A IGREJA DOS GENTIOS
Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos












INTRODUÇÃO
Nesta lição, acompanharemos Paulo em Corinto, cidade próspera e cosmopolita, marcada pela idolatria e imoralidade. Após as perseguições enfrentadas em Filipos, Tessalônica e Bereia, o apóstolo chegou ali “em fraqueza, temor e grande tremor” (1Co 2.3). Mesmo assim, permaneceu firme no trabalho missionário. Deus lhe deu a companhia de Áquila e Priscila, abriu uma nova porta na casa de Tício Justo e levou muitos a crer, entre eles Crispo, chefe da sinagoga. Ao longo do estudo, veremos como a graça de Deus sustenta seus servos em ambientes desafiadores. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
pois estou com você, e ninguém vai lhe fazer mal ou ferilo, porque tenho muita gente nesta cidade”. (At 18.10, NVI). porque eu estou com você. Ninguém poderá lhe fazer nenhum mal, pois muitas pessoas desta cidade são minhas. (At 18.10, NTLH). Paulo estava desencorajado e cheio de medo. Ele prontamente admite isso posteriormente numa carta a Corinto: “E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós” (1Co 2.3). Os cidadãos de prestígio de Corinto o consideravam como uma pessoa sem força, influência e privilégio por causa de seu ofício como fabricante de tendas. Eles colocavam Paulo no nível de um escravo. Os judeus queriam que ele parasse de pregar ao povo sobre Jesus, e a ameaça à sua segurança pessoal era constante. A aparente interminável oposição ao ministério de Paulo começou a ter um efeito deprimente sobre sua vida espiritual. Quando Jesus aparece a Paulo numa visão à noite, Paulo o reconhece imediatamente (comparar com
9.10,12; 22.18; 23.11; 27.23-24). Jesus falou diretamente dos problemas que Paulo enfrentava e deu-lhe três curtas ordens: Não tenha medo. Fale. Não se cale.
• A primeira razão para a ordem tríplice de Jesus é que ele estava em Corinto com Paulo (veja Mt 28.20). Ele assegura a Paulo que ninguém vai colocar as mãos nele ou causar-lhe qualquer dano. Paulo não irá experimentar as agruras físicas que caracterizaram sua estada em Filipos, Tessalônica e Bereia.
• Jesus dá uma segunda razão para dar as três ordens a Paulo: “pois tenho muito povo nesta cidade”. Que encorajamento para Paulo! O próprio Jesus garante que o trabalho de Paulo em Corinto dará frutos.
VERDADE PRÁTICA
A graça de Deus é suficiente para sustentar o crente em meio às adversidades. Embora a palavra “graça” não apareça em Atos 18.1-17, seus efeitos podem ser percebidos em toda a narrativa. Deus aproximou Paulo de Áquila e Priscila, supriu suas necessidades, deu-lhe um novo espaço de pregação na casa de Tício Justo, salvou Crispo e muitos coríntios, fortaleceu o apóstolo por meio de uma visão e o protegeu diante de Gálio. A graça divina lhe deu o sustento necessário para continuar o trabalho missionário. Anos depois, Paulo escreveu aos coríntios: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9). Embora essa experiência pertença a outro período de sua vida, essa declaração resume uma verdade confirmada durante todo o seu ministério: a graça é suficiente porque o poder de Deus age mesmo quando seus servos se sentem fracos.





1. PAULO CHEGA A CORINTO (At 18.1-6)
Pergunta chave: Que desafios Paulo encontrou em Corinto?
Ideia central do ponto: Paulo chegou a Corinto, cidade de grande riqueza material, mas marcada por profunda decadência moral. Embora carregasse as marcas das perseguições anteriores e sentisse temor diante do peso do peso de sua responsabilidade, ele não recuou. Começou pregando na sinagoga, mas a resistência dos judeus o levou a continuar o trabalho missionário em outro lugar.
1.1 Corinto: riqueza material e miséria espiritual.
Verdade central: Corinto tinha grande importância econômica e política, mas era marcada pela idolatria e pela imoralidade. Paulo
chegou ali consciente do desafio que teria pela frente.
Para refletir: Paulo deixou Atenas e seguiu para Corinto, onde enfrentaria novos desafios no trabalho missionário. Deus também envia seus servos para trabalhar em ambientes difíceis.
A LIÇÃO DIZ: Após deixar Atenas, Paulo chega a Corinto, capital da província romana da Acaia desde 27 a.C. A cidade havia superado Atenas em importância política e comercial, tornando-se um dos maiores centros econômicos do mundo romano. Cosmopolita e estrategicamente localizada, Corinto reunia povos de diversas culturas, mas também se destacava por sua profunda decadência moral. Templos pagãos, especialmente o de Afrodite, marcavam a vida religiosa da cidade, associando culto e prostituição ritual. Depois do trabalho realizado em Atenas,
Paulo seguiu para Corinto, andando mais ou menos 80km a oeste, durante sua segunda viagem missionária (At 18.1). A cidade ocupava uma posição geográfica privilegiada, numa estreita faixa de terra que ligava o Peloponeso (península montanhosa) ao restante da Grécia. Seus dois principais portos, Lequeu e Cencreia, recebiam embarcações de várias regiões do Império Romano. Como a navegação ao redor do Peloponeso era longa e perigosa, muitas mercadorias atravessavam o istmo (faixa estreita de terra que conecta duas grandes massas terrestres) por terra, e até pequenas embarcações podiam ser transportadas por uma via pavimentada chamada diolkos. Esse movimento fez de Corinto um importante ponto de comércio entre o Oriente e o Ocidente. A Corinto dos dias de Paulo era uma cidade relativamente nova. Destruída pelos romanos em 146 a.C., foi reconstruída como colônia romana por Júlio César em 44 a.C. e, mais tarde, tornou-se a capital da província da Acaia. Sua prosperidade atraía comerciantes, marinheiros, trabalhadores e viajantes de diversas partes do império. Embora tivesse forte influência romana, a língua grega continuava sendo amplamente usada entre seus habitantes. Apesar da riqueza e da importância política, Corinto era marcada pela idolatria e pela imoralidade. Entre os gregos, o verbo korinthiazesthai, que significava “viver como um coríntio”, era empregado no sentido de levar uma vida imoral. A presença de templos dedicados a divindades como Apolo, Afrodite e Asclépio revela a diversidade de cultos praticados na cidade. Havia também uma comunidade judaica organizada, com uma sinagoga, onde Paulo começou a anunciar que Jesus era o Cristo (At 18.4-5). Corinto oferecia uma grande oportunidade para a expansão do evangelho, pois pessoas de muitas regiões passavam diariamente pela cidade. Ao mesmo tempo, apresentava enormes desafios: a mistura de crenças, o apego ao dinheiro, a desordem moral e a oposição dos judeus. Foi nesse ambiente próspero, influente e espiritualmente corrompido que Paulo recebeu a missão de pregar o evangelho e estabelecer uma igreja.
