5 de setembro de 2026 03:50

O NASCIMENTO DE ISAQUE

Homens dos Quais o Mundo não Era Digno
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó


INTRODUÇÃO
Abraão tinha cem anos e Sara, noventa, quando o filho prometido finalmente nasceu. Uma espera longa, que atravessou décadas e desafiou toda lógica humana, chegou ao fim não pelo esforço do casal, mas pela fidelidade de Deus ao que havia dito. O Senhor cumpriu sua promessa no tempo que ele mesmo havia determinado, mostrando que sua soberanidade não depende de condições favoráveis nem de circunstâncias que
pareçam viáveis aos olhos humanos. Nesta lição, vamos estudar o nascimento de Isaque, as consequências da impaciência de Sara, a difícil decisão que Abraão precisou tomar e o cuidado de Deus com Agar e Ismael, mesmo depois de serem despedidos. A história desse período na vida de Abraão revela, ao mesmo tempo, as marcas persistentes que os erros deixam e a fidelidade de um Deus que não abandona ninguém. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”. (Gn 18.14, NVI). Será que para o SENHOR há alguma coisa impossível? Pois, como eu disse, no ano que vem virei visitá-lo outra vez. E nessa época Sara terá um filho. (Gn 18.14, NTLH). Em face da incredulidade de Sara, o Senhor faz uma das mais fascinantes declarações acerca da onipotência divina. Para Ele não há coisa demasiadamente difícil. Para Ele não há impossíveis. Ele, que criou o universo pelo poder da sua palavra; aquele que do nada fez acontecer e existir tudo o que temos hoje; aquele que fez o homem à sua imagem e semelhança, e que soprou nele o espírito de vida? Existe alguma coisa difícil demais para Deus? O mesmo Deus que leu os pensamentos de Sara, abriu a sua madre. Em seguida, Deus reitera a promessa. É a terceira vez que essa promessa aparece em Gênesis 17 e 18. Ele repete várias vezes suas promessas porque sabe que o nosso coração é inclinado à incredulidade e ao ceticismo, predisposições que nos fazem esquecê-las. É por esse motivo que Deus aparece a Abraão, de tempos em tempos, e repete a promessa. Essa é uma lição para nós também: precisamos todo dia abrir a Palavra de Deus e ouvir suas promessas, como se o próprio Deus estivesse falando dos céus ao nosso coração. 1 Graduado em teologia pela UniCesumar; Tecnólogo em coaching e desenvolvimento humano pela Unopar; pós-graduando em educação cristã e graduando em teologia pela Faculdade Batista do Cariri (FBC); Presbítero na Assembleia de Deus em Pernambuco.

VERDADE PRÁTICA
Deus é Onipotente e não há nada que Ele não possa realizar segundo a Sua vontade.Onipotência é o atributo pelo qual Deus pode fazer tudo quanto quer, tudo quanto decretou e tudo quanto é compatível com a sua natureza santa, justa, sábia e verdadeira. Em outras palavras, Deus tem poder absoluto sobre a criação, sobre a história, sobre a vida, sobre a morte, sobre a salvação e sobre o juízo. Nada pode frustrar a sua vontade, nem limitar o seu agir. Por isso, a Escritura afirma: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14); “Ah! Senhor Deus! Eis que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido; coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa” (Jr 32.17); “O nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe agrada” (Sl 115.3; cf. Sl 135.6; Mt 19.26; Lc 1.37). Contudo, a onipotência bíblica não deve ser entendida como um poder irracional ou desgovernado. Deus é santo e perfeito. Portanto, a sua onipotência nunca age em contradição com o seu próprio ser. A onipotência não está separada da santidade, da verdade, da justiça, da sabedoria nem da bondade de Deus. Por isso, dizer que há coisas que Deus não pode fazer não é negar sua onipotência. Pelo contrário, é afirmá-la corretamente. Há coisas que Deus não pode fazer justamente porque Ele é Deus. A Bíblia mostra, por exemplo, que Deus não pode mentir. Paulo diz que a esperança da vida eterna foi prometida por “Deus, que não pode mentir” (Tt 1.2). O autor de Hebreus reforça a mesma verdade ao declarar que “é impossível que Deus minta” (Hb 6.18). Além disso, Deus não pode negar a si mesmo. Em 2Timóteo 2.13, lemos: “Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar a si mesmo.” Deus jamais age contra o que Ele é. Ele nunca deixará de ser santo, fiel, justo ou verdadeiro. Seu poder jamais entra em choque com seu caráter. A Escritura também ensina que Deus não pode ser tentado pelo mal, nem tentar alguém. Tiago 1.13 afirma: “Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo não tenta ninguém.” Nele não há qualquer inclinação para o pecado. Sua onipotência não inclui a possibilidade de tornar-se moralmente corrompido, porque sua santidade é perfeita. Do mesmo modo, Deus não pode agir injustamente. Deuteronômio 32.4 declara: “Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.” No mesmo sentido, Abraão pergunta: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). Portanto, Deus nunca usa seu poder para praticar o mal, perverter o direito ou agir de modo injusto. Também podemos dizer que Deus não falha no cumprimento da sua Palavra. Ele vela para que ela se cumpra (Jr 1.12), e ela não volta vazia, mas faz aquilo para o que foi designada (Is 55.11). Seu poder sustenta sua fidelidade. Aquilo que Deus promete, Ele é poderoso para cumprir.

  Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (2 Pedro 3.18) Crescer na graça – e não apenas em uma graça, mas em toda a graça. Aquele que não almeja conhecer mais de Cristo, nada sabe sobre ele ainda. Quem tem bebido este vinho terá sede de mais, pois, embora Cristo satisfaça, isto é ainda uma satisfação de um apetite não saciado, mas aguçado. Se você conhecer o amor de Jesus – como o cervo anseia pelas correntes de águas, assim vai suspirar por sorvos mais profundos do seu amor.

1. AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE SARA
PONTO 1 E PONTO 2 SÃO COMENTADOS DE UMA SÓ VEZ. O ASSUNTO É PRATICAMENTE O MESMO
Pergunta chave: O que aconteceu após o nascimento de Isaque?
Ideia central do ponto: Deus cumpriu sua promessa no tempo determinado, dando a Abraão e a Sara um filho na velhice. Porém, o casal teve que enfrentar as consequências de sua tentativa anterior de “ajudar” a Deus, quando Ismael passou a zombar de Isaque.
1.1 O nascimento e o nome do filho da promessa.
Verdade central: Quando Isaque nasceu, Abraão deu-lhe o nome que Deus havia escolhido. Isaque, no hebraico, significa “riso”, porque diante da velhice do casal, a ideia de terem um filho causava riso.
Para refletir: Tenho crido que Deus pode cumprir suas promessas mesmo quando as circunstâncias parecem impossíveis, ou tenho duvidado por causa das minhas limitações?
A LIÇÃO DIZ: Quando Isaque nasceu, a primeira providência que o velho pai tomou foi dar nome ao seu filho (Gn 21.3). Por que teria ele dado esse nome? Foi Deus quem escolheu esse nome (Gn 17.19). Isaque, no hebraico, significa “riso”. Certamente porque, ante a situação de sua velhice e a de Sara, a ideia de terem um filho causava riso. Abraão riu-se ao ouvir a promessa de que teria um filho (Gn 17.17), e Sara, de igual modo também riu com a ideia de que seria mãe aos noventa anos (Gn 18.12-14). Abraão e Sara não riram de Deus, mas do estado físico deles e da idade em que se encontravam.
Vamos ao texto bíblico:
O Senhor visitou Sara, como tinha dito, e cumpriu o que lhe havia prometido. Sara ficou grávida e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe havia falado. Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, Abraão deu o nome de Isaque. (Gn 21.1-3, NAA). A frase, “o Senhor visitou”, quando usada nas Escrituras com referência a uma pessoa ou um povo, indica algum sinal notável de favor, alguma bênção extraordinária (cf. Êx 3.16; 1 Sm 2.21; Lc 1.68).O nascimento de Isaque é descrito de forma surpreendentemente breve, considerando o espaço dedicado à falta de filhos de Sara na história até agora. No entanto, o triplo lembrete de que o SENHOR… fez o que havia prometido nos versículos 1-2 sublinha a significância do nascimento. Sem um filho, nenhuma das promessas de longo prazo a Abraão de terra, numerosos descendentes ou bênção às nações poderia ser cumprida. O nascimento de Isaque a um casal incrivelmente idoso prova a confiabilidade das promessas de Deus e que nada é impossível para o SENHOR (18.14). O versículo 2 destaca que Abraão já era velho quando Sara deu à luz. A palavra “velhice”, nessa passagem, não significa somente que Abraão tinha muitos anos, que tinha 100 anos, algo que já era algo extraordinário para os pós-diluvianos, mas indica também deterioração, desgaste, abatimento. Entretanto, foi nesse período que Deus escolheu dar um filho a Abraão. Há ainda outro detalhe que Moisés coloca no final do versículo 2: “Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, no tempo determinado, sobre o qual Deus lhe havia falado”. Deus havia dito que faria isso, e o fez no tempo dele. A longa espera e a provação da fé finalmente haviam terminado. Warren Wiersbe diz que o nascimento de Isaque significa o cumprimento da promessa, a recompensa da paciência, a revelação do poder de Deus e um passo decisivo no processo de cumprir o propósito de Deus na história da redenção. James Montgomery Boice diz que o nascimento de Isaque revela três verdades solenes: Deus cumpre a sua promessa, demonstra ser onipotente e ensina que seus planos são cumpridos não de acordo com a nossa pressa, mas conforme o seu tempo determinado. Partindo para o versículo 3, notemos que Moisés, o tempo todo, reforça que o menino nascido era filho de Abraão e de Sara. Afinal, era tão improvável que um casal de idosos, ele com cem anos e ela com noventa, além de ser uma mulher estéril, tivesse um bebê, que Moisés destaca esse fato repetidas vezes, como para enfatizá-lo: “sim, Isaque é filho deles mesmo. É o menino que Sara deu a Abraão na sua velhice”. O nome Isaque foi o nome que Deus havia escolhido um ano antes, quando apareceu a Abraão, em Hebrom, e estabeleceu com ele a circuncisão. Deus disse que o menino que haveria de nascer deveria se chamar Isaque (Gn 17.19), porque Abraão riu da ideia de que teria um filho aos 100 anos de idade, não um riso de cética incredulidade, mas sim de um espanto que não quer deixar de acreditar, mas que encara as dificuldades. O nome Isaque, em hebraico, significa “ele ri”. É como se Deus dissesse a Abraão: “você terá um filho, sim. E o nome dele será Isaque, que significa ‘ele ri’”. Sara, algum tempo depois, riria também, e o menino seria motivo de riso, de espanto e de alegria para todos. Portanto, em vez de escolher um nome pomposo, de fazer seu querer e sua vontade, Abraão coloca em seu filho um nome provocará perguntas: “mas por que o nome dele é ‘ele ri’?” Então, toda a história viria à tona: que o pai tinha 100 anos e a mãe, 90; que, quando soube que engravidaria, a mãe riu de incredulidade; que o pai sentiu um misto de alegria e hesitação. Quem ouvisse essa história riria também: “mas que coisa! Um casal de velhinhos tendo um bebê!”. Que espanto e que tributo à glória de Deus!
1.2 Ismael zomba de Isaque.
Verdade central: Mais uma vez, Sara provou dos resultados negativos de seu plano de entregar Agar a Abraão. Quando Abraão aceitou essa proposta, começaram os problemas familiares. Agar passou a menosprezar Sara, e depois do nascimento de Isaque, Ismael, filho de Agar, zombava dele.
Para refletir: Há consequências de decisões erradas do passado que ainda estou enfrentando? Como posso confiar em Deus para lidar com elas?
A LIÇÃO DIZ: Mais uma vez, Sara provou dos resultados negativos de seu plano de entregar Agar, a serva egípcia, para que Abraão se unisse a ela e tivesse filhos com a estrangeira. Naquela ocasião, quando Abraão aceitou essa proposta, começaram os problemas familiares. Agar passou a menosprezar sua senhora, sem dúvida criticando-a por ser estéril. E depois do nascimento e crescimento de Isaque, Ismael, filho de Agar, zombava dele (Gn 21.9).

