O DEUS QUE GOVERNA O MUNDO E CUIDA DA FAMÍLIA
Os ensinamentos Divinos nos Livros de Rute e Ester para a Nossa Geração







O QUE ESTUDAREMOS?
Esta lição apresenta o contraste entre duas mulheres, Vasti e Ester. Vasti, a rainha que foi deposta por se recusar a obedecer ao rei. Ester, a judia que se tornou rainha e teve como marca obedecer às orientações de seu primo Mardoqueu. Nesta lição, também perceberemos o atributo incomunicável de Deus denominado de presciência. Ele conhece de antemão todas as ações humanas.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES
Porém a bondade que Deus mostra é ainda mais forte, pois as Escrituras Sagradas dizem: “Deus é contra os orgulhosos, mas é bondoso com os humildes.” (Tg 4.6 NTLH). Para provar que Deus concede graça conforme necessário, Tiago cita Provérbios 3.34, acrescentando a ideia de que a graça é prometida aos humildes, e não aos orgulhosos. Deus resiste aos soberbos, mas não pode resistir ao espírito quebrantado.
• Deus resiste aos soberbos. Resistir significa “engajar-se em batalha contra alguém”, “opor-se”, “colocar-se contra”. É isso que Deus faz em relação aos soberbos, orgulhosos, altivos (Jó 40.10–12; Sl 138.6; Pv 6.16–17; 29.23; Is 2.11–12; Mt 23.12; Lc 1.52). Foi isso que ele fez contra o Faraó, que se recusou a humilhar-se diante de Deus (Êx 10.3–4; 18.11); com o arrogante rei da Assíria, que não reconheceu que de Deus vinha a vitória (Is 57.12–13); com Nabucodonosor, que se exaltou (Dn 4.37; 5.20–21); com o arrogante fariseu que se justificava
(Lc 18.14); com o vaidoso Herodes (At 12.21–23).
• As Escrituras também nos ensinam que Deus concede graça aos que se humilham diante dele. Foi assim que o orgulhoso Ezequias encontrou favor (2Cr 32.26). O ímpio rei Manassés humilhou-se profundamente diante de Deus e recebeu maior graça (2Cr 33.10–13, 19). O rei Josias humilhou-se diante do Senhor e adiou o castigo tremendo que estava prestes a cair sobre Judá (2Cr 34.22–28). Quão preciosas as palavras de Isaías 57.15: Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.Como esse texto se aplica ao contexto da lição? Seguindo a linha adotada pelo Pastor Silas Queiroz, podemos fazer as seguintes aplicações:
1. Resistência aos Soberbos: A Queda de Vasti Vasti recusou a ordem do rei Assuero, mostrando orgulho e desrespeito. Sua atitude levou à deposição, exemplificando que Deus resiste aos soberbos, como o rei resistiu a Vasti.
2. Recepção da Graça: A Ascensão de Ester Ester, com sua humildade, ganhou o favor do rei e de Deus. Sua atitude atraiu graça, permitindo que ela se tornasse rainha e estivesse em posição para ajudar seu povo. Porém, desde já, ressalto que não concordo com esse pensamento e nem com a escolha da passagem bíblica como texto-áureo. Uma lição preciosa que você deve guardar em seu coração é: leia com muita atenção, mas tenha senso crítico. Você deve adotar essa postura não apenas com a lição, mas também com este subsidio. No ponto dois, veremos os detalhes.

VERDADE PRÁTICA
Devemos nos conservar humildes, confiando na justiça de Deus, pois Ele governa a todos, abatendo ou exaltando.
• Humildade Necessária. Devemos manter uma atitude de humildade diante de Deus, reconhecendo nossa dependência dEle e evitando a arrogância ou autossuficiência.Confiança na Justiça Divina. Nossa confiança deve estar na justiça de Deus, sabendo que Ele julga com retidão e equidade, recompensando os justos e punindo os ímpios conforme Sua
vontade perfeita.
