GIDEÃO: DEUS TRANSFORMA A INSEGURANÇA EM CORAGEM

INTRODUÇÃO
Israel, mais uma vez, havia chegado a uma condição humilhante, pois durante sete anos, os midianitas invadiram suas terras, destruíram suas plantações e levaram o seu gado. O povo, consequentemente, abandonou suas casas e procurou abrigo em cavernas e esconderijos. Gideão vivia neste contexto de opressão, sob a expectativa de ser roubado ou morto a qualquer momento. Enquanto malhava o trigo no lagar para salvar algum alimento, ouviu do Anjo do Senhor uma saudação inesperada: “O Senhor é contigo, varão valoroso” (Jz 6.12). Gideão se considerava pequeno, incapaz e despreparado para libertar Israel. Deus, porém, conhecia suas limitações e sabia o que faria por meio dele. Nesta lição, acompanharemos o chamado de Gideão, suas dúvidas, o tratamento de Deus em sua vida e a vitória concedida a Israel. Preparados? Vamos aprender juntos a Palavra de Deus.
TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES
Então o Anjo do SENHOR apareceu a Gideão e lhe disse: “O SENHOR está com você, poderoso guerreiro”. (Jz 6.12, NVI). Então o Anjo do SENHOR apareceu a ele e disse: — Você é corajoso, e o SENHOR está com você! (Jz 6.12, NTLH).
O versículo em análise narra o encontro de Gideão com o “Anjo do Senhor”. A saudação presente nesta passagem bíblica contém duas afirmações:
• “O Senhor é contigo”: uma declaração da presença e do favor de Deus.
• “Varão valoroso”: descrição de Gideão como guerreiro forte, corajoso e capaz.
A saudação causa surpresa porque Gideão ainda não é descrito até esse ponto da narrativa como um herói militar. Naquele momento, ele malhava trigo no lagar para esconder a produção de seus mantimentos dos midianitas (Jz 6.11). Sua condição presente, portanto, parecia contrariar o modo como o Anjo do Senhor o chamou.
A expressão “varão valoroso/ poderoso guerreiro” pode ser entendida de três maneiras:
• Como um reconhecimento de uma capacidade que ainda não havia sido demonstrada;
• Como uma declaração do chamado que Gideão cumpriria pela ação de Deus;
• Como um encorajamento divino diante de seu medo e de sua insegurança.
Gideão não se considerava valente, como suas respostas posteriores deixam evidente. Mesmo assim, Deus o chamou para transformar uma pequena possibilidade em uma grande vitória. Muitos jovens permitem que o medo, a comparação e o sentimento de incapacidade se tornem desculpas permanentes para não servirem a Deus. No entanto, o chamado de Gideão nos ensina que reconhecer as próprias limitações é importante, mas usá-las como justificativa para recusar a vontade de Deus é um sinal de incredulidade.
RESUMO DA LIÇÃO
Mesmo diante das limitações, Deus capacita e conduz à vitória aqueles que confiam nEle. O resumo da lição apresenta três verdades que precisam ser compreendidas à luz da história de Gideão.
Em primeiro lugar, as limitações de Gideão eram reais. Ele sentia medo, pertencia a uma família sem grande influência e se considerava o menor da casa de seu pai (Jz 6.15). Israel também não possuía condições militares para enfrentar os midianitas. Deus conhecia todas essas dificuldades quando o chamou. Todavia, a fraqueza de Gideão não anulou o propósito divino, mas enfatizou e posteriormente revelou que a libertação de Israel não poderia ser atribuída a nenhum homem.
Em segundo lugar, a capacitação veio do Senhor. Gideão recebeu uma missão que ultrapassava suas forças, mas também recebeu a promessa da presença divina: “Eu estarei com você” (Jz 6.16). Mais tarde, o Espírito do Senhor revestiu Gideão para convocar o povo e liderar a batalha (Jz 6.34). Deus não exigiu que ele encontrasse em si mesmo a coragem necessária. O Senhor o chamou, corrigiu sua maneira de pensar, confirmou sua Palavra e o preparou para a peleja. Por fim, a vitória foi concedida por Deus. Gideão precisou confiar, derrubar o altar de Baal, reunir os homens e enfrentar os midianitas. Contudo, o resultado da batalha não dependeria do número de soldados nem da habilidade militar de Israel. Deus reduziu o exército para que o povo não tomasse para si a glória da libertação (Jz 7.2).
Precisamos entender que a história de Gideão não promete que todos os nossos projetos se realizarão. Pelo contrário, ela ensina que Deus concede os recursos necessários para cumprirmos aquilo que ele nos ordena. Por isso, o cristão não deve transformar suas limitações em desculpas para desobedecer a Deus. Quando o Senhor nos chama, nossa responsabilidade é confiar nEle e fazer a sua vontade.
1. INFIDELIDADE E ADVERTÊNCIA PROFÉTICA
Pergunta chave: Por que Israel foi oprimido pelos midianitas?
Ideia central do ponto: Israel voltou ao ciclo de infidelidade e sofreu grande opressão dos midianitas. Antes de levantar Gideão, Deus confrontou o pecado de seu povo por meio de uma palavra profética.
1.1 A monotonia da infidelidade.
Verdade central: Israel repetiu o ciclo de pecado e foi entregue aos midianitas por sete anos. Quem se acostuma com o pecado corre o risco de ter a mente cauterizada.
Para refletir: Há algum pecado que tenho tratado como normal por repeti-lo muitas vezes?
