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O EVANGELHO CHEGA AO CORAÇÃO DO IMPÉRIO

Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

 

INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a chegada de Paulo a Roma, sua proclamação do Reino de Deus, a reação dos judeus e o modo como o encerramento de Atos mostra que a missão da Igreja continua. O livro termina, mas a proclamação do Evangelho prossegue enquanto aguardamos a volta do Senhor. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO Pregava o Reino de Deus e ensinava a respeito do Senhor Jesus Cristo, abertamente e sem impedimento algum. (At 28.31, NVI). Ele anunciava o Reino de Deus e ensinava a respeito do Senhor Jesus Cristo, falando com toda a coragem e liberdade. (At 28.31, NTLH). Durante os dois anos em que Paulo permaneceu preso em Roma, provavelmente entre 60/61 e 62/63 d.C., ele pode ter escrito as quatro cartas tradicionalmente conhecidas como “cartas da prisão”: Filemom, Colossenses, Efésios e Filipenses. Colossenses e Filemom parecem pertencer ao mesmo período e provavelmente foram enviadas na mesma ocasião, levadas por Tíquico e Onésimo. Este último era escravo de Filemom e, de acordo com a interpretação tradicional, havia fugido antes de encontrar Paulo. A carta aos efésios também pode ter sido escrita durante essa prisão e possui fortes relações com Colossenses, embora não seja possível determinar com precisão quanto tempo separou a composição das duas cartas. Filipenses, por sua vez, também é tradicionalmente situada nesse período, quando Paulo ainda manifestava esperança de ser libertado.

   A prisão, contudo, não levou Paulo a considerar seu ministério interrompido ou mesmo infrutífero. Aos filipenses, ele explicou que aquilo que lhe havia acontecido contribuiu para o “progresso do evangelho” (Fp 1.12-14) e se alegrou porque, apesar de suas circunstâncias, Cristo continuava sendo anunciado (Fp 1.18). Por essa razão, podia apresentar-se como “prisioneiro de Cristo Jesus” (Ef 3.1) e “embaixador em cadeias” (Ef 6.20). Mesmo preso, pediu aos irmãos que orassem para que Deus abrisse “uma porta à palavra” (Cl 4.3). Sua liberdade havia sido limitada, mas a proclamação do Evangelho continuava. O livro de Atos não informa qual foi o resultado do processo de Paulo. De acordo com a reconstrução tradicional, ele teria sido libertado por volta de 62/63 d.C. e retomado sua atividade missionária, deixando Tito em Creta e Timóteo em Éfeso. Nesse período posterior, provavelmente foram escritas as cartas de 1 Timóteo e Tito. Alguns anos depois, 2 Timóteo apresenta Paulo novamente preso em Roma e consciente de que sua morte estava próxima. Segundo a cronologia tradicional, essa segunda prisão ocorreu por volta de 66–67 d.C., pouco antes de seu martírio durante o governo de Nero. Mesmo diante da morte, sua convicção permanecia a mesma. O mensageiro podia ser preso, mas a mensagem não: “a palavra de Deus não está algemada” (2Tm 2.9).

VERDADE PRÁTICA
Nada pode impedir o avanço do Reino de Deus quando o Evangelho é anunciado com fidelidade, coragem e esperança. Ao longo do livro de Atos, os apóstolos, missionários e demais cristãos enfrentaram dificuldades de todos os tipos. Foram ameaçados e perseguidos pelas autoridades judaicas, presos e açoitados, sofreram oposição de governantes, foram vítimas de falsas acusações, tumultos e perseguições populares. Estêvão foi apedrejado, Tiago foi morto por Herodes, Pedro foi preso, Paulo foi espancado, apedrejado, encarcerado e levado a julgamento diante de autoridades judaicas e romanas. A Igreja também enfrentou problemas internos, como conflitos, pecados e falsas doutrinas. Nenhuma dessas dificuldades, porém, conseguiu interromper a obra missionária. Pedro e João continuaram anunciando Cristo depois das ameaças do Sinédrio. Os cristãos dispersos pela perseguição levaram a Palavra para outras regiões. Paulo e Silas cantaram e testemunharam mesmo presos em Filipos. Quando Paulo foi impedido de viajar livremente, continuou pregando diante de governadores, reis, soldados e todos os que se aproximavam dele. As circunstâncias mudavam, mas aqueles homens permaneceram fiéis à responsabilidade que haviam recebido. Por meio da fidelidade desses servos e, sobretudo, da ação poderosa do Espírito Santo, o propósito anunciado no início do livro foi sendo cumprido. O Evangelho saiu de Jerusalém, alcançou a Judeia e Samaria, rompeu as fronteiras judaicas, chegou aos gentios e, ao final de Atos, estava sendo proclamado em Roma, no coração do Império. O livro começa com a promessa de que os discípulos seriam testemunhas “até os confins da terra” (At 1.8) e termina com Paulo anunciando o Reino de Deus “sem impedimento algum” (At 28.31). Perseguiram os mensageiros, mas não conseguiram deter a mensagem. Nada pôde impedir o avanço do Evangelho. 

1. PAULO EM ROMA: PRISIONEIRO, MAS LIVRE EM CRISTO
Pergunta chave: Como Paulo permaneceu livre para cumprir sua missão mesmo estando preso em Roma?
Ideia central do ponto: Paulo chegou a Roma sob custódia, mas recebeu permissão para morar em uma casa alugada e receber pessoas. Sua liberdade era limitada, porém suficiente para que o Evangelho continuasse sendo anunciado.
1.1 Mesmo em custódia, Paulo recebe certa liberdade (vv.16,20,30).
Verdade central: Paulo foi colocado em residência vigiada, permanecendo sob custódia de um soldado. Ele próprio custeava sua moradia, possivelmente com ajuda de irmãos na fé. Embora limitado fisicamente, não estava aprisionado espiritualmente.
Para refletir: “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17). A verdadeira liberdade não depende de circunstâncias externas, mas da comunhão com Cristo. 

A LIÇÃO DIZ: Ao chegar a Roma, Paulo não foi lançado em uma prisão comum, mas colocado em residência vigiada, permanecendo sob custódia de um soldado. Ainda acorrentado (v.20), desfrutava de relativa liberdade para receber pessoas e testemunhar. Ele próprio custeava sua moradia (v.30), possivelmente com ajuda de irmãos na fé (Fp 4.10,14,18). Essa condição revela que, embora limitado fisicamente, Paulo não estava aprisionado espiritualmente.
Vamos aos textos bíblicos:
Uma vez em Roma, Paulo recebeu permissão para morar por sua conta, tendo em sua companhia o soldado que o guardava. Foi por isto que pedi para vê-los e para falar com vocês; porque é pela esperança de Israel que estou preso com esta corrente. Durante dois anos, Paulo permaneceu na sua própria casa, que tinha alugado, onde recebia todos os que o procuravam (At 28.16,20,30, NAA). A chegada a Roma encerrou a longa viagem iniciada em Cesareia, mas Paulo continuava na condição de prisioneiro. Lucas informa que ele recebeu permissão para morar separado dos demais presos, sob a guarda de um soldado (v. 16). Era uma forma mais branda de custódia, pois o apóstolo podia permanecer em uma residência particular e receber visitantes, embora continuasse submetido à autoridade romana enquanto aguardava o julgamento. Esse tipo de vigilância costuma ser identificado como custodia militaris, na qual o preso permanecia sob supervisão de um militar sem ser recolhido ao cárcere comum. Lucas não informa por que Paulo recebeu esse tratamento, por isso convém evitar conclusões que o texto não permite comprovar. Sua cidadania romana e os relatórios enviados com o processo podem ter contribuído, mas há um dado que a própria narrativa deixa claro. Ao longo de todo o caso, diferentes autoridades romanas reconheceram que Paulo não havia cometido crime que justificasse sua condenação. Cláudio Lísias afirmou não ter encontrado acusação digna de morte ou prisão (At 23.29), Festo declarou que Paulo nada fizera que merecesse a pena de morte (25.25), e Agripa concluiu que ele poderia ter sido solto caso não tivesse apelado para César (26.31,32). A relativa liberdade concedida em Roma, portanto, está de acordo com tudo o que Lucas já havia mostrado sobre o processo.

   Embora pudesse permanecer em uma residência particular, Paulo não desfrutava de liberdade plena. Quando reuniu os líderes judeus de Roma, afirmou que estava preso por causa da “esperança de Israel” e chamou a atenção para a corrente que carregava (v. 20). Havia, portanto, uma restrição física verdadeira. Lucas não explica de que maneira o apóstolo permanecia ligado ao soldado, embora esse tipo de custódia normalmente envolvesse o uso de uma corrente que ligava o preso ao seu guardador. Paulo tinha mais liberdade do que um preso mantido no cárcere comum, mas continuava sob vigilância militar.

   Dois anos depois, sua condição permanecia semelhante. Lucas registra que Paulo continuava em seu próprio misthōma e recebia todos os que o procuravam (v. 30). O termo grego pode se referir a um “alojamento alugado”, como traduzem várias versões, ou enfatizar que ele permanecia ali pagando as próprias despesas. A liberdade que Paulo possuía fica mais clara quando observamos quem podia chegar até ele. Embora não pudesse circular livremente por Roma, nada impedia que recebesse visitantes. Apenas três dias depois de suachegada, convocou os principais judeus da cidade (v. 17).Mais tarde, um grupo ainda maior foi até sua residência, onde ele passou o dia explicando o Reino de Deus e procurando convencê-los a respeito de Jesus (v. 23). Durante os dois anos seguintes, continuou recebendo todos os que o procuravam (vv. 30,31). Assim, mesmo sob custódia, sua casa tornou-se um lugar de encontro, ensino e proclamação do Evangelho.

         Matthew Henry faz uma oportuna observação:
Quantos homens importantes fizeram sua entrada em Roma, coroados e triunfantes, que realmente eram
as pragas de sua geração! Mas aqui um bom homem faz sua entrada em Roma, acorrentado e vencido como
um pobre cativo, que era realmente a maior bênção de sua geração. Esse pensamento é suficiente para fazer
qualquer um odiar este mundo para sempre.

Aplicações:
• Devemos trabalhar com as possibilidades que permanecem disponíveis. Paulo não podia sair livremente pelas ruas de Roma, mas podia receber pessoas. Em vez de concentrar-se somente no que lhe havia sido tirado, utilizou aquilo que ainda podia fazer.
• Uma limitação não torna uma pessoa inútil para o Reino de Deus. Idade, enfermidade, restrições financeiras ou outras dificuldades podem modificar a maneira como servimos, mas não eliminam automaticamente nossa capacidade de servir.
1.2 A prisão não impede o cumprimento do plano de Deus.
Verdade central: Paulo compreendeu que sua prisão fazia parte do propósito divino. Em vez de desanimar, ele enxergou uma grande oportunidade: soldados, oficiais e visitantes passaram a ouvir o Evangelho.
Para refletir: “Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28). Você tem discernido o agir de Deus nos momentos difíceis ou apenas lamentado as circunstâncias?
A LIÇÃO DIZ: Paulo compreendeu que sua prisão fazia parte do propósito divino. Em vez de desânimo,
enxergou oportunidade: soldados, oficiais e visitantes passaram a ouvir o Evangelho. O que parecia derrota tornou-se avanço missionário (Fp 1.12). Essa postura revela maturidade espiritual: confiar que Deus age mesmo nas adversidades (Rm 8.28). A prisão de Paulo não representava um desvio inesperado do propósito de Deus. Ainda em Jerusalém, o Senhor havia lhe dito que, assim como testemunhara a seu respeito naquela cidade, também deveria testemunhar em Roma (At 23.11). Durante a tempestade, essa promessa foi confirmada quando o anjo declarou que Paulo precisava comparecer diante de César (At 27.24). Sua chegada à capital do Império, portanto, confirmava aquilo que Deus já havia anunciado, embora o caminho até Roma tivesse sido marcado por prisão, acusações, naufrágio e muitos outros perigos. Se a carta aos filipenses foi escrita durante essa prisão romana, como defende a interpretação tradicional, a própria carta nos ajuda a entender como Paulo avaliava sua situação. Ele afirma que tudo o que lhe havia acontecido contribuiu para o “progresso do Evangelho” (Fp 1.12). O substantivo grego prokopē transmite a ideia de avanço ou movimento para frente. Paulo não estava dizendo que a prisão favoreceu seu desenvolvimento pessoal, mas que o Evangelho continuava avançando apesar das limitações impostas a ele e, em certa medida, por meio delas. A prisão de Paulo levou a mensagem de Cristo a pessoas ligadas ao ambiente romano. O apóstolo afirma que suas cadeias se tornaram conhecidas “em Cristo” entre todo o praitōrion e entre os demais (Fp 1.13). O termo praitōrion pode se referir à guarda imperial ou a pessoas relacionadas com a administração romana. Caso Filipenses tenha sido escrita em Roma, a referência à guarda pretoriana se encaixa naturalmente nesse contexto. O regime de custódia ao qual Paulo estava submetido nos ajuda a entender como essa informação poderia ter se espalhado. Como permanecia sob vigilância militar, a troca dos soldados responsáveis por guardá-lo colocava diferentes homens em contato com sua situação, suas conversas e as pessoas que o visitavam. Aquilo que restringia os movimentos do missionário acabou levando o motivo de sua prisão e de sua esperança a pessoas
que talvez não fossem alcançadas durante suas viagens missionárias.

    A fidelidade de Paulo em meio à prisão também encorajou os próprios cristãos. Ele afirma que “a maioria dos irmãos”, fortalecida no Senhor por causa de suas cadeias, passou a anunciar a Palavra com mais coragem (Fp 1.14). A prisão de um dos principais missionários da Igreja poderia ter intimidado os demais crentes, mas o resultado descrito por Paulo foi diferente. Ao perceberem que ele permanecia fiel e que o Evangelho continuava avançando mesmo diante da oposição, outros irmãos ganharam coragem para anunciar Cristo. Dessa maneira, Filipenses 1.13,14 apresenta dois efeitos da prisão: pessoas de fora ficaram sabendo por que Paulo estava preso, enquanto os cristãos foram encorajados a continuar proclamando a Palavra.

Aplicações:
• Nem toda interrupção dos nossos planos significa interrupção dos propósitos de Deus. Paulo desejava chegar a Roma e chegou, mas não da maneira que provavelmente escolheria. Precisamos distinguir nossos planos daquilo que Deus realmente prometeu.  

• Nossa fidelidade durante o sofrimento pode fortalecer outras pessoas. As cadeias de Paulo deram coragem a outros cristãos. A maneira como enfrentamos dificuldades também pode influenciar irmãos que observam nossa caminhada.
• O avanço da obra de Deus é mais importante do que o êxito pessoal do obreiro. Paulo não avaliou sua situação perguntando apenas quando seria libertado. Sua alegria estava no fato de que Cristo continuava sendo anunciado.

1.3 O Evangelho vence barreiras políticas, sociais e religiosas.
Verdade central: Nenhuma estrutura humana pode deter a Palavra de Deus. Diante de governadores e reis, Paulo proclamou a fé em Cristo com ousadia. Socialmente, anunciou um Evangelho que reconcilia ricos e pobres, livres e escravos. Religiosamente, enfrentou tanto a incredulidade judaica quanto a idolatria gentílica.
Para refletir: A Igreja de hoje é chamada a viver esse mesmo Evangelho que rompe muros e reconcilia vidas. Que barreiras você tem permitido que limitem seu testemunho?
A LIÇÃO DIZ: A vida de Paulo comprova que nenhuma estrutura humana pode deter a Palavra. Diante de governadores e reis, proclamou a fé com ousadia (At 24.24,25; 26.1-32), demonstrando que Deus governa sobre todos os reinos (Dn 4.32). Socialmente, anunciou um Evangelho que reconcilia ricos e pobres, livres e escravos (Fm 10-16; Gl 3.28). Religiosamente, enfrentou tanto a incredulidade judaica quanto a idolatria gentílica, mantendo firme a centralidade de Cristo (At 13.45,46; 19.26,27). Logo, a Igreja de hoje é chamada a viver esse mesmo Evangelho que rompe muros e reconcilia vidas. Desde o início, o ministério de Paulo foi apresentado como um ministério que ultrapassaria diferentes fronteiras. Ao falar com Ananias sobre aquele antigo perseguidor da Igreja, o Senhor declarou: “Vá, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome diante dos gentios e reis, bem como diante dos filhos de Israel” (At 9.15, NAA). O restante do livro de Atos mostra o cumprimento progressivo dessa palavra. Paulo anunciou Cristo aos judeus, levou o Evangelho aos gentios e, ao longo dos anos, foi conduzido diante de autoridades que ouviram pessoalmente seu testemunho. O cumprimento dessa palavra diante de governantes se torna especialmente claro nos últimos capítulos de Atos. Félix ouviu Paulo falar sobre a fé em Cristo e sobre o juízo vindouro (At 24.24,25). Festo acompanhou seu processo, enquanto Agripa ouviu diretamente o relato de sua conversão e a proclamação da ressurreição de Jesus (At 26.1-29). Por fim, Paulo chegou a Roma ainda aguardando comparecer diante de César. Aquele que havia sido escolhido para levar o nome de Cristo diante de reis terminou o livro no coração do Império Romano. 

   O Evangelho anunciado por Paulo também alcançou pessoas de diferentes condições sociais e culturais. Em Filipos, por exemplo, a mensagem chegou a Lídia, uma comerciante de púrpura, e também ao carcereiro e sua família. Na relação com Onésimo, Paulo pediu que Filemom recebesse aquele escravo convertido não
apenas como servo, mas como “irmão amado” (Fm 15,16). Dessa maneira, o Evangelho atravessava as divisões sociais de seu tempo e mostrava que riqueza, profissão ou posição não determinavam o valor de uma pessoa diante de Deus. As diferenças religiosas e culturais também não impediram Paulo de anunciar Cristo a públicos muito distintos. Nas sinagogas, ele dialogou com os judeus a partir das Escrituras; em Atenas, falou diante de filósofos; e, em Éfeso, sua pregação confrontou a idolatria relacionada ao culto de Ártemis. A maneira de iniciar a  exposição podia mudar conforme o público e a situação, mas a mensagem permanecia centrada em Jesus, em sua morte e em sua ressurreição. A chegada de Paulo a Roma confirma, portanto, aquilo que o Senhor havia anunciado muitos anos antes. O antigo perseguidor levou o nome de Cristo aos filhos de Israel, aos gentios e diante de governantes. Sua trajetória em Atos mostra que o Evangelho não foi confiado à Igreja para permanecer restrito a determinado povo, classe social ou ambiente religioso.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Qual era a condição de Paulo ao chegar a Roma?
2. Como Paulo interpretou sua prisão à luz do propósito de Deus?
3. Que tipo de barreiras o Evangelho vence?
4. Por que a verdadeira liberdade não depende das circunstâncias externas?