• Soberania de Deus. Deus é soberano sobre todas as coisas, Ele tem o poder de abater os orgulhosos e exaltar os humildes, agindo conforme Seu plano soberano e para a Sua glória.








I. O BANQUETE DE ASSUERO E A RECUSA DE VASTI
1.1 O rei Assuero. Filho de Dario.
A LIÇÃO DIZ: Assuero governou o Império Persa por 20 anos (486-465 a.C.), reinando “desde a Índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias” (Et 1.1). Seu nome grego é Xerxes. No terceiro ano de seu reinado, Assuero convidou a nobreza imperial e os senhores de todas as províncias para mostrar-lhes a grandiosidade do reino e as suas riquezas. Toda história tem um contexto. Não é diferente com a história de Ester. Cinquenta e seis anos depois da queda da Babilônia, ocorrida em 539 a.C., o Império Persa estava no auge da sua expansão. A sua grandeza é ressaltada logo no primeiro versículo do livro de Ester, macro cenário da extraordinária história que a obra registra: “E sucedeu, nos dias de Assuero (este é aquele Assuero que reinou, desde a Índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias)” (Et 1.1). O versículo seguinte (1.2) situa-nos no microcenário da narrativa, a fortaleza de Susã, a capital do novo império.Ciro reinou de 539 a.C. até a sua morte, em plena batalha, no ano 530 a.C. O seu filho Cambises II reinou no seu lugar até 522 a.C., sendo sucedido por Gautama (522 a.C.), que usurpou o poder e foi assassinado no mesmo ano que subiu ao trono, sendo sucedido pelo líder da conspiração, Dario Histapes, pai de Xerxes (Assuero), que ficou conhecido por grandes realizações. Sobre o rei mencionado no livro de Ester, seu nome persa era Khshayarshan, que em hebraico se tornou Assuero e, em grego, Xerxes. Xerxes é a forma grega de um antigo nome persa que significa “ele governa sobre os homens/heróis”. A preferência por Xerxes (NVI) surgiu porque esse é o nome reconhecido do rei persa, filho de Dario I, de quem o historiador grego Heródoto dá testemunho. Xerxes (nascido em 518 a.C.) governou entre 485 e 465 a.C. e aparece em apenas uma outra ocasião no Antigo Testamento (Esdras 4.6), quando se opôs à reconstrução do templo.D. A. Carson (2009, p. 678) explica que a cidadela de Susã era a acrópole central (como se vê hoje nos sítios arqueológicos das antigas cidades gregas, como Atenas e Corinto), elevada acima do restante da cidade e fortificada para proteger o rei. Uma espécie de cidade alta.
1.2 Um banquete público, outro exclusivo.
A LIÇÃO DIZ: Passados os 180 dias, Assuero ofereceu um banquete para todo o povo de Susã, no pátio do jardim de seu palácio. Havia muito luxo e ostentação, além de bebida à vontade, em uma festa programada para durar sete dias (Et 1.5-8). Assuero tinha como mulher a rainha Vasti, que alguns estudiosos acreditam ser a mesma Améstris, citada por Heródoto em seu livro História. Ela também ofereceu um banquete, porém restrito às mulheres do palácio (Et 1.9). Essa longa duração dos festejos é muito discutida pelos eruditos. Não se sabe se as festas e cerimônias foram ininterruptas ou se aconteceram conforme chegavam as delegações, vindas de todas as partes do vastíssimo Império Persa. Essa última hipótese é a mais provável, como opinam alguns estudiosos. É nesse sentido o pensamento de Joyce E. Every Clayton (2020, p. 129): A recepção durou cento e oitenta dias, uma grande sequência de festas. Os convidados por certo compareceram em momentos diferentes, cada um passando talvez uns poucos dias na capital. De outra maneira, teríamos de entender que a administração do império esteve paralisada por seis meses. Outro fator a ser considerado eram as enormes distâncias da maioria das províncias, que demandavam longos dias de viagens. Acredita-se que, além de contemplarem a grandeza do reino, as delegações vindas das províncias eram