medo, o ocultamento e o afastamento presentes no relato do Éden (Gn 3.8-10, NAA; Is 59.2, NAA). O aluno deve sair sabendo: Definir “separação” biblicamente: não é distância geográfica, mas sim, a ruptura de comunhão e alienação espiritual (Is 59.2, NAA). Ler (Gn 3.8-10, NAA) como evidência textual dessa ruptura (medo, esconderijo, evasão). Reconhecer que “novo nascimento” e “reconciliação” são o caminho bíblico de retorno à comunhão com Deus.
A LIÇÃO DIZ: Uma das consequências mais profundas do pecado é a separação que ele causa entre o ser humano e Deus (Is 59.2). O relato de Gênesis mostra o afastamento natural do primeiro casal em relação ao Criador quando, após desobedecê-lo, esconde-se do Altíssimo, distanciando-se por completo (Gn 3.8-10). O pecado é considerado o maior de todos os males, pior do que a pobreza, a doença ou a morte física, pois estes males não podem afastar o homem de Deus, enquanto o pecado o faz no tempo (agora) e na eternidade (no porvir). O relato de Gênesis ilustra pragmaticamente essa ruptura. Antes da Queda, Deus e o homem conviviam em comunhão e cooperação; após a desobediência, a atitude imediata do casal foi esconder-se da presença de Deus entre as árvores do jardim. O que Adão e Eva desejaram, aconteceu quase que instantaneamente. Seus olhos foram abertos e eles perderam seu estado de inocência. A sensação pós-pecado não foi exatamente o que eles esperavam. A tentativa de autorrealização excluindo Deus da equação, os levou a um misto de sentimentos horripilantes: medo, culpa, vergonha, tristeza. O pecado do ser humano, consumado por meio da desobediência, causou grandes danos a toda raça humana. Dentre todos esses danos, o mais evidente e destruidor, com certeza é a morte (separação). Os textos bíblicos nos revelam que existem ao todo, 3 tipos diferentes de morte. Morte física, morte espiritual e morte eterna. A seguir, nós analisaremos cada uma dessas mortes que afligem o ser humano. 2.1.1 Morte espiritual é o estado de separação entre Deus e o ser humano. Deus falou que no mesmo dia em que comessem do fruto proibido, eles morreriam, mas Adão e Eva não morreram no mesmo dia (Gn 2.17). Sendo que, eles não morreram no mesmo dia em que comeram do fruto, será que a advertência proferida por Deus não se cumpriu? É claro que sim! Mas, o que será que Deus quis dizer com isso? Deus estava falando primeiramente a respeito da morte espiritual que é a separação entre Deus e o homem. 2.1.2 Outra consequência inevitável da separação entre Deus e o homem é a morte física. A partir do exato momento em que Adão pecou, devido a corrupção do pecado, ele começou a morrer fisicamente. “Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3.19). 2.1.3 Para todos aqueles que experimentam a morte física sem terem sido regenerados pela graça divina, existe uma condenação ainda maior no futuro. Esta é a perdição eterna no lago de fogo, a segunda morte. “Então ele (Jesus Cristo) dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos” … “E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”. (Mt 25.41,46). 2.2 Culpa e vergonha. Ideia central do subponto: O pecado gera culpa (responsabilidade diante de Deus) e vergonha (exposição e perda de dignidade percebida), levando o ser humano a se esconder; contudo, o evangelho trata ambas: perdoa e restaura (Gn 3.7-10, NAA; 1Jo 1.9, NAA; 2Co 5.17, NAA). O aluno deve sair sabendo: Distinguir culpa de vergonha usando o texto: “perceberam que estavam nus” e “esconderam-se” indicam vergonha e medo (Gn 3.7-10, NAA). Explicar por que a solução em Cristo não é apenas “sentir alívio”, mas receber perdão e nova identidade (1Jo 1.9, NAA; 2Co 5.17, NAA). Articular que a vida cristã lida com a consciência: confissão, arrependimento e restauração (Sl 51.17, NAA).
A LIÇÃO DIZ: Gênesis 3 mostra que o primeiro casal também sentiu culpa e vergonha (vv.7-10). O advento do pecado trouxe consigo uma consciência em que a nudez passou a ser associada ao pecado e à condição corrompida — antes da Queda, a nudez não carregava nenhuma conotação de pecado, pois era o tempo da inocência moral (Gn 2.25). Dessa nova consciência, surgiram a culpa e, consequentemente, a vergonha. Por isso, os primeiros pais se esconderam de Deus (Gn 3.10). A respeito do pecado, John Bunyan escreveu: “O pecado é um desafio à justiça de Deus, um roubo à sua misericórdia, um zombar de sua paciência, um desprezo ao seu poder e um desdém ao seu amor”. A força dessa afirmação está em mostrar que o pecado atinge o próprio caráter de Deus, porque ele se apresenta como recusa prática daquilo que Deus é, bem como do modo como Deus governa e sustenta sua criação. Ainda assim, o Jardineiro não abandonou seu jardim. A narrativa de Gênesis sugere que a prova do amor de Deus inclui sua disposição de não desistir da criatura, mesmo quando o relacionamento é ferido pela desobediência. Desse modo, a história não caminha para a aniquilação do ser humano, e sim para a exposição do problema e, em seguida, para a iniciativa divina de buscar e tratar a ruptura criada pelo pecado. A culpa aparece de forma imediata após a transgressão. Em (Gn 3.7, NAA), “abriram-se os olhos” indica o surgimento de uma autoconsciência perturbadora: aquilo que era vivido com simplicidade passa a ser percebido como vulnerabilidade, e a nudez se torna sinal de vergonha. Isso contrasta diretamente com o estado anterior, quando “ambos estavam nus e não se envergonhavam” (Gn 2.25, NAA), pois ali a nudez comunicava inocência. Em seguida, a tentativa de cobrir-se com folhas de figueira revela uma resposta humana típica: lidar com os efeitos do pecado por meios próprios, sem retorno à comunhão com Deus. O texto sugere que a culpa, quando não é levada a Deus, tende a produzir estratégias de autoproteção, isto é, mecanismos de “cobertura” que escondem os sintomas, porém não curam, de fato, a sua causa. Nessa mesma linha, o medo se torna verbalizado por Adão: “Ouvi os teus passos… e tive medo” (Gn3.10, NAA). Esse medo expressa a consciência de culpabilidade e a expectativa de juízo, pois a presença de Deus passa, agora, a ser percebida como uma ameaça e não como um momento de comunhão e alegria. Implicações 2.2.1 Examine seu coração. O pecado gera uma cegueira que nos faz ver o Pai amoroso como um juiz severo ou um inimigo. O primeiro passo para a cura é reconhecer que nossas falhas ferem o coração de Deus e distorcem nossa visão sobre o caráter dEle. 2.2.2 Pare de tentar resolver sua culpa sozinho. Estratégias de autoproteção apenas aumentam o medo e a ansiedade. A verdadeira paz não vem de esconder o erro, mas de expô-lo Àquele que pode perdoar e restaurar. 2.2.3 Se você sente que falhou ou que está fugindo e se escondendo de Deus por vergonha, saiba que Ele já está à sua procura. A iniciativa da reconciliação partiu dEle. Não fuja da voz que diz “Onde estás?”; essa é a voz da graça chamando você de volta para casa. 2.3 Sofrimento e morte. Ideia central do subponto: O pecado introduz desordem no mundo humano: dor, frustrações e morte; e a Bíblia trata “morte” não apenas como fim biológico, mas também como realidade espiritual de afastamento da fonte da vida (Gn 3.16-19, NAA; Rm 6.23, NAA). O aluno deve sair sabendo: Explicar, com textos bíblicos, a ligação entre pecado e todas as mazelas da humanidade.
