24 de junho de 2026 00:57

Explodiu: Flávio Bolsonaro bate-boca com jornalista do Estadão após artigo sobre escândalo Master

 Acuado pelo avanço das investigações e pela devastação de sua imagem pública, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a compostura nas redes sociais neste domingo (21) e bateu boca publicamente com a veterana jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista da Globo. A explosão do parlamentar reflete o desespero de quem vê se fechar sobre si uma atmosfera de suspeitas em torno do caso Master, justamente no momento em que ele tenta se viabilizar como pré-candidato à Presidência da República.

  O estopim para o descontrole de Flávio foi a publicação de um artigo de Cantanhêde no Estadão, neste domingo, cujo título tocou na ferida mais exposta do clã bolsonarista: “Caso Master: Não está faltando alguém nas buscas da PF e do STF?”. No texto, a jornalista vocalizou o questionamento que hoje ecoa nos corredores do Judiciário e da política nacional: por qual razão o senador fluminense continua blindado pelo ministro André Mendonça, do STF, enquanto o escândalo acumula provas contundentes contra ele?

A reação do filho 01 de Jair Bolsonaro foi imediata e agressiva. Flávio utilizou seu perfil na rede social X (antigo Twitter) para atacar diretamente a publicação oficial do jornal. Em tom ríspido, ele escreveu: “Porque o investimento privado feito em um filme privado e sem contrapartida pública é tão legal quanto o feito em publicidade no Estadão. Não há absolutamente nada de errado. Pelo seu raciocínio, deveria haver busca e apreensão em cima dos donos Estadão (com o que eu não concordo). Porém, contudo, todavia, o Lula baiano é acusado de CORRUPÇÃO!!! Ou seja, por mais que você torça contra mim, possibilidade de crime só há na relação do líder do governo e fiel escudeiro de Lula com o Augusto Lima e o Master, e não no caso do filme”

Cerco se fecha: As mentiras que desabaram neste domingo

Para compreender a fúria do parlamentar, é preciso contextualizar o inferno astral que ele enfrenta. O domingo já havia amanhecido tenso para Flávio após uma revelação bombástica do jornal O Globo. O colunista Lauro Jardim trouxe a público a informação de que o senador mentiu reiteradamente sobre a cronologia de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do esquema de fraudes financeiras do Banco Master.

A defesa do senador vinha sustentando que o único contato presencial relevante havia ocorrido no final de novembro de 2025, na residência de Vorcaro em São Paulo, para supostamente “dar um ponto final” nas negociações de patrocínio para o filme Dark Horse. No entanto, Jardim revelou que os dois já se reuniam secretamente a sós desde o primeiro semestre do ano passado, em uma mansão alugada pelo banqueiro em Brasília.

Essa nova peça do quebra-cabeça destrói a narrativa anterior de Flávio, que no início do escândalo chegou a afirmar que sequer conhecia o empresário. Posteriormente, quando confrontado com o fato de seu contato estar no celular de Vorcaro, alegou que seu número “não era segredo para ninguém” na capital federal. A máscara caiu em definitivo quando o portal The Intercept Brasil divulgou mensagens onde o senador tratava o magnata criminoso pelo apelido íntimo de “irmãozão”. Mais do que a proximidade, as investigações apontam que Flávio tentou levar R$ 134 milhões do banqueiro, tendo conseguido efetivamente abocanhar R$ 61 milhões em depósitos no exterior. A desfaçatez da relação ficou nítida quando descobriu-se que o parlamentar viajou a São Paulo para visitar o aliado quando este já utilizava tornozeleira eletrônica e cumpria medidas cautelares.

Estratégia frustrada de cortina de fumaça

Antes de explodir contra Eliane Cantanhêde, Flávio Bolsonaro gastou precioso capital político nos últimos dias tentando empurrar o foco do escândalo para o campo adversário. O senador e seus aliados lideraram uma ofensiva para inflar as suspeitas que pesam sobre o senador baiano Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, também citado em desdobramentos do caso.

A estratégia de criar uma cortina de fumaça partidária, contudo, redundou em um retumbante fracasso. A opinião pública e a imprensa profissional não morderam a isca. Embora o envolvimento de figuras governistas seja alvo de apuração, a gravidade e a especificidade das cifras que envolvem Flávio, os R$ 134 milhões exigidos e os R$ 61 milhões recebidos de forma nebulosa de um banqueiro sob investigação, mantiveram o filho do ex-presidente firmemente fincado nas manchetes policiais. Ao perceber que não conseguiria usar Jaques Wagner como escudo humano, o nervosismo do senador transbordou.

Sob os refletores: A incômoda blindagem de André Mendonça

O ponto nevrálgico do artigo de Cantanhêde, e que gerou o curto-circuito em Flávio, é a crescente e insustentável pressão das redes sociais e de setores jurídicos sobre o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal.

A omissão de Mendonça em autorizar mandados de busca e apreensão ou a abertura formal de um inquérito específico contra Flávio Bolsonaro já começou a “pegar mal” institucionalmente. Nos bastidores do Judiciário, avalia-se que a postura do magistrado, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro sob a alcunha de “terrivelmente evangélico”, configura uma linha clara de proteção política a um aliado ideológico extremista. Diante de um conjunto de provas tão robusto e de sucessivas mentiras desmascaradas, a inércia do relator começa a constranger o próprio Supremo.

Ao atacar a imprensa e tentar equiparar uma transação comercial legítima (como a venda de publicidade de um jornal) a repasses milionários e secretos de um banqueiro fraudador, Flávio Bolsonaro sinaliza que perdeu os argumentos técnicos. O tom beligerante adotado no X é o último recurso de quem sabe que, caso a blindagem de André Mendonça sofra qualquer fissura nos próximos dias, a pré-candidatura presidencial será o menor dos seus problemas.

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Master e Digimais: como Paulo Guedes e Campos Neto, no ex-governo Bolsonaro, promoveram a farra financeira da Faria Lima

   O escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, revelados na Compliance Zero, e a Operação Miragem sobre o Digimais, de Edir Macedo, revelam os efeitos colaterais de um modelo de desregulamentação financeira iniciada no governo golpista de Miche Temer (MDB) e levada às últimas consequências pelo “super” ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do “autônomo” Banco Central Roberto Campos Neto no ex-governo Jair Bolsonaro (PL).

  Vendida como “modernização” do sistema financeiro – mesma alcunha agora propalada por Flávio Bolsonaro para seduzir a Faria Lima -, as resoluções e medidas de Guedes e Campos Neto abriram caminho para um ecossistema de fintechs, bancos digitais e operações financeiras que Sob o governo Lula estão no centro de investigações da Polícia Federal.

  Durante anos, Paulo Guedes e Roberto Campos Neto venderam ao mercado a ideia de que o Brasil precisava romper o suposto oligopólio bancário para estimular a concorrência, democratizar o crédito e acelerar a inovação financeira. Sob esse discurso, foram criadas condições para a explosão de fintechs, bancos digitais, plataformas de crédito e estruturas financeiras que passaram a disputar espaço com as instituições tradicionais.

  O problema é que, enquanto a Faria Lima festejava a abertura, a fiscalização parecia perder capacidade de acompanhar a velocidade das transformações. Diante das investigações que alcançam Master e Digimais, emerge uma questão inevitável: os potenciais crimes identificados pela Polícia Federal são resultado de casos isolados ou revelam fragilidades de um modelo regulatório concebido justamente para flexibilizar barreiras e acelerar a expansão do setor financeiro?

  A resposta começa antes mesmo da chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Governo Temer: a origem

  A origem da atual arquitetura financeira remonta ao governo Michel Temer (MDB). Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução 4.656, criando as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs).

  À primeira vista, tratava-se de uma medida técnica destinada a estimular a inovação. Na prática, inaugurava uma ruptura histórica. Pela primeira vez, empresas não bancárias poderiam conceder crédito diretamente ao público sem a necessidade de se transformarem em bancos convencionais.

  A medida foi recebida com entusiasmo pela Faria Lima. O argumento era simples: mais concorrência reduziria juros e ampliaria o acesso ao crédito.

  Mas, a resolução também marcou o início de um processo de fragmentação do sistema financeiro. Novos agentes passaram a operar em um ambiente regulatório significativamente mais leve do que aquele imposto aos grandes bancos, enquanto o Estado apostava que a supervisão baseada em risco seria suficiente para acompanhar a expansão do setor.

  Bolsonaro: o financismo como política de Estado

 Quando Roberto Campos Neto assumiu um “autônomo” Banco Central, em 2019, esse processo foi acelerado e transformou o financismo em política de Estado.

 Diferentemente de seus antecessores, que viam a estabilidade financeira como prioridade absoluta, Campos Neto passou a tratar inovação e concorrência como objetivos centrais da autoridade monetária. A partir daquele momento, o BC deixou de atuar apenas como fiscalizador para assumir também o papel de indutor da expansão do mercado financeiro.

 Em 2020 veio o Sandbox Regulatório, mecanismo que permitiu a empresas selecionadas testar produtos e modelos de negócios sob regras diferenciadas de supervisão.

 A iniciativa era inspirada em experiências internacionais e apresentada como ferramenta de modernização. Mas também representava uma mudança de paradigma: o foco deixava de ser a prevenção de riscos para privilegiar a experimentação e o crescimento.

 O passo seguinte foi ainda mais ambicioso. Em 2021 entrou em operação o Open Banking, posteriormente ampliado para Open Finance.

 O sistema obrigou instituições financeiras a compartilhar dados de clientes, permitindo a integração de bancos, fintechs, plataformas de crédito e empresas de tecnologia em uma mesma rede. A Faria Lima, mais uma vez, comemorou.

 Campos Neto celebrou com Guedes a “modernização” no mercado brasileiro. No entanto, pouco se discutiu sobre os desafios de supervisão que surgiam a partir da criação de um ecossistema financeiro cada vez mais complexo, pulverizado e interconectado.

“Terceirização” e Farra no mercado financeiro

Foi nesse ambiente que prosperou o modelo conhecido como Banking as a Service (BaaS). Empresas sem tradição bancária passaram a oferecer contas, cartões, empréstimos e serviços financeiros utilizando a estrutura de instituições parceiras, em uma espécie de “terceirização”, a reboque do que acontece em outros setores, como o do trabalho, com o avanço do ultraliberalismo.

A fronteira entre banco, fintech, empresa de tecnologia e plataforma financeira tornou-se cada vez mais difusa. O sistema cresceu. A fiscalização, não necessariamente.

Paralelamente, a aprovação da Lei Complementar 182, o chamado Marco Legal das Startups, e da autonomia formal do Banco Central consolidou a visão de que a expansão do mercado financeiro deveria ocorrer com o mínimo de interferência estatal possível.

As propostas estão no cerne do “pensamento” de Paulo Guedes, um entusiasta do neoliberalismo, alçado em 2018 pela mídia liberal e Faria Liberal como “o posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro, uma espécie de oráculo que colocaria uma mordaço no confesso ignorante em Economia que seria colocado no Planalto após a prisão de Lula por outro “super” ministro, Sergio Moro, hoje candidato do clã ao governo do Paraná.

O resultado foi a criação de um ambiente altamente favorável à entrada de forasteiros no mercado financeiro, à circulação de grandes volumes de recursos e ao surgimento de estruturas cada vez mais sofisticadas, que dificultavam a fiscalização.

A brecha permitiu que o “empresário” Daniel Vorcaro e o “bispo” Edir Macedo se tornassem banqueiros, conseguindo do BC de Campos Neto o aval para operacionalizar o Master, em 2019, e o Digimais, em 2020.

O caso Master

É nesse contexto que o Banco Master se torna símbolo da nova era financeira brasileira.

Sob o comando de Daniel Vorcaro, a instituição viveu uma expansão meteórica justamente durante o período em que Roberto Campos Neto conduzia a agenda de abertura do setor. O banco ampliou operações, passou a ocupar espaço crescente no mercado de capitais e construiu uma rede complexa de fundos, empresas e ativos financeiros que chamava atenção pela velocidade de crescimento. Agora, a PF investiga suspeitas envolvendo operações estruturadas, movimentação de ativos, créditos de difícil recuperação e mecanismos financeiros que, segundo as apurações, podem ter servido para ocultar a origem de recursos e mascarar operações patrimoniais. Relatórios de inteligência financeira analisados pelos investigadores também apontam suspeitas de conexões entre estruturas examinadas na operação e recursos associados a facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital, o PCC. O aspecto mais perturbador do caso não é apenas o volume dos recursos investigados. É o fato de que o crescimento ocorreu dentro do sistema financeiro formal, sob supervisão estatal, em um ambiente que celebrava justamente a capacidade dessas instituições de desafiar os grandes bancos tradicionais.

Digimais: o novo Master

O Digimais surge agora como um novo capítulo dessa história. Ligado ao grupo empresarial de Edir Macedo, que comanda o Republicanos de Tarcísio Gomes de Freitas e um dos principais apoiadores de Bolsonaro durante seu governo, o banco digital prosperou no mesmo ciclo de expansão das fintechs e das instituições financeiras digitais. Na operação desta terça-feira (23), a PF investiga suspeitas de fraudes no Sistema Financeiro Nacional, com bloqueio autorizado de até R$ 670,3 milhões em bens e valores ligados aos investigados. O modus operandi é semelhante ao do Master, com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI. Além disso, o banco presidido pelo bispo João Urbaneja, braço direito de Macedo, lucrou com empréstimos consignados a servidores, como os policiais militares de São Paulo estimulados pelo governo Tarcísio a se endividarem com o banco ligado à Igreja Universal, que também promove cultos para dar “assistência espiritual” aos PMs. As apurações ainda estão em estágio inicial, mas o simples fato de mais uma instituição criada e fortalecida nesse ambiente regulatório aparecer no radar das autoridades amplia os questionamentos sobre a eficácia do modelo adotado entre 2019 e 2024.

