15 de setembro de 2026 20:42

A CEIA DO SENHOR – A SEGUNDA ORDENAÇA DA IGREJA

O CORPO DE CRISTO
Origem, Natureza e Vocação da Igreja no Mundo

O QUE ESTUDAREMOS?
Nesta lição, procuraremos compreender o propósito bem como a forma da Ceia do Senhor de acordo com a Bíblias. Por isso, faremos uma exposição da doutrina bíblica da Ceia do Senhor e também consideraremos suas implicações históricas. Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.


TEXTO ÁUREO – COMPARANDO TRADUÇÕES
Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. (1Co 11.26 – NVI). O Senhor Jesus instituiu duas ordenanças a serem praticadas pela igreja. A lição anterior analisou o batismo, ordenança praticada só uma vez por toda pessoa, como sinal do início de sua vida cristã. Esta lição analisará a ceia do Senhor, ordenança que deve ser praticada repetidamente por toda a vida do cristão, como sinal de que continuamos em comunhão com Cristo. A origem da ceia do Senhor está na última ceia que Jesus teve com seus discípulos, na noite anterior à sua morte; sobre ela, nós lemos nos Evangelhos de Mateus (26.26-30), Marcos (14.22- 26) e Lucas (22.14-20). Cada um desses textos descreve Jesus dando graças ou abençoando o pão e o vinho e distribuindo-os a seus discípulos, dizendo que o pão era o seu corpo e o vinho do cálice o sangue da aliança, ou a nova aliança em seu sangue. Em Lucas 22.19, Jesus ordena: “Façam isto em memória de mim”. Ouçamos como Mateus resumiu a última ceia de Jesus com seus discípulos (26.26-29): 26 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e o abençoou. Em seguida, partiu-o em pedaços e deu aos discípulos, dizendo: “Tomem e comam, porque este é o meu corpo”. 27 Então tomou o cálice de vinho e agradeceu a Deus. Depois, entregou-o aos discípulos e disse: “Cada um beba dele, 28 porque este é o meu sangue, que confirma a aliança. Ele é derramado como sacrifício para perdoar os pecados de muitos. 29 Prestem atenção ao que eu lhes digo: não voltarei a beber vinho até aquele dia em que, com vocês, beberei vinho novo no reino de meu Pai”. Os documentos históricos, até onde se pode verificar, informam-nos que, desde o início, a igreja fez o que Jesus ordenou: repetiu a ceia em memória de sua vida e morte. As cartas de Paulo são os mais antigos testemunhos que temos e, em 1Coríntios 11.20, ele se refere ao evento na vida da igreja, chamado-o de “a Ceia do Senhor”. O rito tem esse nome porque foi instituído e ordenado pelo próprio Cristo.
Apêndice  A Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p. 132) nos diz: A expressão “todas as vezes” remete à continuidade. Temos aqui o passado, a morte de Jesus; o presente, a nossa comunhão com Ele e com os irmãos; e o futuro, a sua volta. Pode ser dito que as igrejas do período apostólico celebravam semanalmente a Ceia do Senhor: “No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão” (At 20.7). Nós a celebramos numa frequência suficiente para evitar intervalos longos entre os períodos de reflexão, comunhão e ação de graças.

VERDADE PRÁTICA
A Ceia do Senhor, como uma ordenança, celebra a comunhão do crente com o Senhor ressuscitado. Quero chamar a sua atenção, desde já, para um detalhe neste texto que se repete em toda a lição: a expressão “Ceia do Senhor”. O comentarista evita usar o termo “Santa Ceia” e prefere “Ceia do Senhor”. A nossa Declaração de Fé também faz essa escolha. No campo teológico, há um debate sobre essa nomenclatura. Alguns eruditos afirmam que, como a ceia não é um sacramento, mas uma ordenança, usar a terminologia “Santa Ceia” é catolicizar essa celebração. Não há nenhum poder místico nos elementos da Ceia, por isso evitamos usar a expressão “Santa Ceia”. No entanto, algo “santo” no contexto das Escrituras Sagradas é algo “dedicado, consagrado, separado a Deus”. Não acredito que seja um grave problema usar a terminologia “Santa Ceia”, mas prefiro, assim como o comentarista, aludir a essa ordenança como “Ceia” ou “Ceia do Senhor”. 

