13 de setembro de 2026 03:34

DUAS IMPORTANTES MULHERES NA HISTÓRIA DE UM POVO

O DEUS QUE GOVERNA O MUNDO E CUIDA DA FAMÍLIA
Os ensinamentos Divinos nos Livros de Rute e Ester para a Nossa Geração
O QUE ESTUDAREMOS?Neste trimestre estudaremos os livros históricos de Rute e Ester. Neles, veremos como Deus usou duas mulheres na história da salvação. Elas foram muito importantes para preparar todo o contexto necessário para o advento do Senhor Jesus, o nosso Salvador.


INTRODUÇÃO
1. O comentarista: Silas Queiroz é pastor na Assembleia de Deus em Ji-Paraná (RO) e procurador-geral no mesmo município. Formado em Direito pela Universidade Luterana do Brasil e bacharel em Teologia pela Faculdade de Teologia Logos (FAETEL), ele tem uma sólida formação acadêmica. Casado com Jocineide Machado de Almeida Queiróz, é pai de três filhos: Silas Junior, Gabriel e Ana Carolina. Além disso, Silas é jornalista e membro do Conselho de Comunicação e Imprensa da CGADB.
2. Divisão didática: A divisão a seguir é pessoal, portanto, você como professor pode ter uma opinião diferente da minha. Podemos dividir o conjunto de lições deste trimestre em três parte:
• Em primeiro lugar – A Lição número 01 serve como introdução ao trimestre. Nela, faremos uma síntese da biografia de Rute e Ester.
• Em segundo lugar – As lições de número 02 a 05 focam especificamente o Livro de Rute.
• Em terceiro lugar – As lições de número 06 a 13 focalizam especificamente o Livro de Ester.

PANORAMA GERAL
1. Cenário e Contexto Histórico:
• Rute: Se passa em Belém, durante o período de juízes em Israel, aproximadamente entre 1200 e 1100 a.C., em uma época de grande instabilidade social e econômica.
• Ester: Se passa em Susã, capital do Império Persa, no século V a.C., durante o reinado de Assuero (Xerxes I). O Império Persa era a maior potência mundial da época.
2. Personagens:
• Rute: Uma jovem moabita que se casa com um israelita e, após a morte do marido, decide seguir sua sogra Noemi de volta para Israel. Lá, ela encontra Boaz, um homem rico e justo, com quem se casa e tem um filho, Obede, que se torna avô do rei Davi.
• Ester: Uma jovem judia órfã que foi criada por seu primo/tio Mardoqueu. Ela se torna rainha da Pérsia após ser escolhida por Assuero entre várias candidatas. Usa sua posição para salvar o povo judeu do extermínio planejado por Haman.
3. Temas:
• Rute: Fidelidade, família, redenção, provisão divina, importância de seguir as leis de Deus.
• Ester: Coragem, fé, oposição à injustiça, o papel da providência divina na história humana.
4. Estilo Literário:
• Rute: Um curto romance com linguagem simples e direta, rico em diálogos e descrições vívidas da vida rural na antiga Israel.
• Ester: Um livro mais complexo, com elementos de suspense e drama, que utiliza diversas técnicas literárias, como simbolismo e ironia.
5. Similitudes entre os livros de Rute e Ester:
• Ambos os livros apresentam mulheres fortes e corajosas que desempenham papéis cruciais na história de seu povo.
• Demonstram a fidelidade de Deus ao seu povo, mesmo em tempos de dificuldade.
• Enfatizam a importância da fé e da obediência a Deus.
• Contêm histórias inspiradoras que oferecem esperança e encorajamento aos leitores.
6. Em resumo:
Rute e Ester são livros distintos com contextos históricos, personagens e temas diferentes. No entanto, ambos compartilham importantes similaridades, como a presença de mulheres fortes e fiéis, a atuação de Deus na história e a mensagem de esperança e encorajamento. Ambos os livros oferecem valiosas lições para os leitores de hoje, especialmente sobre a importância da fé, da coragem e da obediência a Deus, mesmo em meio a desafios e circunstâncias difíceis.