Um modelo estruturado para crimes no sistema financeiro

Não se trata de atribuir a Paulo Guedes ou Roberto Campos Neto responsabilidade por eventuais irregularidades investigadas pela Polícia Federal. A questão é mais profunda. Foi sob a condução deles que o Brasil trocou um sistema concentrado, fortemente supervisionado e dominado por poucos bancos por um ecossistema financeiro pulverizado, interligado e orientado pela lógica da expansão acelerada.

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Os defensores dessa agenda afirmam que ela trouxe concorrência, inovação e inclusão financeira. Os fatos parecem confirmar isso.

Mas as investigações sobre Master e Digimais levantam outra possibilidade: a de que o mesmo processo que ampliou a competição também criou brechas para operações cada vez mais difíceis de monitorar, permitindo que estruturas financeiras crescessem em velocidade superior à capacidade de fiscalização do Estado. O caso da Clava Fort, ligada ao pastor André Valadão e construído sob a mesma lógica de financeirização que marcou os anos Bolsonaro, aparece como evidência adicional desse fenômeno. Embora tenha dimensão incomparavelmente menor que Master e Digimais, sua trajetória reforça a percepção de que a abertura promovida pelo Banco Central alcançou setores religiosos, políticos e empresariais que passaram a operar estruturas financeiras próprias em um ambiente de supervisão cada vez mais desafiador.

Vista em perspectiva histórica, a questão que emerge das investigações não diz respeito apenas ao futuro de Daniel Vorcaro ou de Edir Macedo.

O que está em julgamento é o próprio modelo de modernização financeira concebido a partir do governo Temer e levado ao limite por Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Se as suspeitas investigadas pela Polícia Federal forem confirmadas, Master e Digimais poderão entrar para a história não apenas como escândalos financeiros, mas como os casos que expuseram as fragilidades de uma arquitetura regulatória neoliberal construída para acelerar a expansão do mercado e que, na prática, abriu brecha para a farra das organizações criminosas dentro do sistema financeiro.

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O escândalo: Master ou bolsonarista?

 O caso Banco Master explodiu como um escândalo financeiro de proporções nacionais: liquidação de instituições do conglomerado, suspeitas de fraude bilionária, prisão de Daniel Vorcaro e a revelação de que Flávio Bolsonaro buscava um financiamento privado de US$ 24 milhões para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Segundo a Reuters, o Banco Master teria colapsado em meio a uma investigação de fraude multibilionária; o Financial Times falou em colapso bancário de US$ 10 bilhões e suspeitas de fraude de US$ 2,3 bilhões. Flávio admitiu a tratativa, mas afirmou que se tratava de contrato privado legítimo, sem contrapartida ilícita. Mas o Master talvez seja apenas a face bancária mais recente de uma engrenagem política muito mais ampla. A pergunta jornalística relevante não é apenas “quanto custou o Master?”, mas quanto custou — em dinheiro público, captura institucional, emendas, favores, bens apropriados, estruturas paralelas, campanhas de desinformação e aparelhamento do Estado — o ciclo político que se organizou em torno do bolsonarismo.

As rachadinhas: o gabinete como unidade econômica

A conta documentável começa antes do Palácio do Planalto, no Rio de Janeiro. O caso das “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro, embora encerrado judicialmente após anulações de provas e rejeição da denúncia, deixou uma cifra pública: segundo a Reuters, a denúncia do MP-RJ atribuiu a Flávio participação em esquema de desvio de salários de assessores na Alerj e falava em R$ 6,1 milhões desviados; já o Coaf apontou movimentações atípicas de Fabrício Queiroz, incluindo valores que chegaram a R$ 7 milhões em determinado recorte temporal, segundo reportagens da época. O processo não resultou em condenação, e a defesa sempre negou irregularidades, mas o caso permanece como marco inaugural da suspeita de uma economia política familiar estruturada a partir de gabinete, assessores, dinheiro vivo e intermediações. (Reuters)

O fato jurídico de não haver condenação não elimina o fato político de que o caso revelou um padrão de assessorias, dinheiro vivo, familiares de policiais, operadores de confiança e movimentações financeiras incompatíveis com a normalidade administrativa. (Agência BrasilFabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e antigo amigo da família Bolsonaro, tornou-se personagem-síntese desse sistema. Ele fazia a ponte entre gabinete parlamentar, mundo policial e relações pessoais da família. O caso terminou sem condenação contra Flávio, mas sua força histórica está em ter revelado a anatomia inicial de um método: política como fonte de renda privada, gabinete como caixa informal, fidelidade pessoal como mecanismo de blindagem.

O patrimônio imobiliário: a pedagogia do dinheiro vivo

O primeiro capítulo é patrimonial. Levantamento do UOL apontou que Jair Bolsonaro e familiares próximos adquiriram 107 imóveis ao longo de três décadas, sendo 51 pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo. Segundo a reportagem, o valor corrigido dessas transações em espécie se aproximava de R$ 26 milhões. O levantamento considerou imóveis de Jair Bolsonaro, filhos, mãe, irmãos e ex-mulheres. (UOL Notícias).

Dinheiro vivo não é crime por si só. Compra de imóvel em espécie também não constitui, automaticamente, lavagem de dinheiro. Mas, em uma família que fez carreira na política profissional, com renda pública conhecida, o padrão chama atenção por três razões: primeiro, pela quantidade; segundo, pela recorrência; terceiro, pela coincidência com outros casos envolvendo assessores, movimentações atípicas e suspeitas de retenção de salários em gabinetes parlamentares. A pergunta contábil é simples: qual a origem econômica de tanto numerário? Salários parlamentares explicam patrimônio declarado, mas não necessariamente explicam preferência reiterada por espécie, circulação informal e aquisição pulverizada por vários membros da família.

Essa é a primeira camada da contabilidade bolsonarista: antes da Presidência, antes do orçamento secreto, antes do Master, havia um padrão patrimonial a ser explicado.

A vaquinha do Pix: militância como fluxo financeiro privado

O terceiro capítulo é digital. Em 2023, Jair Bolsonaro recebeu R$ 17,2 milhões via Pix, segundo relatório do Coaf divulgado pela imprensa e confirmado por veículos públicos. O dinheiro teria vindo de apoiadores, em campanha organizada para pagar multas impostas ao ex-presidente. O Coaf classificou as movimentações como atípicas e apontou suspeita de possível lavagem de dinheiro, inclusive porque parte dos recursos teria sido direcionada a aplicações financeiras. (Agência Brasil)

Aqui está uma mutação importante: a velha política do dinheiro vivo se converteu em política de multidão digital. O mecanismo já não depende apenas de gabinete e assessor. Ele passa a operar por Pix, vaquinha, campanha emocional, perseguição imaginária e fidelização militante. O líder transforma multas, condenações, bloqueios ou derrotas judiciais em ativo político e financeiro. Também houve fraudes paralelas explorando a imagem de Bolsonaro e de aliados. A Reuters checou vídeos manipulados por inteligência artificial que simulavam Bolsonaro e Nikolas Ferreira pedindo doações para ato político, caso que ambos negaram e classificaram como falso. Isso mostra que a economia digital bolsonarista produziu não apenas arrecadação política real, mas também um ambiente propício a golpes, vaquinhas apócrifas e exploração financeira da fé militante. (Reuters)

O ponto político é grave: o bolsonarismo criou uma base emocional monetizável. A militância não é apenas eleitorado; é público consumidor, doador, replicador, financiador e blindagem social.

Joias, exterior e lavagem simbólica do poder

Há o capítulo internacional dessa história. No caso das joias sauditas, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e outros investigados por suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os presentes oficiais tinham valor estimado em cerca de US$ 1,2 milhão, e parte deles teria sido levada ao exterior ou ter sua venda tentada. A defesa de Bolsonaro nega crime e sustenta que não houve apropriação ilícita. (STF) Esse caso é pequeno se comparado ao orçamento secreto, mas enorme em significado político. Ele mostra a passagem do presente de Estado para a esfera privada; do bem público para o circuito familiar; do símbolo diplomático para o ativo monetizável. O relógio, a joia, a caneta e o objeto de luxo funcionam como metáfora perfeita: o Estado tratado como extensão do patrimônio pessoal.

Sobre fundos no exterior, a cautela é necessária. Há informações públicas sobre offshores e contas externas de integrantes relevantes do governo Bolsonaro, como Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, reveladas no contexto dos Pandora Papers, mas isso não equivale, por si só, a afirmar que a família Bolsonaro possuía offshore própria. (Agência Pública). O que existe, no caso recente do Master, é a menção jornalística a estruturas externas e fundos associados ao financiamento do filme Dark Horse, incluindo referência ao Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, apontado por veículos brasileiros como possível foco de apuração envolvendo Banco Master, Vorcaro e o entorno bolsonarista. Essa linha ainda exige investigação formal robusta. Não se deve tratá-la como prova de crime consumado, mas como indício jornalístico relevante dentro do circuito internacional de financiamento político-cultural. (tvtnews.com.br)

Orçamento secreto: a corrupção legalizada pela opacidade

No governo federal, a escala muda. O chamado orçamento secreto, formalizado pelas emendas de relator RP9, atingiu cifras incompatíveis com a narrativa de um governo “anticorrupção”. O STF declarou o mecanismo inconstitucional e registrou que, em 2022, o uso dessas emendas chegou a R$ 16,5 bilhões, com R$ 19,4 bilhões reservados para 2023 antes da derrubada do modelo. O Senado apontou que, só naquele orçamento, metade dos R$ 19,4 bilhões ficava concentrada em cinco ministérios, sobretudo Desenvolvimento Regional, Saúde e Cidadania. (Notícias STF) Se tomada a série política do orçamento secreto, a conta sobe ainda mais: levantamentos públicos apontaram cerca de R$ 46,2 bilhões autorizados entre 2020 e 2022 em emendas RP9. (CUT – Central Única dos Trabalhadores) Nem todo real do orçamento secreto é corrupção comprovada. Mas todo real alocado sem transparência suficiente é potencial instrumento de captura política. O orçamento secreto foi o casamento entre Bolsonaro e o Centrão: o presidente entregava o cofre; o Congresso entregava blindagem. A moral anticorrupção morreu ali, não por escândalo de mala de dinheiro, mas por arquitetura institucional.

Foi a corrupção convertida em método de governabilidade.

A pandemia como mercado de oportunidade: Covaxin e Ministério da Saúde

A pandemia abriu outra frente. No caso Covaxin, a CPI da Covid investigou a contratação de 20 milhões de doses por R$ 1,6 bilhão, com suspeitas de sobrepreço, pressão interna no Ministério da Saúde e intermediação privada. O contrato não foi pago, mas chegou a ser firmado e empenhado, e o Senado registrou que a CPI apontou crimes atribuídos a Bolsonaro, ministros, ex-ministros, parlamentares e empresários. Aqui, a cifra não é prejuízo final consolidado, mas valor sob risco em uma operação pública suspeita. (Senado Federal)

O bolsonarismo tratou a pandemia em duas frentes: ideologicamente, como guerra cultural contra ciência, máscara, vacina e isolamento; administrativamente, como campo de negócios, compras emergenciais, intermediários e contratos bilionários.

Mesmo quando o prejuízo não se consuma, a tentativa já revela o método.

A Abin paralela: Estado, espionagem e proteção familiar

Tem-se, também, a Abin paralela. A Polícia Federal apontou o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar adversários, autoridades e produzir informações de interesse político.O sistema FirstMile, citado nas investigações, custou cerca de R$ 5,727 milhões. Carlos Bolsonaro e Alexandre Ramagem foram indiciados em inquérito relacionado ao caso, segundo a Agência Brasil. (Agência Brasil) Aqui a conta não é apenas financeira. É institucional. O prejuízo está no uso de aparato de Estado como extensão da trincheira familiar. Quando inteligência pública vira ferramenta privada, a democracia deixa de ser regime e passa a ser alvo.

Milícia, Rio de Janeiro e o caso Marielle

Dentre todos os capítulos, este é o mais sensível: a relação histórica do bolsonarismo com o ambiente policial-miliciano do Rio de Janeiro.

Não há condenação de Jair Bolsonaro no caso Marielle. A investigação avançou contra Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, condenados como executores, e contra os irmãos Brazão e outros acusados como mandantes ou articuladores, em processo que expôs a ligação entre política, milícia, especulação imobiliária e violência no Rio. (Reuters)

Mas também é fato público que o caso Marielle tangenciou o universo bolsonarista por diversas coincidências e proximidades: Ronnie Lessa morava no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro; Élcio de Queiroz apareceu em registros de entrada no condomínio; houve depoimento de porteiro mencionando a casa de Bolsonaro, depois relativizado ou desmentido por perícias e novas declarações; e integrantes do entorno bolsonarista mantinham relações antigas com policiais, ex-policiais e personagens do mundo da segurança pública carioca e, até mesmo, o criminoso Adriano da Nóbrega foi homenageado por Flávio em 2003 e 2005 e defendido também em 2005 por Jair Bolsonaro, da tribuna da Câmara Federal, elemento este ligado ao assassinato de Marielle. (Senado)

O ponto não é afirmar que Bolsonaro mandou matar Marielle. Isso não está demonstrado nos autos conhecidos. O ponto é outro: a ascensão bolsonarista no Rio se deu no mesmo ecossistema em que milícia, polícia, política local, controle territorial e negócios imobiliários passaram a se confundir. Marielle foi assassinada porque enfrentava exatamente essa zona de poder: a interseção entre violência armada, loteamento urbano, captura institucional e política de extermínio.