A LIÇÃO DIZ: A entrada do pecado no mundo causou efeitos devastadores, resultando em sofrimento, dor e, sobretudo, em morte — tanto no corpo, como na alma e no espírito (Gn 3.16-19; Rm 6.23). As dores físicas, os conflitos interpessoais e o vazio interior são evidências dessa condição caída. Do ponto de vista bíblico, é a entrada do pecado no mundo que explica as mazelas da humanidade. As dores físicas e as enfermidades decorrem da condição caída e se manifestam como parte do desarranjo introduzido pelo pecado. 2.3.1 Dor e fadiga. Em (Gn 3.16-19, NAA), Deus pronuncia juízos que atingem diretamente o bem-estar físico: multiplicação das dores no parto e obtenção do sustento mediante fadiga e suor. 2.3.2 Enfermidade. A doença se apresenta como intrusão na experiência humana e como sinal de fragilidade em um corpo mortal, sujeito à deterioração e ao sofrimento contínuo; ao mesmo tempo, a Escritura orienta cautela na ligação entre enfermidade e culpa pessoal específica (Jo 9.1-3, NAA). 2.3.3 A criação que geme. A natureza foi sujeita à frustração e à corrupção; a terra produz espinhos e cardos, e a criação “geme e suporta angústias”, aguardando redenção (Rm 8.20-22, NAA; Gn 3.18, NAA). A entrada do pecado destruiu a harmonia social. O egoísmo substituiu o amor, e, por isso, a vida em comunidade passou a ser marcada por disputa, exploração e violência. 2.3.4 Ruptura das relações. Logo após a queda, a convivência conjugal cedeu o lugar à autodefesa e à acusação (Gn 3.12-13, NAA), e a dinâmica relacional passou a incluir tensão, disputa e desejo de controle (Gn 3.16, NAA). 2.3.5 Violência e homicídio. O primeiro fruto social explícito do pecado é o fratricídio (Gn 4.8, NAA), e, a partir daí, a história bíblica evidencia a escalada da corrupção humana, com injustiça e derramamento de sangue (Gn 6.5, NAA).
3. A SOLUÇÃO DE DEUS PARA AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO Ideia central do ponto: A solução divina é centrada em Cristo e é integral: Deus reconcilia, remove culpa e a vergonha, e oferece esperança diante do sofrimento e da morte (2Co 5.18-19, NAA; 1Jo 1.9, NAA; Jo 11.25-26, NAA). 3.1 Restauração do relacionamento com Deus. Ideia central do subponto: Deus toma a iniciativa e reconcilia o mundo consigo em Cristo; logo, o antídoto para a separação é a reconciliação e a comunhão restaurada (2Co 5.18-19, NAA). O aluno deve sair sabendo: Definir “reconciliação” como restauração de comunhão com Deus por meio de Cristo, e não apenas “melhorar a vida”. Explicar a lógica de (2Co 5.18-19, NAA): Deus age, Cristo é o meio, e a relação é restaurada. Conectar isso ao problema do Éden: quem se escondia é chamado de volta por meio da graça.
A LIÇÃO DIZ: O Plano de Salvação Divino, parcialmente revelado no Antigo Testamento e plenamente revelado no Novo, repara a separação entre Deus e a humanidade causada pelo pecado. Em uma de suas epístolas, o apóstolo Paulo escreve que, em primeiro lugar, por meio de Cristo, Deus nos reconciliou consigo mesmo e nos deu o ministério da reconciliação (2Co 5.18). Em seguida, ele afirma: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2Co 5.19). O que foi parcialmente revelado aos profetas e patriarcas como promessa, agora é plenamente manifestado na encarnação, morte e ressurreição de Jesus. A palavra grega para reconciliação é katallasso (variantes apokatallasso). Ela traz a ideia de uma troca ou mudança. No contexto soteriológico, refere-se à troca de um estado de hostilidade e ira para um de amizade e paz. Por meio da reconciliação, o estado de separação e inimizade é mudado para um estado comunhão e intimidade. Um aspecto distintivo da reconciliação cristã é que ela não parte do ofensor (o homem) em direção ao ofendido (Deus), mas sim de Deus em direção ao homem. É o próprio Deus quem toma a iniciativa de remover os obstáculos (o pecado e a Sua própria ira) para restaurar o relacionamento. O Novo Testamento nunca diz que Cristo reconciliou Deus com o homem (como se Deus precisasse ser persuadido a amar), mas que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo. Deus é o agente, não o objeto passivo da reconciliação. Vamos ler o texto bíblico: E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos seres humanos e nos confiando a palavra da reconciliação. Portanto, somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós. Em nome de Cristo, pois, pedimos que vocês se reconciliem com Deus. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. (2Co 5.17-21, NAA). Ray Stedman, descrevendo o ministério da reconciliação, destaca nove pontos importantes:
1) origina-se em Deus, e não no homem (5.18);
2) é uma experiência pessoal (5.18);
3) compreende todo o universo (5.18,19);
4) elimina a condenação (5.19);
5) é entregue pessoalmente (5.19);
6) é investida de autoridade (5.20);
7) é aceita voluntariamente (5.20);
8) realiza o impossível (5.21);
9) é experimentada a cada momento (6.1,2). 3.2 Remoção da culpa e da vergonha. Ideia central do subponto: O perdão em Cristo limpa a consciência e restaura a dignidade; assim, a solução de Deus trata o interior do ser humano, não apenas o comportamento externo (1Jo 1.9, NAA; Hb 9.14, NAA; 2Co 5.17, NAA). O aluno deve sair sabendo: Explicar por que (1Jo 1.9, NAA) confissão e perdão caminham juntos. Entender “purificar a consciência” como efeito objetivo da obra de Cristo (Hb 9.14, NAA). A LIÇÃO DIZ: Deus tem uma solução plena e transformadora para a culpa e a vergonha. Quando nos encontramos com Cristo, por meio do Espírito Santo e pela fé, através de um arrependimento sincero, recebemos o perdão verdadeiro (1Jo 1.9). Assim, mesmo sendo pecadores, somos declarados justos diante de Deus e restaurados em nossa dignidade e comunhão com o Criador (Rm 5.1). Nesse processo, a culpa e a vergonha são poderosamente removidas de nossas vidas, pois o sangue de Jesus purifica a nossa consciência (Hb 9.14), dando-nos ousadia para viver em novidade de vida (2Co 5.17). A fim de andar diariamente em comunhão com Deus e com nossos irmãos em Cristo, precisamos confessar nossos pecados: pecados de comissão, de omissão, de pensamento, de atos, pecados secretos e pecados públicos. Precisamos trazê-los à tona e colocá-los diante de Deus, chamá-los pelos seus devidos nomes, posicionar-nos do lado de Deus contra eles e abandoná-los. A verdadeira confissão implica abandonar os pecados: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13). Ao proceder desse modo, podemos apropriar-nos da promessa de que Deus é fiel e justo para nos perdoar. É fiel no sentido de que prometeu perdoar e cumprirá sua promessa. É justo para nos perdoar porque encontrou uma base justa para o perdão na obra vicária do Senhor Jesus Cristo na cruz. Além de garantir o perdão, Deus nos purifica de toda injustiça. João fala de um perdão paternal, e não judicial. O perdão judicial se refere ao perdão do castigo pelos pecados; o cristão o recebe quando crê no Senhor Jesus Cristo. É chamado de “judicial” porque é concedido por Deus em seu papel de Juiz. Mas e quanto aos pecados que a pessoa comete depois da conversão? No tocante ao castigo, o preço já foi pago pelo Senhor Jesus na cruz do Calvário. No tocante à comunhão na família de Deus, porém, o santo que pecou precisa receber o perdão paternal de Deus, ou seja, seu perdão como Pai, obtido pela confissão do pecado. Precisamos do perdão judicial apenas uma vez, pois ele é suficiente para pagar o castigo pelos nossos pecados passados, presentes e futuros. Mas precisamos do perdão paternal ao longo de toda a vida cristã. 3.3 Superação do sofrimento e da morte. Ideia central do subponto: Em Cristo, a morte não é a palavra final (Jo 11.25-26, NAA; Rm 8.23, NAA; Ap 21.4, NAA). O aluno deve sair sabendo: Explicar a promessa de Jesus sobre vida e ressurreição (Jo 11.25-26, NAA). Relacionar esperança futura com perseverança presente (Rm 8.23, NAA). Entender que a consumação descrita em (Ap 21.4, NAA) refere-se a esperança escatológica, e não uma promessa de ausência imediata de dificuldades.