1.2 Temor humano e dependência da graça.
Verdade central: Paulo reconheceu que esteve em Corinto com fraqueza, temor e tremor. Sua fragilidade o conduziu a depender ainda mais da graça de Deus.
Para refletir: Minhas limitações me afastam daquilo que Deus tem para mim ou me levam a depender mais da graça de Dele?
A LIÇÃO DIZ: O apóstolo traz consigo as marcas das perseguições sofridas em Filipos, Tessalônica e Bereia (At 16.22-24; 17.5-10,13), além da constante preocupação pastoral com as igrejas já fundadas (2Co 11.28).
Paulo chegou a Corinto depois de um percurso marcado por sucessivas perseguições. Em Filipos, ele e Silas foram acusados injustamente, despidos, açoitados e lançados na prisão, onde tiveram os pés presos no tronco (At 16.19-24). Ao recordar o episódio, Paulo afirmou que havia sido maltratado e insultado, mas recebeu de Deus coragem para continuar anunciando o evangelho em meio a grande oposição (1Ts 2.2). A passagem por Tessalônica também terminou de maneira dolorosa. Alguns judeus organizaram uma multidão, provocaram desordem na cidade e atacaram a casa de Jasom. Paulo e Silas precisaram sair durante a noite, deixando para trás uma igreja recém-formada e exposta à perseguição (At 17.5-10). O apóstolo desejou retornar, mas foi impedido, e descreveu aquela separação como se tivesse sido arrancado dos irmãos (1Ts 2.17,18). Os opositores de Tessalônica seguiram Paulo até Bereia e agitaram novamente a população. Para protegê-lo, os irmãos o enviaram para Atenas, enquanto Silas e Timóteo permaneceram na Macedônia (At 17.13-15). Preocupado com os tessalonicenses, Paulo enviou Timóteo para fortalecê-los e preferiu permanecer sozinho em Atenas (1Ts 3.1-5). Naquela cidade, viu a idolatria por toda parte e enfrentou o escárnio
de parte dos ouvintes quando anunciou a ressurreição (At 17.16,32)
Quando partiu de Atenas para Corinto, Paulo carregava as marcas dos açoites de Filipos, da fuga de Tessalônica, da perseguição em Bereia, da solidão em Atenas e da preocupação com as igrejas que havia deixado. Por isso, sua afirmação aos coríntios deve ser levada a sério: “Foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vocês” (1Co 2.3). O apóstolo chegou a Corinto emocionalmente desgastado e abatido. Sim, o maior missionário da igreja estava desanimado e esgotado. A chegada de Timóteo a Corinto trouxe boas notícias sobre a fé dos tessalonicenses. Paulo escreveu que havia sido consolado em meio a toda a necessidade e tribulação que enfrentava (1Ts 3.6,7). A declaração confirma que o apóstolo atravessava um período difícil. O relatório de Timóteo trouxe alívio, mas as lutas continuaram: Paulo trabalhou com as próprias mãos e enfrentou a dura resistência dos judeus Corinto (At 18.3,6). O ministério pastoral e a obra missionária podem impor grande desgaste físico, emocional e espiritual. Quem serve a Deus enfrenta cansaço, perseguição, solidão, preocupações constantes e dores que nem sempre são percebidas por quem observa de fora. Cumprir a vontade de Deus é um privilégio extraordinário, mas não devemos romantizar o chamado, como se a obediência a Deus nos livrasse do sofrimento. As dificuldades nem sempre indicam que alguém se afastou da vontade divina. Algumas surgem justamente porque decidimos obedecer e permanecer no lugar em que Deus nos colocou. Quem abandona o ministério nunca saberá o que é sofrer por Cristo e carregar em seu corpo suas marcas. As dificuldades que enfrentamos por sermos fieis revelam nossa fragilidade e nos ensinam a viver na dependência da graça de Deus.
1.3 O início do ministério e a oposição na sinagoga.
Verdade central: Paulo trabalhou com Áquila e Priscila na fabricação de tendas e pregava aos sábados na sinagoga. Com a chegada de Silas e Timóteo, intensificou a pregação da Palavra, mas enfrentou forte resistência.
Para refletir: Tenho valorizado as parcerias e o trabalho em equipe no serviço a Deus, ou tenho tentado fazer tudo sozinho, desprezando a importância da comunhão e do apoio mútuo?
A LIÇÃO DIZ: Como era seu costume, Paulo inicia sua obra na sinagoga, anunciando que Jesus é o Cristo prometido. Nesse período, encontra Priscila e Áquila, judeus expulsos de Roma pelo decreto do imperador Cláudio. Trabalhando com eles como fabricante de tendas, Paulo une sustento próprio e missão, estabelecendo uma parceria que seria decisiva para a igreja em Corinto (At 18.2,3). Com a chegada de Silas e Timóteo, trazendo notícias animadoras e apoio das igrejas da Macedônia, Paulo passa a dedicar-se integralmente à Palavra (At 18.5).
