29 de junho de 2026 19:53

E O VERBO SE FEZ CARNE

 Jesus sob o Olhar do Apóstolo do Amor

O BOM PASTOR E AS SUAS OVELHAS

O QUE ESTUDAREMOS? Vivemos dias em que muitas vozes ecoam, prometendo direção, segurança e salvação. Mas apenas uma voz é verdadeira, inconfundível e digna de confiança: a voz do Bom Pastor. Em João 10.1–16, Jesus se apresenta como a Porta das Ovelhas e o único Pastor que entrega a vida por seu rebanho. Ele não apenas conduz, mas protege, conhece e ama cada uma de suas ovelhas. Nesta lição, somos convidados a discernir essa voz em meio às distrações do mundo e a segui-la com fé. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem (Jo 10.14 NVI). Vamos conhecer alguns termos importantes: • Bom” (kalós). No original grego, o termo kalós não significa apenas “bondoso” no sentido moral, mas aponta para algo nobre, excelente, ideal, pleno de beleza e valor. Jesus não é apenas um bom pastor entre outros, Ele é o único Pastor perfeitamente bom, aquele que corresponde à promessa messiânica e reflete o caráter do próprio Deus (cf. Sl 23). • “Pastor” (poimēn). Termo usado na Septuaginta para se referir a reis, líderes e ao próprio Deus como aquele que guia, guarda e alimenta o seu povo. Jesus reivindica para si esse título como cumprimento de Ezequiel 34, em que o próprio Senhor diz que apascentará suas ovelhas, e levantará sobre elas um único Pastor, seu servo Davi.

  • “Conhecer” (ginōskō). Esse verbo, tão presente no Evangelho de João, não descreve um conhecimento teórico, intelectual ou superficial. Ginōskō é o verbo do relacionamento, da intimidade, da comunhão verdadeira. Refere-se a um conhecimento baseado em amor, presença e vínculo. Como o esposo conhece a esposa, ou como o Pai conhece o Filho (Jo 10.15), assim Jesus conhece os seus. • Minhas ovelhas” (ta emá próbata). A expressão revela intimidade, relacionamento e cuidado pessoal. As ovelhas não são apenas uma multidão indefinida, mas um povo que responde ao chamado de Cristo, reconhece sua voz e o segue. Elas pertencem ao Senhor porque ouviram sua Palavra e creram nele. Ele conhece cada uma por nome, guia com amor e guarda com fidelidade. A salvação começa e continua em uma relação real, pessoal e contínua com Cristo.

 VERDADE PRÁTICA Jesus é o Bom Pastor e nós, que pertencemos à sua Igreja, somos as ovelhas do seu rebanho. Vamos movimentar a classe? Leitura guiada e interativa (Jo 10.1–21). Divida os alunos em três grupos e dê a cada um a missão de identificar: 

Grupo 1: Ações do Bom Pastor.

  • Grupo 2: Características das ovelhas verdadeiras.
  • Grupo 3: A diferença entre o Bom Pastor e os falsos pastores (mercenários, ladrões, estranhos). Vamos a exposição dos pontos e subpontos.
  1. JESUS, A PORTA DAS OVELHAS
  2. 1. O contexto.

A LIÇÃO DIZ: Este capítulo é antecedido pelo capítulo 9, onde Jesus teve uma breve conversa com fariseus que tentavam encontrar algum ponto de discórdia para acusá-lo (Jo 9.40, 41). No capítulo 10, nosso Senhor interrompe esse diálogo após a cura de um cego de nascença, que foi expulso da sinagoga da cidade porque seu testemunho os incomodaria. No entanto, Jesus utilizou a parábola do Pastor e das Ovelhas para caracterizar os religiosos como falsos pastores e, mais especificamente, como mercenários. Este relato possui a mesma força da crítica aos falsos pastores presente na profecia de Ezequiel 34.1-10. Contexto maior: A imagem do pastor era comum e rica de significado no contexto judaico. Vários textos do Antigo Testamento preparam o pano de fundo para João 10: • Deus como Pastor de Israel (Sl 23.1; 80.1; Is 40.11).

