A IGREJA DE CRISTO E O IMPÉRIO DO MAL
Como Viver Neste Mundo Dominado Pelo Espírito da Babilônia

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos que a igreja de Cristo vive em um mundo dominado pelo espírito da Babilônia, mas não pertence a ele. Pontuarmos que, diante do espírito da Babilônia, a igreja deve manter-se firme na fé, na identidade, na santidade e na esperança.
Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
ORIENTAÇÕES AOS PROFESSORES E ALUNOS
1. Como os tópicos ficaram muito extensos, não vamos comentar o texto áureo e nem a verdade prática.
2. Não torne o conteúdo desta lição em uma aula de escatologia detalhada, falando do arrebatamento, grande tribulação e demais eventos escatológicos.
3. O conteúdo da primeira lição é a exposição do tema geral da revista. Se está lição for bem desenvolvida, o professor terá um firme alicerce para desenvolver as outras 12 lições.
4. Não permita que sua aula se torne um debate político entre direita e esquerda. Se concentre em ensinar o conteúdo da revista. Sua posição deve ser a bíblica.
I. BABILÔNIA E SEUS SIGNIFICADOS
1.1 Com que sentido o comentarista da lição emprega o termo “Babilônia”.
A Babilônia foi uma importante cidade-estado situada na região da Mesopotâmia. Historicamente, surgiu por volta do século XIX a.C., sendo considerada como o berço da civilização nas áreas políticas e culturais, sociais e econômicas. Porém, quando o livro de Apocalipse cita essa cidade (e.g. Ap 17.5), não se refere ao local geográfico da Babilônia, mas, sim, ao simbolismo que ela representa. Figuradamente, Babilônia representa devassidão, paganismo, sincretismo, violência e rebeldia aos mandamentos divinos. O espírito da Babilônia faz uso da cultura e da ideologia secularista para persistentemente oferecer resistência contra tudo o que se chama Deus (2 Ts 2.4).
Eis algumas razões sobre as quais podemos fundamentar essa afirmação:
• Em primeiro lugar, quanto a sua conduta. A conduta dos babilônios era abominável e repugnante. Eles se entregavam a práticas tais como o politeísmo, promiscuidade moral, imoralidade sexual, idolatria e muitas outras mazelas contrárias à dignidade da vida humana
(Lv 18.1-23; 20.10-22).
• Em segundo lugar, quanto a sua perseguição e violência. Em 587 a.C., quando da invasão à nação de Judá, os babilônicos (caldeus) queimaram o Templo e os palácios, derrubaram os muros de Jerusalém, assassinaram homens, mulheres, velhos e crianças e arrastaram centenas de hebreus para serem escravos na Terra de Sinar (2 Cr 36.6-20).
Esses pontos supramencionados são mais que suficientes para entendermos a posição bíblica e o pensamento do Pastor Douglas Baptista. Vejamos, então, apocalipse capítulo 17 e 18.
1.2 Apocalipse 17, a Babilônia Religiosa. O livro de Apocalipse nos mostra cinco inimigos de Cristo: O dragão, o anticristo, o falso profeta, a grande meretriz e os homens que têm a marca da besta. Esse quadro é apresentado nos capítulos 12 a 14.
O capítulo 17 começa apresentando uma série de visões que revelam três quedas finais. Juntamente com o capítulo 18, somos informados quanto aos detalhes da queda de Babilônia, anunciada nos capítulos 14.8 e 16.19. O capítulo 19 celebra a sua queda com um hino de louvor a Deus. Apocalipse 19.11,12 descreve a queda do Anticristo e de seu reinado. O capítulo 20 mostra a queda e o julgamento final de Satanás e de todos os que o seguem. O capítulo 17 nos aponta três quadros: O primeiro faz uma descrição da grande meretriz. O segundo, descreve a besta. O terceiro, fala da vitória de Cristo e da Sua igreja. A Grande Prostituta. A Mulher e a besta escarlate. E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas, com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate (Ap 17.1-3a ARC). Comentando essa passagem, Wiersbe (2017, p. 779) diz: João é transportado “em espírito” (Ap 17.3) para o deserto. Lá, ele encontra a “meretriz” e faz uma descrição do que vê (Ap 17.2-6). Gênesis 2 fala de uma noiva pura em um lindo jardim; mas no fim da Bíblia, a civilização encontra-se de tal modo degenerada que não passa de uma prostituta impura em um deserto. É isso que o pecado faz com as pessoas. Wiersbe foi muito preciso em seu comentário. O “espírito da Babilônia” que atua neste mundo, vem constante influenciando as nações, instigando a cultura e a economia, bem como corrompendo a igreja, atacando-a de forma externa e interna. Qual é o objetivo e o resulto almejado pelo “espíritoda Babilônia”? Uma sociedade degenerada e uma igreja morta, entregue a toda sorte de prostituição e adultério espiritual.