Vamos ao texto bíblico:
Depois disso, deixando Atenas, Paulo foi a Corinto.Lá, encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, porque o imperador Cláudio havia decretado que todos os judeus deviam sair de Roma. Paulo aproximou-se deles. E, como tinham o mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava. O ofício deles era fazer tendas. E todos os sábados Paulo falava na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos. Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que Jesus é o Cristo (At 18.1-5, NAA). Ao chegar a Corinto, Paulo conheceu Áquila e Priscila, um casal judeu que havia saído recentemente de Roma por causa do decreto do imperador Cláudio. Lucas não informa que eles tenham se convertido por meio da pregação de Paulo, o que torna provável que já fossem cristãos quando chegaram à cidade. O apóstolo encontrou neles irmãos na fé, companheiros de profissão e futuros cooperadores na obra missionária.
Áquila e Priscila são sempre mencionados juntos no Novo Testamento. Paulo utilizava o nome formal Prisca, enquanto Lucas preferia o diminutivo Priscila. Em quatro das seis referências ao casal, o nome dela aparece primeiro, algo incomum para os costumes daquele período. Não há provas de que essa ordem indique maior posição social ou cidadania romana. A explicação mais aceita é que Priscila alcançou considerável reconhecimento por sua atuação na igreja cristã. Sem diminuir o ministério de Áquila, o Novo Testamento mostra que ela exerceu um serviço relevante ao lado do marido. Áquila e Priscila foram muito importantes no ministério de Paulo. Eles o acompanharam até Éfeso, ajudaram Apolo a compreender com maior precisão o caminho de Deus e abriram sua casa para reuniões da igreja. Paulo os chamou de “cooperadores em Cristo Jesus” e afirmou que arriscaram a própria vida por ele (At 18.18,26; Rm 16.3-5). Seu exemplo mostra como um casal pode colocar a profissão, a casa e as suas vidas a serviço do evangelho. Abrindo um rápido parêntese, acho oportuno destacar como Deus levanta pessoas determinadas pessoas para nos animar quando estamos com vontade de desistir. Com certeza, esse casal foi um presente de Deus para Paulo. A expulsão dos judeus de Roma ocorreu provavelmente por volta do ano 49 d.C. O historiador Suetônio atribuiu a medida de Cláudio a constantes tumultos provocados por alguém chamado “Chrestus”. Muitos estudiosos entendem que ele confundiu Chrestus com Christus e se referia a conflitos entre judeus causados pela pregação de que Jesus era o Messias. A identificação é provável, mas não pode ser considerada certa. De qualquer modo, o registro indica que a mensagem cristã já havia alcançado Roma antes da chegada de Paulo à capital imperial.
A profissão comum aproximou Paulo do casal. Lucas os chama de skēnopoioí, palavra geralmente traduzida como “fabricantes de tendas”. O termo também poderia designar trabalhadores que produziam objetos de couro. Outra possibilidade é que trabalhassem com o cilicium, tecido resistente feito de pelos de cabra e utilizado na fabricação de tendas. Como esse material estava associado à Cilícia, região natal de Paulo, o apóstolo pode ter aprendido ali o ofício. Podemos afirmar com convicção que Paulo tinha uma profissão e durante suas viagens missionárias trabalhava para suprir suas necessidades e a de seus companheiros. A prática estava de acordo com o ideal judaico de que um estudante da Lei deveria aprender uma profissão. Paulo também possuía razões missionárias para trabalhar. Em uma cidade frequentada por oradores itinerantes que buscavam sustento entre seus ouvintes, ele evitava qualquer suspeita de que pregava para obter lucro. Embora defendesse o direito dos ministros ao sustento, abriu mão desse direito entre os coríntios para não criar obstáculo ao evangelho (1Co 9.12-15). Durante a semana, Paulo trabalhava com Áquila e Priscila; aos sábados, dirigia-se à sinagoga e procurava convencer judeus e gentios tementes a Deus. Os verbos empregados por Lucas indicam uma atividade contínua. O apóstolo dialogava, apresentava argumentos e buscava persuadir seus ouvintes de que Jesus era o Messias prometido. A chegada de Silas e Timóteo alterou a rotina do apóstolo. Timóteo trouxe boas notícias sobre a igreja de Tessalônica, trazendo consolo em meio às tribulações de Paulo (1Ts 3.6,7). Os irmãos também parecem ter trazido uma contribuição das igrejas da Macedônia, provavelmente de Filipos, permitindo que Paulo diminuísse o trabalho manual e dedicasse mais tempo à pregação (2Co 11.9; Fp 4.15,16). Atos não menciona diretamente a oferta, mas as cartas de Paulo sustentam essa conclusão.
A tradição textual seguida pela Almeida Revista e Corrigida afirma que Paulo foi “impulsionado pela palavra”. Manuscritos antigos apresentam a ideia de que ele passou a dedicar-se inteiramente à Palavra. Em ambos os casos, Lucas destaca a intensificação do testemunho apostólico. Paulo anunciava de maneira direta que Jesus era o Cristo. Alguns ouvintes compreenderam o conteúdo da pregação, mas se recusaram a aceitá-lo. Paulo, então, sacudiu as vestes e declarou: “O sangue de vocês caia sobre a cabeça de vocês! Eu estou limpo” (At 18.6). O gesto expressava repúdio à resistência oferecida por seus opositores e indicava que o apóstolo havia cumprido sua responsabilidade. A linguagem utilizada recorda a imagem do atalaia em Ezequiel. O profeta deveria advertir o povo; depois de transmitir fielmente a mensagem, não seria responsável pela decisão de quem a rejeitasse (Ez 3.17-19; 33.1- 9). Paulo continuava procurando os judeus porque reconhecia sua responsabilidade de lhes anunciar que Jesus era o Messias. Quando a resistência tornava impossível a pregação entre os judeus, dirigia-se aos gentios. Na cidade seguinte, porém, voltava novamente à sinagoga. A declaração “desde agora, vou para os gentios” dizia respeito ao trabalho em Corinto e não ao abandono definitivo dos judeus.