  • Líderes de Israel como pastores infiéis (Ez 34.2–10; Jr 23.1–2). • Promessa do Pastor-Messias, Filho de Davi (Ez 34.23; Mq 5.4). Jesus retoma esses textos para mostrar que Ele é o cumprimento das promessas messiânicas: o Pastor prometido, enviado por Deus para reunir o verdadeiro rebanho e conduzi-lo à vida abundante (Jo 10.10; cf. Hb 13.20; 1Pe 5.4). Contexto imediato: O discurso do Bom Pastor registrado em João 10.1 a 21 está diretamente ligado ao episódio anterior, em que Jesus cura um homem cego de nascença, conforme o capítulo 9. Esse milagre não apenas revela o poder messiânico de Cristo, mas também expõe a dureza e a hipocrisia dos líderes religiosos. Em vez de se alegrarem com a restauração daquele homem, os fariseus o expulsaram da sinagoga, como vemos em João 9.34, demonstrando o descaso típico dos falsos pastores. Jesus, por sua vez, procura o homem rejeitado e o acolhe com graça, revelando-se a ele como o Filho de Deus. A partir dessa cena, desenvolve-se o ensino sobre o Bom Pastor. Trata-se de uma resposta direta à rejeição do homem curado e uma crítica contundente aos guias espirituais que, em vez de pastorear, oprimem e dispersam o povo. Essa conexão entre os capítulos 9 e 10 é fortalecida pela ausência de uma nova marca temporal no texto e pela menção explícita ao milagre em João 10.21. Ali, alguns disseram: “Pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos, como este fez?” Estrutura do texto conforme Carlos Osvaldo: A autoapresentação de Jesus como o Pastor Messiânico de Israel, cuja vida será oferecida pelas ovelhas gera controvérsia entre seus ouvintes (10.1–21). • Jesus estabelece um contraste entre seu papel amoroso e sacrificial como o Pastor Messiânico e as práticas autogratificantes dos falsos pastores de sua época (10.1–13). • Jesus anuncia que por meio de sua morte ele reuniria um rebanho muito maior (10.14–18). • As opiniões do povo quanto a Jesus ficam divididas (10.19–21).

1.2 A Porta das Ovelhas.

A LIÇÃO DIZ: Nesta parábola de Jesus, contada no capítulo 10 de João, destacam-se dois pontos principais. Em primeiro lugar, Ele entra pela porta do aprisco onde se encontram as ovelhas (Jo 10.1- 3). Em segundo lugar, Ele se refere a si mesmo como “a porta das ovelhas” (Jo 10.7). Vamos comentar os pontos enfatizados pelo comentarista da lição: Jesus começa a parábola descrevendo um contraste: há aqueles que entram pela porta do aprisco e há os que tentam entrar por outro caminho. Quem entra pela porta é o pastor  legítimo. Ele tem autoridade, reconhecimento e relacionamento com as ovelhas. O porteiro o recebe, e as ovelhas reconhecem sua voz. O verbo grego usado para “entrar” (εἰσέρχομαι) traz a ideia de acesso autorizado. Jesus não veio de forma clandestina, nem ilegítima. Ele é o Pastor que veio de acordo com as Escrituras, cumprindo as promessas messiânicas do Antigo Testamento (cf. Ez 34.23; Mq 5.2-4). Ou seja, Jesus entra pela porta da história, das profecias e do plano eterno de Deus. Logo depois, no versículo 7, Jesus muda o foco da imagem: agora, Ele é a porta. Essa mudança não é uma contradição, mas uma expansão da metáfora. No contexto dos pastores palestinos do primeiro século, era comum que o próprio pastor se deitasse à entrada do aprisco durante a noite. Assim, ninguém saía nem entrava sem passar por ele Dessa forma, Jesus ensina que Ele não apenas tem acesso ao rebanho, como também é o único acesso ao rebanho de Deus. Ou seja, Ele é o meio exclusivo de salvação, segurança e vida verdadeira.

