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A IGREJA DOS GENTIOS Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos
INTRODUÇÃO Nesta lição, acompanharemos Paulo em Corinto, cidade próspera e cosmopolita, marcada pela idolatria e imoralidade. Após as perseguições enfrentadas em Filipos, Tessalônica e Bereia, o apóstolo chegou ali “em fraqueza, temor e grande tremor” (1Co 2.3). Mesmo assim, permaneceu firme no trabalho missionário. Deus lhe deu a companhia de Áquila e Priscila, abriu uma nova porta na casa de Tício Justo e levou muitos a crer, entre eles Crispo, chefe da sinagoga. Ao longo do estudo, veremos como a graça de Deus sustenta seus servos em ambientes desafiadores. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO pois estou com você, e ninguém vai lhe fazer mal ou ferilo, porque tenho muita gente nesta cidade”. (At 18.10, NVI). porque eu estou com você. Ninguém poderá lhe fazer nenhum mal, pois muitas pessoas desta cidade são minhas. (At 18.10, NTLH). Paulo estava desencorajado e cheio de medo. Ele prontamente admite isso posteriormente numa carta a Corinto: “E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós” (1Co 2.3). Os cidadãos de prestígio de Corinto o consideravam como uma pessoa sem força, influência e privilégio por causa de seu ofício como fabricante de tendas. Eles colocavam Paulo no nível de um escravo. Os judeus queriam que ele parasse de pregar ao povo sobre Jesus, e a ameaça à sua segurança pessoal era constante. A aparente interminável oposição ao ministério de Paulo começou a ter um efeito deprimente sobre sua vida espiritual. Quando Jesus aparece a Paulo numa visão à noite, Paulo o reconhece imediatamente (comparar com 9.10,12; 22.18; 23.11; 27.23-24). Jesus falou diretamente dos problemas que Paulo enfrentava e deu-lhe três curtas ordens: Não tenha medo. Fale. Não se cale. • A primeira razão para a ordem tríplice de Jesus é que ele estava em Corinto com Paulo (veja Mt 28.20). Ele assegura a Paulo que ninguém vai colocar as mãos nele ou causar-lhe qualquer dano. Paulo não irá experimentar as agruras físicas que caracterizaram sua estada em Filipos, Tessalônica e Bereia.
• Jesus dá uma segunda razão para dar as três ordens a Paulo: “pois tenho muito povo nesta cidade”. Que encorajamento para Paulo! O próprio Jesus garante que o trabalho de Paulo em Corinto dará frutos.
VERDADE PRÁTICA A graça de Deus é suficiente para sustentar o crente em meio às adversidades. Embora a palavra “graça” não apareça em Atos 18.1-17, seus efeitos podem ser percebidos em toda a narrativa. Deus aproximou Paulo de Áquila e Priscila, supriu suas necessidades, deu-lhe um novo espaço de pregação na casa de Tício Justo, salvou Crispo e muitos coríntios, fortaleceu o apóstolo por meio de uma visão e o protegeu diante de Gálio. A graça divina lhe deu o sustento necessário para continuar o trabalho missionário. Anos depois, Paulo escreveu aos coríntios: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9). Embora essa experiência pertença a outro período de sua vida, essa declaração resume uma verdade confirmada durante todo o seu ministério: a graça é suficiente porque o poder de Deus age mesmo quando seus servos se sentem fracos.
1. PAULO CHEGA A CORINTO (At 18.1-6) Pergunta chave: Que desafios Paulo encontrou em Corinto? Ideia central do ponto: Paulo chegou a Corinto, cidade de grande riqueza material, mas marcada por profunda decadência moral. Embora carregasse as marcas das perseguições anteriores e sentisse temor diante do peso do peso de sua responsabilidade, ele não recuou. Começou pregando na sinagoga, mas a resistência dos judeus o levou a continuar o trabalho missionário em outro lugar. 1.1 Corinto: riqueza material e miséria espiritual. Verdade central: Corinto tinha grande importância econômica e política, mas era marcada pela idolatria e pela imoralidade. Paulo chegou ali consciente do desafio que teria pela frente. Para refletir: Paulo deixou Atenas e seguiu para Corinto, onde enfrentaria novos desafios no trabalho missionário. Deus também envia seus servos para trabalhar em ambientes difíceis. A LIÇÃO DIZ: Após deixar Atenas, Paulo chega a Corinto, capital da província romana da Acaia desde 27 a.C. A cidade havia superado Atenas em importância política e comercial, tornando-se um dos maiores centros econômicos do mundo romano. Cosmopolita e estrategicamente localizada, Corinto reunia povos de diversas culturas, mas também se destacava por sua profunda decadência moral. Templos pagãos, especialmente o de Afrodite, marcavam a vida religiosa da cidade, associando culto e prostituição ritual. Depois do trabalho realizado em Atenas, Paulo seguiu para Corinto, andando mais ou menos 80km a oeste, durante sua segunda viagem missionária (At 18.1). A cidade ocupava uma posição geográfica privilegiada, numa estreita faixa de terra que ligava o Peloponeso (península montanhosa) ao restante da Grécia. Seus dois principais portos, Lequeu e Cencreia, recebiam embarcações de várias regiões do Império Romano. Como a navegação ao redor do Peloponeso era longa e perigosa, muitas mercadorias atravessavam o istmo (faixa estreita de terra que conecta duas grandes massas terrestres) por terra, e até pequenas embarcações podiam ser transportadas por uma via pavimentada chamada diolkos. Esse movimento fez de Corinto um importante ponto de comércio entre o Oriente e o Ocidente. A Corinto dos dias de Paulo era uma cidade relativamente nova. Destruída pelos romanos em 146 a.C., foi reconstruída como colônia romana por Júlio César em 44 a.C. e, mais tarde, tornou-se a capital da província da Acaia. Sua prosperidade atraía comerciantes, marinheiros, trabalhadores e viajantes de diversas partes do império. Embora tivesse forte influência romana, a língua grega continuava sendo amplamente usada entre seus habitantes. Apesar da riqueza e da importância política, Corinto era marcada pela idolatria e pela imoralidade. Entre os gregos, o verbo korinthiazesthai, que significava “viver como um coríntio”, era empregado no sentido de levar uma vida imoral. A presença de templos dedicados a divindades como Apolo, Afrodite e Asclépio revela a diversidade de cultos praticados na cidade. Havia também uma comunidade judaica organizada, com uma sinagoga, onde Paulo começou a anunciar que Jesus era o Cristo (At 18.4-5). Corinto oferecia uma grande oportunidade para a expansão do evangelho, pois pessoas de muitas regiões passavam diariamente pela cidade. Ao mesmo tempo, apresentava enormes desafios: a mistura de crenças, o apego ao dinheiro, a desordem moral e a oposição dos judeus. Foi nesse ambiente próspero, influente e espiritualmente corrompido que Paulo recebeu a missão de pregar o evangelho e estabelecer uma igreja. 1.2 Temor humano e dependência da graça. Verdade central: Paulo reconheceu que esteve em Corinto com fraqueza, temor e tremor. Sua fragilidade o conduziu a depender ainda mais da graça de Deus. Para refletir: Minhas limitações me afastam daquilo que Deus tem para mim ou me levam a depender mais da graça de Dele? A LIÇÃO DIZ: O apóstolo traz consigo as marcas das perseguições sofridas em Filipos, Tessalônica e Bereia (At 16.22-24; 17.5-10,13), além da constante preocupação pastoral com as igrejas já fundadas (2Co 11.28).
Paulo chegou a Corinto depois de um percurso marcado por sucessivas perseguições. Em Filipos, ele e Silas foram acusados injustamente, despidos, açoitados e lançados na prisão, onde tiveram os pés presos no tronco (At 16.19-24). Ao recordar o episódio, Paulo afirmou que havia sido maltratado e insultado, mas recebeu de Deus coragem para continuar anunciando o evangelho em meio a grande oposição (1Ts 2.2). A passagem por Tessalônica também terminou de maneira dolorosa. Alguns judeus organizaram uma multidão, provocaram desordem na cidade e atacaram a casa de Jasom. Paulo e Silas precisaram sair durante a noite, deixando para trás uma igreja recém-formada e exposta à perseguição (At 17.5-10). O apóstolo desejou retornar, mas foi impedido, e descreveu aquela separação como se tivesse sido arrancado dos irmãos (1Ts 2.17,18). Os opositores de Tessalônica seguiram Paulo até Bereia e agitaram novamente a população. Para protegê-lo, os irmãos o enviaram para Atenas, enquanto Silas e Timóteo permaneceram na Macedônia (At 17.13-15). Preocupado com os tessalonicenses, Paulo enviou Timóteo para fortalecê-los e preferiu permanecer sozinho em Atenas (1Ts 3.1-5). Naquela cidade, viu a idolatria por toda parte e enfrentou o escárnio de parte dos ouvintes quando anunciou a ressurreição (At 17.16,32)
Quando partiu de Atenas para Corinto, Paulo carregava as marcas dos açoites de Filipos, da fuga de Tessalônica, da perseguição em Bereia, da solidão em Atenas e da preocupação com as igrejas que havia deixado. Por isso, sua afirmação aos coríntios deve ser levada a sério: “Foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vocês” (1Co 2.3). O apóstolo chegou a Corinto emocionalmente desgastado e abatido. Sim, o maior missionário da igreja estava desanimado e esgotado. A chegada de Timóteo a Corinto trouxe boas notícias sobre a fé dos tessalonicenses. Paulo escreveu que havia sido consolado em meio a toda a necessidade e tribulação que enfrentava (1Ts 3.6,7). A declaração confirma que o apóstolo atravessava um período difícil. O relatório de Timóteo trouxe alívio, mas as lutas continuaram: Paulo trabalhou com as próprias mãos e enfrentou a dura resistência dos judeus Corinto (At 18.3,6). O ministério pastoral e a obra missionária podem impor grande desgaste físico, emocional e espiritual. Quem serve a Deus enfrenta cansaço, perseguição, solidão, preocupações constantes e dores que nem sempre são percebidas por quem observa de fora. Cumprir a vontade de Deus é um privilégio extraordinário, mas não devemos romantizar o chamado, como se a obediência a Deus nos livrasse do sofrimento. As dificuldades nem sempre indicam que alguém se afastou da vontade divina. Algumas surgem justamente porque decidimos obedecer e permanecer no lugar em que Deus nos colocou. Quem abandona o ministério nunca saberá o que é sofrer por Cristo e carregar em seu corpo suas marcas. As dificuldades que enfrentamos por sermos fieis revelam nossa fragilidade e nos ensinam a viver na dependência da graça de Deus. 1.3 O início do ministério e a oposição na sinagoga. Verdade central: Paulo trabalhou com Áquila e Priscila na fabricação de tendas e pregava aos sábados na sinagoga. Com a chegada de Silas e Timóteo, intensificou a pregação da Palavra, mas enfrentou forte resistência. Para refletir:Tenho valorizado as parcerias e o trabalho em equipe no serviço a Deus, ou tenho tentado fazer tudo sozinho, desprezando a importância da comunhão e do apoio mútuo? A LIÇÃO DIZ: Como era seu costume, Paulo inicia sua obra na sinagoga, anunciando que Jesus é o Cristo prometido. Nesse período, encontra Priscila e Áquila, judeus expulsos de Roma pelo decreto do imperador Cláudio. Trabalhando com eles como fabricante de tendas, Paulo une sustento próprio e missão, estabelecendo uma parceria que seria decisiva para a igreja em Corinto (At 18.2,3). Com a chegada de Silas e Timóteo, trazendo notícias animadoras e apoio das igrejas da Macedônia, Paulo passa a dedicar-se integralmente à Palavra (At 18.5).
Vamos ao texto bíblico: Depois disso, deixando Atenas, Paulo foi a Corinto.Lá, encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, porque o imperador Cláudio havia decretado que todos os judeus deviam sair de Roma. Paulo aproximou-se deles. E, como tinham o mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava. O ofício deles era fazer tendas. E todos os sábados Paulo falava na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos. Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que Jesus é o Cristo (At 18.1-5, NAA). Ao chegar a Corinto, Paulo conheceu Áquila e Priscila, um casal judeu que havia saído recentemente de Roma por causa do decreto do imperador Cláudio. Lucas não informa que eles tenham se convertido por meio da pregação de Paulo, o que torna provável que já fossem cristãos quando chegaram à cidade. O apóstolo encontrou neles irmãos na fé, companheiros de profissão e futuros cooperadores na obra missionária.
Áquila e Priscila são sempre mencionados juntos no Novo Testamento. Paulo utilizava o nome formal Prisca, enquanto Lucas preferia o diminutivo Priscila. Em quatro das seis referências ao casal, o nome dela aparece primeiro, algo incomum para os costumes daquele período. Não há provas de que essa ordem indique maior posição social ou cidadania romana. A explicação mais aceita é que Priscila alcançou considerável reconhecimento por sua atuação na igreja cristã. Sem diminuir o ministério de Áquila, o Novo Testamento mostra que ela exerceu um serviço relevante ao lado do marido. Áquila e Priscila foram muito importantes no ministério de Paulo. Eles o acompanharam até Éfeso, ajudaram Apolo a compreender com maior precisão o caminho de Deus e abriram sua casa para reuniões da igreja. Paulo os chamou de “cooperadores em Cristo Jesus” e afirmou que arriscaram a própria vida por ele (At 18.18,26; Rm 16.3-5). Seu exemplo mostra como um casal pode colocar a profissão, a casa e as suas vidas a serviço do evangelho. Abrindo um rápido parêntese, acho oportuno destacar como Deus levanta pessoas determinadas pessoas para nos animar quando estamos com vontade de desistir. Com certeza, esse casal foi um presente de Deus para Paulo. A expulsão dos judeus de Roma ocorreu provavelmente por volta do ano 49 d.C. O historiador Suetônio atribuiu a medida de Cláudio a constantes tumultos provocados por alguém chamado “Chrestus”. Muitos estudiosos entendem que ele confundiu Chrestus com Christus e se referia a conflitos entre judeus causados pela pregação de que Jesus era o Messias. A identificação é provável, mas não pode ser considerada certa. De qualquer modo, o registro indica que a mensagem cristã já havia alcançado Roma antes da chegada de Paulo à capital imperial.
A profissão comum aproximou Paulo do casal. Lucas os chama de skēnopoioí, palavra geralmente traduzida como “fabricantes de tendas”. O termo também poderia designar trabalhadores que produziam objetos de couro. Outra possibilidade é que trabalhassem com o cilicium, tecido resistente feito de pelos de cabra e utilizado na fabricação de tendas. Como esse material estava associado à Cilícia, região natal de Paulo, o apóstolo pode ter aprendido ali o ofício. Podemos afirmar com convicção que Paulo tinha uma profissão e durante suas viagens missionárias trabalhava para suprir suas necessidades e a de seus companheiros. A prática estava de acordo com o ideal judaico de que um estudante da Lei deveria aprender uma profissão. Paulo também possuía razões missionárias para trabalhar. Em uma cidade frequentada por oradores itinerantes que buscavam sustento entre seus ouvintes, ele evitava qualquer suspeita de que pregava para obter lucro. Embora defendesse o direito dos ministros ao sustento, abriu mão desse direito entre os coríntios para não criar obstáculo ao evangelho (1Co 9.12-15). Durante a semana, Paulo trabalhava com Áquila e Priscila; aos sábados, dirigia-se à sinagoga e procurava convencer judeus e gentios tementes a Deus. Os verbos empregados por Lucas indicam uma atividade contínua. O apóstolo dialogava, apresentava argumentos e buscava persuadir seus ouvintes de que Jesus era o Messias prometido. A chegada de Silas e Timóteo alterou a rotina do apóstolo. Timóteo trouxe boas notícias sobre a igreja de Tessalônica, trazendo consolo em meio às tribulações de Paulo (1Ts 3.6,7). Os irmãos também parecem ter trazido uma contribuição das igrejas da Macedônia, provavelmente de Filipos, permitindo que Paulo diminuísse o trabalho manual e dedicasse mais tempo à pregação (2Co 11.9; Fp 4.15,16). Atos não menciona diretamente a oferta, mas as cartas de Paulo sustentam essa conclusão.
A tradição textual seguida pela Almeida Revista e Corrigida afirma que Paulo foi “impulsionado pela palavra”. Manuscritos antigos apresentam a ideia de que ele passou a dedicar-se inteiramente à Palavra. Em ambos os casos, Lucas destaca a intensificação do testemunho apostólico. Paulo anunciava de maneira direta que Jesus era o Cristo. Alguns ouvintes compreenderam o conteúdo da pregação, mas se recusaram a aceitá-lo. Paulo, então, sacudiu as vestes e declarou: “O sangue de vocês caia sobre a cabeça de vocês! Eu estou limpo” (At 18.6). O gesto expressava repúdio à resistência oferecida por seus opositores e indicava que o apóstolo havia cumprido sua responsabilidade. A linguagem utilizada recorda a imagem do atalaia em Ezequiel. O profeta deveria advertir o povo; depois de transmitir fielmente a mensagem, não seria responsável pela decisão de quem a rejeitasse (Ez 3.17-19; 33.1- 9). Paulo continuava procurando os judeus porque reconhecia sua responsabilidade de lhes anunciar que Jesus era o Messias. Quando a resistência tornava impossível a pregação entre os judeus, dirigia-se aos gentios. Na cidade seguinte, porém, voltava novamente à sinagoga. A declaração “desde agora, vou para os gentios” dizia respeito ao trabalho em Corinto e não ao abandono definitivo dos judeus. • A obra de Deus em Corinto não foi realizada por Paulo sozinho. Áquila, Priscila, Silas e Timóteo participaram do avanço do evangelho. Nenhum obreiro possui todos os dons ou consegue atender sozinho a todas as necessidades da igreja. O ministério saudável valoriza a cooperação mútua e reconhece a importância de cada pessoa. • Paulo exerceu seu ofício ministerial sem considerar o trabalho secular incompatível com o seu chamado. Sua profissão garantiu o sustento necessário naquela ocasião e preservou a credibilidade de sua pregação. O trabalho honesto também pode servir aos propósitos de Deus e abrir oportunidades para o testemunho evangelho.
• A resistência dos judeus não levou Paulo a abandonar Corinto. Depois de anunciar a verdade com clareza,ele deixou a sinagoga e continuou pregando em outro lugar. Quando uma frente de trabalho se fecha, o obreiro não deve insistir movido pelo orgulho nem desistir por causa da frustração. É preciso discernir a direção de Deus e prosseguir fielmente na missão recebida. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. Quais características de Corinto tornavam o trabalho missionário desafiador? 2. Como Paulo descreveu sua condição emocional entre os coríntios? 3. Quem foram Priscila e Áquila e qual foi sua importância para o ministério de Paulo? 4. Como a oposição na sinagoga preparou uma nova etapa da obra missionária?
2. A CONTINUIDADE DA MISSÃO E O ENCORAJAMENTO DIVINO (At 18.7-11) Pergunta chave: Como Deus encorajou Paulo e qual foi o resultado da perseverança do apóstolo? Ideia central do ponto: Diante da oposição na sinagoga, Paulo não abandonou Corinto. Passou a pregar na casa de Tito Justo, onde muitos creram, entre eles Crispo, o chefe da sinagoga. Em meio ao medo, o Senhor apareceu ao apóstolo em uma visão e prometeu estar com ele e protegê-lo. Fortalecido por essa promessa, Paulo permaneceu dezoito meses na cidade, ensinando a Palavra de Deus. 2.1 A casa de Justo e o avanço do Evangelho. Verdade central: Ao sair da sinagoga, Paulo passou a pregar na casa de Tito Justo. Muitos coríntios creram, incluindo Crispo e sua família. Para refletir:Quando uma oportunidade se fecha, continuo atento aos novos caminhos que Deus pode abrir? A LIÇÃO DIZ: Expulso da sinagoga, Paulo não abandona a cidade. Um gentio temente a Deus, Tito Justo, oferece sua casa — localizada ao lado da sinagoga — como novo espaço para a pregação. Essa mudança estratégica amplia o alcance do Evangelho e confere visibilidade positiva à nova comunidade cristã. A Bíblia diz: Saindo dali, entrou na casa de um homem chamado Tício Justo, que era temente a Deus; a casa dele ficava ao lado da sinagoga. Crispo, o chefe da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa; também muitos dos coríntios, ouvindo, creram e foram batizados (At 18.7-8, NAA). Tício Justo era um gentio “temente a Deus”, expressão empregada em Atos para identificar pessoas que reverenciavam o Deus de Israel e frequentavam a sinagoga, embora não pertencessem ao povo judeu. É provável que ele já tivesse ouvido a pregação de Paulo e crido no evangelho. Ao abrir sua casa para o trabalho do apóstolo, ofereceu um espaço adequado para o ensino da Palavra e a reunião dos novos convertidos. A casa de Justo tornou-se, ao que tudo indica, o primeiro local de reunião da igreja em Corinto. Lucas, contudo, não afirma que Paulo tenha deixado a residência de Áquila e Priscila para morar com ele. É possível que o apóstolo continuasse hospedado e trabalhando com o casal, enquanto utilizava a casa de Justo como base para a pregação e o ensino. Como a residência ficava ao lado da sinagoga, Paulo pôde manter contato com judeus e gentios interessados nas Escrituras. A mudança do local de pregação não significou o abandono daqueles que ainda poderiam ouvir o evangelho. A conversão de Crispo mostra que a mensagem do Evangelho continuou alcançando pessoas ligadas à sinagoga, pois ele creu no Senhor com toda a sua família. Crispo exercia uma função importante na administração da sinagoga e na organização de suas reuniões. Sua conversão teve um significado especial por se tratar de um homem conhecido pela comunidade judaica. Paulo recordou posteriormente que o havia batizado pessoalmente, assim como Gaio e a família de Estéfanas (1Co 1.14-16). A adesão de um líder tão conhecido certamente deu maior visibilidade ao testemunho do Evangelho. O crescimento da igreja, porém, não ficou restrito à família de Crispo. Lucas informa que muitos coríntios ouviam a mensagem, criam e eram batizados. A sequência dos verbos descreve o avanço contínuo do evangelho: as pessoas ouviam a Palavra, respondiam com fé e declaravam publicamente essa fé por meio do batismo. Embora tivesse encontrado resistência na sinagoga, Paulo continuou pregando, e uma igreja começou a se formar em Corinto.
Tício Justo, Crispo e muitos outros coríntios possuíam histórias diferentes, eram pessoas distintas, mas foram alcançados pela mesma mensagem: o evangelho de Cristo. O que levou essas pessoas ao arrependimento? A Palavra de Deus. O que transformou suas vidas? A Palavra de Deus. O que formou uma igreja em Corinto, uma das cidades mais imorais daquele tempo? A pregação da Palavra de Deus. Métodos podem ajudar na comunicação, mas não podem produzir conversão. É o Espírito Santo quem convence o pecador e, por meio da Palavra, o conduz fé em Cristo. Por essa razão, a igreja não pode substituir a exposição bíblica por entretenimento, discursos motivacionais ou danças e teatros. O professor da Escola Dominical precisa explicar as Escrituras com fidelidade e confiar que Deus continua usando sua Palavra para salvar, transformar e edificar seu povo.
2.2 O medo do apóstolo e a palavra que fortalece. Verdade central: O Senhor fortaleceu Paulo por meio de uma visão: “Não temas, mas fala e não te cales” (At 18.9). Deus lhe garantiu sua presença, proteção contra os inimigos e muitos frutos em Corinto. Para refletir: A presença de Deus sustenta quem o serve mesmo em meio ao medo. A LIÇÃO DIZ: Apesar dos frutos visíveis, Paulo enfrenta forte oposição e passa a temer por sua permanência em Corinto (1Co 2.3). O peso espiritual da cidade, aliado à hostilidade crescente, fragiliza emocionalmente o apóstolo. Nesse contexto, o Senhor lhe aparece em visão e o exorta: “Não temas, mas fala e não te cales” (At 18.9). Mesmo os mais fortes enfraquecem, e até os mais entregues e convictos atravessam dias em que pensam em parar. O conhecimento profundo das Escrituras e as experiências extraordinárias com Deus não tornam ninguém imune ao medo, ao cansaço ou às dúvidas sobre a própria capacidade de prosseguir. Como já vimos, Paulo foi o maior missionário da Igreja Primitiva, um homem que viveu e morreu pelo evangelho. Ainda assim, houve momentos em que sua coragem precisou ser renovada e sua fé, fortalecida. Deus interveio em ocasiões decisivas de sua caminhada, e a visão recebida em Corinto foi uma delas. Pressionado pelo medo, o apóstolo ouviu do próprio Senhor a palavra de que precisava para continuar falando e não se calar. Pastores, presbíteros e líderes também sentem medo, enfrentam crises espirituais, lidam com dúvidas e precisam ser encorajados. Os homens de Deus também sangram e podem adoecer emocional e espiritualmente. A função que exercem não apaga sua humanidade: continuam sendo pessoas frágeis, sujeitas ao pecado, ao cansaço e ao abatimento. Entretanto, muitas igrejas esperam deles uma fé sobre-humana, como se jamais pudessem demonstrar medo, confessar uma fraqueza ou admitir que estão cansados. O cargo acaba se tornando uma prisão quando o líder precisa esconder suas feridas para não decepcionar aqueles a quem serve. Quem cuida de pessoas também precisa receber cuidado. A igreja deve aprender a distinguir o pecado, que exige arrependimento, da fraqueza, diante da qual o servo precisa ser acolhido e amparado. O Senhor fortalece seus servos e, muitas vezes, usa a própria igreja para cuidar deles. Os crentes que recebem de seus líderes oração, orientação e cuidado também precisam orar por eles, aproximar-se nos momentos difíceis e oferecer o encorajamento necessário para que continuem servindo.
2.3 Graça suficiente, perseverança e transição. Verdade central: Fortalecido pela promessa e sustentado pela graça de Deus, Paulo permaneceu um ano e seis meses em Corinto, ensinando a Palavra e consolidando a fé dos irmãos. Para refletir:Tenho perseverado no que Deus me confiou, mesmo quando me sinto cansado ou abatido? A LIÇÃO DIZ: Fortalecido pela promessa do Senhor, Paulo permanece em Corinto por um ano e seis meses, ensinando a Palavra de Deus e consolidando a igreja (At 18.11). A experiência do apóstolo ensina que sentir medo não é sinal de fracasso espiritual, mas de oportunidade para experimentar a suficiência da graça divina. Lucas emprega, em Atos 18.11, um verbo cujo sentido básico é “sentar-se”. Nesse contexto, porém, a palavra descreve alguém que se estabelece em determinado lugar e permanece ali por um período prolongado. Portanto, ao usar essa palavra e registrar a permanência de Paulo na cidade, Lucas implicitamente está mostrando que o apóstolo creu nas palavras de Jesus. Lucas afirma que Paulo permaneceu “ensinando entre eles a palavra de Deus”. Depois de ouvir, crer e receber o batismo, os convertidos precisavam compreender melhor o evangelho, abandonar antigas práticas e aprender a viver como discípulos de Cristo. As cartas aos Coríntios mostram que dezoito meses de instrução não produziram uma igreja imediatamente madura. Divisões, imoralidade, disputas judiciais e desordens no culto ainda precisariam ser corrigidas. Esses problemas mostram que o tempo de igreja, por si só, não torna ninguém maduro. O crescimento espiritual exige obediência constante aos ensinos da Palavra de Deus. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. O que aconteceu quando Paulo foi expulso da sinagoga? 2. O que o Senhor disse a Paulo na visão noturna? 3. Por quanto tempo Paulo permaneceu em Corinto após o encorajamento divino? 4. O que a experiência de Paulo ensina sobre sentir medo no serviço a Deus?
3. PAULO DIANTE DE GÁLIO: A GRAÇA QUE SUSTENTA EM MEIO À OPOSIÇÃO Pergunta chave: Como a graça de Deus protegeu Paulo e se mostrou suficiente em meio à oposição? Ideia central do ponto: A oposição dos judeus levou Paulo ao tribunal de Gálio, mas o procônsul rejeitou a acusação e confirmou, sem saber, a promessa de proteção feita pelo Senhor. A graça de Deus sustentou o apóstolo em todas as adversidades. Mesmo quando as lutas continuam, Deus nos mantém firmes por meio de sua graça. 3.1 A acusação dos judeus e a proteção divina. Verdade central: Os judeus levaram Paulo diante de Gálio, mas o procônsul rejeitou a acusação e, sem saber, confirmou a promessa de proteção feita pelo Senhor. Para refletir: Deus cumpre sua promessa mesmo por caminhos inesperados. A LIÇÃO DIZ: A oposição judaica em Corinto não cessou, e Paulo foi levado diante de Gálio, procônsul da Acaia, sob a acusação de ensinar “contrariamente à lei” (vv.12,13). Antes mesmo que Paulo se defendesse, Gálio rejeitou a denúncia, declarando não ser de sua competência julgar disputas religiosas internas (vv.14,15). Ao expulsar os acusadores do tribunal, o governador confirmou, sem o saber, a promessa do Senhor de que ninguém faria mal ao apóstolo (At 18.9,10).
Durante o governo de Gálio, os judeus organizaram uma ação conjunta contra Paulo e o conduziram ao tribunal. Gálio era procônsul da Acaia e irmão do filósofo Sêneca. Uma inscrição encontrada em Delfos situa seu governo por volta de 51 ou 52 d.C., fornecendo uma das referências mais seguras para a cronologia da segunda viagem missionária. Como Corinto era a capital da província, cabia ao procônsul julgar as principais causas apresentadas naquele território. O julgamento ocorreu diante do bēma, a plataforma pública onde o governador ouvia acusações e pronunciava suas decisões. Os adversários declararam: “Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei” (At 18.13). A acusação foi formulada de maneira ampla porque precisava convencer Gálio de que Paulo havia cometido uma infração sujeita à justiça romana. Uma divergência sobre a interpretação das Escrituras judaicas não seria suficiente para condená-lo. O judaísmo possuía antigos privilégios reconhecidos pelas autoridades romanas, enquanto religiões consideradas perigosas à ordem pública poderiam sofrer restrições. Provavelmente, os judeus pretendiam convencer Gálio de que a mensagem anunciada por Paulo não deveria receber a mesma tolerância concedida ao judaísmo. A expressão “contra a lei” podia referir-se à lei judaica, mas, diante de um tribunal romano, a denúncia precisava sugerir alguma violação da legislação civil. Paulo estava prestes a apresentar sua defesa quando Gálio interrompeu o processo. O procônsul declarou que ouviria a causa caso envolvesse algum delito ou crime grave. Entretanto, como a discussão tratava de “palavras, nomes e da vossa lei”, os próprios judeus deveriam resolvê-la. A referência a “nomes” provavelmente incluía a controvérsia acerca de Jesus ser o Cristo, o ponto central da pregação de Paulo na sinagoga. Ao rejeitar a denúncia, Gálio reconheceu que Paulo não havia cometido um crime contra o Estado. Sua decisão não representou uma conversão ao cristianismo nem uma defesa pessoal do apóstolo. O procônsul apenas se recusou a usar a justiça romana para resolver uma disputa religiosa. Contudo, essa decisão permitiu que o evangelho continuasse sendo anunciado sem que a pregação fosse declarada ilegal na Acaia. A promessa feita pelo Senhor começou a ser confirmada diante do tribunal romano. Os adversários atacaram Paulo e conseguiram levá-lo perante Gálio, mas não obtiveram a condenação que desejavam. Deus impediu que os acusadores alcançassem seus objetivos e preservou o apóstolo para que continuasse cumprindo sua missão.
3.2 O espancamento de Sóstenes e o alcance da graça. Verdade central: Após a decisão de Gálio, Sóstenes, principal da sinagoga, foi espancado diante do tribunal, sem que o procônsul interviesse. Embora o texto não detalhe as motivações, o episódio revela a instabilidade da oposição humana. Para refletir: Tenho orado e crido na transformação de pessoas que hoje se opõem ao Evangelho, ou tenho desistido delas considerando-as impossíveis de serem alcançadas pela graça? A LIÇÃO DIZ: Após a decisão de Gálio, Sóstenes, principal da sinagoga, foi espancado diante do tribunal, sem que o procônsul interviesse (v.17). Embora o texto não detalhe as motivações, o episódio revela a instabilidade da oposição humana. Posteriormente, um Sóstenes é citado como irmão em Cristo (1Co 1.1), o que sugere uma possível conversão. Se confirmada, essa transformação reforça o poder do Evangelho, capaz de alcançar até mesmo seus opositores.
A Bíblia diz:
E os expulsou do tribunal. 17Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e começaram a espancá-lo diante do tribunal; Gálio, todavia, não se incomodava com estas coisas (At 18.16-17, NAA). O processo contra Paulo foi julgado publicamente na ágora de Corinto, diante do bēma, a plataforma onde os oficiais romanos examinavam as causas apresentadas ao tribunal. Escavações realizadas no lado sul da ágora descobriram uma estrutura elevada, revestida de mármore azul, que servia como assento judicial. – Depois que Gálio expulsou os acusadores do tribunal, Sóstenes, chefe da sinagoga, foi agarrado e espancado diante do procônsul. Lucas afirma que “todos” participaram da agressão, mas não identifica quem eram essas pessoas. Alguns manuscritos posteriores acrescentam “os gregos”, enquanto os melhores testemunhos textuais deixam o sujeito indefinido. Por essa razão, não é possível saber se Sóstenes foi atacado pelos judeus, irritados com o fracasso da acusação e por talvez Sóstenes se mostrar favorável a Paulo, ou por gentios que aproveitaram a ocasião para manifestar sua hostilidade contra os judeus. A hipótese de que os agentes de Gálio tenham participado desse espancamento também foi sugerida, embora seja menos provável. A identidade de Sóstenes acrescenta outra dificuldade. Paulo menciona, em 1 Coríntios 1.1, um cristão com o mesmo nome, apresentado como “nosso irmão”. Como Sóstenes era um nome comum, não há como provar que se trata da mesma pessoa. Caso sejam o mesmo homem, o chefe da sinagoga se converteu e tornouse companheiro de Paulo, assim como seu antecessor, Crispo. Sua conversão pode ter ocorrido antes da agressão, o que explicaria uma possível reação dos judeus, ou algum tempo depois. O texto não fornece informações suficientes para escolher entre essas possibilidades. A conduta de Gálio precisa ser avaliada em dois aspectos. Como juiz, ele percebeu corretamente que Paulo não havia cometido crime contra a lei romana e recusou-se a transformar uma controvérsia religiosa em processo criminal. Entretanto, quando Sóstenes foi espancado diante do tribunal, permaneceu indiferente. Gálio foi sensato ao rejeitar a acusação contra Paulo, porém omisso ao permitir que um homem fosse agredido diante de seus olhos. A decisão do procônsul trouxe consequências importantes para o avanço do evangelho. Ao recusar a acusação, Gálio não tratrou a pregação cristã como atividade criminosa e permitiu que Paulo continuasse seu trabalho em Corinto. Embora sua decisão não constituísse uma lei para todo o império, ela estabeleceu um precedente favorável que poderia influenciar outras autoridades romanas. 3.3 A suficiência da graça na experiência de Paulo. Verdade central:Em Corinto, Paulo viveu a suficiência da graça entre fragilidades, pressões e oposição. A cidade difícil tornou-se campo fértil para a ação de Deus. Para refletir: A graça de Deus é suficiente para nos sustentar em qualquer circunstância. A LIÇÃO DIZ:Em Corinto, Paulo viveu intensamente a suficiência da graça de Deus. Em meio a fragilidades, pressões e oposição, aprendeu que o poder divino se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9). A cidade marcada pela decadência tornou-se um campo fértil para a manifestação da graça. Sustentado pelo Senhor, Paulo permaneceu ali dezoito meses, e uma igreja foi estabelecida (At 18.11).
A palavra “suficiência” descreve a qualidade daquilo que basta, que atende plenamente a uma necessidade e não depende de qualquer complemento. Portanto, afirmar que a graça de Deus é suficiente significa reconhecer que ela nos concede tudo o que precisamos para receber a salvação, permanecer fiéis e cumprir a vontade divina. Sua suficiência não consiste em satisfazer todos os nossos desejos ou retirar todas as dificuldades, mas em fornecer o necessário para que vivamos de modo agradável a Deus. A graça pode ser definida como o maior de todos os presentes concedido a quem merecia o maior de todos os castigos. Por causa do pecado, todos se tornaram culpados diante de Deus e merecedores da morte (Rm 3.23; 6.23). Contudo, Deus entregou seu Filho para salvar pecadores que jamais poderiam conquistar a salvação por esforço ou mérito. “Pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2.8). A graça é o favor imerecido de Deus revelado em Cristo Jesus e concedido gratuitamente ao pecador. Além de ser um presente, a graça também é o poder de Deus que capacita o crente. Ela é o favor divino em ação na vida daqueles que foram alcançados por Cristo. Paulo declarou: “Pela graça de Deus sou o que sou” e, ao falar de seu trabalho, acrescentou: “Todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15.10). A graça que perdoa também fortalece e capacita. No uso popular, às vezes dizemos “estou só a graça” para descrever alguém cansado, abatido ou em péssimas condições. Embora pareça uma expressão inofensiva, ela reduz a graça a uma imagem de fraqueza e inpacidade. Biblicamente, a graça encontra o pecador em sua miséria, mas não o abandona nela. O poder de Deus nos capacita a viver para sua glória, obedecer à sua Palavra e cumprir os propósitos que Ele determinou para nós. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. Sob qual acusação Paulo foi levado diante de Gálio? 2. Como a decisão de Gálio confirmou a promessa que Deus havia feito a Paulo? 3. O que o possível destino de Sóstenes nos ensina sobre o alcance da graça? 4. O que significa dizer que “o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza”?
A Bíblia diz:
E os expulsou do tribunal. Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e começaram a espancá-lo diante do tribunal; Gálio, todavia, não se incomodava com estas coisas (At 18.16-17, NAA). O processo contra Paulo foi julgado publicamente na ágora de Corinto, diante do bēma, a plataforma onde os oficiais romanos examinavam as causas apresentadas ao tribunal. Escavações realizadas no lado sul da ágora descobriram uma estrutura elevada, revestida de mármore azul, que servia como assento judicial. – Depois que Gálio expulsou os acusadores do tribunal, Sóstenes, chefe da sinagoga, foi agarrado e espancado diante do procônsul. Lucas afirma que “todos” participaram da agressão, mas não identifica quem eram essas pessoas. Alguns manuscritos posteriores acrescentam “os gregos”, enquanto os melhores testemunhos textuais deixam o sujeito indefinido. Por essa razão, não é possível saber se Sóstenes foi atacado pelos judeus, irritados com o fracasso da acusação e por talvez Sóstenes se mostrar favorável a Paulo, ou por gentios que aproveitaram a ocasião para manifestar sua hostilidade contra os judeus. A hipótese de que os agentes de Gálio tenham participado desse espancamento também foi sugerida, embora seja menos provável. A identidade de Sóstenes acrescenta outra dificuldade. Paulo menciona, em 1 Coríntios 1.1, um cristão com o mesmo nome, apresentado como “nosso irmão”. Como Sóstenes era um nome comum, não há como provar que se trata da mesma pessoa. Caso sejam o mesmo homem, o chefe da sinagoga se converteu e tornouse companheiro de Paulo, assim como seu antecessor, Crispo. Sua conversão pode ter ocorrido antes da agressão, o que explicaria uma possível reação dos judeus, ou algum tempo depois.O texto não fornece informações suficientes para escolher entre essas possibilidades. A conduta de Gálio precisa ser avaliada em dois aspectos. Como juiz, ele percebeu corretamente que Paulo não havia cometido crime contra a lei romana e recusou-se a transformar uma controvérsia religiosa em processo criminal. Entretanto, quando Sóstenes foi espancado diante do tribunal, permaneceu indiferente. Gálio foi sensato ao rejeitar a acusação contra Paulo, porém omisso ao permitir que um homem fosse agredido diante de seus olhos.A decisão do procônsul trouxe consequências importantes para o avanço do evangelho. Ao recusar a acusação, Gálio não tratrou a pregação cristã como atividade criminosa e permitiu que Paulo continuasse seutrabalho em Corinto. Embora sua decisão não constituísse uma lei para todo o império, ela estabeleceu um precedente favorável que poderia influenciar outras autoridades romanas. 3.3 A suficiência da graça na experiência de Paulo. Verdade central: Em Corinto, Paulo viveu a suficiência da graça entre fragilidades, pressões e oposição. A cidade difícil tornou-se campo fértil para a ação de Deus. Para refletir: A graça de Deus é suficiente para nos sustentar em qualquer circunstância.
A LIÇÃO DIZ: Em Corinto, Paulo viveu intensamente a suficiência da graça de Deus. Em meio a fragilidades, pressões e oposição, aprendeu que o poder divino se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9). A cidade marcada pela decadência tornou-se um campo fértil para a manifestação da graça. Sustentado pelo Senhor, Paulo permaneceu ali dezoito meses, e uma igreja foi estabelecida (At 18.11). A palavra “suficiência” descreve a qualidade daquilo que basta, que atende plenamente a uma necessidade e não depende de qualquer complemento. Portanto, afirmar que a graça de Deus é suficiente significa reconhecer que ela nos concede tudo o que precisamos para receber a salvação, permanecer fiéis e cumprir a vontade divina. Sua suficiência não consiste em satisfazer todos os nossos desejos ou retirar todas as dificuldades, mas em fornecer o necessário para que vivamos de modo agradável a Deus. A graça pode ser definida como o maior de todos os presentes concedido a quem merecia o maior de todos os castigos. Por causa do pecado, todos se tornaram culpados diante de Deus e merecedores da morte (Rm 3.23; 6.23). Contudo, Deus entregou seu Filho para salvar pecadores que jamais poderiam conquistar a salvação por esforço ou mérito. “Pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2.8). A graça é o favor imerecido de Deus revelado em Cristo Jesus e concedido gratuitamente ao pecador. Além de ser um presente, a graça também é o poder de Deus que capacita o crente. Ela é o favor divino em ação na vida daqueles que foram alcançados por Cristo. Paulo declarou: “Pela graça de Deus sou o que sou” e, ao falar de seu trabalho, acrescentou: “Todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15.10). A graça que perdoa também fortalece e capacita. No uso popular, às vezes dizemos “estou só a graça” para descrever alguém cansado, abatido ou em péssimas condições. Embora pareça uma expressão inofensiva, ela reduz a graça a uma imagem de fraqueza e inpacidade. Biblicamente, a graça encontra o pecador em sua miséria, mas não o abandona nela. O poder de Deus nos capacita a viver para sua glória, obedecer à sua Palavra e cumprir os propósitos que Ele determinou para nós.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. Sob qual acusação Paulo foi levado diante de Gálio? 2. Como a decisão de Gálio confirmou a promessa que Deus havia feito a Paulo? 3. O que o possível destino de Sóstenes nos ensina sobre o alcance da graça? 4. O que significa dizer que “o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza”?
CONCLUSÃO Agradecemos a Deus pela oportunidade de estudar mais uma lição. Aprendemos que sua graça sustentou Paulo em meio ao medo, fortaleceu-o para continuar pregando o Evangelho e garantiu a continuidade do trabalho missionário em Corinto. Ainda hoje, Deus salva pecadores por sua graça e capacita os crentes a viver para sua glória. Esperamos você na próxima aula, em nome de Jesus. Deus abençoe a todos. Amém!
A IGREJA DOS GENTIOS Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos
1. CONTEXTO HISTÓRICO, CULTURAL E RELIGIOSO DE ATENAS.
2. OS FILÓSOFOS EPICUREUS E ESTOICOS (At 17.18-21).
3. O DISCURSO DE PAULO NO AREÓPAGO.
INTRODUÇÃO Nesta lição, estudaremos a passagem de Paulo por Atenas, cidade reconhecida por sua tradição filosófica e por sua intensa religiosidade. Diante de um povo cercado por altares e distante do Deus verdadeiro, o apóstolo anunciou o Evangelho no Areópago, tomando como ponto de partida o altar dedicado ao “Deus Desconhecido”. Sua pregação mostra que é possível dialogar com a cultura sem comprometer a verdade, proclamando o Deus Criador, chamando todos ao arrependimento e anunciando a ressurreição de Jesus Cristo. Preparados? Vamos aprender juntos a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. (At 17.30, NVI). No passado Deus não levou em conta essa ignorância. Mas agora ele manda que todas as pessoas, em todos os lugares, se arrependam dos seus pecados. (At 17.30,NTLH). Nesta passagem bíblica, Paulo faz três grandes declarações: • Existiu um período caracterizado pela “ignorância”. • Deus “não levou em conta” esse período da mesma maneira que agora. • No presente, Deus ordena universalmente o arrependimento.
Portanto, o versículo não está ensinando que Deus aprovava a idolatria nem tão pouco que as pessoas do passado estivessem isentas de responsabilidade moral. O próprio discurso de Paulo denuncia a fabricação de imagens como uma compreensão equivocada de Deus (At 17.29). A ideia presente aqui é que, com a revelação trazida por Cristo, iniciou-se uma nova etapa na história da salvação: aquilo que Deus suportou com paciência agora é confrontado por um chamado explícito e universal ao arrependimento. Em conclusão, esse texto não fornece base alguma para estabelecer uma doutrina sobre a salvação dos não evangelizados, pois esse não é o propósito do discurso de Paulo no Areópago. Seu objetivo é anunciar que, com a vinda de Cristo, Deus convoca todas as pessoas, em todos os lugares, ao arrependimento.
VERDADE PRÁTICA A obra evangelística floresce quando o coração, sensível ao Espírito, discerne os tempos e proclama com ousadia a graça salvadora de Cristo. Três pontos podem ser destacados na Verdade Prática: • Dependência do Espírito Santo. A obra missionária depende do poder do Espírito Santo. É o Espírito quem capacita a Igreja para testemunhar o evangelho, convence o pecador e aplica a verdade de Cristo ao coração humano (At 1.8; Jo 16.8-14). • Compreensão do contexto. Paulo considerava o contexto de seus ouvintes, mas sempre os conduzia à verdade sobre Deus, o pecado, o arrependimento e o juízo (At 17.22-31). A abordagem pode variar; o evangelho permanece inalterado. • Proclamação do evangelho. A evangelização exige a proclamação clara e corajosa da obra salvadora de Cristo. O pecador precisa ouvir que está debaixo da condenação divina e que o perdão se encontra somente na morte e na ressurreição de Jesus (Rm 3.23-26; 1Co 15.1-4). A graça de Deus não encobre a gravidade do pecado; ela revela a suficiência de Cristo para salvar os homens.
Neste dia 25 de julho de 2026, aconteceu o segundo encontro de casais da Igreja Evangélica Assembleia de Deus na cidade de Santa Terezinha – PE . Iniciando com louvores valorizando o casamento. O estudo para casais com o tema: CONSTRUINDO UM CASAMENTO QUE HONRA A DEUS . Texto de pregação: “Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido “. (Efésios 5.33). Após a palavra, houve dinâmicas com os casais presentes. Deus abençoou em tudo e todos ficaram regozijados.
Pastor presidente Ailton José Alves Pastor local: Antônio Marcos
Tempos Pós-modernos. Gênesis 2:24. Vivemos uma época de incertezas, em que até o sentido do casamento tem sido questionado. Mas a Palavra de Deus, que não muda, nos orienta e consola.
Primeiro ponto: o casamento é uma criação de Deus, em Gênesis 2:24. Enfatize que não é invenção humana nem tradição cultural, mas um projeto divino de amor e unidade.O casamento é tratado apenas como contrato temporário, perde-se a dimensão de aliança diante de Deus. Jesus reafirma a seriedade do casamento. Em Mateus 19:4 a 6. Enquanto a cultura facilita o descarte das relações,Jesus nos chama à fidelidade e ao compromisso.
Em Efésios 5:25 e 33. Amar como Cristo amou é servir, perdoar e cuidar. Que esse amor não depende apenas de emoções, mas de uma decisão diária. O desafios pós-modernos. A cultura do “ficar”, o individualismo, o imediatismo e a pressão das redes sociais, mostra que tais tendências também podem afetar cristãos, por isso a necessidade de permanecer firmes nas palavras. As características do verdadeiro amor, 1 Coríntios13:4 a 7. A paciência, diálogo, perdão, constância, honra ao matrimônio. Em Hebreus 13:4. o casamento continua sendo precioso aos olhos de Deus e deve ser tratado com respeito e santidade. O carinho a diferentes realidades: aos casados, encorajando a cultivar tempo de qualidade, diálogo e perdão; aos solteiros, oriente a preparar caráter e fé antes de buscar um relacionamento; aos que trazem feridas, anuncie graça, perdão e restauração em Cristo. O mundo muda, mas a Palavra permanece. Que todos possam firmarem seus lares sobre Cristo, a rocha. Senhor, firma nossas casas na Tua Palavra e faz de nós testemunhas do Teu amor.
No passado, o traje de noiva e noivo simbolizava honra e solenidade. Embora a Bíblia não exija roupa específica, esses símbolos culturais expressavam reverência ao compromisso. Hoje, mais do que a roupa, a questão central é o sentido de aliança que se perdeu. A Bíblia não manda usar vestido ou paletó, mas chama para fidelidade e honra. Hebreus 13:4 diz que digno de honra entre todos seja o matrimônio. A formas e costumes podem mudar, mas o princípio permanece: aliança, fidelidade, amor sacrificial e responsabilidade diante de Deus e da comunidade. Mesmo que símbolos externos mudem, Deus continua chamando famílias a refletirem o amor de Cristo.
