Homens dos Quais o Mundo não Era Digno
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó









INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos a vida e a jornada de fé dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, cujas experiências espirituais constituem um legado permanente para a Igreja de Cristo. Abraão, em particular, representa um modelo singular de obediência e confiança em Deus, pois recebeu um chamado que o desafiou a abandonar sua terra natal, sua parentela e a segurança de uma civilização estabelecida para seguir rumo a um lugar totalmente desconhecido. O chamado divino a Abrão foi uma ordem que exigiu obediência irrestrita e uma fé radical. Sem possuir mapas, planos ou garantias visíveis, ele caminhou unicamente orientado pela voz do Senhor e pela confiança em suas promessas. A trajetória de Abraão revela também as lutas, as dificuldades e os desafios que caracterizam a caminhada cristã genuína. Ele enfrentou fome, pressões culturais e situações que o levaram a falhas éticas, contudo, a graça divina o sustentou e o restaurou. As promessas feitas ao patriarca transcenderam sua vida pessoal e abarcaram todas as famílias da terra, culminando na vinda de Cristo. Nesta lição, examinaremos o chamado de Abrão, sua resposta obediente e as batalhas que enfrentou, aprendendo como a fé e a perseverança moldaram seu caráter. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
Então o SENHOR disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. (Gn 12.1, NVI). Certo dia o SENHOR Deus disse a Abrão: — Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai e vá para uma terra que eu lhe mostrarei. (Gn 12.1, NTLH).
Ação divina: Ordem/chamado.
O paralelo com Gênesis 1, é inevitável. O verbo hebraico (disse) é o mesmo em ambos os textos. A mesma palavra que chamou o cosmos à existência agora chama Abraão a trazer uma nação à existência.
Ação humana: Ação/obediência.
Além disso, esse texto destaca a obediência de Abraão. Abrão obedeceu quando não sabia onde “e partiu sem saber para onde ia” (Hb 11.8), como “a própria Sara, apesar de não poder ter filhos e já ser idosa” (Hb 11.11), quando “Não obtiveram as promessas, mas viram-nas de longe” (Hb 11.13-16) nem por que “quando posto à prova, ofereceu Isaque. Aquele que acolheu as promessas de Deus estava a ponto de sacrificar o seuúnico filho” (Hb 11.17-19).
VERDADE PRÁTICA
O chamado de Deus na vida de Abrão e na nossa exige obediência irrestrita, fé e perseverança. Deus não chama todos os seus servos para a mesma jornada. Abraão teve o seu caminho, Isaque teve o seu, Jacó teve o seu, e cada um de nós recebe de Deus uma vocação marcada por propósitos próprios. Por isso, não há necessidade de ocupar o lugar de ninguém, nem de desejar a porção que Deus destinou a outro. Contudo, ainda que os chamados sejam distintos, o Senhor continua requerendo de todos os que chama as mesmas virtudes fundamentais: obediência para seguir sua voz, fé para confiar em sua palavra e perseverança para permanecer firmes até o fim.
MOVIMENTO TEMÁTICO
• Ponto 01: O Chamado
• Ponto 02: A Obediência
• Ponto 03: As Lutas





1. DEUS CHAMA ABRÃO
Pergunta chave: O que Deus exigiu de Abrão e o que prometeu a ele? Ideia central do ponto: Deus chamou Abrão para deixar sua terra, sua parentela e sua casa, prometendo-lhe bênçãos extraordinárias que alcançariam não apenas ele, mas todas as famílias da terra.
1.1 A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1).
Verdade central: Deus chamou Abrão para sair de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai, rumo a um lugar que ele não conhecia. Esse chamado exigia fé e obediência irrestrita, pois Abrão não tinha mapa nem sabia o destino final.
Para refletir: Tenho obedecido a Deus mesmo quando não compreendo todo o caminho, ou exijo saber todos os detalhes antes de dar
o primeiro passo de fé?
A LIÇÃO DIZ: Deus chamou Abrão e ordenou que ele saísse de sua terra, do meio de sua família e seus amigos, e fosse para um lugar desconhecido para ele. Seu chamado exigia fé e obediência irrestrita. O lugar onde habitava Abrão e seus pais era uma terra idólatra. Contudo, ele creu no Todo-Poderoso, único e soberano, e partiu para o lugar destinado por Ele. Há certa ambiguidade quanto à questão de quando e onde Deus chamou Abraão. Foi em Ur dos caldeus ou Harã, antes ou depois da morte Terá?
O discurso de Estêvão relata que Deus “apareceu” a Abraão antes de ele habitar em Harã, mostrando que o Senhor supervisionou a jornada de Abraão desde o começo, em Ur, até o seu destino final, em Canaã (At 7.2- 4). Então, teria Abraão cumprido seu chamado em duas etapas? A relação entre o chamado em 12.1-3 e a teofania em Ur, em 15.7, tem sido explicada de diferentes maneiras.