• A obra de Deus em Corinto não foi realizada por Paulo sozinho. Áquila, Priscila, Silas e Timóteo participaram do avanço do evangelho. Nenhum obreiro possui todos os dons ou consegue atender sozinho a todas as necessidades da igreja. O ministério saudável valoriza a cooperação mútua e reconhece a importância de cada pessoa.
• Paulo exerceu seu ofício ministerial sem considerar o trabalho secular incompatível com o seu chamado. Sua profissão garantiu o sustento necessário naquela ocasião e preservou a credibilidade de sua pregação. O trabalho honesto também pode servir aos propósitos de Deus e abrir oportunidades para o testemunho evangelho.
• A resistência dos judeus não levou Paulo a abandonar Corinto. Depois de anunciar a verdade com clareza,ele deixou a sinagoga e continuou pregando em outro lugar. Quando uma frente de trabalho se fecha, o obreiro não deve insistir movido pelo orgulho nem desistir por causa da frustração. É preciso discernir a direção de Deus e prosseguir fielmente na missão recebida.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 1):
1. Quais características de Corinto tornavam o trabalho missionário desafiador?
2. Como Paulo descreveu sua condição emocional entre os coríntios?
3. Quem foram Priscila e Áquila e qual foi sua importância para o ministério de Paulo?
4. Como a oposição na sinagoga preparou uma nova etapa da obra missionária?








2. A CONTINUIDADE DA MISSÃO E O ENCORAJAMENTO DIVINO (At 18.7-11)
Pergunta chave: Como Deus encorajou Paulo e qual foi o resultado da perseverança do apóstolo?
Ideia central do ponto: Diante da oposição na sinagoga, Paulo não abandonou Corinto. Passou a pregar na casa de Tito Justo, onde muitos creram, entre eles Crispo, o chefe da sinagoga. Em meio ao medo, o Senhor apareceu ao apóstolo em uma visão e prometeu estar com ele e protegê-lo. Fortalecido por essa promessa, Paulo permaneceu dezoito meses na cidade, ensinando a Palavra de Deus.
2.1 A casa de Justo e o avanço do Evangelho.
Verdade central: Ao sair da sinagoga, Paulo passou a pregar na casa de Tito Justo. Muitos coríntios creram, incluindo Crispo e sua família.
Para refletir: Quando uma oportunidade se fecha, continuo atento aos novos caminhos que Deus pode abrir?
A LIÇÃO DIZ: Expulso da sinagoga, Paulo não abandona a cidade. Um gentio temente a Deus, Tito Justo, oferece sua casa — localizada ao lado da sinagoga — como novo espaço para a pregação. Essa mudança estratégica amplia o alcance do Evangelho e confere visibilidade positiva à nova comunidade cristã.
A Bíblia diz:
Saindo dali, entrou na casa de um homem chamado Tício Justo, que era temente a Deus; a casa dele ficava ao lado da sinagoga. Crispo, o chefe da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa; também muitos dos coríntios, ouvindo, creram e foram batizados (At 18.7-8, NAA). Tício Justo era um gentio “temente a Deus”, expressão empregada em Atos para identificar pessoas que reverenciavam o Deus de Israel e frequentavam a sinagoga, embora não pertencessem ao povo judeu. É provável que ele já tivesse ouvido a pregação de Paulo e crido no evangelho. Ao abrir sua casa para o trabalho do apóstolo, ofereceu um espaço adequado para o ensino da Palavra e a reunião dos novos convertidos. A casa de Justo tornou-se, ao que tudo indica, o primeiro local de reunião da igreja em Corinto. Lucas, contudo, não afirma que Paulo tenha deixado a residência de Áquila e Priscila para morar com ele. É possível que o apóstolo continuasse hospedado e trabalhando com o casal, enquanto utilizava a casa de Justo como base para a pregação e o ensino. Como a residência ficava ao lado da sinagoga, Paulo pôde manter contato com judeus e gentios interessados nas Escrituras. A mudança do local de pregação não significou o abandono daqueles que ainda poderiam ouvir o evangelho. A conversão de Crispo mostra que a mensagem do Evangelho continuou alcançando pessoas ligadas à sinagoga, pois ele creu no Senhor com toda a sua família. Crispo exercia uma função importante na administração da sinagoga e na organização de suas reuniões. Sua conversão teve um significado especial por se tratar de um homem conhecido pela comunidade judaica. Paulo recordou posteriormente que o havia batizado pessoalmente, assim como Gaio e a família de Estéfanas (1Co 1.14-16). A adesão de um líder tão conhecido certamente deu maior visibilidade ao testemunho do Evangelho. O crescimento da igreja, porém, não ficou restrito à família de Crispo. Lucas informa que muitos coríntios ouviam a mensagem, criam e eram batizados. A sequência dos verbos descreve o avanço contínuo do evangelho: as pessoas ouviam a Palavra, respondiam com fé e declaravam publicamente essa fé por meio do batismo. Embora tivesse encontrado resistência na sinagoga, Paulo continuou pregando, e uma igreja começou a se formar em Corinto.
