20 de abril de 2024 03:47

freitasnews16

A DISCIPLINA NA IGREJA

O CORPO DE CRISTO
Origem, Natureza, e Vocação da Igreja no Mundo

O QUE ESTUDAREMOS?
Nesta lição temos como finalidade apresentar a prática da disciplina na igreja. Haja vista o nosso Deus ser santo, convém que os seus servos o sirvam em santidade. Por essa razão, a disciplina é uma prática indispensável para a igreja, pois tem o propósito de corrigir maus comportamentos, afugentar o pecado e preservar o bom testemunho cristão. Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.


TEXTO ÁUREO – COMPARANDO TRADUÇÕES
E já esqueceram completamente as palavras animadoras que Deus falou a vocês, que são filhos dele? Ele disse: “Meu filho, não fique irado quando o Senhor castigar você. Não fique desanimado quando Ele tem que lhe mostrar em que você está errado”. “Quando Ele castiga você, isso prova que Ele o ama. Quando Ele o açoita isso prova que você é verdadeiramente filho dele”. Permitam que Deus eduque vocês, pois Ele está fazendo o que qualquer pai amoroso faz com seus filhos. Pois quem já ouviu falar de um filho que nunca foi corrigido? Se Deus não os castiga quando é preciso, como outros pais castigam seus filhos, então isso significa que afinal de contas vocês não são realmente filhos de Deus – e que vocês, na verdade, não pertencem à sua família. (Hb 12.5-8 VIVA). A disciplina é uma necessidade vital para aqueles que precisam ter os músculos da alma tonificados. Concordo com Walter Henrichsen quando ele diz que ninguém gosta da mão pesada da disciplina, mas ela vem para o nosso bem, e não para o nosso mal.
Vejamos vários fatos a respeito da disciplina que Deus aplica aos crentes, e as dificuldades e aflições que Ele permite que soframos:
São um sinal de que somos filhos de Deus (vv. 7,8).
• São uma garantia do amor e cuidado de Deus por nós (v. 6).
• A disciplina do Senhor tem dois propósitos: (a) que não sejamos, por fim, condenados com o mundo (1 Co 11.31,32), e (b) que compartilhemos da santidade de Deus e continuemos a viver uma vida santificada, sem a qual nunca veremos o Senhor (vv. 10,11,14).
• Há dois possíveis resultados da disciplina do Senhor. (a) Podemos suportar as adversidades, às quais Deus nos leva, submeter-nos à sua vontade e continuarmos fiéis a Ele (vv. 5,6). Fazendo assim, continuaremos a viver como filhos espirituais de Deus (vv. 7-9), a compartilhar da sua santidade (v. 10); e produziremos então o fruto da justiça (v. 11). (b) Podemos desprezar a disciplina de nosso Pai (v. 5), rebelar-nos contra Ele por causa do sofrimento e da adversidade, e daí cairmos em apostasia (Hb 3.12-14; 12.25).


VERDADE PRÁTICA
A disciplina cristã é uma doutrina bíblica necessária, pois permite ao crente refletir o caráter de Cristo. Quero demonstrar a necessidade da disciplina com base em um texto bíblico. Há muitos outros aspectos que comprovam a sua importância, mas, por ora, quero destacar somente uma passagem bíblica: Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados. (Hb 12.11 – NVI). No momento em que está sendo aplicada, nenhuma disciplina é agradável nem para o pai e nem para o filho, mas seu efeito é proveitoso. Tenho certeza de que são poucos os filhos que acreditam quando os pais dizem: “Isso dói mais em mim do que em você”. Ainda assim, é verdade. O Pai não tem prazer algum em disciplinar os filhos, mas os benefícios posteriores tornam a correção uma prova de seu amor. Quais são alguns desses benefícios? Em primeiro lugar, temos o “fruto pacífico […] fruto de justiça”. Em vez de continuar a pecar, o filho esforça-se para fazer o que é certo. Também temos paz ao invés de guerra – “fruto pacífico”. A rebelião cessou, e o filho encontra-se em terna comunhão com o Pai.


