Homens dos Quais o Mundo não Era Digno







INTRODUÇÃO
A história de Abraão nos ensina lições valiosas sobre a fidelidade de Deus e a importância da perseverança na fé. Nesta lição, estudaremos um momento decisivo na vida do patriarca: a confirmação do pacto divino quando ele já contava com 99 anos de idade e sua esposa, Sara, com 89 anos. Veremos que, mesmo quando as circunstâncias parecem impossíveis e o tempo desafia nossa esperança, Deus permanece fiel às suas
promessas.
TEXTO ÁUREO
Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes. (Gn 17.7, NVI). A aliança que estou fazendo para sempre com você e com os seus descendentes é a seguinte: eu serei para sempre o Deus de você e o Deus dos seus descendentes. (Gn 17.7, NTLH).
Algumas implicações podem ser extraídas dessa passagem bíblica:
• Primeiro, Deus toma a iniciativa de se aproximar. Em todas as ocasiões de comunhão, Deus sempre se mostrou suscetível em ouvir, ajudar e abençoar Abraão. As limitações e fragilidades do patriarca e sua esposa não foram um impedimento para que Deus se aproximasse deles.
• Segundo, as promessas de Deus vão além do nosso tempo. O que Deus promete a Abraão em Gênesis 17.7 ultrapassa a duração da sua própria vida. O Senhor fala de uma aliança com ele e com a sua descendência em todas as gerações. Há aqui uma lição importante para a vida espiritual. Nem tudo o que Deus promete se cumpre no mesmo momento em que ouvimos sua voz. Há promessas que amadurecem com o tempo, avançam pela história e alcançam desdobramentos muito maiores do que conseguimos enxergar no presente.
• Terceiro, a maior promessa é a presença de Deus. O ponto mais alto do versículo não está apenas na descendência, nem na duração da aliança, mas nesta declaração: “serei o seu Deus.” Antes de pensar no que Deus pode dar, o texto nos chama a contemplar o que Deus oferece de mais alto: ele mesmo. Ter o Senhor como Deus é maior do que receber bênçãos materiais. Sua presença é a herança mais preciosa da aliança.

VERDADE PRÁTICA
Deus é fiel para cumprir tudo aquilo que nos prometeu. Em toda a Escritura, não há um único texto que o apresente como infiel, nem uma só passagem que revele a incapacidade de Deus realizar aquilo que disse. O Senhor nunca falhou, nunca mentiu, nunca voltou atrás por fraqueza e nunca deu ao seu povo motivo justo para desconfiança. Então, por que ainda duvidamos? Por que o nosso coração ainda oscila? Por que, tantas vezes, damos lugar à incredulidade? Deus permanece fiel.
MOVIMENTO TEMÁTICO
• Ponto 01: A mudança de nomes
• Ponto 02: O concerto
• Ponto 03: A circuncisão






1. DEUS MUDA O NOME DE ABRÃO E DE SARAI
Pergunta chave: O que a mudança de nomes significava para Abraão e Sara? Ideia central do ponto: Deus mudou os nomes de Abrão e Sarai para refletir o propósito divino em suas vidas, confirmando que seriam pai e mãe de multidões, mesmo quando a idade avançada parecia tornar a promessa impossível.
1.1 O novo nome de Abrão.
Verdade central: O nome original de Abrão significava “pai exaltado”, mas diante do plano de Deus em sua vida, esse nome não parecia adequado. O Senhor mudou seu nome para Abraão, que significa “pai de multidão de nações”, confirmando a promessa divina.
Para refletir: Reconheço que Deus pode transformar minha identidade e meu destino conforme seus propósitos, ou me limito ao que sempre fui e ao que parece possível?
A LIÇÃO DIZ: Nos tempos do Antigo Testamento, os nomes dos filhos, em grande parte, não eram escolhidos somente porque os pais achavam os nomes bonitos ou era moda. Existiam vários fatores que influenciavam na escolha, como, por exemplo, a vontade de Deus, as circunstâncias na hora do nascimento ou até mesmo as características físicas do bebê, como no caso de Esaú, que nasceu ruivo e bem cabeludo (Gn 25.25). No caso de Abrão, seu nome original significava “pai exaltado”; porém, diante do plano de Deus em sua vida, esse nome não parecia adequado, e o Senhor lhe mudou o nome para Abraão, confirmando que seria pai de multidão (Gn 17.4).
Vamos a leitura do texto bíblico:
1Quando Abrão atingiu a idade de noventa e nove anos, o Senhor apareceu a ele e disse: — Eu sou o Deus Todo-Poderoso; ande na minha presença e seja perfeito. 2 Farei uma aliança entre mim e você e darei a você uma descendência muito numerosa.