Tício Justo, Crispo e muitos outros coríntios possuíam histórias diferentes, eram pessoas distintas, mas foram alcançados pela mesma mensagem: o evangelho de Cristo. O que levou essas pessoas ao arrependimento? A Palavra de Deus. O que transformou suas vidas? A Palavra de Deus. O que formou uma igreja em Corinto, uma das cidades mais imorais daquele tempo? A pregação da Palavra de Deus. Métodos podem ajudar na comunicação, mas não podem produzir conversão. É o Espírito Santo quem convence o pecador e, por meio da Palavra, o conduz fé em Cristo. Por essa razão, a igreja não pode substituir a exposição bíblica por entretenimento, discursos motivacionais ou danças e teatros. O professor da Escola Dominical precisa explicar as Escrituras com fidelidade e confiar que Deus continua usando sua Palavra para salvar, transformar e edificar seu povo.
2.2 O medo do apóstolo e a palavra que fortalece.
Verdade central: O Senhor fortaleceu Paulo por meio de uma visão: “Não temas, mas fala e não te cales” (At 18.9). Deus lhe garantiu sua presença, proteção contra os inimigos e muitos frutos em Corinto.
Para refletir: A presença de Deus sustenta quem o serve mesmo em meio ao medo.
A LIÇÃO DIZ: Apesar dos frutos visíveis, Paulo enfrenta forte oposição e passa a temer por sua
permanência em Corinto (1Co 2.3). O peso espiritual da cidade, aliado à hostilidade crescente, fragiliza emocionalmente o apóstolo. Nesse contexto, o Senhor lhe aparece em visão e o exorta: “Não temas, mas fala e não te cales” (At 18.9). Mesmo os mais fortes enfraquecem, e até os mais entregues e convictos atravessam dias em que pensam em parar. O conhecimento profundo das Escrituras e as experiências extraordinárias com Deus não tornam ninguém imune ao medo, ao cansaço ou às dúvidas sobre a própria capacidade de prosseguir. Como já vimos, Paulo foi o maior missionário da Igreja Primitiva, um homem que viveu e morreu pelo evangelho. Ainda assim, houve momentos em que sua coragem precisou ser renovada e sua fé, fortalecida. Deus interveio em ocasiões decisivas de sua caminhada, e a visão recebida em Corinto foi uma delas. Pressionado pelo medo, o apóstolo ouviu do próprio Senhor a palavra de que precisava para continuar falando e não se calar. Pastores, presbíteros e líderes também sentem medo, enfrentam crises espirituais, lidam com dúvidas e precisam ser encorajados. Os homens de Deus também sangram e podem adoecer emocional e espiritualmente. A função que exercem não apaga sua humanidade: continuam sendo pessoas frágeis, sujeitas ao pecado, ao cansaço e ao abatimento. Entretanto, muitas igrejas esperam deles uma fé sobre-humana, como se jamais pudessem demonstrar medo, confessar uma fraqueza ou admitir que estão cansados. O cargo acaba se tornando uma prisão quando o líder precisa esconder suas feridas para não decepcionar aqueles a quem serve. Quem cuida de pessoas também precisa receber cuidado. A igreja deve aprender a distinguir o pecado, que exige arrependimento, da fraqueza, diante da qual o servo precisa ser acolhido e amparado. O Senhor fortalece seus servos e, muitas vezes, usa a própria igreja para cuidar deles. Os crentes que recebem de seus líderes oração, orientação e cuidado também precisam orar por eles, aproximar-se nos momentos difíceis e oferecer o encorajamento necessário para que continuem servindo.
2.3 Graça suficiente, perseverança e transição.
Verdade central: Fortalecido pela promessa e sustentado pela graça de Deus, Paulo permaneceu um ano e seis meses em Corinto, ensinando a Palavra e consolidando a fé dos irmãos.
Para refletir: Tenho perseverado no que Deus me confiou, mesmo quando me sinto cansado ou abatido?
A LIÇÃO DIZ: Fortalecido pela promessa do Senhor, Paulo permanece em Corinto por um ano e seis meses, ensinando a Palavra de Deus e consolidando a igreja (At 18.11). A experiência do apóstolo ensina que sentir medo não é sinal de fracasso espiritual, mas de oportunidade para experimentar a suficiência da graça divina. Lucas emprega, em Atos 18.11, um verbo cujo sentido básico é “sentar-se”. Nesse contexto, porém, a
palavra descreve alguém que se estabelece em determinado lugar e permanece ali por um período prolongado. Portanto, ao usar essa palavra e registrar a permanência de Paulo na cidade, Lucas implicitamente está mostrando que o apóstolo creu nas palavras de Jesus. Lucas afirma que Paulo permaneceu “ensinando entre eles a palavra de Deus”. Depois de ouvir, crer e receber o batismo, os convertidos precisavam compreender melhor o evangelho, abandonar antigas práticas e aprender a viver como discípulos de Cristo. As cartas aos Coríntios mostram que dezoito meses de instrução não produziram uma igreja imediatamente madura. Divisões, imoralidade, disputas judiciais e desordens no culto ainda precisariam ser corrigidas. Esses problemas mostram que o tempo de igreja, por si só, não torna ninguém maduro. O crescimento espiritual exige obediência constante aos ensinos da Palavra de Deus.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 2):
1. O que aconteceu quando Paulo foi expulso da sinagoga?
2. O que o Senhor disse a Paulo na visão noturna?
3. Por quanto tempo Paulo permaneceu em Corinto após o encorajamento divino?
4. O que a experiência de Paulo ensina sobre sentir medo no serviço a Deus?





3. PAULO DIANTE DE GÁLIO: A GRAÇA QUE SUSTENTA EM MEIO À OPOSIÇÃO
Pergunta chave: Como a graça de Deus protegeu Paulo e se mostrou suficiente em meio à oposição?
Ideia central do ponto: A oposição dos judeus levou Paulo ao tribunal de Gálio, mas o procônsul rejeitou a acusação e confirmou, sem saber, a promessa de proteção feita pelo Senhor. A graça de Deus sustentou o apóstolo em todas as adversidades. Mesmo quando as lutas continuam, Deus nos mantém firmes por meio de sua graça.
