O CORPO DE CRISTO
Origem, Natureza e Vocação da Igreja no Mundo


O QUE ESTUDAREMOS?
O Batismo em águas é uma importante prática da Igreja de Cristo. É um rito valorizado pelo nosso Senhor Jesus e praticado por toda a Igreja Primitiva. Nesta lição, faremos uma exposição da doutrina bíblica do Batismo em águas. Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO – COMPARANDO TRADUÇÕES
Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19 – NTLH). Ele manda batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Esse é um daqueles grandes textos bíblicos que, direta e claramente, ensinam a poderosa doutrina da Trindade. O texto fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo como três pessoas distintas, e todos os três como iguais. David Stern é oportuno quando escreve: “O Novo Testamento não ensina o triteísmo, que é a crença em três deuses. Ele não ensina o unitarismo, que nega a divindade de Jesus, o filho, e do Espírito Santo. Não ensina o modalismo, que diz que Deus aparece às vezes como o Pai, às vezes como o filho, e às vezes como o Espírito Santo, como um ator trocando as máscaras”. Embora a palavra “Trindade” não apareça nas Escrituras, o conceito dela está por toda a Bíblia.
Os mensageiros de Cristo têm a responsabilidade de ensinar acerca do batismo e enfatizá-lo como uma ordem a ser obedecida. No batismo do crente, os cristãos identificam-se publicamente com a Trindade. Eles reconhecem que Deus é o seu Pai, que Jesus Cristo é o seu Senhor e Salvador, e que o Espírito Santo é alguém que o habita, capacita e ensina.

VERDADE PRÁTICA
O batismo é uma ordenança de Jesus Cristo e, por isso, deve ser uma prática obedecida pela igreja. Considerando ser o batismo uma ordenança e não um sacramento, devemos levar ao pé da letra a ordem a partir de quem a instituiu. A prática do batismo não pode ser negligenciada pela igreja.

INTRODUÇÃO
A LIÇÃO DIZ: Nesta lição, vamos estudar uma importante prática cristã – o Batismo em águas. Veremos que o rito do Batismo foi praticado por João Batista, Jesus Cristo e seus apóstolos e, posteriormente, pelos cristãos da Igreja Primitiva. É uma prática, portanto, de grande importância para a Igreja de Cristo. Analise essas informações introdutórias: O termo “batismo” ou “batizar” é a transliteração da palavra grega βαπτίσματος, o verbo é βαπτίζω, Baptize que significa “imergir”, “mergulhar”, de onde se entende que o batismo é ato de imersão em águas conforme indica o próprio termo, a despeito do que fazem os aspersionistas, que jogam um pouco de água sobre a cabeça do candidato. Este é, aliás, um ponto de divergência entre a ala evangélica e o protestantismo histórico. Há um paralelo prático entre o batismo de Jesus e o de João Batista, embora ambos tenham significados peculiares: o de João Batista era batismo para o arrependimento, ou seja, um compromisso assumido de crerem no Messias quando Ele viesse (At 19.4) e o batismo de Jesus é do arrependimento, ou seja, de quem já conheceu a Cristo e se arrependeu dos seus pecados (At 2.38). Tanto o batismo de João Batista quanto o de Jesus faziam jus ao termo “mergulhar”. A prática do batismo realizada pelos discípulos de Jesus era a mesma. Quando Filipe evangelizou o eunuco no caminho da Gaza, o eunuco se mostrou interessado em receber o batismo e, por entender corretamente o significado do termo baptizo, lê-se: “E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?” (At 8.36). Pararam o carro, ambos desceram, Filipe batizou o eunuco, “E quando saíram da água (…)”
(At 8.39). O que se lê? Lê-se que ambos saíram da água. Por que razão precisariam entrar na água se somente um pouco de água seria suficiente para se derramar sobre a cabeça do eunuco?








I. PRESSUPOSTOS BÍBLICO-DOUTRINÁRIOS DO BATISMO
1.1 O Batismo visto como sacramento: a origem de um erro.
A LIÇÃO DIZ: A tradição católica e alguns segmentos do protestantismo histórico veem a prática do batismo como um sacramento. A palavra “sacramento” vem do latim sacramenntum, significando um sinal sagrado capaz de conferir graça àquele que dele participa. Nesse sentido, Agostinho (354-430 d.C), bispo de Hipona, que introduziu esse desvio na igreja, entendia que o batismo, como sacramento, é um rito que transmite graça espiritual independentemente da fé de quem o pratica. Esse entendimento teológico doutrinário define um sacramento como sendo um sinal visível de uma graça invisível. Dessa forma, na visão de algumas tradições cristas, o batismo torna se necessário para a salvação. As ordenanças são chamadas de sacramentos, tanto pela Igreja Católica quanto pelas denominações históricas e são também reconhecidas como meios de graça por elas. Na teologia pentecostal, bem como na teologia Batista, usa-se o termo “ordenanças” para se referirem ao batismo e à Ceia do Senhor. Essa preferência decorre simplesmente do fato de que o Senhor Jesus ordenou ambas as coisas (Mt 28.19; 1 Co 11.23-25). Para a Igreja Católica, os sacramentos são sete:
• Batismo
• A confirmação do batismo (crisma)
• A eucaristia (Ceia do Senhor)
• Penitência (ou confissão)
• Extrema unção (ministrada a pessoa moribunda e é feita com uso de óleo)
• Ordens sagradas (ordenação ao sacerdócio ou ao diaconato)
• Casamento
Tais meios de graça somente chegam ao indivíduo por meio dos sacerdotes e esses meios são essenciais para a salvação por serem atos religiosos. Para a Igreja Romana todo ato religioso é meio de salvação. Para os evangélicos, de modo geral, os meios de graça não têm nenhuma relação com a salvação que é concedida pela graça, mediante à fé. É preciso estabelecer-se a distinção entre “graça salvadora” e graça como bênçãos espirituais.
1.2 O Batismo não é sacramento, mas ordenança de Cristo.
A LIÇÃO DIZ: O ensino bíblico concernente ao Batismo é que ele é uma ordenança e não um sacramento: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo” (Mt 28.19). Não há, portanto, no Batismo, um poder mágico capaz de transmitir graça para a salvação. O ensino bíblico é que o Batismo é uma ordenança dada por Cristo a quem já foi alcançado pela graça, e não a quem quer obter alguma graça através dele. Uma ordenança é simplesmente uma “prática ou cerimônia prescrita”. Os protestantes e evangélicos enxergam as ordenanças como reconstituições simbólicas da mensagem do evangelho que ensina que Cristo viveu, morreu, ressuscitou dentre os mortos, ascendeu aos céus e voltará um dia. Ao invés de serem requisitos para a salvação, as ordenanças são auxílios visuais para nos ajudar a melhor compreender e apreciar o que Jesus Cristo realizou por nós na Sua obra redentora. As ordenanças são determinadas por três fatores: foram instituídas por Cristo, foram ensinadas pelos apóstolos e foram praticadas pela igreja primitiva. Já que o batismo e a Ceia são os únicos rituais que satisfazem estes critérios, então só pode haver duas ordenanças. Nenhuma das ordenanças é necessária para a salvação e nem é um “veículo para a graça”.
1.3 O Batismo deve ser administrado aos adultos.
A LIÇÃO DIZ: Não há vestígios no Novo Testamento de crianças sendo batizadas, pois nosso Senhor disse que o Batismo deveria ser administrado a quem cresse (Mc 16,16). Uma criança, que ainda não chegou á idade da razão não tem maturidade para crer e fazer escolhas. A prática do batismo infantil foi adotada muito cedo pela igreja cristã. De fato, já no século 2 há evidências de que os cristãos batizavam seus bebês, uma vez que criam no batismo como uma forma de remissão de pecados e capaz de garantir a salvação das vítimas de morte prematura. O pedobatismo é o batismo infantil (do grego pedo, infantil). Ele é praticado pela Igreja Católica e por Igrejas evangélicas reformadas, como: luteranas, episcopais e presbiterianas, congregacionais, metodistas e algumas outras. A Igreja Católica, principal praticante e iniciante do batismo infantil, alega que a salvação da criança depende de que ela seja batizada, visto que até aquele momento ela é pagã. Para justificar o batismo infantil é necessário que a criança seja filha de pais pertencentes à Igreja. Os sacramentos atuam ex opere operate – “realizada por obra” – ou seja, os sacramentos atuam
sobre todos os que não lhe oferecem resistência. Nesse caso, a criança é mero agente passivo nas mãos de alguém a quem é conferida uma autoridade maior para impetrar sobre ela uma graça, no caso, o sacerdote. Os defensores do batismo infantil apresentam alguns argumentos em sua defesa. O primeiro desses argumentos (e talvez o mais popular) é construído a partir da história narrada em Atos 16.27-34, referente à conversão do carcereiro de Filipos e seus familiares. Segundo o texto, depois que ouviram a Palavra do Senhor, o carcereiro foi batizado, ele e todos os da sua casa (At 16.33). No entender dos pedobatistas, certamente havia crianças bem pequenas naquela família, sendo todas incluídas no batismo realizado naquela ocasião. É difícil, porém, levar esse argumento a sério, posto que se sustenta unicamente sobre o frágil alicerce da imaginação e da criatividade dos seus proponentes. Para desmantelá-lo, basta lembrar o fato óbvio de que nem todas as famílias têm bebês em casa. Um argumento a favor do pedobatismo está baseado na sua ligação com a circuncisão: “no qual estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo. Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Cl 2.11,12). Neste texto o apóstolo Paulo usa a figura da circuncisão para ilustrar a inclusão de um homem dentro do judaísmo. Do mesmo modo que a circuncisão62 servia de sinal, o batismo serve de sinal para o ingresso no Corpo de Cristo, que é a Sua Igreja. Como a circuncisão ocorria (e ainda hoje ocorre entre os judeus) no oitavo dia de vida e o apóstolo a associa ao batismo, os defensores do batismo infantil entendem que a criança deve ser batizada nos primeiros dias de vida. Ora, se for para se levar a ilustração da circuncisão ao pé da letra, então as crianças de sexo feminino não poderiam ser batizadas. A Bíblia diz que antes de ser batizada a pessoa deve arrepender-se e crer em Cristo (At 2.38,41,42; 8.37). E mais: as Escrituras mostram que o batismo é um símbolo de nossa morte para o pecado e ressurreição para uma nova vida (Rm 6.4,11). Por isso, somente podem participar do símbolo os que já participaram da realidade que ele representa.






II. O SÍMBOLO E O PROPÓSITO DO BATISMO
2.1 Símbolo do Batismo: Identificação com Cristo.
A LIÇÃO DIZ: O Batismo por imersão simboliza a união do crente com Cristo, por meio de sua a morte, sepultamento e ressurreição. Essa verdade é afirmada pelo apóstolo Paulo aos cristãos que estavam em Roma (Rm 6.3-5). Batismo é a nossa identificação com Cristo na Sua morte e ressurreição. Do mesmo modo como os elementos da Ceia simbolizam o corpo e o sangue de Jesus, a imersão em águas simboliza, respectivamente o sepultamento e a ressurreição daquele que morreu para o mundo e ressuscitou para Deus: “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Cl 2.12). O apóstolo Paulo discorre sobre o simbolismo do batismo mostrando quanto ele é importante na prática de vida: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.3,4). Portanto, esse símbolo impõe sobre o indivíduo grande responsabilidade para com Deus. Basta ler todo o capítulo sexto de Romanos para se ter uma ideia da implicação desse símbolo: o batismo em si é a dramatização externa de uma graça interna.
2.2 O Propósito do Batismo: Testemunho público da fé cristã.
A LIÇÃO DIZ: No contexto da fé bíblica, o Batismo é uma pública profissão de fé. Isso significa que o crente, quando desce as águas batismais, está testemunhando de forma pública perante mundo da sua nova vida em Cristo (At 2.41).
Voltemos ao texto de Mateus 28.19,20
a: Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. O verbo principal é “Façam discípulos”. Subordinado a este temos: a. batizando-os e
b. ensinando-os. Nesse tipo de construção gramatical seria completamente errôneo dizer que, porque a palavra batizando-os precede a palavra ensinando-os, a pessoa deve ser batizada antes de ser instruída. É muito natural que batizar seja mencionado primeiro, pois embora uma pessoa seja batizada uma vez (ordinariamente), ela continua sendo instruída ao longo de toda a sua vida. Os conceitos “batizar” e “ensinar” são simplesmente duas atividades, coordenadas uma à outra, mas ambas subordinadas a “façam discípulos”. Noutros termos, pelo batismo e pela instrução uma pessoa chega a ser um discípulo, compreendendo-se, naturalmente, que esse indivíduo está pronto para o batismo e está disposto a apropriar-se do ensinamento. O contexto deixa muito claro que Jesus está aqui falando daqueles que são suficientemente maduros para serem considerados objetos da pregação. Aqui ele não está falando das crianças. A fim de estar preparado para o batismo requer-se o arrependimento (At 2.38,41). Exige-se “receber a palavra” (At 2.41). Isso também mostra que o batismo deve ser precedido por certa porção de ensinamento.
Mediante essa o texto da lição e breve exposição acima, destacamos os seguintes pontos:
• O batismo é uma pública profissão de fé, ou seja, um ato em que o crente confessa diante do mundo que crê em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.
• O batismo é uma demonstração de mudança. Quando o crente desce as águas batismais, está testemunhando de forma pública perante mundo da sua nova vida em Cristo.
• O batismo é uma decisão de compromisso. Quando o salvo se candidata ao batismo deve estar convicto e consciente da fé que abraçou.
2.3 Não há espaço para indecisão.
A LIÇÃO DIZ: Somente cristãos indecisos rejeitam ser batizados. As vezes isso acontece por ignorância ao sentido do ato. Outras vezes é por falta de convicção de fé. No primeiro caso, ás vezes o crente entende que após ser batizado não pode mais cometer qualquer tipo de falha. Embora a Bíblia mostre que o crente deve evitar o pecado (1 Jo 2.1), contudo, o Batismo não pode ser visto como uma vacina que imuniza o cristão contra o pecado. Este é vencido quando se anda no Espírito (Gl 5.15). Por outro lado, há muitos que rejeitam o Batismo justamente por falta de conversão. Estão
conscientes das implicações que esse rito traz e não estão dispostos a cortar o cordão umbilical com o mundo.
• O autor defende a tese de que o batismo é uma escolha de fé que implica em uma transformação de vida, e que somente os cristãos indecisos o rejeitam por não compreenderem o seu significado ou por não terem uma verdadeira conversão.
• O autor argumenta que o batismo não é uma garantia de perfeição, mas um compromisso de santificação.
• O autor expõe que o batismo é uma expressão de conversão, mas não uma condição para ela, e que muitos não estão dispostos a se batizarem porque não querem romper com o mundo e seus valores, o que demonstra a falta de uma genuína transformação de coração e mente.






III. A FÓRMULA E O MÉTODO DO BATISMO
3.1 Fórmula trinitária do Batismo.
A LIÇÃO DIZ: Durante a Grande Comissão, Jesus orientou seus discípulos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Essa é a fórmula trinitária do batismo cristão. Jesus estabeleceu assim o batismo: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). A fórmula trinitariana foi a que Jesus recomendou. Todavia, há uma antiga discussão sobre a fórmula com base em alguns textos que descrevem o batismo realizado tão somente em nome de Jesus (At 2.38; At 8.16; 10.48; 19.5). Os argumentos a favor e contra são os seguintes:
• Pai não é nome; Filho, não é nome e Espírito Santo, não é nome; logo, o nome que exprime tudo isso é o nome de Jesus. Essa argumentação é própria dos unicistas – aqueles que não acreditam na doutrina da Trindade.
• O batismo em nome de Jesus era praticado comumente pela Igreja primitiva, tanto quanto o batismo em nome da Trindade.
• Ο batismo em nome de Jesus é uma expressão reducionista que serve para estabelecer a distinção entre o batismo de Jesus e o de João Batista como bem se observa em Atos 19.3-5: “Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou como batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus”.
• Para alguns, tanto faz a fórmula conquanto preservem o seu significado que é a identificação do crente com Cristo na sua morte e ressurreição.
• O uso frequente de batismo “em nome de Jesus” ou “em nome do Senhor” não significa que a Igreja primitiva tivesse abandonado a fórmula batismal conforme instituída pelo Mestre em Mateus 28.19, mas a menção dos casos feitas pelo escritor implica dizer que foram batizados “conforme a autoridade de Cristo”. Se é para acatar uma ordem, nada melhor do que acatá-la literalmente e por inteiro a partir da sua fonte original! Esta parece ser a opinião mais comumente aceita pela Igreja de Cristo. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p.128), diz: A ordem dada por Jesus foi de batizar “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Cremos e praticamos a fórmula que ele mesmo ordenou. Uma ordem dada por Jesus deve ser cumprida. Sobre a expressão que aparece quatro vezes no Novo Testamento: “em nome de Jesus Cristo” (At 2.38), “em nome do Senhor Jesus” (At 8.16; 19.5) e “em nome do Senhor” (At 10.48), significa somente que o batismo é realizado na autoridade do nome de Jesus.