I. A NATUREZA DA CEIA DO SENHOR NA TRADIÇÃO CRISTÃ
1.1 Na tradição romana.
A LIÇÃO DIZ: O romanismo compreende de forma literal as expressões ditas por Jesus em referência aos elementos da Ceia do Senhor “isto é o meu corpo (Lc 22.19); “Este cálice é […] meu sangue” (Lc 22.20). Assim, segundo esse entendimento, durante o cerimonial os elementos da Ceia se convertem no corpo e no sangue de Cristo. Esse ensino é conhecido como transubstanciação. De acordo com o ensino da Igreja Católica Romana, o pão e o vinho tornam-se efetivamente o corpo e o sangue de Cristo. Isso acontece quando o padre afirma: “Isto é o meu corpo”, durante a celebração da missa. Quando o padre diz isso, o pão é levantado (elevado) e adorado. Esse ato de elevar o pão e de pronunciá-lo corpo de Cristo só pode ser feito por um sacerdote. Quando isso acontece, segundo a doutrina católica romana, concede-se graça aos presentes ex opere operato, isto é, “pela obra realizada”, mas a quantidade de graça concedida ocorre em proporção à disposição subjetiva de quem a recebe. O Catecismo da Igreja Católica ensina o seguinte: No santíssimo sacramento da eucaristia “estão contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo”. É pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo que ele se torna presente neste sacramento. […] Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue. A esta mudança, a Igreja Católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação. A presença do verdadeiro corpo e do verdadeiro sangue de Cristo neste sacramento é algo que “não pode ser apreendido pelos sentidos”, afirma São Tomás, “mas só pela fé, que se apoia na autoridade de Deus”. Somente os sacerdotes validamente ordenados podem presidir a eucaristia e consagrar o pão e o vinho, para que se tornem o corpo e o sangue do Senhor. Uma das implicações da doutrina da transubstanciação é que sempre que a eucaristia é celebrada no culto católico (e isso acontece em todas as missas), o sacrifício de Cristo se repete. Portanto, se três missas forem realizadas num só domingo numa mesma catedral, naquele dia o sacrifício de Cristo se repetirá ali três vezes, o mesmo ocorrendo em outras igrejas romanistas ao redor do mundo. É essa suposta repetição contínua do sacrifício do Senhor que dá o motivo pelo qual as igrejas católicas celebram sua ceia num altar e não numa mesa como fazem as igrejas evangélicas. Essa doutrina é ainda o fundamento pelo qual os sacerdotes católicos tendem a fazer o “sepultamento” de hóstias consagradas que sobraram após encerrada a missa. No seu entender, jogá-las fora seria sacrilégio cometido contra o próprio corpo de Cristo e armazená-las não seria o modo digno de lidar com um cadáver tão santo. Em resposta ao ensino católico romano a respeito da ceia do Senhor, é necessário que se diga que em primeiro lugar ele deixa de reconhecer de modo suficiente o caráter simbólico das declarações de Jesus quando ele afirmou: “Isto é o meu corpo” e: “Isto é o meu sangue”. Jesus falou de modo simbólico muitas vezes quando se referiu a si mesmo. Ele disse: “Eu sou a videira verdadeira” (Jo 15.1), bem como: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo” (Jo 10.9), e ainda: “Eu sou o pão que desceu do céu” (Jo 6.41). De maneira semelhante, quando Jesus diz “Isto é o meu corpo”, ele fala de modo simbólico, não de maneira real, literal e física. Na verdade, quando ele estava sentado com seus discípulos segurando o pão, o pão estava em sua mão, mas era distinto de seu corpo, e isso era, sem dúvida, evidente para seus discípulos. Nenhum dos discípulos presentes teria pensado que o pão que Jesus tinha em mãos era efetivamente seu corpo físico, porque eles podiam ver o corpo de Jesus diante de seus olhos. Eles interpretaram a declaração de Jesus naturalmente como simbólica. De maneira semelhante, quando Jesus afirmou: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” (Lc 22.20), ele certamente não quis dizer que o cálice era efetivamente a nova aliança, mas que o cálice representava a nova aliança. Além do mais, a posição católica romana deixa de reconhecer o ensino claro do Novo Testamento sobre o caráter definitivo e a completude do sacrifício de Cristo, feito de uma vez por todas por nossos pecados: o livro de Hebreus enfatiza isso muitas vezes, quando diz: “Ele também não se ofereceu muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra no Lugar Santíssimo todos os anos com sangue de outro. Nesse caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, no fim das eras, ele se manifestou de uma vez por todas, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo […] Cristo, tendo sido oferecido uma só vez para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.25-28). Dizer que o sacrifício de Cristo continua ou é repetido na missa tem sido, desde a Reforma, uma das doutrinas católicas romanas mais contestadas do ponto de vista protestante.
1.2 Na tradição protestante.