I. RUTE: UMA MULHER IMPORTANTE PARA A LINHAGEM DE DAVI
1.1 Rute era uma mulher Moabita.
Os moabitas eram um povo que descendia de Moabe, filho de Ló. Eles eram parentes próximos dos israelitas, e até conseguiram conviver com eles amistosamente em alguns períodos da História. Porém em muitas outras ocasiões os moabitas aparecem na Bíblia como inimigos do povo de Deus. Moabe era o filho de Ló fruto de uma relação incestuosa com sua filha mais velha (Gn 19.37). Ló, que era sobrinho de Abraão, foi enganado por suas duas filhas que desejavam preservar sua descendência. Além de Moabe, Ló também foi pai de Ben-Ami, o pai dos amonitas, através de outra relação incestuosa com sua filha mais nova. Eles eram devotos de Astarte, deusa da fertilidade, Baal-Peor e outras divindades pagãs (cf. Nm 25.16). Mas parece que dentre todas as divindades cultuadas pelos moabitas, Quemos era a
principal. O deus da guerra Quemos sem dúvida era a divindade nacional dos moabitas. Eles ofereciam sacrifícios de ovelhas e bois (cf. Nm 22.40-23.2; 25.1-3). Além disso, eles também praticavam sacrifícios humano em oferendas ao seu deus (2 Rs 3.27). Os moabitas, assim como os amonitas, foram duramente reprovados por Deus por terem se levantado contra Israel (cf. Dt 23.3-6). Eles não foram hospitaleiros com os israelitas quando saíram do Egito. Além disso, Balaque, o rei moabita, ainda contratou o falso profeta Balaão para amaldiçoar o povo de Israel (Nm 22-24).
Quando os israelitas acamparam nas planícies de Moabe antes de atravessarem o Jordão, eles se envolveram de forma imoral com as mulheres moabitas e midianitas e participaram de sua idolatria (Nm 25). Por tudo isso foi ordenado que eles fossem excluídos da congregação de Israel (Dt 23.3-6; cf. Ne 13.1). Depois de Josué, no período dos juízes de Israel, Deus permitiu que os moabitas oprimissem os israelitas por causa de sua desobediência. Essa opressão moabita durou dezoito anos sob o governo do rei Eglom, até que Deus levantou Eúde, um homem canhoto, para livrar o seu povo (Jz 3.12-30). Destacamos que esse último evento aconteceu bem próximo do contexto de Rute.
1.2 O Perfil de Rute.
Para iniciar este subponto, quero destacar o seguinte texto bíblico: E agora, minha filha, não tenha medo. Tudo o que você falou eu vou fazer, porque todo o povo da cidade sabe que você é uma mulher virtuosa. (Rt 3.11 NAA). No contexto bíblico, a expressão “mulher virtuosa” se refere a uma mulher de excepcional caráter e qualidades, que se destaca por sua fé, integridade e amor a Deus e ao próximo. É importante ressaltar que essa definição não se limita a um conjunto específico de tarefas ou comportamentos, mas sim a um conjunto de princípios e valores que norteiam a vida da mulher virtuosa. Literalmente, Boaz diz: “Todas as pessoas à porta da cidade sabem que você é uma mulher de valor”. Rute é precisamente uma mulher do tipo “Provérbios 31” em carne e osso: as obras dela de fato foram elogiadas publicamente. Vamos as suas qualidades:
• Rute era uma mulher convertida ao Deus vivo (Rt 1.16,17). À semelhança de Abraão, ela deixou sua parentela e foi para uma terra distante por causa da sua fé no Deus vivo. Deus passou a ser o seu Senhor. Rute buscou abrigo debaixo das asas de Deus (Rt 2.2), e Boaz a chama de bendita de Deus (Rt 3.10).
• Rute era uma mulher que amava desinteressadamente (Rt 1.14b). A Bíblia diz que o amor de Rute pela sogra não era interesseiro. A relação havia sido edificada sobre o fundamento sólido do amor, e não sobre a areia movediça dos interesses. O amor é mais forte do que a morte; nem os rios podem afogá-lo. O amor é guerreiro, é combativo, ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; o amor jamais acaba.
• Rute era uma mulher trabalhadora (Rt 2.2,15-17). Ela era uma mulher diligente, que tinha coragem para trabalhar e fazer tudo quanto estava ao seu alcance. Ela não era uma peça de porcelana, uma taça de cristal. Rute tinha fibra, tinha punhos de aço e mãos adestradas para o trabalho.
• Rute era uma mulher de bom testemunho em toda a cidade (Rt 3.11). Ela foi uma mulher que impactou a cidade não pela sua beleza, mas pelas suas virtudes. Sua beleza interior era mais esplêndida do que sua beleza exterior. O maior patrimônio que possuímos é o nosso nome, o nosso caráter. O bom nome vale mais do que as riquezas.
1.3 O exemplo de Rute como modelo para os nossos dias.
• A mulher de Deus deve ter Fidelidade! “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. Vendo Noemi, que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar.” (Rt 1.16-18)
• A mulher de Deus deve ser Prestativa! Ser prestativa é cumprir seus deveres e fazer mais do que lhe é pedido. “E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela disse: Vai, minha filha.” (Rt 2.2).
• A mulher de Deus é Reconhecida! Quando a mulher tem caráter, ela se torna reconhecida por onde quer que ela passe. Em seu trabalho ela é reconhecida, pois sempre faz tudo de coração e sem cara feia. Em casa ela é reconhecida como mulher de Deus por causa de seu comportamento exemplar. Seu marido a reconhece por causa de seu caráter cristão e seus filhos querem ser como ela. Enfim, por onde quer que ela vá, é reconhecida! “Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste? Bendito seja aquele que te reconheceu…”
(Rt 2.19).
• A mulher de Deus é Obediente e Edificante! Ela pensa antes de falar qualquer coisa, pois sabe que suas palavras tem poder para edificar ou derrubar. As obras das suas mãos são sempre para agradar a Deus. Ela faz tudo de acordo com as Leis de Deus, pois isso edifica tanto a ela quanto a todos que estiver á sua volta. “O SENHOR faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel” (Rt 4.11).