• A primeira alternativa é que Gênesis 12.1 estaria recitando o chamado original de Abrão recebido em Ur. Essa perspectiva é possível e portanto, a luz das evidências bíblicas é a que eu, particularmente, acredito ser a mais plausível (Gn 15.7; Ne 9.8 At 7.2-4.
• A segunda alternativa, a qual alguns comentaristas sustentam que o chamado ocorreu duas vezes. Qualquer uma dessas explicações permite compreender a interpretação de Estêvão acerca do chamado e da mudança de Abraão. Portanto, seguindo a primeira perspectiva é relevante entender que a migração para Canaã não começa como uma peregrinação seguindo uma visão, mas como decisão familiar. Gênesis 12.1 pressupõe que Abraão recebe a ordem de ir para Canaã, contudo não se separa de seu pai até a morte deste. Esta introdução representa Abraão muito lento para crer. Ainda sobre o chamado de Abrão, o contexto mais amplo da revelação bíblica nos leva a reconhecer que Deus chama os improváveis. Quem utiliza a Bíblia de Estudo Pentecostal pode perceber essa linha de interpretação. Na introdução ao livro de Jó, Donald Stamps observa que Jó provavelmente viveu na mesma época de Abrão. Essa observação é relevante, porque coloca diante de nós dois perfis muito diferentes. De um lado, está Jó, descrito como homem temente a Deus, reto, íntegro, obediente, piedoso e respeitado. De outro, está Abrão, oriundo de um contexto familiar marcado pela idolatria, conforme Josué 24.2, inserido em um ambiente espiritual profundamente corrompido. Humanamente falando, a escolha mais lógica recairia sobre Jó. Afinal, se Deus haveria de dar andamento ao seu plano redentor na história, quem pareceria mais preparado para isso? No entanto, Deus não age segundo os critérios humanos. Ele não se orienta pela lógica da aparência, do currículo, da reputação ou da previsibilidade. Em sua soberania, escolheu Abrão.E a esse homem Deus ordenou que saísse da sua terra, do meio da sua parentela e fosse para uma terra que ainda lhe mostraria.
1.2 A promessa para Abrão.
Verdade central: As promessas feitas a Abrão não alcançariam somente ele, mas incluíam toda a humanidade. O que Deus prometeu marcaria sua história e a de seus descendentes até os dias de hoje. O Senhor é fiel e cumpre o que prometeu, mas no seu tempo.
Para refletir: Tenho confiado que Deus cumprirá suas promessas no tempo certo, ou a aparente demora tem enfraquecido minha fé e esperança?
A LIÇÃO DIZ: As promessas feitas a Abrão não alcançariam somente ele, mas incluíam toda a humanidade. O que Deus prometeu ao patriarca marcaria a sua história e a de seus descendentes até os dias de hoje. O Senhor é fiel e cumpre com o que prometeu, mas no seu tempo. Há um tempo certo para todas as coisas(Ec 3.1-3).
O texto bíblico diz:
O Senhor disse a Abrão: — Saia da sua terra, da sua parentela e da casa do seu pai e vá para a terra que mostrarei. Farei de você uma grande nação, e o abençoarei, e engrandecerei o seu nome. Seja uma bênção! Abençoarei aqueles que o abençoarem e amaldiçoarei aquele que o amaldiçoar. Em você serão benditas todas as famílias da terra. A primeira ordem é sair: da terra, da parentela, da casa do pai. A segunda ordem é: vá para a terra “que te mostrarei”. Antes de Abrão ir, ele precisa romper com sua terra pagã, com sua parentela que adora outros deuses e com a casa de seu pai. Porém, ele só veria a terra se saísse de onde estava estabelecido. Considerando isso, entendemos que em nossa caminhada com Deus, certos detalhes daquilo que ele tem para nossas vidas só serão conhecidos a medida que caminhamos o caminho que ele traçou para nós. Abrão tinha setenta e cinco anos quando Deus o chamou. A idade não é um obstáculo para aceitar novos e grandes desafios na vida. Ele morreu aos cento e setenta e cinco, portanto, viveu cem anos na presença de Deus, e para a sua glória. A bênção de Deus sobre Abrão é tríplice: pessoal, nacional e internacional. Deus lhe promete riquezas. Deus promete a ele uma terra. E Deus, ainda, promete que nele serão benditas todas as famílias da terra.
• Primeira, “de ti farei uma grande nação” (12.2). A magnitude da promessa a um homem com uma esposa estéril testa a fé de Abrão ao limite máximo. Ao não se entregar à incredulidade, ele serve como um modelo de fé: “Olhem para Abraão, seu pai, e para Sara, que os deu à luz. Porque Abraão era um só, quando eu o chamei, o abençoei e o multipliquei.” (Is 51.2).
