28 de junho de 2026 16:23

A DETURPAÇÃO DA DOUTRINA BÍBLICA DO PECADO

Como Viver Neste Mundo Dominado Pelo Espírito da Babilônia

 

INTRODUÇÃO
O pecado é uma realidade trágica. Ele não é uma ilusão; ele realmente existe. Esse fato é reconhecido pela Bíblia. Nesta lição, veremos que o “espírito da Babilônia” tem a maligna intenção de reconfigurar a doutrina do pecado. A igreja, não pode abandonar a Escritura para seguir teologias modernas e antibíblicas. A igreja não pode trocar o Evangelho por outro evangelho que não fala de pecado para agradar o ouvinte.
TEXTO ÁUREO
Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à Lei, pois é mediante a Lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado. (Rm 3.20 NVI).
A REALIDADE DO PECADO E A NECESSIDADE DE SALVAÇÃO Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele
A INCAPACIDADE DA LEI EM SALVAR – A SALVAÇÃO NÃO É MERITÓRIA pelas obras da lei,
A LEI NÃO TORNA O HOMEM PECADOR, MAS REVELA O PECADO porque pela lei vem o conhecimento do pecado.
O texto de Romanos 3.20 é o clímax do argumento de Paulo, não apenas contra a autoconfiança dos judeus, mas contra toda tentativa de salvar a si mesmo. A Lei traz o conhecimento do pecado, não o perdão dele. Paulo conclui sua tese acerca da culpabilidade do homem e encerra seu argumento mostrando a total impossibilidade de o homem sair absolvido do tribunal de Deus, confiando em seus méritos ou baseando-se em suas obras. W. Burrows diz que a lei revela a inescapável realidade do pecado, a natureza maligna do pecado, a força mortal do pecado e a culpa irremediável do pecado. A lei é boa quando usada para produzir convicção de pecado, mas é impotente para salvar o pecado. Em poucas palavras, Paulo nos ensina que: O homem é culpado dos pecados de comissão e omissão, dos pecados públicos e secretos. Está condenado por Deus não só por causa do que diz e faz, mas por causa do que é, ou seja, por causa de seu estado pecaminoso. Consequentemente, só é possível uma conclusão. O homem está condenado, condenado, condenado. Sua condição é aquela de total desesperança e desespero. Geoffrey Wilson é pertinente quando diz que a doutrina da graça pregada por Paulo se baseia firmemente em uma doutrina adequada do pecado, porque ele sabia que apenas a pessoa convencida de pecado tem interesse naquele que salva do pecado. Quem deturpa a doutrina do pecado, também deturpa a doutrina da salvação. A adulteração dessas doutrinas não muda a condição do homem e nem sua realidade, apenas o torna mais cego, mais pecador e o deixa mais próximo da condenação eterna.
VERDADE PRÁTICA
O pecado de Adão arruinou toda a humanidade. Contudo, Jesus Cristo pode regenerar eficazmente o pecador.
1. O pecado de Adão foi uma desobediência à vontade de Deus e uma quebra da comunhão com ele. Adão e Eva foram tentados pela serpente a comer do fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal, cobiçando algo que não lhes pertencia e duvidando da bondade de Deus. Ao fazerem isso, eles pecaram contra Deus e perderam a sua inocência e a sua harmonia com o Criador.
2. O pecado de Adão teve consequências para toda a humanidade e para toda a criação. Por causa da transgressão de Adão, o pecado se transmitiu a todos os seus descendentes, tornando-os culpados diante de Deus. Além disso, a terra foi amaldiçoada e passou a produzir espinhos e cardos, dificultando o trabalho e o sustento do homem. A mulher passou a ter dores no parto e a estar sujeita ao domínio do homem.
3. O pecado de Adão foi superado pela graça de Deus em Jesus Cristo. Apesar da queda do homem, Deus não o abandonou, mas prometeu enviar um Salvador que esmagaria a cabeça da serpente e restauraria a comunhão com Deus. Esse Salvador é Jesus Cristo, o Filho de Deus, que veio ao mundo como o último Adão, obedecendo perfeitamente à vontade de Deus e morrendo na cruz pelos pecados da humanidade.

