O PADRÃO BÍBLICO PARA A VIDA CRISTÃ
Caminhando Segundo os Ensinos das Sagradas Escrituras



O QUE VAMOS ESTUDAR?
Na lição desta semana, estudaremos a respeito da realidade da salvação oferecida por Deus a todos os seres humanos. A Bíblia nos mostra a má notícia sobre a nossa condição, a de que somos pecadores e estamos afastados de Deus, entretanto ela também nos mostra uma boa notícia: Deus proveu, em Jesus Cristo, a salvação de que necessitamos para ser reconciliados com Ele. Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO PRINCIPAL
Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa para a salvação. (Rm 10.9,10 NVI).
• A condição da salvação – Crer e confessar. A fé salvadora é fé na ressurreição (1Co 15.17), e a confissão de Cristo é profissão pública de que ele é Senhor. A fé é a raiz e a confissão, o ramo da planta. Fé interior e confissão pública andam juntas e são essencialmente uma coisa só. Fé sem confissão seria inautêntica; não passaria de mero religiosismo estéril. Confissão sem fé seria superficial, palavras jogadas ao vento. John Stott está coberto de razão quando diz que o conteúdo do que se crê e o conteúdo da confissão têm de ser um só. Implícitas nas boas-novas estão as verdades de que Jesus Cristo morreu, ressuscitou, foi exaltado e agora reina como Senhor e concede salvação aos que nele creem.
• O efeito da fé e da confissão – Salvação. O efeito dessa confissão e crença é a salvação – “serás salvo” (10.9). A salvação tem a ver com o crer no coração, e o testemunho tem a ver com a confissão da boca. A boca pronuncia os termos; o coração, porém, é que se lhes prende. Não se impõe a questão de separar as operações; não há confissão da boca sem a fé que procede do coração.
RESUMO DA LIÇÃO
A salvação é oferecida por Deus por intermédio do sacrifício de Jesus Cristo, seu Filho Unigênito.
• A Oferta da Salvação por Deus. A salvação é um presente divino, uma oferta graciosa de Deus para a humanidade. Esta oferta não é baseada em méritos humanos ou realizações, mas na misericórdia e graça de Deus. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Ef 2.8). A salvação é, portanto, uma expressão do amor incondicional de Deus pela humanidade.
• O Papel de Jesus Cristo. Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, é o mediador dessa salvação. Ele se ofereceu como sacrifício, morrendo na cruz para pagar a penalidade pelos pecados da humanidade. “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por
causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.” (Is 53.5). Através de seu sacrifício, Jesus tornou possível a reconciliação entre Deus e a humanidade.
• A Aceitação da Salvação. Embora a salvação seja oferecida a todos, ela deve ser aceita em fé. “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.” (Rm 10.9). A salvação, portanto, é uma resposta de fé à oferta de Deus em Jesus Cristo.





I. A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO
1.1 O que é a salvação.
É importante destacar que salvação não é:
• Salvação não é a mesma coisa que filiação a uma denominação religiosa. Este é um pensamento popular muito comum. Muitas pessoas pensam que ser salvo significa pertencer a uma igreja. Porém, é perfeitamente possível que uma pessoa seja membro de uma denominação religiosa por muitos anos e não tenha um relacionamento com Jesus baseado na graça.
• Salvação não é a mesma coisa que prosperidade material. As denominações adeptas da chamada “teologia da prosperidade” falam tanto sobre a prosperidade financeira que se esquecem de anunciar o perdão de pecados e da salvação em Cristo. Assim acabam transmitindo a falsa noção de que Jesus morreu na cruz para nos dar boa saúde, um bom carro, uma boa casa e para salvar nosso negócio. A mensagem da cruz fica totalmente perdida em meio às questões materiais. Jesus não morreu para nos dar bênçãos materiais e sim para nos trazer a salvação. É certo que Deus nos abençoa financeira e materialmente, dando-nos o suficiente para nossa peregrinação neste mundo, mas o cerne das boas-novas não é um carro possante, mas a salvação eterna.
