O sol ativa a vitamina D que coordena nossa saúde, e o protetor solar garante que esse momento seja apenas de benefícios – (crédito: Magnific)
Trabalhar o dia inteiro sob luz artificial e em ambientes fechados tornou-se a regra do cotidiano urbano. Contudo, o custo dessa rotina reflete diretamente na saúde. A deficiência de vitamina D atinge uma parcela cada vez maior da população, sendo diagnosticada quando o exame de sangue aponta taxas abaixo de 20ng/mL. A vulnerabilidade ao problema varia conforme o estilo de vida e fatores geográficos, exigindo atenção dobrada em grupos de risco, como idosos, pessoas com obesidade e portadores de doenças crônicas ou de má absorção. Apesar da importância de manter as taxas em dia, a dermatologista Andressa Vargas faz um alerta rigoroso contra a busca do nutriente por meio de banhos de Sol sem proteção. “Não recomendamos exposição solar intencional e sem proteção com o objetivo de produzir vitamina D. A radiação ultravioleta é um carcinógeno conhecido e seu efeito na pele é cumulativo”, destaca a especialista. A médica reforça ainda que o uso diário de filtro solar jamais deve ser interrompido sob a falsa premissa de estimular a produção da vitamina, uma vez que o produto não interfere nesse processo de síntese. Para os casos em que a adequação dos níveis se faz necessária, a intervenção via oral desponta como a opção mais indicada e segura. Entretanto, há fatores a serem analisados antes de buscar essa alternativa. “Quando há necessidade de reposição, a suplementação oral é uma estratégia muito mais controlável, sem acrescentar os efeitos carcinogênicos da radiação ultravioleta sobre a pele”, explica a médica. A especialista ressalta que a conduta precisa ser totalmente individualizada, levando em conta critérios como a idade, o histórico clínico e os fatores de risco de cada paciente.
Infos
Alerta
Segundo o Ministério da Saúde, a exposição solar é a principal fonte de vitamina D, sendo responsável por cerca de 80% da obtenção do nutriente. Ela é de extrema importância na absorção do cálcio, no relaxamento muscular e no fortalecimento do sistema imunológico.
Dados
De acordo com pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), metade dos brasileiros sofre com a deficiência de vitamina D no organismo. No mundo, quase 1 bilhão de pessoas apresentam insuficiência grave do nutriente.
Recomendação
O uso incorreto de suplementos em doses altas pode causar hipervitaminose, que é o acúmulo excessivo da substância no organismo. A dermatologista Paula Chicralla afirma que a suplementação deve ser feita com cautela e orientação médica para evitar riscos à saúde.
Câncer de pele
O Sol causa danos cumulativos na pele, provocando envelhecimento precoce e aumentando os riscos de câncer de pele. Por isso, a proteção solar é indispensável. Se os níveis de vitamina D estiverem baixos, a solução mais segura é a alimentação e a suplementação oral — e não a exposição ao Sol sem proteção.
Sintomas
Segundo Paula Chicralla, a falta de vitamina D prejudica a saúde dos ossos e dos músculos, provocando dores e fraqueza no corpo. Por ser um problema silencioso, os sinais costumam surgir em pessoas de qualquer idade.
Fontes naturais
Embora a alimentação ajude na manutenção do nutriente, ela raramente corrige deficiências severas sozinha. As principais fontes naturais são peixes gordurosos, como salmão, atum e sardinha; gema de ovo, fígado e cogumelos; além de produtos fortificados, como leites, bebidas vegetais e cereais enriquecidos.
Palavra do especialista
Por que a falta de vitamina D é tão comum no Brasil, mesmo sendo um país ensolarado?
Apesar de o Brasil ter bastante sol, isso não significa que toda a população tenha níveis adequados de vitamina D. A principal fonte dessa vitamina é a exposição solar, mas a rotina moderna dificulta esse processo. Muitas pessoas passam grande parte do dia em ambientes fechados, trabalham em escritórios e, quando estão ao ar livre, utilizam roupas que cobrem grande parte do corpo e protetor solar, importante para a prevenção do câncer de pele, mas que reduz a produção de vitamina D pela pele. Além disso, idade, pigmentação da pele, obesidade e algumas condições de saúde podem interferir na produção e no metabolismo da vitamina D. Por isso, é possível encontrar deficiência mesmo em um país ensolarado.
Apenas a alimentação e o Sol do dia a dia conseguem suprir essa necessidade ou a suplementação é necessária?
Não existe uma resposta única para todo mundo. A alimentação contribui, mas são poucos os alimentos naturalmente ricos em vitamina D, e a exposição solar varia muito de pessoa para pessoa. A suplementação pode ser necessária quando existe deficiência ou quando há uma indicação clínica específica. O ideal é que essa decisão seja individualizada, geralmente a partir da avaliação médica e, quando indicado, da dosagem sanguínea. Não é porque uma pessoa tem pouco contato com o Sol que precisa tomar vitamina D por conta própria.
Qual é o perigo de tomar suplementos de vitamina D por conta própria, sem orientação médica?
O principal problema é achar que, por ser uma vitamina, quanto maior for a dose, melhor. A vitamina D é lipossolúvel e pode se acumular no organismo. O uso excessivo e prolongado pode levar à hipervitaminose D e aumentar o cálcio no sangue, causando sintomas como náuseas, fraqueza, sede excessiva e alterações renais, podendo inclusive provocar complicações mais graves. Por isso, a suplementação não deve ser feita simplesmente porque existe uma preocupação com a deficiência. É importante avaliar se realmente há necessidade, qual dose é adequada e por quanto tempo. Na medicina, o objetivo não é apenas corrigir uma deficiência, mas fazer isso com segurança e de forma individualizada.
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