1.3 A mensagem da porta.

A LIÇÃO DIZ: O significado contido na frase “Eu Sou a Porta” é bastante claro: existe apenas um caminho exclusivo para entrar no Reino de Deus, que é através da fé em Jesus Cristo. Nosso Senhor atua como a porta de acesso direto ao Pai (Hb 4.14,15), permitindo-nos aproximar-nos d’Ele com ousadia e confiança (Hb 4.16). Jesus declara de forma enfática: “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10.7). Sua afirmação não deixa margem para ambiguidade. Ninguém pode entrar no aprisco de Deus senão por meio de Cristo. Não existe outra porta. Não há outro caminho. Não há outro Salvador. Não há outro mediador. A porta é uma pessoa: o próprio Jesus. Não se trata de uma cerimônia religiosa, de uma doutrina, de uma instituição eclesiástica ou de uma denominação. A salvação não se encontra em sistemas, mas em uma pessoa viva e presente: Jesus Cristo. A metáfora da porta nos revela, de forma rica e profunda, quatro verdades fundamentais sobre quem é Jesus e o que Ele oferece aos que creem:

  • Jesus é a porta da salvação (Jo 10.9). “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo […]”. Essa é a principal porta que se abre diante do pecador. Jesus é o único acesso à salvação eterna e à comunhão com Deus. Ele não aponta para um caminho, Ele é o próprio caminho (cf. Jo 14.6). Há muitas vozes religiosas, mas apenas uma salva. A porta larga do mundo conduz à perdição (Mt 7.13), mas a porta estreita que é Jesus conduz à vida. Nenhuma alma entrará na bem-aventurança eterna senão por Ele. • Jesus é a porta da libertação (Jo 10.9). “[…] entrará e sairá […]”. Essa expressão sugere liberdade, movimento seguro e proteção constante. Ao contrário das falsas religiões que aprisionam, Jesus oferece liberdade espiritual verdadeira. Ele liberta do domínio do pecado, da culpa, da escravidão do legalismo e da tirania do medo. Em Cristo, as ovelhas não são cativas, mas livres para seguir com segurança, sob a guarda do Pastor. • Jesus é a porta da provisão (Jo 10.9). “[…] e achará pastagens.” Onde está Cristo, ali há sustento, cuidado. Ele é o pão da vida (Jo 6.35), a água que sacia para sempre (Jo 4.14), a videira verdadeira (Jo 15.1). Ao entrar por essa porta, o crente encontra alimento para a alma, força para a jornada e refrigério para o coração. A religião dos fariseus impunha fardos pesados, mas Jesus oferece vida abundante. • Jesus é a porta da vida abundante (Jo 10.10): “[…] eu vim para que tenham vida, e a tenham com plenitude.” Jesus é a fonte da vida verdadeira. Essa vida não é apenas cronológica, mas qualitativa. É uma vida marcada por sentido, paz, graça, presença divina e comunhão com o Pai. É vida eterna, que começa no novo nascimento e se estende para além da morte. Aplicação prática individual: Peça que cada aluno escreva em uma folha (ou mentalmente) uma “porta falsa” que já tentou usar (autossuficiência, religiosidade, mérito, etc.) e uma decisão prática que tomará essa semana para viver como alguém que entrou pela Porta verdadeira.

II O APRISCO DAS OVELHAS

2.1 Parábola? Uma alegoria?

A LIÇÃO DIZ: O versículo 6 indica que a história narrada pelo nosso Senhor é uma parábola. Trata-se de uma narrativa, normalmente breve, que ensina por meio de uma alegoria. Assim, o Senhor Jesus comunicava suas lições de forma sistemática, utilizando a parábola. Neste subponto, acontece uma pequena digressão, a fim enfatizar a didática escolhida por Jesus para ensinar verdade profundas. O que é uma parábola? Parábola (do grego parabolḗ, que significa “colocar ao lado” para comparar) é uma narrativa curta, simples e simbólica, usada para ensinar uma verdade espiritual por meio de uma comparação com situações do cotidiano. O que é uma alegoria? Alegoria (do grego allēgoría, “outra linguagem”) é uma forma estendida de linguagem simbólica em que vários elementos da narrativa têm correspondência direta com realidades espirituais. Não é uma história com enredo definido, mas uma exposição simbólica contínua. Cada figura representa algo mais profundo: pastor, ovelha, porta, mercenário etc  2.2 O aprisco das ovelhas.