A LIÇÃO DIZ: A resposta de Deus para o sofrimento e a morte é a esperança viva em Cristo. Ao colocarmos a nossa fé em Jesus, temos a certeza de que a morte não representa o fim, mas sim o começo de uma nova vida com Deus (Jo 11.25,26). Mesmo perante dores e perdas neste mundo caído, aguardamos com esperança a gloriosa ressurreição dos mortos e a redenção do nosso corpo (Rm 8.23). A superação do sofrimento e da morte está ancorada na certeza de que a morte física não é o fim da existência, mas um estágio de transição para a plenitude da vida com Deus. Esta esperança fundamenta-se na obra de Cristo e se desdobra em três aspectos principais: a promessa da ressurreição, a perseverança em meio às dores presentes e a consumação escatológica final. 3.3.1 A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa ressurreição. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, temos a segurança de que Deus também tornará a trazer os que nEle dormem; ou seja, a morte não tem domínio final sobre o crente. (1Ts 4.14, NAA; Jo 11.25-26, NAA). 3.3.2 O sofrimento presente não anula as promessas, mas exige perseverança. O sofrimento desta vida só será completamente removido na redenção futura; até lá, vivemos na esperança da glória que há de ser revelada. As curas e bênçãos que experimentamos hoje são apenas uma “primeira prestação” ou penhor da redenção futura do nosso corpo, lembrando-nos de que a libertação total das dores de um mundo caído ocorrerá na Segunda Vinda. 3.3.3 No presente, o sofrimento ainda é uma realidade intrusa no mundo de Deus, mas a Bíblia prediz um tempo em que ele não mais existirá. A vida na Nova Jerusalém será algo muito melhor do que a vida no Éden, com todas as bênçãos intensificadas e livres da mancha do pecado e de suas consequências. Portanto, não devemos confundir a esperança futura de glória perfeita com a realidade presente de luta e perseverança.
CONCLUSÃO A análise bíblica do pecado revela a gravidade da condição humana (corrupção total). Originada na desobediência do Éden, a iniquidade contaminou todos os homens (humanidade), resultando em separação espiritual, culpa, medo, fuga e a inevitabilidade da morte. Diante dessa trágica condição, qualquer tentativa de autojustificação mostra-se insuficiente. A resposta de Deus, contudo, revela o seu insondável amor e sua extraordinária graça. Em Cristo, o Pai tomou a iniciativa de reconciliar o mundo consigo, oferecendo perdão e a restauração da dignidade perdida. Jesus não apenas resolve o problema judicial da culpa, mas garante a vitória sobre a morte física e eterna. Resta-nos, pois, acolher e receber a obra redentora de Cristo com fé e arrependimento, aguardando a consumação da nossa esperança na glória vindoura.
A SANTÍSSIMA TRINDADE O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
INTRODUÇÃO Na lição de hoje, estudaremos sobre o Deus Pai, a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade, e veremos como a Escritura nos conduz a conhecê-lo. Jesus ensina que o Pai se dá a conhecer por revelação e que esse conhecimento é mediado pelo Filho, pois ninguém vem ao Pai senão por Cristo (Mt 11.27; Jo 14.6, NAA). Destemodo, nossa fé não se apoia em impressões subjetivas, mas na revelação que o próprio Deus concede de si mesmo. Ao longo do estudo, reconheceremos a identidade do Pai como o único Deus verdadeiro, contemplaremos sua glória revelada em Jesus e compreenderemos como seus atributos e nomes nos levam a adoração, confiança e a obediência. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. (Mt 11.27, NVI). — O meu Pai me deu todas as coisas. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém sabe quem é o Pai, a não ser o Filho e também aqueles a quem o Filho quiser mostrar quem o Pai é. (Mt 11.27, NTLH). Penso que o Texto Áureo foi muito bem escolhido para introduzir o assunto em análise, por algumas razões: 1. Distinção pessoal e relação mútua. Pai e Filho são claramente distintos em pessoa, mas unidos em íntima comunhão e exclusivo conhecimento mútuo. 2. Unidade ontológica implícita. Em última análise, somente Deus é grande o suficiente para conhecer e entender Deus. O homem não pode conhecê-lo por esforços próprios ou pelo próprio intelecto. Por isso, somente o Pai conhece o Filho e somente o Filho conhece o Pai. 3. Revela a singularidade de Cristo como mediador da revelação divina. Jesus revela o Pai aos que por meio da fé, o buscam. Todavia, quanto a este último ponto, percebi uma tensão no texto que precisa ser explicada: 1 Graduado em teologia pela UniCesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco
• Se só Deus conhece Deus, • e o homem não é Deus, • como pode o homem conhecer a Deus mesmo por meio da mediação do Filho? A resposta está no tipo de revelação que Jesus oferece, e na distinção entre conhecimento essencial (próprio de Deus) e conhecimento participativo (possível à criatura por graça). Ou seja, Pai e Filho se conhecem perfeitamente por meio da consubstancialidade, isto é, a mesma essência. Porém, os seres humanos redimidos, conhecem a Deus por meio da revelação graciosa, mediada pelo Filho. Como bem escreveu Carson em algum lugar que não consigo referenciar: “A revelação do Pai pelo Filho é a auto-doação do próprio Deus — não uma elevação do homem à divindade, mas a entrada de Deus na história para se fazer conhecido.”
VERDADE PRÁTICA Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo. O Deus Pai, em sua essência transcendente, jamais foi visto por qualquer ser humano, pois “ninguém poderá me ver e viver” (Êx 33.20, NAA). Por isso, o conhecimento sobre Ele não é alcançado por uma escalada intelectual humana, e sim pela autocomunicação de Deus, que se dá por iniciativa divina (Mt 11.27, NAA). Nesse sentido, Jesus Cristo, o Filho eterno, desempenha o papel de “exegese” do Pai, porque “ninguém jamais viu Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo 1.18, NAA). Assim, o Filho é a manifestação exata do ser de Deus, “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3, NAA), de modo que “quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9, NAA). Além disso, o Espírito Santo sonda as profundezas de Deus e as comunica aos crentes (1Co 2.10-12, NAA), removendo a cegueira espiritual e iluminando o coração para reconhecer a glória de Deus na face de Cristo (2Co 4.4-6, NAA). Portanto, enquanto a ordem da existência divina é do Pai para o Filho e para o Espírito (Jo 15.26; Jo 1.14, NAA), a ordem do nosso conhecimento é inversa: o Espírito nos conduz a confessar o Filho como Senhor (1Co 12.3, NAA) e, por meio do Filho, temos acesso ao Pai (Ef 2.18; Jo 14.6, NAA).
1. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
Ideia central: A Escritura apresenta o Pai como o Deus único e pessoal; e ensina que o conhecimento verdadeiro do Pai ocorre pela revelação do Filho e pela ação do Espírito. 1.1 O Pai é o único Deus verdadeiro. Ideia central do ponto: O Pai é o Deus único e verdadeiro, confessado no AT e identificado no NT; sua paternidade é pessoal e se manifesta por meio das obras divinas em comunhão com Filho e o Espírito Santo. O aluno deve sair sabendo: como manter o monoteísmo e, ao mesmo tempo, falar biblicamente do Pai como Deus, sem reduzir a Trindade a três deuses (Dt 6.4; Ef 4.4-6, NAA).