Vamos ao texto bíblico:

Isaque cresceu e foi desmamado. Nesse dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete. Sara viu que o filho que Agar, a egípcia, teve com Abraão estava zombando de Isaque. (Gn 21.8-9, NAA). Na versão A 21, bem como na NAA, entre os versículos 8 e 9 de Gênesis 21 há subtítulos como “Agar no deserto” ou “Abraão expulsa Agar e Ismael”, o que dá a impressão de que eles narram episódios diferentes. No entanto, em outras traduções, como a NVT, a ARA e a NVI, os versículos 8 e 9 estão sequenciados, pois há o entendimento de que a zombaria de Ismael em relação a Isaque aconteceu durante a festa do desmame. Por isso, sempre gosto de advertir: cuidado com esses subtítulos em negrito, pois eles não fazem parte do original; foram os tradutores que os colocaram no texto, na intenção de ajudar o crente na leitura, permitindo que ele saiba o que acontecerá em seguida. Quando Isaque nasceu, Ismael tinha entre treze e quatorze anos. Naquele tempo, as crianças eram desmamadas com três anos. Abraão deu um banquete para comemorar esse fato. No meio do grande banquete que Abraão estava dando surgiu uma coisa que não estava agendada, que azedou a festa, estragando a celebração. Quando estava todo mundo se alegrando, Sara flagra Ismael fazendo uma brincadeira de mau gosto com Isaque e naquele momento seu mundo ruiu. Isso era mais do que poderia suportar. Ela ficou cheia de uma fúria colérica e de um ciúme incontido. A palavra “zombar” pode ser traduzida por “rir” ou, simplesmente, “brincar”, como aparece na NTLH. É evidente que se tratava de uma brincadeira de mau gosto, porque, se assim não fosse, como explicar a reação violenta de Sara? O apóstolo Paulo, quando se refere a essa passagem, afirma que aquele que foi nascido da carne, Ismael, perseguia o que fora nascido do Espírito: “o que nasceu de modo natural perseguia o que nasceu segundo o Espírito” (Gl 4.29). Portanto, a brincadeira que Ismael estava fazendo com seu irmão era o que conhecemos hoje como bullying; ele estava caçoando do irmão. Talvez estivesse zombando do nome dele, “ele ri” (“Que nome é esse!?”), ou fazendo qualquer zombaria do gênero. Como mencionado antes, Ismael era um adolescente de 16 ou 17 anos, e já sabia que tinha perdido seus direitos de primogenitura para o irmão que nascera depois. Além disso, havia o histórico de sua mãe, Agar, a escrava egípcia, que tinha zombado de Sara, 16 ou 17 anos antes. Tudo isso pode ter contribuído para que Ismael zombasse do irmão, cheio de inveja, de ressentimentos e de ciúmes. O que era para ser uma festa termina com um grave problema familiar. Implicações:
1. A primeira aplicação que faço é doloroso, mas verdadeira. Os pecados antigos de Sara estavam tornando um momento especial de alegria em algo dolorosos e constrangedor. Devemos tratar os pecados passados imediatamente, caso contrário, certamente, eles surgiram no futuro para estragarem os momentos de alegria.
2. As ações de Ismael, provavelmente, refletiam as tensões presentes no lar de Abraão. Esse texto enfatiza como o lar, a vida em família, os pais, influenciam os filhos para o bem ou para o mal.
1.3 Sara pede a expulsão de Agar e Ismael.