.Segunda, “te abençoarei” (12.2b). A palavra “abençoar” ocorreu apenas cinco vezes em Gênesis 1 a 11. Agora, ocorre cinco vezes apenas em Gênesis 12.1-3. Isso significa que Deus estava dizendo a Abrão: “Vou lhe mostrar o meu favor e cercá-lo de bênçãos materiais e espirituais; eu lhe darei muito mais do que você já possui. Eu, o Deus da glória, estarei ao seu lado. Serei seu defensor, provedor, e vou cobri-lo
de todo tipo de bênção”.
• Terceira, “engrandecerei o nome” (12.2c). Os construtores de Babel quiseram tornar o seu nome grande e foram desbaratados. Abrão, porém, teve seu nome engrandecido por Deus e entrou para a história com seis títulos de honra: 1) pai de numerosas nações (17.5); 2) confidente de Deus (18.17-19);
3) profeta
(20.7); 4) príncipe de Deus (23.6); 5) servo de Deus (Sl 105.6); 6) amigo de Deus (2Cr 20.7).
• A quarta promessa aparece como imperativo em algumas versões, mas a melhor tradução é: “e tu serás uma bênção”. Note que algumas versões trazem um imperativo: “seja uma bênção” (NAA); “sê uma bênção” (ARIB); “Sê tu uma bênção!” (ARA). Outras, porém, dizem: “e tu serás uma bênção” (A21, ARC); “e você será uma bênção” (NVI); “e você será uma bênção para outros” (NVT). Podemos juntar as duas coisas, uma vez que no hebraico, de fato, há o imperativo. Deus quer dizer a Abrão que vai abençoá-lo, e, assim, ele será um canal de bênção para muitas pessoas. Aquelas bênçãos que Deus lhe prometera não são somente para Abrão, mas para que outras pessoas sejam abençoadas por meio de
Abrão. O plano de Deus iria além da pessoa de Abrão.
• Em seguida, vem a quinta promessa, no versículo 3: “abençoarei os que te abençoarem”. A bênção que vem na sequência, a qual Deus promete que será para todas as nações, é condicionada à maneira que as nações haverão de tratar Abrão. É como se Deus dissesse: “Abrão, todas as famílias da terra serão abençoadas por meio de ti, isto é, eu abençoarei aquelas que te abençoarem, aquelas que reconhecerem que tu és o meu escolhido, que tu és o portador das promessas, que tu és o pai do Messias. Aqueles que crerem nisso, eu abençoarei com as mesmas bênçãos que derramarei sobre ti”.
• Sexta, “amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (12:3b). Logo, a bênção de Deus sobre as famílias da terra é condicionada à atitude das pessoas, dos indivíduos para com Abrão e o seu descendente. Então, aqueles que reconhecerem Abrão e o seu descendente, Jesus Cristo, esses serão abençoados com as bênçãos de Abrão. No entanto, aqueles que amaldiçoarem Abrão e o seu descendente, Jesus Cristo, serão
amaldiçoados igualmente por Deus; não receberão as bênçãos prometidas, que incluem não só a bênção material, mas especialmente as bênçãos espirituais, como a remissão, a vitória, a redenção das consequências da Queda que havia acontecido no jardim do Éden.
Sétima, “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (12:3c). Podemos imaginar o espanto de Abrão ao ouvir tudo isso. Imagine se Deus chegasse para você e dissesse: “Em você, vou abençoar todas as famílias da terra”. Essa promessa pode ser entendida de duas maneiras: que, através de Abrão, Deus iria abençoar todas as famílias da terra ou, simplesmente, que Deus está colocando Abrão como cabeça de uma nova humanidade, de um novo povo, e todas as pessoas que dele participarem serão abençoadas. Contudo, na verdade não precisamos escolher uma entre essas duas interpretações, pois ambas cabem perfeitamente. O ponto é que Deus não somente iria abençoar Abrão, mas que, em Abrão, ou seja, por meio dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Note que algumas versões traduzem o termo “famílias” como “nações”, mas a ideia é a mesma, pois se mantêm a abrangência e a extensão da promessa. Observe também que há nessa promessa uma clara referência ao Messias. É uma referência velada e discreta; porém, quando estudamos toda a história da revelação, entendemos o que Deus está dizendo: de Abrão virá aquele em quem Deus abençoará todas as famílias da terra, todas as nações. Evidentemente essa pessoa é o Senhor Jesus Cristo, pois somente nele todos recebem o perdão dos pecados e se reconciliam com Deus. Mas ainda é muito cedo para Abrão ser capaz de entender por completo todas as consequências do que Deus está lhe dizendo. Por isso ele precisa de fé. Abrão apenas ouviu o que Deus lhe disse e entendeu o que pôde; contudo, muita coisa Deus ainda não lhe tinha revelado.
Portanto, Abrão obedece pela fé.
1.3 As bênçãos de Deus para Abrão.
Verdade central: Deus prometeu abençoar Abrão grandemente e engrandecer seu nome. Quando tinha 99 anos, Deus mudou seu nome para Abraão, que significa “pai de muitas nações”. O Senhor tem prazer em abençoar e promover aqueles que o amam e nEle confiam.
