Homens dos Quais o Mundo não Era Digno
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó








INTRODUÇÃO
Nesta lição, examinaremos como Deus age com misericórdia e paciência, mas também como seu juízo é inevitável quando o pecador recusa a sua graça. Veremos que Sodoma e Gomorra não foram destruídas por acaso, mas porque a iniquidade de seus habitantes alcançou seu limite máximo e chegou até ao céu. Aprenderemos que Deus é, simultaneamente, amor e fogo consumidor. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”. (Gn 18.32, NVI). Finalmente Abraão disse: — Não fiques zangado, Senhor, pois esta é a última vez que vou falar. E se houver só dez? — Por causa desses dez, não destruirei a cidade — Deus respondeu. (Gn 18.32, NTLH).
Do ponto de vista teológico, o autor de Gênesis enfatiza, pelo menos, quatro temas nesta breve referência:
● Deus é juiz de toda a terra. Isso aparece no contexto imediato (Gn 18.25).
● Deus ouve a intercessão. Abraão não é ignorado, sua súplica é levada a sério.
● O justo tem impacto no mundo. A presença de justos poderia beneficiar muitos outros.
● A misericórdia precede o juízo. Deus é amor, mas também é fogo consumidor.

VERDADE PRÁTICA
Deus é misericordioso e dá tempo para o arrependimento, mas, quando o homem não quer, seu juízo é sem misericórdia. Há vários textos nas Escrituras que enfatizam a realidade da longanimidade de Deus e de sua misericórdia. Porém, embora Ele seja gracioso, também é justo. Por exemplo, podemos evocar a vida nos tempos
1 Graduado em teologia pela UniCesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco. de Noé (Gn 6-7). Antes de enviar o dilúvio, Deus suportou por um longo período de tempo, a corrupção humana. Em Gênesis 15.7, lemos a respeito dos amorreus: “a medida da iniquidade… ainda não se encheu.”
Além disso, temos outros exemplos fora do livro de Gênesis, como Jonas e os ninivitas (Jn 3.1.10), e sobretudo, o período da monarquia de Israel, de onde se diz:
O Senhor, Deus de seus pais, sempre de novo falou-lhes por meio dos seus mensageiros, porque teve compaixão do seu povo e da sua própria morada.Mas eles zombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram as palavras dele e debocharam dos seus profetas, até que a ira do Senhor veio sobre o seu povo, e não houve mais remédio. (2Cr 36.15-16, NAA).
Outros textos bíblicos:
Quem teima em rejeitar a repreensão será destruído de repente sem que haja remédio. (Pv 29.1, NAA). Naquela mesma ocasião, estavam ali algumas pessoas que falaram para Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos havia misturado com os sacrifícios que os mesmos realizavam. Então Jesus lhes disse: — Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Digo a vocês que não eram; se, porém, não se arrependerem, todos vocês também perecerão. E, quanto àqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou, vocês pensam que eles eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Digo a vocês que não eram; mas, se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. (Lc 13.1-5, NAA). Deus, em sua misericórdia, dá tempo para o arrependimento; porém, quem endurece o coração e rejeita sua voz graciosa encontrará, por fim, o seu justo juízo.





1. OS ANJOS VISITAM ABRAÃO
Pergunta chave: Como Deus se revelou a Abraão?
Ideia central do ponto: Deus visitou Abraão nos carvalhais de Manre por meio de três mensageiros, sendo recebido com hospitalidade exemplar, e anunciou o nascimento de Isaque a Sara, mostrando que nada é impossível para o Senhor.
1.1 Abraão recebe a visita dos anjos do Senhor.
Verdade central: O capítulo 18 de Gênesis tem início com a visitação do Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, por volta do meiodia. Ao avistar três homens vindo em sua direção, Abraão correu ao encontro deles e prostrou-se em terra, demonstrando hospitalidade ao oferecer proteção e provisão aos visitantes.
Para refletir: Tenho mantido comunhão com Deus de forma que Ele possa me visitar e revelar seus propósitos, ou minha vida espiritual está distante e desatenta à voz do Senhor?
A LIÇÃO DIZ: O capítulo 18 de Gênesis tem início com a visitação do Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre (v.1), um momento glorioso que antecedeu ao anúncio de algo impactante que Deus iria fazer e não era na vida de Abraão: a destruição de Sodoma e Gomorra.
O texto bíblicos diz:
“O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia” (Gn 18.1, NAA).