• Prostituição é o ato de oferecer ou praticar sexo em troca de dinheiro ou outros benefícios. A pessoa que se prostitui faz do sexo uma fonte de renda ou de lucro. A igreja que se prostitui é aquela que se vende por favores políticos; que troca a sua pureza por facilidades, ofertas mais altas, fama, prestigio, visibilidade.
• Adultério é o ato de ter relações sexuais com alguém que não seja o seu cônjuge. A pessoa que comete adultério quebra a fidelidade e a confiança que deveria ter com o seu cônjuge. A igreja que comete adultério espiritual conhece a Deus, mas se deixa seduzir por falsas doutrinas, falsos profetas ou falsos cristos. Vamos discorrer, portanto, com mais detalhes sobre está “grande meretriz”. A maioria dos comentaristas, inclusive Antônio Gilberto e Stanley Horton, afirmar que o capítulo 17 do livro de Apocalipse refere-se a Babilônia religiosa e o capítulo 18, a Babilônia política. Ambos os usos da expressão “Babilônia” têm sentido simbólico. Sou Assembleiano pentecostal e, no âmbito escatológico, defendo o sistema prétribulacionista e o pré-milenista. Embora discorde da maioria das interpretações escatológicas do Hernandes Dias Lopes, reconheço que ele fez um bom comentário sobre o livro de Apocalipse, especialmente nos capítulos 17 e 18, com determinadas exceções. Por isso, vou usar algumas de suas palavras neste texto.
a. Em primeiro lugar, a grande meretriz é conhecida pela sua influência mundial (17.1,15). A religião prostituída está presente em todos os povos. Onde Deus tem uma igreja verdadeira, Satanás levanta a sua sinagoga. A Babilônia não é apenas cultura sem Deus, mas também cultura contra Cristo. Ela sempre entra em conflito com os seguidores do Cordeiro.
b. Em segundo lugar, a grande meretriz é conhecida pela sua riqueza (17.4). Suas vestes são de escarlate. Está adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas. Ela segura em sua mão um cálice de ouro. A religião prostituída, o mundo, faz ostentação da sua riqueza e do seu luxo. Este quadro é uma descrição perfeita do mundo à parte de Cristo, alardeando sobre sua riqueza, alimentação, banquetes, carros, equipamentos, vestuário e toda a sua beleza e glória. A meretriz é atraente e repulsiva ao mesmo tempo.
c. Em terceiro lugar, a grande meretriz é conhecida pela sua sedução (17.2,4,5). A mulher aqui mencionada é representante do sistema religioso mundial que vem rejeitando, sistematicamente, a Palavra de Deus, e perseguindo os seguidores de Jesus. A igreja falsa sempre se uniu aos reis e governos mundanos numa relação promíscua e devassa.