3Abrão se prostrou com o rosto em terra e Deus lhe falou: 4— Quanto
a mim, esta é a minha aliança com você: você será pai de muitas nações. 5 O seu nome não será mais Abrão, e sim Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações. (Gn 17.1-5, NAA). A narrativa começa com o relato da aparição de Deus a Abrão, quando este tinha 99 anos. Treze anos se passaram desde o episódio que abordamos na lição anterior, quando Agar engravidou de Abrão e lhe deu à luz um filho chamado Ismael. Ismael, agora, já tem 13 anos. A essa altura, com certeza, Sarai já havia perdido a esperança de dar um filho a Abrão, e Abrão estava convencido de que Ismael era mesmo o filho prometido por Deus, ainda que tivesse nascido de Agar, e não de Sarai. O escritor aos hebreus, revela-nos que neste tempo, impossibilidade de gerar um filho era compartilhada pelo casal. Além da infecundidade e idade avançada de Sarai, Abrão já era bem idoso e incapaz de ter filhos (Hb 11.12). É neste contexto, que o Senhor visita seu servo mais uma vez. Durante os últimos treze anos, aparentemente, Deus não apareceu a Abrão, muito embora ele, toda a sua família e todo o seu clã continuassem o servindo e o adorando. Pelo silêncio do texto, supomos que não houve nenhuma aparição de Deus a Abrão durante esse espaço de tempo. Isso mostra que a vida dos heróis da fé no Antigo Testamento não era marcada por visões, aparições e revelações diárias da parte de Deus. Algumas delas eram bastante espaçadas, como essa. Sinceramente, eu sou muito desconfiado dessas pessoas que têm sonhos espirituais todos os dias, que recebem revelações todos os cultos. Deus continua falando, mas muitos profetas não passam de exibicionistas e meninos na fé. O grande problema dessa espiritualidade fajuta é a falsa expectativa que ela gera nos irmãos mais leigos de que eles precisam ter uma experiencia sobrenatural todos os dias para serem crente autênticos. Não caia nesse engano. Voltando ao texto, enfatizamos que há um elemento narrativo interessantíssimo que está implícito. A demora de Deus pode ter sido intencional, para contrastá-la com a pressa do casal em alcançar a promessa, em razão da qual recorreram a meios carnais para recebê-la. Em contrapartida, Deus leva treze anos até aparecer outra vez a Abrão, estabelecendo o contraste e lembrando que o tempo de Deus não é como o nosso tempo, e que o relógio de Deus trabalha de maneira diferente do nosso. Quase nunca é dito no livro de Gênesis a forma como Deus aparece a seus servos. Pode ter sido em uma visão, em um sonho, por meio da nuvem da glória, ou algum elemento na natureza em aspecto sobrenatural, como uma sarça ardente. O fato é que não sabemos. Sabemos apenas que foi uma manifestação visível da glória de Deus.
Nessa aparição, Deus faz a Abrão três afirmações e lhe dar uma ordem (v. 1,2).
• Na primeira, ele se apresenta como Deus todo-poderoso: “Eu sou o Deus todo-poderoso” (v. 1), em hebraico, El Shaddai. É a primeira vez que Deus se apresenta dessa forma na Bíblia. Ao dizer que ele é o Deus todo-poderoso, El Shaddai, ele aponta para a sua onipotência, portanto, para a sua suficiência para cumprir todas as suas promessas.
• A ordem “anda na minha presença” significa “ande diante de mim”, como uma pessoa que está olhando para a outra, frente a frente. Em outras palavras, o que Deus diz a Abrão é: “tenha consciência de que eu sou poderoso para cumprir as minhas promessas, e de que eu o conheço, e sei o que você faz.“Anda na minha presença”, diz El Shaddai a Abrão, “e sê íntegro”. Isto é, “seja reto, obedeça a tudo o que eu lhe disser, porque eu sou o Deus todo-poderoso, e todos devem obedecer-me, respeitar-me, temer-me, e adorar-me, em pensamentos, palavras e obras”.
• A segunda afirmação que Deus faz a Abrão é: “firmarei a minha aliança contigo” (v. 2). Entraremos em mais detalhes a respeito dessa afirmação em seguida, pois essa promessa é repetida mais adiante.
A terceira afirmação de Deus nessa aparição a Abrão está também no versículo 2: “te farei crescer muito em número”, isto é, um número incontável de descendentes, em consonância com o que Deus já havia prometido, ou seja, que os descendentes de Abrão seriam como os grãos do pó da terra e tão numerosos como as estrelas do céu. Essa é mais uma evidência de que Deus não está fazendo uma aliança nova, e sim renovando e expandindo a aliança que já havia feito. A reação de Abrão a essas afirmações está no versículo 3, e não poderia ser diferente: “Abrão prostrouse com o rosto em terra”. Em seguida, Deus muda o nome de Abrão para que seu nome passe a refletir o que Deus prometeu: “não serás mais chamado Abrão, mas o teu nome será Abraão, pois te coloquei por pai de muitas nações” (v. 5). Os nomes tinham grande importância no mundo antigo. Ao dar nome aos animais, Adão demonstrou que exercia domínio sobre eles. De modo semelhante, a mudança do nome de Abrão para Abraão e de Sarai para Sara representou a reafirmação da promessa da aliança e a designação de ambos como servos escolhidos por Deus. No momento dessa declaração de Deus, o velho Abraão tinha 99 anos, e sua mulher, estéril, 89 anos. Contudo, Deus lhe diz: “te coloquei por pai de muitas nações”. Esta frase está no passado, o qual chamamos de passado profético, pois demonstra que Deus tem tanta certeza acerca do acontecimento a que se refere, que fala como se já tivesse acontecido: “te coloquei por pai de muitas nações”, ou seja, “você é pai de muitas nações, eu te constituí como tal”, afinal, ele é o El Shaddai.