II. ESTER: A MULHER QUE AGIU PARA A SOBREVIVÊNCIA DOS JUDEUS
2.1 Origem e Infância.
Ester, também chamada de Hadassa, era uma jovem judia órfã, criada por seu primo Mardoqueu após a morte de seus pais. Viveu em Susã, capital do Império Persa, durante o reinado de Assuero. O texto bíblico nos diz: Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem mãe. Essa moça, também conhecida como Ester, era atraente e muito bonita, e Mardoqueu a havia tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram.
(Et 2.7 NVI). Era proveniente da tribo de Benjamim e pertencia à família real de Saul. Nesse tempo vivia na cidadela de Susã um judeu chamado Mardoqueu, da tribo de Benjamim, filho de Jair, neto de Simei e bisneto de Quis. (Et 2.5 NVI).
2.2 Virtudes.
• Coragem. Demonstrou grande bravura ao se apresentar ao rei para salvar seu povo, mesmo correndo risco de morte (Et 4:8-11).
• Inteligência. Era perspicaz e sabia como agir com sabedoria para alcançar seus objetivos (Et 2.15, 5.1-4).
• Humildade. Apesar de sua posição de rainha, Ester não se esqueceu de suas origens humildes
e sempre agiu com modéstia (Et 2.15, 4.8).
• Beleza: A beleza de Ester era notória, mas sua verdadeira beleza residia em seu caráter virtuoso (Et 2.7).
2.3 Lições que podemos aprender com a história e a vida de Ester.
• Confiar nos planos de Deus. Ele usou a vida da rainha Ester para proteger seu povo. Precisamos confiar naquilo que Deus já planejou para nós e através de nós, independente das circunstâncias. A nossa dor nos torna mais fortes para enfrentar desafios.
• Tudo acontece no tempo certo. Nosso Pai é soberano e a partir do momento que deixamos o Espírito Santo direcionar nossas vidas, tudo acontecerá no seu tempo. Assim como vemos na história de Ester, onde Deus preparou tudo nos detalhes, inclusive a hora, lugar e ocasião.
• Viva por algo maior. Ela entendeu que não deveria viver para si, mas para aquilo que Deus a chamou para fazer. Nós, como filhos de Deus, que vivemos de acordo com a Sua Palavra, devemos ser como Ester, corajosos e sábios para agir em favor do povo de Deus.
• Buscar a orientação Divina. Antes de qualquer decisão, Ester pedia orientação a Deus, pois queria agradá-lo. Por isso, nosso papel é agir com sabedoria nos caminhos que serão enfrentados.
• Creia no poder da oração. Este teve humildade de pedir oração à nação judaica. Mesmo sendo rainha e possuindo recursos, ela preferiu solicitar auxílio ao povo de Deus.