Para refletir: Tenho buscado a honra que vem de Deus através da fidelidade, ou tenho procurado engrandecer meu nome por meios humanos?
A LIÇÃO DIZ: O Senhor prometeu engrandecer o nome de Abrão (v.2), e, quando ele estava com anos, Deus mudou o seu nome para Abraão, cujo significado é “pai de muitas nações”. Seu nome foi engrandecido pelo Eterno de forma que talvez ele nunca tenha imaginado. O exemplo de Abrão mostra que o Todo-Poderoso é quem promove aqueles que o amam, nEle confiam e esperam. No tempo oportuno, Deus honra os que permanecem fiéis (Tg 4.10).
As promessas feitas pelos homens dependem de caráter, memória, circunstância, poder e tempo de vida. Um homem pode prometer algo com sinceridade e, ainda assim, falhar, porque muda de ideia, perde a capacidade de cumprir, esquece o que disse ou morre antes de realizar o que prometeu. Já as promessas de Deus têm outra natureza. Elas procedem de um Deus que não mente, não muda, não esquece, não é vencido pelas circunstâncias e vive eternamente. Por isso, quando Deus promete, a garantia da promessa não está na força de quem recebe, mas na fidelidade de quem falou. No caso de Abrão, isso é decisivo. Deus chama um homem sem filho, vindo de um contexto idólatra, e lhe faz promessas humanamente improváveis. Se essas palavras fossem apenas palavras humanas, tudo pareceria exagerado demais. Só que, porque são palavras de Deus, elas carregam em si a certeza do cumprimento. Deus cumpriu todas as promessas que fez a Abraão:
• A primeira promessa, “de ti farei uma grande nação”, começou a se cumprir com o nascimento de Isaque, prosseguiu com Jacó e seus descendentes. Depois, em sentido mais amplo, alcançou também a multidão dos que, pela fé, se tornam filhos de Abraão.
• A segunda, “te abençoarei”, cumpriu-se na proteção, na provisão, no enriquecimento e no cuidado visível de Deus ao longo da vida de Abrão. Em toda a narrativa patriarcal, Deus o guarda, o sustenta e o favorece.
• A terceira, “engrandecerei o teu nome”, cumpriu-se porque Abrão de fato teve o nome engrandecido por Deus. Ele não construiu fama para si, como Babel tentou fazer. Deus mesmo lhe deu honra e lugar
singular na história da redenção.
A quarta, “tu serás uma bênção”, cumpriu-se porque Abraão passou a ser canal da bênção divina. Sua vida não termina nele mesmo. Deus o abençoa para que, por meio dele, outros sejam alcançados. Essa verdade se vê já em sua casa, em seus encontros e, de modo pleno, em sua descendência messiânica.
• A sétima, “em ti serão benditas todas as famílias da terra”, é a mais ampla de todas. Ela ultrapassa a biografia de Abraão, atravessa toda a história bíblica e encontra seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Quem tem promessa morre? Eu diria sim e não. Sim, porque há promessas cujo cumprimento final ultrapassa a vida terrena de quem as recebeu. Abraão morreu sem ver a nação de Israel formada, sem ver a saída do Egito, sem ver a conquista da terra e sem ver, em sua manifestação histórica, a bênção alcançando todas as famílias da terra em Cristo. Não, porque há promessas cujo cumprimento exige que quem as recebeu, esteja vivo para experimentálas. Como Isaque seria gerado se Abraão não estivesse vivo?
Verifique seu aprendizado (Ponto 1):
1. O que o chamado de Deus exigiu de Abrão segundo Gênesis 12.1?
2. Qual era o alcance das promessas feitas a Abrão?
3. O que o exemplo de Abrão nos ensina sobre como Deus promove os seus servos?






2. A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS
Pergunta chave: Como Abrão respondeu ao chamado de Deus?
Ideia central do ponto: Abrão atendeu ao chamado divino com fé, mesmo sem conhecer o destino, demonstrando que a obediência
irrestrita a Deus é essencial.
2.1 Atendendo o chamado.
Verdade central: Abrão atendeu ao chamado divino sem hesitar e partiu para uma terra que não conhecia, seguindo somente a direção do Senhor. Ele não conhecia a definição de fé, mas a viveu de forma prática ao confiar em Deus e obedecer.
Para refletir: Minha fé tem se manifestado em obediência prática a Deus, ou fica apenas no campo das ideias e intenções?
A LIÇÃO DIZ: Como homem de fé, Abrão atendeu ao chamado divino sem hesitar e partiu para a terra que Deus ordenou, sem saber onde se localizava, seguindo somente a direção do Senhor. Ele não conhecia o significado de fé, tão bem definido na Bíblia, como conhecemos atualmente. Hoje sabemos a definição bíblica de fé: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Mesmo sem conhecer essa definição, Abrão agiu com fé em sua decisão.