Bolsonaro não precisa ser autor do crime para ser politicamente representativo desse ambiente. O bolsonarismo é a ideologia que naturalizou o braço armado, glamourizou a violência policial, homenageou torturadores, relativizou milicianos e transformou a política da morte em identidade eleitoral.

Empresariado, Faria Lima e extrema direita como investimento

Por fim, tem-se o capítulo empresarial. É preciso distinguir três níveis: apoio ideológico, financiamento político lícito e participação em ilícitos. Empresas como Havan, Riachuelo, Ypê ou empresários individualmente identificados no campo bolsonarista podem ser mencionados quando houver fatos públicos: apoio declarado, participação em atos, doações legais, ações judiciais, investigações administrativas ou financiamento de campanhas. Mas não se pode afirmar, sem prova, que uma empresa compõe organização criminosa apenas por seu alinhamento ideológico.

O que se pode afirmar, com segurança política, é que parte do empresariado brasileiro aderiu ao bolsonarismo porque viu nele uma promessa de desregulação trabalhista, redução de custos, enfraquecimento sindical, privatização, guerra cultural contra a esquerda e Estado capturado por interesses privados. A Faria Lima não aderiu ao bolsonarismo apesar de sua brutalidade; aderiu porque a brutalidade vinha embalada em agenda econômica conveniente.

Paulo Guedes simbolizou esse pacto: liberalismo para os pobres, orçamento secreto para o Centrão, Banco Central independente para o mercado, precarização para o trabalhador e tolerância com o autoritarismo enquanto a Bolsa reagisse bem.

A soma possível

A conta documentável, sem exagero, já é gigantesca:

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A soma bruta dessas rubricas ultrapassa, com folga, dezenas de bilhões de reais, mas seria metodologicamente errado tratar tudo como “dinheiro roubado”. A conta correta é outra: trata-se de um mapa de exposição patrimonial, institucional e política. Nele, há valores efetivamente contratados, valores empenhados, valores sob suspeita, valores de bens públicos, valores de financiamento privado politicamente sensível e valores de estruturas estatais utilizadas fora de sua finalidade republicana.

É aqui que a comparação com o Master se torna insuficiente. O Master é um escândalo financeiro. O bolsonarismo, em sua versão estatal, parlamentar, digital, familiar e empresarial, aparece nos documentos públicos como algo mais extenso: um ecossistema de poder, onde o Master está no seu interior, e não é um caso à parte. Ele combinou orçamento opaco, base parlamentar fisiológica, redes digitais, operadores privados, militares, policiais, empresários simpáticos ao projeto político, agentes públicos e estruturas paralelas de informação.

Isso não autoriza, sem prova, colocar toda empresa apoiadora, todo empresário de direita, todo partido aliado ou todo prefeito bolsonarista dentro de uma organização criminosa.

Mas a prudência jurídica não diminui a gravidade política. Ao contrário: ela torna a crítica mais forte. A contabilidade do bolsonarismo não depende de exagero. Seus números documentados já bastam para mostrar que o discurso “anticorrupção” conviveu com a maior experiência recente de orçamento opaco do país, com suspeitas em compras bilionárias na saúde, com joias oficiais desviadas para circuito privado, com espionagem estatal clandestina, com condenação por tentativa de golpe e, por fim, é partícipe do caso Master. O escândalo Master pode ter revelado uma conexão tardia entre banco, cinema, campanha e família. Mas a conta maior é anterior e estrutural. Ela está no uso da política como negócio, do Estado como bunker, do orçamento como moeda de fidelização e da máquina pública como instrumento de blindagem familiar e guerra contra adversários. O desafio da imprensa, do Ministério Público, do Congresso e do Judiciário é não reduzir o problema ao personagem Vorcaro. O Master pode ser a porta de entrada. A pergunta maior é se, por trás dele, reaparece a mesma lógica: dinheiro privado, influência pública, opacidade, lealdade política e captura institucional.

‘Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro deveriam dar entrevista à PF’, diz Lindbergh (vídeo)

 247 – O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou da extrema direita brasileira nesta segunda-feira (25), pela rede social X, antigo Twitter, após o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, confirmar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, recorreu ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o objetivo de conseguir financiamento para o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista à Globo News, o dirigente do PL fez a confirmação após o site The Intercept Brasil revelar, no último dia 13, que o parlamentar da extrema direita negociou diretamente com o ex-banqueiro um valor de R$ 134 milhões para ser investido no longa. Do total, 61 milhões teriam sido repassados.

“Essa gente tem que dar entrevista para a Polícia Federal”, escreveu Lindbergh. “Valdemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro deveriam dar entrevista todo dia, quanto mais eles falam, mais se enrolam. Valdemar entregou o filhote de presidiário”, acrescentou.Atualmente, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro está preso no Distrito Federal após ser alvo da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões em nível nacional.

Leia mais…

Entenda quem são A Turma e Os Meninos associados a pai de Vorcaro.

  A Polícia Federal afirma ter identificado 2 núcleos ligados às investigações do caso Banco Master: A Turma e Os Meninos. Os grupos são citados na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a 6ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta 5ª feira (14.mai.2026). Segundo a PF, os núcleos tinham funções diferentes, mas atuavam de forma coordenada. A Turma era voltada a intimidações presenciais, monitoramento de alvos e obtenção ilegal de informações sigilosas. Os Meninos era o braço digital, responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas de derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal.

O QUE ERA A TURMA A Turma é descrita pela PF como o braço presencial e policial-informacional da estrutura investigada. De acordo com a corporação, o grupo atuava com ameaças, intimidações presenciais, levantamentos clandestinos, monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais. A investigação afirma que o núcleo contava com policiais federais da ativa e aposentados, operadores do jogo do bicho e outros colaboradores usados para pressionar adversários e críticos ligados ao caso Banco Master. O policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva é descrito como líder operacional da estrutura. Já Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, é descrito pela PF como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do grupo Segundo a investigação, Henrique solicitava serviços, financiava a estrutura e mantinha contato frequente com integrantes do grupo mesmo depois das primeiras fases da operação Compliance Zero. A decisão reproduz mensagem atribuída a ele em que afirma: “no momento em que estou é que preciso de vocês”. Para a PF, a frase indica continuidade da relação com o grupo investigado. A corporação também afirma que conversas interceptadas mencionam repasses de R$ 400 mil e negociações envolvendo pagamentos de até R$ 800 mil para manutenção das atividades da estrutura. 

O QUE ERAM OS MENINOS Os Meninos é apontado pela PF como o núcleo hacker da organização investigada. Segundo a corporação, o grupo era especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais, monitoramento telefônico e digital ilegal e ocultação de provas eletrônicas.

A PF aponta David Henrique Alves como líder do grupo. Segundo a investigação, ele coordenava operadores com perfil hacker e recebia pagamentos mensais para executar ações digitais ligadas aos interesses da organização. Também são citados como integrantes do núcleo Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos. Ambos são investigados por apoio técnico e operacional ao grupo, incluindo aquisição de domínios na internet, movimentação de equipamentos e suporte técnico. Segundo a decisão, o núcleo atuava para monitorar reputações on-line, derrubar perfis críticos e realizar ações clandestinas no ambiente digital.

DIFERENÇA ENTRE OS GRUPOS Na avaliação da PF, os 2 núcleos tinham funções complementares. A Turma atuava no campo presencial e de acesso a informações reservadas. O grupo é associado a ameaças, intimidações, monitoramento físico de alvos e consultas indevidas a sistemas públicos. Os Meninos operava na frente digital. A investigação liga o núcleo a ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis, monitoramento digital e tentativa de ocultação de provas eletrônicas. Segundo a PF, os grupos atuavam para atender interesses ligados ao caso Banco Master e ao núcleo central da organização investigada….

POLICIAIS INVESTIGADOS A decisão também cita a participação de agentes públicos. O agente da PF Anderson Wander da Silva Lima é investigado por realizar consultas indevidas em sistemas internos da corporação e repassar informações sigilosas ao grupo.Já a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva são investigados por acesso irregular ao sistema e-Pol para compartilhamento de dados reservados. Segundo a investigação, o grupo buscava informações estratégicas sobre apurações em andamento envolvendo integrantes da organização e pessoas ligadas ao caso Banco Master.

Eis os crimes apontados pela PF: organização criminosa; ameaça; corrupção; lavagem de dinheiro; invasão de dispositivos informáticos; violação de sigilo funcional.  A 6ª fase da operação Compliance Zero resultou na prisão de Henrique Moura Vorcaro e de outros investigados identificados como integrantes de “A Turma” e “Os Meninos”. 

DIÁLOGO INVESTIGADO Em um dos trechos citados pela investigação, Henrique afirma: “No momento em que estou é que preciso de vocês”. Para a PF, a mensagem demonstra que ele continuava recorrendo ao grupo mesmo depois das primeiras fases ostensivas da operação.Outro diálogo reproduzido na decisão trata de pagamentos para manutenção da estrutura investigada. Segundo o documento, Marilson Roseno da Silva, indicado como líder operacional de A Turma, pediu que Henrique não o deixasse “à deriva” e afirmou estar “segurando uma manada de búfalo”.

  Na sequência, Henrique responde que receberia recursos “na 5ª ou 6ª feira” e que faria o envio de “400”. Em seguida, Marilson afirma que o ideal seria o repasse de “800k”. Segundo a PF, as conversas indicam que Henrique participava diretamente da sustentação financeira da estrutura criminosa investigada.

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STF forma maioria e condena três deputados do PL por corrupção

247 – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta terça-feira (17) para condenar três parlamentares do PL por corrupção passiva em um caso que apura desvios na destinação de emendas parlamentares. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo, que acompanhou o julgamento.

Até o momento, votaram pela condenação os ministros Cristiano Zanin, relator do processo, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Ainda falta o voto de Flávio Dino. O colegiado também decidiu, por ora, afastar a acusação de organização criminosa por falta de provas suficientes.Os votos proferidos até aqui atingem os deputados Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, além do suplente Bosco Costa. Também são réus no processo Thalles Andrade Costa, João Batista Magalhães, Adones Gomes Martins, Abraão Nunes Martins Neto e Antônio José Silva Rocha.Em seu voto, Zanin afirmou haver “provas robustas” de que o grupo solicitava propina equivalente a 25% do valor de emendas destinadas ao município de São José de Ribamar. O ministro ressaltou que, ao contrário do que alegaram as defesas, não se tratava de articulação política.“Na verdade, aqui não se buscava provavelmente uma convergência política, mas, sim, como ficou demonstrado, o recebimento de vantagens indevidas como contrapartida à destinação de valores federais. E da mesma forma, o fato de um dos parlamentares ser de outro estado também não afasta aqui a alegação da PGR, porque na verdade ele não estava fazendo uma ação política, mas sim uma ação criminosa que buscava o recebimento de vantagens indevidas”, afirmou.

Ao acompanhar o relator, Moraes declarou não haver dúvidas quanto à participação dos acusados na prática de corrupção passiva. “Os autos também comprovam que os próprios deputados assumiram o protagonismo da solicitação”, disse o ministro, destacando ainda o papel de liderança de Maranhãozinho no esquema.

“Há inúmeros diálogos que [mostram que] o deputado federal Josimar foi não apenas um dos autores dos pedidos de valores, mas também coordenou pedido dessa natureza com pastor Gil e Bosco. E cito aqui os diálogos. A situação narrada também encontra correspondência em anotações encontradas pela PF da contabilidade da propina”, acrescentou.A ministra Cármen Lúcia também acompanhou o entendimento da maioria e enfatizou que, no caso, não há controvérsia sobre a legalidade da indicação das emendas, mas sim sobre o uso ilícito dos recursos.“Para a configuração de materialidade, para o meu entendimento, não há nenhum relevo identificar o modelo de indicação dessas emendas. Temos aqui a indicação de maneira lícita, mas com a finalidade absolutamente criminosa, que é promover essa ciranda”, afirmou.Ela também descreveu o modo de atuação do grupo: “Um grupo de pessoas que reunidas, ainda que não de forma organizada para configuração de organização criminosa, mas que atuam numa composição criminosa impressionante. Sabe-se onde ir, a quem solicitar”.

A análise do caso teve início na semana passada, com as sustentações orais da Procuradoria-Geral da República e das defesas. Segundo a denúncia, o esquema buscava extorquir a prefeitura de São José de Ribamar para que parte dos recursos enviados por meio de emendas fosse devolvida aos parlamentares.O subprocurador-geral Paulo Jacobina afirmou que os elementos colhidos na investigação sustentam a acusação. “Os documentos apreendidos na investigação corroboram a acusação de que os réus constituíram organização voltada à destinação de emendas parlamentares em troca de propina”, disse.

De acordo com a acusação, o esquema teria operado entre 2019 e 2021, com participação de assessores e intermediários responsáveis por cobrar valores de gestores municipais. Os investigadores estimam que mais de R$ 1,6 milhão em propina tenham sido movimentados.As apurações também apontam que a cobrança de vantagens indevidas era feita com apoio do agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan, que atuaria na abordagem de prefeituras. O desvio ocorreria por meio de contratos com empresas de fachada, com repasses posteriores aos parlamentares e comissões destinadas aos intermediários.As defesas dos acusados contestaram as conclusões da acusação. O advogado Felipe Fernandes de Carvalho, que representa Maranhãozinho, afirmou que não há provas de solicitação de propina. “A situação probatória atual é menos clara do que a existente no momento da denúncia”, declarou.Já o advogado Maurício de Oliveira, defensor de Pastor Gil, alegou irregularidades na produção de provas. Segundo ele, houve quebra da cadeia de custódia e “manipulação inequívoca” dos elementos reunidos, além de insuficiência de atuação da acusação durante a instrução.