A LIÇÃO DIZ: A tradição luterana diverge da católica quando nega que os elementos da Ceia, o pão e o vinho, se tornem ou se convertam no corpo e no sangue de Cristo Contudo, afirma que o corpo físico de Jesus está presente no pão da Ceia. Esse entendimento luterano é denominado de consubstanciação. Martinho Lutero rejeitou a posição católica romana sobre a ceia do Senhor, mas insistiu que a expressão “Isto é o meu corpo” precisava ser entendida, em algum sentido, como uma declaração literal. Sua conclusão não foi que o pão efetivamente se torna o corpo físico de Cristo, mas que o corpo físico de Cristo está presente “em, com e sob” o pão da ceia do Senhor. A ilustração dada às vezes para explicar é que o corpo de Cristo está presente assim como a água está presente em uma esponja — a água não é a esponja, mas está presente “em, com e sob” a esponja e onde quer que a esponja esteja. A interpretação luterana da ceia do Senhor é encontrada no livro-texto de Francis Pieper, Christian dogmatics. Ele cita o Catecismo breve de Lutero: “O que é o sacramento do altar? É o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, sob o pão e o vinho, para que nós, cristãos, dele comamos e bebamos, instituído pelo próprio Cristo”. De modo semelhante, a Confissão de Augsburgo, afirma: “Da ceia do Senhor eles ensinam que o corpo e o sangue de Cristo estão efetivamente presentes e são distribuídos aos que comem na ceia do Senhor”. A concepção de Martinho Lutero acerca da ceia estava atrelada à sua proposta acerca da ubiqüidade do corpo de Cristo. Na verdade, a doutrina da consubstanciação depende
exclusivamente desse conceito. Ubiqüidade significa onipresença. Lutero ensinava, pois, que o corpo físico de Cristo tinha atributos divinos, podendo estar em vários lugares ao mesmo tempo e não somente sentado à direita do Pai nas alturas. Daí a possibilidade de estar junto aos elementos da ceia e servir de alimento para os cristãos. Em resposta à posição luterana, pode-se dizer que ela deixa de reconhecer que Jesus está falando de uma realidade espiritual, usando, porém, objetos físicos para nos ensinar, quando afirma: “Isto é o meu corpo”. Berkhof objeta, acertadamente, que Lutero faz as palavras de Jesus efetivamente significarem o seguinte: “Isso acompanha o meu corpo”.
1.3 A posição pentecostal.
A LIÇÃO DIZ: A tradição pentecostal entende que o pão e o vinho não se convertem fisicamente no corpo de Jesus nem tampouco Jesus está presente fisicamente neles. Assim, o pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Jesus. Contudo, Jesus se faz presente espiritualmente nos símbolos da Ceia (Mt 18.20). O maior oponente de Lutero nesse assunto foi o reformador suíço Ulrico Zuínglio (1484- 1531). Ele combateu a consubstanciação dizendo que os benefícios da ceia eram puramente espirituais, não havendo sentido nem necessidade de qualquer presença corporal de Cristo no pão e no vinho. Além disso, Zuínglio rejeitou o conceito de ubiqüidade exposto por Lutero, afirmando que a encarnação não ocorreu de tal modo que a natureza humana de Cristo, em seu aspecto corporal, se tornasse onipresente. Zuínglio estava certo em tudo isso. De fato, nunca existiu qualquer fundamento racional ou bíblico para a doutrina da consubstanciação, sendo evidente que Lutero a elaborou por estar ainda fortemente ligado a tradições romanistas, sendo-lhe difícil romper radicalmente com elas, depois de ter vivido tanto tempo sob o papismo. Aliás, vários argumentos expostos anteriormente e usados contra a crença católica acerca da transubstanciação podem ser usados também contra as noções de Lutero, o que comprova o notável grau de semelhança entre as duas posições. Preste a atenção a advertência O teólogo Millard Ericson advertiu: Por zelo, para evitar a ideia de que Jesus está presente de algum modo mágico, alguns, por vezes, foram a extremos a ponto de dar a impressão de que o lugar em que Jesus mais certamente não está presente é na Ceia do Senhor. Portanto, para evitar a doutrina católica da presença real de Jesus, alguns protestantes criaram a doutrina da “ausência total” de Jesus na Ceia. É um equívoco que deve ser terminantemente evitado A Ceia como um memorial. Essa é a visão segundo a qual a ceia é apenas uma ordenança do Senhor, útil para trazer à memória dos crentes o sacrifício que Cristo realizou no Calvário. Dentre as visões sobre a ceia do Senhor, a que a concebe basicamente como um memorial parece ser a que melhor se harmoniza com o ensino das Escrituras. O próprio Senhor, ao instituir essa ordenança, afirmou: “Fazei isso, em memória de mim”. (1Co 11.23-25). O memorialismo bíblico, porém, não é do tipo que despreza as realidades espirituais ligadas à ceia. Na verdade, um enunciado que leve realmente em conta a totalidade da evidência neotestamentária deve afirmar que a ceia do Senhor é um memorial que recorda o sacrifício de Cristo, memorial este celebrado em meio a uma realidade espiritual que transcende a experiência regular da igreja, à medida que proporciona aos crentes uma cumplicidade mais plena com o próprio Senhor presente de forma intensa no momento da celebração. Ora, é evidente que, desfrutar de uma cerimônia assim, provocará transformações nos participantes, mais do que meras recordações