Verdade central: A convivência entre Sara, Agar e Ismael tornou-se insuportável. As críticas e zombarias aumentavam a cada dia. Sara não suportou mais o constrangimento de uma situação que ela mesma criou. A saída que encontrou foi muito triste: “Deita fora esta serva e o seu filho”.
Para refletir: Tenho criado situações por impaciência que depois se tornam difíceis de administrar? Como posso evitar isso? Ou melhor, como posso agir com sabedoria para não cometer um segundo erro tentando resolver o primeiro.
A LIÇÃO DIZ: A convivência entre Sara, Agar e Ismael tornou-se insuportável. Tudo indica que as críticas e zombarias por parte de Agar e de Ismael a Sara e a Isaque aumentavam a cada dia. Assim, Sara não suportou mais aquele constrangimento, por uma situação que ela mesma criou. A saída que Sara encontrou para a resolução desta situação é muito triste: “Deita fora esta serva e o seu filho” (Gn 21.10). Então Sara disse a Abraão: — Mande embora essa escrava e o filho dela, porque o filho dessa escrava não será herdeiro com o meu filho Isaque. (Gn 21.10, NAA). De acordo com o registro do versículo 10, ela quer que Abraão mande Agar embora, mas a expressão usada no hebraico tem o significado muito mais forte de “expulsar”. Com esse ato, ela queria que Abraão deserdasse Ismael, o que significaria um rompimento definitivo de laços; seria uma declaração pública de que Abraão reconhecia que o filho mais velho não seria seu herdeiro. Assim, Ismael estaria sendo deserdado, e não faria mais parte da herança de Abraão. Sara se refere a Agar como “essa serva”, uma expressão no hebraico mais dura do que apenas “serva”, como Sara a tratava antes disso. Ela era uma “serva” de Sara, mas agora é tratada como “essa serva”, termo que sugere desprezo, na língua hebraica. A razão que Sara apresenta diante de Abraão para a sua demanda não é necessariamente o fato de o menino estar caçoando de seu filho, mas sim porque Ismael não seria herdeiro juntamente com Isaque. Ela estava muito segura em relação a isso, porque foi o que Deus havia prometido: “Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe chamarás Isaque; firmarei minha aliança com ele, como aliança perpétua para sua futura descendência” (Gn 17.19). Sara sabia do amor que Abraão tinha por seu primogênito, Ismael, e sabia também que, se os dois crescessem juntos, em algum momento Abraão seria tentado a incluir Ismael de alguma forma na herança que agora pertencia a Isaque. Assim sendo, a motivação de Sara pode ter sido errada, mas o argumento dela estava certo, pois era baseado na palavra de Deus de que seria Isaque o herdeiro das promessa, e não Ismael. Abraão não ouviu a demanda de Sara com bons ouvidos, e não a viu com bons olhos: “Isso pareceu muito desagradável aos olhos de Abraão, por causa de seu filho” (v. 11). A versão ARA traduziu essa frase como: “pareceu isso mui penoso aos olhos de Abraão”. A Septuaginta, que é a tradução grega, traduz: “que essa palavra pareceu muito dura para Abraão”. A razão para a dificuldade de Abraão em lidar com isso está na continuação do versículo 11: “por causa de seu filho”.Deus, contudo, na sua misericórdia, intervém na crise familiar, conforme registrado nos versículos 12 e 13: “Porém Deus disse a Abraão”. Esse é o nosso Deus, aquele que, em momentos de dificuldade, de angústia, de indecisão, vem ao nosso encontro para nos abençoar, guiar-nos e orientar-nos. Naquela época, no Antigo Testamento, costumeiramente Deus falava por meio de sonhos, de visões durante a noite. O indício de que a fala de Deus aconteceu durante a noite transparece no versículo 14, “Então Abraão levantou-se de manhã cedo”, frase que sugere que a fala de Deus aconteceu na noite anterior. Na noite da crise, Deus se revela ao seu servo, mais uma vez. E o que ele disse a Abraão, na visão em que lhe apareceu?
• Em primeiro lugar: “Não considere isso muito desagradável aos teus olhos por causa do menino e por causa da tua serva” (v. 12). Dessa forma, a primeira palavra de Deus para Abraão foi para tranquilizar seu coração, de modo que ele não se preocupasse com o que aconteceria com a criança nem com a serva.
Em segundo lugar, a palavra que Abraão recebeu, e da qual certamente não gostou, aliás, como nenhum marido gosta, é: “Atende à voz de Sara em tudo o que te diz” (v. 12). Acredito que essa tenha sido a palavra mais dura que Deus disse para Abraão(rsrsrsrsrs)! Os motivos de Sara podem não ter sido os melhores, pois ela estava com ciúme por causa do seu filho, sentindo-se ameaçada com a presença de Agar e de Ismael; ela estava pensando apenas nela e em seu filho. Entretanto, ela estava certa em seu argumento, pois estava apoiada na palavra de Deus. Esse é o caso de alguém que faz a coisa certa pelo motivo errado.
• Em terceiro lugar, Deus diz a Abraão que quem seria considerado descendência de Abraão seriam Isaque e seus respectivos filhos: “porque a tua descendência será reconhecida por meio de Isaque” (v. 12). Essa passagem é muito importante, e é usada algumas vezes no Novo Testamento.
• Em quarto lugar, Deus afirma que cumpriria a promessa que já havia feito de abençoar Ismael: “Mas também farei uma nação do filho dessa serva, porque ele também é da tua descendência” (v. 13). Deus diz “também” porque estava incluído na promessa que, por meio de Isaque, Deus faria de Abraão uma grande nação, e, da mesma forma, Deus fará uma grande nação a partir de Ismael, porque ele também é da descendência de Abraão, mesmo que não seja da linhagem santa, escolhida. Deus está sendo coerente, porque prometeu abençoar Abraão e sua descendência, toda ela. Essa promessa de fazer de Ismael uma grande nação havia sido feita cerca de quatro anos antes, quando Deus deu a circuncisão a seu servo: “Quanto a Ismael, também tenho te ouvido; eu o abençoarei e o farei frutificar e crescer muito em número; ele irá gerar doze chefes, e farei dele uma grande nação” (Gn 17.20). Deus, agora, reitera a promessa que havia feito a Abraão, cerca de quatro anos atrás, como se dissesse: “não se preocupe com seu filho Ismael, porque eu vou abençoá-lo também e farei dele uma grande nação”. Deus havia dito, ainda, que Ismael geraria doze chefes, assim estabelecendo um paralelo com Isaque, que teve Jacó, do qual vieram os doze patriarcas de Israel.
Implicações:
1. A escolha de Isaque, não implicava no abandono de Ismael. Ambos seriam abençoados por Deus, mas cada um segundo a vontade do Senhor. O texto está no ensinando que o que é de Isaque é de Isaque e o pertence a Ismael será de Ismael. Não adianta cobiçar o que é do outro, devemos buscar e viver o que Deus tem para as nossas vidas.
2. Em momentos de crise, a palavra final deve ser a de Deus. Devemos obedecer ao Senhor e nos sujeitar a ele, mesmo que isso doa e contrarie as nossas vontades.
Verifique o aprendizado de seu aluno (ponto 1):
1. Qual o significado do nome Isaque e por que Deus escolheu esse nome?
2. Por que Abraão e Sara riram ao ouvir a promessa de Deus?
3. Quais foram as consequências da decisão de Sara de entregar Agar a Abraão?
4. Por que a convivência entre Sara, Agar e Ismael se tornou insuportável?