Esse episódio ocorre logo após a aparição anterior do Senhor, na qual o nome de Abraão foi mudado. Não temos um espaçamento de tempo tão longo entre Gênesis 17 e 18 como entre o capítulo 16 e 17. Essa afirmação se fundamenta na idade de Abraão em relação ao nascimento de Isaque que ainda não havia ocorrido na época dos acontecimentos narrados no capítulo 18. De todas as aparições de Deus ao patriarca (12.7; 15.1; 17.1), essa é provavelmente a mais íntima e informal, pois o próprio Deus vem fazer uma refeição na presença do servo com quem ele havia feito uma aliança. Esse acontecimento se deu “junto aos carvalhos de Manre” (v. 1). Manre era um dos aliados de Abraão entre os cananeus e também o proprietário daquela parte da terra, situada nas proximidades de Hebrom, onde havia um bosque de carvalhos, conforme Gênesis 14.13. O detalhe geográfico ajuda a situar a narrativa e mostra que Abraão estava estabelecido em uma região conhecida. As tendas feitas de pele de cabra, comuns entre os povos nômades, eram preparadas de modo bastante funcional. À noite, com as abas abaixadas, conservavam o calor. Durante o dia, com as abas levantadas, permitiam a circulação do ar e amenizavam o calor. Por isso, sentar-se à entrada da tenda era uma forma de aproveitar a sombra e a brisa nas horas mais quentes do dia. O episódio de Gênesis 18 aconteceu justamente nesse período de intenso calor, provavelmente por volta do meio-dia, quando o mormaço era mais intenso e os viajantes costumavam buscar descanso. Abraão estava sentado à entrada de sua tenda, à sombra, possivelmente atento à chegada de algum forasteiro. Isso faz sentido porque a hospitalidade era uma das virtudes mais valorizadas entre os beduínos e esperava-se que um chefe, como Abraão, estivesse pronto a receber e socorrer quem passasse por ali. Há uma lição preciosa nesse texto: O Senhor aparece no ambiente da vida comum. Por isso, um grande perigo espiritual é viver esperando apenas momentos grandiosos, enquanto negligenciamos a comunhão diária. Deus pode e fala conosco por meio da leitura diária da Bíblia, das orações ao levantar e ao deitar, do culto doméstico, do devocional diário, no diálogo durantes as refeições na mesa, nos cultos que não são festivos e não tem convidados excepcionais. Não podemos perder essa realidade de vista.
1.2 A hospitalidade de Abraão.
Verdade central: Abraão foi até a tenda de Sara e pediu que ela amassasse o pão, enquanto ele mesmo correu ao curral, escolheu uma vitela e ordenou que fosse preparada. Ele ofereceu o melhor aos visitantes, demonstrando a arte da hospitalidade, algo que parece esquecido atualmente.
Para refletir: Tenho praticado a hospitalidade, recebendo as pessoas com alegria e oferecendo o melhor que tenho, ou tenho negligenciado essa virtude cristã?
A LIÇÃO DIZ: O patriarca vai até a tenda de Sara e pede que ela amasse o pão, e ele mesmo corre até o curral, escolhe uma vitela e ordena que seja preparada. Precisamos aprender com Abraão a arte da hospitalidade, algo que parece estar esquecido atualmente. Ser bem recebido é muito bom, mas receber o próximo com hospitalidade é ainda muito melhor. Abraão levantou os olhos, olhou, e eis que três homens estavam em pé diante dele. Ao vê-los, Abraão correu da porta da tenda ao encontro deles, prostrou-se em terra e disse: — Senhor meu, se eu puder obter favor diante de seus olhos, peço que não passe adiante sem ficar um pouco com este seu servo. Vou pedir que se traga um pouco de água, para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore. Trarei um pouco de comida, para que refaçam as forças, visto que chegaram até este servo de vocês; depois, poderão seguir adiante. Responderam: — Faça como você disse. O texto registra, no versículo , que Abraão levantou os olhos e viu três homens em pé diante dele. Ao que tudo indica, eles ainda estavam a certa distância, pois o patriarca se levantou e correu ao encontro deles. A narrativa também sugere uma aparição repentina, porque Abraão olha e, de imediato, os três homens estão ali. Provavelmente, havia algo neles que o levou a perceber que não se tratava de simples viajantes em trânsito, mas de visitantes revestidos de dignidade e honra incomuns. Estamos, portanto, diante de uma teofania, isto é, de uma manifestação do próprio Senhor. Alguns intérpretes entendem que os três mensageiros seriam uma manifestação da Trindade, posição sustentada por alguns pais da igreja, além de Lutero e Hansjorg Braumer. Contudo, a leitura do próprio texto parece apontar em outra direção. Em Gênesis 18.13,14,17 e 22, um dos três homens é identificado como o próprio Senhor, Yahweh, enquanto os outros dois são apresentados, em Gênesis 19.1, como anjos. Nessa mesma linha, Bruce Waltke observa que se trata realmente do Senhor acompanhado de dois anjos, e que a identificação posterior dos “homens” confirma essa distinção. Talvez seja a esse episódio e ao do próximo capítulo (quando Ló recebe os anjos em sua casa) que o escritor de Hebreus se referiu, quando disse aos cristãos a quem escreveu sua carta: “Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, fazendo isso, mesmo sem saber, alguns hospedaram anjos” (Hb 13.2). Abraão ainda não sabia até esse momento que se tratava de anjos, e que um deles era o próprio Senhor, mas, assim mesmo, ofereceu-lhes hospitalidade, e teve o alto privilégio de receber em sua tenda e à sua mesa o Senhor e os anjos que com ele vieram. Sobre o tema da hospitalidade, o Comentário Histórico-Cultural informa que: A tradição de hospitalidade requeria que fosse oferecido a todos os estrangeiros que chegassem a uma habitação a oportunidade de descansar, lavar-se e comer uma refeição. O objetivo dessa atitude era transformar inimigos em potencial em amigos, pelo menos temporariamente. O protocolo exigia que a refeição servida ao hóspede superasse o que fora servido inicialmente. Assim, Abraão ofereceu apenas uma refeição, mas o que ele ordenou é que fosse preparado um pão assado na hora, um novilho e uma mistura de leite e iogurte. O que denota generosidade especial aqui é a carne fresca, um item que geralmente não fazia parte da dieta cotidiana. (WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018, p. 60). A hospitalidade é uma virtude importante na vida cristã porque revela amor, serviço e cuidado com o próximo. Em Romanos 12.13, Paulo manda praticá-la. Em 1Pedro 4.9, ela deve ser exercida sem murmuração. Por essa razão, a hospitalidade também aparece como requisito para os líderes da igreja em 1Timóteo 3.2 e Tito 1.8. Um líder não deve ser apenas alguém que ensina bem, mas também alguém disposto a receber, servir e cuidar de pessoas. A hospitalidade é um sinal de maturidade cristã e de compromisso com o evangelho.