II. O PROPOSITO DA CEIA DO SENHOR
O escritor Warren Wiersbe (1919-2019) observa que o cristão deve olhar em quatro direções ao participar da Ceia. Em primeiro lugar, ele deve olhar para trás. Esse olhar é o que nos fará lembrar o motivo da morte de Jesus — carregar nossos pecados. Lembrará também que Ele morreu de forma voluntária, demonstrando, assim, o seu amor por nós. Em segundo lugar, o crente deve olhar para frente. Fazendo isso, ele lembrará o sacrifício do Senhor “até que ele venha”. Trata-se de um olhar escatológico, rumo ao futuro da igreja. Em terceiro lugar, o crente deve olhar ao seu redor. Esse olhar fará com que ele enxergue o outro e não seja um egoísta espiritual. De fato, esse é o verdadeiro propósito da Ceia, que é celebrar uma festa em família. Em quarto lugar, o cristão deve olhar para dentro. Esse olhar para dentro fará com que se examine a si mesmo: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo” (1 Co 11.28).
2.1 Celebrar a expiação de Cristo.
A LIÇÃO DIZ: Ao escrever sobre a Ceia do Senhor, o apóstolo Paulo destacou como propósito dessa celebração “anunciar a morte do Senhor (1 Co 11.26). Nesse caso, a Ceia do Senhor aponta para o Calvário. Ela celebra a vitória de Cristo na cruz sobre o pecado, a morte e o Diabo (Hb 2.14,15) Por intermédio da morte de Cristo na cruz, fomos justificados e reconciliados com Deus (2 Co 5.21). Portanto, na Ceia do Senhor celebramos a vitória de Jesus na cruz, que também é a nossa vitória (Ap 12.11) Definição – [Do lat. expiationem, reparação de culpas] Cancelamento pleno do pecado com base na justiça de Cristo, propiciando ao pecador arrependido a restauração de sua comunhão com Deus (I Jo 1.7). A morte de Cristo é a base da expiação. Quando você participa da Ceia, você deve olhar para trás, para a cruz de Cristo (11.26). Todas as vezes que comemos o pão e bebemos o cálice, anunciamos a morte do Senhor. Quando Jesus pegou o pão e o partiu, Ele disse: “Este pão é o meu corpo, que é partido por amor de vós. Tomai e comei, fazei isto em memória de mim”. Jesus está ordenando que a igreja se lembre não dos Seus milagres, mas da Sua morte. Devemos olhar para trás e nos lembrar por que Cristo morreu, como Cristo morreu, por quem Cristo morreu. Cristo é o centro da Ceia. A Ceia é uma pregação dramatizada do calvário.
2.2 Proclamar a segunda vinda de Cristo.
A LIÇÃO DIZ: A Ceia do Senhor proclama a sua segunda vinda (1 Co 11.26). Logo, há um sentido escatológico na celebração da Ceia do Senhor. Ao contemplar o retorno de Cristo, a Igreja lembra que é peregrina nesta Terra e que a sua pátria não é aqui (Fp 3.20,21).
Quando participa da Ceia, você não olha somente para trás, mas também para a frente. Paulo diz: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (11.26). A Ceia nos aponta para a segunda vinda de Cristo. A Ceia aponta para a parousia. Há um clima de expectativa em toda celebração da Ceia do Senhor (Lc 22.16,18). A segunda vinda de Cristo é a grande esperança do cristão num mundo onde o mal tem feito tantos estragos. Atrás, aponta para a sua morte; à frente, aponta para a sua volta. William MacDonald, citando Godett, afirma: “A Ceia do Senhor é o elo entre Suas duas vindas, o monumento de uma, a garantia de outra”.
2.3 Celebrar a comunhão cristã.
A LIÇÃO DIZ: Quando há o espirito de divisão, litígios e intrigas entre os crentes, a celebração da Ceia do Senhor perde todo o seu sentido. A igreja, reunida para a ceia do Senhor, anuncia a morte do Senhor; a ceia fala do sacrifício de Jesus, permite-nos, conforme já vimos, olhar para trás, para a cruz de Cristo; mas a ceia também nos permite revelar que em Cristo nós somos um: houve reconciliação com Deus e uns com os outros. A ceia nos permite olhar ao redor. Além da palavra pregada, não há ferramenta mais poderosa para se anunciar a mensagem da cruz de Cristo do que uma igreja que vive em união no Senhor Jesus Cristo. A PERGUNTA QUE NÃO PODE QUER CALAR: Você pode olhar ao redor? Pode olhar no olho do seu irmão e participar do pão e do suco de uva? Nós também devemos nos lembrar que milhares e milhares lá fora no mundo estão ausentes da mesa do Senhor, pois ainda não receberam o evangelho da reconciliação com Deus.  A ceia do Senhor nos faz olhar ao redor; faz-nos um desafio missionário; quantas ovelhas do Senhor ainda não foram resgatadas e trazidas para a comunhão da mesa do Pai!

III. O MODO DE CELEBRAÇÃO DA CEIA DO SENHOR
3.1 O que é participar “indignamente”?
A LIÇÃO DIZ: Concernente à celebração da Ceia do Senhor, Paulo advertiu sobre o perigo de participar da Ceia indignamente. (1 Co 11.27). Participar da Ceia do Senhor indignamente. Paulo escreve: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor” (11.27). O advérbio “indignamente” (anaksiós) mostra que Paulo referia-se ao modo irreverente dos coríntios ao celebrarem a Ceia do Senhor, isto é, enquanto alguns se embriagavam durante a reunião, outros comiam demais, além do fato de não esperarem uns pelos outros. Essa maneira de celebrar a Ceia do Senhor não estava correta e precisava da correção por parte do apóstolo. Os escritores Guy P. Duffield e Nathaniel M. Van Cleave dizem isso com outras palavras: Há necessidade de uma explicação sobre a advertência contra “comer ou beber indignamente” (1 Co 11.27-29). Muitos crentes, por não entenderem bem essas advertências, abstiveram-se desnecessariamente da Ceia do Senhor. Deve ser notado que “indignamente” é um advérbio que modifica os verbos “comer” e “beber”, e está ligado à “maneira” de participar, e não à indignidade das pessoas. A advertência referia-se à atitude ávida e descontrolada dos coríntios, descrita em 1 Coríntios 11.20-22. Ninguém é digno, por si mesmo, de ter comunhão com Jesus, mas possuímos esse privilégio em virtude da obra expiatória que os elementos simbolizam. Todavia, os participantes precisam examinar a si mesmos com relação ao modo como tomam a ceia e à sua atitude para com os outros crentes; além disso, devem verificar se estão discernindo o corpo do Senhor, sem demonstrar irreverência ou frivolidade em suas maneiras.
3.2 Uma celebração reverente.
A LIÇÃO DIZ: Se a simples maneira irreverente de celebrar a Ceia atrai o juízo divino, o que dizer então de quem participa com pecados não confessados? Pecado não confessado atrai o juízo divino. Paulo nos advertiu sobre a seriedade sagrada da ceia do Senhor; ou seja: se alguém participa da ceia do Senhor de uma maneira ritualística, desdenhosa, insensível, impensada, imprudente, egoísta e sem qualquer arrependimento pelo pecado essa atitude não discerne a seriedade do que aconteceu na cruz (fomos pela fé unidos a Deus e inseridos no seu corpo) e o participante pode até perder sua vida, não pela ira, mas como um ato da disciplina paternal de Deus. Não trate a ceia do Senhor de forma leviana. Ela é um dos dons mais preciosos que Cristo concedeu à sua igreja. Vamos participar dela juntos. Examine-se. Arrependa-se. Peça perdão a Deus. Determine-se a agir com fé: perdoando, reatando laços rompidos, importando-se com o irmão, abandonando o pecado, buscando viver em novidade de vida.
3.3 Celebração festiva.
A LIÇÃO DIZ: A Ceia do Senhor celebra a morte e ressurreição de Jesus e não o seu funeral. A Ceia celebra o Cristo que morreu, mas que ressuscitou (1 Co. 15.1-4). Deve, portanto, ser uma celebração reverente, contudo, festiva (1 Co 3.7 8) Nosso Redentor vive e, por isso, devemos demonstrar isso na Celebração da Ceia do Senhor. Nela, portanto, deve haver um ambiente de reverência e ao mesmo tempo, de abundante alegria. Não participamos da Ceia do Senhor como quem chora por um morto, mas como quem louva a um vivo. Não participamos da Ceia do Senhor como quem teme o juízo, mas como quem recebe o perdão. Não participamos da Ceia do Senhor como quem está isolado, mas como quem faz parte de uma família. Portanto, a ceia é um momento de alegria.