3.1 A acusação dos judeus e a proteção divina.
Verdade central: Os judeus levaram Paulo diante de Gálio, mas o procônsul rejeitou a acusação e, sem saber, confirmou a promessa de proteção feita pelo Senhor.
Para refletir: Deus cumpre sua promessa mesmo por caminhos inesperados.
A LIÇÃO DIZ: A oposição judaica em Corinto não cessou, e Paulo foi levado diante de Gálio, procônsul da Acaia, sob a acusação de ensinar “contrariamente à lei” (vv.12,13). Antes mesmo que Paulo se defendesse, Gálio rejeitou a denúncia, declarando não ser de sua competência julgar disputas religiosas internas (vv.14,15). Ao expulsar os acusadores do tribunal, o governador confirmou, sem o saber, a promessa do Senhor de que ninguém faria mal ao apóstolo (At 18.9,10).
Durante o governo de Gálio, os judeus organizaram uma ação conjunta contra Paulo e o conduziram ao tribunal. Gálio era procônsul da Acaia e irmão do filósofo Sêneca. Uma inscrição encontrada em Delfos situa seu governo por volta de 51 ou 52 d.C., fornecendo uma das referências mais seguras para a cronologia da segunda viagem missionária. Como Corinto era a capital da província, cabia ao procônsul julgar as principais
causas apresentadas naquele território. O julgamento ocorreu diante do bēma, a plataforma pública onde o governador ouvia acusações e pronunciava suas decisões. Os adversários declararam: “Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei” (At 18.13). A acusação foi formulada de maneira ampla porque precisava convencer Gálio de que Paulo havia cometido uma infração sujeita à justiça romana. Uma divergência sobre a interpretação das Escrituras judaicas não seria suficiente para condená-lo. O judaísmo possuía antigos privilégios reconhecidos pelas autoridades romanas, enquanto religiões consideradas perigosas à ordem pública poderiam sofrer restrições. Provavelmente, os judeus pretendiam convencer Gálio de que a mensagem anunciada por Paulo não deveria receber a mesma tolerância concedida ao judaísmo. A expressão “contra a lei” podia referir-se à lei judaica, mas, diante de um tribunal romano, a denúncia precisava sugerir alguma violação da legislação civil. Paulo estava prestes a apresentar sua defesa quando Gálio interrompeu o processo. O procônsul declarou que ouviria a causa caso envolvesse algum delito ou crime grave. Entretanto, como a discussão tratava de “palavras, nomes e da vossa lei”, os próprios judeus deveriam resolvê-la. A referência a “nomes” provavelmente incluía a controvérsia acerca de Jesus ser o Cristo, o ponto central da pregação de Paulo na sinagoga. Ao rejeitar a denúncia, Gálio reconheceu que Paulo não havia cometido um crime contra o Estado. Sua decisão não representou uma conversão ao cristianismo nem uma defesa pessoal do apóstolo. O procônsul apenas se recusou a usar a justiça romana para resolver uma disputa religiosa. Contudo, essa decisão permitiu que o evangelho continuasse sendo anunciado sem que a pregação fosse declarada ilegal na Acaia. A promessa feita pelo Senhor começou a ser confirmada diante do tribunal romano. Os adversários atacaram Paulo e conseguiram levá-lo perante Gálio, mas não obtiveram a condenação que desejavam. Deus impediu que os acusadores alcançassem seus objetivos e preservou o apóstolo para que continuasse cumprindo sua missão.
3.2 O espancamento de Sóstenes e o alcance da graça.
Verdade central: Após a decisão de Gálio, Sóstenes, principal da sinagoga, foi espancado diante do tribunal, sem que o procônsul interviesse. Embora o texto não detalhe as motivações, o episódio revela a instabilidade da oposição humana.
Para refletir: Tenho orado e crido na transformação de pessoas que hoje se opõem ao Evangelho, ou tenho desistido delas considerando-as impossíveis de serem alcançadas pela graça?
A LIÇÃO DIZ: Após a decisão de Gálio, Sóstenes, principal da sinagoga, foi espancado diante do tribunal, sem que o procônsul interviesse (v.17). Embora o texto não detalhe as motivações, o episódio revela a instabilidade da oposição humana. Posteriormente, um Sóstenes é citado como irmão em Cristo (1Co 1.1), o que sugere uma possível conversão. Se confirmada, essa transformação reforça o poder do Evangelho, capaz de alcançar até mesmo seus opositores.