consultadas por Assuero sobre os seus planos de reeditar a tentativa do seu pai Dario de tomar as cidades gregas. Every-Clayton entende que os seis meses serviram para Assuero tratar dessa campanha com os generais e conselheiros do seu reino. Cumpridos os seis meses, Assuero ofereceu um banquete para os moradores da cidadela ou fortaleza de Susã no pátio do jardim do seu palácio, que era “um prédio quadrado com mais de 100 metros de cada lado, com setenta e duas colunas de pedra de 20 a 25 metros de altura”. Ester 1.5 registra que o público-alvo era o “povo [da] fortaleza de Susã”, mesmo porque seria difícil imaginar que fosse possível comportar todos os habitantes da grande cidade de Susã nos jardins do palácio. Ao mesmo tempo que Assuero, Vasti também ofereceu um banquete, porém restrito às mulheres da casa real (Et 1.9). Havia, portanto, diferenças fundamentais entre os banquetes de Assuero e de Vasti. O banquete do rei era para todo o povo: homens e mulheres, ricos e pobres (Et 1.5); já o da rainha era exclusivista: apenas para as mulheres do palácio. Foi durante essa festa local, mais propriamente no sétimo dia, que Assuero decidiu ordenar que lhe trouxessem a sua mulher, a rainha Vasti.
1.3 O convite à rainha.
A LIÇÃO DIZ: No sétimo dia de seu banquete, depois de ter bebido bastante, Assuero estava em euforia: “o coração do rei [estava] alegre do vinho” (Et 1.10). Foi quando ordenou que lhe trouxessem a rainha Vasti, “com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes a sua formosura, porque era formosa à vista” (Et 1.11). Vamos ler o texto bíblico na integra: No sétimo dia, quando o rei Xerxes já estava alegre por causa do vinho, ordenou aos sete oficiais que o serviam — Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas — que trouxessem à sua presença a rainha Vasti, usando a coroa real. Ele queria mostrar aos seus súditos e aos nobres a beleza dela, pois era de fato muito bonita. Considerar o texto o texto bíblico nos seus detalhes é importante, pois vamos apresentar no ponto dois uma visão alternativa a do comentarista.
APLICAÇÕES RELEVANTES
• Em primeiro lugar, destacamos a incompletude humana. Todo o luxo, riquezas, expansões territoriais e honrarias não foram capazes de satisfazer o rei Xerxes e seus generais. A busca incessante por mais era implacável, interminável e cada vez mais vazia de realização verdadeira.
• Em segundo lugar, a infelicidade humana. Festas, prazeres carnais e conquistas seculares não são fontes de verdadeira alegria. Nossas maiores alegrias terrenas são muitas vezes as fontes de nossas dores mais profundas. Em terceiro lugar, muita riqueza e prosperidade material são exibidas. No entanto, até agora, nenhuma nobreza de caráter ou qualidade moral foi demonstrada.






II. VASTI RESISTE À ORDEM DO REI E É DEPOSTA
2.1 A recusa da rainha.
A LIÇÃO DIZ: São diversas as opiniões a respeito das condutas do rei e da rainha nesse episódio. Fontes extrabíblicas tentam justificar a desobediência de Vasti, com versões que pintam como absurda a pretensão do rei em apresentá-la em seu banquete. O uso de fontes não bíblicas é saudável quando servem para aclarar o sentido do texto escriturístico. Contudo, podem levar à prática da eisegese quando dão à Escritura um sentido alheio ao que foi revelado. A narrativa bíblica é: uma festa pública acontecia e a rainha recusou atender ao rei. O texto para por aí. Fica difícil sustentar algum recato da rainha, principalmente se ela for, como alguns imaginam, a mesma Améstris citada por Heródoto, uma mulher astuta e sanguinária. Entendi a argumentação do autor e a posição do setor pedagógico que elaborou a revista quanto às ações da rainha persa. Todavia, afirmar que a desobediência de Vasti foi totalmente negativa ignora detalhes presentes no próprio texto.