A LIÇÃO DIZ: O Pentateuco declara “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4). Deus, no Antigo Testamento, é um só Deus, que se revela pelos seus nomes, pelos seus atributos e pelos seus atos (Horton, 1997, p.159). O Novo Testamento apresenta o Pai como Deus por excelência, identificado seis vezes com o título de “Deus Pai” (Jo 6.27; 1Co 15.24; Gl 1.1,3; Ef 6.23; 1Pe 1.2). A base da teologia bíblica é o monoteísmo: a crença de que existe apenas um Deus, excluindo qualquer outra divindade. Esta verdade é resumida no Shema de Israel: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Dt 6.4). Este credo, que afirma que Yahweh não é parte de um panteão, mas o Único, é ratificado por Jesus no Novo Testamento como o principal mandamento. Nas Escrituras do Novo Testamento, essa unicidade é especificamente atribuída ao Pai. O apóstolo Paulo declara enfaticamente: “todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos” (1Co 8.6). Quando a Bíblia diz que o Pai é o “único Deus”, o objetivo primário é excluir os ídolos e falsos deuses do paganismo, e não excluir o Filho. Se interpretarmos “um só Deus, o Pai” (1 Co 8.6) como uma exclusão de Jesus da divindade, teríamos que interpretar “um só Senhor, Jesus Cristo” (no mesmo versículo) como uma exclusão do Pai do senhorio. Pelo contrário, Pai e Filho compartilham a natureza divina única em contraste com o politeísmo. Não há ruptura entre o Deus do Antigo Testamento e o Pai revelado no Novo Testamento; há continuidade e consumação. O Deus que se revelou aos patriarcas como o “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó” é o mesmo que ressuscitou Jesus dentre os mortos. 1.2 O Pai é a fonte da divindade. Ideia central: “Fonte” descreve a ordem relacional entre as Pessoas, e não superioridade de essência; o Pai é Deus em plenitude, assim como o Filho e o Espírito também o são. O aluno deve sair sabendo: distinguir “ordem pessoal” de “diferença de natureza”, evitando pensar que o Pai é “mais Deus” que o Filho ou que o Espírito (Jo 5.26; Hb 1.1-3; Jo 15.26, NAA).
A LIÇÃO DIZ: Nossa Declaração de Fé professa que Deus é o Supremo Ser, é Eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo: “como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Ele é o Deus imutável, desde a eternidade, desde antes da fundação do mundo (Sl 90.2; Ml 3.6; Tg 1.17). Ele é o Criador do céu e da terra, e de tudo que neles existe (Is 45.18; At 17.24). Ele é o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20.31); Ele é Espírito doador e mantenedor de toda a vida (Jó 33.4). O Pai é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade, portanto, Ele é a origem e fonte eterna da divindade, de quem o Filho é gerado e de quem o Espírito procede (Jo 15.26; Hb 1.1-3). Há grande probabilidade de que este subponto se torne motivo de intenso debate na classe ou, ainda, por falta de cuidado de alguns professores, sirva de base para a exposição do unitarismo ou do subordinacionismo.Portanto, urge explicar, com muito cuidado, em que sentido o Pai é a fonte da divindade, o que significa afirmar que o Filho é eternamente gerado e o que se entende por Espírito procedente. Vamos tentar explicar um dos pontos mais difíceis da doutrina da Trindade. 1.2.1 O Pai como fonte da deidade. Na teologia trinitária clássica, afirma-se que o Pai é o principium (termo latino para “princípio”, no sentido de fonte ou origem) ou arché (termo grego com sentido semelhante) da divindade, isto é, aquele de quem procedem, por relação eterna, o Filho e o Espírito. Essa linguagem não sugere que o Pai “começou” antes dos outros, mas que ele é a origem, não em sentido temporal, e sim relacional. Assim, busca-se explicar como as Pessoas divinas se distinguem sem dividir a única essência de Deus. Santo Agostinho expõe essa distinção ao afirmar que o Pai é o único que não tem origem em outro: ele não é gerado nem procede de ninguém. Para tornar isso mais acessível, “geração” (do Filho) e “processão” (do Espírito) não descrevem eventos no tempo, mas relações eternas pelas quais o Filho é Filho do Pai e o Espírito é Espírito do Pai e também do Filho. Quando Agostinho chama o Pai de “princípio” da “deidade”, ele procura resguardar, ao mesmo tempo, duas afirmações: há um só Deus (Dt 6.4, NAA) e há distinção pessoal verdadeira no único Deus. Robert Letham observa que, especialmente na tradição oriental dos Pais Capadócios (teólogos do século IV, como Basílio de Cesareia, Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa), o Pai é chamado de “causa” ou “fonte” da existência hipostática do Filho e do Espírito. Aqui, “hipóstase” significa Pessoa, ou subsistência pessoal, isto é, quem alguém é; enquanto “essência” ou “natureza” se refere ao que Deus é, a única realidade divina compartilhada plenamente pelas três Pessoas. Portanto, dizer que o Pai é “fonte” não implica que ele seja “mais Deus” do que o Filho ou o Espírito. Indica, antes, uma taxis, isto é, uma ordem relacional pela qual as Pessoas são distinguidas: o Pai é “primeiro” como origem relacional, não no tempo, nem em grau de divindade, nem em dignidade. As Escrituras reforçam essa forma de falar ao apresentar o Pai como aquele que envia o Filho e o Espírito (Jo 3.16-17; Jo 14.26; Jo 15.26, NAA), ao passo que o Pai não é descrito como “enviado” por eles. Convém explicar que “enviar”, nesses textos, pode ser entendido em dois níveis. Primeiro, como missão, isto é, o envio na história (a encarnação do Filho e a vinda do Espírito). Segundo, como a relação eterna que essa missão manifesta (o Filho procede do Pai por geração eterna, e o Espírito procede eternamente). Desse modo, o que Deus faz na história da salvação revela, sem esgotar, quem Deus é desde toda a eternidade.Por isso, textos como João 5.26, “Assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26, NAA), costumam ser lidos, na ortodoxia nicena, não como uma doação ocorrida em algum momento, mas como linguagem bíblica para a comunicação eterna da vida divina. Assim, o Filho possui plenamente a mesma vida divina, recebida do Pai de modo eterno, sem começo e sem inferioridade de essência. 1.2.2 O Filho é eternamente gerado. A expressão “geração eterna” (ou “o Filho é eternamente gerado”) surgiu como uma regra de leitura da Escritura e, ao mesmo tempo, como uma fórmula de salvaguarda contra dois erros opostos: (1) o unicismo/modalismo, segundo o qual Pai e Filho seriam apenas “modos” do mesmo sujeito; e (2) qualquer forma de subordinação ontológica, como se o Filho fosse inferior em essência, um “deus menor” ou mesmo uma criatura. Dizer que o Filho é “gerado” significa, antes de tudo, que ele possui a mesma natureza do Pai, o que o distingue de tudo o que é “criado” ou “feito”. Por isso, o Credo de Niceia formula a ideia com precisão: “gerado,não feito, de uma só substância com o Pai”. A categoria “geração”, aqui, marca identidade de essência: o que é gerado é da mesma natureza daquele que gera, enquanto o que é criado é distinto do Criador. É verdade que, na geração humana, o pai existe antes do filho; porém, em Deus, essa analogia tem limite. A geração divina não ocorre no tempo. Por isso, Agostinho, ao responder aos arianos que diziam “houve um tempo em que o Filho não existia”, afirma que o “nascer” em Deus é sempiterno, isto é, sem começo. Se o Pai é eterno, o Filho é coeterno, porque o Pai nunca existiu sem o Filho. 1.2.3 O Espírito procedente do Pai e do Filho. A teologia trinitária distingue cuidadosamente a geração do Filho e a processão do Espírito, a fim de preservar a distinção real das Pessoas sem dividir a única essência divina. O Espírito procede (eternamente): o Espírito não é “gerado”, porque sua propriedade pessoal não é filiação. Por isso, a tradição utiliza o termo “processão” para distingui-lo do Filho e evitar confusão entre as propriedades pessoais da Trindade. Do contrário, o Espírito seria concebido como um “segundo Filho”, o que contraria o modo como a Escritura e a Igreja distinguem as Pessoas da Trindade. 1.3 O Pai age por meio do Filho e do Espírito. Ideia central: As obras divinas são trinitárias: o Pai opera em comunhão com o Filho e pelo Espírito, com distinção pessoal e unidade de ação. O aluno deve sair sabendo: por que “por meio do Filho” e “pelo Espírito” descrevem a maneira bíblica de Deus agir, sem inferioridade entre as Pessoas (1Co 12.4-6; Jo 1.3; Jo 14.26, NAA).