A Bíblia diz:
E os expulsou do tribunal. 17Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e começaram a espancá-lo diante do tribunal; Gálio, todavia, não se incomodava com estas coisas (At 18.16-17, NAA). O processo contra Paulo foi julgado publicamente na ágora de Corinto, diante do bēma, a plataforma onde os oficiais romanos examinavam as causas apresentadas ao tribunal. Escavações realizadas no lado sul da ágora descobriram uma estrutura elevada, revestida de mármore azul, que servia como assento judicial. – Depois que Gálio expulsou os acusadores do tribunal, Sóstenes, chefe da sinagoga, foi agarrado e espancado diante do procônsul. Lucas afirma que “todos” participaram da agressão, mas não identifica quem eram essas pessoas. Alguns manuscritos posteriores acrescentam “os gregos”, enquanto os melhores testemunhos textuais deixam o sujeito indefinido. Por essa razão, não é possível saber se Sóstenes foi atacado pelos judeus, irritados com o fracasso da acusação e por talvez Sóstenes se mostrar favorável a Paulo, ou por gentios que aproveitaram a ocasião para manifestar sua hostilidade contra os judeus. A hipótese de que os agentes de Gálio tenham participado desse espancamento também foi sugerida, embora seja menos provável. A identidade de Sóstenes acrescenta outra dificuldade. Paulo menciona, em 1 Coríntios 1.1, um cristão com o mesmo nome, apresentado como “nosso irmão”. Como Sóstenes era um nome comum, não há como provar que se trata da mesma pessoa. Caso sejam o mesmo homem, o chefe da sinagoga se converteu e tornouse companheiro de Paulo, assim como seu antecessor, Crispo. Sua conversão pode ter ocorrido antes da agressão, o que explicaria uma possível reação dos judeus, ou algum tempo depois. O texto não fornece informações suficientes para escolher entre essas possibilidades. A conduta de Gálio precisa ser avaliada em dois aspectos. Como juiz, ele percebeu corretamente que Paulo não havia cometido crime contra a lei romana e recusou-se a transformar uma controvérsia religiosa em processo criminal. Entretanto, quando Sóstenes foi espancado diante do tribunal, permaneceu indiferente. Gálio foi sensato ao rejeitar a acusação contra Paulo, porém omisso ao permitir que um homem fosse agredido diante de seus olhos. A decisão do procônsul trouxe consequências importantes para o avanço do evangelho. Ao recusar a acusação, Gálio não tratrou a pregação cristã como atividade criminosa e permitiu que Paulo continuasse seu trabalho em Corinto. Embora sua decisão não constituísse uma lei para todo o império, ela estabeleceu um
precedente favorável que poderia influenciar outras autoridades romanas.
3.3 A suficiência da graça na experiência de Paulo.
Verdade central: Em Corinto, Paulo viveu a suficiência da graça entre fragilidades, pressões e oposição. A cidade difícil tornou-se campo fértil para a ação de Deus.
Para refletir: A graça de Deus é suficiente para nos sustentar em qualquer circunstância.
A LIÇÃO DIZ: Em Corinto, Paulo viveu intensamente a suficiência da graça de Deus. Em meio a
fragilidades, pressões e oposição, aprendeu que o poder divino se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9). A cidade marcada pela decadência tornou-se um campo fértil para a manifestação da graça. Sustentado pelo Senhor, Paulo permaneceu ali dezoito meses, e uma igreja foi estabelecida (At 18.11).
A palavra “suficiência” descreve a qualidade daquilo que basta, que atende plenamente a uma necessidade e não depende de qualquer complemento. Portanto, afirmar que a graça de Deus é suficiente significa reconhecer que ela nos concede tudo o que precisamos para receber a salvação, permanecer fiéis e cumprir a vontade divina. Sua suficiência não consiste em satisfazer todos os nossos desejos ou retirar todas as dificuldades, mas em fornecer o necessário para que vivamos de modo agradável a Deus. A graça pode ser definida como o maior de todos os presentes concedido a quem merecia o maior de todos os castigos. Por causa do pecado, todos se tornaram culpados diante de Deus e merecedores da morte (Rm 3.23; 6.23). Contudo, Deus entregou seu Filho para salvar pecadores que jamais poderiam conquistar a salvação por esforço ou mérito. “Pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2.8). A graça é o favor imerecido de Deus revelado em Cristo Jesus e concedido gratuitamente ao pecador. Além de ser um presente, a graça também é o poder de Deus que capacita o crente. Ela é o favor divino em ação na vida daqueles que foram alcançados por Cristo. Paulo declarou: “Pela graça de Deus sou o que sou” e, ao falar de seu trabalho, acrescentou: “Todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15.10). A graça que perdoa também fortalece e capacita. No uso popular, às vezes dizemos “estou só a graça” para descrever alguém cansado, abatido ou em péssimas condições. Embora pareça uma expressão inofensiva, ela reduz a graça a uma imagem de fraqueza e inpacidade. Biblicamente, a graça encontra o pecador em sua miséria, mas não o abandona nela. O poder de Deus nos capacita a viver para sua glória, obedecer à sua Palavra e cumprir os propósitos que Ele determinou para nós.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. Sob qual acusação Paulo foi levado diante de Gálio?
2. Como a decisão de Gálio confirmou a promessa que Deus havia feito a Paulo?
3. O que o possível destino de Sóstenes nos ensina sobre o alcance da graça?
4. O que significa dizer que “o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza”?
A Bíblia diz:
E os expulsou do tribunal. Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e começaram a
espancá-lo diante do tribunal; Gálio, todavia, não se incomodava com estas coisas (At 18.16-17, NAA). O processo contra Paulo foi julgado publicamente na ágora de Corinto, diante do bēma, a plataforma onde os oficiais romanos examinavam as causas apresentadas ao tribunal. Escavações realizadas no lado sul da ágora descobriram uma estrutura elevada, revestida de mármore azul, que servia como assento judicial. – Depois que Gálio expulsou os acusadores do tribunal, Sóstenes, chefe da sinagoga, foi agarrado e espancado diante do procônsul. Lucas afirma que “todos” participaram da agressão, mas não identifica quem eram essas pessoas. Alguns manuscritos posteriores acrescentam “os gregos”, enquanto os melhores testemunhos textuais deixam o sujeito indefinido. Por essa razão, não é possível saber se Sóstenes foi atacado pelos judeus, irritados com o fracasso da acusação e por talvez Sóstenes se mostrar favorável a Paulo, ou por gentios que aproveitaram a ocasião para manifestar sua hostilidade contra os judeus. A hipótese de que os agentes de Gálio tenham participado desse espancamento também foi sugerida, embora seja menos provável. A identidade de Sóstenes acrescenta outra dificuldade. Paulo menciona, em 1 Coríntios 1.1, um cristão
com o mesmo nome, apresentado como “nosso irmão”. Como Sóstenes era um nome comum, não há como provar que se trata da mesma pessoa. Caso sejam o mesmo homem, o chefe da sinagoga se converteu e tornouse companheiro de Paulo, assim como seu antecessor, Crispo. Sua conversão pode ter ocorrido antes da agressão, o que explicaria uma possível reação dos judeus, ou algum tempo depois.O texto não fornece informações suficientes para escolher entre essas possibilidades. A conduta de Gálio precisa ser avaliada em dois aspectos. Como juiz, ele percebeu corretamente que Paulo não havia cometido crime contra a lei romana e recusou-se a transformar uma controvérsia religiosa em processo criminal. Entretanto, quando Sóstenes foi espancado diante do tribunal, permaneceu indiferente. Gálio foi sensato ao rejeitar a acusação contra Paulo, porém omisso ao permitir que um homem fosse agredido diante de seus olhos.A decisão do procônsul trouxe consequências importantes para o avanço do evangelho. Ao recusar a acusação, Gálio não tratrou a pregação cristã como atividade criminosa e permitiu que Paulo continuasse seutrabalho em Corinto. Embora sua decisão não constituísse uma lei para todo o império, ela estabeleceu um
precedente favorável que poderia influenciar outras autoridades romanas.