1.2 O novo nome de Sarai.
Verdade central: O nome Sarai significava “minha princesa” ou “minha senhora”. O novo nome Sara significa “mãe de nações”. Deus a abençoaria e dela sairiam reis de povos.
Para refletir: Deus promove mudanças significativas na vida daqueles que nEle confiam e atendem ao seu chamado.
A LIÇÃO DIZ: O nome Sarai é hebraico e significa “minha princesa” ou “minha senhora”. Já o novo nome Sara significa “mãe de nações”. Diz a Bíblia: “Disse Deus mais a Abraão: a Sarai, tua mulher, não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome. Porque eu a hei de abençoar e te hei de dar a ti dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela” (Gn 17.15,16). Sarai significa “minha princesa”, isto é, princesa de uma família somente, o que talvez indicasse a origem nobre de Sarai. Agora, no entanto, seu nome seria “Sara”, que significa “princesa”. Essa mudança significa que ela não seria mais princesa de uma família, mas sim de muitas nações. Curiosamente, ela é a única mulher na Bíblia cujo nome foi mudado, o que evidencia a grande importância, na história da redenção, desse momento em que Deus desenvolve a sua promessa um pouco mais. Deus, em seguida, promete: “Eu a abençoarei” (v. 16). A bênção a Sara diz respeito a vários aspectos. Em primeiro lugar, à maternidade por si só, ela terá um filho de Abraão. Em segundo lugar, diz respeito à bênção
da cura, pois ela era estéril. Em terceiro lugar, à bênção da vida, pois seu ventre já estava amortecido. E em quarto lugar, diz respeito à bênção da fertilidade e de numerosa posteridade, pois Deus a abençoaria fazendo com que ela se tornasse nações (v. 16) . Além disso, haveria reis entre os seus descendentes.
Todas essas são promessas similares às que Deus fez a Abraão no início do episódio narrado na abertura
do capítulo 17. Contudo, a novidade é que Deus as reforça, afirmando-lhes que essas bênçãos acontecerão por meio de sua legítima esposa.
Algumas implicações são:
• Há situações que parecem encerradas, causas que parecem perdidas e áreas da vida em que muitos já desistiram. O texto bíblico, contudo, nos ensina que a última palavra não pertence à limitação humana e nem as circunstâncias, mas a Deus.
• Deus corrige os atalhos humanos. Abraão e Sara já haviam tentado resolver a promessa por meios próprios, no episódio de Agar. Em Gênesis 17, Deus deixa claro que o filho da promessa viria por meio de Sara.O caminho seguro continua sendo confiar no modo de Deus, e não tentar adiantar sua vontade com recursos carnais.
• As mulheres exercem papel de importância nos planos de Deus. Sara entra para história como heroína da fé sendo, esposa, mãe e dona de casa.
1.3 O pai da fé riu diante da promessa.
Verdade central: Ao ouvir novamente a promessa divina, Abraão riu, questionando se um homem de cem anos poderia ter um filho com uma mulher de noventa.
Para refletir: A espera prolongada pode entristecer o coração, mas não podemos deixar que a tristeza nos faça esquecer que para Deus nada é impossível.
A LIÇÃO DIZ: Parece que o tempo deixou o coração de Abraão fragilizado, pois, ao ouvir novamente a promessa divina, ele ri e assevera: “[…] A um homem de cem anos há de nascer um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos?” (Gn 17.17). A espera prolongada pode entristecer o coração, mas não podemos deixar que a tristeza nos faça esquecer que “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). Quando Deus diz que Sara terá um filho, o texto registra que Abraão se prostra com o rosto em terra e ri, como se dissesse consigo mesmo: “Como um velho de cem anos pode ter um filho? E minha esposa estéril de noventa anos, como ela pode ter um filho?”. Lembremos que ele estava diante de Deus, diante da visão da glória de Deus, como está explicitado no início de capítulo: “Quando Abrão tinha noventa e nove anos, o Senhor lhe apareceu e disse: Eu sou o Deus todopoderoso; anda na minha presença e sê íntegro” (Gn 17.1). Assim, Abraão se prostra diante dessa manifestação visível da glória de Deus. Narra o texto que Abraão riu consigo mesmo. Sobre esse riso, porém, não devemos pensar que foi um riso de incredulidade ímpia e debochada, como se ele dissesse: “Está brincando comigo! Isso só pode ser piada. Como é que com quase cem anos, com uma mulher estéril de noventa anos, isso vai acontecer? Que absurdo!”. Não, não foi esse, mas sim um riso de alegria que o deixa atônito e surpreso, até receando acreditar nessa possibilidade. Abraão ficou perplexo diante desse anúncio de fatos tão inusitados.