I. O ENSINO BÍBLICO DA NATUREZA PECAMINOSA
1.1 Definição de pecado.
Segundo Champlin (2013, p. 145), pecado é a tradução do grego hamartia. Esse termo é derivado de uma raiz que indica “errar o alvo”, “fracassar”. Trata-se do fracasso em não atingir um padrão conhecido, mas antes, desviando-se do mesmo. O pecado tanto é um ato como é uma condição. É o “estado” dos homens sem regeneração, que se manifesta na forma de numerosos e perversos atos. Pecar é afastar-se daquilo que Deus considera a “conduta ideal”, do homem ideal, exemplificado em Jesus Cristo. Isso conduz à “impiedade” (asebeia; 2Pe 2.6), que consiste na oposição a Deus e a seus princípios, em autêntica rebelião da alma. E isso leva à “parabasis”, “transgressão” (ver Mt 6.14 e Tg. 2.11) contra princípios piedosos reconhecidos. Davis (2005, p. 955), define pecado como qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou transgressão dessa lei, Rm 3.23; Jo 3.4; Gl 3.10–12. Pecado de omissão consiste em deixar de fazer o que a lei de Deus ordena; e pecado de comissão consiste em fazer o que a lei proíbe. Justo González (2009, p. 244) define pecado como a barreira que separa os homens de Deus, e que se interpõe entre quem somos e quem Deus deseja que sejamos. O pecado é tanto uma ação como uma condição. Como ação, o pecado é a violação consciente da vontade de Deus, portanto, é possível falar de “pecados” no plural e classificá-los conforme diversos critérios. Isso é o
que geralmente é conhecido por “pecado atual” (os pecados que cada indivíduo comete) — uma ação ou atitude que se rebela contra o que se sabe ser a vontade de Deus. Porém, em seu sentido mais profundo, o pecado não é uma ação nem uma atitude, mas uma condição em que os humanos encontram-se afastados de Deus. Isso é uma condição em que todos nascemos e da qual não podemos nos livrar por nós mesmos.
• Spurgeon: “Pecado é uma rebelião contra o governo de Deus. É uma tentativa de destronar o Rei dos reis e Senhor dos senhores. É uma inimizade contra Deus e contra tudo o que é bom e santo.”
• John Piper: “Pecado é o que você faz quando seu coração não está satisfeito com Deus. Pecado é o fruto do descontentamento com Deus como sua maior alegria. Pecado é o ato de trocar a glória de Deus por ídolos vazios.”
• Paul Washer: “Pecado é uma ofensa infinita contra um Deus infinitamente santo. Pecado é uma violação da natureza e do caráter de Deus. Pecado é uma afronta à majestade e à glória de Deus. Pecado é uma expressão de ódio e desprezo por Deus.”
• Augustus Nicodemus: “Pecado é tudo aquilo que contraria a vontade revelada de Deus nas Escrituras. Pecado é tudo aquilo que fere o relacionamento do homem com Deus e com o próximo. Pecado é tudo aquilo que desonra e desfigura a imagem de Deus no homem.” APLICAÇÃO – Mudar o conceito de pecado é muito perigoso. O alvo do “espírito da Babilônia” é fazer que o homem pense que é livre sendo escravo; é fazer que o homem pense que é amigo de Deus vivendo como inimigo (Ex. Deus é amor; Ele me conhece; Ele sabe que sou assim mesmo); é fazer com homem pense que é salvo estando condenado.
1.2 A universalidade do pecado.
O pecado é universal. Todos os homens são pecadores; tudo no homem é pecaminoso. O pecado é universal entre os homens; ele é pleno dentro do homem. Se alguém desenhasse um círculo para indicar os justos, o círculo deveria ficar vazio. Todos estariam excluídos. Se alguém desenhasse um círculo para indicar os pecadores, ele estaria cheio. Todos deveriam ser incluídos. pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23 NAA). Poderíamos parafrasear o texto a cima assim: “Todos pecaram, todos os que pecaram são pecadores, e todos os pecadores estão separados de Deus”. Portanto, assim como por um só ser humano entrou o pecado no mundo, e pelo pecado veio a morte, assim também a morte passou a toda a humanidade, porque todos pecaram. (Rm 5.12 NAA). Sobre o texto a cima o Grant Osborne (2022, pp. 194 a 195), diz: Todas as pessoas herdaram a corrupção de Adão (a primeira parte do v. 12). A expressão “todos pecaram” significa que todas as pessoas voluntariamente escolheram seguir sua disposição herdada para pecar e cometeram pecados. Por isso, são culpados por dois caminhos — a natureza pecaminosa herdada de Adão (pecado passivo) e a participação pessoal no pecado por meio dos próprios pecados (pecado ativo).
Hernandes Dias Lopes (2010, pp. 224 a 227), com muita assertividade pontua:
a. O pecado entrou no mundo por um homem (5.12). Embora o pecado já tivesse ocorrido no mundo angelical com a queda de Lúcifer, na história humana o pecado foi introduzido pela queda de Adão. O pecado é uma conspiração contra Deus. É a transgressão da sua lei, um ato de rebeldia e desobediência a Deus. Sendo livre, Adão escolheu desobedecer. Tendo livre-arbítrio, tornou-se escravo do pecado e por meio do seu pecado precipitou toda a raça no estado de rebelião contra Deus.
b. A morte entrou no mundo pelo pecado (5.12). Que tipo de morte entrou no mundo pelo pecado? A morte física, espiritual e eterna. Pecado e morte não podem separar-se (Gn 2.17; 3.17–19; Rm 1.32; 1Co 15.22). Em Adão, todos pecaram; em Adão todos morreram. Segundo John Stott, a pena de morte cai hoje sobre todos os homens não apenas porque todos pecaram como Adão, mas porque todos pecaram em Adão.
c. Porque todos pecaram em Adão e porque o salário do pecado é a morte, a morte passou a todos os homens, uma vez que todos pecaram. Ela atinge a todos sem distinção e sem exceção. Repousa seus dedos gélidos sobre ricos e pobres, reis e vassalos, servos e chefes, doutores e analfabetos, pequenos e grandes, velhos e crianças, religiosos e ateus. Não podemos nos esconder da morte. Ela será o último inimigo a ser vencido. O salmista Davi, fazendo uso de poesias, reverberou uma verdade teológica muito profundo: Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. (Sl 51.5 NVI). Você já observou que a criancinha não precisa que ninguém a ensine a mentir? Quando seu filho faz alguma coisa errada e você pergunta: Quem fez isso? Ele prontamente dirá, não fui eu. Precisa ensinar uma criança a ser egoísta? Ser violenta? A natureza pecaminosa está presente em nós desde que nascemos, se manifesta em ações deliberadas quando perdemos a inocência e tomamos decisões conscientes. Acompanha o homem até morte, sendo ele crente ou não. Quem morre em Cristo, morre na promessa de um corpo transformado. Quem morre sem Cristo, aguarda a segunda ressurreição, para ser julgado, sentenciado e condenado eternamente, está é a segunda morte.
1.3 Corrupção total.
O que significa depravação total? Significa que, mesmo o ser humano podendo fazer algumas coisas boas, o pecado, infelizmente, prevalece em seu coração – e mais: contamina todo o seu ser. Esse é o sentido do termo “total” quando falamos de “depravação total do ser humano” à luz da Bíblia. Essa depravação não é total no sentido de intensidade, mas de abrangência. Ela é total porque o pecado, além de prevalecer interiormente, contamina, repito, todas as áreas da vida da pessoa. Como coloca Geisler corretamente, o pecado “se espalhou por todas as partes do nosso ser” – mente, emoção, vontade e corpo.[ Em síntese, depravação total quer dizer que todos os seres humanos, em todo o seu ser, foram contaminados pelo pecado. Significa que o ser humano, após a Queda, passou a ter uma inclinação natural e prevalecente para o pecado que impede-o de fazer a vontade divina e de vir a Deus.