2. O EVANGELHO PREGADO AOS JUDEUS EM ROMA
Pergunta chave: Como Paulo anunciou Cristo aos judeus de Roma e qual foi a reação deles?
Ideia central do ponto: Três dias depois de chegar a Roma, Paulo convocou os líderes judeus para explicar sua situação e apresentar a esperança de Israel, que se cumpria em Cristo. Em uma nova reunião, marcada para outro dia, passou horas expondo o Reino de Deus e procurando convencê-los a respeito de Jesus com base na Lei de Moisés e nos Profetas. A mensagem, porém, não foi recebida da
mesma maneira por todos. Alguns foram convencidos pelo que Paulo dizia, enquanto outros permaneceram incrédulos.
2.1 Paulo convoca os líderes judeus para esclarecer sua situação (v.17).
Verdade central: Três dias depois de chegar a Roma, Paulo chamou os principais judeus para explicar que não havia cometido crime
contra seu povo nem contra os costumes dos pais. Sua prisão estava ligada à esperança de Israel, isto é, ao cumprimento das promessas de Deus em Cristo.
Para refletir: Paulo não estava envergonhado de sua prisão; via nela a consequência de sua fidelidade a Cristo. Você consegue enxergar propósito nas dificuldades que enfrenta por causa da fé?
A LIÇÃO DIZ: Três dias após chegar a Roma, Paulo reúne os principais líderes judeus para explicar as razões de sua prisão. Embora os judeus tivessem sido expulsos da cidade por decreto de Cláudio (At 18.2), muitos já haviam retornado, e havia expressiva presença judaica em Roma. O apóstolo deixa claro que não cometeu nenhuma ofensa contra o povo judeu nem contra as tradições dos pais. Mesmo assim, foi entregue aos romanos em Jerusalém. Logo nos primeiros dias em Roma, Paulo procurou estabelecer contato com os líderes judeus da cidade. Apenas três dias depois de sua chegada, convocou os “principais dos judeus”, expressão que provavelmente se refere a homens de liderança nas diferentes sinagogas de Roma. Como permanecia sob custódia e não podia circular livremente pela cidade, não tinha como seguir seu costume de procurar pessoalmente uma sinagoga. Dessa vez, portanto, foram os líderes judeus que vieram até ele. Mesmo depois de toda a oposição enfrentada na Judeia, Paulo continuava seguindo o princípio que havia marcado suas viagens missionárias, anunciando o Evangelho primeiro aos seus compatriotas. Paulo começou a conversa respondendo justamente às acusações que haviam dado origem ao seu processo. Ele declarou que não havia feito “nada contra o povo ou contra os costumes dos nossos pais” (v. 17). Desde sua prisão em Jerusalém, vinha sendo acusado de ensinar contra o povo judeu, contra a Lei e contra o templo (At 21.28). Agora, diante dos líderes de Roma, reafirmava que sua fé em Cristo não significava abandonar Israel nem desprezar as Escrituras recebidas de seus antepassados. Para Paulo, anunciar Jesus era proclamar o cumprimento daquilo que Deus havia prometido ao seu povo.

   Ao resumir o processo que o levou até Roma, Paulo explicou que havia sido entregue aos romanos, que as autoridades não encontraram nele qualquer delito digno de morte e que somente apelou para César porque houve oposição à sua libertação (vv. 17-19). Mesmo depois de tudo o que havia sofrido, fez questão de esclarecer
que não tinha “nenhuma acusação para fazer contra o meu povo” (v. 19, NAA). Ele estava diante da justiça romana para defender-se, não para usar o tribunal imperial como um instrumento de vingança. Seus adversários haviam procurado sua condenação, mas Paulo não tentou despertar a hostilidade dos judeus de Roma contra aqueles que o haviam acusado. O verdadeiro motivo de suas cadeias fica claro quando Paulo declara que estava preso “pela esperança de Israel” (v. 20). Essa expressão já havia marcado suas defesas anteriores. Perante o Sinédrio, falou da “esperança e ressurreição dos mortos” (At 23.6); diante de Félix, confessou sua esperança na ressurreição de justos e injustos (24.15); e, perante Agripa, afirmou estar sendo julgado “por causa da esperança da promessa que Deus fez aos nossos pais”, relacionando logo depois essa esperança com a ressurreição (26.6-8). Em Atos 28, portanto, a “esperança de Israel” envolve as promessas feitas por Deus, a expectativa do Messias e a esperança da ressurreição, que Paulo anunciava cumpridas em Jesus Cristo. Os líderes judeus de Roma, por sua vez, informaram que não haviam recebido da Judeia cartas nem informações particulares contra Paulo (vv. 21,22). Eles já conheciam o movimento cristão, chamado no texto de “seita”, e sabiam que havia forte oposição contra ele, mas demonstraram interesse em ouvir diretamente aquilo que Paulo pensava. A primeira conversa, assim, esclareceu a razão de sua presença em Roma e preparou o caminho para um segundo encontro, no qual o apóstolo apresentaria de maneira mais ampla a mensagem do Evangelho.

Aplicação:
• Não devemos permitir que experiências negativas com algumas pessoas determinem nossa atitude diante de todo um grupo. Judeus de Jerusalém haviam perseguido Paulo, mas ele não tratou os judeus de Roma como se fossem culpados pelo que outros haviam feito.
2.2 Paulo anuncia o Reino de Deus, mostrando Cristo nas Escrituras (vv.23,24).
Verdade central: Paulo passou o dia expondo o Reino de Deus e procurando persuadir seus ouvintes acerca de Jesus, com base na Lei de Moisés e nos Profetas. Sua pregação era paciente, bíblica e centrada em Cristo.
Para refletir: Paulo não inventou uma mensagem nova; mostrou que Jesus é o cumprimento das Escrituras.
A LIÇÃO DIZ: Em dia marcado, Paulo passa longas horas expondo o Reino de Deus e procurando persuadi-los acerca de Jesus, fundamentando-se na Lei de Moisés e nos Profetas (v.23). Sua pregação é bíblica, paciente e centrada em Cristo. O resultado é misto: alguns creem, outros rejeitam (v.24). Diante da incredulidade, Paulo aplica Isaías 6.9,10, denunciando a dureza do coração e anunciando que a salvação seria enviada aos gentios, que a ouviriam (vv.26,27). O texto revela que o Evangelho avança apesar da resistência humana e que o Plano de Deus inclui todas as nações.

Vamos ao texto bíblico:
  Tendo eles marcado um dia, foram em grande número ao encontro de Paulo no lugar onde ele residia. Então, desde a manhã até a tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do Reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela Lei de Moisés como pelos Profetas.Houve alguns que ficaram persuadidos pelo que Paulo dizia; outros, porém, continuaram incrédulos (At 28.23-24, NAA).

  O interesse demonstrado no primeiro encontro levou os judeus a marcar uma nova reunião com Paulo. Na data combinada, um número ainda maior de pessoas foi até o lugar onde ele estava hospedado, e o encontro se prolongou “desde a manhã até a tarde” (At 28.23). Lucas descreve, portanto, muito mais do que uma breve
pregação. Paulo passou horas explicando sua mensagem e apresentando razões para que seus ouvintes compreendessem aquilo que anunciava. Até a posição da expressão temporal no texto grego contribui para enfatizar quanto tempo ele dedicou àquela exposição. A maneira como Paulo ensinou é resumida por Lucas mediante três ações que se completam. Ele expunha, testemunhava acerca do Reino de Deus e procurava persuadir seus ouvintes a respeito de Jesus. Expor significa apresentar o assunto de modo que pudesse ser compreendido; testemunhar acrescenta a ideia de afirmar com convicção aquilo que se reconhece como verdadeiro; e persuadir mostra que Paulo não pretendia apenas transmitir informações, mas levar seus ouvintes a reconhecer a verdade da mensagem apresentada.
Nesse último caso, o verbo ressalta a tentativa de convencê-los, sem sugerir que todos necessariamente aceitariam seus argumentos. O assunto desenvolvido durante aquelas horas estava concentrado no “Reino de Deus” e naquilo que dizia “a respeito de Jesus”. Para Paulo, esses não eram dois temas independentes. Anunciar o governo de Deus exigia mostrar quem era Jesus e explicar o que Deus havia realizado por meio dele. Essa ligação é tão importante para Lucas que volta a ser utilizada no último versículo do livro, quando Paulo é descrito anunciando o Reino de Deus e ensinando a respeito do Senhor Jesus Cristo. A argumentação de Paulo também estava fundamentada nas Escrituras que seus ouvintes já reconheciam como Palavra de Deus. Lucas informa que ele procurava convencê-los “pela Lei de Moisés e pelos Profetas”. Em vez de pedir aos judeus que abandonassem as Escrituras para aceitar Jesus, Paulo recorria a elas para mostrar que a mensagem cristã estava ligada ao cumprimento daquilo que Deus já havia anunciado ao seu povo. Lucas não informa quais passagens foram utilizadas naquele dia, e não precisamos tentar reconstruir uma lista que o próprio texto não fornece. Outros episódios, porém, ajudam a compreender como Paulo trabalhava com as Escrituras. Depois da ressurreição, Jesus explicou aos discípulos aquilo que Moisés e os Profetas diziam a seu respeito (Lc 24.27,44-47). Mais tarde, em Tessalônica, Paulo discutiu com os judeus “com base nas Escrituras”, explicando que o Cristo precisava sofrer e ressuscitar e afirmando que Jesus era esse Cristo (At 17.2,3).

           Aplicação:
• Alguns assuntos exigem tempo para serem compreendidos. Paulo passou grande parte do dia explicando sua mensagem. O professor precisa administrar o tempo da aula sem sacrificar explicações necessárias apenas para conseguir percorrer todo o conteúdo.

2.3 A reação dividida revela que o coração é o campo da decisão.
Verdade central: A Palavra foi anunciada com clareza, mas as respostas foram distintas. Isso evidencia que o coração humano é o campo onde a decisão acontece. A Escritura sempre exige resposta: fé ou rejeição.
Para refletir: “Bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam” (Lc 11.28). Ouvir a Palavra não é suficiente; é necessário obedecer e acolher Cristo pela fé.
A LIÇÃO DIZ: A Palavra foi anunciada com clareza, mas as respostas foram distintas. Isso evidencia que o coração humano é o campo onde a decisão acontece. A Escritura sempre exige resposta: fé ou rejeição (Dt 11.26-28; Sl 119.11; Pv 4.23). Nesse caso, ouvir a Palavra não é suficiente; é necessário obedecer e acolher Cristo pela fé (Lc 11.28). A partir dessa rejeição parcial, o texto mostrará como Paulo passa a dedicar-se livremente à proclamação do Evangelho a todos, sem distinção, anunciando o Reino de Deus com ousadia e perseverança. A longa exposição de Paulo terminou com uma divisão entre os ouvintes. Alguns foram persuadidos pelo que ele dizia, enquanto outros “continuaram incrédulos” (At 28.24, NAA). Lucas não atribui essa reação negativa à falta de tempo, de explicação ou de fundamento bíblico. Paulo havia passado grande parte do dia argumentando a partir da Lei de Moisés e dos Profetas. A incredulidade de parte do grupo nos mostra que ouvir bons argumentos não significa necessariamente estar disposto a aceitar suas implicações. Quando a discordância entre eles já estava estabelecida e alguns começavam a sair, Paulo lhes dirigiu uma última palavra. Em vez de simplesmente lamentar que não tivesse convencido a todos, recorreu a Isaías 6.9,10: “Bem falou o Espírito Santo aos pais de vocês, por meio do profeta Isaías” (v.25). Ao introduzir a passagem dessa maneira, Paulo atribui sua mensagem ao próprio Espírito Santo. Aquilo que Isaías havia anunciado séculos antes fornecia uma explicação bíblica para a resistência que Paulo acabara de encontrar em Roma.

   No contexto original, Isaías havia sido enviado a um povo que já demonstrava resistência à Palavra de Deus. Eles continuariam ouvindo sem compreender e vendo sem perceber, até que sua insensibilidade culminasse em julgamento. Olhos, ouvidos e coração representam a capacidade de perceber, compreender e responder àquilo que Deus estava dizendo. O problema era que a mensagem chegava aos ouvidos, mas não produzia arrependimento e obediência. Paulo aplicou aquela antiga palavra aos judeus que acabavam de ouvi-lo. Havia uma correspondência dolorosa entre as duas situações. Nos dias de Isaías, o povo possuía a revelação de Deus, mas resistia ao que ouvia. Em Roma, aqueles homens tinham diante de si as Escrituras e haviam recebido uma longa explicação sobre Jesus, mas parte deles permanecia incrédula. Por essa razão, a citação funciona como diagnóstico espiritual da reação de seus ouvintes.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. Por que Paulo convocou os líderes judeus três dias após chegar a Roma?
2. Em que Paulo fundamentou sua pregação aos judeus?
3. Qual foi a reação dos judeus à mensagem de Paulo?
4. O que significa dizer que o coração é o campo da decisão?

 

3. A REJEIÇÃO DOS JUDEUS E A SALVAÇÃO AOS GENTIOS
Pergunta chave: Como a rejeição de parte de Israel contribuiu para o avanço da salvação entre os gentios?
Ideia central do ponto: A resistência de parte dos judeus não frustrou o plano de Deus. Paulo mostrou que a salvação seria enviada
aos gentios, e Atos termina com o Reino sendo anunciado em Roma sem impedimento.
3.1 O endurecimento espiritual de Israel.
Verdade central: Ao citar Isaías, Paulo mostrou que o problema não estava na falta de oportunidade para ouvir a verdade, mas na resistência daqueles que se recusavam a recebê-la. Muitos ouviram o Evangelho, porém endureceram o coração e rejeitaram a mensagem.
Para refletir: Tenha cuidado para não se acostumar a ouvir a Palavra sem obedecê-la. O Evangelho conduz à salvação quando é recebido com fé, mas a rejeição contínua da verdade pode tornar o coração cada vez mais resistente ao chamado de Deus.
A LIÇÃO DIZ: Diante da reação dividida dos judeus em Roma, Paulo encerra o diálogo citando Isaías 6.9,10, revelando que a rejeição não era falta de evidência, mas resistência do coração (Mt 13.14,15; Rm 11.7). A Palavra havia sido anunciada com clareza, porém, muitos escolheram não obedecer. A cegueira denunciada pelo profeta não era intelectual, mas espiritual (Mc 4.12; Lc 8.10). A resistência encontrada por Paulo em Roma já havia marcado outros momentos de seu ministério. Paulo tratou dessa questão com maior profundidade em Romanos 9 a 11. Ao perguntar por que tantos de seus compatriotas não haviam recebido o Messias prometido nas próprias Escrituras, ele não concluiu que a Palavra de Deus tivesse falhado (Rm 9.6). Também recordou que permanecia em Israel um “remanescente segundo a eleição da graça” (11.5) e, mais adiante, descreveu a situação como um endurecimento que atingiu Israel “em parte” (11.25). A incredulidade de muitos, portanto, não significava incredulidade de todos. A maneira como Paulo tratava a incredulidade de seus compatriotas nos impede de usar esse tema para justificar o desprezo ou sentimento de superioridade. Ele sofria profundamente pela situação de Israel e desejava sinceramente a salvação de seu povo (Rm 9.1-3; 10.1). Ao escrever aos cristãos gentios de Roma, chegou a adverti-los contra qualquer orgulho diante dos judeus que haviam rejeitado Cristo: “não seja orgulhoso, mas tema” (Rm 11.20). Paulo não celebrava a incredulidade daqueles que resistiam ao Evangelho. Sua atitude era marcada por tristeza, desejo de vê-los salvos e a consciência de que ninguém pode tratar a graça de Deus como motivo para se considerar superior aos outros. 

Aplicações:
• Ter recebido grandes privilégios espirituais não elimina a necessidade de responder pessoalmente a Deus. Israel possuía as Escrituras, as alianças e as promessas, mas esses privilégios não substituíam a fé no Messias. Da mesma maneira, vir de uma família, anos de igreja ou conhecimento bíblico não podem ocupar o lugar de uma relação verdadeira com Cristo.
• A incredulidade dos outros nunca deve produzir sentimento de superioridade espiritual. Paulo advertiu os gentios exatamente contra esse perigo. Quando alguém rejeita aquilo que recebemos pela graça, nossa reação não deve ser desprezo, mas humildade, temor e oração.

3.2 A salvação estende-se aos gentios conforme o plano eterno de Deus.
Verdade central: A incredulidade de parte de Israel não frustrou o propósito divino; antes, confirmou o alcance universal do Evangelho. Paulo declara: “Esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão.
Para refletir: A Igreja é enviada ao mundo inteiro, chamada a anunciar a salvação sem barreiras étnicas, culturais ou religiosas.
A LIÇÃO DIZ: A incredulidade de parte de Israel não frustrou o propósito divino; antes, confirmou o alcance universal do Evangelho. Paulo declara com autoridade: “esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão” (At 28.28), cumprindo a promessa de Jesus de que o testemunho alcançaria todas as nações (At 1.8; Rm 10.12,13). John Stott destaca que, por três vezes, a oposição teimosa dos judeus fez Paulo voltar-se para os gentios – em Antioquia da Pisídia (13.46), em Corinto (18.6) e em Éfeso (19.8,9). Agora, pela quarta vez, na capital mundial, e de forma mais decisiva ainda, ele o faz novamente (28.28). Enquanto Paulo se volta para os gentios, os judeus se vão, tendo entre si grande contenda (28.29). 

  Ao declarar aos judeus de Roma que “esta salvação que Deus oferece foi enviada aos gentios” (At 28.28, NAA), Paulo utiliza uma expressão que Lucas já havia empregado em momentos importantes de seu Evangelho. O termo grego sōtērion, traduzido como “salvação”, foi usado por Simeão quando tomou Jesus nos braços e declarou: “os meus olhos já viram a tua salvação”. Logo em seguida, ele afirmou que aquele menino seria “luz para revelação aos gentios” (Lc 2.30-32). Lucas empregou novamente o mesmo termo ao citar Isaías 40: “toda a humanidade verá a salvação de Deus” (Lc 3.6). Dessa maneira, aquilo que foi anunciado no início do Evangelho chega ao encerramento de Atos como uma realidade que já estava se cumprindo: a salvação realizada por Deus em Cristo estava sendo anunciada também às nações. A proclamação do Evangelho aos gentios, portanto, não surgiu como uma solução de última hora diante da incredulidade de parte dos judeus. Muito antes da chegada de Paulo a Roma, as próprias Escrituras já anunciavam que a salvação de Deus alcançaria outros povos. O profeta Isaías declarou que o Servo do Senhor seria colocado como “luz para os gentios”, para que a salvação chegasse “até os confins da terra” (Is 49.6). Em Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé recorreram justamente a essa passagem para explicar o trabalho que realizavam entre os gentios (At 13.47). A expressão “confins da terra” também havia sido utilizada por Jesus ao dizer que seus discípulos seriam suas testemunhas até os lugares mais distantes (At 1.8). Portanto, a chegada do Evangelho às nações fazia parte do propósito de Deus anunciado pelos profetas, ratificado por Cristo e realizado progressivamente ao longo do livro de Atos. O verbo “ouvir” nos ajuda a acompanhar o contraste construído por Lucas nessa parte do capítulo 28. No versículo 22, os líderes judeus disseram que desejavam ouvir Paulo. Depois de uma longa exposição, alguns foram persuadidos, enquanto outros permaneceram incrédulos. Em seguida, Paulo citou Isaías para falar de pessoas que ouviam, mas não compreendiam, e encerrou sua declaração afirmando sobre os gentios que “eles a ouvirão” (At 28.28). Paulo destaca que a mensagem do evangelho encontraria entre os gentios pessoas dispostas a recebê-la com fé.