A LIÇÃO DIZ: O livro de Juízes parece ser repetitivo, devido à recorrência do pecado por parte da nação de Israel. A reincidência, mais uma vez anunciada em Juízes 6.1, revela o perigo desse padrão persistente, que continuamente afasta o povo de Deus, mesmo após o perdão e a intervenção divina. Aquele que se acostuma com esse ciclo corre o risco de ter a mente cauterizada pelo pecado (1Tm 4.2).
O texto bíblico diz:
Os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos midianitas durante sete anos (Jz 6.1, NAA). A narrativa de Gideão ocupa três capítulo (Jz 6-8), mas suas consequências alcançam o capítulo seguinte, (Jz 9).
Como em 3.12a e 4.1, o ciclo de Gideão abre com a fórmula negativa de avaliação. A expressão “fizeram o que era mau aos olhos do Senhor” apresenta a avaliação divina da conduta de Israel. O povo poderia considerar suas escolhas normais ou aceitáveis, mas Deus as julgava segundo os termos da aliança. O altar de Baal que existia na propriedade da família de Gideão mostra até onde a idolatria havia chegado (Jz 6.25). O pecado não estava restrito a determinados lugares. Ele havia entrado nas casas dos Israelitas e recebido a aprovação de toda a comunidade. O Senhor entregou Israel nas mãos dos midianitas durante sete anos. O verbo “entregar” mostra que a opressão não aconteceu porque os deuses de Midiã eram mais poderosos. Deus permitiu que os inimigos prevalecessem para disciplinar seu povo por causa da desobediência. Israel abandonou o governo do Senhor e acabou submetido ao domínio de uma nação cruel. Vale a pena relembrar a famosa frase de Spurgeon: “Deus nunca permite que seu povo peque com sucesso”. Os midianitas eram descendentes de Abraão por meio de Quetura (Gn 25.1,2) e viviam em grupos nômades ou seminômades nas regiões desérticas a leste e ao sul de Israel. A relação entre os midianitas e os israelitas variou ao longo da história. Moisés encontrou abrigo em Midiã e se casou com Zípora, filha de um sacerdote midianita (Êx 2.15-21). Posteriormente, grupos midianitas se envolveram em conflitos com Israel (Nm 25; 31). É possível que a invasão tenha sido motivada por vingança, mas Juízes 6 não apresenta essa explicação. O narrador explica que a opressão daqueles dias ocorreu por causa da infidelidade de Israel. Israel estava brincando com Deus e com o pecado. Escrevendo para sua primeira carta Timóteo, Paulo fala do perigo de uma “consciência cauterizada” (1 Tm 4.2). Essa imagem descreve uma consciência que perdeu a sensibilidade moral depois de rejeitar repetidamente a verdade. O pecado praticado com frequência não se torna menos grave. O que diminui é a vergonha de cometê-lo e a disposição de abandoná-lo. A Carta aos Hebreus apresenta advertência semelhante ao falar do endurecimento provocado pelo engano do pecado (Hb 3.13). Como professor de EBD, você deve exortar seus alunos a terem cuidado com os pecados domésticos, aqueles que são alimentados em secreto, mentiras, pornografia, murmuração, fornicação… Eles têm o poder de cauterizar a nossa consciência se não forem abandonados.
1.2 A força destruidora do pecado.
Verdade central: Os midianitas saqueavam as colheitas de Israel, forçando o povo a se esconder em cavernas. O pecado promoveu fome, pobreza e medo constante.
Para refletir: Reconheço as consequências destrutivas do pecado ou tenho minimizado sua gravidade?
A LIÇÃO DIZ: Tomados pelo pavor, os israelitas foram forçados a se refugiar nos montes em busca de segurança. Isso porque, sempre que realizavam suas colheitas, os midianitas, em aliança com os amalequitas, invadiam suas terras e saqueavam os frutos da terra e o gado. Era uma situação de caos. Por causa da desobediência, os hebreus não desfrutavam de paz nem segurança, sendo obrigados a viver em constante fuga. Sua economia foi devastada, a ponto de enfrentarem fome e pobreza (Jz 6.6). O ataque inimigo era tão intenso que o texto bíblico descreve que “vinham como gafanhotos” (Jz 6.5).
O texto bíblico diz:
Os midianitas prevaleceram contra Israel. E, por causa dos midianitas, os filhos de Israel fizeram para si as covas que estão nos montes, as cavernas e as fortificações. Porque, cada vez que os israelitas semeavam, os midianitas, os amalequitas e os povos do Oriente os atacavam. Acampavam em Israel, destruindo os produtos da terra até a vizinhança de Gaza, e não deixavam em Israel sustento algum, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos. 5Pois vinham com o seu gado e as suas tendas, como uma nuvem de gafanhotos. Eram tantos, que não se podiam contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra para a destruir. 6Assim, Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas. Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor (Jz 6.2-6, NAA). A opressão dos midianitas assumiu uma forma diferente das dominações anteriores. Eles não parecem ter ocupado permanentemente as cidades israelitas nem estabelecido um governo sobre a terra. As invasões aconteciam durante o período agrícola. Depois que os israelitas semeavam, os midianitas, os amalequitas e outros povos do Oriente entravam na região, acampavam nos campos e destruíam as plantações (Jz 6.3,4). Israel cultivava a terra, mas os invasores chegavam na época da colheita para consumir ou levar toda a produção. Os ataques atingiram todos os meios de subsistência do povo. Os inimigos não deixavam mantimentos, ovelhas, bois ou jumentos. Sem cereais nem animais, as famílias perderam alimentos, meios de transporte e condições de continuar produzindo. A opressão foi tão severa que o narrador afirma que Israel ficou “muito debilitado” ou “muito empobrecido” por causa de Midiã (Jz 6.6). O povo da terra prometida estava morrendo de fome na própria herança que receberam do Senhor. Destacaremos cinco aspectos importantes da opressão midianita:
Em primeiro lugar, a escravidão (6.2,3). O domínio dos midianitas, dos amalequitas e de outros povos do Oriente reduziu o povo da aliança à servidão. Israel estava subjugado por uma coalizão inimiga e sofria sob um jugo pesado. Como já destacamos, os israelitas cultivavam os campos, mas, quando chegava a época da colheita, os invasores se apropriavam da produção e destruíam tudo o que não podiam aproveitar.