Vivemos numa sociedade onde a mídia, as redes sociais, os serviços são influenciadores digitais que exercem forte impacto sobre a forma de enxergar o amor e o casamento. Muitas vezes, relacionamentos são apresentados como algo descartável, guiados apenas por aparência e satisfação imediata, e quando surgem dificuldades, a mensagem implícita é seguir em frente sem perseverar. A Bíblia, porém, aponta outro caminho: aliança, fidelidade e amor sacrificial. É importante afirmar com honestidade que a mídia não é a única influência. Há família, amigos, igreja e experiências pessoais que também moldam percepções. Ainda assim, Romanos 12:2 nos orienta a não nos conformarmos com este século, mas a renovar a mente pela Palavra. O desafio é cultivar discernimento, filtrar conteúdos e escolher referências que edifiquem. Mais do que criticar formatos, o convite bíblico é recuperar o sentido de aliança e compromisso. Quando Cristo é o centro, compromisso, respeito, perdão e fidelidade deixam de ser apenas ideais e se tornam prática diária que abençoa famílias e testemunha ao mundo.
Vivemos tempos de mudanças rápidas, mas uma verdade permanece: todos precisamos de amor fiel e relacionamentos que honrem a dignidade humana. Mais do que cerimônias ou trajes, o que sustenta uma família é o compromisso diário de amar, respeitar, perdoar e cuidar. Para quem crê, esse compromisso encontra força em Deus, que nos chama a viver o amor como vínculo da perfeição. A todos os casais, evangélicos, católicos, ou àqueles que ainda estão buscando um caminho espiritual, fica o convite para valorizar a família, fortalecer o perdão, o diálogo, o respeito e o cuidado mútuo. Famílias fortes constroem sociedades mais fortes. Que Deus abençoe cada lar, fortaleça cada casamento e dê sabedoria para que o amor, o respeito e a fidelidade prevaleçam sobre as dificuldades. Que cada família seja um espaço de paz, acolhimento e esperança para as próximas gerações.
Entre os dias 25 e 26 de julho de 2026, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São José do Egito PE, realizou o 10 Congresso de Mulheres e 55 anos do Círculo de Oração. No sábado foi realizada a abertura com o Culto de Adoração e no domingo à tarde foi realizada a comemoração do 55° Círculo de Oração. Estavam presentes a comissão local e a comissão de Santa Terezinha PE, que louvaram a Deus com belos hinos de adoração ao Senhor. A cantora Wayne Alyne adorou a Deus com seus belos louvores cheios da unção de Deus. A igreja se alegrou e adorou ao Rei dos reis e Senhor dos senhores. O Nome de Jesus foi glorificado. A pregação foi ministrada pelo Ev. Rafael Ferreira de Oliveira, o qual veio representando o pastor presidente das assembleias de Deus de Pernambuco.
Vocés podem assistirem no seu televisor é só acessar o YouTube e ir na pesquisa e procurar o blogdozefreitas.
Pastor presidente: Ailton José Alves Pastor local: Ev. Cícero da Conceição Silva.
A IGREJA DOS GENTIOS Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos.
INTRODUÇÃO Nesta lição, veremos que a evangelização dos gentios trouxe alegria à Igreja, mas também gerou um importante debate doutrinário: seria necessário obedecer à Lei de Moisés para alcançar a salvação? Diante dessa controvérsia, a Igreja se reuniu no Concílio de Jerusalém e determinou que a graça de Deus alcança todas as nações sem a necessidade das obras da Lei. Preparados? Vamos aprender juntos a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus. (Ef 2.8, NVI). Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. (Ef 2.8, NTLH). Devemos recordar que Paulo está escrevendo para os irmãos de Éfeso, uma cidade influenciada pela religiosidade pagã e pelo orgulho humano. Nos versículos anteriores (2.1-7), ele enfatiza aos seus leitores que todos estavam “mortos em seus delitos e pecados”, incapazes de salvar a si mesmos. Desta forma, o versículo conclui que a salvação é o resultado exclusivo da ação misericordiosa de Deus. No mundo greco-romano, era comum buscar honra por conquistas pessoais. Paulo confronta essa mentalidade mostrando que ninguém pode reivindicar mérito diante de Deus. A salvação é um presente imerecido. A maneira como recebemos a dádiva da vida eterna é mediante a fé. Ter fé nesse caso significa assumir o lugar de pecador culpado e perdido e receber o Senhor Jesus como única esperança de salvação. A verdadeira fé que salva se manifesta quando a pessoa se entrega totalmente a Cristo.
VERDADE PRÁTICA É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com Deus. Esse pequeno texto enfatiza um movimento triplo: Deus nos procura, Deus nos perdoa e Deus restaura nossa relação com Ele. Somos alcançados pela graça. Deus é quem toma a iniciativa de buscar, chamar e atrair o ser humano. A Bíblia nos diz: Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10, NAA). O perdido não se torna digno para ser buscado. Cristo vem em busca dele para salva-lo. • Somos perdoados pela graça. O perdão é necessário porque o pecado produz culpa diante de Deus. A graça não ignora o pecado, mas oferece perdão com base na obra de Cristo. Deus não perdoa porque o pecado deixou de ser grave, mas porque Cristo satisfez plenamente a justiça divina. A Bíblia diz: Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça (Ef 1.7, NAA). • Somos reconciliados com Deus pela graça. Reconciliação significa, em termos gerais, que a inimizade causada pelo pecado foi removida. A Bíblia diz: Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho (Rm 5.10a, NAA).
1. QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA Pergunta chave: Como o Concílio de Jerusalém demonstrou que a graça é o único fundamento da unidade e da missão da Igreja? Ideia central do ponto: O Concílio de Jerusalém, ao rejeitar a imposição da Lei mosaica como requisito para a salvação, confirmou que a graça é o único fundamento da unidade cristã e da missão da igreja a todas as nações. 1.1 O Concílio de Jerusalém. Verdade central: O Concílio tratou da exigência da circuncisão para os gentios. A Igreja reconheceu que a salvação não depende da Lei, mas da graça de Deus. Para refletir: É um erro condicionar a salvação a práticas religiosas. Toda exigência humana adicionada à graça como requisito de salvação distorce o Evangelho.
A LIÇÃO DIZ:Realizado entre 48 e 50 d.C., o Concílio reuniu apóstolos, presbíteros e a igreja para tratar da controvérsia levantada pelos judaizantes, que defendiam a circuncisão como requisito para a salvação (At 15.1,5). Contudo, tal exigência contrariava o ensino bíblico, pois a circuncisão nunca foi meio de justificação (Rm 2.25-29). Sob a liderança de Tiago e a direção do Espírito Santo, a Igreja reconheceu que a salvação alcança todas as nações pela graça.O Concílio de Jerusalém representa um dos momentos mais decisivos da história da Igreja Primitiva. Até esse ponto, o livro de Atos registra a expansão progressiva do Evangelho: primeiro em Jerusalém, depois na Judeia e Samaria e, por fim, entre os gentios, por meio do ministério de Pedro, da igreja de Antioquia e da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Embora o Evangelho já estivesse alcançando os povos não judeus, ainda permanecia uma questão que precisava ser resolvida. A grande controvérsia consistia em saber se os gentios deveriam tornar-se judeus para serem plenamente recebidos na Igreja. Muitos cristãos oriundos do farisaísmo entendiam que a circuncisão e a observância da Lei de Moisés continuavam sendo exigências indispensáveis para os convertidos gentios. Essa questão ameaçava não apenas a unidade da Igreja, mas também a compreensão do próprio Evangelho, tornando necessária uma reunião em Jerusalém para examinar o assunto à luz da ação de Deus e das Escrituras. A decisão do Concílio confirmou que a salvação é concedida pela graça, mediante a fé, sem a exigência da circuncisão ou da observância da Lei mosaica. Com isso, a unidade da Igreja foi preservada e o caminho ficou definitivamente aberto para a expansão do Evangelho entre os gentios. A partir desse momento, o ministério de Paulo passa a ocupar o centro da narrativa de Atos, enquanto Jerusalém deixa de ser o principal cenário da obra missionária, que avança em direção ao mundo greco-romano. Pois bem, tendo abordado o assunto de forma geral, voltemo-nos as nuances do texto bíblico: Alguns indivíduos que foram da Judeia para Antioquia ensinavam aos irmãos: — Se vocês não forem circuncidados segundo o costume de Moisés, não podem ser salvos.Tendo surgido um conflito e grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, foi resolvido que esses dois e mais alguns fossem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, para tratar desta questão. Encaminhados, pois, pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. Quando chegaram a Jerusalém, foram bem-recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros, a quem relataram tudo o que Deus havia feito com eles.Mas alguns membros do partido dos fariseus que haviam crido se insurgiram, dizendo: — É necessário circuncidá-los e ordenar-lhes que observem a lei de Moisés (At 15.1-5, NAA). A controvérsia que deu origem ao Concílio de Jerusalém começou na igreja de Antioquia. Alguns cristãos vindos da Judeia passaram a ensinar que os gentios só poderiam ser salvos se fossem circuncidados e observassem a Lei de Moisés. Essa posição refletia a compreensão de parte dos cristãos oriundos do farisaísmo, para os quais a entrada na comunidade da aliança continuava vinculada aos antigos requisitos do judaísmo. Paulo e Barnabé opuseram-se firmemente a esse ensino, pois haviam testemunhado, durante a primeira viagem missionária, que Deus estava salvando os gentios sem lhes impor a circuncisão nem as prescrições cerimoniais da Lei. Como a controvérsia envolvia toda a Igreja, a congregação de Antioquia enviou seus representantes a Jerusalém para que a questão fosse examinada pelos apóstolos, presbíteros e pela igreja. Durante a viagem, Paulo e Barnabé compartilharam com as igrejas da Fenícia e da Samaria as notícias da conversão dos gentios, despertando grande alegria entre os irmãos. Ao chegarem a Jerusalém, relataram tudo o que Deus havia realizado por meio do ministério entre os povos. Contudo, alguns cristãos ligados ao grupo dos fariseus insistiram que os gentios deveriam ser circuncidados e guardar a Lei de Moisés.O debate não dizia respeito à lei moral, mas às prescrições cerimoniais que distinguiam Israel das demais nações. A decisão tomada em Jerusalém definiria não apenas a relação entre judeus e gentios na Igreja, mas também o futuro da expansão missionária do Evangelho. 1.2 O relatório de Pedro (vv.7-11). Verdade central: Pedro lembrou que Deus deu o Espírito Santo aos gentios pela fé. Não houve distinção entre judeus e gentios diante da graça salvadora. Para refletir: Não devemos, em hipótese alguma, fazer distinção onde Deus não faz. A salvação alcança todos os que creem em Cristo. A LIÇÃO DIZ: Pedro relembra de sua experiência na casa de Cornélio, mostrando que Deus concedeu o Espírito Santo aos gentios mediante a fé, e não por obras da Lei (At 10.44-46; Gl 3.2). Sem fazer distinção entre judeus e gentios, Deus purificou seus corações pela fé (At 10.34-48). Assim, Pedro questiona a imposição do jugo da Lei e afirma que todos são salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo (At 15.11). O texto bíblico nos diz: Então os apóstolos e os presbíteros se reuniram para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e disse: — Irmãos, vocês sabem que, desde há muito, Deus me escolheu entre vocês para ue da minha boca os gentios ouvissem a palavra do evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também o havia concedido a nós. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes o coração por meio da fé. Agora, pois, por que vocês querem tentar a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo que nem os nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como eles (At 15.6-11, NAA).
O versículo 6 relata o início da reunião do concílio. Como menciona apenas os apóstolos e os presbíteros, muitos intérpretes entendem que essa seja uma referência à reunião privada mencionada por Paulo em Gálatas 2.2 com “os que pareciam ser as principais autoridades”. Segundo essa interpretação, toda a igreja somente teria sido reunida posteriormente, por ocasião da “discussão” mencionada no versículo 7, ou até mais tarde, quando o versículo 12fala de “toda a assembleia”. No entanto, os versículos 6-29 formam uma narrativa contínua, e o mais natural é entender que todo o grupo estivesse reunido durante a discussão: os apóstolos, os presbíteros, outros membros da igreja de Jerusalém (inclusive os cristãos de tendência farisaica), Paulo, Barnabé e os demais integrantes da delegação de Antioquia. Os apóstolos e os presbíteros são destacados porque exerciam a liderança da assembleia. Foram eles que deram início às deliberações formais. Só para esclarecer, eu adoto a posição teológica de que a Carta aos Gálatas foi escrita antes do Concílio de Jerusalém, e não depois.O apóstolo Pedro foi uma peça fundamental no esclarecimento da verdade. Era um líder na igreja. Sua palavra tinha muito peso. Pedro já enfrentara um sério problema em Antioquia, quando deixou de ter comunhão com os crentes gentios e foi duramente exortado por Paulo (Gl 2.11-14). Agora, revelando humildade, posicionase firmemente contra a bandeira levantada pelos fariseus. Na defesa de Pedro, quatro verdades são proclamadas: • Deus escolheu Pedro para abrir a porta da fé aos gentios (15.7). O Senhor Jesus colocou nas mãos de Pedro as chaves do reino (Mt 16.19) e ele as usou para abrir a porta da fé aos judeus (2.14-36), aos samaritanos (8.14-17) e aos gentios (10.1-48). Em outras palavras, Pedro pregou aos judeus no Pentecostes, aos samaritanos em Samaria e ao gentio Cornélio em Cesareia. • Deus enviou o Espírito Santo aos gentios (15.8). Quando os gentios creram em Cristo, Deus confirmou a legitimidade dessa experiência, enviando-lhes o Espírito. O Espírito não foi dado aos gentios pela observância da lei, mas pelo exercício da fé (10.43-46; Gl 3.2). • Deus eliminou uma diferença (15.9). Deus não faz diferença entre judeus e gentios. A salvação é concedida não como resultado das obras nem por causa da raça. Deus trata tanto judeus como gentios damesma maneira.
• Deus removeu o jugo da lei (15.10). A declaração mais enfática de Pedro e sua exortação mais contundente foi acerca da remoção do jugo da lei. A lei pesava sobre os judeus, mas esse jugo havia sido removido por Jesus (Mt 11.28-30; Gl 5.1-10; Cl 2.14-17). A lei não tem poder de purificar o coração do pecador (Gl 2.21), de conceder o dom do Espírito (Gl 3.2), nem de dar vida eterna (Gl 3.21). Aquilo que a lei era incapaz de fazer, Deus realizou por meio do seu próprio Filho (Rm 8.1-4).O discurso de Pedro tem o mesmo efeito que sua palavra tivera no passado, após os acontecimentos na casa de Cornélio. Naquela ocasião, apaziguaram-se (11.18). Agora toda a multidão silenciou (15.12). 1.3 O relatório de Paulo e Barnabé (v.12). Verdade central: Paulo e Barnabé relataram sinais e conversões entre os gentios. Deus confirmou a obra missionária sem exigir que eles se tornassem judeus. Para refletir: “Quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito” (At 15.12). Deus confirma sua graça na expansão do Evangelho. A LIÇÃO DIZ: Em seguida, Paulo e Barnabé relatam como Deus confirmou a missão gentílica por meio de sinais e prodígios (At 4.30). Milagres como a cegueira do mágico cipriota, a cura em Listra e o livramento de Paulo, testemunham a aprovação divina (At 13.8-11; 14.8-10; 14.19,20). Além disso, destacam que os gentios foram salvos pela graça, sem a exigência da Lei (At 13.12,44,48). Ao final do discurso de Pedro, toda a assembleia permaneceu em silêncio. O tumulto e a intensa discussão com que a conferência havia começado (v. 7) cessaram completamente. Paulo e Barnabé já haviam relatado sua experiência missionária aos líderes da igreja (v. 4). Agora, porém, apresentaram seu testemunho diante de toda a congregação (v. 12). Mais uma vez, a ênfase recaiu sobre a iniciativa de Deus: aquilo que Ele havia realizado por meio deles, bem como os sinais e prodígios que confirmavam o ministério que desempenhavam. Esse relatório missionário constituiu toda a participação de Paulo e Barnabé na conferência. Os principais argumentos foram apresentados por Pedro e Tiago, líderes, respectivamente, dos apóstolos e dos presbíteros. Ao que tudo indica, Paulo e Barnabé não fizeram uma defesa direta de sua posição quanto à questão dos gentios. Seu único argumento, ainda que implícito, foi que o próprio Deus havia confirmado e aprovado sua atuação missionária. Essa foi uma estratégia sábia. Com frequência, aqueles que estão mais diretamente envolvidos em uma controvérsia têm dificuldade em ser ouvidos com objetividade por seus opositores. Uma terceira pessoa pode tratar do assunto com menos envolvimento emocional e maior autoridade. Esse foi exatamente o papel desempenhado por Pedro e Tiago, que, na prática, atuaram como porta-vozes dos dois missionários. 1.4 O discurso de Tiago (vv.13-21). Verdade central: Tiago mostrou, pelas Escrituras, que Deus já havia planejado alcançar os gentios. Para refletir: Devemos resolver os conflitos mediante as Escritura e a direção do Espírito. A unidade cristã precisa ser bíblica e espiritual. A LIÇÃO DIZ: Tiago, o Justo, irmão do Senhor e líder respeitado da igreja, preside o Concílio com discernimento espiritual (Gl 2.9). Após ouvir os testemunhos, reconhece que Deus visitou os gentios para formar dentre eles um povo para o Seu nome. Fundamenta sua proposta nas Escrituras, citando Amós (Am 9.11,12), mostrando que a inclusão dos gentios já fazia parte do plano redentor. Assim, afirma que a missão gentílica não contradiz a revelação, mas a cumpre. O Concílio decide não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando apenas a abstinência de práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria, imoralidade sexual, carne sufocada e sangue. Quando Paulo e Barnabé concluíram seu testemunho, Tiago levantou-se para falar (v. 13). Tratava-se de Tiago, irmão do Senhor, reconhecido como uma das “colunas” da Igreja (Gl 2.9) e, ao que tudo indica, o principal líder da igreja de Jerusalém (At 12.17; 21.18). Seu discurso é decisivo porque confirma, à luz das Escrituras, aquilo que Pedro havia demonstrado por meio de sua experiência com Cornélio. Enquanto Pedro mostrou que Deus havia concedido o Espírito Santo aos gentios mediante a fé, Tiago demonstra que esse acontecimento já havia sido anunciado pelos profetas. Inicialmente, Tiago recorda o testemunho de Pedro e afirma que Deus visitou os gentios para constituir dentre eles “um povo para o seu nome” (v. 14). A expressão é significativa porque emprega o termo grego laós (“povo”), normalmente era reservado a Israel. A ideia é que Deus está reunindo, entre os gentios, um povo que lhe pertence, sem que eles precisem tornar-se judeus para participar da comunidade da aliança. Em seguida, Tiago fundamenta sua argumentação citando Amós 9.11,12, conforme a versão da Septuaginta, fazendo ainda possível alusão a Jeremias 12.15 e Isaías 45.21. A profecia anuncia a restauração do tabernáculo de Davi, isto é, o restabelecimento da dinastia davídica sob o reinado do Messias. Essa restauração está intimamente ligada à busca do Senhor pelo remanescente da humanidade e por todos os gentios sobre os quais é invocado o seu nome. Essa expressão corresponde à afirmação do versículo 14 de que Deus está formando dentre as nações um povo para o seu nome. Deste modo, Tiago demonstra que a inclusão dos gentios não representa uma mudança no plano de Deus, mas o cumprimento do propósito revelado pelos profetas. Na compreensão de Tiago, os acontecimentos vividos pela Igreja representavam o início dessa visitação divina aos gentios. Deus já estava chamando dentre as nações um povo para o seu nome, exatamente como Pedro havia testemunhado. Contudo, essa obra não anulava as promessas feitas a Israel. Ao contrário, harmonizava-se com elas. Na perspectiva dispensacionalista, o argumento de Tiago segue uma sequência bem definida. Primeiro, Deus chama dentre os gentios um povo para o seu nome durante a presente era da Igreja. Depois, o Senhor restaurará o tabernáculo de Davi, cumprindo plenamente suas promessas a Israel na volta de Cristo. Em seguida, todas as nações sobre as quais é invocado o nome do Senhor participarão das bênçãos do Reino Messiânico. Os acontecimentos dos dias apostólicos eram, portanto, o início desse plano e não o seu cumprimento final. Com base nesse fundamento bíblico, Tiago conclui que os gentios não deveriam ser obrigados à circuncisão nem à observância das prescrições cerimoniais da Lei. Ao mesmo tempo, propõe algumas recomendações práticas para preservar a comunhão entre cristãos judeus e cristãos gentios. Sua decisão demonstra que a experiência missionária de Pedro, Paulo e Barnabé não apenas estava em perfeita harmonia com as Escrituras, mas também preservava a unidade da Igreja sem comprometer a verdade do Evangelho. Este foi o parecer final desta solene reunião: Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês maior encargo além destas coisas essenciais: que vocês se abstenham das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e da imoralidade sexual; se evitarem essas coisas, farão bem. Passem bem (At 15.28- 29, NAA). A salvação, para os primeiros cristãos, não dependia de guardar a Lei de Moisés ou de seguir ritos judaicos. Por isso, os líderes da igreja decidiram que os judaizantes, aqueles que ensinavam o contrário, deveriam ser impedidos de perturbar os gentios (não-judeus).
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. Qual foi a controvérsia tratada no Concílio de Jerusalém? 2. Como Pedro demonstrou que Deus não fez distinção entre judeus e gentios? 3. O que Paulo e Barnabé relataram sobre a missão entre os gentios? 4. Como a decisão do Concílio preservou a graça e a unidade da Igreja?
2. UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS Pergunta chave: O que é a graça de Deus, como ela se manifesta em Cristo e a quem ela alcança? Ideia central do ponto: A graça é o dom imerecido de Deus manifestado plenamente em Cristo, oferecido a todos os povos sem distinção étnica, cultural ou religiosa, e recebida pela fé como único meio de salvação e transformação. 2.1 O que é a graça de Deus? Verdade central: Graça é o favor imerecido de Deus em benefício do pecador. Para refletir: “Pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2.8). A salvação é dom de Deus. A LIÇÃO DIZ: A palavra grega cháris significa favor, bondade e dom imerecido. No Novo Testamento, a graça descreve a iniciativa soberana de Deus em salvar o ser humano, não por obras ou méritos, mas por amor e misericórdia (Ef 2.8,9). Diante do drama universal do pecado, que separou toda a humanidade de Deus (Rm 3.23), a graça se apresenta como o único meio de reconciliação. A Lei revela o pecado, mas não salva; somente a graça concede vida, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20). Graça é o favor imerecido e o poder capacitador de Deus que opera em todas as etapas da salvação humana, sem violar a liberdade, mas restaurando a capacidade de resposta do ser humano decaído. Ela é, ao mesmo tempo, incondicional no amor de Deus e resistível em sua aplicação pessoal, pois respeita a dignidade da resposta livre do homem. Vamos fazer algumas considerações sobre essa definição: • A graça é um favor imerecido e um poder capacitador. A graça é como uma mão estendida que não só nos convida, mas também nos levanta para que possamos caminhar com Deus. A graça não anula a liberdade, mas a restaura. Por causa do pecado, o ser humano está moral e espiritualmente separado de Deus (Ef 2.1), está escravizado, alienado, incapacitado de vir a Deus por si mesmo. A graça entra nesse estado e liberta à vontade cativa pelo pecado para que possamos responder a Deus com fé. Deus não força você a amá-lo, mas te liberta do pecado para que você possa decidir amálo de volta. • Graça é amor incondicional, mas pode ser rejeitada. Deus age em amor incondicional, mas espera cooperação voluntária do ser humano. A graça de Deus é suficiente para todos, mas efetiva apenas para os que creem, ela pode ser resistida. Deus oferece a salvação de graça, mas não obriga ninguém a aceitála. Amor verdadeiro não se impõe.
2.2 Jesus Cristo como a manifestação da graça. Verdade central: A graça se manifesta plenamente em Jesus Cristo. Ele perdoa, justifica e transforma quem crê. Para refletir: “A graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17). Cristo é a expressão perfeita da graça de Deus. A LIÇÃO DIZ: A graça alcança sua plena expressão na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Por amor, Ele se fez pobre para nos enriquecer espiritualmente (2Co 8.9). Em Cristo, a graça não apenas perdoa, mas justifica e transforma, conduzindo o crente a uma vida santa e piedosa (Rm 3.24; Tt 2.11,12). Sua morte substitutiva e ressurreição garantem redenção, perdão e nova vida àqueles que creem (Jo 1.17). A graça de Deus se revela de modo pleno em Jesus Cristo. No Antigo Testamento, ela já se manifestava na eleição, na aliança, no perdão e na paciência divina para com o seu povo. Porém, em Cristo, essa graça alcançou sua expressão máxima: o Filho de Deus assumiu a natureza humana, morreu pelos pecadores e ressuscitou para lhes conceder nova vida. Por isso João declarou: “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17). Há um contraste entre Moisés e Jesus, sendo o último infinitamente superior ao primeiro. Por que Cristo é a expressão máxima da graça de Deus? A primeira razão é que Cristo revela o favor salvador de Deus de forma pessoal. O Verbo que se fez carne e habitou entre nós, “cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Quem vê Cristo vê a graça de Deus em ação: ele recebe pecadores, perdoa pecados, chama os excluídos e oferece salvação aos que nada podiam reivindicar diante de Deus.
A segunda razão é que Cristo realiza a obra que torna a graça possível sem negar a justiça divina. Deus não perdoa o pecado como se ele não existisse. Cristo morre como substituto, levando sobre si a culpa dos pecadores. Por isso, Paulo afirma que somos “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). A graça é gratuita para nós, mas custou o sangue de Cristo. A terceira razão é que Cristo aplica aos crentes todos os benefícios da salvação. Pela graça, recebemos perdão: “em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7). Recebemos justificação: Deus declara justo aquele que crê em Cristo (Rm 5.1). Recebemos adoção: deixamos a condição de escravos e somos recebidos como filhos de Deus (Gl 4.4-7). Recebemos santificação: a mesma graça que salva também nos ensina a renunciar à impiedade e a viver de modo piedoso (Tt 2.11,12). Portanto, Cristo é a manifestação plena da graça, porque nele a graça é revelada, fundamentada e aplicada. Ela é revelada em sua encarnação, fundamentada em sua morte e ressurreição, e aplicada ao crente em forma de perdão, justificação, adoção, santificação e esperança eterna. 2.3 A graça é para todos os povos — sem exceção. Verdade central: A salvação é oferecida igualmente a judeus e gentios pela graça, mediante a fé. Em Cristo, não há barreiras étnicas, culturais ou religiosas. Para refletir: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13). A graça de Deus alcança todos os povos. A LIÇÃO DIZ: O Concílio de Jerusalém confirmou que a salvação não exige a observância da Lei mosaica, sendo oferecida igualmente a judeus e gentios pela graça, mediante a fé (At 15.11). Em Cristo, não há barreiras étnicas, culturais ou religiosas. Todo aquele que invoca o nome do Senhor será salvo (Rm 10.13). Essa graça universal deve ser recebida pela fé em Jesus Cristo, o único Salvador (Ef 2.8; Tt 3.4-7). A conclusão do Concílio de Jerusalém foi crucial, pois os gentios não deveriam ser obrigados à circuncisão nem à observância da Lei de Moisés como condição para a salvação. A Igreja reconheceu que judeus e gentios são salvos da mesma maneira: pela graça do Senhor Jesus Cristo, mediante a fé. Por isso, Pedro declarou: “Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também” (At 15.11). A decisão apenas confirmou aquilo que Deus já havia demonstrado ao conceder o Espírito Santo aos gentios sem qualquer distinção, “purificando os seus corações pela fé” (At 15.8,9). Ao preservar a liberdade do Evangelho, o Concílio também protegeu a pureza da doutrina da salvação. Acrescentar qualquer exigência humana como condição para alguém ser aceito por Deus significa negar a suficiência da obra de Cristo. Costumes, tradições, regras culturais ou práticas religiosas podem ter seu lugar na vida da igreja, mas jamais podem ser transformados em requisitos para a justificação. A salvação é dom de Deus, “não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). Escrevendo aos Gálatas, o apóstolo asseverou: “Admira-me que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gl 1.6). Mais adiante, afirmou que “se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde” (Gl 2.21) e advertiu que aqueles que buscavam justificarse pela Lei haviam “caído da graça” (Gl 5.4). A decisão do Concílio também reafirmou o alcance universal da salvação. O mesmo Deus que salva o judeu salva igualmente o gentio, sem distinção. Pedro testemunhou essa verdade diante da assembleia, e Paulo a desenvolveu ao afirmar que “não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.12,13). Da mesma forma, Cristo “é a nossa paz, o qual de ambos fez um” (Ef 2.14), derrubando a barreira que separava judeus e gentios e formando um só povo para Deus. Deste modo, o Concílio de Jerusalém deixou um legado permanente para a Igreja. Primeiro, Cristo é plenamente suficiente para salvar, e nada pode ser acrescentado à sua obra. Segundo, costumes e tradições eclesiásticas podem contribuir para a boa ordem da igreja, mas jamais podem ocupar o lugar da graça como fundamento da salvação. Terceiro, o Evangelho deve ser anunciado indistintamente a todos os povos, porque Deus continua chamando dentre as nações um povo para o seu nome (At 15.14). Essa continua sendo a mensagem da Igreja: somos salvos pela graça, vivemos pela graça e proclamamos essa graça a todos os homens.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. O que significa dizer que a graça é dom imerecido? 2. Por que a Lei revela o pecado, mas não salva? 3. Como Jesus manifesta plenamente a graça de Deus? 4. Por que a graça deve ser anunciada a todos os povos?
3. CRESCENDO NA GRAÇA Pergunta chave: Como o crente cresce na graça e o que recebe ao se aproximar do trono da graça? Ideia central do ponto: Crescer na graça é viver em dependência contínua de Deus, aproximando-se com confiança do trono da graça para receber misericórdia, perdão e capacitação para viver segundo a vontade do Senhor.
3.1 Como nos aproximar do trono da graça (Hb 4.16). Verdade central: O acesso ao trono da graça é possível por causa da obra de Cristo. Para refletir: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça” (Hb 4.16). Em Cristo, o crente tem acesso a Deus. A LIÇÃO DIZ: Crescer na graça e no conhecimento de Cristo pressupõe amadurecimento espiritual contínuo (2Pe 3.18). Assim, o acesso ao trono da graça ocorre com confiança, não fundamentada em méritos humanos, mas na obra redentora de Cristo, que removeu a barreira do pecado (Hb 10.19-22; Ef 3.12). Além disso, aproximamo-nos com fé viva e reverência, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Do mesmo modo, essa aproximação exige humildade e coração quebrantado, que o Senhor jamais despreza (Sl 51.17). Por isso, o trono é chamado de Trono da graça: dele procedem misericórdia, perdão, socorro e poder espiritual. O convite para nos aproximarmos do trono da graça é uma das maiores declarações do livro de Hebreus, pois mostra que, em Cristo, o acesso a Deus foi plenamente aberto aos que creem. No Antigo Testamento, a presença divina era simbolicamente restrita ao Santo dos Santos, onde apenas o sumo sacerdote podia entrar, uma vez por ano, levando sangue pelos pecados do povo (Lv 16.2,34). Em Cristo, porém, essa realidade foi transformada: o véu foi rasgado (Mt 27.51), e o caminho para Deus foi inaugurado. Por isso, o escritor declara: “Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça” (Hb 4.16).
Três condições para se chegar ao trono da graça: A primeira condição para essa aproximação é compreender que nosso acesso não se fundamenta em méritos pessoais, mas na obra sacerdotal de Cristo. O autor aos Hebreus afirma que temos “ousadia para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus” (Hb 10.19). Esse acesso foi aberto pelo sacrifício do Filho e permanece seguro porque Cristo continua exercendo seu sacerdócio à direita do Pai (Hb 7.25). Deste modo, não nos aproximamos porque somos dignos, mas porque temos um grande Sumo Sacerdote que intercede continuamente por nós. A segunda condição é a fé, pois o próprio livro de Hebreus ensina que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). A confiança mencionada em Hebreus 4.16 não é presunção nem irreverência, mas a liberdade concedida ao crente para entrar na presença do Pai, certo de que será recebido por causa de Cristo. Por fim, essa aproximação deve ser marcada por sinceridade e humildade. Hebreus 10.22 exorta: “cheguemo-nos com verdadeiro coração”. Deus requer um coração quebrantado, arrependido e sincero. Como afirmou Davi: “Ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). A graça não elimina a reverência; antes, torna possível uma comunhão verdadeira com Deus. 3.2 Quando devemos nos achegar ao trono da graça? Verdade central: O auxílio divino está disponível em tempo oportuno. Deus socorre o crente no momento da necessidade. Para refletir: É um erro procurar Deus apenas quando todos os recursos falham. A dependência da graça deve marcar toda a caminhada cristã.? A LIÇÃO DIZ: As Escrituras orientam que busquemos a graça “em tempo oportuno” (Hb 4.16). Isso significa que o auxílio divino está sempre disponível no momento exato da necessidade. Com efeito, Deus é socorro bem presente na angústia (Sl 46.1) e jamais se atrasa. Portanto, o trono da graça não é inacessível nem reservado a poucos, mas permanece aberto todos os crentes, que podem se achegar com confiança, hoje e sempre, pela fé em Jesus Cristo. O crente deve aproximar-se do trono da graça em todo tempo de necessidade, pois é ali que encontra o socorro de Deus para perseverar. O autor aos Hebreus afirma que recebemos misericórdia e achamos graça “para sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4.16). Esse auxílio divino alcança o crente nos momentos de fraqueza, tentação, aflição, culpa, dúvida e necessidade espiritual. Como Cristo é o Sumo Sacerdote que se compadece das nossas fraquezas, tendo sido tentado em todas as coisas, mas sem pecado (Hb 4.15), não precisamos nos esconder de Deus quando percebemos nossa fragilidade. Pelo contrário, devemos correr para Ele com confiança, certos de que encontraremos misericórdia para nossas faltas e graça para permanecermos firmes. A Escritura ensina que Deus é “socorro bem presente na angústia” (Sl 46.1), fortalece o cansado (Is 40.29), sustenta os que caem (Sl 145.14) e manifesta sua graça justamente em meio às limitações humanas, pois seu poder se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9). Deste modo, a presença de Deus deve ser buscada antes da queda, durante a luta e depois do arrependimento, porque não há fase da vida cristã em que possamos caminhar sem depender da graça. Portanto, achegar-se ao trono da graça não é uma atitude reservada apenas às crises mais graves, mas uma disciplina constante de dependência. Quem foi salvo pela graça deve aprender a viver diariamente aos pés do Deus da graça, buscando nele perdão, direção, força e perseverança. 3.3 O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça? Verdade central: Ao nos aproximarmos de Deus, recebemos misericórdia, perdão e fortalecimento espiritual. A graça também nos capacita a viver segundo a vontade do Senhor. Para refletir: “Crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor” (2Pe 3.18). O crente salvo pela graça também cresce nela. A LIÇÃO DIZ: Ao nos aproximarmos de Deus, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13). Assim, toda a vida cristã depende dessa graça, desde a salvação até o crescimento contínuo em Cristo (Tt 2.11,12; 2Pe 3.18). Além disso, Deus comunica sua graça por meios espirituais ordenados: a Palavra (2Tm 3.15), a pregação do Evangelho (Rm 1.16), a oração (Hb 4.16), o jejum (Mt 6.16-18), a adoração (Cl 3.16), a plenitude do Espírito Santo (Ef 5.18) e a comunhão à mesa do Senhor (At 2.42). Ao nos achegarmos ao trono da graça, Deus nos concede exatamente aquilo de que necessitamos para perseverar na vida cristã. O autor aos Hebreus 4.16 destaca três bênçãos que fluem desse trono: misericórdia, graça e socorro. Essas dádivas resumem a suficiência da obra de Cristo em favor do seu povo. Em primeiro lugar, recebemos misericórdia. A misericórdia de Deus responde à nossa miséria espiritual. Quando pecamos, encontramos em Cristo um Advogado junto ao Pai (1Jo 2.1,2). Por isso, podemos confessar nossos pecados com a certeza de que Deus “é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). O trono da graça não é um tribunal de condenação para aqueles que estão em Cristo, mas o lugar onde o pecador arrependido encontra perdão e restauração.
Em segundo lugar, encontramos graça. Se a misericórdia remove a culpa do pecado, a graça fortalece o crente para viver em obediência. Deus não apenas perdoa, mas também capacita. Foi isso que o Senhor respondeu a Paulo: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9). Essa graça sustenta o cristão nas tentações, fortalece-o nas provações e o conduz ao crescimento espiritual.
Em terceiro lugar, recebemos socorro em tempo oportuno. Deus conhece perfeitamente o momento da nossa necessidade e concede auxílio segundo a sua sabedoria. Esse socorro nem sempre significa a remoção imediata das dificuldades, mas a presença constante do Senhor em meio a elas. Como declarou o salmista: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl 46.1). Deste modo, quem se aproxima do trono da graça jamais sai de mãos vazias. Recebe perdão para o passado, força para o presente e esperança para perseverar até o fim. Essas bênçãos são comunicadas ao crente por meio dos recursos espirituais que Deus estabeleceu para a vida da Igreja. A Palavra fortalece a fé (2Tm 3.16,17), a oração nos mantém em comunhão com Deus (Fp 4.6,7), a comunhão da Igreja promove o crescimento mútuo (Hb 10.24,25), e a atuação do Espírito Santo produz em nós o querer e o efetuar segundo a vontade de Deus (Fp 2.13). Todos esses meios apontam para uma única realidade: a graça que nos salvou continua sustentando-nos até o dia de Cristo.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. Por que o crente pode se aproximar do trono da graça com confiança? 2. O que significa buscar ajuda em tempo oportuno? 3. Quais bênçãos recebemos ao nos achegarmos a Deus? 4. Como a graça sustenta o crescimento espiritual do crente?
CONCLUSÃO O Concílio de Jerusalém reafirmou que a salvação é concedida somente pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Ao rejeitar a imposição da circuncisão e da Lei de Moisés como requisitos para os gentios, a Igreja preservou a pureza da mensagem cristã e confirmou que nada pode ser acrescentado à obra perfeita de Cristo. Somos salvos pela graça. Essa mesma graça, que salva o pecador, também sustenta o crente em sua caminhada. Por meio dela, temos livre acesso a Deus, encontramos misericórdia, recebemos força para perseverar e somos conduzidos ao crescimento em santidade. Portanto, viver pela graça é descansar na suficiência de Cristo em todas as áreas da vida cristã.
Completando 80 anos nesta quarta-feira (1º), o Serviço Social da Indústria (SESI) celebra uma trajetória marcada pela expansão de suas ações nas áreas de educação, saúde, cultura e qualidade de vida. Em 2025, a instituição se consolidou como a maior rede privada de educação do país, com escolas em todos os estados brasileiros.
Ao longo do ano, o SESI registrou mais de 390 mil matrículas na Educação Básica, sendo:
9 mil alunos da Educação Infantil;
74 mil do Ensino Fundamental I;
92 mil do Ensino Fundamental II;
85.214 do Ensino Médio;
128.991 da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A rede é formada por 468 unidades, sendo 396 escolas, 71 centros de Educação de Jovens e Adultos e uma instituição de ensino superior. Atualmente, o SESI está presente em 377 municípios brasileiros.
Além da educação básica, os programas de Educação Continuada realizaram 436 mil atendimentos em 2025, ampliando as oportunidades de qualificação profissional e desenvolvimento de competências. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretor do SESI, Ricardo Alban, afirma que a instituição tem papel estratégico na formação de profissionais cada vez mais preparados, com uma visão moderna e alinhada às novas realidades.
“Pessoas mais bem preparadas, com visões modernas, adaptadas às novas realidades que surgem a cada momento, para que possamos trabalhar cada vez mais com uma indústria eficiente, produtiva, para que a indústria brasileira tenha condições competitivas — mesmo com as adversidades que nós temos em tantas outras situações, como o Custo Brasil e a geopolítica”, destaca.
Cultura
Entre 2020 e 2025, mais de 13,2 milhões de espectadores participaram de ações promovidas nos 296 espaços culturais do SESI distribuídos por todo o país. Nesse período, também foram realizadas mais de 1.156 ações culturais pelos 27 departamentos regionais da instituição.
Além disso, os cursos de cultura somaram 131,7 mil matrículas, ampliando o acesso à formação artística e ao desenvolvimento de habilidades criativas.
Por meio do Programa Nacional de Cultura, o SESI executou 168 projetos em diferentes linguagens artísticas e regiões do Brasil. A parceria com o Ministério da Cultura também capacitou mais de 54 mil agentes culturais em 57 oficinas.
Saúde
Na área da saúde, o SESI manteve uma das maiores estruturas de atendimento voltadas aos trabalhadores da indústria. Em 2025, 76,2 mil empresas utilizaram os serviços de saúde da instituição, beneficiando diretamente 4,4 milhões de pessoas.
Outro destaque foi a aplicação de mais de 881 mil doses de vacinas em trabalhadores da indústria e seus dependentes.
A estrutura de atendimento reúne mais de 500 unidades próprias distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, incluindo 497 unidades móveis, 317 Centros de Promoção da Saúde e 222 Centros de Saúde e Segurança no Trabalho.
Oito décadas de atuação
Criado em 1º de julho de 1946, o SESI surgiu para atender às demandas dos trabalhadores e das indústrias por condições dignas de trabalho e qualidade de vida. Com a missão de estudar, planejar e executar ações voltadas ao bem-estar social dos trabalhadores da indústria e de seus dependentes, a instituição se consolidou como uma das principais organizações voltadas ao desenvolvimento social e à promoção da cidadania no país. Para o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, o aniversário de 80 anos representa não apenas a celebração da história da instituição, mas também um compromisso com os desafios do futuro.
“Este ano, o SESI completa 80 anos. São 80 anos de uma história vinculada às demandas da sociedade brasileira e à garantia de direitos para os trabalhadores da indústria. O futuro colocado a partir disso coloca enormes desafios. Entre eles, que a gente consiga vincular educação, saúde, cultura e esporte às novas demandas do século XXI”, ressalta.
Segundo ele, a instituição continuará investindo em soluções voltadas à inovação, ao desenvolvimento e à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores da indústria e de suas famílias.
Sessão solene na Câmara dos Deputados
Para celebrar as oito décadas de atuação, o SESI foi homenageado, nesta quarta-feira (1º), em sessão solene na Câmara dos Deputados. A cerimônia reuniu lideranças da indústria e parlamentares em reconhecimento à contribuição histórica da instituição para o desenvolvimento social e econômico do país.
Na ocasião, Ricardo Alban destacou que o fortalecimento da competitividade brasileira depende da atuação conjunta entre setor produtivo, poder público e organizações sociais.
“Ao longo de seus 80 anos, o SESI tornou-se referência porque entende que a educação é uma construção coletiva, feita por professores, colaboradores, alunos, famílias e pelo setor produtivo em favor de um país mais qualificado, competitivo e humano”, afirmou.
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também defendeu a importância de uma política industrial permanente para o país e ressaltou que, com a ampliação do tempo livre dos trabalhadores, iniciativas nas áreas de educação, cultura, esporte e lazer tendem a ganhar ainda mais relevância.
“O SESI oferece qualidade de vida para os trabalhadores e isso tem um impacto direto na produtividade da nossa indústria”, assegurou o parlamentar.
Neste dia, queremos expressar nossa profunda gratidão a todos os pastores. Obrigado por sua dedicação incansável, por suas orações, e por sempre conduzir as ovelhas do Senhor com tanto amor. Que Deus continue a abençoar suas vidas e ministérios, fortalecendo-os para continuar essa nobre missão.
Os pastores também precisam de receber agradecimento e encorajamento.
Pastorear uma igreja não é uma tarefa fácil. Por isso, o nosso reconhecimento e gratidão. Ser pastor é um grande privilégio, mas também um desafio e uma enorme responsabilidade diante de Deus e das pessoas. Assim, faz todo sentido agradecer, honrar e interceder por esses servos que dedicam suas vidas para alcançar e edificar almas na presença de Deus.
“Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e inteligência.” Jer. 3.15 Esse texto nos mostra que os pastores são presentes de Deus à igreja, escolhidos para nutrir e guiar seu rebanho com entendimento e carinho. O pastor é aquele que caminha ao lado de suas ovelhas, compartilha suas alegrias e tristezas, e, acima de tudo, aponta o caminho para o Senhor. Ele não é apenas um líder, mas um servo de todos, refletindo o amor incondicional de Cristo em cada gesto e palavra. Essa é a essência do pastorado: estar presente, ser um suporte e direcionar os corações para Deus.
“Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. E, quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória.” Que essa promessa divina seja uma fonte de encorajamento e esperança para todos os pastores.
O clima de São João já tomou conta do RioMar Recife. A partir desta quinta-feira (4), o shopping promove uma série de shows gratuitos com artistas pernambucanos e atrações ligadas à cultura nordestina. A programação acontece na Praça de Alimentação, no Piso L3, e segue até o sábado (6).
Quem abre a agenda é o cantor e compositor Petrúcio Amorim, um dos principais nomes do forró tradicional. O artista sobe ao palco às 19h desta quinta-feira com um repertório que inclui canções conhecidas do público, como Tareco e Mariola.
Na sexta-feira (5), também às 19h, será a vez de Nena Queiroga animar os visitantes com clássicos do forró. Já no sábado (6), a banda Balaio de Cheiro encerra o primeiro fim de semana da programação junina.
Além dos shows, o RioMar Recife informou que promoverá apresentações de trio pé de serra nos dias 13, 14 e 20 de junho, sempre a partir das 18h.
O shopping também recebe iniciativas voltadas para o período junino. Uma delas é a loja colaborativa Artesanato de Talentos, instalada no Piso L1, próximo à Renner. O espaço reúne mais de mil produtos produzidos por 17 artesãos das comunidades do Pina e de Brasília Teimosa.
Entre os itens comercializados estão roupas, acessórios, peças decorativas e artigos para a casa inspirados na temática junina. A loja funciona até o dia 26 de junho.O clima de São João já tomou conta do RioMar Recife. A partir desta quinta-feira (4), o shopping promove uma série de shows gratuitos com artistas pernambucanos e atrações ligadas à cultura nordestina. A programação acontece na Praça de Alimentação, no Piso L3, e segue até o sábado (6).Quem abre a agenda é o cantor e compositor Petrúcio Amorim, um dos principais nomes do forró tradicional. O artista sobe ao palco às 19h desta quinta-feira com um repertório que inclui canções conhecidas do público, como Tareco e Mariola.Na sexta-feira (5), também às 19h, será a vez de Nena Queiroga animar os visitantes com clássicos do forró. Já no sábado (6), a banda Balaio de Cheiro encerra o primeiro fim de semana da programação junina.Além dos shows, o RioMar Recife informou que promoverá apresentações de trio pé de serra nos dias 13, 14 e 20 de junho, sempre a partir das 18h. O shopping também recebe iniciativas voltadas para o período junino. Uma delas é a loja colaborativa Artesanato de Talentos, instalada no Piso L1, próximo à Renner. O espaço reúne mais de mil produtos produzidos por 17 artesãos das comunidades do Pina e de Brasília Teimosa.
Entre os itens comercializados estão roupas, acessórios, peças decorativas e artigos para a casa inspirados na temática junina. A loja funciona até o dia 26 de junho. Outra atração é a Feira de São João, montada na Praça de Eventos 2, no Piso L1. O espaço conta com opções de vestidos juninos, coletes, acessórios e itens de decoração para quem pretende entrar no clima das festividades.
Programação de shows
Quinta-feira (4): Petrúcio Amorim, às 19h; Sexta-feira (5): Nena Queiroga, às 19h; Sábado (6): Balaio de Cheiro, às 19h.
A Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Santa Terezinha PE, comemorou neste último domingo (10/05/26), o culto de adoração a Deus e em homenagem às mães. Um dia memorável às mulheres guerreiras do Senhor. Uma dádiva divina. Estiveram louvando o Conjunto das Senhoras (Lírio dos Vales), dos jovens (Shalom), PROATI (melhor idade), Eletrônico Hedeiros do Céu e das crianças (Jóias de Cristo). A Palavra de Deus foi pregada e no final houve entrega de presentes e sorteios de brindes para as mães. Tudo para a honra e a glória do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Provérbios 31:10: Mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor muito excede ao de jóias preciosas.
Pastor presidente: Ailton José Alves Pastor local: Pb. Antônio Marcos.
Homens dos Quais o Mundo não Era Digno O Legado de Abraão, Isaque e Jacó
INTRODUÇÃO Abraão tinha cem anos e Sara, noventa, quando o filho prometido finalmente nasceu. Uma espera longa, que atravessou décadas e desafiou toda lógica humana, chegou ao fim não pelo esforço do casal, mas pela fidelidade de Deus ao que havia dito. O Senhor cumpriu sua promessa no tempo que ele mesmo havia determinado, mostrando que sua soberanidade não depende de condições favoráveis nem de circunstâncias que pareçam viáveis aos olhos humanos. Nesta lição, vamos estudar o nascimento de Isaque, as consequências da impaciência de Sara, a difícil decisão que Abraão precisou tomar e o cuidado de Deus com Agar e Ismael, mesmo depois de serem despedidos. A história desse período na vida de Abraão revela, ao mesmo tempo, as marcas persistentes que os erros deixam e a fidelidade de um Deus que não abandona ninguém. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”. (Gn 18.14, NVI). Será que para o SENHOR há alguma coisa impossível? Pois, como eu disse, no ano que vem virei visitá-lo outra vez. E nessa época Sara terá um filho. (Gn 18.14, NTLH). Em face da incredulidade de Sara, o Senhor faz uma das mais fascinantes declarações acerca da onipotência divina. Para Ele não há coisa demasiadamente difícil. Para Ele não há impossíveis. Ele, que criou o universo pelo poder da sua palavra; aquele que do nada fez acontecer e existir tudo o que temos hoje; aquele que fez o homem à sua imagem e semelhança, e que soprou nele o espírito de vida? Existe alguma coisa difícil demais para Deus? O mesmo Deus que leu os pensamentos de Sara, abriu a sua madre. Em seguida, Deus reitera a promessa. É a terceira vez que essa promessa aparece em Gênesis 17 e 18. Ele repete várias vezes suas promessas porque sabe que o nosso coração é inclinado à incredulidade e ao ceticismo, predisposições que nos fazem esquecê-las. É por esse motivo que Deus aparece a Abraão, de tempos em tempos, e repete a promessa. Essa é uma lição para nós também: precisamos todo dia abrir a Palavra de Deus e ouvir suas promessas, como se o próprio Deus estivesse falando dos céus ao nosso coração. 1 Graduado em teologia pela UniCesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco.