Essa possibilidade é perfeitamente possível. Quero apresentar os seguintes pontos a fim de prova-la:
Em primeiro lugar, quando Jacó, no livro de Gênesis, teve notícias de que seu filho José estava vivo e que era governador do Egito, notícia essa que foi trazida pelos irmãos de José, quando voltaram do Egito. Para Jacó, seu filho já havia morrido, comido por feras. Agora, entretanto, ele recebe a notícia não só de que seu filho está vivo, mas de que é o governador do Egito! E diz o texto de Gênesis 45.25,26: “Então eles subiram do Egito, foram para a terra de Canaã, até Jacó, seu pai, e lhe anunciaram: José está vivo e é governador de toda a terra do Egito. O coração de Jacó fraquejou porque não acreditava neles”. Quando a notícia chegou, o coração de Jacó acelerou, e ele deve ter dito: “Não é possível!”. No entanto, se ele não tivesse acreditado nos filhos, seu coração não teria fraquejado. Seu coração fraquejou diante da possibilidade de que aquilo poderia ser verdade. A segunda ocasião, ainda mais clara, está em Lucas 24.37-41, passagem em que Jesus apareceu aos discípulos depois da ressurreição. Os discípulos não acreditaram no que viram por causa da alegria! O mesmo aconteceu com Abraão. Abraão ficou em dúvida e, ao mesmo tempo, a alegria encheu seu coração, uma alegria que leva em consideração as dificuldades, mas que triunfa diante dos obstáculos, ainda que dizendo: “Meu Deus, será que é isso mesmo?”.
Além dessas duas ocasiões, a interpretação do apóstolo Paulo acerca dessa passagem, em Romanos 4.18- 21, esclarece melhor esse ponto:
18 Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe havia sido dito: “Assim será a sua descendência.” 19 E, sem enfraquecer na fé, levou em conta o seu próprio corpo já amortecido, tendo ele quase cem anos, e a esterilidade do ventre de Sara. 20 Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, 21 estando plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Qual era o significado do nome Abrão e por que Deus o mudou para Abraão?
2. O que o nome Sara significa e o que Deus prometeu a ela?
3. Como Abraão reagiu quando ouviu novamente a promessa divina?
4. O que aprendemos sobre a fidelidade de Deus mesmo quando rimos de suas promessas?






2. A CONFIRMAÇÃO DO CONCERTO DE DEUS COM ABRAÃO
Pergunta chave: Qual era o propósito do concerto de Deus com Abraão? Ideia central do ponto: Deus estabeleceu um concerto solene com Abraão, cujo propósito era trazer salvação a toda a humanidade, cumprindo-se plenamente em Jesus Cristo.
2.1 O chamado de Deus a Abraão foi especial. Verdade central: Deus confirmou o concerto com Abraão de modo solene, logo após mudar seu nome. Um pacto é um acordo de compromisso que contém promessas e obrigações específicas. No Novo Testamento, Deus estabelece uma nova aliança por meio de Jesus Cristo.
Para refletir: Tenho compreendido que também tenho um concerto com Deus por meio de Jesus Cristo, e que esse pacto exige fidelidade e compromisso da minha parte?
A LIÇÃO DIZ: O Senhor confirmou o concerto ou pacto com Abraão de modo muito solene, logo após fazer a mudança de seu nome (Gn 17.5-8). Podemos ver, por toda a Bíblia, Deus estabelecendo pactos. Você sabe o que significa um pacto? Segundo o Dicionário Bíblico Baker, “é um acordo de compromisso que continha promessas e obrigações específicas”
Aliança é o pacto que Deus estabelece por sua própria iniciativa, no qual ele promete sua presença e suas bênçãos, e requer do homem fé, obediência e fidelidade. No mundo antigo, havia relatos de deuses favorecendo reis ou recompensando serviços prestados em templos e santuários. Mas isso é diferente do que vemos em Gênesis 17. Ali, não temos um homem tentando garantir o favor divino por meio de obras cultuais. Temos o próprio Deus tomando a iniciativa de estabelecer sua aliança com um mortal para cumprir seus propósitos na história. A expressão “minha aliança” é usada treze vezes neste capítulo e define o relacionamento de Deus com Abrão. As três divisões desta aliança, “De minha parte […]” (17.4,8), “De sua parte […]” (17.9-14) e “Da parte de Sara […]” (17.15,16), reconhecem as obrigações de todos os envolvidos. Deus promete comprometimento com Abrão e com sua descendência (17.4-8,15,16); eles seguem seus mandamentos (17.9-14). Não era outra aliança, diferente da que Deus já havia feito com ele (12.1-3; 15.1-21). Era uma reafirmaçãodaquela aliança com o acréscimo importante da circuncisão, o sinal e o selo da aliança.
2.2. Qual o objetivo do concerto com os patriarcas?
Verdade central: O propósito único e supremo do concerto era trazer salvação não apenas a uma nação (Israel), mas a toda a raça humana. Deus nunca teve a intenção de privilegiar somente um povo. A graça de Deus era e é para todas as nações.