PONTO 1 E PONTO 2 SÃO COMENTADOS DE UMA SÓ VEZ. O ASSUNTO É PRATICAMENTE O MESMO
2. ABRAÃO TEM QUE TOMAR UMA ATITUDE
Pergunta chave: O que Abraão precisou fazer diante do conflito?
Ideia central do ponto: Abraão precisou tomar uma decisão difícil e dolorosa diante do conflito familiar, mas Deus o orientou e prometeu que não desampararia Agar e Ismael, mostrando que mesmo nas consequências de nossos erros, Ele age com graça.
2.1 Isaque é desmamado.
Verdade central: Depois que Isaque cresceu e foi desmamado, Abraão fez um grande banquete. O desmame era um momento especial na tradição oriental. Aparentemente, tudo estaria normal, mas era puro engano.
Para refletir: Há problemas antigos que podem surgir em momentos de alegria. Isso me leva a pensar com seriedade em duas coisas: o pecado deve ser evitado a todo custo. Porém, uma vez consumado, devo lidar imediatamente com ele, a fim de que não se torne um problema constante e futuro como no caso de Abraão.
A LIÇÃO DIZ: ASSUNTO COMENTADO NO PRIMEIRO PONTO.
2.2. A zombaria.
Verdade central: A zombaria de Ismael foi o estopim para uma crise que já se arrastava há anos.
Para refletir: Há conflitos em minha família ou relacionamentos que tenho ignorado e que precisam ser resolvidos antes que se agravem?
A LIÇÃO DIZ: ASSUNTO COMENTADO NO PRIMEIRO PONTO.
2.3 A tristeza de Abraão.
Verdade central: Abraão estava com o coração dividido e machucado diante da situação. Essa era a consequência da tentativa de dar uma “ajudinha” a Deus. Mas o Senhor falou com Abraão que faria de Ismael uma nação e que não os desampararia.
Para refletir: O Senhor é bom e não nos trata segundo aquilo que merecemos.
A LIÇÃO DIZ: ASSUNTO COMENTADO NO PRIMEIRO PONTO.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. O que Abraão fez para comemorar o desmame de Isaque? 2. O que levou Sara a pedir a expulsão de Agar e Ismael?
3. Como estava o coração de Abraão diante dessa situação?
4. O que Deus prometeu a Abraão sobre Ismael?