III. MULHERES DE DEUS COMO PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA
3.1 O que é feminilidade?
A feminilidade é um comportamento projetado e criado por Deus, um presente dado pelo Senhor à humanidade, e que não consiste somente em se cuidar ou se vestir-se adequadamente. Bem mais que isso, feminilidade é um conjunto de atitudes e comportamentos, um estilo de vida pelo qual a família e a sociedade experimentam doçura, amabilidade, afetividade, beleza e outros atributos mais. O John Piper, de forma fantástica, definiu a expressão “feminilidade”: No coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição de ratificar, receber e nutrir força e liderança de homens dignos, através de formas apropriadas aos diferentes relacionamentos de uma mulher” (Jonh Piper). Desembrulhando:
1. NO CORAÇÃO: Essas palavras indicam que a definição de feminilidade não é exaustiva. Há mais sobre a feminilidade do que contém esta definição. Entretanto, ela se aproxima bastante do significado da verdadeira feminilidade, mesmo que haja um mistério a respeito da existência complementar do homem e da mulher que jamais esgotaremos.
2. FEMINILIDADE MADURA: O adjetivo “madura” sugere que há distorções na feminilidade. Ao falarmos de feminilidade, portanto, devemos fazer distinções cuidadosas entre as distorções do pecado e o desígnio original de Deus. A “feminilidade madura” refere-se não ao que o pecado fez da feminilidade ou o que a opinião popular faz dela, mas ao que Deus desejou que ela fosse, no seu melhor.
3. UMA LIBERTADORA DISPOSIÇÃO: No coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição. John Piper focaliza a feminilidade madura como uma disposição, em vez de um conjunto de comportamentos e papéis. Isso ocorre porque a feminilidade madura se expressará de muitas formas diferentes, dependendo da situação. Por exemplo, a submissão de uma esposa assume diferentes formas, dependendo da qualidade da liderança do marido. Ela deve possuir uma disposição para ceder à autoridade do marido e uma inclinação para seguir sua liderança. Importa destacar o seguinte: nenhuma submissão de um ser humano a outro é absoluta. O marido, por exemplo, não substitui Cristo como a autoridade suprema da mulher. Ela nunca deve seguir a liderança do marido se isso a conduzir ao pecado ou à destruição da imagem de Deus nela (no caso de abuso ou agressão de qualquer natureza). Uma mulher pode ter um espírito de submissão, uma disposição para submeter-se, até mesmo quando precisa posicionar-se ao lado de Cristo contra a vontade pecaminosa de seu marido.Ela pode mostrar, por sua atitude e comportamento, que não está resistindo à vontade de seu marido, mas sim desejando que ele abandone o pecado e a lidere com justiça e retidão, para que possa honrá-lo novamente como cabeça em uma relação harmoniosa.

4. DE RATIFICAR, RECEBER E NUTRIR FORÇA E LIDERANÇA DE HOMENS DIGNOS: No coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição de ratificar, receber e nutrir força e liderança de homens dignos. A “força e liderança de homens dignos” mencionada aqui se refere à responsabilidade da masculinidade madura de liderar, prover e proteger. Observe as três palavras que descrevem a resposta de uma mulher à força e à liderança de homens dignos: ratificar, receber e nutrir.
• RATIFICAR: Significa que mulheres maduras aprovam o aspecto complementar masculino-feminino que descrevemos aqui: homens lideram com o espírito servil de Cristo, enquanto mulheres se submetem em amor a Cristo.
• RECEBER: Significa que a feminilidade madura sente-se natural e alegre ao aceitar a força e a liderança de homens dignos. Uma mulher madura fica contente quando um homem respeitoso e atencioso, servil e amoroso, oferece iniciativas apropriadas em seu relacionamento. Ela não quer inverter esses papéis. Ela se alegra quando ele não é passivo, mas ativamente amoroso e servil. Ela se sente enriquecida, honrada e livre pela força, atenção e liderança oferecida por ele.
“NUTRIR” significa que uma mulher madura sente uma responsabilidade não apenas de receber, mas de fortalecer as fontes da masculinidade. Ela deverá ser companheira dele; como Gênesis 2.18 afirma: “Uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Há contribuições que as mulheres trazem a um relacionamento que os homens não têm condições de trazer. Mulheres maduras oferecem observações que tornam os homens mais fortes e sábios e que tornam o relacionamento mais rico.