• Primeiro, o autor menciona as diversas opiniões sobre esse episódio, mas devemos entender que a posição dele é apenas mais uma. Segundo, ele critica o uso indevido de fontes extrabíblicas, mas faz uso delas ao citar Heródoto e, a partir dessa informação, emite um parecer. Portanto, não há nenhum problema em usa-la, desde que seja de forma apropriada.
• Terceiro, a recusa de Vasti foi uma vergonha ultrajante para Assuero. No entanto, devemos considerar o estado de espírito do rei (estava embriagado) e seus propósitos (exibir a rainha). Levando essas questões em conta, podemos nos perguntar: Por mais desmoralizante que tenha sido essa situação para o rei, Vasti estava totalmente errada? Considerando os pontos supramencionados, vou na contra mão do que o autor propôs e acredito que a recusa de Vasti foi bem sensata dadas as circunstâncias contextuais. Deixo aqui um trecho do Comentário Histórico e Cultural do Antigo Testamento: Alguns supõem que Vasti tenha sido constrangida a fazer algo indiscreto ou moralmente comprometedor (como a antiga interpretação rabínica presumia), mas provavelmente não se trata disso. Em algumas sociedades orientais, o harém ficava cuidadosamente isolado e a lei proibia que as pessoas olhassem para o rosto das mulheres que ali viviam. Nessa época, as mulheres persas se deslocavam de um lugar para outro em carruagens fechadas, para não se exporem ao olhar das pessoas. Se for esse o caso, como Josefo relata, Xerxes estaria pedindo a Vasti que se rebaixasse e assumisse uma conduta indigna de sua posição real.
2.2 A aplicação da lei.
A LIÇÃO DIZ: Assuero estava, de fato, sob influência do vinho quando ordenou a vinda de Vasti, mas sua decisão de depô-la do cargo não se deu de forma intempestiva ou autoritária. Apesar da fúria, o rei suportou o constrangimento público de receber de volta os eunucos, sem a rainha. Em seguida, submeteu o caso ao exame dos sábios de seu reino, entendidos nas leis e no direito dos medos e persas (Et 1.13,14). A pergunta do rei demonstrava prudência: “o que, segundo a lei, se devia fazer da rainha Vasti, por não haver cumprido [o seu mandado]”? (Et 1.15). Novamente, devemos recorrer ao texto bíblico: 13 Como era costume o rei consultar especialistas em questões de direito e justiça, ele mandou chamar os sábios que entendiam das leis 14 e que eram muito amigos do rei: Carsena, Setar, Adamata, Társis, Meres, Marsena e Memucã; eles eram os sete nobres da Pérsia e da Média que tinham acesso direto ao rei e eram os mais importantes do reino. 15 O rei lhes perguntou: “De acordo com a lei, o que se deve fazer à rainha Vasti? Ela não obedeceu à ordem do rei Xerxes transmitida pelos oficiais”. 16 Então Memucã respondeu na presença do rei e dos nobres: “A rainha Vasti não ofendeu somente o rei, mas também todos os nobres e os povos de todas as províncias do rei Xerxes, 17 pois a conduta da rainha se tornará conhecida por todas as mulheres, e assim também elas desprezarão seus maridos e dirão: ‘O rei Xerxes ordenou que a rainha Vasti fosse à sua presença, mas ela não foi’. 18 Hoje mesmo as mulheres persas e medas da nobreza que ficarem sabendo do comportamento da rainha agirão da mesma maneira com todos os nobres do rei. Isso provocará desrespeito e discórdia sem fim. 19 “Por isso, se for do agrado do rei, que ele emita um decreto real, e que seja incluído na lei irrevogável da Pérsia e da Média, determinando que Vasti nunca mais compareça na presença do reiXerxes. Também dê o rei a sua posição de rainha a outra que seja melhor do que ela. 20 Assim, quando o decreto real for proclamado em todo o seu imenso domínio, todas as mulheres respeitarão seus maridos, do mais rico ao mais pobre”. 21 O rei e seus nobres aceitaram de bom grado o conselho, de modo que o rei pôs em prática a proposta de Memucã. 22 Para isso, enviou cartas a todas as partes do reino, a cada província e a cada povo, em sua própria escrita e em sua própria língua, proclamando que todo homem deveria mandar em sua própria casa.