Na mesma linha, o advogado Leandro Raca, que atua na defesa de Bosco Costa, afirmou que a Procuradoria-Geral da República não conseguiu comprovar a prática criminosa. “Não há nenhum ato de solicitação [de propina] praticado pelo deputado, nem elemento de prova que indique seu conhecimento quanto a solicitações imputadas a terceiros”, disse.

O julgamento será concluído após o voto do ministro Flávio Dino. Além das condenações, a PGR também pediu a perda dos mandatos e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.

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PF flagra suplente de Alcolumbre sacando R$ 350 mil em dinheiro vivo

247 – A Polícia Federal registrou o momento em que o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), deixou uma agência bancária carregando R$ 350 mil em dinheiro vivo no Amapá. O episódio faz parte de um relatório de monitoramento produzido durante uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no estado, informa o jornal O Globo. De acordo com o relatório da PF, agentes passaram a acompanhar os passos do empresário após um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras consideradas atípicas, com sucessivos saques em espécie realizados pouco tempo depois do recebimento de recursos oriundos de contratos públicos. Segundo os investigadores, o padrão das retiradas pode indicar indícios de lavagem de dinheiro.

Saques monitorados pela Polícia Federal

As apurações apontam que as empresas ligadas a Breno Chaves Pinto realizaram retiradas em dinheiro que, somadas, ultrapassam R$ 3 milhões. Em relatório, a PF afirma que as movimentações ocorreram em datas próximas a pagamentos de contratos públicos firmados com o DNIT no Amapá.

“As investigações financeiras demonstraram vultosos e sucessivos saques em espécie, que ultrapassam R$ 3 milhões, das contas de suas empresas, em datas próximas a pagamentos de contratos públicos, configurando indícios de lavagem de capitais”, registra o documento da Polícia Federal.Os investigadores também suspeitam que o empresário teria papel central em um esquema que envolveria manipulação de licitações do DNIT. Conforme o inquérito, ele atuaria como líder de um dos núcleos da organização investigada, exercendo influência sobre a superintendência do órgão no estado.Segundo a PF, Chaves Pinto teria “exercido forte ingerência institucional no DNIT/AP, valendo-se de sua condição de suplente de senador da República para praticar, em tese, o crime de tráfico de influência”.

Episódio do saque de R$ 350 mil

Um dos episódios detalhados no relatório ocorreu em 7 de novembro de 2024, em uma agência bancária no município de Santana (AP), localizado a cerca de 20 quilômetros de Macapá. Alertados de que o empresário havia solicitado a retirada de R$ 350 mil em espécie, agentes da PF se posicionaram nas proximidades da agência para monitorar a movimentação. De acordo com o documento, Breno Chaves Pinto chegou ao local às 13h14, no banco do passageiro de uma SUV branca. Ele entrou na agência com uma mochila azul e permaneceu no interior do estabelecimento por aproximadamente meia hora. Ao sair, retornou ao mesmo veículo, que aguardava do lado de fora, e seguiu em direção à sede de uma de suas empresas.

A Polícia Federal identificou que o automóvel utilizado estava registrado em nome da empresa Lojas 2A Ltda., que comercializa produtos importados em Macapá. A companhia pertence a Alberto Brasil Alcolumbre e André Luiz Brasil Alcolumbre, primos de primeiro grau do presidente do Senado.

Questionamentos sobre veículo

Em nota enviada posteriormente, a assessoria de Davi Alcolumbre informou que o veículo registrado em nome da empresa dos primos foi vendido oficialmente para Breno Chaves Pinto em julho de 2025, cerca de nove meses após o episódio monitorado pela PF.Já André Alcolumbre afirmou que a venda teria ocorrido ainda em 2022 e que o pagamento foi recebido regularmente. Segundo ele, a transferência da propriedade não foi formalizada na época por “erro material”.Pela legislação brasileira de trânsito, o comprador tem prazo de até 30 dias para registrar a transferência do veículo no órgão competente.

Defesa do empresário

Procurado pela reportagem, Breno Chaves Pinto declarou que as retiradas em dinheiro estariam relacionadas a pagamentos operacionais de sua empresa.“O presente processo tramita sob segredo de Justiça, razão por que as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos, em estrita observância às determinações legais”, afirmou o empresário em nota.

O senador Davi Alcolumbre também se manifestou e declarou que “não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente”.

Suspeitas de fraude em licitações

A investigação da Polícia Federal aponta a existência de um grupo que teria atuado para fraudar o caráter competitivo de licitações realizadas pela superintendência do DNIT no Amapá. Os contratos sob análise somam cerca de R$ 60,2 milhões e envolvem obras de manutenção e recuperação de trechos da BR-156.

Segundo decisão da Justiça Federal que autorizou diligências, foram identificadas conversas e troca de documentos entre representantes de empresas e dirigentes do órgão antes mesmo da publicação dos editais, o que pode indicar direcionamento dos processos licitatórios.Uma das mensagens interceptadas mostra o então superintendente regional do DNIT agradecendo ao suplente de Alcolumbre pelo aumento de recursos destinados ao órgão. Em outro diálogo citado no processo, ele solicita que o empresário peça ao senador que pressione o governo pela liberação de pagamentos.

“Solicita a Breno que fale com o senador Davi Alcolumbre para postar uma foto, e para ‘dar uma pressão no governo para liberar nossos empenhos’”, registra trecho da investigação.

Impacto nas obras da BR-156

Auditorias da Controladoria-Geral da União identificaram lentidão na execução das obras vinculadas aos contratos investigados, além de possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos. A BR-156 é a principal rodovia do Amapá, com aproximadamente 823 quilômetros de extensão entre Laranjal do Jari e Oiapoque. Problemas na manutenção da estrada têm impacto direto na mobilidade e no acesso da população a serviços essenciais no estado. O DNIT informou, em nota divulgada na época da operação policial, que colabora com as investigações e que suas instâncias internas de integridade analisam os fatos para eventual adoção de medidas administrativas. O órgão declarou ainda que “repudia qualquer prática fraudulenta ou ato de corrupção”.

Histórico de investigação

Breno Chaves Pinto já havia sido alvo de outra operação da Polícia Federal em dezembro de 2022. Na ocasião, agentes apreenderam cerca de R$ 800 mil em dinheiro vivo na sede de uma de suas empresas, durante investigação relacionada às mesmas obras rodoviárias no Amapá.

Segundo a PF, a apuração começou a partir de um inquérito que investigava inserção de informações falsas no sistema do Ibama para viabilizar a movimentação de créditos florestais associados à comercialização de madeira ilegal. No decorrer da investigação, foram identificados indícios de superfaturamento de aproximadamente R$ 6,1 milhões em obras executadas pela empresa do empresário. Ele é investigado pelos crimes de organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. À época, o empresário declarou que a Justiça autorizou a devolução dos bens apreendidos e afirmou que a suspeita relacionada à compra de madeira irregular teria ocorrido por erro na destinação do material.

O avanço das investigações da Polícia Federal ocorre em meio a um ambiente de tensão política em Brasília. Nas últimas semanas, Davi Alcolumbre manifestou a interlocutores insatisfação com operações policiais no Amapá que atingem pessoas ligadas ao seu entorno político.

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Prefeito de Macapá, Dr. Furlan, e vice são afastados do cargo após operação

      O STF afastou do cargo nesta quarta-feira (4) o prefeito de Macapá (AP), Antônio Furlan, conhecido como Dr Furlan (PSD), e seu vice, suspeitos de fraudes na construção do Hospital Geral do município.

Os dois são alvos da segunda fase da operação Paroxismo, da Polícia Federal.

A PF quer aprofundar as investigações que apuram um possível esquema de fraude à licitação no âmbito de contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saúde de Macapá. A decisão é do STF por envolver emendas parlamentares no hospital. De acordo com as investigações, há indícios da existência de um esquema criminoso, envolvendo agentes públicos e empresários, voltado ao direcionamento da licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no projeto de engenharia e execução das obras do Hospital Geral Municipal da cidade. Estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá/AP, Belém/PA e Natal/RN, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, que determinou ainda o
afastamento dos servidores públicos dos seus cargos pelo período inicial de 60 dias.

Em janeiro, a CNN revelou a investigação da PF contra o prefeito e saques em agências bancárias do motorista de Furlan.

PEC da Segurança avança na Câmara e prevê redução da maioridade penal; governo reage

247 – A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira (4), em comissão especial, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, considerada uma das principais apostas do governo federal para reformular o enfrentamento ao crime organizado no país. As informações foram divulgadas pelo g1. Após passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta entra agora na segunda etapa de tramitação. Se for aprovada na comissão especial, seguirá para o plenário da Câmara, onde precisará do apoio mínimo de 308 deputados em dois turnos de votação. Depois, ainda será analisada pelo Senado Federal.O texto é relatado pelo deputado Mendonça Filho (União-PE), que sinalizou ajustes pontuais na redação, sem alterações substanciais no conteúdo já apresentado.Redução da maioridade penal é principal ponto de tensão
O trecho mais controverso da proposta trata da redução da maioridade penal para crimes cometidos com violência ou grave ameaça. Pela nova redação, adolescentes a partir de 16 anos poderão responder penalmente por esse tipo de delito. Atualmente, a responsabilização penal plena ocorre apenas a partir dos 18 anos. O relator defende a mudança como resposta ao avanço da criminalidade violenta. “É inadmissível que adolescentes completamente conscientes de suas ações sigam sem receber sanções penais adequadas à gravidade de suas ações criminosas”, afirmou.O texto estabelece que o cumprimento da pena deverá ocorrer em estabelecimento separado dos maiores de 18 anos. A medida, no entanto, só poderá entrar em vigor após aprovação em referendo previsto para coincidir com as eleições municipais de 2028.

O governo federal tentou retirar esse ponto da PEC, argumentando que o dispositivo não foi aprovado na CCJ. Mendonça Filho, contudo, manteve a proposta. “É algo que dá uma outra garantia. Agora, não dá pra viver em sociedade onde reina a impunidade de crimes violentos praticados por jovens em todo o país e que praticamente saem impunes”, declarou.

Endurecimento contra organizações criminosas
A PEC também prevê a criação de uma nova seção na Constituição chamada Sistema de Políticas Penais. O texto determina que uma lei futura estabeleça agravantes específicas para integrantes de organizações criminosas de alta periculosidade, com penas mais severas conforme a posição hierárquica dentro dos grupos.Entre as medidas previstas estão:– obrigatoriedade de cumprimento de pena em presídios estaduais ou federais de segurança máxima ou unidades especiais;
– restrição ou proibição de progressão de regime e de liberdade provisória, com ou sem fiança;
– limitação da conversão de pena de prisão em medidas alternativas e da concessão de saída temporária;
– expropriação de bens, direitos e valores ligados às atividades ilícitas.

Suspensão de direitos políticos e novas competências
Outro ponto relevante amplia as hipóteses de suspensão ou perda de direitos políticos. Pela proposta, essa sanção poderá ocorrer não apenas após o trânsito em julgado, mas também durante o período de prisão provisória.

A PEC ainda autoriza a União a legislar de forma concorrente com estados e Distrito Federal sobre segurança pública e defesa social, ampliando sua atuação normativa na área. Também prevê que o Congresso Nacional passe a ter competência exclusiva para suspender atos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A Política Nacional de Inteligência, por sua vez, ficaria sob competência do Presidente da República. Ampliação das atribuições da PF e da PRF
A proposta insere expressamente na Constituição o papel da Polícia Federal no combate a crimes praticados por organizações e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional. Já a Polícia Rodoviária Federal terá suas competências ampliadas para atuar também em hidrovias e ferrovias, além das rodovias federais.Segundo o relator, “Tais ajustes atendem à demanda por um Estado mais presente e assertivo em rotas territoriais críticas, especialmente em áreas de fronteira, hoje exploradas intensamente pelas redes criminosas”. A PEC ainda autoriza a PRF a exercer policiamento ostensivo na proteção de bens e instalações federais, prestar auxílio a estados mediante solicitação de governadores e atuar de forma cooperada em situações de calamidade pública.

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E agora, Nikolas?

  As notícias veiculadas hoje pela imprensa acrescentam uma peça incômoda a um quebra-cabeça que já vinha se formando. O deputado Nikolas Ferreira teria voado, em 2022, em avião do Banco Master para cumprir agenda de campanha de Jair Bolsonaro. O ponto mais grave: o uso dessas aeronaves não teria sido declarado na prestação de contas eleitoral, o que levanta questionamentos adicionais sobre transparência e legalidade. No mesmo ambiente orbitariam lideranças da Igreja Lagoinha ligadas ao pastor Zettel, apontado como grande doador das campanhas bolsonaristas, além de conexões familiares com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

 Não se trata de um detalhe trivial. Em política, deslocamentos, financiamentos e apoios raramente são neutros. Quando um banco envolvido em operações controversas aparece como facilitador logístico de campanhas — e esses apoios sequer constam oficialmente nas contas apresentadas à Justiça Eleitoral —, a pergunta deixa de ser moralista e passa a ser institucional: que relações foram estabelecidas ali? Quem apoiou quem — e por quê? O caso ganha contornos ainda mais delicados quando lembramos o contexto. À frente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, presidente do BACEN indicado por Jair Bolsonaro, tomou decisões que impactaram diretamente o sistema financeiro. No Distrito Federal, Ibaneis Rocha, outro bolsonarista de primeira hora, conduziu o Banco de Brasília (BRB) a negociar a compra de ativos do Master, movimento que gerou questionamentos no mercado. E, durante o governo Bolsonaro, operações envolvendo o banco encontraram ambiente regulatório favorável. Somadas, essas peças compõem um mosaico difícil de ignorar. Não se afirma aqui ilegalidade automática; afirma-se, sim, que há uma rede de interesses que merece plena luz — especialmente quando surgem indícios de benefícios financeiros e materiais não declarados em campanhas eleitorais. É exatamente nesse ponto que a política reage. Vê-se a marcha coordenada para desviar o foco, a blindagem em comissões parlamentares, a súbita mudança de pauta. O tema Banco Master vira assunto lateral, enquanto outras polêmicas são infladas como cortina de fumaça.