Para refletir: Reconheço que faço parte do cumprimento dessa promessa, sendo abençoado em Cristo para também abençoar outras
pessoas com o Evangelho?
A LIÇÃO DIZ: O propósito único e supremo era trazer salvação, não apenas a uma nação (Israel), mas a toda a raça humana. Deus havia prometido que abençoaria “todas as famílias da terra” por intermédio de Abraão (Gn 12.3; 18.18; 22.18; 26.4). O concerto de Deus foi dado ao povo de Israel para que eles pudessem ser a “luz dos gentios”. Deus escolheu os patriarcas para serem os instrumentos que levariam a bênção divina a todas as nações. A razão da eleição de Abraão era que todas as famílias da terra pudessem encontrar o conhecimento de Deus e a Sua bênção. Abraão foi chamado para ser mais do que apenas um beneficiário; ele deveria ser tanto um receptáculo quanto um transmissor da bênção divina. A intenção de Deus era que essa família funcionasse como a luz para as nações da terra. Além disso, a aliança com os patriarcas serve como a solução divina para o problema do pecado e da alienação que se espalhou pelo mundo. Enquanto os capítulos 3 a 11 de Gênesis descrevem uma escalada contínua do pecado e a alienação da humanidade em relação a Deus, a história patriarcal (capítulos 12 a 50) apresenta o plano de Deus para resolver esse dilema e restaurar a esperança humana de redenção. O plano estabelecido é que as mesmas nações corrompidas descritas anteriormente na narrativa bíblica acabem sendo abençoadas por intermédio de Abraão. Para garantir que esse plano de abençoar o mundo não falhasse, Deus demonstrou contínua fidelidade em manter Suas promessas, intervindo repetidamente para proteger os patriarcas até mesmo de seus próprios fracassos morais e éticos, assegurando assim que o objetivo e a linhagem da aliança fossem preservados. Quando Deus fez a promessa a Abraão, ele não estava pensando só nele, nem só em seus filhos e netos de forma imediata. A promessa seguiria pela sua descendência e alcançaria um objetivo maior no futuro. Em Gálatas 3.16, Paulo explica que essa promessa apontava, no fim das contas, para uma pessoa específica: Jesus Cristo. Ou seja, a promessa feita a Abraão ia passando por sua linhagem até chegar em Cristo. Jesus é o descendente principal, aquele em quem a promessa encontra seu sentido mais alto e seu cumprimento final. Nele, todas as famílias da terra são abençoadas.
2.3 O concerto e as promessas.
Verdade central: O pacto de Deus com Abraão viria acompanhado de várias promessas: Deus seria seu escudo e galardão, lhe daria muitos descendentes e a terra de Canaã como herança. Da mesma forma, Deus tem um pacto conosco em Jesus Cristo, cuja maior promessa é a salvação da alma e a vida eterna.
Para refletir: A maior promessa para nós em Cristo é a salvação da alma e a vida eterna, mas é preciso perseverar para recebê-la.
A LIÇÃO DIZ: O pacto de Deus com Abraão viria acompanhado de várias promessas. Observe: Deus seria o escudo e o galardão de Abraão (Gn 15.1), lhe daria muitos descendentes (Gn 15.5) e a terra de Canaã como herança (Gn 15.7). O Senhor também tem um pacto conosco em Jesus Cristo, e a sua maior promessa e bênção para nós é a salvação da nossa alma. Como já abordamos, no capítulo 17 não encontramos o estabelecimento de uma nova aliança, mas uma reafirmação com acréscimos da aliança que Deus já havia feito com Abrão. Logo, regredir a Gênesis 15 é perfeitamente aceitável do ponto de vista exegético. Vamos, portanto, comentar algumas promessas destacadas pelo comentarista da lição:
• Escudo e Galardão (Gn 15.1).O texto começa dizendo que a palavra do Senhor veio a Abrão, depois destes acontecimentos. Que acontecimentos são esses? No capítulo 12, ele sai da sua terra e do meio de sua parentela. No capítulo 13, ele desce ao Egito sem consultar a Deus, e ali, por medo de morrer, mente acerca de sua mulher, e ela é levada para o harém do faraó. No capítulo 14, ele peleja contra vários reis
e, provavelmente, quase morreu nessa batalha. Portanto, é razoável que o patriarcado esteja pensativo e temeroso. Nesse momento de dúvida, Deus fez três afirmações:
i. Não temas. Deus lhe dá essa palavra de encorajamento, talvez porque, agora, depois que a batalha terminou e a euforia pela vitória diminuiu um pouco, o medo possa estar rondado o coração de Abrão. Lembremos que o covarde tem medo antes da batalha, mas o herói somente depois, como é o caso de Abrão. Que medo poderia ser esse, depois de tamanha vitória? Medo de que os reis derrotados pudessem armar um exército muito maior e voltar para a vingança, pois isso era perfeitamente possível. Ele também podia estar com medo de que os cananeus quisessem fazer guerra contra ele, depois de ter testemunhado seu poder, pois possivelmente estivessem pensando que Abrão, se quisesse, poderia dominar toda aquela região.