          Aplicação:
• Missões não pode ocupar apenas o espaço que sobra na vida da igreja. Alcançar povos e pessoas além de nosso círculo habitual pertence ao propósito de Deus revelado nas Escrituras. Uma igreja comprometida com esse propósito ora, contribui, envia, sustenta e participa da proclamação do Evangelho além de suas próprias fronteiras.

3.3 Atos termina proclamando um Reino que não pode ser detido.
Verdade central: O livro se encerra com Paulo pregando “o Reino de Deus e ensinando com toda liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum”. Preso, mas livre; limitado por correntes, mas não pela Palavra.
Para refletir: “Porque a palavra de Deus não está presa” (2Tm 2.9). A obra missionária não cessou em Roma, a obra continua conosco. Você faz parte dessa história?
A LIÇÃO DIZ: O livro se encerra com Paulo pregando “o Reino de Deus e ensinando com toda
liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (v.31). Preso, mas livre; limitado por correntes, mas não pela Palavra. O Reino de Deus permanece a mensagem central da Igreja (Lc 4.43; At 1.3), não sustentado por palavras apenas, mas pelo poder do Espírito Santo (1Co 4.20; At 1.8). Durante os dois anos que encerram a narrativa, Paulo permaneceu em sua residência alugada e “recebia todos os que o procuravam” (At 28.30). Lucas não informa o resultado do julgamento nem termina contando como foi encerrada a vida do apóstolo. Depois de acompanhar Paulo durante tantos capítulos, o leitor poderia desejar essas informações, mas o último quadro escolhido para o livro apresenta algo diferente: um prisioneiro recebendo pessoas, anunciando o Reino de Deus e ensinando a respeito de Jesus Cristo. O destino do mensageiro fica em segundo plano, enquanto a mensagem continua sendo proclamada. Lucas resume o conteúdo de seu ministério por duas atividades contínuas: Paulo pregava o Reino de Deus e ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo. O verbo kēryssō tem o sentido de proclamar publicamente uma mensagem, enquanto didaskō enfatiza o ensino. O ministério cristão apresentado no encerramento de Atos reúne as duas ações: há uma boa notícia que precisa ser proclamada e há um conteúdo que precisa ser explicado. A maneira como Paulo anunciava o Evangelho em Roma também merece a nossa atenção. Lucas informa que ele ensinava “com toda a ousadia”, expressão que traduz o substantivo grego parrēsia e comunica a ideia de franqueza, liberdade e coragem para falar abertamente. A mesma palavra já havia sido usada para descrever o testemunho dos discípulos diante da oposição em Jerusalém (At 4.29-31). Muitos anos depois, agora em Roma, Paulo continuava proclamando Cristo com a mesma liberdade. A última palavra do texto grego de Atos é especialmente expressiva: akōlytōs, “sem impedimento”, “sem restrição”. O advérbio ocorre somente aqui no Novo Testamento e deriva da ideia de não impedir ou não obstruir. Paulo ainda possuía limitações pessoais, mas, durante aquele período, ninguém estava impedindo sua atividade de proclamar e ensinar.

    O encerramento de Atos não significa que os adversários desapareceram nem que a Igreja passou a cumprir sua missão sem dificuldades. Lucas termina sua narrativa depois de mostrar que prisões, perseguições, conflitos e rejeições não conseguiram impedir o avanço do Evangelho. A obra missionária, porém, não se encerrou com o apóstolo nem com a proclamação do Evangelho na capital do Império. Por essa razão, o final do livro conduz o leitor a perceber que o testemunho iniciado pelos primeiros discípulos deveria continuar alcançando judeus e gentios em outros lugares e nas gerações seguintes. A narrativa escrita por Lucas chegou ao fim, mas a obra missionária apresentada por ele continuou. Não precisamos dizer que a Igreja está escrevendo um “Atos 29”, como se um novo capítulo pudesse ser acrescentado ao texto inspirado. A declaração pode ser feita de maneira mais precisa. Cada geração de cristãos recebe a responsabilidade de anunciar o mesmo Cristo, proclamar o mesmo Evangelho e levá-lo a pessoas que ainda precisam ouvi-lo. Enquanto aguardamos a volta do Senhor, o final de Atos não serve apenas para recordar o que Paulo fez em Roma. Ele nos lembra que como Igreja devemos continuar proclamando do Evangelho.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. O que Paulo citou diante da rejeição dos judeus?
2. O que a incredulidade de parte de Israel confirmou?
3. Qual era a condição de Paulo ao final de Atos, e como ele pregava?
4. Por que Atos termina sem um “amém”?

 

CONCLUSÃO
A chegada de Paulo a Roma encerra uma etapa importante da história narrada em Atos, mas não encerra a missão da Igreja. Mesmo preso, o apóstolo continuou anunciando o Reino de Deus, ensinando acerca de Jesus e testemunhando diante de judeus e gentios. O livro termina com o Evangelho sendo proclamado “sem impedimento algum” (At 28.31). A mensagem chegou a Roma e continuaria avançando. Agora, cabe à Igreja permanecer fiel à mesma missão, anunciando Cristo enquanto aguarda a volta do Senhor.

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Vitamina D: a chave da vitalidade para todo o organismo

          O sol ativa a vitamina D que coordena nossa saúde, e o protetor solar garante que esse momento seja apenas de benefícios – (crédito: Magnific)

   Trabalhar o dia inteiro sob luz artificial e em ambientes fechados tornou-se a regra do cotidiano urbano. Contudo, o custo dessa rotina reflete diretamente na saúde. A deficiência de vitamina D atinge uma parcela cada vez maior da população, sendo diagnosticada quando o exame de sangue aponta taxas abaixo de 20ng/mL. A vulnerabilidade ao problema varia conforme o estilo de vida e fatores geográficos, exigindo atenção dobrada em grupos de risco, como idosos, pessoas com obesidade e portadores de doenças crônicas ou de má absorção. Apesar da importância de manter as taxas em dia, a dermatologista Andressa Vargas faz um alerta rigoroso contra a busca do nutriente por meio de banhos de Sol sem proteção. “Não recomendamos exposição solar intencional e sem proteção com o objetivo de produzir vitamina D. A radiação ultravioleta é um carcinógeno conhecido e seu efeito na pele é cumulativo”, destaca a especialista. A médica reforça ainda que o uso diário de filtro solar jamais deve ser interrompido sob a falsa premissa de estimular a produção da vitamina, uma vez que o produto não interfere nesse processo de síntese. Para os casos em que a adequação dos níveis se faz necessária, a intervenção via oral desponta como a opção mais indicada e segura. Entretanto, há fatores a serem analisados antes de buscar essa alternativa. “Quando há necessidade de reposição, a suplementação oral é uma estratégia muito mais controlável, sem acrescentar os efeitos carcinogênicos da radiação ultravioleta sobre a pele”, explica a médica. A especialista ressalta que a conduta precisa ser totalmente individualizada, levando em conta critérios como a idade, o histórico clínico e os fatores de risco de cada paciente.

Infos

Alerta

Segundo o Ministério da Saúde, a exposição solar é a principal fonte de vitamina D, sendo responsável por cerca de 80% da obtenção do nutriente. Ela é de extrema importância na absorção do cálcio, no relaxamento muscular e no fortalecimento do sistema imunológico

Dados

De acordo com pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), metade dos brasileiros sofre com a deficiência de vitamina D no organismo. No mundo, quase 1 bilhão de pessoas apresentam insuficiência grave do nutriente.

Recomendação

O uso incorreto de suplementos em doses altas pode causar hipervitaminose, que é o acúmulo excessivo da substância no organismo. A dermatologista Paula Chicralla afirma que a suplementação deve ser feita com cautela e orientação médica para evitar riscos à saúde. 

Câncer de pele

O Sol causa danos cumulativos na pele, provocando envelhecimento precoce e aumentando os riscos de câncer de pele. Por isso, a proteção solar é indispensável. Se os níveis de vitamina D estiverem baixos, a solução mais segura é a alimentação e a suplementação oral — e não a exposição ao Sol sem proteção. 

Sintomas

Segundo Paula Chicralla, a falta de vitamina D prejudica a saúde dos ossos e dos músculos, provocando dores e fraqueza no corpo. Por ser um problema silencioso, os sinais costumam surgir em pessoas de qualquer idade. 

Fontes naturais

Embora a alimentação ajude na manutenção do nutriente, ela raramente corrige deficiências severas sozinha. As principais fontes naturais são peixes gordurosos, como salmão, atum e sardinha; gema de ovo, fígado e cogumelos; além de produtos fortificados, como leites, bebidas vegetais e cereais enriquecidos.

Palavra do especialista

Por que a falta de vitamina D é tão comum no Brasil, mesmo sendo um país ensolarado?

Apesar de o Brasil ter bastante sol, isso não significa que toda a população tenha níveis adequados de vitamina D. A principal fonte dessa vitamina é a exposição solar, mas a rotina moderna dificulta esse processo. Muitas pessoas passam grande parte do dia em ambientes fechados, trabalham em escritórios e, quando estão ao ar livre, utilizam roupas que cobrem grande parte do corpo e protetor solar, importante para a prevenção do câncer de pele, mas que reduz a produção de vitamina D pela pele. Além disso, idade, pigmentação da pele, obesidade e algumas condições de saúde podem interferir na produção e no metabolismo da vitamina D. Por isso, é possível encontrar deficiência mesmo em um país ensolarado.

Apenas a alimentação e o Sol do dia a dia conseguem suprir essa necessidade ou a suplementação é necessária?

Não existe uma resposta única para todo mundo. A alimentação contribui, mas são poucos os alimentos naturalmente ricos em vitamina D, e a exposição solar varia muito de pessoa para pessoa. A suplementação pode ser necessária quando existe deficiência ou quando há uma indicação clínica específica. O ideal é que essa decisão seja individualizada, geralmente a partir da avaliação médica e, quando indicado, da dosagem sanguínea. Não é porque uma pessoa tem pouco contato com o Sol que precisa tomar vitamina D por conta própria.

Qual é o perigo de tomar suplementos de vitamina D por conta própria, sem orientação médica?

O principal problema é achar que, por ser uma vitamina, quanto maior for a dose, melhor. A vitamina D é lipossolúvel e pode se acumular no organismo. O uso excessivo e prolongado pode levar à hipervitaminose D e aumentar o cálcio no sangue, causando sintomas como náuseas, fraqueza, sede excessiva e alterações renais, podendo inclusive provocar complicações mais graves. Por isso, a suplementação não deve ser feita simplesmente porque existe uma preocupação com a deficiência. É importante avaliar se realmente há necessidade, qual dose é adequada e por quanto tempo. Na medicina, o objetivo não é apenas corrigir uma deficiência, mas fazer isso com segurança e de forma individualizada.

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“Esse negócio acaba comigo”: Vorcaro temia vazamento de encontro com Flávio e Jair Bolsonaro

  Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram uma preocupação do então controlador do Banco Master com a possibilidade de vir a público um suposto jantar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no fim de 2024. O material, revelado inicialmente pela CartaCapital, foi confirmado pelo Correio. Em uma das conversas, de 8 de dezembro daquele ano, o empresário Flávio Carneiro questiona Vorcaro sobre um encontro que estaria sendo articulado. “Thiago está cobrando se você vai num jantar com meu xará e com o pai dele, pelo que entendi, você está ciente disso?”

  Segundo fontes da PF a par da investigação, a referência a “xará” seria ao senador Flávio Bolsonaro, enquanto o “pai dele” indicaria Jair Bolsonaro. Naquele período, o ex-presidente ainda não estava preso, mas era alvo das investigações relacionadas à tentativa de golpe após as eleições de 2022.

  Na sequência do diálogo, Vorcaro demonstra não saber inicialmente a quem Carneiro se referia. O empresário, então, detalha a articulação: “Thiago do Léo tá insistindo que ele e o Léo querem juntar você com o meu xará e o Pai pra falarem… Você não tá sabendo? Achei que eles tinham falado contigo”.

  Pouco menos de 10 minutos depois, o ex-banqueiro responde: “Temos que pensar nisso. Vamos falar nós primeiro”.

  A preocupação de Vorcaro com o assunto aparece de maneira mais explícita no dia seguinte. Em nova troca de mensagens, ele menciona uma “reunião bolso” e pede ao empresário que mantenha o assunto sob reserva. “Oi. Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Carneiro responde “fala cumpadre [sic]”. Na sequência, Vorcaro acrescenta: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”.

  Os diálogos obtidos pela PF, no entanto, não permitem concluir se o jantar mencionado nas conversas chegou efetivamente a ocorrer. As mensagens registram as tratativas para o possível encontro e, sobretudo, a preocupação de Vorcaro para que a articulação não fosse divulgada.

  O “Thiago” mencionado nas conversas seria o publicitário Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, e ex-sócio do Portal Léo Dias.

  Dez dias depois da primeira conversa relacionada ao possível jantar, em 18 de dezembro, Miranda voltou a procurar Vorcaro. Desta vez, encaminhou uma sequência de mensagens ao então banqueiro com informações sobre um “contrato de financiamento de produção”.

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“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22/9), para reforçar a defesa da soberania brasileira e mandar recados ao governo de Donald Trump. Sem precisar direcionar nominalmente todas as críticas ao republicano, o petista afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington e reforça uma linha adotada por Lula nos últimos meses: a de que o país pretende manter relações com os Estados Unidos, mas sem aceitar interferências em assuntos internos. Na véspera do discurso, o presidente já havia afirmado que Trump tem o direito de governar os EUA, mas não de impor sua vontade sobre outras nações. Do púlpito da ONU, Lula também voltou suas críticas contra investidas direcionadas ao Tribunal Penal Internacional (TPI). “Perseguir o TPI é o estímulo para que esses crimes fiquem impunes”, disse. A manifestação funciona como outro recado ao governo norte-americano, que mantém uma relação conflituosa com a Corte e tem adotado medidas contra integrantes da instituição.

O tom escolhido pelo presidente brasileiro coloca a defesa do multilateralismo como contraponto à política externa de Trump. Para o Planalto, organismos internacionais devem continuar como espaços de negociação e responsabilização, sobretudo diante de conflitos armados e violações do direito internacional.

A soberania brasileira já vinha sendo preparada como um dos principais pilares do pronunciamento. Antes mesmo de chegar à tribuna, Lula havia criticado tentativas de ingerência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e defendido que divergências entre países sejam resolvidas pela negociação, e não pela imposição econômica ou política.

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FNDE determina aplicação mínima de 45% dos recursos da merenda na agricultura familiar

    O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação publicou a Resolução nº 4/2026 com novas regras para a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A norma amplia exigências para estados e municípios e determina que, no mínimo, 45% dos recursos federais destinados à merenda escolar sejam aplicados na compra de alimentos da agricultura familiar, com prioridade para comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.

   A resolução também reforça critérios nutricionais. Os cardápios deverão ser elaborados por nutricionista responsável técnico, com restrição a alimentos ultraprocessados e limitação de açúcar, sal e gorduras, priorizando produtos in natura e minimamente processados, respeitando hábitos regionais e culturais.

Compras e pesquisa de preços

  Nas aquisições via licitação, a modalidade obrigatória passa a ser o pregão eletrônico. Já para a definição de preços de referência, os gestores deverão utilizar painéis oficiais do governo federal, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e cotações junto a fornecedores locais.

  A resolução reforça que os recursos do PNAE devem ser utilizados exclusivamente para a compra de alimentos, mesmo nos casos de terceirização do serviço de preparo das refeições. Outras despesas ficam a cargo dos estados e municípios.

Gestão e repasses

  Os recursos são transferidos automaticamente pelo FNDE, sem necessidade de convênio, com base no número de estudantes informados no Censo Escolar. O cálculo considera o valor per capita por modalidade de ensino, 200 dias letivos e é feito pela fórmula VT = A x D x C (número de alunos, dias de atendimento e valor por estudante).

  Os repasses ocorrem em oito parcelas anuais, entre fevereiro e setembro. Os valores devem ser movimentados exclusivamente em conta específica do programa, aberta pelo FNDE, com pagamento eletrônico direto aos fornecedores.

  A norma detalha ainda regras para gestão centralizada e descentralizada. No modelo descentralizado, estados e municípios devem transferir os valores às unidades executoras das escolas em até cinco dias úteis após o recebimento.

Prestação de contas e fiscalização

  A prestação de contas deverá ser feita por meio da plataforma BB Gestão Ágil, com acompanhamento do Conselho de Alimentação Escolar (CAE). O FNDE poderá suspender os repasses em casos de inadimplência, ausência de nutricionista responsável técnico ou irregularidades na execução.

  Os gestores respondem civil, penal e administrativamente por informações falsas ou uso indevido dos recursos. Em caso de irregularidades, qualquer cidadão pode apresentar denúncia à Ouvidoria do FNDE.

  A resolução também prevê auditorias anuais por amostragem, monitoramento permanente e possibilidade de bloqueio ou devolução de valores ao erário em caso de inconsistências.

  Durante situações de emergência ou calamidade pública, fica autorizada, de forma excepcional, a distribuição de kits de alimentos às famílias dos estudantes, mantendo os critérios nutricionais e a prioridade para alimentos frescos.

  As novas regras já estão em vigor e devem ser observadas por estados, municípios e instituições federais que ofertam educação básica. 

Brasil 61

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Sancionado piso salarial para professores da educação básica; mudança terá impacto de R$ 8 bi para os municípios em 2026

 A lei (Lei n° 15.437/2026) que atualiza o piso salarial nacional dos professores da educação básica foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira (19). A medida fixa o valor mínimo da categoria em R$ 5.130,63 para 2026, com reajuste de 5,4% em relação ao valor anterior.

 De acordo com a Casa Civil, a nova legislação estabelece critérios para a atualização anual do piso salarial profissional nacional e determina que o valor não poderá ser corrigido abaixo da inflação acumulada no período anterior. 

 A norma também prevê a divulgação, pelo Ministério da Educação, da memória de cálculo utilizada para a atualização do piso, ampliando a transparência do processo.