A estratégia é conhecida: quando o terreno fica movediço, cria-se ruído. Muda-se o debate. Constrói-se um inimigo externo. Aposta-se na indignação seletiva. O problema é que os fatos teimam em permanecer. A cada revelação, reforça-se a impressão de que não estamos diante de episódios isolados, mas de conexões políticas, financeiras e religiosas que operaram em sintonia. E então a pergunta do título volta com mais força: e agora, Nikolas? O discurso inflamado contra “o sistema” resiste quando surgem indícios de proximidade com engrenagens poderosas do mercado financeiro — e quando o apoio material não aparece formalmente declarado? A retórica antissistema convive bem com voos em jatinhos de banqueiros?

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Valdemar fala de R$ 3 milhões do cunhado de Vorcaro para Bolsonaro e a mídia abafa

  Se fosse uma revelação que envolvesse os inimigos número um do rebanho da mídia, os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, os jornalões e os portais de direita (e até de esquerda) estariam dando todo destaque, mas como o receptador dos recursos é Jair Bolsonaro estão todos inexplicavelmente calados, fingindo-se de mortos, com raríssimas exceções.

No programa Canal Livre de domingo o chefe do PL, Valdemar Costa Neto, declarou: “Ele [Fabiano Zeitel, cunhado de Vorcaro do Banco Master] deu 3 milhões na campanha do Bolsonaro, deu diretamente na conta do Bolsonaro, na conta do partido também entrava dinheiro…”. Fica evidente que há um acerto de mídia (envolvendo Globo, Estadão, Folha, etc.) para ocultar notícias que sejam prejudiciais ao esforço de crescimento da campanha de Flávio Bolsonaro, mesmo quando essas notícias surgem de maneira aberta, “em on”, na boca do próprio dono do partido do bolsonarismo.

A notícia da doação, com todas as digitais suspeitas, passou batido. Nenhum veículo deu as manchetes que, em sua ânsia de atacar o Supremo, reservavam para Toffoli e Moraes. Não deram destaque em suas capas. A maioria simplesmente ignorou também em seu noticiário interno.

Esse será o padrão neste ano de ordem unida para derrotar Lula a qualquer custo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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STF afasta prefeito e vice de Macapá em investigação sobre desvio de emendas

   247 – Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma ampla operação policial que teve como principais alvos o prefeito de Macapá, Antônio Paulo de Oliveira Furlan, e o vice-prefeito da capital do Amapá, Mario Rocha de Matos Neto. A medida incluiu afastamento de funções públicas, quebra de sigilos bancário e fiscal, além de mandados de busca e apreensão no âmbito de uma investigação sobre suposta fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. A decisão integra a Petição 15.427, em tramitação no STF, e foi tomada após representação da Polícia Federal com apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR). O processo examina indícios de irregularidades no uso de transferências federais destinadas ao município de Macapá, conforme consta na decisão judicial assinada por Dino.

Investigação envolve hospital municipal de Macapá

De acordo com a decisão, a investigação se concentra principalmente na licitação destinada à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. O contrato foi firmado com a empresa Santa Rita Engenharia Ltda., com valor de aproximadamente R$ 69,3 milhões.

Segundo a Polícia Federal, existem indícios de que o processo licitatório tenha sido direcionado para favorecer a empresa vencedora. A apuração aponta que o certame teria sido estruturado para aparentar competição, embora diversos participantes não possuíssem capacidade técnica ou apresentassem propostas incompatíveis com o mercado. A perícia mencionada na decisão indica ainda que a proposta apresentada pela empresa vencedora reproduziu integralmente parâmetros do orçamento interno da própria administração municipal, o que levanta suspeitas de acesso prévio a informações sigilosas.

Indícios apontam ligação direta com prefeito

A decisão relata que a investigação identificou movimentações financeiras consideradas atípicas após a celebração do contrato. Entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, os sócios da empresa Santa Rita Engenharia realizaram dezenas de saques em espécie, totalizando cerca de R$ 9,8 milhões. Esses valores teriam sido retirados logo após repasses de recursos públicos ligados ao contrato da obra. Segundo o documento, parte das diligências policiais apontou possível ligação dessas movimentações com pessoas vinculadas ao prefeito de Macapá. A decisão registra, por exemplo, que um veículo Fiat Cronos branco registrado em nome de Antônio Furlan teria sido utilizado em uma das etapas de transporte de valores em espécie observadas pelos investigadores. Também foram identificadas transferências financeiras consideradas suspeitas envolvendo pessoas próximas ao prefeito, incluindo uma transferência de R$ 100 mil para a ex-esposa de Furlan, realizada por um dos sócios da empresa investigada.

Vice-prefeito e outros agentes públicos também são alvo

Além do prefeito, o ministro Flávio Dino determinou o afastamento cautelar do vice-prefeito Mario Rocha de Matos Neto, da secretária municipal de Saúde Erica Aranha de Sousa Aymoré e do presidente da comissão especial de licitação Walmiglisson Ribeiro da Silva.Na decisão, Dino destaca que a permanência dessas autoridades em suas funções poderia representar risco para a investigação. Segundo o ministro, os cargos ocupados pelos investigados poderiam facilitar acesso a documentos, sistemas e dados relevantes para a apuração. A decisão afirma que o conjunto de indícios aponta para a existência de um possível esquema estruturado envolvendo agentes públicos e empresários.

Quebra de sigilos e buscas

Entre as medidas autorizadas pelo STF estão a quebra de sigilos bancário e fiscal de diversos investigados e empresas ligadas ao caso, abrangendo o período entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2026.

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Operação Vassalos: TCU e CGU apontaram irregularidades em contratos ligados aos Coelho, mas PGR foi contra medidas da PF

  O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram uma série de irregularidades em contratos e licitações envolvendo a Liga Engenharia, empresa no centro da Operação Vassalos, deflagrada na quarta-feira (25) pela Polícia Federal contra o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e seus filhos, o deputado federal Fernando Filho e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, ambos filiados ao União Brasil. De acordo com o relatório da PF contido na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, o TCU apontou indícios de formação de cartel com divisão de contratos entre empresas sob responsabilidade da 3ª Superintendência Regional da Codevasf, em Petrolina, incluindo a Liga Engenharia, cujos sócios, também investigados, são parentes da família Coelho. A Codevasf era comandada, à época, por Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva, ex-assessor parlamentar de Fernando Bezerra, indicado por ele para o cargo em 2016. Segundo a Polícia Federal, Aurivalter atuava como o “braço longo” do núcleo político dentro da estatal, recebia determinações dos Coelho e enviava prestações de contas quase semanais ao ex-senador e ao deputado. Mesmo após assumir o cargo público, ele continuava registrado como assessor no escritório do senador em Recife.

  Uma auditoria da CGU realizada em quatro pregões eletrônicos de 2019, que somaram R$ 91,8 milhões, identificou ausência de estudos técnicos preliminares, de memoriais de cálculo e de projeto básico, além de falhas na definição do objeto licitado e na fiscalização das obras.O relatório apontou ainda que, embora os pregões mencionassem 116 municípios como possíveis beneficiários, as vias pavimentadas estavam concentradas quase exclusivamente em Petrolina.A CGU verificou também que a Codevasf não envidou “esforços suficientes para identificar indícios de conluio entre licitantes” nos processos analisados. O órgão observou que uma consulta simples à internet já seria suficiente para revelar que a Liga Engenharia e a Construtora JMT participavam exclusivamente de licitações promovidas pela própria Codevasf — o que, segundo a auditoria, “pode indicar falha nos controles internos das licitações”. Ao final do relatório, a CGU recomendou a elaboração de um plano de ação para mitigar o risco de “pessoalidade e corrupção, devido ao incentivo negativo para que o contratado procure os agentes políticos para concretizar a destinação dos recursos”.

Irregularidade em pregão de 2019

O TCU também identificou irregularidade em um pregão de 2019 no qual a pregoeira Daniela Barbosa de Andrade Rodrigues, também alvo da operação da última quarta, desclassificou 18 empresas sob a alegação de não responderem mensagens no chat do sistema de licitações, prática para a qual, segundo o ministro Benjamin Zymler, não havia “nenhuma motivação ou previsão legal”. De acordo com o TCU, Daniela enviou “mensagens de alerta e intimidação” às outras licitantes durante a sessão pública.

O resultado foi a contratação da Liga Engenharia pelo maior preço entre as 19 propostas apresentadas. Na época, o ministro Zymler registrou: “Percebo uma grande preocupação da responsável em contratar a proposta mais onerosa possível para a Administração, no que de fato logrou êxito.”Uma nova auditoria da CGU, em 2023, apontou falhas de execução em todas as 27 vias inspecionadas em obras da empresa, apenas 18 meses após a conclusão. Foram identificados buracos, fissuras, afundamentos, esfarelamento do pavimento, falhas de drenagem e execução parcial de calçadas.O órgão verificou ainda que as fotografias usadas pelo fiscal do contrato para atestar a qualidade das obras eram fornecidas pela própria empresa contratada, o que, segundo a CGU, “pode indicar que a fiscalização não visitou as obras”.

PGR se opôs a pedidos da investigação

Apesar das conclusões dos órgãos de controle, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pelo indeferimento de todos os pedidos formulados pela Polícia Federal na representação que originou a Petição 10.684, segundo consta da decisão assinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 30 de janeiro de 2026.

A decisão registra que a PGR apresentou manifestação contrária aos pedidos nas folhas 884 a 913 dos autos.

O inquérito de origem, de número 4905, foi instaurado em 28 de junho de 2022, a partir de fatos identificados no curso da Operação Desintegração, uma investigação anterior que apurou o recebimento de vantagens indevidas pelos mesmos parlamentares em contratos vinculados ao Ministério da Integração Nacional, quando Fernando Bezerra Coelho chefiava a pasta.Os autos foram redistribuídos ao gabinete do ministro Flávio Dino em 2024. Desde então, a Polícia Federal reuniu novos elementos e apresentou a representação que embasou os mandados cumpridos na quarta-feira.Ao analisar o pedido, Dino divergiu expressamente da PGR e deferiu as buscas e apreensões, o afastamento do sigilo telefônico dos investigados e o compartilhamento de informações com a CGU e o TCU.O ministro indeferiu, porém, o pedido de interceptação telefônica, por ausência de fundamentação legal no requerimento da Polícia Federal, e as medidas cautelares de suspensão do direito de licitar e de afastamento de servidores da Codevasf, por entender que os elementos apresentados não preenchiam os requisitos legais exigidos.Na decisão, Dino enquadrou os fatos nas hipóteses de peculato, corrupção passiva e ativa, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em licitação ou contrato, supressão fraudulenta de tributos, lavagem de dinheiro e constituição agravada de organização criminosa.

O que dizem os envolvidos

O ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Fernando Filho afirmaram, em nota conjunta, que a Operação Vassalos tem viés político, e que a própria decisão do ministro Flávio Dino reconhece que a PGR se manifestou contra as medidas pedidas pela Polícia Federal, e que parte dos fatos já havia sido objeto de apuração pelo STF, com arquivamento no âmbito do Inquérito 4513. “Por meio da decisão do ministro Flávio Dino, constatou-se que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513). Segundo consta na decisão do ministro, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela Polícia Federal. Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas. Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira”, diz o comunicado.

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Vídeo: PRF apreende R$ 2 milhões em espécie escondidos em carro em SC

   A Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrou mais de R$ 2 milhões em espécie escondidos em um carro nesta quarta-feira (25), na BR-101, em Araquari, no Norte de Santa Catarina.Segundo a corporação, a abordagem ocorreu após a equipe se aproximar do veículo e sentir um “odor característico de maconha”. O dinheiro estava em uma bolsa de viagem e em caixas no porta-malas.  Ao todo, os agentes encontraram R$ 2.000.737,00, divididos em notas de R$ 100, R$ 50 e R$ 20. No console central do veículo, foram encontrados R$ 1.187,00 em espécie.”O motorista, de 43 anos, disse aos policiais que buscou o montante em São Paulo (SP) e tinha como destino um posto de combustíveis em Itajaí. Pelo transporte do valor, ele alegou que receberia R$ 2 mil”, detalhou a PRF. O suspeito pode responder por lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores, segundo a corporação. Ele e o dinheiro foram levados à sede da Polícia Federal (PF) em Joinville, que vai investigar as circunstâncias do crime.
odia.ig.com.br

Fernando Bezerra Coelho: saiba quem é ex-senador alvo de operação contra desvio de emendas parlamentares

  O ex-senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho (MDB) é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga fraudes e desvios de emendas parlamentares. Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão são cumpridos. Também são alvos dois dos filhos dele: Miguel Coelho (União Brasi), ex-prefeito de Petrolina, no Sertão; e Fernando Filho (União Brasil), deputado federal. A ação, denominada Operação Vassalos, investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a prefeitura de Petrolina, onde policiais cumpriram mandados na manhã desta quarta-feira (25). Membro de um dos mais tradicionais clãs políticos de Pernambuco, Fernando Bezerra de Sousa Coelho (FBC) tem longo histórico na política. Nasceu em Petrolina, cidade que governou por três mandados (entre 1993 e 1997 e entre 2001 e 2007). Na vida pública, já atuou em polos opostos do espectro político. Entre 2011 e 2012, foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo Dilma Rousseff (PT) e anos depois, entre 2019 e 2021, líder do governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado.FBC também já foi deputado federal e estadual, bem como senador, último cargo eletivo que disputou, em mandato encerrado em 2023.Em diferentes gestões, ele também já participou do Executivo estadual, e chefiou a Secretaria da Casa Civil, a Secretaria de Agricultura e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico — nesta última, acumulando a função de presidente do Complexo Industrial de Suape.