Em segundo lugar, a fuga (6.2). A opressão de Midiã era tão severa que os israelitas precisavam abandonar suas casas e refugiar-se nas montanhas, onde preparavam esconderijos em covas, cavernas e lugares fortificados. Deixavam para trás as lavouras, os rebanhos e as provisões, enquanto os midianitas e seus aliados saqueavam tudo e espalhavam destruição.
Em terceiro lugar, a destruição da economia (6.3-5). Os midianitas organizaram uma coalizão de povos para invadir a terra, e Israel só podia fugir para os montes e se esconder. O domínio dos opressores tinha caráter sobretudo econômico, pois eles saqueavam as lavouras e os rebanhos. Nas palavras de Timothy Keller, “os midianitas não estavam interessados em controle político, mas em exploração econômica, em pilhagem das lavouras”. Com as plantações devastadas e os rebanhos destruídos, Israel perdia suas fontes de sustento e renda. Cada vez que o povo semeava na esperança de uma boa colheita, a coalizão inimiga subia contra ele, acampava na terra e destruía a produção. Não restavam alimentos nem produtos do campo.A devastação se estendia até Gaza, na extremidade sul da Filístia. Robert Chisholm observa que a comparação das hordas midianitas a gafanhotos ressalta sua superioridade numérica e sua capacidade destrutiva e pode ecoar a maldição da aliança registrada em Deuteronômio 28.38.
Em quarto lugar, a fome (6.4). A destruição da economia provocou fome. Numa sociedade agropastoril, os invasores não deixavam aos israelitas “sustento algum” (6.4).
Em quinto lugar, a fraqueza (6.6a). O narrador resume a condição do povo: “Assim, Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas […]”. Os israelitas não tinham força nem estratégia para romper o domínio estrangeiro. Durante os sete anos de opressão, ficaram sem recursos e sem provisões suficientes para sobreviver. A capacidade destrutiva do pecado é assustadora, porque ele nunca permanece restrito à área em que começou. Quando a imoralidade é tolerada, a pureza é ferida e a confiança é perdida; quando a mentira se torna um hábito, a credibilidade desaparece. Os vícios consomem tempo, saúde e recursos, o ressentimento adoece os relacionamentos e a negligência espiritual enfraquece a resistência contra novas tentações. O crente que se recusa a abandonar um pecado recorrente precisa considerar o preço que já está pagando por mantê-lo. Abandonar o pecado pode ser doloroso, mas permanecer nele sempre custará mais.
1.3 A advertência divina.
Verdade central: Israel clamou ao Senhor, e Deus respondeu enviando um profeta. A mensagem trouxe esperança, mas também confrontou a desobediência do povo.
Para refletir: Tenho desprezado o chamado de Deus por não possuir o perfil que as pessoas esperam?
A LIÇÃO DIZ: Mais uma vez, os filhos de Israel clamaram ao Senhor, e novamente o Senhor lhes respondeu (Jz 6.7). Contudo, antes de levantar um libertador, Deus envia um profeta para trazer esperança, mas, sobretudo, para confrontá-los com seu pecado (Jz 6.8-10).
A Bíblia diz:
Quando os filhos de Israel clamaram ao Senhor por causa dos midianitas, 8o Senhor lhes enviou um profeta, que lhes disse: — Assim diz o Senhor, Deus de Israel: “Eu tirei vocês do Egito, da casa da servidão. 9Eu os livrei das mãos dos egípcios e das mãos de todos os opressores. Eu os expulsei e dei a vocês a terra deles. E disse: ‘Eu sou o Senhor, o Deus de vocês; não adorem os deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão morando.’ Mas vocês não deram ouvidos à minha voz (Jz 6.7-10, NAA).” A resposta imediata do Senhor ao clamor de Israel não foi o envio de um juiz, mas de um profeta. Antes de ser libertado da opressão, o povo precisava compreender por que estava sofrendo. Seu clamor revelava grande aflição que estavam sentindo, mas ainda não demonstravam arrependimento verdadeiro. Por isso, Deus expôs o pecado da nação antes de levantar Gideão como libertador.
• Quanto ao passado, o Senhor relembrou sua libertação (6.7-9). Israel havia se esquecido dos atos de Deus em seu favor. O Senhor o tirara do Egito, libertara-o da escravidão e lhe entregara a terra de Canaã. A opressão presente não resultava da falta de fidelidade divina, mas do esquecimento e da desobediência do povo.
• Quanto ao presente, o Senhor reafirmou sua aliança (6.10a). Mesmo diante da infidelidade de Israel, Deus declarou: “Eu sou o Senhor, vosso Deus”. O povo havia se voltado para outros deuses, mas o Senhor continuava sendo o Deus da aliança e exigia de Israel fidelidade exclusiva.
• Quanto ao futuro, o Senhor ordenou que o povo não temesse os deuses dos amorreus (6.10b). Israel não deveria reverenciar nem servir às divindades dos povos que habitavam a terra. Seu problema principal não era a força dos inimigos, mas o afastamento do Senhor.
