A SANTÍSSIMA TRINDADE
O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas.











INTRODUÇÃO
O Espírito Santo é dado a todo crente na conversão como selo da salvação. Contudo, a promessa do derramamento proferida pelo profeta Joel, refere-se a uma experiência distinta e subsequente a salvação: o revestimento de poder. Enquanto todos os salvos possuem o Espírito, nem todos vivenciam esse revestimento que capacita o crente para testemunhar com ousadia e autoridade. No Pentecostes, os discípulos foram revestidos de poder e, como sinal, falaram em outras línguas. Além disso, o Espírito Santo distribui dons específicos aos crentes para o serviço do Reino e para a edificação da Igreja. Nesta lição, examinaremos a promessa universal do derramamento de poder, seu cumprimento no Pentecostes e sua continuidade para o crente contemporâneo, bem como a atualidade dos dons espirituais. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
“E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões”. (Jo 2.28, NVI). O SENHOR diz ao seu povo: “Depois disso, eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas: os filhos e as filhas de vocês anunciarão a minha mensagem; os velhos sonharão, e os moços terão visões. (Jl 2.28, NTLH). A teologia do texto, pelo prisma pentecostal, enfatiza que:
1. Deus toma iniciativa: “eu derramarei”.
2. O Espírito não fica restrito à elite (reis, sacerdotes, profetas “oficiais”): há uma “universalização” da presença/capacitação espiritual.
3. “Toda carne” não significa automaticamente “todas as pessoas do planeta” no sentido moderno, mas um alcance amplo e inclusivo (sem excluir por gênero, idade, ou posição social, Jl 2.29 torna isso explícito ao mencionar até servos/servas). Por enquanto, vamos ficar com essa ideia, pois ela será trabalhada detalhadamente nos pontos e subpontos
da lição.

VERDADE PRÁTICA
O derramamento do Espírito Santo é uma promessa universal que capacita a Igreja com poder para pregar o Evangelho. À luz de Atos 1.8, é necessário afirmar que o propósito do derramamento do Espírito Santo não é levar os crentes a apenas falar em línguas, seja no culto, seja em casa. Do mesmo modo, o derramamento do Espírito não tem por finalidade produzir, no pregador, uma atuação performática, ou mesmo teatral, no momento da pregação, como se o falar em línguas, nesse contexto, o tornasse mais espiritual diante da igreja. Não podemos confundir o sinal com o fim (telos), isto é, com o propósito. Em Atos 1.8, esse propósito se revela de forma muito clara: testemunhar e proclamar o Evangelho. Portanto, os crentes são revestidos do Espírito Santo para que, com poder e ousadia, anunciem a Palavra de Deus e sejam suas testemunhas onde quer que estejam.





1. A PROMESSA DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
Pergunta chave: O que Deus prometeu a respeito do Espírito? Ideia central do ponto: O derramamento do Espírito Santo foi prometido por Deus como uma bênção universal, acompanhada de manifestações sobrenaturais, e permanece válida durante toda a dispensação da graça.
1.1 Uma promessa de abrangência universal. Verdade central: Na Antiga Aliança, o Espírito atuava de modo pontual sobre pessoas específicas. Na Nova Aliança, Ele é derramado sobre todos os que invocam o nome do Senhor, sem distinção de idade, gênero ou condição social. Para refletir: Tenho compreendido que a promessa do Espírito Santo é também para mim, ou penso que essa bênção é reservada apenas para alguns cristãos especiais?
A LIÇÃO DIZ: Na Antiga Aliança, o Espírito atuava de modo pontual sobre pessoas específicas e para tarefas determinadas (1Sm 19.20; 2Cr 15.1; Ez 37.1). Porém, cerca de 800 anos antes de Cristo, Joel profetizou uma nova dispensação: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2.28a). Na Nova Aliança, essa promessa foi registrada em todos os Evangelhos (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.32,33). Na profecia, a expressão “sobre toda a carne” aponta para a abrangência universal do Espírito — não a todos de modo indiscriminado, mas a todos que invocam o nome do Senhor (Jl 2.32). O Antigo Testamento apresenta o Espírito Santo como aquele que atua, de modo contínuo, na criação e na preservação da vida, e também como aquele que, em momentos específicos, capacita pessoas específicas para tarefas específicas. Não devemos confundir “capacitação para um ofício” com a presença salvadora do Espírito (fé, arrependimento, santidade) entre os fiéis do Antigo Testamento. Ou seja, o Espírito Santo estava em plena atividade desde a criação do mundo. Contudo, no que tange a capacitação de algumas pessoas para certos ofícios, podemos utilizar a linguagem: seletiva e esporádica.
Vejamos alguns exemplos:
1. Habilidade para uma obra específica. O Senhor encheu Bezalel com o Espírito de Deus para executar a obra do tabernáculo, concedendo habilidade, inteligência, conhecimento e capacidade artística. Nesse caso, a ação do Espírito está ligada à realização cuidadosa de uma tarefa santa, conforme o padrão revelado por Deus. (Êx 31.1-5; 35.30-35).
2. Juízes levantados em tempos de crise. Em períodos de opressão, o Espírito do Senhor vinha sobre juízes para capacitá-los a liderar, guerrear e livrar Israel. O texto bíblico destaca uma atuação relacionada a uma
necessidade histórica e a um chamado específico de libertação do povo. Isso aparece, por exemplo, em Otniel, Gideão, Jefté e Sansão. (Jz 3.9-10; 6.34; 11.29; 14.6,19).