• Salvação não é a mesma coisa que participação em eventos religiosos. Este também é um pensamento comum. Muitas pessoas pensam que o fato de fazerem peregrinações e romarias é sinônimo de salvação. A versão evangélica mais comum deste engano é pensar que a participação em incontáveis atividades realizadas na igreja é sinônimo de salvação. Algumas atividades eclesiásticas são realmente proveitosas e edificantes. Outras consistem apenas em um ativismo vazio. Salvação é um relacionamento piedoso com Deus baseado na graça mediante a fé e não em um ativismo religioso. Salvação é a mudança do estado de condenação em que o pecador se encontra, por causa do pecado, para o estado de bem-aventurança, para o qual é conduzido pela graça de Deus. O apóstolo Paulo menciona esta mudança de estado em sua carta aos crentes de Colossos: “Ele [Deus] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13- 14).
1.2 A Origem da Salvação.
A LIÇÃO DIZ: A salvação tem sua origem no próprio Deus. Foi Ele que planejou todo o cenário pelo qual ela aconteceria, e uma das coisas que precisamos entender é que o homem não pode salvar a si mesmo. A origem da salvação é a vontade de Deus, que decretou desde a eternidade que providenciaria a salvação àqueles que cressem: “do SENHOR vem a salvação” (Jn 2.9). Como declarou João, os crentes são “filhos […] os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo 1.13). Paulo acrescenta: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Rm 9.16), pois “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5). Em suma, a salvação se originou em uma decisão de Deus em nos salvar. De outra forma, ninguém jamais poderia ser resgatado. A salvação, por sua vez, é uma ação divina (Ef 2.8). No entanto, demandando uma cooperação humana – por isso é sinergista – em que estão presentes duas ações conjuntas: a divina e a humana. A justificação (ato divino), a regeneração (ato divino) e a santificação (ato divino sequenciado pelo esforço humano).
1.3 O meio pelo qual provém a salvação. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus (Ef 2.8 NVI). A salvação é pela graça, mas também “por meio da fé”. É a graça que nos salva pela instrumentalidade da fé. É bem conhecida a expressão usada por certo estudioso: “A fé traz a Deus uma pessoa vazia para que se possa encher das bênçãos de Cristo”. É muito importante ressaltar que Paulo não está falando de qualquer tipo de fé. A questão não é a fé, mas o objeto da fé. Não é fé na fé. Não é fé nos ídolos. Não é fé nos ancestrais. Não é fé na confissão positiva. Não é fé nos méritos. É fé em Cristo, o Salvador!





II. OS EFEITOS DA SALVAÇÃO
2.1 Regeneração.
A LIÇÃO DIZ: Ser regenerado é nascer novamente (Jo 3.3). Essa ação é realizada pelo Espírito Santo quando a pessoa se arrepende e confessa a Jesus com o seu Salvador e Senhor, crendo em seu sacrifício. Vamos analisar algumas definições recortadas de dicionários bíblicos: Regeneração é a obra do Espírito Santo em criar uma nova vida na pessoa pecadora que se arrepende e passa a crer em Cristo. [Do gr. palinginesia, do lat. regenerationis] Ato de nascer de novo. Milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o partícipe da vida e da natureza divinas. Através da regeneração, conhecida também como conversão e novo nascimento, o homem passa a desfrutar de uma nova realidade espiritual. A regeneração não é um pro cesso; é um ato revolucionário que leva o homem a nascer da água e do espírito (Tt 3.5). O novo nascimento e a regeneração não representam fases sucessivas na experiência espiritual, dizem respeito ao mesmo evento, mas o veem em aspectos diferentes. O novo nascimento ressalta a comunicação da vida espiritual em contraste com a antecedente morte espiritual:
a “regeneração” acentua o começo de um novo estado de coisas em contraste com o antigo.