  Outra mudança é a inclusão dos profissionais contratados por tempo determinado entre os beneficiários do piso salarial nacional. Isso, segundo o governo, garante a esses trabalhadores os mesmos direitos assegurados aos demais profissionais do magistério público da educação básica.

Reflexos nos orçamentos municipais 

  Conforme previsão da Confederação Nacional de Municípios (CNM), a mudança deve impactar os cofres municipais em R$ 8 bilhões apenas em 2026. Na avaliação da entidade, o reajuste do magistério amplia a pressão sobre uma situação orçamentária já desafiadora para muitos municípios brasileiros.

  Em nota oficial, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, defende que haja respeito ao pacto federativo e à autonomia municipal, com a definição local de aumentos reais.

  “O reajuste e a valorização dos profissionais de magistério é uma demanda legítima, mas que precisa ser  pactuada no âmbito local, por quem paga a conta, e não imposto pela União”, afirma Ziulkoski. 

  Segundo a CNM, a entidade apresentou cinco emendas à Medida Provisória (MP 1.334/2026)  que altera o critério de correção do piso salarial e que deu origem à lei sancionada. Além disso, a Confederação  enviou parecer técnico a parlamentares para alterações no texto. No entanto, as sugestões não foram acatadas no texto final.

  Pelo novo cálculo, o reajuste anual será a soma do Índice Nacional de Preços ao Consumidor e 50% da média de crescimento real das receitas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) nos cinco anos anteriores. A CNM destaca que, pela fórmula anterior, a recomposição seria de apenas 0,37%, enquanto a nova regra garante reajuste de 5,4%.

  A entidade também alerta que, além do impacto previsto para 2026, a mudança deve aumentar a pressão sobre os municípios nos próximos anos.

  Para a CNM, o financiamento da educação tem sido marcado por forte pressão sobre as contas municipais nos últimos anos. Segundo a entidade, o reajuste do piso do magistério acumulou alta de 78% nos últimos cinco anos, com impacto estimado em R$ 85 bilhões no período.

  “O novo modelo garante correção acima da inflação sem garantia de recursos adicionais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) ou compensação da União”, afirma a CNM, em nota.

Brasil 61

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Mais de 2,7 mil municípios solicitam adesão ao programa de atendimento domiciliar para idosos

  Mais de 2,7 mil municípios brasileiros já solicitaram adesão ao Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), lançado pelo Ministério da Saúde para ampliar o atendimento de idosos com limitações funcionais diretamente em suas residências.

  De acordo com a pasta, 2.733 municípios manifestaram interesse em participar da iniciativa, que representa a primeira estratégia nacional com cofinanciamento federal voltada exclusivamente ao cuidado domiciliar da população idosa no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

  O programa prevê investimento de aproximadamente R$ 500 milhões até 2027. Os recursos serão destinados à ampliação das Equipes Multiprofissionais (eMulti), compostas por profissionais de diferentes áreas da saúde, como fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.

  A proposta é garantir um acompanhamento mais próximo dos idosos que enfrentam dificuldades de locomoção ou dependem de cuidados contínuos, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes para unidades de saúde e contribuindo para a prevenção de internações evitáveis.

  Como funcionará o repasse financeiro para os municípios

  Com o incremento financeiro do governo federal, as administrações municipais podem contratar mais profissionais, incluir médicos especialistas e aumentar a carga horária do atendimento local.

  Os valores dos repasses mensais são distribuídos da seguinte forma:

  • Incremento mensal: até R$ 10 mil por equipe, a depender da modalidade (Ampliada, Complementar ou Estratégica);
  • Custeio total: o valor pode alcançar até R$ 57,5 mil por mês por equipe multiprofissional;
  • Parcela única: repasse inicial de implantação para a estruturação das ações no município, equivalente ao valor do incremento.
  • Impacto na Atenção Primária e envelhecimento saudável 

Segundo o Ministério da Saúde, o envelhecimento da população brasileira exige novas estratégias de cuidado. Atualmente, cerca de 80% dos idosos dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Além do atendimento aos pacientes, o Padi Brasil também prevê apoio e orientação a familiares e cuidadores.

A expectativa do governo federal é fortalecer a rede de atenção à saúde da pessoa idosa, promovendo mais qualidade de vida, autonomia e acesso aos serviços de saúde para essa parcela da população.

 Brasil 61

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Novo Plano Nacional de Cultura avança no Congresso e estabelece diretrizes para políticas na próxima década

  Aprovado pela Câmara dos Deputados no início de setembro, o Projeto de Lei (PL) nº 5.894/2025, institui o novo Plano Nacional de Cultura (PNC), instrumento de planejamento que estabelece princípios, diretrizes e objetivos para orientar as políticas públicas de cultura no Brasil pelos próximos dez anos. A proposta, que organiza as prioridades para o setor e prevê mecanismos de acompanhamento e participação social, segue agora para análise do Senado Federal.

   Previsto no artigo 215 da Constituição Federal, o Plano Nacional de Cultura orienta o planejamento de longo prazo para o setor cultural. O texto aprovado pela Câmara está organizado em oito eixos e reúne 22 diretrizes, que abrangem temas como diversidade cultural, acesso e participação na vida cultural, preservação do patrimônio e da memória, formação artística e cultural, cultura de base comunitária e desenvolvimento de territórios criativos e sustentáveis.

   A proposta também contempla a presença da cultura no ambiente educacional e sua articulação com outras políticas públicas.

  A elaboração do novo PNC contou com diferentes etapas de participação social. Uma das referências para a construção da proposta foram as 30 prioridades definidas durante a 4ª Conferência Nacional de Cultura, realizada em março de 2024, em Brasília. As contribuições da Conferência subsidiaram a elaboração de um texto-base, posteriormente debatido em oficinas e outras etapas de participação. O processo incluiu oficinas territoriais realizadas nas capitais brasileiras e consulta pública digital, com contribuições de representantes da sociedade civil, gestores públicos e agentes culturais.

O projeto do novo Plano Nacional de Cultura foi encaminhado ao Congresso Nacional em novembro de 2025.

Acompanhamento do Plano

O projeto prevê uma estrutura de governança participativa para acompanhar a execução do PNC, com a presença dos entes federativos e da sociedade civil. Durante o período de vigência, deverão ser realizadas pelo menos duas Conferências Nacionais de Cultura.

A proposta também estabelece articulação com o Sistema Nacional de Cultura (SNC), que organiza a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios na gestão das políticas culturais. Pelo texto aprovado na Câmara, estados e municípios terão até 2028 para integrar o SNC como condição para o recebimento de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

Metas, ações estratégicas e indicadores deverão orientar o monitoramento da implementação do PNC e a avaliação de seus resultados ao longo dos dez anos.

Próximas etapas

Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 5.894/2025 segue para análise do Senado Federal. O novo Plano Nacional de Cultura ainda precisa concluir as etapas previstas no processo legislativo antes de entrar em vigor. 

Com informações do MinC

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Eleições 2026: saiba como o eleitor pode fiscalizar a campanha e denunciar irregularidades

    Os eleitores podem ajudar a fiscalizar as Eleições 2026 e denunciar possíveis irregularidades durante a campanha. O Manual do Eleitor, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), destaca mecanismos para contribuir com a fiscalização do pleito, como uso do aplicativo Pardal para comunicar casos como compra de votos, uso da máquina pública e propaganda irregular.

No documento, o TSE afirma que a participação do eleitor não termina no momento do voto. A orientação é de que qualquer cidadã ou cidadão possa ajudar a fiscalizar o processo eleitoral e comunicar possíveis irregularidades.

Pardal 

O aplicativo Pardal é uma das ferramentas disponíveis para denúncias. De forma gratuita e pelo celular, é possível informar situações relacionadas à compra de votos, ao uso da máquina pública e à propaganda irregular.

O app da Justiça Eleitoral está disponível para smartphones e tablets nas plataformas Google Play e App Store. 

Para registrar uma denúncia, o cidadão deve se identificar por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. O sigilo é garantido acerca da identidade do denunciante.

  Ao realizar a denúncia é possível anexar fotos, vídeos, áudios ou endereços eletrônicos relacionados à suposta irregularidade.  

Fiscalização

  A fiscalização pode ir além da propaganda eleitoral irregular e os eleitores também podem acompanhar as prestações de contas de candidatos pelo sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral. A ferramenta permite consultar informações sobre as contas das candidaturas.

Desinformação e fake news

  Outra possibilidade é denunciar conteúdos que possam desequilibrar as eleições. Segundo o manual, fatos inverídicos, uso de inteligência artificial em desacordo com a legislação e o envio em massa de mensagens pelo WhatsApp podem ser comunicados ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade).

Situações de inelegibilidade

  O eleitor pode, ainda, participar com a apresentação de denúncias de possíveis casos de inelegibilidade. Nesse caso, a manifestação deve ser feita por pessoa no pleno exercício dos direitos políticos e encaminhada à Justiça Eleitoral dentro do prazo previsto. O procedimento deve ser realizado perante o juízo eleitoral competente, por meio de pedido fundamentado, apresentado em duas vias, no prazo de cinco dias a partir da publicação do edital relativo ao pedido de registro da candidatura. Conforme o TSE, uma via é juntada ao processo de registro e a outra é encaminhada ao Ministério Público Eleitoral (MPE).

Prestação de contas eleitorais 

O TSE também destaca que qualquer pessoa interessada pode consultar processos de prestação de contas eleitorais e obter cópias de documentos, respeitados os casos de sigilo previstos em lei.

Integridade das urnas  

No dia da votação, os  Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) realizam, por amostragem, auditorias nas urnas eletrônicas de cada unidade da Federação. Os testes da Justiça Eleitoral são públicos e podem ser acompanhados por pessoas interessadas. Entre os procedimentos está o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas.

O teste é feito em ambiente controlado, em local público e com expressiva circulação de pessoas, definido pelo respectivo TRE. A auditoria ocorre no mesmo dia e horário da votação oficial, nos dois turnos.

Os locais onde serão realizadas as auditorias devem ser divulgados pelos TREs até 20 dias antes das eleições.

Boletins de Urna 

A transparência também é aplicada às auditorias destinadas à verificação dos sistemas responsáveis pela transmissão dos Boletins de Urna e pela entrega de dados, arquivos e relatórios. Os trabalhos são públicos e podem ser acompanhados por qualquer pessoa interessada.   

Entre 7h e 12h do dia anterior à votação, tanto no 1º quanto no 2º turno, a comissão de auditoria da votação eletrônica realiza, em local e horário previamente divulgados, a definição das seções eleitorais que serão submetidas a essas auditorias.

Brasil 61

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A.C.Camargo/Nexus: brasileiro se sente mais saudável do que de fato é

A percepção que o brasileiro tem da própria saúde nem sempre corresponde aos indicadores de saúde, o que pode dificultar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer. É o que revela a pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país.

De acordo com o levantamento, 59% dos entrevistados avaliam a própria saúde como ótima ou boa. Os dados de peso e altura declarados pelos próprios participantes, porém, mostram um retrato mais preocupante: 63% da população adulta está acima do peso ideal, sendo 37% com sobrepeso e 26% com obesidade, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outros 42% afirmam nunca praticar atividade física.

O excesso de peso e o sedentarismo estão entre os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de câncer. Segundo especialistas do A.C.Camargo, o excesso de peso já é reconhecido pela ciência como fator de risco para mais de dez tipos da doença, entre eles os cânceres de intestino, mama, pâncreas e esôfago.

Percepção muda com a idade, mas otimismo persiste

A pesquisa mostra que, à medida que envelhecem, os brasileiros tendem a piorar a própria percepção sobre a saúde. As respostas, no entanto, continuam concentradas nas categorias ótima, boa ou regular, mesmo entre os mais velhos.

O levantamento identificou ainda que o otimismo em relação à própria saúde aparece mesmo entre grupos expostos a fatores de risco conhecidos: entre os fumantes, por exemplo, 63% avaliam a própria saúde como ótima ou boa, percentual até um pouco maior do que o registrado entre quem nunca fumou (61%).

Descompasso entre percepção e prevenção

Outros resultados da mesma pesquisa reforçam esse descompasso entre a forma como os brasileiros se percebem e os hábitos que de fato adotam. Levantamento anterior, divulgado a partir da mesma base de dados, mostrou que 69% da população acredita que o câncer é uma doença evitável, mas 65% afirmam não saber bem como se prevenir. O câncer também é a doença que mais preocupa os brasileiros, citada por 60% dos entrevistados à frente de diabetes (14%) e doenças cardíacas (13%).

Metodologia

A pesquisa foi realizada pela Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, com entrevistas presenciais com  2.015 pessoas  com 16 anos ou mais, nas 27 unidades da federação. A amostra foi controlada por cotas de sexo, idade, condição socioeconômica, região e porte do município, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A coleta de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026.

 Brasil 61

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CRISE ESPIRITUAL E FALSA RELIGIOSIDADE

FIDELIDADE ÀS ESCRITURAS EM OPOSIÇÃO À APOSTASIA

INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos uma das fases mais sombrias do período dos Juízes, quando o nome do Senhor ainda era conhecido e pronunciado, mas sua Palavra já não era levada em consideração. A história de Mica, do jovem levita e da tribo de Dã mostra o que acontece quando a religião se afasta das Escrituras e passa a ser moldada pelos desejos pecaminosos do coração, pelo amor ao dinheiro e pela ambição. O pecado que começou a ser tolerado e praticado dentro de uma família ganhou proporções cada vez maiores, alcançou um levita e, por fim, transformou-se na religião de uma tribo.

Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES Ora, esse homem, Mica, possuía um santuário, fez um manto sacerdotal e alguns ídolos da família e pôs um dos seus filhos como seu sacerdote. (Jz 17.5, NVI). Mica fez uma capela. Ele fez outros ídolos e também uma roupa de sacerdote. Separou um dos seus filhos para ser o seu sacerdote. (Jz 16.28, NTLH). A situação espiritual da família de Mica pode ser compreendida pela maneira como ele organizou o culto dentro da própria casa. A NVI afirma que ele “possuía um santuário” enquanto a NTLH diz que ele tinha uma “capela”. As duas traduções se referem a um espaço particular destinado às práticas religiosas de Mica, estabelecido em desacordo com as determinações do Senhor para a adoração em Israel. Portanto, em Juízes 17.5 constatamos até onde podemos chegar quando decidimos servir a Deus segundo nossos próprios critérios. Mica tinha um santuário, fez objetos de culto e consagrou um de seus filhos como sacerdote, embora nada disso correspondesse ao que o Senhor havia estabelecido para Israel. Diante disso, o narrado bíblico escreve no versículo seguinte: “cada um fazia o que achava mais certo” (Jz 17.6).

Alguns pontos merecem destaque:
  Em primeiro lugar, não cabe a nós decidir como Deus deve ser servido. Mica tomou para si uma autoridade que não possuía. Em vez de obedecer ao que o Senhor havia ordenado, organizou o culto de acordo com aquilo que julgava adequado. Sua prática pode ter parecido correta aos seus próprios olhos, mas estava em desacordo com a vontade de Deus.

  Em segundo lugar, corremos o mesmo perigo quando escolhemos na Palavra de Deus apenas aquilo que desejamos obedecer. Podemos aceitar o que confirma nossas convicções, rejeitar o que nos confronta e adaptar aquilo que exige mudança. Nesse caso, já não estamos permitindo que as Escrituras corrijam nossa vida; estamos tentando fazer com que elas concordem conosco.

 

RESUMO DA LIÇÃO
O abandono do verdadeiro culto a Deus leva à crise espiritual e produz uma falsa religiosidade. Abandonar o verdadeiro culto significa deixar de adorar a Deus conforme Ele determinou em sua Palavra. Deste modo, isso pode acontecer sem que o nome do Senhor seja abandonado, pois alguém pode continuar falando de Deus e praticando atos de devoção enquanto passa a servi-lo segundo os próprios critérios. Foi exatamente o que ocorreu na casa de Mica. Como somente Deus possui autoridade para determinar como deve ser adorado, a sinceridade do adorador não torna aceitável aquilo que Ele não ordenou. Israel havia recebido instruções claras sobre o culto e, por isso, foi advertido a não fazer cada um aquilo que considerasse correto (Dt 12.8,13,14). Nadabe e Abiú demonstram a seriedade dessa exigência, pois foram julgados justamente por oferecer diante do Senhor um fogo que Ele não havia ordenado (Lv 10.1-3). O falso culto praticado por Mica foi ganhando proporções à medida que outras pessoas se envolveram com ele: primeiro o jovem levita e, depois, toda a tribo de Dã. A narrativa mostra como práticas erradas, quando aceitas em vez de corrigidas, podem ser repetidas, ampliadas e incorporadas por outros. O mau exemplo é contagiante.

1. A VÃ RELIGIOSIDADE DE UMA FAMÍLIA
Pergunta chave: Como a religiosidade de uma família pode ser vazia mesmo usando o nome de Deus?
Ideia central do ponto: Na casa de Mica, ainda se falava em Deus, mas a fé que professavam não era mais fé no Deus de Israel revelado nas Escrituras. Quando nossas escolhas deixam de ser submetidas à Palavra, podemos chamar de devoção aquilo que Deus condena.
1. 1 O furto de Mica.
Verdade central: Mica devolveu o dinheiro que havia furtado, mas não porque reconheceu seu pecado diante de Deus. Corrigiu o prejuízo causado à mãe, mas não mudou sua relação com o pecado.
Para refletir: Ao corrigir um erro, pergunte a si mesmo diante de Deus: você realmente quer abandonar o pecado ou apenas escapar de suas consequências?