3. Realeza e governo. Saul recebeu a ação do Espírito em conexão com sua unção para o reinado, e isso resultou em uma capacitação para o ofício real. No entanto, depois de sua rejeição, a Bíblia afirma que o Espírito do Senhor se retirou dele, o que também aparece ligado à sua queda e instabilidade. Em contraste, Davi recebeu o Espírito do Senhor desde o dia de sua unção para reinar. (1Sm 10.1,6,10; 16.13-14).
4. Profetas. O Espírito de Deus também vinha sobre pessoas para que anunciassem a palavra do Senhor. Em alguns casos, a Bíblia mostra alguém sendo usado por Deus para declarar uma mensagem verdadeira, sem que isso signifique, necessariamente, um padrão permanente de fidelidade e santidade pessoal. Isso pode ser visto, por exemplo, em Balaão e também em momentos da vida de Saul. (Nm 24.2; 1Sm 19.20- 24). Em contraste, é possível identificar os profetas, homens de Deus, que forma usados de forma poderosa para declarar a verdade divina a Israel e as demais nações. O Antigo Testamento é um prelúdio indispensável à discussão sobre o batismo no Espírito Santo. Os eventos acontecidos no dia de Pentecostes (At 2) foram o clímax das promessas de Deus feitas séculos antes, sobre a instituição da nova aliança e a inauguração da era do Espírito. Duas passagens são especialmente importantes: Ezequiel 36.25-27 e Joel 2.28,29. A passagem de Ezequiel fala sobre a água pura sendo espalhada e a purificação de todas as imundícies espirituais. Ela continua, dizendo que o Senhor removerá os corações de pedra de seu povo e dar-lhe-á “um coração novo” e “um coração de carne”, além de colocar dentro dele “um espírito novo”. A concessão do Espírito Santo é o meio pelo qual essa mudança acontecerá: “porei dentro de vós o meu espírito”. Como resultado, o Senhor diz: “e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” (v. 27).A promessa é claramente relacionada ao conceito de regeneração do Novo Testamento. Paulo fala sobre “a lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5), ecoando a declaração de Jesus sobre a necessidade de “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5). A transformação que acontece no novo nascimento resulta num estilo de vida transformado, tornado possível pela concessão do Espírito Santo. O Espírito habita dentro de cada crente (Rm 8.9,14-16; 1 Co 6.19); assim, a ideia de um crente sem o Espírito Santo é uma contradição em seus próprios termos. A profecia de Joel é bem diferente da de Ezequiel. Ela não fala sobre transformação interior, estilo de vida alterado, ou a atuação interior do Espírito Santo; em vez disso, o Senhor diz: “derramarei o meu Espírito sobre toda a carne”. Em Joel, os resultados da atividade do Espírito são bem diferentes daqueles em Ezequiel; eles são dramáticos e “carismáticos” por natureza. Na profecia de Joel, o Espírito vem sobre o povo de Deus em primeiro lugar para dar-lhe o poder de profetizar. Isso é evidente quando Pedro cita Joel em seu discurso no dia de Pentecostes (At 2.16-21). Nesse dia, os discípulos foram “cheios do Espírito Santo” (At 2.4); eles não foram regenerados por aquela experiência. Desse modo, precisamos concluir, dadas as diferenças substanciais entre as profecias de Ezequiel e de Joel, que deveriam haver duas vindas históricas separadas do Espírito Santo? A resposta há de ser não. É melhor falar de uma promessa ampla do Espírito que inclui tanto a sua habitação interior quanto seu derramar, ou a concessão de poder ao povo de Deus. Esses são dois aspectos da prometida atuação do Espírito Santo na nova era. O quadro a seguir ilustra a dupla promessa do Pai: Ezequiel Joel
Limpeza Capacitação Novo coração, novo espírito Profecias, sonhos, visões Espírito interior Espírito derramado fora/sobre Mudança moral Sem menção de conduta
1.2 Uma promessa com ação sobrenatural.
Verdade central: O derramamento do Espírito vem acompanhado de manifestações sobrenaturais como profecias, sonhos e visões. Essas experiências revelam a atuação do Deus vivo e servem para a edificação espiritual. Para refletir: Tenho cultivado uma vida de comunhão e santidade que me torne um canal sensível para as manifestações do Espírito?