• Quanto à resposta de Israel, o Senhor denunciou sua desobediência (6.10c). A mensagem terminou com uma acusação: “Contudo, não destes ouvidos à minha voz”. Israel desejava livrar-se da opressão, mas não havia abandonado o pecado que a provocara. Por isso, Deus enviou o profeta para convencê-lo de sua culpa antes de enviar o juiz para libertá-lo. Gideão perguntaria pouco depois deste episódio: “Se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio?” (Jz 6.13). A mensagem do profeta era uma resposta a esse questionamento. Muitas pessoas clamam para que Deus remova as consequências de escolhas que ainda pretendem conservar. Pedem a restauração dos relacionamentos sem abandonar o orgulho, a libertação dos vícios sem romper com as ocasiões de queda e a renovação espiritual sem retornar a vida de oração e a leitura da Palavra. Você tem feito isso? Clamado a Deus por misericórdia sem estar, de fato, disposto a abandonar os seus pecados?
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Por quantos anos Israel foi oprimido pelos midianitas?
2. Como o texto descreve a intensidade dos ataques inimigos?
3. O que Deus fez antes de enviar um libertador?
4. O que significa ter a mente “cauterizada” pelo pecado?
2. O CHAMADO DE GIDEÃO
Pergunta chave: Como Deus chamou um jovem inseguro para libertar Israel?
Ideia central do ponto: Deus chamou Gideão de “varão valoroso”, mas ele era cético e inseguro.
2.1 Um jovem trabalhador.
Verdade central: Gideão estava malhando trigo no lagar para protegê-lo dos midianitas. Mesmo em tempo de crise, ele continuava trabalhando por sua família.
Para refletir: Não podemos usar a adversidade como desculpa para a negligência. Deus chamou Gideão enquanto ele trabalhava com
diligência.
A LIÇÃO DIZ: Diante da situação, Deus escolheu Gideão para libertar Israel. Segundo estudiosos, Gideão era um jovem com cerca de 30 anos e duas características se destacam nele. Primeiramente, seu pai, Joás, e toda a sua família haviam cedido à idolatria (Jz 6.25). Em segundo lugar, o texto registra que Gideão “malhava o trigo no lagar” (Jz 6.11). O lagar era usado para esmagar uvas ou azeitonas e extrair suco ou azeite, geralmente escavado na rocha. Já a debulha do trigo ocorria em espaços abertos, onde o vento ajudava a separar a palha do grão. Gideão estava trabalhando nesse local inadequado e escondido, de maneira
improvisada, para não ser saqueado pelos midianitas.
Vamos ao texto bíblico:
Então o Anjo do Senhor veio e sentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, da família de Abiezer. Gideão, filho de Joás, estava malhando o trigo no lagar, para o pôr a salvo dos midianitas (Jz 6.11, NAA). Em primeiro lugar, devemos considerar quem era o Anjo do Senhor? A expressão hebraica mal’akh YHWH significa “mensageiro do Senhor”. A palavra “anjo/mensageiro” descreve a função daquele que foi enviado, mas o desenvolvimento da narrativa revela que Gideão não estava diante de um mensageiro comum. O versículo 11 menciona o Anjo do Senhor; no versículo 14, porém, lemos que “o Senhor olhou para ele”; e, no versículo 16, o próprio Senhor declara: “Eu hei de ser contigo”. Depois que o visitante desapareceu, Gideão compreendeu que havia visto o Anjo do Senhor e temeu morrer (Jz 6.21-23). A alternância entre “Anjo do Senhor” e “Senhor” indica uma manifestação visível do próprio Deus. A teologia chama esse acontecimento de teofania. Muitos intérpretes entendem que se trata, mais precisamente, de uma cristofania, isto é, uma manifestação do Filho de Deus antes de sua encarnação. Portanto, o próprio Senhor veio ao encontro de Gideão.
Em segundo lugar, onde aconteceu o encontro? O Anjo do Senhor assentou-se debaixo da árvore que ficava em Ofra e pertencia a Joás, pai de Gideão. O termo hebraico traduzido por “árvore” pode designar um carvalho ou um terebinto. Tratava-se de uma árvore conhecida naquela propriedade e usada como ponto de referência. A Ofra mencionada na passagem em questão não deve ser confundida com a cidade de mesmo nome pertencente à tribo de Benjamim (Js 18.23). Só mais tarde, a localidade onde Gideão vivia é chamada de “Ofra dos abiezritas” (Jz 6.24; 8.32). Joás era abiezrita, isto é, pertencia ao clã de Abiezer. A origem desse clã é esclarecida em Josué 17.2, que inclui os descendentes de Abiezer entre as famílias da tribo de Manassés que receberam herança na parte ocidental de Canaã. Gideão, portanto, era israelita da tribo de Manassés, pertencia ao clã de Abiezer e vivia com sua família em Ofra. A herança da tribo de Manassés também incluía terras no lado oriental do Jordão. O livro Deuteronômio 3.13-15 menciona as regiões de Gileade e Basã, concedidas à metade da tribo estabelecida naquela área.
Em terceiro lugar, quem era Gideão? A narrativa o apresenta como filho de Joás. Sua identidade social estava ligada à casa paterna, ao clã de Abiezer e à tribo de Manassés. Gideão afirmou que sua família era a mais pobre ou a mais fraca de Manassés e que ele era o menor na casa de seu pai (Jz 6.15). Sua declaração revela como avaliava a própria condição: pertencia a uma família de pouca projeção e não se considerava a pessoa indicada para liderar Israel. A condição espiritual de sua família também merece a nossa atenção. O altar de Baal que Gideão recebeu a ordem de derrubar pertencia a Joás, e ao lado dele havia um poste dedicado à deusa Aserá (Jz 6.25). A idolatria estava instalada na propriedade de sua própria familia e contava com o apoio dos moradores da cidade. Antes de enfrentar os midianitas, Gideão precisaria tratar do pecado presente em sua casa. Seu primeiro ato de obediência narrado no livro não ocorreu no campo de batalha, mas na destruição do altar de Baal.