A LIÇÃO DIZ: O capítulo 17 de Juízes apresenta uma família que vivia na região de Efraim (Jz 17.1- 3). Era uma casa espiritualmente confusa, decorrente do afastamento da Lei do Senhor ao longo dos anos. Mica, cujo nome significa “Quem é como Deus?”, havia furtado de sua mãe, mil e cem moedas de prata e agora estava restituindo. A sua restituição não foi decorrente de arrependimento, mas por medo da maldição que a sua genitora havia lançado sobre o ladrão. Entramos agora na terceira e última seção do livro de Juízes, dos capítulos 17.1 a 21.25. Já vimos as duas primeiras seções: a primeira, dos capítulos 1.1 a 3.6; e a segunda, dos capítulos 3.7 a 16.31. Os últimos cinco capítulos são diferentes dos anteriores, pois já não há anúncio de uma nova opressão nem o surgimento de um juiz libertador. O narrador muda a forma de apresentar os acontecimentos e passa a retratar a confusão de um povo cada vez mais rendido ao pecado. Depois de Sansão, o danita, a família, o culto e a própria sociedade, que já vinham em uma corrida acelerada rumo ao abismo, chegam agora às portas de uma crise ainda mais profunda. Warren Wiersbe observa que a desintegração de Israel se manifesta em três áreas principais da vida: o lar, o ministério e a sociedade. A família, o governo e a igreja são as três instituições estabelecidas por Deus; portanto, se elas entrarem em colapso, a sociedade desmorona.
Vamos ao texto bíblico:
   Havia um homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era Mica.  Ele disse à sua mãe: — As mil e cem moedas de prata que lhe foram roubadas, e a respeito das quais a senhora me falou e proferiu maldições, eis que esse dinheiro está comigo; eu o peguei. Então a mãe lhe disse: — Que o Senhor o abençoe, meu filho! Assim, ele devolveu as mil e cem moedas de prata à sua mãe, que disse: — De minha parte dedico esta prata ao Senhor Deus a favor de meu filho. Será usada para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição. Por isso, agora eu devolvo esta prata a você (Jz 17.1-3, NAA). Depois da morte de Sansão, o livro de Juízes deixa de narrar a atuação dos libertadores e passa a apresentar episódios que revelam a situação espiritual, moral e social de Israel. A primeira história desse epílogo tem início dentro da casa de uma família desconhecida da região montanhosa de Efraim. Nenhum rei, juiz ou comandante militar participa da cena. O narrador acompanha uma mãe, seu filho e uma grande quantidade de prata que havia sido roubada. A escolha dessa família nos permite enxergar que a decadência da nação de Israel já havia alcançado as relações familiares e a conduta diária dos israelitas.
  O personagem principal é inicialmente identificado no texto hebraico pela forma completa de seu nome, mîkāyĕhû, que significa “Quem é como o Senhor?”. Trata-se de uma pergunta retórica cuja resposta esperada é: ninguém. O nome preservava uma bela declaração sobre a incomparabilidade do Deus de Israel e provavelmente refletia a fé de quem o havia escolhido. Daniel Block chama atenção, entretanto, para a profunda incongruência existente entre o significado do nome e a conduta daquele homem. Mica carregava no nome uma confissão correta a respeito do Senhor, mas vivia como se os mandamentos do Senhor não possuíssem autoridade sobre ele. 

  A quantidade de prata roubada demonstra a gravidade do crime cometido. Embora a NAA utilize a expressão “moedas de prata”, o siclo funcionava como uma medida de peso, pois a prata ainda era pesada nas transações comerciais. Mil e cem siclos correspondiam a aproximadamente treze quilos de prata, uma fortuna para aquele período. Mais adiante, Mica oferecerá ao levita dez siclos por ano, além de roupa e sustento (Jz 17.10). Portanto, o valor roubado correspondia a cento e dez vezes a parte em prata daquele pagamento anual. A mesma quantidade havia sido mencionada no capítulo anterior, quando cada um dos governantes filisteus prometeu entregar mil e cem siclos de prata a Dalila para que ela descobrisse o segredo da força de Sansão (Jz 16.5). Essa correspondência levou alguns intérpretes a sugerir que a mãe de Mica seria Dalila e que ele poderia ser filho de Sansão. A hipótese, porém, não possui nenhuma sustentação no relato bíblico além dessa semelhança monetária. O narrador não identifica aquela mulher, não estabelece qualquer ligação familiar com Sansão nem oferece informações que permitam chegar a essa conclusão. A gravidade do furto também deve ser avaliada pela identidade da pessoa prejudicada. Mica não roubou um desconhecido, mas sua própria mãe. Com esse ato, violou o mandamento “Não furte” e desprezou a honra que deveria dedicar aos pais (Êx 20.12,15). O livro de Provérbios classifica com severidade semelhante aquele que rouba o pai ou a mãe e tenta diminuir a gravidade do ato: “Quem rouba o seu pai ou a sua mãe e diz: ‘Isto não é pecado’, é companheiro do destruidor” (Pv 28.24). A corrupção espiritual daquela família torna-se evidente antes mesmo da confecção das imagens e da organização do santuário. A confissão feita por Mica foi bem objetiva: “eu o peguei”. Ele reconheceu que a prata estava em seu poder e admitiu ser o responsável pelo desaparecimento. O narrador não registra tristeza pelo pecado, pedido de perdão ou preocupação com o sofrimento causado à mãe. Mica permaneceu com a prata até ouvir a maldição e, somente depois, revelou que era o ladrão. Embora não seja possível examinar todos os seus sentimentos, a
sequência dos acontecimentos indica que sua atitude foi motivada pelo medo das consequências. Warren Wiersbe resume bem a situação: “Foi o medo da maldição, não o temor do Senhor, que levou o filho a confessar o crime e devolver o dinheiro”. Mica temeu aquilo que poderia lhe acontecer, mas o relato não demonstra que estivesse entristecido por ter ofendido a Deus e desonrado sua mãe.

Esse episódio nos oferece duas aplicações.
Em primeiro lugar, admitir um erro por medo das consequências não é o mesmo que se arrepender. Uma pessoa pode confessar porque foi descoberta, porque teme uma punição ou porque já não consegue esconder o que fez. A tristeza segundo Deus, porém, leva o pecador a reconhecer a gravidade de sua desobediência e produz arrependimento acompanhado de mudança (2Co 7.10). Mica queria livrar-se da maldição, mas não demonstrou a mesma preocupação em abandonar o pecado.
Em segundo lugar, o arrependimento verdadeiro procura reparar o prejuízo causado. Pedir perdão a Deus não elimina a responsabilidade de devolver aquilo que foi roubado, corrigir uma mentira ou reparar um dano quando isso ainda é possível. Zaqueu demonstrou a transformação ocorrida em sua vida quando se dispôs a restituir aquilo que havia adquirido desonestamente (Lc 19.8). Quem se arrepende verdadeiramente não tenta somente aliviar a consciência; assume a responsabilidade pelo mal praticado e procura corrigir suas consequências. 

1.2 A maldição e a bênção da mãe.
Verdade central: A mãe de Mica amaldiçoou o ladrão, mas, ao descobrir que era o próprio filho, o abençoou sem confrontar sua desonestidade.
Para refletir: Não permita que o amor por alguém da família o leve a encobrir um pecado que precisa ser confrontado com verdade e amor.
A LIÇÃO DIZ: A mãe de Mica também revela sua religiosidade vazia (Jz 17.2-4). Com extrema facilidade, usava sua boca para amaldiçoar e para abençoar, como se houvesse poder em suas palavras. Essa noção é típica de uma religiosidade esotérica. Além disso, a mãe não confrontou o filho, expondo sua desonestidade.O termo hebraico traduzido como “proferiu maldições” é ʾālâ e pode expressar o ato de jurar, colocar alguém sob juramento ou invocar uma maldição. Naquela ocasião, a mulher provavelmente pronunciou uma declaração solene contra o responsável pelo furto, colocando-o sob a ameaça do julgamento divino. As maldições eram levadas a sério no antigo Oriente Próximo, o que explica o temor de Mica ao perceber que aquelas palavras recaíam sobre ele. O narrador, entretanto, descreve o comportamento da família sem afirmar que as palavras daquela mulher possuíam poder para determinar o destino do ladrão.
  Quando Mica reconheceu ser o culpado, sua mãe respondeu: “Que o Senhor o abençoe, meu filho!”. A referência ao Senhor mostra que o nome do Deus de Israel permanecia na linguagem daquela casa. Sua bênção poderia expressar o alívio pela recuperação da prata, mas também parece ter sido uma tentativa de cancelar a maldição anterior. Robert Chisholm observa que a mulher agia como se pudesse controlar o resultado por meio de suas declarações: primeiro colocou o ladrão sob maldição e, depois, tentou proteger o filho pronunciando sobre ele uma bênção.
A religiosidade esotérica mencionada pela revista refere-se a ideia de atribuir poder automático a alavras, objetos, gestos ou fórmulas. A bênção bíblica, porém, não funciona como uma declaração capaz de obrigar Deus a realizar aquilo que alguém pronunciou. Quando os sacerdotes abençoavam Israel, diziam: “O Senhor os abençoe e os guarde” (Nm 6.24). Ao concluir essa instrução, Deus declarou: “Assim, porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei” (v.27). Os sacerdotes pronunciavam a bênção, mas somente o Senhor poderia concedê-la. O erro da mãe de Mica não estava no desejo de ver o filho abençoado, mas na tentativa de abençoá-lo sem tratar sua desonestidade.    Ela comemorou a devolução do dinheiro, porém não o confrontou por ter violado os mandamentos de Deus e tê-la desonrado. O amor dos pais não deve ser usado para diminuir a gravidade dos erros dos filhos. Criá-los “na disciplina e na admoestação do Senhor” exige ensino, exemplo e correção, sempre sem violência ou humilhação (Ef 6.4). Esse episódio nos oferece duas aplicações.
O cristão pode pedir a proteção do Senhor e pronunciar palavras que edifiquem sua família, mas nenhuma frase possui poder para obrigar Deus a fazer o que desejamos. Nossas orações devem permanecer submissas à vontade divina e de acordo com as Escrituras.
Abençoar os filhos não significa aprovar ou esconder seus erros. Pais cristãos demonstram amor quando ensinam, corrigem e conduzem os filhos ao arrependimento. A omissão pode evitar um conflito imediato, mas contribui para que atitudes pecaminosas permaneçam sem tratamento e gerem mais problemas
depois.
1.3 Sincretismo religioso.
Verdade central: Mica criou um santuário particular, misturou o culto ao Senhor com práticas idólatras e consagrou um sacerdote fora da ordem estabelecida por Deus. Passou a servir a Deus do seu próprio jeito, e não como o Senhor havia determinado.
Para refletir: Examine se sua forma de adorar está de acordo com as Escrituras ou apenas reproduz costumes e modismos que parecem espirituais.
  A LIÇÃO DIZ: Para agravar, Mica também tinha “uma casa de deuses” (Jz 17.5), uma espécie de santuário privado, seu próprio centro de culto, em clara violação à ordem divina de que ao entrarem na terra deveriam cultuar somente no lugar que o Senhor determinasse (Dt 12). Era um “culto no lar”, mas totalmente distorcido. Unia elementos do culto israelita, com um éfode (colete usado pelos sacerdotes, especialmente o sumo sacerdote) e com terafins (pequenas imagens caseiras de deuses pagãos). Por fim, consagrou um de seus filhos como sacerdote, fora dos preceitos do sacerdócio (Êx 28.1; Nm 3.10).
Vamos ao texto bíblico:
 Porém o filho devolveu a prata à sua mãe, que pegou duzentas moedas de prata e as deu a um ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e uma de fundição. E a imagem ficou na casa de Mica. E, assim, este homem, Mica, veio a ter um santuário. Fez uma estola sacerdotal, alguns ídolos do lar, e consagrou um de seus filhos para ser o sacerdote. 6Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo (Jz 17.4-6, NAA). A decadência espiritual que já havia alcançado o caráter e as relações familiares agora influenciava negativamente o culto. A imagem confeccionada com a prata foi colocada na casa de Mica, que organizou ao seu redor uma estrutura própria de adoração. Havia um santuário, objetos de culto e até um sacerdote. Mica não havia abandonado o nome do Senhor, mas passou a servi-lo segundo suas próprias ideias, misturando elementos do culto israelita com práticas que Deus havia proibido. Essa combinação caracteriza o sincretismo religioso. Como vimos no texto principal, a palavra hebraica traduzida pela NAA como “santuário” significa literalmente “casa de Deus” ou “casa de deuses”. A NVI também emprega “santuário”, enquanto a NTLH utiliza “capela”. Portanto, se tratava de um local particular de culto, organizado para funcionar como um pequeno templo. Mica, porém, não possuía autoridade para estabelecer por conta própria um lugar de adoração, pois o Senhor havia determinado que Israel apresentasse seus sacrifícios no lugar escolhido por Ele (Dt 12.5- 14). Naquele período, o santuário de Israel estava em Siló (Jz 18.31). Entre os objetos presentes no santuário estavam um éfode e os terafins. O éfode pertencia ao contexto do serviço sacerdotal e também aparece relacionado, em algumas passagens, à consulta da vontade de Deus. Não há consenso sobre o que exatamente Mica fabricou, pois o termo pode indicar uma veste sacerdotal ou algum objeto utilizado no culto. Os terafins, por sua vez, eram imagens pagãs de uso doméstico associado a práticas religiosas e também podiam ser usadas na tentativa de obter respostas sobre o futuro. A finalidade desses objetos nos ajuda a compreender por que, mais adiante, os danitas pedem ao sacerdote de Mica: “Consulte a Deus, para que saibamos se prosperará o caminho que levamos” (Jz 18.5). 

  Nem tudo naquele santuário era, em sua origem, pagão. O éfode possuía lugar legítimo no culto de Israel, mas Mica o fabricou e utilizou fora daquilo que Deus havia estabelecido. Ao mesmo tempo, acrescentou os terafins e manteve a imagem feita com a prata. Logo, o que chamamos de sincretismo religioso se caracteriza por essa mistura: elementos ligados ao culto do Senhor foram retirados de seu lugar apropriado e reunidos com práticas idólatras.
  A escolha de um de seus filhos como sacerdote completou essa estrutura. A expressão traduzida como “consagrou” significa literalmente “encheu a mão” e era empregada para a ordenação sacerdotal. Mica, contudo, não tinha autoridade para realizar tal consagração nem para escolher quem exerceria o sacerdócio. Deus havia separado Arão e seus descendentes para essa função e estabelecido responsabilidades específicas para os levitas (Êx 28.1; Nm 3.5-10). Desta forma, Mica não apenas criou seu próprio santuário e seus objetos de culto, mas também escolheu seu próprio sacerdote.
  A avaliação do narrador vem logo em seguida: “cada um fazia o que achava mais certo” (Jz 17.6). A frase não elogia pessoas sinceras tentando fazer o melhor que podiam; ela descreve uma sociedade em que cada um havia transformado o próprio julgamento em critério para decidir o que era certo. Mica exemplifica exatamente essa condição. Em vez de submeter seu culto ao que Deus havia estabelecido, fez aquilo que parecia correto aos seus próprios olhos. A referência à ausência de um rei também precisa ser compreendida com cuidado. O restante da história de Israel mostrará que a existência de uma monarquia não resolveria o problema, pois reis como Jeroboão e Manassés também conduziriam o povo à idolatria. A crise era mais profunda: Israel havia rejeitado o governo de Deus expresso em sua aliança e em sua Palavra. Sem essa submissão, cada pessoa se tornava sua própria referência para decidir como viver e como adorar.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Por que Mica devolveu o dinheiro roubado?
2. Qual foi a reação da mãe ao receber o dinheiro de volta?
3. O que havia na “casa de deuses” de Mica?
4. O que significa sincretismo religioso?

2. QUANDO O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO SE DISTORCE
Pergunta chave: Como a vocação pode ser distorcida por interesses financeiros?
Ideia central do ponto: O levita deveria servir conforme a vontade de Deus, mas aceitou a proposta de Mica movido pelo que receberia em troca. A vocação é corrompida quando os interesses pessoais passam a dirigir as escolhas ministeriais.
2.1 O levita sem direção.
Verdade central: O jovem levita procurava um lugar onde pudesse se estabelecer e aceitou servir no santuário particular de Mica. Sua decisão mostra até que ponto já havia chegado a decadência espiritual no período dos Juízes.
Para refletir: Antes de aceitar uma oportunidade, avalie se ela honra a Deus ou apenas atende a uma necessidade imediata.
A LIÇÃO DIZ: A degeneração espiritual de Israel estava também entre aqueles consagrados ao serviço religioso. Um jovem levita que peregrinava em Belém de Judá veio parar na montanha de Efraim, na casa de Mica e sua família (Jz 17.7-11). Ao saber que se tratava de um levita, Mica lhe faz uma proposta para que seja por “pai”, no sentido de honra e estima, como um “guia espiritual”, e também sacerdote da casa. Por seus serviços lhe pagaria o salário de dez moedas de prata por ano, mais roupas e comida (v.10). Sem muito pensar, o rapaz aceitou a oferta, tornando-se o sacerdote particular da casa.
A Bíblia diz:
  Havia um jovem de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e estrangeiro naquele lugar. Esse homem partiu da cidade de Belém de Judá em busca de outro lugar para morar. E assim, seguindo o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, até a casa de Mica. E Mica lhe perguntou: — De onde você vem? Ele respondeu: — Sou levita de Belém de Judá e estou procurando um lugar para morar. Então Mica disse: — Fique comigo, como meu conselheiro e sacerdote. Eu lhe darei dez moedas de prata por ano, a roupa e o sustento. O levita entrou e consentiu em ficar com aquele homem. E o jovem era para ele como um de seus filhos. Mica consagrou o jovem levita, que passou a ser o seu sacerdote. E o jovem ficou na casa de Mica. Então Mica disse: — Agora sei que o Senhor me fará bem, porque tenho um levita como sacerdote (Jz 17.7-13, NAA).
  A crise espiritual que havia se instalado na casa de Mica alcança agora alguém que, por pertencer à tribo de Levi, deveria conhecer e preservar aquilo que Deus havia estabelecido para o culto de Israel. O novo personagem é um jovem levita que residia como estrangeiro em Belém de Judá. Embora morasse naquela região, sua origem era levítica, e Belém não fazia parte das cidades destinadas aos levitas em Josué 21.9-16, o que ajuda a compreender sua condição naquele lugar. Os levitas não receberam um território próprio como as demais tribos, porque foram separados para responsabilidades relacionadas ao serviço do Senhor. Cabia-lhes auxiliar no culto e ensinar ao povo a Lei de Deus (Nm 3.5-9; Dt 33.10). Por isso, seu sustento dependia das provisões estabelecidas na Lei e da fidelidade dos demais israelitas em cumpri-las. O narrador não explica por que aquele jovem decidiu deixar Belém. É possível que enfrentasse dificuldades para se manter, especialmente naquele período de decadência espiritual, mas o texto não permite afirmar qual foi a razão de sua partida. Ao chegar à casa de Mica, o levita encontrou um santuário particular, objetos de culto proibidos e um sacerdócio criado sem autorização divina. Por pertencer à tribo de Levi, ele deveria reconhecer que aquela estrutura contrariava a Lei e se recusar a participar dela. Entretanto, a possibilidade de encontrar moradia e sustento tornou a proposta de Mica atraente. O homem que deveria conhecer os limites estabelecidos por
Deus acabou aceitando servir justamente onde esses limites estavam sendo desrespeitados.
Esse episódio nos oferece, pelo menos, uma aplicação:
Buscar trabalho, moradia ou melhores condições de vida é legítimo, mas uma necessidade não torna correta qualquer oportunidade que apareça. Antes de aceitar uma proposta, precisamos considerar se ela pode ser recebida sem comprometer nossa obediência a Deus.
2.2 Contratando um sacerdote.
Verdade central: Mica ofereceu salário, roupas e sustento para ter o levita como sacerdote particular, e ele aceitou. O ministério, que deveria ser exercido segundo a vontade de Deus, tornou-se uma negociação entre o que Mica queria e o que o levita receberia.
Para refletir: Vigie suas motivações ao servir a Deus. Dinheiro, posição ou reconhecimento nunca devem pesar mais do que a fidelidade ao Senhor.
A LIÇÃO DIZ: O jovem levita esqueceu-se da sua vocação e transformou o ministério de sacerdote em conveniência financeira. Tornou-se um sacerdote contratado, dentro de uma relação religiosa de conveniência. Em troca de lucro, oferecia “cobertura espiritual” para a casa de Mica. Enquanto este, ao sustentarfinanceiramente um sacerdote, presumia que tinha a bênção de Deus (Jz 17.13). O Novo Testamento adverte quanto ao pecado da simonia: comprar ou vender benefícios espirituais (At 8.18-20). Até a chegada do jovem levita, um dos filhos de Mica exercia o sacerdócio naquele santuário. Quando soube que o viajante pertencia à tribo de Levi, Mica viu nele a oportunidade de dar maior legitimidade ao culto que havia organizado. Ter um levita como sacerdote tornaria seu santuário mais respeitável, embora as imagens, o lugar de culto e o próprio sacerdócio continuassem em desacordo com a Lei de Deus. 