2.2 Justificação e adoção. A justificação é “um ato judicial de Deus, no qual ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador”, diz Louis Berkhof. “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). A doutrina da justificação está ligada ao início da fé cristã. Pela justificação o pecador é posto no rol dos salvos e visto com bons olhos diante de Deus, por pior que tenha sido sua vida antes desse grande acontecimento. Justificação é mais do que o perdão dos pecados. Os pecados, infelizmente, voltam, por causa da natureza humana, e, para cada ato de pecado, cabe um pedido imediato de perdão; mas isto não significa que somos justificados cada vez que cometemos um pecado. A justificação para a salvação é um acontecimento exclusivo e definitivo, a menos que o salvo abandone a sua condição em Cristo, renunciando à fé e caindo da graça. [Do gr. huithesia, estar em lugar de filho] O vocábulo, no Novo Testamento, descreve o fato de Deus receber como filho alguém que, legal e espiritualmente, não goza do direito de tê-lo como Pai. A partir deste momento, passa esse alguém a desfrutar de todos os privilégios que Deus, desde a mais remota eternidade, preparou àqueles que aceitam a Cristo como o único e suficiente Salvador.
2.3 Santificação.
A LIÇÃO DIZ: A santificação não é a adoção de uma vida isolada da coletividade, como se o afastamento para com outras pessoas nos tornasse santos. Santificação é o processo de ser feito santo, resultando em um estilo de vida transformado para o crente. A palavra portuguesa “santificação” vem do latim sanctificatio, que significa o ato ou processo de fazer (algo ou alguém) santo, consagrado. J. I. Packer diz que santidade é um substantivo que pertence ao adjetivo santo e ao verbo santificar, que basicamente significa tornar santo. Santo, tanto no hebraico, como no grego, significa separado, consagrado e recriado para Deus. Quando aplicado às pessoas, como os “santos de Deus” ou “santos”, a palavra implica em devoção e assimilação: devoção, no sentido de viver uma vida de serviço para Deus; assimilação, no sentido de imitar, conformar-se e tornar-se como Deus a quem se serve.



III. A SALVAÇÃO PARA TODOS
3.1 Uma tão grande salvação.
A LIÇÃO DIZ: A Palavra de Deus nos mostra que “a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Quando Deus planejou a salvação , Ele objetivou salvar a todos (At 17.30). A expressão “todos” não é reducionista nem restritiva. Portanto, a morte de Cristo tem o poder de salvar a todos os homens, desde que se arrependam de seus pecados nesta vida e recebam a salvação pela fé em Jesus. Há duas correntes de pensamento, uma delas, o arminianismo, a corrente mais popular, defende a ideia da expiação ilimitada, ou seja, que Cristo morreu por todas as pessoas sem exceção alguma. Por outro lado, os calvinistas defendem a ideia da expiação limitada, ou seja, que Jesus morreu apenas por um grupo restrito no qual ele escolhera antes da fundação do mundo. Quando examinamos as Escrituras, elas parecem apontar para um Deus amoroso que deseja que todos alcancem a salvação e que, de fato, a oferece a todos. Alguns calvinistas criticam essa visão, alegando que ela pode levar ao universalismo. O universalismo é a doutrina que afirma que, no final, toda a humanidade será salva, inclusive ditadores como Hitler e Stalin. Isso não poderia estar mais longe da verdade, pois no arminianismo, para que o indivíduo possa se apropriar da salvação disponível a todos, ele precisa crer em Jesus e, como fruto dessa fé, se arrependerá de seus pecados. No universalismo, essa necessidade não existe. Vamos considerar alguns textos bíblicos que
explicitam que Cristo morreu por todos:
• ‘O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.’ (1 Tm 2.4).
• ‘Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.’ (Rm 5.6).