VERDADE PRÁTICA Deus é Onipotente e não há nada que Ele não possa realizar segundo a Sua vontade.Onipotência é o atributo pelo qual Deus pode fazer tudo quanto quer, tudo quanto decretou e tudo quanto é compatível com a sua natureza santa, justa, sábia e verdadeira. Em outras palavras, Deus tem poder absoluto sobre a criação, sobre a história, sobre a vida, sobre a morte, sobre a salvação e sobre o juízo. Nada pode frustrar a sua vontade, nem limitar o seu agir. Por isso, a Escritura afirma: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14); “Ah! Senhor Deus! Eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa” (Jr 32.17); “O nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe agrada” (Sl 115.3; cf. Sl 135.6; Mt 19.26; Lc 1.37). Contudo, a onipotência bíblica não deve ser entendida como um poder irracional ou desgovernado. Deus é santo e perfeito. Portanto, a sua onipotência nunca age em contradição com o seu próprio ser. A onipotência não está separada da santidade, da verdade, da justiça, da sabedoria nem da bondade de Deus. Por isso, dizer que há coisas que Deus não pode fazer não é negar sua onipotência. Pelo contrário, é afirmá-la corretamente. Há coisas que Deus não pode fazer justamente porque Ele é Deus. A Bíblia mostra, por exemplo, que Deus não pode mentir. Paulo diz que a esperança da vida eterna foi prometida por “Deus, que não pode mentir” (Tt 1.2). O autor de Hebreus reforça a mesma verdade ao declarar que “é impossível que Deus minta” (Hb 6.18). Além disso, Deus não pode negar a si mesmo. Em 2Timóteo 2.13, lemos: “Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar a si mesmo.” Deus jamais age contra o que Ele é. Ele nunca deixará de ser santo, fiel, justo ou verdadeiro. Seu poder jamais entra em choque com seu caráter. A Escritura também ensina que Deus não pode ser tentado pelo mal, nem tentar alguém. Tiago 1.13 afirma: “Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo não tenta ninguém.” Nele não há qualquer inclinação para o pecado. Sua onipotência não inclui a possibilidade de tornar-se moralmente corrompido, porque sua santidade é perfeita. Do mesmo modo, Deus não pode agir injustamente. Deuteronômio 32.4 declara: “Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.” No mesmo sentido, Abraão pergunta: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). Portanto, Deus nunca usa seu poder para praticar o mal, perverter o direito ou agir de modo injusto. Também podemos dizer que Deus não falha no cumprimento da sua Palavra. Ele vela para que ela se cumpra (Jr 1.12), e ela não volta vazia, mas faz aquilo para o que foi designada (Is 55.11). Seu poder sustenta sua fidelidade. Aquilo que Deus promete, Ele é poderoso para cumprir.
Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (2 Pedro 3.18) Crescer na graça – e não apenas em uma graça, mas em toda a graça. Aquele que não almeja conhecer mais de Cristo, nada sabe sobre ele ainda. Quem tem bebido este vinho terá sede de mais, pois, embora Cristo satisfaça, isto é ainda uma satisfação de um apetite não saciado, mas aguçado. Se você conhecer o amor de Jesus – como o cervo anseia pelas correntes de águas, assim vai suspirar por sorvos mais profundos do seu amor.
1. AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE SARA PONTO 1 E PONTO 2 SÃO COMENTADOS DE UMA SÓ VEZ. O ASSUNTO É PRATICAMENTE O MESMO Pergunta chave: O que aconteceu após o nascimento de Isaque? Ideia central do ponto: Deus cumpriu sua promessa no tempo determinado, dando a Abraão e a Sara um filho na velhice. Porém, o casal teve que enfrentar as consequências de sua tentativa anterior de “ajudar” a Deus, quando Ismael passou a zombar de Isaque. 1.1 O nascimento e o nome do filho da promessa. Verdade central: Quando Isaque nasceu, Abraão deu-lhe o nome que Deus havia escolhido. Isaque, no hebraico, significa “riso”, porque diante da velhice do casal, a ideia de terem um filho causava riso. Para refletir: Tenho crido que Deus pode cumprir suas promessas mesmo quando as circunstâncias parecem impossíveis, ou tenho duvidado por causa das minhas limitações? A LIÇÃO DIZ: Quando Isaque nasceu, a primeira providência que o velho pai tomou foi dar nome ao seu filho (Gn 21.3). Por que teria ele dado esse nome? Foi Deus quem escolheu esse nome (Gn 17.19). Isaque, no hebraico, significa “riso”. Certamente porque, ante a situação de sua velhice e a de Sara, a ideia de terem um filho causava riso. Abraão riu-se ao ouvir a promessa de que teria um filho (Gn 17.17), e Sara, de igual modo também riu com a ideia de que seria mãe aos noventa anos (Gn 18.12-14). Abraão e Sara não riram de Deus, mas do estado físico deles e da idade em que se encontravam. Vamos ao texto bíblico: O Senhor visitou Sara, como tinha dito, e cumpriu o que lhe havia prometido. Sara ficou grávida e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe havia falado. Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, Abraão deu o nome de Isaque. (Gn 21.1-3, NAA). A frase, “o Senhor visitou”, quando usada nas Escrituras com referência a uma pessoa ou um povo, indica algum sinal notável de favor, alguma bênção extraordinária (cf. Êx 3.16; 1 Sm 2.21; Lc 1.68).O nascimento de Isaque é descrito de forma surpreendentemente breve, considerando o espaço dedicado à falta de filhos de Sara na história até agora. No entanto, o triplo lembrete de que o SENHOR… fez o que havia prometido nos versículos 1-2 sublinha a significância do nascimento. Sem um filho, nenhuma das promessas de longo prazo a Abraão de terra, numerosos descendentes ou bênção às nações poderia ser cumprida. O nascimento de Isaque a um casal incrivelmente idoso prova a confiabilidade das promessas de Deus e que nada é impossível para o SENHOR (18.14). O versículo 2 destaca que Abraão já era velho quando Sara deu à luz. A palavra “velhice”, nessa passagem, não significa somente que Abraão tinha muitos anos, que tinha 100 anos, algo que já era algo extraordinário para os pós-diluvianos, mas indica também deterioração, desgaste, abatimento. Entretanto, foi nesse período que Deus escolheu dar um filho a Abraão. Há ainda outro detalhe que Moisés coloca no final do versículo 2: “Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, no tempo determinado, sobre o qual Deus lhe havia falado”. Deus havia dito que faria isso, e o fez no tempo dele. A longa espera e a provação da fé finalmente haviam terminado. Warren Wiersbe diz que o nascimento de Isaque significa o cumprimento da promessa, a recompensa da paciência, a revelação do poder de Deus e um passo decisivo no processo de cumprir o propósito de Deus na história da redenção. James Montgomery Boice diz que o nascimento de Isaque revela três verdades solenes: Deus cumpre a sua promessa, demonstra ser onipotente e ensina que seus planos são cumpridos não de acordo com a nossa pressa, mas conforme o seu tempo determinado. Partindo para o versículo 3, notemos que Moisés, o tempo todo, reforça que o menino nascido era filho de Abraão e de Sara. Afinal, era tão improvável que um casal de idosos, ele com cem anos e ela com noventa, além de ser uma mulher estéril, tivesse um bebê, que Moisés destaca esse fato repetidas vezes, como para enfatizá-lo: “sim, Isaque é filho deles mesmo. É o menino que Sara deu a Abraão na sua velhice”. O nome Isaque foi o nome que Deus havia escolhido um ano antes, quando apareceu a Abraão, em Hebrom, e estabeleceu com ele a circuncisão. Deus disse que o menino que haveria de nascer deveria se chamar Isaque (Gn 17.19), porque Abraão riu da ideia de que teria um filho aos 100 anos de idade, não um riso de cética incredulidade, mas sim de um espanto que não quer deixar de acreditar, mas que encara as dificuldades. O nome Isaque, em hebraico, significa “ele ri”. É como se Deus dissesse a Abraão: “você terá um filho, sim. E o nome dele será Isaque, que significa ‘ele ri’”. Sara, algum tempo depois, riria também, e o menino seria motivo de riso, de espanto e de alegria para todos. Portanto, em vez de escolher um nome pomposo, de fazer seu querer e sua vontade, Abraão coloca em seu filho um nome provocará perguntas: “mas por que o nome dele é ‘ele ri’?” Então, toda a história viria à tona: que o pai tinha 100 anos e a mãe, 90; que, quando soube que engravidaria, a mãe riu de incredulidade; que o pai sentiu um misto de alegria e hesitação. Quem ouvisse essa história riria também: “mas que coisa! Um casal de velhinhos tendo um bebê!”. Que espanto e que tributo à glória de Deus! 1.2 Ismael zomba de Isaque. Verdade central: Mais uma vez, Sara provou dos resultados negativos de seu plano de entregar Agar a Abraão. Quando Abraão aceitou essa proposta, começaram os problemas familiares. Agar passou a menosprezar Sara, e depois do nascimento de Isaque, Ismael, filho de Agar, zombava dele. Para refletir: Há consequências de decisões erradas do passado que ainda estou enfrentando? Como posso confiar em Deus para lidar com elas? A LIÇÃO DIZ: Mais uma vez, Sara provou dos resultados negativos de seu plano de entregar Agar, a serva egípcia, para que Abraão se unisse a ela e tivesse filhos com a estrangeira. Naquela ocasião, quando Abraão aceitou essa proposta, começaram os problemas familiares. Agar passou a menosprezar sua senhora, sem dúvida criticando-a por ser estéril. E depois do nascimento e crescimento de Isaque, Ismael, filho de Agar, zombava dele (Gn 21.9).
Vamos ao texto bíblico:
Isaque cresceu e foi desmamado. Nesse dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete. Sara viu que o filho que Agar, a egípcia, teve com Abraão estava zombando de Isaque. (Gn 21.8-9, NAA). Na versão A 21, bem como na NAA, entre os versículos 8 e 9 de Gênesis 21 há subtítulos como “Agar no deserto” ou “Abraão expulsa Agar e Ismael”, o que dá a impressão de que eles narram episódios diferentes. No entanto, em outras traduções, como a NVT, a ARA e a NVI, os versículos 8 e 9 estão sequenciados, pois há o entendimento de que a zombaria de Ismael em relação a Isaque aconteceu durante a festa do desmame. Por isso, sempre gosto de advertir: cuidado com esses subtítulos em negrito, pois eles não fazem parte do original; foram os tradutores que os colocaram no texto, na intenção de ajudar o crente na leitura, permitindo que ele saiba o que acontecerá em seguida. Quando Isaque nasceu, Ismael tinha entre treze e quatorze anos. Naquele tempo, as crianças eram desmamadas com três anos. Abraão deu um banquete para comemorar esse fato. No meio do grande banquete que Abraão estava dando surgiu uma coisa que não estava agendada, que azedou a festa, estragando a celebração. Quando estava todo mundo se alegrando, Sara flagra Ismael fazendo uma brincadeira de mau gosto com Isaque e naquele momento seu mundo ruiu. Isso era mais do que poderia suportar. Ela ficou cheia de uma fúria colérica e de um ciúme incontido. A palavra “zombar” pode ser traduzida por “rir” ou, simplesmente, “brincar”, como aparece na NTLH. É evidente que se tratava de uma brincadeira de mau gosto, porque, se assim não fosse, como explicar a reação violenta de Sara? O apóstolo Paulo, quando se refere a essa passagem, afirma que aquele que foi nascido da carne, Ismael, perseguia o que fora nascido do Espírito: “o que nasceu de modo natural perseguia o que nasceu segundo o Espírito” (Gl 4.29). Portanto, a brincadeira que Ismael estava fazendo com seu irmão era o que conhecemos hoje como bullying; ele estava caçoando do irmão. Talvez estivesse zombando do nome dele, “ele ri” (“Que nome é esse!?”), ou fazendo qualquer zombaria do gênero. Como mencionado antes, Ismael era um adolescente de 16 ou 17 anos, e já sabia que tinha perdido seus direitos de primogenitura para o irmão que nascera depois. Além disso, havia o histórico de sua mãe, Agar, a escrava egípcia, que tinha zombado de Sara, 16 ou 17 anos antes. Tudo isso pode ter contribuído para que Ismael zombasse do irmão, cheio de inveja, de ressentimentos e de ciúmes. O que era para ser uma festa termina com um grave problema familiar. Implicações: 1. A primeira aplicação que faço é doloroso, mas verdadeira. Os pecados antigos de Sara estavam tornando um momento especial de alegria em algo dolorosos e constrangedor. Devemos tratar os pecados passados imediatamente, caso contrário, certamente, eles surgiram no futuro para estragarem os momentos de alegria. 2. As ações de Ismael, provavelmente, refletiam as tensões presentes no lar de Abraão. Esse texto enfatiza como o lar, a vida em família, os pais, influenciam os filhos para o bem ou para o mal. 1.3 Sara pede a expulsão de Agar e Ismael.
Verdade central: A convivência entre Sara, Agar e Ismael tornou-se insuportável. As críticas e zombarias aumentavam a cada dia. Sara não suportou mais o constrangimento de uma situação que ela mesma criou. A saída que encontrou foi muito triste: “Deita fora esta serva e o seu filho”. Para refletir: Tenho criado situações por impaciência que depois se tornam difíceis de administrar? Como posso evitar isso? Ou melhor, como posso agir com sabedoria para não cometer um segundo erro tentando resolver o primeiro. A LIÇÃO DIZ:A convivência entre Sara, Agar e Ismael tornou-se insuportável. Tudo indica que as críticas e zombarias por parte de Agar e de Ismael a Sara e a Isaque aumentavam a cada dia. Assim, Sara não suportou mais aquele constrangimento, por uma situação que ela mesma criou. A saída que Sara encontrou para a resolução desta situação é muito triste: “Deita fora esta serva e o seu filho” (Gn 21.10). Então Sara disse a Abraão: — Mande embora essa escrava e o filho dela, porque o filho dessa escrava não será herdeiro com o meu filho Isaque. (Gn 21.10, NAA). De acordo com o registro do versículo 10, ela quer que Abraão mande Agar embora, mas a expressão usada no hebraico tem o significado muito mais forte de “expulsar”. Com esse ato, ela queria que Abraão deserdasse Ismael, o que significaria um rompimento definitivo de laços; seria uma declaração pública de que Abraão reconhecia que o filho mais velho não seria seu herdeiro. Assim, Ismael estaria sendo deserdado, e não faria mais parte da herança de Abraão. Sara se refere a Agar como “essa serva”, uma expressão no hebraico mais dura do que apenas “serva”, como Sara a tratava antes disso. Ela era uma “serva” de Sara, mas agora é tratada como “essa serva”, termo que sugere desprezo, na língua hebraica. A razão que Sara apresenta diante de Abraão para a sua demanda não é necessariamente o fato de o menino estar caçoando de seu filho, mas sim porque Ismael não seria herdeiro juntamente com Isaque. Ela estava muito segura em relação a isso, porque foi o que Deus havia prometido: “Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe chamarás Isaque; firmarei minha aliança com ele, como aliança perpétua para sua futura descendência” (Gn 17.19). Sara sabia do amor que Abraão tinha por seu primogênito, Ismael, e sabia também que, se os dois crescessem juntos, em algum momento Abraão seria tentado a incluir Ismael de alguma forma na herança que agora pertencia a Isaque. Assim sendo, a motivação de Sara pode ter sido errada, mas o argumento dela estava certo, pois era baseado na palavra de Deus de que seria Isaque o herdeiro das promessa, e não Ismael. Abraão não ouviu a demanda de Sara com bons ouvidos, e não a viu com bons olhos: “Isso pareceu muito desagradável aos olhos de Abraão, por causa de seu filho” (v. 11). A versão ARA traduziu essa frase como: “pareceu isso mui penoso aos olhos de Abraão”. A Septuaginta, que é a tradução grega, traduz: “que essa palavra pareceu muito dura para Abraão”. A razão para a dificuldade de Abraão em lidar com isso está na continuação do versículo 11: “por causa de seu filho”.Deus, contudo, na sua misericórdia, intervém na crise familiar, conforme registrado nos versículos 12 e 13: “Porém Deus disse a Abraão”. Esse é o nosso Deus, aquele que, em momentos de dificuldade, de angústia, de indecisão, vem ao nosso encontro para nos abençoar, guiar-nos e orientar-nos. Naquela época, no Antigo Testamento, costumeiramente Deus falava por meio de sonhos, de visões durante a noite. O indício de que a fala de Deus aconteceu durante a noite transparece no versículo 14, “Então Abraão levantou-se de manhã cedo”, frase que sugere que a fala de Deus aconteceu na noite anterior. Na noite da crise, Deus se revela ao seu servo, mais uma vez. E o que ele disse a Abraão, na visão em que lhe apareceu? • Em primeiro lugar: “Não considere isso muito desagradável aos teus olhos por causa do menino e por causa da tua serva” (v. 12). Dessa forma, a primeira palavra de Deus para Abraão foi para tranquilizar seu coração, de modo que ele não se preocupasse com o que aconteceria com a criança nem com a serva. • Em segundo lugar, a palavra que Abraão recebeu, e da qual certamente não gostou, aliás, como nenhum marido gosta, é: “Atende à voz de Sara em tudo o que te diz” (v. 12). Acredito que essa tenha sido a palavra mais dura que Deus disse para Abraão(rsrsrsrsrs)! Os motivos de Sara podem não ter sido os melhores, pois ela estava com ciúme por causa do seu filho, sentindo-se ameaçada com a presença de Agar e de Ismael; ela estava pensando apenas nela e em seu filho. Entretanto, ela estava certa em seu argumento, pois estava apoiada na palavra de Deus. Esse é o caso de alguém que faz a coisa certa pelo motivo errado. • Em terceiro lugar, Deus diz a Abraão que quem seria considerado descendência de Abraão seriam Isaque e seus respectivos filhos: “porque a tua descendência será reconhecida por meio de Isaque” (v. 12). Essa passagem é muito importante, e é usada algumas vezes no Novo Testamento. • Em quarto lugar, Deus afirma que cumpriria a promessa que já havia feito de abençoar Ismael: “Mas também farei uma nação do filho dessa serva, porque ele também é da tua descendência” (v. 13). Deus diz “também” porque estava incluído na promessa que, por meio de Isaque, Deus faria de Abraão uma grande nação, e, da mesma forma, Deus fará uma grande nação a partir de Ismael, porque ele também é da descendência de Abraão, mesmo que não seja da linhagem santa, escolhida. Deus está sendo coerente, porque prometeu abençoar Abraão e sua descendência, toda ela. Essa promessa de fazer de Ismael uma grande nação havia sido feita cerca de quatro anos antes, quando Deus deu a circuncisão a seu servo: “Quanto a Ismael, também tenho te ouvido; eu o abençoarei e o farei frutificar e crescer muito em número; ele irá gerar doze chefes, e farei dele uma grande nação” (Gn 17.20). Deus, agora, reitera a promessa que havia feito a Abraão, cerca de quatro anos atrás, como se dissesse: “não se preocupe com seu filho Ismael, porque eu vou abençoá-lo também e farei dele uma grande nação”. Deus havia dito, ainda, que Ismael geraria doze chefes, assim estabelecendo um paralelo com Isaque, que teve Jacó, do qual vieram os doze patriarcas de Israel. Implicações: 1. A escolha de Isaque, não implicava no abandono de Ismael. Ambos seriam abençoados por Deus, mas cada um segundo a vontade do Senhor. O texto está no ensinando que o que é de Isaque é de Isaque e o pertence a Ismael será de Ismael. Não adianta cobiçar o que é do outro, devemos buscar e viver o que Deus tem para as nossas vidas. 2. Em momentos de crise, a palavra final deve ser a de Deus. Devemos obedecer ao Senhor e nos sujeitar a ele, mesmo que isso doa e contrarie as nossas vontades. Verifique o aprendizado de seu aluno (ponto 1): 1. Qual o significado do nome Isaque e por que Deus escolheu esse nome? 2. Por que Abraão e Sara riram ao ouvir a promessa de Deus? 3. Quais foram as consequências da decisão de Sara de entregar Agar a Abraão? 4. Por que a convivência entre Sara, Agar e Ismael se tornou insuportável?
PONTO 1 E PONTO 2 SÃO COMENTADOS DE UMA SÓ VEZ. O ASSUNTO É PRATICAMENTE O MESMO 2. ABRAÃO TEM QUE TOMAR UMA ATITUDE Pergunta chave: O que Abraão precisou fazer diante do conflito? Ideia central do ponto: Abraão precisou tomar uma decisão difícil e dolorosa diante do conflito familiar, mas Deus o orientou e prometeu que não desampararia Agar e Ismael, mostrando que mesmo nas consequências de nossos erros, Ele age com graça. 2.1 Isaque é desmamado. Verdade central: Depois que Isaque cresceu e foi desmamado, Abraão fez um grande banquete. O desmame era um momento especial na tradição oriental. Aparentemente, tudo estaria normal, mas era puro engano. Para refletir: Há problemas antigos que podem surgir em momentos de alegria. Isso me leva a pensar com seriedade em duas coisas: o pecado deve ser evitado a todo custo. Porém, uma vez consumado, devo lidar imediatamente com ele, a fim de que não se torne um problema constante e futuro como no caso de Abraão. A LIÇÃO DIZ: ASSUNTO COMENTADO NO PRIMEIRO PONTO. 2.2. A zombaria. Verdade central: A zombaria de Ismael foi o estopim para uma crise que já se arrastava há anos. Para refletir: Há conflitos em minha família ou relacionamentos que tenho ignorado e que precisam ser resolvidos antes que se agravem? A LIÇÃO DIZ: ASSUNTO COMENTADO NO PRIMEIRO PONTO. 2.3 A tristeza de Abraão. Verdade central: Abraão estava com o coração dividido e machucado diante da situação. Essa era a consequência da tentativa de dar uma “ajudinha” a Deus. Mas o Senhor falou com Abraão que faria de Ismael uma nação e que não os desampararia. Para refletir: O Senhor é bom e não nos trata segundo aquilo que merecemos. A LIÇÃO DIZ: ASSUNTO COMENTADO NO PRIMEIRO PONTO. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. O que Abraão fez para comemorar o desmame de Isaque? 2. O que levou Sara a pedir a expulsão de Agar e Ismael? 3. Como estava o coração de Abraão diante dessa situação? 4. O que Deus prometeu a Abraão sobre Ismael?
3.AGAR E ISMAEL DEIXAM A CASA DE ABRAÃO Pergunta chave: O que aconteceu com Agar e Ismael no deserto? Ideia central do ponto: Abraão obedeceu a Deus e despediu Agar e Ismael. Embora eles tenham enfrentado o deserto e a escassez, Deus ouviu o clamor do menino e providenciou livramento, mostrando que Ele cuida dos aflitos mesmo em situações desesperadoras. 3.1 Abraão despede Agar e Ismael. Verdade central: Mandar embora seu filho deve ter sido uma decisão muito difícil para Abraão. Diante de decisões difíceis, devemos fazer como Abraão: ouvir a voz de Deus e obedecê-Lo. Para refletir: A obediência a Deus nem sempre é fácil, mas é sempre o caminho certo.
A LIÇÃO DIZ: Tomar a atitude de mandar embora o seu filho deve ter sido uma decisão difícil para Abraão. No entanto era necessário fazer o que Sara pediu. O que fazer diante de uma decisão difícil que precisamos tomar? Temos de fazer como Abraão: ouvir a voz de Deus e obedecê-Lo (Gn 21.14). Apesar do grande amor que Abraão tinha por seu filho Ismael, ele amava mais a Deus. Ele amava seu filho Ismael, mas amava a Deus mais ainda. Tanto é assim que, logo de manhã cedo, no dia seguinte, ele se levanta para obedecer a voz de Deus. Assim, ele se levanta de manhã cedinho para obedecer ao Senhor (v. 14): prepara e entrega a Agar suprimentos para a viagem. O versículo 14 menciona que ele lhe deu “pão”, uma palavra que no hebraico pode abranger outros tipos de comida, e lhe deu também um cantil de água, uma espécie de saco de couro, geralmente feito de pele de cabrito, que comportava cerca de doze litros, e diz o texto que ele pegou o pão e o cantil d’água de doze litros, e colocou tudo nos ombros de Agar. Depois de ter feito tudo isso, Abraão entregou o menino a Agar, e mandou-a embora. No hebraico, o termo usado nesse versículo é diferente do que foi usado por Sara, quando exigiu de Abraão: “Manda embora essa serva e o seu filho”(v. 10). A palavra que Sara usou no hebraico foi “expulsa”: “expulsa essa serva e o seu filho”. De acordo com o versículo 14, Abraão “mandou embora” Agar, mas não a expulsou. Ele a mandou embora talvez com lágrimas nos olhos, lágrimas de um pai que vê seu filho partir, quem sabe para sempre. No entanto, ele amava a Deus, e, sabendo que tinha de obedecer-lhe, fez o que tinha de fazer. Desse modo, Abraão estava definitivamente deserdando Ismael, seu filho mais velho, e mostrando a todos que ele não era nem seria seu herdeiro, mas sim Isaque. Despedidos do clã de Abraão, o mais lógico é que Agar e Ismael tenham saído em direção de Gerar, para o sul. Se verificarmos no mapa, notaremos que ela teria que descer para o sul para ir na direção do Egito. Contudo, ela se perde e começa a vagar sem rumo: “Ela partiu e foi andando errante pelo deserto de Berseba” (v. 14). Berseba é a região mais extrema da Palestina, a caminho o Egito. A próxima cidade é Sur, que marca as fronteiras do Egito. No caminho, Agar se perde, talvez por causa da angústia que sentia, pois ela já havia feito esse caminho antes, quando fugiu de Sara. Dessa vez, porém, ela estava desorientada, angustiada, sem perspectiva nenhuma. Geralmente, quando estamos assim, perdemos o rumo. A ansiedade é um péssimo GPS, pois nos leva por caminhos em que nos perdemos, e que não são o que queríamos. O fato é que Agar e Ismael ficaram perdidos no sul do deserto de Berseba, uma região inóspita, de sol escaldante, e perigosa para se viajar. Implicação 1. A obediência a Deus, às vezes, nos conduz a um caminho marcado por lágrimas, separações e perdas. Mesmo assim, é muito melhor do que desobedecer. 3.2 Agar e Ismael no deserto de Berseba. Verdade central: Foi terrível a prova pela qual Agar passou com seu filho. As únicas coisas que Abraão lhes deu foram um pão e um odre de água. Depois que a água terminou, Agar chorou e foi tomada pelo desespero. Ela deixou seu filho debaixo de uma árvore para não o ver morrer de sede ao seu lado. Para refletir: As situações mais desesperadoras são oportunidades para Deus mostrar seu poder e cuidado.
A LIÇÃO DIZ: As expectativas eram as piores possíveis. Agar não estava preocupada com a sua vida, mas, como mãe, não poderia ver o sofrimento do seu filho e a sua morte. Ela deixou seu filho debaixo de uma das pouquíssimas árvores que havia no deserto para não o ver morrer de sede ao seu lado, e o texto bíblico diz que ela “levantou a sua voz e chorou” (Gn 21.16). A água, enfim, acabou, e Agar teme que a morte de ambos havia chegado: “Quando a água do cantil acabou, Agar deitou o menino debaixo de um arbusto” (v. 15). É possível que o rapaz tivesse desfalecido de sede debaixo do sol forte, e, então, a mãe o coloca debaixo de uma arvorezinha, de um arbusto que havia na região, e afasta-se à distância de um tiro de arco (cerca de cem metros), deixa o menino lá, senta-se e diz: “Não quero ver o menino morrer” (v. 16). Então, começa a chorar em alta voz. Isso é o que qualquer mãe sozinha e angustiada faria por seu filho, pois chegara a hora da morte, e não havia mais esperança. Agar não tinha mais perspectivas: ela sequer sabia onde estava; a água tinha acabado. Era uma situação de completa crise, desesperadora. Ela já havia passado por uma situação parecida, quando, cerca de dezessete anos antes, fugira da casa de Abraão, após ter engravidado do patriarca. Agar tinha caçoado de Sara, humilhado-a, e depois fugira. Agora, ela estava seguindo pelo mesmo caminho que antes seguira, quando Deus a encontrou à beira de um poço e disselhe que voltasse e se humilhasse diante de Sara. Agora, Deus a encontra outra vez, mas não a manda de volta, porque seu destino está selado: ela não faz mais parte da vida de Abraão, assim como Ismael também não faz. Implicações: 1. Deus continua agindo quando os recursos humanos se esgotam. Há momentos em que nossas reservas se esgotam, os recursos acabam e já não vemos saída alguma. Nessas horas, devemos nos lembrar que o fim da capacidade humana não é o fim da providência divina. 2. Deus, às vezes, permite que cheguemos ao limite da nossa autossuficiência para nos ensinar que a vida não se sustenta apenas por aquilo que temos nas mãos. O deserto expõe nossa fraqueza, mas também nos ensina a depender mais profundamente do cuidado do Senhor. 3.3 Deus ouviu a voz de Ismael.
Verdade central: O Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael e enviou livramento. Para refletir: Deus ouviu o choro de Ismael no deserto e enviou livramento. Ele ouve nossa voz e atende ao nosso clamor. A LIÇÃO DIZ: Somente Agar poderia ouvir a sua própria voz, o seu clamor e a voz do menino; mas nada podia fazer; porém, o Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael, que olhava para sua mãe aflita sem poder fazer nada em seu favor. Deus enviou o livramento para Agar e seu filho. Mais tarde, Ismael se tornou um flecheiro e habitou com sua mãe no deserto de Parã (Gn 21.17-21). Como ouviu a voz do menino, Ele ouve a nossa voz e atende ao nosso clamor (Jr 33.3). Deus socorreu os aflitos no passado e Ele continua a nos socorrer no presente (Sl 121.1). O texto bíblico diz: E, afastando-se, foi sentar-se em frente, à distância de um tiro de arco, porque dizia: — Assim, não verei o menino morrer. E, sentando-se em frente dele, levantou a voz e chorou.Deus, porém, ouviu a voz do menino. E, do céu, o Anjo de Deus chamou Agar e lhe disse: — O que é que você tem, Agar? Não tenha medo, porque Deus ouviu a voz do menino, aí onde ele está.Ponha-se em pé, levante o menino e segure-
Verdade central: O Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael e enviou livramento. Para refletir: Deus ouviu o choro de Ismael no deserto e enviou livramento. Ele ouve nossa voz e atende ao nosso clamor. A LIÇÃO DIZ: Somente Agar poderia ouvir a sua própria voz, o seu clamor e a voz do menino; mas nada podia fazer; porém, o Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael, que olhava para sua mãe aflita sem poder fazer nada em seu favor. Deus enviou o livramento para Agar e seu filho. Mais tarde, Ismael se tornou um flecheiro e habitou com sua mãe no deserto de Parã (Gn 21.17-21). Como ouviu a voz do menino, Ele ouve a nossa voz e atende ao nosso clamor (Jr 33.3). Deus socorreu os aflitos no passado e Ele continua a nos socorrer no presente (Sl 121.1). Há poucas fontes naquele extenso deserto, e, muitas vezes, elas ficam escondidas entre arbustos. Por isso, viajantes, mesmo estando perto de uma fonte, podiam procurá-la por muito tempo sem encontrá-la. Isso ajuda a entender o sofrimento de Agar e Ismael e também esclarece que não foi um poço criado naquele instante. O que aconteceu foi que Deus abriu os olhos de Agar para perceber uma fonte que antes lhe havia escapado. Ainda assim, essa descoberta não deixa de ser uma intervenção de Deus, porque foi ele quem a conduziu, no momento certo, àquilo que poderia preservar a vida do menino. O texto termina fazendo uma breve descrição do que aconteceu com Ismael, nos versículos 20 e 21, e fornece quatro informações. A primeira é que “Deus estava com o menino” (v. 20). Deus estava com Ismael não porque ele fosse o filho da promessa, mas porque era descendente natural de Abraão. Por amor a Abraão, o Senhor usou de misericórdia para com esse filho que havia surgido de um arranjo humano. Isso mostra quão ampla é a misericórdia de Deus. Muitas vezes, ela vai além do que imaginamos. Deus é compassivo até mesmo com pessoas sobre as quais, em nossa limitação, talvez pensássemos que ele não demonstraria favor. A expressão “Deus estava com o menino” significa, nesse contexto, que Deus o abençoou, o guardou dos perigos do deserto e velou pela sua promessa para cumpri-la em sua vida. A segunda informação é que Ismael cresceu e passou a habitar no deserto, mais especificamente no deserto de Parã (vv. 20-21), região que corresponde à Arábia. A terceira informação é que ele se tornou flecheiro, isto é, um homem hábil no manejo do arco e da flecha. A quarta informação é que se casou com uma egípcia, escolhida por sua mãe, Agar. Como ele já não tinha a presença de Abraão em sua vida, foi sua mãe quem buscou, entre os seus, uma esposa para ele. Mais tarde, em Gênesis 25, Moisés registra a genealogia de Ismael, inclusive os doze príncipes que vieram dele. Assim, Deus cumpriu plenamente o que havia prometido. Moisés queria ensinar aos israelitas, pelo menos, duas lições por meio desse episódio. • A primeira é que Deus é fiel e cumpre a sua palavra. Ele deu a Abraão o filho prometido por meio de Sara, confirmou Isaque como herdeiro da promessa e, ao mesmo tempo, protegeu e abençoou Ismael. Portanto, os israelitas podiam confiar que Deus também cumpriria sua promessa relativa à terra. Eles estavam prestes a atravessar o Jordão para conquistar a terra prometida, embora os povos dali fossem militarmente mais fortes. A esperança deles, porém, não estava em sua força, mas no fato de que Deus era com eles, porque ele é o Deus da aliança, fiel e digno de confiança. • A segunda lição é sobre a misericórdia de Deus. Mesmo Agar e Ismael não pertencendo à linhagem da promessa, Deus os socorreu e os abençoou. Na primeira vez, Ismael ainda estava no ventre da mãe. Agora, pela segunda vez, Deus volta a intervir em favor deles. Os israelitas deveriam guardar isso no coração quando entrassem na terra prometida. Deus é justo e julgaria os cananeus, usando Israel como instrumento do seu juízo. Contudo, ele também é misericordioso e derrama bondade para além do povo da aliança. Sua graça alcança outras pessoas com sustento, proteção e cuidado. Por isso, Israel deveria lembrar-se dessa misericórdia e agir com compaixão diante dos estrangeiros. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. O que Abraão deu a Agar e Ismael quando os despediu? 2. Por que Agar deixou seu filho debaixo de uma árvore no deserto? 3. O que Deus fez quando ouviu o choro de Ismael? 4. O que aconteceu com Ismael depois que foi salvo no deserto?
CONCLUSÃO
O nascimento de Isaque confirma que Deus cumpre fielmente o que promete, no tempo certo e segundo a sua vontade. Ao mesmo tempo, essa narrativa também nos mostrou que decisões tomadas na pressa e na incredulidade deixam consequências dolorosas, como ocorreu com Sara, Agar e Ismael. Ainda assim, o texto também revela que, mesmo em meio à crise e ao deserto, Deus continua sendo misericordioso, justo e cuidadoso. Portanto, este estudo nos ensina a confiar na fidelidade do Senhor, a evitar atalhos carnais e a descansar no fato de que Deus não falha nem abandona aqueles que estão debaixo do seu cuidado.
Homens dos Quais o Mundo não Era Digno O Legado de Abraão, Isaque e Jacó
INTRODUÇÃO Nesta lição, examinaremos como Deus age com misericórdia e paciência, mas também como seu juízo é inevitável quando o pecador recusa a sua graça. Veremos que Sodoma e Gomorra não foram destruídas por acaso, mas porque a iniquidade de seus habitantes alcançou seu limite máximo e chegou até ao céu. Aprenderemos que Deus é, simultaneamente, amor e fogo consumidor. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”. (Gn 18.32, NVI). Finalmente Abraão disse: — Não fiques zangado, Senhor, pois esta é a última vez que vou falar. E se houver só dez? — Por causa desses dez, não destruirei a cidade — Deus respondeu. (Gn 18.32, NTLH). Do ponto de vista teológico, o autor de Gênesis enfatiza, pelo menos, quatro temas nesta breve referência: ● Deus é juiz de toda a terra. Isso aparece no contexto imediato (Gn 18.25). ● Deus ouve a intercessão. Abraão não é ignorado, sua súplica é levada a sério. ● O justo tem impacto no mundo. A presença de justos poderia beneficiar muitos outros. ● A misericórdia precede o juízo. Deus é amor, mas também é fogo consumidor.
VERDADE PRÁTICA Deus é misericordioso e dá tempo para o arrependimento, mas, quando o homem não quer, seu juízo é sem misericórdia. Há vários textos nas Escrituras que enfatizam a realidade da longanimidade de Deus e de sua misericórdia. Porém, embora Ele seja gracioso, também é justo. Por exemplo, podemos evocar a vida nos tempos 1 Graduado em teologia pela UniCesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco. de Noé (Gn 6-7). Antes de enviar o dilúvio, Deus suportou por um longo período de tempo, a corrupção humana. Em Gênesis 15.7, lemos a respeito dos amorreus: “a medida da iniquidade… ainda não se encheu.” Além disso, temos outros exemplos fora do livro de Gênesis, como Jonas e os ninivitas (Jn 3.1.10), e sobretudo, o período da monarquia de Israel, de onde se diz: O Senhor, Deus de seus pais, sempre de novo falou-lhes por meio dos seus mensageiros, porque teve compaixão do seu povo e da sua própria morada.Mas eles zombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram as palavras dele e debocharam dos seus profetas, até que a ira do Senhor veio sobre o seu povo, e não houve mais remédio. (2Cr 36.15-16, NAA).
Outros textos bíblicos: Quem teima em rejeitar a repreensão será destruído de repente sem que haja remédio. (Pv 29.1, NAA). Naquela mesma ocasião, estavam ali algumas pessoas que falaram para Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos havia misturado com os sacrifícios que os mesmos realizavam. Então Jesus lhes disse: — Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Digo a vocês que não eram; se, porém, não se arrependerem, todos vocês também perecerão. E, quanto àqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou, vocês pensam que eles eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Digo a vocês que não eram; mas, se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. (Lc 13.1-5, NAA). Deus, em sua misericórdia, dá tempo para o arrependimento; porém, quem endurece o coração e rejeita sua voz graciosa encontrará, por fim, o seu justo juízo.
1. OS ANJOS VISITAM ABRAÃO Pergunta chave: Como Deus se revelou a Abraão? Ideia central do ponto: Deus visitou Abraão nos carvalhais de Manre por meio de três mensageiros, sendo recebido com hospitalidade exemplar, e anunciou o nascimento de Isaque a Sara, mostrando que nada é impossível para o Senhor. 1.1 Abraão recebe a visita dos anjos do Senhor. Verdade central:O capítulo 18 de Gênesis tem início com a visitação do Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, por volta do meiodia. Ao avistar três homens vindo em sua direção, Abraão correu ao encontro deles e prostrou-se em terra, demonstrando hospitalidade ao oferecer proteção e provisão aos visitantes. Para refletir: Tenho mantido comunhão com Deus de forma que Ele possa me visitar e revelar seus propósitos, ou minha vida espiritual está distante e desatenta à voz do Senhor? A LIÇÃO DIZ: O capítulo 18 de Gênesis tem início com a visitação do Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre (v.1), um momento glorioso que antecedeu ao anúncio de algo impactante que Deus iria fazer e não era na vida de Abraão: a destruição de Sodoma e Gomorra. O texto bíblicos diz: “O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia” (Gn 18.1, NAA). Esse episódio ocorre logo após a aparição anterior do Senhor, na qual o nome de Abraão foi mudado. Não temos um espaçamento de tempo tão longo entre Gênesis 17 e 18 como entre o capítulo 16 e 17. Essa afirmação se fundamenta na idade de Abraão em relação ao nascimento de Isaque que ainda não havia ocorrido na época dos acontecimentos narrados no capítulo 18. De todas as aparições de Deus ao patriarca (12.7; 15.1; 17.1), essa é provavelmente a mais íntima e informal, pois o próprio Deus vem fazer uma refeição na presença do servo com quem ele havia feito uma aliança. Esse acontecimento se deu “junto aos carvalhos de Manre” (v. 1). Manre era um dos aliados de Abraão entre os cananeus e também o proprietário daquela parte da terra, situada nas proximidades de Hebrom, onde havia um bosque de carvalhos, conforme Gênesis 14.13. O detalhe geográfico ajuda a situar a narrativa e mostra que Abraão estava estabelecido em uma região conhecida. As tendas feitas de pele de cabra, comuns entre os povos nômades, eram preparadas de modo bastante funcional. À noite, com as abas abaixadas, conservavam o calor. Durante o dia, com as abas levantadas, permitiam a circulação do ar e amenizavam o calor. Por isso, sentar-se à entrada da tenda era uma forma de aproveitar a sombra e a brisa nas horas mais quentes do dia. O episódio de Gênesis 18 aconteceu justamente nesse período de intenso calor, provavelmente por volta do meio-dia, quando o mormaço era mais intenso e os viajantes costumavam buscar descanso. Abraão estava sentado à entrada de sua tenda, à sombra, possivelmente atento à chegada de algum forasteiro. Isso faz sentido porque a hospitalidade era uma das virtudes mais valorizadas entre os beduínos e esperava-se que um chefe, como Abraão, estivesse pronto a receber e socorrer quem passasse por ali. Há uma lição preciosa nesse texto: O Senhor aparece no ambiente da vida comum. Por isso, um grande perigo espiritual é viver esperando apenas momentos grandiosos, enquanto negligenciamos a comunhão diária. Deus pode e fala conosco por meio da leitura diária da Bíblia, das orações ao levantar e ao deitar, do culto doméstico, do devocional diário, no diálogo durantes as refeições na mesa, nos cultos que não são festivos e não tem convidados excepcionais. Não podemos perder essa realidade de vista.
1.2 A hospitalidade de Abraão. Verdade central: Abraão foi até a tenda de Sara e pediu que ela amassasse o pão, enquanto ele mesmo correu ao curral, escolheu uma vitela e ordenou que fosse preparada. Ele ofereceu o melhor aos visitantes, demonstrando a arte da hospitalidade, algo que parece esquecido atualmente. Para refletir: Tenho praticado a hospitalidade, recebendo as pessoas com alegria e oferecendo o melhor que tenho, ou tenho negligenciado essa virtude cristã? A LIÇÃO DIZ: O patriarca vai até a tenda de Sara e pede que ela amasse o pão, e ele mesmo corre até o curral, escolhe uma vitela e ordena que seja preparada. Precisamos aprender com Abraão a arte da hospitalidade, algo que parece estar esquecido atualmente. Ser bem recebido é muito bom, mas receber o próximo com hospitalidade é ainda muito melhor. Abraão levantou os olhos, olhou, e eis que três homens estavam em pé diante dele. Ao vê-los, Abraão correu da porta da tenda ao encontro deles, prostrou-se em terra e disse: — Senhor meu, se eu puder obter favor diante de seus olhos, peço que não passe adiante sem ficar um pouco com este seu servo. Vou pedir que se traga um pouco de água, para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore. Trarei um pouco de comida, para que refaçam as forças, visto que chegaram até este servo de vocês; depois, poderão seguir adiante. Responderam: — Faça como você disse. O texto registra, no versículo , que Abraão levantou os olhos e viu três homens em pé diante dele. Ao que tudo indica, eles ainda estavam a certa distância, pois o patriarca se levantou e correu ao encontro deles. A narrativa também sugere uma aparição repentina, porque Abraão olha e, de imediato, os três homens estão ali. Provavelmente, havia algo neles que o levou a perceber que não se tratava de simples viajantes em trânsito, mas de visitantes revestidos de dignidade e honra incomuns. Estamos, portanto, diante de uma teofania, isto é, de uma manifestação do próprio Senhor. Alguns intérpretes entendem que os três mensageiros seriam uma manifestação da Trindade, posição sustentada por alguns pais da igreja, além de Lutero e Hansjorg Braumer. Contudo, a leitura do próprio texto parece apontar em outra direção. Em Gênesis 18.13,14,17 e 22, um dos três homens é identificado como o próprio Senhor, Yahweh, enquanto os outros dois são apresentados, em Gênesis 19.1, como anjos. Nessa mesma linha, Bruce Waltke observa que se trata realmente do Senhor acompanhado de dois anjos, e que a identificação posterior dos “homens” confirma essa distinção. Talvez seja a esse episódio e ao do próximo capítulo (quando Ló recebe os anjos em sua casa) que o escritor de Hebreus se referiu, quando disse aos cristãos a quem escreveu sua carta: “Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, fazendo isso, mesmo sem saber, alguns hospedaram anjos” (Hb 13.2). Abraão ainda não sabia até esse momento que se tratava de anjos, e que um deles era o próprio Senhor, mas, assim mesmo, ofereceu-lhes hospitalidade, e teve o alto privilégio de receber em sua tenda e à sua mesa o Senhor e os anjos que com ele vieram. Sobre o tema da hospitalidade, o Comentário Histórico-Cultural informa que: A tradição de hospitalidade requeria que fosse oferecido a todos os estrangeiros que chegassem a uma habitação a oportunidade de descansar, lavar-se e comer uma refeição. O objetivo dessa atitude era transformar inimigos em potencial em amigos, pelo menos temporariamente. O protocolo exigia que a refeição servida ao hóspede superasse o que fora servido inicialmente. Assim, Abraão ofereceu apenas uma refeição, mas o que ele ordenou é que fosse preparado um pão assado na hora, um novilho e uma mistura de leite e iogurte. O que denota generosidade especial aqui é a carne fresca, um item que geralmente não fazia parte da dieta cotidiana. (WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018, p. 60). A hospitalidade é uma virtude importante na vida cristã porque revela amor, serviço e cuidado com o próximo. Em Romanos 12.13, Paulo manda praticá-la. Em 1Pedro 4.9, ela deve ser exercida sem murmuração. Por essa razão, a hospitalidade também aparece como requisito para os líderes da igreja em 1Timóteo 3.2 e Tito 1.8. Um líder não deve ser apenas alguém que ensina bem, mas também alguém disposto a receber, servir e cuidar de pessoas. A hospitalidade é um sinal de maturidade cristã e de compromisso com o evangelho. Cuidados relacionados a hospitalidade: ● Não devemos exercer hospitalidade de modo que apoie o falso ensino. Em 2João 10,11, o apóstolo orienta que, se alguém não traz a doutrina de Cristo, não deve ser recebido de modo a ser apoiado em sua missão. ● Não devemos praticar hospitalidade de forma ingênua, colocando a nossa casa ou a igreja em risco. Jesus mandou que seus discípulos fossem “prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10.16). Isso vale também para a hospitalidade. Há situações em que receber alguém sem critério pode expor a família, escandalizar os mais fracos ou abrir espaço para influência destrutiva na igreja.
● Não devemos usar a hospitalidade para legitimar pessoas divisivas e perturbadoras. Paulo manda a igreja observar e afastar-se daqueles que promovem divisões e escândalos contra a doutrina recebida (Rm 16.17).
1.3 O riso de Sara. Verdade central: Ao ouvir que teria um filho, Sara riu. Ela não riu de Deus, mas de sua própria condição física. Porém, o Senhor lembra a Sara que não há nada demasiadamente difícil para Ele. Para refletir: Tenho crido que nada é impossível para Deus, mesmo quando minhas circunstâncias parecem contrárias? A LIÇÃO DIZ: Ao ouvir que teria um filho, Sara riu. Ela não riu de Deus, mas, certamente, da sua condição física. Mas o Senhor lembra a Sara que não há nada demasiadamente difícil para Ele (Gn 18.14). Deus conhece o nosso coração e Ele viu fé no coração de Sara apesar de sua risada. Naquela ocasião, a visita de Deus a Abraão tinha pelo menos dois propósitos. Anunciar o nascimento de Isaque conforme o calendário da vida, isto é, o tempo de gestação e deixar o seu amigo ciente de que as cidades de Sodoma e Gomorra seriam completamente destruídas. No versículo 9, os anjos perguntam: “Onde está Sara, tua mulher?”. O fato de que eles sabiam que Abraão era casado e que sua mulher se chamava Sara já revela que eles não são pessoas comuns. A pergunta “Onde está Sara, tua mulher?” é uma pergunta retórica, pois, naturalmente, Deus sabia onde ela estava, mas queria chamar a atenção de Abraão para a promessa que faria em seguida. Abraão responde: “Está ali na tenda” (v. 9). Sara, seguindo o costume da época referente à modéstia que convinha às mulheres orientais, havia ficado oculta dentro da tenda, embora próxima da porta. Ela estava longe dos olhos, mas não longe de ouvir tudo o que estava sendo dito, pois “estava escutando à porta da tenda” (v. 10). Então, um deles repete a promessa que já havia sido feita a Abraão em Gênesis 17.21: “E um deles lhe disse: Certamente voltarei a ti no ano que vem, e Sara, tua mulher, terá um filho” (v. 10). É possível que tenha sido a partir desse momento que Abraão percebeu diante de quem ele estava, pois essa promessa lhe fora feita na visão anterior, registrada em Gênesis 17, pelo próprio Deus, que lhe apareceu de maneira gloriosa e extraordinária. Sara escutou quando o anjo do Senhor disse a Abraão “Certamente voltarei a ti no ano que vem, e Sara, tua mulher, terá um filho”, e por isso riu. O riso de Sara, ao contrário do riso de Abraão, do qual tratamos na lição anterior, não foi um riso de alegre admiração, ainda que hesitante, mas sim um riso de incredulidade. Ela colocou a situação do casal em contraste com a palavra de Deus: “Então Sara riu consigo, dizendo: Terei ainda prazer depois de idosa e sendo o meu senhor também já velho?” (v. 12). Ela riu no seu íntimo, um riso de incredulidade. A incredulidade de Sara é compreensível diante da idade, da esterilidade, do tempo da promessa. Sara já havia demonstrado certo ceticismo em relação a essas promessas de Deus, de modo especial quando consideramos o episódio narrado em Gênesis 16, no qual ela tentou obter a promessa usando o recurso carnal de entregar sua serva Agar a Abraão para, por meio dela, ter filhos. Portanto, Sara já apresenta um histórico de ser um tanto cética em relação a essa promessa que foi feita. Nesse episódio, seu ceticismo transparece quando ela ri, pois, ao agir assim, coloca sua condição contra a palavra de Deus.