A LIÇÃO DIZ: O derramamento do Espírito vem acompanhado de manifestações visíveis e sobrenaturais: “vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Jl 2.28b). As profecias (1Co 14.3), sonhos (Mt 1.20) e visões (At 16.9) revelam a atuação do Deus vivo entre o seu povo. São experiências extraordinárias que servem de edificação espiritual (1Co 14.26). Elas
indicam que a vida cheia do Espírito é ativa, dinâmica e sensível à voz de Deus (Rm 8.14). O texto de Joel, em conjunto com toda a narrativa do Antigo Testamento, deixa bem claro que sonhos, profecias e visões funcionavam como meios revelacionais por meio dos quais a vontade de Deus era conhecida e comunicada ao povo. Essas manifestações extraordinárias já existiam no Antigo Testamento. O escritor aos Hebreus corrobora com essa afirmação ao declarar: “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados” (Hb 1.1a, NVI). Se, portanto, sonhos, profecias e visões já eram experiências conhecidas na Antiga Aliança, então a grande pergunta que se impõe é: O que mudou no Pentecostes? O que distingue o derramamento do Espírito Santo na Nova Aliança daquilo que acontecia anteriormente? O que muda no derramamento prometido, e o que faz de Pentecostes um marco na história da redenção, não é a existência de profecias, sonhos e visões, porque, como vimos, esses meios já eram conhecidos nas Escrituras. O que muda é o alcance e o lugar dessas manifestações na vida do povo de Deus. Em Pentecostes,Pedro afirma que a promessa de Joel se cumpre, e o Espírito é derramado de modo amplo sobre o povo, alcançando filhos e filhas, jovens e velhos, servos e servas (At 2.16-18). Além disso, esse derramamento está diretamente ligado à exaltação de Cristo, porque Jesus, exaltado à destra do Pai, recebe do Pai a promessa do Espírito e o derrama sobre a igreja (At 2.33). Assim, a presença de Deus deixa de se manifestar de forma mais restrita a mediadores e ocasiões específicas, e passa a marcar a vida comum da comunidade da nova aliança, em sua adoração, em seu testemunho e em sua missão (At 2.38-39; 1Co 12.7; Ef 4.11-13).
1.3 Uma promessa para os últimos dias.
“E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões”. (Jo 2.28, NVI). O SENHOR diz ao seu povo: “Depois disso, eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas: os filhos e as filhas de vocês anunciarão a minha mensagem; os velhos sonharão, e os moços terão visões. (Jl 2.28, NTLH).
A teologia do texto, pelo prisma pentecostal, enfatiza que:
1. Deus toma iniciativa: “eu derramarei”.
2. O Espírito não fica restrito à elite (reis, sacerdotes, profetas “oficiais”): há uma “universalização” da presença/capacitação espiritual.
3. “Toda carne” não significa automaticamente “todas as pessoas do planeta” no sentido moderno, mas um alcance amplo e inclusivo (sem excluir por gênero, idade, ou posição social, Jl 2.29 torna isso explícito ao mencionar até servos/servas). Por enquanto, vamos ficar com essa ideia, pois ela será trabalhada detalhadamente nos pontos e subpontos da lição. Verdade central: Os “últimos dias” começaram com a vinda do Messias e o derramamento do Espírito no Pentecostes. Essa promessa não se esgotou naquele evento, mas permanece vigente para todos os que crerem em todos os tempos.
Para refletir: Vivo com a consciência de que estou nos “últimos dias” e que a promessa do Espírito está disponível para mim hoje?
A LIÇÃO DIZ: A palavra profética aponta para um tempo específico: “naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Jl 2.29b). Na terminologia da Antiga Aliança, tais expressões referem-se à chegada do Messias e ao início dos eventos escatológicos (Is 2.2; Mq 4.1). Pedro identifica o Pentecostes como o cumprimento inicial desses “últimos dias” (At 2.17). Vamos tomar como referencia Atos 2.17 para explicar o que significa a expressão “últimos dias”. O texto bíblico diz: “Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as
suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos (At 2.17)”. A expressão “os últimos dias” designa o tempo escatológico inaugurado publicamente com a exaltação de Jesus e com o derramamento do Espírito sobre a igreja. Em outras palavras, Pedro está dizendo que o tempo do cumprimento começou. Aquilo que os profetas anunciaram para o fim da história da aliança começou a se manifestar diante dos olhos da multidão, de forma visível e audível, no dia de Pentecostes (At 2.16-17; Jl 2.28- 29). Deus derramou o seu Espírito e, com isso, inaugurou uma nova etapa da sua obra no mundo. Por essa razão, “os últimos dias” em Atos 2 apontam para uma era que já começou e que caminha para sua consumação final (At 2.17; Hb 1.1-2). Nesse intervalo entre o início dos últimos dias e a sua consumação, podemos afirmar com segurança que a promessa do derramar do Espírito continua vigente!
1. Em primeiro lugar, os últimos dias são o tempo em que Deus habita no meio do seu povo de modo coletivo e interior, pelo Espírito. No Antigo Testamento, a presença de Deus era fortemente associada ao tabernáculo, ao templo e ao culto. Em Atos, com a exaltação de Cristo e o dom do Espírito, a presença divina passa a marcar a comunidade reunida em torno de Jesus. Assim, o povo de Deus se torna habitação do Espírito, e a vida da igreja passa a ser o lugar dessa presença santa e operante (At 2.1-4; 1Co 3.16; Ef 2.21-22).
2. Em segundo lugar, os últimos dias são o tempo do testemunho da proclamação do evangelho. Em Atos, o Espírito não produz só manifestações visíveis. Ele produz testemunho, ousadia, direção e proclamação pública de Cristo. Por isso, o derramamento do Espírito está ligado diretamente ao avanço do evangelho.
3. Por fim, destacamos que últimos dias têm duas dimensões inseparáveis. Há uma dimensão presente, marcada pelo derramamento do Espírito e pelo testemunho da igreja, e há uma dimensão futura, marcada pelo juízo e pela consumação. Portanto, Atos 2 define os últimos dias como a era inaugurada em Pentecostes, que segue em curso até o retorno de Cristo e o desfecho da história (At 2.19-21; Jl 2.30-32).