A LIÇÃO DIZ: O aprisco das ovelhas consistia, essencialmente, em uma edificação de pedras que possuía apenas uma entrada (ou porta), por onde as ovelhas eram levadas para dentro ao entardecer (Jo 10.1). Essas ovelhas eram supervisionadas pelo porteiro ou pastor, que se acomodava junto à entrada do abrigo para assegurar sua proteção. Para a explicação deste subponto, Hernandes Dias Lopes nos oferece um comentário com notas históricas e culturais bastante interessantes: Havia dois tipos de aprisco. No inverno, havia um grande aprisco para onde vários pastores levavam seus rebanhos. Esse aprisco tinha uma porta forte que ficava trancada, e a chave era confiada ao porteiro. No dia seguinte, o pastor chamava suas ovelhas e saía com elas em busca de pastos verdes e águas tranquilas. No verão, os pastores ficavam com seus rebanhos nos campos e os recolhiam a um pequeno aprisco de pedras. Esse aprisco tinha uma abertura por onde as ovelhas entravam e saíam, e o próprio pastor era a porta. Jesus está se referindo a esses dois apriscos. No primeiro aprisco (10.1–3), os ladrões tentavam roubar as ovelhas subindo as paredes. No segundo aprisco, o próprio pastor servia de porta para as ovelhas. Jesus disse: Eu sou a porta das ovelhas (10.7).

2.3 Um lugar de proteção.

A LIÇÃO DIZ: O aprisco das ovelhas também simboliza um espaço de proteção. Este local é defendido diretamente pelo Pastor do Rebanho, que está disposto a sacrificar-se, se necessário (Jo 10.11). Não existe lugar mais seguro do que aquele que está sob a vigilância e proteção do Sumo Pastor, o Senhor Jesus Cristo. O aprisco simboliza: • pertencimento, pois ali estão as ovelhas chamadas pelo nome e reconhecidas pelo Pastor; • proteção plena, pois o Pastor verdadeiro se entrega pela segurança das suas ovelhas; • refúgio de graça e restauração, onde aqueles rejeitados pelos homens são acolhidos, amados e conduzidos à verdadeira comunhão com Deus.

III. A DISTINÇÃO ENTRE O BOM PASTOR E O MERCENÁRIO.

3.1 O Bom Pastor.

A LIÇÃO DIZ: O versículo 11 menciona que Jesus é o “Bom Pastor”, que sacrifica sua vida pelas ovelhas. Em contraste com o ladrão (v.10), que vem para roubar, matar e destruir, a missão do Bom Pastor é oferecer vida, tanto na perspectiva eterna/celestial da salvação como na dimensão virtuosa da santidade, enquanto forma de viver no mundo (Jo 20.31; Rm 8.29). As características do Bom Pastor (João 10.11–18): • Entrega sacrificial e voluntária. Jesus se apresenta como o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. A entrega não é forçada, mas plenamente voluntária e consciente. Ele não foi uma vítima dos acontecimentos nem um mártir apanhado pelas circunstâncias. A iniciativa da entrega parte dele mesmo: “dou a minha vida para tornar a tomá-la” (v.17). O uso do verbo “dar” no grego (τίθημι) indica disposição e sacrifício intencional. • Conhecimento pessoal e íntimo das ovelhas. O relacionamento entre o Pastor e as ovelhas é marcado por conhecimento mútuo: “Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem” (v.14). Jesus conhece suas ovelhas pelo nome (v.3) e sabe exatamente quem são, onde estão e do que precisam. Essa relação é comparada à comunhão entre o Pai e o Filho (v.15), o que eleva a profundidade da união entre Cristo e seu povo. • Cuidado e presença constante. Diferente do mercenário, que foge diante do perigo, o Bom Pastor permanece. Ele não abandona suas ovelhas, mesmo quando o lobo se aproxima. Sua  presença não é condicionada por interesse ou conveniência, mas por amor e compromisso com as ovelhas.