A LIÇÃO DIZ: A paternidade é o papel da primeira Pessoa da Trindade. Assim, o Pai opera por meio do Filho e por meio do Espírito Santo (1Co 12.4-6; Ef 4.4-6). Isso não implica inferioridade, mas expressa a maneira como as três Pessoas operam inseparavelmente, cada uma conforme sua distinção pessoal. O Pai proclamou as palavras criadoras (Sl 33.9), e o Filho as executou (Jo 1.3). O Pai planejou a redenção (Tt 1.2), e o Filho as realizou (Jo 17.4). Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e Ensinador (Jo 14.26). Agostinho de Hipona ensina que a Trindade opera inseparavelmente em tudo o que Deus faz “para fora”, isto é, nas obras de Deus na criação e na história. Em outras palavras, quando Deus age no mundo, não são três deuses agindo separadamente, mas o único Deus agindo de modo trinitário. Essa inseparabilidade nas obras acompanha a inseparabilidade na natureza divina, pois Pai, Filho e Espírito Santo compartilham a mesma essência divina. 1.3.1 A criação é descrita com um padrão trinitário. Gênesis apresenta o Espírito de Deus pairando sobre as águas e Deus criando por meio de sua palavra, no “Disse Deus” (Gn 1.1-3, NAA). Esse padrão é ecoado quando o salmista associa a criação à “palavra” e ao “sopro” de Deus (Sl 33.6, NAA). O Novo Testamento explicita que a criação ocorreu “por intermédio” do Verbo, isto é, do Filho (Jo 1.3, NAA). Assim, a Escritura permite afirmar que o Pai cria por meio do Filho e pelo Espírito. 1.3.2 A salvação também é trinitária: o Pai planeja, o Filho realiza, e o Espírito aplica. 1.3.2.1 Planejamento e envio (o Pai): a salvação procede do amor e da vontade do Pai, que escolhe e destina seu povo em Cristo (Ef 1.3-6, NAA) e envia o Filho ao mundo (Jo 3.16, NAA). 1.3.2.2 Execução e mediação (o Filho): a redenção é realizada pelo Filho, que se fez carne. Contudo, ele não age isoladamente: cumpre a vontade do Pai e, na entrega de si mesmo, o texto relaciona sua oferta a Deus ao “Espírito eterno” (Hb 9.14, NAA). 1.3.2.3 Aplicação e consumação (o Espírito): o Pai e o Filho enviam o Espírito Santo para aplicar a obra de Cristo ao crente. É o Espírito quem vivifica e sela o povo de Deus, unindo-o a Cristo e conduzindo-o à santificação (cf. Jo 14.26, NAA) 1.3.3 Os episódios do Evangelho mostram a mesma lógica: comunhão inseparável com distinções reconhecíveis. 1.3.3.1 Encarnação: o Pai prepara um corpo para o Filho (Hb 10.5, NAA), e a concepção é atribuída à ação do Espírito Santo (Lc 1.35, NAA). 1.3.3.2 Batismo de Jesus: o Pai fala do céu, o Filho está no Jordão, e o Espírito desce sobre ele, marcando publicamente o início do ministério (Mt 3.16-17, NAA). 1.3.3.3 Milagres: Jesus declara que expulsa demônios “pelo Espírito de Deus” (Mt 12.28, NAA) e, ao mesmo tempo, afirma que “o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14.10, NAA). Atos resume essa dinâmica ao dizer que Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo e poder para realizar o bem (At 10.38, NAA).
2. O PAI REVELADO EM CRISTO Ideia central do ponto: O conhecimento do Pai é dom revelacional: chega aos humildes e ocorre pela mediação do Filho; ver o Filho é conhecer o Pai no sentido de revelação perfeita. 2.1 O Pai se revela aos humildes. Ideia central: Deus confronta a autossuficiência espiritual; a revelação do Reino alcança quem se aproxima como “pequenino”, com humildade, sinceridade e fé.O aluno deve sair sabendo: que humildade, aqui, é a postura correta diante da revelação de Deus, não é o mesmo que desprezo pelo estudo; o problema tratado é a soberba, não a inteligência (Mt 11.25-26; Pv 3.7, NAA).
A LIÇÃO DIZ: Jesus exalta ao Pai acerca de uma profunda verdade espiritual: “…ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). Os primeiros, intitulados sábios (gr. sophós) são aqueles que detêm “inteligência e educação acima da média”. Os outros, os instruídos (gr. synetós), são as pessoas com “cultura e instrução”. Esses vocábulos caracterizam os fariseus e os escribas, que se vangloriavam de sua formação privilegiada, mas que padeciam de cegueira espiritual. Significa que os mistérios do Reino de Deus não são revelados aos soberbos, aos que se consideram sábios aos próprios olhos (Pv 3.7). O Pai se dá a conhecer aos “pequeninos” (gr. népios), àqueles que possuem a humildade das crianças (Mt 18.2-4). Vamos desembrulhar o conteúdo deste texto em quatro pontos: 2.1.1 O Pai revela o Reino como dom, e isso confronta a autossuficiência espiritual dos que se consideram sábios. Jesus diz que o Pai “ocultou estas coisas aos sábios e instruídos e as revelou aos pequeninos” (Mt 11.25, NAA). “Estas coisas” inclui o sentido de seu ministério: suas obras, sua mensagem e a chegada do Reino que muitos não perceberam, apesar de abundantes evidências (Mt 11.20-24, NAA). 2.1.2 “Sábios” e “instruídos” descrevem, antes de tudo, uma postura: gente que se considera suficiente para julgar Deus. A lição identifica os termos: sophós (sábios) e synetós (instruídos), frequentemente associados a quem possui formação e cultura. Porém, no contexto, o contraste não visa a capacidade mental em si, e sim o tipo de coração que se blinda contra a verdade. Por isso, a Escritura denuncia o ser “sábio aos seus próprios olhos” (Pv 3.7, NAA). Em Mateus 11, essa atitude aparece de forma ampla: não se limita a fariseus e escribas, pois alcança uma “geração” e cidades inteiras que se mostraram impermeáveis à mensagem e às obras do Messias (Mt 11.16-24, NAA). Assim, a ideia de “ocultar” é uma espécie juízo que acompanha a recusa persistente de pessoas endurecidas. 2.1.3 “Pequeninos” são os humildes. Jesus chama de “pequeninos” os nēpioi, isto é, os que se aproximam sem pretensão de autossuficiência. A Bíblia descreve essa postura com a linguagem da humildade de uma criança: receber, aprender, submeter-se, depender (Mt 18.2-4, NAA). Portanto, “pequenino” não é um elogio à ignorância; é um elogio a quem aceita ser ensinado por Deus. Em outros textos, essa mesma lógica aparece quando Deus escolhe o que o mundo despreza para envergonhar a confiança humana (1Co 1.26-29, NAA). 2.1.4 A humildade exigida aqui não é anti-intelectual; é a submissão correta diante da revelação da parte de Deus. O evangelho não pede que a pessoa abandone o entendimento; ele pede que o entendimento seja colocado em seu lugar. O problema em Mt 11.25 não é a inteligência, mas a soberba. 2.2. O Pai se faz conhecer pelo Filho. Ideia central: Ninguém conhece o Pai de modo salvador fora da revelação concedida pelo Filho, o mediador (Mt 11.27; Jo 14.6; 1Tm 2.5, NAA). O aluno deve sair sabendo: que fora de Cristo, o conhecimento do Pai fica deformado ou incompleto (Jo 1.18; Hb 1.1, NAA). A LIÇÃO DIZ: O Filho é o intérprete supremo do Pai, o único capaz de revelar sua natureza, vontade e amor (Jo 1.18; Hb 1.1). Sem Cristo, qualquer tentativa de conhecer o Pai será incompleta ou distorcida, e fadada ao erro e a idolatria (Jo 10.30; Cl 1.15; 2.8,9). Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está ao lado do Pai, foi quem o revelou (Jo 1.18). Deus é invisível, pois é Espírito. Ele habita em luz inacessível. Contudo, a segunda pessoa da Trindade, o Verbo eterno, chamado claramente aqui pelo apóstolo João de Deus unigênito, eternamente gerado do Pai, veio ao mundo exatamente para nos revelar Deus Pai. João declara que o Verbo encarnado tornou Deus conhecido. Veio para revelar o Pai. O verbo grego que emprega é exegesato, de onde vem nossa palavra exegese. Podemos assim dizer que Jesus é a exegese de Deus. Nem Abraão, o amigo de Deus, nem Moisés, com quem o Senhor tratava face a face, puderam ver a glória divina em sua plenitude. Contudo, a glória que nem Abraão nem Moisés puderam ver, agora foi apresentada a nós em Jesus. Só Jesus pode nos tomar pela mão e nos levar a Deus. Ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Ninguém pode conhecer o Pai senão através de sua revelação. Deus outrora nos falou muitas vezes, de muitas maneiras, mas agora ele nos fala pelo seu Filho. Em Jesus habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele é a imagem do Deus invisível. Ele é o resplendor da glória, a expressão exata do ser de Deus.Jesus pode ser o revelador de Deus por três razões: Primeiro, porque ele é único. A palavra grega usada é monogenes, “unigênito”. Jesus é o único que pode trazer Deus às pessoas e levar as pessoas a Deus. Segundo, porque ele é Deus. Ele é Deus da mesma substância do Pai. Vê-lo é o mesmo que ver Deus. Terceiro, porque ele está no seio do Pai. Esse termo era usado para o relacionamento estreito do filho com a mãe, do marido com a esposa (Is 62.5; Ct 4.8). 2.3 Quem vê o Filho vê o Pai. Ideia central: “Ver o Pai” significa reconhecer que Jesus revela perfeitamente o caráter e a obra do Pai; isso não confunde as Pessoas, mas afirma unidade de essência e comunhão de ação (Jo 14.9-11; Jo 10.30, NAA). O aluno deve sair sabendo: explicar Jo 14.9 sem cair em modalismo (Pai = Filho) e sem reduzir Cristo a um mensageiro inferior; o Filho revela o Pai porque participa plenamente da divindade (Hb 1.3, NAA).