Leiamos o seguinte texto bíblico:
São estas as gerações de Tera. Tera gerou Abrão, Naor e Harã; e Harã gerou Ló. Harã morreu na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo.Abrão e Naor tomaram para si mulheres. A mulher de Abrão se chamava Sarai, e a mulher de Naor era Milca, filha de Harã, que foi pai de Milca e de Iscá. Sarai era estéril, não tinha filhos.Tera tomou Abrão, seu filho, e Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã. Foram até Harã, onde ficaram. E, havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Harã.
Lendo o texto bíblico, percebemos que Deus chama especificamente Abrão em meio aos seus familiares.
Warren Wiersbe resume a biografia desses renomados personagens da seguinte maneira Naor foi o homem que ficou (11.31), Tera foi o homem que parou (11.31), Ló foi o homem que se desviou (13.10-13; 14.12; 19.1-38) e Abrão foi o homem que obedeceu (12.1). As promessas de Deus não são vividas por causa de talento, aparência, posição familiar ou habilidade humana de se ajustar às circunstâncias. Elas são vividas no caminho da obediência, da fé e da perseverança.
2.2. Um descuido.
Verdade central: Abrão permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse, apesar de Deus ter ordenado que deixasse sua parentela. Esse descuido ocasionou problemas posteriores entre eles, ensinando-nos que a obediência parcial traz consequências.
Para refletir: Há alguma área da minha vida em que tenho obedecido a Deus apenas parcialmente, fazendo concessões que podem
trazer problemas futuros?
A LIÇÃO DIZ: Já vimos que Abrão era um homem de fé, porém permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse na jornada que haveria de empreender. Talvez, Abrão não tenha lembrado de que Deus havia dito que deveria deixar tudo para trás, não apenas sua terra, mas também a sua parentela. Tempos depois, seu descuido ocasionou alguns problemas com seu sobrinho (Gn 13.8,9). Assim, Abrão saiu da Caldeia, em direção a uma terra escolhida por Deus. Tenha cuidado, pois, sempre que deixamos de obedecer de forma irrestrita ao Senhor, os problemas surgem.Partiu, pois, Abrão, como o Senhor lhe havia ordenado. E Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Abrão levou consigo a sua mulher Sarai, o seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam adquirido e as pessoas que lhes foram acrescentadas em Harã. Partiram para a terra de Canaã e lá chegaram. (Gn 12.4-5, NAA). Em Gênesis 12.1, o Senhor lhe ordena que saia da sua terra, da sua parentela e da casa de seu pai. Entretanto, em Gênesis 12.4, lemos que “Ló foi com ele”. Esse detalhe foi registrado propositalmente. O narrador preserva essa informação porque ela ajuda o leitor a perceber que, embora Abrão tenha obedecido, sua obediência ainda trazia consigo um traço de incompletude. Ele saiu, mas saiu levando consigo alguém que pertencia justamente ao círculo do qual Deus o chamara a se desvencilhar. É importante tratar esse ponto com equilíbrio. O texto não transforma Abrão em um rebelde, nem anula a sinceridade de sua fé. Ao contrário, ele continua sendo apresentado como homem que crê e caminha. Ainda assim, a narrativa sugere que a fé genuína pode coexistir, em certos momentos, com hesitações, áreas em que a obediência ainda não alcançou toda a sua profundidade. E é justamente aqui que a passagem se torna tão instrutiva. A Escritura mostra que a obediência parcial não interrompe necessariamente o agir de Deus, mas frequentemente complica a caminhada de quem foi chamado. Deus continua conduzindo Abrão, porém a presença de Ló se transforma, mais adiante, em um fator de tensão. Em Gênesis 13, os rebanhos de Abrão e Ló crescem, os seus pastores entram em contenda, e a convivência entre eles já não pode ser mantida da mesma forma. O que antes foi tolerado como a permanência de um vínculo familiar agora exige uma separação dolorosa. Em outras palavras, a obediência incompleta sempre cobra um preço. E a narrativa avança ainda mais, porque, em Gênesis 14, Abrão terá de lidar novamente com os desdobramentos da escolha de Ló, quando seu sobrinho é levado cativo. Inclusive, eu creio que nesse evento do capítulo 14, Abrão quase morreu. Essa afirmação é justiçada pelo que está escrito no capítulo 15. Dessa forma, o texto mostra que certas concessões feitas no começo da jornada podem se tornar pesos maiores no futuro.
A obediência parcial é muito perigosa justamente porque conserva aquilo que Deus mandou deixar. Ela mantém reservas no coração e adia renúncias necessárias.
2.3 A passagem por Harã.
Verdade central: Antes de chegar a Canaã, Abrão passou um tempo em Harã. Nem sempre Deus nos leva diretamente ao propósito que definiu para nós. Às vezes, Ele deseja forjar nosso caráter antes de chegarmos ao destino.