Cuidados relacionados a hospitalidade:
● Não devemos exercer hospitalidade de modo que apoie o falso ensino. Em 2João 10,11, o apóstolo orienta que, se alguém não traz a doutrina de Cristo, não deve ser recebido de modo a ser apoiado em sua missão.
● Não devemos praticar hospitalidade de forma ingênua, colocando a nossa casa ou a igreja em risco. Jesus mandou que seus discípulos fossem “prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10.16). Isso vale também para a hospitalidade. Há situações em que receber alguém sem critério pode expor a família, escandalizar os mais fracos ou abrir espaço para influência destrutiva na igreja.
● Não devemos usar a hospitalidade para legitimar pessoas divisivas e perturbadoras. Paulo manda a igreja observar e afastar-se daqueles que promovem divisões e escândalos contra a doutrina recebida (Rm 16.17).
1.3 O riso de Sara.
Verdade central: Ao ouvir que teria um filho, Sara riu. Ela não riu de Deus, mas de sua própria condição física. Porém, o Senhor lembra a Sara que não há nada demasiadamente difícil para Ele.
Para refletir: Tenho crido que nada é impossível para Deus, mesmo quando minhas circunstâncias parecem contrárias?
A LIÇÃO DIZ: Ao ouvir que teria um filho, Sara riu. Ela não riu de Deus, mas, certamente, da sua condição física. Mas o Senhor lembra a Sara que não há nada demasiadamente difícil para Ele (Gn 18.14). Deus conhece o nosso coração e Ele viu fé no coração de Sara apesar de sua risada. Naquela ocasião, a visita de Deus a Abraão tinha pelo menos dois propósitos. Anunciar o nascimento de Isaque conforme o calendário da vida, isto é, o tempo de gestação e deixar o seu amigo ciente de que as cidades de Sodoma e Gomorra seriam completamente destruídas. No versículo 9, os anjos perguntam: “Onde está Sara, tua mulher?”. O fato de que eles sabiam que Abraão era casado e que sua mulher se chamava Sara já revela que eles não são pessoas comuns. A pergunta “Onde está Sara, tua mulher?” é uma pergunta retórica, pois, naturalmente, Deus sabia onde ela estava, mas queria chamar a atenção de Abraão para a promessa que faria em seguida. Abraão responde: “Está ali na tenda” (v. 9). Sara, seguindo o costume da época referente à modéstia que convinha às mulheres orientais, havia ficado oculta dentro da tenda, embora próxima da porta. Ela estava longe dos olhos, mas não longe de ouvir tudo o que estava sendo dito, pois “estava escutando à porta da tenda” (v. 10). Então, um deles repete a promessa que já havia sido feita a Abraão em Gênesis 17.21: “E um deles lhe disse: Certamente voltarei a ti no ano que vem, e Sara, tua mulher, terá um filho” (v. 10). É possível que tenha sido a partir desse momento que Abraão percebeu diante de quem ele estava, pois essa promessa lhe fora feita na visão anterior, registrada em Gênesis 17, pelo próprio Deus, que lhe apareceu de maneira gloriosa e extraordinária. Sara escutou quando o anjo do Senhor disse a Abraão “Certamente voltarei a ti no ano que vem, e Sara, tua mulher, terá um filho”, e por isso riu. O riso de Sara, ao contrário do riso de Abraão, do qual tratamos na lição anterior, não foi um riso de alegre admiração, ainda que hesitante, mas sim um riso de incredulidade. Ela colocou a situação do casal em contraste com a palavra de Deus: “Então Sara riu consigo, dizendo: Terei ainda prazer depois de idosa e sendo o meu senhor também já velho?” (v. 12). Ela riu no seu íntimo, um riso de incredulidade. A incredulidade de Sara é compreensível diante da idade, da esterilidade, do tempo da promessa. Sara já havia demonstrado certo ceticismo em relação a essas promessas de Deus, de modo especial quando consideramos o episódio narrado em Gênesis 16, no qual ela tentou obter a promessa usando o recurso carnal de entregar sua serva Agar a Abraão para, por meio dela, ter filhos. Portanto, Sara já apresenta um histórico de ser um tanto cética em relação a essa promessa que foi feita. Nesse episódio, seu ceticismo transparece quando ela ri, pois, ao agir assim, coloca sua condição contra a palavra de Deus.
Quando o Senhor diz “Por que Sara riu?”, ela se enche de medo, pois só então percebe diante de quem está e também que havia pecado contra Deus. O texto revela, no versículo 15, que ela teve medo e negou, dizendo “não ri”. Assim, ela acrescentou ao primeiro pecado um segundo, a mentira. Antes, ela foi incrédula; agora, ela foi mentirosa. Um pecado chama o outro.O autor de Hebreus interpreta que, nesse episódio e nos episódios de Gênesis 19 e 20, no nascimento de Isaque, Sara passou a crer, pois Deus, em sua misericórdia, não rejeitou a matriarca por sua incredulidade e por seu riso cínico, mas acolheu-a e lhe deu a fé necessária no cumprimento das promessas. Que lição preciosa para nós! Aliás, que encorajamento para nós! Quando cometemos um pecado, não precisamos tentar ocultá-lo de Deus, porque há misericórdia e perdão da parte do Senhor. Lembremos da maneira que ele tratou Sara e que ela, depois, até mesmo entrou para a galeria dos heróis da fé de Hebreus 11, apesar das suas atitudes iniciais equivocadas.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Em que momento do dia ocorreu a visitação do Senhor a Abraão?
2. Como Abraão demonstrou hospitalidade aos visitantes celestiais?
3. Por que Sara riu ao ouvir a promessa de que teria um filho?






2. DEUS ANUNCIA SEUS PLANOS A ABRAÃO
Pergunta chave: O que Deus revelou e como Abraão reagiu? Ideia central do ponto: Deus revelou a Abraão seu plano de destruir Sodoma e Gomorra por causa do imenso pecado daquelas cidades, e o patriarca se colocou como intercessor, suplicando misericórdia pelos justos.
2.1 O anúncio da destruição.
Verdade central: Quando Abraão e Ló se separaram, o sobrinho escolheu estabelecer-se nos arredores de Sodoma, olhando apenas para a beleza das terras férteis. Os habitantes de Sodoma eram “maus” e “grandes pecadores contra o Senhor”. Deus revelou a Abraão que destruiria aquelas cidades.
Para refletir: Minhas escolhas têm sido baseadas apenas em benefícios materiais ou aparência, ou tenho considerado o ambiente espiritual e moral ao tomar decisões importantes?
A LIÇÃO DIZ: Já aprendemos que a terra entre Betel e Ai não comportava mais os pastores de Abraão e Ló. O tio e o sobrinho decidiram se separar depois de uma desavença entre seus pastores. O patriarca dá a Ló, seu sobrinho, a honra de escolher primeiro, e este viu somente a beleza das terras férteis e decidiu estabelecer-se nos arredores de Sodoma (Gn 13.1-12). O que Ló não sabia era que os habitantes de Sodoma eram “maus” e “grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13.13). O Senhor e seus anjos, aqui chamados de “aqueles homens”, deixam a casa de Abraão para cumprir a segunda parte de sua missão: executar o juízo sobre Sodoma. Abraão, como anfitrião, ainda lhes presta um último gesto de honra, acompanhando-os no caminho que seguiram em direção as cidades de Sodoma e Gomorra. É nesse contexto que o Senhor diz: “Ocultarei a Abraão o que estou para fazer, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra?” (Gn 18.17,18). Abraão, portanto, não é apenas o portador de uma grande promessa e o patriarca de uma grande nação. Ele também ocupa um lugar singular como profeta de Deus. Por isso, a declaração de Amós se ajusta tão bem a este momento: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). Dessa forma, o Senhor revela a Abraão tanto a gravidade do pecado de Sodoma quanto o juízo que está prestes a derramar sobre aquela cidade ímpia. Os pecados das duas cidades principais situadas às margens do mar Morto, Sodoma e Gomorra, haviam se multiplicado e se agravado muito. Por essa razão, faço dois questionamentos: (1) Ló não sabia que os moradores de Sodoma e Gomorra eram maus? O texto de Gênesis 13.13 mostra que a fama deles já era notória quando Ló decidiu ir para lá. (2) Por que Ló não deixou imediatamente essa cidade quando se viu no meio de um povo tão ímpio?
Aquelas cidades eram extremamente perversas pois seus habitantes eram dados às práticas sexuais contrárias à natureza: E chamaram Ló e lhe disseram: — Onde estão os homens que, à noitinha, entraram na sua casa? Traga-os aqui fora para que abusemos deles. (Gn 19.5, NAA). Igualmente Sodoma, Gomorra e as cidades vizinhas, que também se entregaram à imoralidade e adotaram práticas contrárias à natureza, foram postas como exemplo do castigo de um fogo eterno. (Jd v.7, NAA). Os homens daquele lugar não tentaram esconder seus pecados nem se arrependeram deles. O aspecto do rosto testifica contra eles; e, como Sodoma, exibem o seu pecado e não o encobrem. Ai deles! Porque estão provocando a sua própria desgraça. (Is 3.9, NAA). Mas nos profetas de Jerusalém vejo coisa horrenda: cometem adultério, andam com falsidade e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade. Para mim, todos eles se tornaram como Sodoma, e os moradores de Jerusalém, como Gomorra. (Jr 23.14, NAA).
Algumas implicações:
● Pensando na escolha de Ló, tanto em ir para Sodoma como em permanecer por lá, afirmamos que nem toda oportunidade atraente convém ao servo de Deus, sobretudo quando ela o aproxima de contextos de maldade e pecado que irão minar a sua fé.
● Esse evento também nos chama a também a levar a sério a santidade do Senhor e a realidade do seu juízo.
2.2. O pecado leva à destruição.
Verdade central: O pecado de Sodoma e Gomorra era imenso, e o Senhor não podia mais suportar a iniquidade daquele lugar. Deus é santo e não tolera a iniquidade, embora tenha misericórdia do pecador.