  A proposta incluía uma posição dentro da família, o exercício do sacerdócio, dez moedas de prata por ano, roupas e sustento. Mica também convidou o jovem para ser seu “pai”, título de honra atribuído a alguém reconhecido como conselheiro. A NAA procura comunicar esse sentido ao traduzir a expressão como “meu conselheiro e sacerdote”. Há uma ironia na sequência do relato: convidado para ser “pai”, depois de aceitar a proposta o levita tornou-se para Mica “como um de seus filhos” (Jz 17.10,11).
A expectativa de Mica fica evidente em sua declaração: “Agora sei que o Senhor me fará bem, porque tenho um levita como sacerdote” (Jz 17.13). Ele imaginava que a presença de um levita lhe garantiria o favor de Deus, mesmo sem abandonar os ídolos. Em vez de adequar sua vida ao que Deus havia ordenado, Mica acrescentou ao santuário aquilo que julgava faltar para sentir-se aprovado. Ter o sacerdote certo, porém, não poderia tornar certo um culto que continuava errado. Nesse sentido, também precisamos ter cuidado com a ideia de “cobertura espiritual” quando ela é apresentada como se a ligação com determinado líder garantisse proteção, bênção ou uma posição privilegiada diante de Deus. A Bíblia ensina o cuidado pastoral, a responsabilidade dos líderes e o respeito daqueles que são conduzidos por eles (Hb 13.17; 1Pe 5.2,3), mas não atribui ao líder o papel de mediador da bênção divina. Cristo é o cabeça da Igreja e o único mediador entre Deus e os seres humanos (Cl 1.18; 1Tm 2.5).
A palavra “simonia” surgiu a partir de Simão, o mágico, que ofereceu dinheiro aos apóstolos para adquirir a autoridade de conceder o Espírito Santo pela imposição das mãos (At 8.18-20). Posteriormente, o termo passou a designar a compra ou venda de cargos, poderes ou benefícios espirituais. O acordo entre Mica e o levita não deve ser chamado de simonia em sentido estrito, pois o texto descreve a contratação e o sustento de um sacerdote. Existe, contudo, uma aproximação do conceito de simonia: Mica tratou aquilo que pertencia ao culto de Deus como algo que poderia contratar em benefício próprio. O episódio adverte tanto quem exerce o ministério quanto quem procura o auxílio de seus líderes.
Dinheiro, sustento, posição ou reconhecimento não podem levar um ministro a aceitar aquilo que ele deveria confrontar. Da mesma forma, nenhuma oferta, cargo ou proximidade com um líder pode compensar uma vida em desacordo com a Palavra.
2.3 A falsa espiritualidade hoje.
Verdade central: Mica queria garantir o favor de Deus sem se submeter ao que Ele havia ordenado. O mesmo erro se repete quando alguém transforma a fé em instrumento para obter dinheiro, prestígio ou influência.
Para refletir: Desconfie de qualquer mensagem que prometa benefícios sem exigir arrependimento, santidade e obediência.
A LIÇÃO DIZ: A cena bíblica retrata uma religião corrompida, que substitui a verdade por vantagens materiais, e transforma a fé em instrumento de busca por sucesso e prosperidade financeira. Nos tempos atuais, essa falsa espiritualidade se expressa por meio de modismos, sincretismo religioso e pragmatismo utilitário. A Palavra de Deus alerta contra tais práticas (1Tm 6.5,10; 2Pe 2.3). Ao escrever a Timóteo, Paulo advertiu sobre homens que consideravam “a piedade como fonte de lucro” (1Tm 6.5). Eles associavam a devoção aos benefícios materiais que poderiam obter, mas o apóstolo respondeu que “grande fonte de lucro é a piedade com contentamento” (v. 6), lembrando que nada trouxemos para este mundo e nada poderemos levar dele (vv. 7,8). A Bíblia não condena o trabalho, a aquisição honesta de bens ou a prosperidade financeira; condena o uso da fé como instrumento para o enriquecimento.

Os três desvios mencionados pela revista podem ser reconhecidos com facilidade.O modismo ocorre quando uma prática é aceita porque se tornou popular, e não porque possui fundamento bíblico.O sincretismo, como vimos anteriormente, mistura a fé cristã com crenças e rituais incompatíveis com as Escrituras. O pragmatismo utilitário considera correto tudo aquilo que produz o resultado desejado. Se atrai multidões, aumenta a arrecadação ou gera visibilidade, passa a ser defendido como aprovado por Deus. Entretanto, bons resultados não transformam o erro em verdade. O homem e a mulher que são autênticos servos de Deus não utilizam Cristo como instrumento para alcançar seus interesses pessoais, pois reconhecem que Ele é o próprio Senhor da vida. Antes de aceitar qualquer ensino, precisamos perguntar se ele respeita o contexto das Escrituras, se conduz a uma vida de fidelidade e se apresenta Cristo como Senhor ou somente como um meio para conseguir aquilo que desejamos.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. O que o levita estava buscando quando chegou à casa de Mica?
2. O que Mica ofereceu ao levita em troca de seus serviços?
3. Por que Mica achava que agora teria a bênção de Deus?
4. O que é simonia?

3. A CORRUPÇÃO DA FÉ E SUAS CONSEQUÊNCIAS DESTRUIDORAS
Pergunta chave: Como a corrupção da fé alcançou uma tribo inteira?
Ideia central do ponto: A tribo de Dã procurou resolver por conta própria o problema de sua herança. Depois de buscar orientação com um levita comprometido com o culto de Mica, roubou os ídolos, atacou Laís e fez da nova cidade um foco permanente de idolatria em Israel.
3.1 Uma tribo em busca de terra.
Verdade central: Dã já havia recebido sua herança, mas não tomou posse dela pela fé e pela obediência. Em vez de buscar o Senhor diante da dificuldade, a tribo procurou uma terra que parecesse mais fácil de conquistar.
Para refletir: Não abandone uma responsabilidade só porque outro caminho parece mais fácil. Nem toda oportunidade é sinal de que Deus está nos conduzindo por ela.
A LIÇÃO DIZ: Embora Josué já tivesse designado uma porção da terra para a tribo de Dã (Js 19.40- 48), eles não conseguiram tomar posse de sua herança (Jz 1.34). Em vez de reconhecerem seu fracasso e clamarem ao Senhor por auxílio, saíram em busca de outro território até chegarem à região de Efraim, mais especificamente à casa de Mica (Jz 18.1,2). Eles queriam herança, mas sem a direção de Deus. Eis mais uma marca da falsa religião!

A Bíblia diz:
  Naqueles dias, não havia rei em Israel, e a tribo dos danitas estava procurando um território para morar, porque, até aquele dia, não tinha recebido herança entre as tribos de Israel.Então os filhos de Dã enviaram cinco homens dentre todas as famílias da sua tribo, homens valentes, de Zorá e de Estaol, para espiar e explorar a terra. E lhes disseram: — Vão e explorem a terra. Chegaram à região montanhosa de Efraim, até a casa de Mica, e ali pernoitaram. Quando se aproximaram da casa de Mica, reconheceram a voz do jovem levita. Chegaram perto dele e lhe perguntaram: — Quem trouxe você para cá? O que você está fazendo aqui? E o que prende você a este lugar? Ele respondeu: — Assim e assim Mica fez comigo: ele me contratou, e eu me tornei o sacerdote dele. E eles lhe disseram: — Então, por favor, consulte a Deus, para que saibamos se o caminho que seguimos irá prosperar (Jz 18.1-5, NAA). Depois de mostrar a corrupção do culto na casa de Mica e a infidelidade do levita, o narrador passa a acompanhar a tribo de Dã. A expressão “naqueles dias, não havia rei em Israel” liga os dois capítulos e deixa claro que a decadência espiritual já ultrapassava os limites de uma família. Assim como Mica organizou o culto segundo seus próprios critérios, os danitas também passaram a decidir seus caminhos sem se submeter ao que Deus havia determinado.

  Apesar de não ser uma tribo grande (Nm 1.39), Dã recebeu um excelente território quando a terra foi dividida (Js 19.40-48). Os amorreus, porém, arredaram os filhos de Dã até às montanhas e não os deixaram descer ao vale (1.34). Dã não conseguiu tomar posse do território loteado para ela, pois os amorreus eram muito fortes. No cântico de Débora, Dã é descrita como uma tribo que se localizava perto do mar (5.17). Como os filisteus, povo oriundo da Grécia, no século 12 a.C., ocuparam a região costeira da Palestina, e como Gaza e Ascalom eram duas de suas cidades mais proeminentes à beira mar, os danitas devem ter encontrado emprego trabalhando nas embarcações filisteias. Artur Cundall sintetiza essa situação, assim: Os danitas tornaram-se incapazes de ocupar o território que lhes fora alocado (Js 19.41-46), devido à oposição dos amorreus e, depois, à pressão dos filisteus. Empurrados para as montanhas, ficaram confinados a uma área demasiadamente pequena, na região de Zorá e Estaol, onde se deram as façanhas de Sansão (13.2,25), em território que, de acordo com Josué 15:33 ficava também nas fronteiras de Judá. Warren Wiersbe, foi muito preciso quando escreveu: “Deus colocou cada tribo exatamente onde desejava que ficasse. Ao rejeitar o território que o Senhor havia separado para ela, a tribo de Dã estava opondo-se à vontade de Deus”.
3.2 Uma fé corrompida.
Verdade central: A decadência de Dã se aprofundou em três escolhas: ouvir um sacerdote que dizia o que queriam ouvir, acolher um levita movido por prestígio e unir a conquista de Laís ao culto idólatra.
Para refletir: Você busca a vontade de Deus ou busca quem confirme o que já decidiu fazer?
A LIÇÃO DIZ: Na sequência do relato (Jz 18.3-31), observamos as diversas expressões de uma fé deturpada, que se afasta da vontade de Deus e acaba gerando consequências devastadoras tanto para indivíduos quanto para toda a comunidade: Um sacerdote que fala o que querem ouvir (vv.3-6);Ídolos roubados (vv.7-26);Violência e institucionalização da idolatria (vv.27-31).Ampliando as informações do comentarista da lição destacamos que Warren Wiersbe elenca cinco pecados da tribo de Dã, no texto em apreço: cobiça (18.1,2), conselho pecaminoso (18.3-6), roubo e intimidação (18.14-26), violência e homicídio (18.7-13,27-29) e idolatria (18.30,31). A corrupção da fé dos danitas tornou-se evidente quando os espias procuraram o levita de Mica para consultar a Deus. A expedição já estava em andamento e o caminho havia sido escolhido; portanto, eles não desejavam submeter seus planos à vontade divina, mas obter a garantia de que seriam bem-sucedidos. Sem que o narrador registre qualquer consulta ao Senhor, o levita respondeu: “Vão em paz. O caminho de vocês está sob as vistas do Senhor” (Jz 18.6). Ao apresentar aquelas palavras como uma resposta favorável, o sacerdote falou falsamente, pois Deus jamais aprovaria a incredulidade e a infidelidade de uma tribo que havia desprezado sua herança e decidido agir segundo os próprios critérios. O levita disse o que os danitas queriam ouvir e atribuiu aprovação divina a uma decisão pecaminosa. 

  Essa corrupção se agravou quando os seiscentos homens passaram pela casa de Mica e os cinco espias roubaram a imagem, a estola sacerdotal e os ídolos do lar. O levita protestou até receber a proposta de servir a uma tribo inteira. Seu coração ficou contente, ele mesmo recolheu os objetos religiosos e acompanhou os danitas (Jz 18.19,20). O sacerdote que deveria confrontar a idolatria tornou-se responsável por transportá-la e ampliá-la. Assim, o falso culto que pertencia a uma família passou a ser adotado por uma tribo.

A corrupção da fé do povo de Israel chegou à sua expressão mais grave depois da conquista de Laís. Os danitas reconstruíram a cidade, deram-lhe o nome de Dã e estabeleceram nela a imagem roubada. No encerramento da narrativa, o levita é identificado como Jônatas, descendente de Moisés, o que demonstra até onde havia chegado a decadência espiritual de Israel. Timothy Keller diz que esse fato é uma prova de que Deus não tem netos. Cada ser humano tem de ter um encontro pessoal com Deus. Ninguém se torna parente de Deus a partir da árvore genealógica; nenhuma tribo, ou denominação religiosa, ou igreja local está ligada a Deus por um ancestral. O fato de os danitas terem alcançado seus objetivos não comprova que Deus aprovou suas decisões. Eles conquistaram a cidade, conservaram o sacerdote e estabeleceram seu culto, mas fizeram tudo isso em desobediência ao Senhor.
Esse episódio nos oferece duas aplicações.
• Ao buscar aconselhamento, precisamos estar dispostos a ouvir uma resposta que contrarie nossos desejos. Quem procura somente pessoas que confirmem suas decisões não deseja conhecer a vontade de Deus, mas revestir seus planos de aprovação religiosa.
• Quem ministra a Palavra não pode usar o nome de Deus para legitimar aquilo que as Escrituras condenam. O desejo de agradar às pessoas levou o levita a oferecer uma falsa garantia aos danitas e a participar da expansão da idolatria.

Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. Por que a tribo de Dã estava procurando outra terra?
2. O que o levita respondeu quando os danitas perguntaram sobre o caminho?
3. O que os danitas fizeram com os ídolos de Mica?
4. O que aconteceu com a cidade de Laís?

CONCLUSÃO
A história de Mica, do jovem levita e da tribo de Dã mostra como uma crise espiritual ganha proporções quando a Palavra de Deus deixa de determinar nossas escolhas. O erro praticado dentro de uma família alcançou um levita e, depois, foi incorporado por uma tribo inteira. O nome do Senhor continuava sendo pronunciado, mas cada um passou a servi-lo segundo aquilo que parecia certo aos próprios olhos. Que esta lição nos leve a rejeitar toda forma de falsa religiosidade, submeter nossos desejos às Escrituras e permanecer fiéis ao Senhor. Deus abençoe todos os professores. Esperamos vocês na próxima aula, em nome de Jesus. Amém.

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Comitê Gestor da Internet apresenta 46 diretrizes para a regulação das redes sociais no Brasil

O Comitê Gestor da Internet no Brasil apresentou nesta quinta-feira (17) um guia para a regulação das redes sociais no país. São sugestões de regras para preservar a liberdade de expressão com transparência e segurança.

O livreto traz o trabalho de um ano. O consenso de diversos setores da sociedade brasileira, dividido em 46 diretrizes, sobre como as redes sociais deveriam funcionar no Brasil para serem mais seguras e transparentes.

“Para estar mais aderente a princípios que a gente considera que preservam o direito da sociedade brasileira, o nosso desenvolvimento econômico, os direitos humanos, protegem a liberdade de expressão, a privacidade, portanto, transformando a internet em um lugar um pouco mais confiável e seguro”, diz Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

O documento é do Comitê Gestor da Internet, formado por representantes do governo, setor privado, organizações sem fins lucrativos, comunidade científica e tecnológica. Especialistas que concordam que a gente precisa saber mais sobre como as redes operam.

“Porque a gente não sabe o que está acontecendo. E, se a vida é cada vez mais digital, se o mercado passa cada vez mais por essas plataformas, se, por exemplo, as campanhas eleitorais, a forma de os governos se comunicarem com a população e as instituições em geral passam por essas plataformas, quem define quem tem a liberdade de expressão são elas, porque essas empresas moderam o conteúdo do jeito que querem”, afirma Marie Santini, diretora e fundadora do NetLab UFRJ.

E é preciso transparência para evitar a desinformação.

“Ou seja, eu preciso fazer com que as pessoas sejam capazes de verificar a origem, a fonte, se a informação é íntegra, se ela não foi manipulada”, diz Márcio Borges, pesquisador do NetLab- UFRJ.

O Brasil já deu um passo importante na defesa de quem está mais exposto no ambiente virtual. Exatamente seis meses atrás, entrava em vigor o ECA Digital, com as regras para proteger as crianças e os adolescentes na internet. Mas os especialistas afirmam que, sem transparência das redes, fica muito difícil fiscalizar a implementação. 

“O ECA Digital veda, inclusive, você fazer o perfilamento, que é você selecionar conteúdos com fins comerciais para crianças e adolescentes, por exemplo. Isso está na lei. Agora isso precisa ser implementado, fiscalizado e punido. E para saber se está implementado com o do devido rigor, a gente precisa de transparência”, afirma Rodrigo Nejm, especialista em educação digital do Instituto Alana.

As diretrizes publicadas nesta quinta-feira (17) não têm força de lei. Foram criadas para servir de guia na construção de redes sociais melhores para os brasileiros.

“A gente ainda precisa de um marco legal aprovado pelo Congresso Nacional, que represente o denominador comum da visão dos diferentes segmentos da sociedade brasileira, em como a gente gostaria que essas empresas prestassem seus serviços, respeitando a Constituição brasileira, respeitando a integridade da informação, protegendo os direitos humanos”, opina Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

g1

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Europa quer proibir uso de plataformas digitais por menores de 13 anos

 A Europa cobra responsabilidade das empresas de tecnologia: tanto nas redes sociais, quanto na inteligência artificial.

 A Europa quer redesenhar a fronteira entre crianças e o mundo digital. E a proposta é rede social só a partir dos 13 anos. Conta pessoal, só aos 15. Entre 13 e 15 anos, apenas contas supervisionadas pelos pais ou responsáveis, com recursos limitados e uso máximo de uma hora por dia. O projeto ainda terá de passar pelo Parlamento europeu e pelos governos do bloco, e chega em um momento em que aumenta a preocupação a tecnologia da inteligência artificial. Na Escócia, o Rei Charles III reuniu alguns dos nomes mais fortes do setor. Charles falou do potencial para transformar a medicina e salvar vidas. Mas também fez um alerta. Disse que a inteligência artificial pode trazer “perigos existenciais” se cair nas mãos erradas e questionou se os controles existentes serão suficientes antes que seja tarde demais. Em Estrasburgo, a resposta é criar regras. Na Escócia, discutir princípios. São caminhos diferentes diante da mesma questão: quanto mais poderosa se torna a tecnologia, maior é a pressão para que quem a desenvolve responda também pelos riscos.