3. AGAR E ISMAEL DEIXAM A CASA DE ABRAÃO
Pergunta chave: O que aconteceu com Agar e Ismael no deserto?
Ideia central do ponto: Abraão obedeceu a Deus e despediu Agar e Ismael. Embora eles tenham enfrentado o deserto e a escassez, Deus ouviu o clamor do menino e providenciou livramento, mostrando que Ele cuida dos aflitos mesmo em situações desesperadoras.
3.1 Abraão despede Agar e Ismael.
Verdade central: Mandar embora seu filho deve ter sido uma decisão muito difícil para Abraão. Diante de decisões difíceis, devemos fazer como Abraão: ouvir a voz de Deus e obedecê-Lo.
Para refletir: A obediência a Deus nem sempre é fácil, mas é sempre o caminho certo.

A LIÇÃO DIZ: Tomar a atitude de mandar embora o seu filho deve ter sido uma decisão difícil para Abraão. No entanto era necessário fazer o que Sara pediu. O que fazer diante de uma decisão difícil que precisamos tomar? Temos de fazer como Abraão: ouvir a voz de Deus e obedecê-Lo (Gn 21.14). Apesar do grande amor que Abraão tinha por seu filho Ismael, ele amava mais a Deus. Ele amava seu filho Ismael, mas amava a Deus mais ainda. Tanto é assim que, logo de manhã cedo, no dia seguinte, ele se levanta para obedecer a voz de Deus. Assim, ele se levanta de manhã cedinho para obedecer ao Senhor (v. 14): prepara e entrega a Agar suprimentos para a viagem. O versículo 14 menciona que ele lhe deu “pão”, uma palavra que no hebraico pode abranger outros tipos de comida, e lhe deu também um cantil de água, uma espécie de saco de couro, geralmente feito de pele de cabrito, que comportava cerca de doze litros, e diz o texto que ele pegou o pão e o cantil d’água de doze litros, e colocou tudo nos ombros de Agar. Depois de ter feito tudo isso, Abraão entregou o menino a Agar, e mandou-a embora. No hebraico, o termo usado nesse versículo é diferente do que foi usado por Sara, quando exigiu de Abraão: “Manda embora essa serva e o seu filho”(v. 10). A palavra que Sara usou no hebraico foi “expulsa”: “expulsa essa serva e o seu filho”. De acordo com o versículo 14, Abraão “mandou embora” Agar, mas não a expulsou. Ele a mandou embora talvez com lágrimas nos olhos, lágrimas de um pai que vê seu filho partir, quem sabe para sempre. No entanto, ele amava a Deus, e, sabendo que tinha de obedecer-lhe, fez o que tinha de fazer. Desse modo, Abraão estava definitivamente deserdando Ismael, seu filho mais velho, e mostrando a todos que ele não era nem seria seu herdeiro, mas sim Isaque. Despedidos do clã de Abraão, o mais lógico é que Agar e Ismael tenham saído em direção de Gerar, para o sul. Se verificarmos no mapa, notaremos que ela teria que descer para o sul para ir na direção do Egito. Contudo, ela se perde e começa a vagar sem rumo: “Ela partiu e foi andando errante pelo deserto de Berseba” (v. 14). Berseba é a região mais extrema da Palestina, a caminho o Egito. A próxima cidade é Sur, que marca as fronteiras do Egito. No caminho, Agar se perde, talvez por causa da angústia que sentia, pois ela já havia feito esse caminho antes, quando fugiu de Sara. Dessa vez, porém, ela estava desorientada, angustiada, sem perspectiva nenhuma. Geralmente, quando estamos assim, perdemos o rumo. A ansiedade é um péssimo GPS, pois nos leva por caminhos em que nos perdemos, e que não são o que queríamos. O fato é que Agar e Ismael ficaram perdidos no sul do deserto de Berseba, uma região inóspita, de sol escaldante, e perigosa para se viajar.
Implicação
1. A obediência a Deus, às vezes, nos conduz a um caminho marcado por lágrimas, separações e perdas.
Mesmo assim, é muito melhor do que desobedecer.
3.2 Agar e Ismael no deserto de Berseba.
Verdade central: Foi terrível a prova pela qual Agar passou com seu filho. As únicas coisas que Abraão lhes deu foram um pão e um odre de água. Depois que a água terminou, Agar chorou e foi tomada pelo desespero. Ela deixou seu filho debaixo de uma árvore para não o ver morrer de sede ao seu lado.
Para refletir: As situações mais desesperadoras são oportunidades para Deus mostrar seu poder e cuidado. 

A LIÇÃO DIZ: As expectativas eram as piores possíveis. Agar não estava preocupada com a sua vida, mas, como mãe, não poderia ver o sofrimento do seu filho e a sua morte. Ela deixou seu filho debaixo de uma das pouquíssimas árvores que havia no deserto para não o ver morrer de sede ao seu lado, e o texto bíblico diz que ela “levantou a sua voz e chorou” (Gn 21.16). A água, enfim, acabou, e Agar teme que a morte de ambos havia chegado: “Quando a água do cantil acabou, Agar deitou o menino debaixo de um arbusto” (v. 15). É possível que o rapaz tivesse desfalecido de sede debaixo do sol forte, e, então, a mãe o coloca debaixo de uma arvorezinha, de um arbusto que havia na região, e afasta-se à distância de um tiro de arco (cerca de cem metros), deixa o menino lá, senta-se e diz: “Não quero ver o menino morrer” (v. 16). Então, começa a chorar em alta voz. Isso é o que qualquer mãe sozinha e angustiada faria por seu filho, pois chegara a hora da morte, e não havia mais esperança. Agar não tinha mais perspectivas: ela sequer sabia onde estava; a água tinha acabado. Era uma situação de completa crise, desesperadora. Ela já havia passado por uma situação parecida, quando, cerca de dezessete anos antes, fugira da casa de Abraão, após ter engravidado do patriarca. Agar tinha caçoado de Sara, humilhado-a, e depois fugira. Agora, ela estava seguindo pelo mesmo caminho que antes seguira, quando Deus a encontrou à beira de um poço e disselhe que voltasse e se humilhasse diante de Sara. Agora, Deus a encontra outra vez, mas não a manda de volta, porque seu destino está selado: ela não faz mais parte da vida de Abraão, assim como Ismael também não faz.
Implicações:
1. Deus continua agindo quando os recursos humanos se esgotam. Há momentos em que nossas reservas se esgotam, os recursos acabam e já não vemos saída alguma. Nessas horas, devemos nos lembrar que o fim da capacidade humana não é o fim da providência divina.
2. Deus, às vezes, permite que cheguemos ao limite da nossa autossuficiência para nos ensinar que a vida não se sustenta apenas por aquilo que temos nas mãos. O deserto expõe nossa fraqueza, mas também nos ensina a depender mais profundamente do cuidado do Senhor.
3.3 Deus ouviu a voz de Ismael.

Verdade central: O Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael e enviou livramento.
Para refletir: Deus ouviu o choro de Ismael no deserto e enviou livramento. Ele ouve nossa voz e atende ao nosso clamor.
A LIÇÃO DIZ: Somente Agar poderia ouvir a sua própria voz, o seu clamor e a voz do menino; mas nada podia fazer; porém, o Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael, que olhava para sua mãe aflita sem poder fazer nada em seu favor. Deus enviou o livramento para Agar e seu filho. Mais tarde, Ismael se tornou um flecheiro e habitou com sua mãe no deserto de Parã (Gn 21.17-21). Como ouviu a voz do menino, Ele ouve a
nossa voz e atende ao nosso clamor (Jr 33.3). Deus socorreu os aflitos no passado e Ele continua a nos socorrer no presente (Sl 121.1).
O texto bíblico diz: E, afastando-se, foi sentar-se em frente, à distância de um tiro de arco, porque dizia: — Assim, não verei o menino morrer. E, sentando-se em frente dele, levantou a voz e chorou.Deus, porém, ouviu a voz do
menino. E, do céu, o Anjo de Deus chamou Agar e lhe disse:O que é que você tem, Agar? Não tenha medo, porque Deus ouviu a voz do menino, aí onde ele está.Ponha-se em pé, levante o menino e segure-