Essa meretriz não se prostitui apenas com os reis, mas dá a beber do vinho da sua devassidão a todos os habitantes da terra. Ela é uma religião popular. Ela atrai as multidões. Ela não impõe limites. As heresias, o liberalismo e o sincretismo são expressões dessa grande meretriz que seduz os homens a viverem na impiedade e na devassidão. William Hendriksen diz que a Babilônia simboliza a concentração do luxo, do vício, e do encanto deste mundo. É o mundo visto como a personificação da “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 Jo 2.16). O
copo é de ouro, mas no interior do copo tem devassidão (17.4b). O mundo ao mesmo tempo que seduz os ímpios, persegue os cristãos. A ordem de Deus para os fiéis é sair do meio dela (18.4).
d. Em quarto lugar, a grande meretriz é conhecida pela sua violência (17.6). A meretriz que vive no luxo tem duas armas: sedução e perseguição. Ela seduz, mas também mata. Ela atrai, mas também destrói. Ela está embriagada não de vinho, mas do sangue dos santos e dos mártires. Não podemos fazer distinção entre o sangue dos santos e o sangue dos mártires. Eles são santos porque pertencem a Deus; são mártires porque morreram por Ele. A Babilônia não é apenas cultura sem Deus, mas também cultura contra Cristo. A Babilônia foi Roma, é a Roma papal, o mundo em todo tempo, em todo lugar, que seduz e destrói aqueles que amam a Deus. A meretriz é aquela que sempre se opõe à Noiva. A meretriz sempre quis destruir a Noiva do Cordeiro. Ela tem perseguido e matado muitos crentes ao longo da história.
e. Em quinto lugar, a grande meretriz está associada com a besta (17.3). A besta sozinha,
sem a bela cavaleira, seria uma afronta. Stanley Horton (2011) diz: Alguns identificam a besta escarlate com Roma, e os seus sete chifres com sete de seus imperadores. Mas isto a limitaria ao passado. Temos de levar em conta que ela é um
personagem do final dos tempos. A besta pode ser melhor identificada com o sistema mundial, ou a Babilônia política, que apoia o sistema religioso apóstata que terá o seu clímax no reinado do Anticristo (a besta representa um sistema e uma pessoa?). O fato de a mulher estar sendo carregada pela besta, indica o seu compromisso com os poderes
políticos, sua tolerância para com as injustiças e a sua procura de favores do mundo pagão.
1.3 Apocalipse 18, a Babilônia Econômica.
Acreditam alguns que a Babilônia deste capítulo não é a mesma do anterior, pois este capítulo enfatiza os sistemas político e comercial implantado pelo Anticristo. Isto, porém, não faz dela, necessariamente, uma Babilônia diferente. A maioria dos escritores, através da história da Igreja, têm visto tais capítulos como que apresentando, apenas, os diferentes aspectos de uma só Babilônia. Isto fica claro quando se lê em 17.2, que todas as nações têm “tomado do vinho de sua devassidão”. Os reis da terra, ou domínios, têm “cometido fornicação com ela”. Os mercadores da
terra vêm-se tornando “ricos com a abundância das suas iguarias”, pela riqueza resultante de sua sensualidade e luxúria. (v.3) A chamada para “sair dela” (v.4) não é meramente uma chamada para sair da Roma papal ou pagã. É claramente uma chamada para deixar a comunhão com os pecados do mundo que se avolumam como uma torre que chega a tocar o céu, clamando pelo juízo de Deus. Pode ser que esta Babilônia seja literalmente uma cidade, ou país, que abranja os aspectos da grande Babilônia descrita aqui (ver comentário em 14.8 e 16.17-21). Apesar de ser chamada cidade, aparentemente representa todas as cidades do mundo e o sistema econômico e político implantado no fim dos tempos pelo Anticristo. Warren Wiersbe, em seu comentário sobre Apocalipse, diz que João ouviu quatro vozes que sintetizam a queda da Babilônia: a voz da condenação, a voz da separação, a voz da lamentação e a voz da celebração. A voz da condenação (Ap 18:1–3) A queda da Babilônia é um fato consumado nos decretos de Deus (18.2). A queda registrada aqui não é a da Babilônia