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PF faz operação contra importação ilegal de eletrônicos no Rio

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (17), a Operação Conexão Paralela para investigar um grupo suspeito de trazer eletrônicos ilegalmente para o Brasil e comercializar os produtos sem o recolhimento dos impostos. Ao todo, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em Maricá, na Região Metropolitana. Na capital, as ações ocorrem na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Copacabana, Bangu e Guaratiba. Segundo a PF, a investigação começou após uma denúncia encaminhada pelo ComunicaPF, canal da corporação para o recebimento de informações sobre possíveis crimes de atribuição federal. As apurações apontam que o principal operador do esquema seria um policial militar. Ele atuaria com outros investigados na entrada clandestina de aparelhos eletrônicos, principalmente smartphones, no país. De acordo com a investigação, dezenas de milhares de dispositivos teriam sido introduzidos no Brasil nos últimos cinco anos. A movimentação financeira atribuída ao grupo é estimada em cerca de R$ 60 milhões no período. Durante as buscas, os agentes apreenderam celulares e peças em um escritório localizado na Barra da Tijuca. Também foram realizadas diligências na residência do principal alvo, no Recreio dos Bandeirantes. Os investigados poderão responder pelos crimes de descaminho e associação criminosa. A PF informou que outros delitos podem ser identificados durante o avanço das investigações.

cnnbrasil.

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Pessoa que estava em casa vizinha a Milton Leite diz à polícia que dinheiro apreendido em malas é do ex-vereador

Ex-vereador se apresentou à polícia na tarde desta sexta; polícia apreendeu R$ 280 mil e US$ 89 mil em malas e encontrou uma ‘passagem secreta’ em imóveis ligados a ele. Valores são investigados.

Uma pessoa que estava em uma casa vizinha a um dos imóveis ligados ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) disse nesta sexta-feira (18) à polícia que o dinheiro apreendido em malas durante os desdobramentos da Operação Vectura Corrupta pertence ao político.

Agora, a polícia investiga a origem do dinheiro, e o relato vai ser formalizado em depoimento.

Durante as buscas, os policiais apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil em dinheiro vivo, que estavam guardados dentro de malas. A quantia em dólares equivale a cerca de R$ 457 mil na cotação considerada pelas autoridades. Somados, os valores representam aproximadamente R$ 737 mil em espécie.

Segundo os investigadores, o fato de o dinheiro estar dentro de malas é um dos elementos que chamou a atenção da polícia e pode indicar que os valores estavam preparados para serem transportados. Essa é uma hipótese da investigação, a finalidade do dinheiro também precisa ser esclarecida.

Polícia encontra dinheiro em imóveis ligados a Milton Leite. — Foto: Reprodução

Polícia encontra dinheiro em imóveis ligados a Milton Leite. — Foto: Reprodução

A apreensão ocorreu durante buscas em Sorocaba, no interior de São Paulo, em imóveis ligados a Milton Leite. O ex-vereador se apresentou à polícia nesta sexta-feira (18).A Operação Vectura Corrupta investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo.

‘Passagem secreta’

Milton Leite é considerado foragido da Justiça. — Foto: Reprodução

Milton Leite é considerado foragido da Justiça. — Foto: Reprodução

Durante as buscas, os agentes também encontraram uma espécie de “passagem secreta” ligando dois imóveis. Segundo a investigação, uma das casas estaria ligada a um assessor de Milton Leite e a outra pertenceria ao próprio ex-vereador. A polícia suspeitava que Milton pudesse estar escondido em um dos endereços, mas ele não foi encontrado. A passagem entre os imóveis passou a ser analisada pelos investigadores como um possível indício de que o político poderia ter circulado ou permanecido no local antes da chegada das equipes.

Os policiais também encontraram documentos durante as buscas.

‘Dono de fato’ da Transwolff

Computadores e dinheiro são apreendidos em imóvel ligado a Milton Leite no interior de São Paulo. — Foto: Eliezer dos Santos/TV Globo

Computadores e dinheiro são apreendidos em imóvel ligado a Milton Leite no interior de São Paulo. — Foto: Eliezer dos Santos/TV Globo

A investigação apura a relação de Milton com empresas do setor de transporte e suspeitas de ligação com integrantes do PCC. A decisão judicial que autorizou a prisão temporária também menciona declarações de policiais militares segundo as quais ele seria o “dono de fato” da Transwolff.

Milton nega envolvimento com o PCC e também nega ser proprietário ou gestor da empresa.

Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo que operam na capital paulista teriam algum tipo de controle direto ou indireto de integrantes ligados à facção. Essa é uma conclusão da investigação e ainda está sujeita à apuração judicial.

Foragidos na operação contra o PCC no transporte público de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Foragidos na operação contra o PCC no transporte público de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

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Plataformas para crianças devem publicar relatório de transparência até esta quinta

Transcrição
  Plataformas digitais acessadas por crianças e adolescentes com mais de 1 milhão de usuários menores de 18 anos precisam publicar o primeiro relatório semestral de transparência previsto no ECA Digital. A obrigação vale para provedores de aplicações de internet voltados a menores de idade ou com acesso provável por esse público.  A Agência Nacional de Proteção de Dados esclareceu que o prazo deve considerar a data em que a lei completa um ano.  O Relatório inicial deve cobrir o primeiro semestre de 2026, com uma exceção para quem não tem dados consolidados no começo do ano. O documento precisa detalhar como a plataforma protege crianças e adolescentes e como lida com riscos e denúncias. O ECA Digital lista informações mínimas que devem constar no relatório semestral de transparência. Entre os itens exigidos estão dados sobre denúncias, moderação e medidas de prevenção a ilícitos O autor da proposta do ECA Digital foi o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe. Ele destaca a importância e o ineditismo da legislação. Nós estamos regulando parcialmente a atividade das empresas mais poderosas da história do capitalismo. Essa é a primeira lei das Américas nessa matéria. As empresas serão obrigadas a, por padrão, organizar seus aplicativos, seus produtos, seus serviços na forma mais protetiva para a criança e adolescente. Esse é um projeto, essa é uma legislação voltada para a proteção da criança e adolescente.” A publicação dos relatórios de transparência integra o conjunto de obrigações do ECA Digital voltadas a dar mais transparência e segurança ao ambiente digital utilizado por crianças e adolescentes. Mais informações sobre a Lei e sobre as demais obrigações previstas podem ser consultadas em gov.br/anpd. Da Rádio Senado, Pedro Pincer

senado.leg.br

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Antes do Bolsa Família, eu vi crianças sem infância

  Do homem que Manuel Bandeira viu catando comida no lixo

às crianças que encontrei trabalhando em fornos de carvão,

a história de um Brasil que mudou — e por que o Bolsa Família

não pode ser compreendido apenas pela disputa eleitoral de 2026.

  O reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a poucas semanas da eleição, produziu a reação previsível de seus adversários. Candidatos da oposição o classificaram como eleitoreiro, e houve questionamentos sobre sua legalidade. A proximidade das urnas torna legítimo discutir politicamente o momento escolhido pelo governo. Mas há duas questões diferentes aqui. Uma é jurídica. Outra, muito mais importante, é saber o que o Bolsa Família significou para o Brasil.

Comecemos pela lei.

O artigo 73, parágrafo 10, da Lei nº 9.504, a Lei das Eleições, proíbe, no ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública. Mas o próprio dispositivo estabelece exceções. Entre elas estão os “programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior”.

É precisamente nessa exceção que se enquadra o argumento jurídico em defesa do reajuste do Bolsa Família: trata-se de um programa permanente, instituído por lei e em execução orçamentária muito antes de 2026. Eventuais questionamentos sobre o caso concreto, evidentemente, cabem à Justiça Eleitoral. O reajuste anunciado em setembro é de 15,04%, correspondente à inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023. O piso por família sobe de R$ 600 para R$ 691. Os novos valores começam a ser pagos em outubro.

Esses são os números. Mas números não explicam inteiramente o que está em discussão.

Para compreender o Bolsa Família, é preciso lembrar de que Brasil estamos falando.

Em 1947, Manuel Bandeira escreveu um dos poemas mais dolorosos da literatura brasileira. Chamava-se “O Bicho”:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Em dez versos curtos, Bandeira retratou um país no qual a fome podia retirar de um ser humano até aquilo que, aos olhos dos outros, o distinguia de um animal. O choque do poema está justamente na última palavra: homem.

Quase meio século depois, aquele Brasil ainda existia.

Eu o vi.

Em 1995, percorri diferentes regiões do país para uma reportagem sobre trabalho infantil publicada pela revista Veja, “O Suor dos Pequenos”. Havia pelo menos 3 milhões de crianças às quais, na prática, era negado o direito à infância.

Elas não brincavam. Muitas mal estudavam. Trabalhavam.

Vi isso de perto.

Em Mato Grosso do Sul, conheci um viúvo já idoso que trabalhava em fornos de carvão alimentados com madeira. Ele tinha três filhas. Uma delas tinha apenas sete anos.

As três meninas trabalhavam junto com o pai.

Não porque alguém naquela família acreditasse que criança deveria trabalhar. Trabalhavam porque a remuneração dependia da quantidade de carvão de eucalipto produzido e porque, sem o trabalho delas, entraria ainda menos dinheiro em casa.

E, mesmo trabalhando todos, passavam fome.

Quando terminei a entrevista, fiz uma coisa que um repórter não deve fazer. Sem que aquele homem percebesse, tirei R$ 100 da carteira e deixei o dinheiro sobre um móvel. Corrigidos para valores de hoje, seriam algo em torno de R$ 570.

Não queria que ele soubesse que tinha sido eu. Repórter não paga por entrevista — e eu não estava pagando pela entrevista. Queria apenas que ele encontrasse aquele dinheiro depois. Talvez pensasse que tivesse esquecido que o possuía. Talvez uma das meninas o encontrasse. Talvez imaginassem que tivesse sido um acaso, uma sorte inesperada, quem sabe até um pequeno milagre.

Passaram-se mais de 30 anos, mas nunca esqueci aquela família.

Nem deixei de pensar que, entre o homem que Manuel Bandeira viu catando comida entre os detritos em 1947 e aquelas três meninas que encontrei trabalhando em fornos de carvão quase cinquenta anos depois, havia uma linha terrível de continuidade.

Era o Brasil da fome.

É preciso lembrar desse Brasil para compreender o significado histórico das políticas de transferência de renda.

O Bolsa Escola federal foi criado no governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, como um programa nacional de renda mínima vinculada à educação. A ideia era simples e poderosa: transferir dinheiro às famílias pobres e, em contrapartida, manter as crianças na escola, reduzindo a pressão para que trabalhassem. O benefício era de R$ 15 por criança, limitado a três crianças por família.

Em 2003, já no governo Lula, nasceu o Bolsa Família. Ele reuniu programas que existiam separadamente — entre eles Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás — numa política nacional unificada de transferência de renda.

Nos governos Lula e Dilma Rousseff, o programa ganhou escala e se transformou em uma das principais peças da rede brasileira de proteção social.

É importante reconhecer essa história inteira. Políticas públicas raramente nascem de uma única pessoa ou de um único governo. O Bolsa Família tem antecedentes. 

Houve experiências municipais de renda mínima e Bolsa Escola, como as de Anthony Garotinho quando prefeito de Campos de Goytacazes e de José Roberto Magalhães Teixeira, então prefeito de Campinas. Houve uma experiência de dimensão maior, a de Cristovam Buarque, no Distrito Federal.

Houve também o programa federal de Fernando Henrique Cardoso. Houve a unificação e a expansão promovidas a partir do primeiro governo Lula. Houve sua continuidade, mudanças de desenho e novas ampliações nos governos seguintes.

Mas também é um fato que o combate à fome ocupa um lugar antigo na trajetória política de Lula, muito anterior à sua chegada ao Palácio do Planalto.

Na biografia de Lula escrita por Fernando Morais, há relatos impressionantes do que ele encontrou ao percorrer o Brasil na primeira Caravana da Cidadania, em 1993, dez anos antes de assumir a Presidência.

A fome não aparecia como uma abstração estatística. Estava diante dele.

Havia gente revirando lixo à procura de comida. Houve uma mulher que desmaiou de fome. E outra que passou mal depois de comer palma, vegetação usada na alimentação do gado.

Lula perguntou se ela estava doente, se estava se sentindo mal.

Ela respondeu:

“Não, seu Lula, não estou doente. Estou com fome. Isso que eu vomitei é palma que comi hoje cedo, para forrar o estômago.”

É difícil encontrar uma definição mais brutal da fome.

Aquela mulher, as meninas dos fornos de carvão e o homem de Manuel Bandeira pertenciam a épocas diferentes. Mas pertenciam ao mesmo Brasil.

Um Brasil que mudou.

O Bolsa Família não acabou com a pobreza. Não acabou com a desigualdade. E, obviamente, não eliminou a fome para sempre. Nenhuma política pública tem esse poder isoladamente.

Mas cenas como aquelas deixaram de fazer parte da rotina brasileira na escala em que ocorriam.

O país, contudo, voltou a assistir a imagens semelhantes décadas depois. Durante o governo Bolsonaro, apareceram filas de brasileiros em busca de ossos e restos de carne. Em Cuiabá, em 2021, pessoas chegaram a dormir na rua para conseguir lugar numa fila de distribuição de ossos.

O Brasil também voltou ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO. Em 2025, a organização anunciou que o país havia novamente saído dele: no triênio 2022-2024, a proporção média da população em situação de subalimentação ficou abaixo do limite de 2,5% utilizado pela instituição.

O mercado de trabalho é outra parte indispensável dessa história. Transferência de renda e emprego não são políticas contraditórias. São complementares.

O Bolsa Família não foi concebido para substituir o trabalho. Para milhões de brasileiros, ele complementa uma renda que, mesmo quando existe emprego, pode ser insuficiente para pagar alimentação, aluguel, gás, transporte e as despesas dos filhos.

É nesse contexto que precisam ser entendidos os R$ 600 que agora passarão a ter um piso de R$ 691.

Para quem observa o programa exclusivamente da perspectiva da disputa eleitoral, R$ 691 podem parecer apenas mais uma peça no tabuleiro político.

Para quem conheceu o Brasil das crianças nos fornos de carvão, esse dinheiro tem outro significado.

Pode significar uma criança que não precisa acompanhar o pai ao forno.

Uma menina que pode ir à escola em vez de ajudar a produzir carvão.

Uma família que não precisa escolher quem comerá melhor naquele dia.

O combate à fome não apareceu na agenda de Lula em setembro de 2026.

É um tema presente em sua trajetória política há décadas, antes de sua primeira eleição para a Presidência. E o Bolsa Família não nasceu nesta eleição. É resultado de uma construção institucional iniciada antes de Lula, unificada e ampliada a partir de 2003 e mantida, com diferentes nomes, desenhos e valores, por governos posteriores.

Por isso, qualquer discussão sobre eventual finalidade eleitoral do reajuste precisa conviver com outro dado histórico: a prioridade conferida por Lula ao combate à fome é muito anterior à eleição de 2026.

Eu vi o Brasil antes do Bolsa Família.

Vi uma menina de sete anos trabalhando num forno de carvão porque sua família precisava do trabalho de uma criança para tentar comer.

Manuel Bandeira, quase cinquenta anos antes, tinha visto um homem procurando comida no lixo.

“Meu Deus”, escreveu ele, “era um homem”.

É uma frase que o Brasil levou décadas para começar a deixar para trás.

Talvez uma das melhores maneiras de medir o que o país mudou seja justamente esta: cenas que durante tanto tempo fizeram parte da paisagem brasileira passaram a nos parecer intoleráveis.

E talvez seja essa a dimensão que não deveria desaparecer quando o Bolsa Família volta a ser discutido apenas como uma questão eleitoral.

Antes de ser um número numa pesquisa, uma despesa no Orçamento ou um argumento numa campanha, há uma pergunta muito mais antiga.

É a pergunta que atravessa o poema de Bandeira, a menina que encontrei no forno de carvão e a mulher que Lula encontrou comendo palma para enganar o estômago:

O que uma sociedade está disposta a fazer para que ninguém precise passar fome?

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Governo estuda comprar e perdoar dívidas antigas com descontos de até 97%

  247 – O governo federal avalia criar uma nova etapa do Desenrola Brasil baseada na compra de dívidas antigas de famílias, sobretudo débitos contraídos durante a pandemia de Covid-19. A proposta em discussão prevê que os credores ofereçam descontos elevados, que podem chegar a 97%, e admite a possibilidade de cancelamento definitivo dos valores após a aquisição pelo poder público.As informações foram publicadas neste sábado (19) pelo jornal O Globo, que também revelou dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO) indicando inadimplência em cerca de 30% das operações parceladas realizadas na mais recente versão do Desenrola.Segundo os dados obtidos pelo jornal, 5,54 milhões de dívidas foram renegociadas desde o lançamento dessa etapa do programa, em maio. Desse total, 2,25 milhões deram origem a novos empréstimos, enquanto as demais foram quitadas à vista após os descontos.

 Entre as operações renegociadas, 30,34% aparecem como inadimplentes neste mês. Considerando o saldo ainda existente na carteira, R$ 1,25 bilhão de um total de R$ 3,3 bilhões deixou de ser pago, proporção equivalente a 37,4%.

O Ministério da Fazenda informou ao Globo que nenhuma operação foi, até agora, coberta pelo FGO. A pasta afirmou também que está verificando os números com as instituições financeiras participantes porque parte dos registros classificados como inadimplentes pode corresponder a operações posteriormente canceladas. Isso ocorre quando o consumidor fecha a renegociação, mas não paga nem mesmo a primeira parcela. Nesses casos, o novo contrato é desfeito e a dívida original volta a existir.

Governo avalia mudar o modelo

A taxa de atraso reforçou a discussão dentro da equipe econômica sobre uma alternativa que não obrigue as famílias a assumir um novo financiamento para resolver débitos antigos.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao Extra nesta semana que pretende apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma nova iniciativa para enfrentar o elevado estoque de dívidas das famílias sem depender de sucessivas renegociações. Pelo desenho atualmente analisado, o governo promoveria uma espécie de leilão entre os credores para adquirir débitos com elevado deságio. O foco estaria em dívidas de baixo valor, contraídas entre dois e cinco anos atrás e consideradas de difícil recuperação pelos bancos e demais credores.

Grande parte desse estoque teria origem no período da pandemia.

Em alguns dos cenários analisados pela equipe econômica, os descontos para a compra desses débitos ficariam entre 95% e 97%. Com um deságio dessa magnitude, técnicos avaliam que seria possível, na hipótese mais favorável considerada pelo governo, cortar pela metade tanto o estoque de dívidas quanto o número de inadimplentes, segundo O Globo.