Em quarto lugar, Gideão era seu nome próprio ou um apelido? A narrativa o apresenta inicialmente pelo nome Gideão. No hebraico, Gid‘on provavelmente significa “cortar”, “derrubar” ou “abater”. O nome pode ser ntendido como “cortador” ou “aquele que derruba”. O livro de Juízes não explica expressamente a origem do nome. Seu significado, portanto, deve ser apresentado como provável, e não como uma tradução fornecida pelo narrador bíblico. O significado atribuído ao nome combina com a missão que ele recebeu. O mesmo verbo hebraico aparece em Deuteronômio 7.5 e 12.3, nas ordens para derrubar objetos ligados à idolatria. Gideão, cujo nome remete àquele que derruba, foi encarregado de destruir o altar de Baal e cortar o poste de Aserá. A proximidade entre o nome e a ação permite perceber uma relação entre a identidade do personagem e seu primeiro ato de obediência. Jerubaal foi o nome que Gideão recebeu depois da destruição do altar. Quando os homens da cidade exigiram sua morte, Joás respondeu que, se Baal fosse realmente um deus, deveria defender a própria causa. “Naquele dia, lhe chamaram Jerubaal”, declara o narrador, explicando: “Baal contenda contra ele” (Jz 6.31,32). Na sequência apresentada pelo livro, Gideão era o nome pelo qual ele já era conhecido, enquanto Jerubaal se tornou um nome adicional ligado ao confronto com Baal. Alguns estudiosos propõem que Jerubaal teria sido seu nome mais antigo e que Gideão seria uma designação literária, principalmente porque o capítulo 9 emprega repetidamente o nome Jerubaal ao falar de sua família. Essa hipótese procura reconstruir uma história anterior à redação do livro, mas ultrapassa a explicação fornecida pelo narrador. Portanto, a conclusão mais segura é acompanhar a sequência narrativa: primeiro ele aparece como Gideão e, depois da destruição do altar, recebe o nome Jerubaal. Por fim, o que a atividade de Gideão revela sobre ele? Gideão estava malhando trigo no lagar para escondê-lo dos midianitas. Normalmente, o trigo era malhado em um lugar aberto e ventilado, onde o vento ajudava a separar a palha dos grãos. O lagar ficava numa área mais baixa e protegida, apropriada para pisar uvas, não para preparar trigo. Gideão escolheu aquele lugar porque precisava trabalhar sem ser visto pelos invasores.A cena retrata os efeitos da opressão: um israelita precisava esconder sua pequena produção para não perdê-la. Também revela que Gideão não estava entregue a inercia. Mesmo amedrontado, ele trabalhava para
preservar o alimento de sua casa. O Senhor encontrou um homem de pouca projeção social, em cuja propriedade familiar havia um altar de Baal e que precisava trabalhar escondido por causa dos inimigos. Gideão estava fazendo o que era possível o pouco que tinha.
2.2 Um jovem cético.
Verdade central: Gideão ouviu que o Senhor era com ele, mas questionou a situação de Israel. Suas dúvidas revelavam imaturidade, mas também um coração sincero diante de Deus.
Para refletir: Levo minhas dúvidas a Deus com sinceridade ou me fecho e me afasto dEle?
A LIÇÃO DIZ: O anjo do Senhor aparece a Gideão e lhe dá uma mensagem de ânimo: “O Senhor é contigo, varão valoroso” (Jz 6.12). Contudo, no primeiro momento, o rapaz se mostra cético diante das circunstâncias. Ele questiona os infortúnios sobre Israel, pergunta sobre os feitos antigos e diz que o Senhor os desamparou (Jz 6.13). De fato, Gideão ainda tinha uma visão parcial das coisas e sua imaturidade o levou a questionar a mensagem divina. Gideão respondeu: — Ah! Meu senhor! Se o Senhor Deus está conosco, por que nos aconteceu tudo isto? E onde estão todas as suas maravilhas que os nossos pais nos contaram? Eles disseram: “O Senhor nos tirou do Egito!” Porém, agora, o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos dos midianitas (Jz 6.13, NAA).