• ‘Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a
nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.’ (1 Tm 4.10)
• ‘Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora de todos os homens.’ (Tt 2.11)
• ‘Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do
que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.’ (Hb 2.9)
• ‘Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.’ (2 Co 5.14-15)
3.2 A presciência de Deus e a salvação.
A LIÇÃO DIZ: Um dos atributos de Deus é a presciência, ou seja, a capacidade divina de saber o que há de acontecer no futuro. Por meio de sua presciência, Deus sabe quem há de responder à mensagem do Evangelho, mas isso não significa que foi Deus que escolheu quem será salvo e quem não será. Deus não restringe a sua salvação a um grupo isolado de pessoas escolhidas por um critério misterioso, deixando de fora da salvação outras pessoas, mas simplesmente porque Ele assim o quis. Aliás, Ele deixou bem claro que os critérios da salvação são o arrependimento e a fé no sacrifício do seu Filho, Jesus (Mc 1.15). Presciência é uma característica do intelecto divino e não traz consigo uma ação que inclui ou exclui pessoas. Esta interpretação (presciência como capacidade de conhecer o futuro) sugere que a presciência de Deus se refere simplesmente ao seu conhecimento antecipado de todos os eventos. Ele tem conhecimento do futuro antes que ele se desdobre no nosso tempo. No entanto, esse conhecimento de Deus sobre os eventos futuros é baseado em sua observação. Isso significa, por exemplo, que ele tem conhecimento de cada ação que cada uma de suas criaturas realizará. No entanto, essa presciência não é causativa, ou seja, o fato de Ele conhecer tais ações não significa que Ele interfere nelas. Em outras palavras, a presciência de Deus não é o que determina que algo aconteça. Ele age como um observador. Portanto, são os eventos futuros que causam o conhecimento prévio de Deus. Ele apenas os conhece porque eles realmente acontecerão em algum momento. O principal objetivo desta interpretação, é tentar preservar a liberdade das criaturas em relação à soberania de Deus. Assim, quando Deus predestina e elege, por exemplo, Ele o faz com base em sua presciência. Portanto, Deus conhece antecipadamente as decisões, ações e comportamentos de suas criaturas. Então, Ele toma decisões e age com base no que foi previsto.
3.3 A resposta humana à salvação.
Vamos abordar esse subponto em três partes:
• Aceitação da Graça Divina. A salvação é um ato de graça divina, um presente imerecido de Deus para a humanidade. No entanto, a resposta humana inicial à salvação é aceitar essa graça. Devemos reconhecer o pecado pessoal, a necessidade de redenção e a aceitação de Jesus Cristo como o Salvador pessoal.
• Santificação Contínua. A salvação não é apenas um evento, mas um processo contínuo conhecido como santificação. Aqueles que foram salvos são chamados a viver uma vida transformada, refletindo a imagem de Cristo em suas ações diárias. Ou seja, a renúncia ao pecado, a busca pela santidade e a adoção de um estilo de vida que glorifique a Deus.
• Perseverança na Fé. A terceira resposta à salvação é a perseverança na fé. A vida cristã é muitas vezes descrita como uma corrida ou uma batalha, e aqueles que foram salvos são chamados a “combater o bom combate da fé” (1 Tm 6.12). Precisamos manter a fé em face da adversidade, resistir à tentação e permanecer firme na verdade do Evangelho.

CONCLUSÃO
A nossa expectativa deve ser a de viver eternamente com Deus, isto é, salvação eterna. Para tanto,
devemos:
a. Viver com propósito. A Bíblia nos encoraja a viver cada dia com um propósito maior, buscando a vontade de Deus em todas as nossas ações. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)
b. Esperança na vida eterna. A Bíblia nos lembra que esta vida é passageira e que nossa verdadeira esperança está na vida eterna que Deus prometeu aos que creem Nele. “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Fl 1.21)
c. Priorizar o Reino de Deus. Jesus nos ensinou a buscar em primeiro lugar o Reino de Deus, e todas as outras coisas nos serão acrescentadas. Isso significa viver com a perspectiva da eternidade em mente. “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” – (Mt 6.33)
d. Viver de forma justa e piedosa. A Bíblia nos exorta a viver de forma justa e piedosa neste mundo, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso
grande Deus e Salvador Jesus Cristo.” – (Tt 2.13)
