A LIÇÃO DIZ: No diálogo com Filipe, Jesus revela outra verdade sublime: “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9). O texto bíblico diz: Jesus respondeu: — Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Se vocês me conheceram, conhecerão também o meu Pai. E desde agora vocês o conhecem e têm visto. Filipe disse a Jesus: — Senhor, mostre-nos o Pai, e isso nos basta. Jesus respondeu: — Há tanto tempo estou com vocês, Filipe, e você ainda não me conhece? Quem vê a mim vê o Pai. Como é que você diz: “Mostre-nos o Pai”? Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu digo a vocês não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Creiam que eu estou no Pai e que o Pai está em mim; creiam ao menos por causa das mesmas obras. (Jo 14.6-11, NAA). Esse episódio e todo o diálogo ocorrem no cenáculo, onde Jesus prepara os discípulos para a sua partida. Filipe expressa um desejo que reflete a esperança judaica por uma teofania, isto é, uma manifestação visível e extraordinária de Deus, semelhante ao que Moisés experimentou no Sinai: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. No entanto, Jesus responde: “Há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido, Filipe?” (Jo 14.9, NAA). Filipe não percebeu que a revelação que buscava já estava diante dele. Ele via o Jesus humano, mas não discerniu, pela fé, que contemplar o Filho é contemplar a perfeita revelação do Pai. A razão pela qual ver o Filho equivale a ver o Pai é que Pai e Filho compartilham a mesma natureza divina. Jesus não é um apenas representante; ele participa plenamente da divindade. Em linguagem nicena, ele é da mesma substância (homoousios) do Pai. Jesus explica essa realidade ao dizer: “Eu estou no Pai, e o Pai está em mim” (Jo 14.10, NAA). Essa habitação mútua significa que as palavras de Jesus não são independentes do Pai, e que suas obras são o Pai operando por meio do Filho. O Deus invisível se dá a conhecer no Filho. Se queremos saber como Deus é, seu amor, sua justiça e sua misericórdia, devemos olhar para Jesus, pois ele torna o Pai conhecido (Jo 1.18; Jo 14.9, NAA).
3. A PESSOA DE DEUS PAI Ideia central do ponto: Os atributos e nomes de Deus, são aplicados ao Pai porque ele é Deus. Portando, o conhecimento de quem Ele é nos conduz a adoração, a confiança e a obediência. 3.1 Atributos incomunicáveis. Ideia central: São perfeições próprias de Deus (autoexistência, eternidade, imutabilidade etc.), que o distinguem de toda criatura terrena e angelical.O aluno deve sair sabendo: que esses atributos pertencem à essência divina; portanto, ao dizer “atributos do Pai”, não se está excluindo Filho e Espírito da mesma divindade (Jo 5.26, NAA).
A LIÇÃO DIZ: São qualidades exclusivas da divindade. Elas pertencem apenas ao Deus Pai (bem como ao Filho e ao Espírito), e não podem ser compartilhadas pelo ser humano.Atributos incomunicáveis são as perfeições de Deus que pertencem somente a ele, isto é, não são compartilhadas com as criaturas. Eles destacam o quanto Deus é distinto de tudo o que foi criado e, por isso, evidenciam sua grandeza, infinitude e singularidade. O termo “incomunicável” não significa que Deus não se comunica conosco; significa, antes, que tais atributos não podem ser transferidos nem refletidos em nós, nem mesmo de modo limitado. Por que isso é importante? Conhecer os atributos incomunicáveis de Deus nos ajuda a: (1) Reconhecer a santidade e majestade de Deus; (2) Evitar reduções humanas de quem Deus é; (3) Cultivar reverência e temor ao Único Deus verdadeiro que é absolutamente distinto de tudo o que foi criado (cf. Is 40.25; Sl 113.5–6). Entre os principais atributos incomunicáveis, destaca-se a autoexistência (ou aseidade), isto é, Deus existe por si mesmo e não depende de nada nem de ninguém para existir. Diferentemente de nós, cuja existência é recebida e sustentada, Deus é o “Eu Sou”, aquele cuja vida não é derivada (Êx 3.14, NAA). Por isso Jesus afirma que o Pai “tem a vida em si mesmo” (Jo 5.26, NAA). Em seguida, a imutabilidade indica que Deus não muda em seu ser, caráter, vontade e promessas. Enquanto nós oscilamos em pensamentos, sentimentos e decisões, Deus permanece fiel a si mesmo, o que dá estabilidade à fé e à esperança. O Senhor declara: “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6, NAA), e Tiago reforça que nele “não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17, NAA). Em termos cristológicos, essa constância é afirmada também do Filho: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8, NAA). A eternidade expressa que Deus não tem começo nem fim e não está sujeito ao tempo, pois ele mesmo é o Criador do tempo. Tudo o que conhecemos está inserido em sucessão e limites; Deus, porém, é Deus “de eternidade a eternidade” (Sl 90.2, NAA). Por isso, ele se apresenta como aquele “que é, que era e que há de vir” (Ap 1.8, NAA). A onipresença (ou infinitude em relação ao espaço) significa que Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo, com todo o seu ser. Não se trata de Deus “espalhado” em partes, mas de sua presença plena e imediata em toda a criação. O salmista pergunta: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua presença?” (Sl 139.7, NAA). E o Senhor declara: “Não encho eu os céus e a terra?” (Jr 23.24, NAA). A onipotência afirma que Deus possui todo poder e realiza tudo o que quer, sempre em conformidade com sua natureza. Ele não se cansa, não falha e não encontra limites externos ao seu domínio. Ele diz: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso” (Gn 17.1, NAA). Jeremias confessa: “Nada é demasiadamente difícil para ti” (Jr 32.17, NAA), e o salmista conclui: “O nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe agrada” (Sl 115.3, NAA).A onisciência é o conhecimento perfeito e imediato de todas as coisas: passado, presente e futuro, sem esforço e sem erro. Deus conhece plenamente a criação e, de modo especial, sonda o coração humano. A Escritura afirma: “Grande é o nosso Senhor… o seu entendimento é infinito” (Sl 147.5, NAA). Ele “conhece o coração dos filhos dos homens” (2Cr 6.30, NAA), e o salmista reconhece: “Antes que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces toda” (Sl 139.4, NAA). Por fim, a incompreensibilidade ensina que Deus não pode ser esgotado pela mente de nenhuma criatura. Isso não significa que Deus seja incognoscível; significa que podemos conhecê-lo verdadeiramente, porém nunca de forma total. Sua grandeza excede nossa capacidade de abarcar plenamente quem ele é. “Grande é o Senhor… a sua grandeza é insondável” (Sl 145.3, NAA). Isaías pergunta: “Quem, pois, pode compreender o poder do seu entendimento?” (Is 40.28, NAA), e Paulo adora dizendo: “Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33, NAA).