Em sentido geral, ceticismo é a atitude de quem hesita em aceitar uma afirmação por considerar insuficientes as evidências apresentadas. A pessoa cética questiona o que ouve, examina os argumentos e procura alguma forma de comprovação antes de aceitar algo como verdadeiro. Gideão era um cético? Vamos analisar. A saudação do Anjo do Senhor foi controversa e impactante: “O Senhor está com você, homem valente” (Jz 6.12). Gideão respondeu com uma pergunta: “Se o Senhor Deus está conosco, por que nos aconteceu tudo isto?” (v. 13). Sua pergunta parece partir da ideia de que a presença de Deus deveria impedir Israel de sofrer. Como os midianitas dominavam a terra, destruíam as plantações e empobreciam o povo, Gideão concluiu que o Senhor já não estava com Israel. Gideão prosseguiu comparando o passado com o presente: “Onde estão todas as suas maravilhas que os nossos pais nos contaram?” Ele havia aprendido que o Senhor libertara Israel do Egito, mas não conseguia reconhecer a ação divina na crise que enfrentava naquele momento. Por fim, apresentou sua conclusão: “Agora o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos dos midianitas”. Gideão conhecia os acontecimentos do êxodo, porém interpretava o presente sem levar em conta a infidelidade de Israel. Enxergava corretamente o sofrimento, mas errava ao explicar sua causa. Considerava Deus ausente, embora o Anjo do Senhor estivesse diante dele. Dizia que Deus havia abandonado Israel, mas não reconhecia que Israel havia abandonado o Senhor. Gideão questionava a situação da nação de Israel sem perceber, naquele primeiro momento, que havia um altar de Baal na propriedade de seu pai (Jz 6.25). O ceticismo espiritual torna-se evidente e cria raízes em nosso coração quando permitimos que as circunstâncias definam nossa compreensão de Deus. Diante do sofrimento, podemos interpretar a aparente demora de Deus como abandono e o seu silêncio como indiferença. Quando a resposta esperada não chega, começamos a duvidar do poder e da fidelidade do Senhor. Antes de acusarmos Deus de estar ausente ou de ser indiferente, precisamos examinar o que ele já revelou nas Escrituras e avaliar com honestidade nossa própria conduta. Algumas crises exigem perseverança; outras são consequências de escolhas pecaminosas. Em cada caso, a Palavra eterna deve orientar nossa
compreensão dos acontecimentos. A fé madura leva suas perguntas ao Senhor e recebe com humildade as respostas que ele oferece. Gideão precisava olhar além da ameaça dos midianitas, considerar a advertência do profeta sobre a desobediência de Israel (Jz 6.710) e reconhecer que o próprio Senhor estava diante dele, chamando-o para uma grande obra.
2.3 Um jovem inseguro.
Verdade central: Gideão se considerava inadequado: “Minha família é a mais pobre, e eu sou o menor”. Deus respondeu: “Eu hei de ser contigo”. A confiança deveria estar na presença de Deus, não em suas capacidades.
Para refletir: O chamado depende de Deus, não de nós.
A LIÇÃO DIZ: Mesmo após ouvir a palavra divina, Gideão ainda demonstra insegurança. Argumenta que sua família era a mais insignificante da tribo de Manassés, e ele, o menor dentre os seus parentes. Gideão se via como alguém inadequado para cumprir a missão que Deus lhe confiara, assim como fizeram Moisés e Jeremias (Êx 3.11; Jr 1.6). Ao olhar para o seu contexto, ele concluiu que havia outros mais fortes, mais influentes e mais capacitados do que ele. Temos a tendência de nos comparar com os outros e de minimizar os
dons que o Senhor nos confiou. A resposta de Gideão revela três atitudes que alimentam a insegurança:
Em primeiro lugar, a comparação. Gideão comparou sua família com os outros clãs de Manassés e sua posição com a dos demais membros da casa de seu pai. Ao olhar para os outros, concluiu que sua origem e sua condição o tornavam incapaz de cumprir a missão que o Senhor estava lhe dando. A comparação alimenta o sentimento de inferioridade quando usamos as capacidades, as oportunidades ou a posição das outras pessoas como medida para desprezar aquilo que Deus nos concedeu. Gideão olhava para o que os outros possuíam, enquanto o Senhor lhe mostrava o que poderia realizar por meio dele.
Em segundo lugar, o vitimismo. Gideão apresentou sua origem familiar e sua pouca influência como razões para não cumprir a missão que o Senhor acabara de lhe dar. Reconhecer as próprias limitações é necessário, mas transformá-las em justificativas para desobedecer revela falta de confiança em Deus. O vitimismo faz a pessoa acreditar que sua história determina seu futuro e que suas dificuldades a isentam de qualquer responsabilidade. Enquanto Gideão se via limitado por sua condição, Deus o chamava para assumir uma responsabilidade.
Em terceiro lugar, a avaliação baseada nos próprios recursos. A pergunta “Como livrarei Israel?” revela que Gideão avaliava o seu chamado a partir de sua própria força e dos recursos que possuía. Por esse critério, sua missão realmente parecia impossível. Quando consideramos apenas nossa capacidade, qualquer grande responsabilidade se torna apavorante. Deus respondeu à insegurança de Gideão com uma promessa que mudava
toda aquela situação: “Eu estarei com você” (Jz 6.16).
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. O que Gideão estava fazendo quando o anjo apareceu?
2. Qual foi a dúvida que Gideão expressou?
3. Por que Gideão se considerava inadequado?
4. Em que deveria estar a confiança de Gideão?
3. DEUS CONFIRMA SUA PRESENÇA E CONDUZ À VITÓRIA
Pergunta chave: Como Deus confirmou sua presença e deu vitória ao seu povo? Ideia central do ponto: Deus confirmou sua presença com sinais, preparou Gideão para a missão e conduziu Israel à vitória com
apenas 300 homens.
3.1 Deus confirma a sua presença.
Verdade central: Gideão pediu um sinal e Deus consumiu sua oferta com fogo. As dúvidas se dissiparam e ele construiu um altar chamado “O Senhor é Paz”. Deus pacificou sua alma.
Para refletir: Busco a confirmação da presença de Deus antes de agir ou sigo apenas meus impulsos?
A LIÇÃO DIZ: Gideão se destaca entre os juízes por sua personalidade questionadora e seu senso de inadequação. Ele precisava ser moldado por Deus em sua forma de pensar e crer. Por isso, Jeová atende ao pedido de um sinal que comprove sua presença (Jz 6.17,18). O jovem prepara uma oferta voluntária, e Deus a recebe com um ato sobrenatural como confirmação de que, de fato, estava com ele (v.21). Diante dessa
experiência, a visão espiritual de Gideão se abriu e as dúvidas se dissiparam. Então, ele entende ter visto o anjo do Senhor face a face (v.22), e constrói ali um altar e põe o nome: Senhor é paz (v.24). Isso porque, Deus havia pacificado a sua alma, dizendo: não temas: não morrerás (v.23).