Alguns pontos merecem destaque:
• Em primeiro, o rei não foi prudente, pois agiu sob o calor do momento e o efeito do vinho. Mesmo que ele tenha consultado os sábios, ele agiu dominado pelo sentimento de vergonha, ira e influencia alcoólica.
• Em segundo lugar, o rei foi manipulado. Um de seus sábios ampliou o problema além do necessário, dando-lhe uma proporção exagerada. Pela construção da narrativa, é fácil supor que tal sugestão tenha sido motivada por razões pessoais e particulares. No entanto, sua opinião foi aceita pelo rei. 2.3 A sentença de Vasti.
A LIÇÃO DIZ: Examinado o caso, Memucã, um dos sábios, aconselhou ao rei que depusesse Vasti. Liderança pressupõe muita responsabilidade. Pela grande repercussão, a conduta da rainha seria um péssimo exemplo para todas as mulheres do reino: “Porque a notícia deste feito da rainha sairá a todas as mulheres, de modo que desprezarão a seus maridos aos seus olhos” (Et 1.17). Isso provocaria desrespeito e discórdia nos lares (Et 1.18). O conselho de Memucã agradou a Assuero e seus nobres, e ele decretou a deposição de Vasti. Além disso, enviou cartas a todas as províncias, estabelecendo “que cada homem fosse senhor em sua casa” (Et 1.22). Uma das qualificações exigidas do líder cristão é exatamente esta: exercer o governo da própria casa. O princípio bíblico é: o homem que não lidera em casa não é apto para cuidar da Igreja de Deus (1 Tm 3.4,5). Neste ponto, discordo com mais veemência. A prova de que o rei foi precipitado, intempestivo e imprudente está no texto bíblico. Ele consultou os sábios para saber o que estava na lei, mas foi necessário criar um novo decreto que afetaria todas as mulheres do reino e beneficiaria todos os homens. O comentarista da lição ainda diz no livro de apoio o seguinte: O rei decretou a deposição de Vasti e enviou cartas a todas as províncias, estabelecendo “que cada homem fosse senhor em sua casa” (Et 1.22). O que se observa, portanto, é que os personagens da história reprovaram a conduta de Vasti. Quanto a Assuero, apesar de ser um rei ímpio, a sua resolução está em conformidade com o que a Palavra de Deus estabelece (Ef 5.23). Uma das qualificações exigidas do
líder cristão é exatamente esta: exercer o governo da própria casa. Acredito que a interpretação e a aplicação estão equivocadas. As mulheres respeitariam seus maridos pela força da lei. Isso abriria brechas para dominação, abusos e subjugação. Não podemos comparar as ações de Assuerio e as suas resoluções com o princípio bíblico de Efésios 5.23. No contexto do livro de Ester, eles queriam impor respeito pela força da lei. No contexto de Efésios, a submissão vem como uma resposta a liderança servidora e ao amor providencial e sacrificial.