Cancelamento das dívidas é opção preferida

Uma das possibilidades seria o Tesouro comprar os créditos e assumir a posição de credor, registrando os valores como ativos a receber.

O desenho considerado mais atraente na discussão técnica, porém, seria adquirir as dívidas com grande desconto e cancelá-las imediatamente. Nesse caso, o consumidor deixaria de ter qualquer valor pendente referente àquele débito. A operação teria impacto nas despesas primárias do governo e dependeria, portanto, de espaço no Orçamento. Durigan tem defendido que a solução consiga reduzir significativamente o estoque de dívidas antigas sem provocar uma despesa elevada para os cofres públicos.

Regra eleitoral está sob análise

Outro ponto ainda não resolvido é a possibilidade de lançar a iniciativa durante o período eleitoral de 2026.

O governo analisa juridicamente se a medida poderia esbarrar nas restrições previstas pela legislação eleitoral para a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública em ano de eleição. Uma das interpretações discutidas no governo é que não haveria impedimento porque o Desenrola já está em funcionamento neste ano. A nova proposta, entretanto, apresenta uma diferença relevante: em vez de simplesmente facilitar a renegociação entre consumidor e credor, o Estado poderia passar a comprar diretamente os débitos, eventualmente por meio de uma empresa estatal.

Ainda não há decisão definitiva sobre o formato nem sobre o calendário.

Caso a avaliação jurídica seja favorável, o governo ainda precisará decidir se coloca a iniciativa em prática antes ou depois do primeiro turno das eleições. Se os pareceres concluírem pela impossibilidade de implementação neste ano, a proposta poderá ficar para um eventual próximo mandato.

Desenrola renegociou R$ 28,37 bilhões

A versão mais recente do Desenrola renegociou R$ 28,37 bilhões em dívidas de famílias brasileiras entre 5 de maio e 31 de agosto, segundo números do Ministério da Fazenda mencionados pela reportagem.

Após a aplicação dos descontos, o valor efetivamente devido caiu para R$ 5,71 bilhões. O cálculo reúne tanto os débitos pagos à vista quanto aqueles transformados em novos contratos de crédito. Podiam participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalentes a R$ 8.105, e que tivessem parcelas vencidas havia entre 90 dias e dois anos em modalidades como cheque especial, crédito pessoal sem garantia e cartão de crédito.

Somente dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 foram incluídas.

Os abatimentos variaram conforme a modalidade e o tempo de atraso. No cheque especial e no rotativo do cartão, chegaram a variar de 40% a 90%. No crédito direto ao consumidor e no parcelamento do cartão, ficaram entre 30% e 80%.

Depois do desconto, o saldo poderia ser pago à vista ou dividido em até 48 meses, com juros limitados a 1,99% ao mês.

Na primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, foram renegociados R$ 53,07 bilhões em débitos de aproximadamente 15 milhões de pessoas. Desse montante, R$ 25,57 bilhões estavam relacionados ao público com renda de até dois salários mínimos e contavam com garantia do FGO.

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Abin alerta Lula e TSE para risco crítico de interferência dos EUA nas eleições

  Relatório enviado ao governo Lula e ao TSE aponta escalada da atuação de Washington e tentativa de influenciar o ambiente político brasileiro

247 – A  Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como de nível “crítico” o risco representado pela escalada da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil no contexto das eleições de 2026. O diagnóstico consta de um relatório confidencial encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.

As informações foram reveladas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo o documento, a inteligência brasileira identifica uma “escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”, dentro de um padrão mais amplo de influência de Washington sobre a região.

O relatório associa o movimento à política externa do segundo governo de Donald Trump, voltada à reafirmação da influência dos Estados Unidos na América Latina. Nesse contexto, Washington buscaria limitar o avanço de potências concorrentes, especialmente a China, sobre ativos estratégicos, infraestrutura e relações econômicas na região.

Brasil é apontado como alvo prioritário

Na avaliação apresentada pela Abin, o Brasil ganha importância especial nessa disputa por reunir capacidade econômica e política para manter maior autonomia internacional diante das demandas norte-americanas. A leitura do órgão de inteligência é que a resistência brasileira a um realinhamento automático com Washington contribuiu para uma sequência de medidas econômicas, comerciais e diplomáticas contra o país.

O governo Trump já adotou sobretaxas sobre produtos brasileiros, medidas diplomáticas restritivas e sanções contra determinados alvos. Em agosto, durante uma conversa telefônica com Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para parte das medidas comerciais eram infundadas. A ligação também incluiu uma defesa, por Lula, do sistema eleitoral brasileiro. Apesar de momentos recentes de distensão entre os dois presidentes, a avaliação registrada pela Abin é de que a pressão sobre o Brasil não foi interrompida.

Eleição entra no centro das preocupações

Um dos pontos mais sensíveis do relatório é a identificação de iniciativas norte-americanas relacionadas diretamente ao ambiente eleitoral brasileiro. A Casa Branca chegou a propor uma declaração conjunta que buscava comprometer o Brasil com a não imposição de restrições à participação de chamados “dissidentes políticos” nas eleições. Segundo a avaliação relatada pela inteligência brasileira, a iniciativa ultrapassaria o terreno diplomático e alcançaria questões submetidas às instituições brasileiras.

Lula rejeitou a proposta e classificou o documento como “arquivo morto”.

A preocupação com uma eventual interferência dos Estados Unidos nas eleições já havia aparecido no próprio diálogo entre Lula e Trump em agosto. Na ocasião, o presidente brasileiro fez uma defesa do sistema eleitoral nacional durante a conversa de mais de uma hora entre os dois chefes de Estado.

Marco Rubio aparece como personagem central

O relatório também destaca a atuação do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Segundo a análise da Abin divulgada pela Folha, Rubio ocupa posição central na estratégia de pressão sobre o Brasil e tem direcionado críticas diretamente a Lula. O órgão interpreta a atuação do secretário dentro de uma política regional destinada a aumentar a influência de Washington e reduzir o espaço de governos menos alinhados aos Estados Unidos. O Brasil aparece nessa disputa também por sua relação com os Brics e com a China. A política externa se tornou, inclusive, um dos pontos de divergência entre os candidatos à Presidência em 2026, com propostas distintas sobre Brics, Washington, Pequim, Mercosul e minerais estratégicos.

Sanções e crime organizado integram cenário de pressão

Outro eixo apontado pela inteligência envolve medidas norte-americanas relacionadas ao crime organizado brasileiro.

Washington ampliou sanções contra pessoas e empresas acusadas de relações financeiras com organizações criminosas, com consequências que podem atingir operações em dólar e relações com instituições financeiras internacionais.

A classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas também se tornou objeto de divergência entre os dois governos. Na ligação de agosto, Lula afirmou a Trump que o Brasil tem instrumentos próprios para enfrentar facções criminosas e sustentou que esses grupos, embora provoquem terror cotidiano, não se confundem necessariamente com organizações terroristas.

Para a Abin, medidas econômicas, diplomáticas, políticas e de segurança precisam ser analisadas em conjunto, diante do risco de produzirem efeitos sobre o ambiente político brasileiro em pleno ano eleitoral.

O alerta enviado ao governo e ao TSE transforma, assim, a possibilidade de interferência externa em uma preocupação institucional formal às vésperas da disputa presidencial de 2026.

brasil247

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Quanto tempo deve durar o banho? Veja o que é suficiente

O banho pode ser um dos momentos mais demorados da rotina. Para muita gente, o chuveiro não serve apenas para a higiene: também é uma oportunidade para relaxar, se aquecer ou simplesmente aproveitar alguns minutos sem pressa.

Entre os mais jovens, esse hábito aparece com ainda mais frequência.

Quanto tempo é suficiente?
Para quem entra no chuveiro apenas para lavar o corpo, três minutos podem ser suficientes. Quando a lavagem dos cabelos faz parte da rotina, esse período pode chegar a aproximadamente cinco minutos.

  O tempo maior, porém, nem sempre está relacionado à necessidade de limpeza. Em muitos casos, o chuveiro assume outras funções. Relaxar, espantar o frio ou começar o dia com mais calma estão entre os motivos que fazem algumas pessoas permanecerem debaixo da água por mais tempo.

O que faz o banho durar mais
   O horário também pode influenciar. Pela manhã, quando há uma rotina a cumprir, a tendência é que o banho seja mais rápido. À noite ou nos fins de semana, com menos compromissos imediatos, é mais fácil prolongar esse momento.

  A pressão da água também pode interferir. Quando o jato é fraco, algumas pessoas ficam mais tempo no chuveiro na tentativa de alcançar uma sensação de limpeza adequada.

Banho longo também pesa no consumo
 O tempo passado debaixo d’água também se reflete no consumo. Dez minutos podem representar um gasto de até 150 litros, o equivalente a cerca de 750 copos comuns.Embora alguns minutos extras pareçam pouco, a soma ao longo dos dias pode representar uma diferença significativa no volume utilizado.

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Brasil vai às urnas em um momento delicado

  O Brasil vai às urnas em uma fase de fragilidades para a República. A democracia não está sob a ameaça de um golpe armado, como ocorreu depois das eleições de 2022, mas sofre um processo de corrosão interna provocado pela disfuncionalidade das instituições. O Judiciário está paralisado por disputas entre seus integrantes; o Congresso tornou-se cada vez mais fisiológico e patrimonialista; e o Executivo usa o Orçamento para ampliar vantagens eleitorais, apesar do desequilíbrio fiscal. Ainda bem que haverá eleições, feitas por meio do voto direto, secreto e universal, protegido pela segurança das urnas eletrônicas e pela rápida apuração dos resultados. Em 4 de outubro, caberá ao eleitor demonstrar a responsabilidade que tem faltado aos candidatos e às instituições.

  O reajuste do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691, anunciado a 17 dias do primeiro turno e com pagamento previsto entre as duas votações, é o exemplo mais recente dessa disfuncionalidade. Trata-se de uma contradição difícil de esconder. O governo alega que está apenas repondo a inflação acumulada desde o último reajuste. A lei admite a correção dos benefícios, mas o calendário da medida revela sua finalidade política.

  Não está em discussão a importância do Bolsa Família. O programa é indispensável para milhões de brasileiros e representa uma política pública de enorme alcance social. O benefício é um direito financiado pelos contribuintes, não uma dádiva concedida pelo governante de plantão.

  O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, encerrou uma sessão extraordinária na última terça-feira sem uma conclusão quanto à abertura de investigação de um de seus integrantes, expondo divisões, suspeitas recíprocas e dificuldades para estabelecer um procedimento consensual. Em crise institucional histórica, a mais alta Corte do país tem seus limites de atuação e sua capacidade de salvaguardar a estabilidade democrática questionados. Precisa dar uma resposta à crise que não seja corporativa, mostrando-se maior que ela e retomando o caminho da estabilidade e da legitimidade.

  Há de se considerar ainda a realidade do Congresso Nacional, mergulhado na prática de converter parcelas crescentes do Orçamento em instrumento de poder sem assumir responsabilidade correspondente pela execução das políticas públicas. Nesse ambiente de disfuncionalidades, a eleição funciona como a principal oportunidade de prestação de contas. O voto não resolverá sozinho as crises, mas continua sendo o mecanismo mais legítimo para impor limites. A palavra final ainda pertence ao eleitor. Que não se desperdice o voto.

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Saiba o que a polícia encontrou na casa do ex-vereador Milton Leite

  A Polícia Civil e o MP-SP encontraram uma passagem secreta e R$ 765 mil reais em dinheiro na casa do ex-vereador Milton Leite em Sorocaba, no interior de São Paulo. Leite era procurado desde a manhã de quinta, 17, após ser alvo de um mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MP-SP na quinta-feira, 17, para apurar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.

  A polícia apura a possibilidade de ter ocorrido um vazamento da operação, uma vez que Leite ficou mais de 24 horas foragido. Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, 11 foram cumpridos até o momento. Outras cinco pessoas, incluindo o presidente do Água Santa, Paulo Sirqueira Korek Farias, ainda estão foragidas.

A ação de quinta-feira é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na época, a investigação revelou uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da “Sintonia Restrita” e da “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais. A Justiça autorizou o mandado de prisão temporária contra Leite sob a justificativa de que ele é “citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”.

“Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da empresa Transwolff”, disse o desembargador Sergio Ribas em sua decisão.

A Transwolff é uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do MP-SP, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção. A defesa da Transwolff afirmou que Leite nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários. Segundo os advogados, qualquer afirmação nesse sentido é equivocada e não corresponde à realidade.

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Contribuições para campanhas chegam a R$ 423 milhões; saiba quem são os maiores doadores

  A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, as doações de pessoas físicas a campanhas eleitorais alcançaram o valor de R$ 423 milhões. Os dados são do sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e foram atualizados na manhã desta sexta-feira (18).

  O ranking de doações é liderado pelo empresário Carlos Suarez, também conhecido como Rei do Gás. Segundo os dados do portal, ele destinou R$ 5,7 milhões a partidos e a candidatos.

  Entre as legendas beneficiadas, estão MDB, União Brasil, PSDB, PP e PSD. Cada uma recebeu R$ 1 milhão. Ele também enviou recursos ao PSB e aos candidatos ao posto de deputados estaduais João Pedro Souza Nunes (MDB-RS) e Murilo Machado Silva (MDB-RS).

  Baiano, Suarez mantém relação com políticos de diferentes partidos. Seu principal eixo de negócios envolve o setor de gás, onde controla ou tem participação em empresas ligadas à distribuição e transporte de gás natural, como Termogás, TGBC, Cigás e CS Energia. Ele também é ligado a projetos de infraestrutura energética. O segundo maior montante de doações provém de Alexandre Grendene, empresário ligado ao setor de calçados e cofundador da empresa que leva seu sobrenome. Um total de R$ 3,7 milhões foi distribuído entre candidatos a governos estaduais no Rio Grande do Sul e no Ceará. Zucco (PL), que mira o governo gaúcho, recebeu R$ 2,5 milhões. Ciro Gomes (PSDB), que concorre ao governo cearense, recebeu R$ 500 mil, assim como o candidato ao Senado pelo Ceará Cid Gomes (PSB). Há também uma doação a candidata a deputada estadual Regina Maria Becker, com R$ 200 mil. O terceiro maior doador é Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan, grande conglomerado que controla negócios estratégicos nos setores de energia, logística e infraestrutura. São R$ 3,2 milhões destinados a candidaturas até então. O montante de R$ 1 milhão foi direcionado ao MDB. O restante foi direcionado a 15 candidatos a deputado federal ou estadual. O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) recebeu R$ 300 mil. Os demais, R$ 200 mil, Quarto maior doador, Robert Carlos Lyra, presidente da Delta Sucroenergia, direcionou R$ 2,6 milhões, distribuídos entre o partido PP — R$ 1,5 milhão — e a candidatos em Minas Gerais. Destacam-se ainda R$ 500 mil destinados a Flávio Roscoe, que concorre ao estado pelo PL. O empresário Pedro Grendene é o quinto maior doador. Ele destinou R$ 2,4 milhões a candidatos no Ceará e no Rio Grande do Sul, assim como seu irmão. Destaca-se R$ 1 milhão destinado ao candidato ao governo cearense Elmano de Freitas (PT).

Confira matéria no Correio Braziliense.

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Gilmar Mendes decide que reajuste do Bolsa Família feito por Lula não fere regras eleitorais

   O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (18) que o decreto que reajustou os valores do Bolsa Família não viola as regras eleitorais. A decisão atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), órgão que representa o governo federal na Justiça, apresentado no mesmo dia, para que a Corte reconhecesse a constitucionalidade da medida.

  O piso do benefício, mantido em R$ 600 desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobe para R$ 691, um aumento de 15,04%. O novo valor passa a valer em outubro, com pagamentos a partir do dia 19, período que cai entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais.

  O pedido da AGU chegou em meio a críticas ao governo, já que o reajuste foi anunciado a poucos dias do primeiro turno. O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, chegou a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do aumento, alegando que a medida teria finalidade eleitoreira.

DP

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Wanessa Camargo fala de crise financeira e abandono de amigos pós-BBB: ‘Dói pra caramba’

 Wanessa Camargo, de 43 anos, contou que enfrentou uma grande crise financeira e precisou fazer empréstimos após participar do BBB 24. A cantora disse que foi uma fase difícil, mas a experiência a deixou mais forte e a ajudou a entender quem são seus amigos de verdade. De acordo com a filha de Zezé Di Camargo, pessoas que a conheciam há mais de 20 anos viraram a cara para ela por “lacração”.

 “Eu estava cancelada. As pessoas não entendiam, não queriam me ouvir, não me chamavam. Poucos amigos me deram a mão. Fiquei sem fazer renda. Meu custo continuou aqui [no alto] e, de repente, eu tive que fazer assim [diminuir]. E taca-lhe empréstimo”, revelou Wanessa no podcast RivoTalks

De acordo com a cantora, ela topou o desafio do confinamento para mostrar ao público quem ela é de verdade e não por questões financeiras. “Fui para um lugar que eu não precisava e me ferrei financeiramente, acontece com muita gente, porque você para [de trabalhar]. Se você for olhar pelo lado prático, teve vários pontos negativos”, avaliou.

Apesar disso, ela não se arrependeu: “Sou uma pessoa de olhar a vida de outra forma. A força interna que eu ganhei no pós para lidar com as dores, para lidar com a opinião pública, para lidar com o julgamento [compensou]. Eu fiquei muito mais preparada para o que vai vir. Retomei minha força, separei o joio do trigo das minhas relações, de quem está comigo e de quem não está comigo, isso foi muito nítido”.

De acordo com a artista, poucas pessoas ficaram ao seu lado quando ela foi expulsa do reality show por dar um tapa na perna de Davi Brito, campeão da edição. Wanessa falou que foram poucos os amigos que “deram a mão e conversaram” com ela. “Não teve um que levantou o dedo [para me ajudar], fora do âmbito familiar e meu ex-namorado [Dado Dolabella]. Algumas pessoas levantaram minha bandeira e defenderam. Foram poucas”.

O que mais chateou a cantora foi ver pessoas que há conheciam há anos virando a cara para ela. “Seguiram a manada da lacração. Isso dói pra caramba. Teve pessoas que perguntei: ‘Você me conhece há 20 e poucos anos e está dizendo que sou isso. Mas você já viu na vida fora de lá?’. Ele: ‘Não, mas lá você foi’. Não condiz, está falando pelo recorte que viu”, recordou.

Para a filha de Zezé, tudo mudou quando ela participou de outra atração da Globo. “Dança dos Famosos foi um presente. Ali eu pude ser eu e ter fragilidade. Foi lindo. Acredito que demore o tempo que for, mas a verdade sempre aparece, as coisas são colocadas no lugar, o mundo é justo”, concluiu.

revistaquem

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