Diante da convocação e das garantias dadas pelo Senhor a Gideão, ele pede uma prova de que está falando mesmo com o Senhor. Destacamos aqui quatro fatos importantes:
Em primeiro lugar, o pedido de um sinal (6.17,18). Gideão pede um tempo para ir e trazer sua oferta ao Senhor. O Senhor consente. Nas palavras de Warren Wiersbe, “Deus teria de gastar tempo com Gideão transformando seus pontos de interrogação em pontos de exclamação”.
Em segundo lugar, a oferta voluntária (6.19,20). Gideão foi e preparou um cabrito e bolos asmos de um efa de farinha, e os trouxe. Então o Senhor deu-lhe instruções acerca de como disporia a oferta sobre a penha.
Em terceiro lugar, a visão do Anjo do Senhor (6.21,22). O Anjo de Deus tocou com a ponta do cajado a carne e os bolos asmos; então, subiu fogo da penha e consumiu a carne e os bolos. Após isso, o Anjo do Senhor desapareceu da presença de Gideão. Aqui vemos um paradoxo: Gideão pediu um sinal e, ao ser atendido, ficou alarmado. A presença do Senhor, longe de aquietar a alma de Gideão, deixou-a ainda mais aterrada, pois imaginou que, por ter visto o Anjo do Senhor, certamente morreria.
Em quarto lugar, a pacificação da alma (7.23,24). O Senhor, entretanto, pacificou sua alma, dizendo-lhe: “Paz seja contigo! Não temas! Não morrerás!” (6.23). Em resposta à essa palavra, Gideão levanta um altar ao Senhor e lhe dá um novo nome, que aparece pela primeira vez na Escritura, Yahweh-Shalom, “o Senhor é paz” (6.24). Concordo com o que diz Warren Wiersbe: “Gideão passou a crer que o Senhor poderia usá-lo, não em função de quem ele era, mas em função de quem Deus era”.
3.2 Deus prepara o coração para a missão.
Verdade central: Querer vencer batalhas externas sem tratar a infidelidade interna. A missão começa com obediência dentro da própria casa.
Para refletir: Existe idolatria em minha própria casa que preciso confrontar antes de buscar outras vitórias?
A LIÇÃO DIZ: Para ser reconhecido como líder, Gideão precisava assumir uma posição firme dentro da sua família. Assim, a primeira missão foi derrubar o altar de Baal, que pertencia ao seu pai, e cortar os bosques e seus postes-ídolos (vv.25,26), símbolos da idolatria e da corrupção espiritual do povo. Antes de derrotar os midianitas, Gideão precisava destruir a falsa religiosidade da sua própria casa. Então, ele elabora um plano e o executa (vv.27,28). Vamos analisar esse subponto em três pontos:
Em primeiro lugar, Deus tratou da idolatria antes de enviar Gideão contra os midianitas. Naquela mesma noite, Gideão recebeu a ordem de derrubar o altar de Baal pertencente a seu pai, cortar o poste de Aserá e construir um altar ao Senhor (Jz 6.25,26). A opressão midianita castigava Israel, mas a idolatria explicava por que o povo estava sob tal disciplina. Antes de conduzir a nação à libertação, Gideão precisou destruir o altar instalado na propriedade de sua família. O serviço ao Senhor começa pela obediência na vida particular e no ambiente familiar.
Em segundo lugar, Gideão obedeceu apesar do medo. Ele reuniu dez servos e executou a ordem durante a noite, porque temia a casa de seu pai e os homens da cidade (v. 27). O medo determinou o horário da ação, mas não impediu seu cumprimento. Gideão cumpriu a ordem mesmo sabendo que enfrentaria grande oposição. Neste episódio, coragem significou obedecer apesar do risco.
Em terceiro lugar, a obediência de Gideão expôs a impotência de Baal. Quando os moradores descobriram o que havia acontecido, exigiram a morte de Gideão. Joás respondeu que, se Baal fosse realmente um deus, deveria defender a própria causa (vv. 28-31). Baal não protegeu o altar nem puniu aquele que o destruiu. Naquele dia, Gideão recebeu o nome de Jerubaal, expressão explicada pelo narrador como “Baal contenda contra ele” (v. 32). Os moradores precisavam defender o deus que adoravam, pois ele não conseguia defender o próprio altar. Gideão, por sua vez, permaneceu vivo depois de obedecer ao Senhor. O crente precisa derrubar (linguagem metafórica) tudo o que disputa a lealdade devida a Deus e aceitar as consequências públicas dessa decisão.
3.3 Deus conduz à vitória com poucos.
Verdade central: Gideão foi revestido pelo Espírito do Senhor e liderou Israel. Deus reduziu o exército para impedir que o povo atribuísse a vitória à própria força.
Para refletir: Confio em Deus mesmo quando os recursos parecem insuficientes ou só ajo quando tudo parece garantido?
A LIÇÃO DIZ: A trajetória de Gideão até a vitória sobre os midianitas nos oferece lições preciosas.