Ex-senador Fernando Bezerrra Coelho, Miguel Coelho e Fernando Filho — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Reprodução/TV Grande Rio/Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Ex-senador Fernando Bezerrra Coelho, Miguel Coelho e Fernando Filho — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Reprodução/TV Grande Rio/Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Casado com Adriana Coelho (esta, membro da tradicional família pernambucana Souza Leão), FBC teve quatro filhos. Além de Miguel e Fernando Filho, também é pai do deputado estadual Antônio Coelho (União Brasil) e do químico Pedro Coelho, único de seus filhos a não seguir carreira política.Fernando Bezerra Coelho já foi filiado a cinco partidos: PDS, PFL, PMDB, PPS e PSB. Desde 2017, é filiado ao MDB, antigo PMDB. Permaneceu na legenda mesmo após a desfiliação de seus filhos, em 2022.Em 2021, foi indiciado por corrupção pela Polícia Federal, suspeito de ter recebido propina de empreiteiras quando era ministro da Integração Nacional. Segundo as investigações, parte dos pagamentos foram feitos por meio de repasses a concessionárias de veículos pertencentes a pessoas ligadas ao então senador.Em 2021, a Procuradoria-Geral da República defendeu no STF o arquivamento do inquérito. Na época, ele era líder do governo Bolsonaro. Sede da prefeitura de Petrolina é alvo de mandado de busca e apreensãoA Operação Vassalos foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco e na Bahia, além de São Paulo, Goiás e Distrito Federal.A ação apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo verba de emendas parlamentares destinadas a municípios. Imagens obtidas pelo g1 mostram o momento em que viaturas da PF chegam à prefeitura, no Centro da cidade (veja vídeo acima).De acordo com a PF, uma organização criminosa desviava verba de emendas por meio do direcionamento de licitações para empresa uma vinculada ao grupo.Os valores desviados, segundo a investigação, eram eram encaminhados para o pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.Procurada, a defesa de Fernando Bezerra Coelho e de seus filhos, Fernando Filho e Miguel Coelho, afirmou que ainda “não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino” e que “os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares”. Disse, ainda, que irá se manifestar após o acesso aos autos.A prefeitura, por meio da Procuradoria Geral do município, informou que também não teve acesso à decisão do STF e que “os mandados não apresentaram as justificativas para as ações da Polícia Federal”.

g1.globo

Minas tem rombo de R$ 11,3 bilhões no caixa no último ano do governo de Romeu Zema

   O governador Romeu Zema (Novo) encerrará o seu mandato à frente do governo de Minas Gerais com o Executivo tendo um déficit da ordem de R$ 11,3 bilhões. O valor diz respeito ao total de recursos não vinculados, ou seja, que não recebem uma destinação legal para aplicação em áreas específicas. O valor consta no Relatório de Gestão Fiscal (RGF), enviado ao Tesouro Nacional, com um raio-x consolidado da situação financeira do estado em 2025. O material indica que o estado terá dificuldades para arcar com dívidas de outros anos e firmar compromissos neste ano. De acordo com o relatório, Minas soma R$ 3,7 bilhões em restos a pagar empenhados, mas que não foram liquidados em 2025. Ao Tesouro, o estado informou uma despesa líquida com pessoal de R$ 53,8 bilhões. O valor deixa Minas no limite prudencial e próximo ao máximo permitido, de 49%, em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). O percentual apurado do estado foi de 48,22%.

A dívida pública líquida apurada pelo estado foi de R$ 187,1 bilhões. Somente à União, o governo mineiro deve R$ 179,3 bilhões, saldo que foi confessado no ato de adesão ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) em 31 de dezembro de 2025. A entrada no programa, inclusive, é tratada por Zema como alternativa para amortizar o endividamento junto à União. A amortização será feita em 360 parcelas. 

De acordo com matéria do Estadão, o rombo apresentado em Minas Gerais é o maior entre os estados brasileiros que finalizam 2025 com as contas no vermelho. Também estão nesta condição Rio Grande do Norte, Alagoas, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre – todos com saldo devedor menor que o apresentado pela gestão Zema.

Pedra no sapato

A indisponibilidade de recursos acima de R$ 11 bilhões, que representa pouco menos da metade dos R$ 24 bilhões em isenções fiscais que Zema incluiu no orçamento de 2026, pode dificultar os meses finais da gestão do governador e de seu vice, Mateus Simões (PSD). Zema deixará o estado no final de março para se dedicar à campanha presidencial, e a cadeira será assumida por Simões, pré-candidato ao governo.  No entanto, em anos eleitorais, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe o Executivo de aumentar despesas com pessoal nos últimos 180 dias de mandato. Além disso, a partir de maio, é proibido assumir novas despesas sem a garantia de pagamento até o final do ano ou de que haverá recursos em caixa para cumprimento das obrigações a partir do ano que vem. Na aprovação do orçamento para 2026, o governo já havia informado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um déficit de R$ 5,21 bilhões. A proposta aprovada pelos deputados estima receita de R$ 127,1 bilhões e despesa de R$ 132,3 bilhões em 2026. 

Funcionalismo critica governador

O ex-presidente e atual diretor do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG), Matias Bakir, disse que a situação fiscal apresentada no relatório poderia ser ainda mais deteriorada. Ele citou que nos últimos anos o estado só reajustou os salários dos servidores conforme a inflação em 2023. “Esse rombo ainda é pouco, porque é um governo que não cumpre com as suas obrigações com o funcionalismo. Ele financia o governo em cima dos servidores públicos”, disse Bakir. A tese é corroborada pelo diretor político do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Minas Gerais (Sindpúblicos-MG), Geraldo Henrique. Ele lembrou que o funcionalismo ficou sem reajustes de 2013 até 2022, quando Zema concedeu 10,6% de aumento em concordância com a inflação de 2021.

“Daí pra frente, o Zema não pagou a inflação de 2022 que foi 5,7%, não pagou 2024 que ficou em torno de 4,8% e não pagou a inflação do ano passado de quase 5%. E ele prometeu na campanha de 2022 que a partir do segundo mandato ele pagaria o reajuste da inflação aos servidores todos os anos, assim como as empresas da família dele faziam com todos os trabalhadores”, lembrou Geraldo.  Segundo o diretor do Sindpúblicos, há uma insatisfação enorme da categoria com o governador. “Imagine só: você monta uma empresa, coloca os trabalhadores para produzir, a empresa cresce, mas você não dá aos trabalhadores os direitos que eles têm. É óbvio que você terá um ganho bem acima do que imaginou, porque não está repartindo com a massa de produção”, criticou. “Ele paga o 13º salário, anuncia o pagamento todo quinto dia útil, e acha que pagando de forma congelada o salário está fazendo um papelão”, acrescentou. 

Isenções na mira 

Para Matias Bakir, do Sindifisco, outro ponto de crítica ao governo de Romeu Zema é o volume de isenções fiscais cedidas a empresas, na casa dos R$ 24 bilhões neste ano. A listagem das organizações beneficiadas é mantida em sigilo pelo Executivo. “É uma transferência literal do recurso público para a iniciativa privada. Se você concede benefício fiscal a uma empresa para incentivar a indústria, você tem que ter o controle da indústria para ser se ela vai cumprir aquilo que prometeu, mas não tem ninguém controlando”, acrescentou. Matias Bakir citou ainda que ao assinar o acordo com a União sobre a Lei Kandir, em 2020, o estado renunciou a um montante de R$ 135 bilhões para receber R$ 8,7 bilhões. “Sete anos depois, ele não conseguiu equilibrar as contas do estado. E quem mostra isso, que o governo dele foi pífio, que ele está deixando o estado pior do que ele pegou, é a própria Secretaria de Fazenda dele”, finalizou. 

O que diz o governo? 

O TEMPO procurou o governo de Minas e pediu esclarecimentos sobre o relatório. Em nota, a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) voltou a citar, indiretamente, a gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT) para justificar o rombo de R$ 11,3 bilhões. O discurso, inclusive, é um dos mais citados por Zema desde que chegou ao governo.

No comunicado, a pasta diz que o valor refere-se a passivos herdados de gestões anteriores que foram renegociados, o que tem reflexo direto no indicador de disponibilidade líquida de caixa. “É de conhecimento público que a atual gestão assumiu o Estado com uma grave crise financeira, resultado de um problema estrutural cuja solução passa pela adoção de medidas constantes e de longo prazo”, argumentou. 

Conforme o Executivo, a adesão ao Propag permitirá um novo fluxo de pagamento da dívida pública e realização de investimentos obrigatórios em algumas áreas. “Certamente, o novo fluxo trazido pelo Propag favorece a busca do equilíbrio, por reduzir os encargos financeiros e favorecer o alcance da sustentabilidade da dívida pública”, frisou. 

otempo

TSE retomará julgamento que pode cassar governador do Rio

  O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para o dia 10 de março a retomada do julgamento do processo que pede a cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Claúdio Castro (foto), por abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição, em 2022.

  Em novembro do ano passado, a ministra Maria Isabel Galotti, relatora do caso, votou pela cassação do governador, mas a análise do caso foi suspensa por um pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que será o próximo a votar.

  O Ministério Público Eleitoral (MPE) e a coligação do ex-deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) pretendem reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que, em maio de 2024, absolveu Castro e outros acusados no processo que trata de supostas contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

  O MPE afirmou que Castro obteve vantagem eleitoral na contratação de servidores temporários, sem amparo legal, e na descentralização de projetos sociais para enviar recursos para entidades desvinculadas da administração pública do Rio

  Segundo a acusação, a descentralização de recursos ocorreu para fomentar a contratação de 27.665 pessoas, totalizando gastos de R$ 248 milhões.

Defesa 

Antes da suspensão do julgamento, o advogado Fernando Neves, representante de Castro, disse que o governador apenas sancionou uma lei da Assembleia Legislativa e um decreto para regulamentar a atuação da Ceperj e não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades.

agenciabrasil.ebc

R$ 1,5 mi em desvios: quem são os pastores suspeitos de ter ligação com a fraude no INSS

   As igrejas evangélicas citadas nas investigações que apuram desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) receberam ao menos R$ 1,5 milhão de empresários ligados a essas operações. Levantamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações suspeitas que envolvem lideranças religiosas, igrejas e empresários citados na CPI do INSS.  

  As movimentações aparecem nos nomes de 4 igrejas: Adoração Church (Pará), Assembleia de Deus Ministério do Renovo (Maranhão); Ministério Deus é Fiel Church (Sete Church), de São Paulo (São Paulo); e Igreja Evangélica Campo de Anatote, de Barueri (São Paulo). 

   De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), as igrejas evangélicas foram usadas ao longo dos desvios do INSS por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas, como possível mecanismo para lavagem de dinheiro. A primeira delas é a Adoração Church. A CPI pediu a investigação da entidade depois que o Coaf identificou um repasse de mais de R$ 366 mil à igreja vindo de Percia Coelho Takashima. O envolvimento com os desvios do INSS se dá porque a empresa Amazonriente Rural Sustentável, que está diretamente ligada aos repasses ilegais. A companhia também pertence aos familiares de Percia. 

  O pastor que preside a Adoração Church é Heber Pereira Trigueiro. Além de liderar a igreja e atuar como músico, ele também tem uma atuação política. Em 2022, Trigueiro usou as redes sociais para fazer campanha para o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro. Ele declarou voto e fez menções religiosas ao indicar apoio ao ex-presidente. Depois da divulgação dos dados, o pastor disse que o pagamento desse montante era referente ao dízimo – valor pago pelos fiéis à igreja. Ao Brasil de Fato, Heber afirmou que não recebeu nenhum valor da empresa investigada e que Percia vendeu a empresa antes de fazer o depósito bancário e que, por isso, a empresa não tem vinculo com as tranferências.

Outro pastor citado pelo Coaf é Antônio Nunes da Silva, que preside a Assembleia de Deus Ministério do Renovo. A instituição recebeu R$ 511 mil da ADS Soluções e Marketing Ltda, empresa criada em fevereiro de 2023 para prestar serviços de marketing para três associações suspeitas de desviar recursos do INSS. Por conta dessa atuação, a ADS recebeu R$ 116 milhões em descontos previdenciários de empresas relacionadas aos desvios. A companhia foi baixada e desativada em junho de 2025. 

O pastor também é sócio da empresa Construtora Sym Ltda. e chamou atenção do Coaf com as movimentações já que, em sua declaração de renda, ele afirma ser aposentado e receber apenas R$ 1.320, o que, para o Conselho, representa uma movimentação suspeita por clara incompatibilidade patrimonial identificada.

Todas as igrejas mencionadas tiveram a transferência de sigilo pedido pelo deputado Rogerio Correia (PT-MG), enquanto os pastores foram convidados para oitivas na CPI.

Golden Boys

   Um dos grupos fundamentais para o quebra-cabeça da relação entre igrejas e a fraude do INSS são os Golden Boys. Esse grupo está ligado à terceira igreja mencionada: Ministério Deus é Fiel Church, conhecida como Sete Church, do pastor Cesar Belluci do Nascimento. Bellucci é réu em uma investigação que apura um esquema de pirâmide. A apuração foi aberta depois de uma ação movida por pessoas que se sentiram lesadas em promessas não cumpridas de investimentos em criptomoedas.