3.2 Fórmula herética do Batismo.
A LIÇÃO DIZ: Nem todos os grupos dentro da tradição cristã seguem a fórmula trinitariana. Há grupos que seguem um tipo de doutrina modelista. Um exemplo é o unicismo. Esse grupo batiza seus membros somente em nome de Jesus. O suporte bíblico dele é buscado em alguns textos do livro de Atos, onde supostamente se negaria a prática trinitariana (At 2.38; 19.5). Convém dizer que esses textos não negam a fórmula trinitária nem tampouco negam a Trindade. Na verdade, o que é dito é que o Batismo era feito na autoridade de Jesus, isto é, naquilo que Ele fez e ensinou. Durante muitos séculos não houve dúvidas sobre a fórmula do batismo em nome da Trindade no seio da Igreja. Porém, a partir do século passado ressurgiu com ímpeto uma corrente do unitarianismo, pondo alguns em dúvida quanto à fórmula batismal, afirmando que o batismo correto seria aquele que batizasse somente “em nome de Jesus”. Vejamos o que as Escrituras têm a nos dizer sobre tal argumento. No evangelho, segundo escreveu Mateus, Jesus deu o seguinte mandamento: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo…” (Mt 28.19). Esta fórmula tríplice do batismo é uma maneira de ressaltar a Santíssima Trindade. Entretanto, no início de Atos 2.38 lemos: “…cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo…”. Algumas seitas interpretam essa aparente discrepância para sustentar sua negação da posição trinitariana. Dizem que a declaração de Mateus 28.19 apoia os três nomes de Cristo, que é designado por Pai, Filho e Espírito Santo (os unicistas dizem isso). Assim, estabelecem que a fórmula correta do batismo é a encontrada em Atos 2.38. Citam também Atos 8.16, 10.48 e 19.5 como prova de que a Igreja Primitiva batizava apenas em nome de Jesus. Analisemos as passagens citadas:
▪ Atos 2.38 “…seja batizado em nome de Jesus Cristo…”.
▪ Atos 8.16 “…sido batizados em nome do Senhor Jesus…”.
▪ Atos 10.48 “…batizados em nome do Senhor”.
▪ Atos 19.5 “…batizados em nome do Senhor Jesus”.
O que se observa da leitura atenta dos versículos citados? Que não se trata de uma fórmula
batismal porque não são uniformes as expressões, variando de “em nome de Jesus Cristo” (Atos 2.38) para “em nome do Senhor Jesus” (Atos 8.16) e “em nome do Senhor” (Atos 10.48). Muito razoável é afirmar então que a narrativa de Atos 2.38 indicada como batismo em nome de Jesus Cristo esteja se referindo a “pela autoridade de Jesus”, como se lê em Atos 3.16 e 16.18, onde a autoridade de Jesus é invocada. Não se trata de fórmula que acompanha tais acontecimentos, uma vez que em Atos 19.13 a invocação do nome de Jesus por exorcistas nada significava porque os que o fizeram não tinham realmente a autoridade de Jesus. Em outras palavras, o batismo foi ordenado e levado a efeito sob a divina autoridade do Filho, empregando-se a fórmula de Mateus 28.19.
3.3 Imersão: o método bíblico do Batismo.
A LIÇÃO DIZ: Convém dizer que não há vestígios da prática do Batismo por aspersão no Novo
Testamento. Esse tipo de Batismo se caracteriza por aspersão de água sobre o candidato. Entretanto, o contexto do Novo Testamento mostra claramente que o Batismo nos dias bíblicos era por imersão. A prática do batismo no Novo Testamento era realizada de um único modo: a pessoa batizada era imersa ou completamente submersa na água e em seguida trazida à tona. Batismo por imersão é, portanto, o modo ou a forma pela qual o batismo era realizado no Novo Testamento. Isso se evidencia pelas seguintes razões.
• A palavra grega baptizō significa “mergulhar, afundar, imergir” algo em água. Isso é normalmente reconhecido e o significado-padrão do termo na literatura grega antiga tanto na Bíblia quanto fora dela.
• O sentido “imergir” é adequado e provavelmente exigido para a palavra nos vários textos do Novo Testamento. Em Marcos 1.5, as pessoas eram batizadas por João “no rio Jordão” (o texto grego traz en, “em”, não “ao lado” ou “próximo” ou “perto” do rio). Marcos também nos diz que, quando Jesus foi batizado, “ele saiu da água” (Mc 1.10). O texto grego especifica que ele saiu “para fora da” (ek) água, não que ele se distanciou da água (isso seria designado por grego apo). O fato de João e Jesus entrarem no rio e saírem dele sugere fortemente a imersão, já que a aspersão ou a efusão de água poderiam muito mais facilmente ter sido feitas junto ao rio, especialmente porque multidões vinham buscar o batismo.
• O simbolismo da união com Cristo em sua morte, sepultamento e ressurreição parece exigir o batismo por imersão. Paulo afirma: “Não sabeis que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.3,4).

CONCLUSÃO
O batismo nas águas é um importante marco para a vida espiritual dos cristãos. A igreja não pode abandonar essa ordenança.

