ii. Sou o teu escudo. O escudo era parte da armadura dos soldados e protegia os guerreiros contra flechas, lanças, dardos, espadas e pedras do inimigo. Era uma peça extremamente importante, que garantia a integridade do soldado no campo de batalha. Como um escudo, então, Deus haveria de proteger Abrão dos perigos vindos do oriente e de Canaã. Deus haveria de guardá-lo das flechas dos inimigos e de qualquer perigo que, porventura, houvesse durante o período da sua peregrinação.
iii. Sou o teu grandíssimo galardão. Esta é a razão pela qual, provavelmente, essa visão ocorreu logo depois daqueles acontecimentos. Abrão havia rejeitado a recompensa que o rei de Sodoma tinha oferecido, e agora Deus lhe promete algo muito maior do que o produto do saque das cidades da planície do Jordão. A promessa “o teu galardão será muito grande” está relacionada com as promessas que Deus fez a Abrão, quando o tirou de Ur dos caldeus pela primeira vez (Gn 12.1-
3), nas quais Deus disse: “sai da tua terra, do meio dos teus parentes, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”. Na ocasião, Deus prometeu: que lhe daria uma terra; que faria de Abrão uma grande nação; que o abençoaria; que abençoaria aqueles que o abençoassem e amaldiçoaria aqueles que o amaldiçoassem; que engrandeceria o seu nome; e que na descendência de Abrão seriam benditas todas as nações da terra. Portanto, a promessa que Deus faz a Abrão agora, nessa quarta vez que aparece a ele e diz “teu galardão será muito grande”, está relacionada com tudo que Deus já havia prometido antes, e parece uma espécie de consolo, como se Deus dissesse: “Você não quis, e com razão, ficar com aqueles bens que o rei de Sodoma lhe ofereceu. Mas não se preocupe, porque a recompensa, o galardão que tenho para você é muito maior do que qualquer coisa que esses reis de Canaã poderiam lhe dar”. Acima de tudo, Deus seria a maior recompensa de Abrão.
• Muitos descendentes (Gn 15.7). “Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra como herança” (v. 7). O nome de Deus nesse versículo é Yahweh, nome pelo qual ele se revelou desde o início do livro de Gênesis. Ele é o mesmo Deus que tirou Abrão de Ur dos caldeus e que chamou Abrão da Mesopotâmia, onde ele morava e adorava outros deuses. É também o mesmo Deus que iria dar aquela terra à sua descendência como propriedade e posse. Foi o mesmo Deus quem fez todas essas coisas.
• Em Cristo, Deus também se relaciona conosco por meio de uma aliança, agora fundada em seu sangue, conforme o ensino do Novo Testamento. Por isso, a maior bênção que recebemos não é material, territorial ou temporal, mas espiritual e eterna: a salvação da nossa alma. Isso precisa ser bem entendido. Deus pode conceder livramentos, provisão, cuidado diário e respostas ao seu povo. Tudo isso é expressão de sua bondade. Ainda assim, a maior promessa não está nas coisas que Deus dá ao longo da caminhada, mas no que ele fez de modo definitivo em Cristo. Em Jesus, recebemos perdão dos pecados, reconciliação com Deus, adoção, nova vida e esperança eterna. Essa é a maior riqueza da aliança.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. O que é um pacto ou concerto segundo a lição?
2. Qual era o propósito único e supremo do concerto com os patriarcas?
3. Quais promessas acompanhavam o pacto de Deus com Abraão?
4. Qual é a maior promessa que Deus tem para nós no pacto em Jesus Cristo?





3. O PACTO PERPÉTUO DA CIRCUNCISÃOPergunta chave: Qual era o sinal visível do pacto e o que ele representava? Ideia central do ponto: A circuncisão foi estabelecida como sinal visível da aliança entre Deus e a descendência de Abraão, mas no Novo Testamento a verdadeira circuncisão é a do coração, feita mediante a graça e a fé em Jesus Cristo.
3.1 Todo macho será circuncidado.
Verdade central: Na renovação do concerto, Deus incluiu o pacto da circuncisão como sinal visível da aliança entre Ele e a descendência de Abraão. Era uma marca perpétua que lembraria o compromisso da fidelidade de Deus.
Para refletir: Há sinais visíveis em minha vida que demonstram meu compromisso de aliança com Deus, ou minha fé é apenas interna e invisível?
A LIÇÃO DIZ: Na renovação do concerto de Deus com Abraão, Ele incluiu o pacto da circuncisão. Deus lhe disse que aquele seria o sinal visível da aliança entre Ele e a descendência de Abraão, uma marca perpétua que lembraria o compromisso da fidelidade de Deus (Gn 17.10). A circuncisão consistia na remoção da pele chamada prepúcio, que envolve a extremidade final do órgão masculino. O equivalente hoje seria a operação de fimose, geralmente feita em bebês, quando há necessidade. A marca da circuncisão, a remoção da pele do prepúcio, deveria ser praticada por Abraão e por toda a sua descendência para todo o sempre, e serviria de sinal da aliança entre Deus e o seu povo: “Fareis a circuncisão na pele do prepúcio; este será o sinal da aliança entre mim e vós” (v.11). O que Deus quer dizer a Abraão é que ele guarde a aliança, isto é, o sinal da aliança, que é a circuncisão. Em outras palavras, a marca na pele causada pela circuncisão deve estar em Abraão e em todos os seus descendentes.