Verifique o aprendizado de seu aluno (ponto 1):
1. Qual era a diferença entre a atuação do Espírito na Antiga Aliança e na Nova Aliança?
2. O que significa a expressão “sobre toda a carne” na profecia de Joel?
3. Quais são as manifestações sobrenaturais mencionadas em Joel 2.28?
4. Por que a promessa do derramamento do Espírito continua válida hoje?






2. O CUMPRIMENTO: PODER PARA TESTEMUNHAR
Pergunta chave: O que aconteceu quando a promessa se cumpriu? Ideia central do ponto: No Pentecostes, o Espírito Santo desceu com poder sobre os discípulos, capacitando-os para testemunhar de Cristo com ousadia, e o falar em línguas foi a evidência física inicial desse revestimento.
2.1 O Espírito Santo veio com o poder do Alto.
Verdade central: Jesus prometeu que os discípulos seriam revestidos de poder do Alto. Esse poder inclui ousadia para proclamar o Evangelho, autoridade para operar milagres e sabedoria para edificar a Igreja.
Para refletir: Tenho buscado o revestimento de poder do Espírito para testemunhar de Cristo, ou tenho tentado servir a Deus apenas com minhas próprias forças?
A LIÇÃO DIZ: Esse “revestimento” (gr. endýō) significa “vestir-se como uma armadura” e aponta para uma capacitação sobrenatural e indispensável para testemunhar de Cristo (At 1.8). Esse poder (gr. dýnamis) não é apenas força para resistir ao pecado (Rm 8.13), mas também ousadia para proclamar o Evangelho (At 4.31), autoridade para operar milagres (At 6.8) e sabedoria para edificar a Igreja (1Co 12.7).No livro de apoio, o pastor Douglas Baptista assevera: Assim sendo, o Espírito Santo veio com “poder do alto” para atuar em múltiplas dimensões: (i) na santificação, capacitando o crente a morificar as obras da carne (Rm 8.13); (ii) no testemunho com ousadia, preparando os discípulos a pregar com intrepidez (At 4.31); (iii) nos dons espirituais, concedendo graça para realizar sinais e prodígios (1 Co 12.7-11); (iv) na edificação da Igreja, servindo para fortalecer e expandir o corpo de Cristo (Ef 4.11 -13). Em suma, historicamente, inaugura a Igreja; doutrinariamente, autentica a promessa do Pai mediada pelo Filho; teologicamente, conduz à santificação, ao testemunho ousado, à manifestação dos dons e à edificação do povo de Deus. (BAPTISTA, 2026, p. 117). Levando em consideração, o que disse o pastor Douglas Baptista, é importante ressaltar que a experiência normativa do Batismo no Espírito Santo tem um propósito bem claro nas Escrituras: a qualificação sobrenatural para o serviço cristão (cf. At 1.8). Uma maior eficácia na evangelização dos povos dá-se por meio da experiência pentecostal. O Batismo no Espírito Santo apresenta uma relação missionária com os seus objetivos. Os que buscam o Batismo no Espírito Santo por mera curiosidade experimental e sentimentalista, ou então querendo experiências místicas e transcendentais, distorcem completamente o propósito do Batismo no Espírito Santo. Essa experiência deve ser buscada por aqueles que têm o coração no Reino de Deus e que lutam por sua expansão. Lembrando que um não batizado não está impossibilitado de fazer grandes trabalhos evangelísticos, pois o Batismo no Espírito Santo, embora seja importante impulsionador da obra missionária, não é o único dom relacionado à tarefa missionária. A distorção principal nos dias atuais referente ao propósito do Batismo no Espírito Santo é o denominado “reteté de Jeová”. Esse movimento prega experiência por experiência, é sem propósito e cheio de desordem cúltica e ainda associa espiritualidade a barulho. O “reteté”, longe de ser um reforço ao pentecostalismo, é uma verdadeira desordem que atrapalha o desenvolvimento de uma dou trina pentecostal sadia e bíblica, onde os dons e o Batismo no Espírito são pregados dentro dos limites das Sagradas Escrituras.
2.2. Os sinais da descida do Espírito Santo.
Verdade central: A descida do Espírito foi marcada por dois sinais sobrenaturais: o som como de um vento veemente e as línguas como que de fogo. Esses sinais enfatizaram a grandeza do evento inaugural da Igreja.
Para refletir: O som como de vento simboliza a presença criadora de Deus. As línguas como que de fogo são sinal de purificação e consagração. Esses sinais marcaram a inauguração da Igreja no Pentecostes.
A LIÇÃO DIZ: Atos registra dois sinais sobrenaturais que marcaram o advento do Espírito Santo: o “som, como de um vento veemente e impetuoso” (At 2.2) e as “línguas repartidas, como que de fogo” (At 2.3). O “vento” e o “fogo” enfatizam a grandeza da ocasião e são sinais audíveis e visíveis da chegada do Espírito. O som, como de um vento, simboliza a presença criadora de Deus (Ez 37.9). As línguas, como que de fogo, são sinal de purificação e consagração (Êx 19.18; Mt 3.11). Esses sinais particulares não se repetiram posteriormente nos batismos no Espírito Santo subsequentes, pois se tratava de um evento solene e único. Lucas relata que, por ocasião do derramamento do Espírito no dia de Pentecostes, foi ouvido do céu “um som, como de um vento veemente e impetuoso”, que “encheu toda a casa em que estavam assentados” (At 2.2), e que “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo” (At 2.3). Os estudiosos da Bíblia explicam que esses sinais são manifestações da presença de Deus, chamadas de “teofanias”. Isso significa que Deus se revelou de maneira visível e audível, assim como fez no Monte Sinai, quando entregou a Lei a Moisés. Vamos as explicações por etapas:
1. O significado de Teofania. O termo teofania deriva do grego theós (Deus) e phaínō (manifestar, aparecer), e refere-se a manifestações visíveis, perceptíveis e extraordinárias de Deus ao ser humano. Exemplos bíblicos clássicos de teofania incluem: A visita dos três homens a Abraão (Gn 18.1–2); A sarça ardente (Êx 3.2-6); A coluna de nuvem e de fogo (Êx 13.21-22); O Anjo do Senhor (Jz 6; 13); A manifestação no Sinai (Êx 19.16-20): Deus se revela ao povo de Israel com trovões, relâmpagos, densas nuvens, fogo e som de trombeta, marcando a aliança mosaica.