histórica, prevista por Isaías e Jeremias (Is 13.19–22; Jr 51.24–26). De igual forma, a queda aqui não é apenas a previsão da queda de Roma, a Babilônia simbólica (17.18), mas é a queda da Babilônia escatológica, o sistema religioso, econômico e político sem Deus e anti-Deus (18.2). A queda da Babilônia é em razão da sua devassidão moral, espiritual e econômica (18.2–3). O sistema religioso e econômico da Babilônia poluiu o mundo todo. Esse sistema intoxicou as pessoas do mundo inteiro, levando as pessoas a adorarem o dinheiro e se prostrarem diante de outros deuses. Os homens tornaram-se mais amantes dos prazeres do que de Deus (2 Tm 3.4). O dinheiro é o maior senhor de escravos do mundo. Ele é mais do que uma moeda ou um instrumento de transação comercial, ele é um deus. Os homens embriagados pelo espírito da Babilônia amaram o mundo e as coisas que há no mundo. A voz da separação (Ap 18.4–8) A ordem de Deus é para Sua igreja sair desse sistema do mundo (18.4). Em todo o tempo, a igreja de Deus deve apartar-se do mal, do sistema do mundo, da falsa religiosidade. No pecado nunca existe verdadeira comunhão. Não ganhamos o mundo sendo igual a ele. Esse êxodo ou sair não é geográfico, assim como essa Babilônia não é geográfica. Essa Babilônia não é nenhuma cidade específica da terra, visto que o povo de Deus está espalhado por todo o mundo. Esta Babilônia tem dimensões mundiais, diz Adolf Pohl. Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Sair da Babilônia significa não participar dos seus pecados, não ser enganado por suas tentações e seduções. Deus não apenas ordena a igreja a sair da Babilônia, mas dá razões para isso (18:4–8):
a. Em primeiro lugar, para que a igreja não se torne cúmplice de seus pecados (Ap 18.4).Participar da Babilônia significa ser igual a ela e afundar-se com ela. O crente não pode tornar-se participante dos pecados do mundo.
b. Em segundo lugar, para que a igreja não participe dos flagelos que sobrevirão à Babilônia (Ap 18.4). Deus pacientemente suportou os pecados da Babilônia. Mas o dia do juízo virá e então, ela sofrerá os flagelos da ira de Deus.
c. Em terceiro lugar, para que a igreja entenda quais são os critérios do julgamento divino (18.6–8). Quais são os pecados específicos que Deus julgará?
i. Orgulho (18.7). A soberba é a porta de entrada da tragédia. O culto a si mesmo é abominável para Deus. Ela não deu a Deus a glória e agora está sendo destruída. O mundo está sempre ostentando sua riqueza, seus banquetes, suas festas, seu brilho. Mas Deus resiste ao soberbo.
ii. O culto ao prazer e à luxúria (18:7). O sistema do mundo enxerga os bens materiais e os prazeres do mundo como as coisas mais importantes da vida. Os homens trocam Deus pelo prazer. Amam mais os prazeres do que a Deus. Mas no dia final esses prazeres não poderão satisfazer nem darão segurança.
d. Em quarto lugar, para que a igreja entenda que o juízo de Deus virá repentinamente (18.8). O povo de Deus não pode demorar-se em sair desse sistema do mundo, porque o juízo de Deus cairá sobre ele repentinamente e o desmantelará num só dia (Is 47.9; Jr 50.31). Quando chegar o dia do juízo não haverá escape da ira de Deus. Como diz a Escritura: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31). A voz de lamentação (Ap 18.9–19) Esse parágrafo mostra o lamento dos reis, dos mercadores e dos marinheiros ao verem a derrocada da Babilônia e a futilidade de seus investimentos. Ao mesmo tempo, mostra o grito de vitória da igreja de Deus no céu (18.20).
a. Em primeiro lugar, vejamos o lamento dos reis e dos homens poderosos, homens de influência na terra (18.9–10). Esses reis são os políticos e aqueles que se renderam às tentações da Babilônia e desfrutaram de seus deleites. Babilônia ou Roma aqui é vista como o sistema político que se associou com o mundo. Os políticos, governados pela luxúria, ganância e soberba vão ficar amedrontados quando esse sistema entrar em colapso e vão
chorar e lamentar em alta voz (18.9,10).