Quando o Senhor diz“Por que Sara riu?”, ela se enche de medo, pois só então percebe diante de quem está e também que havia pecado contra Deus. O texto revela, no versículo 15, que ela teve medo e negou, dizendo “não ri”. Assim, ela acrescentou ao primeiro pecado um segundo, a mentira. Antes, ela foi incrédula; agora, ela foi mentirosa. Um pecado chama o outro.O autor de Hebreus interpreta que, nesse episódio e nos episódios de Gênesis 19 e 20, no nascimento de Isaque, Sara passou a crer, pois Deus, em sua misericórdia, não rejeitou a matriarca por sua incredulidade e por seu riso cínico, mas acolheu-a e lhe deu a fé necessária no cumprimento das promessas. Que lição preciosa para nós! Aliás, que encorajamento para nós! Quando cometemos um pecado, não precisamos tentar ocultá-lo de Deus, porque há misericórdia e perdão da parte do Senhor. Lembremos da maneira que ele tratou Sara e que ela, depois, até mesmo entrou para a galeria dos heróis da fé de Hebreus 11, apesar das suas atitudes iniciais equivocadas. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. Em que momento do dia ocorreu a visitação do Senhor a Abraão? 2. Como Abraão demonstrou hospitalidade aos visitantes celestiais? 3. Por que Sara riu ao ouvir a promessa de que teria um filho?
2. DEUS ANUNCIA SEUS PLANOS A ABRAÃO Pergunta chave: O que Deus revelou e como Abraão reagiu? Ideia central do ponto: Deus revelou a Abraão seu plano de destruir Sodoma e Gomorra por causa do imenso pecado daquelas cidades, e o patriarca se colocou como intercessor, suplicando misericórdia pelos justos. 2.1 O anúncio da destruição. Verdade central: Quando Abraão e Ló se separaram, o sobrinho escolheu estabelecer-se nos arredores de Sodoma, olhando apenas para a beleza das terras férteis. Os habitantes de Sodoma eram “maus” e “grandes pecadores contra o Senhor”. Deus revelou a Abraão que destruiria aquelas cidades. Para refletir: Minhas escolhas têm sido baseadas apenas em benefícios materiais ou aparência, ou tenho considerado o ambiente espiritual e moral ao tomar decisões importantes? A LIÇÃO DIZ: Já aprendemos que a terra entre Betel e Ai não comportava mais os pastores de Abraão e Ló. O tio e o sobrinho decidiram se separar depois de uma desavença entre seus pastores. O patriarca dá a Ló, seu sobrinho, a honra de escolher primeiro, e este viu somente a beleza das terras férteis e decidiu estabelecer-se nos arredores de Sodoma (Gn 13.1-12). O que Ló não sabia era que os habitantes de Sodoma eram “maus” e “grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13.13). O Senhor e seus anjos, aqui chamados de “aqueles homens”, deixam a casa de Abraão para cumprir a segunda parte de sua missão: executar o juízo sobre Sodoma. Abraão, como anfitrião, ainda lhes presta um último gesto de honra, acompanhando-os no caminho que seguiram em direção as cidades de Sodoma e Gomorra. É nesse contexto que o Senhor diz: “Ocultarei a Abraão o que estou para fazer, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra?” (Gn 18.17,18). Abraão, portanto, não é apenas o portador de uma grande promessa e o patriarca de uma grande nação. Ele também ocupa um lugar singular como profeta de Deus. Por isso, a declaração de Amós se ajusta tão bem a este momento: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). Dessa forma, o Senhor revela a Abraão tanto a gravidade do pecado de Sodoma quanto o juízo que está prestes a derramar sobre aquela cidade ímpia. Os pecados das duas cidades principais situadas às margens do mar Morto, Sodoma e Gomorra, haviam se multiplicado e se agravado muito. Por essa razão, faço dois questionamentos: (1) Ló não sabia que os moradores de Sodoma e Gomorra eram maus? O texto de Gênesis 13.13 mostra que a fama deles já era notória quando Ló decidiu ir para lá. (2) Por que Ló não deixou imediatamente essa cidade quando se viu no meio de um povo tão ímpio?
Aquelas cidades eram extremamente perversas pois seus habitantes eram dados às práticas sexuais contrárias à natureza: E chamaram Ló e lhe disseram: — Onde estão os homens que, à noitinha, entraram na sua casa? Traga-os aqui fora para que abusemos deles. (Gn 19.5, NAA). Igualmente Sodoma, Gomorra e as cidades vizinhas, que também se entregaram à imoralidade e adotaram práticas contrárias à natureza, foram postas como exemplo do castigo de um fogo eterno. (Jd v.7, NAA). Os homens daquele lugar não tentaram esconder seus pecados nem se arrependeram deles. O aspecto do rosto testifica contra eles; e, como Sodoma, exibem o seu pecado e não o encobrem. Ai deles! Porque estão provocando a sua própria desgraça. (Is 3.9, NAA). Mas nos profetas de Jerusalém vejo coisa horrenda: cometem adultério, andam com falsidade e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade. Para mim, todos eles se tornaram como Sodoma, e os moradores de Jerusalém, como Gomorra. (Jr 23.14, NAA). Algumas implicações: ● Pensando na escolha de Ló, tanto em ir para Sodoma como em permanecer por lá, afirmamos que nem toda oportunidade atraente convém ao servo de Deus, sobretudo quando ela o aproxima de contextos de maldade e pecado que irão minar a sua fé. ● Esse evento também nos chama a também a levar a sério a santidade do Senhor e a realidade do seu juízo. 2.2. O pecado leva à destruição. Verdade central: O pecado de Sodoma e Gomorra era imenso, e o Senhor não podia mais suportar a iniquidade daquele lugar. Deus é santo e não tolera a iniquidade, embora tenha misericórdia do pecador. Para refletir: Deus não ignora nem tolera o pecado, mas vê todo mal e injustiça. O caráter santo e perfeito de Deus exige que o pecado acarrete punição e toda injustiça seja castigada. A LIÇÃO DIZ: O pecado de Sodoma e Gomorra era imenso, e o Senhor não podia mais suportar a iniquidade daquele lugar. Deus é santo e não tolera a iniquidade, embora tenha misericórdia do pecador. Então, o Eterno toma a seguinte decisão: “Descerei agora e verei se, com efeito, têm praticado segundo este clamor que é vindo até mim; e, se não, sabê-lo-ei” (Gn 18.21).
O pecado pode levar a destruição? Mas o que ele destrói? ● Destrói a comunhão com Deus. O efeito imediato do pecado é a alienação, isto é, afastamento relacional de Deus. ● Destrói a integridade da pessoa. O pecado produz desejos que não conseguem ser satisfeitos e distorce até o conhecimento que a pessoa tem de si mesma. Em outras palavras, acontece uma destruição interior, pois a vontade fica cativa do mal, os afetos são desordenados e a consciência é deformada. Portanto, o pecado não estraga só comportamentos pontuais; ele alcança mente, desejos, vontade e corpo. ● Destrói os relacionamentos humanos. O pecado converte pessoas em objetos e o ambiente comunitário e social em um lugar hostil. O livro do Gênesis, em seus primeiros capítulos, mostra que o pecado tem o um grande potencial de se espalhar e se multiplicar: mentira, exploração, violência, abuso, vingança, incesto, assassinato, escravidão, rivalidade familiar. ● Destrói a vida. A morte é resultado do pecado e não algo “natural” ao ser humano em seu propósito original. ● Destrói porque termina em juízo. O pecado é destrutivo não só pelas suas consequências psicológicas, morais, comportamentais e espirituais, mas também porque ele se coloca contra a santidade de Deus.
Apêndice Neste ponto da narrativa (Gn 18.21), nós, os leitores do texto bíblico, começamos a notar que Deus se comporta como homem nessa história. Fica evidente que, em todo esse episódio, ele age dessa maneira: Deus assume um corpo humano; come uma refeição que Abraão preparou; fala como se estivesse tomando decisões no momento (“[não] esconderei de Abraão o que faço” [v. 17]); fala como se não soubesse dos acontecimentos e precisasse fazer uma investigação (“descerei agora e verei se tudo o que eles têm praticado condiz com o clamor que tem chegado a mim” [v. 21]). Ao mesmo tempo em que Deus assume uma forma humana, age como um ser humano e fala como um ser humano com Abraão, ele não deixa de revelar a sua identidade: ele é o Deus todopoderoso que dissera que Sara teria um filho dali um ano; ele é o Deus que conhece o íntimo do pensamento, e que repreendeu Sara, porque ela, no íntimo, riu-se da promessa, quando estava dentro da tenda; ele é o juiz de toda a terra a quem os clamores, o grito dos oprimidos, subiu; e ele é o Deus que é capaz de fazer avaliações e juízo, de destruir cidades e de poupar os justos que porventura nelas estejam. 2.3 A intercessão. Verdade central: Diante do juízo anunciado, Abraão se colocou na posição de intercessor, suplicando o favor do Senhor pelos habitantes justos que seriam destruídos com os ímpios. Para refletir: Tenho me colocado na brecha como intercessor pela minha família, cidade e nação, ou tenho orado apenas por mim mesmo e por minhas necessidades? A LIÇÃO DIZ: A decisão já estava tomada, mas Deus revela a seu servo o juízo que estava por vir. Diante do que o Senhor faria, Abraão coloca-se na posição de um intercessor.
No versículo 22, os dois anjos seguem em direção a Sodoma, enquanto Abraão permanece diante do Senhor. Os dois anjos descem pelo caminho do vale, rumo às cidades de Sodoma e Gomorra; Deus, porém, fica ali com Abraão, para dar ao patriarca a oportunidade de fazer o que Senhor sabia que ele faria. É como se Deus graciosamente lhe dissesse: “Eu vim para destruir Sodoma e Gomorra, mas vou escutar o que você tem a dizer”. Abraão não deixa passar a oportunidade, e, diz o texto, permanece diante do Senhor, enquanto os anjos descem para cumprir a sentença de Deus. Recordemos que, na Bíblia, os anjos com frequência são enviados por Deus para executar juízo. No livro do Apocalipse, são os anjos que derramam o juízo de Deus sobre toda a terra. Na revelação bíblica, vemos também que Deus manda um anjo para castigar Jerusalém, por causa do pecado de Davi. São anjos que destruíam exércitos inteiros. Foi o anjo da destruição, da morte, que passou na terra do Egito e matou os primogênitos, inclusive o filho de faraó. Os anjos são enviados de Deus para executar os seus juízos contra os ímpios e para proteger e abençoar os que são seus. Enquanto os dois anjos desceram na direção de Sodoma para executar a vontade de Deus, o Senhor ficou com Abraão no alto da montanha. Abraão, então, intercede seis vezes por Sodoma (v. 23-32). Ele já conhecia Sodoma e Gomorra, conhecia o rei de Sodoma, Bera, bem como o rei de Gomorra, Birsa. Sabemos disso em razão do evento narrado em Gênesis 14, em que Abraão lutou para trazer de volta as pessoas e os bens dessas duas cidades, pois haviam sido saqueadas por reis que vieram do Oriente, da Mesopotâmia. Portanto, Abraão já havia lutado por eles. Contudo, o mais importante é que Abraão sabia que Ló, seu sobrinho, e sua família estavam em Sodoma e que agora os anjos estavam indo na direção da cidade para destruí-la. Ele já havia usado as armas físicas (espadas, lança, escudo), agora ele usa arma espiritual da intercessão. Interceder é orar a Deus em favor de outra pessoa. É pedir, suplicar ou “pleitear” diante de Deus por alguém, buscando misericórdia, perdão, livramento, ajuda ou salvação.
Alguns pontos dessa intercessão merecem destaque: ● O primeiro ponto é que o apelo básico que Abraão faz a Deus, em prol de Sodoma, é um apelo à justiça de Deus. Ele diz, no versículo 23: “destruirás o justo com o ímpio?” (v.23), como se dissesse: “como o Senhor fará isso? O Senhor vai tratar o justo como se ele fosse igual ao ímpio?” Assim, Abraão apela para um dos atributos de Deus, a sua justiça. ● O segundo ponto de destaque é que o apelo de Abraão também recorre a outros atributos de Deus: a sua misericórdia e o seu amor. Ele diz no versículo 24: “Se houver cinquenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que ali estão?” Nesse momento ele não apela para a justiça de Deus, mas sim para a misericórdia e o amor de Deus para com seu povo. Dessa forma, o que Abrãao quer dizer é: “além de justo, o Senhor é um Deus amoroso, misericordioso e fiel. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. Por que Ló escolheu morar nos arredores de Sodoma? 2. Como era o pecado de Sodoma e Gomorra segundo o texto bíblico? 3. Qual foi a atitude de Abraão diante do anúncio da destruição?
3. A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA Pergunta chave: Como Deus executou seu juízo? Ideia central do ponto: Deus executou seu juízo sobre Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre, salvando apenas Ló e suas filhas. A esposa de Ló pereceu por desobediência, tornando-se advertência de que não devemos olhar para trás. 3.1 Deus “é fogo consumidor”. Verdade central: Depois da destruição da humanidade no Dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra foi o fato mais marcante e tornou-se referência e alerta da parte de Deus para toda a humanidade. Não podemos nos esquecer de que o Eterno é amor, mas também é justiça. Ele é “fogo consumidor”. Para refletir: Deus é amor, mas também é justiça. Ele dá tempo para o arrependimento, mas, quando o homem não quer, seu juízo é sem misericórdia. A LIÇÃO DIZ: Depois da destruição da humanidade na época de Noé por causa da corrupção geral do ser humano (Gn 6 e 7), a destruição de Sodoma e Gomorra nas campinas do Jordão foi o fato mais marcante e tornou-se referência e alerta da parte de Deus para toda a humanidade. Não podemos nos esquecer de que o Eterno é amor, mas também é justiça! Ele é “fogo consumidor”: “Pelo que, tendo recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 12.28,29). A expressão “Deus é fogo consumidor” aparece em Deuteronômio 4.24 e é retomada em Hebreus 12.29. Ela não quer dizer que Deus seja literalmente fogo, mas que Ele é santo, puro e irresistível em seu juízo.O fogo, nas Escrituras, muitas vezes simboliza a presença divina que purifica, prova e também consome aquilo que é impuro, rebelde e contrário à sua santidade. ● Em primeiro lugar, essa expressã revela a santidade de Deus. Ele é absolutamente puro e não convive com o pecado como se ele fosse algo normal. Por isso, quando a Bíblia diz que Deus é fogo consumidor, ela está afirmando que sua santidade reage contra toda idolatria, desobediência e impiedade. Em Deuteronômio, o contexto é justamente uma advertência contra a infidelidade da aliança. Israel não podia tratar o Senhor como se Ele fosse igual aos deuses das nações. ● Em segundo lugar, essa expressão revela o juízo de Deus. O fogo consome porque Deus julga o mal com justiça. Nadabe e Abiú, por exemplo, aprenderam que não se pode aproximar de Deus de qualquer maneira. Ananias e Safira também mostram, no Novo Testamento, que Deus continua santo. Portanto, “fogo consumidor” é uma forma metafórica de dizer que ninguém deve brincar com sua santidade. ● Em Hebreus 12.29, a expressão aparece no fim de uma exortação à reverência. O autor acabou de dizer que recebemos um Reino inabalável e, por isso, devemos servir a Deus de modo agradável, “com reverência e santo temor”. Em seguida, ele conclui: “porque o nosso Deus é fogo consumidor”. Ou seja, a graça de Deus não elimina sua santidade. O mesmo Deus que nos recebe em Cristo continua sendo majestoso, santo e digno de temor.
3.2 Uma catástrofe sem igual. Verdade central: Essas cidades tornaram-se símbolo de advertência divina contra a maldade e nunca mais foram habitadas. Para refletir: Tenho levado a sério as advertências da Palavra de Deus, ou tenho zombado ou ignorado os avisos divinos como fizeram os genros de Ló? A LIÇÃO DIZ: Não sabemos quantas pessoas habitavam em Sodoma e Gomorra. Provavelmente, havia um número elevado de habitantes, mas, a exemplo do que ocorreu no Dilúvio, quando somente Noé e sua família, oito pessoas, sobreviveram à destruição, também poucas pessoas foram salvas: Ló, sua esposa e suas duas filhas (Gn 19.15-23). Os genros de Ló zombaram dele quando os advertiu (Gn 19.14). Ao anoitecer, os dois anjos chegaram a Sodoma e foram recebidos por Ló, que os levou para sua casa e lhes ofereceu hospitalidade. Antes que fossem descansar, os homens da cidade cercaram a casa e exigiram que Ló entregasse os visitantes para que abusassem deles. Ló tentou impedir aquela maldade, mas a multidão se voltou contra ele e tentou arrombar a porta. Então, os anjos puxaram Ló para dentro, fecharam a porta e feriram os homens de Sodoma com cegueira. Em seguida, anunciaram a Ló que a cidade seria destruída por causa da gravidade do seu pecado e ordenaram que ele tirasse dali seus familiares. Ló foi avisar os genros, mas eles pensaram que tudo não passava de brincadeira. Eles não creram na palavra de Ló; portanto, não creram na advertência que Deus estava trazendo. Eles não haviam estado entre os homens que cercaram a casa de Ló, evidentemente, mas não tinham temor a Deus. Eram homens de Sodoma, apesar de terem se comprometido a casar com as filhas de Ló. Os genros de Ló acharam que ele estava brincando ou zombando, pois não criam em Deus, em pecado, em juízo e em nada do que Ló acreditava. Portanto, a autoridade da Ló e as palavras com que ele falou pareciam brincadeira e zombaria diante deles. Certo teólogo, ao comentar esse texto, diz: “Onde não há temor de Deus, essas coisas parecem brincadeira”. Isso continua a ser verdadeiro até hoje. Onde não existe o temor a Deus e o conhecimento da verdade, frases como “escapem do juízo”, “arrependam-se”, “voltem-se para Deus”, “existe um inferno” parecem brincadeira. As pessoas pensam que estamos zombando, brincando, ou fazendo algum tipo de piada, quando falamos da severidade do castigo de Deus que se aproxima sobre toda a humanidade.
Lembre, o comentário que estamos fazendo deste capítulo é seletivo, portanto, saltamos vários versículos seguindo o fluxo da lição. Ao amanhecer, os anjos apressaram Ló, dizendo: — Levante-se, pegue a sua mulher e as suas duas filhas, que aqui se encontram, e saia daqui, para que você não morra quando a cidade for castigada. Como, porém, ele se demorasse, aqueles homens o pegaram pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendolhe o Senhor misericordioso, e o tiraram, e o puseram fora da cidade. Havendo-os levado para fora, um deles disse: — Corra, para sair daqui com vida! Não olhe para trás, nem pare em toda a campina. Fuja para o monte, para que você não morra. (Gn 19.15-17, NAA). Ló havia demorado durante a noite toda, possivelmente na esperança de convencer seus futuros genros, mas foi em vão. É muito provável que, em seu coração, ele estivesse relutando em sair da cidade, pois tudo o que possuía estava ali. De que maneira ele sobreviveria sem seu gado, seus servos, seus bens e suas propriedades? Além do mais, conforme veremos mais adiante, sua esposa parecia gostar muito da cidade e estar ambientada; também suas filhas relutavam em deixar os dois noivos para serem destruídos. O fato é que o dia estava raiando, e Ló ainda estava na cidade, apesar de os anjos urdirem para que ele saísse dali com sua família, porque Deus iria destruir o lugar. Ló ainda se demorava, hesitando em sair da cidade. Então, os dois anjos tomam Ló pela mão, bem como sua mulher e suas duas filhas, e arrastam o grupo todo para fora da cidade. Moisés registra que Deus foi misericordioso para com Ló: “sendo o Senhor misericordioso com ele”. Deus poderia ter deixado Ló entregue a sua própria hesitação, mas o fez.
3.3 Transformada em estátua de sal. Verdade central: A esposa de Ló não seguiu a orientação dos anjos para não olhar para trás. Ela olhou, talvez para ver as cidades queimando, e ficou convertida numa estátua de sal. Ela não foi alcançada pelo fogo, mas pereceu pela desobediência. Para refletir: Tenho olhado para frente, buscando as coisas que são de cima, ou tenho olhado para trás com saudade do que Deus me mandou deixar? A LIÇÃO DIZ: Infelizmente, a esposa de Ló não seguiu a orientação dos anjos para não olhar para trás; ela olhou, talvez para ver as cidades queimando, e “ficou convertida numa estátua de sal” (Gn 19.26). Lembremos de que a esposa de Ló não foi alcançada pelo fogo, mas pereceu pela desobediência ao olhar para trás. Como servos de Deus, não devemos olhar para trás, mas para “as coisas que são de cima” (Cl 3.1,2). O texto bíblico diz: O sol estava nascendo sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar. Então o Senhor fez chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. Isso veio da parte do Senhor, desde os céus. Ele destruiu aquelas cidades, e toda a campina, e todos os moradores das cidades, e o que nascia na terra.E a mulher de Ló olhou para trás e virou uma estátua de sal. Além de Sodoma e Gomorra, também as cidades de Admá e Zeboim foram destruídas. A princípio, seriam destruídas as cinco cidades da planície do Jordão, a saber, Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Belá; no entanto, Belá, que mais tarde passou a se chamar Zoar, foi poupada, porque Ló pediu para ficar ali. De acordo com o registro do versículo 24, Deus fez chover fogo e enxofre dos céus. Moisés deixa claro que não se tratou de uma catástrofe natural. Atualmente, a região correspondente às cidades de Sodoma e Gomorra é cheia de depósitos de sal e de enxofre, e ninguém sabe mais ao certo a localização das antigas cidades. Acredita-se que seja onde está hoje a extremidade sul do mar Morto, e que a catástrofe tenha criado ou abaixado o nível da região, de forma que o mar a cobriu. Talvez os restos das cidades estejam debaixo do mar Morto. No versículo 26, Moisés registra que a mulher de Ló olhou para trás e se tornou uma estátua de sal. Isso aconteceu durante a fuga para Zoar, quando a destruição já havia começado. O texto sugere que ela ficou para trás e que seu olhar não foi um gesto casual, mas um sinal do apego do seu coração à cidade que estava sendo julgada. Muitos estudiosos entendem que ela era natural de Sodoma, o que ajuda a explicar esse vínculo mais profundo com o lugar. Portanto, embora tivesse recebido uma ordem clara para fugir sem parar e sem olhar para trás, desobedeceu. Seu gesto revelou que, mesmo saindo da cidade, seu coração ainda permanecia nela. A esposa de Ló foi transformada (no hebraico, literalmente, “tornou-se”) em uma estátua de sal. Não sabemos se a transformação foi um juízo imediato de Deus ou se a mulher foi alcançada pelo fogo e o enxofre que estavam caindo da parte de Deus, uma vez que ela havia ficado mais para trás do que sua família. O fato é que esse evento foi usado pelo Senhor Jesus séculos depois, para advertir seus discípulos quando Jerusalém fosse cercada pelos romanos. Em Lucas 17, Jesus diz aos discípulos que o domínio romano seria um juízo de Deus contra Jerusalém por tê-lo rejeitado, e que, quando eles vissem Jerusalém cercada de exércitos, deveriam fugir e não olhar para trás, não voltar para salvar nenhum bem. Então, nesse contexto, Jesus diz, em Lucas 17.32: “Lembrai-vos da mulher de Ló”. A mulher de Ló ficou como exemplo na história bíblica de alguém que se apegou ao mundo, e que, apesar de todos os benefícios e de toda a graça de Deus que lhe fora concedida, trocou tudo pelas coisas que estavam em seu coração: trocou a vida e a salvação em Zoar por Sodoma.
Implicações: ● Há pessoas que saem de certas práticas, ambientes ou vínculos mundanos, mas continuam interiormente presas a eles. Continuam olhando para trás com saudade, desejo ou nutrindo certa simpatia. Todavia, o texto nos adverte a obedecer sem hesitação, romper com o pecado sem nutrir afeição por ele e seguir adiante com os olhos postos na direção apontada por Deus. ● O lugar para onde Deus quer nos levar, nem se compara com o lugar do qual ele nos tirou. De acordo com Gênesis 19:17, um dos anjos ordenou que Ló e sua família fugissem para um lugar alto. O propósito era tirá-los da destruição e levá-los a um lugar totalmente seguro. Com isso, chegamos a conclusão que o lugar de onde Deus tirou Ló e sua família não se compara para onde Deus os levou. Do mesmo modo, a nossa vida em Cristo é eternamente maior e melhor que o mundo e suas paixões. Não se rebaixe, jamais desça a um nível de vida abaixo do que Deus tem para você. Conforme Colossenses 1:13, “Deus nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho”. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. Por que a destruição de Sodoma e Gomorra se tornou referência para toda a humanidade? 2. Quantas pessoas foram salvas da destruição de Sodoma? 3. O que aconteceu com a esposa de Ló e por quê? 4. O que significa não olhar para trás na vida cristã?
CONCLUSÃO A destruição de Sodoma e Gomorra foi o resultado do pecado cometido de forma constante diante de Deus. Ele ofereceu tempo para o arrependimento, mas quando o pecado é persistente e o coração se endurece, o juízo divino torna-se inevitável. Deus é misericordioso e dá muitas oportunidades para que o homem se arrependa, mas sua paciência tem limite. Para quem rejeita o arrependimento, não há escape. A história nos adverte a obedecer completamente a Deus, não apenas em aparência, mas com o coração inteiro. Sodoma e Gomorra tornaram-se um símbolo permanente do juízo de Deus contra o pecado e a desobediência.
O governo informou, nesta quarta-feira (10), que 70,8% dos R$ 1,3 trilhão do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de 2023 a 2026, já foram executados. São R$ 944,8 bilhões investidos até agosto deste ano em diversas obras e equipamentos por todo o país.
Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que muita gente achava “humanamente impossível” concluir esse volume de investimento. Ele cobrou que prefeitos e governadores deem andamento aos projetos e disse que é papel do Estado mobilizar recursos para obras que alcancem a periferia e os mais pobres.
“Agora, essa última parte está sendo passar a bola de investimento para prefeitos e governadores e nós esperamos que a nossa burocracia, de quem vai fazer o investimento, não demore muito”, disse, lembrando que a escolha dos empreendimentos que receberam recursos foi feita junto com os entes federados.
“Quando a gente pensa o PAC e a gente coloca a quantidade de coisa que nós colocamos, não é uma coisa que foi pensada por nós só, é uma coisa que veio por conta das reuniões que nós fizemos com prefeitos, com governadores e o debate a nível nacional de que é preciso dar um jeito nesse país. Se não, a gente melhora somente os lugares de sempre, o miolo da cidade”, disse.
Lula ainda agradeceu a equipe da Casa Civil, responsável pela coordenação do programa.
Com previsão de R$ 1,7 trilhão em investimentos públicos e privados, o Novo PAC foi lançado em agosto de 2023 pelo presidente Lula. Do valor total, R$ 1,3 trilhão devem ser aplicados até 2026 e o restante após essa data.
PAC Seleções
Nesta quarta-feira, o governo anunciou os últimos investimentos dessa gestão do Novo PAC Seleções e as autorizações para uso dos recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS). Serão R$ 39,3 bilhões para saúde, educação, abastecimento de água e esgoto.
O Novo PAC Seleções é voltado para atender projetos prioritários apresentados diretamente por estados e municípios. Hoje, foram divulgados os projetos habilitados nos eixos de abastecimento de água urbano e rural e de esgotamento sanitário urbano, no valor total de R$ 11,2 bilhões entre recursos federais e financiamentos.
Foram contempladas 218 propostas estaduais e 70 municipais, sendo 69 de abastecimento de água urbano, 153 de abastecimento de água rural e 66 de esgotamento sanitário.
Com a habilitação, os estados e municípios devem apresentar a documentação técnica necessária aos agentes financeiros para a análise de viabilidade, incluindo avaliação de risco e endividamento e os projetos de engenharia. Após a validação, elas passam para a etapa de análise final, sob responsabilidade do Ministério das Cidades.
Infraestrutura social
Do FIIS foram autorizados R$ 28,1 bilhões em financiamento para 1.701 propostas nas áreas de saúde e educação, sendo R$ 18 bilhões ainda em 2025 e outros R$ 10 bilhões em 2026. Deste total, R$ 18,4 bilhões estão autorizados para a área de saúde e R$ 9,7 bilhões para a educação.
São propostas como aquisição de ônibus escolares e construção ou ampliação de creches, escolas, quadras de esportes, UBS, UPAs, Centros Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), policlínicas, maternidades, hospitais, entre outros empreendimentos.
Criado em agosto de 2024, o novo instrumento operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiará equipamentos e serviços em áreas como educação básica, saúde, segurança pública e outras atividades de relevante interesse social. A regulamentação do FIIS foi aprovada em outubro deste ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e prevê juros reduzidos, carência e prazos maiores para pagamento.
Com o FIIS Saúde, 1.119 municípios serão beneficiados em todas as unidades da Federação, exceto em Roraima, que não enviou proposta. Além disso, houve 233 propostas autorizadas para instituições públicas, filantrópicas e privadas. Na educação 1.129 municípios de 25 estados estão autorizados a contratarem o financiamento.
Foram contempladas com os recursos do fundo mais de 39 mil propostas habilitadas no Novo PAC Seleções, mas que não foram selecionadas por falta de recursos do programa.
Além de recursos específicos no Orçamento da União, o dinheiro do FIIS poderá vir de instituições financeiras nacionais e internacionais, convênios com a administração pública, entre outras fontes.
Ministério das Comunicações (MCom) prepara o lançamento de um novo edital para levar internet de qualidade a até 2,7 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o Brasil. A iniciativa, que contará com investimento da ordem de R$ 100 milhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), promete modernizar o atendimento pelo SUS e agilizar diagnósticos, especialmente em regiões com menor acesso a serviços de saúde.
As unidades contempladas estão distribuídas em mais de mil municípios, em 26 unidades da federação, e fazem parte das ações do NovoPAC para ampliar a inclusão digital em serviços essenciais.
Com a conectividade, será possível informatizar prontuários, integrar dados de pacientes e ampliar o uso da telessaúde, o que contribui para reduzir filas e evitar deslocamentos desnecessários, reduzindo desigualdades regionais. Comunidades rurais, indígenas, ribeirinhas e periferias urbanas estão entre as mais beneficiadas com a expansão. “Esse edital vai priorizar as UBS para garantir que médicos, enfermeiros, equipes de saúde e pacientes tenham acesso a uma infraestrutura digital moderna. Isso significa prontuários eletrônicos mais ágeis, integração de dados e atendimentos mais rápidos e eficientes”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho. O foco do projeto são as UBS que ainda não possuem acesso à internet, usando a tecnologia como ferramenta para reduzir desigualdades regionais. Com banda larga e Wi-Fi nas unidades, será possível melhorar a gestão de medicamentos, facilitar o agendamento de consultas e ampliar o acesso a exames e diagnósticos à distância.
“Com foco em universalizar a conectividade nas UBS, o Ministério da Saúde destinou R$ 30 milhões ao MCom para conectar 775 unidades básicas em áreas remotas, onde muitas vezes apenas a conexão via satélite é viável. Este novo edital vai ajudar a viabilizar a segunda fase do NovoPAC, voltada à conexão de UBS que podem ser atendidas por fibra óptica e que ainda não possuem acesso. Isso significa que poderemos ampliar o acesso virtual a ações e serviços de saúde para as populações mais vulneráveis e que mais precisam, onde a conectividade não tinha chegado ainda”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Empresas e provedores interessados deverão apresentar propostas que incluam não apenas a conexão, por fibra óptica ou satélite, mas também a instalação de redes Wi-Fi internas nas unidades de saúde.
Ainda em 2026, o MCom, em parceria com o Ministério da Saúde, vai concluir a conexão de 1.191 UBS previstas em acordo assinado no ano passado. Do total previsto, 859 já foram conectadas e contam com internet pública ativa. As 332 restantes, localizadas majoritariamente em regiões de difícil acesso, serão indicadas pelo Ministério da Saúde e conectadas ao longo do próximo ano.
Fust
O lançamento do novo edital para conectar até 2,7 mil UBS é uma iniciativa que reforça o uso do Fust como motor da inclusão digital em serviços públicos. Em 2024 e 2025, o ministério já havia lançado dois editais totalizando mais de R$ 600 milhões para conectar mais de 17 mil escolas públicas, dentro do programa Escolas Conectadas. A expectativa é que a implementação dessa nova leva de UBS comece ainda em 2026.
UBS
Dados mais recentes do Censo Nacional de Unidades Básicas de Saúde, mostram o avanço do processo de transformação digital: 94,6% das UBS do país já dispõem de conexão com internet, e 87% já utilizam prontuário eletrônico.
ENTRE A VERDADE E O ENGANO Combatendo Ideologias e Ensinos que opõem à Palavra de Deus
INTRODUÇÃO Em nossos dias, muitas ideias têm disputado o coração, a mente e a formação das novas gerações. Entre elas está a ideologia de gênero, que afirma que ser homem ou mulher não decorre da criação divina, mas da construção social e da percepção individual. Essa visão já ultrapassou o ambiente acadêmico e alcançou a educação, a política, as leis e a cultura, influenciando crianças, adolescentes e famílias. Nesta lição, examinaremos os fundamentos da ideologia de gênero e veremos o que a Bíblia ensina sobre a identidade humana. Também entenderemos como a Igreja deve responder a esse desafio. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gn 1.27, NVI). Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher! (Gn 1.27, NTLH). Jesus faz menção a essa passagem bíblica em Mateus 19.4 (NAA), quando diz: “Jesus respondeu: — Vocês não leram que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher.” O texto é extremamente importante para o assunto que estamos desenvolvendo por duas razões: • A identidade humana vem de Deus, não da autodeterminação. O versículo começa com a expressão “criou Deus”. A ênfase recai sobre o Criador como aquele que define a realidade humana. Portanto, a identidade do ser humano não procede, em primeiro lugar, do sentimento, da preferência pessoal ou da construção social, mas do ato criador de Deus.
• A humanidade foi criada em duas formas sexuadas: “macho e fêmea”. Homens não são mulheres, e mulheres não são homens.Todavia, ambos compartilham a imagem de Deus. Além disso, o texto destaca que a sexualidade é um dom de Deus.
RESUMO DA LIÇÃO À luz das Escrituras, aprendemos que homem e mulher foram criados de forma intencional e complementar, e que a verdadeira identidade do ser humano só é plenamente encontrada em Cristo. • Deus criou homem e mulher de forma intencional, distinta e complementar. Intencional significa que a criação do ser humano não é fruto do acaso ou da evolução, mas de um ato deliberado de Deus. Ele quis criar o ser humano como homem e mulher (Gn 1.27). Distinta indica que há diferenças biológicas, relacionais e até funcionais, estabelecidas pelo próprio Criador. Complementar significa que essas diferenças não competem entre si, mas se completam. O homem sozinho é declarado “incompleto” (Gn 2.18), e a mulher é dada como correspondente adequada. Juntos, refletem de maneira mais plena a imagem de Deus e cumprem a missão designada pelo Criador (Gn 1.28). • O pecado distorceu a percepção humana de identidade e propósito. O que significa essa distorção? O pecado não destruiu a criação, mas a desordenou. O ser humano, agora, busca interpretar a realidade sem referência correta a Deus. Em Romanos 1, Paulo afirma que a humanidade “trocou a verdade pela mentira”. Ou seja, a crise de identidade é, antes de tudo, uma crise espiritual e epistemológica o homem passa a redefinir a realidade a partir de si mesmo. Dessa forma, a identidade deixa de ser recebida de Deus e passa a ser autoconstruída. • Somente em Cristo o ser humano encontra sua verdadeira identidade e restauração. Cristo é chamado de “imagem de Deus” (Cl 1.15), ou seja, ele revela perfeitamente aquilo que o ser humano deveria refletir. Em união com Cristo (2Co 5.17), o ser humano é feito nova criatura: sua mente é renovada, seus afetos são reordenados e sua identidade é restaurada.
1. CONCEITOS DA IDEOLOGIA DE GÊNERO Pergunta chave:O que a ideologia de gênero ensina? Ideia central do ponto: A ideologia de gênero defende que a identidade sexual é uma construção social que pode diferir do sexo biológico, negando a criação fixa de homem e mulher por Deus e promovendo confusão especialmente entre crianças e jovens. 1. Origem do termo. Verdade central: O termo “ideologia de gênero” surge entre grupos conservadores e religiosos nos anos 90 para designar a ideologização do conceito de gênero. A base dessa teoria remonta ao psicólogo John Money (1950). Para refletir: Tenho me informado sobre as ideologias que afetam minha geração, ou tenho sido influenciado por elas sem perceber? A LIÇÃO DIZ: Foi em 1950 que o psicólogo americano John Money apresentou a ideia de que não existe uma relação natural entre o sexo anatômico de uma pessoa e sua identidade sexual ou, como veio a ser chamada, sua identidade de gênero, como ficou conhecida a discussão nos meios acadêmicos. A partir desse ponto, as discussões se ampliaram para a filosofia, sociologia, psicanálise etc. O termo “ideologia de gênero” surge entre grupos conservadores e religiosos (em meados dos anos 90) que percebem uma apropriação e ideologização do termo, o qual afirma que a identidade sexual de uma pessoa é determinada socialmente e pode diferir do sexo biológico, negando a criação fixa de homem e mulher por Deus. A ideologia de gênero pode ser compreendida como resultado de um processo histórico e filosófico que passou a questionar a família, os papéis masculinos e femininos e a própria ideia de uma identidade humana dada por Deus. Nesse percurso, a crítica social de Karl Marx e Friedrich Engels é apresentada como um marco importante, porque ambos atacaram estruturas tradicionais da sociedade, especialmente a família e a moral herdada da cultura cristã. No Manifesto Comunista, eles falam abertamente da “abolição da família”. A partir dessa lógica, abriu-se espaço para a desconstrução de referências consideradas estáveis na vida social. Mais tarde, esse movimento encontrou força em setores do feminismo contemporâneo, sobretudo quando a discussão deixou de girar apenas em torno de direitos civis e passou a questionar a própria definição de mulher, de sexualidade e de família. Nesse contexto, Simone de Beauvoir ganhou relevância ao defender que a condição feminina não deveria ser vista como algo natural, mas como construção social. Sua frase mais conhecida, “não se nasce mulher, torna-se mulher”, abriu caminho para a ideia de que a identidade feminina é moldada historica e socialmente. Com isso, a distinção entre sexo biológico e identidade passou a ganhar cada vez mais espaço nos debates culturais e acadêmicos. Esse processo alcançou formulação mais ampla com Judith Butler e a teoria queer, que consolidaram a ideia de que gênero e identidade sexual não são determinados pela biologia, mas produzidos socialmente. Assim, a ideologia de gênero foi sendo formada pela junção entre crítica às estruturas tradicionais, releituras feministas da identidade e as teorias que separaram sexo e gênero. Com o tempo, essas ideias deixaram o ambiente universitário e passaram a influenciar a política, a educação, a cultura e os costumes. Portanto, de forma sintética, podemos definir a Ideologia de Gênero como a ideia de que ninguém nasce com sua identidade sexual definida por Deus, mas que cada pessoa constrói para si o próprio gênero ao longo da vida. Nessa perspectiva, ser homem ou mulher não estaria ligado, em primeiro lugar, ao sexo biológico recebido no nascimento, mas à maneira como a pessoa se percebe, se sente ou escolhe se identificar. Dessa forma, a diferença entre masculino e feminino passa a ser vista não como parte da criação divina, mas como o resultado de processos sociais e culturais. Nesta lição, usamos a palavra ideologia porque estamos tratando de um conjunto de ideias e pressupostos que procuram reinterpretar a identidade humana, o corpo e a sexualidade. Em muitos ambientes acadêmicos, costuma-se falar em teoria de gênero ou estudos de gênero. Mas tal posição não goza de fundamentação acadêmica, por isso é mais coerente trata-la como ideologia.
1.2 Separação entre sexo e gênero. Verdade central: A separação entre sexo biológico e gênero psicológico é um dos fundamentos da ideologia de gênero. Para refletir: Tenho reconhecido que minha identidade e sexualidade são dons recebidos de Deus, ou tenho sido tentado a acreditar que posso construí-las conforme meus sentimentos? A LIÇÃO DIZ: A separação entre sexo biológico e gênero psicológico é um dos fundamentos da ideologia de gênero. Segundo seus defensores, o sexo é atribuído ao nascer com base nos órgãos genitais, mas o gênero seria uma identidade interna, que pode ou não coincidir com esse sexo. Isso significa que, para essa ideologia, uma pessoa pode nascer biologicamente homem e, ainda assim, se identificar como mulher, ou viceversa, ou com nenhum dos dois. Biblicamente (e cientificamente), a orientação e o desejo sexual estão direta e intrinsecamente relacionados às características físicas do sexo (masculino e feminino). O conceito de “identidade de gênero” não aceita o sexo biológico (masculino e feminino) como fator determinante da sexualidade. Ensinam que os indivíduos desenvolvem sua “identidade de gênero” durante o processo de socialização com a cultura na qual estão inseridos. No entanto, de acordo com as Escrituras e a ciência, existem apenas dois tipos de gêneros: o masculino e o feminino. Vejamos: • A ação do Criador. Do ponto de vista bíblico, a sexualidade de uma pessoa é determinada por uma ação criadora do próprio Deus de maneira bem definida: “E criou Deus […] homem e mulher os criou” (Gn1.27); “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Mc 10.6 ver Mt 19.4); “[…] e Isabel tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome João” (Lc 1.13); “[…] A Noemi nasceu um filho, e chamaram ao menino Obede […]” (Rt 4.17). A ideologia de gênero está fora de sincronia com esta criação e é contrária à ordem natural estabelecida pelo Criador (Rm 1.24-27 ver Lv 18.1-23; Is 28.15). • A genética. Os hormônios sexuais são encarregados de conceder a uma pessoa as características físicas de seu sexo genético. Estes cromossomos contêm as chaves que desencadeiam a regulação dos hormônios sexuais nos homens e mulheres. Essas instruções estão localizadas em segmentos do DNA chamados “genes” que definirão o sexo da pessoa. Os cromossomos sexuais são um tipo de plasma encontrado no núcleo das células e que determina o sexo dos seres vivos. As fêmeas normalmente possuem o mesmo tipo de cromossomos sexuais “XX”, e por isso chamado de sexo homogamético. Os machos são o sexo heterogamético, contendo dois tipos distintos de cromossomos sexuais, um “X” e outro cromossomo “Y. Então, alterar o fenótipo (aparência) não consiste em alterar o genótipo (genes). • A fisiologia. Fisiologia é uma área de estudo da biologia responsável em analisar o funcionamento físico, orgânico, mecânico e bioquímico dos seres vivos. O termo fisiologia se originou a partir da junção do grego “physis”, que significa “funcionamento” ou “natureza”, com a palavra “logia”, que quer dizer “estudo” ou “conhecimento. Deus criou dois sexos anatomicamente distintos (Gn 1.27). Portanto, o órgão genital e as características físicas de nascimento de um ser humano, também determinam sua sexualidade.
1.3 Movimentos e ativismos. Verdade central A ideologia de gênero encontrou força política e cultural em movimentos que visam redefinir as leis, a educação e a moralidade pública. Para refletir: Devemos compreender que por trás da militância e das ideologias contrárias a Palavra de Deus, há uma ação maligna em atuação. A LIÇÃO DIZ: A ideologia de gênero encontrou força política e cultural nos movimentos e em ativismos sociais que visam redefinir leis, educação e moralidade pública. Esses grupos têm pressionado governos, escolas e instituições para que adotem políticas que reconheçam a autodeterminação de gênero e proíbam qualquer discurso contrário. Além disso, em muitos lugares já se penaliza legalmente quem expressa opinião contrária à ideologia de gênero, mesmo que baseado na fé. Hoje, a propagação da ideologia de gênero acontece, sobretudo, por meio do pensamento esquerdista e das ideias progressistas que, ao longo do tempo, passaram a questionar a família, os papéis masculinos e femininos e a compreensão tradicional da identidade humana. Nesse mesmo ambiente, o discurso do politicamente correto também ganha força, criando pressão cultural para que determinadas visões sejam aceitas como obrigatórias, enquanto posições contrárias passam a ser tratadas como intolerância, preconceito ou atraso. É por meio desses veículos que essa ideologia de gênero chega às escolas, universidades, produções culturais, debates públicos, meios de comunicação e propostas políticas. Desse modo, o que antes parecia restrito a grupos militantes ou acadêmicos passou a influenciar a linguagem, os costumes e a formação de crianças, adolescentes e famílias. Quais são as estratégias usadas pelos grupos que querem promover essa ideologia? • Dominação política com a ocupação de espaços estratégicos. A ocupação de cargos estratégicos faz parte de um contexto utilizado pelos ideólogos de gênero, tendo por objetivo facilitar a implementação da cultura LGBT de forma ampla e sem que haja resistência, pois, tendo pessoas influentes em todas as áreas, torna-se fácil conseguir o convencimento por meio da manipulação. • Buscam uma sociedade igualitária através de um falso discurso. Outra estratégia é a promoção de um discurso manipulador de luta entre classes, carregado de rotulação contra a homofobia, a intolerância e a busca de uma sociedade igualitária. • Quebra de paradigmas morais através do relativismo. O relativismo moral é outra estratégia dos defensores da ideologia de gênero, a qual visa acabar com toda e qualquer verdade absoluta. Não há mais princípio moral absoluto; tudo é relativo. Não há mais comportamento eticamente certo ou errado; tudo depende de um ponto de vista. O julgamento moral ou de valores varia conforme diferentes indivíduos, culturas e classes sociais o propõe. Imagine um mundo em que nada estaria errado, em que não há regras de conduta que se apliquem a todos. Isso é anarquismo. • Banalização sexual, erotização precoce e desconstrução do modelo familiar tradicional. Cuidados necessários: • O primeiro cuidado é político. Jovens que já votam, pais, professores e cristãos em geral precisam entender que o voto tem consequências reais. Deputados e senadores participam da elaboração das leis e da fiscalização do poder público, enquanto o presidente sanciona ou veta projetos aprovados e conduz a administração federal. Por isso, o cristão não deve votar por emoção, por propaganda ou apenas por rótulos como direita e esquerda. O voto precisa ser consciente, responsável e guiado pela análise de propostas, histórico, caráter público e princípios. • O segundo cuidado começa dentro de casa. A educação é dever dos pais, o que mostra que eles não podem se afastar da formação dos filhos nem terceirizar totalmente esse processo para a escola. Eles precisam acompanhar o que os filhos aprendem, quais conteúdos recebem, que valores estão sendo transmitidos e como estão sendo influenciados em sala de aula. • O terceiro cuidado envolve aquilo que consumimos todos os dias.Séries, filmes, livros, músicas, redes sociais e produções culturais não são neutros. Muitas vezes, é justamente por esses meios que certas ideias influenciam a formação de crianças, adolescentes e jovens. Por isso, precisamos aprender a perguntar: o que estou assistindo está moldando meu pensamento de acordo com a verdade ou de acordo com a cultura? O que essa mensagem normaliza, aprova ou tenta redefinir? • O quarto cuidado diz respeito às pessoas que admiramos e seguimos. Quem ocupa nossa atenção também influencia nossos valores. Por isso, é necessário observar quem são nossas referências, o que elas ensinam, que estilo de vida defendem e que visão de mundo estão promovendo. • O quinto cuidado é eclesiástico e pastoral. A igreja não pode tratar esse assunto com omissão, medo ou superficialidade.É preciso ensinar com clareza o que a Bíblia diz sobre criação, identidade, sexualidade, família e redenção em Cristo. Quando a igreja se cala, outras vozes ocupam esse espaço com rapidez. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. Quando e como surgiu o conceito de ideologia de gênero? 2. Qual é a diferença que a ideologia de gênero faz entre sexo e gênero? 3. Por que a separação entre sexo e gênero é perigosa especialmente para crianças e jovens? 4. Qual deve ser nossa postura diante dos ativistas da ideologia de gênero?
2. O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE GÊNERO E IDENTIDADE SEXUAL Pergunta chave: O que a Bíblia ensina em contraste? Ideia central do ponto: A Bíblia ensina que Deus criou o ser humano como homem e mulher de forma intencional e complementar, e que a verdadeira identidade pode ser restaurada em Cristo, mesmo após a confusão causada pelo pecado. 2.1 Deus criou homem e mulher. Verdade central: A Palavra de Deus apresenta uma visão clara sobre a sexualidade humana. O gênero não é uma construção social, mas uma realidade criada por Deus. Para refletir: Tenho valorizado a forma como Deus me criou, reconhecendo que minha identidade sexual é parte do seu plano sábio e amoroso?