2. Características principais das teofanias. Manifestam-se por meio de sinais visíveis e extraordinários (fogo, nuvem, luz, forma humana etc.); ocorrem em contextos de grande relevância para a história da redenção; têm propósitos revelacionais, como vocação, proteção, juízo ou instrução divina; geralmente provocam temor reverente, adoração ou transformação no destinatário da revelação.
3. Teofania e Cristofania. No Novo Testamento, o conceito de teofania é aprofundado. Algumas aparições do Cristo ressurreto, como no episódio da conversão de Paulo (Atos 9), são identificadas como cristofanias, ou seja, manifestações glorificadas do próprio Cristo. Estas constituem uma categoria específica de teofania, que mantém o caráter revelacional e extraordinário, mas com a centralidade cristológica da nova aliança.Pontos de comparação entre o Sinai e o dia de Pentecoste. Nos versículos 2 a 4 fica claro que a descida do Espírito é um evento claramente público. Os três sinais (o sinal audível – vento; o sinal visível – fogo; o sinal interno – línguas) foram observados por todos os presentes, e os efeitos foram óbvios para todos.
O primeiro sinal era “um som similar ao de um “vento impetuoso” vindo do céu (aos observadores, firmamento) “que encheu toda a casa onde estavam sentados”. Ele revivia o som da trombeta no Monte Sinai para anunciar os Mandamentos. Também pode ser uma alusão ao episódio dos ossos secos (Ez 37.5-6,14) em que o vento os enche de uma nova vida. O enchimento de toda a casa significa a vinda do Espírito a cada crente.
O segundo sinal (2.3) “parecia ser o de línguas de fogo distribuídas e pousadas sobre cada um dos presentes” (todos os crentes, veja 2.17-18). O vento simbolizava a chegada do Espírito e, o fogo, sua entrada em cada seguidor. Essa adicional tipologia revive os trovões e relâmpagos no monte Sinai (Ex 19.16).
O último sinal é o fato de que, como consequência dos dois primeiros, os presentes “começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” (2.4) Esse fenômeno descreve os resultados visíveis da atuação do Espírito. O Espírito que chegava era um ente invisível, diferentemente de sua atuação, que era bem visível, o fogo e a fala em línguas. Cada filho de Deus ali estava “cheio do Espírito Santo” e não conseguia ficar calado, tendo de se expressar abertamente aos que estavam em volta.
2.3 A evidência do revestimento de poder.
Verdade central: O falar em outras línguas é a evidência física inicial do batismo no Espírito Santo. Essa evidência difere do dom de variedades de línguas, que requer interpretação para a edificação da Igreja.
Para refletir: Já recebi o batismo no Espírito Santo com a evidência do falar em línguas, ou ainda preciso buscar essa experiência?
A LIÇÃO DIZ: O revestimento de poder veio com um sinal específico: “falar em outras línguas” (At 2.4). Em Atos, o falar em línguas está explícito em três registros (At 2.1-4; 10.46; 19.6) e implícito em outras duas ocasiões (At 8.14-17; 9.17,18). Dessa forma, biblicamente, o falar em outras línguas é sempre a evidência física inicial do batismo no Espírito Santo. Essa evidência difere do dom espiritual de “variedades de línguas”. Este último dom requer interpretação para a edificação da Igreja, porém, o “falar línguas” como batismo ou renovação não requer interpretação (1Co 14.27,28). Embora muitas vezes sejam tratados como sinônimos, existe uma diferença entre a manifestação da variedade de línguas e o falar em línguas estranhas. A distinção fundamental começa em suas origens divinas: enquanto o batismo com o Espírito Santo é uma promessa realizada pelo Senhor Jesus Cristo, a variedade de línguas é classificada como um dom espiritual distribuído e concedido diretamente pelo Espírito Santo aos crentes. Por enquanto, vamos ficar com essa breve distinção e focar na evidência inicial do Batismo no Espírito Santo. Segundo Stamps (1995, p. 1631), “falar noutras línguas como sinal do batismo no Espírito Santo é uma expressão verbal inspirada, mediante a qual o espírito do crente e o Espírito Santo se unem no louvor e/ou profecia em uma língua nunca aprendida”. À luz das Escrituras, o pentecostalismo clássico entende que o “falar em línguas” como evidência inicial do batismo no Espírito Santo difere do “dom de línguas”. Este último obedece à orientação paulina que requer interpretação para a edificação da Igreja (1Co 14.27), porém o “falar línguas” como batismo no Espírito Santo é compreendido como o agir de Deus que visa à edificação pessoal do crente, e nesse caso não se requer interpretação nem mesmo repreensão (Horton, 1997, p. 476). As línguas como evidência no Pentecostes. No dia do Pentecostes, cerca de 120 irmãos falaram noutras línguas conforme o Espírito Santo lhes concedia (At 2.4). As línguas como evidência na casa de Cornélio. A