   A igreja teria recebido R$ 370 mil de Anderson Cordeiro e outros R$ 124 mil de Américo Monte, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, empresa que é citada por receber R$ 316 milhões em descontos de aposentados do INSS. Os dois são empresários e integram o Golden Boys, que, junto a Felipe Macedo Gomes, frequentava a Igreja e administrava o quadro associativo da Amar.Anderson Cordeiro também é responsável por administrar outras associações de aposentados e pensionistas investigadas como a Master Prev, a Associação Nacional de Defesa Dos Direitos Dos Aposentados e Pensionistas (Anddap) e a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionistas (Aasap).

Já Américo também foi responsável por fazer uma transferência de R$ 200 mil a Péricles Albino, líder da igreja evangélica Campo de Anatote. Apesar da ligação direta com o empresário, a igreja respondeu em nota as acusações afirmando que não recebeu doações de pessoas envolvidas na fraude do INSS. “A igreja, devidamente constituída e comprometida com os princípios das Sagradas Escrituras, teve seu nome injustamente exposto em relação à CPMI do INSS. Não há indícios ou provas que demonstrem que a igreja tenha sido utilizada por qualquer um dos envolvidos no esquema criminoso que está sendo investigado. É fundamental ressaltar que a Igreja não possui qualquer envolvimento ou foi utilizada para práticas ilícitas”, diz o texto.

Maiores nomes

Um dos principais envolvidos com o Golden Boys é André Machado Valadão, líder religioso que coordena a igreja Lagoinha, instituição ligada à Clava Forte Bank, plataforma que chegou a sair do ar assim que a operação contra o Banco Master, independente da CPI do INSS, começou. A plataforma era responsável por receber doações dos fiéis. Durante os cultos, os dados do banco eram divulgados acompanhadas de frases como: “Investindo no Futuro, fortalecendo o Reino”, “Empoderar igrejas com fé e finanças”.Valadão recebeu de Felipe Macedo patrocínio para o evento de réveillon promovido pela Igreja no estádio Allianz Parque. De acordo com o Coaf, essa movimentação financeira foi feita no auge dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. O pastor é um aliado de Bolsonaro e, além de ter feito campanha ao ex-presidente, já recebeu o ex-mandatário em seus cultos.

O pastor respondeu às acusações nas redes sociais. Em uma publicação, disse que não recuaria “nem ficaria calado” diante das denúncias e usou o caso para fazer um apelo aos fiéis com discurso político.

“Não vamos recuar nem ficar calados diante de tudo o que está acontecendo. Não se trata de um ataque apenas a um líder, mas a toda uma igreja que contribui para a sociedade. Chega de deixar espaço para fake news e invenções! Vamos responder abertamente e com transparência, para que as pessoas voltem a respeitar a igreja e os milhares de trabalhadores que se dedicam dia e noite. Não aceitem que deputados petistas tentem destruir a reputação de quem se opõe às suas ideologias”, escreveu.

O principal dos nomes ligados à CPI é Fabiano Campos Zettel, líder da Igreja Bola de Neve. Ele foi o sexto maior doador das eleições de 2022 e o maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) para a presidência em 2022 e do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Ele é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Máster, e mantém relação com a Igreja Lagoinha. Zettel foi preso temporariamente pela Polícia Federal (PF) após ser pego tentando fugir do país rumo aos Emirados Árabes Unidos. Agora, ele foi convidado para uma oitiva na CPI para apurar o envolvimento no caso, além da participação nas investigações sobre as fraudes no Banco Máster.Outro a receber doação de Felipe Macedo foi o pastor André Fernandes, que também atuava na Lagoinha. O Coaf identificou um Pix de R$ 200 mil para o líder religioso também durante os desvios do INSS.

Rusga na direita

Os nomes foram levantados inicialmente pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo a congressista, igrejas evangélicas foram identificadas “nos esquemas de fraudes aos aposentados”. A declaração foi dada durante uma entrevista ao SBT News e provocou a ira de uma liderança religiosa da extrema direita.

O pastor Silas Malafaia saiu em defesa dos seus companheiros e questionou a fala de Damares. De acordo com ele, a senadora precisaria divulgar o nome de todos os envolvidos e as provas, caso contrário, ela seria uma “leviana linguaruda” que deveria “calar a boca”.Depois que Damares divulgou uma lista com os nomes, Malafaia sustentou os ataques e disse que não havia uma prova apresentada contra qualquer pastor mencionado.“Só tem o nome de um grande pastor. E que também ainda não tem nada provado contra ele, que é o pastor da Lagoinha, André Valadão. Então ela foi leviana, mentirosa e linguaruda. E continua sendo. Porque não tem um nome. É só você olhar a tua lista. O desafio a Damares continua. Quem é que fez lobby para não dar nome de igrejas? Cadê as grandes igrejas?”, afirmou Malafaia.

brasildefato

Banqueiro, pastor e empresários: quem são os principais alvos da PF no caso do Banco Master?

A Polícia Federal ampliou, nas últimas semanas, o cerco a empresários e executivos ligados ao Banco Master, do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro. A investigação tem se desdobrado em diferentes frentes e alcançado diferentes personagens do mercado financeiro e empresarial em meio à expectativa sobre se ela atingirá figuras do universo político.No epicentro do caso está Daniel Vorcaro, controlador do Master e que é apontado como o líder de uma organização criminosa que teria agido contra o Sistema Financeiro Nacional.Em novembro, ele foi preso durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura se o grupo liderado por ele teria articulado a venda de carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB) em 2025, numa transação envolvendo R$ 12,2 bilhões.

A defesa de Vorcaro nega irregularidades, afirma que ele é inocente e diz que as tratativas com o BRB não passaram de um estágio preliminar, sem transferência definitiva de carteiras.

Mas a partir de janeiro, começaram a aparecer os indícios de que o caso poderia atingir outros empresários. A segunda fase da Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro, mirou nomes próximos ao banqueiro e ao entorno do conglomerado, entre eles o seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel e o empresário Nelson Tanure. Ambos foram alvos da operação. Outro personagem alcançado pela segunda fase foi João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, alvo de buscas, mas não preso. Em meio à escalada do caso, a investigação também passou a atrair atenção pelo seu potencial de revelar relações e estruturas complexas que, segundo investigadores, teriam permitido o crescimento acelerado do conglomerado e ampliado o alcance das suspeitas para além do banco.

Enquanto isso, cálculos preliminares apontam que a quebra do Banco Master e do Will Bank, vinculados ao conglomerado controlado por Vorcaro, pode ter impacto de R$ 47 bilhões no mercado financeiro brasileiro.

Mas em meio a novas diligências, prisões pontuais e decisões judiciais, a pergunta que muita gente ainda se faz é: quem são os principais alvos do caso Master?

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Haddad diz que caso Master pode ser maior fraude bancária do Brasil

   O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o caso Master pode ser “a maior fraude bancária” da história brasileira. Segundo ele, os efeitos da liquidação da instituição financeira também são de interesse público, uma vez que o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) é capitalizado pela Caixa e o Banco do Brasil. “O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Podemos estar diante disso. Temos que cuidar de todas as cautelas devidas, garantindo espaço para defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo firmes”, disse o ministro a jornalistas nesta terça-feira (13).

  A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em novembro, motivada por “grave crise de liquidez”. Por essa razão, o FGC vai ressarcir cerca de 1,6 milhão de credores que tinham depósitos e investimentos no Banco Master, somando R$ 41 bilhões. É a maior operação deste tipo na história. “O FGC, que todo mundo considera fundo privado, é capitalizado também por dois bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa respondem por 1/3 da capitalização do FGC. É um assunto de interesse público por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos”, declarou o ministro.Haddad afirmou também que o Ministério da Fazenda tem dado respaldo institucional ao Banco Central. A autoridade monetária é alvo de um processo no TCU (Tribunal de Contas da União), que apura se houve falhas na liquidação do Master. O Banco Central retirou na última segunda-feira (12) o recurso sobre a inspeção determinada inicialmente de forma monocrática pelo TCU. A petição entrou no sistema após reunião entre o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, o presidente da Corte, Vital do Rêgo, e o ministro do TCU Jhonatan de Jesus. Com a retirada dos recursos, o BC sinalizou não ser mais necessário levar o tema para análise no plenário do TCU. “Toda transparência pode ajudar. Se a intenção for boa, a transparência vai ajudar. Estou seguro do trabalho que o Galípolo e sua equipe fizeram. Nós atuamos conjuntamente quando o assunto era da Fazenda. Tivemos conversas com o procurador-geral da República [Paulo Gonet]. Tivemos o melhor aconselhamento possível até aqui. O trabalho do BC é tecnicamente robusto”, declarou Haddad.

cnnbrasil

Caso Master: presidente do TCU admite que Banco Central acertou ao determinar a liquidação

    O presidente do Tribunal de Contas da União afirmou nesta sexta-feira (9) que o Banco Central tomou a decisão correta ao determinar a liquidação do Banco Master. A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao Supremo Tribunal Federal um documento em que nega envolvimento dele em ataques coordenados nas redes sociais contra o Banco Central.   A Polícia Federal começou a investigar pagamentos milionários para influenciadores digitais com objetivo de desacreditar a atuação do BC no processo de liquidação do Master. Diante das acusações de irregularidades, a defesa de Vorcaro decidiu apresentar as alegações do dono do Master antes de qualquer solicitação.O documento foi encaminhado ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília. Os advogados pediram inclusive a abertura de uma investigação sobre a propagação do que consideram fake news contra o banqueiro.Mas, nesta sexta-feira (9), em entrevista à jornalista Andréia Sadi, do Estúdio I, na GloboNews, o influenciador e vereador do PL, da cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul, disse que foi procurado por uma agência que ofereceu uma proposta milionária em troca de publicações em defesa do Master. Segundo Rony Gabriel, o contato com ele foi feito por André Salvador, um dos sócios da agencia que teria sido contratada por Vorcaro   Rony Gabriel, vereador Erechim/RS (PL)

“Fizemos uma reunião via aplicativo de vídeo e nessa reunião, ai sim ele trouxe que se tratava de um reposicionamento de imagem eles eram empresa de reposicionamento e contenção de crises de imagem e assim por diante, e que se tratava de Daniel Vorcaro, se tratava do Banco Master, isso ficou claro na reunião, e diante disso eles queriam que fizessem vídeos no sentido descredibilizar o BC para dar entender que foi feita a liquidação do Banco master com certa celeridade”. O ministro Jonathan de Jesus, relator do caso, chegou a determinar uma inspeção em documentos do BC, o que provocou uma série de manifestações em defesa da autonomia da instituição feitas por entidades do setor financeiro, associações de bancos. O próprio Banco Central recorreu e pediu que a decisão fosse analisada pelo colegiado do tribunal.

Após a repercussão, o relator recuou e suspendeu a inspeção até decisão do plenário do TCU. Nesta sexta-feira (9), o presidente do tribunal, Vital do Rego Filho, disse que vai se reunir com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, na próxima segunda-feira, para tratar do tema. E reconheceu publicamente que o Banco Central não tinha outra opção senão liquidar o conglomerado Master.  “O que nós vamos ver é que o Banco Central tem toda razão em ter liquidado o banco. Como faz qualquer agência reguladora. Estou a favor do meu tribunal. Se não o tribunal é enfraquecido. Se não puder fiscalizar agência reguladora, ele sai enfraquecido do processo. Então, eu sou o presidente e eu tenho convicção constitucional que nós vamos fiscalizar, independente de eu ter achado pessoalmente correta ou não a atitude do Banco Central, mas cabe ao Banco Central liquidar e eu achei correto”, diz Vital do Rêgo Filho, presidente do TCU. Durante o processo que levou à liquidação, o Banco Central identificou uma cadeia de transações entre o banco e a gestora de fundos Reag para que o dinheiro de títulos supervalorizados voltasse para o controle de Daniel Vorcaro e diretores do Master.  A Reag foi um dos alvos da operação Carbono Oculto, que apura a lavagem de dinheiro do PCC. A TV Globo apurou que pelo menos quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado também fizeram parte da fraude do Master.   O escândalo do Master também preocupa aposentados e pensionistas. O Fundo Garantidor de Créditos – um fundo privado com dinheiro dos próprios bancos, cobre parte dos investimentos de clientes – empresas e pessoas físicas. Mas 18 fundos de pensão não tem essa proteção porque investiram em letras financeiras do Master – títulos de renda fixa sem cobertura do FGC. Ao todo, mais de R$ 1,8 bilhão foram investidos de outubro de 2023 até dezembro de 2024.  Segundo o Ministério da Previdência, está previsto em lei que, Estados e Municípios são os responsáveis diretos por garantir o pagamento de aposentadorias e pensões caso os recursos acumulados pelos regimes próprios de previdência sejam insuficientes.  Ou seja, nestes casos, o estado ou município deve cobrir eventuais faltas financeiras para assegurar que todos os benefícios sejam pagos integralmente.    

O Jornal Nacional não teve retorno da defesa de Daniel Vorcaro, e não conseguiu contato com André Salvador.

g1.globo

O esquema que levou à prisão do prefeito, vice e de toda Câmara dos Vereadores em cidade no interior do Maranhão

A Prefeitura de Turilândia, no interior do Maranhão, estava de portões abertos no primeiro dia útil do ano. Mas a cena não significava normalidade: dentro do prédio, quase ninguém trabalhava. Questionado pela reportagem do Fantástico por que o prédio estava tão vazio, um vigia confirmou o esvaziamento.

“Só tem eu mesmo”, disse o funcionário.

Na Câmara de Vereadores, o silêncio foi parecido. Ao serem abordados, funcionários evitaram falar e deixaram o local às pressas. A cidade sentia os efeitos de uma operação que abalou completamente a estrutura de poder do município.Na semana do Natal, o Ministério Público prendeu os chefes do Executivo e todo o Legislativo de Turilândia: o prefeito Paulo Curió, a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima e os onze vereadores da cidade. Ao todo, 21 pessoas foram presas.