3.2 O Mercenário.

 A LIÇÃO DIZ: O versículo 12 apresenta a figura do mercenário. No contexto de João 10, os mercenários representam líderes religiosos que não têm um compromisso genuíno com as ovelhas, ou seja, com o povo de Deus. Jesus está se referindo especialmente aos fariseus e demais autoridades religiosas que, em vez de cuidarem do povo, o exploravam, o manipulavam e o abandonavam em momentos de necessidade (cf. Jo 9.34; Ez 34.2-4). Eles são os “pastores profissionais” que desempenham uma função espiritual por interesse próprio, e não por amor a Deus nem às pessoas. • O mercenário não é pastor. As ovelhas não lhe pertencem. Ele não foi chamado pelo Pai nem tem responsabilidade espiritual real. Sua relação com o rebanho é externa, contratual, funcional, não afetiva nem sacrificial. Cuida das ovelhas por conveniência, não por vocação. • São movidos por interesse, não por amor. A palavra grega usada aqui (μισθωτός – misthōtós) refere-se a alguém contratado por salário. Ou seja, trata-se de uma liderança motivada por vantagens pessoais, e não por zelo espiritual. Seu ministério é uma profissão, não um chamado. Fazem do sagrado um meio de lucro e prestígio. • Abandonam o rebanho diante do perigo. Quando o lobo se aproxima, o mercenário foge. Ele evita o confronto com o mal, o risco da exposição e o custo do sacrifício. Sua atuação se limita à conveniência. O rebanho que mais precisa de proteção é justamente o que ele abandona. É o oposto do Bom Pastor, que dá a vida pelas ovelhas. • São indiferentes ao sofrimento das ovelhas. “Não se importa com as ovelhas” (Jo 10.13). Essa é a marca mais trágica. O mercenário não se comove, não intercede, não acompanha, não pastoreia. Sua indiferença é espiritual, emocional e prática. Ele pode até estar presente no culto, mas está ausente no cuidado pastoral. • Contribuem para a dispersão e a destruição do rebanho. Quando se omitem, o rebanho se torna presa fácil. A ausência de cuidado autêntico abre espaço para a ação dos lobos, falsos mestres, heresias, escândalos e confusões. Onde há mercenários, há dispersão, e onde há dispersão, há dor e dano às ovelhas.

3.3 Lobos vorazes X o Bom Pastor.

A LIÇÃO DIZ: Os lobos aproximam-se do aprisco para atacar as ovelhas apenas quando percebem que o mercenário não está atento à sua chegada. O mercenário, por sua vez, opta por fugir e abdica de suas responsabilidades: “Mas o mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, foge, e o lobo arrebata e dispersa” (Jo 10.12). Não é por acaso que o apóstolo Paulo descreve esses “lobos vorazes” como sendo os falsos mestres que promovem doutrinas enganosas e comprometem a fé recebida do Evangelho, iludindo e levando consigo as ovelhas desatentas (At  20.29-30). Estes têm intenções destrutivas (2 Co 2.17), geram divisões no rebanho (Tt 3.10) e dispersam as ovelhas (1 Jo 2.18-19). Por essa razão, nosso Senhor se apresenta como a Porta das Ovelhas, o Bom Pastor (Mt 7.13-14; Lc 13.24). Os lobos, o mercenário e o Bom Pastor:

