Igrejas que se tornam fortes e fazem diferença são acolhedoras. Todas as pessoas são bem-vindas. Todas são chamadas, desafiadas e instruídas no discipulado de Cristo.
O ministério da igreja é planejado, saturado em oração e estruturado para que as pessoas sejam acolhidas. A boa recepção no templo, nos grupos de convivência, na Escola Bíblica e no ministério infantil é apenas um pequeno passo. O acolhimento continua sendo visto na maneira como cada pessoa é tratada nos diferentes contatos que tem com os irmãos; no fortalecimento dos grupos de comunhão e no modo como os diferentes ministérios servem.
Numa igreja acolhedora haverá sempre essa dinâmica: buscar, receber, integrar, pastorear com amor, demonstrar misericórdia e bondade com o necessitado, treinar e enviar para que outros sejam buscados, integrados. E a dinâmica continua sem sofrer interrupções.
Na igreja acolhedora, as pessoas compreendem o valor da comunhão que envolve:relação íntima do crente com o Cristo e uns com os outros (1Co 19; 2Co 13.13; Fp 2.1; 1Jo 1.3,6-7); compartilhar bens materiais para suprir as necessidades de outros; dividir aquilo que tem em sua própria mesa (2Co 8.4; 9.13; Hb 13.16); participação mútua na obra do evangelho, nas dores e alegria do próximo; participar juntos do pão e das orações (At 4.42); Fp 1.5; 3.10).
Uma igreja que cresce e vive em comunhão promove tais oportunidades entre seus membros, mas a igreja por si só não promove a comunhão. A comunhão verdadeira é obra do Espírito Santo.
A igreja acolhedora valoriza os relacionamentos entre os irmãos, que deve ser desfrutada em pequenos grupos. No grupo pequeno você é conhecido, pode adorar, orar, ser edificado, compartilhar suas experiências, contar seus “causos”, evangelizar seus parentes e amigos, abençoar e ser abençoado. Isso gera saúde, acolhimento, unidade e vida na igreja.
A comunhão implica em investimento financeiro para acudir necessidades e necessitados. Ao ajudar, a pessoa coopera sem esperar nada em troca.
Igrejas acolhedoras crescem de fora para dentroe de dentro para fora. O visitante é recebido e integrado, os de dentro são fortalecidos nos grupos pequenos e na dinâmica da vida da igreja, e assim a igreja cresce em qualidade e quantidade. Toda pessoa se integra melhor e mais rapidamente quando se envolve com a vida da igreja. Portanto, não fique sozinho. Envolva-se na vida de sua igreja.
Com a sua cooperação e comprometimento; com o amor do Pai, a Graça de Jesus e o Poder do Espírito Santo, seremos uma igreja melhor.
CORPO, ALMA E ESPÍRITO A Restauração Integral do Ser Humano para chegar à Estatura Completa de Cristo
INTRODUÇÃO O estudo deste trimestre vai muito além de uma simples análise da natureza humana, ele nos levará a entender nossa própria essência sob uma perspectiva divina é bíblica. Exploraremos a criação singular de Deus, que nos fez um ser tricotômico, ou seja, com corpo, alma e espírito. A Antropologia Bíblica nos ajudará a compreender a distinção entre corpo, alma e espírito, a interação entre essas três dimensões e como esse equilíbrio é fundamental para uma vida cristã saudável. Nosso objetivo é alinhar nossa existência com o propósito original de Deus, conforme 1 Tessalonicenses 5.23, que nos chama a ser totalmente santificados e irrepreensíveis em nosso corpo, alma e espírito. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Que Deus, que nos dá a paz, faça com que vocês sejam completamente dedicados a ele. E que ele conserve o espírito, a alma e o corpo de vocês livres de toda mancha, para o dia em que vier o nosso Senhor Jesus Cristo. (1Ts 5.23 NTLH). O verbo “santificar” aqui aponta para o processo e também para a finalidade da obra divina. Não é apenas uma santificação posicional (já realizada em Cristo), mas progressiva e integral, abrangendo todas as áreas da vida. A expressão “em tudo” (holotelēs) sublinha a totalidade. O apóstolo enfatiza que Deus não trabalha em fragmentos da existência humana, mas na vida inteira do crente. Ele deseja que não apenas alguns aspectos (como a vida espiritual ou moral) sejam tocados, mas que cada esfera, pensamento, afetos, corpo, decisões, relacionamentos, seja transformada. Paulo intensifica a ênfase na totalidade, agora de modo tripartido. Ele usa todos os termos disponíveis para garantir que nenhuma parte do ser humano seja excluída da obra de Deus. • Espírito (pneuma): A dimensão que nos conecta com Deus, nossa faculdade espiritual. • Alma (psyche): O assento de nossa personalidade: mente, vontade e emoções. • Corpo (soma): Nosso corpo terreno, o meio pelo qual interagimos com o mundo físico. O termo “conservados” aponta para a ação protetora e sustentadora de Deus. O objetivo dessa preservação é escatológico. O crente será apresentado diante do tribunal de Cristo sem acusação, não porque não pecou, mas porque foi sustentado na graça e lavado no sangue de Cristo
VERDADE PRÁTICA Deus nos fez → corpo | alma | espírito → para glorificá-lo → eternamente → com todo o nosso ser. Criador criação integral finalidade tempo intensidade 1. De onde viemos? Viemos de Deus, nosso Criador, que nos formou de maneira intencional. 2. Quem somos? Somos uma criação integral, compostos por corpo, alma e espírito, refletindo a forma completa e intencional como Deus nos criou. 3. Por que estamos aqui? Estamos aqui com a finalidade principal de glorificar a Deus em tudo o que fazemos. 4. Para onde vamos? Vamos em direção à eternidade, com a vocação de viver em plena devoção e entrega ao nosso Criador.
1. A TRICOTOMIA HUMANA 1.1 Doutrina e teologia. A LIÇÃO DIZ: A Doutrina do Homem está fundamentada em toda a Escritura, numa revelação suficiente para demonstrar quem é o homem, como foi criado e com que propósito (Gn 1.26-29; 2.15; SI 8.3-9; Ef 1.3-6). No campo da Teologia Sistemática, ela é conhecida como Antropologia Bíblica, que estuda o homem desde sua origem, constituição e existência, considerando o período anterior à Queda, o pecado original e suas consequências, o plano redentor e a eternidade. Em um tempo de tanta psicologização da fé e intensa busca de respostas para os problemas humanos em concepções não cristãs, um piedoso e profundo estudo das Escrituras é cada vez mais necessário e urgente, a fim de desfazer toda e qualquer dúvida existencial e gerar uma fé bíblica genuína, sadia e equilibrada (1 Co 2.1-16; 2 Tm 3.16,17; Hb 4.12). Neste subponto, o comentarista apresenta a perspectiva bíblica e teológica da “Doutrina do Homem”. Além disso, ele realça a importância de uma visão bíblica sobre o assunto devido ao contexto no qual vivemos. 1.1.1 A perspectiva bíblica e seus pontos fundamentais: 1.1.1.1 Origem e criação. A humanidade foi criada diretamente por Deus, não por evolução naturalista. Adão e Eva são considerados pessoas reais e históricas. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). 1.1.1.2 Propósito. Deus criou o ser humano para amá-Lo, servi-Lo e representá-Lo na criação (Gn 1.26-28). 1.1.1.3 Constituição. O homem tornou-se “alma vivente” ao receber o sopro de Deus (Gn 2.7). O homem é uma unidade complexa formado de corpo, alma e espírito. 1.1.1.4 Estado original. Antes da Queda, o homem vivia em santidade e harmonia, sendo descrito como “muito bom” (Gn 1.31). 1.1.1.5 Pecado e consequências. A Queda trouxe corrupção e culpa à humanidade (Rm 5.12). 1.1.1.6 Redenção. A necessidade da obra de Cristo surge do pecado. A antropologia bíblica conecta-se à encarnação, expiação e regeneração, mostrando que a salvação é recebida pela fé. 1.1.1.7 Destino eterno. O plano redentor culmina na vida eterna prometida aos crentes. 1.1.2 Antropologia (Teologia). A Antropologia é a doutrina que se dedica ao estudo do homem. Ela busca responder a perguntas existenciais fundamentais como: “Que é o homem?”, “De onde veio?” e “Para onde vai?” 1.1.2.1 A antropologia humana, no sentido secular, procura compreender o ser humano a partir de pressupostos filosóficos, científicos e culturais, frequentemente sem referência a Deus. Ela se subdivide em várias correntes, cada qual destacando aspectos específicos da existência humana: 1.1.2.1.1 Antropologia naturalista ou científica. Associada ao materialismo e à teoria da evolução, sustenta que o homem é resultado de processos biológicos e seleção natural, sendo essencialmente um “animal racional”. Essa linha enfatiza causas físico-químicas e biológicas como explicação suficiente para a origem e o desenvolvimento humano. 1.1.2.1.2 Antropologia marxista. Parte da filosofia de Karl Marx entende o homem como ser histórico e social, moldado pelas condições materiais de produção. O homem não é definido pela consciência, mas pelo trabalho e pelas relações econômicas. Sua essência não é individual, mas coletiva, determinada pela luta de classes. 1.1.2.1.3 Antropologia existencialista. Representada por autores como Sartre e Heidegger, entende o homem como ser lançado no mundo, sem essência prévia, condenado à liberdade e responsável por dar sentido à própria existência. O foco recai sobre a angústia, a finitude e a busca por autenticidade. 1.1.2.1.4 Antropologia filosófica clássica. Presente em Sócrates, Platão e Aristóteles, busca compreender o homem em seus princípios últimos: razão, alma e finalidade. Platão via o homem como dualidade corpo-alma, Aristóteles como animal racional orientado para a felicidade (eudaimonia). 1.1.2.1.5 Antropologia cultural. Estuda o ser humano em sua dimensão simbólica, social e histórica. Entende que o homem só pode ser compreendido dentro de seu contexto cultural, em interação com normas, crenças, mitos e costumes de cada sociedade. 1.1.2.1.6 Antropologia psicológica. Enfatiza a subjetividade, a consciência e o inconsciente, destacando autores como Freud, Jung e Rogers. O homem é visto como um ser em constante conflito interno, marcado por desejos, traumas e buscas de realização pessoal. 1.1.2.1.7 Antropologia humanista. Própria do pensamento moderno e contemporâneo, coloca o homem no centro do universo, exaltando sua autonomia, liberdade e dignidade. Essa corrente, em muitos casos, substitui Deus pelo próprio ser humano como fundamento de sentido. 1.1.2.2 Antropologia bíblica. Fundamenta-se na Palavra de Deus, afirmando que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Essa visão rejeita a ideia de que o mundo e a humanidade surgiram por acaso. 1.1.3 Contexto atual e relevância. Vivemos dias em que muitas vozes tentam dizer o que é o ser humano. Uns afirmam que somos apenas fruto do acaso; outros reduzem nossa identidade a cultura, trabalho ou prazer; e ainda há quem defenda que cada pessoa invente seu próprio sentido de existir. Nesse emaranhado de ideias, cresce, de forma inevitável, a confusão sobre dignidade, liberdade, propósito e destino final. É justamente aqui que a antropologia bíblica se mostra essencial: ela afirma que o homem foi criado por Deus, à sua imagem, com valor, responsabilidade e esperança. 1.2 A tríplice natureza. A LIÇÃO DIZ: A teologia utiliza o termo “tricotomia” para tratar da tríplice constituição do ser humano: o corpo, a alma e o espírito. Essas três substâncias, ou componentes do homem, são descritas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Dt 4.9; SI 42.11; 139.16; Dn 7.15; Zc 12.1; Mt 10.28; Lc 1.46,47; 1 Co 14.14,15). Ao longo da história da teologia, a constituição do ser humano tem sido debatida a partir de três principais correntes: Unitarismo (ou Monismo), Dicotomismo e Tricotomismo. Cada uma delas procura responder como a Bíblia descreve a natureza do homem e suas dimensões constitutivas. 1.2.1 Unitarismo ou Monismo. O unitarismo entende que o homem é uma unidade indivisível, sem qualquer distinção entre corpo, alma ou espírito. Para os monistas, o ser humano é apenas um “todo orgânico”, de modo que, após a morte, não existe continuidade da alma ou do espírito. Essa visão é defendida por adventistas do sétimo dia e por correntes materialistas, sendo utilizada como base para negar a imortalidade da alma e a consciência após a morte. Contudo, essa posição carece de sustentação bíblica, pois ignora textos que distinguem claramente entre aspectos materiais e imateriais do homem (cf. Mt 10.28; Lc 16.22–23). 1.2.2 Dicotomismo. O dicotomismo sustenta que o ser humano é formado por duas partes: o corpo (material) e a alma ou espírito (imaterial). Essa corrente parte da observação de que, em algumas passagens bíblicas, os termos alma e espírito parecem ser usados de forma intercambiável (cf. Jo 12.27; Lc 1.46–47). Assim, dicotomistas entendem que ambos designam a mesma realidade interior do ser humano. Embora essa posição reconheça a dimensão imaterial do homem, ela tende a reduzir a riqueza da revelação bíblica ao não diferenciar devidamente as funções da alma (vontade, emoções, intelecto) e do espírito (consciência de Deus e capacidade de comunhão com Ele). 1.2.3 Tricotomismo. O tricotomismo, posição assumida historicamente pelas Assembleias de Deus e por muitos pais da Igreja, defende que o homem é constituído de três partes distintas: corpo, alma e espírito. Essa visão encontra respaldo direto em passagens como 1 Tessalonicenses 5.23 (“o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis”) e Hebreus 4.12 (que fala da “divisão da alma e do espírito”). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma: Entendemos que o ser humano é constituído de três substâncias, uma física, corpo, e duas imateriais, alma e espírito. Exemplo dessa constituição nós temos no próprio Jesus. Essa doutrina é chamada tricotomia. Cristo é apresentado nas Escrituras com essas três características distintas e essenciais: “todo o vosso espirito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis […]” (1Ts 5.23); “[…] e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas” (Hb 4.12). Em 1 Coríntios 2.14-16; 3.1-4, o apóstolo Paulo mostra o homem “natural,״ termo que literalmente quer dizer “pertencente à alma,״ o homem carnal e o homem “espiritual.״ Por essas passagens do Novo Testamento, a natureza humana consiste numa parte externa, o corpo ou a carne, chamada “homem exterior” e uma parte interna, denominada “homem interior”, composta do espírito e da alma. (SOARES, 2017, p. 78). 1.3 Físico e espiritual. A LIÇÃO DIZ: O processo formativo usado pelo Criador, que é Espírito (Jo 4.24), foi constituído de uma combinação única: o elemento físico (pó da terra) com o elemento espiritual (o sopro divino), tornando o homem um ser vivente diferente de todos os demais. Os anjos são seres espirituais, porém sem corpo material (SI 33.6; Hb 1.13,14). Os animais não possuem a parte imaterial que há no homem (alma e espírito). A “alma” do animal (sua vida) se restringe ao corpo e se esvai com ele (Lv 17.12-14). Já o termo hebraico para “vida”, em Gênesis 2.7, alusivo ao homem, é chayim (no plural), permitindo a expressão literal “fôlego das vidas”. Isso pode significar que, em um único substantivo, o texto sagrado esteja aludindo implicitamente à vida do espírito humano, da alma humana e do corpo humano. A Escritura apresenta a criação do homem como ato singular e culminante da obra criadora de Deus. Em Gênesis 2.7 lemos: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Este versículo mostra três movimentos distintos: 1.3.1O corpo.Deus formou o homem do pó da terra. Diferente dos demais seres, que surgiram pela ordem criativa (“Haja…”), o homem foi moldado pelas mãos do Criador, indicando cuidado e propósito especial. 1.3.2 O espírito. Deus soprou nas narinas do homem o “fôlego de vidas” (neshamah chayim), que o animou. Esse sopro divino é o que o diferencia de todos os outros seres criados, pois conecta o homem ao próprio Criador. 1.3.3 A alma. o resultado dessa união entre corpo e espírito é a “alma vivente” (nephesh chayah). Ou seja, o homem é uma síntese única: corpo formado da terra, espírito soprado por Deus, tornando-se uma alma consciente, dotada de identidade, emoções e vontade. Assim, a Bíblia apresenta o homem como ser integral, mas com constituição tricotômica: corpo, alma e espírito, em harmonia. Os anjos, segundo a Escritura, são “espíritos ministradores” (Hb 1.14). Eles foram criados por Deus como seres espirituais, poderosos e inteligentes, mas sem corpo físico. 1.3.4 Não possuem a materialidade que caracteriza o ser humano. 1.3.5 Não experimentam as limitações ou necessidades ligadas ao corpo, como fome, dor ou morte. 1.3.6 Embora possam se manifestar em forma visível (Gn 18.2; Lc 24.4), essa não é sua constituição original. O homem, por sua vez, foi criado como ser espiritual-corpóreo: ele é espírito e alma, mas também corpo. Isso o torna único, pois vive na dimensão material e espiritual ao mesmo tempo. Por outro lado, os animais compartilham com o homem o fato de também serem chamados nephesh chayah (Gn 1.21, 24). Isso significa que têm vida, respiração e instinto. Porém, a diferença essencial está no fato de que os animais não receberam o sopro de Deus como o homem. 1.3.7 Os animais têm corpo e alma em sentido biológico (vida, instinto, emoções simples), mas não possuem espírito voltado para Deus. 1.3.8 Não têm consciência moral nem comunhão espiritual com o Criador. 1.3.9 Apenas o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26–27), o que o distingue radicalmente do reino animal. Nota importante: O termo hebraico em Gênesis 2.7 é nishmat chayyim (“fôlego de vida”). A expressão chayyim está no plural, mas não indica “três vidas” literalmente. A ênfase recai em Deus como doador da vida. Nesse uso, o plural é morfológico, enquanto o sentido é semântico-coletivo, comunicando totalidade, intensidade ou plenitude da vida humana. Portanto, chayyim não descreve múltiplas vidas distintas, e sim a natureza integral do ser humano que recebe de Deus o sopro vital.
2. A DISTINÇÃO ENTRE ALMA E ESPÍRITO2.1 A alma. A LIÇÃO DIZ: Do hebraico nephesh e do grego psyché, “alma” é uma das muitas palavras polissêmicas da Bíblia, possui vários significados. Aparece 755 vezes somente no Antigo Testamento. A questão da origem da alma é uma das mais debatidas na história da teologia cristã. Desde os primeiros séculos, diferentes correntes procuraram explicar em que momento e de que forma a alma passa a existir. Três principais teorias se destacam nesse debate: o preexistencialismo, o traducionismo e o criacionismo. 2.1.1 O preexistencialismo. O preexistencialismo ensina que as almas existem antes da concepção do corpo e permanecem em uma espécie de estado celeste até serem unidas ao corpo humano no momento do desenvolvimento embrionário. Essa teoria, embora conhecida desde a Antiguidade, não encontra apoio na tradição ortodoxa cristã. Orígenes, um dos pais da Igreja, defendeu uma forma de preexistência da alma, mas suas ideias foram posteriormente rejeitadas pelos concílios e pela teologia patrística posterior. Tanto católicos quanto protestantes rejeitam a doutrina por carecer de fundamento bíblico e por se aproximar de concepções de reencarnação, típicas de religiões orientais e esotéricas. Atualmente, essa posição é mantida em algumas religiões como o mormonismo, embora com formulações diferentes das tradições orientais. A ausência de apoio bíblico direto e os riscos de sincretismo tornam essa teoria insustentável dentro da fé cristã. 2.1.2 O traducionismo. O traducionismo ensina que tanto o corpo quanto a alma são transmitidos dos pais aos filhos, de modo que a alma é gerada junto com o corpo no ato da concepção. Essa visão tenta explicar a transmissão do pecado original, visto que, se a alma vem diretamente de Deus, como no criacionismo, pareceria problemático justificar a universalidade do pecado humano. Entre os defensores do traducionismo estão Martinho Lutero, William G. T. Shedd, Augustus Strong e Robert D. Culver. Essa teoria tem como mérito a tentativa de manter a unidade do ser humano e de explicar a corrupção herdada de Adão (cf. Rm 5.12). No entanto, muitos críticos observam que o traducionismo tende a materializar a alma e a reduzir a ação criadora de Deus no processo da geração humana. 2.1.3 O criacionismo. O criacionismo é a visão majoritária na tradição cristã e tem sido defendida tanto por católicos como por protestantes, sendo também a posição oficial das Assembleias de Deus. Essa doutrina sustenta que cada alma é criada imediatamente por Deus no momento da concepção, sendo então unida ao corpo em formação. O corpo, conforme Gênesis 2.7, é formado da terra, mas a alma é dádiva direta do Criador. Textos como Eclesiastes 12.7 (“o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”), Isaías 42.5 e Zacarias 12.1 confirmam que é Deus quem forma e concede a vida interior do homem. O criacionismo preserva a distinção entre corpo e alma, valoriza a dignidade da pessoa humana e sublinha a soberania de Deus na criação de cada vida. Ao mesmo tempo, reconhece a participação humana no processo da gestação (Sl 139.13–16), sem negar a intervenção criadora divina que concede a alma como princípio de vida e identidade. Diante dessas três posições, o preexistencialismo deve ser rejeitado por sua incompatibilidade com a revelação bíblica. O traducionismo, embora tenha defensores notáveis, levanta dificuldades em relação à natureza imaterial da alma e à sua relação direta com Deus. O criacionismo, por sua vez, harmoniza melhor os dados bíblicos, afirmando que cada vida é um ato criador de Deus, o que preserva tanto a dignidade humana quanto a responsabilidade do homem diante do Criador. 2.2. O espírito. A LIÇÃO DIZ: Do hebraico ruah e do grego pneuma, o espírito do homem provém de Deus e constitui sua principal dimensão. É por meio dele que mantemos nossa comunhão com o Criador, o Pai dos espíritos, e o adoramos (Hb 12.9; Jo 4.23,24). Junto com a alma, e inseparável dela, compõe a parte imaterial do ser humano. É o “homem interior” que, na linguagem do apóstolo Paulo, aparece algumas vezes em contraste direto com o corpo, o homem exterior (Rm 7.22-25; 2 Co 4.16-18; Ef 3.16-19). Como ensina o pastor Antônio Gilberto, em sua Bíblia com Comentários, “à luz das Escrituras, o espírito é a fonte da vida recebida de Deus. O espírito usa e transmite essa vida à alma, que, por sua vez, a expressa por meio do corpo, utilizando seus sentidos físicos para explorar o mundo exterior e dele receber as necessárias impressões”. São três elementos que formam um único ser ou pessoa. Ao tratar da constituição do ser humano, é comum que alma e espírito sejam confundidos, uma vez que ambos pertencem à dimensão imaterial. Entretanto, a Bíblia estabelece distinções claras entre esses elementos. Em textos como Ec 12.7, Mt 10.28, Ap 6.9, Hb 12.23, Lc 8.55, At 20.10 e 1 Ts 5.23, percebe-se que alma e espírito, embora relacionados, não são sinônimos. Jesus, o Homem perfeito, evidencia essa tríplice constituição. Ele possuía corpo (Hb 10.5), alma (Mt 26.38) e espírito (Lc 23.46). Portanto, qualquer interpretação que dissolva a distinção entre alma e espírito precisa ser revista à luz da totalidade das Escrituras. A alma liga o homem a si mesmo e ao próximo, como sede das emoções, pensamentos e vontades. O espírito, por sua vez, liga o homem a Deus, sendo a esfera da fé, da consciência moral e da adoração verdadeira. A Palavra de Deus é a única capaz de discernir entre essas duas dimensões, como afirma Hebreus 4.12, que fala da “divisão da alma e do espírito”. Certo autor cristão escreveu que “corpo, alma e espírito não são outra coisa que a base real dos três elementos do homem: consciência do mundo externo, consciência própria e consciência de Deus”.
3. A INTERAÇÃO DAS TRÊS DIMENSÕES 3.1 Corpo, afetos e somatização. A LIÇÃO DIZ: O corpo (gr. soma) é a parte material do ser humano, por meio da qual comumente manifestamos os atributos da alma e do espírito. Empregando o vocábulo “coração” (heb. leb; gr. kardia) — uma das principais palavras que o Antigo e o Novo Testamentos usam como sinônimo de alma —, Salomão bem identificou essa interação ao afirmar: “O coração alegre aformoseia o rosto” (Pv 15.13); “O coração com saúde é a vida da carne” (Pv 14.30); “O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos” (Pv 17.22). Identificados como doenças psicossomáticas a partir do século XX, muitos problemas físicos decorrem de crises da alma (e também do espírito, inclusive pecados, cf. SI 31.9,10; 32.1-5). E como se multiplicam em nossos dias! Vamos definir dois termos importantes para nossa compreensão deste subponto: 3.1.1 A expressão somatização pode ser definida como o processo pelo qual conflitos emocionais, tensões psicológicas ou desequilíbrios espirituais se manifestam em sintomas físicos reais. Trata-se da exteriorização corporal de dores ou doenças cuja raiz principal está em estados interiores, como ansiedade, medo, ressentimento, estresse ou falta de perdão. Em termos clínicos, a somatização é observada quando o corpo reage a emoções tóxicas liberando hormônios do estresse (como adrenalina e cortisol), que em excesso produzem desgaste físico, comprometimento imunológico e predisposição a enfermidades psicossomáticas. Do ponto de vista bíblico e teológico, a somatização pode ser entendida como a conexão visível entre a saúde da alma e o estado do corpo. 3.1.2 A doença psicossomática é uma enfermidade física real, mas cuja origem ou agravamento está profundamente relacionado a fatores emocionais e psicológicos. O termo vem da junção de psyche (alma, mente) e soma (corpo), indicando que experiências internas, como estresse, ansiedade, depressão, ressentimento ou traumas emocionais, repercutem diretamente no organismo, produzindo sintomas clínicos mensuráveis. Portanto, doença psicossomática é a manifestação corporal de sofrimentos emocionais e espirituais, revelando a unidade integral do ser humano, no qual corpo, alma e espírito estão inseparavelmente conectados. 3.2 Equilíbrio e saúde. A LIÇÃO DIZ: Da mesma forma que o corpo padece por causa de disfunções da alma e do espírito, estes também sofrem por problemas do corpo, naturais ou não. Assim como emoções e estados espirituais influenciam o corpo, doenças e disfunções físicas também podem repercutir profundamente na alma e no espírito. A fraqueza do corpo pode abalar emoções, gerar crises de fé e comprometer a vida espiritual. 3.2.1O sofrimento físico e seus reflexos na alma. As enfermidades do corpo frequentemente provocam tristeza, angústia e até desesperança. Jó é exemplo clássico: atingido por dores intensas e doença física, chegou a amaldiçoar o dia do seu nascimento (Jó 3.1–3). Da mesma forma, o salmista declarou: “Estou gasto de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito” (Sl 6.6). Aqui, a dor corporal se traduz em aflição da alma, minando emoções boas e o ânimo. 3.2.2A doença corporal e a luta espiritual. Além da esfera emocional, o corpo debilitado pode impactar a fé. Paulo falou do seu “espinho na carne” (2 Co 12.7), que, embora não descrito em detalhes, gerava grande luta espiritual. A enfermidade física levou-o a buscar intensamente a Deus, encontrando na fraqueza a suficiência da graça divina (2 Co 12.9). 3.2.3 O corpo como porta para tentações e limitações. O cansaço, a fome ou a dor podem também se tornar ocasiões de tentação. Jesus foi tentado no deserto justamente após quarenta dias de jejum, quando seu corpo estava fragilizado (Mt 4.2–3). Além disso, limitações físicas podem gerar desânimo, isolamento ou até revolta contra Deus, revelando como o corpo exerce pressão sobre a alma e o espírito. 3.2.4 A esperança bíblica diante da fraqueza corporal. Apesar da influência do corpo sobre a alma e o espírito, a Escritura apresenta esperança. O homem exterior pode se corromper, mas “o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co 4.16). A debilidade do corpo não precisa resultar em destruição da fé, mas pode conduzir a um amadurecimento espiritual. O sofrimento físico, quando entregue a Deus, transforma-se em ocasião de fortalecimento da alma e do espírito. Nota importante: Doenças do corpo podem ser tratadas com recursos médicos, mas doenças da alma e do espírito exigem resposta espiritual: arrependimento, confissão, perdão e reconciliação com Deus.
CONCLUSÃO Ao final deste estudo, compreendemos que o homem não é apenas corpo, nem apenas alma, nem apenas espírito, mas um ser integral, criado à imagem de Deus para refletir a sua glória em todas as dimensões. Quando uma dessas áreas adoece, todo o ser sofre; quando uma delas é restaurada, todo o ser é beneficiado. A verdadeira saúde, portanto, não está apenas em ter um corpo forte, mas em possuir uma alma limpa pelo perdão e um espírito vivo em comunhão com Deus. O maior cuidado que podemos ter é buscar santificação integral, permitindo que Cristo governe corpo, alma e espírito. Assim viveremos de forma plena, até o dia em que seremos apresentados irrepreensíveis diante do Senhor.
EXORTAÇÃO, ARREPENDIMENTO E ESPERAÇA O ministério profético de Jeremias INTRODUÇÃO Neste trimestre, iniciaremos uma jornada pela vida e ministério de Jeremias, o “profeta das lágrimas”. Esta primeira lição foca no momento crucial do seu chamado, revelando um Deus soberano que o conheceu e o separou para uma missão extraordinária antes mesmo de seu nascimento. Em meio a uma nação em declínio espiritual e à beira do juízo, Jeremias foi incumbido de proclamar uma mensagem desafiadora de exortação ao arrependimento, mas também de esperança. Ao estudar a natureza de sua vocação e a mensagem que lhe foi confiada, somos convidados a refletir sobre o propósito divino para nossas vidas. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES O SENHOR Deus me disse: — Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações. (Jr 1.4,5 NTLH). Olhando para Jeremias 1.4–5, percebemos a forma sobrenatural e extraordinária como Jeremias foi vocacionado por Deus. De modo singular, o profeta é chamado pelo Senhor. Contudo, é importante reconhecer que nem sempre o chamado específico de Deus se dá nesses termos. Devemos evitar transformar experiências particulares em doutrina normativa. Há ocasiões em que o chamado acontece de modo natural, ordinário e simples. Isso não diminui a beleza do chamado divino, nem a nossa responsabilidade de obedecê-lo. Recordo a história de Shofia Müller, cuja voz ecoou nas selvas do Amazonas. Ela afirmou: “Eu não vi anjo algum, não tive revelação, nem sonho; ninguém profetizou para mim. Simplesmente li uma ordem e obedeci.” Assim, tornou-se missionária entre tribos indígenas do Amazonas. O que você está esperando? Os céus se abrirem? Um anjo descer? Uma profecia? Deus já nos deu a sua Palavra. Ele pode, sim, chamar de modo extraordinário; porém, não condicione sua obediência a isso. Comece a servir onde você está, disponha-se ao que Ele já revelou e permita que o Senhor amplie o seu ministério no curso da obediência.
RESUMO DA LIÇÃO
Jeremias afirma que foi “conhecido”, “consagrado” e “constituído profeta às nações” ainda no ventre materno (Jr 1.4–5). Trata-se de uma escolha funcional, orientada à missão profética, não de uma declaração soteriológica (eu te salvei antes de você nascer). Em outras palavras, o texto fala da nomeação de Jeremias para o ofício profético, não de uma “eleição incodicional para salvação”. Esse padrão aparece em outras figuras bíblicas: Sansão foi separado desde o ventre para uma missão específica em Israel (Jz 13.5); João Batista seria “cheio do Espírito Santo, ainda no ventre de sua mãe”, como arauto do Messias (Lc 1.15); Paulo reconhece ter sido “separado desde o ventre de minha mãe” para pregar entre os gentios (Gl 1.15–16). Em todos esses casos, a ênfase recai na vocação ministerial. A Escritura mostra que Deus pode eleger alguém para uma tarefa sem implicar conversão pessoal. Ciro é o exemplo clássico: o Senhor o “chama pelo nome”, “o unge” e o utiliza como instrumento para libertar Israel, mesmo sem ele “O conhecer” (Is 44.28; 45.1, 4–5, 13). O texto sublinha a soberania de Deus sobre a história e a instrumentalidade de Ciro para um proposito especifico. Não há evidência bíblica de que Ciro tenha se convertido.
1. A NATUREZA DO CHAMADO DE JEREMIAS 1. 1 A pessoa de Jeremias. A LIÇÃO DIZ: A vida e o ministério de Jeremias são partes de uma mesma história (Jr 1.5). Ele nasceu em uma família de sacerdotes, na cidade de Anatote, nordeste de Jerusalém. A maioria dos estudiosos defende que o seu nascimento se deu entre 650 e 645 a.C., dentro do contexto da reforma espiritual dos dias do rei Josias (Jr 1.2). O texto bíblico diz: Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim. A palavra do Senhor veio a ele no décimo terceiro ano do reinado de Josias, filho de Amom e rei de Judá. Veio também nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até o fim do décimo primeiro ano do reinado de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá. No quinto mês desse ano, os moradores de Jerusalém foram levados ao exílio. (Jr 1.1-3 NAA). Leia com muita atenção os pontos a seguir: 1.1.1 Contexto cronológico. Os detalhes que compõem o cenário da época de Jeremias estão descritos em 2Reis 22—25; 2Crônicas 34—36. 1.1.2 A família de Jeremias (origem sacerdotal, linhagem e expectativas). Jeremias se apresenta como “filho de Hilquias, um dos sacerdotes de Anatote, na terra de Benjamim” (Jr 1.1). Ele nasceu em ambiente sacerdotal: Torá, pureza cultual e o ensino compunham o seu cotidiano (Dt 33.8–10). Em termos sociais, esperava-se que um jovem de família sacerdotal servisse ao culto, instruindo o povo e guardando a santidade do templo (Ml 2.7). Deus muda expectavas. Seu pai e sua podem está educando você para ser um médico, advogado, psicólogo, nutricionista, etc., mas Deus pode ter outros planos para a sua vida. 1.1.3 A cidade de Jeremias: Anatote. Historicamente, Anatote era cidade sacerdotal (cf. Js 21.18). No entanto, nos dias de Jeremias, essa localidade estava associada à memória de Abiatar, deposto por Salomão por favorecer Adonias (1 Rs 2.26–27). A leitura tradicional observa que, se os sacerdotes de Anatote remontam à casa de Abiatar, então Jeremias nasce de um ramo que perdera proeminência em Jerusalém, agora sob liderança zadoquita (1 Rs 2.35). Jeremias, descendente de uma “linhagem inferior” seria usado por Deus como profeta para repreender reis, os sacerdotes zadoquitas, príncipes, líderes e todo o povo. Essa informação traz bastante esclarecimento sobre as tensões vividas no ministério de Jeremias. Deus usa os improváveis. 1.1.4 O perfil emocional de Jeremias (sensibilidade, “confissões”, lágrimas e resiliência). Poucos livros expõem com tanta nitidez a humanidade de um profeta. Jeremias lamenta, intercede, protesta e debate com Deus nas chamadas “confissões” (Jr 11.18–12.6; 15.10–21; 17.14–18; 18.18–23; 20.7–18). A linguagem de queixa e lamento revela um coração pastoral ferido pela idolatria do povo e pela resistência enfrentada, mas firmemente agarrado ao chamado de Deus. Textos-chave delineiam esse perfil: chora pelo povo (Jr 8.18–9:1), a solidão vocacional marcada até pelo celibato como sinal profético (Jr 16.1–4), o fogo interior que impede o silêncio (Jr 20.9) e a força recebida do próprio Deus, que o faz “muro de bronze” (Jr 1.18–19)
1.2 A vida de Jeremias. A LIÇÃO DIZ: A relação de Deus com Jeremias não começou a partir de seu chamado, mas remonta a um período no qual o profeta não tinha consciência de sua própria existência (Jr 1.5). Deus conhecia Jeremias antes que o formasse. A consciência da soberania do Eterno inibiria o profeta de apresentar quaisquer possíveis obstáculos para atender o seu chamado, afinal, Ele conhecia todas as suas limitações. A consagração de Jeremias ocorreu antes de seu nascimento. A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: “Antes de formá-lo no ventre materno, eu já o conhecia; e, antes de você nascer, eu o consagrei e constituí profeta às nações.” (Jr 1.4,5 NAA). O chamado de Jeremias é rico em seu conteúdo doutrinário e prático. Entre seus ensinamentos importantes estão os seguintes: 1.2.1 Deus é o Senhor da vida. Deus formou Jeremias no ventre. Jeremias tinha pais biológicos, é claro, mas o próprio Deus o moldou e o teceu no ventre de sua mãe. Dizer às crianças que perguntam de onde vêm os bebês que eles vêm de Deus é boa teologia. E também não é má ciência. O Senhor da vida usa os processos naturais que ele projetou para plantar a vida humana no útero. 1.2.2 Um feto é uma pessoa. Esse versículo testifica que a relação pessoal entre Deus e seu filho ocorre no útero, ou até mesmo antes. 1.2.3 Todo cristão tem um chamado. Há um chamado geral, é claro, para crermos em Jesus Cristo. Mas todo aquele que crê em Cristo também tem um chamado especial para uma esfera específica de obediência e ministério. Talvez você ainda esteja tentando descobrir qual é o plano de Deus para você. Muitos cristãos desejam saber o que Deus está chamando-os para fazer. Se você não tem certeza, há pelo menos uma que você pode fazer. Faça tudo o que você já sabe que Deus quer que faça. Você não pode esperar estar pronto para o chamado de Deus, ou mesmo para reconhecer o chamado de Deus, a menos que esteja obedecendo ao que o Senhor já revelou. Isso inclui as coisas óbvias, como passar tempo em oração e estudo da Bíblia, servir às pessoas com as quais convive, permanecer ativo na adoração na igreja e ser testemunha de Deus no mundo. Portanto, enquanto aquilo que não é especifico não fica claro por meios ordinários ou extraordinários, natural ou sobrenatural, sua obediência deve coloca-lo em ação. Jeremias sabia o que Deus queria que ele fizesse. No entanto, mesmo depois de receber seu chamado divino, ele ainda era um candidato hesitante: “ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança” (Jr 1.6). Jeremias tinha duas objeções principais quanto a se tornar um profeta: sua falta de eloquência e sua falta de experiência. Parafraseando: “Ahh, espere um segundo, Senhor… sabe esse papo todo de profeta-para-as-nações? Então, não soa como uma ideia tão boa assim. A profecia não é um dos meus dons espirituais. Como o senhor sabe, tirei notas C em retórica na sinagoga. Além disso, sou apenas um adolescente”. As dúvidas de Jeremias encontram um eco no romance de J. R. R. Tolkien, A sociedade do anel. Um hobbit chamado Frodo foi escolhido para ir numa longa e perigosa jornada para destruir o único Anel de poder, uma busca que ele próprio não escolheria. “Não sou talhado para buscas perigosas. Gostaria de nunca ter visto o Anel! Por que veio a mim? Por que fui escolhido?” A resposta dada a Frodo é semelhante àquela que os profetas de Deus frequentemente recebem: “Perguntas desse tipo não podem ser respondidas. […] Pode ter certeza de que não foi por méritos que outros não tenham; pelo menos não por poder ou sabedoria. Mas você foi escolhido e, portanto, deve usar toda força, coração e esperteza que tiver”. Quando Deus faz a seus servos um chamado claro, ele não aceita nenhuma desculpa. Jeremias havia esquecido que Deus não é limitado pela fraqueza humana. O próprio Deus possui todo o necessário para que Jeremias cumpra o seu chamado. Na verdade, capacitar instrumentos fracos para realizar trabalhos duros é o procedimento operacional padrão de Deus. 1.3 O ministério de Jeremias. A LIÇÃO DIZ: Ele nasceu com o propósito de honrar a Deus, representando-o diante do povo (Jr 1.5.7,10,17,18). Os profetas eram levantados pelo Senhor e tinham o dever de transmitir a sua mensagem ao povo com fidelidade. Essa era a sua principal missão, distinguindo assim o verdadeiro profeta do falso (Jr 14.14; 23.16,26,30). No caso de Jeremias, vemos que as expressões “Disse-me o Senhor” e “Ouvi a palavra do Senhor” são recorrentes ao longo de todo o livro e, juntas, refletem a dinâmica do seu ministério. Conforme a Bíblia, os sacerdotes e os profetas exerciam funções distintas, ainda que ambos estivessem vinculados à aliança com Deus. • O Ministério Sacerdotal era hereditário, vinculado à tribo de Levi e à casa de Arão (Nm 3.10; Dt 18.1-5). Sua função central era o culto, o ensino e os sacrifícios. O sacerdote era mediador do povo para Deus, garantindo a reconciliação por meio dos rituais. • O Ministério Profético, em contraste, não dependia de linhagem, mas do chamado direto de Deus.O profeta era porta-voz divino, trazendo palavra viva, muitas vezes acusatória, que confrontava reis, sacerdotes e o povo com sua infidelidade (Am 7.14-15).Enquanto o sacerdote mantinha a ordem, o profeta frequentemente desestabilizava a falsa ordem para chamar os ouvintes à conversão. Assim, se o sacerdote trabalhava no eixo culto–sacrifício, o profeta atuava no eixo aliança–ética, denunciando injustiça, idolatria e conclamando o povo a obediência (Jr 7.22-23). 1.3.1 Chamado Divino. O profeta não se autoproclama, mas é chamado diretamente por Deus para falar em Seu nome. Esse chamado é muitas vezes acompanhado de uma experiência marcante (como Isaías em Isaías 6.1-8 ou Jeremias em Jeremias 1.4-10. 1.3.2 Fidelidade ao Pacto. O ministério profético é profundamente enraizado na aliança entre Deus e Israel. O conteúdo da exortação profética está muito assoado ao conteúdo do livro de Deuteronômio. O profeta autêntico fala em harmonia com a revelação anterior. Ele não contradiz a Lei de Moisés nem inventa uma mensagem nova. 1.1.3 Mensagem de julgamento e esperança. O verdadeiro profeta não suaviza a mensagem: ele anuncia tanto o juízo pelos pecados quanto a esperança da restauração. 1.1.4 Vida Marcada por sacrifício e integridade. Os profetas frequentemente sofrem oposição, perseguição e rejeição. 1.1.5 Confirmação pela realização da Palavra proclamada. De acordo com a tradição bíblica (cf. Dt 18.21-22), a autenticidade de um profeta também se manifesta na realização das palavras que anuncia, não necessariamente de imediato, mas dentro do agir soberano de Deus.
2. A MENSAGEM DE JEREMIAS 2.1 Os dias de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: O profeta desempenhou o seu ministério durante um dos períodos mais sombrios da história de Judá. Jerusalém foi destruída pelo exército babilônico como juízo de Deus, fruto da má escolha do povo em trocar o Senhor, “manancial de águas vivas” por “cisternas rotas, que não retêm águas” (Jr 2.13). Vamos conhecer um pouco os dias nos quais Jeremias profetizou: 2.1.1 Idolatria e sincretismo religioso. O povo abandonou o Senhor, a fonte de água viva, e buscou cisternas rachadas que não retêm água (Jr 2.13). Essa metáfora resume a substituição do culto ao Deus vivo pela adoração de Baal e deuses estrangeiros, muitas vezes acompanhada de práticas vergonhosas nos “altares dos bosques” (Jr 3.6). 2.1.2 Culto vazio e confiança falsa no templo. O chamado Sermão do Templo (Jr 7.1-15) denuncia a crença de que a simples presença do templo garantiria a segurança da nação, mesmo enquanto o povo praticava injustiça, opressão e violência. 2.1.3 Injustiça social e corrupção das lideranças. Jeremias acusa os poderosos de oprimir pobres, órfãos e estrangeiros, enquanto enriqueciam por meio da fraude (Jr 5.26-28). Os profetas e sacerdotes se corromperam, profetizando mentiras e explorando o povo, produzindo um sistema de conluio entre religião e poder. 2.1.4 Falsos profetas e rejeição da palavra de Deus. Um dos pecados mais graves era seguir líderes religiosos que prometiam paz onde não havia paz (Jr 6.14). Esses falsos discursos confortavam o povo em sua rebeldia, afastando-o do arrependimento genuíno. 2.1.5 Quebra da aliança e rebeldia persistente. Israel é descrito como um povo de “coração incircunciso” (Jr 9.25-26), incapaz de fidelidade. Mesmo após repetidos convites ao arrependimento (Jr 3.12-14), Judá preferiu alianças políticas com Egito e Babilônia, em vez de confiar em Javé. 2.1.6 Sacrifício infantil e práticas abomináveis. Jeremias denuncia o sacrifício de crianças no vale de Hinom (Jr 7.31), prática que marca o ápice da degradação religiosa e social, símbolo da completa inversão dos valores da aliança. 2.2 As duas visões de Jeremias. A LIÇÃO DIZ: No momento de seu chamado, Jeremias recebeu duas visões e cada uma com um significado segundo a missão para a qual fora designado pelo Senhor (Jr 1.11.13). A primeira visão foi a de uma vara de amendoeira (1.11). A segunda visão foi a de uma panela a ferver inclinada para o norte. A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: — O que você está vendo, Jeremias? Respondi: — Vejo um ramo de amendoeira. O Senhor me disse: — Você viu bem, porque eu estou vigiando para que a minha palavra se cumpra. Outra vez a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: — O que você está vendo? Eu respondi: — Vejo uma panela fervendo, cuja boca se inclina do Norte para cá. Então o Senhor disse: — Do Norte se derramará o mal sobre todos os habitantes da terra. Pois eis que convoco todas as tribos dos reinos do Norte, diz o Senhor; elas virão, e cada reino porá o seu trono à entrada dos portões de Jerusalém e contra todas as suas muralhas ao redor e contra todas as cidades de Judá. (Jr 1.11-15 NAA). A primeira visão foi de um ramo de amendoeira. Em um jogo de palavras (cf. Am 8.1–2), Deus disse que estava vigiando para ver que sua palavra se cumprisse (v. 12; hebraico šāqēd, “amendoeira”, e šōqēd, “vigiar”). A amendoeira era chamada de árvore “desperta” porque floresce cedo na primavera, enquanto outras árvores permanecem dormentes. Anatote ainda é um centro de cultivo de amêndoas. O propósito da visão era advertir que os anúncios de juízo feitos por profetas anteriores não haviam sido esquecidos. Sempre que Jeremias e o povo de Judá vissem a amendoeira, deveriam lembrar que seu Deus estava vigiando sobre eles, vendo as maldades cometidas e aquilo que era praticado em oculto (5.6; 31.28). Geralmente, aplicamos esse texto de forma positiva em relação ao cumprimento das promessas de Deus de abençoar. Mas, o texto fala de juízo. Deus não deixará a maldade impune. Na segunda visão, que pode ou não ter ocorrido imediatamente após a primeira, Jeremias viu uma panela fervente (literalmente “uma panela soprada”, isto é, uma panela colocada sobre uma chama atiçada pelo vento). Era uma panela de cozinhar (2Rs 4.38) ou um alguidar de lavar (Sl 60.8), objeto comum nas casas israelitas. Jeremias a vira muitas vezes, mas agora a enxergou sob nova luz, como símbolo de juízo iminente. A panela inclinava-se a partir do norte, isto é, em direção ao sul, com o líquido prestes a transbordar. O desastre iminente sobre Judá é comparado ao derramamento do conteúdo de uma panela em ebulição, que escaldaria o povo de Judá. O sentido da visão é inequívoco. Ela retrata a certeza do juízo de Deus que viria sobre Jerusalém por meio de uma invasão inimiga vinda do norte e, portanto, a urgência da mensagem de Jeremias. Numa época em que o poder assírio chegava ao fim com a morte de seu último grande monarca, Assurbanípal, em 627, o povo se inclinava a crer que as ameaças do norte haviam cessado. Ridicularizavam os alertas de perigo feitos por Jeremias. A maioria dos estudiosos já não identifica o inimigo anônimo como citas, mas como babilônios (ver Hc 1.5–11). Geograficamente, a Babilônia ficava a leste de Judá, mas seus exércitos não arriscariam cruzar o deserto arábico inóspito. Em vez disso, seguiriam o rio Eufrates para o norte, até a Síria, e de lá invadiriam Judá pelo norte. No momento da visão, Jeremias não poderia saber que o inimigo do norte seriam os babilônios e seus aliados. 2.3 Destinatário e conteúdo da mensagem de Jeremias. A LIÇÃO DIZ: Jeremias foi enviado ao povo de Judá, Reino do Sul, cuja capital era Jerusalém, embora, há momentos em que ele é visto se dirigindo ao Reino do Norte, Israel, com a capital em Samaria (3.12; 31.2-6,15-22). No que diz respeito ao destinatário, Jeremias é constituído “profeta às nações” (Jr 1.5). Isso significa que, embora sua palavra imediata fosse dirigida a Judá e Jerusalém, seu alcance ultrapassava fronteiras. Os comentaristas ressaltam que essa designação amplia a relevância de sua missão: não se tratava apenas de corrigir os pecados internos do povo da aliança, mas de mostrar que a soberania de Javé envolve todos os povos. No início do livro, fica patente a dimensão universal da palavra profética: Judá seria o foco imediato do julgamento, mas Babilônia, Egito e outras nações também estariam sob o mesmo olhar divino. Assim, Jeremias é chamado a confrontar tanto o povo da aliança que se afastou de seu Deus quanto os poderes estrangeiros que, em sua arrogância, se julgavam autônomos. Quanto ao conteúdo da mensagem de Jeremias, a Bíblia diz: Depois, o Senhor estendeu a mão e tocou na minha boca. E o Senhor me disse: “Eis que ponho as minhas palavras na sua boca. Veja! Hoje eu o constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancar e derrubar, para destruir e arruinar, e também para edificar e plantar.” (Jr 1.9,10 NAA). Sua palavra tem alcance internacional (“nações e reinos”), o que confirma que sua missão vai além das fronteiras de Judá. Ele não é apenas profeta de uma cidade ou de uma tribo, mas intérprete da vontade de Deus para todo o cenário geopolítico de seu tempo. Os seis verbos apresentam um duplo movimento. Os quatro primeiros (“arrancar, derrubar, destruir, arruinar”) descrevem o caráter de juízo da palavra profética. Trata-se de expor o pecado, mostrar a futilidade da confiança enganosa, anunciar a queda de estruturas religiosas e políticas. A mensagem de Jeremias é inicialmente desconstrutiva: desfaz seguranças falsas para abrir espaço ao agir soberano de Deus. Os dois últimos verbos (“edificar, plantar”) apontam para a dimensão construtiva e restauradora da missão profética. A restauração acontece depois que o terreno foi limpo pela disciplina.
3. A MENSAGEM DE JEREMIAS E OS SEUS EFEITOS 3.1 A resposta do povo. A LIÇÃO DIZ: Toda mensagem divina é um chamado e requer uma resposta dos que a ouvem. Diante da mensagem de Jeremias, o povo foi indiferente e maldoso, vindo, inclusive, a persegui-lo. Como o povo reagiu a mensagem profética? 3.1.1 Conspiração. Conterrâneos do profeta planejaram matá-lo para silenciar sua profecia. Deus revelou a trama e pronunciou juízo contra os conspiradores de Anatote (Jr 11.18–23; 12.6). 3.1.2 Agressão física e humilhação pública. Pasur, sacerdote e superintendente do templo, mandou açoitar Jeremias e colocá-lo no tronco, expondo-o à vergonha. O profeta renomeou o agressor como “Terror ao redor” (Jr 20.1–6). 3.1.3 Prisão e tentativa de silenciamento por autoridades religiosas e civis. Após o sermão do templo, sacerdotes, profetas e o povo prenderam-no e exigiram sua morte. (Jr 26.1–24). 3.1.4 Desprezo régio pela Palavra. Jeoaquim queimou, coluna por coluna, o rolo ditado por Jeremias a Baruque, recusando-se a ouvir o chamado ao arrependimento. Deus ordenou reescrever o rolo com “muitas palavras semelhantes” (Jr 36.1–32). 3.1.5 Prisão, espancamento e cárcere. Acusado de deserção para os caldeus, Jeremias foi espancado pelos oficiais e lançado na casa do escrivão Jônatas transformada em prisão. Depois foi transferido para o pátio da guarda, onde continuou a falar em nome do Senhor (Jr 37.11–21).
3.1.6 Cova lamacenta e risco de morte por inanição. Líderes acusaram Jeremias de desmoralizar o povo e conseguiram lançá-lo numa cisterna sem água, apenas lama, para morrer lentamente. Um estrangeiro, Ebede-Meleque, intercedeu junto a Zedequias e organizou o resgate com cordas e trapos, demonstrando a providência de Deus por meios improváveis (Jr 38.1–13). 3.1.7 Coerção pós-queda e deportação forçada ao Egito. Após a queda de Jerusalém, Jeremias exortou o remanescente à obediência. Rejeitaram a Palavra, acusaram-no de falsidade e o levaram à força para o Egito, onde continuou denunciando a idolatria. A tradição judaica posterior menciona sua morte ali, mas a Escritura não registra esse desfecho explicitamente (Jr 40–44; observar 43.1–7; 44.15–19). 3.1.8 Hostilidade social, isolamento e escárnio. Para além dos atos oficiais, Jeremias descreve zombaria, difamação e solidão ministerial, marcas internas de perseguição que acompanham a fidelidade profética (Jr 15.10, 15–18; 15.17; 20.7–10). 3.2 O sofrimento de Jeremias. A LIÇÃO DIZ: A humanidade e as limitações de Jeremias podem ser observadas em seu sofrimento ao longo de sua trajetória. O sofrimento do profeta se manifestou, externamente, na perseguição de seus inimigos (Jr 20.1-3) e nas dúvidas provocadas pela injustiça e a maldade humana. Os sofrimentos de Jeremias e a reação do povo à mensagem profética estão interligados, de modo que o ponto anterior esclarece adequadamente este subponto. Provação por ameaças de morte (11.18–23); provação por isolamento (15.15–21); provação por tortura no tronco (19.14–20.18); provação por prisão (26.7–24); provação por desafio (28.10–16); provação por destruição do rolo (36.1–32); provação por violência e encarceramento (37.15); provação pela fome (38.1–6); provação por correntes (40.1); provação pela rejeição (42.1–43.4). 3.3 O cumprimento das profecias de Jeremias. A LIÇÃO DIZ: Jeremias chorou pela condição espiritual do povo de seus dias (Jr 9.1), antecipando cerca de 600 anos o que Jesus faria em seu ministério terreno (Lc 19.41). Ele falou a respeito da tristeza de Deus pela condição espiritual de seu povo, sobre a iminente destruição de Jerusalém e chamou o povo ao arrependimento. Pregar o arrependimento era a principal missão do ministério de Jeremias (Jr 18.7-11). Parte das profecias dele se cumpriram e parte delas ainda se cumprirão (Jr 33.14-18). O desejo do profeta, de que o povo se convertesse a Deus, será cumprido (Jr 32.38-41). No nível histórico, Jeremias anunciou a queda de Jerusalém, a destruição do templo e o exílio babilônico. Essas palavras se cumpriram de forma visível na invasão de 586 a.C. (Jr 7.14-15; Jr 25.8-11). Também predisse os setenta anos de cativeiro e o retorno do povo, promessa confirmada pelo decreto de Ciro (Jr 29.10). No campo da promessa, Jeremias falou de uma realidade que ia além da restauração política. Ele anunciou a nova aliança, na qual a lei de Deus seria gravada no coração e o perdão seria definitivo (Jr 31.31-34). Anunciou também o “Renovo justo”, descendente de Davi que reinaria com justiça (Jr 33.14-16). Essas palavras apontam para Cristo, em quem a nova aliança é inaugurada e em quem as promessas de justiça e restauração encontram seu cumprimento inicial e final. Assim, Jeremias nos mostra que a profecia é palavra que se cumpre em duas direções: no juízo histórico sobre o pecado do povo e na esperança de uma restauração plena em Deus.
CONCLUSÃO A minha oração é: Que o Senhor arranque em nós as seguranças falsas e plante vida nova, dando-nos coragem para denunciar o pecado com compaixão e anunciar esperança sem maquiar a verdade. Cumpramos o nosso chamado com fidelidade.
Deus diz que ainveja é pecado. Nos textos bíblicos todas as referências sobre a inveja têm uma má conotação. Ela quase sempre é referida como zelo, ciúmes e sempre no mal sentido da palavra.
A inveja é um sentimento forte e mau, que a pessoa tem de querer possuir o que é dos outros. É um sentimento egoísta por parte da pessoa. Há muitos textos que nos aconselham a não sermos invejosos, justamente por ser ele um sentimento mau. A inveja, também está ligada a cobiça, e faz parte dos 10 mandamentos – Êxodo 20:17.
“Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”. – Êxodo 20:17
Este sentimento nos leva a pecar, a fazermos coisas que até podem ser condenadas pela lei. Quando o apóstolo Tiago fala sobre as guerras que acontecem, ele diz que elas são o resultado de um coração invejoso. Por isso, é muito importante tomar cuidado com esse sentimento.
O que a Bíblia nos aconselha quanto a esse sentimento:
Não ter inveja dos que praticam a maldade – Salmos 37:1, Provérbios 23:17.
Não seguir os seus caminhos –Provérbios 3:31.
Ela apodrece os ossos – Provérbios 14:30.
Ela pode ser incontrolável – Provérbios 27:4.
Traz confusão e toda espécie de coisas ruins – Tiago 3:16 descreve que, “Onde há inveja e contenda, aí há perturbação e toda obra perversa”. O versículo enfatiza que a inveja e as ambições egoístas resultam em confusão, desordem e males, contrastando-as com a sabedoria que vem do alto, que é pura, pacífica e cheia de bons frutos.
Ainda que seja um sentimento ruim e difícil de dominar, infelizmente habita dentro de cada um de nós e nos cabe dominá-lo, como qualquer outro sentimento. Entretanto, é sempre bom lembrarmos das palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 2: “considerando os outros superiores a si mesmo.” Quando consideramos os outros, deixamos de pensar só em nós, temos menos inveja e somos duplamente abençoados. Também podemos ser alvo de inveja. A inveja de outra pessoa pode causar problemas em nossa vida, quando essa pessoa se vira contra nós e tenta nos fazer mal. Mas a Bíblia diz que a vingança não é a solução. Devemos orar por quem nos persegue e mostrar amor (Lucas 6:27-28). Assim, todos verão que nossa causa é justa e a pessoa com inveja poderá até se arrepender ao ver nossa atitude.
Algumas pessoas na Bíblia que tiveram problemas por causa da inveja:
Raquel, por não poder ter filhos, culpando o seu maridoJacó – Gênesis 30.
José, quando foi vendido pelos seus irmãos porque era o preferido do seu pai Jacó– Gênesis 37.
David, quando veio da batalha contra os filisteus, a sua fama se espalhou pelo reino, levando Saul a tentar matá-lo – 1 Samuel 18.
David, quando possuiu Bate-Seba, mulher de Urias, levando-o também a mandar matar o marido – 2 Samuel 11.
Judas e os fariseus quando entregaram Jesus às autoridades – Mateus 27:18.
A inveja é vista na Bíblia como um sentimento reprovável. Este sentimento vem de dentro do próprio homem e o contamina (Marcos 7:22, Romanos 1:29).
Fazer acepção de pessoas significa tratar certas pessoas de maneira diferente, usando medidas diferentes para julgar. A Bíblia condena a acepção de pessoas, porque diante de Deus todos são iguais. Deus julga a todos com imparcialidade.
A acepção de pessoas (ou parcialidade, ou fazer diferença entre pessoas) é errada, porque é arbitrária. Em vez de usar a mesma medida, alguém favorece ou desfavorece certas pessoas, criando regras diferentes somente por causa de suas preferências pessoais. Fazer acepção de pessoas é negar a justiça (Tiago 2:9).
A justiça de Deus e a acepção de pessoas
Deus não faz acepção de pessoas. Suas leis são justas e imparciais, sem fazer distinções injustas. Não é possível subornar a Deus nem torcer Sua justiça (2 Crônicas 19:7). Debaixo da lei de Deus, todos pecaram e merecem castigo eterno. Da mesma forma, todos que se arrependem e creem em Jesus recebem a salvação (Romanos 3:23-24). Deus é sempre justo e também ama a todos de forma igual, oferecendo a salvação a todo que crê.
Deus não julga pelas aparências. Ele julga o coração e vê aquilo que realmente define o caráter de uma pessoa (1 Samuel 16:7). Presente na Bíblia, afirma que Deus não olha para a aparência ou altura de um homem, mas para o seu coração, contrastando a visão humana com a divina. A passagem explica que o homem vê as coisas exteriores, enquanto o Senhor vê o interior, como demonstrou ao rejeitar um dos filhos de Jessé e escolher Davi como o futuro rei de Israel.
A acepção de pessoas na vida cristã.
Como seres humanos, nós temos tendência para olhar apenas para as aparências. Mas, com a ajuda de Jesus, podemos aprender a ver além das aparências. Não devemos fazer acepção de pessoas.
É sempre mais fácil favorecer pessoas como nós (ou que admiramos), rejeitando quem é diferente. Mas Jesus veio para destruir as barreiras e unir todo tipo de pessoas em Deus (Gálatas 3:26-28). Nossas diferenças superficiais já não são importantes! Todos temos algo em comum: o amor de Jesus Cristo. A Bíblia diz que fazer acepção de pessoas é pecado. Muitas vezes os ricos são favorecidos e os pobres são desprezados somente por causa de seu dinheiro, seus bens materiais e sua roupa. Mas a Bíblia ensina que os pobres têm dignidade e os ricos não têm motivo para se sentirem superiores. Todos merecem o mesmo respeito e o mesmo amor (Tiago 2:2-4).
Nossa dignidade não vem de nossas condições sociais, econômicas, políticas… Nós temos dignidade porque Deus nos ama. E nisso somos todos iguais.
Vamos ser honestos, nem sempre é fácil conviver com outras pessoas. Ninguém é perfeito, nem mesmo o cristão mais espiritual! Todos cometemos erros. Mesmo assim, somos chamados a viver em comunhão com nossos irmãos cristãos.
O desejo de Jesus para sua Igreja é a união. Com todos os nossos defeitos e fraquezas, nós precisamos uns dos outros. Quem acha que pode ser cristão e seguir Jesus sozinho está muito enganado! Viver em comunhão é uma ordem de Jesus (e uma grande bênção). Somente somos Igreja quando estamos juntos.
A comunhão com nossos irmãos na fé traz vários benefícios:
1. Encorajamento
Hebreus 10:25
Quando estamos sozinhos e isolados, facilmente caímos no desespero diante das dificuldades da vida. Vêm as dúvidas: será que consigo superar os problemas? Jesus vai mesmo me ajudar?Vale a pena seguir Jesus? E tantas outras perguntas, que abalam nossa fé e nos enfraquecem. Mas quando temos comunhão com nossos irmãos, encontramos encorajamento! Juntos, podemos partilhar nossas experiências e lembrar uns aos outros sobre quanto Deus tem feito. Para as dúvidas que uma pessoa tem, outra pessoa pode ter a resposta. E, quando temos comunhão, encontramos mais motivação para continuar, porque vemos que não estamos sozinhos.
Edificar significa construir. Quando vivemos em comunhão com nossos irmãos, ajudamos uns aos outros a crescer e a ficar maduros. Em Jesus, todos estamos unidos, como os membros de um corpo. Assim como um membro não consegue viver e crescer sem o resto do corpo, nossa vida espiritual definha sem comunhão com nossos irmãos. Se queremos crescer, precisamos ter união com outros cristãos.
Gálatas 6:2 “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”. Este versículo, escrito pelo apóstolo Paulo, exorta os cristãos a apoiarem-se mutuamente, partilhando as dificuldades, os fardos e os pesos que a vida lhes impõe, cumprindo assim a lei de Cristo, que é o amor ao próximo.Ser cristão não é fácil! Enfrentamos muitos desafios, dificuldades e tentações. Mas, em Jesus, encontramos a ajuda que precisamos para vencer. Em muitas situações, ele usa outros cristãos para nos ajudar. Todos somos chamados a ajudar uns aos outros. Em vez de enfrentar todos os desafios sozinhos, podemos partilhar a carga com nossos irmãos, agindo em solidariedade.
4. Força
Provérbios 27:17 “Como o ferro afia o ferro, assim o homem afia o seu companheiro”, ensina sobre o valor das relações humanas, especialmente as amizades, para o crescimento e aprimoramento pessoal e espiritual. Assim como duas lâminas de ferro se tornam mais afiadas ao serem friccionadas uma na outra, as pessoas se tornam mais maduras e fortes através do convívio e da interação com outros amigos verdadeiros que as incentivam.A união faz a força! Ter comunhão com outros cristãos, crescendo juntos em Cristo, nos fortalece espiritualmente. Quando um cai, o outro ajuda a levantar e aprendemos juntos como enfrentar as dificuldades da vida.
Até os apóstolos mais experientes viajavam em equipe. Eles sabiam que juntos tinham mais força e segurança. Uma igreja unida pode fazer muito mais que vários cristãos separados, que não têm comunhão.
5. Amor
João 13:35 é um versículo bíblico que afirma: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Esta passagem, parte do mandamento de Jesus aos seus seguidores, destaca que é através do amor mútuo que o mundo os reconhecerá como discípulos de Cristo.O amor é a melhor parte de ter comunhão com os irmãos na fé. Quando temos comunhão, partilhamos nossa vida com nossos irmãos, ganhamos intimidade e aprendemos a amar de verdade. O amor perfeito de Jesus se expressa em nossos relacionamentos.
Não queremos seguidores de instituições; queremos discípulos livres, comprometidos com a verdade de Jesus e com a missão de ensinar tudo o que Ele ordenou.
A busca pela verdade é uma das maiores aspirações do ser humano. É nessa jornada, de mergulhar na essência do que é real e absoluto, que encontramos a promessa de liberdade nas palavras de Jesus registradas no evangelho de João 8:32:
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
“A verdade é tão antiga quanto Deus. No entanto, para nós, ela sempre é nova”.
Em outras palavras, a verdade é eterna, mas nossa compreensão dela está sempre em expansão, se estamos abertos a isso.
Este artigo é uma exploração desse versículo notável em que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará nos permitirá entrar em uma jornada através de sua gênese histórica, seu contexto bíblico e sua aplicação prática em diversas áreas da vida.
Desvendaremos o significado profundo da passagem conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, além de trazer reflexões e aplicações parameditação pessoal, identidade em Cristo, família, pequenos grupos, discipulado, evangelização, e até mesmo para as crianças. Nossa busca pela verdade, no contexto deste versículo, nos leva a uma compreensão mais profunda do amor de Deus e da nossa liberdade em Cristo. Nos convida a confrontar as mentiras que podem ter se infiltrado em nossas vidas e a abraçar a verdade que tem o poder de nos libertar. Ao longo deste artigo, você encontrará perguntas para reflexão e meditação, ideias para aplicação prática e uma rica análise do contexto bíblico e teológico desta passagem.
Portanto, com corações e mentes abertos, vamos juntos embarcar nesta jornada inevitável em busca da verdade e da liberdade que ela oferece.
Estudo de João 8
Iniciar nosso estudo compreendendo o autor do evangelho, João, nos levará a uma compreensão mais profunda da verdade apresentada em João 8:32:conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. João, também conhecido como o discípulo amado, era um dos doze apóstolos de Jesus e um testemunho de primeira mão dos eventos que ele registrou. João era pescador de profissão, e ao lado de seu irmão Tiago, foi chamado por Jesus para ser pescador de homens. Sua proximidade com Jesus é evidente em seu evangelho, que é caracterizado por uma compreensão profunda e pessoal do ministério e ensinamentos de Jesus. Ao explorar a estrutura literária do autor, observamos que João frequentemente usa um estilo de narrativa cheio de simbolismo e metáforas, com ênfase nas conversas de Jesus com indivíduos e grupos. Ao contrário dos sinópticos, João se concentra menos em parábolas e mais em discursos extensos e diálogos íntimos. As palavras de Jesus em João 8:32 são parte de um discurso mais amplo, onde Jesus aborda temas de liberdade, verdade, identidade e filiação.
Contexto Histórico e Cultural
O contexto histórico e cultural em que João escreveu é crucial para a compreensão deJoão 8:32 e também de conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. O Evangelho de João foi escrito em um tempo de crescente tensão entre a igreja emergente e o judaísmo da época. João estava escrevendo para uma comunidade de crentes que estava sendo expulsa das sinagogas e experimentando crescente perseguição.
Nesse contexto, as palavras de Jesus conhecereis a verdade e a verdade vos libertará teriam tido um impacto profundo.
“As conversas íntimas registradas por João são o reflexo da própria vivência com Jesus. João cria um espaço onde os leitores podem se sentir como se estivessem pessoalmente presentes nestas interações”.
Isso enfatiza que as palavras de Jesus emJoão 8:32 não são meras proposições abstratas, mas verdades para serem vividas e experimentadas na vida cotidiana.
Portanto, ao aprofundarmos em João 8, até chegar a conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, é importante que mantenhamos esses aspectos da autoria, estrutura literária e contexto em mente. Eles nos ajudam a entender por que a verdade que Jesus nos chama a conhecer e que nos libertará é muito mais do que uma ideia abstrata, é uma verdade vivida e experimentada, uma verdade que tem a ver com nossa própria identidade e relação com Deus.
Contexto de João 8:32
João 8 é um capítulo repleto de confrontos e revelações.
O diálogo entre Jesus e os fariseus, em particular, é iluminado pela afirmação de Jesus:
“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
Nos versículos anteriores, Jesus está ensinando no templo. Ele tem discutido com os fariseus, líderes religiosos da época, que questionam a sua autoridade e linhagem.
Em meio a esse conflito, Jesus declara que ele é a luz do mundo (João 8:12) e afirma que, antes que Abraão existisse, Ele é (João 8:58). É nesse ambiente carregado que Jesus declara: “Se vocês seguirem os meus ensinamentos, serão verdadeiramente meus discípulos. Então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32).
Além disso, a “verdade” mencionada por Jesus, não é uma mera informação objetiva ou um conjunto de regras. Portanto, conhecer a verdade é sinônimo de conhecer a Cristo e abraçar seu ensinamento. Após o versículo 32, vemos que os fariseus reagem à afirmação de Jesus com resistência e incredulidade. Eles afirmam que nunca foram escravos de ninguém, ignorando a escravidão espiritual à qual estão presos. Jesus responde a eles, em João 8:34-36:
“Todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado. O escravo não permanece para sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.
Ao explorar o contexto amplo da Bíblia, vemos que a promessa de liberdade através da verdade, presente em conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, não é um tema isolado, mas ecoa em toda a Escritura.
Vejamos como essa promessa se manifesta em outros versículos:
A verdade permanece em nós e estará conosco para sempre.
Portanto, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, sendo que a verdade que é Cristo, nós não só encontramos liberdade, mas também descobrimos nosso verdadeiro propósito. A liberdade de Cristo não é meramente libertação da escravidão do pecado, mas também a liberdade de viver a plenitude da vida em Deus, conforme João 10:10 enfatiza:
“Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”.
Assim, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, não é apenas uma promessa, mas uma realidade transformadora que tem o poder de mudar nossas vidas.
Desvendando Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará
Ao explorarmos a frase conhecereis a verdade e a verdade vos libertará em seu original grego koiné, nos deparamos com nuances significativas que acrescentam profundidade à nossa compreensão.
“Estamos tão ocupados em ouvir várias vozes que negligenciamos a única voz que importa”.
Nessa perspectiva, a liberdade mencionada em conhecereis a verdade e a verdade vos libertará é a liberdade de nos afastarmos das vozes enganosas do mundo e nos atermos à única voz que traz a verdade real – a voz de Deus.
Portanto, ao falarmos sobre a verdade que liberta, estamos nos referindo a uma verdade específica e absoluta – a verdade de Deus, como revelada em Jesus Cristo, que tem o poder de nos libertar de todas as mentiras, enganos e limitações que nos prendem.
Contexto Teológico da Verdade que Liberta
Conforme explica Wayne Grudem em sua Teologia Sistemática, a verdade de Deus, revelada em Jesus Cristo, é a verdade absoluta e final sobre todas as coisas.
Ao contrário das verdades relativas do mundo, que podem mudar e evoluir ao longo do tempo, a verdade de Deus é eterna e imutável.
Para corroborar isso dentro de conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, encontramos em Hebreus 13:8 que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre”.
Em outras palavras, a verdade que Ele revela – a verdade que conhecemos e que nos liberta – não muda com o passar do tempo ou com as variações culturais. Ela é constante, absoluta e poderosa em sua capacidade de nos libertar. Em outras palavras, nosso conhecimento e compreensão da verdade de Deus têm um impacto profundo em como vivemos nossas vidas e em como experimentamos a liberdade que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará nos proporciona.
Em conclusão, a verdade que conhecemos e que nos liberta, conforme prometido por Jesus em João 8:32, é a verdade de Deus revelada em Jesus Cristo. É uma verdade absoluta e imutável que tem o poder de nos libertar de todas as falsidades e limitações, e nos conduzir à verdadeira liberdade. Como seguidores de Jesus, somos convidados a mergulhar nessa verdade, a vivê-la plenamente e a experimentar a liberdade que ela proporciona.
Aplicação na Prática para Meditação
É através da meditação do Evangelho que a verdade revelada na palavra de Deus se torna realidade viva em nossas vidas.
Em nosso contato íntimo com o Senhor, através da oração e da reflexão sobre Sua palavra, é que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará adquire um significado pessoal e transformador.
Mas como conduzir a meditação sobre essa promessa?
Aqui estão algumas perguntas para você levar a Deus:
Senhor, quais são as mentiras que eu acredito e que estão me impedindo de experimentar a verdadeira liberdade em Cristo?
Deus, em que áreas da minha vida eu ainda não conheci a verdade de Cristo que liberta?
Senhor, como eu posso viver de forma mais profunda e realista a liberdade que a verdade em Cristo oferece?
Agora, consideremos as promessas que Deus nos manifesta nesta passagem e como elas podem nos ajudar a responder a essas perguntas:
Perguntas
Promessas em João 8:32
Quais são as mentiras que acredito?
A verdade em Cristo é mais poderosa do que qualquer mentira. Jesus nos promete que se nos voltarmos para Ele e Sua palavra, seremos capazes de discernir a verdade das mentiras.
Em que áreas ainda não conheci a verdade de Cristo?
Jesus promete que a verdade é acessível para nós. Ele mesmo se descreveu como “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Portanto, qualquer área de nossa vida que ainda não experimentou a verdade pode ser iluminada pela luz de Cristo.
Como viver de forma mais profunda a liberdade em Cristo?
Jesus nos garante que a verdade liberta. Portanto, quanto mais buscamos e acolhemos a verdade de Cristo em nossas vidas, mais experimentamos a liberdade que Ele oferece.
Lembre-se, as promessas de Deus são eternas e poderosas.
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará é mais do que um simples versículo bíblico, é uma chave que destranca as portas de uma vida plena e liberta em Cristo.
Aplicação para nossa Identidade em Cristo
A nossa identidade em Cristo é moldada pela verdade que aprendemos e aceitamos. Quanto mais conhecemos a verdade de Deus, mais nos libertamos das amarras do pecado e das mentiras que o mundo tenta nos impor. Ao entendermos essa verdade, percebemos que somos filhos amados de Deus (1 João 3:1), comprados por alto preço (1 Coríntios 6:20), e feitos novas criaturas em Cristo (2 Coríntios 5:17). Esta verdade, presente na afirmação conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, nos define e molda nossa identidade em Cristo, permitindo-nos viver com a liberdade e a alegria que somente a verdade de Deus pode oferecer.
Agora, o que podemos aprender e aplicar a partir do mandamento de Jesus em João 8:32?
Mandamento em João 8:32
Aplicação Prática
“Conhecereis a verdade”
Estudar e meditar na Palavra de Deus diariamente para descobrir a verdade que Ele revela.
“E a verdade vos libertará”
Aplicar a verdade de Deus em todas as áreas da nossa vida, deixando que ela nos liberte de falsas identidades, medos e pecados que nos aprisionam.
Essas aplicações não são tarefas que cumprimos e esquecemos, mas sim um estilo de vida. Cada vez que mergulhamos na Palavra de Deus, encontramos novos aspectos da verdade que nos ajudam a viver com mais liberdade e a refletir mais completamente a imagem de Cristo.
Por fim, lembremos do que Paulo nos disse em Efésios 4:15:
“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.”
Nossa identidade em Cristo está diretamente ligada ao nosso entendimento e aplicação da verdade em nossas vidas. E quando permitimos que a verdade de Deus modele nossa identidade, somos libertados para viver como Ele nos criou para viver – em amor, alegria, paz e liberdade.
Aplicação para Discipulado
A jornada do discipulado é uma viagem de transformação, na qual o seguidor de Jesus é moldado e refinado à imagem do Mestre. Em meio a esse processo, a verdade assume um papel vital. A verdade de Deus, descoberta e aceita, serve como um farol que ilumina o caminho do discípulo, direcionando-o para a liberdade verdadeira e duradoura. No entanto, essa viagem nem sempre é fácil.
Nós, como discípulos, enfrentamos inúmeras situações que podem obscurecer nossa visão e distorcer a verdade.
Portanto, é crucial lembrar e aplicar a promessa de Jesus em João 8:32 em cada aspecto de nossas vidas.
Áreas da Vida de um Discípulo
Aplicação de João 8:32
Relações Pessoais
A verdade de Deus pode nos libertar de padrões prejudiciais de relacionamento, permitindo-nos amar a nós mesmos e aos outros de maneira mais saudável e alinhada com a vontade de Deus.
Perspectiva de Si Mesmo
Ao reconhecer a verdade de nossa identidade em Cristo, somos libertados de mentiras prejudiciais sobre nós mesmos e nossa autoestima é restaurada.
Tomada de Decisão
A verdade de Deus serve como uma bússola, guiando nossas decisões de acordo com a vontade divina e nos libertando do medo e da indecisão.
Relacionamento com Deus
Compreender a verdade sobre quem Deus é nos liberta de concepções errôneas e nos aproxima de um relacionamento íntimo e autêntico com o Criador.
Serviço no Reino de Deus
A verdade nos liberta para servir a Deus e aos outros com um coração puro e um propósito claro, desimpedido por falsas motivações ou falsa humildade.
Na política e nos negócios, pessoas ambiciosas tendem a sobressair. Os poderosos fazem de tudo para manter domínio. Processos eleitorais, manobras legislativas e negociações comerciais envolvem competições e a vontade de ganhar vantagens sobre os outros.
Infelizmente, as mesmas tendências ambiciosas aparecem no contexto espiritual, onde pessoas motivadas por poder ou dinheiro procuram oportunidades para subirem. Hoje, essas tendências se tornam evidentes no desejo de alcançar posições de honra, frequentemente acompanhadas por títulos de destaque e autoridade sobre os outros.
As ambições egoístas são contrárias aos princípios que devem governar o serviço espiritual. Refletem três atitudes erradas:
(1) Uma perspectiva distorcida de Deus. “Eu sou o Senhor: este é o meu nome. Não darei a mais ninguém a minha glória, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Isaías 42:8). Quando criaturas tomam para si a glória que pertence a Deus, assumem a posição de ídolos condenados pelo Criador. Seres humanos não têm direito de receber a honra destinada exclusivamente ao Senhor: “a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Efésios 3:21).
(2) Uma atitude errada sobre os outros. O desejo de dominar sobre os outros é carnal e mundano, e não caracteriza o verdadeiro servo do Senhor. Jesus foi muito claro em repreender as ambições dos seus discípulos: “Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: — Vocês sabem que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Mas entre vocês não será assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vocês, que se coloque a serviço dos outros; e quem quiser ser o primeiro entre vocês, que seja servo de vocês; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:25-28). Ele condenou o uso de títulos de exaltação (Mateus 23:8-12).
(3) Uma opinião incorreta de si mesmo. Quando olhamos de maneira errada para Deus e para os outros seres humanos, é inevitável uma perspectiva errada de nós mesmos. Jesus não deixou espaço para essa auto exaltação: “Assim também vocês, depois de terem feito tudo o que lhes foi ordenado, digam: ‘Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer’” (Lucas 17:10).
Devemos rejeitar a ambição egoísta, pois somos criaturas de Deus e servos dos outros.
Nunca é tarde para aprender quando se trata de crescer na graça. No fim de sua segunda carta, as últimas palavras do idoso apóstolo Pedro para a igreja e seus leitores foram: “Cresçam, porém, na graça.” Crescimento que não está atrelado ao tempo como naturalmente está o crescimento físico. Não é automático. É um processo, uma jornada. Há uma vontade de conhecer melhor a Deus. Crescer toma tempo. Trabalhando no interior do Rio Grande do Sul, encontrei-me certa vez com o pastor Roberto Rabelo, nos seus últimos anos de atividade. Alma grande, quando falava, deixava fluir a riqueza de sua experiência. Naquela noite de domingo, o auditório e o público não eram grandes, mas nem por isso ele deixou de servir um banquete em sua mensagem. No fim, contou a seguinte alegoria:
Um jardineiro tinha em seu jardim plantas e flores lindíssimas. No meio do roseiral de que cuidava, havia um espinheiro-bravo que dizia para si mesmo: “O que será que estou fazendo aqui neste lugar? Sou um espinheiro-bravo e estou tornando feio o jardim!” Mas um dia ele percebeu que o jardineiro-mestre se aproximou, fez um pequeno corte em seu caule e enxertou nele o talho de uma roseira. Pensou ele: “Será que ele não percebe que eu sou um espinheiro-bravo? O que será que ele está querendo fazer comigo?” Conta a alegoria que logo depois que aquele talho tinha sido enxertado, floresceu uma roseira viçosa, bonita, cheia de vida, com flores bem maiores e bonitas que as demais rosas do roseiral. O jardineiro, sabendo do sentimento que estava começando a tomar conta do coração do espinheiro, disse: “A beleza não vem de ti, mas do que eu coloquei em ti.” Que verdade tão bonita! Não devemos desanimar se ainda existem áreas espinhosas em nossa vida, nas quais nada floresce. Jesus nos encontrou e nos transformou, por isso, independentemente de onde tenhamos vindo ou de quem tenhamos sido, somente Ele pode tirar e fazer crescer de dentro de nós o mais belo que existe. É somente nEle que podemos crescer. “Nosso crescimento na graça, nossa felicidade, nossa utilidade – tudo depende de nossa união com Cristo. É pela comunhão com Ele, todo dia, toda hora – permanecendo nEle – que devemos crescer na graça” (Caminho a Cristo, p. 69).
Faça isso no dia de hoje e ore comigo agora:
Por favor, Pai, eu preciso crescer na Tua graça, passar tempo contigo, imitar-Te, fazer a Tua vontade em toda e qualquer circunstância. Por favor, me ajude para isso. Tome conta de todas as coisas! Em nome de Jesus, amém!
Na quinta-feira (18/09/2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, no Palácio do Planalto, que o Novo PAC Seleções destinará R$ 11,7 bilhões para obras de drenagem urbana e contenção de encostas em 235 municípios de 26 estados. O programa busca reduzir a vulnerabilidade de populações em áreas de risco e reforçar a capacidade do país de responder a eventos climáticos extremos.
Declarações do presidente e objetivos do programa
Durante o anúncio, Lula afirmou que o governo pretende recuperar condições de dignidade para comunidades de morros e encostas, historicamente afetadas pelo êxodo rural e pelas dificuldades habitacionais, educacionais e de emprego. O presidente ressaltou que a iniciativa busca ampliar a segurança e qualidade de vida de milhões de brasileiros.
Distribuição de recursos e obras selecionadas
As obras de contenção de encostas receberão R$ 1,4 bilhão em 102 municípios, enquanto as intervenções de drenagem urbana somam R$ 10,3 bilhões em 174 municípios. Os recursos provêm do Orçamento Geral da União (OGU) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Entre os empreendimentos destacados estão macrodrenagens em Duque de Caxias (RJ) – R$ 554 milhões e Camaçari (BA) – R$ 240 milhões, além de contenções de encostas em Santarém (PA) – R$ 38 milhões, São Bernardo do Campo (SP) – R$ 78 milhões e Olinda (PE) – R$ 42 milhões.
Comparativo de investimentos e postura governamental
O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou que o investimento em prevenção a desastres naturais passou de R$ 6,9 milhões em 2023 para valores significativamente maiores no atual governo, evidenciando mudança de postura administrativa. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, informou que, considerando as chamadas de 2023 e 2024, o total aplicado em drenagem e contenção chega a R$ 25 bilhões.
Alcance e abrangência do programa
A partir desta fase, o Novo PAC passa a investir R$ 25,8 bilhões em mais de 600 obras de drenagem e contenções de encostas selecionadas entre 2023-24 e 2025. A edição de 2025 prevê investimentos de R$ 49,2 bilhões em quatro eixos: Saúde; Educação, Ciência e Tecnologia; Infraestrutura Social e Inclusiva; e Cidades Sustentáveis e Resilientes. Ao todo, 5.537 municípios enviaram 35.119 propostas, representando 99,4% do total de municípios brasileiros.
Histórico das seleções e impacto esperado
Na primeira seleção do Novo PAC 2024, foram destinados R$ 1,7 bilhão a obras de contenção em 91 municípios com risco recorrente de deslizamentos, contratadas até julho de 2024. Em drenagem urbana sustentável, R$ 15,3 bilhões foram aplicados em 190 municípios críticos, reduzindo o risco de inundações, enxurradas e alagamentos recorrentes, incluindo recursos destinados a desastres no Rio Grande do Sul.
O Ministério da Cultura divulgou o resultado final do Programa Rouanet da Juventude. Foram selecionados 32 projetos de 16 estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e mais o Distrito Federal. Juntos, eles vão receber mais de 6 milhões de reais.
O Rouanet da Juventude visa impulsionar a produção cultural de jovens brasileiros, com idades entre 15 e 29 anos. Os projetos selecionados são para ações formativas em áreas que vão do audiovisual e artes cênicas à música, humanidades e patrimônio cultural.
A iniciativa do MinC tem como objetivo abrir oportunidades para que jovens de diferentes realidades possam transformar suas vidas por meio da arte. “Uma parceria com a Shell Brasil que acreditou na proposta de que é possível oferecer a jovens brasileiros a possibilidade de receber uma atividade de formação artística. Serão jovens que, no futuro, se tornarão agentes culturais do nosso país”, ressalta o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Henilton Menezes. Além de destinar recursos para o setor cultural, o programa Rouanet da Juventude vai estimular o investimento em regiões historicamente menos contempladas com financiamentos. A ação é um passo importante para nacionalizar os investimentos culturais, apoiando comunidades quilombolas, indígenas, LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência e moradores de periferias. Para Henilton, o resultado do programa Rouanet da Juventude é a comprovação de que é possível, sim, nacionalizar os recursos da Lei Rouanet. “Com este programa estamos levando formação para jovens brasileiros e brasileiras de municípios pequenos, em especial das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, afirma. Mais da metade dos projetos será realizada em cidades do interior como nos municípios de Gravatá, em Pernambuco; Trindade e Itaberaí, em Goiás; Manacapuru, no Amazonas; Cuité, na Paraíba; e Laranjal do Jari, no Amapá.
Para saber quais as propostas selecionadas, basta acessar o site do Ministério da Cultura.
A evangelização é vital para a igreja, pois cumpre a missão divina de partilhar as “boas novas” de Deus, levando a salvação e a transformação de vidas através do anúncio da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Esta tarefa, não restrita a clérigos, mas a todos os cristãos, revela o amor de Deus, obedece ao mandato de Jesus e proporciona a oportunidade de fé e vida eterna a todos, glorificando a Deus e aumentando o amor ao próximo.Não há liderança sem influência. Como líderes cristãos, precisamos ser uma boa influência, compartilhando a influência que Jesus tem em nós.
A igreja, desde sua fundação, é social, e está inserida e envolvida com a sociedade de forma a trabalhar e se envolver. Ao retornarmos à fundação da Igreja, olhando para o Livro de Atos, podemos perceber que a Igreja Primitiva, formada por judeus, gregos, romanos, realizava sua ação social junto as pessoas. “No seu conceito de ação na sociedade, […] a vida em comum naquela igreja era tão valorizada que se destacou pela assistência oferecida as pessoas.”
As bases da crença evangélica
Os evangélicos costumam enfatizar a necessidade de um novo nascimento, que é um conceito central no cristianismo. Essa ideia é baseada em passagens bíblicas, como João 3:3, onde é dito que “é necessário nascer de novo”. Essa transformação espiritual é vista como essencial para um relacionamento autêntico com Deus.
O papel da Bíblia na vida do evangélico
A Bíblia, especialmente o Novo Testamento, é considerada a referência primária para a vida e prática dos evangélicos. Eles valorizam o estudo pessoal da Bíblia e buscam aplicá-la em suas vidas diárias. A leitura e a interpretação da Escritura são ativamente encorajadas em comunidades e em plataformas de ensino. As principais características da fé evangélica são essenciais para entender como este grupo se distingue dentro do cristianismo. Uma das características mais marcantes é a ênfase na relação pessoal com Jesus Cristo. Isso significa que os evangélicos acreditam que cada indivíduo pode ter uma conexão direta e íntima com Deus, sem intermediários.
Autoridade da Bíblia
Outra característica fundamental é a crença na autoridade da Bíblia como a palavra inspirada de Deus. Os evangélicos consideram as Escrituras como a base de suas doutrinas e orientações de vida. A leitura e interpretação da Bíblia são incentivadas, e muitos grupos realizam estudos em plataformas EAD para aprofundar esse conhecimento.
Importância da Comunidade
A vida em comunidade é vital para os evangélicos. As igrejas, frequentemente descritas como famílias espirituais, oferecem apoio emocional e social. Participar de cultos e eventos comunitários é uma prática comum que fortalece a união entre os membros.
Ação Social e Atendimento Comunitário
Os evangélicos também estão à frente de diversas iniciativas de ação social, promovendo projetos que ajudam populações vulneráveis. Isso inclui distribuição de alimentos, assistência a pessoas em situação de rua e apoio a jovens em risco. Muitas igrejas organizam campanhas de arrecadação e serviços comunitários regulares.
O futuro do evangelismo no Brasil é um tema de grande relevância, especialmente considerando o crescimento contínuo das comunidades evangélicas. Com cada vez mais pessoas se identificando como evangélicas, o evangelismo apresenta novas oportunidades e desafios para os líderes religiosos e congregações.
Uso da Tecnologia no Evangelismo
A tecnologia desempenha um papel essencial no futuro do evangelismo. Igrejas e ministérios estão adotando plataformas online para alcançar um público mais amplo. As transmissões ao vivo de cultos, a criação de conteúdo digital e o uso de aplicativos para conectar os fiéis são formas eficazes de engajar a comunidade, especialmente entre os jovens.
Preste bem atenção nesta mensagem. Estar fazendo a deferência na sua vida?
Quais influências que Deus espera que uma geração deixe para a outra? Quais os tipos de sementes estão sendo semeadas e germinará para a próxima geração? Quais os tipos de jovens estão estas gerações deixará para o futuro? Qual é comunhão que vocês estão tendo uns com os outros? Qual a influência que vocês estão tendo para pregar as palavras de Jesus e ganhar novos seguidores?
Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições O CARÁTER MISSIONÁRIO DA IGREJA DE JERUSALÉM
INTRODUÇÃO A perseguição que dispersou os primeiros cristãos se tornou, ironicamente, o motor para a expansão do Evangelho. Anônimos e leigos cheios do Espírito levaram a mensagem de Jesus para além das fronteiras de Israel, alcançando cidades como a de Antioquia. Este estudo nos convida a refletir sobre a providência de Deus, que usou pessoas simples para realizar grandes feitos, e sobre a importância de sermos, hoje, uma igreja que age com a mesma coragem, fé e ousadia, disposta a levar as boas-novas a toda criatura, em qualquer tempo e circunstância. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Contudo, alguns dos discípulos que foram de Chipre e Cirene até Antioquia começaram a anunciar aos gentios as boas-novas a respeito do Senhor Jesus. (At 11.20 NVT). Esse texto se insere em um contexto maior, no qual observamos o movimento do evangelho saindo de Jerusalém em direção aos confins da terra, conforme o plano estabelecido por Deus em Atos 1.8. Nesse percurso, a cidade de Antioquia ocupa um lugar especial na história da igreja, pois foi ali que o evangelho chegou pela primeira vez fora dos limites de Jerusalém, tornando-se um marco no avanço missionário. A partir desse ponto, a narrativa de Lucas nos mostra como Deus conduziu sua igreja a ultrapassar barreiras culturais e geográficas, abrindo caminho para a missão entre os gentios. Para compreender melhor essa transição e seu impacto, vejamos o esboço da passagem que será analisada: 1. O Evangelho se expande entre os judeus (At 11.19). 2. O Evangelho se expande entre os gentios (At 11.20,21). 3. O Evangelho se expande com o Ministério de Barnabé (At 11.22-24). 4. O Evangelho se expande com a ajuda de Saulo (At 11.25-26).
VERDADE PRÁTICA Faz parte da missão da Igreja a evangelização de povos não alcançados. Texto bíblicos que demonstram, de forma clara, a missão da igreja. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos. (Mt 28.19-20 NAA). Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra. (At 1.8 NAA). Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestes brancas, com ramos de palmeira nas mãos. (Ap 7.9 NAA).
1. UMA IGREJA COM CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA 1.1 O Evangelho para além da fronteira de Israel. A LIÇÃO DIZ: Lucas abre essa seção de seu livro fazendo referência aos cristãos, “os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia” (At 11.19). Observamos que essa passagem bíblica faz um paralelo com Atos 8.1-4 onde narra o início da perseguição em Jerusalém que gerou a dispersão cristã. O texto bíblico diz: Os que foram dispersos a partir da perseguição que começou com a morte de Estêvão se espalharam até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém que não fosse judeu. (At 11.19 NAA). 1.1.1 “Os que foram dispersos”. A expressão não se refere aos apóstolos, mas majoritariamente aos judeus helenistas (como Estêvão), judeus da Diáspora, de língua grega e habituados ao convívio com gentios. Em contraste, os “hebreus” de Jerusalém eram, em geral, de língua aramaica e mais vinculados às tradições locais. 1.1.2 A perseguição como instrumento providencial. A perseguição posterior ao martírio de Estêvão catalisou a difusão do Evangelho (At 8.1), de modo que a igreja, ainda que dispersa, se espalhou e cresceu. A tradição cristã expressa essa dinâmica na máxima atribuída a Tertuliano: “o sangue dos mártires é semente”. Nesse sentido, o sofrimento contribuiu para a purificação e o amadurecimento da igreja, sem frustrar os desígnios de Deus. 1.1.3 Expansão geográfica. Os helenistas alcançaram regiões como Fenícia, Chipre e Antioquia. Sua formação e língua favoreceram a comunicação em centros helenizados, característica do mundo mediterrâneo do período, impulsionando o avanço para além da Judeia e de Samaria. 1.1.4 Limitação inicial da pregação. Apesar da expansão geográfica, Atos 11.19 observa que a mensagem era inicialmente anunciada “somente aos judeus”. Essa constatação prepara a transição para a evangelização dos gentios (cf. At 10; 11.20–26). Implicações: 1.1.5 Devemos confiar na soberania de Deus, sabendo que, mesmo por meio de “caminhos tortos”, sofrimentos ou circunstâncias que parecem desfavoráveis, Ele está realizando Seus planos e propósitos. 1.2 Cristãos dispersados, mas conscientes de sua missão. A LIÇÃO DIZ: Esses cristãos dispersados, após fugirem de uma perseguição feroz, não esconderam a sua fé. Aonde chegavam, anunciavam a Palavra de Deus (At 11.19,20). Foi assim que eles deram testemunho do Evangelho na Fenícia, Chipre e Antioquia. O que vemos são cristãos conscientes da missão de testemunhar de sua fé onde quer que estivessem. Vamos destacar alguns pontos importantes que devem ser aprofundados em classe: 1.2.1 Não negaram a fé diante do sofrimento. A figura mais injustiçada na igreja e no contexto cristão é Jesus. É mais frequente do imaginamos que, diante da adversidade, muitos crentes contemporâneos desertarem da fé que professam colocando a culpa no Senhor. Em outras situações, afastam-se de Cristo e da igreja porque não recebem oportunidades, ou por descontentamento com a liderança, seja por não apreciarem o dirigente, seja por não ocuparem tal função, chegando a abandonar o Senhor. Essa não era a postura dos cristãos perseguidos: mesmo enfrentando privações, perdendo bens e sendo compulsoriamente desalojados de seus lares, faziam questão de se identificarem como cristãos. 1.2.2 Anunciavam a Palavra de Deus. Há pelo menos duas formas de anunciar a Palavra de Deus. Em primeiro lugar, por meio da proclamação oral. Em segundo lugar, por meio do testemunho de vida. Fica nítido que os cristãos dispersos cumpriram bem essa missão de ambas as formas. Desse modo, é importante que todos façamos a seguinte reflexão: Tenho vivido o evangelho na prática? Meus amigos, minha família, meus filhos e cônjuge me veem como um cristão? Não menos importante, é a reflexão a respeito do que penso ser a mensagem do Evangelho. Você já refletiu sobre o que de fato entende por evangelho? 1.2.3 Consciência missionária. Devemos sempre nos perguntar o que ser um crente avivado? O que é uma igreja avivada? Você saberia responder a essas perguntas? Uma das grandes características de que esses crentes estavam desfrutando de um avivamento pentecostal genuíno era o desejo ardente compartilhar Jesus com todas as pessoas em todos os lugares. 1.3 Cristãos leigos, mas capacitados pelo Espírito. A LIÇÃO DIZ: O texto deixa claro que foram esses cristãos “comuns” os fundadores da igreja de Antioquia, uma das mais relevantes e importantes do Novo Testamento (At 13.1-4). Eram cristãos anônimos e leigos. Eles não são contados entre os apóstolos, diáconos ou presbíteros. Contudo, eles foram usados por Deus para fundar aquele trabalho e foram bem-sucedidos porque “a mão do Senhor era com eles” (At 11.21), conforme Lucas destaca. Michael Green destaca que: Em Atos não foram os apóstolos que levaram o evangelho para todas as partes, mas, sim, os missionários “amadores”, as pessoas que foram expulsas de Jerusalém em decorrência da perseguição que começou após o martírio de Estêvão (At 8.4). Foram estes que avançaram pela planície costeira até a Fenícia, atravessaram o mar até Chipre, e chegaram até Antioquia, no norte (At 11.19-21). Eles eram tão evangelistas quanto qualquer apóstolo. Na verdade, foram eles que deram os dois passos revolucionários de pregar a gregos que não tinham vínculo com o judaísmo, e de iniciar a missão aos gentios, a partir de Antioquia. Não foi um esforço planejado. Foram expulsos de sua base em Jerusalém, e se espalharam por todas as terras difundindo as boas-novas que tinham lhes trazido alegria, descanso e uma vida nova. De modo geral, a pregação não deve ter sido formal, mas através da conversa informal com amigos e novos conhecidos, em casas e tavernas, nas ruas e ao redor das barracas do mercado. Eles foram por todos os lados falando do evangelho, de maneira espontânea, com o entusiasmo e a convicção de quem não recebe paga mento para dizer esse tipo de coisa. Em consequência, foram levados a sério, e o movimento se espalhou, principalmente entre as classes mais baixas. Implicações: 1.3.1 Pare de esperar pelo momento “perfeito” ou pela oportunidade de fazer um grande sermão em um congresso ou cruzada. Em vez disso, seja intencional em suas conversas diárias. Viva uma vida de evangelista. 1.3.2 Deus usa quem está disponível, independentemente de seu status ou cargo na igreja. Portanto, destaca a importância dos leigos na missão de proclamar o evangelho.
2. UMA IGREJA COM VISÃO TRANSCULTURAL 2.1 A cultura grega (helênica). A LIÇÃO DIZ: A Bíblia nos conta que alguns cristãos que tinham sido espalhados pelo mundo chegaram a “Antioquia, falaram aos gregos” (At 11.20). Essa expressão, “falaram aos gregos”, é muito importante. De acordo com estudiosos, ela explica que esse foi o primeiro momento em que cristãos judeus falaram de Jesus para pessoas que não eram judias, adoravam outros deuses e não seguiam o Judaísmo. Isso mostra que a igreja começou a levar a mensagem de Jesus para além das fronteiras da Palestina, chegando a um mundo totalmente diferente, onde as pessoas não conheciam a fé judaica. O texto bíblico diz: Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor. (At 11.21-22 NAA). 2.1.1 O Evangelho rompe barreiras culturais (v.20). Em contraste com os judeus que evangelizavam apenas outros judeus (v.19), alguns discípulos oriundos de Chipre e Cirene proclamam o evangelho a gregos, ou seja, gentios helenistas em Antioquia. Isso marcou uma mudança histórica, uma extensão intencional da missão para além do mundo judaico. 2.1.2 O centro da mensagem é o Senhor Jesus (v.20b). Já imaginou Paulo, Pedro ou João ouvindo as mensagens que são pregadas em nossas igrejas nos dias de hoje? Eles aprovariam? Jesus ou o homem é o centro? Agora, pense comigo: Embora os apóstolos não possam ouvir os sermões atuais, Jesus pode. Além ouvir cada palavra pronunciada pelos pregadores atuais, ele também sonda o coração. Meu Deus, tenha misericórdia de nós. 2.1.3 O sucesso da obra missionária depende da mão do Senhor (v.21). No Antigo Testamento, a expressão “a mão do Senhor” possui dois sentidos. Primeiro, refere-se ao poder de Deus manifestado em juízo (Êx 9.33; Dt 2.15; Js 4.24; 1Sm 5.6; 7.13). Também designa o poder de Deus expresso em bênção (Ed 7.9; 8.18; Ne 2.8, 18). Nesse caso, está associada à bênção divina, de modo que muitos se converteram ao Senhor. Novamente, como em quase todos os lugares onde Jesus Cristo era pregado, a resposta foi ampla (At 2.47; 4.4; 5.14; 6.1, 7; 9.31, 35,42; 11.24; 14.1, 21; 16.5; 17.12). As pessoas não apenas criam intelectualmente, mas também se voltavam de seus pecados ao Senhor (1Ts 1.9). Como sempre, a fé é inseparável do arrependimento, evidenciado em uma vida transformada. 2.2. Contextualizando a mensagem. A LIÇÃO DIZ: Podemos ver aqui um exemplo de como os primeiros cristãos adaptavam a mensagem ao contexto em que estavam. Lucas nos conta que eles “anunciavam o evangelho do Senhor Jesus” (At 11.20). O texto é curto e direto, mas esses cristãos estavam pregando para pessoas que não eram judias. Isso significa dizer que eles não podiam simplesmente usar o Antigo Testamento para provar que Jesus era o Messias prometido, porque isso não faria sentido para aquele público. Diferente dos judeus e samaritanos, que já esperavam um Messias (At2.36; 5.42; 8.5; 9.22), os gentios não tinham essa mesma expectativa. Além disso, esses cristãos também não mencionam costumes judaicos, como a circuncisão, que Estêvão citou em seu discurso (At 7.51), porque isso não fazia parte da cultura dos gentios. Em vez de enfatizar que Jesus era o Messias, eles destacavam que Ele é o Senhor. Ou seja, estavam dizendo que os pagãos precisavam deixar seus falsos deuses e se voltar para o único e verdadeiro Senhor (At 14.15; 26.18,20). O que é contextualizar? Adaptar linguagem, ponto de partida, exemplos e estrutura retórica ao público, preservando o conteúdo do evangelho. Muda-se a forma, não a essência. O núcleo permanece: pecado humano, morte e ressurreição de Jesus, chamado ao arrependimento e fé, senhorio de Cristo e graça de Deus. Exemplos: • Paulo fala a judeus em Antioquia da Pisídia e começa pela história de Israel e pelas promessas de Davi. Cita as Escrituras que aquele público já respeitava e então apresenta Jesus como o cumprimento, com morte, ressurreição e perdão oferecido a quem crê (Atos 13.16 a 41). A forma foi judaica, o conteúdo foi o evangelho. • Exemplo bíblico de contextualização no campo pagão. Em Listra o povo quer oferecer sacrifícios a Paulo e Barnabé. Paulo então não cita a Torá, fala do Deus Criador que manda chuva, dá colheita e enche de alegria os corações, e chama todos a deixarem os ídolos e se voltarem ao Deus vivo (Atos 14.15 a 17). A porta de entrada foi a criação e a providência, porque era o que eles viam todo dia. O chamado continua o mesmo: abandonar falsos deuses e entregar-se ao Senhor. O que é alterar a mensagem? Modificar o conteúdo do evangelho, acrescentando exigências soteriológicas estranhas (por exemplo, obras rituais) ou suprimindo elementos essenciais (por exemplo, ressurreição, exclusividade de Cristo, arrependimento). Aqui não é forma; é substância. • Exemplo bíblico de alteração da mensagem por acréscimo. Os judaizantes diziam que crer em Jesus não bastava, era preciso circuncidar-se para ser aceito por Deus. • Exemplo bíblico de alteração da mensagem por subtração. Alguns em Corinto negavam a ressurreição. Paulo mostra que, se a ressurreição não existe, Cristo não ressuscitou e o evangelho desmorona. Cortar a ressurreição tira o coração da mensagem. Isso não é contextualizar, é esvaziar o que salva (1 Coríntios 15).
3. UMA IGREJA QUE FORMA DISCÍPULOS 3.1 A base do discipulado. A LIÇÃO DIZ: Ao serem informados de que o Evangelho havia chegado a Antioquia (At 11.22), a partir de Jerusalém, os apóstolos enviaram Barnabé para lá. Chegando ali, Barnabé viu uma igreja viva e cheia da graça de Deus (At 11.23). Como um homem de bem e cheio do Espírito Santo, Barnabé os encorajou na fé (At 11.24). Contudo, logo se percebeu que aquela igreja precisava de mais instrução, ou seja, precisava ser discipulada. Com esse propósito, Barnabé foi em busca de Saulo para que o auxiliasse nesta missão. E assim foi feito: “E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente” (At 11.26). Nem a salvação do eunuco etíope nem a de Cornélio e sua família preparou os crentes de Jerusalém para as conversões generalizadas de gentios em Antioquia. Quando a notícia sobre eles chegou aos ouvidos da igreja em Jerusalém, decidiram enviar um representante para investigar. Assim, enviaram Barnabé para Antioquia. Barnabé apareceu pela primeira vez em Atos 4, quando vendeu alguns bens para suprir as necessidades de outros crentes. Por sua influência, Paulo foi finalmente aceito pela igreja de Jerusalém (At 9.27). Ele era um líder e mestre na igreja, um homem bom, gentil e generoso, conforme seu nome, que significa “filho da exortação”. A escolha do representante foi crucial. O envio de alguém rigidamente legalista poderia ter sido desastroso. Barnabé, porém, tinha as qualificações necessárias para a missão. O versículo 24 o descreve como “homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé”. Ele possuía as qualidades espirituais indispensáveis para discernir o que estava acontecendo. Barnabé também era o homem certo porque, como alguns dos fundadores da igreja de Antioquia, era judeu cipriota (At 4.36–37). Não seria percebido como um estranho, mas como alguém “da casa”. A graça de Deus é invisível, mas seus efeitos são claramente perceptíveis. Quando Barnabé chegou a Antioquia e viu a graça de Deus, isto é, a evidência de sua obra salvadora entre eles, alegrou-se. Outros judeus poderiam ter se incomodado com a conversão de gentios, mas não Barnabé. Ver almas gentias perdidas sendo acrescentadas ao Reino trouxe-lhe imensa alegria. Em seguida, começou a exortá-los, a todos, a permanecerem fiéis ao Senhor com firmeza de coração. Essa exortação expressa a preocupação que todo pastor nutre pelos novos convertidos: que perseverem na fé. Em Atos 13.43, Paulo e Barnabé exortaram os novos crentes a “permanecer na graça de Deus”. Em 14.22, exortaram os cristãos de Listra, Icônio e Antioquia a “permanecer na fé”. A única maneira de permanecer fiel ao Senhor é continuar em sua Palavra, por meio da qual Ele se revela ao crente. O apóstolo João escreveu: “Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” (1Jo 2.24). Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (Jo 8.31). É pela Palavra que o Espírito Santo, o Mestre da verdade que habita em nós (1Jo 2.27), instrui os crentes. Mais uma vez, Lucas narra o progresso da igreja, sempre em expansão, atualizando seu crescimento. Por meio do ministério contínuo em Antioquia, um número considerável foi trazido ao Senhor. A colheita era grande demais para Barnabé lidar sozinho, então ele foi buscar ajuda. Pensou imediatamente no melhor homem para a tarefa e partiu para Tarso a fim de procurar Saulo. Não foi fácil encontrá-lo. Vários anos haviam se passado desde que Saulo fugira de Jerusalém para sua terra em Tarso (At 9.30). Ele aparentemente sofrera perdas por causa de sua fé (Fp 3.8), e pode ter sido forçado a se deslocar. O verbo grego anazēteō, “procurar”, sugere uma busca trabalhosa por parte de Barnabé. Por fim, Barnabé encontrou Saulo e o levou para Antioquia. Esses dois homens, ricamente dotados, formaram uma poderosa equipe de ministério. Diante do desafio de pastorear um grande número de novos crentes em um ambiente pagão hostil, a solução foi reunir-se com a igreja durante um ano inteiro, período no qual ensinaram muita gente. Ao contrário do que se vê em muitos contextos eclesiásticos atuais, eles sabiam que a necessidade mais urgente daqueles novos cristãos era ser instruídos na Palavra de Deus. Nas grandes reuniões dos crentes em Antioquia, Barnabé e Saulo fizeram exatamente isso. O exemplo deles é um passo importante para a igreja contemporânea. Ensinar a Palavra de Deus está no coração do ministério da igreja. Em Atos 6 fica claro que ensinar a Palavra é a prioridade maior dos líderes. Barnabé e Saulo cumpriram bem essa missão. Os líderes da igreja em Antioquia mencionados em Atos 13 foram, provavelmente, seus discípulos.
3.2 Denominados de “cristãos”. A LIÇÃO DIZ: Os cristãos de Jerusalém haviam sido chamados na igreja de “irmãos” (At 1.16); “crentes” (At 2.44); “discípulos” (At 6.1) e “santos” (At 9.13). Também passaram a ser identificados tanto pelos de dentro da igreja como pelos de fora dela como aqueles que eram do “Caminho” (At 9.2; 19.9,23; 22.4; 24.14,22). Agora em Antioquia são chamados de “cristãos” (At 11.26). O termo “cristãos” tem o sentido de “pessoas de Cristo”. Lucas acrescenta, então, uma nota histórica: “Em Antioquia, os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez” (At 11.26). O termo significa “do partido de Cristo” e foi inicialmente usado em tom de escárnio. Pedro encorajou os que sofriam “como cristãos” a não se envergonhar, mas, nesse nome, glorificar a Deus (1Pe 4.16). O que começou como um apelido pejorativo tornou-se, em pouco tempo, uma honra para a igreja primitiva. O historiador Eusébio registra o relato do mártir Sanctus, que respondia a todas as perguntas de seus torturadores simplesmente: Eu sou um cristão” ( História Eclesiástica V, I [Grand Rapids: Baker, 1973], 172). 3.3 A identidade cristã. A LIÇÃO DIZ: O que realmente define um cristão não é apenas um nome ou um rótulo, mas sim sua vida, sua fé e suas atitudes. Em nosso tempo, chamar-se cristão virou um rótulo cultural. Contudo, nome não salva. O Novo Testamento adverte que há quem confesse com os lábios e até exerça atividades religiosas, mas não faz a vontade do Pai. Jesus chama isso de autoengano: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor…” (Mt 7.21–23). O problema não é desconhecimento total do evangelho, mas falta de nova vida em Cristo. Há gente convencida que nunca foi convertida: conhece doutrina, canta, prega, frequenta os cultos, mas não nasceu do alto, não permanece em Cristo e não dá fruto digno de arrependimento (Jo 3.3–8; 5.1–8; Mt 3.8). Quais são, então, as marcas que distinguem o cristão verdadeiro do mero frequentador de igreja? Em primeiro lugar, uma vida transformada, marcada por arrependimento contínuo e crescimento em santidade. Há luta real contra o pecado, mortificação do velho homem e revestimento do novo, criado segundo Deus em justiça e verdade (Rm 8.13; Cl 3.5–10; Ef 4.22–24). Em segundo lugar, uma fé obediente e perseverante, que submete pensamentos, afetos e decisões à Palavra de Deus, permanece na comunhão do corpo de Cristo, mesmo sob provações (At 2.42; Jo 14.21; Hb 10.23–25). Em terceiro lugar, atitudes que evidenciam o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. É por esses frutos, e não por títulos, que os discípulos são reconhecidos no mundo (Gl 5.22–23; Mt 7.16; Jo 13.35; 1Pe 2.12). CONCLUSÃO A perseguição não deteve a obra; Deus a converteu em impulso missionário. Em Antioquia, leigos cheios do Espírito anunciaram Cristo aos gentios e a mão do Senhor agiu, pois muitos creram e voltaram para o Senhor. A igreja de Jerusalém enviou Barnabé para investigar o que estava acontecendo. Barnabé chamou Saulo e juntos discipularam os novos convertidos. A missão da igreja continua: proclamar, acolher, ensinar e enviar, confiando na providência de Deus, até que povos, línguas e nações conheçam o Cordeiro de Deus.
Você já ouviu falar sobre a inteligência social? Não? Apesar de ser pouco difundida e conhecida, essa é uma habilidade extremamente importante de se desenvolver.
Isso porque, a convivência em sociedade, embora seja necessária, nem sempre é tão simples. Além disso, construir relações saudáveis nos mais diversos ambientes que transitamos, como família, trabalho e escola, pode ser desafiador para muitos. Logo, ao desenvolver uma capacidade mais ampla de se relacionar, é possível interagir de forma produtiva e positiva com as pessoas à sua volta. Por isso, neste artigo, vamos explicar o que é inteligência social e dar dicas valiosas de como desenvolvê-la e trabalhá-la. Confira!
O que é inteligência social?
Inteligência social, ou inteligência interpessoal, refere-se à capacidade de se relacionar de forma positiva nos mais diversos contextos sociais que transitamos. De forma geral, ela surge da habilidade de cada indivíduo de gerenciar suas informações emocionais para que, a partir disso, seja possível compreender as características socioemocionais das pessoas com as quais se convive. Dessa forma, é possível construir relações mais saudáveis, positivas e produtivas e administrar de forma mais madura os conflitos que surgem.
Portanto, é inegável que a inteligência social está diretamente relacionada com a inteligência emocional.
Convém mencionar ainda que a inteligência social é uma habilidade cognitiva que está assentada em 5 principais pilares, sendo eles:
A inteligência social funciona a partir do desenvolvimento de habilidades que permitem que o indivíduo se relacione bem consigo mesmo e com o outro. Portanto, é possível dividi-la em duas esferas: a emocional e a social. O âmbito emocional da inteligência social diz da capacidade do indivíduo de conviver bem consigo mesmo. Ou seja, é necessário que ele gerencie suas próprias emoções, trabalhe o autoconhecimento, tenha uma boa autocrítica, entre outras características. Todos esses aspectos, que estão centrados na inteligência emocional, permitem que a pessoa esteja bem resolvida consigo mesma, o que, consequentemente, implica em estar bem disposta para estabelecer relações saudáveis e positivas. Já quando falamos do âmbito social, estamos nos referindo diretamente ao convívio saudável e harmônico com as pessoas. Aqui, a empatia é muito importante, porque vai de encontro com a capacidade de se colocar no lugar do outro e compreendê-lo.
Com isso, é possível criar relacionamentos interpessoais mais sólidos.
Mas, além da empatia, a inteligência social em sua esfera social também será desenvolvida por meio das habilidades de se comunicar bem, de ser colaborativo, de compreender os papéis desempenhados por cada um dentro da sociedade, etc. Ou seja, é a materialização da inteligência social que começa com o cuidado emocional que cada indivíduo tem consigo mesmo.
Qual a importância de desenvolver a inteligência social?
A inteligência social é vital para a sobrevivência das relações interpessoais. Isso significa que todas as pessoas, em menor ou maior escala, devem ter essa habilidade.
No entanto, desenvolvê-la e ampliá-la é importante porque:
Melhora a sua capacidade de gerenciar conflitos;
Permite que você compreenda melhor a subjetividade do outro;
Favorece o networking, que pode ser bem explorado no âmbito profissional;
Torna a sua comunicação mais clara;
Amplia a sua capacidade de trabalhar em equipe, com pessoas diversas.
Como desenvolver a inteligência social?
Conviver em sociedade sempre será um desafio. Afinal, cada indivíduo carrega consigo sua personalidade, seus valores, sua cultura e suas experiências.No entanto, é um desafio que precisa ser superado diariamente a fim de garantir relações harmônicas e saudáveis. Por isso, listamos a seguir algumas formas de desenvolver a inteligência social que podem te ajudar a obter êxito em todos os seus relacionamentos interpessoais.
Exercite suas habilidades interpessoais
O primeiro passo é exercitar as suas habilidades interpessoais, como: boa comunicação, escuta ativa, responsabilidade, empatia, inteligência emocional, ética e trabalho em equipe. Nesse cenário, uma boa forma de exercitá-las e desenvolvê-las é praticando o autoconhecimento. Por meio dele, será possível ter maior clareza sobre os seus pontos fortes e sobre os fracos e que, portanto, ainda precisam ser trabalhados. Com isso, você consegue focar em você e no seu autocuidado de forma a contribuir para o estabelecimento de relações sociais saudáveis.
Melhore o seu senso de observação
Desenvolver o senso de observação é muito importante para saber qual é o momento certo de se expressar ou de não interferir. Afinal, é importante encontrar o equilíbrio emocional para evitar omissões e situações conflituosas. Esse é um exercício desafiador, principalmente para as pessoas impulsivas. No entanto, é extremamente necessário para garantir que você faça intervenções apenas nos momentos certos. Portanto, passe a observar mais o comportamento e o posicionamento dos outros antes de apenas reagir de forma impensada.
Treine a perspectiva situacional
Quase que uma consequência da observação, o treinamento da perspectiva situacional também é indispensável para o desenvolvimento da inteligência emocional. Aqui, você deverá entender que não existe a melhor ação ou a melhor fala, como se existisse um roteiro pronto para tudo. Na realidade, sua atitude depende diretamente de cada situação. Portanto, é crucial saber analisar os fatores situacionais de cada contexto para saber como e qual é o melhor momento para agir.
Seja uma pessoa mais acessível
Dar abertura para que as pessoas se aproximem de você também é importante para construir boas relações interpessoais. Esse, naturalmente, é um grande desafio para as pessoas tímidas, mas que precisa ser superado. Isso porque, apenas sendo acessível, é possível quebrar barreiras nas relações, desmistificando conceitos como o de pessoa “antipática” ou “antissocial”, por exemplo.
Expresse os sentimentos e opiniões
Como vimos, a comunicação é um dos pilares da inteligência social. Isso significa que é importante expressar os seus sentimentos e opiniões e saber como fazê-lo, é claro. Sim, desde que não seja de maneira grosseira, o diálogo para se posicionar e se manifestar é importante para garantir que os outros te compreendam em sua subjetividade. Vale dizer que uma pessoa que não se expressa verbalmente, muito provavelmente o fará com gestos e reações que podem ser erroneamente interpretadas pelo outro. Portanto, procure ser honesto consigo e com os outros sobre seus sentimentos e opiniões.
Trabalhe sua empatia
Outro pilar da inteligência é a empatia. Portanto, aprenda a desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro e procure compreender o porquê ele teve determinada atitude ou conduta ao invés de julgá-lo. Isso é essencial para qualquer relação, pois evita conflitos desnecessários e ainda permite que você tenha um olhar mais humano para ajudar o próximo em suas adversidades.
Aumente seu networking
Por fim, mas não menos importante, amplie o seu networking. Aqui, não estamos nos referindo somente às relações profissionais, mas também à possibilidade de conhecer outras pessoas, em variados contextos sociais, com diferentes visões e valores. Vale dizer que o contato com a diversidade é uma forma de enriquecer a sua própria bagagem social e, assim, permitir a construção de relações mais empáticas e produtivas.
Por Adriano Montes. Fico imaginando, o que aconteceu, com nossas Igrejas, é muito triste o que vemos no cenário nacional, já parou para observar o comportamento das igrejas evangélicas no Brasil? Dizem que somos o povo do avivamento, que o Brasil é um celeiro de cristãos, com um potencial enorme para evangelizar o mundo! Será?Realmente, o Brasil é uma das nações onde as igrejas evangélicas mais crescem, mas crescem em qualidade ou em quantidade? São números impressionantes, como dizem alguns, “números Evangelásticos”, e realmente impressiona , a forma como cresceu e cresce a igreja evangélica em nosso País, mais infelizmente, o que muito me entristece, é constatar que quanto mais cresce em números, menor é a qualidade de nossas igrejas e consequentemente dos nossos irmãos que seguem cada vez mais, igrejas pobres e desnutridas espiritualmente, templos muitas vezes riquíssimos belos e imponentes, mais espiritualmente doentes, consequentemente, geram crentes doentes também, não quero ser pessimista, mais é o que enxergo quando olho para o quadro em que se encontram nossas igrejas, de um lado vemos, Igrejas neopentecostais e algumas Pentecostais pregando uma prosperidade louca, que gera um monte de cristãos egoístas, correndo em busca de uma riqueza material, que se não alcançam, logo abandonam a fé, frustrados por não conseguir o que buscavam, muitasdas vezes taxados por culpados por seus lideres, que afirmam; se não conseguiu é porque não tem fé. Outros em busca de um milagre urgente em Igrejas que vivem de explorar o desespero das pessoas que sofrem a dor de uma doença, muitas das vezes desenganadas pela medicina, e DEUS realmente cura, ele é misericordioso e cura a pessoa independentemente de quem está orando por ela, o nosso Deus realmente cura, o problema é que certos pastores que tentam levar a fama de curandeiros, esquecem que DEUS não divide a glória dele com ninguém, e que o evangelho que deve ser pregado é o evangelho da salvação, e não o da cura, pois se por algum motivo DEUS não curar o camarada ele nunca mais volta na igreja, e DEUS tem os seus propósitos em tudo, há pessoas que decepcionadas por não ter tido a cura imediata, nunca mais volta a igreja. De outro lado vemos as igrejas pentecostais enfatizando demais a busca do inacreditável, emocionante e sobrenatural, é óbvio que o sobrenatural acontecerá sempre em nosso meio, mais não pode ser o principal motivo de nosso culto, não da maneira que estamos querendo que seja, nossos cultos são pura emoção e pouca salvação, não dá para viver um evangelho assim, no culto pentecostal geralmente, os crentes se preocupam demais, em ver o sobrenatural, ser arrebatado, entregar ou buscar uma profecia, falar em línguas, sapatear, pular, fazer aviãozinho, e outras coisas mais, ou seja, queremos um culto extraordinário, que nos satisfaça e nos encha de paz e alegria, para sairmos renovados, nada contra , mais estamos fazendo culto pra crente. E os perdidos, como ficam? E as igrejas históricas e tradicionais, que em busca de um “avivamento” que muitas das vezes não tem nada de espiritual, estão se perdendo também nesse cenário evangélico da atualidade, as igrejas tradicionais, sem dúvida crescem bem menos que as pentecostais e neo-pentecostais, e muita das vezes, em busca de um uma “renovação,” acaba se perdendo em meio a shows, louvorzão e outras coisas mais. O problema é que a Igreja, seja ela Reformada, histórica, tradicional, pentecostal, neopentecostal ou o que for, ela precisa saber, que o papel da igreja, é ganhar alma para CRISTO, o problema é que em todos os exemplos que citei acima, em nenhum deles, se prega o verdadeiro evangelho de JESUS CRISTO, se enfatiza muito o financeiro, ou a cura, ou as bênçãos, ou á emoção, ou o entretenimento. Estão esquecendo-se de dizer que só JESUS CRISTO SALVA, não estão pregando o evangelho da salvação, porque pensam eles: “não da ibope”Os pregadores de hoje, estão querendo dizer o que o povo quer ouvir, e não o que o povo precisa ouvir, estão pregando um evangelho barato, que muitas vezes sai caro mesmo é pros seguidores deles. Precisamos pregar o evangelho, que transforma, que confronta direto com o pecador, que faz o homem reconhecer o seu estado original, de pecador, se arrepender de seus pecados e entregar sua vida a CRISTO. É simples, é só falar do pecado da justiça e do juízo, dizer ao homem que ele é pecador, mais que CRISTO, morreu para o salvar, que basta ele se arrepender, e CRISTO o salvará! O resto pode deixar com JEOVÁ! Que o ESPIRITO SANTO o enviará, pois ele é quem convencerá!Vil como é simples, é só sair do pedestal,descer um pouco, se lembrar que o trabalho de conversão pertence a DEUS que somos apenas vasos na mão do oleiro. O grande problema, é que esse tipo de pregação, salva o perdido, mais não dá muito retorno financeiro, como o tal evangelho da prosperidade por exemplo!E muitos pastores, preferem seguir o segundo caminho, mesmo conhecendo os perigos que estes representam.
O livro de apocalipse é sobre Jesus e sua Igreja. É um livro sobre revelação, onde mostra os acontecimentos do fim dos tempos.
O livro foi escrito pelo apóstolo João, para as sete igrejas da Ásia Menor, onde eles estavam passando por perseguições. Mas também para a igreja de Cristo que viveria até a segunda vinda de Cristo, ou seja, esse livro é para os dias atuais.
Apocalipse 1.4 NVI
4 João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquela que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono,
Apocalipse 1.11 NVI
11 que dizia: “Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete lojas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.
O propósito do livro de Apocalipse é exortar a igreja a perseverar e que ela possa adorar e ser submissa a Cristo mesmo em meio às perseguições. Laodicéia era uma cidade bem localizada. Era uma cidade que tinha um centro bancário e financeiro, era muito rica, onde muitos milionários viviam. Ela tinha um centro de indústria de tecidos, onde era produzida a lã. Laodiceia tinha um centro médico, tinha uma escola muito famosa, produzia colírio para os olhos. Laodicéia era cercada de águas térmicas, por causa das cidades vizinhas. Na cidade de Hierápolis tinha água quente, Colossos água fria. E Laodiceia água morna, difícil de beber. A igreja de Laodicéia estava nesse contexto, então veremos a mensagem de Jesus para essa igreja.
Ideia Central
Quando uma igreja está vivendo de forma errada, Cristo vem a fim de restaurar sua igreja.
Transição
Veremos três verdades sobre a igreja de Laodicéia.
Desenvolvimento
1° Jesus identifica o problema da igreja
Apocalipse 3.14–16
14 “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva:
“Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus.
15 Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você estivesse frio ou quente!
16 Assim, porque você é de manhã, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.
17 Você diz: ‘Sou rico, adquiro riquezas e não preciso de nada’. Não é permitido, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu.
Jesus se apresenta como o Amém , isto é, aquele que é verdadeiro, confiável e firme. Ele é uma testemunha fiel porque dá testemunho da verdade e fala a verdade. Jesus é o soberano sobre a criação , pois Ele é o próprio Deus, Ele existia desde o princípio. Então, a criação é governada por Ele. Cristo é o criador da igreja, Ele é a cabeça e governa sobre ela.
Os problemas da igreja são:
1. A igreja perdeu o fervor espiritual (v. 15)
Na época, a água que tinha características medicinais era mandada para Laodicéia, mas era cerca de 1.000 km, então até a água chegar na cidade, ela chegava morna. Devido ao cálcio que tinha na água, causava mal estar e dava vontade de vomitar nas pessoas.
Jesus afirma que conhece as obras espirituais da igreja. Isso significa que Ele sabe o que os crentes estão fazendo. A igreja de Laodicéia tinha perdido o fervor espiritual, ou seja, a vontade de servir a Deus, perdeu aquela alegria, os membros estavam indispostos a servir e vivendo no comodismo.
2. A igreja estava morna (v. 16)
Jesus afirma que a igreja não estava nem fria e nem quente, mas morna, isso quer dizer que estava horrível diante dos olhos de Cristo, ele não consegue suportar. Então vem a afirmação dura e severa: “estou a ponto de vomitá-lo da minha boca”, assim como a água morna provoca o vômito, Jesus vomita o incrédulo que se diz “cristão” e o “religioso” que não tem uma vida espiritual verdadeira. Um crente morno é pior que um incrédulo que está no mundo e não conhece a verdade. Um crente que só vive uma vida de aparência e de religiosidade, não tem valor aos olhos de Jesus, por isso esse tipo de pessoa é rejeitado pelo Senhor. A igreja de Laodicéia estava precisando reacendir o fogo em seu coração, ou seja, para que o desejo de servir ao Senhor pudesse retornar.
APLICAÇÃO
Muitos crentes têm perdido o desejo de servir ao Senhor, aquela alegria e entusiasmo. Mas vive no comodismo e a chama vai se apagar a cada dia mais. Tem muitos crentes que não dão prazer a Jesus, mas desprazer.
3. A igreja era orgulhosa (v. 17)
Laodicéia estava com seu coração cheio de orgulho. Ela se perdeu rica, mas no fundo era pobre, isso quer dizer que ela estava morna, por causa de uma imagem enganosa que ela criou de si mesma.
Ela vivia se achando e buscando satisfação a si própria, não era uma igreja que dependia do Senhor, mas dependendo de si mesma. Ela amava tanto o dinheiro e se esquecia de que Cristo é suficiente, então ela diz: “Não preciso de coisa alguma”.
Provérbios 16.18 NVI
18 O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda.
A igreja de Laodicéia era pobre e sóbria.
2° Jesus traz soluções para os problemas
Apocalipse 3.18–20
18 Dou-lhe este conselho: Compre de mim ouro orgânico no fogo, e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compreenda o colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar.
19 “Repreendo e disciplina aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se.
20 Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrei e cearei com ele, e ele comigo.
1. Jesus aconselha a sua igreja (v. 18)
Jesus, olhando para a situação pecaminosa da igreja, dá um conselho sábio para ajudar o seu povo. Ele é soberano sobre a criação, Ele poderia dar ordens para que o povo pudesse abandonar a vida de pecado. Mas, Ele prefere dá um conselho para a igreja.
Jesus aconselha o povo a comprar dele ouro orgânico, para se tornarem ricos. Isso significa que em Jesus, eles podem encontrar uma verdadeira riqueza. Jesus Cristo oferece seus produtos de qualidade, Jesus oferece para a igreja, por meio de sua graça. Eles eram pobres, Jesus tinha a verdadeira riqueza, eles estavam nus, Jesus tinha roupa branca para cobrir a nudez, eles eram cegos e Jesus tinha colírio para cegueira deles. Eles deveriam deixar o orgulho, a autossuficiência e ir para os pés do Senhor Jesus.
2. Jesus chama a igreja para o arrependimento (v. 19)
Jesus exorta a sua igreja
Jesus exorta a igreja, para que ela tenha zelo na sua forma de viver. Ele corrige a sua igreja, espere ela para se arrepender e voltar-se para Ele.
Jesus disciplina a sua igreja Jesus é misericordioso, ele não desiste da igreja, antes de exercer cabalmente, Ele oferece sua graça e misericórdia. A disciplina não é para condenar, mas para restaurar o povo a comunhão com o Senhor. Ela é um ato de amor da parte de Deus, porque com um ímpio, ele não disciplina, mas entrega aos seus pecados.
Romanos 1.24 NVI
24 Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos do seu coração, para a manipulação do seu corpo entre si.
Deus disciplina quem são os seus filhos porque os ama.
Hebreus 12.5–6 NVI
5 Vocês se esqueceram da palavra de ânimo que ele dirige como a filhos: “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, 6 pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga aquele a quem aceita como filho”.
Jesus ordena que a igreja se arrependa
Jesus chama a sua igreja para o arrependimento, mudança de mente e coração. O Senhor deseja transformar e restaurar a vida espiritual da igreja. Laodiceia precisa deixar o cristianismo de aparência, parar de ser morno e viver de forma íntegra diante de Cristo.
3. Jesus chama a igreja para ter comunhão com ele (v. 20) Jesus está a porta, isso significa que Ele está do lado de fora e a igreja não tem comunhão com Ele, visto que, ela está vivendo de forma errada e trazendo tristeza ao coração de Jesus. Jesus bate na porta através de várias situações, do sermão pregado, do louvor, das Escrituras, por isso é preciso ficar atento. Jesus bate a porta da sua igreja, essa porta é do coração, é um convite para entrar na alma do povo de Deus, a fim de restaurar a vida espiritual. O convite de Jesus é para cear com o seu povo, ele deseja participar da nossa mesa, pois Ele quer transformar a sua igreja a cada dia. Por isso, Ele bate a porta, se alguém abrir e ouvir a voz dele, é certo de que estará em comunhão com o Senhor.
3. Jesus recompensa os cristãos fiéis
Apocalipse 3.21–22
21 “O vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e me senti com meu Pai em seu trono.
22 Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às compras”.
O vencedor não será trono de glória
Mesmo diante do caos espiritual que a igreja de Laodicéia estava passando, ela poderia ser restaurada, se ela se arrependesse e perseverasse até o fim. Ela seria recompensada pelo Senhor Jesus. O vencedor sentará no trono junto com Jesus, isso significa que o povo reinará com o Senhor. O trono é símbolo de autoridade e conquista, o fiel sentará no trono de glória, sentará no trono eterno. A carta conclui dizendo que aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as compras. O Senhor tem falado com a sua igreja e com o seu povo.
Conclusão
Laodiceia estava vivendo de forma errada, então Jesus identificou o problema, onde ela perdeu o fervor espiritual, as obras dela era detestáveis aos olhos de Jesus, ela perdeu a alegria de servir ao Senhor, estavam acomodadas. A igreja estava desagradando a Cristo, ela era orgulhosa e não reconhecia sua condição. Jesus tendo misericórdia e graça, Ele aconselha, exorta, disciplina a igreja e chama ao arrependimento, a fim de restaurar a vida espiritual. A igreja de Laodicéia era pior que as outras, ela não recebeu nenhum elogio, mas foi corrigida pelo Senhor. Se Jesus escrevesse uma carta para a Igreja Batista de Senador José Porfírio, o que Ele teria a dizer a respeito dela? Será que os membros estão mornos espiritualmente? Trazendo desprazer para Jesus? Que Deus nos ajude a vivermos conforme a Palavra dEle.
Aplicação
Cuide-se para que você não venha perder o fervor espiritual, ou seja, o desejo de servir ao Senhor e se tornar um crente morno. Busque manter a chama acesa em seu coração.Busque estar atento à voz do Senhor Jesus e viver em comunhão com o Senhor. Se arrependa dos seus pecados todos os dias e busque ter zelo com a forma que você está vivendo.
Nesta segunda (08/09/25), foi inaugurada na cidade de Santa Terezinha-PE a mais moderna, linda e aconchegante Farmácia da cidade. A CILO FARMA conta com um espaçoso espaço, um estoque grandioso de produtos e atendimento de primeira qualidade, com os melhores preços da cidade.
Foi um momento espetacular para a cidade de Santa Terezinha-PE e região. A inauguração foi impressionante com a loja cheia de pessoas e produtos.
Além dos medicamentos, uma grande variedade de produtos: infantil, leites e derivados, higiene bucal, linha corporal, unhas, cabelos, dermocosméticos, suplementos, produtos de higiene, etc.
A festa de inauguração iniciou com uma benção apostólica, também contou com uma banda de forró e um delicioso e sortido coffee break .
A farmácia funcionará das 6:00 da manhã às 22:00 hs. da noite.
A partir de 50 reais divide em quatro vezes com todos cartões. Faz entregas a domicílio.
A qualidade é a nossa marca
A CILO FARMA localiza-se na Avenida José Romão de Araújo, n° 50, no centro de Santa Terezinha-PE.
Neste dia 06/09/25 a EREM SANTA TEREZINHA, na cidade de Santa Terezinha-PE , realizou o desfile cívico de 7 de Setembro, em comemoração a Independência do Brasil. Juntamente com a Escola Municipal José Paulino de Siqueira e demais escolas do município.
A EREM destacou o tema Meio Ambiente, valorizando o cuidado para com o nosso planeta. As escolas municipais apresentam temas diversos, mas destacando principalmente o LEITURART, projeto, o qual vem sendo desenvolvendo já a alguns anos.
Parabéns a gestão da EREM, na pessoa de Edson Murilo de Holanda e demais membros da gestão, aos professores, alunos e pais, enfim toda comunidade escolar. Foi um belo desfile. Parabéns a banda e o corpo coreógrafo, que fez por merecer.
Então o 7 de Setembro será sempre uma data memorável para o povo brasileiro.
Apesar da inclusão, eles querem ser reconhecidos como parceiros reais pelo clima e cobram ações imediatas para frear as mudanças climáticas.
O freitasnews.com.br – Sempre social e idôneo
Agradecemos ao professor Diego, da rede municipal, que fez a cobertura do desfile, a Valmir Ferreira de Andrade que esteve acompanhando com o carro de som e aos demais blogueiros (as) da cidade.
Nosso blog faz questão de valorizar a arte e a cultura do Brasil e principalmente do nosso povo para os internautas, principalmente àqueles que estão fora do município. Enfim a internet tem um alcance jamais visto, não temos ideia de onde nossas postagens irão chegar.
Na primeira semana de setembro, o Congresso Nacional terá uma agenda marcada por debates centrais para o governo e para os parlamentares que já projetam as Eleições de 2026. Entre os principais temas, estão a chamada “PEC da Segurança”, a regulamentação da reforma tributária, o imposto de renda, o orçamento do próximo ano e o andamento da CPMI do INSS.
Segundo o cientista político Eduardo Grin, professor da Fundação Getulio Vargas, a pressão por respostas rápidas à violência deve impulsionar a votação de propostas relacionadas à segurança pública. “Nos próximos dias, começando pela denúncia do caso do PCC, vai crescer a discussão da PEC da Segurança. Caiu de maduro já, e acho que o governo vai aproveitar pra botar isso na pauta. Vai ser difícil o Congresso resistir, então o assunto ganha relevância nesse momento”, afirma.
Tributação e orçamento em disputa
A reforma tributária segue no centro das negociações, com foco na regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e na composição do comitê gestor, que ainda gera impasses. Também entra em discussão a proposta de mudanças no imposto de renda, com disputas entre governo e oposição sobre a taxação de setores específicos. O Planalto tem pressa, já que precisa aprovar o texto até o fim de setembro para usar a medida como trunfo político em 2026.
Outro ponto de atenção é o orçamento de 2026. Parlamentares pressionam para acelerar a votação e garantir liberação antecipada de emendas, fundamentais para suas campanhas no próximo ano.
CPIs, PECs polêmicas e crimes digitais
A pauta também inclui a CPMI do INSS, que a oposição pretende utilizar como instrumento de desgaste do governo, e o debate sobre a chamada “PEC da blindagem”, que perdeu força após a repercussão de denúncias envolvendo políticos e esquemas de lavagem de dinheiro.
Além disso, deve avançar a análise de propostas voltadas ao combate a crimes digitais e ao uso das redes sociais para disseminação de conteúdos ilegais. Para Grin, o tema ainda exige ajustes “É um projeto que merece discussão, detalhamento, deixar mais claro como vai se dar a punição de quem cometer crime pela internet. Essa coisa do ECA digital e das redes sociais deve permanecer no radar do Congresso nos próximos dias”, avalia.
A IGREJA EM JERUSALÉM Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições
INTRODUÇÃO Muitas vezes imaginamos a vida cristã como um caminho de paz e segurança. No entanto, desde os primeiros dias da Igreja, seguir a Cristo significou enfrentar oposição, rejeição e, em alguns casos, até a morte. Estêvão, um dos primeiros diáconos, não apenas serviu com dedicação, mas também testemunhou sua fé diante de líderes hostis. Sua coragem revela que a Igreja não nasceu para se esconder, mas para brilhar em meio às trevas. Nesta lição, aprenderemos que o verdadeiro discipulado exige disposição para se arriscar por causa do Evangelho. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus, e viu Jesus em pé no lugar de honra, à direita de Deus. (At 7.55 NVT). Vamos considerar uma parte mais ampla da narrativa e, no desenvolvimento da lição, comentaremos em detalhe a vida e o martírio de Estêvão presentes nesse versículo. Lucas enfatizou os discípulos como comunidade de profetas batizados com o Espírito e relatou os atos dessa comunidade cheia do Espírito. Assim que a negligência das viúvas dos crentes de fala grega foi resolvida, a atenção passa para seis líderes pentecostais, começando por Estêvão e terminando por Paulo (At 6.8—28.31). A partir desse ponto, Lucas dedica sua narrativa a esses seis líderes: Estêvão, Filipe, Barnabé, Ágabo, Pedro e Paulo. Dentro dessa moldura, Estêvão é a primeira figura destacada (6.8–7.60). Sua história cumpre duas funções: 1. Testemunho inspirado: ele aparece como homem cheio de graça e poder, realizando sinais e defendendo a fé diante do Sinédrio. 2. Prelúdio da missão fora de Jerusalém: sua morte não é apenas um registro trágico, mas um ponto de virada. A perseguição que se segue espalha os discípulos e abre caminho para que a mensagem alcance a Judeia e Samaria.
VERDADE PRÁTICA A igreja foi capacitada por Deus para enfrentar um mundo que é hostil à sua fé e valores. 1. Capacitação. A igreja não foi deixada sozinha para enfrentar as pressões do mundo. Ademais, a hostilidade do mundo não pode ser enfrentada apenas com força humana ou argumentos, mas com a presença e capacitação sobrenatural de Deus. 2. Fidelidade em meio à oposição. A hostilidade é uma realidade para os seguidores de Jesus, pois o mundo rejeitou o próprio Senhor (Jo15.18-20). A igreja precisa entender que ser fiel à Palavra muitas vezes significa enfrentar rejeição, críticas ou até perseguição. Contudo, a fidelidade é o que dá credibilidade ao testemunho e mostra que nossa confiança está em Deus, não em aprovação humana. 3. A oposição como oportunidade de avançar. A morte de Estêvão parecia um revés, mas se tornou um marco para a expansão do evangelho (At 8.1). O sofrimento e a perseguição não destruíram a igreja; ao contrário, foram usados por Deus para espalhar a mensagem de Cristo por todo o mundo conhecido.
1. ESTÊVÃO E A IGREJA QUE TEM SUA FÉ CONTESTADA 1.1 Aprendendo com Estêvão. A LIÇÃO DIZ: Com Estêvão, em Atos 6 e 7, aprendemos que a fé cristã sempre será questionada. Ele enfrentou oposição, e todo cristão também enfrentará. A fé será colocada à prova, sem espaço para indecisão. Além disso, Estêvão nos ensina que todo cristão deve saber defender sua fé. Explicar e sustentar as crenças cristãs é uma responsabilidade da Igreja, e cada crente precisa entender no que acredita e como responder a desafios. No entanto, em um mundo que muitas vezes se opõe ao Cristianismo, não basta apenas defender a fé é preciso estar preparado até mesmo para enfrentar perseguições. Vamos ao texto bíblico: Estêvão, cheio de graça e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. (At 6.8 NAA). A narrativa sobre Estêvão constitui um ponto de virada em Atos. Ela encerra uma série de três julgamentos perante o Sinédrio. O primeiro terminou em advertência (4.21), o segundo em açoites (5.40), e o de Estêvão em morte. O episódio de Estêvão é o clímax do testemunho aos judeus de Jerusalém, tema central de Atos 2–5. Até esse momento, a oposição crescente dos líderes judeus contra os cristãos havia sido contida pelo favor do povo em relação ao movimento. Mas o cenário mudou: o povo se uniu à resistência contra Estêvão. O historiador Lucas destaca, dentre os sete diáconos, o primeiro da lista, Estêvão. Ele foi fiel tanto em sua vida quanto em sua morte. Viveu de forma superlativa e morreu de modo exemplar. Coroa é o significado do nome de Estêvão, o diácono que se tornou o protomártir do cristianismo. Assentou-lhe bem o nome porque foi o primeiro a receber a coroa do martírio na igreja. Se existe uma palavra que caracteriza a vida de Estêvão é cheio. Ele era um homem cheio de Deus. Sua vida não era apenas irrepreensível, mas também plena. Destacamos aqui alguns aspectos dessa plenitude. 1.1.1 Estêvão era cheio do Espírito Santo (6.3,5). Todo homem está cheio de alguma coisa. Está cheio do Espírito ou de si mesmo. Está cheio de Deus ou de pecado. 1.1.2 Estêvão era cheio de fé (6.5). Estêvão fora salvo pela fé, vivia pela fé, vencia o mundo pela fé e era cheio de fé. 1.1.3 Estêvão era cheio de sabedoria (6.3). Sabedoria é mais do que conhecimento; é o uso correto do conhecimento. 1.1.4 Estêvão era cheio de graça (6.8). Havia em Estêvão abundante graça. Sua vida era uma fonte de bênção. 1.1.5 Estêvão era cheio de poder (6.8). Estêvão era um homem revestido com o poder de Deus para fazer milagres e muitos sinais entre o povo. Implicações: 1.1.6 Estêvão, o apologista cheio do Espírito. Estêvão não respondeu aos opositores com arrogância, mas com a sabedoria e o poder do Espírito Santo. Seu testemunho revela que a defesa da fé exige mais do que argumentos; exige vida cheia de Deus. Para nós, a aplicação é clara: cada cristão deve conhecer sua fé, mas sobretudo depender do Espírito para testemunhar com graça em um mundo que questiona o evangelho. 1.1.7 Estêvão, amado pelo céu e rejeitado pelo mundo. Esse contraste mostra a realidade da vida cristã: a fidelidade a Cristo traz a aprovação do céu, mas também a oposição do mundo. Assim, o discípulo de Jesus não deve se surpreender com críticas ou hostilidade, pois seguir a Cristo é carregar sua cruz. Mais vale a aprovação de Deus do que a aceitação dos homens. 1.2 A fé sob ataque. A LIÇÃO DIZ: Lucas nos conta que, em um momento do ministério de Estêvão, um grupo de judeus que vivia fora de Israel, chamado de judeus helenistas, se levantou contra ele. Esses judeus faziam parte da Diáspora, ou seja, eram pessoas que tinham se espalhado por outras regiões, fora do território de Israel. Eles não concordaram com o que Estêvão estava ensinando e começaram a se opor ao seu trabalho (At 6.9).Então alguns dos que eram da sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e da província da Ásia se levantaram e discutiam com Estêvão. (At 6.9 NAA). A chamada “Sinagoga dos Libertos” (Synagōgē tôn Libertinōn) provavelmente era composta por judeus descendentes de escravos libertos do Império Romano. Muitos estudiosos, como Schnabel, Keener e Marshall, apontam que o termo “libertos” (grego libertinoi) se refere a judeus que haviam sido escravizados em Roma e depois libertos, cujos descendentes retornaram a Jerusalém e formaram sua própria sinagoga. Pelo histórico de cativeiro e retorno, esses judeus tendiam a ser especialmente zelosos quanto à identidade judaica e à pureza da fé, o que pode explicar a reação intensa contra Estêvão, visto por eles como uma ameaça. Keener acrescenta que o termo poderia abranger também judeus libertos de outras regiões do Império, não apenas de Roma.Além deles, o relato menciona Cirineus, Alexandrinos, bem como judeus da Cilícia e da Ásia, representando a presença judaica da diáspora em várias regiões do Império Romano. Cirene, localizada no norte da África (atual Líbia), possuía uma grande colônia judaica, e é de lá que provavelmente vinha Simão de Cirene, que carregou a cruz de Jesus. Alexandria, no Egito, era a maior comunidade judaica fora de Israel e um importante centro intelectual, onde o judaísmo se desenvolvia sob forte influência helenista. A Cilícia, por sua vez, era uma região da Ásia Menor cuja principal cidade era Tarso, local de nascimento de Saulo (Paulo), o que sugere que ele mesmo pode ter participado da oposição inicial a Estêvão. Já a referência à Ásia diz respeito à província romana que incluía cidades como Éfeso, onde também havia comunidades judaicas significativas. Esses judeus, oriundos de contextos greco-romanos, falavam grego e compartilhavam da mesma língua que Estêvão, o que indica que o embate ocorreu no campo do judaísmo helenista, em debates teológicos travados dentro da própria tradição judaica. 1.3 A disputa com Estêvão. A LIÇÃO DIZ: Uma outra palavra usada nesse texto merece nossa atenção. É o vocábulo “suzéteó”, traduzido aqui como “disputavam”: “E disputavam com Estêvão” (At 6.9). Os léxicos, ou dicionários de grego português, observam que este termo era frequentemente usado no contexto de discussões religiosas ou filosóficas, onde diferentes pontos de vistas estavam sendo examinados ou desafiados. Era uma forma de debater ideias e impor aos outros sua forma de enxergar as coisas. O texto bíblico diz: […] se levantaram e discutiam com Estêvão. Mas eles não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava. (At 6.9b-10 NAA). O verbo usado, suzēteō, não indica uma briga, mas um debate formal. Lucas não nos fornece o conteúdo da discussão, mas parte dos argumentos de Estêvão pode ser inferida das acusações feitas contra ele (6.13-14) e de seu discurso diante do Sinédrio. O centro do debate certamente envolveu a morte, a ressurreição e a messianidade de Jesus, bem como a incapacidade da lei mosaica e do ritual do templo para conceder salvação.Seja qual for o conteúdo preciso, Estêvão saiu vencedor. Seus opositores não conseguiam resistir à sabedoria e ao espírito com que ele falava. Seu raciocínio humano era insuficiente diante da sabedoria concedida por Deus. A expressão “o espírito com que falava” provavelmente não se refere diretamente ao Espírito Santo, mas ao fervor, à sinceridade, à energia e ao zelo que caracterizavam sua fala. Assim, Estêvão possuía as duas qualidades essenciais para vencer em debates públicos: a verdade indiscutível e uma comunicação poderosa. O impacto dessa combinação era irresistível para seus adversários. 1.4 A falsa narrativa. A LIÇÃO DIZ: A Igreja sempre teve de lidar e combater as falsas narrativas. Nos dias de Jesus, Ele foi acusado de enganar o povo (Jo 7.12); quando Ele ressuscitou, criaram a narrativa de que seu corpo havia sido roubado pelos discípulos (Mt 28.13). O apóstolo Paulo foi acusado de pregar contra os decretos de César (At 17.7) e pelo fato de pregar a respeito de Jesus e da ressurreição, o acusaram de pregar “deuses estranhos” (At 17.18). Hoje não é diferente. A igreja luta em várias frentes com falsas narrativas que a todo custo querem minar o seu testemunho e desacreditá-la. Você pode reconhecer algumas dessas narrativas? Eu consigo pensar em várias: “A fé cristã é anticientífica; a ciência ‘matou’ Deus.” “A Bíblia foi alterada/corrompida; não é confiável.” “Cristianismo copiou mitos pagãos; Jesus é só mais um mito.” “Religião causa a maioria das guerras (logo o cristianismo é socialmente nocivo).” Vamos voltar ao texto bíblico? Então subornaram alguns homens para que dissessem: — Ouvimos este homem proferir blasfêmias contra Moisés e contra Deus. Atiçaram o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra Estêvão, o agarraram e levaram ao Sinédrio. Apresentaram testemunhas falsas, que disseram: — Este homem não para de falar contra o lugar santo e contra a lei. Nós o ouvimos dizer que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos deu. Todos os que estavam sentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo. (At6.11-15 NAA).Como não podiam derrotá-lo em um debate justo, recorreram a outra estratégia. Subornaram homens para acusá-lo: “Ouvimos este homem proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus” (6.11). O verbo hupoballō, traduzido por “subornar” ou “incitar secretamente”, significa “sugerir ou instruir com más intenções”. Recrutaram falsas testemunhas, repetindo a mesma tática usada no julgamento de Jesus (Mt 26.59-61). Até mesmo as acusações de blasfêmia contra Estêvão lembram as feitas contra Cristo. As testemunhas acusaram Estêvão de falar blasfêmias contra Moisés e contra Deus. Seu zelo pela lei era tão grande que colocaram Moisés antes mesmo de Deus. A blasfêmia, isto é, falar mal daquilo que Deus considera sagrado, fosse a Lei ou o templo, era um crime gravíssimo, punível com a morte (Lv 24.16). Acusar Estêvão de blasfemar contra Moisés mostra que entendiam suas palavras como uma negação da capacidade da Lei de salvar. E acusá-lo de blasfemar contra Deus refletia sua defesa de Cristo como a verdadeira habitação divina, em contraste com o templo (v. 14; cf. Jo 10.36).O verbo sunarpazō (“arrastar”) significa “agarrar com violência”. É usado em Lucas 8.29 para descrever a possessão de um homem por um espírito maligno e em Atos 19.29 para relatar a apreensão dos companheiros de Paulo por uma turba revoltosa. A mesma multidão que antes respeitava Estêvão por seus sinais e maravilhas agora se voltou violentamente contra ele, assim como fizeram com Jesus: da aclamação à rejeição. Esse contraste mostra como é tênue a linha entre ouvir o evangelho e odiá-lo, a linha da apostasia, que, uma vez cruzada, frequentemente se transforma em violência.Lucas não informa quanto tempo se passou entre a prisão e o julgamento. É improvável que o Sinédrio já estivesse reunido, aguardando. Mas, no início do julgamento, os helenistas trouxeram suas falsas testemunhas (6.13), sem dúvida as mesmas mencionadas no versículo 11. Elas repetiram diante do conselho as acusações que haviam inflamado a multidão: Estêvão “não cessa de falar contra este lugar santo (o templo) e contra a Lei”. Não eram falsas por inventarem palavras inexistentes, mas por distorcerem as afirmações de Estêvão. O versículo 15 é espantoso. Esta cena apresenta um contraste impressionante. Estêvão estava diante do Sinédrio acusado de blasfemar contra Deus, contra o templo e contra a lei. No entanto, quando os membros do conselho fixaram seus olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo. Longe de refletir maldade, Estêvão irradiava a santidade e a glória de Deus. Deus respondeu às falsas acusações colocando a Sua glória no rosto de Estêvão, algo experimentado anteriormente apenas por Moisés (Êx 34.27-35). Assim, o Senhor demonstrou sua aprovação ao ministério de Estêvão da mesma forma como o fizera com Moisés. Cada crente deve lembrar-se de Estêvão e imitar suas qualidades. O homem que refletia a glória de Deus no rosto de um anjo deixou-nos um memorial não de pedra, mas de caráter e fidelidade. Esse é o tributo mais digno à sua vida.
2. ESTÊVÃO E A IGREJA QUE DEFENDE SUA FÉ 2.1 Deus na história do seu povo. A LIÇÃO DIZ: Estêvão é conhecido como o primeiro defensor da fé cristã e o primeiro mártir da Igreja. Ele faz uma defesa apaixonada da fé, usando a própria história do povo de Israel como base. No capítulo 7 do livro de Atos, encontramos seu discurso completo, no qual, guiado pelo Espírito Santo, ele não apenas mostra como Deus sempre agiu na história do seu povo, mas também revela o propósito principal dessa história: provar que Jesus é o Cristo. A defesa de Estêvão pode ser resumida em cinco aspectos, conforme observa Thomas Whitelaw: 2.1.1 Em primeiro lugar, a quem foi dirigida? Estêvão falou diretamente ao Sinédrio, ao povo judeu em geral e, de modo mais amplo, a todos os que em qualquer tempo enfrentassem situação semelhante. 2.1.2 Em segundo lugar, em que espírito foi proferida? Suas palavras transpareciam afeição e reverência, pois ele se dirigiu a eles chamando-os de “irmãos e pais” (7.2). 2.1.3 Em terceiro lugar, de que se compôs sua defesa? Estêvão percorreu a história de Israel, desde os patriarcas até o templo, evidenciando que José, Moisés e os profetas foram rejeitados, antecipando assim a rejeição de Cristo. 2.1.4 Em quarto lugar, com quais argumentos a sustentou? Ele mostrou que a verdadeira adoração não dependia nem da lei nem do templo, mas do Deus que se revelou a Abraão antes do Sinai e que não habita em casas feitas por mãos humanas. 2.1.5 Em quinto lugar, quais resultados produziu? Sua defesa gerou fúria nos ouvintes e levou ao seu martírio; contudo, confirmou que sua mensagem não era blasfêmia, mas a proclamação fiel do evangelho. O pastor José Gonçalves, em sua análise, também acrescenta importantes contribuições a essa discussão, ao afirmar: A pregação de Estêvão pode ser dividida em três partes seguidas de uma conclusão. Na primeira parte, ele faz referência aos patriarcas (At 7.2-16); na segunda, a referência é a Moisés (At 7.17-42); e, na terceira, faz alusão ao Tabernáculo e ao Templo (At 7.44-50); na conclusão, Estêvão mostra Cristo, o Messias, como a convergência e cumprimento de todas as profecias bíblicas (At 7.51-60). (GONÇALVES, 2025, p. 113). 2.2. Corações endurecidos. A LIÇÃO DIZ: Concluindo sua defesa da fé, Estêvão disse: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim, vós sois como vossos pais” (At 7.51). Mesmo diante dos fatos apresentados por Estêvão em uma defesa suficientemente convincente, seus adversários preferiram ignorar. Na verdade, ninguém convence quem não quer ser convencido. Deus não força ninguém a crer, nem tampouco o condena sem lhe dar, antes, oportunidade. O texto mostra que o Espírito Santo não tem espaço em corações endurecidos. Vamos ao bíblico: Homens teimosos e incircuncisos de coração e de ouvidos, vocês sempre resistem ao Espírito Santo. Vocês fazem exatamente o mesmo que fizeram os seus pais. Qual dos profetas os pais de vocês não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vocês agora se tornaram traidores e assassinos, vocês que receberam a lei por ministério de anjos e não a guardaram. (At 7.51-53 NAA). Na retórica clássica, a conclusão de um discurso recebia o nome de peroratio. Tratava-se do momento em que o orador aplicava as lições apresentadas em sua fala, de forma direta e muitas vezes emotiva, visando levar seus ouvintes à ação. Esse recurso, comum tanto na retórica grega quanto na profecia hebraica, tinha o objetivo de despertar consciência de culpa e mover os ouvintes ao arrependimento. Assim também Estêvão concluiu: não apenas para condenar seus acusadores, mas para conclamá-los ao retorno a Deus. Usando a linguagem profética, chamou-os de “duros de cerviz, incircuncisos de coração e ouvidos”, sempre resistindo ao Espírito Santo (7.51). Todo o resumo histórico serviu justamente para mostrar esse padrão: Israel resistindo aos líderes enviados por Deus. Moisés e os profetas todos foram rejeitados. Agora, seus ouvintes haviam feito o mesmo com o Messias, o Justo. Para John Stott, essa acusação de Estêvão equivalia a chamar seus juízes de “pagãos de coração e surdos à verdade”. No fim, fica claro que Estêvão não buscava absolvição. Sabia que não conseguiria escapar sem negar suas convicções. Resolveu, então, usar aquele momento como última oportunidade para dar testemunho de Cristo e chamar seu povo ao arrependimento. Seu discurso não foi uma defesa judicial, mas uma proclamação profética e missionária.
3. ESTÊVÃO E O MARTÍRIO DA IGREJA 3.1 Contemplando a vitória da cruz. A LIÇÃO DIZ: Diante de um grupo enfurecido (At 7.54), Estêvão contemplou a glória de Deus: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At 7.56). Uma igreja que contempla o Cristo glorificado não nega a sua fé, pois ela contempla a vitória da cruz. O texto bíblico diz: Ao ouvirem isto, ficaram com o coração cheio de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus. Então disse: — Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus. Eles, porém, gritando bem alto, taparam os ouvidos e, unânimes, avançaram contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram as capas deles aos pés de um jovem chamado Saulo. (At 7.54-58 NAA). O Sinédrio ouviu a primeira parte do discurso de Estêvão com interesse e até concordância. Afinal, ele estava apenas recitando a história, tema caro ao coração da nação. Contudo, à medida que sua linha de argumentação se tornava cada vez mais clara, eles começaram a ficar desconfortáveis. Quando ouviram a repreensão definitiva de Estêvão nos versículos 51-53, foram profundamente atingidos. As palavras de Estêvão rasgaram o verniz de sua falsa espiritualidade e os expuseram como os hipócritas blasfemos que eram. Enfurecidos, em vez de quebrantados em arrependimento diante das palavras de Estêvão, começaram a ranger os dentes contra ele. Esse ato expressava raiva e frustração (cf. Sl 35.16; 37.12). Enquanto o Sinédrio se enchia de fúria, Estêvão, cheio do Espírito, fixou os olhos no céu e teve uma visão extraordinária. Ele contemplou a glória de Deus e Jesus em pé à direita do Pai (At 7.55-56). Essa imagem é notável, pois em outros textos Cristo é descrito como assentado à direita de Deus (Sl 110.1; Cl 3.1; Hb 1.3). Aqui, porém, Ele está em pé, como quem se levanta para receber e honrar o primeiro mártir cristão. O céu se abriu não para livrá-lo da morte, mas para confirmar-lhe a vitória. Ao declarar o que via, Estêvão provocou a ira máxima dos seus acusadores. Taparam os ouvidos e, unânimes, avançaram contra ele, arrastando-o para fora da cidade e apedrejando-o (At 7.57-58). A morte de Estêvão não foi uma derrota, mas uma vitória. Ele entrou na glória, e sua vida se tornou um memorial permanente. Foi o primeiro a experimentar o que Jesus havia prometido: “Bem-aventurados sois quando vos injuriarem e perseguirem… porque grande é o vosso galardão nos céus” (Mt 5.11-12). 3.2 Perdoando o agressor. A LIÇÃO DIZ: A última declaração de Estêvão antes de sua morte é marcante e cheia de significado: “E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu” (At 7.60). Aqui vemos um cristão que não teme a morte porque contempla a coroa da vida (Ap 2.10). Temos aqui a figura de uma igreja que, literalmente, se dá pelo perdido, que se sacrifica por ele. Esse deve ser o modelo a seguir. 3.2.1 Entrega. Estêvão morreu como alguém cheio do Espírito Santo (7.55). Suas últimas palavras, “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (7.59), ecoam diretamente a oração de Cristo na cruz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46). Essa entrega não é apenas um paralelo literário, mas uma confissão de confiança absoluta. O texto de fundo é o Salmo 31.5, oração judaica ensinada às crianças para a hora de dormir. Assim, Estêvão enfrenta a morte com a simplicidade da fé infantil, descansando inteiramente no Senhor. 3.2.2 Perdão diante da injustiça. Seu pedido “Senhor, não lhes imputes este pecado” (7.60) remete à intercessão de Jesus pelos que o crucificaram: “Pai, perdoa-lhes” (Lc 23.34). Esse detalhe mostra que a obra do Espírito não apenas capacita a enfrentar a morte, mas a amar e perdoar os inimigos no momento mais extremo. Estêvão não apenas testemunha de Cristo com palavras, mas imita Cristo em seu gesto de perdão. 3.2.3 Esperança na ressurreição. Lucas conclui dizendo que Estêvão “adormeceu” (7.60). Essa metáfora, recorrente no cristianismo primitivo, não banaliza a morte, mas a redefine à luz da vitória de Cristo sobre o túmulo. O “sono” exprime certeza de despertar, confiança na ressurreição final e descanso no Senhor. Para Estêvão, morrer não foi o fim, mas o início da vida plena junto ao Cristo glorificado, cuja visão ele ainda tinha diante dos olhos (7.55–56). Assim, sua morte se torna uma proclamação da esperança cristã: quem morre em Cristo adormece para acordar na eternidade.
CONCLUSÃO William Barclay destaca três pontos importantes acerca de Estêvão neste texto: 3.2.4 O segredo do seu valor. O primeiro diácono da igreja viu o martírio como sua entrada à presença de Cristo. 3.2.5 O protomártir do cristianismo seguiu o exemplo de Cristo em sua vida e também em sua morte. Assim como Jesus orou pelo perdão daqueles que o executavam (Lc 23.34), também o fez Estêvão. 3.2.6 Para Estêvão, o terrível tumulto terminou em uma estranha paz. Ele dormiu na terra e logo foi recebido no céu pelo próprio Senhor Jesus.
A LIBERDADE EM CRISTO Vivendo o Verdadeiro Evangelho conforme a Carta aos Gálatas
INTRODUÇÃO Quem somos diante de Deus: devedores que precisam provar seu valor, ou filhos que recebem graça? Os gálatas viviam essa tensão. Os judaizantes prometiam segurança em regras e ritos. Todavia, seguir as doutrinas desse grupo herético era trocar a liberdade por escravidão. Paulo, porém, responde de forma muito clara esse falsos ensinadores quando, por meio de um exemplo, leva-nos à casa de Abraão. Ali, há duas mulheres, Sara e a escrava Agar. Há dois filhos: Ismael, nascido de um atalho humano; Isaque, nascido da promessa de Deus. A conclusão apostólica é: caminhemos, portanto, como filhos da livre: firmes na graça, obedientes pela fé e gratos pela herança que o Pai nos confiou em Cristo. FLUXOGRAMA – CONHECENDO O TEXTO BÍBLICO CENÁRIO RETÓRICO Digam-me vocês, os que querem estar sob a lei: CONFLITO será que vocês não ouvem o que a lei diz? FUNDO ESCRITURÍSTICO Pois está escrito que Abraão teve dois filhos: um da mulher escrava e outro da mulher livre. DISTINÇÃO TEOLÓGICA O filho da escrava nasceu segundo a carne; o filho da mulher livre nasceu mediante a promessa. INTERPRETAÇÃO ALEGÓRICA Estas coisas são alegóricas, porque essas mulheres são duas alianças. Uma se refere ao monte Sinai, que gera para a escravidão; esta é Agar. DESENVOLVIMENTO ALEGÓRICO Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com os seus filhos. DECLARAÇÃO IDENTITÁRIA Mas a Jerusalém lá de cima é livre e ela é a nossa mãe. FUNDAMENTO PROFÉTICO Porque está escrito: “Alegre-se, ó estéril, você que não dá à luz; exulte e grite, você que não sente dores de parto; porque os filhos da mulher abandonada são mais numerosos do que os filhos da que tem marido.” AFIRMAÇÃO APOSTÓLICA Mas vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaque. CONFLITO HISTÓRICO-TIPOLÓGICO Como, porém, no passado, aquele que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim também acontece agora. PALAVRA DE ORDEM Mas o que diz a Escritura? Ela diz: “Mande embora a escrava e seu filho, porque de modo nenhum o filho da escrava será herdeiro com o filho da mulher livre.”RESUMO DA LIÇÃO Pela fé em Jesus Cristo, somos filhos de Deus e descendência de Abraão. Atividade: Cartas de Liberdade: um paralelo entre Sara e Agar Base Bíblica: Gálatas 4.21-31 ● Objetivo da Atividade: Ajudar os alunos a compreenderem o contraste entre a vida sob a lei (representada por Agar) e a vida sob a graça (representada por Sara), conforme ilustrado por Paulo. 1. Como a atividade pode ser realizada? 1.1. Material: Dois envelopes ou sacolas simples, identificados com: 1.1.1 “Agar – Filhos da Escravidão” 1.1.2 Sara – Filhos da Promessa” 1.2 Conteúdo de cada envelope: 1.2.1 Envelope de Agar (Escravidão): Um pequeno papel com Gálatas 3.10 “Todos os que se apoiam na prática da lei estão debaixo de maldição”. Frases como: 1.2.1.1 “Você precisa conquistar o amor de Deus.” 1.2.1.2 “Deus só se agrada quando você acerta tudo.” 1.2.1.3 “Você precisa cumprir regras para ser aceito.” 1.2.2 Envelope de Sara (Liberdade): Um papel com Efésios 2.8-9 – “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé…”. Frases como: 1.2.2.1 “Você é filho amado.” 1.2.2.2 “Deus te aceita por quem Ele é, não pelo que você faz.” 1.2.2.3 “A promessa é maior que o seu desempenho.” 2. Dinâmica: 2.1.Divida a turma em dois grupos. 2.2.Cada grupo abre seu envelope e compartilha o conteúdo. 2.3.Depois, os grupos trocam os envelopes. Pergunte: 2.3.1. “Como vocês se sentem lendo essas frases?” 2.3.2. “Com qual envelope você mais se identifica no dia a dia?” Finalize dizendo: “Assim como Paulo explicou, Agar e Sara são mais que duas mulheres: são representações de dois caminhos espirituais. Um exige desempenho constante, e gera medo, dúvidas e tristeza. O outro se baseia em promessa e amor, e gera liberdade. A cruz de Cristo nos convida a viver como filhos da promessa. Qual envelope você tem carregado dentro de você?”
1. O QUE A LEI DIZ 1. 1 Paulo se vale da história. A LIÇÃO DIZ: A fim de reforçar seu argumento, o apóstolo mostra aos gálatas a diferença entre ser escravo e ser livre. Ele começa com a seguinte pergunta: “Dizei-me vós, os que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei” (v. 21)? Em outras palavras, “Já que vocês querem viver debaixo da Lei, ao menos vejam o que ela diz”. O exemplo de Agar e Sara serve a dois propósitos. Primeiro, funciona como prova bíblica que encerra a ideia central de Paulo: somos justificados pela fé. Segundo, faz a ponte para a parte prática que começa em Gálatas 5.1–6. Nesse cenário, surge então a pergunta: por que Paulo escolhe focar nessas duas mulheres e em seus filhos de modo aparentemente complexo? A explicação mais plausível, apontada por C. K. Barrett, é que Paulo estava respondendo a uma leitura que os judaizantes já faziam dessa história. Entre os rabinos, o relato de Ismael e Isaque era usado para defender que só quem pertencesse fisicamente à família de Abraão teria direito à promessa. Em outras palavras: os descendentes de Isaque seriam os judeus; os de Ismael, os gentios. No Sinai, os judeus teriam recebido a luz da Lei, enquanto os gentios teriam permanecido nas trevas, fora das promessas. Barrett resume assim: entendida apenas no plano biológico, a “semente de Abraão” separaria filhos “legítimos” e “ilegítimos”, e os gálatas estariam sendo pressionados a se “legitimar” pela circuncisão e a se unir à comunidade centrada em Jerusalém. Quem não aceitasse isso deveria ser excluído e não poderia esperar herdar as promessas. Não é difícil ver como um argumento desses pesaria sobre novos convertidos, levando-os a duvidar se a fé em Cristo bastava para entrar na verdadeira família de Deus. Por isso, Paulo revisita a história para mostrar que, lida corretamente, ela não sustenta o projeto judaizante; ao contrário, confirma sua mensagem: a inclusão no povo de Deus não vem do sangue nem dos ritos, mas da promessa de Deus acolhida pela fé. Vamos ao texto bíblico Digam-me vocês, os que querem estar sob a lei: será que vocês não ouvem o que a lei diz? (Gl 4.21 NAA). Ao dirigir-se aos que “querem estar sob da lei”, Paulo deixa claro que a apostasia ainda não era total. É verdade que alguns gálatas já guardavam festas e dias do calendário judaico, e outros estavam quase aceitando a circuncisão. As ideias judaizantes haviam ganhado espaço, mas não tinham vencido de todo. Por isso, Paulo busca reconquistá-los, mostrando o sentido correto da lei. Numa única frase ele usa “lei” em dois sentidos. “Debaixo da lei” aponta para a lei mosaica, com seus mandamentos e regulamentos. Já na pergunta “Não ouvis a lei?”, “lei” significa as Escrituras do Antigo Testamento (especialmente o Pentateuco), de onde extrairá o exemplo dos dois filhos de Abraão. Assim como em Gl 2.19, Paulo afirma que a lei é santa, justa e boa, mas não foi dada para justificar; ela aponta para trás, à aliança com Abraão, e para frente, ao seu cumprimento em Cristo. Logo, “ouvir” a lei não é repetir a exegese rabínica dos judaizantes, e sim lê-la à luz de Cristo. É exatamente isso que Paulo faz ao reinterpretar a história de Agar e Sara. Implicações: 1.1.1 Você realmente entende aquilo que está buscando obedecer? Muitos cristãos vivem como se estivessem debaixo de regras para “agradar a Deus”, mas esquecem que a Lei apenas mostra o pecado, não salva. Devemos nos perguntar: estou vivendo pela graça ou tentando merecer a bênção de Deus por desempenho religioso? 1.1.2 Não basta conhecer a Bíblia; é preciso entender o seu propósito redentivo. Estou lendo a Palavra com as lentes do evangelho ou da religiosidade? 1.2 O significado de ser escravo. A LIÇÃO DIZ: No mundo do primeiro século, no Império Romano, a escravidão era bem conhecida. Milhões de pessoas foram feitas escravas por causa de guerras, de dívidas, ou porque nasceram filhos de escravos. O escravo era simplesmente uma pessoa que não tinha direito sobre a própria vida. Sua vida e morte residiam nas mãos do seu proprietário. Nos dias de Paulo, o Império Romano era sustentado em grande parte por uma estrutura escravagista: 1.2.1 Cerca de 1/3 da população do Império era escravizada em algumas regiões. 1.2.2 Escravos não tinham status legal, nem direitos civis ou familiares. 1.2.3 Eram considerados propriedade viva de seus senhores, podendo ser vendidos, punidos ou mortos legalmente. 1.2.4 A escravidão não era baseada em raça, mas em conquistas militares, dívidas, abandono infantil ou nascimento. Quando Paulo fala do “filho da escrava”, ele invoca uma imagem de submissão total, falta de liberdade, e impossibilidade de herança. 1.3 A busca pela liberdade. A LIÇÃO DIZ: Paulo se utiliza da história de Abraão para ilustrar o que os gálatas precisavam saber. Ele é chamado de pai da fé, mas é dele que também procedem os judeus. O patriarca era casado com Sara, e a promessa de ser uma grande nação foi dada a ambos, não somente a Abraão. A genética repassada do patriarca aos seus descendentes seguia uma linha de muitos séculos, onde, por vezes, os hebreus se viram dominados por outros povos. Eles sabiam a importância de serem livres, e no primeiro século não desfrutavam ainda de plena liberdade. Os judeus, descendentes de Abraão, carregavam uma memória coletiva de opressão que moldou sua identidade. A experiência da escravidão no Egito (Êxodo), o exílio na Babilônia (2 Reis 25) e, depois, o domínio de impérios sucessivos, como persas, gregos e, nos dias de Paulo, o Império Romano, mantiveram viva a sensação de sujeição. Mesmo com o Templo reconstruído, Jerusalém seguia vigiada por soldados estrangeiros; havia tributos e pouca autonomia (Jo 8.33). Os judeus do primeiro século ansiavam por liberdade política; contudo, Paulo revela um anseio ainda mais profundo: a liberdade espiritual. Ele afirma que ser descendente físico de Abraão não torna ninguém automaticamente filho da promessa. A filiação que conta diante de Deus não é garantida por sangue, costumes ou ritos, ela é uma ação graciosa do Senhor e é recebida pela fé. Nesse sentido, Paulo distingue dois caminhos. Ismael, “filho da carne”, representa quem confia na Lei, no esforço humano e no sistema religioso para alcançar aceitação. Isaque, “filho da promessa”, simboliza quem recebe a graça, crê em Deus e vive pela fé. Aplicando isso aos gálatas, Paulo os adverte: ao abraçar os ensinos judaizantes, vocês estão escolhendo o caminho de Ismael quando Deus já os fez Isaque. Buscar liberdade na Lei, na carne e nas obras é trocar a herança por servidão; a verdadeira liberdade é dom de Deus em Cristo.
2. O FILHO DA CARNE E O FILHO DA PROMESSA 2.1 A carne e seu filho. A LIÇÃO DIZ: A comparação que Paulo faz com referência a Ismael, o primeiro filho de Abraão, como sendo o resultado não da fé ou da promessa, mas como sendo um arranjo de uma decisão baseada em um pensamento humano diante da impaciência. A ideia partiu de Sara, que seguiu um costume de sua época, em que uma escrava poderia dar um filho ao seu senhor. Ninguém poderia negar que Ismael era filho de Abraão. Entretanto, ele representa um arranjo humano, uma forma de antecipar a realização da promessa de Deus. Vamos ao texto bíblico: Pois está escrito que Abraão teve dois filhos: um da mulher escrava e outro da mulher livre. O filho da escrava nasceu segundo a carne; o filho da mulher livre nasceu mediante a promessa. (Gl 4.22-23 NAA). Tendo convidado seus leitores a “ouvir” a lei, Paulo introduziu o pano de fundo histórico da história de Hagar e Sara com a fórmula de citação bem conhecida: “Está escrito”. Paulo frequentemente usava essas palavras quando estava prestes a citar um texto específico do Antigo Testamento. Nesta ocasião, contudo, ele não forneceu uma citação direta, mas sim um resumo conciso da narrativa de Gênesis a respeito do nascimento dos dois filhos de Abraão. Paulo recorreu ao relato veterotestamentário registrado em Gênesis 16–17; 21. Em Gênesis, essa história é marcada por tensão, emoção e detalhes históricos fascinantes. Paulo, porém, não concentrou sua atenção nesses elementos, mas destacou três fatos históricos básicos que são essenciais para o significado figurado que ele desenvolveria. 2.1.1 Os dois filhos de Abraão. Na realidade, Abraão teve oito filhos, seis deles com Quetura (Gn 25.1-2), que se tornou sua esposa após a morte de Sara. Paulo, entretanto, não mencionou esses filhos posteriores porque eram irrelevantes para o seu propósito imediato. 2.1.2 A condição das duas mães. Assim como os dois filhos, também suas mães não são nomeadas neste ponto, mas descritas em relação ao seu status. Hagar era uma escrava egípcia ligada à casa de Abraão, enquanto Sara era uma mulher livre, a legítima esposa de Abraão. O contraste entre liberdade e escravidão, sugerido pela condição das duas mães, teria papel crucial na aplicação que Paulo faria do exemplo nos versículos finais do capítulo. 2.1.3 As circunstâncias dos dois nascimentos. Não apenas os filhos tinham mães diferentes, mas também nasceram de maneiras distintas. O filho da escrava nasceu “segundo a carne”, isto é, pelo processo natural da procriação humana. Em contraste, o filho da mulher livre nasceu “mediante a promessa”, isto é, em cumprimento direto da palavra de Deus a Abraão. O nascimento de Ismael resultou da filosofia segundo a qual “Deus ajuda aqueles que ajudam a si mesmos”. Abraão e Sara, já em idade avançada e ainda sem filhos, decidiram “ajudar Deus” a cumprir sua promessa. O resultado foi o nascimento de Ismael, que se tornou fonte de contenda e sofrimento por toda a vida. Assim, Ismael representa o caminho humano, o caminho da carne, isto é, a tentativa de alcançar a promessa por meio de esforço próprio e obras. Implicações 2.1.4 Eu sei que você, assim como eu, já tentou forçar o cumprimento das promessas de Deus. É uma ação natural de quem está governado pela ansiedade e pela incredulidade querer oferecer uma mão amiga a Deus. Todavia, não podemos nos esquecer de que Deus não precisa de nossa ajuda para cumprir suas promessas. O resultado de nossas precipitações será frustração, arrependimento e angustia. 2.2 A promessa e seu filho. A LIÇÃO DIZ: Isaque foi dado a Abraão e Sara como garantia de que Deus cumpre o que promete. É à descendência de Isaque, e não de Ismael, que os crentes seriam associados. Quatro verdades são destacadas por Paulo acerca de Isaque (LOPES, 2011 p. 203-204): 2.2.1 Primeiro, Isaque nasceu como filho da mulher livre. “… e outro da livre” (4.22b). Nasceu para a liberdade, e não para a escravidão. 2.2.2 Segundo, Isaque nasceu mediante a promessa. “… o da livre, mediante a promessa” (4.23b). Se Ismael nasceu de uma conjunção puramente carnal entre Abraão e Hagar, Isaque nasceu por intervenção sobrenatural de Deus. E isso por duas razões. Primeiro, porque tanto Abraão como Sara já estavam avançados em idade e não poderiam mais gerar naturalmente. Isaque é fruto de um milagre de ressurreição (Rm4.17–25). Segundo, porque Sara era estéril, e seu ventre estéril não poderia conceber. Por isso, Isaque é filho da promessa e nasceu no tempo de Deus, da maneira sobrenatural de Deus. 2.2.3 Terceiro, Isaque nasceu segundo o Espírito. “Como, porém, outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora” (4.29). Assim também são os crentes em Cristo. Eles nascem não segundo a carne nem segundo a vontade do homem, mas de cima, do alto, do Espírito. 2.2.4 Quarto, Isaque nasceu para ser o herdeiro de tudo. “Contudo, que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava será herdeiro com o filho da livre” (4.30). Isaque é o herdeiro de tudo. As bênçãos espirituais são dádivas da graça, e não resultado do esforço humano. As riquezas eternas são confiadas aos filhos, ou seja, aqueles que recebem a Cristo como Salvador, e não aos escravos que vivem sob a tirania da lei (Rm 8.17).
2.3 O escravo persegue o livre. A LIÇÃO DIZ: A Palavra de Deus nos diz que no momento da cerimônia em que Isaque, o filho da promessa, foi desmamado, Ismael zombou dele (Gn 21.8.9). Da mesma forma que Hagar quando engravidou zombou de Sara, Ismael o faz com Isaque. O comentarista, infelizmente, salta vários textos bíblicos. Vamos ler a passagem que fundamenta este subponto: Como, porém, no passado, aquele que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim também acontece agora. (Gl 4.29 NAA). Em Gênesis 21.8-9, durante a festa do desmame de Isaque, Sara viu Ismael zombando dele. Embora alguns interpretem o verbo hebraico como simples brincadeira, o uso bíblico da palavra indica sentido negativo: ridicularização ou hostilidade (cf. Gn 19.14; 39.14; Êx 32.6; Jz 16.25). Historicamente, Ismael, então com cerca de 17 anos, percebeu que o nascimento de Isaque comprometia sua posição de herdeiro, o que explica sua atitude de inveja. Além disso, o desprezo de Agar por Sara (Gn 16.4) pode ter sido imitado por Ismael em relação a Isaque. Paulo, portanto, interpretou corretamente o episódio: o que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, pela promessa (Gl 4.23). Assim também os judaizantes perseguiam os gálatas, e o mundo, seja legalista ou libertino, continua hostil aos filhos de Deus (Mt 5.11; Jo 15.20; 2Tm 3.12). 3. A SOLUÇÃO PARA ESSE CONFLITO 3.1 Lança fora a escrava e seu filho. A LIÇÃO DIZ: (Na minha percepção, o texto da lição está sem sentido). Vamos ler o texto bíblico. Mas o que diz a Escritura? Ela diz: “Mande embora a escrava e seu filho, porque de modo nenhum o filho da escrava será herdeiro com o filho da mulher livre.” (Gl 4.30 NAA). No primeiro versículo desta seção (v. 21), Paulo desafiou os gálatas: se eles realmente desejassem estar sob a lei, precisariam primeiro ler e entender o que essa lei realmente dizia. Ele agora se aproxima da conclusão de seu raciocínio alegórico, perguntando: “Mas o que diz a Escritura?”. Paulo cita Gênesis 21.10, que vem logo após o versículo da passagem anterior sobre Ismael zombando de Isaque. Como resultado do escárnio de Ismael, Sara concluiu que ele era uma ameaça para Isaque e exigiu que ambos, Ismael e sua mãe, fossem mandados embora. Abraão, que amava Ismael, estava relutante, mas Deus tomou o partido de Sara e Abraão foi obrigado a atender aos seus desejos. Hagar e Ismael foram expulsos para o deserto. Assim como Sara deu ordem a Abraão para lançar fora de casa Hagar e Ismael, também devemos lançar fora da nossa vida espiritual toda espécie de legalismo carnal. Donald Guthrie diz que os gálatas precisavam de uma ação igualmente firme para impedir que a liberdade cedesse lugar à escravidão. O legalismo não pode existir lado a lado com a promessa. Não há aliança entre a confiança nos méritos de Cristo e a confiança na carne. Não existe harmonia entre a fé em Cristo e a confiança nas obras. Precisamos romper com o legalismo. Precisamos mandar embora todo sistema religioso que escravize as pessoas. 3.2 Somos filhos da livre. A LIÇÃO DIZ: Os gálatas eram, da mesma forma que Isaque, filhos da promessa: “De maneira que, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre” (Gl 4.31). O texto bíblico diz: Portanto, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre. (Gl 4.31 NAA). Este versículo não encerra apenas a comparação entre Hagar e Sara; ele amarra todo o raciocínio de 3.1 a 4.30. Como os falsos mestres usavam a Escritura, Paulo também os responde com a Escritura. Primeiro, ele lembra os gálatas da história de Abraão: ele foi considerado justo porque confiou em Deus, não por cumprir regras (3.6–9). Depois, explica a lei: ela mostra o pecado e nos conduz a Cristo; é importante, mas não salva (3.10–25). Com isso claro, ele faz um apelo de coração: “sejam como eu”, apoiando-se só na graça (4.12–20). Por fim, Paulo relembra Hagar e Sara à luz do evangelho e mostra dois caminhos que não se misturam: de um lado, Sara, Isaque, a nova aliança, Sião e a Jerusalém do Alto; de outro, Hagar, Ismael, a antiga aliança, Sinai e a Jerusalém atual. A conclusão é simples: os verdadeiros filhos de Abraão são os da promessa, justificados pela graça mediante a fé; quem busca o Senhor “pela carne” continua preso (vv.23, 29). Como esses caminhos não combinam, Paulo chega ao ponto: “Expulsa a escrava e seu filho” (v.30), ou seja, rejeitem o legalismo e quem o sustenta. Com a diferença entre escravidão e liberdade bem definida, ele abre a próxima etapa da carta: viver no Espírito (caps. 5–6). 3.3 Não tornem a ser escravizados. A LIÇÃO DIZ: Paulo nos dá duas ordens aqui: Estejam firmes na sua liberdade, e não se coloquem debaixo de servidão. Na primeira observação, ele ordena que a liberdade que receberam em Cristo seja defendida a todo custo. Na segunda, ele aponta que era possível os gálatas serem escravizados, não por uma força militar externa, ou como despojo de guerra, ou por causa de uma dívida, coisas comuns para a escravidão naquela época. O que Paulo mostra é que os gálatas estavam se sujeitando voluntariamente à perda da liberdade. Por isso ele diz que eles não se sujeitem à escravidão que a Lei e os judaizantes estavam lhes imprimindo. Confesso que demorei a entender o que o comentarista estava tentando explicar. Ele comenta Gálatas 5.1. Particularmente, acredito que muitos irmãos terão certa dificuldade de entender. O comentarista deveria ter feito menção do texto bíblico. Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Por isso, permaneçam firmes e não se submetam, de novo, a jugo de escravidão. (Gl 5.1 NAA). Como é típico em um verso de transição como esse, os intérpretes discordam se ele conclui 4.21–31 ou começa 5.2–11. O comentarista da revista, achou interessante comentar esse texto agora. Vamos entender o a passagem bíblica diz: 3.3.1 Primeiro, a liberdade é um dom conquistado por Cristo. Ela não é fruto do esforço humano, nem resultado de obediência à Lei, mas efeito direto da morte e ressurreição de Jesus. Essa liberdade tem um sentido abrangente: libertação do pecado, da maldição da Lei e também das forças espirituais que escravizam a humanidade. Para Paulo, recusar essa liberdade é desprezar o próprio evangelho.] 3.3.2 Segundo, essa liberdade precisa ser preservada ativamente. Paulo usa a imagem do “jugo”, comum no contexto judaico para falar da Lei, mas também usada em sentido mais amplo para descrever opressão e servidão. A advertência é clara: não basta ter sido liberto, é preciso permanecer firme, resistindo a qualquer tentativa de retornar a uma vida de escravidão espiritual, seja pelo pecado, seja por sistemas religiosos que se tornam substitutos da graça. Implicações 3.3.3 Vigiar contra novas formas de escravidão espiritual. Devemos examinar continuamente se estamos vivendo como livres ou como cativos de velhos hábitos, tradições ou vícios.
CONCLUSÃO A alegoria de Sara e Agar nos mostra que não existe meio-termo entre viver como escravo ou viver como filho. O caminho da carne, representado por Agar, é o do esforço humano, da religiosidade e da escravidão. O caminho da promessa, representado por Sara, é pura graça, liberdade e herança. Paulo deixa claro: fomos libertos em Cristo para nunca mais voltar às correntes da Lei ou às ilusões do pecado. Por isso, somos chamados a viver como filhos da livre, não como escravos da carne.
Entidades sem fins lucrativos de todo o Brasil interessadas em construir moradias por meio do Minha Casa, Minha Vida poderão enviar suas propostas para a Caixa Econômica Federal. O cadastro e a lista de documentos necessários para a apresentação destas propostas foram publicados na edição extra do Diário Oficial da União desta sexta-feira (22).
O texto regulamenta o processo de seleção e estabelece a meta de contratação do Minha Casa, Minha Vida – Entidades para 2025 (veja tabela abaixo). As moradias serão construídas em áreas urbanas, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). Podem participar entidades habilitadas sem fins lucrativos de todo o país. Poderão ser apresentadas propostas para as seguintes modalidades:
I – Aquisição de terreno e elaboração de projeto de unidades novas;
II – Elaboração de projeto de unidades novas;
III – Produção de unidades novas;
IV – Aquisição de imóvel e elaboração de projeto de unidades requalificadas;
V – Elaboração de projeto de unidades requalificadas; e
VI – Produção de unidades requalificadas.
A seleção das propostas observará critérios territoriais, sociais e de projeto. Tais critérios guardam consonância com as prioridades de atendimento constantes da Lei nº 14.620, de 13 de julho de 2023. Serão priorizadas propostas em imóveis disponibilizados pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU).
O Ministério das Cidades procederá à seleção das propostas, de acordo com a ordem de hierarquização, até o limite da meta. Caso esta meta não seja alcançada por inexistência de proposta enquadrada, o ministério poderá realizar o remanejamento da meta com vistas a contemplar propostas enquadradas e não selecionadas.
Neste dia especial 10/08/25, na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Santa Terezinha PE, comemorou-se o Dia dos Pais.
A igreja estava muito linda e o Culto a Deus foi de muitas bençãos para todos. Os pais foram homenageados com uma linda decoração , belos hinos e mensagens, presentes, Slides com fotografias e no final um delicioso jantar e churrasco. Tudo para a honra e a glória do Nosso Senhor Jesus Cristo.
A IGREJA EM JERUSALÉM Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições
A narrativa de Atos 4 apresenta uma igreja cujo amor cristão era o princípio organizador da vida e da convivência entre os crentes. A generosidade não foi imposta, tampouco ocasional, mas voluntária e constante. Nesta lição, observamos como a presença do Espírito Santo produziu uma igreja sensível, onde a comunhão se expressava em ações concretas. Trata-se, portanto, de um modelo eclesiológico que desafia a prática cristã em qualquer tempo e cultura.
TEXTO ÁUREO Todos os que creram pensavam e sentiam do mesmo modo. Ninguém dizia que as coisas que possuía eram somente suas, mas todos repartiam uns com os outros tudo o que tinham. (At 4.32 NTLH). Essa passagem está inserida em uma seção narrativa do livro de Atos (2–6), na qual Lucas descreve o crescimento e a vida coletiva da igreja primitiva em Jerusalém. O texto em análise apresenta um ideal, resultado da obra do Espírito no coração dos crentes. Esse ideal se expressa em pelo menos quatro áreas: 1. Unidade: “um só coração e uma só alma”. 2. Desapego dos bens: ninguém dizia que algo era “seu”, pois via seus recursos como bênçãos para repartir. 3. Generosidade: o texto seguinte (4.34–35) mostra que havia distribuição conforme a necessidade. 4. Testemunho visível: esse estilo de vida impactava os de fora e fortalecia a comunhão interna. Embora o ideal seja exaltado, o texto bíblico logo mostra que a realidade da igreja visível é marcada por falhas, tensões e desafios éticos. Duas observações se destacam: Em primeiro lugar, destacam-se os inúmeros problemas internos. Logo após o relato, Lucas narra a história trágica de um casal que fingiu compartilhar tudo, mas mentiu. Temos o problema de Atos 6, onde os bens não estavam sendo repartidos corretamente e a pobreza que assolou a igreja. Em seguindo lugar, a presença dos aproveitadores. A generosidade da igreja primitiva correu o risco de ser explorada. Em outras cartas, como 2 Tessalonicenses, Paulo adverte contra aqueles que se recusavam a trabalhar, mas desejavam viver à custa dos irmãos. Ele afirma: “se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3.10). Não podemos ignorar o modelo bíblico de partilha e vida comum, mas também não devemos romantizar ou tentar replicar mecanicamente uma prática que pertenceu a um contexto histórico específico. O desafio é traduzir o princípio em ações fiéis, prudentes e coerentes com a verdade do evangelho.
VERDADE PRÁTICA O amor é o elo que mantém a unidade da igreja local. Sem o amor, não existe relacionamento cristão saudável. Nenhum mandamento de Deus pode ser ignorado. Como Criador, Ele exige obediência completa. Quando Jesus foi questionado sobre qual é o maior mandamento, respondeu que o mais importante é amar a Deus com todo o ser e, em seguida, amar o próximo como a si mesmo (Mc 12.30-31). O amor é o princípio que sustenta toda a vida cristã. Ele organiza nossas virtudes, dá sentido ao nosso comportamento e torna a obediência verdadeira e livre. Sem amor, qualquer prática religiosa perde valor diante de Deus, que se importa tanto com nossas ações quanto com nosso caráter. Antes de chamar a Igreja para pregar, Deus a convoca para o exercício do amor. Visto que o amor é o elo que mantém a igreja unida, em nenhuma hipótese, ele deve ser negligenciado. Imagine um prédio imponente, construído com as melhores técnicas e materiais. Esse edifício tem paredes fortes, pilares firmes, janelas belas e portas seguras. Contudo, todo esse edifício desabaria rapidamente se não tivesse uma base sólida, um fundamento estável. Assim é o amor na vida cristã. Podemos ter conhecimento bíblico, práticas religiosas corretas e moralidade exemplar, mas sem o amor verdadeiro, tudo desmorona. O amor é o fundamento que sustenta e dá sentido à nossa fé, à nossa obediência e à nossa comunhão com Deus e com os outros.
1. O AMOR MANIFESTADO NA COMUNHÃO CRISTÃ 1.1 O crescimento da Igreja Cristã. A LIÇÃO DIZ: Nesse ponto de sua narrativa, Lucas se refere à igreja como a “multidão dos que criam” (v.32). Essa expressão pode ser entendida com o sentido de um “grande número” ou “assembleia”. A Igreja que havia começado com 120 discípulos, agora é uma grande multidão. Uma igreja pequena possui a mesma natureza e essência de uma igreja grande. Assim como uma igreja grande, uma pequena igreja também enfrenta seus problemas e desafios. Contudo, os desafios e problemas de um grande povo são maiores em proporção em relação a uma pequena. Eles se tornam mais complexos e, portanto, mais desafiadores. A congregação dos que criam havia crescido tão rapidamente que já não podia ser numerada. Esse crescimento extraordinário foi resultado direto do que é registrado no versículo 31, quando aqueles que foram “cheios do Espírito Santo […] anunciavam com ousadia a palavra de Deus”. O texto descreve um dos períodos mais notáveis da igreja em Jerusalém. Contudo, o pastor José Gonçalves chama a atenção para as dores associadas ao crescimento. Nenhum processo de expansão ocorre sem o surgimento de desafios. O crescimento da igreja, embora desejável, traz consigo tensões que exigem maturidade, discernimento e firmeza doutrinária para serem superadas. Dessa forma, apresentam-se a seguir alguns dos problemas enfrentados pela igreja que cresce: 1.1.1 Dificuldade em preservar a unidade espiritual. Com o aumento do número de membros, torna-se mais difícil manter uma comunhão verdadeira entre todos. O risco de fragmentações internas, formação de grupos fechados e conflitos por preferências pessoais aumenta significativamente. 1.1.2Fé superficial. O crescimento numérico, muitas vezes, não é acompanhado por um crescimento espiritual proporcional. 1.1.3Sobrecarga da liderança pastoral. À medida que a demanda por cuidado espiritual aumenta, pastores e líderes podem ser sobrecarregados. A necessidade de aconselhamento, visitas, discipulado, administração e ensino se torna mais intensa. 1.1.4 Complexidade organizacional. Uma igreja pequena pode funcionar de maneira mais simples e espontânea. Contudo, à medida que cresce, surgem demandas organizacionais inevitáveis: gestão de espaço, comunicação interna, ministérios diversificados, divisão por faixas etárias, controle financeiro e planejamento de atividades. 1.2 Os desafios do crescimento. A LIÇÃO DIZ: Assim, vemos a Igreja de Jerusalém crescer em escala geométrica. Ela se multiplicava (At 6.7) e com isso os desafios também eram maiores. Como essa igreja, que até pouco tempo não passava de um pequeno número, se comportaria com o novo formato adquirido? Apontamentos necessários: Em primeiro lugar, é comum que observadores externos se apressem em apontar falhas, criticar ou sugerir soluções simplistas para os problemas da igreja. No entanto, tais dificuldades são plenamente compreendidas apenas por aqueles que participam ativamente das demandas do corpo de Cristo. Em segundo lugar, não se deve ignorar nem dissimular a existência dos problemas. Eles precisam ser reconhecidos e enfrentados com sabedoria e responsabilidade. Em terceiro lugar, os problemas não devem desviar a igreja dos fundamentos essenciais de sua fé. Caso a igreja negligencie a Palavra de Deus e a oração na tentativa de resolver suas dificuldades, acabará gerando conflitos ainda maiores do que os inicialmente enfrentados. Permanecer firme nos fundamentos espirituais é indispensável para que as soluções sejam consistentes e agradáveis a Deus. Em quarto lugar, as atividades da igreja não devem estar concentradas em uma única pessoa. É necessário que líderes sejam separados com base em princípios bíblicos e devidamente preparados à luz da Palavra de Deus para o exercício do ministério. Por fim, é em Cristo, no amor fraternal e na unidade do corpo que a igreja encontra a base sólida para enfrentar todas as dificuldades. Textos sobre a responsabilidade mútua dos cristãos: • “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13.34,35). • “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Rm 12.10). • “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.” (Gl 5.13). • “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” (Ef 4.2,3). • “Consolai-vos uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.” (1Ts 5.11). • “Consideremo-nos também uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns.” (Hb 10.24,25). • “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” (1Jo 4.7,8). 1.3 A vida interior. A LIÇÃO DIZ: A expressão “era um o coração e a alma” (At 4.32) mostra a igreja em sua essência, revelando sua união interna. O Espírito Santo capacitou poderosamente os cristãos para cumprir a missão fora da igreja (At 1.8), para a tarefa do evangelismo (At 4.31,33; 8.6,7), mantendo os crentes unidos internamente.“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma”. Isto é, todos os crentes tinham os mesmos pensamentos (“coração”) e os mesmos desejos (ou a mesma disposição) (“alma”).O texto aparece assim em algumas traduções mundo a fora: “Todos os crentes, que eram muitos, pensavam e sentiam da mesma maneira”; “… tinham a mesma maneira de pensar e de sentir”. “Eram como se fossem uma só pessoa nos seus pensamentos e nos seus desejos”; ou, “Todos pensavam a mesma coisa e queriam a mesma coisa”. Essa união gerou frutos evidentes. Em primeiro lugar, foi pela unidade interna que a evangelização se fortaleceu. A proclamação do evangelho feita com ousadia (At 4.31,33) era sustentada pela integridade da comunhão. O êxito evangelístico se dava por meio da unidade. Uma igreja dividida não evangeliza com poder, porque seu testemunho contradiz a mensagem do Evangelho. Em segundo lugar, essa união fortaleceu a vida comunitária. A igreja cresceu não apenas numericamente, mas em discipulado, mutualidade e testemunho. Os que criam se tornavam parte de um corpo vivo, e aprendiam a viver o evangelho no cotidiano, em amor e fraternidade. Por fim, essa união era visível ao mundo. O testemunho externo da igreja era marcado não por triunfalismo, mas por comunhão verdadeira. O mundo via e reconhecia que aquele povo vivia de modo diferente.
2. O AMOR COMO MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA 2.1 A graça como manifestação do Espírito. A LIÇÃO DIZ: O melhor ambiente para a manifestação dos dons do Espírito é em uma igreja onde o amor de Deus está presente. Lucas nos informa que “os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (At 4.33). O contexto nos mostra que o Espírito opera em um ambiente que lhe é propício, isto é, onde a igreja está banhada no amor cristão. Observe no versículo 33 duas marcas de excelência de uma igreja: grande poder e abundante graça. Vance Havner relaciona outras quatro características: grande temor (5.5,11); grande perseguição (8.1); abundante alegria (8.8; 15.3); e um grande número de cristãos (11.21). A ressurreição do Senhor Jesus era o tema central da pregação apostólica (cf. At 2.24, 32; 3.15; 5.30; 10.40; 13.30, 33, 34, 37). Apesar de saberem que essa ênfase ofendia profundamente as autoridades judaicas, os apóstolos nunca ocultaram a verdade para evitar tal ofensa. Essa postura firme contrasta com a prática de muitos setores da igreja atual. Em nome da contextualização, termo frequentemente usado para suavizar a acomodação ao mundo, a mensagem do evangelho é despojada de tudo aquilo que possa ser considerado ofensivo. No entanto, os incrédulos precisam ser confrontados em seu pecado, pois, se não forem, jamais se voltarão a Cristo. Sobre o “grande poder”. Tratava-se de poder divino manifesto em seu mais alto grau, operando por meio dos apóstolos. O termo grego utilizado é megá dýnamis, isto é, “grande poder”. Essa expressão caracteriza de forma marcante a pregação e o testemunho apostólicos (cf. At 1.8), por pelo menos três razões fundamentais: 2.1.1 O testemunho apostólico estava solidamente fundamentado na Palavra de Deus (v. 29), com a convicção de que ela fora inspirada pelo Espírito Santo. 2.1.2 Os discípulos estavam plenamente conscientes de que haviam sido enviados e comissionados pelo próprio Jesus Cristo, o Senhor ressurreto (v. 33). 2.1.3 O poder do Espírito Santo, operando intensamente por meio dos discípulos (v. 31), produzia profunda convicção nos corações dos ouvintes quanto ao pecado, à justiça de Cristo e ao juízo divino (cf. Jo 16.8). O mesmo poder do alto continua disponível à igreja contemporânea. Onde o Espírito Santo opera com liberdade e autoridade, ali também haverá ousadia na proclamação, convicção nos corações e frutos visíveis da ação divina. 2.2. A graça como favor imerecido. A LIÇÃO DIZ: Há ainda um outro aspecto da graça de Deus revelada neste texto: “em todos eles havia abundante graça” (At 4.33). Isso significa que a graça de Deus estava manifestada tanto nos apóstolos como em toda a igreja. Esse texto não se encontra deslocado, mas é posto aqui com o propósito de mostrar a razão ou motivo daquele contagiante ambiente cristão. Uma igreja dinâmica, que demonstra amor para com seu próximo e na qual o Espírito Santo se manifesta de forma abundante, é uma igreja que reflete a graça de Deus. Como resultado da pregação poderosa dos apóstolos, abundante graça estava sobre todos eles. A palavra “graça”, no sentido de favor, pode ser entendida de duas formas. Primeiramente, como em Atos 2.47, pode referir-se ao favor do povo. Embora os líderes religiosos se opusessem aos apóstolos, o povo comum ainda não havia se voltado contra eles. Pelo contrário, ficava impressionado com o amor e a unidade entre os crentes. Em segundo lugar, e mais importante, a igreja primitiva contava com o favor de Deus. A comunhão caracterizada por amor, unidade e zelo evangelístico é sempre acompanhada pelas bênçãos divinas. Diante do exposto, é possível afirmar que: 2.2.1 Na linguagem popular, especialmente no contexto evangélico brasileiro, muitos usam a expressão “tô só a graça”para se referirem a um estado de fraqueza, desânimo ou até mesmo caos pessoal. Porém, esse uso está em completo contraste com o sentido bíblico da graça, especialmente conforme vemos em Atos 4.33. A menção de “abundante graça” no contexto do testemunho apostólico mostra que a graça de Deus não é apenas perdão, mas força capacitadora para a proclamação ousada do evangelho.
3. A MANIFESTAÇÃO DO AMOR NA SOLIDARIEDADE CRISTÃ 3.1 A busca pela equidade. A LIÇÃO DIZ: O Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa conceitua “equidade” como a “disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um”. Assim, diferentemente da igualdade, a equidade não enxerga as pessoas como sendo todas iguais e, por isso, busca formas de ajustar o desequilíbrio entre elas. Em Jerusalém não havia nivelamento social, nem todos possuíam as mesmas condições. Havia pessoas mais abastadas, e havia pobres também. Estes, geralmente, em maior número. Logo, a igreja demonstrou ser sensível a essa realidade, procurando tratar dessa situação (At 4.34), sendo solidária com a situação dos menos favorecidos. O texto bíblico diz: Não havia nenhum necessitado entre eles, porque os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e os depositavam aos pés dos apóstolos; então se distribuía a cada um conforme a sua necessidade. (At 4.34,35 NAA). A expressão “nenhum deles” mostra que essa atitude era característica de todos os crentes. Todos entenderam que tudo o que possuíam pertencia a Deus e que haviam recebido esses bens como mordomos, para administrar conforme a vontade divina. Assim, quando surgia uma necessidade, sentiam-se obrigados a usar os recursos dados por Deus para supri-la. Um teste muito prático do amor cristão é o quanto alguém está disposto a sacrificar financeiramente. Tiago pergunta: “Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e necessitarem do alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ‘Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos’, mas não lhes der o necessário para o corpo, que proveito há nisso?” (Tg 2.15–16). O apóstolo João vai ainda mais direto ao ponto: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o coração, como permanece nele o amor de Deus?” (1Jo 3.17). O resultado prático da demonstração de amor em Jerusalém foi que “não havia entre eles necessitado algum”. Conclui-se que: 3.1.1 É necessário avaliar se, ao ajudarmos alguém, estamos realmente demonstrando amor ou apenas aliviando a consciência. Muitos doam apenas o que sobra, o que não usam mais, o que perderia o valor de qualquer forma. No entanto, a igreja em Jerusalém entregava aquilo que tinha valor. Eles vendiam propriedades e traziam os recursos para o sustento dos necessitados. Generosidade bíblica envolve sacrifício, não conveniência. 3.1.2 Muitos crentes vivem como se tudo o que têm fosse para consumo próprio. Organizam a vida para poupar, viajar, reformar, investir, mas não colocam nem 5% da mesma energia para socorrer quem passa necessidade. Na igreja de Jerusalém, ninguém retinha o que poderia suprir o outro. Eles não pensavam só em “ter”, mas em “compartilhar”. A pergunta é simples: você consegue cortar alguma coisa do seu orçamento para incluir alguém que precisa? 3.1.3 Uma igreja que arrecada muito, mas gasta quase tudo com estrutura, som, reforma, mídia e estética, enquanto ignora irmãos que enfrentam desemprego, abandono ou necessidades básicas, precisa urgentemente reavaliar suas prioridades. 3.2 Propriedade e compartilhamento. A LIÇÃO DIZ: Estudiosos observam que a igreja de Jerusalém vivia uma comunidade de compartilhamento, não de domínio. Os crentes mantinham a propriedade de seus bens, mas os disponibilizavam conforme a necessidade de cada um. Alguns interpretam essa prática como uma forma de comunismo primitivo. No entanto, conforme visto em Atos 2.44–46, isso não é correto. O uso do pretérito imperfeito indica uma prática contínua, e não um ato único e obrigatório de redistribuição de riqueza. Além disso, Atos 12.12 mostra que crentes ainda possuíam casas, e as palavras de Pedro a Ananias em Atos 5.4 confirmam que a venda de bens era voluntária. O destaque positivo dado a Barnabé por sua generosidade também reforça esse ponto: se fosse obrigatório, não haveria elogio. Ademais, não há registro de que outras igrejas tenham seguido esse modelo. Ryrie comenta: Não se trata de “comunismo cristão”. A venda dos bens era absolutamente voluntária (v. 34). O direito à propriedade particular não foi abolido. A comunidade só controlava os recursos a partir do momento em que estes haviam sido entregues voluntariamente aos apóstolos. A distribuição não era feita de maneira uniforme, mas de acordo com a necessidade. Não se trata de princípios comunistas, e sim da mais excelente demonstração de caridade cristã. 3.3 Um exemplo da voluntariedade. A LIÇÃO DIZ: O texto bíblico deixa claro que havia voluntariedade nos crentes em ajudar uns aos outros. Havia uma consciência de pertencimento e, por isso, ninguém deseja ver o outro excluído. Isso era a manifestação do grande amor de Deus derramado nos corações daqueles crentes. Vamos concluir em tom de advertência e exortação. Vou parafrasear as palavras do pastor José Gonçalves registradas no livro de apoio. Três aspectos fundamentais podem ser destacados na igreja de Jerusalém: (1) a supervisão apostólica, (2) a voluntariedade dos crentes e(3)a prática da solidariedade. Esses elementos aparecem de forma clara na narrativa e oferecem lições relevantes para a vida da igreja contemporânea. 3.3.1 Em primeiro lugar, a voluntariedade deve caracterizar o serviço cristão, tanto na esfera social quanto na dimensão missional. Embora alguns possam receber apoio financeiro para o desempenho de determinadas tarefas, tal remuneração não deve ser sua motivação principal. Quando o interesse material ocupa o lugar da obediência a Deus, o serviço torna-se deficiente e esvaziado de sentido espiritual. Isso não significa que a remuneração seja indevida, mas sim que o desejo de agradar a Deus deve ocupar o centro da motivação. 3.3.2 Em segundo lugar, além da voluntariedade, há a necessidade de possuir-se um espírito solidário. Uma igreja que não é solidária na sua essência deixou de ser Igreja. Por natureza, uma igreja necessita ser solidária. 3.3.3 Em terceiro lugar, toda igreja precisa de supervisão responsável. Os apóstolos atuavam como administradores fiéis das necessidades da igreja, zelando com sabedoria pelos bens e pelas decisões da congregação. A má gestão pode comprometer não apenas os recursos da igreja, mas também sua unidade e credibilidade. Em muitos casos, os maiores problemas enfrentados por igrejas não têm origem nos membros, mas na má administração de seus líderes. Aqueles que recebem autoridade para gerir o que lhes é confiado, especialmente no que se refere a recursos financeiros devem fazê-lo com responsabilidade e total transparência. A ausência de prestação de contas pode gerar desconfiança, insatisfação e murmuração no seio da igreja. Por isso, a liderança deve primar por uma gestão ética, transparente e orientada pelos princípios das Escrituras.
CONCLUSÃO A igreja de Jerusalém demonstrou que o amor cristão, quando operado pela graça de Deus, gera unidade, desprendimento e responsabilidade mútua. A partilha de bens, o cuidado com os necessitados e a firmeza doutrinária não foram resultados de imposição externa, mas fruto da ação do Espírito Santo entre os crentes. Ainda que enfrentasse tensões internas e riscos de exploração, manteve-se firme na obediência à verdade do evangelho. A lição central não está na reprodução literal do modelo, mas na aplicação coerente de seus princípios.
Neste sábado, dia 26 de julho, o Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães (Geraldão), cediou o 2º dia do 43º Congresso de Jovens da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco (IEADPE). O tema deste ano está baseado em Efésios 6:10, “Fortalecidos pelo Poder”. Um tema atual, pelo qual Deus tem falado grandiosamente ao coração dos jovens.
Estão participando do evento várias caravanas vindas de todo o estado, que juntos louvaram o Senhor em mais uma noite de evento.
Além das caravanas, a festividade também contou com a participação de um grande coral de jovens composto por aproximadamente 2.000 vozes, e vários cantores como Luanna e Francisco, Aline Irineu, Aline Rodrigues, Ben Yanni, Lucas Benaia, Mayra Carvalho, Pb. Josafá Souza, Israel Ferreira, Pr. Marcelo Santos (AD em Sorocaba, SP) e Pr. Emerson Pedrosa (Campinas, SP).