O Comentário Histórico e Cultura diz:
A circuncisão era largamente praticada no antigo Oriente Próximo como um rito de puberdade, fertilidade ou casamento. Embora os israelitas não fossem o único povo a circuncidar seus filhos, esse sinal foi usado para marcá-los como membros da comunidade da aliança. A circuncisão pode ser vista como um dos muitos casos em que Deus transforma uma prática comum para servir a um novo propósito ao revelar-se e relacionar-se com seu povo. Qual é a razão para essa marca? O texto não diz. Moisés não menciona o motivo desse sinal; porém, podemos inferi-lo.
• A circuncisão era a marca apropriada para essa aliança, pois o povo da aliança trazia no órgão reprodutor a marca de Deus, como se fosse uma declaração de que “a minha semente, os meus filhos, que forem gerados por meio do órgão reprodutor, são parte do povo de Deus”.
• Deus escolheu a circuncisão porque ela é uma marca que não se pode desfazer; era um símbolo de que a aliança é eterna, de que Deus não voltaria atrás: quem era de Deus era marcado como de Deus, e tal marca não seria removida.
• O terceiro e mais importante sentido, na minha opinião, é que a circuncisão tem um significado profundamente espiritual. O sentido principal da circuncisão e, que supera todos os anteriores, é que ela apontava para a remoção da dureza de coração, uma vez que a remoção da pele do órgão masculino simbolizava a remoção da incredulidade e da obstinação, sendo assim um símbolo profundamente espiritual. Ela era sinal da obediência, do amor e da consagração a Deus.
3.2 Quando deveria ser feita a circuncisão.
Verdade central: O bebê do sexo masculino deveria ser circuncidado ao completar oito dias de nascido. Essa prática é realizada entre os judeus até hoje, indicando que a aliança com Deus deveria ser estabelecida desde o início da vida.
Para refletir:Tenho sido pronto em obedecer às orientações de Deus, ou tenho adiado minha obediência esperando um momento mais conveniente?
A LIÇÃO DIZ: O bebê, do sexo masculino, deveria ser circuncidado ao completar oito dias de nascido (Gn 17.12). A circuncisão é feita entre os judeus até os dias de hoje, sendo realizada por especialistas e com o uso de anestesia. No Antigo Testamento, além do bebê israelita no oitavo dia, a circuncisão era exigida em outras situações:
• Todo macho da casa de Abraão, inclusive escravos e comprados por dinheiro. Não era só o filho biológico; também o nascido na casa e o estrangeiro comprado deviam receber o sinal (Gn 17.12-13).
• O estrangeiro que quisesse participar da Páscoa. Segundo Êxodo 12.48, se um estrangeiro quisesse celebrar a Páscoa ao Senhor, todo macho da sua casa devia ser circuncidado.
Por que no oitavo dia? Muitas explicações são oferecidas:
• Alguns afirmam que a circuncisão era realizada no oitavo dia a fim de que a criança conclui-se o ciclo da criação (sete dias) e passasse pelo primeiro Shabat.
• Outros explicam que assim como o sangue da oferenda traz expiação, também a circuncisão. Portanto, assim como um animal levado como oferenda precisa ter pelo menos oito dias de idade (Lv 22.27), na época da circuncisão, o bebê precisa ter pelo menos oito dias de idade.
• Maimônides explica que a espera de oito dias é necessária, pois caso contrário, a criança não teria forças para suporta a circuncisão. A outras opiniões são tão absurdas que não valem apena serem mencionadas. Por fim, o que se pode concluir é que a razão é incerta e não está declarada de forma explicita na Bíblia.
3.3 A circuncisão do coração.
Verdade central: A circuncisão física era inútil para aqueles cujo coração permanecia “incircunciso”. A verdadeira circuncisão é a do coração, realizada quando a pessoa ama ao Senhor por completo e entrega-se a Ele totalmente.
Para refletir: Meu coração está verdadeiramente “circuncidado”, entregue por completo a Deus?