  • A presença dos lobos no meio da igreja. Em João 10.12, Jesus fala sobre o lobo que se aproxima do aprisco para “arrebatar e dispersar” as ovelhas. A imagem é clara: trata-se de um inimigo que tem como alvo o rebanho de Deus, e que ataca com violência, astúcia e intenção destrutiva. Essa figura simbólica se refere, antes de tudo, aos falsos mestres e doutrinas enganosas que comprometem a verdade do evangelho e arrastam consigo os desprevenidos. Essa mesma metáfora é retomada pelo apóstolo Paulo em Atos 20.29–30. Ele adverte os presbíteros de Éfeso que, após sua partida, lobos vorazes entrariam no meio da comunidade e, pior ainda, alguns deles viriam de dentro da própria liderança. Esses homens distorceriam a verdade para atrair discípulos para si. A motivação não é pastoral. Não há zelo. Há vaidade, manipulação e desejo de controle. São perigosos porque não anunciam o erro com aparência de erro, mas com uma roupagem de piedade e um discurso disfarçado de ortodoxia. • O lobo ataca quando é o mercenário quem guarda o rebanho. Jesus esclarece a causa do sucesso do lobo: “o mercenário foge” (Jo 10.12). O problema do lobo não é apenas a sua presença. O problema é que, no aprisco, quem deveria proteger as ovelhas está ausente ou é indiferente. O mercenário representa todo líder religioso que abandona a verdade, silencia diante do erro, prefere a paz de aparências à confrontação fiel da Palavra. Onde há liderança mercenária, os lobos prosperam. • Onde está o Bom Pastor, o lobo não prevalece. O contraste que Jesus apresenta é nítido: o bom pastor não foge, ele entrega a vida pelas ovelhas (Jo 10.11). O lobo não prevalece onde o pastor está presente. Ele é a proteção definitiva do rebanho, não apenas por vigiar, mas por conhecer cada ovelha pelo nome, por conduzi-las com a sua voz, e principalmente, por estar disposto a morrer por elas. Nenhum lobo dispersa o rebanho que está sob os cuidados do Bom Pastor. Aqui está a beleza do evangelho: o rebanho está seguro não porque é forte, mas porque o Pastor é fiel. Nenhuma ovelha se perde porque Ele está à frente. • Aplicação. A igreja precisa estar atenta. O perigo do lobo é real, mas a maior tragédia é confiar o rebanho a mãos que fogem diante da ameaça. A segurança da igreja está em seguir a voz do Bom Pastor e em reconhecer os sinais da presença de mercenários: omissão, vaidade, falta de zelo pela verdade e negligência com o cuidado das almas.

CONCLUSÃO A imagem do Bom Pastor em João 10 é uma das mais comoventes expressões do cuidado de Cristo por seu povo. Ele conhece cada ovelha pelo nome, guia com segurança e está disposto a entregar sua vida por amor. Em contraste com os mercenários e os lobos vorazes, que apenas exploram e dispersam, Jesus oferece proteção, alimento e salvação. Sua voz é inconfundível para aqueles que lhe pertencem, e sua presença afasta o perigo. Seguir o Bom Pastor é desfrutar da comunhão com Deus, da vida abundante e da segurança eterna de um amor que nunca falha.                   

“Lobo em pele de cordeiro é uma expressão popular, utilizada para caracterizar uma pessoa que aparenta ter boa índole, mas na realidade é má, perversa ou desonesta. Normalmente, o indivíduo considerado um lobo em pele de cordeiro, esconde a sua verdadeira índole negativa. Essas pessoas aparentam ser educadas, empáticas e boas amigas, mas não são sentimentos verdadeiros. Os “lobos em pele de cordeiro” usam da falsa simpatia para conquistar as pessoas ao seu redor, unicamente para alcançar determinado objetivo egoísta. Esta frase se originou a partir de um trecho clássico do Novo Testamento da bíblia sagrada cristã. Trata-se de uma parábola de Jesus Cristo, descrita no livro de Mateus, que diz:

Cuidado com os falsos profetas. Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os conhecerão pelos que eles fazem. Os espinheiros não dão uvas, e os pés de urtiga não dão figos. (Mateus 7:15-16)

  Nesta parábola, Jesus tenta alertar aos seus fiéis sobre uma das piores condições do ser humano: a falsidade. As pessoas falsas tentam ludibriar os demais na tentativa de obter vantagens sobre os outros, sendo que neste processo, não consideram os sentimentos ou a estabilidade física e mental do próximo. Muitas pessoas atribuem a expressão “lobo em pele de cordeiro” à famosa fábula homônima de autoria do escrito grego Esopo. No entanto, assim como muitos outros autores, este se baseou na parábola descrita na bíblia para construir a sua história “.

 ABRA A JAULA – PB. MURILO ALENCAR REFERÊCIA BIBLIOGRAFICA • CARSON, D. A.; MOO, Douglas; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. Tradução de Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 2017. • KÖSTENBERGER, Andreas J.; KELLUM, L. Scott; QUARLES, Charles L. Introdução ao Novo Testamento: a manjedoura, a cruz e a coroa. Tradução de Carlos Lopes. São Paulo: Vida Nova, 2022. • ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. • LOPES, Hernandes Dias. João: as glórias do Filho de Deus. São Paulo: Hagnos, 2015. • MACDONALD, William. Comentário bíblico popular — Novo testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. • RYLE, J. C. (John Charles). Meditações no Evangelho de João. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018.

Compartilhe: