24 de junho de 2026 19:20

A DESCONSTRUÇÃO DA MASCULINIDADE

Como Viver Neste Mundo Dominado Pelo Espírito da Babilônia

INTRODUÇÃO
A masculinidade bíblica é um conceito que busca entender e aplicar o que a Bíblia ensina sobre o papel e a identidade do homem como filho de Deus, marido, pai, líder e servo. O mundo está em transformação, seguindo um projeto de desconstrução. Desconstrução de estruturas basilares, afinal, esse é propósito do ensino progressista, é a finalidade do “espirito da Babilônia”. No entanto, em meio essa agenda de desconstrução, permaneceremos edificados e afirmando os valores, os princípios, os ditames da Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO
O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo. (Gn 2.15 NVI).
AÇÃO DIVINA QUE ESTABELECEU O HOMEM COMO INQUILINO E MORDOMO E tomou o Senhor Deus o homem e o LUGAR DE DELEITE E PROVISÃO pôs no jardim do Éden
O TRABALHO É UM DOM DE DEUS, NÃO UM CASTIGO PELO PECADO para o lavra e o guardar.
VERDADE PRÁTICA
O homem foi criado com qualidades que expressão virilidade, responsabilidade e liderança. O homem foi criado com características e atributos que o distingue da mulher, os quais correspondem a sua missão designada pelo Criador. A verdade prática elenca, pelo menos, três:
a. Virilidade. Força física, bravura, vigor, coragem, masculinidade.
b. Responsabilidade. É saber o que deve ser feito e fazer. Cumprir com as obrigações executando todas as tarefas que lhe forem impostas com qualidade e segurança, estar sempre com antecedência em seus compromissos.
c. Liderança. Liderança não é sobre títulos ou posições. É sobre uma vida influenciando outra.
Pessoa a qual é visto pelo exemplo e não pelo status, cargo, poder ou autoridade que possui.

INTRODUÇÃO

Quando o pecado entrou no mundo, o efeito em nosso relacionamento como homem e mulher foi devastador. O seguinte texto é de fundamental importância: Deus perguntou: — Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu da árvore da qual ordenei que não comesse? Então o homem disse: — A mulher que me deste para estar comigo, ela me deu da árvore, e eu comi. Então o Senhor Deus disse à mulher: — Que é isso que você fez? A mulher respondeu: — A serpente me enganou, e eu comi. Então o Senhor Deus disse à serpente: — Por causa do que você fez, você é maldita entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Você rastejará sobre o seu ventre e comerá pó todos os dias da sua vida. Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar. E à mulher ele disse: — Aumentarei em muito os seus sofrimentos na gravidez; com dor você dará à luz filhos. O seu desejo será para o seu marido, e ele a governará. (Gn 3.11-16 NAA). Deus confronta o homem, indagando-o: Gênesis 3.11: “Quem lhe disse que você estava nu?”, perguntou Deus. “Você comeu do fruto da árvore que eu lhe ordenei que não comesse?”. E a resposta de Adão é estarrecedora: Gênesis 3.12: “Foi a mulher que me deste! Ela me ofereceu do fruto, e eu comi”. — Meu Deus do céu! O que Adão acabara de dizer? — EM OUTRAS PALAVRAS: a culpa é da mulher – literalmente, “a culpa é da fêmea [’ishshah]”; ou: “a culpa é sua, Deus, por têla dado a mim! — “Foi a mulher que me deste! Ela me ofereceu do fruto, e eu comi”. — Então, se alguém tem que morrer, que morra a fêmea, que morra a mulher, que morra a esposa que TU ME DESTE! Pois bem, este aqui é o marco zero da catástrofe do pecado. Está aqui — em Gênesis 3.12 — o início da guerra dos sexos: “Foi a mulher que me deste! Ela me ofereceu do fruto, e eu comi”. Se alguém tem que morrer, se alguém tem que pagar, que seja a mulher. Ora, está aqui a raiz de toda violência doméstica, a raiz de todo abuso contra a esposa ou a mulher, a raiz de todo estupro, a raiz de todas as calúnias sexuais, o ponto de partida de todos os assédios sexuais, o embrião de todas as formas de se menosprezar a mulher que Deus criou à sua própria imagem. Quando se diz: “Seu desejo será para seu marido”, significa que quando o pecado tiver domínio sobre a mulher, ela desejará controlar, derrotar, subjugar ou escravizar o homem. Por sua vez, quando o homem estiver dominado pelo pecado, ele pagará com a mesma moeda: o homem usará a força para dominar, derrotar, subjugar ou escravizar a mulher. É a guerra dos sexos. Está aqui o marco zero da catástrofe, a raiz do machismo e a raiz do feminismo; a raiz da misoginia (do ódio ou do preconceito contra mulheres) e a raiz da misandria (do ódio ou do preconceito contra homens). Portanto, o que está realmente descrito na maldição de Gênesis 3.16 é a feiura do conflito entre o homem e a mulher – que vem manchando, inclusive com sangue, a história da humanidade.

A MASCULINIDADE como Deus a criou foi depravada e corrompida pelo pecado. A FEMINILIDADE como Deus a criou foi depravada e corrompida pelo pecado. A essência do pecado é a autoconfiança e a autoexaltação. Primeiro em rebelião contra Deus, e segundo na exploração um do outro. Desse modo, [1.] a essência da MASCULINIDADE CORROMPIDA é o esforço de autoengrandecimento para dominar, derrotar, subjugar ou escravizar as mulheres, para seus próprios desejos privados. E [2.] a essência da FEMINILIDADE CORROMPIDA é o esforço de autoengrandecimento para dominar, derrotar, subjugar ou escravizar os homens, para seus próprios desejos privados. A diferença de um e de outro está principalmente nas diversas fragilidades que podemos explorar uns nos outros. A Bíblia não nega que haja um problema, um problema gravíssimo entre homens e mulheres; mas a solução bíblica é bem diferente da que é proposta pelas iniciativas sócio-político-culturais. Enquanto esses movimentos se mobilizam, hasteando a bandeira de direitos e de igualdades, de fato eles estão é agindo para redefinir sexualidade, gênero e família (redefini-los à imagem dos desejos pessoais dos indivíduos) – causando ainda mais conflitos e revoluções (afinal, o conflito e a luta estão na essência da cosmovisão progressista). É verdade sim que o homem tem pecado contra a mulher (e a mulher contra o homem); MAS A SOLUÇÃO NÃO PODERÁ SER a desmasculinização do homem ou a desfeminilização da mulher ou a (trans)formação de qualquer um dos dois à imagem de seus próprios desejos; A SOLUÇÃO NÃO É ATACAR a masculinidade e fazer o homem pedir perdão por ser homem; A SOLUÇÃO É apresentar a masculinidade saudável, a masculinidade bíblica e no processo fazer o homem reconhecer seus pecados e pedir perdão por cada um deles, buscando redenção em Jesus Cristo e reconstrução de relacionamentos quebrados.

I. A MASCULINIDADE BÍBLICA


O ensino progressista, sob influência do “espirito da Babilônia, tenta normatizar e sistematizar o pecado e a guerra dos sexos. No bojo desses ensinos satânicos, homem e mulher precisam estar sempre em guerra ou o conceito de masculinidade e feminilidade precisam ser reconfigurados. No entanto, vamos apresentar a MASCULIDADE CONFORME AS ESCRITURAS.
1.1 A criação do ser humano. Algumas verdades precisam ser afirmadas neste subponto:
a. Deus criou o homem. E Deus disse: — Façamos o ser humano. (Gn 1.26 – NAA). O homem não é o resultado de um processo evolutivo, mas da criação divina. O homem não é um peão no universo que estar à mercê do destino. O fato bíblico de que Deus criou o homem revela sua origem, propósito e destino.
b. Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Façamos o ser humano à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança. (Gn 1.26 – NAA). O propósito de Deus em nos criar tem algo maravilhoso a ver com o fato de não sermos meros animais – sapos, baratas, peixes, lagartos, pássaros ou macacos. Somos seres humanos à imagem de Deus. Apenas os seres humanos foram criados à imagem de Deus, nenhum animal foi criado desse modo maravilhoso. De fato, cada animal foi criado conforme a sua espécie. Apenas os seres humanos foram criados à imagem de Deus. É tanto que o salmista se expressa deste modo: Salmo 139.14 (NAA) “Graças te dou, visto que de modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras sãoadmiráveis, e a minha alma o sabe muito bem.” c. Preste atenção: Fomos [1.] Criados por Deus. [2.] Criados à imagem de Deus. [3.] Criados homem e mulher. Isso fala não somente de heterossexualidade, mas também de complementaridade e distinção de papeis e responsabilidades. Homem e mulher são iguais em dignidade, mas distintos em papeis e funções. É somente por meio da união entre homem e mulher, conforme o modelo de Deus, que o projeto divino por ser executado: Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: — Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e sujeitem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. (Gn 1.27,28 – NAA).
1.2 Características da masculinidade. Muitos dizem que a masculinidade conforme a Bíblia é puro machismo. Será? Vamos ver as características da masculinidade bíblica:
a. O homem bíblico tem a função de ser o provedor do lar. Em outras palavras, ele não coloca sobre os ombros da mulher a responsabilidade de sustentar a casa. Os homens, hoje, se contentam em serem as mulheres do lar. Quando ambos trabalham, as responsabilidades do lar devem ser compartilhadas, portanto, entenda: não estou afirmando que a mulher não pode trabalhar. Estou afirmando que a responsabilidade de prover é do homem.
b. O homem bíblico é aquele que se sacrifica pela sua casa. O homem é aquele que se coloca na frente do perigo, é aquele que aguenta a pancada, a pressão. O homem não pode ser chorão, “molão”, frouxo. Ele se entrega e se desgasta para o bem e a proteção de sua mulher e filhos.
c. O homem bíblico não descontrolado. Para a sociedade, masculinidade é vista sob dois extremos: [1.] o homem feminino e delicado e [2.] o homem ignorante, que cospe no chão, que fica muitas mulheres, que se envolve em brigas, fala palavrão, etc… O homem bíblico não age dessa maneira, ele é equilibrado.
d. O homem bíblico sabe pedir perdão. É lógico que ele não vai pedir perdão por ser homem, mas ele irá reconhecer os excessos, as falhas e os próprios pecados.
e. O homem bíblico tem a missão de amar sua mulher como Jesus amou a igreja.
1.3 A liderança masculina. Além de todas as características mencionadas, o homem recebeu a responsabilidade de liderar. Vamos destacar os pontos principais da argumentação bíblica:
a. Adão foi criado primeiro e depois Eva. O fato de Deus ter criado Adão primeiro e, só depois de certo tempo, Eva (Gn 2.7,18-23) sugere que Deus enxergava Adão com um papel de liderança. A confirmação de que estamos corretos ao enxergar um propósito no fato de Deus ter criado Adão primeiro, e de que esse propósito reflete uma distinção permanente nos papéis estabelecidos por Deus para homens e mulheres, encontra apoio em 1Timóteo 2.13, em que Paulo usa o fato de que “Deus fez Adão e, depois, Eva” como razão para restringir aos homens alguns papéis de liderança e ensino na família e na igreja.
b. Adão recebeu a lei moral de Deus, para passar a Eva. A segunda observação a fazer é esta: uma das responsabilidades que veio com ter sido criado primeiro foi a responsabilidade primária (não a única, mas a primária) de receber, ensinar e ser responsável pelo padrão moral de vida no jardim do Éden. Veja, antes mesmo de a mulher ser criada, o SENHOR veio ao homem e lhe deu esta ordem: Gênesis 2.16-17: “Coma à vontade dos frutos de todas as árvores do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se você comer desse fruto, com certeza morrerá”. Pois bem, após a criação de Eva não há registro de que esse padrão de vida moral para o jardim tenha sido repetido por Deus para a mulher. Parece, portanto, que Moisés esperava que concluamos que Adão recebeu o padrão moral do jardim e a responsabilidade primária de compartilhá-lo com Eva e seus descendentes – e ser responsável por essa lei.
c. Eva foi criada como auxiliadora de Adão. As Escrituras especificam que Deus criou Eva como auxiliadora de Adão: Gênesis 2.18: “Não é bom que o homem esteja sozinho. Farei alguém que o ajude e o complete [correspondente a você]”. No Novo Testamento, Paulo atribuiu tanta importância a esse versículo que fundamentou nele a necessidade de diferenças de papeis entre homens e mulheres no culto público: 1Coríntios 11.8-9: Pois o homem não veio da mulher, mas a mulher veio do homem. E o homem não foi criado para a mulher, mas a mulher foi criada para o homem. Ora, não se deve supor aqui uma sugestão de importância ou de menor valor, tampouco de capacidade inferior, e sim que existe uma diferença de papéis e de responsabilidades desde o princípio.
d. Adão deu nome a Eva. Adão deu nomes a todos os animais (Gn 2.19, 20), isso indica a liderança de Adão sobre o reino animal, pois no pensamento do Antigo Testamento o direito de dar nome a alguém implicava autoridade sobre a pessoa (isso se percebe tanto quando Deus dá nomes a pessoas como Abraão e Sara quanto quando os pais dão nomes aos seus filhos). Pois bem, quando Adão deu nome a Eva, dizendo “[ela] será chamada ‘mulher’, porque foi tirada do ‘homem’” (Gn 2.23), isso indicou também a sua liderança sobre a mulher
no contexto da família.
e. Deus falou primeiro a Adão depois da queda. Assim como Deus falou a Adão quando ele estava só, antes da criação de Eva (Gn 2.15-17), também, depois da queda, ainda que Eva tivesse pecado primeiro, Deus se aproximou primeiro de Adão e pediu a ele explicações sobre seus atos: Gênesis 3.9: “Então o SENHOR Deus chamou o homem e perguntou: ‘Onde você está?’.” — Por que Deus agiu assim, chamando Adão? — Deus considerava Adão o líder da família, aquele que primeiro deveria ser convocado a prestar contas a respeito do que havia acontecido na casa.
f. Adão, não Eva, representava a raça humana. Ainda que Eva tenha pecado primeiro (Gn 3.6), somos considerados pecadores por causa do pecado de Adão, não por causa do pecado de Eva. De fato, o Novo Testamento afirma que “todos morremos em Adão” (1Co 15.22); compara-nos ao “homem terreno” (1Co 15.49); e declara que “o pecado de um único homem trouxe morte para muitos” (Rm 5.15). Isso indica que Deus tinha dado a Adão não somente a representação, mas a liderança da raça humana.


II. A EROSÃO DA MASCULINIDADE
Erosão significa desgaste, deterioração, destruição.


2.1 Apologia a homossexualidade. Ideologia de Gênero é um conjunto de ideias que ensina que o gênero não é determinado no nascimento. Ou seja, uma pessoa pode ser um homem ou uma mulher independente do sexo com que nasceu. Para os defensores da ideologia de gênero, o ser humano nasce sexualmente neutro e só depois é socializado como homem ou mulher. A ideologia de gênero prega, em síntese, que as expressões “sexo” e “gênero” devem ter significados diferentes, onde os aspectos biológicos do corpo passam a ter nenhuma importância para a definição de homem e mulher. O incentivo e os estímulos a essa prática estão enraizados, praticamente, em todos os setores da sociedade. O mundo, de forma geral, parece ter uma agenda LGBT, a qual vem sendo implementada de forma persistente por meio da educação, da divulgação e da força. Eis uma das razões que está promovendo a erosão da masculinidade.

2.2 Responsabilidade negligenciada. Infelizmente, a visão reinante em nossos dias é que a mulher não deve concordar com a ideia bíblica de que o homem tem o dever de prover as necessidades financeiras da família. As feministas defendem que o ensinamento bíblico de que o homem é o provedor do lar (1Tm 5.9) é parte de uma conspiração masculina para manter as mulheres sob seu domínio, por meio de medidas que as tornem economicamente dependentes. Além disso, a condição de dona de casa tem sido ridicularizada pelas feministas, que consideram as mulheres que desempenham esse papel arcaicas, ultrapassadas, bem como massa de manobra de uma sociedade efetivamente patriarcal. Infelizmente, os preceitos e ensinos feministas têm invadido nossos lares e igrejas, levandonos a perder a noção daquilo que as Escrituras consideram certo e errado, até porque, para as feministas, a Bíblia é um livro ultrapassado, obsoleto e, claro, machista. Nessa perspectiva, o feminismo tem imposto às mulheres a ideia de liberdade sexual, a relativização do aborto, a banalização do sexo, a conquista a qualquer preço do mercado de trabalho, a competição com o sexo oposto e o direito a fazerem o que bem entenderem com o corpo, ainda que isso represente a morte de uma criança indefesa. O feminismo insiste no empoderamento da mulher, na “machificação” da fêmea e na “feminilização” do macho. O resultado dessa investida é surgimento de uma geração de homens feminilizados, com mãos de seda, voz de donzela, pai de pet, aparência de garotinha. Essa geração sensível tem aversão ao trabalho, gosta de viver na dependência dos pais e
não querem assumir responsabilidades. Esse é modelo de homem que a sociedade que impor.
2.3 Crise na liderança.
A crise de masculinidade tem gerado homens extremamente sensíveis e inseguros, incapazes de liderar a família e de ser a linha de frente contra os perigos e os males que atacam o lar. Também entendo que a feminização do homem ocidental tem sido catastrófica para a igreja pelo menos em três aspectos:
a. Acovardamento masculino na liderança da igreja. Você já se deu conta de que os homens da atual geração jovem são cada vez mais covardes? Já reparou que boa parte desses homens tornou-se medrosa e fraca, entregando a direção da igreja às mulheres? Já percebeu que o acovardamento masculino tem contribuído para o crescimento do número de “pastoras” e “bispas” na liderança das igrejas, algo certamente reprovado pelas Escrituras (1Tm 3.1-7)? O acovardamento masculino tem colocado na linha de frente aquelas que deveriam servir de suporte na edificação da igreja, mas, em virtude da omissão masculina, muitas mulheres têm assumido um papel que, do ponto de vista das Escrituras, não cabe a elas. Um exemplo bíblico, (não estou comparando as pastoras e bispas a Jezabel) é o de Acabe. Ele foi um rei mau (1Rs 16.30) que permitiu que a esposa, a rainha Jezabel, determinasse o rumo de suas ações, assumindo o controle da nação. Lamentavelmente, em seu lar e em sua nação, Jezabel era quem liderava no lugar de seu esposo e rei. Tenho visto muitos homens sofrendo da “síndrome de Acabe”, vivendo um caos na família e na igreja, pelo fato de suas esposas, tomadas pelo autoritarismo — fruto do feminismo —, terem invertido os papéis em seus lares e na comunidade em que vivem. Na verdade, as mulheres em questão, devido à omissão masculina, têm aproveitado a ocasião e se insurgido contra o ensinamento bíblico de que a esposa deve auxiliar o marido, e não competir com ele ou dominá-lo.
b. Omissão na educação dos filhos. As Escrituras nos ensinam que a função de educar os filhos é prioritariamente responsabilidade do homem. A Bíblia nos traz inúmeros textos que confirmam essa premissa. Entretanto, é importante ressaltar que, na estrutura familiar judaica,
a mãe educava o filho até os seis, sete anos de idade, quando, então, passava a tutela para o pai, que, a partir de então, tornava-se o responsável direto, entre outras coisas, por ensinar ao menino o ofício familiar. A questão é que, de certa forma, essa responsabilidade foi esquecida pelos homens ou terceirizada. Quantos, por exemplo, não são os maridos que transferiram a responsabilidade, às suas mulheres, de ensinar a Bíblia a seus filhos? Muitos ,não é verdade? Infelizmente, a cada ano que passa, parece que os homens têm-se tornadocada vez mais omissos e mais irresponsáveis, e as consequências disso têm sido as piores
possíveis, como, por exemplo, o afastamento de seus filhos da comunhão dos santos. Aliás, quantos não são os jovens que, por terem pais ausentes e omissos, foram “sequestrados” pelo adversário de nossas almas?
c. A infantilização do homem. Vivemos em uma época em é comum ver em todos os lugares “homenino”. Na verdade, esse tipo de homem, por motivos diversos, costuma desenvolver, no cotidiano, uma espécie de comportamento adolescente, desprovido de responsabilidade e maturidade emocional. Os psicólogos dizem que um homem com essa natureza sofre de “síndrome de Peter Pan”. Segundo os contos de fadas, Peter Pan é um menino que não quer crescer. A história diz que o garoto, além de ser capaz de voar, é alguém desprovido do senso de responsabilidade. A liberdade, para Peter Pan, é uma questão primordial. Em sua infância, ele acreditava que não precisava arcar inteiramente com as consequências de suas
ações. Assim, em virtude de sua meninice, sempre será possível haver um filtro mágico entre ele e a realidade, salvaguardando-o do mundo real. Não é isso que temos visto em muitos homens? Quantos não são aqueles que, como meninos mimados, rejeitam o crescimento emocional? Quantos não são os homens que preferem a barra da saia de suas mães a assumirem suas responsabilidades? Lamentavelmente, a família, a igreja e a sociedade têm sofrido com homens desse tipo, que preferem comportar-se como meninos, deixando de lado a responsabilidade de conduzir suas casas, famílias e igrejas no temor do Senhor.

III. E AGORA, O QUE FAZER?

Não vamos falar das qualidades de Boaz. Acredito que uma maneira melhor de concluir essa lição seja responder alguns questionamentos importantes, como: O que fazer diante deste quadro preocupante? Será que existe uma saída? O que os cristãos que amam a Deus e sua Palavra podem e devem realizar a fim de retomar o padrão de masculinidade revelado pelas Escrituras?
3.1 É indispensável que a Bíblia volte a ocupar a centralidade em nossas igrejas e cultos, moldando, assim, fé, prática e comportamento. A exposição fiel das Escrituras tem sido substituída nas igrejas brasileiras por meios alternativos, como teatro, música e dança profética. Charles Spurgeon, ensinava que as Escrituras não aprovam a ideia de que prover entretenimento para as pessoas é função da igreja. Desse modo, cremos que o ensino das Escrituras modela e norteia a nossa conduta como homem e mulher.
3.2 É necessário contrapor-se ao machismo, bem como a toda e qualquer visão estereotipada sobre o que significa ser homem.
Os pais cristãos, professores de EBD e pastores, devem trabalhar arduamente para imprimir
tanto na mente como no coração de seus filhos, alunos e ovelhas pelo menos nove conceitos e valores:
a. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a tratar as meninas de forma respeitosa, levando-os a entender que elas não devem ser consideradas um simples objeto de prazer, descartando-as quando “não servirem mais”.
b. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a tratar as meninas com educação, carinho e afetividade.
c. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a, desde cedo, proteger as meninas, lidando com elas como a parte mais frágil.
d. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a amar as meninas, tratando-as com amor sacrificial; desse modo, quando se casarem, poderão pôr em prática o ensino bíblico de que os maridos devem amar suas esposas da mesma forma que Cristo amou sua Igreja.
e. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a ouvir as meninas, bem como seus conselhos, dicas e considerações.
f. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a valorizar as meninas, como também suas profissões, formação acadêmica e muito mais.
g. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a tratar as meninas como iguais. Homens e mulheres diante de Deus são iguais; do ponto de vista bíblico, o homem não é superior à sua esposa. Os homens e as mulheres e complementam, exercem funções diferentes na igreja, na família e na sociedade, mas, diante de Deus são iguais.
h. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a servirem as meninas tratando-as com consideração, respeito e dignidade.
i. Ensine seus filhos/aluno/ovelhas a se relacionar com meninas de forma que Deus seja glorificado.
3.3 É necessário que os homens aprendam a ser homens. Quando estava chegando o dia da morte de Davi, ele deu alguns conselhos ao seu filho Salomão. Entre as diferentes orientações, uma me chamou a atenção, quando esse notável rei disse
ao filho que ele, ao assumir o governo de Israel, precisaria ser homem (1Rs 2.1-3). Interessante isso, não é mesmo? É claro que Davi sabia que os desafios que Salomão iria enfrentar após a sua morte seriam hercúleos e que, portanto, havia necessidade de que ele se
portasse como homem, conduzindo a nação com firmeza, autoridade, sabedoria e honradez. Nessa perspectiva, sou levado a acreditar que a melhor maneira de ensinar masculinidade às atuais gerações é resgatar exemplos bíblicos de homens que espelharam em suas vidas atributos saudáveis relacionados à masculinidade. Neemias foi um modelo notável de liderança; Josué, de fé e perseverança; Boaz, de misericórdia e amor; Moisés, de longanimidade; Jônatas, de amizade; Davi, de honestidade; Salomão, de sabedoria; Noé, de integridade; e muitos outros são os exemplos. Olhar para esses homens, valorizar suas virtudes, aprender com seus erros, tudo isso é uma excelente dica e uma saída para essa geração sem referências, submersa em pecado e que tem sofrido ataques cruéis por parte desse sistema imerso em perversidade, que tenta, a olhos vistos, descontruir os valores inerentes à masculinidade.

CONCLUSÃO

 


Precisamos olhar para Bíblia, observar a história dos santos homens de Deus, aqueles que serviram ao Senhor com firmeza e honradez, mostrando a essa geração o padrão bíblico de masculinidade, levando, portanto, os mais jovens a compreender que, mais do que nunca, é preciso seguir o conselho de Davi a Salomão: “Seja forte e seja homem!”

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