A LIÇÃO DIZ: Não podemos nos esquecer de que a circuncisão física era inútil para aqueles cujo coração permanece “incircunciso” (Jr 9.25,26; Rm 2.25). Mas como é realizada a circuncisão do coração? Ela é realizada quando a pessoa ama ao Senhor por completo e entrega-se a Ele também por completo (Dt 10.16; 30.6; Jr 4.4; Rm 2.29). Na Nova Aliança, somente a circuncisão do coração, mediante a graça e a fé em Jesus
Cristo, é capaz de nos fazer levar uma vida de obediência e dedicação ao Senhor. Moisés, quando fala aos israelitas, descendentes de Abraão, em Deuteronômio 10.16, diz: “circuncidai o vosso coração e não sejais mais obstinados”. É óbvio que a circuncisão na carne representava a circuncisão espiritual do coração, e indicava que o povo marcado por ela era um povo obediente a Deus, que andava no temor do Senhor. Mais adiante, em Deuteronômio 30.6, Moisés diz: “O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração, e o coração da tua descendência, a fim de que ames o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a alma, para que vivas”. A circuncisão física era símbolo da conversão que Deus operava no coração, para que os israelitas pudessem amá-lo de todo o coração, uma vez que se Deus não a fizesse, o judeu nunca iria amar a Deus de todo o coração, pois é um pecador, filho de Adão, inclinado a todo mal, e, portanto, não quer buscar a Deus. Assim, Deus circuncidava o coração dos israelitas e, então, eles podiam amar a Deus, servi-lo e obedecer-lhe. Esse é o significado da circuncisão e também seu sentido mais profundo. O profeta Jeremias, séculos depois, fala para a nação de Israel, nação rebelde: “Circuncidai-vos ao Senhor e circuncidai o coração, ó homens de Judá e moradores de Jerusalém” (Jr 4.4). Eles já eram circuncidados na carne, mas isso não significava nada, pois tinham de ser circuncidados no coração. Era isso que a circuncisão representava. O grande problema desse tempo foi que os israelitas se apegaram a marcas exteriores e se esqueceram do principal, amar o Senhor de todo coração.O sentido espiritual da circuncisão fica ainda mais claro no Novo Testamento. O apóstolo Paulo, que fora um rabino, fariseu, e que conhecia muito bem o judaísmo, diz, em Romanos 4.11: “E [Abraão] recebeu o sinal da circuncisão, como selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado”. Abraão foi justificado pela fé e recebeu o sinal da circuncisão, uma vez que a circuncisão era o selo ou sinal de que o homem éjustificado pela fé. Ela representava a fé que Deus exigia da parte do seu povo, ou, como Paulo diz, em Romanos 2.28,29: “Porque judeu não é quem o é exteriormente, nem é circunciso quem o é apenas no exterior, na carne. Mas judeu é quem o é no interior, e circuncisão é a do coração, realizada pelo Espírito, não pela letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus”. Paulo está reagindo ao legalismo judaico de sua época, quando os judeus diziam: “nós somos circuncidados. Nós somos o povo de Deus. Nós temos a marca de que pertencemos a Deus”. No entanto, Paulo lhes diz que a verdadeira circuncisão é a do coração e que o ser judeu é um estado espiritual. Não é judeu apenas aquele que o é exteriormente, mas sim aquele que o é de coração. Portanto, todo crente verdadeiro, todo aquele que crê no Deus de Abraão é verdadeiro judeu, e já foi circuncidado no seu coração.
Essa é a verdadeira circuncisão que fará toda a diferença. Também Paulo, em Gálatas 6.15, diz: “Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão são coisa alguma, mas, sim, o ser nova criação”.E, ainda, o mesmo Paulo, em Colossenses 2.11: “Nele também fostes circuncidados com a circuncisão que não é feita por mãos humanas, o despojar da carne pecaminosa, isto é, a circuncisão de Cristo”. A circuncisão era um sinal físico, aplicado no órgão reprodutor masculino, mas carregava o simbolismo que apontava para a consagração a Deus, a mudança de vida, a remoção da incredulidade, a conversão, o novo nascimento, o amor e a obediência a Deus.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. Qual era o propósito da circuncisão no concerto de Deus com Abraão?
2. Quando a circuncisão deveria ser realizada segundo Gênesis 17.12?
3. Por que a circuncisão física era inútil sem a circuncisão do coração?
4. O que significa ter o coração “circuncidado” na Nova Aliança?

CONCLUSÃO
Deus não estabeleceu uma aliança nova com Abraão aos 99 anos, mas reafirmou aquela que já havia feito, com acréscimos e confirmações. Mudou seu nome e o de Sara para indicar o propósito divino em suas vidas. Instituiu a circuncisão como sinal visível e perpétuo desse pacto. O concerto que Deus fez não era apenas para o patriarca e sua descendência imediata, mas para todas as famílias da terra, e apontava para Cristo como seu cumprimento final. O sinal físico cedeu lugar à circuncisão do coração, realizada quando o Espírito Santo nos transforma e nos leva a amar e obedecer a Deus completamente. A marca que antes estava na carne agora está no coração renovado.





REFERÊNCIAS
SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. Tradução: Emirson Justino. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Abraão: o pai da fé. São Paulo: Hagnos, 2024. LOPES, Hernandes Dias. Jacó: o homem que lutou com Deus e prevaleceu. São Paulo: Hagnos, 2025. LOPES, Hernandes Dias. Gênesis: o livro das origens. São Paulo: Hagnos, 2021. AMOS, Clare. GENESIS. Peterborough: Epworth Press, 2004.
SAILHAMER, John H. Genesis. In: LONGMAN III, Tremper; GARLAND, David E. (Ed.). The expositor’s Bible commentary. Rev. ed. Grand Rapids: Zondervan, 2008. E-book. MATHEWS, Kenneth A. Genesis 11:27-50:26. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 2005. (The New
American Commentary, v. 1B).
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