Para refletir: Tenho aceitado as etapas intermediárias da minha jornada como oportunidades de crescimento, ou me frustro quando não chego imediatamente ao destino?
A LIÇÃO DIZ: Nem sempre Deus nos leva diretamente ao propósito que Ele definiu para nós. Antes de chegar a Canaã (nome antigo da Palestina, às margens do Mar Mediterrâneo), Abrão e os que lhe acompanhavam tiveram que passar um tempo em Harã, cidade importante da Mesopotâmia (Gn 11.31). Novamente, vamos retornar ao texto bíblico: Partiu, pois, Abrão, como o Senhor lhe havia ordenado. E Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.Abrão levou consigo a sua mulher Sarai, o seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam adquirido e as pessoas que lhes foram acrescentadas em Harã. Partiram para a terra de Canaã e lá chegaram. (Gn 12.4-5, NAA). Diz o versículo 4 que seu sobrinho Ló foi com ele, o que sugere que a iniciativa tenha sido de Ló. Este também havia enriquecido. A esposa de Abrão, Sarai, o acompanha também, bem como, segundo é dito no versículo 5, “as pessoas que haviam comprado em Harã”. Que pessoas eram essas? Eram pessoas que Abrão tinha adquirido como escravos. A escravidão era um sistema normativo, era parte da cultura e do padrão daquela época; assim, Abrão tinha escravos. É provável que ele tivesse também pessoas assalariadas que cuidavam do gado, pois tinha um grande rebanho de ovelhas, camelos e bois, e precisava de pessoas para cuidar de tudo isso. Veremos, mais adiante, no episódio em que parte para salvar seu sobrinho, Ló, que foi capturado por alguns reis cananeus, que Abrão escolheu 318 homens nascidos na sua casa. Ora, se havia 318 homens que eram guerreiros, imagine o restante do clã. Então, estamos falando de uma tribo seminômade com 500 a 700 pessoas, talvez. Esse era o pessoal que estava no entorno de Abrão, quando ele saiu de Harã em sua peregrinação para Canaã. Às vezes, pode ser que alguém pense que estavam com Abrão apenas sua esposa, Sarai, seu sobrinho, Ló, e mais três ou quatro gatos pingados, armando uma tendinha aqui e acolá. Mas não foi assim! O que estava acontecendo era a migração de um povo mesmo, por assim dizer.
O texto afirma que Abrão saiu de Harã. Ao que tudo indica, o destino, Canaã, foi revelado no curso da jornada. A narrativa nos ensina, portanto, que Deus não nos entrega um roteiro completo, com todos os detalhes do caminho, do tempo e da chegada. Ele nos chama a andar pela fé e a viver na dependência diária de sua direção. Podemos fazer planos, mas eles nem sempre se cumprem como imaginamos, justamente porque o Senhor quer nos ensinar a confiar nele. Em outras palavras, Deus nos conduz a uma vida de fé, dependência e obediência, para que cumpramos a sua vontade e, no seu tempo, experimentemos o cumprimento de suas promessas.
Verifique seu aprendizado (Ponto 2):
1. Como Abrão demonstrou sua fé de forma prática ao atender o chamado de Deus?
2. Qual foi o descuido de Abrão e que consequências ele trouxe?
3. O que as etapas intermediárias da jornada nos ensinam sobre o processo de Deus?





3. AS LUTAS QUE ABRÃO ENFRENTOU AO CHEGAR A CANAÃ
Pergunta chave: Que dificuldades Abrão enfrentou ao chegar a Canaã?
Ideia central do ponto: Abrão enfrentou diversas dificuldades ao chegar a Canaã, incluindo fome, incerteza e desafios éticos, mas sua fé em Deus o sustentou e a graça divina o livrou.
3.1 A dificuldade contra a fome.
Verdade central: Ao chegar a Canaã, Abrão deparou-se com uma grande fome na terra. Todos os que decidem obedecer a Deus experimentam batalhas e dificuldades, mas assim como Abrão, podemos enfrentá-las com fé.
Para refletir: Quando enfrento dificuldades depois de obedecer a Deus, reajo com fé e perseverança, ou questiono se realmente ouvi
a voz do Senhor?
A LIÇÃO DIZ: Em todos os tempos, todos os que decidem obedecer a Deus experimentam batalhas, dificuldades e oposições. No entanto, assim como Abrão, podemos com fé enfrentar todas as batalhas que se apresentam em nossa trajetória. Depois que Abrão chegou a Canaã, deparou-se com um acontecimento frustrante. Diz a Bíblia que: “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra” (Gn 12.10).
Robert Candlish, lista sete provas que levaram Abrão ao fracasso:
• Sarai, sua mulher, era estéril;
• seu destino era incerto;
• ele estava deixando o seu povo;
• no caminho, seu pequeno grupo, foi diminuindo;
• ele não encontrou um lar;
• os cananitas estavam habitando a terra que Deus lhe prometera;
• havia fome na terra.
Havia fome extrema, terrível, ao sul de Canaã, até onde Abrão tinha descido, na região desértica do Neguebe. A fome era algo muito comum naquela época, ela era causada por secas, por pragas de gafanhotos e pela guerra. Essas catástrofes fazem parte da humanidade desde a queda de Adão, no jardim do Éden, quando Deus lhe disse: “maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17). Dessa forma, vemos que mesmo as terras mais aprazíveis têm seus momentos de fome e de necessidade. No Egito, contudo, havia comida naquele tempo. O Egito já era um dos grandes impérios no período em questão. Aquela região, que ficava no norte da África, tinha sido povoada pelos descendentes de Cam. Era uma
terra fértil, irrigada principalmente pelo rio Nilo, um dos rios mais conhecidos daquela época e também dos dias de hoje. Abrão, então, desceu até o Egito com a intenção de ficar lá por algum tempo. Abrão deve ter se sentido bastante pressionado com aquela situação, pois mal chegara à terra de Canaã, a terra prometida, depois de sair de Ur e passar um tempo em Harã, e é confrontado com uma fome, uma grande fome, conforme o texto reforça (v. 10). E, para complicar ainda mais a situação, Abrão trazia muita gente com ele. Era muita gente e muito gado. Tudo isso fazia com que Abrão se sentisse pressionado. Ele não podia esperar ajuda dos cananeus, os povos que moravam na terra prometida, pois estes eram povos cruéis e violentos, e Abrão era um estrangeiro, um viajante. Então, ele resolve descer para o Egito, o que não era exatamente o que Deus lhe havia dito que fizesse. Deus havia tirado Abrão de sua terra de origem e dito que ele fosse para Canaã e que peregrinasse naquela terra. Deus havia prometido que o abençoaria, que o protegeria e que daria aquela terra a ele. Até então, Deus havia cumprido o que prometera. Abrão já tinha cruzado toda a terra, de Norte a Sul. Vimos que Moisés registrou que os cananeus já moravam na terra e eram um povo hostil. Entretanto, Deus havia guardado e preservado Abrão. Agora, porém, Abrão resolve tomar uma decisão baseada não na confiança em Deus, mas justamente na falta de confiança em Deus.
3.2 A dificuldade de ir para o lugar certo.
Verdade central: Diante da fome, Abrão teve que decidir para onde ir. Pode parecer estranho que Deus o tenha conduzido a um lugar em que havia escassez, mas o Todo-Poderoso não erra. Abrão estava na direção certa, mesmo enfrentando dificuldades.
Para refletir: Quando as circunstâncias parecem contraditórias à direção que Deus me deu, busco orientação em oração ou tomo decisões precipitadas por minha conta?
A LIÇÃO DIZ: Havia fome na terra. Então, para onde ir? Qual direção tomar? Diante das dificuldades, sempre a melhor opção é orar. Parece estranho o fato de Deus tirar Abrão da sua terra e conduzi-lo a um lugar em que havia escassez. No entanto, Abrão estava na direção certa, pois o Todo-Poderoso não erra. A fome em Canaã não significava que Abrão estava fora da vontade de Deus, mas que sua fé estava sendo provada no lugar da promessa. O erro de Abrão foi interpretar a dificuldade como se ela anulasse a direção divina. Em vez de buscar ao Senhor e esperar por sua provisão, ele desceu ao Egito, tomando uma decisão precipitada baseada na incredulidade.A narrativa mostra que decisões fundamentadas na falta de confiança em Deus produzem sérias consequências: afastam o servo do lugar da promessa, alimentam o medo, geram estratégias carnais, expõem terceiros ao sofrimento e comprometem o testemunho que deveriam ter.É melhor permanecer em Canaã com fome e na dependência de Deus do que descer ao Egito em busca de segurança sem consulta ao Senhor.
3.3 A dificuldade em falar a verdade.
Verdade central: Por medo de ser morto, Abrão mentiu dizendo que Sarai era sua irmã. Faraó a tomou para sua casa, mas Deus interveio ferindo Faraó com pragas. Mesmo diante da falha de Abrão, a graça do Senhor o livrou dessa situação difícil.
Para refletir: Tenho confiado em Deus para me proteger nas situações difíceis, ou tenho recorrido a meios pecaminosos como a mentira e a manipulação?
A LIÇÃO DIZ: O texto diz que, quando Faraó viu Sarai, com seus 75 anos, mas com uma beleza singular, tomou-a para sua casa: “E viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada para a casa de Faraó. E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve ovelhas, e vacas, e jumentos, e servos, e servas, e jumentas, e camelos” (Gn 12.15,16). Sarai foi tomada por Faraó, mas Deus impediu que ele tivesse um relacionamento conjugal com ela. O Senhor feriu a Faraó e à sua casa com grande praga por causa de Sarai (Gn 12.17). Sobre a parte final do capítulo 12 de Gênesis, Lopes destaca os seguintes pontos:
• Uma mentira (12.10-13). Abrão é movido pelo medo dos homens, o que é incompatível com a fé em Deus. Seu temor demonstra ainda falta de confiança nas recentes promessas de Deus. Ele acovardou-se e usou sua mulher para proteger-se em vez de protegê-la, expondo-a para livrar-se da morte. Abrão tornase duplamente culpado: a primeira culpa é a falta de fé; a segunda, a da meia-verdade.