5. ATRAVÉS DE FORMAS APROPRIADAS AOS DIFERENTES RELACIONAMENTOS DE UMA MULHER… no coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição de ratificar, receber e nutrir força e liderança de homens dignos, através de formas apropriadas aos diferentes relacionamentos de uma mulher. A feminilidade madura não se expressa da mesma forma em todos os seus relacionamentos com os homens. Uma mulher casada, por exemplo, não recebe bem, de outros homens (nem deverá receber), o mesmo tipo de liderança que recebe de seu marido. Mas, ela deve ratificar, receber e nutrir a força e a liderança de homens, de alguma forma, em todos os seus relacionamentos com eles.
3.2 O que é feminismo?
De acordo com o dicionarista Antônio Houaiss, feminismo é definido como: ‘doutrina que preconiza o aprimoramento e ampliação dos direitos das mulheres na sociedade. Movimento que milita neste sentido. Teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos’ (2001, p. 1324 – acréscimo nosso). Entretanto, o que o dicionário não contempla, conforme apontado pelo Pastor Baptista em seu livro A Igreja de Cristo e o Império do Mal (2023, p. 51), é que o movimento feminista é uma ideologia que busca desconstruir os valores bíblicos. Nesse contexto, o modelo de família bíblico é tratado como opressor do homem em relação à mulher. A visão maximalista adotada pelo movimento feminista envolve a desconstrução da família patriarcal, a promoção da liberdade sexual e a dissolução do matrimônio. Dessa maneira, ratifica-se que o ativismo radical rejeita a maternidade, faz apologia ao aborto, banaliza o divórcio, considera ofensivo o papel da mulher como auxiliadora do homem e enaltece a lascívia. Além disso, o movimento engaja-se numa luta de gênero contra os homens. A perspectiva bíblica diverge radicalmente dessa ideologia satânica e destrutiva. A visão bíblica é a seguinte:
• Homens e mulheres são iguais diante de Deus, detentores da mesma importância e dignidade aos olhos do Criador. As Escrituras ensinam que Deus criou tanto o homem como a mulher à Sua imagem, dando a ambos domínio sobre a terra (Gn 1.26-28) e concedendo-lhes as mesmas capacidades intelectuais e espirituais.
• Apesar de serem iguais diante de Deus, homens e mulheres possuem papéis diferentes. Igualdade e identidade não devem ser confundidas. Embora tenhamos igualdade, somos diferentes uns dos outros e nos complementamos por meio das qualidades distintas de nossa sexualidade, tanto psicológicas quanto fisiológicas (Gn 2.18).
• As mulheres devem ser honradas e tratadas com dignidade. O propósito de Deus nas Escrituras é que a mulher seja tratada com dignidade. Ninguém valorizou mais a mulher do que Jesus. Ao encontrar a mulher pecadora, Ele demonstrou compaixão e misericórdia (Jo 20.15). Ao encontrar a viúva de Naim, Ele compartilhou de sua dor (Lc 7.11-17). Ao conhecer a mulher samaritana, concedeu-lhe dignidade, perdão e vida (Jo 4.5-29). Ao lidar com Marta e Maria, viu nelas amigas e discípulas (Lc 10.38-42). Ao se deparar com a mulher adúltera (Jo 8.1-11), concedeu-lhe perdão. E ao se relacionar com Sua mãe, cuidava dela e a protegia (Jo 19.26-28). Além disso, quando ressuscitou dentre os mortos, foi às mulheres que, inicialmente, Ele apareceu (Jo 20.11-14).
3.3 A mulher que faz diferença.
Rute e Ester não precisaram adotar papéis masculinos para serem reconhecidas em suas épocas e na história da igreja. Elas conquistaram destaque sendo esposas sábias e mães dedicadas. Dentro dos limites da feminilidade, essas mulheres se tornaram exemplos de fé, fidelidade, humildade, amor, coragem e sabedoria para todos os cristãos Veja, conforme o livro de Provérbios, as características da mulher que faz a diferença. Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera”. A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme o Senhor será elogiada. Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade. (Pv 31.28-31 – NVI). A mulher virtuosa investiu no marido, nos filhos e no próximo e, agora, estava recebendo efusivos elogios. Quatro elogios são destacados.
a. Primeiro, o elogio do marido. Ele olha nos olhos da esposa e diz: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. O amor deleita-se em promover a pessoa amada. Essa mulher semeou amor e agora está colhendo os frutos de sua semeadura. O bem que ela fez ao marido está retornando sobre sua própria cabeça.
b. Segundo, o elogio dos filhos. Estes a chamam ditosa. Porque ela ensinou os filhos com sabedoria e bondade, agora recebe o retorno de seu investimento. Porque não amou mais um filho do que outro, todos estão unidos para enaltecer a mãe como uma mulher feliz!
c. Terceiro, o elogio de Deus. A mulher virtuosa é conhecida na terra e no céu. Sua vida é aprovada pelas pessoas e também por Deus. Apesar de seus refinados dotes administrativos, ela é enaltecida por Deus por causa de seu coração humilde.
d. Quarto, o elogio das suas obras. A mulher virtuosa fazia muitas obras de bondade sem nenhum alarde, mas o reconhecimento de suas obras foi público. O que ela fazia em secreto era agora proclamado dos terraços. Porque ela abençoava com generosidade os necessitados, agora suas obras resplandeciam como luz no topo de uma montanha, por todas as gerações.


CONCLUSÃO
Este subsídio tem a pretensão de fornecer apenas informações introdutórias. Os detalhes dos livros de Rute e Ester serão desenvolvidos nas próximas aulas. Que Deus abençoe e até a próxima semana.

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