A LIÇÃO DIZ: A Palavra de Deus apresenta uma visão clara, coerente e bela sobre a sexualidade humana. Em Gênesis 1.27, lemos: E “criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. Analisemos esse trecho bíblico por partes. Primeiro, a Bíblia diz que Deus criou homem e mulher: “homem e mulher os criou” (Gn 1.27b ARA). Ainda em outra passagem do livro de Gênesis, em que se faz referência à criação, está escrito: “Macho e fêmea os criou, e os abençoou […]” (Gn 5.2a, ARC). Note que a Palavra de Deus não dá brechas e nem deixa qualquer nuance sobre a neutralidade de sexo ou gênero no que diz respeito à criação divina da espécie humana. A Bíblia é taxativa ao afirmar que foram criados homem e mulher, ou seja, o sexo masculino e feminino, macho e fêmea respectivamente, sendo tal verdade confirmada pelas palavras do próprio Senhor Jesus Cristo conforme registrado no Novo Testamento: “Ele [Jesus], porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea” (Mt 19.4). Ao instituir o casamento, Deus ordenou: “o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2.24). Isso significa que a união monogâmica (um homem e uma mulher) e heterossexual (um macho e uma fêmea) sempre fez parte da criação original de Deus. A diferenciação dos sexos visa à complementaridade mútua na união conjugal: “nem o varão é sem a mulher, nem a mulher, sem o varão” (1Co 11.11 ver Gn 1.27; 1Co 6.10; Ef 5.22-25). Por ser a heterossexualidade a normativa divina, a própria Bíblia condena a homossexualidade como um sério afastamento, desvio e disfunção em relação à natureza humana e em relação aos propósitos originais da criação. Tal verdade pode ser observada nos seguintes textos bíblicos: “Com varão te não deitarás, como se fosse mulher: abominação é” (Lv 18.22). “Quando também um homem se deitar com outro homem como com mulher, ambos fizeram abominação” (Lv 20.13a). “Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém! Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm 1.24-27).
2.2 Complementaridade dos sexos. Verdade central: A diferença entre homem e mulher foi estabelecida por Deus para benefício mútuo e realização do plano divino. O casamento é uma união entre homem e mulher, simbolizando a relação entre Cristo e a Igreja. Para refletir: Tenho valorizado a complementaridade entre homem e mulher como parte do plano de Deus, ou tenho absorvido visões que a tratam como opressão? A LIÇÃO DIZ: A diferença entre homem e mulher foi estabelecida por Deus para benefício mútuo e para a realização do plano divino. Efésios 5.31-33 ensina que o casamento é uma união entre homem e mulher, simbolizando a relação entre Cristo e a Igreja. Essa complementaridade revela não apenas função, mas também beleza e propósito espiritual. A igualdade de valor entre homens e mulheres não precisa ser conquistada por revolução cultural, porque ela já foi estabelecida por Deus na criação e confirmada por Cristo na redenção.Ambos são igualmente portadores de dignidade, valor e propósito. sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra. Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gênesis 1.26-27, NAA). Paulo deixa claro que em Cristo não há distinção de valor ou acesso a Deus entre homem e mulher.Ambos têm plena igualdade diante de Deus. “Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus”. (Gl 3.28, NAA). Aqui está a diferença: O mundo prega igualdade pela desconstrução das diferenças. A Bíblia prega igualdade afirmando as diferenças como parte do plano bom de Deus. Portanto, homens e mulheres são iguais em valor, dignidade e acesso à graça de Cristo.Isso é fundamental para não cairmos em dois erros comuns: O erro do machismo religioso, que desvaloriza a mulher e confunde liderança com dominação. O erro do igualitarismo secular, que tenta apagar as diferenças estabelecidas por Deus. A visão que defendemos é a visão do evangelho: igualdade ontológica, distinção funcional, missão comum. Dito isso, podemos afirma que: • Homens e mulheres foram criados em igual dignidade e valor. • No lar, Deus chamou o homem para liderar com amor sacrificial, e a mulher para responder com respeito e parceria. • Na igreja, Deus chamou homens qualificados para o presbiterato, sem desvalorizar o papel vital das mulheres na edificação do corpo de Cristo. • E em tudo, Ele nos deu dons espirituais para servirmos lado a lado na missão de anunciar o evangelho.
2.3 Identidade restaurada em Cristo. Verdade central: A entrada do pecado corrompeu a natureza humana, trazendo desordem para todas as áreas, inclusive a sexualidade. Porém, a identidade do ser humano pode ser restaurada em Cristo. A maior resposta à crise de identidade é a nova identidade que recebemos nEle. O Evangelho não apenas perdoa pecados, mas nos habilita a viver de forma santa. Para refletir: Minha identidade está fundamentada em Cristo e na Palavra de Deus, ou tenho permitido que sentimentos e tendências culturais definam quem eu sou? A LIÇÃO DIZ: A salvação transforma todo o nosso ser: corpo, alma e espírito. Isso inclui a forma como nos vemos e vivemos nossa sexualidade. A Igreja tem o dever de discipular com paciência e firmeza, ajudando cada pessoa a compreender sua verdadeira identidade à luz das Escrituras. Há um texto bíblico extremamente importante em relação ao assunto deste subponto: idólatras, nem adúlteros, nem afeminados, nem homossexuais, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus. Alguns de vocês eram assim. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (1Co 6.9-1, NAA). • A homossexualidade é apresentada como pecado. Paulo inclui essa prática numa lista de condutas incompatíveis com a vontade de Deus. • A permanência no pecado impede a herança do Reino de Deus. Quando Paulo diz que tais pessoas “não herdarão o Reino de Deus”, ele está afirmando que um modo de vida dominado pelo pecado, sem arrependimento, é incompatível com a salvação. • Há redenção, santificação e justificação em Cristo. A expressão “alguns de vocês eram assim” é relevante. Paulo mostra que o evangelho não apenas condena o pecado, mas transforma o pecador. Em Cristo, há perdão, purificação e nova vida. Portanto, o texto bíblico ensina que ninguém precisa permanecer escravizado ao pecado, porque a graça de Deus é poderosa para lavar, santificar e justificar. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. O que Gênesis 1.27 ensina sobre a criação do ser humano? 2. Por que a distinção entre homem e mulher não é motivo de competição? 3. O que significa a complementaridade entre homem e mulher? 4. Como a identidade pode ser restaurada em Cristo?
3. A RESPOSTA DA IGREJA À IDEOLOGIA DE GÊNERO Pergunta chave: Como a Igreja deve responder? Ideia central do ponto: A Igreja deve proclamar a verdade bíblica com amor e coragem, ensinar as famílias e os jovens, e acolher com graça aqueles que sofrem com confusões de identidade, mostrando-lhes a verdade do Evangelho. 3.1 Proclamar a verdade com amor. Verdade central: A Igreja é coluna e firmeza da verdade e deve proclamar fielmente os princípios bíblicos sobre a identidade humana, mesmo em meio a uma cultura que os rejeita. Isso deve ser feito com coragem, mas também com compaixão. Para refletir: Tenho proclamado a verdade bíblica com amor e coragem, ou tenho me omitido por medo ou condenado sem misericórdia? A LIÇÃO DIZ: Diante da ideologia de gênero, os cristãos são chamados a defender o que é bíblico sem cair em extremos: nem na omissão, que silencia por medo da rejeição, nem no legalismo, que condena sem misericórdia. A Igreja precisa proclamar a verdade porque essa é parte de sua vocação no mundo. Em 1Timóteo 3.15, Paulo afirma que a igreja do Deus vivo é “coluna e firmeza da verdade”. Ela não existe para repetir o que a cultura quer ouvir, mas para sustentar com fidelidade aquilo que Deus revelou em sua Palavra. Contudo, essa fidelidade doutrinária precisa vir acompanhada de uma postura cristã coerente com o evangelho. Paulo ensina, em Efésios 4.15, que devemos seguir “a verdade em amor”. Isso é muito importante, porque a verdade pode ser anunciada de modo errado. Quando falta amor, a defesa da doutrina pode se tornar áspera, orgulhosa e até desumana. Por outro lado, quando falta verdade, o discurso de amor se torna vazio e ineficaz. A Igreja deve falar com firmeza, porém sem crueldade. Deve corrigir o erro, porém sem tratar pessoas como inimigas. O comentarista, portanto, aponta dois extremos: • O primeiro é a omissão. Em muitos casos, o crente sabe o que a Bíblia ensina, mas prefere se calar por medo da rejeição, da crítica ou do constrangimento. • O segundo é o legalismo. Nesse caso, a pessoa até sustenta a posição correta, porém o faz sem misericórdia, como se a função da verdade fosse apenas condenar. Nenhum desses caminhos expressa bem o caráter de Cristo. Jesus nunca negociou a verdade, mas também nunca deixou de demonstrar graça aos pecadores. Portanto, a Igreja erra quando se cala diante da mentira e também erra quando transforma a verdade em um meio para simplesmente matar as pessoas. 3.2 Ensino bíblico nas famílias e igrejas. Verdade central: Uma das principais frentes de resistência à ideologia de gênero deve estar na formação cristã das famílias e da igreja local. Os pais são chamados por Deus a ensinar seus filhos nos caminhos do Senhor. O lar é o primeiro campo de batalha onde a verdade deve ser semeada, com oração, exemplo e instrução contínua. Para refletir: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6). O lar é o primeiro campo de batalha onde a verdade deve ser semeada. A igreja deve oferecer ensino sólido, claro e relevante. A LIÇÃO DIZ: Uma das principais frentes de resistência à ideologia de gênero deve estar na formação cristã das famílias e da igreja local. Vamos pensar, em primeiro lugar, em algumas orientações específicas quanto ao papel da família: • Estruture bem sua família na rocha verdadeira, que é Cristo (Mt 7.24). Famílias bem estruturadas dificilmente sofrerão com esse mal, pois, mesmo que Satanás lance ventos e tempestades nos seus filhos na escola, Internet ou com os amigos, eles terão suporte emocional para vencer as tentações e o pecado e, assim, triunfar na presença de Deus. Uma família bem estruturada gera filhos bem estruturados; numa família onde o amor impera, os filhos não serão facilmente manipulados por militantes de esquerda; numa família onde há tempo de qualidade para as relações familiares, a homossexualidade dificilmente entra, pois as portas e janelas de sua casa emocional estarão bem guardadas pelo amor e respeito e ainda terão o auxílio do querido Espírito Santo, que nos guarda diariamente das investidas de Satanás (Sl 33.20). • Família educa, Igreja congrega. Não é responsabilidade da igreja, do pastor e dos professores da Escola Dominical a educação dos filhos. Essa responsabilidade é dos pais! A educação bíblica espiritual, assim como o amor e o diálogo, são barreiras que inibem Satanás de destruir os filhos com a confusão gerada pela ideologia de gênero. Nunca foi tão necessária a presença dos pais e, principalmente, a educação bíblica no lar, pois, atualmente, todos temos dentro de casa uma espécie de janela aberta, Televisão e Internet, para o mundo. • Família educa, Escola ensina. A casa é a fonte formal de educação dos filhos, e não a escola. A escola ensina enquanto a família educa. É a família que provê a educação emocional e sexual, os valores morais e religiosos, os costumes e a cultura familiar. É em casa que os pais passam a seus filhos a educação afetivo-sexual, e não na escola. O professor não tem qualquer legalidade em ensinar a nossos filhos outra coisa senão as matérias básicas estabelecidas no seu plano de educação. Porém, precisamos ficar atentos, pois na pratica, não é isso que acontece. Pense, portanto, um pouco nas responsabilidades da igreja: • A igreja deve fomentar a discussão sobre o assunto. Sexo, sexualidade, namoro e casamento devem ser assuntos tratados biblicamente e com certa recorrência entre os jovens e adolescentes. Penso que deveria existir seminários e congressos sobre esse assunto voltado para pais, com tema: Como lidar com filhos que têm tendencias ou são homossexuais; como falar sobre sexo, etc. • Criação de conteúdo impresso, digital, revistas, etc. Acredito que isso seria útil para todas as faixe etárias. Literaturas que molde o imaginário da criança, bem como texto que conscientizem os jovens e adolescentes da igreja. • Capacitar influenciadores e treiná-los para serem apologistas. Hoje, praticamente toda igreja tem pessoas que são ativas nas redes sociais. Em vez de inibir e condenar essas pessoas, que tal ajuda-las enxergar a grande oportunidade que elas têm serem agentes do reino? Essas são apenas pequenas sugestões das muitas que poderíamos dar. A verdade é que a família e a igreja são trincheiras de resistência as muitas heresias e ensinos perigosos.
3.3 Acolhimento e restauração dos que sofrem. Verdade central: Há pessoas que enfrentam lutas internas com sua identidade sexual. Igreja não pode ser um tribunal que condena, mas um hospital espiritual onde todos encontrem graça, verdade e restauração. Nenhuma luta humana é maior que o poder do Evangelho. Para refletir: Jesus disse: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” (Lc 5.31,32). A LIÇÃO DIZ: Há pessoas que enfrentam confusões e lutas internas com sua identidade sexual. Para elas, a resposta cristã deve ser de acolhimento, escuta, cuidado e discipulado. A Igreja não pode ser um tribunal que condena, mas um hospital espiritual onde todos, inclusive os que enfrentam conflitos de gênero, encontrem graça, verdade e restauração. Jesus disse: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” (Lc 5.31,32).
Atentemos para os seguintes pontos:
• A igreja deve receber essas pessoas com dignidade, e não com zombaria ou repulsa. Elas continuam sendo criaturas de Deus e precisam ser tratadas com seriedade, respeito e compaixão. Aliás, demonizamos esse pecado mais do que outros, isso é um erro. Assim como qualquer outro pecador, essas pessoas precisam do evangelho. • Ao mesmo tempo, a igreja não deve tratar o pecado como algo normal. Acolher não é aprovar. Amar não é relativizar. • A igreja deve chamar essas pessoas ao arrependimento e apontar para Cristo como única fonte de restauração. Em Lucas 5.31,32, Jesus não afasta os pecadores, mas também não confirma ou incentiva seus caminhos. Ele os chama ao arrependimento. Por isso, a igreja precisa ensinar que a identidade verdadeira não está nos sentimentos subjetivos nem nas tendências culturais, mas em Cristo. • A igreja deve discipular pacientemente essas pessoas. Nem toda luta é resolvida de forma instantânea. Por isso, além de pregar no púlpito, a igreja precisa ouvir, aconselhar, orar, ensinar as Escrituras e acompanhar com amor essas pessoas. Muitas delas lutaram até o fim da vida contra esses sentimos, sem contudo, se rederem a elas. Outras, serão completamente libertas. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. Por que a Igreja é chamada de “coluna e firmeza da verdade”? 2. Quais são os dois extremos que devemos evitar ao proclamar a verdade? 3. Por que o lar é o primeiro campo de batalha na formação da identidade? 4. Como a Igreja deve tratar as pessoas que lutam com confusões de identidade?
CONCLUSÃO A ideologia de gênero propõe ao ser humano uma falsa autonomia, como se ele pudesse reconfigurar a si mesmo à parte do Criador. As Escrituras, porém, nos conduzem a outra direção. Deus criou o ser humano como homem e mulher, com dignidade, distinção e propósito. Embora o pecado tenha atingido profundamente a experiência humana, inclusive no campo da sexualidade, a Palavra de Deus continua firme e suficiente para orientar nossa compreensão sobre quem somos. Em um tempo em que tantas vozes tentam redefinir a identidade humana, cabe à Igreja permanecer firme na Palavra e apontar para Cristo. Somente nele o ser humano encontra redenção, direção e o verdadeiro sentido de sua identidade.
INTRODUÇÃO A história de Abraão nos ensina lições valiosas sobre a fidelidade de Deus e a importância da perseverança na fé. Nesta lição, estudaremos um momento decisivo na vida do patriarca: a confirmação do pacto divino quando ele já contava com 99 anos de idade e sua esposa, Sara, com 89 anos. Veremos que, mesmo quando as circunstâncias parecem impossíveis e o tempo desafia nossa esperança, Deus permanece fiel às suas promessas.
TEXTO ÁUREO Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes. (Gn 17.7, NVI). A aliança que estou fazendo para sempre com você e com os seus descendentes é a seguinte: eu serei para sempre o Deus de você e o Deus dos seus descendentes. (Gn 17.7, NTLH). Algumas implicações podem ser extraídas dessa passagem bíblica: • Primeiro, Deus toma a iniciativa de se aproximar. Em todas as ocasiões de comunhão, Deus sempre se mostrou suscetível em ouvir, ajudar e abençoar Abraão. As limitações e fragilidades do patriarca e sua esposa não foram um impedimento para que Deus se aproximasse deles. • Segundo, as promessas de Deus vão além do nosso tempo. O que Deus promete a Abraão em Gênesis 17.7 ultrapassa a duração da sua própria vida. O Senhor fala de uma aliança com ele e com a sua descendência em todas as gerações. Há aqui uma lição importante para a vida espiritual. Nem tudo o que Deus promete se cumpre no mesmo momento em que ouvimos sua voz. Há promessas que amadurecem com o tempo, avançam pela história e alcançam desdobramentos muito maiores do que conseguimos enxergar no presente. • Terceiro, a maior promessa é a presença de Deus. O ponto mais alto do versículo não está apenas na descendência, nem na duração da aliança, mas nesta declaração: “serei o seu Deus.” Antes de pensar no que Deus pode dar, o texto nos chama a contemplar o que Deus oferece de mais alto: ele mesmo. Ter o Senhor como Deus é maior do que receber bênçãos materiais. Sua presença é a herança mais preciosa da aliança.
VERDADE PRÁTICA Deus é fiel para cumprir tudo aquilo que nos prometeu. Em toda a Escritura, não há um único texto que o apresente como infiel, nem uma só passagem que revele a incapacidade de Deus realizar aquilo que disse. O Senhor nunca falhou, nunca mentiu, nunca voltou atrás por fraqueza e nunca deu ao seu povo motivo justo para desconfiança. Então, por que ainda duvidamos? Por que o nosso coração ainda oscila? Por que, tantas vezes, damos lugar à incredulidade? Deus permanece fiel.
MOVIMENTO TEMÁTICO • Ponto 01: A mudança de nomes • Ponto 02: O concerto • Ponto 03: A circuncisão
1. DEUS MUDA O NOME DE ABRÃO E DE SARAI Pergunta chave: O que a mudança de nomes significava para Abraão e Sara? Ideia central do ponto: Deus mudou os nomes de Abrão e Sarai para refletir o propósito divino em suas vidas, confirmando que seriam pai e mãe de multidões, mesmo quando a idade avançada parecia tornar a promessa impossível. 1.1 O novo nome de Abrão. Verdade central: O nome original de Abrão significava “pai exaltado”, mas diante do plano de Deus em sua vida, esse nome não parecia adequado. O Senhor mudou seu nome para Abraão, que significa “pai de multidão de nações”, confirmando a promessa divina. Para refletir: Reconheço que Deus pode transformar minha identidade e meu destino conforme seus propósitos, ou me limito ao que sempre fui e ao que parece possível? A LIÇÃO DIZ: Nos tempos do Antigo Testamento, os nomes dos filhos, em grande parte, não eram escolhidos somente porque os pais achavam os nomes bonitos ou era moda. Existiam vários fatores que influenciavam na escolha, como, por exemplo, a vontade de Deus, as circunstâncias na hora do nascimento ou até mesmo as características físicas do bebê, como no caso de Esaú, que nasceu ruivo e bem cabeludo (Gn 25.25). No caso de Abrão, seu nome original significava “pai exaltado”; porém, diante do plano de Deus em sua vida, esse nome não parecia adequado, e o Senhor lhe mudou o nome para Abraão, confirmando que seria pai de multidão (Gn 17.4).
Vamos a leitura do texto bíblico: 1Quando Abrão atingiu a idade de noventa e nove anos, o Senhor apareceu a ele e disse: — Eu sou o Deus Todo-Poderoso; ande na minha presença e seja perfeito. 2 Farei uma aliança entre mim e você e darei a você uma descendência muito numerosa. 3Abrão se prostrou com o rosto em terra e Deus lhe falou: 4— Quanto a mim, esta é a minha aliança com você: você será pai de muitas nações. 5 O seu nome não será mais Abrão, e sim Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações. (Gn 17.1-5, NAA). A narrativa começa com o relato da aparição de Deus a Abrão, quando este tinha 99 anos. Treze anos se passaram desde o episódio que abordamos na lição anterior, quando Agar engravidou de Abrão e lhe deu à luz um filho chamado Ismael. Ismael, agora, já tem 13 anos. A essa altura, com certeza, Sarai já havia perdido a esperança de dar um filho a Abrão, e Abrão estava convencido de que Ismael era mesmo o filho prometido por Deus, ainda que tivesse nascido de Agar, e não de Sarai. O escritor aos hebreus, revela-nos que neste tempo, impossibilidade de gerar um filho era compartilhada pelo casal. Além da infecundidade e idade avançada de Sarai, Abrão já era bem idoso e incapaz de ter filhos (Hb 11.12). É neste contexto, que o Senhor visita seu servo mais uma vez. Durante os últimos treze anos, aparentemente, Deus não apareceu a Abrão, muito embora ele, toda a sua família e todo o seu clã continuassem o servindo e o adorando. Pelo silêncio do texto, supomos que não houve nenhuma aparição de Deus a Abrão durante esse espaço de tempo. Isso mostra que a vida dos heróis da fé no Antigo Testamento não era marcada por visões, aparições e revelações diárias da parte de Deus. Algumas delas eram bastante espaçadas, como essa. Sinceramente, eu sou muito desconfiado dessas pessoas que têm sonhos espirituais todos os dias, que recebem revelações todos os cultos. Deus continua falando, mas muitos profetas não passam de exibicionistas e meninos na fé. O grande problema dessa espiritualidade fajuta é a falsa expectativa que ela gera nos irmãos mais leigos de que eles precisam ter uma experiencia sobrenatural todos os dias para serem crente autênticos. Não caia nesse engano. Voltando ao texto, enfatizamos que há um elemento narrativo interessantíssimo que está implícito. A demora de Deus pode ter sido intencional, para contrastá-la com a pressa do casal em alcançar a promessa, em razão da qual recorreram a meios carnais para recebê-la. Em contrapartida, Deus leva treze anos até aparecer outra vez a Abrão, estabelecendo o contraste e lembrando que o tempo de Deus não é como o nosso tempo, e que o relógio de Deus trabalha de maneira diferente do nosso. Quase nunca é dito no livro de Gênesis a forma como Deus aparece a seus servos. Pode ter sido em uma visão, em um sonho, por meio da nuvem da glória, ou algum elemento na natureza em aspecto sobrenatural, como uma sarça ardente. O fato é que não sabemos. Sabemos apenas que foi uma manifestação visível da glória de Deus.
Nessa aparição, Deus faz a Abrão três afirmações e lhe dar uma ordem (v. 1,2). • Na primeira, ele se apresenta como Deus todo-poderoso: “Eu sou o Deus todo-poderoso” (v. 1), em hebraico, El Shaddai. É a primeira vez que Deus se apresenta dessa forma na Bíblia. Ao dizer que ele é o Deus todo-poderoso, El Shaddai, ele aponta para a sua onipotência, portanto, para a sua suficiência para cumprir todas as suas promessas. • A ordem “anda na minha presença” significa “ande diante de mim”, como uma pessoa que está olhando para a outra, frente a frente. Em outras palavras, o que Deus diz a Abrão é: “tenha consciência de que eu sou poderoso para cumprir as minhas promessas, e de que eu o conheço, e sei o que você faz.“Anda na minha presença”, diz El Shaddai a Abrão, “e sê íntegro”. Isto é, “seja reto, obedeça a tudo o que eu lhe disser, porque eu sou o Deus todo-poderoso, e todos devem obedecer-me, respeitar-me, temer-me, e adorar-me, em pensamentos, palavras e obras”. • A segunda afirmação que Deus faz a Abrão é: “firmarei a minha aliança contigo” (v. 2). Entraremos em mais detalhes a respeito dessa afirmação em seguida, pois essa promessa é repetida mais adiante.
A terceira afirmação de Deus nessa aparição a Abrão está também no versículo 2: “te farei crescer muito em número”, isto é, um número incontável de descendentes, em consonância com o que Deus já havia prometido, ou seja, que os descendentes de Abrão seriam como os grãos do pó da terra e tão numerosos como as estrelas do céu. Essa é mais uma evidência de que Deus não está fazendo uma aliança nova, e sim renovando e expandindo a aliança que já havia feito. A reação de Abrão a essas afirmações está no versículo 3, e não poderia ser diferente: “Abrão prostrouse com o rosto em terra”. Em seguida, Deus muda o nome de Abrão para que seu nome passe a refletir o que Deus prometeu: “não serás mais chamado Abrão, mas o teu nome será Abraão, pois te coloquei por pai de muitas nações” (v. 5). Os nomes tinham grande importância no mundo antigo. Ao dar nome aos animais, Adão demonstrou que exercia domínio sobre eles. De modo semelhante, a mudança do nome de Abrão para Abraão e de Sarai para Sara representou a reafirmação da promessa da aliança e a designação de ambos como servos escolhidos por Deus. No momento dessa declaração de Deus, o velho Abraão tinha 99 anos, e sua mulher, estéril, 89 anos. Contudo, Deus lhe diz: “te coloquei por pai de muitas nações”. Esta frase está no passado, o qual chamamos de passado profético, pois demonstra que Deus tem tanta certeza acerca do acontecimento a que se refere, que fala como se já tivesse acontecido: “te coloquei por pai de muitas nações”, ou seja, “você é pai de muitas nações, eu te constituí como tal”, afinal, ele é o El Shaddai.
1.2 O novo nome de Sarai. Verdade central: O nome Sarai significava “minha princesa” ou “minha senhora”. O novo nome Sara significa “mãe de nações”. Deus a abençoaria e dela sairiam reis de povos. Para refletir: Deus promove mudanças significativas na vida daqueles que nEle confiam e atendem ao seu chamado. A LIÇÃO DIZ: O nome Sarai é hebraico e significa “minha princesa” ou “minha senhora”. Já o novo nome Sara significa “mãe de nações”. Diz a Bíblia: “Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua mulher, não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome. Porque eu a hei de abençoar e te hei de dar a ti dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela” (Gn 17.15,16). Sarai significa “minha princesa”, isto é, princesa de uma família somente, o que talvez indicasse a origem nobre de Sarai. Agora, no entanto, seu nome seria “Sara”, que significa “princesa”. Essa mudança significa que ela não seria mais princesa de uma família, mas sim de muitas nações. Curiosamente, ela é a única mulher na Bíblia cujo nome foi mudado, o que evidencia a grande importância, na história da redenção, desse momento em que Deus desenvolve a sua promessa um pouco mais. Deus, em seguida, promete: “Eu a abençoarei” (v. 16). A bênção a Sara diz respeito a vários aspectos. Em primeiro lugar, à maternidade por si só, ela terá um filho de Abraão. Em segundo lugar, diz respeito à bênção da cura, pois ela era estéril. Em terceiro lugar, à bênção da vida, pois seu ventre já estava amortecido. E em quarto lugar, diz respeito à bênção da fertilidade e de numerosa posteridade, pois Deus a abençoaria fazendo com que ela se tornasse nações (v. 16) . Além disso, haveria reis entre os seus descendentes.
Todas essas são promessas similares às que Deus fez a Abraão no início do episódio narrado na abertura do capítulo 17. Contudo, a novidade é que Deus as reforça, afirmando-lhes que essas bênçãos acontecerão por meio de sua legítima esposa. Algumas implicações são: • Há situações que parecem encerradas, causas que parecem perdidas e áreas da vida em que muitos já desistiram. O texto bíblico, contudo, nos ensina que a última palavra não pertence à limitação humana e nem as circunstâncias, mas a Deus. • Deus corrige os atalhos humanos. Abraão e Sara já haviam tentado resolver a promessa por meios próprios, no episódio de Agar. Em Gênesis 17, Deus deixa claro que o filho da promessa viria por meio de Sara.O caminho seguro continua sendo confiar no modo de Deus, e não tentar adiantar sua vontade com recursos carnais. • As mulheres exercem papel de importância nos planos de Deus. Sara entra para história como heroína da fé sendo, esposa, mãe e dona de casa.
1.3 O pai da fé riu diante da promessa. Verdade central: Ao ouvir novamente a promessa divina, Abraão riu, questionando se um homem de cem anos poderia ter um filho com uma mulher de noventa. Para refletir: A espera prolongada pode entristecer o coração, mas não podemos deixar que a tristeza nos faça esquecer que para Deus nada é impossível. A LIÇÃO DIZ: Parece que o tempo deixou o coração de Abraão fragilizado, pois, ao ouvir novamente a promessa divina, ele ri e assevera: “[…] A um homem de cem anos há de nascer um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos?” (Gn 17.17). A espera prolongada pode entristecer o coração, mas não podemos deixar que a tristeza nos faça esquecer que “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). Quando Deus diz que Sara terá um filho, o texto registra que Abraão se prostra com o rosto em terra e ri, como se dissesse consigo mesmo: “Como um velho de cem anos pode ter um filho? E minha esposa estéril de noventa anos, como ela pode ter um filho?”. Lembremos que ele estava diante de Deus, diante da visão da glória de Deus, como está explicitado no início de capítulo: “Quando Abrão tinha noventa e nove anos, o Senhor lhe apareceu e disse: Eu sou o Deus todopoderoso; anda na minha presença e sê íntegro” (Gn 17.1). Assim, Abraão se prostra diante dessa manifestação visível da glória de Deus. Narra o texto que Abraão riu consigo mesmo. Sobre esse riso, porém, não devemos pensar que foi um riso de incredulidade ímpia e debochada, como se ele dissesse: “Está brincando comigo! Isso só pode ser piada. Como é que com quase cem anos, com uma mulher estéril de noventa anos, isso vai acontecer? Que absurdo!”. Não, não foi esse, mas sim um riso de alegria que o deixa atônito e surpreso, até receando acreditar nessa possibilidade. Abraão ficou perplexo diante desse anúncio de fatos tão inusitados.
Essa possibilidade é perfeitamente possível. Quero apresentar os seguintes pontos a fim de prova-la: Em primeiro lugar, quando Jacó, no livro de Gênesis, teve notícias de que seu filho José estava vivo e que era governador do Egito, notícia essa que foi trazida pelos irmãos de José, quando voltaram do Egito. Para Jacó, seu filho já havia morrido, comido por feras. Agora, entretanto, ele recebe a notícia não só de que seu filho está vivo, mas de que é o governador do Egito! E diz o texto de Gênesis 45.25,26: “Então eles subiram do Egito, foram para a terra de Canaã, até Jacó, seu pai, e lhe anunciaram: José está vivo e é governador de toda a terra do Egito. O coração de Jacó fraquejou porque não acreditava neles”. Quando a notícia chegou, o coração de Jacó acelerou, e ele deve ter dito: “Não é possível!”. No entanto, se ele não tivesse acreditado nos filhos, seu coração não teria fraquejado. Seu coração fraquejou diante da possibilidade de que aquilo poderia ser verdade. A segunda ocasião, ainda mais clara, está em Lucas 24.37-41, passagem em que Jesus apareceu aos discípulos depois da ressurreição. Os discípulos não acreditaram no que viram por causa da alegria! O mesmo aconteceu com Abraão. Abraão ficou em dúvida e, ao mesmo tempo, a alegria encheu seu coração, uma alegria que leva em consideração as dificuldades, mas que triunfa diante dos obstáculos, ainda que dizendo: “Meu Deus, será que é isso mesmo?”. Além dessas duas ocasiões, a interpretação do apóstolo Paulo acerca dessa passagem, em Romanos 4.18- 21, esclarece melhor esse ponto: 18 Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe havia sido dito: “Assim será a sua descendência.” 19 E, sem enfraquecer na fé, levou em conta o seu próprio corpo já amortecido, tendo ele quase cem anos, e a esterilidade do ventre de Sara. 20 Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, 21 estando plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. Qual era o significado do nome Abrão e por que Deus o mudou para Abraão? 2. O que o nome Sara significa e o que Deus prometeu a ela? 3. Como Abraão reagiu quando ouviu novamente a promessa divina? 4. O que aprendemos sobre a fidelidade de Deus mesmo quando rimos de suas promessas?
2. A CONFIRMAÇÃO DO CONCERTO DE DEUS COM ABRAÃO Pergunta chave: Qual era o propósito do concerto de Deus com Abraão? Ideia central do ponto: Deus estabeleceu um concerto solene com Abraão, cujo propósito era trazer salvação a toda a humanidade, cumprindo-se plenamente em Jesus Cristo. 2.1 O chamado de Deus a Abraão foi especial. Verdade central: Deus confirmou o concerto com Abraão de modo solene, logo após mudar seu nome. Um pacto é um acordo de compromisso que contém promessas e obrigações específicas. No Novo Testamento, Deus estabelece uma nova aliança por meio de Jesus Cristo. Para refletir: Tenho compreendido que também tenho um concerto com Deus por meio de Jesus Cristo, e que esse pacto exige fidelidade e compromisso da minha parte? A LIÇÃO DIZ: O Senhor confirmou o concerto ou pacto com Abraão de modo muito solene, logo após fazer a mudança de seu nome (Gn 17.5-8). Podemos ver, por toda a Bíblia, Deus estabelecendo pactos. Você sabe o que significa um pacto? Segundo o Dicionário Bíblico Baker, “é um acordo de compromisso que continha promessas e obrigações específicas”
Aliança é o pacto que Deus estabelece por sua própria iniciativa, no qual ele promete sua presença e suas bênçãos, e requer do homem fé, obediência e fidelidade. No mundo antigo, havia relatos de deuses favorecendo reis ou recompensando serviços prestados em templos e santuários. Mas isso é diferente do que vemos em Gênesis 17. Ali, não temos um homem tentando garantir o favor divino por meio de obras cultuais. Temos o próprio Deus tomando a iniciativa de estabelecer sua aliança com um mortal para cumprir seus propósitos na história. A expressão “minha aliança” é usada treze vezes neste capítulo e define o relacionamento de Deus com Abrão. As três divisões desta aliança, “De minha parte […]” (17.4,8), “De sua parte […]” (17.9-14) e “Da parte de Sara […]” (17.15,16), reconhecem as obrigações de todos os envolvidos. Deus promete comprometimento com Abrão e com sua descendência (17.4-8,15,16); eles seguem seus mandamentos (17.9-14). Não era outra aliança, diferente da que Deus já havia feito com ele (12.1-3; 15.1-21). Era uma reafirmaçãodaquela aliança com o acréscimo importante da circuncisão, o sinal e o selo da aliança. 2.2. Qual o objetivo do concerto com os patriarcas? Verdade central: O propósito único e supremo do concerto era trazer salvação não apenas a uma nação (Israel), mas a toda a raça humana. Deus nunca teve a intenção de privilegiar somente um povo. A graça de Deus era e é para todas as nações. Para refletir: Reconheço que faço parte do cumprimento dessa promessa, sendo abençoado em Cristo para também abençoar outras pessoas com o Evangelho? A LIÇÃO DIZ: O propósito único e supremo era trazer salvação, não apenas a uma nação (Israel), mas a toda a raça humana. Deus havia prometido que abençoaria “todas as famílias da terra” por intermédio de Abraão (Gn 12.3; 18.18; 22.18; 26.4). O concerto de Deus foi dado ao povo de Israel para que eles pudessem ser a “luz dos gentios”. Deus escolheu os patriarcas para serem os instrumentos que levariam a bênção divina a todas as nações. A razão da eleição de Abraão era que todas as famílias da terra pudessem encontrar o conhecimento de Deus e a Sua bênção. Abraão foi chamado para ser mais do que apenas um beneficiário; ele deveria ser tanto um receptáculo quanto um transmissor da bênção divina. A intenção de Deus era que essa família funcionasse como a luz para as nações da terra. Além disso, a aliança com os patriarcas serve como a solução divina para o problema do pecado e da alienação que se espalhou pelo mundo. Enquanto os capítulos 3 a 11 de Gênesis descrevem uma escalada contínua do pecado e a alienação da humanidade em relação a Deus, a história patriarcal (capítulos 12 a 50) apresenta o plano de Deus para resolver esse dilema e restaurar a esperança humana de redenção. O plano estabelecido é que as mesmas nações corrompidas descritas anteriormente na narrativa bíblica acabem sendo abençoadas por intermédio de Abraão. Para garantir que esse plano de abençoar o mundo não falhasse, Deus demonstrou contínua fidelidade em manter Suas promessas, intervindo repetidamente para proteger os patriarcas até mesmo de seus próprios fracassos morais e éticos, assegurando assim que o objetivo e a linhagem da aliança fossem preservados. Quando Deus fez a promessa a Abraão, ele não estava pensando só nele, nem só em seus filhos e netos de forma imediata. A promessa seguiria pela sua descendência e alcançaria um objetivo maior no futuro. Em Gálatas 3.16, Paulo explica que essa promessa apontava, no fim das contas, para uma pessoa específica: Jesus Cristo. Ou seja, a promessa feita a Abraão ia passando por sua linhagem até chegar em Cristo. Jesus é o descendente principal, aquele em quem a promessa encontra seu sentido mais alto e seu cumprimento final. Nele, todas as famílias da terra são abençoadas. 2.3 O concerto e as promessas. Verdade central: O pacto de Deus com Abraão viria acompanhado de várias promessas: Deus seria seu escudo e galardão, lhe daria muitos descendentes e a terra de Canaã como herança. Da mesma forma, Deus tem um pacto conosco em Jesus Cristo, cuja maior promessa é a salvação da alma e a vida eterna. Para refletir: A maior promessa para nós em Cristo é a salvação da alma e a vida eterna, mas é preciso perseverar para recebê-la. A LIÇÃO DIZ: O pacto de Deus com Abraão viria acompanhado de várias promessas. Observe: Deus seria o escudo e o galardão de Abraão (Gn 15.1), lhe daria muitos descendentes (Gn 15.5) e a terra de Canaã como herança (Gn 15.7). O Senhor também tem um pacto conosco em Jesus Cristo, e a sua maior promessa e bênção para nós é a salvação da nossa alma. Como já abordamos, no capítulo 17 não encontramos o estabelecimento de uma nova aliança, mas uma reafirmação com acréscimos da aliança que Deus já havia feito com Abrão. Logo, regredir a Gênesis 15 é perfeitamente aceitável do ponto de vista exegético. Vamos, portanto, comentar algumas promessas destacadas pelo comentarista da lição: • Escudo e Galardão (Gn 15.1).O texto começa dizendo que a palavra do Senhor veio a Abrão, depois destes acontecimentos. Que acontecimentos são esses? No capítulo 12, ele sai da sua terra e do meio de sua parentela. No capítulo 13, ele desce ao Egito sem consultar a Deus, e ali, por medo de morrer, mente acerca de sua mulher, e ela é levada para o harém do faraó. No capítulo 14, ele peleja contra vários reis e, provavelmente, quase morreu nessa batalha. Portanto, é razoável que o patriarcado esteja pensativo e temeroso. Nesse momento de dúvida, Deus fez três afirmações:
i. Não temas. Deus lhe dá essa palavra de encorajamento, talvez porque, agora, depois que a batalha terminou e a euforia pela vitória diminuiu um pouco, o medo possa estar rondado o coração de Abrão. Lembremos que o covarde tem medo antes da batalha, mas o herói somente depois, como é o caso de Abrão. Que medo poderia ser esse, depois de tamanha vitória? Medo de que os reis derrotados pudessem armar um exército muito maior e voltar para a vingança, pois isso era perfeitamente possível. Ele também podia estar com medo de que os cananeus quisessem fazer guerra contra ele, depois de ter testemunhado seu poder, pois possivelmente estivessem pensando que Abrão, se quisesse, poderia dominar toda aquela região. ii. Sou o teu escudo. O escudo era parte da armadura dos soldados e protegia os guerreiros contra flechas, lanças, dardos, espadas e pedras do inimigo. Era uma peça extremamente importante, que garantia a integridade do soldado no campo de batalha. Como um escudo, então, Deus haveria de proteger Abrão dos perigos vindos do oriente e de Canaã. Deus haveria de guardá-lo das flechas dos inimigos e de qualquer perigo que, porventura, houvesse durante o período da sua peregrinação. iii. Sou o teu grandíssimo galardão. Esta é a razão pela qual, provavelmente, essa visão ocorreu logo depois daqueles acontecimentos. Abrão havia rejeitado a recompensa que o rei de Sodoma tinha oferecido, e agora Deus lhe promete algo muito maior do que o produto do saque das cidades da planície do Jordão. A promessa “o teu galardão será muito grande” está relacionada com as promessas que Deus fez a Abrão, quando o tirou de Ur dos caldeus pela primeira vez (Gn 12.1- 3), nas quais Deus disse: “sai da tua terra, do meio dos teus parentes, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”. Na ocasião, Deus prometeu: que lhe daria uma terra; que faria de Abrão uma grande nação; que o abençoaria; que abençoaria aqueles que o abençoassem e amaldiçoaria aqueles que o amaldiçoassem; que engrandeceria o seu nome; e que na descendência de Abrão seriam benditas todas as nações da terra. Portanto, a promessa que Deus faz a Abrão agora, nessa quarta vez que aparece a ele e diz “teu galardão será muito grande”, está relacionada com tudo que Deus já havia prometido antes, e parece uma espécie de consolo, como se Deus dissesse: “Você não quis, e com razão, ficar com aqueles bens que o rei de Sodoma lhe ofereceu. Mas não se preocupe, porque a recompensa, o galardão que tenho para você é muito maior do que qualquer coisa que esses reis de Canaã poderiam lhe dar”. Acima de tudo, Deus seria a maior recompensa de Abrão. • Muitos descendentes (Gn 15.7). “Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra como herança” (v. 7). O nome de Deus nesse versículo é Yahweh, nome pelo qual ele se revelou desde o início do livro de Gênesis. Ele é o mesmo Deus que tirou Abrão de Ur dos caldeus e que chamou Abrão da Mesopotâmia, onde ele morava e adorava outros deuses. É também o mesmo Deus que iria dar aquela terra à sua descendência como propriedade e posse. Foi o mesmo Deus quem fez todas essas coisas.
• Em Cristo, Deus também se relaciona conosco por meio de uma aliança, agora fundada em seu sangue, conforme o ensino do Novo Testamento. Por isso, a maior bênção que recebemos não é material, territorial ou temporal, mas espiritual e eterna: a salvação da nossa alma. Isso precisa ser bem entendido. Deus pode conceder livramentos, provisão, cuidado diário e respostas ao seu povo. Tudo isso é expressão de sua bondade. Ainda assim, a maior promessa não está nas coisas que Deus dá ao longo da caminhada, mas no que ele fez de modo definitivo em Cristo. Em Jesus, recebemos perdão dos pecados, reconciliação com Deus, adoção, nova vida e esperança eterna. Essa é a maior riqueza da aliança.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. O que é um pacto ou concerto segundo a lição? 2. Qual era o propósito único e supremo do concerto com os patriarcas? 3. Quais promessas acompanhavam o pacto de Deus com Abraão? 4. Qual é a maior promessa que Deus tem para nós no pacto em Jesus Cristo?
3. O PACTO PERPÉTUO DA CIRCUNCISÃOPergunta chave: Qual era o sinal visível do pacto e o que ele representava? Ideia central do ponto: A circuncisão foi estabelecida como sinal visível da aliança entre Deus e a descendência de Abraão, mas no Novo Testamento a verdadeira circuncisão é a do coração, feita mediante a graça e a fé em Jesus Cristo. 3.1 Todo macho será circuncidado. Verdade central: Na renovação do concerto, Deus incluiu o pacto da circuncisão como sinal visível da aliança entre Ele e a descendência de Abraão. Era uma marca perpétua que lembraria o compromisso da fidelidade de Deus. Para refletir: Há sinais visíveis em minha vida que demonstram meu compromisso de aliança com Deus, ou minha fé é apenas interna e invisível? A LIÇÃO DIZ: Na renovação do concerto de Deus com Abraão, Ele incluiu o pacto da circuncisão. Deus lhe disse que aquele seria o sinal visível da aliança entre Ele e a descendência de Abraão, uma marca perpétua que lembraria o compromisso da fidelidade de Deus (Gn 17.10). A circuncisão consistia na remoção da pele chamada prepúcio, que envolve a extremidade final do órgão masculino. O equivalente hoje seria a operação de fimose, geralmente feita em bebês, quando há necessidade. A marca da circuncisão, a remoção da pele do prepúcio, deveria ser praticada por Abraão e por toda a sua descendência para todo o sempre, e serviria de sinal da aliança entre Deus e o seu povo: “Fareis a circuncisão na pele do prepúcio; este será o sinal da aliança entre mim e vós” (v.11). O que Deus quer dizer a Abraão é que ele guarde a aliança, isto é, o sinal da aliança, que é a circuncisão. Em outras palavras, a marca na pele causada pela circuncisão deve estar em Abraão e em todos os seus descendentes.
O Comentário Histórico e Cultura diz: A circuncisão era largamente praticada no antigo Oriente Próximo como um rito de puberdade, fertilidade ou casamento. Embora os israelitas não fossem o único povo a circuncidar seus filhos, esse sinal foi usado para marcá-los como membros da comunidade da aliança. A circuncisão pode ser vista como um dos muitos casos em que Deus transforma uma prática comum para servir a um novo propósito ao revelar-se e relacionar-se com seu povo. Qual é a razão para essa marca? O texto não diz. Moisés não menciona o motivo desse sinal; porém, podemos inferi-lo. • A circuncisão era a marca apropriada para essa aliança, pois o povo da aliança trazia no órgão reprodutor a marca de Deus, como se fosse uma declaração de que “a minha semente, os meus filhos, que forem gerados por meio do órgão reprodutor, são parte do povo de Deus”.
• Deus escolheu a circuncisão porque ela é uma marca que não se pode desfazer; era um símbolo de que a aliança é eterna, de que Deus não voltaria atrás: quem era de Deus era marcado como de Deus, e tal marca não seria removida. • O terceiro e mais importante sentido, na minha opinião, é que a circuncisão tem um significado profundamente espiritual. O sentido principal da circuncisão e, que supera todos os anteriores, é que ela apontava para a remoção da dureza de coração, uma vez que a remoção da pele do órgão masculino simbolizava a remoção da incredulidade e da obstinação, sendo assim um símbolo profundamente espiritual. Ela era sinal da obediência, do amor e da consagração a Deus. 3.2 Quando deveria ser feita a circuncisão. Verdade central: O bebê do sexo masculino deveria ser circuncidado ao completar oito dias de nascido. Essa prática é realizada entre os judeus até hoje, indicando que a aliança com Deus deveria ser estabelecida desde o início da vida. Para refletir:Tenho sido pronto em obedecer às orientações de Deus, ou tenho adiado minha obediência esperando um momento mais conveniente? A LIÇÃO DIZ: O bebê, do sexo masculino, deveria ser circuncidado ao completar oito dias de nascido (Gn 17.12). A circuncisão é feita entre os judeus até os dias de hoje, sendo realizada por especialistas e com o uso de anestesia. No Antigo Testamento, além do bebê israelita no oitavo dia, a circuncisão era exigida em outras situações: • Todo macho da casa de Abraão, inclusive escravos e comprados por dinheiro. Não era só o filho biológico; também o nascido na casa e o estrangeiro comprado deviam receber o sinal (Gn 17.12-13).
• O estrangeiro que quisesse participar da Páscoa. Segundo Êxodo 12.48, se um estrangeiro quisesse celebrar a Páscoa ao Senhor, todo macho da sua casa devia ser circuncidado. Por que no oitavo dia? Muitas explicações são oferecidas: • Alguns afirmam que a circuncisão era realizada no oitavo dia a fim de que a criança conclui-se o ciclo da criação (sete dias) e passasse pelo primeiro Shabat. • Outros explicam que assim como o sangue da oferenda traz expiação, também a circuncisão. Portanto, assim como um animal levado como oferenda precisa ter pelo menos oito dias de idade (Lv 22.27), na época da circuncisão, o bebê precisa ter pelo menos oito dias de idade. • Maimônides explica que a espera de oito dias é necessária, pois caso contrário, a criança não teria forças para suporta a circuncisão. A outras opiniões são tão absurdas que não valem apena serem mencionadas. Por fim, o que se pode concluir é que a razão é incerta e não está declarada de forma explicita na Bíblia.
3.3 A circuncisão do coração. Verdade central: A circuncisão física era inútil para aqueles cujo coração permanecia “incircunciso”. A verdadeira circuncisão é a do coração, realizada quando a pessoa ama ao Senhor por completo e entrega-se a Ele totalmente. Para refletir: Meu coração está verdadeiramente “circuncidado”, entregue por completo a Deus? A LIÇÃO DIZ: Não podemos nos esquecer de que a circuncisão física era inútil para aqueles cujo coração permanece “incircunciso” (Jr 9.25,26; Rm 2.25). Mas como é realizada a circuncisão do coração? Ela é realizada quando a pessoa ama ao Senhor por completo e entrega-se a Ele também por completo (Dt 10.16; 30.6; Jr 4.4; Rm 2.29). Na Nova Aliança, somente a circuncisão do coração, mediante a graça e a fé em Jesus Cristo, é capaz de nos fazer levar uma vida de obediência e dedicação ao Senhor. Moisés, quando fala aos israelitas, descendentes de Abraão, em Deuteronômio 10.16, diz: “circuncidai o vosso coração e não sejais mais obstinados”. É óbvio que a circuncisão na carne representava a circuncisão espiritual do coração, e indicava que o povo marcado por ela era um povo obediente a Deus, que andava no temor do Senhor. Mais adiante, em Deuteronômio 30.6, Moisés diz: “O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração, e o coração da tua descendência, a fim de que ames o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a alma, para que vivas”. A circuncisão física era símbolo da conversão que Deus operava no coração, para que os israelitas pudessem amá-lo de todo o coração, uma vez que se Deus não a fizesse, o judeu nunca iria amar a Deus de todo o coração, pois é um pecador, filho de Adão, inclinado a todo mal, e, portanto, não quer buscar a Deus. Assim, Deus circuncidava o coração dos israelitas e, então, eles podiam amar a Deus, servi-lo e obedecer-lhe. Esse é o significado da circuncisão e também seu sentido mais profundo. O profeta Jeremias, séculos depois, fala para a nação de Israel, nação rebelde: “Circuncidai-vos ao Senhor e circuncidai o coração, ó homens de Judá e moradores de Jerusalém” (Jr 4.4). Eles já eram circuncidados na carne, mas isso não significava nada, pois tinham de ser circuncidados no coração. Era isso que a circuncisão representava. O grande problema desse tempo foi que os israelitas se apegaram a marcas exteriores e se esqueceram do principal, amar o Senhor de todo coração.O sentido espiritual da circuncisão fica ainda mais claro no Novo Testamento. O apóstolo Paulo, que fora um rabino, fariseu, e que conhecia muito bem o judaísmo, diz, em Romanos 4.11: “E [Abraão] recebeu o sinal da circuncisão, como selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado”. Abraão foi justificado pela fé e recebeu o sinal da circuncisão, uma vez que a circuncisão era o selo ou sinal de que o homem éjustificado pela fé. Ela representava a fé que Deus exigia da parte do seu povo, ou, como Paulo diz, em Romanos 2.28,29: “Porque judeu não é quem o é exteriormente, nem é circunciso quem o é apenas no exterior, na carne. Mas judeu é quem o é no interior, e circuncisão é a do coração, realizada pelo Espírito, não pela letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus”. Paulo está reagindo ao legalismo judaico de sua época, quando os judeus diziam: “nós somos circuncidados. Nós somos o povo de Deus. Nós temos a marca de que pertencemos a Deus”. No entanto, Paulo lhes diz que a verdadeira circuncisão é a do coração e que o ser judeu é um estado espiritual. Não é judeu apenas aquele que o é exteriormente, mas sim aquele que o é de coração. Portanto, todo crente verdadeiro, todo aquele que crê no Deus de Abraão é verdadeiro judeu, e já foi circuncidado no seu coração. Essa é a verdadeira circuncisão que fará toda a diferença. Também Paulo, em Gálatas 6.15, diz: “Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão são coisa alguma, mas, sim, o ser nova criação”.E, ainda, o mesmo Paulo, em Colossenses 2.11: “Nele também fostes circuncidados com a circuncisão que não é feita por mãos humanas, o despojar da carne pecaminosa, isto é, a circuncisão de Cristo”. A circuncisão era um sinal físico, aplicado no órgão reprodutor masculino, mas carregava o simbolismo que apontava para a consagração a Deus, a mudança de vida, a remoção da incredulidade, a conversão, o novo nascimento, o amor e a obediência a Deus.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. Qual era o propósito da circuncisão no concerto de Deus com Abraão? 2. Quando a circuncisão deveria ser realizada segundo Gênesis 17.12? 3. Por que a circuncisão física era inútil sem a circuncisão do coração? 4. O que significa ter o coração “circuncidado” na Nova Aliança?
CONCLUSÃO Deus não estabeleceu uma aliança nova com Abraão aos 99 anos, mas reafirmou aquela que já havia feito, com acréscimos e confirmações. Mudou seu nome e o de Sara para indicar o propósito divino em suas vidas. Instituiu a circuncisão como sinal visível e perpétuo desse pacto. O concerto que Deus fez não era apenas para o patriarca e sua descendência imediata, mas para todas as famílias da terra, e apontava para Cristo como seu cumprimento final. O sinal físico cedeu lugar à circuncisão do coração, realizada quando o Espírito Santo nos transforma e nos leva a amar e obedecer a Deus completamente. A marca que antes estava na carne agora está no coração renovado.
A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) elegeu, pela primeira vez em sua história, uma mulher como presidente. A juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira foi a escolhida para comandar a associação durante o biênio 2026–2028. A eleição, realizada de forma eletrônica, contou com a participação de 1.298 associados e sua chapa, a “Ajufe em Frente”, recebeu 1.222 votos, o equivalente a 94,14% do total. Também foram registrados 76 votos em branco.
Trajetória na magistratura
Ana Lya, 44, é natural de Cuiabá (MT) e possui formação em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso, com pós-graduação em Direito Público e mestrado em Direito Penal Tributário pela PUC-SP. Antes da magistratura, ela atuou como advogada e professora. Sua carreira na instância federal começou em 2011. Com passagens por Campo Grande (MS) e São Paulo, desde 2015 ela está vinculada à 1° Região. Foi juíza federal substituta em Cáceres (MT) e, em 2016, assumiu como titular na 2ª Vara Federal no município, nas competência cível e criminal, cargo que exerce até hoje. Na Associação dos Juízes Federais do Brasil, ela passou a atuar em 2022 como suplente da 1ª Região. Em 2023, assumiu a Secretaria-Geral e foi efetivada no cargo em 2024, participando da articulação junto a órgãos como o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho da Justiça Federal. Atualmente, além de exercer jurisdição cível e criminal na 2ª Vara Federal de Cáceres, ela ocupa o cargo de secretária-geral da própria Ajufe. Sua posse será realizada em cerimônia oficial agendada para o dia 1º de junho.
Um novo estudo da Universidade de British Columbia, no Canadá, demonstra que não é preciso abandonar as redes sociais para proteger a saúde mental, mas sim o modo como elas são utilizadas. A pesquisa, publicada no Journal of Experimental Psychology: General, revela que tanto a abstinência completa quanto o uso intencional oferecem benefícios distintos para o bem-estar psicológico. Enquanto parar o uso reduz sintomas como ansiedade e estresse, aprender a usá-las de forma consciente diminui a solidão e o receio de estar perdendo algo, conhecido como FOMO.
O que aconteceu
Pesquisa aponta que a forma de uso das redes sociais impacta a saúde mental, com benefícios tanto da abstinência quanto do uso intencional.
Parar de usar plataformas digitais alivia ansiedade e estresse; o uso consciente combate solidão e o FOMO (“medo de ficar de fora”).
O estudo canadense acompanhou 393 jovens adultos por seis semanas, investigando mudanças comportamentais e indicadores de bem-estar.
A abstinência total das redes sociais comprovadamente reduziu sintomas como ansiedade e estresse. Por outro lado, a aprendizagem de um uso mais consciente das plataformas digitais diminuiu significativamente sentimentos de solidão e o receio de estar perdendo algo, conhecido pela sigla em inglês FOMO (fear of missing out). “Essa redução da solidão e do FOMO aconteceu porque as pessoas foram incentivadas a agir e se conectar com os outros na vida real, fora da internet”, explica o psicólogo clínico Vitor Koichi Iwakura Fugimoto, do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita. Segundo ele, “o problema não é o uso por si só, mas como fazemos esse uso”.
O estudo acompanhou 393 jovens adultos canadenses, com idades entre 17 e 29 anos, que expressaram preocupação com o impacto das redes sociais em seu bem-estar. Durante seis semanas, os participantes foram divididos aleatoriamente em três grupos: um manteve o uso habitual das plataformas, outro interrompeu totalmente o acesso e o terceiro recebeu aulas sobre como modificar sua forma de interação. Este último grupo focou na redução de comparações sociais, diminuição do uso passivo e priorização de conexões mais significativas.
Ao longo das seis semanas do experimento, os pesquisadores monitoraram tanto as alterações no comportamento digital quanto os indicadores de saúde mental dos voluntários. Foram analisados o tempo de uso, a intensidade e o padrão de engajamento — como rolagem passiva versus interação ativa —, além de medidas de solidão, FOMO, estresse, ansiedade e sintomas depressivos. As avaliações ocorreram em diferentes momentos, permitindo uma comparação precisa da evolução dos três grupos e a identificação dos efeitos distintos entre a abstinência total e o uso intencional das plataformas.
Como as redes sociais afetam a saúde mental?
Os autores do estudo canadense concluíram que as redes sociais operam de forma ambivalente. Embora amplifiquem as pressões de comparação e autoapresentação, elas também proporcionam oportunidades genuínas de conexão. “Nem todo uso da rede social é danoso, é importante isso ser discriminado”, enfatiza Fugimoto. O psicólogo destaca que um padrão que frequentemente deteriora o bem-estar é o uso passivo, caracterizado pela navegação sem um propósito definido. Adicionalmente, o tipo de interação é crucial: consumir principalmente conteúdo de celebridades ou páginas de fofoca, sem engajamento com amigos e familiares, tende a intensificar a sensação de desconexão.
Os impactos na saúde mental estão intrinsecamente ligados ao modo de uso das redes. A comparação social emerge como um dos fatores mais proeminentes. Embora seja um comportamento humano inerente, ele se intensifica nas plataformas digitais, onde prevalecem recortes positivos e idealizados da vida cotidiana. “Muitas vezes, o que é mostrado não é uma realidade compatível com a vida da grande maioria da população”, observa o psicólogo Vitor Fugimoto.
A intensidade do uso é outro fator relevante. Quanto maior o tempo dedicado às plataformas, mais acentuada tende a ser a sensação de perda de controle, o que contribui para a deterioração do bem-estar. Esse ciclo é autoalimentado: ao perder a noção do tempo e do conteúdo consumido, o usuário permanece conectado por mais tempo do que o pretendido. “De uma forma ou de outra, isso leva a uma intensidade maior de uso, geralmente porque a pessoa perde a noção do tempo e do que está consumindo”, alerta Vitor Fugimoto.
Esses padrões de uso problemáticos são corroborados pela literatura científica. Uma revisão sistemática com meta-análise, publicada em 2022 na revista JMIR Mental Health, analisou 18 pesquisas envolvendo mais de 9 mil adolescentes e jovens adultos. O estudo identificou correlações moderadas entre o uso problemático de redes sociais – caracterizado por padrões aditivos – e sintomas de depressão, ansiedade e estresse. Os autores ressaltaram que esse hábito foi um preditor mais consistente de sofrimento psicológico do que o mero tempo de exposição. Outro estudo longitudinal, publicado em 2025 na JAMA Network Open, acompanhou quase 12 mil crianças e adolescentes nos Estados Unidos por quatro anos. A pesquisa revelou que aumentos individuais no tempo de uso de redes sociais estavam associados a uma elevação posterior de sintomas depressivos. Uma investigação distinta, com mais de 3 mil jovens, publicada em 2019 na JAMA Pediatrics, também correlacionou maior tempo dedicado às redes com o aumento de sintomas depressivos. Este efeito foi parcialmente explicado por mecanismos como a comparação social ascendente e a consequente redução da autoestima.
Dados alarmantes e impacto na autoimagem
Dados populacionais dos Estados Unidos, divulgados em 2025 pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), reforçam essa preocupação. O órgão indicou que adolescentes com quatro horas diárias ou mais de tempo de tela apresentam maior risco de relatar sintomas de depressão, ansiedade, pior qualidade do sono e menor percepção de suporte social. A correlação se estende até a autoimagem dos usuários. Uma meta-análise publicada em 2025 na revista Body Image, que compilou dados de estudos com mais de 55 mil participantes, demonstrou que níveis mais elevados de comparação social online estão associados a maiores preocupações com a imagem corporal, sintomas de transtornos alimentares e uma percepção inferior de imagem corporal positiva.
É possível usar redes sociais de forma consciente?
No estudo canadense, os participantes submetidos à intervenção de “uso intencional” receberam orientações claras. Eles foram instruídos a reduzir comparações sociais, deixar de seguir ou silenciar contas que gerassem sentimentos negativos, diminuir a rolagem passiva e priorizar interações ativas. Isso inclui comentar, enviar mensagens diretas e fortalecer vínculos com pessoas próximas no ambiente digital.
A proposta central não era apenas diminuir o tempo de tela, mas sim transformar a qualidade do engajamento com as plataformas. “No dia a dia, o que podemos fazer para reduzir a comparação social e tornar o uso intencional é, de fato, ter um propósito claro ao abrir um aplicativo, seja Instagram, TikTok, WhatsApp ou Facebook”, sugere o psicólogo Vitor Fugimoto. Para Fugimoto, o primeiro passo fundamental é estabelecer um filtro ativo para as próprias redes sociais. Isso envolve revisar as contas seguidas e refletir criticamente sobre o impacto real de cada uma. Perfis que incessantemente estimulam a comparação, exibem rotinas idealizadas ou reforçam padrões inalcançáveis devem ser silenciados ou descartados.
É crucial, contudo, reconhecer que o controle nunca é absoluto. Mesmo após ajustes personalizados, os algoritmos das plataformas continuarão a sugerir conteúdos que podem reacender comparações ou distrações. Daí a importância de manter uma postura constantemente consciente diante do que aparece no feed e avaliar continuamente se o conteúdo consumido contribui ou prejudica o bem-estar. Outra medida eficaz é estabelecer limites de tempo rigorosos e evitar o uso automático das redes. Desativar alertas constantes ou ativar ferramentas de monitoramento de tempo no próprio celular pode auxiliar o usuário a visualizar seu gasto de tempo nas plataformas e a identificar padrões de acesso impulsivo. O objetivo não é impor metas inflexíveis, mas sim desenvolver uma percepção aprimorada sobre o próprio comportamento digital.
Homens dos Quais o Mundo não Era Digno O Legado de Abraão, Isaque e Jacó
INTRODUÇÃO A vida de Abrão constitui um testemunho extraordinário do poder transformador da fé genuína em Deus.Tendo recebido um chamado singular para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, ele respondeu com obediência irrestrita, ainda que não compreendesse plenamente o caminho que Deus o levaria a percorrer. Após retornar do Egito e estabelecer-se em Canaã, o patriarca enfrentou um grande dilema: a contenda entre seus pastores e os de seu sobrinho Ló. Eles tiveram que se separar. As escolhas que ambos fizeram naquele momento revelaram a diferença entre uma fé fundamentada em Deus e uma vida guiada apenas pelo que os olhos carnais conseguem enxergar. Enquanto Ló optou pela aparência e pela prosperidade imediata, Abrão permaneceu confiante nas promessas de Deus, ainda que a terra que lhe coube não fosse tão visualmente atraente. Nesta lição, examinaremos como Abrão respondeu às provas da fé, compreenderemos as consequências das escolhas humanas e aprenderemos como a adoração sincera sustenta a vida do crente. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO O Senhor apareceu a Abrão e disse: “À sua descendência darei esta terra”. Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido. (Gn 12.7, NVI). Ali o SENHOR apareceu a Abrão e disse: — Eu vou dar esta terra aos seus descendentes. Naquele lugar Abrão construiu um altar a Deus, o SENHOR, pois ali o SENHOR havia aparecido a ele. (Gn 12.7, NTLH). A expressão “construiu” ou “edificou” é muito significativa no relato. Em terra estrangeira, Abrão evita utilizar altares já existentes. Como a prática de oferecer sacrifícios sobre altares de pedra é anterior ao período patriarcal, conforme se vê em Gênesis 8.20, é bastante provável que já houvesse altares cananeus em Canaã. Ainda assim, Abrão edifica seu próprio altar, porque não deseja oferecer culto ao Senhor em estruturas ligadas a divindades estranhas ou marcadas por usos pagãos. Por isso, ao levantar um altar, ele demarca publicamente sua devoção exclusiva ao Senhor e rejeita qualquer possibilidade de sincretismo. Além disso, esse cuidado sugere avanço em sua fé. Abrão já não está apenas caminhando pela terra da promessa, mas também aprendendo a consagrá-la ao Senhor por meio da adoração. O altar, nesse sentido, torna-se um sinal visível da comunhão com Deus, isto é, um memorial da revelação recebida e um testemunho de que, mesmo cercado por uma cultura idólatra, ele pertence ao Senhor e deseja cultuá-lo em santidade.
VERDADE PRÁTICA Quando Deus faz uma promessa incondicional, Ele a cumpre plenamente. Vamos as definições: • Promessa é uma palavra empenhada, um compromisso assumido. Quando falamos de promessa divina, estamos falando de uma declaração em que Deus anuncia o que fará, dará ou realizará, segundo sua vontade e seu propósito. • Promessa incondicional é aquela cujo cumprimento final não depende do mérito, da força ou da constância do homem, mas repousa na fidelidade, no poder e no decreto do próprio Deus. Entretanto, isso não significa que a obediência humana seja irrelevante. Significa que a certeza última da promessa não está no homem, mas em Deus.
• Promessa condicional é aquela cuja realização, aplicação histórica ou experiência prática está ligada a uma condição estabelecida por Deus. Essa condição costuma aparecer em forma de ordem, chamado, advertência ou exigência de resposta. Aqui, a condição não significa que Deus seja infiel ou limitado. Significa que o próprio Deus decidiu relacionar aquele benefício a uma resposta humana específica. Deus cumpre fielmente suas promessas incondicionais porque seu caráter o impede de falhar. Há pelo menos quatro razões centrais. • Primeiro, Deus não mente. Números 23.19 ensina que Deus não é homem para que minta. Se ele prometeu, sua palavra é verdadeira.
• Segundo, Deus não muda. Sua vontade não sofre instabilidade, revisão moral ou fraqueza. O que ele determinou, ele sustenta. • Terceiro, Deus tem poder para fazer o que prometeu. Romanos 4.21, no contexto de Abraão, diz que ele estava plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que prometera. • Quarto, Deus age para a glória do seu nome. Quando Deus promete, ele vincula o cumprimento dapromessa à sua própria fidelidade pactual. Portanto, falhar seria negar seu próprio nome, e isso é impossível. Por isso, as promessas incondicionais de Deus são cumpridas cabalmente. Elas podem atravessar anos, crises, pecados de homens, esterilidade, desertos e impérios, mas não caem por terra. MOVIMENTO TEMÁTICO • Ponto 01: A separação • Ponto 02: As consequências • Ponto 03: Os altares.
1. ABRÃO VOLTA DO EGITO PARA CANAÃ Pergunta chave: Por que Abrão e Ló precisaram se separar? Ideia central do ponto: A separação entre Abrão e Ló foi necessária porque Deus já havia ordenado que Abrão deixasse sua parentela. As escolhas de cada um revelaram suas prioridades: Ló escolheu pela aparência, enquanto Abrão confiou na direção de Deus. 1.1 Contenda entre os pastores. Verdade central: Devido à riqueza de Abrão e Ló, a terra não comportava as duas famílias, gerando contendas entre os pastores. Deus já havia ordenado que Abrão deixasse sua parentela, e agora a separação se tornava inevitável para que sua fé fosse lapidada. Para refletir: Há pessoas ou situações em minha vida que Deus está pedindo que eu deixe para trás, mas tenho resistido por causa de laços emocionais? A LIÇÃO DIZ: Devido à riqueza de Abrão e de Ló, no retorno para Canaã, a terra onde estavam acampados não comportava as famílias do tio e do sobrinho: “[…] porque sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos” (Gn 13.6). É importante ressaltar que Deus já havia alertado a Abrão que ele deveria sair de sua terra e da sua parentela (Gn 12.1). O texto bíblico omitido pela lição, nos diz: Abrão saiu do Egito e foi para o Neguebe, ele e a sua mulher e tudo o que tinha. E Ló foi com ele. Abrão era muito rico; possuía gado, prata e ouro. Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até o lugar onde primeiro tinha armado a sua tenda, entre Betel e Ai, até o lugar do altar, que anteriormente tinha feito. E ali Abrão invocou o nome do Senhor. (Gn 13.1-4, NAA). Abrão não apenas sai do Egito com sua mulher, mas sai rumo ao Neguebe, até Betel. Ele retorna para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Retorna com as mãos cheias de bens, mas com a necessidade imperativa de acertar sua vida com Deus. Abrão voltou para sua tenda e seu altar e para uma vida de peregrino e estrangeiro. A distância da fronteira do Egito até a região de Betel e Ai seria de cerca de 320 quilômetros. No Egito Abrão e Ló aumentaram suas riquezas, traduzidas em rebanhos numerosos. A região que não tinha pastagens tão luxuriantes como o Egito ou as campinas do Jordão, e ainda, povoada também pelos cananeus e ferezeus, tornou-se insuficiente para atender toda a demanda. Sendo assim, os pastores de Abrão e Ló não podiam escolher qualquer lugar; tinham de sobreviver com o que sobrava dos cananeus e dos perizeus. E por isso a briga deve ter começado. O texto bíblico revela os detalhes pelos quais a separação era inevitável: Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas.E a terra não podia sustentá-los, para que morassem juntos, porque eram muitos os seus bens, de maneira que não podiam morar um na companhiado outro.Houve desentendimento entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló. Nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra. (Gn 13.5-7, NAA). • O espaço era pequeno demais para as duas famílias, que tinham enriquecido. • Abrão e Ló tinham que dividir a terra com os cananeus e ferezeus. • uma briga declarada havia surgido entre os pastores de Abrão e os pastores de Ló. No Egito Abrão e Ló aumentaram suas riquezas, traduzidas em rebanhos numerosos. A região que não tinha pastagens tão luxuriantes como o Egito ou as campinas do Jordão, e ainda, povoada também pelos cananeus e ferezeus, tornou-se insuficiente para atender toda a demanda. Sendo assim, os pastores de Abrão e Ló não podiam escolher qualquer lugar; tinham de sobreviver com o que sobrava dos cananeus e dos perizeus. E por isso a briga deve ter começado. O texto bíblico revela os detalhes pelos quais a separação era inevitável: Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas.E a terra não podia sustentá-los, para que morassem juntos, porque eram muitos os seus bens, de maneira que não podiam morar um na companhia do outro.Houve desentendimento entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló. Nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra. (Gn 13.5-7, NAA). • O espaço era pequeno demais para as duas famílias, que tinham enriquecido. • Abrão e Ló tinham que dividir a terra com os cananeus e ferezeus. • uma briga declarada havia surgido entre os pastores de Abrão e os pastores de Ló. isso? Porque estava confiante de que Deus haveria de cumprir a promessa que fizera a ele: “Darei esta terra à tua descendência” (Gn 12.7). Essa proposta de Abrão é generosa. Alguns comentaristas dizem que ele não poderia tê-la feito, porque sugere que está abandonando a terra que Deus havia lhe dado. Mas não é isso. Ele tinha total confiança na promessa de que Deus haveria de lhe dar aquela terra, quando cede a Ló o direito de escolher para que lado queria ir. Ló não era descendente de Abrão, era apenas parente; e a promessa foi feita para Abrão e os seus descendentes. Em vez de armar um estratagema para tirar vantagem da situação, Abrão generosamente dá a oportunidade de escolha ao sobrinho, que lhe era hierarquicamente inferior. O que explica a generosidade do patriarca é a confiança na promessa. Ele se comporta como se já fosse dono da terra. E a fé não é exatamente isso? Fé é a certeza das coisas que não vemos; é a confiança e a plena convicção de fatos que não se veem.
Alguns pontos importantes: • A paz na família é mais importante que o lucro financeiro (13.8). Abrão entende que, entre parentes, a rivalidade deve ser rejeitada, porque a comunhão familiar é um bem mais precioso do que a prosperidade econômica. Seu gesto revela nobreza de caráter, pois trata Ló, seu sobrinho órfão, com respeito e consideração. Assim, antes de pensar em vantagens pessoais, Abrão se empenha em preservar a paz no ambiente familiar. • Como chefe do clã, homem mais velho e principal responsável pelo grupo, Abrão tinha autoridade para escolher primeiro a parte da terra que desejasse, e Ló deveria aceitar sua decisão. Mesmo assim, para preservar a paz, Abrão abre mão dessa prerrogativa e concede ao sobrinho a prioridade na escolha. Seu gesto revela desprendimento, maturidade e confiança em Deus, pois ele prefere renunciar a um direito legítimo a permitir que a contenda destrua a comunhão familiar. A narrativa ensina, portanto, que a verdadeira grandeza espiritual aparece quando alguém, podendo exigir o que lhe pertence, escolhe agir com generosidade para preservar a paz. 1.3 As escolhas de cada um. Verdade central: Ló não buscou a direção de Deus e escolheu pela aparência, atraído pela fertilidade da campina do Jordão. Abrão, homem de fé, preferiu ficar na terra de Canaã, confiando em Deus. Escolhas sem orientação divina quase sempre resultam em consequências negativas. Para refletir: Tenho buscado a direção de Deus antes de tomar decisões importantes, ou me deixo guiar apenas pelo que parece vantajoso aos olhos naturais? A LIÇÃO DIZ: Ló não buscou a direção de Deus em sua escolha e nem respeitou seu tio. Escolheu somente pela aparência, vendo a beleza da fertilidade da campina do Jordão (Gn 13.10,11). Abrão, homem de fé, temente a Deus, preferiu escolher a terra prometida por Deus, a terra de Canaã. O texto bíblico diz: Ló ergueu os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem-regada, como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, até a região de Zoar. Isto foi antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente. E assim separaram-se um do outro. Abrão habitou na terra de Canaã, e Ló foi morar nas cidades da campina. E ia armando as suas tendas até Sodoma. Ora, os moradores de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor. (Gn 13.10-13, NAA). Ló levanta os olhos de Betel (880 metros acima do nível do mar), de onde se tem uma magnífica visãodo vale do Jordão a sudeste, e vê toda a campina do Jordão de pastagens verdejantes com entusiasmo, a pontode compará-las com o Éden ou com as terras férteis do delta do Nilo, de onde tinha recentemente saído com seu tio. O texto mostra que o vale era “todo bem regado”. O que havia instaurado conflito entre eles fora exatamente a falta de água e de pasto para os rebanhos. Contudo, o vale do Jordão era bem regado não só pelo rio Jordão, mas também por afluentes que desciam das encostas das montanhas e regavam toda aquela terra. Então, ele pôs os olhos naquela região e pensou: “Não tenho dúvida. Quero essa terra aqui”. No mesmo versículo 10, Moisés faz um parêntese, como que para nos avisar sobre o que acontecerá mais à frente, e já indicando que a escolha de Ló não seria a melhor, pois diz: “antes de o Senhor destruir Sodoma e Gomorra”, cidades que ficavam exatamente ali. Quando Ló fez a escolha, aquele era um lugar maravilhoso. Em Gênesis 19, essas cidades serão destruídas com fogo caído do céu. O final do versículo 12 mostra que Ló foi armando suas tendas em direção a Sodoma. Ele desce das colinas de Betel para os vales com um destino em mente: uma cidade próspera, atraente e promissora aos olhos humanos. Tudo indica que Ló pensava em sobrevivência, estabilidade e crescimento material. Ló fraqueja diante da possibilidade de prosperar ainda mais financeiramente. Ele não levou em consideração a situação moral e espiritual de Sodoma e de outras cidades daquela região, como adverte o texto a seguir: “Os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor” (v. 13). Em contraste, Abrão permaneceu no lugar designado por Deus. Ele ficou em Canaã, isto é, no espaço da promessa. Além disso, o texto mostra que a tenda de Abraão permaneceu junto ao altar. A tenda aponta para sua condição de peregrino. O altar revela sua vida de adoração, dependência e comunhão. Abraão não organizou sua existência em torno da vantagem material, mas em torno do Senhor.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. Por que a separação entre Abrão e Ló se tornou necessária? 2. Como Abrão demonstrou seu caráter pacificador diante da contenda? 3. Qual foi a diferença entre a forma como Abrão e Ló fizeram suas escolhas? 4. O que aprendemos sobre decisões tomadas sem a orientação de Deus?
2. AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS Pergunta chave: O que cada um colheu de suas escolhas? Ideia central do ponto: Nossas escolhas são opcionais, mas suas consequências são inevitáveis. Abrão colheu bênçãos por confiar em Deus, enquanto Ló enfrentou tragédias por escolher sem direção divina. 2.1 Resultados da escolha de Abrão. Verdade central: Deus aprovou a escolha de Abrão e lhe prometeu toda aquela terra e uma descendência incontável. Abrão estava na direção certa, e em breve colheria os frutos de sua submissão à vontade de Deus. Para refletir: Tenho confiado que Deus honrará minhas escolhas feitas em obediência a Ele, mesmo quando o caminho parece menos vantajoso aos olhos humanos? A LIÇÃO DIZ: Nossas escolhas são opcionais, mas as consequências são inevitáveis e quase sempre imprevisíveis. O texto bíblico nos mostra que Deus aprovou a escolha de Abrão (Gn 13.14). Vamos ao texto bíblico: O Senhor disse a Abrão, depois que Ló se separou dele: — Erga os olhos e olhe de onde você está para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste;porque toda essa terra que você está vendo, eu a darei a você e à sua descendência, para sempre.Farei a sua descendência como o pó da terra, de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então será possível também contar os seus descendentes.Levante-se e percorra essa terra no seu comprimento e na sua largura, porque eu a darei a você. Warren Wiersbe diz que, depois que Ló partiu, Abrão teve outro encontro com o Senhor. Seu sobrinho havia levantado seus olhos e visto o que o mundo tinha a oferecer; então, Deus convidou Abrão a levantar os olhos e ver o que o céu tinha a oferecer. Ló escolheu um pedaço da terra que acabou perdendo, mas Deus deu a Abrão toda a terra que ainda pertence a ele e a seus descendentes. Ló “escolheu para si” as terras que desejava. Deus disse a Abrão: “eu ta darei”. Contraste! 2.2. Resultados da escolha de Ló. Verdade central: Ló escolheu habitar perto de Sodoma, cidade de grandes pecadores. Tempos depois, a terra que ele escolhera foi invadida por quatro reis, que o levaram cativo com sua família. Ele colheu o que havia semeado. Para refletir: Há alguma área da minha vida em que estou tolerando o mal ou me aproximando de ambientes perigosos por causa de vantagens aparentes?
A LIÇÃO DIZ: Tempos depois, a terra que Ló escolhera foi invadida por quatro reis, que o levaram cativo com sua família (Gn 14.12). Já imaginou o arrependimento dele por ter escolhido aquela terra? Sua escolha não teve a direção de Deus. Agora Ló estava colhendo aquilo que ele havia semeado. Pontos que precisamos destacar: • Escolhas erradas podem levar a prejuízos irreparáveis. Ló escolheu com base na aparência e na vantagem imediata, mas terminou perdendo tudo o que havia acumulado. A escolha que parecia promissora se transformou em grande perda. Assim também acontece hoje quando alguém, movido pela cobiça, pela ganância ou pela desonestidade, toma decisões contrárias à vontade de Deus para ganhar mais, subir mais rápido ou obter vantagem. No começo, o pecado parece lucrativo; no fim, produz ruína.
• Escolhas erradas podem nos colocar em perigo de morte. Ao se aproximar de Sodoma, Ló se expôs a um ambiente de violência e acabou sendo sequestrado em meio a uma guerra (Gn 14). Uma escolha errada pode levar alguém muito mais longe do que imaginava. • Escolhas erradas podem destruir a família. A decisão de Ló não atingiu somente a sua vida. Sua mulher virou estátua de sal, e suas filhas revelaram uma mente corrompida pelos costumes de Sodoma. Ou seja, a escolha de um homem abriu as portas para a desordem moral dentro de sua própria casa.
2.3 A atitude de Abrão para com Ló. Verdade central: Quando soube que Ló foi levado cativo, Abrão saiu com seus empregados para resgatá-lo. Sua atitude demonstrou que não guardava ressentimento pela escolha do sobrinho. Ele confiava em Deus e sabia o momento certo de agir. Para refletir: Tenho guardado ressentimento contra pessoas que me prejudicaram, ou estou disposto a ajudá-las quando precisarem, como fez Abrão? A LIÇÃO DIZ: Quando Abrão tomou conhecimento do que havia acontecido com seu sobrinho, saíram ele e todos os seus empregados em defesa de Ló. A atitude do patriarca demostrou que ele não tinha nenhum tipo de ressentimento quanto à escolha de Ló. • Abraão não guardou ressentimento no coração. Ressentimento é a disposição interior de alimentar a dor, a mágoa e a ofensa. Abraão tinha motivos humanos para endurecer o coração. Ló havia escolhido a melhor campina. Mesmo assim, quando soube que Ló fora levado cativo, Abraão não disse: “ele escolheu assim, agora arque com as consequências”. Sua atitude mostra que ele não permitiu que a separação se tornasse em amargura. O servo de Deus pode até se afastar de certas pessoas para preservar a paz, mas não deve transformar a dor em ressentimento. • Abraão demonstrou amor por meio de suas ações. Abraão não se limitou a lamentar a situação de Ló. Ele se levantou, reuniu alguns homens, enfrentou riscos e foi ao encontro do sobrinho para resgatá-lo. Seu amor não ficou no campo das palavras, da intenção ou da lembrança afetiva. A narrativa ensina, portanto, que o amor verdadeiro se prova em ações, sobretudo quando o outro está em necessidade. • Abraão revelou fé e confiança em Deus. Ao sair para enfrentar os reis e recuperar Ló, Abraão não agiu apoiado em superioridade militar, mas em confiança no Senhor. Humanamente, a situação era desfavorável. Ainda assim, ele foi. Sua decisão revela coragem. Abraão cria que Deus podia guardar sua vida, conduzir a batalha e lhe dar vitória.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. O que Deus prometeu a Abrão depois que Ló se apartou dele? 2. Quais foram as consequências da escolha de Ló? 3. Como Abrão reagiu quando soube que Ló havia sido levado cativo? 4. O que a atitude de Abrão nos ensina sobre perdão e ressentimento?
3. OS ALTARES ERGUIDOS POR ABRÃO Pergunta chave: O que os altares revelam sobre Abrão? Ideia central do ponto: Ideia central do ponto: Abrão era um adorador que erguia altares ao Senhor em cada fase de sua jornada. Os altares representavam sua gratidão, consagração e fé inabalável em Deus. 3.1 Abrão, um construtor de altares. Verdade central: Além de ser um homem de fé, Abrão era um adorador. Ele construiu o primeiro altar em Siquém, que significa “ombro”, em gratidão a Deus pelas bênçãos e promessas recebidas. Para refletir: Tenho respondido às bênçãos e promessas de Deus com gratidão e adoração, ou tenho recebido sem reconhecer a bondade do Senhor? A LIÇÃO DIZ: Além de ser um homem de fé e obediência, Abrão era um adorador. Ele levantou altares, quando passava pelos lugares em consagração e adoração ao Senhor. A Bíblia registra a construção de quatro altares por Abrão. Abrão construiu o primeiro altar em Siquém, que significa “ombro”. A vida de Abraão é exemplo de fé e de crescimento espiritual, e o altar ocupa lugar central nessa caminhada. Nas Escrituras, o amadurecimento espiritual é apresentado como um processo contínuo. O crente avança “de força em força” (Sl 84.7), “de fé em fé” (Rm 1.17), “de glória em glória” (2Co 3.18) e vive da plenitude de Cristo, recebendo “graça sobre graça” (Jo 1.16). Nesse sentido, os altares edificados por Abraão expressam etapas de sua comunhão com Deus e do seu progresso na vida espiritual. O altar, na Bíblia, é símbolo de adoração, consagração e comunhão com Deus. Ele não é levantado para o homem, mas para o Senhor. No altar, Deus é adorado, seu nome é invocado e a vida do ofertante e da oferta é colocada diante dele. Por isso, a vida de altar revela a essência da verdadeira espiritualidade.Além disso, o altar aponta para sacrifício e rendição. Adorar é colocar diante de Deus os planos, os desejos, as ambições e as expectativas, permitindo que ele trabalhe em nós e por meio de nós. Os quatro altares de Abraão representam etapas de sua jornada interior com o Senhor e expressam o aprofundamento de sua fé e de sua consagração. O primeiro altar foi edificado em Siquém (Gn 12.6-7). Siquém significa ombro, lugar que remete à força do homem. Esse primeiro altar na vida de Abrão pode ser chamado de altar da revelação, porque foi ali que o Senhor lhe apareceu. O texto bíblico declara: “Apareceu o Senhor a Abrão… Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera” (Gn 12.7). O altar, portanto, surge como resposta à revelação divina. Esse ponto é muito importante. Deus se apresentou a Abrão. A adoração está ligada à revelação, porque ninguém pode adorar verdadeiramente aquele que não conhece. Foi isso que Jesus ensinou à mulher samaritana, ao dizer que a adoração deve estar ligada ao conhecimento de Deus (Jo 4.22). Portanto, o altar erguido por Abrão mostra que a verdadeira adoração é fruto de um encontro com o Senhor.
3.2 Mais um altar. Verdade central: Abrão construiu um altar em Betel, que significa “Casa de Deus”, e ali invocou o nome do Senhor. Ele não era apenas um homem de fé, mas um adorador por excelência que valorizava estar na presença de Deus. Para refletir: Tenho valorizado a Casa de Deus e a adoração coletiva como Abrão valorizava, ou tenho negligenciado a comunhão com os irmãos? A LIÇÃO DIZ: Abrão também construiu um altar em Betel (que significa Casa de Deus) e ali invocou o nome do Senhor (Gn 12.8).O segundo altar foi edificado em Betel (Gn 12.8). Abrão edificou um altar entre Ai e Betel (Gn 12.8). Esse segundo altar pode ser chamado de altar da separação, porque sua localização é teologicamente significativa. Ai significa ruína, enquanto Betel significa casa de Deus. Assim, Abrão deixa Ai para trás e mantém Betel diante de si. Nesse sentido, a vida de altar aponta para consagração.Esse ponto se torna ainda mais claro quando lembramos que Abrão voltou a Betel depois de sua descida ao Egito.O Egito foi o lugar de sua falta de confiança na proteção divina. Ali, pressionado pelas circunstâncias, Abrão agiu com temor e acabou mentindo, junto com Sarai. O Egito oferecia recursos, estabilidade e riqueza, mas ali não aparece altar. Havia provisão material, mas não comunhão. Por isso, o retorno a Betel é tão importante. Abrão volta ao lugar da comunhão, ao lugar da promessa e ao lugar da adoração. A narrativa ensina, portanto, que Deus trabalha por etapas na vida de seus servos. Ele conduz, trata,corrige e reconduz. Abrão falhou, mas foi trazido de volta ao lugar onde deveria estar. Betel representa esse retorno. O segundo altar, então, mostra que a verdadeira vida espiritual exige separação do mundo e renovação da comunhão com o Senhor. 3.3 O altar em Hebrom e Moriá. Verdade central: Em Hebrom, que significa “união”, Abrão ergueu um altar depois que Ló se separou dele, lembrando-nos da importância da comunhão. Em Moriá, ele enfrentou a maior prova de fé ao preparar-se para sacrificar Isaque, demonstrando obediência absoluta a Deus. Para refletir: Estou disposto a entregar a Deus aquilo que mais amo, confiando que Ele proverá, ou guardo para mim o que deveria estar no altar? A LIÇÃO DIZ: É interessante que Abrão foi para Hebrom, que significa “união”, depois que seu sobrinho Ló separou-se dele. Tal fato nos lembra que, em nossa jornada, devemos viver em união: “Oh!, quão bom e quão suave é, que os irmãos vivam em união […]” (Sl 133.1). Precisamos permanecer no amor fraternal (Hb 13.1). O altar construído em Moriá foi o que mais lhe causou preocupação na alma, pois ele teria que sacrificar seu filho da promessa, Isaque, nesse altar (Gn 22.9). Deus provou a fé de seu amigo.
O terceiro altar foi edificado em Hebrom (Gn 13.18). Esse altar foi erguido logo após a separação entre.Abrão e Ló (Gn 13.1-13). Hebrom era uma cidade montanhosa de Judá, situada a cerca de 36 km de Jerusalém. Seu nome está ligado à ideia de comunhão, associação e aliança. Por isso, esse altar pode ser chamado de altar da comunhão ou altar da aliança. O contexto é significativo. Depois do conflito e da separação, Deus volta a falar com Abrão, reafirma suas promessas e o consola. Hebrom, então, se torna o lugar onde o patriarca é fortalecido pela palavra divina. Ali, Deus renova sua aliança, confirma a promessa da terra e conduz Abrão a olhar a realidade não pelos olhos da perda, mas pelos olhos da fé. O quarto altar na vida de Abraão foi erguido em Moriá (Gn 22.1-14). Esse quarto altar pode ser chamado de altar da entrega total. Em Moriá, vemos Abraão em um dos momentos mais altos de sua vida espiritual. Deus lhe pede Isaque, o filho da promessa, o filho amado, e Abraão se dispõe a obedecer. Ali, a adoração aparece em sua forma mais profunda: entrega, rendição e confiança absoluta no Senhor. Nesse altar, Deus toca a área mais íntima do coração de Abraão. Isaque não era apenas um filho. Era também a concretização da promessa, a alegria da velhice e o bem mais precioso que ele possuía. Ao pedir Isaque, Deus prova se Abraão amava mais a dádiva do que o Doador. Moriá ensina que a verdadeira adoração exige entrega. Quem não foi tratado por Deus tende a preservar a própria vontade, os próprios planos e os próprios afetos como se fossem intocáveis. Abraão, porém, mostra que adorar é colocar tudo diante do Senhor, inclusive o que há de mais precioso. Nesse sentido, o altar revela que Deus não quer apenas algo das nossas mãos. Ele quer o nosso coração. Verifique seu aprendizado (Ponto 3): 1. O que o altar em Siquém representava para Abrão? 2. Qual é o significado do nome Betel e o que Abrão fez ali? 3. Por que o altar em Moriá foi o mais difícil para Abrão? 4. O que os altares de Abrão nos ensinam sobre adoração?
CONCLUSÃO A fé de Abrão nas promessas de Deus o levou a escolhas radicalmente diferentes de Ló. Enquanto Ló buscava vantagem imediata, Abrão confiou no invisível. As consequências foram inevitáveis: Abrão recebeu confirmação das promessas divinas, Ló colheu perdas irreparáveis. Nossas escolhas definem nosso destino. Escolher pela fé em Deus e não pela aparência, marca a diferença entre prosperar espiritualmente ou naufragar nas circunstâncias. Precisamos manter a nossa confiança em Deus em todos os momentos. Amem!
ENTRE A VERDADE E O ENGANO Combatendo Ideologias e Ensinos que opõem à Palavra de Deus
INTRODUÇÃO O Materialismo Histórico, formulado por Karl Marx e Friedrich Engels, oferece uma leitura totalitária dos acontecimentos humanos, reduzindo toda a história à luta entre classes sociais motivadas por interesses econômicos. Para o Materialismo Histórico, a história é apenas a história das formas de produção material, e as estruturas econômicas determinam inevitavelmente a política, a cultura, a moralidade e até a religião. Essa teoria penetrou escolas, universidades, movimentos políticos e conquistou milhões de adeptos em todo o mundo, prometendo uma sociedade sem classes, sem injustiça e sem conflito. Porém, esta interpretação da história entra em conflito direto com a cosmovisão cristã. O cristão não pode aceitar uma interpretação da realidade que nega o papel de Deus e substitui a transformação espiritual por revolução ideológica. Nesta lição, examinaremos os fundamentos do Materialismo Histórico, confrontaremos esta cosmovisão com a verdade bíblica e compreenderemos as consequências práticas e espirituais dessa teoria quando aplicada ao governo e à sociedade. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. (2Co 10.5, NVI). e também todo orgulho humano que não deixa que as pessoas conheçam a Deus. Dominamos todo pensamento humano e fazemos com que ele obedeça a Cristo. (2Co 10.5, NTLH). Paulo, neste momentos da escrita da carta aos coríntios, muda o foco da sua argumentação e passa a tratar da legitimidade do seu apostolado. Nesse trecho, ele responde aos ataques pessoais feitos por falsos apóstolos e, ao mesmo tempo, enfrenta os danos que a influência desses homens estava causando na igreja de Corinto. Ao se preparar para sua terceira visita, Paulo volta a mostrar quais são as marcas de um ministério verdadeiramente apostólico. Os opositores de Paulo eram judeus, como o próprio texto indica em Coríntios 11.22, e se apresentavam como apóstolos de Cristo, conforme 2 Coríntios 11.13. Eles estiveram em Corinto por pouco tempo, mas tentaram assumir para si o mérito pelo trabalho já realizado ali. Além disso, eram orgulhosos, dominadores e cheios de pretensão. Diante disso, Paulo responde a altura. Sua linha de defesa é a seguinte: embora viva neste mundo, ele não luta segundo critérios humanos. Seu ministério não se apoia em força carnal, manipulação ou aparência. Suas armas são espirituais (1-6), sua autoridade é coerente (7-11) e seu orgulho pelo que fez em Corínto é legítima diante de Deus (12-18).
Quanto ao Texto Principal, a versão NAA capita bem a ideia do texto: Porque, embora andemos na carne, não lutamos segundo a carne. Porque as armas da nossa luta não são carnais, mas poderosas em Deus, para destruir fortalezas. Destruímos raciocínios falaciosos e toda arrogância que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento à obediênciade Cristo (2Co 10.3-5, NAA). Paulo se via em uma guerra contra o raciocínio arrogante dos homens, sofismas, isto é, argumentos contrários à verdade.O verdadeiro caráter desses sofismas é descrito na expressão contra o conhecimento de Deus. Hoje, poderia ser usado para descrever o raciocínio de cientistas, evolucionistas, filósofos e fanáticos religiosos cujo modo de pensar exclui a Deus. O apóstolo não está disposto a assinar uma trégua com eles. Antes, seu compromisso é levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo.
O comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal, Stamps (2008, p. 1783), afirma: Siga os quatro passos abaixo para sujeitar todos os seus pensamentos ao senhorio de Cristo:Saiba que Deus conhece todos os seus pensamentos, e de que nada jamais se oculta dEle (Sl 94.11; 139.2,4,23,24). Somos tão responsáveis diante de Deus pelos nossos pensamentos, quanto somos pelas nossas palavras e ações (2Co 5.10; Ec 12.14; Mt 12.35-37; Rm 14.12).Saiba que a mente é um campo de batalha. Alguns pensamentos têm sua origem em nós mesmos, enquanto outros provêm diretamente do inimigo. Levar cativo todo o pensamento à obediência de Cristo demanda uma guerra espiritual contra a natureza humana pecaminosa e as forças satânicas (Ef 6.12,13; cf. Mt 4.3-11). Quando você for atacado com pensamentos maus ou imundos, resista-os e rejeite-os firmemente em nome do Senhor Jesus Cristo. Permita que a paz de Deus guarde o seu coração e mente, em Cristo Jesus (Fp 4.7). Nas lutas espirituais lembre-se de que nós, crentes, vencemos nosso adversário pelo sangue do Cordeiro, pela palavra do nosso testemunho e por dizer um “NÃO” persistente ao diabo, à tentação e ao pecado (Tt 2.11,12; Tg 4.7; Ap 12.11; cf. Mt 4.3- 11). Seja resoluto ao concentrar a sua mente em Cristo e nas coisas celestiais, e não nas coisas terrenas (Fp 3.19; Cl 3.2). Compreenda que a mente firmada no Espírito é vida e paz, ao passo que a mente firmada na carne é morte (Rm 8.6,7). Encha sua mente da Palavra de Deus (Sl 1.1-3; 19.7-14; 119) e com aquilo que é verdadeiro, justo e de boa fama (Fp 4.8).Tenha cuidado com aquilo que seus olhos vêem e seus ouvidos ouvem. Recuse-se terminantemente (a) a deixar seus olhos serem um instrumento de concupiscência (Jó 31.1; 1 Jo 2.16) e (b) a colocar diante dos seus olhos qualquer coisa má ou vil, quer livros, revistas, quadros, televisão/vídeo/filmes ou cenas da vida real (Sl 101.3; Is 33.14,15; Rm 13.14).
RESUMO DA LIÇÃO A resposta bíblica está na fidelidade ao Evangelho, que promove transformação genuína pela graça de Deus, não por revolução ideológica. Resposta bíblica a quê? O texto está incompleto. Mesmo assim, é possível recuperar seu sentido. Penso que o resumo da lição poderia ser reescrito da seguinte forma: A resposta bíblica ao materialismo histórico pode ser apresentada em três pontos: a história está sob o governo soberano de Deus, o ser humano tem dignidade por ter sido criado à imagem de Deus e a transformação da sociedade começa pela graça de Deus operando no coração humano, e não pela revolução ideológica.
[MOVIMENTO TEMÁTICO ]
1. FUNDAMENTOS DO MATERIALISMO HISTÓRICO Pergunta chave: O que o Materialismo Histórico ensina? Ideia central do ponto: O Materialismo Histórico interpreta a história apenas com base em conflitos econômicos e de classes, negando a dimensão espiritual, a providência de Deus e a necessidade de redenção pelo Evangelho. 1. Luta de classes. Verdade central: O marxismo ensina que a história é a luta entre opressores e oprimidos. Porém, a cosmovisão cristã revela que a luta real não é entre classes sociais, mas entre a verdade e o engano, a luz e as trevas, contra os principados e potestades espirituais. Para refletir: Tenho compreendido que a transformação verdadeira começa no coração rendido a Cristo, ou tenho buscado soluções apenas em mudanças políticas e sociais? A LIÇÃO DIZ: No centro da teoria marxista está a ideia de que a história é, essencialmente, a história da luta entre classes – entre opressores e oprimidos. Segundo essa visão, as estruturas sociais, políticas e culturais existem para manter a dominação de uma classe sobre outra, o que supostamente justifica a necessidade de uma revolução que inverta essas posições. A história, portanto, seria apenas um ciclo de conflitos materiais. Como o professor pode expor esse subponto? Lendo o texto abaixo e fazendo comentários sobre a origem judia Marx, sua cosmovisão ateísta, as ideias que ele defendia e a sua visível hipocrisia. Quem foi Karl Marx? Karl Marx (1818-1883) foi um filósofo, político, economista, sociólogo e jornalista alemão, reconhecido como o principal ideólogo do socialismo científico e do comunismo. Nascido em Tréveris, numa família judia de classe média que se converteu ao luteranismo, ele teve uma formação acadêmica no Direito e na Filosofia, sendo profundamente influenciado pela dialética de Hegel e adotando uma postura radicalmente ateísta e materialista. A dialética de Hegel é um método filosófico que interpreta a realidade como um processo dinâmico de mudanças, impulsionado pela contradição entre ideias ou forças contrárias. Junto com seu amigo e financiador Friedrich Engels, Marx elaborou o Manifesto do Partido Comunista (1848) e também foi o autor de O Capital (1867). A essência do seu pensamento reside na ideia de que a história da sociedade é movida pela “luta de classes”, ou seja, o conflito constante entre os donos dos meios de produção (a burguesia) e os trabalhadores explorados (o proletariado). Para Marx, o mundo é puramente material, não existindo espaço para o sobrenatural ou espiritual. Ele defendia o fim do capitalismo, a abolição da propriedade privada e o fim da religião, a qual considerava uma ilusão criada para alienar as pessoas, chamando-a de “ópio do povo”. Ele pregava que os trabalhadores deveriam se revoltar por meio de uma revolução armada para tomar o poder, instaurando uma “ditadura do proletariado” que, no futuro, levaria a uma sociedade comunista, totalmente igualitária e sem classes sociais. Apesar de ter idealizado a libertação da classe trabalhadora, a vida de Marx não refletia a de um proletário: ele vivia um estilo de vida burguês, casou-se com uma mulher da nobreza alemã chamada Jenny, e, por não gerar renda suficiente, dependia amplamente do suporte financeiro de Engels, que era filho de um rico industrial. Marx faleceu em 14 de março de 1883, mas seu corpo de ideias remodelou a história mundial nos séculos seguintes.
1.2 Materialismo Dialético. Verdade central: O Materialismo Dialético propõe que as mudanças sociais ocorrem por contradições internas nos sistemas materiais, sem qualquer interferência divina. Isso é incompatível com a doutrina bíblica da providência, que afirma que Deus dirige a história segundo seus propósitos. Para refletir: Tenho reconhecido a soberania de Deus sobre os acontecimentos da história e da minha própria vida, ou tenho interpretado tudo apenas por uma ótica materialista? A LIÇÃO DIZ: O Materialismo Dialético propõe que todas as mudanças sociais ocorrem como resultado de contradições internas nos sistemas materiais, sem qualquer interferência externa ou divina. Essa teoria nega a possibilidade de intervenção divina e a realidade de princípios morais imutáveis, substituindo-os por um relativismo histórico que legitima qualquer ação em nome da “evolução social”. Vamos a definições: • Materialismo Dialético e Histórico. É a filosofia de Karl Marx baseada na premissa de que tudo o que existe no universo é puramente matéria, negando qualquer elemento sobrenatural, espiritual ou divino. Marx adotou o conceito de “dialética”, a ideia de que a realidade avança por meio do choque entre forças opostas (tese contra antítese, gerando uma nova síntese), e o aplicou à economia e à sociedade. Dessa forma, o materialismo histórico define que o fator econômico e a “luta de classes” são os verdadeiros motores que movem todos os eventos da história humana. Na visão de Marx, o choque entre o sistema capitalista e a revolução socialista abriria caminho, inevitavelmente, para a síntese final: a sociedade comunista. • Marxismo Cultural (ou Marxismo Ocidental). É um movimento intelectual que surgiu na década de 1920 na Europa. Ele preserva o objetivo final do marxismo clássico, mas altera os métodos para alcançá-lo. Teóricos como Antonio Gramsci e os membros da Escola de Frankfurt perceberam que a revolução econômica na Rússia não foi capaz de alterar a mentalidade “burguesa” das pessoas comuns. A partir disso, o Marxismo Cultural propõe que a revolução não deve ser feita inicialmente pela força armada ou tomada da economia, mas sim de forma psicológica e silenciosa através da cultura. Portanto, o Marxismo histórico e Marxismo cultural são conceitos conectados à mesma ideologia revolucionária, mas operam de maneiras diferentes: • O materialismo histórico clássico tenta iniciar a revolução pela base econômica (infraestrutura) na esperança de que isso molde a cultura. • O marxismo cultural defende que a revolução deve ser travada com armas simbólicas diretamente na superestrutura infiltrando-se na educação infantil, nas leis, nas artes, na mídia e na família.
1.3Visão ateísta. Verdade central: O Materialismo Histórico parte de uma base ateísta declarada. Marx dizia que “a religião é o ópio do povo”. Essa visão trata Deus como uma invenção humana e considera a fé cristã um obstáculo ao progresso social. Para refletir: Tenho mantido minha fé com ousadia diante de ambientes hostis ao cristianismo, ou tenho me envergonhado do Evangelho quando confrontado por ideologias ateístas? A LIÇÃO DIZ: O Materialismo Histórico parte de uma base ateísta declarada. Marx dizia que “a religião é o ópio do povo”, ou seja, uma ilusão criada para manter os pobres subjugados e satisfeitos com sua condição. Assim, Deus é tratado como uma invenção humana, e a fé cristã é vista como um obstáculo ao progresso social. A premissa central do materialismo é a negação absoluta de qualquer realidade espiritual, divina ou sobrenatural: • A matéria como origem e única realidade. O materialismo afirma que tudo no universo é feito de matéria (energia) ou é redutível a ela. Logo, não há necessidade nem espaço para um Criador, pois o universo material é considerado autocriado e autossustentado. Para o materialista, a matéria sempre existiu eternamente ou surgiu espontaneamente do nada. • Na visão teísta (religiosa), acredita-se que uma Mente Suprema (Deus) criou a matéria e tudo o que existe no universo. O materialismo adotado por Marx pensa exatamente o oposto: ele afirma que foi a matéria que produziu a mente humana ao longo da evolução. Nessa visão, a mente é o “produto mais elevado da matéria”, sendo uma mera função que depende totalmente do cérebro físico para existir. Sendo assim, se a matéria gerou a nossa mente, o conceito do divino muda. Para Marx, Deus é apenas uma criação inventada pela mente do homem. Ele concluiu que não foi Deus quem criou a humanidade à Sua imagem,mas sim a humanidade que usou a própria imaginação para inventar um “Deus”. • Rejeição da alma e da imortalidade. Ao descartar o aspecto espiritual, o ser humano é visto como puramente mortal e sem alma. Acredita-se que a consciência depende inteiramente do cérebro físico, de modo que, quando o corpo perece e a matéria se desintegra, a pessoa deixa de existir. • Redução da moralidade e da existência. Com a abolição do transcendente e do divino, todos os ideais, incluindo os valores morais, deixam de ter uma base absoluta e são reduzidos estritamente à materialidade e às condições socioeconômicas. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. Qual é a ideia central da teoria marxista sobre a história? 2. Por que o Materialismo Dialético é incompatível com a fé cristã?
3. O que Marx dizia sobre a religião e por que isso é hostil ao cristianismo?
2. VISÃO BÍBLICA DA HISTÓRIA E DO SER HUMANO Pergunta chave: O que a Bíblia ensina em contraste? Ideia central do ponto: A Bíblia ensina que Deus é soberano sobre a história, que o ser humano foi criado com dignidade e livrearbítrio, e que a verdadeira justiça provém da regeneração pelo Evangelho, não de revoluções ideológicas. 2.1 Soberania de Deus. Verdade central: A narrativa bíblica afirma que Deus é soberano sobre todas as nações, povos e tempos. Ele estabeleceu os tempos previamente ordenados e os limites da habitação dos homens. A história não é resultado do acaso, mas está sob a direção sábia e justa do Senhor. Para refletir: Tenho interpretado os acontecimentos da história e da minha própria vida a partir da Palavra de Deus, ou a partir de ideologias que excluem a ação divina? A LIÇÃO DIZ: A narrativa bíblica afirma com clareza que Deus é soberano sobre todas as nações, povos e tempos. Em Atos 17.26, Paulo declara que Deus estabeleceu os tempos previamente ordenados e os limites da habitação dos homens. Isso significa que a história não é resultado do acaso nem de forças impessoais,mas está sob a direção sábia e justa do Senhor. O que é soberania? A expressão “soberania” quando atribuída a Deus diz respeito ao seu governo absoluto sobre toda a criação. Como Criador todo-poderoso e autoridade suprema, ele conduz a história de modo pleno e infalível, por meio de sua vontade diretiva e permissiva, sempre em perfeita harmonia com seu caráter santo e justo.Ao mesmo tempo, Deus age sem anular a responsabilidade humana, de modo que o exercício do livrearbítrio não escapa ao seu governo.Para Marx, porém, não há lugar para um Criador nem para um Governador do universo. A história humana, em sua visão, avança unicamente por força das condições materiais e da luta de classes. Assim, o marxismo rejeita qualquer governo divino sobre os acontecimentos e atribui ao próprio homem, por meio da revolução, a tarefa de construir seu paraíso terreno. A doutrina da soberania de Deus confronta diretamente essa visão. As Escrituras afirmam que a história não está entregue a vontade humana nem ao determinismo econômico. A Bíblia apresenta outra leitura. Ela afirma que Deus reina sobre as nações, muda tempos e estações, levanta e abate reis e conduz a história segundo os seus propósitos (Dn 2.21; At 17.26). Além disso, o marxismo tende a atribuir ao Estado uma função absoluta, quase redentora, como se dele viessem a provisão final, a justiça suprema e a definição do certo e do errado. A revelação bíblica rejeita essa pretensão.Os governos humanos estão debaixo da autoridade de Deus e só exercem legitimamente o papel que ele lhes conferiu. Sua função é servir como instrumentos de ordem e justiça, e não ocupar o lugar do próprio Deus na vida das pessoas. Portanto, a doutrina da soberania divina desfaz a base do materialismo histórico. O destino humano não está preso às forças econômicas nem à ação revolucionária do homem, mas ao governo do Senhor sobre a história. É em Cristo, e não em um projeto ideológico, que se encontram a sabedoria, a autoridade e a direção definitiva da vida e da história.
2.2 Dignidade e livre-arbítrio. Verdade central: O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, o que lhe confere dignidade, responsabilidade moral e capacidade de escolha. Cada pessoa possui valor intrínseco, independentemente de sua posição econômica ou classe social. Para refletir: Tenho reconhecido minha responsabilidade moral diante de Deus, ou tenho culpado apenas as estruturas sociais pelos meus erros e pecados? A LIÇÃO DIZ: Segundo Gênesis 1.26,27, o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Isso lhe confere dignidade, responsabilidade moral e capacidade de escolha. Cada pessoa possui valor intrínseco, independentemente de sua posição econômica ou classe social. O livre-arbítrio é parte dessa dignidade e permite ao homem escolher entre o bem e o mal, entre a obediência a Deus ou a rebelião contra Ele. Essa visão é incompatível com o Materialismo Histórico, que trata o ser humano como produto das estruturas materiais e econômicas. Ele não é livre, mas condicionado. Tal ideia elimina a responsabilidade pessoal e abre caminho para justificativas ideológicas para o pecado e a violência, como se o mal não fosse fruto de um coração corrompido, mas apenas resultado de opressões externas. A visão bíblica e a visão do materialismo histórico partem de pressupostos profundamente diferentes sobre a origem, a natureza e o propósito do ser humano. • Origem. Na visão bíblica, o homem foi criado de modo singular à imagem e semelhança de Deus. Por isso, possui dignidade própria, valor intrínseco e uma relação de dependência com o seu Criador. Sua existência não é acidental, nem pode ser reduzida ao mundo material. O ser humano foi formado por Deus para viver sob sua autoridade e em comunhão com Ele. Já na visão materialista histórica, o homem é entendido como uma realidade puramente material, sem alma e sem dimensão espiritual. Nessa perspectiva, ele é visto como o estágio mais elevado do processo evolutivo. A mente, a consciência e a vida interior são tratadas como resultado do funcionamento do cérebro e das condições materiais de existência, e não como expressões de uma dimensão espiritual criada por Deus. Nesse aspecto, as conclusão do marxismo e da fé cristã entram em choque. Contudo, é obvio que ficaremos com a cosmovisão cristã. • Natureza, comportamento e moralidade. Na visão bíblica, o homem foi criado bom, mas tornou-se pecador ao se rebelar contra Deus. Desde então, sua natureza foi afetada pelo pecado, e a raiz de seus problemas está na ruptura de sua comunhão com o Criador. Por isso, a idolatria, a desordem moral e as demais corrupções humanas não são explicadas apenas pelo ambiente, mas pelo estado espiritual do coração humano diante de Deus. Ao mesmo tempo, a Bíblia afirma que existem valores absolutos, estabelecidos pelo próprio Senhor, que definem o bem e o mal. Na visão materialista histórica, porém, o comportamento humano é explicado principalmente pelas condições sociais, econômicas e materiais. O homem seria produto do meio, e sua consciência seria moldada pelas estruturas em que vive. Como essa perspectiva rejeita valores absolutos dados por Deus, o conceito de pecado é negado. Em muitos casos, o erro moral passa a ser interpretado como simples resultado da opressão social ou econômica.
• Propósito e realização do ser humano. Na visão bíblica, o ser humano foi criado para Deus. Seu verdadeiro sentido de vida está em conhecer, glorificar e desfrutar da comunhão com o Criador. Fora dessa relação, ele permanece perdido, ainda que alcance sucesso material, reconhecimento social ou realização profissional. A plenitude humana, segundo a Escritura, está em viver reconciliado com Deus e guiado por sua vontade. No materialismo marxista, por outro lado, não existe realidade maior do que este mundo. Assim, o propósito do homem se concentra na vida social e na atividade produtiva. Marx entende que o ser humano sofre alienação em estruturas opressoras, especialmente no capitalismo, e que sua realização plena dependeria de uma transformação radical da sociedade. Nesse esquema, a esperança final não está em Deus, mas na reorganização das estruturas econômicas e sociais, culminando em uma sociedade sem propriedade privada e sem classes. Portanto, a diferença entre as duas visões é profunda. A Bíblia ensina que o homem procede de Deus, vive diante de Deus e só encontra seu verdadeiro sentido em Deus. O materialismo histórico, em contraste, reduz o homem à matéria, explica sua vida a partir das estruturas sociais e transfere sua esperança para uma solução histórica e terrena. Enquanto a visão bíblica aponta para redenção, reconciliação e transformação pela graça, o materialismo aposta na mudança das condições materiais como resposta final para o problema humano. 2.3 Solidariedade cristã. Verdade central: A resposta bíblica à injustiça não é a luta armada nem a revolução violenta, mas o amor ao próximo, a compaixão e a justiça segundo os padrões do Reino de Deus. Para refletir: Minha prática de justiça e solidariedade nasce de um coração regenerado pelo Espírito Santo, ou tenho sido motivado por ideologias que pregam o ódio de classes? A LIÇÃO DIZ: A resposta bíblica à injustiça não é a luta armada nem a revolução violenta, mas o amor ao próximo, a compaixão e a justiça segundo os padrões do Reino de Deus. Jesus ensinou que devemos amar até os inimigos (Mt 5.44) e que o maior é aquele que serve (Mc 10.43-45). A Igreja Primitiva vivia a solidariedade cristã de forma prática, compartilhando recursos e cuidando dos necessitados (At 2.44,45), sem depender de imposição estatal ou de alguma ideologia. Há uma colocação do Tassos Lycurgo bem interessante sobre esse assunto: “O cristianismo e o comunismo são opostos em sua essência. Enquanto Cristo nos chama para a liberdade, o comunismo prega o controle absoluto. Enquanto a fé ensina a caridade voluntária, o comunismo impõe a expropriação forçada. O verdadeiro cristão sabe que Deus é soberano, não o Estado. Sabe que a propriedade não é um pecado, mas a idolatria do coração é. Sabe que a justiça vem de Deus, não de ideologias humanas.” Outrossim, é importante destacar que a Bíblia não orienta o cristão a enfrentar a injustiça por meio de luta armada, ódio social ou revolução violenta. Jesus ensinou:“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44). Paulo escreveu: “Não torneis a ninguém mal por mal” e “não vos vingueis a vós mesmos” (Rm 12.17,19). Essas afirmações significam que devemos tolerar o mal com indiferença. Significa que o povo de Deus deve enfrentá-lo sem copiar seus métodos. O cristão combate a injustiça, mas não entrega o coração ao ódio. Na esteira do assunto que estamos abordamos é necessário ressaltar que a diferença entre a solidariedade cristã e a igualdade imposta pela ideologia marxista reside na motivação e no método: • A solidariedade cristã difere do comunismo marxista, em primeiro lugar, quanto à motivação. No cristianismo, o cuidado com o próximo decorre de um coração transformado por Deus, que ama o Senhor e, por isso, ama também o seu próximo. O crente reparte, socorre e serve os necessitados porque foi alcançado pela graça de Deus e deseja obedecer às Escrituras. Já no marxismo, a preocupação social está ligada a superação das desigualdades por meio de um projeto político e econômico. • Em segundo lugar, a diferença aparece no modo de agir. A solidariedade cristã se expressa de forma voluntária, movida por amor, compaixão e responsabilidade moral. Foi assim na igreja primitiva, em que os irmãos repartiam seus bens livremente para acudir os necessitados. No comunismo marxista, por outro lado, a igualdade econômica costuma ser buscada pela imposição estatal, com controle centralizado da vida social e, em muitos casos, com uso da força para manter o sistema. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. O que a Bíblia ensina sobre a direção da história? 2. Por que a visão marxista do ser humano é incompatível com a dignidade bíblica? 3. Qual é a resposta bíblica à injustiça segundo a lição? 4. Qual a diferença entre a solidariedade cristã e a igualdade imposta por ideologias?
3. CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS E ESPIRITUAIS DESTA TEORIA Pergunta chave: O que resulta dessa ideologia na prática? Ideia central do ponto: O Materialismo Histórico, quando aplicado, resulta em perseguição religiosa, fracasso utópico e autoritarismo. Em contraste, a Igreja permanece como testemunho de que a verdadeira transformação vem do Evangelho. 3.1 Perseguição religiosa. Verdade central: Em países onde o marxismo se tornou governo, a fé cristã foi tratada como inimiga do Estado. Igrejas foram fechadas, líderes foram presos ou mortos, e a Bíblia foi proibida. O cristão que se recusa a adorar o Estado torna-se alvo de perseguição. Para refletir: Estou preparado para manter minha fé mesmo diante de pressões ou perseguições, ou minha fidelidade a Cristo depende de circunstâncias favoráveis? A LIÇÃO DIZ: A história moderna oferece inúmeros exemplos dos perigos do Materialismo Histórico quando aplicado ao governo. Em países onde o marxismo virou governo, a fé cristã foi tratada como inimiga do Estado. Nesses locais, igrejas foram fechadas, líderes foram presos ou mortos, e a Bíblia foi proibida em muitos contextos.Para os marxistas, cultura é a superestrutura erguida sobre as bases da economia, refletindo os interesses e valores das classes dominantes. A religião não passa de uma crença primitiva, relíquia de um tempo em que os homens ainda se esforçavam por entender o mundo ao redor; é um instrumento utilizado pela classe dominante em termos econômicos para manter os trabalhadores subjugados. Por isso, o triunfo do socialismo trará uma nova cultura, expressão dos interesses e valores do proletariado em ascensão. A religião desaparecerá.” Vamos levantar alguns dados. Fontes: Todas as informações foram extraídas de publicações da organização Portas Abertas, disponíveis em portasabertas.org.br, incluindo a Lista Mundial da Perseguição (edições de 2023 a 2026), perfis dos países, artigos analíticos e reportagens sobre a opressão comunista e póscomunista. A organização Portas Abertas, fundada em 1955 pelo missionário holandês Irmão André, publica anualmente desde 1993 a Lista Mundial da Perseguição (LMP), um ranking dos 50 países onde é mais difícil viver como cristão. Dentre os múltiplos tipos de perseguição catalogados pela Portas Abertas, um deles é especificamente denominado “opressão comunista e pós-comunista”. A própria organização define esse tipo como a situação em que cristãos são perseguidos e igrejas controladas por um sistema de Estado comunista ou derivado de valores comunistas. Segundo a Portas Abertas, dos 50 países da Lista, quatro têm a opressão comunista e pós-comunista como principal tipo de perseguição, todos no Leste e Sudeste Asiático: Coreia do Norte, China, Vietnã e Laos. Além desses, esse tipo de opressão está presente como fator relevante em Cuba e Nicarágua, na América Latina. A Eritreia, embora classificada primariamente sob “paranoia ditatorial”, é frequentemente comparada à Coreia do Norte por seu regime autoritário de inspiração marxista. Vamos tentar esboçar o que esses países tem em comum no seu tratamento contra os cristãos: • O Estado como divindade substituta. Nos regimes de fundamento marxista-materialista, o Estado reivindica para si a lealdade absoluta dos cidadãos. Qualquer outra devoção, seja a Deus, a Cristo, ou a uma comunidade eclesiástica independente, é percebida como uma ameaça à autoridade do partido. • Controle e registro obrigatório das igrejas. Em todos esses países, o governo exige que as igrejas se registrem junto ao Estado, submetendo-se à supervisão oficial. As que se recusam são consideradas ilegais. Mesmo as igrejas registradas sofrem interferência direta na seleção de líderes, no conteúdo dos sermões e nas atividades permitidas. • Vigilância, delação e tecnologia.Da Coreia do Norte à China, passando por Nicarágua e Laos, o padrão inclui vigilância sistemática dos cristãos, incentivo à delação por parte de vizinhos e familiares, e uso crescente de tecnologia para monitoramento. • Punição desproporcional. Campos de trabalho forçado na Coreia do Norte, contêineres-prisão na Eritreia, condenações a 15 anos de prisão na Nicarágua, fechamento massivo de igrejas em Cuba, a resposta estatal é invariavelmente desproporcional e visa não apenas punir o indivíduo, mas intimidar toda a comunidade cristã. • A fé cristã como “ideologia ocidental”. Em todos esses regimes, o cristianismo é retratado como uma ideologia estrangeira, ocidental e subversiva, oposta aos valores do Estado. Essa narrativa serve para justificar a repressão perante a população.
3.2 Fracasso utópico. Verdade central:O Materialismo Histórico promete uma sociedade utópica sem classes e sem desigualdade, mas resulta em governos autoritários, concentração de poder e pobreza. Para refletir: Tenho colocado minha esperança em sistemas humanos que prometem resolver os problemas do mundo, ou reconheço que só o Evangelho pode verdadeiramente transformar corações e sociedades? A LIÇÃO DIZ: O Materialismo Histórico promete uma sociedade utópica, sem classes, sem desigualdade, e com justiça plena. Contudo, a experiência mostra que eles falharam nessas promessas, causando sofrimento e injustiça, resultando em governos autoritários, concentração de poder, pobreza generalizada e perda de liberdades fundamentais.A utopia prometida se tornou pesadelo para milhões. Imagina que alguém chega e diz: “Vou criar um mundo perfeito. Ninguém vai ser pobre, ninguém vai ser rico demais, todo mundo vai ter comida, casa, saúde e educação. Não vai existir mais patrão explorando empregado. Tudo vai ser de todos.” Marx pensou: “O problema é a propriedade privada. Se tudo for de todos, ninguém vai explorar ninguém.” A ideia, no papel, era essa: tirar tudo das mãos dos ricos, colocar nas mãos “do povo”, e aí todo mundo seria igual e feliz. O Estado (o governo) existiria só por um tempinho, para organizar essa transição, e depois desapareceria sozinho, porque ninguém mais precisaria dele. O que aconteceu na prática? • O governo que ia “sumir” ficou gigante e nunca mais saiu. Pensa assim: alguém te diz que vai tomar conta da sua casa “só por uns dias” enquanto você viaja. Quando você volta, essa pessoa trocou a fechadura, mudou as regras e agora manda em tudo. E se você reclamar, vai preso. Foi exatamente isso. Em todo país onde o comunismo foi implantado União Soviética (Rússia), China, Coreia do Norte, Cuba, Vietnã, Camboja, o governo que era para ser “temporário” virou uma ditadura permanente. O partido comunista tomou o controle de tudo: da economia, da imprensa, das escolas, das igrejas, até do que as pessoas podiam pensar e falar. E nunca mais largou o poder. • Em vez de acabar com os “chefões”, criaram novos chefões. O comunismo prometia acabar com a elite rica. Mas o que aconteceu foi que a elite rica foi substituída por uma elite política. Os líderes do partido comunista passaram a viver em mansões, ter carros importados, acesso a hospitais bons e comida farta, enquanto o povo comum ficava na fila para comprar pão.
• A economia desabou. Imagina que na sua escola, o diretor decide o seguinte: “A partir de hoje, não importa se você estuda muito ou pouco, todo mundo vai tirar a mesma nota:.”Então, o que acontece? Quem estudava muito pensa: “Pra quê me esforçar se vou tirar de qualquer jeito?” E quem não estudava nada pensa: “Ótimo, nem preciso abrir o caderno.” Resultado: a média da escola despenca. Foi basicamente isso que aconteceu na economia comunista. Se o governo decide tudo, o que produzir, quanto produzir, quanto pagar, as pessoas perdem o incentivo de se esforçar, criar coisas novas, inventar soluções. Não existe competição, não existe recompensa por fazer melhor. Qual a razão de se esforçar? A economia e a produção colapsaram. • A supressão da liberdade e da opinião. Esse talvez seja o ponto mais grave. Em uma democracia, se você não gosta do governo, pode criticar, protestar, votar em outro candidato, escrever nas redes sociais. Em um regime comunista, nada disso é permitido. Por quê? Porque o partido comunista se considera o dono da verdade. Se o partido diz que o sistema é perfeito, e você diz que não é, então VOCÊ é o problema. Você vira um “inimigo do povo”, um “contrarrevolucionário”, um “traidor”. • A religião virou o inimigo número . Karl Marx disse que a religião era “o ópio do povo”, ou seja, uma droga que mantinha as pessoas alienadas e conformadas. Por isso, todos os regimes comunistas perseguiram a religião, especialmente o cristianismo. O motivo é simples: se você acredita em Deus, você acredita que existe algo acima do governo. E para o comunismo, NADA pode estar acima do partido. O partido é o deus, o líder é o deus, a ideologia é a verdade absoluta. Um cristão que diz “eu obedeço a Deus antes de obedecer ao partido” é, automaticamente, uma ameaça.
3.3 Testemunho da Igreja. Verdade central: Em contraste com os sistemas que falharam, a Igreja permanece como sal da terra e luz do mundo. Seu poder não está nas armas humanas nem no domínio político, mas na cruz de Cristo, que salva, transforma e liberta. Para refletir: Tenho vivido como sal e luz no mundo, proclamando o Evangelho com ousadia, ou tenho me conformado com as ideologias que prometem transformação sem Cristo? A LIÇÃO DIZ: A Igreja testemunha que a verdadeira justiça é fruto da reconciliação com Deus, não de imposições humanas. Ela ensina que a paz começa no coração regenerado, e que o amor ao próximo é mais eficaz do que o ódio de classes. O testemunho cristão, portanto, é um desafio a todas as ideologias que prometem salvação sem Deus. Você faz parte da Igreja do Deus vivo! Por isso, viva com ousadia, ame com verdade e proclame o Evangelho com coragem. A palavra “mártir” vem do grego martys, que significa literalmente testemunha. Quando a Bíblia fala em testemunhar de Cristo, não está falando apenas de palavras, está falando de uma vida inteira que aponta para Jesus. Com palavras, sim, mas também com atitudes, com coragem, com amor, e quando necessário, com o próprio sofrimento.
Por que o testemunho cristão incomoda tanto o comunismo? O comunismo quer ser a resposta para tudo.Quer ser o médico, o professor, o pai, o pastor e o deus da sociedade. Quando a igreja aparece e diz que existe um Deus verdadeiro, que existe uma verdade que não depende do partido, que o ser humano tem um valor que nenhum governo pode tirar, isso abala os fundamentos do regime. Vejamos, resumidamente qual deve ser o papel da igreja nesse contexto em embate de cosmovisões: • Permanecer fiel e não negar a Cristo mesmo quando o custo é a vida. • Proclamar o Evangelho, pois a Grande Comissão não tem cláusula de exceção. • Ser sal e luz, isto é, viver de forma que o mundo veja a diferença. • Amar os perseguidores, visto que a resposta ao ódio não é ódio, é amor. • Orar, já que essa arma nenhum governo consegue confiscar. • Não se calar, ser voz dos que não têm voz. Dietrich Bonhoeffer, pastor alemão que foi executado pelo regime nazista, disse algo que se aplica perfeitamente ao contexto comunista: “Silêncio diante do mal é o próprio mal. Deus não nos considerará inocentes. Não falar é falar. Não agir é agir.” • Manter a esperança, porque a história tem dono, e não é nenhum ditador. Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. O que aconteceu com a fé cristã em países onde o marxismo se tornou governo? 2. Por que o Materialismo Histórico falhou em cumprir suas promessas de uma sociedade justa? 3. Onde está o verdadeiro poder da Igreja diante da crise do mundo? 4. Qual é o testemunho que a Igreja deve dar em contraste com as ideologias humanas?
CONCLUSÃO Portanto, concluímos que o Materialismo Histórico reduz a realidade à matéria e aos conflitos econômicos, negando Deus, a responsabilidade moral e a dignidade humana. Sua promessa de uma sociedade sem classes fracassou em todos os lugares onde foi aplicada, gerando autoritarismo, perseguição religiosa e miséria. A cosmovisão cristã oferece resposta distinta: Deus governa a história, o homem foi criado à imagem de Deus com capacidade moral de escolha, e a verdadeira transformação social provém da regeneração espiritual, não de revoluções ideológicas. Nesse cenário, a igreja não pode corromper sua mensagem e nem abandonar a sua missão. Pelo contrário, ela deve, com toda confiança, continuar proclamando o Evangelho neste mundo tenebroso.
Homens dos Quais o Mundo não Era Digno O Legado de Abraão, Isaque e Jacó
INTRODUÇÃO Neste trimestre, estudaremos a vida e a jornada de fé dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, cujas experiências espirituais constituem um legado permanente para a Igreja de Cristo. Abraão, em particular, representa um modelo singular de obediência e confiança em Deus, pois recebeu um chamado que o desafiou a abandonar sua terra natal, sua parentela e a segurança de uma civilização estabelecida para seguir rumo a um lugar totalmente desconhecido. O chamado divino a Abrão foi uma ordem que exigiu obediência irrestrita e uma fé radical. Sem possuir mapas, planos ou garantias visíveis, ele caminhou unicamente orientado pela voz do Senhor e pela confiança em suas promessas. A trajetória de Abraão revela também as lutas, as dificuldades e os desafios que caracterizam a caminhada cristã genuína. Ele enfrentou fome, pressões culturais e situações que o levaram a falhas éticas, contudo, a graça divina o sustentou e o restaurou. As promessas feitas ao patriarca transcenderam sua vida pessoal e abarcaram todas as famílias da terra, culminando na vinda de Cristo. Nesta lição, examinaremos o chamado de Abrão, sua resposta obediente e as batalhas que enfrentou, aprendendo como a fé e a perseverança moldaram seu caráter. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Então o SENHOR disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. (Gn 12.1, NVI). Certo dia o SENHOR Deus disse a Abrão: — Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai e vá para uma terra que eu lhe mostrarei. (Gn 12.1, NTLH).
Ação divina: Ordem/chamado. O paralelo com Gênesis 1, é inevitável. O verbo hebraico (disse) é o mesmo em ambos os textos. A mesma palavra que chamou o cosmos à existência agora chama Abraão a trazer uma nação à existência.
Ação humana: Ação/obediência. Além disso, esse texto destaca a obediência de Abraão. Abrão obedeceu quando não sabia onde “e partiu sem saber para onde ia” (Hb 11.8), como “a própria Sara, apesar de não poder ter filhos e já ser idosa” (Hb 11.11), quando “Não obtiveram as promessas, mas viram-nas de longe” (Hb 11.13-16) nem por que “quando posto à prova, ofereceu Isaque. Aquele que acolheu as promessas de Deus estava a ponto de sacrificar o seuúnico filho” (Hb 11.17-19).
VERDADE PRÁTICA O chamado de Deus na vida de Abrão e na nossa exige obediência irrestrita, fé e perseverança. Deus não chama todos os seus servos para a mesma jornada. Abraão teve o seu caminho, Isaque teve o seu, Jacó teve o seu, e cada um de nós recebe de Deus uma vocação marcada por propósitos próprios. Por isso, não há necessidade de ocupar o lugar de ninguém, nem de desejar a porção que Deus destinou a outro. Contudo, ainda que os chamados sejam distintos, o Senhor continua requerendo de todos os que chama as mesmas virtudes fundamentais: obediência para seguir sua voz, fé para confiar em sua palavra e perseverança para permanecer firmes até o fim.
MOVIMENTO TEMÁTICO • Ponto 01: O Chamado • Ponto 02: A Obediência • Ponto 03: As Lutas
1. DEUS CHAMA ABRÃO Pergunta chave: O que Deus exigiu de Abrão e o que prometeu a ele? Ideia central do ponto: Deus chamou Abrão para deixar sua terra, sua parentela e sua casa, prometendo-lhe bênçãos extraordinárias que alcançariam não apenas ele, mas todas as famílias da terra. 1.1 A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1). Verdade central: Deus chamou Abrão para sair de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai, rumo a um lugar que ele não conhecia. Esse chamado exigia fé e obediência irrestrita, pois Abrão não tinha mapa nem sabia o destino final. Para refletir: Tenho obedecido a Deus mesmo quando não compreendo todo o caminho, ou exijo saber todos os detalhes antes de dar o primeiro passo de fé? A LIÇÃO DIZ: Deus chamou Abrão e ordenou que ele saísse de sua terra, do meio de sua família e seus amigos, e fosse para um lugar desconhecido para ele. Seu chamado exigia fé e obediência irrestrita. O lugar onde habitava Abrão e seus pais era uma terra idólatra. Contudo, ele creu no Todo-Poderoso, único e soberano, e partiu para o lugar destinado por Ele. Há certa ambiguidade quanto à questão de quando e onde Deus chamou Abraão. Foi em Ur dos caldeus ou Harã, antes ou depois da morte Terá?
O discurso de Estêvão relata que Deus “apareceu” a Abraão antes de ele habitar em Harã, mostrando que o Senhor supervisionou a jornada de Abraão desde o começo, em Ur, até o seu destino final, em Canaã (At 7.2- 4). Então, teria Abraão cumprido seu chamado em duas etapas? A relação entre o chamado em 12.1-3 e a teofania em Ur, em 15.7, tem sido explicada de diferentes maneiras. • A primeira alternativa é que Gênesis 12.1 estaria recitando o chamado original de Abrão recebido em Ur. Essa perspectiva é possível e portanto, a luz das evidências bíblicas é a que eu, particularmente, acredito ser a mais plausível (Gn 15.7; Ne 9.8 At 7.2-4. • A segunda alternativa, a qual alguns comentaristas sustentam que o chamado ocorreu duas vezes. Qualquer uma dessas explicações permite compreender a interpretação de Estêvão acerca do chamado e da mudança de Abraão. Portanto, seguindo a primeira perspectiva é relevante entender que a migração para Canaã não começa como uma peregrinação seguindo uma visão, mas como decisão familiar. Gênesis 12.1 pressupõe que Abraão recebe a ordem de ir para Canaã, contudo não se separa de seu pai até a morte deste. Esta introdução representa Abraão muito lento para crer. Ainda sobre o chamado de Abrão, o contexto mais amplo da revelação bíblica nos leva a reconhecer que Deus chama os improváveis. Quem utiliza a Bíblia de Estudo Pentecostal pode perceber essa linha de interpretação. Na introdução ao livro de Jó, Donald Stamps observa que Jó provavelmente viveu na mesma época de Abrão. Essa observação é relevante, porque coloca diante de nós dois perfis muito diferentes. De um lado, está Jó, descrito como homem temente a Deus, reto, íntegro, obediente, piedoso e respeitado. De outro, está Abrão, oriundo de um contexto familiar marcado pela idolatria, conforme Josué 24.2, inserido em um ambiente espiritual profundamente corrompido. Humanamente falando, a escolha mais lógica recairia sobre Jó. Afinal, se Deus haveria de dar andamento ao seu plano redentor na história, quem pareceria mais preparado para isso? No entanto, Deus não age segundo os critérios humanos. Ele não se orienta pela lógica da aparência, do currículo, da reputação ou da previsibilidade. Em sua soberania, escolheu Abrão.E a esse homem Deus ordenou que saísse da sua terra, do meio da sua parentela e fosse para uma terra que ainda lhe mostraria.
1.2 A promessa para Abrão. Verdade central: As promessas feitas a Abrão não alcançariam somente ele, mas incluíam toda a humanidade. O que Deus prometeu marcaria sua história e a de seus descendentes até os dias de hoje. O Senhor é fiel e cumpre o que prometeu, mas no seu tempo. Para refletir: Tenho confiado que Deus cumprirá suas promessas no tempo certo, ou a aparente demora tem enfraquecido minha fé e esperança?
A LIÇÃO DIZ: As promessas feitas a Abrão não alcançariam somente ele, mas incluíam toda a humanidade. O que Deus prometeu ao patriarca marcaria a sua história e a de seus descendentes até os dias de hoje. O Senhor é fiel e cumpre com o que prometeu, mas no seu tempo. Há um tempo certo para todas as coisas(Ec 3.1-3). O texto bíblico diz: O Senhor disse a Abrão: — Saia da sua terra, da sua parentela e da casa do seu pai e vá para a terra que mostrarei. Farei de você uma grande nação, e o abençoarei, e engrandecerei o seu nome. Seja uma bênção! Abençoarei aqueles que o abençoarem e amaldiçoarei aquele que o amaldiçoar. Em você serão benditas todas as famílias da terra. A primeira ordem é sair: da terra, da parentela, da casa do pai. A segunda ordem é: vá para a terra “que te mostrarei”. Antes de Abrão ir, ele precisa romper com sua terra pagã, com sua parentela que adora outros deuses e com a casa de seu pai. Porém, ele só veria a terra se saísse de onde estava estabelecido. Considerando isso, entendemos que em nossa caminhada com Deus, certos detalhes daquilo que ele tem para nossas vidas só serão conhecidos a medida que caminhamos o caminho que ele traçou para nós. Abrão tinha setenta e cinco anos quando Deus o chamou. A idade não é um obstáculo para aceitar novos e grandes desafios na vida. Ele morreu aos cento e setenta e cinco, portanto, viveu cem anos na presença de Deus, e para a sua glória. A bênção de Deus sobre Abrão é tríplice: pessoal, nacional e internacional. Deus lhe promete riquezas. Deus promete a ele uma terra. E Deus, ainda, promete que nele serão benditas todas as famílias da terra. • Primeira, “de ti farei uma grande nação” (12.2). A magnitude da promessa a um homem com uma esposa estéril testa a fé de Abrão ao limite máximo. Ao não se entregar à incredulidade, ele serve como um modelo de fé: “Olhem para Abraão, seu pai, e para Sara, que os deu à luz. Porque Abraão era um só, quando eu o chamei, o abençoei e o multipliquei.” (Is 51.2).
.Segunda, “te abençoarei” (12.2b). A palavra “abençoar” ocorreu apenas cinco vezes em Gênesis 1 a 11. Agora, ocorre cinco vezes apenas em Gênesis 12.1-3. Isso significa que Deus estava dizendo a Abrão: “Vou lhe mostrar o meu favor e cercá-lo de bênçãos materiais e espirituais; eu lhe darei muito mais do que você já possui. Eu, o Deus da glória, estarei ao seu lado. Serei seu defensor, provedor, e vou cobri-lo de todo tipo de bênção”. • Terceira, “engrandecerei o nome” (12.2c). Os construtores de Babel quiseram tornar o seu nome grande e foram desbaratados. Abrão, porém, teve seu nome engrandecido por Deus e entrou para a história com seis títulos de honra: 1) pai de numerosas nações (17.5); 2) confidente de Deus (18.17-19);
3) profeta (20.7); 4) príncipe de Deus (23.6); 5) servo de Deus (Sl 105.6); 6) amigo de Deus (2Cr 20.7). • A quarta promessa aparece como imperativo em algumas versões, mas a melhor tradução é: “e tu serás uma bênção”. Note que algumas versões trazem um imperativo: “seja uma bênção” (NAA); “sê uma bênção” (ARIB); “Sê tu uma bênção!” (ARA). Outras, porém, dizem: “e tu serás uma bênção” (A21, ARC); “e você será uma bênção” (NVI); “e você será uma bênção para outros” (NVT). Podemos juntar as duas coisas, uma vez que no hebraico, de fato, há o imperativo. Deus quer dizer a Abrão que vai abençoá-lo, e, assim, ele será um canal de bênção para muitas pessoas. Aquelas bênçãos que Deus lhe prometera não são somente para Abrão, mas para que outras pessoas sejam abençoadas por meio de Abrão. O plano de Deus iria além da pessoa de Abrão. • Em seguida, vem a quinta promessa, no versículo 3: “abençoarei os que te abençoarem”. A bênção que vem na sequência, a qual Deus promete que será para todas as nações, é condicionada à maneira que as nações haverão de tratar Abrão. É como se Deus dissesse: “Abrão, todas as famílias da terra serão abençoadas por meio de ti, isto é, eu abençoarei aquelas que te abençoarem, aquelas que reconhecerem que tu és o meu escolhido, que tu és o portador das promessas, que tu és o pai do Messias. Aqueles que crerem nisso, eu abençoarei com as mesmas bênçãos que derramarei sobre ti”. • Sexta, “amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (12:3b). Logo, a bênção de Deus sobre as famílias da terra é condicionada à atitude das pessoas, dos indivíduos para com Abrão e o seu descendente. Então, aqueles que reconhecerem Abrão e o seu descendente, Jesus Cristo, esses serão abençoados com as bênçãos de Abrão. No entanto, aqueles que amaldiçoarem Abrão e o seu descendente, Jesus Cristo, serão amaldiçoados igualmente por Deus; não receberão as bênçãos prometidas, que incluem não só a bênção material, mas especialmente as bênçãos espirituais, como a remissão, a vitória, a redenção das consequências da Queda que havia acontecido no jardim do Éden.
Sétima, “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (12:3c). Podemos imaginar o espanto de Abrão ao ouvir tudo isso. Imagine se Deus chegasse para você e dissesse: “Em você, vou abençoar todas as famílias da terra”. Essa promessa pode ser entendida de duas maneiras: que, através de Abrão, Deus iria abençoar todas as famílias da terra ou, simplesmente, que Deus está colocando Abrão como cabeça de uma nova humanidade, de um novo povo, e todas as pessoas que dele participarem serão abençoadas. Contudo, na verdade não precisamos escolher uma entre essas duas interpretações, pois ambas cabem perfeitamente. O ponto é que Deus não somente iria abençoar Abrão, mas que, em Abrão, ou seja, por meio dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Note que algumas versões traduzem o termo “famílias” como “nações”, mas a ideia é a mesma, pois se mantêm a abrangência e a extensão da promessa. Observe também que há nessa promessa uma clara referência ao Messias. É uma referência velada e discreta; porém, quando estudamos toda a história da revelação, entendemos o que Deus está dizendo: de Abrão virá aquele em quem Deus abençoará todas as famílias da terra, todas as nações. Evidentemente essa pessoa é o Senhor Jesus Cristo, pois somente nele todos recebem o perdão dos pecados e se reconciliam com Deus. Mas ainda é muito cedo para Abrão ser capaz de entender por completo todas as consequências do que Deus está lhe dizendo. Por isso ele precisa de fé. Abrão apenas ouviu o que Deus lhe disse e entendeu o que pôde; contudo, muita coisa Deus ainda não lhe tinha revelado. Portanto, Abrão obedece pela fé.
1.3 As bênçãos de Deus para Abrão. Verdade central: Deus prometeu abençoar Abrão grandemente e engrandecer seu nome. Quando tinha 99 anos, Deus mudou seu nome para Abraão, que significa “pai de muitas nações”. O Senhor tem prazer em abençoar e promover aqueles que o amam e nEle confiam. Para refletir: Tenho buscado a honra que vem de Deus através da fidelidade, ou tenho procurado engrandecer meu nome por meios humanos? A LIÇÃO DIZ: O Senhor prometeu engrandecer o nome de Abrão (v.2), e, quando ele estava com anos, Deus mudou o seu nome para Abraão, cujo significado é “pai de muitas nações”. Seu nome foi engrandecido pelo Eterno de forma que talvez ele nunca tenha imaginado. O exemplo de Abrão mostra que o Todo-Poderoso é quem promove aqueles que o amam, nEle confiam e esperam. No tempo oportuno, Deus honra os que permanecem fiéis (Tg 4.10). As promessas feitas pelos homens dependem de caráter, memória, circunstância, poder e tempo de vida. Um homem pode prometer algo com sinceridade e, ainda assim, falhar, porque muda de ideia, perde a capacidade de cumprir, esquece o que disse ou morre antes de realizar o que prometeu. Já as promessas de Deus têm outra natureza. Elas procedem de um Deus que não mente, não muda, não esquece, não é vencido pelas circunstâncias e vive eternamente. Por isso, quando Deus promete, a garantia da promessa não está na força de quem recebe, mas na fidelidade de quem falou. No caso de Abrão, isso é decisivo. Deus chama um homem sem filho, vindo de um contexto idólatra, e lhe faz promessas humanamente improváveis. Se essas palavras fossem apenas palavras humanas, tudo pareceria exagerado demais. Só que, porque são palavras de Deus, elas carregam em si a certeza do cumprimento. Deus cumpriu todas as promessas que fez a Abraão: • A primeira promessa, “de ti farei uma grande nação”, começou a se cumprir com o nascimento de Isaque, prosseguiu com Jacó e seus descendentes. Depois, em sentido mais amplo, alcançou também a multidão dos que, pela fé, se tornam filhos de Abraão. • A segunda, “te abençoarei”, cumpriu-se na proteção, na provisão, no enriquecimento e no cuidado visível de Deus ao longo da vida de Abrão. Em toda a narrativa patriarcal, Deus o guarda, o sustenta e o favorece. • A terceira, “engrandecerei o teu nome”, cumpriu-se porque Abrão de fato teve o nome engrandecido por Deus. Ele não construiu fama para si, como Babel tentou fazer. Deus mesmo lhe deu honra e lugar singular na história da redenção.
A quarta, “tu serás uma bênção”, cumpriu-se porque Abraão passou a ser canal da bênção divina. Sua vida não termina nele mesmo. Deus o abençoa para que, por meio dele, outros sejam alcançados. Essa verdade se vê já em sua casa, em seus encontros e, de modo pleno, em sua descendência messiânica.
• A sétima, “em ti serão benditas todas as famílias da terra”, é a mais ampla de todas. Ela ultrapassa a biografia de Abraão, atravessa toda a história bíblica e encontra seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Quem tem promessa morre? Eu diria sim e não. Sim, porque há promessas cujo cumprimento final ultrapassa a vida terrena de quem as recebeu. Abraão morreu sem ver a nação de Israel formada, sem ver a saída do Egito, sem ver a conquista da terra e sem ver, em sua manifestação histórica, a bênção alcançando todas as famílias da terra em Cristo. Não, porque há promessas cujo cumprimento exige que quem as recebeu, esteja vivo para experimentálas. Como Isaque seria gerado se Abraão não estivesse vivo? Verifique seu aprendizado (Ponto 1): 1. O que o chamado de Deus exigiu de Abrão segundo Gênesis 12.1? 2. Qual era o alcance das promessas feitas a Abrão? 3. O que o exemplo de Abrão nos ensina sobre como Deus promove os seus servos?
2. A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS Pergunta chave: Como Abrão respondeu ao chamado de Deus? Ideia central do ponto: Abrão atendeu ao chamado divino com fé, mesmo sem conhecer o destino, demonstrando que a obediência irrestrita a Deus é essencial. 2.1 Atendendo o chamado. Verdade central: Abrão atendeu ao chamado divino sem hesitar e partiu para uma terra que não conhecia, seguindo somente a direção do Senhor. Ele não conhecia a definição de fé, mas a viveu de forma prática ao confiar em Deus e obedecer. Para refletir: Minha fé tem se manifestado em obediência prática a Deus, ou fica apenas no campo das ideias e intenções? A LIÇÃO DIZ: Como homem de fé, Abrão atendeu ao chamado divino sem hesitar e partiu para a terra que Deus ordenou, sem saber onde se localizava, seguindo somente a direção do Senhor. Ele não conhecia o significado de fé, tão bem definido na Bíblia, como conhecemos atualmente. Hoje sabemos a definição bíblica de fé: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Mesmo sem conhecer essa definição, Abrão agiu com fé em sua decisão. Leiamos o seguinte texto bíblico: São estas as gerações de Tera. Tera gerou Abrão, Naor e Harã; e Harã gerou Ló. Harã morreu na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo.Abrão e Naor tomaram para si mulheres. A mulher de Abrão se chamava Sarai, e a mulher de Naor era Milca, filha de Harã, que foi pai de Milca e de Iscá. Sarai era estéril, não tinha filhos.Tera tomou Abrão, seu filho, e Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã. Foram até Harã, onde ficaram. E, havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Harã. Lendo o texto bíblico, percebemos que Deus chama especificamente Abrão em meio aos seus familiares. Warren Wiersbe resume a biografia desses renomados personagens da seguinte maneira Naor foi o homem que ficou (11.31), Tera foi o homem que parou (11.31), Ló foi o homem que se desviou (13.10-13; 14.12; 19.1-38) e Abrão foi o homem que obedeceu (12.1). As promessas de Deus não são vividas por causa de talento, aparência, posição familiar ou habilidade humana de se ajustar às circunstâncias. Elas são vividas no caminho da obediência, da fé e da perseverança. 2.2. Um descuido. Verdade central: Abrão permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse, apesar de Deus ter ordenado que deixasse sua parentela. Esse descuido ocasionou problemas posteriores entre eles, ensinando-nos que a obediência parcial traz consequências. Para refletir: Há alguma área da minha vida em que tenho obedecido a Deus apenas parcialmente, fazendo concessões que podem trazer problemas futuros? A LIÇÃO DIZ: Já vimos que Abrão era um homem de fé, porém permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse na jornada que haveria de empreender. Talvez, Abrão não tenha lembrado de que Deus havia dito que deveria deixar tudo para trás, não apenas sua terra, mas também a sua parentela. Tempos depois, seu descuido ocasionou alguns problemas com seu sobrinho (Gn 13.8,9). Assim, Abrão saiu da Caldeia, em direção a uma terra escolhida por Deus. Tenha cuidado, pois, sempre que deixamos de obedecer de forma irrestrita ao Senhor, os problemas surgem.Partiu, pois, Abrão, como o Senhor lhe havia ordenado. E Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Abrão levou consigo a sua mulher Sarai, o seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam adquirido e as pessoas que lhes foram acrescentadas em Harã. Partiram para a terra de Canaã e lá chegaram. (Gn 12.4-5, NAA). Em Gênesis 12.1, o Senhor lhe ordena que saia da sua terra, da sua parentela e da casa de seu pai. Entretanto, em Gênesis 12.4, lemos que “Ló foi com ele”. Esse detalhe foi registrado propositalmente. O narrador preserva essa informação porque ela ajuda o leitor a perceber que, embora Abrão tenha obedecido, sua obediência ainda trazia consigo um traço de incompletude. Ele saiu, mas saiu levando consigo alguém que pertencia justamente ao círculo do qual Deus o chamara a se desvencilhar. É importante tratar esse ponto com equilíbrio. O texto não transforma Abrão em um rebelde, nem anula a sinceridade de sua fé. Ao contrário, ele continua sendo apresentado como homem que crê e caminha. Ainda assim, a narrativa sugere que a fé genuína pode coexistir, em certos momentos, com hesitações, áreas em que a obediência ainda não alcançou toda a sua profundidade. E é justamente aqui que a passagem se torna tão instrutiva. A Escritura mostra que a obediência parcial não interrompe necessariamente o agir de Deus, mas frequentemente complica a caminhada de quem foi chamado. Deus continua conduzindo Abrão, porém a presença de Ló se transforma, mais adiante, em um fator de tensão. Em Gênesis 13, os rebanhos de Abrão e Ló crescem, os seus pastores entram em contenda, e a convivência entre eles já não pode ser mantida da mesma forma. O que antes foi tolerado como a permanência de um vínculo familiar agora exige uma separação dolorosa. Em outras palavras, a obediência incompleta sempre cobra um preço. E a narrativa avança ainda mais, porque, em Gênesis 14, Abrão terá de lidar novamente com os desdobramentos da escolha de Ló, quando seu sobrinho é levado cativo. Inclusive, eu creio que nesse evento do capítulo 14, Abrão quase morreu. Essa afirmação é justiçada pelo que está escrito no capítulo 15. Dessa forma, o texto mostra que certas concessões feitas no começo da jornada podem se tornar pesos maiores no futuro.
A obediência parcial é muito perigosa justamente porque conserva aquilo que Deus mandou deixar. Ela mantém reservas no coração e adia renúncias necessárias. 2.3 A passagem por Harã. Verdade central: Antes de chegar a Canaã, Abrão passou um tempo em Harã. Nem sempre Deus nos leva diretamente ao propósito que definiu para nós. Às vezes, Ele deseja forjar nosso caráter antes de chegarmos ao destino. Para refletir: Tenho aceitado as etapas intermediárias da minha jornada como oportunidades de crescimento, ou me frustro quando não chego imediatamente ao destino? A LIÇÃO DIZ: Nem sempre Deus nos leva diretamente ao propósito que Ele definiu para nós. Antes de chegar a Canaã (nome antigo da Palestina, às margens do Mar Mediterrâneo), Abrão e os que lhe acompanhavam tiveram que passar um tempo em Harã, cidade importante da Mesopotâmia (Gn 11.31). Novamente, vamos retornar ao texto bíblico: Partiu, pois, Abrão, como o Senhor lhe havia ordenado. E Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.Abrão levou consigo a sua mulher Sarai, o seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam adquirido e as pessoas que lhes foram acrescentadas em Harã. Partiram para a terra de Canaã e lá chegaram. (Gn 12.4-5, NAA). Diz o versículo 4 que seu sobrinho Ló foi com ele, o que sugere que a iniciativa tenha sido de Ló. Este também havia enriquecido. A esposa de Abrão, Sarai, o acompanha também, bem como, segundo é dito no versículo 5, “as pessoas que haviam comprado em Harã”. Que pessoas eram essas? Eram pessoas que Abrão tinha adquirido como escravos. A escravidão era um sistema normativo, era parte da cultura e do padrão daquela época; assim, Abrão tinha escravos. É provável que ele tivesse também pessoas assalariadas que cuidavam do gado, pois tinha um grande rebanho de ovelhas, camelos e bois, e precisava de pessoas para cuidar de tudo isso. Veremos, mais adiante, no episódio em que parte para salvar seu sobrinho, Ló, que foi capturado por alguns reis cananeus, que Abrão escolheu 318 homens nascidos na sua casa. Ora, se havia 318 homens que eram guerreiros, imagine o restante do clã. Então, estamos falando de uma tribo seminômade com 500 a 700 pessoas, talvez. Esse era o pessoal que estava no entorno de Abrão, quando ele saiu de Harã em sua peregrinação para Canaã. Às vezes, pode ser que alguém pense que estavam com Abrão apenas sua esposa, Sarai, seu sobrinho, Ló, e mais três ou quatro gatos pingados, armando uma tendinha aqui e acolá. Mas não foi assim! O que estava acontecendo era a migração de um povo mesmo, por assim dizer.
O texto afirma que Abrão saiu de Harã. Ao que tudo indica, o destino, Canaã, foi revelado no curso da jornada. A narrativa nos ensina, portanto, que Deus não nos entrega um roteiro completo, com todos os detalhes do caminho, do tempo e da chegada. Ele nos chama a andar pela fé e a viver na dependência diária de sua direção. Podemos fazer planos, mas eles nem sempre se cumprem como imaginamos, justamente porque o Senhor quer nos ensinar a confiar nele. Em outras palavras, Deus nos conduz a uma vida de fé, dependência e obediência, para que cumpramos a sua vontade e, no seu tempo, experimentemos o cumprimento de suas promessas. Verifique seu aprendizado (Ponto 2): 1. Como Abrão demonstrou sua fé de forma prática ao atender o chamado de Deus? 2. Qual foi o descuido de Abrão e que consequências ele trouxe? 3. O que as etapas intermediárias da jornada nos ensinam sobre o processo de Deus?
3. AS LUTAS QUE ABRÃO ENFRENTOU AO CHEGAR A CANAÃ Pergunta chave: Que dificuldades Abrão enfrentou ao chegar a Canaã? Ideia central do ponto: Abrão enfrentou diversas dificuldades ao chegar a Canaã, incluindo fome, incerteza e desafios éticos, mas sua fé em Deus o sustentou e a graça divina o livrou. 3.1 A dificuldade contra a fome. Verdade central: Ao chegar a Canaã, Abrão deparou-se com uma grande fome na terra. Todos os que decidem obedecer a Deus experimentam batalhas e dificuldades, mas assim como Abrão, podemos enfrentá-las com fé. Para refletir: Quando enfrento dificuldades depois de obedecer a Deus, reajo com fé e perseverança, ou questiono se realmente ouvi a voz do Senhor? A LIÇÃO DIZ: Em todos os tempos, todos os que decidem obedecer a Deus experimentam batalhas, dificuldades e oposições. No entanto, assim como Abrão, podemos com fé enfrentar todas as batalhas que se apresentam em nossa trajetória. Depois que Abrão chegou a Canaã, deparou-se com um acontecimento frustrante. Diz a Bíblia que: “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra” (Gn 12.10). Robert Candlish, lista sete provas que levaram Abrão ao fracasso: • Sarai, sua mulher, era estéril; • seu destino era incerto; • ele estava deixando o seu povo; • no caminho, seu pequeno grupo, foi diminuindo; • ele não encontrou um lar; • os cananitas estavam habitando a terra que Deus lhe prometera;
• havia fome na terra.
Havia fome extrema, terrível, ao sul de Canaã, até onde Abrão tinha descido, na região desértica do Neguebe. A fome era algo muito comum naquela época, ela era causada por secas, por pragas de gafanhotos e pela guerra. Essas catástrofes fazem parte da humanidade desde a queda de Adão, no jardim do Éden, quando Deus lhe disse: “maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17). Dessa forma, vemos que mesmo as terras mais aprazíveis têm seus momentos de fome e de necessidade. No Egito, contudo, havia comida naquele tempo. O Egito já era um dos grandes impérios no período em questão. Aquela região, que ficava no norte da África, tinha sido povoada pelos descendentes de Cam. Era uma terra fértil, irrigada principalmente pelo rio Nilo, um dos rios mais conhecidos daquela época e também dos dias de hoje. Abrão, então, desceu até o Egito com a intenção de ficar lá por algum tempo. Abrão deve ter se sentido bastante pressionado com aquela situação, pois mal chegara à terra de Canaã, a terra prometida, depois de sair de Ur e passar um tempo em Harã, e é confrontado com uma fome, uma grande fome, conforme o texto reforça (v. 10). E, para complicar ainda mais a situação, Abrão trazia muita gente com ele. Era muita gente e muito gado. Tudo isso fazia com que Abrão se sentisse pressionado. Ele não podia esperar ajuda dos cananeus, os povos que moravam na terra prometida, pois estes eram povos cruéis e violentos, e Abrão era um estrangeiro, um viajante. Então, ele resolve descer para o Egito, o que não era exatamente o que Deus lhe havia dito que fizesse. Deus havia tirado Abrão de sua terra de origem e dito que ele fosse para Canaã e que peregrinasse naquela terra. Deus havia prometido que o abençoaria, que o protegeria e que daria aquela terra a ele. Até então, Deus havia cumprido o que prometera. Abrão já tinha cruzado toda a terra, de Norte a Sul. Vimos que Moisés registrou que os cananeus já moravam na terra e eram um povo hostil. Entretanto, Deus havia guardado e preservado Abrão. Agora, porém, Abrão resolve tomar uma decisão baseada não na confiança em Deus, mas justamente na falta de confiança em Deus. 3.2 A dificuldade de ir para o lugar certo. Verdade central: Diante da fome, Abrão teve que decidir para onde ir. Pode parecer estranho que Deus o tenha conduzido a um lugar em que havia escassez, mas o Todo-Poderoso não erra. Abrão estava na direção certa, mesmo enfrentando dificuldades. Para refletir: Quando as circunstâncias parecem contraditórias à direção que Deus me deu, busco orientação em oração ou tomo decisões precipitadas por minha conta? A LIÇÃO DIZ: Havia fome na terra. Então, para onde ir? Qual direção tomar? Diante das dificuldades, sempre a melhor opção é orar. Parece estranho o fato de Deus tirar Abrão da sua terra e conduzi-lo a um lugar em que havia escassez. No entanto, Abrão estava na direção certa, pois o Todo-Poderoso não erra. A fome em Canaã não significava que Abrão estava fora da vontade de Deus, mas que sua fé estava sendo provada no lugar da promessa. O erro de Abrão foi interpretar a dificuldade como se ela anulasse a direção divina. Em vez de buscar ao Senhor e esperar por sua provisão, ele desceu ao Egito, tomando uma decisão precipitada baseada na incredulidade.A narrativa mostra que decisões fundamentadas na falta de confiança em Deus produzem sérias consequências: afastam o servo do lugar da promessa, alimentam o medo, geram estratégias carnais, expõem terceiros ao sofrimento e comprometem o testemunho que deveriam ter.É melhor permanecer em Canaã com fome e na dependência de Deus do que descer ao Egito em busca de segurança sem consulta ao Senhor. 3.3 A dificuldade em falar a verdade. Verdade central: Por medo de ser morto, Abrão mentiu dizendo que Sarai era sua irmã. Faraó a tomou para sua casa, mas Deus interveio ferindo Faraó com pragas. Mesmo diante da falha de Abrão, a graça do Senhor o livrou dessa situação difícil. Para refletir: Tenho confiado em Deus para me proteger nas situações difíceis, ou tenho recorrido a meios pecaminosos como a mentira e a manipulação?
A LIÇÃO DIZ: O texto diz que, quando Faraó viu Sarai, com seus 75 anos, mas com uma beleza singular, tomou-a para sua casa: “E viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada para a casa de Faraó. E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve ovelhas, e vacas, e jumentos, e servos, e servas, e jumentas, e camelos” (Gn 12.15,16). Sarai foi tomada por Faraó, mas Deus impediu que ele tivesse um relacionamento conjugal com ela. O Senhor feriu a Faraó e à sua casa com grande praga por causa de Sarai (Gn 12.17). Sobre a parte final do capítulo 12 de Gênesis, Lopes destaca os seguintes pontos: • Uma mentira (12.10-13). Abrão é movido pelo medo dos homens, o que é incompatível com a fé em Deus. Seu temor demonstra ainda falta de confiança nas recentes promessas de Deus. Ele acovardou-se e usou sua mulher para proteger-se em vez de protegê-la, expondo-a para livrar-se da morte. Abrão tornase duplamente culpado: a primeira culpa é a falta de fé; a segunda, a da meia-verdade. • Um harém (12.14,15). Sarai era sobremaneira formosa. Não tardou para que os príncipes de faraó observassem a chegada da estrangeira e a notificassem ao soberano, o que resultou em Sarai ser levada para a casa real (12.15), para ser mulher do monarca. • Uma falsa recompensa (12.16). Faraó toma Sarai e recompensa Abrão, que, por causa de Sarai, passou a ter ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos. Esses aparentes benefícios levaram aos conflitos com os pastores de Ló e, mais tarde, a escrava egípcia, Hagar, tornou-se um elemento desagregador no casamento do patriarca. Por causa dessa descida ao Egito, mais tarde Abrão possuirá Hagar, serva egípcia, por orientação de Sarai, e como fruto dessa relação nascerá Ismael. • Uma maldição (12.17).“O Senhor puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão”. Aquele que foi chamado para ser uma bênção e abençoar todas as famílias da terra está sendo uma maldição na casa de Faraó.
• Uma reprimenda (12.18,19a). O ímpio faraó está repreendendo o piedoso Abrão e este não tem defesa nem se atreve a defender-se. Seu silêncio é a confissão de sua culpa. O pecado deixa o homem mudo e sem argumentos. • Uma expulsão (12.19b,20). ‘“[…] agora, pois, eis a tua mulher, toma-a e vai-te.’ E Faraó deu ordens aos seus homens a respeito dele; e acompanharam-no, a ele, a sua mulher e a tudo que possuía”. Abrão desce ao Egito por medo e vai embora dele expulso por seu soberano. Para garantir que Abrão e sua família deixarão o Egito, Faraó ordena que a caravana seja escoltada até a fronteira. Abrão deixa o Egito como um homem envergonhado por Deus e humilhado pelas pessoas.
Verifique seu aprendizado (Ponto 3): 1. O que Abrão encontrou ao chegar a Canaã e para onde ele se dirigiu? 2. Por que a presença de dificuldades não significa que estamos fora da vontade de Deus? 3. Qual foi a falha ética de Abrão no Egito e como Deus interveio? 4. O que aprendemos sobre a graça de Deus diante das falhas de Abrão?
CONCLUSÃO Abraão foi chamado por Deus para uma missão extraordinária: abençoar todas as famílias da terra por meio de sua descendência, culminando em Cristo. Sua obediência irrestrita, apesar das dificuldades e fracassos pessoais, demonstra o poder da fé genuína sustentada pela graça divina. As promessas feitas ao patriarca transcendem sua vida e alcançam todos os crentes, que se tornam filhos de Abraão e herdeiros de suas promessas. Somos desafiados a imitá-lo na fé, confiando em Deus mesmo quando o caminho é incerto, e perseverando diante dos obstáculos que surgem em nossa jornada cristã.
ENTRE A VERDADE E O ENGANO Combatendo Ideologias e Ensinos que opõem à Palavra de Deus
INTRODUÇÃO Vivemos em um tempo marcado pela proliferação de ideologias que buscam moldar o pensamento, influenciar os valores e estabelecer novas cosmovisões sobre a existência, a moralidade e o futuro da humanidade. Essas ideologias permeiam escolas, redes sociais, meios de comunicação e, infelizmente, até mesmo ambientes eclesiásticos. Frequentemente apresentam-se como sistemas de pensamento coerentes, racionais e progressistas, oferecendo respostas sedutoras para questões profundas sobre a vida e a sociedade. No entanto, a maioria delas compartilha uma característica fundamental: rejeitam a centralidade de Deus e a autoridade da Bíbla, propondo alternativas humanistas que afastam as pessoas da verdade revelada nas Escrituras. Como cristãos, somos chamados a estar vigilantes diante desses enganos ideológicos que pretendem substituir a Palavra de Deus pela sabedoria humana corrompida pelo pecado. A defesa da verdade bíblica é uma responsabilidade que exige discernimento espiritual, conhecimento profundo das Escrituras e dependência do Espírito Santo. Nesta lição, examinaremos o que é uma ideologia, seus impactos sobre a fé cristã e como resistir aos seus enganos, mantendo-nos fiéis aos fundamentos imutáveis do evangelho. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seu coração, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. (Cl 2.2, NVI). Eu trabalho para que o coração deles se encha de coragem e eles sejam unidos em amor e assim fiquem completamente enriquecidos com a segurança que é dada pela verdadeira compreensão do segredo de Deus. Esse segredo é Cristo, (Cl 2.2, NTLH). A fim de entender o Texto Principal, é necessário que leiamos o seu contexto imediato: Agora me alegro nos meus sofrimentos por vocês e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja, da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada em favor de vocês, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus: o mistério que esteve escondido durante séculos e gerações, mas que agora foi manifestado aos seus santos. A estes Deus quis dar a conhecer a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vocês, a esperança da glória.Este Cristo nós anunciamos, advertindo a todos e ensinando a cada um em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos cada pessoa perfeita em Cristo. É para esse fim que eu me Graduado em teologia pela Uni Cesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco empenho, esforçando-me o mais possível, segundo o poder de Cristo que opera poderosamente em mim. 1Quero que saibam quão grande tem sido a nossa luta por vocês, pelos que moram em Laodiceia e por muitos outros que não me viram face a face.Faço isto para que o coração deles seja consolado e para que eles, vinculados em amor, tenham toda a riqueza da plena convicção do entendimento, para conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo,em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Cl 1.28-2.3, NAA). Em Colossenses 2.2, Paulo expressa o propósito de sua luta pastoral pelos cristãos de Colossos e também por aqueles que não o conheceram pessoalmente. Paulo deseja que os crentes: • Sejam encorajados no coração. O “coração” no mundo bíblico não é apenas sede das emoções, mas do interior humano como um todo: vontade, pensamento, coragem e afeição. • Permaneçam unidos em amor. A união dos cristãos não pode ser apenas organizacional e adminstrativa. Ela deve ser relacional e espiritual. • Alcancem plena convicção de entendimento. Paulo não opõe espiritualidade e inteligência. Pelo contrário, ele entende que uma igreja madura precisa ter suas convicções bem fundamentadas na Palavra de Deus. • Cheguem ao conhecimento do mistério de Deus, identificado em Cristo. O “mistério de Deus” chega ao seu ápice em Cristo. Portanto, qualquer proposta religiosa que desloque Cristo do centro falha em captar o coração do evangelho. Paulo enfrenta, em Colossos, uma espiritualidade enganosa que insinuava que Cristo não bastava. Havia quem buscasse plenitude em práticas rígidas, em experiências místicas, em tradições religiosas ou em especulações filosóficas. A aparência podia variar, mas o desvio era o mesmo: tirar de Cristo o lugar de suficiência absoluta.Toda ideologia, filosofia e teologia que distorce, diminui e acrescenta algo as verdades do Evangelho, deve ser imediatamente combatida e rejeitada.
RESUMO DA LIÇÃO Para resistir aos enganos ideológicos e manter-se firme na fé, é necessário ter conhecimento profundo das Escrituras, renovar a mente em Cristo e usar as armas espirituais. Vivemos em um tempo de intensa pressão ideológica. O relativismo, o materialismo, o pós-modernismo e outras cosmovisões disputam a mente humana e procuram moldar a forma como as pessoas pensam, vivem e interpretam a realidade. Nesse contexto, torna-se cada vez mais necessário lembrar que a fé cristã não se relaciona apenas com sentimentos, mas também com verdades que precisam ser compreendidas, sustentadas e defendidas com integridade intelectual. Como bem destaca Alister McGrath, a vida cristã envolve convicções que não podem ser abandonadas nem tratadas com superficialidade. A própria Bíblia já antecipava esse cenário. Paulo advertiu: “Porque virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina…” (2Tm 4.3). Por isso, resistir ao engano é parte essencial da vida cristã. Nesse mesmo sentido, o profeta Oseias já havia advertido o povo de Deus: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento” (Os 4.6). A falta de conhecimento bíblico sempre abriu espaço para o erro, para o enfraquecimento espiritual e para o afastamento da verdade. Por essa razão, escrevendo a Timóteo, Paulo afirma que a Escritura é suficiente para tornar o homem de Deus perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Sem esse conhecimento bíblico, o cristão se torna vulnerável às heresias, não consegue discernir os falsos ensinos e perde a capacidade de responder com clareza e sabedoria a razão de sua fé. Diante disso, precisamos recorrer às armas espirituais que o próprio Deus nos concedeu. Entre elas, destacam-se a Palavra de Deus(Ef 6.17), a oração (Ef 6.18), o discernimento espiritual (Hb 5.14) e a argumentação apologética (Fp 1.7).
MOVIMENTO TEMÁTICO Características – Impacto sobre a fé – Defesa da verdade
1. CARACTERÍSTICAS DE UMA IDEOLOGIA Pergunta chave: O que é uma ideologia e como ela funciona? Ideia central do ponto: Uma ideologia é um sistema de ideias de origem humana que busca explicar a realidade e moldar valores, frequentemente reivindicando autoridade absoluta e resistindo à verdade revelada nas Escrituras. 1. Fundamentação humana. Verdade central: As ideologias nascem de reflexões humanas, sendo formuladas por pensadores, filósofos, políticos ou movimentos sociais. Sua base não é a revelação divina, mas a razão, a cultura e a experiência humana, carregando as limitações da natureza caída. Para refletir: Tenho avaliado as ideias que consumo à luz de sua origem, verificando se procedem da sabedoria humana ou da revelação divina?
A LIÇÃO DIZ: As ideologias nascem de reflexões humanas, sendo formuladas por pensadores, filósofos, políticos ou movimentos sociais. Sua base, portanto, não é a revelação divina, mas a razão, a cultura e a experiência humana. Isso significa que, por mais brilhante que uma ideologia pareça, ela carrega as limitações e distorções próprias da natureza caída do ser humano inclinada ao pecado e herdada de Adão e Eva após a Queda (Rm 7.18). Sem a dependência da iluminação divina, essas ideias tendem a afastar-se de Deus e da sua vontade. Sendo, portanto, tradições humanas que buscam anular as verdades bíblicas (Mt 15.9). O que é uma ideologia? Ideologia é um conjunto organizado de ideias, crenças e valores que orientam a maneira como uma pessoa ou grupo interpreta a realidade e age no mundo. O objetivo de uma ideologia é transformar a realidade de acordo com seus princípios, visando alcançar um mundo perfeito, de felicidade na vida terrena. Entretanto, o grande problema de uma ideologia não está apenas no fato de elas serem humanas, mas no fato de serem produzidas por seres humanos marcados pelo pecado. A Escritura ensina que é do coração do homem que procedem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, a maldade, o engano, a inveja e tantas outras corrupções (Mc 7.21-23). Isso significa que a queda afetou os desejos, a forma de pensar, julgar e interpretar a realidade. Por essa razão, quando o homem tenta construir sua visão de mundo sem submissão à revelação divina, sua razão, sua cultura e sua experiência tendem a reproduzir as distorções de sua natureza caída. É nesse sentido que as ideologias se tornam perigosas. Elas procuram responder perguntas fundamentais da existência, como de onde viemos, qual o propósito da vida, o que é certo ou errado e para onde vamos. Contudo, ao fazerem isso a partir de um coração afastado de Deus, acabam propondo respostas marcadas pela limitação humana e pela inclinação ao erro. Em vez de conduzir o homem à verdade, tendem a reinterpretar a realidade a partir do próprio homem, e não a partir do Criador e de sua Palavra. 1.2 Autoridade própria. Verdade central: As ideologias frequentemente reivindicam autoridade total sobre a interpretação da realidade, propondo regras sobre moralidade, política, identidade e até espiritualidade. Ao fazer isso, competem diretamente com a autoridade das Escrituras. Para refletir: Há alguma ideologia que tem exercido autoridade sobre minha forma de pensar e viver, competindo com a autoridade da Palavra de Deus? A LIÇÃO DIZ: As ideologias frequentemente reivindicam autoridade total sobre a interpretação que elas fazem da realidade. Elas se apresentam como explicações finais para dimensões da vida, ou seja, propõem regras sobre a moralidade, a política, a economia, o comportamento, a identidade e até a espiritualidade, exigindo lealdade incondicional dos seus adeptos. A questão é que, ao fazer isso, elas competem diretamente com a autoridade das Escrituras. Vamos definir e relacionar alguns termos importantes: • Cosmovisão trata-se do conjunto mais profundo de crenças que uma pessoa ou cultura possui sobre a realidade. É a lente pela qual tudo é interpretado. Ela não é apenas uma teoria consciente; muitas vezes é algo implícito, que molda automaticamente a forma de pensar. A cosmovisão responde às perguntas fundamentais: o que é real, quem somos, qual o sentido da vida, o que é certo e errado, e qual é o destino final da existência. Nesse sentido, a cosmovisão é o pano de fundo de todo pensamento humano. • Filosofia ou corrente filosófica. A filosofia surge dentro desse campo (cosmovisão) como o esforço racional e sistemático de explicar essas questões fundamentais. Ela procura organizar e justificar, por meio da razão, aquilo que muitas vezes já está presente na cosmovisão de forma implícita. A filosofia trabalha com categorias como verdade, conhecimento, existência e moralidade.
A ideologia é um passo adiante. Ela ocorre quando ideias filosóficas ou pressupostos de uma cosmovisão são aplicados de forma prática à organização da sociedade. A ideologia não se contenta em explicar a realidade; ela quer moldá-la. Por isso, ela entra em áreas como política, economia, cultura e comportamento social. Uma ideologia normalmente oferece uma narrativa sobre o que está errado no mundo e propõe um caminho de transformação. • A teologia, por sua vez, é diferente em sua fonte. Enquanto a filosofia parte da razão humana e a ideologia aplica essas ideias à sociedade, a teologia parte da revelação de Deus. Ela é o esforço de compreender, organizar e explicar aquilo que Deus revelou sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o ser humano. No cristianismo, essa revelação está centrada nas Escrituras. A teologia também usa a razão, mas não começa com ela como autoridade final; começa com Deus falando. • Heresia é uma distorção da verdade revelada. É quando alguém afirma estar interpretando a revelação de Deus, mas altera pontos essenciais dessa revelação. A heresia, portanto, não cria uma nova base de conhecimento, mas corrompe a base existente. Olhando para os temas que abordaremos ao longo do trimestre, podemos fazer a seguinte classificação. Ela diverge um pouco da que foi colocada pelo comentarista, mas no fim das contas, não influencia a forma como iremos aborda-las, pois todas podem ser chamadas de falácias: • Materialismo histórico é uma ideologia (com base filosófica materialista). • Relativismo ético-moral é uma corrente filosófica. • Ideologia de gênero é uma ideologia (com base filosófica construtivista). • Teologia progressista é uma teologia (com elementos de desvio doutrinário). • Humanismo é uma cosmovisão. • Teoria darwiniana é uma teoria científica (pode ser classificada como uma cosmovisão naturalista). • Pragmatismo é uma corrente filosófica. • Ateísmo é uma cosmovisão. • Deísmo é uma cosmovisão (com base filosófica) • Teologia da prosperidade é um desvio doutrinário (heresia). • Triunfalismo é um desvio doutrinário (heresia).
O grande problema das ideologias, filosofias, cosmovisões e desvios doutrinários, portanto, está em excluir Deus e a sua Palavra da compreensão da realidade. E, mesmo quando não fazem essa exclusão de modo explícito, procuram reinterpretar as Escrituras, distorcer seu sentido e ajustar a verdade revelada aos interesses humanos. Cabe ao cristão examinar toda ideologia, filosofia e cosmovisão à luz da revelação do Senhor. Aquilo que contradiz o que Deus disse deve ser rejeitado e combatido. 1.3 Resistência à verdade. Verdade central: As ideologias resistem à verdade de Deus de duas formas: pela rejeição explícita à revelação bíblica ou pela tentativa de reinterpretar as Escrituras à luz da ideologia. Ambas são perigosas e afastam os cristãos da genuína fé. Para refletir: Tenho percebido quando ideias populares tentam reinterpretar a Bíblia para se adequarem a agendas contemporâneas, ou tenho aceitado essas distorções sem questionar? A LIÇÃO DIZ: Outra característica comum às ideologias é a sua resistência ativa à verdade de Deus. Isso pode ocorrer de duas formas: pela rejeição explícita à revelação bíblica ou pela tentativa de reinterpretar as Escrituras à luz da ideologia. Ambas as abordagens são perigosas e tendem a afastar os cristãos da genuína fé. Cuidado com essas distorções! Como Paulo adverte em Romanos 12.2, não devemos nos conformar com este mundo, mas ser transformados pela renovação da nossa mente. Vamos a alguns exemplos. Quero usar como referência o Materialismo Histórico e o Ateísmo.
Primeiro exemplo: Um professor influenciado pelo materialismo histórico explica: • A religião existe porque as classes dominantes precisam controlar as massas. • A moralidade não é absoluta, mas construída para manter estruturas de poder. • A família tradicional é vista como uma instituição que sustenta o sistema econômico. • A solução para os problemas humanos é a mudança das estruturas econômicas. Agora observe o que está acontecendo. Essa abordagem não está apenas analisando economia. Ela está reinterpretando: religião, moralidade, família, história. Tudo é explicado a partir de um único princípio: matéria e relações econômicas. Na prática, isso leva o aluno a pensar assim: “Deus não é necessário para explicar o mundo. Tudo se resume a estruturas sociais.” Segundo exemplo: Agora imagine uma conversa entre dois amigos sobre o sofrimento. Um deles, partindo de uma cosmovisão ateísta, diz: • O universo não tem propósito. • A vida surgiu por processos naturais. • O sofrimento não tem sentido último. • Moralidade é apenas construção humana. Diante de uma tragédia, ele conclui: “A vida é assim mesmo. Não há propósito nisso. Precisamos apenas lidar com a realidade.” Essa pessoa não está apenas negando Deus. Ela está interpretando: a origem da vida, o sentido do sofrimento, a moralidade, o propósito da existência.
Diante de tudo isso, precisamos perceber com clareza como as ideologias e as cosmovisões antibíblicas procuram moldar a nossa maneira de enxergar a realidade. Em muitos casos, elas não se apresentam de forma agressiva ou escancarada, mas entram de modo sutil, reformulando valores, redefinindo o certo e o errado e, pouco a pouco, retirando Deus do centro de nossas vidas. Essas influências estão por toda parte. Elas aparecem no material escolar, nos filmes, nas séries, nos desenhos e na cultura pop. A todo momento, essas ideias tentam nos fisgar, produzir rupturas em nosso coração e enfraquecer a nossa fé. Por isso, não podemos viver de modo distraído. Precisamos permanecer alertas e vigilantes, enchendo a mente e o coração com a Palavra de Deus, meditando nela de dia e de noite, para que a verdade do Senhor molde nosso pensamento, governe nossas escolhas e nos preserve firmes em meio a uma cultura cada vez mais distante da vontade divina.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1): 1. O que é uma ideologia e qual é sua base de fundamentação? 2. Por que as ideologias competem com a autoridade das Escrituras? 3. De que duas formas as ideologias resistem à verdade de Deus? 4. Por que ideologias que parecem brilhantes podem ser perigosas para a fé?
2. IMPACTO SOBRE A FÉ CRISTÃ Pergunta chave: Que danos as ideologias causam à fé cristã? Ideia central do ponto: As ideologias causam danos à fé cristã ao criar conflitos de valores, secularizar o evangelho e ameaçar a integridade das doutrinas fundamentais. 2.1 Conflito de valores. Verdade central: As ideologias frequentemente propõem valores morais ou espirituais que se chocam com os mandamentos de Deus. Em temas como sexualidade, família, ética e propósito da vida, as ideias mundanas se opõem ao padrão bíblico. Para refletir: Tenho identificado os pontos em que os valores do mundo entram em conflito com os valores bíblicos, ou tenho tentado conciliá-los de forma perigosa? A LIÇÃO DIZ: As ideologias frequentemente propõem conceitos ou ideias de valores morais ou espirituais que se chocam com os mandamentos de Deus (Ef 5.3-7). Em temas como sexualidade, família, ética, justiça ou propósito da vida, as ideias mundanas se opõem à cosmovisão cristã, se ndo contrárias ao padrãobíblico.
Tabela de conflitos: Área Ideologia Proposta Ideológica Verdade Bíblica Sexualidade Ideologia de gênero A pessoa define seu gênero independentemente do corpo. Deus criou homem e mulher com propósito e identidade clara (Gn 1.27). Ética Relativismo moral Cada pessoa define o que é certo e errado conforme suas convicções. Deus estabelece o padrão moral de forma absoluta e universal. Ética Pragmatismo O correto é aquilo que funciona e produz resultados práticos. O correto é aquilo que Deus declara verdadeiro, não o que traz sucesso imediato. Justiça Materialismo histórico A injustiça decorre unicamente de fatores econômicos e estruturais. A raiz do mal está no coração humano corrompido pelo pecado (Rm 3.23). Justiça Humanismo O homem é a medida de toda justiça e moralidade. Deus é o padrão absoluto de justiça e retidão. Vida cristã Teologia da prosperidade Fé genuína garante riqueza e sucesso material. A fé se manifesta em contentamento, disposição para sofrer e dependência de Deus. Vida cristã Triunfalismo O cristão vive apenas vitória, poder e ausência de sofrimento. O discípulo segue Cristo abraçando a cruz e perseverando na tribulação(Lc 9.23).
2.2 Evangelho secularizado. Verdade central: Um dos efeitos mais danosos das ideologias é a secularização do evangelho, quando o cristianismo perde seu caráter espiritual e transcendente, passando a ser visto apenas como uma filosofia de vida ou ferramenta de transformação social. Para refletir: Minha compreensão do evangelho mantém a centralidade da cruz e do arrependimento, ou tenho reduzido a fé a uma ferramenta para alcançar objetivos terrenos? A LIÇÃO DIZ: Um dos efeitos mais danosos relacionados à influência de determinadas ideologias sobre a fé cristã é o secularismo que vem ocorrendo em relação ao evangelho. Isso acontece quando o cristianismo perde seu caráter espiritual e transcendente, passando a ser visto apenas como uma filosofia devida, um código moral ou uma ferramenta de transformação social. O evangelho não é só uma filosofia de vida! Ele é o poder de Deus (Rm 1.16). Vamos definir alguns termos: • Secular, no sentido bíblico e teológico, é aquilo que é organizado ou interpretado como se Deus não fosse relevante. O cristão não vive nenhuma área da vida “sem referência a Deus”. A Bíblia diz: “Quer comais,quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31) Ou seja, trabalho para Deus; estudo para Deus; minha vida pública e privada é para Deus. Essa dualidade entre santo e secular não deve existir na vida do crente. Se ele é um CLT, ele deve ser para glória de Deus. Se ele é um acadêmico em qualquer área do saber, deve ser para glória de Deus. O cristão pode atuar em áreas não eclesiásticas. Mas não pode viver de forma secularizada. • Secularização é o processo pelo qual áreas da vida, pensamentos ou práticas que deveriam estar sob a referência de Deus passam a ser vividas, interpretadas ou organizadas como se Deus não fosse relevante.
Evangelho secularizado é a adaptação da mensagem bíblica aos valores e às ideias do mundo, de modo que ela perde seu conteúdo original e passa a refletir mais a cultura do que a Palavra de Deus. Em vez de preservar as verdades centrais do evangelho, como o pecado, o arrependimento, a cruz, a transformação de vida e a centralidade de Cristo, essa versão secularizada suaviza, troca ou reinterpreta esses elementos. O resultado é uma mensagem que não confronta o pecado, não exige arrependimento e coloca o homem,e não Cristo, no centro. 2.3 Ameaça à integridade da fé. Verdade central: Ideologias que contradizem ou relativizam as Escrituras levam à distorção de verdades bíblicas e à negação de doutrinas fundamentais. A fé cristã exige exclusividade: Jesus Cristo é o único caminho, verdade e vida. Para refletir: Tenho mantido firme a convicção de que Jesus é o único caminho para a salvação, ou tenho aceitado ideias que relativizam essa verdade fundamental? A LIÇÃO DIZ: A fé cristã exige exclusividade: Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Toda ideologia que propõe alternativas ao evangelho verdadeiro, mesmo que parcialmente, é uma ameaça à ntegridade da fé. Por isso, Paulo combate com firmeza qualquer evangelho diferente (Gl 1.8,9; Cl 2.8). Na vida cristã, a luta espiritual é real (Cl 2.1). Contra isso, precisamos estar atentos. O cristianismo é uma fé exclusivista. Ele afirma que só há salvação em Jesus Cristo e que toda verdade deve ser examinada à luz da Palavra de Deus. Por isso, entra em choque com um mundo que prefere muitos caminhos, muitas verdades e muitas formas de espiritualidade. Se o cristianismo é verdadeiro, então todas as religiões, filosofias, ideologias e cosmovisões que negam seus fundamentos estão erradas. E, se essas outras propostas forem verdadeiras em seus pontos essenciais, então o cristianismo é falso. As duas coisas não podem ser verdade ao mesmo tempo, porque se contradizem em suas bases. Isso, porém, não significa que as demais religiões, ideologias, filosofias ou heresias estejam erradas em tudo. Em vários casos, há percepções corretas, valores morais relevantes e práticas externamente boas. O problema está no fundamento. Quando a base é falsa, todo o sistema fica comprometido, ainda que contenha elementos que pareçam bons ou úteis. É por essa razão que seitas, heresias, ideologias e cosmovisões antibíblicas precisam ser rejeitadas. Todas elas, em seu ponto central, negam verdades fundamentais das Escrituras.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2): 1. Que tipo de conflito as ideologias criam no cristão que tenta conciliá-las com a fé? 2. O que acontece quando o evangelho é secularizado? 3. Por que o evangelho secularizado perde o poder transformador? 4. Por que a fé cristã exige exclusividade em relação a Jesus Cristo?
3. DEFESA DA VERDADE BÍBLICA Pergunta chave: Como resistir aos enganos ideológicos? Ideia central do ponto: Para resistir aos enganos ideológicos, o cristão precisa desenvolver o discernimento bíblico, manter a fidelidade doutrinária e combater as ideologias com as armas espirituais. 3.1 Discernimento bíblico e espiritual. Verdade central: O discernimento bíblico é necessário. O cristão não pode ser ingênuo diante de discursos atraentes, mas deve comparar todas as ideias humanas com a Palavra de Deus. Para refletir: Tenho examinado as ideias que consumo diariamente à luz das Escrituras, ou tenho aceitado conteúdos sem questionar sua compatibilidade com a verdade bíblica? A LIÇÃO DIZ: O discernimento bíblico é um dom precioso e necessário em tempos de confusão ideológica. A Palavra de Deus nos instrui a “examinai tudo. Retende o bem” (1Ts 5.21), o que implica uma atitude constante de vigilância e avaliação espiritual diante de tudo o que ouvimos, lemos ou aceitamos. O cristão não pode ser ingênuo diante de discursos atraentes ou ideias populares que, embora pareçam boas, podem contradizer a verdade revelada nas Escrituras. Na Igreja primitiva havia mensageiros itinerantes que pregavam doutrinas estranhas. A igreja ao ouvir um pregador precisava estar apercebida e atenta. Paulo disse que enquanto um profeta fala, os ouvintes devem julgar (1Co 14.29). Na igreja de Corinto, algumas pessoas em estado de êxtase chegaram a proferir a blasfema expressão: “anátema Jesus” (1Co 12.3). Não podemos aceitar com verdade absoluta tudo aquilo que as pessoas falam em nome de Deus. Discernimento é a capacidade de perceber, avaliar e distinguir com clareza o que é verdadeiro e o que é falso, o que é certo e o que é errado, o que procede de Deus e o que se opõe à sua vontade. Portanto, discernir é julgar pessoas, ensinos, ideias, práticas e caminhos à luz da Palavra de Deus, e não apenas com base em sentimentos, aparência ou opinião.
Por que devemos ter discernimento? • Para julgar o que ouvimos. Precisamos avaliar todas as mensagens e reter apenas o que é bom, usando a Palavra de Deus como padrão para não sermos enganados por falsos profetas. • Para alcançar a maturidade espiritual. A capacidade de distinguir entre o bem e o mal é o que diferencia os crentes maduros (adultos) dos imaturos (crianças espirituais), que não possuem esse filtro e ingerem qualquer tipo de ensino. • Para tomar posse das promessas. A falta de discernimento impede o povo de Deus de avançar e desfrutar de sua herança, assim como ocorreu com a antiga nação de Israel, que pereceu no deserto por não compreender os caminhos do Senhor. • Para ajudar o próximo corretamente. Devemos ter uma visão clara para socorrer nossos irmãos em suas fraquezas, em vez de julgá-los de forma crítica e hipócrita. • Para fazer escolhas sábias. O discernimento nos afasta dos caminhos perigosos da insensatez e nos orienta na conduta ética apropriada, protegendo nossa vida de decisões precipitadas e destrutivas.
3.2 Fidelidade doutrinária. Verdade central: A fidelidade doutrinária é uma das maiores necessidades da igreja atual. Doutrinas como a divindade de Cristo, a suficiência das Escrituras e a justificação pela fé não podem ser negociadas. Guardar a sã doutrina é uma forma de resistir às tentações ideológicas. Para refletir: Tenho estudado e guardado as doutrinas fundamentais da fé cristã, ou meu conhecimento doutrinário é superficial e vulnerável a distorções? A LIÇÃO DIZ: A Bíblia é a nossa regra de fé! Se uma ideia não passa no crivo da Palavra, então devemos rejeitá-la. O Espírito Santo é quem nos ajuda a discernir o que é verdade e o que é engano (1Co 2.14,15; 12.10). A Bíblia é a nossa regra de fé. Por isso, toda ideia, todo ensino e toda prática precisam passar pelo crivo da Palavra de Deus. Aquilo que não se harmoniza com a revelação divina deve ser rejeitado. Nesse processo, o 2 Lopes, Hernandes Dias. 2008. 1 e 2 Tessalonicenses: Como se Preparar para a Segunda Vinda de Cristo. 1 a edição. Comentários Expositivos Hagnos. São Paulo: Hagnos.
Espírito Santo tem papel indispensável, pois é ele quem ilumina a mente do crente e o ajuda a discernir entre a verdade e o engano, entre a sã doutrina e o erro (1Co 2.14,15; 12.10). Ainda assim, essa ação do Espírito não nos dispensa do dever de conhecer a verdade. Pelo contrário, ela nos conduz a amá-la, buscá-la, guardá-la e vivê-la com seriedade. Aqui, porém, surge uma pergunta inevitável: como alguém poderá ser fiel a uma doutrina que não conhece com profundidade? Como permanecer firme na verdade sem compreender aquilo em que crê? A fidelidade doutrinária exige mais do que concordância. Ela requer entendimento, convicção, exame cuidadoso das Escrituras e compromisso sincero com o conteúdo da fé cristã. Esse é um ponto que precisa ser enfrentado com honestidade. Há muitos crentes que passam anos na igreja, participam de cultos, ouvem sermões, mas não desenvolvem suas vidas espirituais e intelectuais. Falta fome pela verdade, falta desejo de amadurecer, falta interesse em compreender as doutrinas fundamentais da fécristã, suas bases bíblicas, suas implicações e sua beleza. Esse quadro tem se tornado cada vez mais visível no meio evangélico brasileiro, inclusive no meio pentecostal. Por isso, cada leitor precisa examinar o próprio coração.Tenho estudado e guardado as doutrinas fundamentais da fé cristã? Tenho buscado entender o evangelho em sua profundidade, ou me contento com noções soltas, frases prontas e explicações simplificadas?Conhecer a verdade exige esforço, disciplina, humildade e perseverança. E viver essa verdade exige amor por Deus, temor diante de sua Palavra e disposição para permanecer firme, mesmo quando o erro se apresenta de forma atraente. A fidelidade doutrinária é indispensável para todo cristão que deseja permanecer fiel ao Senhor.
3.3 Combatendo as ideologias. Verdade central: A luta contra as ideologias não se vence apenas com debates filosóficos ou argumentos racionais, é uma batalha espiritual. A vitória vem pela dependência do Espírito Santo, que nos guia em toda a verdade. Para refletir: Tenho combatido as ideologias com as armas espirituais: estudo bíblico, oração e dependência do Espírito Santo ou tenho confiado apenas em argumentos intelectuais? A LIÇÃO DIZ: A luta contra essas ideologias não se vence com debates filosóficos, argumentos racionais ou conhecimento intelectual apenas — é uma batalha espiritual (Ef 6.12). A vitória vem pela dependência do Espírito Santo, que nos guia em toda a verdade (Jo 16.13). O jovem cristão, cheio do Espírito e conhecedor da Palavra, dificilmente é enganado por doutrina estranha! A luta contra as ideologias e cosmovisões antibíblicas tem uma dimensão intelectual, mas, em sua raiz, é espiritual. A Escritura nos lembra que a nossa luta não é “contra o sangue e a carne”, mas contra forças espirituais do mal (Ef 6.12). Por isso, o cristão não pode confiar apenas em raciocínio ou no preparo acadêmico. É preciso depender do Espírito Santo, que guia o povo de Deus em toda a verdade (Jo 16.13), ilumina a mente, fortalece o coração e firma o crente na Palavra. Diante disso, não existe espaço para neutralidade. Ou somos do Senhor, ou não somos.Não há lugar para um cristianismo em cima do muro, sem posição, sem convicção e sem coragem para defender a verdade. Todos os dias somos expostos a ideias, valores e visões de mundo que disputam a nossa mente e procuram enfraquecer a nossa fé. Nesse conflito, o crente não pode viver escondido, como alguém que professa a fé apenas de modo privado, mas se cala quando a verdade é atacada. Quem pertence a Cristo precisa se posicionar. Defender a verdade é dever de todo crente fiel. O povo de Deus precisa ter clareza, coragem e firmeza para confessar a fé, combater o engano e permanecer do lado da verdade revelada nas Escrituras.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3): 1. Por que o discernimento bíblico é necessário em tempos de confusão ideológica? 2. Quais doutrinas fundamentais não podem ser negociadas segundo a lição? 3. Por que a luta contra as ideologias é descrita como uma batalha espiritual? 4. Quais são as armas que o cristão deve usar para combater as ideologias?
CONCLUSÃO As ideologias constituem um desafio a fé cristã contemporânea. Nascidas da razão humana corrompidapelo pecado, elas se apresentam como sistemas coerentes e atraentes que propõem explicações para a realidade, a moralidade e o propósito da vida, frequentemente excluindo Deus e distorcendo a Palavra revelada nas Escrituras. Seus impactos sobre a fé são significativos: geram conflitos de valores, secularizam o evangelho e ameaçam a integridade das doutrinas fundamentais. A luta contra as ideologias é, primariamente, uma batalha espiritual que transcende argumentos racionais. Exige vigilância constante, estudo sério da Palavra, oração e coragem para confessar e defender a verdade em um mundo cada vez mais hostil aos princípios divinos. Todo cristão é chamado a permanecer firme, sabendo que os modismos passam, mas a Palavra de Deus permanece eterna e imutável.
A Igreja Assembleia de Deus em Santa Terezinha – PE, realizou neste dia 28/03/26, o 40° Aniversário do Círculo de oração, na igreja matriz. Além da comissão local, estiveram presente as comissões das cidades de São José do Egito, Tabira e Afogados da Ingazeira. Esteve presente, representando o pastor presidente, o pastor de Afogados daIngazeira Edinaldo Vicente da Silva, o pastor de Tabira Antõnio Roberto Batista, o partor Dário Gomes de São José do Egito e alguns presbíteros.Foi uma tarde e noite abençoadas na presença do Senhor Jesus. Muitos louvores de adoração. Um lindo processual narrando um pouco da história da igreja local, com uma linda entrada das irmãs. A Palavra de Deus foi pregada com muito derramar do Espírito Santo.
É melhor assisterem no YouTube.
blogdozefreitas
partor Dário Gomes de São José do Egito
pastor Ântonio Marcos Santa Terezinha
pastor de Tabira Antânio Roberto Batista
pastor de Afogados daIngazeira Edinaldo Vicente da Silva
A igreja tem como pastor presidente Ailton José Alves e como pastor local o presbítero Antônio Marcos.
Coordenadora local:Vanusa Gomes, Dirigente: A irmã Rosimeire, Vice dirigente: Edinalva, Secretária: Alexandra Pereira e vice secretária: A irmã Analice.