multidão presente na casa do centurião recebeu o batismo no Espírito Santo durante a ministração do Evangelho pelo apóstolo Pedro (At 10.44). O fato de terem recebido o dom do Espírito, manifesto no falar noutras línguas (At 10.46) foi o sinal exterior que surpreendeu os companheiros circuncisos de Pedro e resultou em sua ordem de batizar os gentios convertidos (Menzies, 2002, p. 158). As línguas como evidência em Samaria. Filipe evangelizou Samaria e muitos dos samaritanos creram (At 8.5-8). Os convertidos batizados nas águas ainda não tinham recebido o revestimento de poder (At 8.16). Pedro e João foram enviados para orar pelos samaritanos (At 8.14-15) e eles receberam o Espírito Santo (At 8.17), e, conforme anota Henry (2008, vol. 1, p. 84), está implícito no texto que falaram em línguas como sinal exterior. As línguas como evidência em Éfeso. Ao chegar em Éfeso, Paulo encontrou um grupo de doze irmãos já convertidos que ainda não tinham recebido o Espírito Santo (At 19.2). Durante a oração do apóstolo, “veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas” (At 19.6). Acerca desse episódio, Arrington (2003, p. 739) anota que “o batismo com o Espírito é subsequente e distinto da conversão segundo a teologia de Lucas e Paulo”. As línguas como evidência em Damasco. Após a conversão, Paulo recebeu a visita de Ananias, que tinha a incumbência de orar para que ele recuperasse a vista e fosse cheio do Espírito Santo (At 9.17). Embora Lucas não registre que a experiência foi acompanhada de línguas, Paulo assegurava que falava noutras línguas (1Co 12.10,11; 14.18). Nessa perspectiva, Arrington (2003, p. 675) é categórico em dizer que “certamente sua experiência com o Espírito Santo em Damasco incluiu falar em línguas”. O sinal como evidência do batismo no Espírito Santo. Reiteramos que não obstante esse ponto ser alvo de controvérsia até mesmo entre alguns poucos grupos pentecostais, a visão bíblica sobre o assunto nos parece clara. Como afirma taxativamente a Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p. 167) “o derramamento do Espírito veio com um sinal específico, o falar em línguas (At 2.4). Essa experiência repete-se na vida da Igreja (At 10.46; 19.6). Isso porque a experiência pentecostal não ficou restrita ao dia de Pentecostes; ela acontece no cotidiano da Igreja de Cristo na terra ao longo dos séculos, conforme a promessa divina (At 2.39)”. Verifique o aprendizado de seu aluno (ponto 2):
1. Quais foram os dois sinais sobrenaturais que marcaram a descida do Espírito no Pentecostes?
2. Por que esses sinais não se repetem em todo batismo no Espírito Santo?
3. Qual é a diferença entre o falar em línguas como evidência inicial e o dom de variedades de línguas?





3. A CONTINUIDADE DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
Pergunta chave: Como essa promessa permanece válida hoje?
Ideia central do ponto: A promessa do Espírito Santo não ficou restrita ao Pentecostes, mas se estende a todos os crentes de todas as épocas, e o Espírito distribui dons diversos com o propósito de edificar a Igreja. Verdade central: O dom do Espírito Santo é estendido aos crentes de todas as épocas. Em algumas ocasiões, o batismo no Espírito precedeu o batismo nas águas; em outras, ocorreu após o batismo nas águas. Trata-se de uma experiência distinta do novo nascimento.
Para refletir: Tenho ensinado a outros crentes que o batismo no Espírito Santo é uma promessa disponível para eles também?
A LIÇÃO DIZ: Na casa de Cornélio, a regeneração ocorreu pela fé em Cristo, e o batismo no Espírito Santo precedeu o batismo em águas (At 10.44-46). Em Samaria e Éfeso, foi derramado após o batismo nas águas At 8.15,16; 19.2,6). Esse revestimento de poder é algo distinto do novo nascimento. O Batismo no Espírito Santo é a externalização de uma experiência reconhecível, audível e visível. Sendo uma experiência subsequente à salvação e completamente diferente ato da regeneração ou novo nascimento (Jo 20.21,22; 1Co 3.16; 6.19; 2Co 6.16; Gl 4.6). Não se trata de um modismo religioso, mas do cumprimento de uma promessa feita pelo Pai (Jl 2.28; At 1.4), ratificada pelo Filho (Mt 3.11) e manifestada pelo Espírito Santo, o Consolador prometido (At 2.1-4). De acordo com o Dicionário Aulete, “distinto” é aquilo que não se confunde com outro; algo diverso, diferente. O Batismo no Espírito Santo, portanto, não deve ser confundido com a regeneração. A esse respeito, algumas evidências bíblicas devem ser consideradas: (1) Os cento e vinte discípulos reunidos no cenáculo já eram salvos quando receberam o Batismo no Espírito. Entre eles estavam os apóstolos, os primeiros seguidores de Jesus, Maria e os irmãos do Senhor (At 1.13-14). Não estavam ali aguardando a salvação, mas sim a promessa do revestimento poderoso e capacitador do Espírito.
