O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) indicou que deve cortar a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, novamente em 0,5 ponto percentual em suas próximas reuniões. Neste mês, o órgão já reduziu a Selic de 13,75% ao ano para 13,25% ao ano –a primeira queda em três anos. Novos cortes estão previstos na ata da reunião que definiu a redução de agosto. O documento foi divulgado nesta terça-feira (8).Nele, o Copom informa que, “com relação aos próximos passos, os membros concordaram unanimemente com a expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões e avaliaram que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”.A tal política contracionista é a de altas taxas de juros com o objetivo de retrair a atividade econômica e conter a inflação. Hoje, apesar do corte da Selic, o Brasil é o país com a maior taxa básica de juros do mundo, em termos reais (juros menos inflação), segundo o Ministério da Fazenda.Membros do governo e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm defendido a redução da Selic para facilitar a retomada do crescimento da economia. O Copom, por sua vez, informou na ata que “não há evidência de que esteja em curso um aperto além do que seria necessário para a convergência da inflação para a meta”.A meta de inflação para 2023 é 3,25%. Até junho, ela acumulava 3,16% nos últimos 12 meses –ou seja, estava abaixo da meta. Expectativas de agentes do mercado financeiro citadas pelo Copom, no entanto, estimam que a inflação feche o ano em 4,8% –isto é, acima da meta e até da margem de tolerância de 1,5 ponto definida para ela.Esses mesmos agentes do mercado financeiro também já estimam um corte de 0,5 ponto na Selic no mês que vem. A previsão consta da última edição do Boletim Focus, divulgado pelo BC nesta segunda-feira (7). O Focus é produzido com base em estimativas coletadas pelo BC com economistas-chefes de instituições financeiras que atuam no país.Dias depois de o Copom cortar a taxa básica de juros, bancos revisaram suas expectativas para o indicador, já prevendo um patamar para ele também ao final do ano.Até a semana passada, esses economistas previam que a Selic fechasse o mês de setembro em 13% ao ano. Agora, já preveem que ela esteja em 12,75%. Para o final do ano, a estimativa anterior era de que a Selic estar em 12%. Agora, é de estar em 11,75%.
Edição: Vivian Virissimo
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