Motivos para participar da Santa Ceia:

Obediência: Participar da Santa Ceia é um mandamento do Senhor Jesus Cristo para os cristãos.
Comemoração: A Santa Ceia é uma oportunidade para lembrar o sacrifício de Jesus na cruz e celebrar sua ressurreição.
Renovação espiritual: A participação na Santa Ceia renova o compromisso espiritual com Cristo e com a comunidade cristã.
Comunhão: A Ceia do Senhor é um momento de comunhão com outros crentes, fortalecendo os laços fraternos na igreja.
Reflexão: Durante a Santa Ceia, os participantes são incentivados a refletir sobre sua vida espiritual e seu relacionamento com Deus.
Perdão dos pecados: A Ceia do Senhor é um símbolo do perdão dos pecados através do sacrifício de Jesus Cristo.
Lembrança do sacrifício: Ao participar da Santa Ceia, os cristãos recordam o imenso amor de Deus manifestado na morte de Jesus por eles.
Renovação da aliança: Participar da Ceia renova a aliança entre o crente e Deus, lembrando-os do pacto de salvação.
Esperança: A Santa Ceia é um lembrete da esperança da vida eterna através da morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Agradecimento: Os participantes da Santa Ceia expressam gratidão a Deus pelo seu amor e graça demonstrados na cruz.
Testemunho público: Participar da Ceia do Senhor é um testemunho público de fé e compromisso com Cristo.
Exemplo bíblico: A participação na Santa Ceia segue o exemplo deixado por Jesus aos seus discípulos durante a última ceia.
Nutrição espiritual: Assim como o pão e o vinho nutrem o corpo, a Santa Ceia nutre a alma dos crentes.
Crescimento espiritual:A participação regular na Ceia do Senhor contribui para o crescimento espiritual e amadurecimento na fé.
Antecipação do Reino de Deus: Ao participar da Santa Ceia, os crentes antecipam a comunhão futura no Reino de Deus.

CONCLUSÃO
A ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, comemorativa e proclamadora da morte do Senhor Jesus Cristo, simbolizada por meio dos elementos utilizados: o pão e o vinho. Nesse memorial, o pão representa seu corpo dado por nós no Calvário e o vinho simboliza o seu sangue derramado. A ceia do Senhor deve ser celebrada pelas igrejas até a volta de Cristo e sua celebração pressupõe o batismo bíblico e o cuidadoso exame íntimo dos participantes.

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