(2) Os samaritanos, conforme Atos 8.12 e 14, já haviam crido nas boas-novas de Cristo e sido batizados. No entanto, ainda não haviam recebido o Batismo no Espírito (At 8.16). Por isso, Pedro e João oraram e impuseram as mãos para que recebessem o Espírito Santo (At 8.17).
(3) De modo semelhante, os discípulos em Éfeso, relatados em Atos 19.1-6, experimentaram esse mesmo padrão.
(4) O próprio Jesus, segundo Atos 10.38, foi ungido com o Espírito Santo não para regeneração, pois era sem pecado, mas para cumprir sua missão messiânica com autoridade e poder.
3.2 O Espírito opera com diversidade e unidade.
Verdade central: Há diversidade de dons, ministérios e operações, mas o Espírito é o mesmo. O Espírito distribui os dons, o Filho dirige os ministérios e o Pai opera os resultados. Essa pluralidade indica a riqueza da Igreja, que é o Corpo de Cristo.
Para refletir: Tenho valorizado a diversidade de dons na Igreja, ou tenho desprezado aqueles que são diferentes do meu?
A LIÇÃO DIZ: A Trindade inteira participa: o Espírito distribui os dons (1Co 12.4), o Filho dirige os ministérios (1Co 12.5) e o Pai opera os resultados (1Co 12.6). Essa pluralidade indica a riqueza da Igreja. Paulo ensina que a diversidade de dons na igreja tem origem no próprio Deus triúno. Portanto, a variedade de manifestações espirituais não é sinal de confusão, e sim expressão da ação harmoniosa do Pai, do Filho e do
Espírito Santo para o bem comum da igreja.Os dons, quer ministeriais, ou espirituais, são distribuídos diretamente pela Trindade Divina. Diz Paulo que o Pai, o Filho e o Espírito Santo operam conjuntamente no exercício desses dons. Vejamos o que diz 1Coríntios 12.4-6: É o Espírito Santo quem CONCEDE os dons – “Ora há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (v. 4); É o Filho quem DISTRIBUI os dons – “E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (v. 5); É o Pai quem OPERA os dons – “E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (v. 6).“Dons Espirituais são meios pelos quais o Espírito Santo revela o poder e a sabedoria de Deus através de
instrumentos humanos […] (1Co 12.7,11)” (BERGSTÉN, 2007, p. 102). “Os dons do Espírito devem distinguirse do dom do Espírito. Os primeiros descrevem as capacidades sobrenaturais concedidas pelo Espírito para ministérios especiais; o segundo refere-se à concessão do Espírito aos crentes conforme ministrado pelo Cristo que ascendeu aos céus (At 2.33)” (PEARLMAN, 2010, p. 319). Em resumo: “É uma operação especial e
sobrenatural do Espírito Santo por meio do crente”. Vale ressaltar que os dons são do Espírito Santo e não daqueles através dos quais eles operam […] e, através deles, o Espírito opera em quem quer, como quer, quando quer e onde quer, com a finalidade precípua de edificar a Igreja, o corpo vivo de Cristo (SILVA, 1996, p. 89). Há pelo menos quatro posições em relação aos dons dentro da igreja:
1. Os cessacionistas. São aqueles que crêem que os dons de sinais registrados em 1Coríntios 12 foram restritos ao tempo dos apóstolos. Para os cessacionistas esses dons não são contemporâneos nem estão
mais disponíveis na igreja contemporânea.
2. Os ignorantes. São aqueles que não conhecem nada sobre os dons. Paulo orienta os coríntios para não serem ignorantes com respeito aos dons espirituais. Havia gente na igreja que ignorava esse assunto, e por isso, não podia utilizar a riqueza dessa provisão divina para a igreja.
3. Os medrosos. São aqueles que têm medo dos dons. Aqueles que têm medo dos excessos. Medo de cair em extremos. O medo leva essas pessoas a enterrar os seus dons e não utilizá-los para a glória de Deus nem para a edificação do corpo.
4. Os que creem na contemporaneidade. São aqueles que creem que os mesmos dons espirituais concedidos pelo Espírito Santo no passado estão disponíveis para a igreja atualmente.
3.3 O Espírito distribui dons com propósito.
Verdade central: Os dons espirituais são distribuídos pelo Espírito com propósito específico: para o que for útil, para a edificação da Igreja e para a glorificação de Cristo. Eles não são para ostentação pessoal.
Para refletir: Tenho exercitado o dom que recebi com humildade e amor, visando a edificação da Igreja, ou tenho negligenciado ou
me vangloriado dele?