Verdade central: O Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael e enviou livramento.
Para refletir: Deus ouviu o choro de Ismael no deserto e enviou livramento. Ele ouve nossa voz e atende ao nosso clamor.
A LIÇÃO DIZ: Somente Agar poderia ouvir a sua própria voz, o seu clamor e a voz do menino; mas nada podia fazer; porém, o Deus de Abraão ouviu o choro de Ismael, que olhava para sua mãe aflita sem poder fazer nada em seu favor. Deus enviou o livramento para Agar e seu filho. Mais tarde, Ismael se tornou um flecheiro e habitou com sua mãe no deserto de Parã (Gn 21.17-21). Como ouviu a voz do menino, Ele ouve a nossa voz e atende ao nosso clamor (Jr 33.3). Deus socorreu os aflitos no passado e Ele continua a nos socorrer no presente (Sl 121.1). Há poucas fontes naquele extenso deserto, e, muitas vezes, elas ficam escondidas entre arbustos. Por isso, viajantes, mesmo estando perto de uma fonte, podiam procurá-la por muito tempo sem encontrá-la. Isso ajuda a entender o sofrimento de Agar e Ismael e também esclarece que não foi um poço criado naquele instante. O que aconteceu foi que Deus abriu os olhos de Agar para perceber uma fonte que antes lhe havia escapado. Ainda assim, essa descoberta não deixa de ser uma intervenção de Deus, porque foi ele quem a conduziu, no momento certo, àquilo que poderia preservar a vida do menino. O texto termina fazendo uma breve descrição do que aconteceu com Ismael, nos versículos 20 e 21, e fornece quatro informações. A primeira é que “Deus estava com o menino” (v. 20). Deus estava com Ismael não porque ele fosse o filho da promessa, mas porque era descendente natural de Abraão. Por amor a Abraão, o Senhor usou de misericórdia para com esse filho que havia surgido de um arranjo humano. Isso mostra quão ampla é a misericórdia de Deus. Muitas vezes, ela vai além do que imaginamos. Deus é compassivo até mesmo com pessoas sobre as quais, em nossa limitação, talvez pensássemos que ele não demonstraria favor. A expressão “Deus estava com o menino” significa, nesse contexto, que Deus o abençoou, o guardou dos perigos do deserto e velou pela sua promessa para cumpri-la em sua vida. A segunda informação é que Ismael cresceu e passou a habitar no deserto, mais especificamente no deserto de Parã (vv. 20-21), região que corresponde à Arábia. A terceira informação é que ele se tornou flecheiro, isto é, um homem hábil no manejo do arco e da flecha. A quarta informação é que se casou com uma egípcia, escolhida por sua mãe, Agar. Como ele já não tinha a presença de Abraão em sua vida, foi sua mãe quem buscou, entre os seus, uma esposa para ele. Mais tarde, em Gênesis 25, Moisés registra a genealogia de Ismael, inclusive os doze príncipes que vieram dele. Assim, Deus cumpriu plenamente o que havia prometido. Moisés queria ensinar aos israelitas, pelo menos, duas lições por meio desse episódio.
• A primeira é que Deus é fiel e cumpre a sua palavra. Ele deu a Abraão o filho prometido por meio de Sara, confirmou Isaque como herdeiro da promessa e, ao mesmo tempo, protegeu e abençoou Ismael. Portanto, os israelitas podiam confiar que Deus também cumpriria sua promessa relativa à terra. Eles estavam prestes a atravessar o Jordão para conquistar a terra prometida, embora os povos dali fossem militarmente mais fortes. A esperança deles, porém, não estava em sua força, mas no fato de que Deus era com eles, porque ele é o Deus da aliança, fiel e digno de confiança.
• A segunda lição é sobre a misericórdia de Deus. Mesmo Agar e Ismael não pertencendo à linhagem da promessa, Deus os socorreu e os abençoou. Na primeira vez, Ismael ainda estava no ventre da mãe. Agora, pela segunda vez, Deus volta a intervir em favor deles. Os israelitas deveriam guardar isso no coração quando entrassem na terra prometida. Deus é justo e julgaria os cananeus, usando Israel como instrumento do seu juízo. Contudo, ele também é misericordioso e derrama bondade para além do povo da aliança. Sua graça alcança outras pessoas com sustento, proteção e cuidado. Por isso, Israel deveria lembrar-se dessa misericórdia e agir com compaixão diante dos estrangeiros.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. O que Abraão deu a Agar e Ismael quando os despediu?
2. Por que Agar deixou seu filho debaixo de uma árvore no deserto?
3. O que Deus fez quando ouviu o choro de Ismael?
4. O que aconteceu com Ismael depois que foi salvo no deserto?

CONCLUSÃO

O nascimento de Isaque confirma que Deus cumpre fielmente o que promete, no tempo certo e segundo a sua vontade. Ao mesmo tempo, essa narrativa também nos mostrou que decisões tomadas na pressa e na incredulidade deixam consequências dolorosas, como ocorreu com Sara, Agar e Ismael. Ainda assim, o texto também revela que, mesmo em meio à crise e ao deserto, Deus continua sendo misericordioso, justo e cuidadoso. Portanto, este estudo nos ensina a confiar na fidelidade do Senhor, a evitar atalhos carnais e a descansar no fato de que Deus não falha nem abandona aqueles que estão debaixo do seu cuidado.

REFERÊNCIAS
SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. Tradução: Emirson Justino. 1. ed. São
Paulo: Mundo Cristão, 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Abraão: o pai da fé. São Paulo: Hagnos, 2024.
LOPES, Hernandes Dias. Jacó: o homem que lutou com Deus e prevaleceu. São Paulo: Hagnos, 2025.
LOPES, Hernandes Dias. Gênesis: o livro das origens. São Paulo: Hagnos, 2021.
AMOS, Clare. GENESIS. Peterborough: Epworth Press, 2004.
SAILHAMER, John H. Genesis. In: LONGMAN III, Tremper; GARLAND, David E. (Ed.). The expositor’s
Bible commentary. Rev. ed. Grand Rapids: Zondervan, 2008. E-book.
MATHEWS, Kenneth A. Genesis 11:27-50:26. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 2005. (The New
American Commentary, v. 1B).
WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário histórico-cultural da
Bíblia: Antigo Testamento. Tradução: Noemi Valéria Altoé da Silva. São Paulo: Vida Nova, 2018.

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