Em primeiro lugar, ele foi revestido pelo Espírito do Senhor e reconhecido como líder pelos homens do seu clã (Jz 6.34). Em seguida, Gideão pediu ao Senhor dois sinais adicionais, envolvendo o controle de elementos naturais — o teste da lã (vv.36-40). A resposta divina não apenas confirmou que Deus estava com ele, mas também revelou que Jeová, e não Baal, era o verdadeiro soberano sobre todas as coisas. Num terceiro momento, Deus prova a fé de Gideão ao ordenar a drástica redução do exército. O propósito era claro: impedir que Israel atribuísse a vitória à própria força (Jz 7.2). Após dois critérios seletivos — a retirada dos medrosos e a separação dos que se curvavam ao beber água — restaram apenas 300 homens, dos 32 mil iniciais. Por meio dessa estratégia, Deus ensina que, quando há obediência e fé, o pouco nas mãos dEle se torna suficiente. Com esse pequeno exército, Israel iniciou a vitória, fazendo os inimigos entrarem em confusão e fugirem (Jz 7.22). Na sequência, Gideão convoca outras tribos de Israel para perseguir os midianitas em retirada, capturando e matando seus príncipes, Orebe e Zeebe, consolidando assim a vitória concedida por Deus ao seu povo. Antes de conduzir Gideão ao confronto com os midianitas, o Senhor o capacitou. O futuro libertador de Israel, precisava ser capacitado pelo Espírito, fortalecido em sua fé e ensinado a depender inteiramente de Deus. A preparação de Gideão pode ser compreendida a partir de três ações divinas.
Em primeiro lugar, o Espírito do Senhor capacitou Gideão para liderar. Antes que ele reunisse o exército, “o Espírito do Senhor revestiu Gideão” (Jz 6.34). A expressão hebraica descreve Gideão como alguém envolvido e tomado pelo Espírito para cumprir a tarefa recebida. Depois disso, ele tocou a trombeta, convocou os abiezritas e enviou mensageiros a Manassés, Aser, Zebulom e Naftali (vv. 34,35). O homem que antes se escondia dos midianitas agora reunia Israel para enfrentá-los. Essa mudança não procedeu de uma confiança repentina em suas capacidades. O Espírito do Senhor o habilitou a assumir a liderança para a qual havia sido chamado.
Em segundo lugar, Deus confirmou sua palavra diante da fé vacilante de Gideão. Mesmo revestido pelo Espírito, Gideão pediu duas confirmações por meio do novelo lã. Primeiro, pediu que o orvalho caísse somente sobre a lã e que a terra permanecesse seca. Depois, pediu que a lã ficasse seca e que o orvalho cobrisse a terra (vv. 36-40). Gideão já conhecia a ordem divina; portanto, não buscava descobrir o que deveria fazer, mas receber segurança para cumprir aquilo que Deus havia ordenado. Os sinais mostraram que o Senhor governava o orvalho e a seca. Num ambiente em que Baal era associado à chuva e à fertilidade, a resposta divina também expunha a impotência daquele falso deus. A paciência de Deus com Gideão não transforma o teste da lã num método para descobrir sua vontade. O cristão deve orientar suas decisões pelas Escrituras, sem criar provas para testar a Deus. Gideão fez isso por pura incredulidade.
Em terceiro lugar, Deus reduziu o exército de Israel para impedir que seu povo se vangloriasse. Dos trinta e dois mil homens reunidos, vinte e dois mil voltaram para casa por causa do medo. Depois da prova junto à água, restaram apenas trezentos (Jz 7.2-7). O texto não afirma que esses homens fossem mais atentos, corajosos ou habilidosos que os demais. A redução tinha uma finalidade declarada pelo próprio Senhor: impedir que Israel dissesse: “A minha própria mão me livrou” (v. 2). Durante o ataque, Deus fez com que os midianitas voltassem suas espadas uns contra os outros (v. 22). Os israelitas participaram da ação, mas o número reduzido de soldados tornou evidente que a vitória não procedeu da força militar de Israel. Deus libertou seu povo e retirou dele qualquer motivo para se orgulhar.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. Como Deus confirmou sua presença a Gideão?
2. Por que Gideão precisou derrubar o altar de Baal?
3. Qual foi o propósito de Deus ao reduzir o exército?
4. Como a vitória de Gideão mostra que Deus transforma insegurança em coragem?
CONCLUSÃO
Agradecemos a Deus pela oportunidade de concluirmos mais uma pré-aula da Escola Dominical. Nesta lição, aprendemos que Gideão foi chamado em um tempo de infidelidade e opressão. Embora inseguro, ele foi preparado, capacitado e conduzido pelo Senhor. A vitória com apenas trezentos homens mostrou que o livramento veio de Deus. Que também confiemos em sua presença e obedeçamos à sua Palavra. Esperamos você na próxima pré-aula, em nome de Jesus. Deus abençoe. Amém.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BLOCK, Daniel I. Juízes e Rute: comentário exegético. Tradução: Arthur Wesley Dück. São Paulo: Vida Nova, 2024.
LOPES, Hernandes Dias. Juízes: pecado e graça. São Paulo: Hagnos, 2024. (Comentários Expositivos Hagnos).
KELLER, Timothy. Juízes para você. Tradução: Eulália Pacheco Kregness. São Paulo: Vida Nova, 2016.
WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento. Tradução: Noemi Valéria Altoé da Silva. São Paulo: Vida Nova, 2018.
MERRILL, Eugene H.; ROOKER, Mark F.; GRISANTI, Michael A. Introdução ao Antigo Testamento [livro
eletrônico]: o mundo e a palavra. Prefácio: Edwin Yamauchi. Tradução: A. G. Mendes. São Paulo: Vida Nova, 2025.
BODA, Mark J. Judges. In: LONGMAN III, Tremper; GARLAND, David E. (Ed.). The expositor’s Bible commentary. Rev. ed. Grand Rapids: Zondervan, 2012. YOUNGER JR., K. Lawson. Judges, Ruth. Grand Rapids: Zondervan, 2002. (The NIV Application Commentary).
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