Vereadores de Turilândia foram presos — Foto: g1

Vereadores de Turilândia foram presos — Foto: g1

Segundo o MP, o grupo desviou pelo menos R$ 56 milhões dos cofres públicos. O esquema teria começado em 2021, quando Paulo Curió foi eleito pela primeira vez.As investigações apontam um sistema organizado de corrupção, com empresas de fachada, notas fiscais frias, propina e fraudes em licitações. O promotor Fernando Berniz, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Maranhão, afirma que o problema era generalizado.

“Um dado interessante e relevante, dito pela própria pregoeira, é que 95% das licitações daquele município eram fraudadas”, disse.

Em uma das mensagens interceptadas, a pregoeira cobra do prefeito uma “recompensa” pela fraude em uma licitação — entre os pedidos, uma caneta emagrecedora.“Ei, chefe, boa tarde… Para o senhor me dar mesmo meu Monjauro e meu presente de Natal”, diz a mulher no áudio. Em seguida, ela avisa que a licitação de uma estrada vicinal seria “fracassada”, como combinado.De acordo com o Ministério Público, empresários envolvidos no esquema recebiam até 18% do valor dos contratos por serviços que não eram prestados. Três por cento ficariam com o ex-controlador geral do município, Wandson Barros, apontado como operador financeiro. O restante voltava para o prefeito.Durante a operação, a polícia apreendeu grandes quantidades de dinheiro em espécie. Também chamou a atenção o patrimônio do casal Curió. Uma das casas, luxuosa, tem móveis modernos e academia. A mais cara fica em São Luís, avaliada em R$ 3 milhões e 700 mil — imóvel que teve a porta arrombada durante a ação.

Segundo o MP, a casa foi comprada com dinheiro emprestado por um agiota que também é neurocirurgião.

“Havia um profissional da medicina que emprestava dinheiro para pagamento de campanha, dívidas de campanha e aquisição de bens. Parte do dinheiro que entrava no município foi utilizada para pagar essas parcelas”, afirmou o promotor.

Mensagens de áudio mostram o prefeito usando o cartão de crédito de uma empresa contratada pela prefeitura. Em uma das mensagens, ele reclama do limite.

Investigação do MP desvendeu esquema de desvio de renda em município do Maranhão — Foto: g1

Investigação do MP desvendeu esquema de desvio de renda em município do Maranhão — Foto: g1

“Dez mil reais não dá pra nada… Isso não é cartão de crédito de prefeito, não. É fraco”, diz.Em outro áudio, Paulo Curió fala em “sobras” mensais de dinheiro desviado.“A gente vai ter uma sobra aí mensal… de uns dois a dois e meio”, afirma. Valor semelhante ao que, segundo o MP, foi distribuído aos vereadores para garantir a omissão da fiscalização: R$ 2,3 milhões. “Ele pagava propinas para todos os vereadores, oposição e situação, para que deixassem de fazer alguma coisa”, explicou Fernando Berniz.

Origem da fraude

A investigação aponta que tudo começou em um posto de combustíveis pertencente à ex-vice-prefeita e ao marido dela. No papel, a prefeitura comprava milhões de reais em combustível. Na prática, o volume não correspondia ao consumo.O posto teve 58 contratos com o município e recebeu mais de R$ 17 milhões desde 2021.

“Detectamos uma grande quantidade de notas fiscais emitidas para combustíveis que não foram adquiridos”, disse o promotor.

Segundo o MP, o volume registrado permitiria que cada um dos dez carros da prefeitura rodasse 790 quilômetros por dia — o equivalente a uma viagem diária de ida e volta entre São Luís e Porto Alegre.

Enquanto o dinheiro público desaparecia em contratos fictícios, a realidade da cidade seguia marcada pela pobreza. Dados do IBGE mostram que três em cada quatro moradores vivem sem esgoto adequado.

75% das residências de Turilândia não têm acesso a saneamento básico — Foto: g1

75% das residências de Turilândia não têm acesso a saneamento básico — Foto: g1

“Tem muitas carências. Aqui a maior parte do pessoal é tudo carente”, disse um morador.

 

Durante toda a gravação da reportagem do Fantástico, apoiadores do prefeito acompanharam a equipe de perto — em carros, motos e até a pé. Houve buzinaços e intimidação, inclusive na visita ao hospital da cidade, que funciona, mas foi majoritariamente financiado pelo governo do estado.

Sem prefeito, vice-prefeita e vereadores, a Justiça adotou uma solução inusitada para evitar a paralisação da cidade: os vereadores despacham em prisão domiciliar. Monitorados não podem falar entre si, salvo em caso de decisões urgentes. “Se houver necessidade de se reunirem para decidir algum projeto ou medida urgente, há essa possibilidade”, explicou o procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo de Castro.

O que dizem as defesas

A defesa de Paulo Curió e da primeira-dama afirmou que ambos estão à disposição para esclarecimentos e confiam no respeito às garantias constitucionais. A defesa do ex-controlador Wandson Barros disse acreditar que a análise imparcial dos fatos levará ao reconhecimento da inocência dele. Os demais citados não se manifestaram.Para o Ministério Público, o caso revela um retrato cruel: “É literalmente aviltante”, disse o promotor Fernando Berniz.“O dinheiro que era para saneamento, saúde e educação estava sendo desviado para o deleite pessoal.”

Uma moradora resume o sentimento da cidade: “Muito errado. Uma cidadezinha humilde assim…”

“E o que eles não têm?”, perguntou o repórter.

“Vergonha”, respondeu ela, rindo sem humor.

g1.globo.com/fantastico

Prefeito, vice e vereadores são presos por corrupção no Maranhão; desvio passa de R$ 56 milhões

    No Maranhão, a Justiça mandou prender o prefeito, a vice e todos os 11 vereadores de uma cidade por corrupção. O Grupo de Ação Especial de Combate às Organizações Criminosas e a Polícia Militar prenderam 14 pessoas desde segunda-feira em Turilândia, no interior do Maranhão, e em São Luís. Entre os presos estavam seis vereadores do município, a atual vice-prefeita, Tânia Mendes, e um neurocirurgião acusado de atuar como agiota e emprestar dinheiro ao prefeito.

Os agentes encontraram na casa do irmão do neurocirurgião mais de R$ 2 milhões em dinheiro. Nesta quarta (24), cinco investigados que continuavam foragidos se apresentaram à polícia: o prefeito Paulo Curió, do União Brasil; a primeira-dama, Eva Curió; a ex-vice-prefeita Janaína Lima, do PRD; o marido dela, Marlon Serrão; e o contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros.

O Ministério Público investiga o prefeito, a vice e todos os 11 vereadores por organização criminosa e prática de corrupção. Segundo os promotores, o esquema desviou mais R$ 56 milhões dos cofres públicos em menos de quatro anos. Segundo o Ministério Público, desde 2021, um posto de combustível que pertence à ex-vice-prefeita Janaína e ao marido dela era utilizado para a lavagem do dinheiro. A prefeitura pagava por abastecimentos que não ocorreram, e os valores retornavam diretamente para o prefeito Paulo Curió. Ainda de acordo com o Ministério Público, a responsável pelos pregões eletrônicos no município, Clementina de Jesus Pinho, admitiu que quase a totalidade das licitações da prefeitura era fraudada. Clementina também está presa.

“Dito por ela, 95% das licitações foram fraudadas de acordo com a determinação do Paulo Curió. E ela trouxe um dado muito interessante, ela fazia isso para ganhar mimos, ganhar presentes, ganhar algo espúrio”, afirma Fernando Berniz, promotor de Justiça.Cinco vereadores continuam foragidos. A Justiça converteu a prisão preventiva dos outros seis vereadores em prisão domiciliar. Eles vão usar tornozeleira eletrônica .Mesmo investigado, o presidente da Câmara, José Luís Araújo, do União Brasil, vai assumir o comando da cidade, porque não foi afastado do cargo.

“Para que a gente não inviabilizasse a administração municipal, os vereadores continuarão exercendo sua vereança. Inclusive, a decisão da desembargadora, ela deixou essa opção: vai ser encaminhada essa decisão dela ao Procurador Geral de Justiça do estado do Maranhão para que ele analise a possibilidade ou não, preenchendo ou não os requisitos, de ingressar com uma ação interventiva no município de Turilândia”, reforça Fernando Berniz.

A defesa de Eva Dantas e de Paulo Curió afirmou que eles estão à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. A defesa de Tânia Mendes não quis se manifestar .Não conseguimos contato com os advogados dos demais citados na reportagem.

” Até quando vereadores, prefeitos, deputados, etc. vão manter estar situação? A situação não tem nem um plano para amenizar estar roubalheira todos?” .

Decisão do STF sobre suspender emendas eleva tensão entre os Três Poderes

  A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino, de suspender trecho do projeto de lei que autoriza emendas do “orçamento secreto” aumenta o nível de atrito institucional entre os Três Poderes. A medida foi tomada em uma ação apresentada por deputados federais do PSOL e pelo partido Rede Sustentabilidade, que pediram ao STF que impedisse a sanção do projeto aprovado pelo Senado na última quarta-feira (17). decisão tem caráter preventivo, já que o texto ainda não foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A liminar ainda será submetida ao referendo do plenário da Corte.Embora o projeto tenha como objetivo aumentar a arrecadação da União, o texto aprovado pelo Congresso inclui um trecho que permite a revalidação de emendas parlamentares não pagas entre 2019 e 2023, por meio da retomada de restos a pagar já cancelados, despesas autorizadas, mas não quitadas dentro do prazo legal. Na prática, essa medida abriria espaço para o pagamento de despesas ligadas às emendas de relator, conhecidas como “orçamento secreto”mecanismo que o STF derrubou em 2022 ao considerá-lo inconstitucional por falta de transparência e critérios objetivos. Essas emendas permitiriam ao Congresso autorizar gastos fora do Orçamento.

Segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil, a decisão de Flávio Dino representa, na verdade, um embate institucional entre o Parlamento e o Supremo, com alinhamento do Judiciário ao Executivo na limitação do poder do Congresso sobre o Orçamento da União. “O que estamos assistindo é algo mais amplo: um embate entre o Legislativo e o Judiciário por conta da questão orçamentária, que decorre do fato de que o Executivo perdeu o controle do orçamento lá no governo [Michel] Temer, com o orçamento impositivo”, afirmou Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper. De acordo com ele, sempre que o Legislativo busca a via das emendas para atuar de forma mais autônoma, o Executivo consegue mobilizar parte de sua base política para judicializar a questão e fazer uma dobradinha com o Judiciário, barrando esse tipo de recurso e tentando manter a prerrogativa orçamentária sob controle do governo federal.

“O Judiciário faz uma espécie de tabelinha com o Executivo contra o Legislativo”, acrescentou o professor.

Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium Consultoria, avalia que, no caso específico da LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2026, o acordo para liberar restos a pagar de anos anteriores foi feito entre o Planalto e o Congresso. Ainda assim, ele observa que Executivo e Judiciário parecem implicitamente alinhados para impor limites ao crescente poder do parlamento sobre o Orçamento da União. A decisão de Flávio Dino se insere em um histórico de confrontos entre o STF e o Congresso sobre a execução de emendas parlamentares. Nos últimos meses, a Corte tem buscado estabelecer limites e ampliar a transparência orçamentária, enquanto parlamentares tentam preservar esses instrumentos de alocação direta de recursos em suas bases eleitorais.Na sexta-feira (19), o Congresso aprovou a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que prevê cerca de R$ 61 bilhões destinados exclusivamente a emendas parlamentares. “O caso certamente terá novos desdobramentos, seja pela decisão de Dino sobre a LOA de 2026, seja a partir da recente operação da Polícia Federal na Câmara. Não pode ser descartada algum tipo de resposta político-institucional do Congresso direcionada ao STF”, concluiu Gabiati. 

cnnbrasil

Aposentados já recuperaram R$ 1,5 bilhão em descontos indevidos do INSS

  Aposentados e pensionistas já recuperaram R$1,53 bilhão em devoluções de descontos indevidos em seus benefícios, desde o início do acordo de ressarcimento. A informação é do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

  Esse valor foi pago a 2,46 milhões de beneficiários que aderiram ao acordo — cerca de 74% dos 3,33 milhões que têm direito ao ressarcimento. A devolução ocorre em até três dias úteis após a adesão, com correção monetária (IPCA).

   Destaques estaduais
Os estados que concentram os maiores valores já devolvidos são:

  • São Paulo: R$ 293,7 milhões 
  • Minas Gerais: R$ 149,5 milhões 
  • Bahia: R$ 137,2 milhões 
  • Rio de Janeiro: R$ 124,4 milhões 
  • Ceará: R$ 93,5 milhões 

Quem pode aderir

  • Quem contestou o desconto indevido e não obteve resposta da entidade em até 15 dias úteis. 
  • Quem sofreu descontos entre março de 2020 e março de 2025. 
  • Quem possui ação judicial em andamento, desde que ainda não tenha recebido os valores — nesse caso, é exigida a desistência da ação. Para ações individuais protocoladas antes de 23 de abril de 2025, o INSS admite pagar 5% de honorários advocatícios. 

Para contestar o desconto indevido, o beneficiário pode acessar o aplicativo Meu INSS, ligar para a Central 135 ou comparecer presencialmente a uma agência dos Correios. O prazo de resposta é de até 15 dias úteis. Caso não haja retorno dentro desse período, o sistema libera a opção de adesão ao acordo.

O prazo para contestar os descontos se estende até, no mínimo, 14 de novembro de 2025, e a adesão ao acordo permanece aberta mesmo após essa data. 

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Brasil 61