II. AS TEOLOGIAS MODERNAS
2,1 A Teologia da Libertação.

O termo “Teologia da Libertação” poderia ser aplicado, em tese, a toda teologia que seja voltada às situações de opressão ou que delas trate. De modo mais especifico a Teologia da Libertação é um movimento que engloba várias correntes de pensamento interpretando os ensinamentos de Jesus Cristo como libertadores de injustas condições sociais, políticas e econômicas. Seus proponentes a descreveram como interpretação analítica e antropológica da fé cristã. Mas, ao agregar várias correntes de pensamento, o movimento absorveu crenças da Umbanda, do Espiritismo, do Islamismo e até do Xamanismo. Esse movimento é criticado por adotar o marxismo como base ideológica. As ramificações da teologia da libertação são igualmente nocivas. As teologias identitárias são herdeiras da Teologia da Libertação. Nessa abordagem, não há um significado objetivo e normativo da Escritura. Ao contrário, o que existe é uma leitura feminista, uma leitura dos ideais negros, uma leitura homossexual, uma leitura asiática. Todos são vistos entre si como tendo sua própria validade, à medida que o horizonte do leitor imerge no horizonte do texto bíblico.
a. Teologia Feminista. Elizabeth Stanton, ativista feminista, escritora da Bíblia da mulher e pioneira nos estudos bíblicos de gênero, afirmou que no relato da criação, uma parte é inspirada e outra não é. Ele sugere que quando a Bíblia afirma que o homem e a mulher foram criados a imagem de Deus, o texto é inspirado. Contudo, quando a Bíblia diz que a mulher foi criada da costela de Adão, o texto não inspirado, mas sim, um relato machista. Veja a ideia presente nas palavras de Stanton em recortar a Bíblia e selecionar as partes que ela mais gosta. Nesses movimentos, a tesoura está na mão do ser
humano.
b. Teologia Negra. James Cone, defensor da teologia negra disse: Não devemos concluir que a Bíblia é um testemunho infalível. Deus não foi o autor da Bíblia, nem seus escritores foram meros secretários. […] Pouco importa para o oprimido quem escreveu a Escritura; o importante é se pode servir como uma arma contra os opressores. James Come, A Black Theology of Liberation, p.31.
c. Teologia Queer. (Queer é um termo guarda-chuva da língua inglesa para minorias sexuais e de género, ou seja, que não são heterossexuais ou não são cisgênero). André Musskopf, no artigo, “Uma brecha no armário”, escreveu: Talvez a questão chave seja inverter a pergunta que geralmente é feita – o que a Bíblia diz sobre homossexualidade? – e assumir como ponto de partida a realidade vivida de pessoas homossexuais – o que os homossexuais têm a dizer sobre a Bíblia?
2.2 Liberalismo teológico.
O que é Liberalismo Teológico? O Liberalismo tem no seu cerne, servir de ponte entre a fé cristã e o conhecimento moderno. Os teólogos liberais defendiam que a sobrevivência do cristianismo dependia da sua capacidade de adaptar-se a mentalidade cientifica e filosófica de seus dias. Ou seja, essa Teologia, entendia que a cultura exigia uma renovação do cristianismo impondo que ele se amolda-se as necessidades espirituais do homem moderno mesmo que fosse necessário negar doutrinas basilares da fé cristã. O liberalismo exigiu muita flexibilidade em relação a teologia cristã tradicional ortodoxa. Os liberais entendiam que para o cristianismo continuar sendo uma opção intelectual séria no mundo moderno, era essencial que ele fosse completamente reconstruído. Essa ideia implicava em uma desconstrução da herança doutrinaria, bem como uma mudança nos métodos interpretativos da Bíblia. Nos casos em que a maneira tradicional de interpretar a Bíblia ou as crenças tradicionais pareciam comprometidas por avanços do conhecimento humano, era imperativo que elas fossem descartadas ou reinterpretadas de modo a alinharem-se com aquilo que já se sabia acerca do mundo. (Alister McGrath. Teologia Histórica, p.252).
2.3 As consequências do Liberalismo Teológicos. Ainda hoje sofremos com os frutos podres do liberalismo.
a. Desprezo pela Bíblia. Friedrich Schleiermacher, pai do Liberalismo Teológico defendia que: A experiencia pessoal religiosa era primaria, porém a teologia e a doutrina eram secundárias. Em suma, para ele a base da religião é a experiência humana, não a existência de Deus. A Bíblia não é infalível e não tem autoridade absoluta. Ela é especial, apenas porque registra a experiência religiosa da igreja primitiva.
i. Aplicação Muitas igrejas têm abandonado a Doutrina e a Palavra para abraçarem as concepções pessoais do homem.
ii. Aplicação – O “eu” determina como deve ser minha relação com Deus, e não a Bíblia. Por exemplo: Caso o homem não goste da doutrina do inferno, conforme as Escrituras, ele tem autonomia para negá-la ou modificá-la.
b. Rejeição dos Milagres e do sobrenatural. A Teologia Liberal nega os milagres registrados na Bíblia, não aceita o nascimento virginal, divindade de Cristo ou a inspiração das Escrituras.
c. Estilo de Vida Pecaminoso. Os liberais com frequência, dizem: “O Cristianismo é um estilo de vida e não uma doutrina”. Eles dizem seguir Jesus, mas rejeitam sua doutrina. Eles pregam que possível se relacionar com Jesus sem a Bíblia, sem normas e sem mandamentos. Resumo da Teologia Liberal – “Um Deus sem ira trouxe homens sem pecado a um reino sem julgamento por meio das ministrações de Cristo sem uma cruz. (Richard Niebuhr).
Aplicação – O Cristianismo fundamenta suas crenças e práticas nas Escrituras. Os liberais são hereges, não podem ser chamados de irmãos. Suas crenças e práticas estão pautadas na experiência pessoal e na cultura. Aplicação – Como cristãos, precisamos rejeitar as adaptações, atualizações e mudanças bíblicas
para dialogar com a cultura.
III. A NORMALIZAÇÃO DO PECADO
3.1 Crise ética e moral.
A deturpação da doutrina do pecado promove um abandono ou uma alteração dos princípios imutáveis da Palavra de Deus, o que certamente influencia a conduta, isto é, o modo de vida das pessoas. Vivemos em um tempo onde as palavras registradas no livro do profeta Isaias ganham muita evidência pela sua atualidade, pois presenciamos uma completa inversão de valores. Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo! (Is 5.20 NVI). Narrativas são criadas para que o pecado seja aceito como normal: Se roubou porque é pobre, não tem problema. O aborto é uma questão de saúde. Meu corpo, minhas regras. Se nos amamos, não existe problema. Tudo vale apena se a gente se sentir feliz.
3.2 Imoralidade sexual.
Não é preciso fazer grandes explicações para que este ponto seja compreendido. Basta, apenas, olhar ao redor. A mídia, os filmes, as séries, os desenhos, as músicas, a moda, os artistas, os livros atuais, as escolas e as universidades (não todas, mas a sua maioria) incentivam a prática do sexo pré-conjugal, extraconjugal, a erotização infantil e as relações homossexuais. Constantemente, somos bombardeados por todos os lados a fim de que mudemos o nosso conceito de certo e errado, que abandonemos os princípios da Palavra de Deus. A coisa está tão perigosa que expor uma opinião contraria a certas práticas pecaminosas é rotulada como fascismo e discurso de ódio.
3.3 A dessacralização da vida.
Dessacralização é o processo de perda ou negação da sacralidade de algo que era considerado sagrado ou divino. No contexto da vida humana, dessacralização significa ignorar ou rejeitar a origem, o valor e o propósito da vida como um dom de Deus, e tratá-la como uma mera propriedade ou mercadoria, sujeita à vontade e ao interesse do indivíduo ou do grupo.
1. A vida humana é sagrada porque tem origem divina e deve ser valorizada como um dom de Deus. A Bíblia ensina que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, e lhe deu capacidade de se relacionar com Ele e com o próximo (Gn 1.27; 2.7). Por isso, a vida é inviolável e não pode ser destruída ou desrespeitada por nenhuma ideologia ou prática pecaminosa (2 Pe 1.3; Sl 139.13-16).
2. O corpo humano deve ser cuidado, alimentado e preservado como templo do Espírito Santo. A Bíblia ensina que Deus não só criou o ser humano, mas também o redimiu por meio de Jesus Cristo, e o santificou por meio do Espírito Santo (Ef 5.29; 1 Co 6.19-20). Por isso, o corpo humano não é uma propriedade privada, mas uma responsabilidade pública, que deve ser usado para a glória de Deus e para o bem do próximo (Rm 12.1-2; Gl 5.13-14).
3. A autonomia incondicional sobre o próprio corpo é uma ilusão que leva à rebelião contra Deus e à destruição da vida. A Bíblia ensina que Deus é o Senhor soberano sobre toda a criação, e que o ser humano é responsável diante dele por suas escolhas e ações (Rm 1.25; Hb 9.27). Por isso, a pretensão de usar o corpo como se quiser, sem as devidas limitações éticas e morais, é uma forma de idolatria e pecado, que traz consequências graves para a pessoa e para a sociedade (Rm 6.23; Gl 6.7-8).
CONCLUSÃO
Queremos concluir nosso estudo com a citação de alguns textos bíblicos que demonstram a gravidade do pecado, o perigo de se associar com pessoas que vivem na prática deliberada do pecado e a condenação gerada pelo pecado. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. (Ef 5.11 NVI). Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. (1Co 5.11 NVI). Não se amoldem ao padrão deste mundo (Rm 12.2 NVI). Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. Aquele que pratica o pecado é do Diabo, porque o Diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo. (1Jo 3.7,8 NVI). Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos e, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. (1Co 6.9-11 NVI).

O QUE É PECADO
A palavra “pecado” é sinônima de muitas outras usadas na Bíblia, as quais indicam conceitos bíblicos distintos sobre o pecado. São vários os termos que amplificam o conceito de pecado nas suas várias manifestações. No Antigo Testamento. Encontramos no Antigo Testamento pelo menos oito palavras básicas que conceituam o pecado; no Novo Testamento, temos, pelo menos, doze outras que descrevem as várias formas de manifestações negativas relacionadas com o termo “pecado”. No étimo das palavras mencionadas no Antigo Testamento descobrimos a abrangência do pecado em suas manifestações.
1. Hatta’t. Este vocábulo, que aparece 522 vezes nas páginas veterotestamentárias, e seu termo correlato no Novo Testamento — hamartia — sugerem a ideia de “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”, como o arqueiro antigo que atirava as suas flechas e errava o alvo. Porém, o termo também sugere alguém que erra o alvo propositadamente; ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente. Não se trata de uma ideia passiva de erro, mas implica uma ação proposital. Significa que cada ser humano tem da parte de Deus um alvo definido diante de si para alcançá-lo. O termo em apreço denota tanto a disposição de pecar como o ato resultante dela. Em síntese, o homem não foi criado para o pecado; se pecou, foi por seu livre-arbítrio, sua livre escolha (Lv 16.21; SI 1.1; 51.4; 103.10; Is 1.18; Dn 9.16; Os 12.8).
2. Pesha. O sentido tradicional dessa palavra é “transgredir”, “rebelar”, “revoltar-se”. Porém, uma variante forte para defini-la implica o ato de invadir, de ir além, de rebelar-se. O termo aponta para alguém que foi além dos limites estabelecidos (Gn 31. 36; I Rs 12.19; 2 Rs 3.5; SI 51.13; 89.32; Is 1.2; Am 4.4).

3. Raa. Outra palavra hebraica que tem seu equivalente no grego — como kakos ou poneros — e traz a ideia básica de romper, quebrar; “aquilo que causa dano, dor ou tristeza”. É um tipo de pecado deliberado, malicioso, planejado, que provoca e enfurece. Dá a ideia de “ser mau” (Gn 8.21; Êx 33.4; Jr 11.11; Mq 2.1-3). Indica também algo injurioso e moralmente errado. São os pecados expressos por violência (Gn 3.5; 38.7; Jz 11.27).
4. Rama quer dizer “enganar”; dá a ideia de prender numa armadilha, num laço. Implica, portanto, um tipo de pecado em forma de cilada para outrem cair. É uma forma de enganar e agir traiçoeiramente (SI 32.2; 34.13; 55.11; Jó 13.7; Is 53.9).
5. Pata. E um termo que dá a ideia de seduzir. O sentido literal da palavra é “ser aberto” ou “abrir espaço” para o pecado ter livre curso. No Éden, Adão e Eva se deixaram seduzir pelo engano do pecado e pelo pai do pecado (Satanás), personificado numa serpente (Gn 3.4-7).
6. Shagag. O sentido aqui é “errar” ou “extraviar-se”, como uma ovelha ou um bêbado (Is 28.7). É um tipo de erro pelo qual o transgressor torna-se responsável, ante a lei divina que condena o seu erro — pecado (Lv 4.2; N m 15.22).
7. Rasha. Esta palavra aparece especialmente nos Salmos, com a ideia de impiedade ou perversidade. O sentido metafórico é o pecado em oposição à justiça (Êx 2.13; SI 9; SI 16; Pv 15.9; Ez 18.23).
8. Ta’a. Este vocábulo se refere ao ato de extravio deliberado. Não se trata de algo acidental, e sim algo que uma pessoa comete sem perceber o fruto negativo gerado pelos seus atos pecaminosos (Nm 15.22; SI 58.3; 119.21; Is 53.6; Ez 44.10,15). No Novo Testamento. No grego, a palavra “pecado” também tem vários sentidos, e alguns são correlatos com os termos hebraicos.
1. Hamartia. Já citada em correlação com katta’a (hb.), seu sentido é “errar o alvo”, “perder o rumo”, “fracassar”. Indica que o primeiro homem, no princípio, perdeu o rumo de sua vida e fracassou em não atingir o padrão divino estabelecido para a sua vida. No Novo Testamento, os escritores usaram o termo hamartia para designar o pecado. Ainda que o sentido equivalente no Antigo Testamento seja o de “errar o alvo”, nas páginas neotestamentárias a palavra em apreço tem uma abrangência bem maior — possui um sentido mais forte que a ideia de fracasso ou transgressão. Ela tem o sentido de “poder de engano do pecado” (Rm  5.12; Hb 3.13); é mais que um fracasso. Trata-se de uma condição responsável ou uma característica que implica culpabilidade.
2. Kakía. No grego, relaciona-se com perversidade ou depravação, como algo oposto à virtude. É um termo que descreve o caráter e a disposição interiores, e não apenas os atos exteriores. Dele deriva-se outra palavra, kakos, cujo sentido transcende a mal-estar físico ou doenças (Mc 1.32; Mt 21.41; 24.48; At 9.13; Rm 12.17; 13,3,4,10; 16.19; 1Tm 6.10).
3. Adikía. Denota injustiça, falta de integridade; como alguém que abandona o caminho original. Em sentido amplo, esse termo refere-se a qualquer conduta errada e significa, ainda, “agravo”, “ofensa feita a alguém” (2 Co 12.13; Hb 8.12; Rm 1.18; 9.14). O texto de Romanos 1.18 descreve a injustiça como inimizade para com a verdade. Em I João 5.17, o apóstolo João afirma que toda iniquidade (gr. adikia) é pecado (gr. hamartia’).
4. Aselgeia. Denota relaxamento, licenciosidade ou mesmo sensualidade. Em Judas v.4 encontramos dois termos que explicam essas palavras: “… homens ímpios [aseheis] que convertem em dissolução [aselgeian, libertinagem’] a graça de Deus”. Esse termo descreve, pois, uma entrega sem restrições à prática do pecado. Os especialistas o descrevem como algo maldito que domina uma pessoa e a torna lasciva de tal modo que perde totalmente o senso de vergonha e, por isso, faz qualquer coisa degradante sem ocultar seu pecado.

 

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