• Um harém (12.14,15). Sarai era sobremaneira formosa. Não tardou para que os príncipes de faraó observassem a chegada da estrangeira e a notificassem ao soberano, o que resultou em Sarai ser levada para a casa real (12.15), para ser mulher do monarca.
• Uma falsa recompensa (12.16). Faraó toma Sarai e recompensa Abrão, que, por causa de Sarai, passou a ter ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos. Esses aparentes benefícios levaram aos conflitos com os pastores de Ló e, mais tarde, a escrava egípcia, Hagar, tornou-se um elemento desagregador no casamento do patriarca. Por causa dessa descida ao Egito, mais tarde Abrão possuirá Hagar, serva egípcia, por orientação de Sarai, e como fruto dessa relação nascerá Ismael.
• Uma maldição (12.17).“O Senhor puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão”. Aquele que foi chamado para ser uma bênção e abençoar todas as famílias da terra está sendo uma maldição na casa de Faraó.
• Uma reprimenda (12.18,19a). O ímpio faraó está repreendendo o piedoso Abrão e este não tem defesa nem se atreve a defender-se. Seu silêncio é a confissão de sua culpa. O pecado deixa o homem mudo e sem argumentos.
• Uma expulsão (12.19b,20). ‘“[…] agora, pois, eis a tua mulher, toma-a e vai-te.’ E Faraó deu ordens aos seus homens a respeito dele; e acompanharam-no, a ele, a sua mulher e a tudo que possuía”. Abrão desce ao Egito por medo e vai embora dele expulso por seu soberano. Para garantir que Abrão e sua família deixarão o Egito, Faraó ordena que a caravana seja escoltada até a fronteira. Abrão deixa o Egito como
um homem envergonhado por Deus e humilhado pelas pessoas.
Verifique seu aprendizado (Ponto 3):
1. O que Abrão encontrou ao chegar a Canaã e para onde ele se dirigiu?
2. Por que a presença de dificuldades não significa que estamos fora da vontade de Deus?
3. Qual foi a falha ética de Abrão no Egito e como Deus interveio?
4. O que aprendemos sobre a graça de Deus diante das falhas de Abrão?
CONCLUSÃO
Abraão foi chamado por Deus para uma missão extraordinária: abençoar todas as famílias da terra por meio de sua descendência, culminando em Cristo. Sua obediência irrestrita, apesar das dificuldades e fracassos pessoais, demonstra o poder da fé genuína sustentada pela graça divina. As promessas feitas ao patriarca transcendem sua vida e alcançam todos os crentes, que se tornam filhos de Abraão e herdeiros de suas promessas. Somos desafiados a imitá-lo na fé, confiando em Deus mesmo quando o caminho é incerto, e perseverando diante dos obstáculos que surgem em nossa jornada cristã.
REFERÊNCIAS
SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. Tradução: Emirson Justino. 1. ed. São
Paulo: Mundo Cristão, 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Abraão: o pai da fé. São Paulo: Hagnos, 2024.
LOPES, Hernandes Dias. Jacó: o homem que lutou com Deus e prevaleceu. São Paulo: Hagnos, 2025.
LOPES, Hernandes Dias. Gênesis: o livro das origens. São Paulo: Hagnos, 2021.
AMOS, Clare. GENESIS. Peterborough: Epworth Press, 2004.
SAILHAMER, John H. Genesis. In: LONGMAN III, Tremper; GARLAND, David E. (Ed.). The expositor’s
Bible commentary. Rev. ed. Grand Rapids: Zondervan, 2008. E-book.
MATHEWS, Kenneth A. Genesis 11:27-50:26. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 2005. (The New
American Commentary, v. 1B).
Esterilidade no antigo Oriente Próximo. No mundo antigo, não ser capaz de gerar um herdeiro era considerado
uma calamidade de grandes proporções para a família porque representava uma ruptura no padrão de herança
das gerações e também por não deixar ninguém para cuidar do casal em sua velhice. Assim, foram criados
recursos legais que permitiam a um homem, cuja esposa não lhe tivesse dado filhos, engravidar uma es- crava
(Código de Hamurábi; tábuas de Nuzi) ou uma prostituta (Código de Lipit-Ishtar). As crianças nascidas desse
relacionamento podiam então ser reconhecidas como herdeiras legítimas pelo pai (Código de Hamurábi). Abrão
e Sarai empregaram a mesma estratégia quando recorreram a Hagar como mãe substituta para gerar um herdeiro
ao casal já idoso (veja comentário de Gn 16.1-4).