Para refletir: Deus não ignora nem tolera o pecado, mas vê todo mal e injustiça. O caráter santo e perfeito de Deus exige que o pecado acarrete punição e toda injustiça seja castigada.
A LIÇÃO DIZ: O pecado de Sodoma e Gomorra era imenso, e o Senhor não podia mais suportar a iniquidade daquele lugar. Deus é santo e não tolera a iniquidade, embora tenha misericórdia do pecador. Então, o Eterno toma a seguinte decisão: “Descerei agora e verei se, com efeito, têm praticado segundo este clamor que é vindo até mim; e, se não, sabê-lo-ei” (Gn 18.21).
O pecado pode levar a destruição? Mas o que ele destrói?
● Destrói a comunhão com Deus. O efeito imediato do pecado é a alienação, isto é, afastamento relacional de Deus.
● Destrói a integridade da pessoa. O pecado produz desejos que não conseguem ser satisfeitos e distorce até o conhecimento que a pessoa tem de si mesma. Em outras palavras, acontece uma destruição interior, pois a vontade fica cativa do mal, os afetos são desordenados e a consciência é deformada. Portanto, o pecado não estraga só comportamentos pontuais; ele alcança mente, desejos, vontade e corpo.
● Destrói os relacionamentos humanos. O pecado converte pessoas em objetos e o ambiente comunitário e social em um lugar hostil. O livro do Gênesis, em seus primeiros capítulos, mostra que o pecado tem o um grande potencial de se espalhar e se multiplicar: mentira, exploração, violência, abuso, vingança, incesto, assassinato, escravidão, rivalidade familiar.
● Destrói a vida. A morte é resultado do pecado e não algo “natural” ao ser humano em seu propósito original.
● Destrói porque termina em juízo. O pecado é destrutivo não só pelas suas consequências psicológicas, morais, comportamentais e espirituais, mas também porque ele se coloca contra a santidade de Deus.
Apêndice
Neste ponto da narrativa (Gn 18.21), nós, os leitores do texto bíblico, começamos a notar que Deus se comporta como homem nessa história. Fica evidente que, em todo esse episódio, ele age dessa maneira: Deus assume um corpo humano; come uma refeição que Abraão preparou; fala como se estivesse tomando decisões no momento (“[não] esconderei de Abraão o que faço” [v. 17]); fala como se não soubesse dos acontecimentos e precisasse fazer uma investigação (“descerei agora e verei se tudo o que eles têm praticado condiz com o clamor que tem chegado a mim” [v. 21]). Ao mesmo tempo em que Deus assume uma forma humana, age como um ser humano e fala como um ser humano com Abraão, ele não deixa de revelar a sua identidade: ele é o Deus todopoderoso que dissera que Sara teria um filho dali um ano; ele é o Deus que conhece o íntimo do pensamento, e que repreendeu Sara, porque ela, no íntimo, riu-se da promessa, quando estava dentro da tenda; ele é o juiz de toda a terra a quem os clamores, o grito dos oprimidos, subiu; e ele é o Deus que é capaz de fazer avaliações e juízo, de destruir cidades e de poupar os justos que porventura nelas estejam.
2.3 A intercessão.
Verdade central: Diante do juízo anunciado, Abraão se colocou na posição de intercessor, suplicando o favor do Senhor pelos habitantes justos que seriam destruídos com os ímpios.
Para refletir: Tenho me colocado na brecha como intercessor pela minha família, cidade e nação, ou tenho orado apenas por mim mesmo e por minhas necessidades?
A LIÇÃO DIZ: A decisão já estava tomada, mas Deus revela a seu servo o juízo que estava por vir. Diante do que o Senhor faria, Abraão coloca-se na posição de um intercessor.
No versículo 22, os dois anjos seguem em direção a Sodoma, enquanto Abraão permanece diante do Senhor. Os dois anjos descem pelo caminho do vale, rumo às cidades de Sodoma e Gomorra; Deus, porém, fica ali com Abraão, para dar ao patriarca a oportunidade de fazer o que Senhor sabia que ele faria. É como se Deus graciosamente lhe dissesse: “Eu vim para destruir Sodoma e Gomorra, mas vou escutar o que você tem a dizer”. Abraão não deixa passar a oportunidade, e, diz o texto, permanece diante do Senhor, enquanto os anjos descem para cumprir a sentença de Deus. Recordemos que, na Bíblia, os anjos com frequência são enviados por Deus para executar juízo. No livro do Apocalipse, são os anjos que derramam o juízo de Deus sobre toda a terra. Na revelação bíblica, vemos também que Deus manda um anjo para castigar Jerusalém, por causa do pecado de Davi. São anjos que destruíam exércitos inteiros. Foi o anjo da destruição, da morte, que passou na terra do Egito e matou os primogênitos, inclusive o filho de faraó. Os anjos são enviados de Deus para executar os seus juízos contra os ímpios e para proteger e abençoar os que são seus. Enquanto os dois anjos desceram na direção de Sodoma para executar a vontade de Deus, o Senhor ficou com Abraão no alto da montanha. Abraão, então, intercede seis vezes por Sodoma (v. 23-32). Ele já conhecia Sodoma e Gomorra, conhecia o rei de Sodoma, Bera, bem como o rei de Gomorra, Birsa. Sabemos disso em razão do evento narrado em Gênesis 14, em que Abraão lutou para trazer de volta as pessoas e os bens dessas duas cidades, pois haviam sido saqueadas por reis que vieram do Oriente, da Mesopotâmia. Portanto, Abraão já havia lutado por eles. Contudo, o mais importante é que Abraão sabia que Ló, seu sobrinho, e sua família estavam em Sodoma e que agora os anjos estavam indo na direção da cidade para destruí-la. Ele já havia usado as armas físicas (espadas, lança, escudo), agora ele usa arma espiritual da intercessão. Interceder é orar a Deus em favor de outra pessoa. É pedir, suplicar ou “pleitear” diante de Deus por alguém, buscando misericórdia, perdão, livramento, ajuda ou salvação.