INTRODUÇÃO
A LIÇÃO DIZ: Nesta lição, estudaremos sobre a prática da disciplina na igreja. Embora seja muito necessária, a disciplina como prática da Igreja Cristã vem sendo esquecida e negligenciada por muitos. Ora, uma igreja que não corrige seus membros perdeu a sua identidade, não passando de um mero grupo social. O resultado disso são igrejas fracas, anêmicas e sem testemunho cristão. A igreja está aberta para todos, mas não pode aceitar tudo! Sabe por quê? Porque a Igreja não é regida pelas opiniões, modas ou costumes do mundo, mas pela Palavra de Deus, que é a sua regra o de fé e prática. A Igreja não pode se conformar com o pecado, a mentira, a injustiça, a idolatria, a imoralidade ou qualquer outra coisa que ofenda a Deus e prejudique o seu povo. Um dos sinais de que a igreja está perdendo o seu discernimento espiritual e se tornando carnal e mundana é justamente a ausência de disciplina. A igreja não pode tornar-se um ambiente sem ordem e moral, onde todos fazem o que querem.

I. A NECESSIDADE DA DISCIPLINA BÍBLICA
1.1 Deus é santo.
A LIÇÃO DIZ: Santidade é um dos atributos de Deus e, por isso, é uma das causas que justificam a necessidade da disciplina na igreja: “Eu sou santo” (Lv 11.45). Quando Deus se faz presente, a nossa pecaminosidade se evidencia: “E, vendo isso Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, por que sou um homem pecador” (Lc 5.8). A santidade de Deus implica que ele é separado do pecado e se dedica a buscar a sua honra. Essa definição contém ao mesmo tempo uma qualidade relacional (separação de) e uma qualidade moral (a separação é do pecado ou do mal, e a dedicação é em prol da própria honra ou glória de Deus). A santidade de Deus fornece o padrão que seu povo deve imitar. Ele ordena: “Sede santos, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo (1Pe 1.16). Os crentes da nova aliança também devem “buscar […] a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14) e saber que a disciplina de Deus é aplicada a nós “para que possamos participar de sua santidade” (Hb 12.10).
1.2 A Igreja é santa.
A LIÇÃO DIZ: Deus é santo e a igreja também deve ser: “Sede santos porque eu sou santo” (1 Pe 1.16). Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. (1Pe 1.15-16 – NVI). A santidade de Deus é parte de sua natureza. “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1.5). Toda santidade que o ser humano tenha em caráter e em conduta deriva-se de Deus. Ser santificado significa, basicamente, ser “separado para o uso e o prazer exclusivo de Deus”. Envolve a separação do que é impuro e a completa consagração a Deus (2 Co 6.14 – 7.1). Devemos ser santos “em todo o [nosso] procedimento”, de modo que tudo o que fizermos reflita a santidade de Deus. Para um cristão dedicado, a divisão entre “secular” e “sagrado” não existe. Ao viver para a glória de Deus, a vida toda é santa. Até mesmo atividades comuns, como comer e beber, podem ser realizadas para a glória de Deus (1 Co 10.31). Se algo não pode ser feito para a glória de Deus, então não está de acordo com a vontade de Deus.
Destacamos os seguintes pontos:
A santidade é imperativa porque o Deus que nos chama é santo.
A santidade é imperativa porque precisa abranger todas as áreas da nossa vida. Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino.
• A santidade é imperativa porque é uma clara exigência das Escrituras. Pedro citou Levítico 11.44 para sustentar seu argumento: “Sereis santos, porque eu sou santo”. Mueller diz que o apelo à palavra de Deus serve para ratificar com autoridade o que foi dito. Pedro não baseia sua exortação em seus próprios pensamentos, mas na palavra de Deus. Resumindo: Sabe porque a disciplina é necessária? Porque Deus é Santo e seu dever é ser santo.
1.3 Quando a igreja não disciplina.
A LIÇÃO DIZ: A falta de disciplina acaba destruindo o limite entre o sagrado e o profano. Portanto, uma igreja que não disciplina seus membros torna-se mundana. Na Bíblia, há um texto que ilustra muito bem essa verdade: Por toda parte se ouve que há imoralidade entre vocês, imoralidade que não ocorre nem entre os pagãos, ao ponto de um de vocês possuir a mulher de seu pai. E vocês estão orgulhosos! Não deviam, porém, estar cheios de tristeza e expulsar da comunhão aquele que fez isso? (1Co 5.1,2 NVI). Paulo destaca quatro atitudes erradas em relação ao pecado.
Em primeiro lugar, fazer concessão ao pecado (5.1). Duas coisas estão provocando tristeza no apóstolo Paulo. Primeiro é o fato da concessão ao pecado. Um membro da igreja chegou a ponto de cometer um pecado pior do que o pecado cometido no mundo. No entanto, a maior tristeza de Paulo foi a reação e a atitude da igreja em relação ao pecado do jovem incestuoso. Diz Paulo: “E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que
fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?” (5.2).
Em segundo lugar, não lamentar nem chorar pelo pecado (5.2). O grande problema que Paulo viu na igreja foi que os crentes não lamentaram o grave pecado de incesto cometido por esse moço. A palavra grega penthein, “lamentar” aqui é a palavra chorar o choro amargo de um funeral. Paulo está dizendo: Como vocês choram nos funerais, deveriam também chorar pelo pecado. Esse pecado deveria provocar em vocês uma dor tão aguda e tão forte quanto a dor que vocês enfrentam na hora do luto. Porém, em vez de chorar, a igreja estava ensoberbecida. Ela se avaliava e dava nota máxima a si mesma. Julgava-se uma igreja de mente aberta, onde as pessoas tinham plena liberdade e nenhuma espécie de restrição. Nada de imposições, nada de regras, nada de princípios e nada de fiscalizar a vida alheia, diziam eles. Hoje, também, nós só choramos nos funerais, mas não derramamos nenhuma lágrima pelos escândalos e estragos que o pecado faz no meio da igreja.
Em terceiro lugar, ficar ensoberbecido pelo pecado (5.2,6). O que estava acontecendo é que a igreja não apenas tolerava o pecado, mas, também estava vaidosa por causa dele. Paulo reprova a igreja, dizendo: “Não é boa a vossa jactância” (5.6). Que coisa estranha nessa igreja! Ela não estava neutra nem indiferente em relação ao pecado, mas ensoberbecida e jactando-se por causa dele. O mundo é plural. Nesse mundo, a disciplina está cada vez mais difícil. Você chama a atenção de um membro faltoso da igreja e ele diz: “Eu não quero que ninguém me incomode. Sou dono da minha vida e não permito que ninguém interfira nas minhas escolhas. Se vocês não estão satisfeitos com minha conduta aqui, eu vou para outra igreja”. E o pior, na outra igreja, esse membro faltoso, sem nenhum sinal de arrependimento, é recebido com festa!
Em quarto lugar, não aplicar a disciplina (5.2). Paulo mostra à igreja que a concessão ao pecado é uma atitude errada. Em vez de estarem chorando e lamentando pelo pecado, eles estavam ensoberbecidos. Por causa da atitude errada da igreja, ela deixou de aplicar a disciplina ao membro faltoso. “[…] e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?” (5.2). Sempre que a igreja tem uma visão equivocada do pecado, ela falha na aplicação da disciplina.

II. O PROPÓSITO DA DISCIPLINA BÍBLICA
2.1 Manter a honra de Cristo.
A LIÇÃO DIZ: Quando o pecado não é tratado na vida do crente, Cristo é desonrado: “O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” (Rm 2.24). Se não corrigido, o comportamento pecaminoso compromete o testemunho cristão. Qual é o perigo do pecado na igreja? Quero destacar duas coisas.
Em primeiro lugar, a contaminação interna. Paulo diz: “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (5.6). Paulo usa aqui a figura do fermento. Um pouco de fermento tem a capacidade de penetrar em toda a massa e fazer toda a massa crescer. O fermento penetra e influencia toda a massa. Paulo está dizendo que o pecado tem o mesmo efeito do fermento.
Em segundo lugar, o enfraquecimento externo (5.7). Paulo diz: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (5.7). O que Paulo está dizendo? O que ele está dizendo é que aqueles irmãos convertidos em Cristo eram massa sem fermento. Portanto, eles deviam lançar fora o velho fermento que estava ameaçando a igreja. Por que é que a igreja deveria jogar fora o velho fermento? Porque quando a igreja tolera o pecado, ela perde a santidade, a autoridade e o poder. O pecado destrói o testemunho da igreja. Um dos maiores perigos que a igreja contemporânea enfrenta é o da inconsistência no testemunho. Um cristão de vida dupla é pior que um ateu. Um crente vivendo na prática do pecado é
o maior agente do diabo na igreja.
2.2 Frear o comportamento pecaminoso.
A LIÇÃO DIZ: Outro propósito da disciplina cristã está no fato de que ela põe um freio no comportamento pecaminoso.
Há uma passagem nas Escrituras que me chama muita a atenção: Entretanto, certo homem chamado Ananias, com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade, mas reteve uma parte do dinheiro. E Safira estava ciente disso. Levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos. Então Pedro disse: — Ananias, por que você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, para que você mentisse ao Espírito Santo, retendo parte do valor do campo? Não é verdade que, conservando a propriedade, seria sua? E, depois de vendida, o dinheiro não estaria em seu poder? Por que você decidiu fazer uma coisa dessas? Você não mentiu para os homens, mas para Deus. Ouvindo estas palavras, Ananias caiu morto. E sobreveio grande temor a todos os que souberam do que tinha acontecido. Levantando-se os moços, cobriram o corpo de Ananias e, levando-o para fora, o sepultaram. Quase três horas depois, entrou a mulher de Ananias, sem saber o que tinha acontecido. Então Pedro, dirigindo-se a ela, perguntou: — Diga-me: foi por este valor que vocês venderam aquela terra? Ela respondeu: — Sim, foi por esse valor. Então Pedro disse: — Por que vocês entraram em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o seu marido, e eles levarão você também. No mesmo instante, ela caiu aos pés de Pedro e morreu. Entrando os moços, viram que ela estava morta e, levando-a, sepultaram-na ao lado do marido. E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos aqueles que ouviram falar destes acontecimentos. (Ato 5.1-11 – NAA). Dou especial destaque ao versículo 11. Depois do julgamento divino sobre a vida de Ananias e Safira, um temor sem precedentes tomou conta de toda a igreja. Com certeza, o pecado foi contido de forma brusca.
2.3 Não tolerar a prática do pecado.
A LIÇÃO DIZ: Não se pode tolerar a prática do pecado, ou o comportamento pecaminoso, na igreja nem fora dela.
Tolerar significa aceitar algo ou alguém que não nos agrada ou que discorda de nós, sem julgar, punir ou rejeitar. É permitir que existam diferenças e conviver com elas pacificamente. A igreja que tolera o pecado, torna-se inimiga de Deus. Tiago nos alerta: Gente infiel! Vocês não sabem que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus. (Tg 4.4). A igreja pode tornar-se amiga do mundo gradativamente: primeiro, sendo amiga do mundo (4.4). Segundo, sendo contaminada pelo mundo (1.27). Terceiro, amando o mundo (1Jo 2.15–17). Quarto, conformando-se com o mundo (Rm 12.2). O resultado é ser condenada com o mundo (1Co11.32).

III. AS FORMAS DE DISCIPLINA BÍBLICA
3.1 A disciplina como modo de correção.
A LIÇÃO DIZ: As Escrituras mostram a necessidade de sermos corrigidos. A correção contribui para o crescimento e formação do caráter cristão: “Porque que filho há a quem o pai não corrija?” (Hb 12.7). É a disciplina que envolve conselho, instrução, repreensão e orientação para que a pessoa mude de vida. É quando o crente é instruído na Palavra pessoalmente, do púlpito, pelos irmãos ou pelos líderes.
3.2 A disciplina como forma de restauração.
A LIÇÃO DIZ: A disciplina cumpre o importante papel de restaurar o ferido, conforme a instrução do apóstolo Paulo à igreja de Corinto para que restaurasse o faltoso à comunhão (2 Co 2.5-8). Nos versículos 5–11 de 2 Coríntios, o apóstolo refere-se de modo mais direto ao incidente que causou o problema. Observe a graça e a consideração cristãs extremas demonstradas por Paulo nessas palavras. Em nenhum momento ele cita a ofensa ou o ofensor. A expressão se alguém causou tristeza pode ser uma referência ao homem que cometeu incesto, mencionado em 1Coríntios 5:1, ou a outra pessoa que havia causado problemas na congregação. Suponhamos que se trate do primeiro caso. Paulo não considerou o pecado uma ofensa pessoal contra ele, pois, em parte, havia causado tristeza […] a todos os irmãos. Os cristãos de Corinto concordaram em disciplinar o ofensor e, ao que parece, o expulsaram da igreja. Em decorrência, ele se arrependeu genuinamente e foi restaurado ao Senhor. Agora, Paulo diz aos coríntios que a punição aplicada bastava e não devia ser prolongada desnecessariamente. Assim como é perigoso para uma congregação ser omissa na aplicação da disciplina quando esta é necessária, também é perigoso não exercitar o perdão quando há arrependimento sincero. Satanás está sempre pronto a interferir em tais situações e usar suas artimanhas. No primeiro caso, ele destrói o testemunho de uma igreja que tolera o pecado e, no segundo, oprime o irmão arrependido com grande tristeza caso a congregação não o restaure. Quando Satanás não consegue destruir pela imoralidade, tenta causar estragos pela tristeza desmedida depois do arrependimento.
3.3 A disciplina como modo de exclusão.
A LIÇÃO DIZ: Esse tipo de disciplina é também conhecido como “cirúrgica”. Esse tipo de disciplina torna-se necessária quando a pessoa endurece seu coração, continua no pecado e não dá frutos de arrependimento. Quando esse tipo de disciplina deve acontecer: “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me com isto não propriamente aos impuros deste mundo, ou avarentos, ou roubadores, ou idólatras, pois neste caso teríeis que sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. EXPULSAI, pois, de entre vós o malfeitor.” (1Co 5.9-13). Observe o detalhe que Paulo inseriu ao falar do pecador: “dizendo-se irmão”. Isto se refere a
quem quer se parecer irmão sem o ser; não fala de uma queda ou tropeço espiritual, mas de uma prática continuada nestes pecados. Excluir não significa proibir a pessoa de colocar o pé na Igreja, mas sim deixar de reconhecê-la como parte do corpo, e isto envolve deixar de se relacionar (Tt 3.10,11), de ter comunhão com a pessoa. Isto fica claro quando o apóstolo diz: “com o tal nem ainda comais”.


CONCLUSÃO
A LIÇÃO DIZ: Nesta lição, vimos o valor da disciplina cristã sob diferentes aspectos. A disciplina se mostra necessária quando sabemos que Deus é santo e exige que seu povo seja santo. Por outro lado, a disciplina também cumpre os propósitos de Deus quando ela conduz o cristão a se conformar com o caráter de Cristo. Uma igreja indisciplinada, portanto, perdeu o bom cheiro de Cristo (2 Co 2.14). O assunto é espinhoso, mas é necessário. Uma igreja que não aplica BIBLICAMENTE a disciplina eclesiástica está seguindo o caminho do legalismo ou o caminho do liberalismo. Ou seja, ela mata os seus membros com uma severidade absurda ou contamina todos eles com o pecado. Por essa razão, devemos utilizar a Bíblia como nossa única forma de regra e prática. Ela deve ser a balizadora das ações da igreja, inclusive da disciplina eclesiástica.

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