A LIÇÃO DIZ: Os dons (gr. charísmata) não são para ostentação pessoal, mas para o serviço do Reino (1Pe 4.10), edificação da Igreja (1Co 14.12) e glorificação de Cristo (1Co 12.3). O Espírito os distribui com propósito: “para o que for útil” (1Co 12.7); e os reparte soberanamente: “a cada um como quer” (1Co 12.11). Os dons são “graças espirituais” concedidas e controladas pelo Espírito (Rm 12.6-8). A finalidade específica dos dons nos protege de dois perigos espirituais: a soberba, que transforma o dom em motivo de vanglória (Fp 2.3), e a negligência, que enterra o dom e impede seu uso (Mt 25.25). A Bíblia ensina que os dons espirituais devem ser tratados com seriedade, reverência e entendimento. Em
primeiro lugar, Paulo afirma que não devemos ser ignorantes quanto a esse assunto (1Co 12.1), porque os dons fazem parte da vida da igreja e precisam ser compreendidos à luz da Palavra. Além disso, a própria Escritura nos orienta a procurar os dons, isto é, a desejar e buscar aquilo que edifica o Corpo de Cristo (1Co 12.31; 14.1). Contudo, essa busca não significa controle humano sobre os dons, pois eles pertencem ao Espírito Santo, e a sua manifestação não acontece pela vontade do crente, como se fosse um recurso pessoal, mas pela ação soberana de Deus, que opera tudo em todos (1Co 12.6). Por isso, o Espírito Santo distribui a cada um como quer (1Co 12.11), de modo que a escolha e a concessão dos dons dependem da vontade divina, e não da preferência humana. Ao mesmo tempo, a Bíblia também mostra que a maturidade de uma igreja não depende, necessariamente, da abundância de manifestações espirituais, porque uma comunidade pode ter dons e, ainda assim, apresentar imaturidade carnal, como aconteceu em Corinto (Mt 7.20; 1Co 1.7; 3.1-4). Dessa forma, os dons não foram dados para promover prestígio individual, mas para o bem da igreja, visando a edificação comum (1Co 12.7-11). Além disso, embora sejam importantes, os dons não substituem as Escrituras, porque a revelação bíblica continua sendo o fundamento normativo da fé e da prática cristã, e até mesmo as manifestações espirituais devem ser avaliadas com discernimento (2Pd 1.20,21; 2Tm 3.16,17; 1Co 14.29). Finalmente, quando um dom espiritual se manifesta na vida do crente, a glória jamais deve ser atribuída ao instrumento humano, mas somente ao Senhor, que é a fonte de todo poder e de toda graça (At 4.9,10).
Analisemos, à luz das Escrituras, os propósitos dos dons espirituais:
1. Promover a edificação da Igreja, o Corpo de Cristo (1Co 12.12-27; 1Co 14.4,5,12);
2. Fortalecer e aperfeiçoar os crentes para o serviço cristão (1Co 14.12,26; Ef 4.11-12);
3. Capacitar o crente a testemunhar de Cristo com poder e sabedoria (At 6.8-10; 1Co 2.4,5);
4. Habilitar a Igreja na evangelização e na conquista de vidas para Cristo (At 8.5-8; At 9.32-42);
5. Conduzir tudo à glorificação do Senhor Jesus (1Co 12.3);
6. Confirmar a Palavra de Deus por meio da ação do Espírito (Mc 16.17-20; Hb 2.3-4);
7. Favorecer o crescimento da obra de Deus, em qualidade e em quantidade (At 6.7; At 9.31; At 19.20; Rm15.19);
8. Contribuir para a unidade da fé e para o conhecimento de Jesus Cristo (Ef 4.13,15; 2Pd 3.18);
9. Levar os crentes à maturidade cristã (Ef 4.13-14);
10. Tornar cada crente útil e fiel no serviço cristão (1Co 12.7; Ef 4.12; 1Pd 4.10).
Verifique o aprendizado de seu aluno (ponto 3):
1. Por que o batismo no Espírito Santo é considerado uma experiência distinta do novo nascimento?
2. Qual é o propósito específico dos dons espirituais segundo 1 Coríntios 12.7 ?
3. Quais são os dois perigos espirituais que devemos evitar em relação aos dons?

CONCLUSÃO
O Espírito Santo é o capacitador divino prometido a todos os que creem em Jesus Cristo. Desde o Pentecostes até aos dias atuais, sua promessa permanece vigente e atua continuamente na vida da Igreja. A promessa do derramamento, proferida pelo profeta Joel e cumprida historicamente no dia de Pentecostes, não ficou restrita àquele evento singular, mas se estende a todos os crentes de todas as gerações e épocas. Por meio dessa experiência de revestimento de poder, o Espírito Santo capacita os crentes com dons específicos e diversos, visando à edificação do Corpo de Cristo, o testemunho ousado do Evangelho e à expansão do Reino de Deus na terra. Contudo, é fundamental compreender que não devemos confundir o sinal com o propósito. O falar em outras línguas constitui a evidência física inicial do batismo no Espírito Santo, porém o propósito maior, conforme está evidenciado em Atos 1.8, é capacitar o crente para proclamar a Palavra de Deus com ousadia, autoridade e eficácia. Os dons espirituais, igualmente distribuídos pelo Espírito com soberania, servem para a glorificação de Cristo, a edificação da Igreja e o fortalecimento do testemunho cristão no mundo. Portanto, todo crente regenerado é chamado a buscar continuamente a plenitude do Espírito Santo, vivendo sob sua direção e usando seus dons com humildade, responsabilidade e compromisso com a missão redentora de Deus.
REFERÊNCIAS
PAMPLONA, Pedro. Como Deus é um e três ao mesmo tempo? Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2023.
LETHAM, Robert. A Trindade: na Escritura, história, teologia e adoração. São Paulo: Vida Nova, 2022.
FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007. p. 155-197. HORTON, Stanley M. (ed.). Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD,
1996. p. 157-187. Santo Agostinho. A Trindade. São Paulo: Paulus, 1994. ERCKSON, Millard J. Teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015. RYLE, J. C. (John Charles). Meditações no Evangelho de João. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018. GRUDEM. Wayne, Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva. São Paulo: Vida Nova. 1999.