3.2 Atributos comunicáveis. Ideia central: São perfeições morais que Deus imprime em nós por analogia e limite, chamando seus filhos a refletirem seu caráter (Lv 19.2; 1Pe 1.15-16; 1Jo 4.8, NAA). O aluno deve sair sabendo: diferenciar “refletir” de “possuir por natureza”.
A LIÇÃO DIZ: São qualidades divinas que, de alguma forma, Deus compartilha com suas criaturas, ainda que de maneira limitada. Refletem os aspectos do caráter e da moral de Deus que podem ser vistos, em grau menor, no ser humano criado à sua imagem e semelhança (Gn 1.26,27). Atributos comunicáveis são as perfeições de Deus que ele permite que sejam refletidas em suas criaturas, de modo derivado, limitado e imperfeito. Eles não deixam de ser divinos por aparecerem em nós; antes, mostram que fomos criados à imagem de Deus e, por isso, podemos manifestar traços do seu caráter em forma finita (Gn 1.26–27, NAA). Em Deus, esses atributos existem com plenitude, pureza e constância; em nós, aparecem como reflexo e vocação, isto é, como aquilo para o qual somos chamados e conformados em Cristo. Esses atributos nos mostram como Deus é e como Ele quer que sejamos, ainda que nunca possamos manifestá-los com a perfeição com que Ele os possui. Por que isso é importante? Conhecer os atributos comunicáveis de Deus nos ajuda a: (1) Refletir o caráter de Deus em nossas vidas; (2) Crescer em santidade e semelhança com Cristo;
(3) Compreender como Deus age e como devemos agir. Entre os atributos comunicáveis, a santidade ocupa um lugar especial. Deus é absolutamente puro e separado do pecado, e sua santidade expressa perfeição moral e dedicação total ao bem. Os serafins proclamam: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” (Is 6.3, NAA), e o mesmo Deus chama seu povo a viver de modo coerente com essa realidade: “Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16, NAA). O amor é outro atributo comunicável importante, pois “Deus é amor” (1Jo 4.8, NAA). O amor divino não é o mesmo que sentimentalismo; é benevolência santa e fidelidade que se manifesta em ação. Por isso, Cristo dá aos discípulos um mandamento que traduz o caráter de Deus em prática: “Amem uns aos outros, assim como eu os amei” (Jo 15.12, NAA). Em nós, amar é refletir, em medida humana, a iniciativa, a constância e a verdade do amor que procede de Deus. A justiça descreve a retidão de Deus em tudo o que ele faz e julga. O salmista afirma: “O Senhor é justo em todos os seus caminhos” (Sl 145.17, NAA). Consequentemente, a justiça se torna critério de vida para o povo de Deus, que é chamado a integridade, equidade e responsabilidade diante do próximo. A ética bíblica resume isso de forma contudente: “Pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus” (Mq 6.8, NAA). Junto à justiça, a Escritura enfatiza misericórdia e graça. Misericórdia é a compaixão de Deus diante do miserável; graça é seu favor imerecido para com o pecador. O Senhor é descrito como “misericordioso e compassivo” (Sl 103.8, NAA), e Jesus torna isso norma para seus discípulos: “Sejam misericordiosos, como também é misericordioso o Pai de vocês” (Lc 6.36, NAA). Em termos práticos, isso se expressa em perdão, generosidade e cuidado com os que sofrem, sem relativizar o pecado nem abandonar a verdade.Também são comunicáveis a verdade e a fidelidade de Deus. Ele não mente, não engana e cumpre o que promete: “Deus não é homem para que minta” (Nm 23.19, NAA). Por isso, os filhos de Deus são chamados a uma vida confiável, em que palavras, promessas e atitudes sejam coerentes. A paciência (ou longanimidade) revela a disposição de Deus de suportar com tolerância e de conceder tempo para arrependimento. O mesmo texto que o descreve como misericordioso também o descreve como paciente (Sl 103.8, NAA), e Naum declara que o Senhor é “tardio em irar-se” (Na 1.3, NAA). Contudo, paciência não pode ser entendida como passividade diante do mal, antes ela é domínio de si, perseverança e prontidão para tratar o outro com mansidão e firmeza, sem explosões e sem vingança.Por fim, a paz é atributo comunicável porque Deus é o Deus que reconcilia, ordena e restaura comunhão. Paulo afirma: “O Deus da paz será com vocês” (Fp 4.9, NAA), e Jesus chama seus discípulos a serem agentes de reconciliação: “Bem-aventurados os pacificadores” (Mt 5.9, NAA). Todavia, é importante que se diga que a paz não é ausência de conflito a qualquer custo. 3.3 Nomes que revelam o Pai. Ideia central: Os nomes bíblicos de Deus comunicam identidade e ação, ou seja, quem Deus é e o que ele faz. O aluno deve sair sabendo: que Deus se deixa conhecer para ser adorado e obedecido, e não para mera curiosidade terminológica e teológica (Sl 9.10, NAA).