3.3 A suficiência da graça na experiência de Paulo.
Verdade central: Em Corinto, Paulo viveu a suficiência da graça entre fragilidades, pressões e oposição. A cidade difícil tornou-se campo fértil para a ação de Deus.
Para refletir: A graça de Deus é suficiente para nos sustentar em qualquer circunstância.
A LIÇÃO DIZ: Em Corinto, Paulo viveu intensamente a suficiência da graça de Deus. Em meio a fragilidades, pressões e oposição, aprendeu que o poder divino se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9). A cidade marcada pela decadência tornou-se um campo fértil para a manifestação da graça. Sustentado pelo Senhor, Paulo permaneceu ali dezoito meses, e uma igreja foi estabelecida (At 18.11). A palavra “suficiência” descreve a qualidade daquilo que basta, que atende plenamente a uma necessidade e não depende de qualquer complemento. Portanto, afirmar que a graça de Deus é suficiente significa reconhecer que ela nos concede tudo o que precisamos para receber a salvação, permanecer fiéis e cumprir a vontade divina. Sua suficiência não consiste em satisfazer todos os nossos desejos ou retirar todas as dificuldades, mas em fornecer o necessário para que vivamos de modo agradável a Deus. A graça pode ser definida como o maior de todos os presentes concedido a quem merecia o maior de todos os castigos. Por causa do pecado, todos se tornaram culpados diante de Deus e merecedores da morte (Rm 3.23; 6.23). Contudo, Deus entregou seu Filho para salvar pecadores que jamais poderiam conquistar a salvação por esforço ou mérito. “Pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2.8). A graça é o favor imerecido de Deus revelado em Cristo Jesus e concedido gratuitamente ao pecador. Além de ser um presente, a graça também é o poder de Deus que capacita o crente. Ela é o favor divino em ação na vida daqueles que foram alcançados por Cristo. Paulo declarou: “Pela graça de Deus sou o que sou” e, ao falar de seu trabalho, acrescentou: “Todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15.10). A graça que perdoa também fortalece e capacita. No uso popular, às vezes dizemos “estou só a graça” para descrever alguém cansado, abatido ou em péssimas condições. Embora pareça uma expressão inofensiva, ela reduz a graça a uma imagem de fraqueza e inpacidade. Biblicamente, a graça encontra o pecador em sua miséria, mas não o abandona nela. O poder de Deus
nos capacita a viver para sua glória, obedecer à sua Palavra e cumprir os propósitos que Ele determinou para nós.
Verifique o aprendizado de seus alunos (ponto 3):
1. Sob qual acusação Paulo foi levado diante de Gálio?
2. Como a decisão de Gálio confirmou a promessa que Deus havia feito a Paulo?
3. O que o possível destino de Sóstenes nos ensina sobre o alcance da graça?
4. O que significa dizer que “o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza”?

CONCLUSÃO
Agradecemos a Deus pela oportunidade de estudar mais uma lição. Aprendemos que sua graça sustentou Paulo em meio ao medo, fortaleceu-o para continuar pregando o Evangelho e garantiu a continuidade do trabalho missionário em Corinto. Ainda hoje, Deus salva pecadores por sua graça e capacita os crentes a viver para sua glória. Esperamos você na próxima aula, em nome de Jesus. Deus abençoe a todos. Amém!
REFERÊNCIAS
GARLAND, David E. Comentário expositivo Atos. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 2019. STOTT, John. A mensagem de Atos. São Paulo: ABU Editora, 1994. PEARLMAN, Myer. Atos: estudo do livro de Atos e o crescimento da Igreja Primitiva. Tradução: Gordon Chown. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2020. WILLIAMS, David J. Atos. Tradução: Oswaldo Ramos. São Paulo: Editora Vida, 1996. (Novo Comentário Bíblico Contemporâneo). KEENER, Craig S. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Novo Testamento. Tradução: José Gabriel Said. São Paulo: Vida Nova, 2017. Conheça o curso para pregadores iniciantes: O Pregador e a Pregação Página 15 BEALE, G. K.; CARSON, D. A. (Org.). Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. Tradução: C. E. S. Lopes, F. Medeiros, R. Malkomes e V. Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2014. KEENER, Craig S. Comentário Exegético Atos. Rio de Janeiro: CPAD, 2024. 4 v. LONGENECKER, Richard N. Acts. In: LONGMAN III, Tremper; GARLAND, David E. (Ed.). The expositor’s Bible commentary. Rev. ed. Grand Rapids: Zondervan, 2007. FERNANDO, Ajith. Acts. Grand Rapids: Zondervan, 1998. (The NIV Application Commentary). POLHILL, John B. Acts. Nashville: Broadman & Holman, 1992. (The New American Commentary, v. 26). LOPES, Hernandes Dias. Gálatas: A Carta da Liberdade Cristã. São Paulo, SP: Hagnos, 2011.
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