Alguns pontos dessa intercessão merecem destaque:
● O primeiro ponto é que o apelo básico que Abraão faz a Deus, em prol de Sodoma, é um apelo à justiça de Deus. Ele diz, no versículo 23: “destruirás o justo com o ímpio?” (v.23), como se dissesse: “como o Senhor fará isso? O Senhor vai tratar o justo como se ele fosse igual ao ímpio?” Assim, Abraão apela para um dos atributos de Deus, a sua justiça.
● O segundo ponto de destaque é que o apelo de Abraão também recorre a outros atributos de Deus: a sua misericórdia e o seu amor. Ele diz no versículo 24: “Se houver cinquenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que ali estão?” Nesse momento ele não apela para a justiça de Deus, mas sim para a misericórdia e o amor de Deus para com seu povo. Dessa forma, o que Abrãao quer dizer é: “além de justo, o Senhor é um Deus amoroso, misericordioso e fiel.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. Por que Ló escolheu morar nos arredores de Sodoma?
2. Como era o pecado de Sodoma e Gomorra segundo o texto bíblico?
3. Qual foi a atitude de Abraão diante do anúncio da destruição?





3. A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA
Pergunta chave: Como Deus executou seu juízo?
Ideia central do ponto: Deus executou seu juízo sobre Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre, salvando apenas Ló e suas filhas. A esposa de Ló pereceu por desobediência, tornando-se advertência de que não devemos olhar para trás.
3.1 Deus “é fogo consumidor”.
Verdade central: Depois da destruição da humanidade no Dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra foi o fato mais marcante e tornou-se referência e alerta da parte de Deus para toda a humanidade. Não podemos nos esquecer de que o Eterno é amor, mas também é justiça. Ele é “fogo consumidor”.
Para refletir: Deus é amor, mas também é justiça. Ele dá tempo para o arrependimento, mas, quando o homem não quer, seu juízo é sem misericórdia.
A LIÇÃO DIZ: Depois da destruição da humanidade na época de Noé por causa da corrupção geral do ser humano (Gn 6 e 7), a destruição de Sodoma e Gomorra nas campinas do Jordão foi o fato mais marcante e tornou-se referência e alerta da parte de Deus para toda a humanidade. Não podemos nos esquecer de que o Eterno é amor, mas também é justiça! Ele é “fogo consumidor”: “Pelo que, tendo recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 12.28,29). A expressão “Deus é fogo consumidor” aparece em Deuteronômio 4.24 e é retomada em Hebreus 12.29. Ela não quer dizer que Deus seja literalmente fogo, mas que Ele é santo, puro e irresistível em seu juízo.O fogo, nas Escrituras, muitas vezes simboliza a presença divina que purifica, prova e também consome aquilo que é impuro, rebelde e contrário à sua santidade.
● Em primeiro lugar, essa expressã revela a santidade de Deus. Ele é absolutamente puro e não convive com o pecado como se ele fosse algo normal. Por isso, quando a Bíblia diz que Deus é fogo consumidor, ela está afirmando que sua santidade reage contra toda idolatria, desobediência e impiedade. Em Deuteronômio, o contexto é justamente uma advertência contra a infidelidade da aliança. Israel não podia tratar o Senhor como se Ele fosse igual aos deuses das nações.
● Em segundo lugar, essa expressão revela o juízo de Deus. O fogo consome porque Deus julga o mal com justiça. Nadabe e Abiú, por exemplo, aprenderam que não se pode aproximar de Deus de qualquer maneira. Ananias e Safira também mostram, no Novo Testamento, que Deus continua santo. Portanto, “fogo consumidor” é uma forma metafórica de dizer que ninguém deve brincar com sua santidade.
● Em Hebreus 12.29, a expressão aparece no fim de uma exortação à reverência. O autor acabou de dizer que recebemos um Reino inabalável e, por isso, devemos servir a Deus de modo agradável, “com reverência e santo temor”. Em seguida, ele conclui: “porque o nosso Deus é fogo consumidor”. Ou seja, a graça de Deus não elimina sua santidade. O mesmo Deus que nos recebe em Cristo continua sendo majestoso, santo e digno de temor.
3.2 Uma catástrofe sem igual.
Verdade central: Essas cidades tornaram-se símbolo de advertência divina contra a maldade e nunca mais foram habitadas.
Para refletir: Tenho levado a sério as advertências da Palavra de Deus, ou tenho zombado ou ignorado os avisos divinos como fizeram os genros de Ló?
A LIÇÃO DIZ: Não sabemos quantas pessoas habitavam em Sodoma e Gomorra. Provavelmente, havia um número elevado de habitantes, mas, a exemplo do que ocorreu no Dilúvio, quando somente Noé e sua família, oito pessoas, sobreviveram à destruição, também poucas pessoas foram salvas: Ló, sua esposa e suas duas filhas (Gn 19.15-23). Os genros de Ló zombaram dele quando os advertiu (Gn 19.14). Ao anoitecer, os dois anjos chegaram a Sodoma e foram recebidos por Ló, que os levou para sua casa e lhes ofereceu hospitalidade. Antes que fossem descansar, os homens da cidade cercaram a casa e exigiram que Ló entregasse os visitantes para que abusassem deles. Ló tentou impedir aquela maldade, mas a multidão se voltou contra ele e tentou arrombar a porta. Então, os anjos puxaram Ló para dentro, fecharam a porta e feriram os homens de Sodoma com cegueira. Em seguida, anunciaram a Ló que a cidade seria destruída por causa da gravidade do seu pecado e ordenaram que ele tirasse dali seus familiares. Ló foi avisar os genros, mas eles pensaram que tudo não passava de brincadeira. Eles não creram na palavra de Ló; portanto, não creram na advertência que Deus estava trazendo. Eles não haviam estado entre os homens que cercaram a casa de Ló, evidentemente, mas não tinham temor a Deus. Eram homens de Sodoma, apesar de terem se comprometido a casar com as filhas de Ló. Os genros de Ló acharam que ele estava brincando ou zombando, pois não criam em Deus, em pecado, em juízo e em nada do que Ló acreditava. Portanto, a autoridade da Ló e as palavras com que ele falou pareciam brincadeira e zombaria diante deles. Certo teólogo, ao comentar esse texto, diz: “Onde não há temor de Deus, essas coisas parecem brincadeira”. Isso continua a ser verdadeiro até hoje. Onde não existe o temor a Deus e o conhecimento da verdade, frases como “escapem do juízo”, “arrependam-se”, “voltem-se para Deus”, “existe um inferno” parecem brincadeira. As pessoas pensam que estamos zombando, brincando, ou fazendo algum tipo de piada, quando falamos da severidade do castigo de Deus que se aproxima sobre toda a humanidade.
Lembre, o comentário que estamos fazendo deste capítulo é seletivo, portanto, saltamos vários versículos
seguindo o fluxo da lição. Ao amanhecer, os anjos apressaram Ló, dizendo: — Levante-se, pegue a sua mulher e as suas duas filhas, que aqui se encontram, e saia daqui, para que você não morra quando a cidade for castigada. Como, porém, ele se demorasse, aqueles homens o pegaram pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendolhe o Senhor misericordioso, e o tiraram, e o puseram fora da cidade. Havendo-os levado para fora, um deles disse: — Corra, para sair daqui com vida! Não olhe para trás, nem pare em toda a campina. Fuja para o monte, para que você não morra. (Gn 19.15-17, NAA). Ló havia demorado durante a noite toda, possivelmente na esperança de convencer seus futuros genros, mas foi em vão. É muito provável que, em seu coração, ele estivesse relutando em sair da cidade, pois tudo o que possuía estava ali. De que maneira ele sobreviveria sem seu gado, seus servos, seus bens e suas propriedades? Além do mais, conforme veremos mais adiante, sua esposa parecia gostar muito da cidade e estar ambientada; também suas filhas relutavam em deixar os dois noivos para serem destruídos. O fato é que o dia estava raiando, e Ló ainda estava na cidade, apesar de os anjos urdirem para que ele saísse dali com sua família, porque Deus iria destruir o lugar. Ló ainda se demorava, hesitando em sair da cidade. Então, os dois anjos tomam Ló pela mão, bem como sua mulher e suas duas filhas, e arrastam o grupo todo para fora da cidade. Moisés registra que Deus foi misericordioso para com Ló: “sendo o Senhor misericordioso com ele”. Deus poderia ter deixado Ló entregue a sua própria hesitação, mas o fez.
3.3 Transformada em estátua de sal.
Verdade central: A esposa de Ló não seguiu a orientação dos anjos para não olhar para trás. Ela olhou, talvez para ver as cidades queimando, e ficou convertida numa estátua de sal. Ela não foi alcançada pelo fogo, mas pereceu pela desobediência.
Para refletir: Tenho olhado para frente, buscando as coisas que são de cima, ou tenho olhado para trás com saudade do que Deus me mandou deixar?
A LIÇÃO DIZ: Infelizmente, a esposa de Ló não seguiu a orientação dos anjos para não olhar para trás; ela olhou, talvez para ver as cidades queimando, e “ficou convertida numa estátua de sal” (Gn 19.26). Lembremos de que a esposa de Ló não foi alcançada pelo fogo, mas pereceu pela desobediência ao olhar para trás. Como servos de Deus, não devemos olhar para trás, mas para “as coisas que são de cima” (Cl 3.1,2).
O texto bíblico diz: O sol estava nascendo sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar. Então o Senhor fez chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. Isso veio da parte do Senhor, desde os céus. Ele destruiu aquelas cidades, e toda a campina, e todos os moradores das cidades, e o que nascia na terra.E a mulher de Ló olhou para trás e virou uma estátua de sal. Além de Sodoma e Gomorra, também as cidades de Admá e Zeboim foram destruídas. A princípio, seriam destruídas as cinco cidades da planície do Jordão, a saber, Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Belá; no entanto, Belá, que mais tarde passou a se chamar Zoar, foi poupada, porque Ló pediu para ficar ali. De acordo com o registro do versículo 24, Deus fez chover fogo e enxofre dos céus. Moisés deixa claro que não se tratou de uma catástrofe natural. Atualmente, a região correspondente às cidades de Sodoma e Gomorra é cheia de depósitos de sal e de enxofre, e ninguém sabe mais ao certo a localização das antigas cidades. Acredita-se que seja onde está hoje a extremidade sul do mar Morto, e que a catástrofe tenha criado ou abaixado o nível da região, de forma que o mar a cobriu. Talvez os restos das cidades estejam debaixo do mar Morto. No versículo 26, Moisés registra que a mulher de Ló olhou para trás e se tornou uma estátua de sal. Isso aconteceu durante a fuga para Zoar, quando a destruição já havia começado. O texto sugere que ela ficou para trás e que seu olhar não foi um gesto casual, mas um sinal do apego do seu coração à cidade que estava sendo julgada. Muitos estudiosos entendem que ela era natural de Sodoma, o que ajuda a explicar esse vínculo mais profundo com o lugar. Portanto, embora tivesse recebido uma ordem clara para fugir sem parar e sem olhar para trás, desobedeceu. Seu gesto revelou que, mesmo saindo da cidade, seu coração ainda permanecia nela. A esposa de Ló foi transformada (no hebraico, literalmente, “tornou-se”) em uma estátua de sal. Não sabemos se a transformação foi um juízo imediato de Deus ou se a mulher foi alcançada pelo fogo e o enxofre que estavam caindo da parte de Deus, uma vez que ela havia ficado mais para trás do que sua família. O fato é que esse evento foi usado pelo Senhor Jesus séculos depois, para advertir seus discípulos quando Jerusalém fosse cercada pelos romanos. Em Lucas 17, Jesus diz aos discípulos que o domínio romano seria um juízo de Deus contra Jerusalém por tê-lo rejeitado, e que, quando eles vissem Jerusalém cercada de exércitos, deveriam fugir e não olhar para trás, não voltar para salvar nenhum bem. Então, nesse contexto, Jesus diz, em Lucas 17.32: “Lembrai-vos da mulher de Ló”. A mulher de Ló ficou como exemplo na história bíblica de alguém que se apegou ao mundo, e que, apesar de todos os benefícios e de toda a graça de Deus que lhe fora concedida, trocou tudo pelas coisas que estavam em seu coração: trocou a vida e a salvação em Zoar por Sodoma.
Implicações:
● Há pessoas que saem de certas práticas, ambientes ou vínculos mundanos, mas continuam interiormente presas a eles. Continuam olhando para trás com saudade, desejo ou nutrindo certa simpatia. Todavia, o texto nos adverte a obedecer sem hesitação, romper com o pecado sem nutrir afeição por ele e seguir adiante com os olhos postos na direção apontada por Deus.
● O lugar para onde Deus quer nos levar, nem se compara com o lugar do qual ele nos tirou. De acordo com Gênesis 19:17, um dos anjos ordenou que Ló e sua família fugissem para um lugar alto. O propósito era tirá-los da destruição e levá-los a um lugar totalmente seguro. Com isso, chegamos a conclusão que o lugar de onde Deus tirou Ló e sua família não se compara para onde Deus os levou. Do mesmo modo, a nossa vida em Cristo é eternamente maior e melhor que o mundo e suas paixões. Não se rebaixe, jamais desça a um nível de vida abaixo do que Deus tem para você. Conforme Colossenses 1:13, “Deus nos tirou
da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho”.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. Por que a destruição de Sodoma e Gomorra se tornou referência para toda a humanidade?
2. Quantas pessoas foram salvas da destruição de Sodoma?
3. O que aconteceu com a esposa de Ló e por quê?
4. O que significa não olhar para trás na vida cristã?
CONCLUSÃO
A destruição de Sodoma e Gomorra foi o resultado do pecado cometido de forma constante diante de Deus. Ele ofereceu tempo para o arrependimento, mas quando o pecado é persistente e o coração se endurece, o juízo divino torna-se inevitável. Deus é misericordioso e dá muitas oportunidades para que o homem se arrependa, mas sua paciência tem limite. Para quem rejeita o arrependimento, não há escape. A história nos adverte a obedecer completamente a Deus, não apenas em aparência, mas com o coração inteiro. Sodoma e Gomorra tornaram-se um símbolo permanente do juízo de Deus contra o pecado e a desobediência.
REFERÊNCIAS
SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. Tradução: Emirson Justino. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Abraão: o pai da fé. São Paulo: Hagnos, 2024.
LOPES, Hernandes Dias. Jacó: o homem que lutou com Deus e prevaleceu. São Paulo: Hagnos, 2025. LOPES, Hernandes Dias. Gênesis: o livro das origens. São Paulo: Hagnos, 2021.
AMOS, Clare. GENESIS. Peterborough: Epworth Press, 2004. SAILHAMER, John H. Genesis. In: LONGMAN III, Tremper; GARLAND, David E. (Ed.). The expositor’s
Bible commentary. Rev. ed. Grand Rapids: Zondervan, 2008. E-book.
MATHEWS, Kenneth A. Genesis 11:27-50:26. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 2005. (The New American Commentary, v. 1B).
WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento. Tradução: Noemi Valéria Altoé da Silva. São Paulo: Vida Nova, 2018.