III. ESTER: A JUDIA SE TORNA RAINHA EM TERRA ESTRANHA3.
1 Quatro anos depois.
A LIÇÃO DIZ: Há certo consenso entre os estudiosos de que a escolha da substituta de Vasti ocorreu após a frustrada campanha militar que Assuero lançou contra os gregos. A destruição quase total das forças navais persas na Batalha de Salamina, ano 480 a.C., forçou seu retorno para Susã. Passada a ira, o rei se lembrou de Vasti, do que ela havia feito e do que ele havia decretado (Et 2.1). Assim, no 479 a.C., aconselhado por seus servos mais próximos, Assuero decide escolher a nova rainha (Et 2.2). O capítulo começa com a conhecida expressão “depois destas coisas”, que indica que algum tempo não especificado se passou desde o final do capítulo 1. O versículo 16 esclarece que Ester é levada à residência real no sétimo ano do reinado de Xerxes (o capítulo 1 ocorreu em seu terceiro ano [1.3]). Durante esse intervalo, Xerxes pode ter se preocupado mais com a campanha contra os gregos do que com sua situação pessoal. A campanha militar empreendida por Assuero contra as cidades gregas durou cerca de quatro anos, período que está encravado entre o primeiro e o segundo capítulo do livro de Ester. Enquanto o primeiro capítulo fala dos banquetes e da deposição de Vasti, o segundo já apresenta o processo de escolha da nova rainha, ocorrido após o retorno de Assuero das terras gregas, provavelmente no ano 479 a.C. O historiador Lloyd Lllewelly-Jones (2023) vale-se de várias fontes, incluindo Heródoto, para também narrar em detalhes a investida persa sobre a Grécia, uma verdadeira epopeia que se
transformaria num rotundo fracasso. Assuero cometeu algumas insanidades durante a sua expedição, errou em muitos cálculos e estratégias e terminou frustrado na sua empreitada, principalmente por haver decidido lançar-se a uma arriscada batalha naval, a batalha de Salamina. Lllewelly-Jones (p.288) narra o fatídico desfecho da guerra, ocorrido no ano 480 a.C.: A espinha dorsal da marinha de Xerxes [Assuero] foi destroçada em Salamina. Teria sido difícil para ele construir rapidamente uma nova frota. Além disso, a infantaria e a cavalaria não podiam mais depender de suprimentos trazidos por navios. E assim, exaustos e desmoralizados, os persas foram forçados a recuar da Ática. Xerxes passou o inverno em Tebas, ruminando seus erros e punindo os erros dos outros […]. Deve ter sido uma viagem de regresso extremamente difícil para todos os envolvidos, mas sobretudo para Xerxes. Ele havia rompido com os exemplos militares de seus antepassados — Ciro, Cambises e Dario —, cujas vitórias na guerra fizeram o império crescer em tamanho e poderio. Agora que deixava a Grécia, Xerxes sabia que havia despertado um ninho de vespas e estava deixando para trás um povo rebelde e espinhoso, cuja resistência ao Império Persa continuaria a crescer.
3.2 O universo da escolha.
A LIÇÃO DIZ: Apesar de governar um império originário de longas sucessões entre famílias da Média e da Pérsia, Assuero decidiu escolher a nova rainha dentre moças de todas as províncias do reino. Não havia restrição quanto à origem étnica ou racial. A única exigência é que fossem virgens e formosas (Et 2.2-4). Assim como José encontrou favor no Egito (Gn 39.21) e Daniel na Babilônia (Dn 1.9), Ester também encontrou favor em Susã. Deus é tão poderoso que é capaz de trabalhar até mesmo no coração e na mente do guarda de um harém! Hegai era um gentio. Seu trabalho era cuidar do prazer do rei, e ele não conhecia o Deus de Israel. Ainda assim, teve um papel importante no plano que Deus