A LIÇÃO DIZ: Os nomes de Deus não tratam apenas de sua identificação, mas revelam sua natureza, obras e virtudes. Os nomes e títulos atribuídos a Deus nas Escrituras comunicam quem Deus é, como ele age e como ele se relaciona com o seu povo. É importante fazer duas observações para evitar confusões que são comuns. Primeiro, muitos desses nomes (por exemplo, YHWH e Elohim) designam o Deus único e verdadeiro, e, por isso, podem ser usados para falar de Deus em geral, não “exclusivamente” do Pai. Segundo, no contexto trinitário, o Pai é reconhecido como a primeira Pessoa, e certos títulos evidenciam, de modo especial, sua relação paterna com o Filho e sua iniciativa nas obras divinas. Assim, os nomes bíblicos preservam, ao mesmo tempo, o monoteísmo e a riqueza da revelação progressiva culminada em Cristo. Entre os nomes veterotestamentários, El e Elohim aparecem como designações fundamentais para Deus. “Elohim”, ainda que seja uma forma plural, é acompanhado por verbos no singular em muitos contextos, indicando o Deus único que cria e governa. O texto de Gênesis afirma: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1, NAA). Aqui, o foco do nome está na majestade, poder criador e soberania do Senhor. O Pai não é “um deus entre outros”, mas o Deus criador, fonte de toda existência, que dá sentido ao mundo e à história. O título El Elyon, “Deus Altíssimo”, ressalta a supremacia do Senhor sobre qualquer poder terreno ou espiritual. Melquisedeque abençoa Abrão “pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra” (Gn 14.19, NAA). O ponto aqui não é apenas que Deus está “acima” em posição, mas que ele detém domínio e a posse sobre a totalidade da criação. Portanto, o Pai é confessado como soberano absoluto, e isso corrige a tendência humana de medir Deus pelos parâmetros das forças do mundo.O nome El Shaddai, geralmente traduzido como “Deus Todo-Poderoso”, enfatiza o poder eficaz e a suficiência de Deus para sustentar suas promessas. O Senhor diz a Abraão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; ande na minha presença e seja perfeito” (Gn 17.1, NAA). Aqui, o nome funciona como fundamento para confiança e obediência Deus não depende de recursos externos para realizar sua vontade. Outro título relevante é El Olam, “Deus eterno”, que destaca a transcendência de Deus em relação ao tempo. Isaías declara: “O Senhor é o Deus eterno” (Is 40.28, NAA). O nome pessoal por excelência, YHWH (associado ao “Eu Sou”), concentra a autoexistência, a fidelidade e a presença perceptível e ativa de Deus com o seu povo. Deus se revela a Moisés: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14, NAA) e acrescenta: “Este é o meu nome eternamente” (Êx 3.15, NAA). No Novo Testamento, Jesus usa a linguagem do “Eu sou” de modo que remete a essa identidade divina: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58, NAA). Dentro da lógica da providência, surge o título YHWH-Jiré, “o Senhor proverá”. Após a intervenção de Deus, Abraão dá ao lugar esse nome, e o texto registra: “No monte do Senhor se proverá” (Gn 22.14, NAA). Trata-se de um nome que ensina o cuidado soberano de Deus, especialmente quando o povo é levado ao limite de suas forças. Além disso, o Novo Testamento ilumina essa providência ao afirmar que Deus “não poupou o seu próprio Filho” (Rm 8.32, NAA), mostrando que a provisão suprema do Pai é cristológica: ele provê salvação ao entregar o Filho. Chegando ao ápice da revelação no Novo Testamento, o título Pai (e a forma aramaica Abba) expressa a pessoalidade, autoridade e intimidade do Deus que adota e acolhe os pecadores arrependidos. Jesus ensina: “Portanto, orem assim: Pai nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9, NAA), e ele mesmo ora: “Aba, Pai” (Mc 14.36, NAA). Paulo mostra que essa linguagem começa a fazer parte da experiência do crente pela ação do Espírito: “vocês receberam o Espírito de adoção, baseados no qual clamamos: ‘Aba, Pai’” (Rm 8.15, NAA; cf. Gl 4.6, NAA).
CONCLUSÃO Nesta lição, exploramos a identidade de Deus Pai, a fonte eterna da divindade e o Único Deus verdadeiro, que age inseparavelmente com o Filho e o Espírito. Vimos que sua transcendência impede qualquer domínio intelectual humano; Ele só é acessível porque decidiu se revelar na face de Cristo.Portanto, o estudo da teologia não serve para inflar o ego dos “sábios”, mas para fundamentar a fé dos “pequeninos”. O verdadeiro clímax desta doutrina não é apenas saber que Deus é o Todo-Poderoso, mas descobrir que, por meio da mediação de Jesus, o “Eu Sou” inatingível tornou-se nosso “Aba”. Que este conhecimento nos leve a abandonar a autossuficiência, trocando a soberba humana pela segurança de quem repousa na soberana providência do Pai.
Ministério da Saúde repassou R$ 95,6 milhões para os estados de Pernambuco e Espírito Santo com o objetivo de modernizar a infraestrutura tecnológica de hospitais que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os recursos, que integram o Novo PAC Saúde e o Programa Agora Tem Especialistas, serão aplicados na aquisição de equipamentos hospitalares, ampliando a capacidade de atendimento, qualificando diagnósticos e fortalecendo o cuidado prestado em unidades estratégicas das redes estaduais de saúde.
Do total investido, R$ 70,56 milhões foram destinados ao Espírito Santo, beneficiando nove hospitais regionais geridos pelo governo estadual, e R$ 25 milhões a Pernambuco, contemplando o Hospital da Criança do município de Recife. As transferências foram realizadas na modalidade fundo a fundo, após análise técnica e econômica das propostas apresentadas pelos entes subnacionais e publicação das portarias de habilitação.
Os valores já foram integralmente pagos, assegurando a execução das aquisições e a rápida incorporação dos equipamentos à rede assistencial.
Hospital da Criança do Recife recebe R$ 25 milhões em equipamentos
Em Pernambuco, o investimento federal contempla o Hospital da Criança do Recife (HCR), unidade estratégica da linha de cuidado à criança no município. Os recursos, no valor de R$ 24.999.996,00, destinam-se à aquisição de equipamentos hospitalares gerais e de média e alta complexidade, ampliando a capacidade de internação, diagnóstico, procedimentos cirúrgicos e terapêuticos. O hospital atende crianças dos oito Distritos Sanitários de Recife e integra um conjunto de investimentos do Novo PAC Saúde, que inclui também a construção da unidade, com aporte de R$ 84,4 milhões. Do valor destinado a equipamentos, R$ 8,56 milhões referem-se a equipamentos hospitalares gerais e R$ 16,44 milhões a tecnologias voltadas para atendimentos mais complexos.
Espírito Santo fortalece rede hospitalar com equipamentos para nove unidades
No Espírito Santo, os investimentos contemplam nove hospitais regionais, com foco na modernização tecnológica, ampliação da capacidade de atendimento e qualificação da assistência em média e alta complexidade. A destinação dos recursos decorre de pactuação firmada em 2023 entre o governo federal e os entes subnacionais. Após inviabilidade técnica para apoio federal à construção de um novo hospital em Cariacica, o estado indicou a redistribuição do recurso para aquisição de equipamentos, beneficiando unidades estratégicas da rede estadual e fortalecendo o alcance do Programa Agora Tem Especialistas.
Hospital Estadual de Vila Velha (Hospital Dr. Nilton de Barros): ampliação da capacidade de monitoramento em UTI, esterilização segura de materiais e suporte ventilatório, com investimento de R$ 7,27 milhões.
Hospital Dr. Roberto Arzinaut Silvares (São Mateus): reforço de equipamentos para atendimentos de média e alta complexidade, incluindo UTIs e cirurgias especializadas, com R$ 11,47 milhões.
Hospital São José do Calçado: aquisição de tomógrafo computadorizado e equipamentos para UTI e centro cirúrgico, fortalecendo o atendimento a urgências como AVC e politraumas, com R$ 10,02 milhões.
Complexo de Saúde Norte (São Mateus): aporte de R$ 19,04 milhões em equipamentos essenciais para a inauguração do centro cirúrgico, garantindo funcionalidade plena da unidade, cuja conclusão está prevista para março de 2026.
Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (Vitória): modernização de UTIs neonatal e pediátrica, com investimento de R$ 9,22 milhões.
Hospital Estadual de Atenção Clínica (Cariacica): aquisição de ventiladores pulmonares e ultrassom portátil para ampliação de leitos clínicos, com R$ 326 mil.
Os equipamentos incluem monitores multiparâmetros, ventiladores pulmonares, ultrassons, microscópios cirúrgicos, sistemas de vídeo endoscopia, tomógrafos, entre outros, assegurando maior volume e precisão diagnóstica, segurança nos procedimentos cirúrgicos e monitoramento contínuo de pacientes críticos.
Investimentos integram estratégia nacional de fortalecimento do SUS
As ações fazem parte do Novo PAC Saúde, que prevê investimentos estruturantes para ampliar e qualificar a rede pública de saúde em todo o país. No Espírito Santo, foram selecionadas 238 propostas, totalizando R$ 330,3 milhões em investimentos federais, que incluem obras e equipamentos para Unidades Básicas de Saúde, hospitais regionais, CAPS, ambulâncias do SAMU, odontomóveis e soluções de telessaúde. Em Pernambuco, o Novo PAC Saúde contempla 865 propostas, com investimento total de R$ 2,18 bilhões, abrangendo UBS, hospitais, policlínicas, centros especializados, ambulâncias e outras estruturas estratégicas do SUS.