estava executando para o seu povo. Ainda hoje, Deus está operando em lugares onde, a meu ver, Ele nem sequer parece estar presente. Hegai realizava um “tratamento de beleza” de um ano com cada uma das mulheres para preparálas para o rei. Isso incluía uma determinada dieta, aplicação de perfumes e cosméticos especiais e, provavelmente, instrução sobre as regras de etiqueta da corte. Essas jovens estavam sendo treinadas para fazer uma só coisa: satisfazer os desejos do rei. Aquela que lhe agradasse mais se tornaria sua esposa. Pela providência de Deus, Hegai deu a Ester um “tratamento especial” e o melhor lugar na casa das mulheres para ela e suas servas. A cada noite, uma nova donzela era levada para o rei e, pela manhã, era mandada para a casa das concubinas, para nunca mais estar com o rei, a menos que ele se lembrasse dela e pedisse especificamente por sua presença. Essa sensualidade desenfreada deve ter entediado Assuero a tal ponto que ele provavelmente não era mais capaz de distinguir uma moça da outra. Não era amor, mas sim luxúria sem nome e sem rosto, que se tornava cada vez mais intensa. Quanto mais o rei se mentregava a seus desejos, menos satisfeito se sentia. Ester havia obtido o favor de todos com quem havia se encontrado, e, quando o rei a viu, seu entusiasmo foi maior do que aquele que demonstrou por todas as outras moças. Havia, finalmente, encontrado alguém para tomar o lugar de Vasti! A expressão “o rei amou a Ester” não deve ser interpretado como um caso de paixão à primeira vista, no qual Assuero dedicou de imediato sua mais profunda afeição e devoção a Ester. Algumas traduções indicam, de modo mais apropriado, que o rei sentiu-se, imediatamente, mais atraído por Ester do que por qualquer outra das mulheres (ver v. 17). Essa reação veio do Senhor, que planejava colocar Ester no palácio real, onde ela poderia interceder por seu povo. O rei coroou Ester pessoalmente e a declarou a nova rainha do império. Convocou seus oficiais e ofereceu um grande banquete. (Esse é o quarto banquete citado no livro. Os reis persas aproveitavam todas as oportunidades para celebrar!).
3.3 A obediência de Ester.
A LIÇÃO DIZ: Mardoqueu ordenou a Ester que não declarasse qual era o seu povo e sua parentela. Qual a razão dessa ordem? Não sabemos ao certo, já que não havia restrição étnica no processo de escolha da nova rainha. Mesmo sem entender o motivo da proibição, Ester obedeceu, à risca, a ordem de Mardoqueu (Et 2.10). Ela não exigia explicação para obedecer. Mardoqueu demonstrava profunda preocupação com o bem-estar de Ester, passando diariamente diante do pátio da casa das mulheres para saber como ela estava (2.11). Havia respeito e cuidado mútuo entre eles. Cumpridos os 12 meses de preparação, chegou a vez de Ester ser levada à presença de Assuero: “E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça e a fez rainha em lugar de Vasti” (Et 2.17).
Vamos considerar três pontos:
• Ester 2.10 destaca a prudência de Ester ao obedecer a Mardoqueu e não revelar sua identidade. Matthew Henry escreveu que: “Nem todas as verdades devem ser ditas a todo tempo, mas uma inverdade não deve ser dita em tempo algum”. Portanto, destacamos a sabedoria do silencio. Esse silencio foi muito importante dentro da história como veremos capítulos mais a frente.
• A obediência de Ester. Ester confiou na sabedoria e nas instruções de Mardoqueu, mostrando uma dependência saudável em sua orientação. Na vida cristã, somos chamados a confiar e obedecer a Deus, mesmo quando não entendemos plenamente o motivo. Provérbios 3:5-6 nos encoraja a confiar no Senhor de todo o coração e não nos apoiar em nosso próprio entendimento. Que possamos seguir o exemplo de Ester, confiando em Deus e nos líderes espirituais que Ele coloca em nossa vida.
• Obediência irrestrita. A obediência absoluta é uma prática que devemos somente a Deus. Obedecemos e honramos familiares, líderes e autoridades, mas o limite é quando essa obediência implica em desobediência a Deus.

CONCLUSÃO
Deus tem um propósito para cada um de nós, e Ele nos coloca em situações e posições específicas para realizar Sua vontade. Ester 4.14 destaca este ponto quando Mardoqueu diz a Ester: “E quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” Devemos estar atentos à direçãode Deus em nossas vidas e dispostos a sermos usados por Ele para cumprir Seus planos. Seja em grandes ou pequenas ações, podemos ser instrumentos de Deus para abençoar outros e promover Seu Reino.