b. Em segundo lugar, vejamos o lamento dos mercadores (18.11–16). Os mercadores aqui sãos os empresários, negociantes e todos aqueles que têm colocado o coração nas mercadorias e deleites do mundo. Eles choram porque de repente suas mercadorias vão ficar sem valor (Lc 12.16–21). De repente tudo aquilo que lhes proporciona prazer vai desaparecer. Aquilo em que confiavam e em que tinham prazer não vai poder salvá-los.
c. Em terceiro lugar, vejamos o lamento dos homens de navegação (18.17–19). Mencionam-se quatro classes: os pilotos, os passageiros dispostos a negociar, os marinheiros e os que ganham a vida no mar, a saber, os exportadores, os importadores, os pescadores e os mergulhadores em busca de pérolas. Vemos aqui, o desespero dos ímpios que colocaram sua confiança na riqueza e nos prazeres do mundo. Posto que os homens ímpios colocam toda a sua esperança nas riquezas e prazeres desta vida, quando o mundo e as coisas que há nele passarem, eles perecerão juntos. A única coisa que vai lhes restar é um doloroso lamento (18.18–19). A voz da celebração (Ap 18.20–24)
Em contraste com o lamento dos ímpios, a igreja no céu está celebrando a vindicação da justiça divina (18.20). A Babilônia que se embriagou com o sangue dos santos e perseguiu a igreja, agora está completamente desamparada. A justiça de Deus foi vindicada. O mundo passa. A Babilônia cai, mas a igreja de Cristo canta. Esta celebração não é o grito da vingança pessoal, mas o regozijo pelo justo julgamento de Deus. A ruína total da Babilônia é demonstrada (18.21). A Babilônia torna-se o lugar onde todas as coisas boas estarão ausentes (18.22–23).
a. Primeiro, não tem música: Lá só se ouve voz de lamento, e não voz de harpistas.
b. Segundo, não tem arte criadora: Lá não tem artífice.
c. Terceiro, não tem suprimento: Os moinhos já não moem mais. No passado, Babilônia era o mercado do mundo. Agora está como deserto.
d. Quarto, não tem luz: As trevas são um símbolo da efusão final da ira de Deus. Deus é luz. Condenação eterna é ir para as trevas eternas, trevas exteriores. Essas trevas espessas durarão eternamente.
e. Quinto, não tem relação de amor: Não tem casamento, nem poesia, nem sonhos. O ponto principal que devemos observar é que este mundo arrogante e sedento de prazer, a Babilônia, perecerá com todas suas riquezas e prazeres sedutores, com toda a sua cultura e filosofia anti-cristãs, com suas multidões que têm abandonado a Deus e vivido conforme os desejos da carne. Os ímpios sofrerão penalidade eterna. Assim Deus disse, assim Deus fará. A grande pergunta é: Você é um cidadão da grande Babilônia, a cidade condenada ou cidadão da Nova Jerusalém, a cidade celestial?
II. O ESPÍRITO DA BABILÔNIA.
“QUE ALERTA HEM”
2.1 No sistema religioso.
Como já estudado, a Babilônia representa um conjunto de práticas reprováveis diante de Deus. Nesse sentido, a Bíblia de Estudo Pentecostal (STAMPS, 1995, p. 2.003) arrazoa que a “Babilônia religiosa abrange todas as religiões falsas, inclusive o cristianismo apóstata […] os termos prostituição e adultério, quando empregados figuradamente, normalmente denotam apostasia religiosa e infidelidade a Deus”. Nessa direção, o espírito da Babilônia faz com que as pessoas sejam seduzidas pela “prostituição espiritual” (Ap 17.2). Vejamos algumas doutrinas e filosofias perigosas:
a. Teologia da prosperidade. Essa falsa doutrina ensina que Deus dá riquezas e sucesso a quem O ama e obedece, e que problemas, sofrimento e doenças são sinal de pecado ou falta
de fé.
b. Liberalismo teológico. O liberalismo teológico nega ou relativiza algumas verdades fundamentais da fé cristã, como a inspiração, autoridade e inerrância da Bíblia, os milagres, a divindade de Jesus, sua morte expiatória, sua ressurreição corporal e sua volta. O liberalismo teológico se baseia mais na razão humana do que na revelação divina, e reduz o cristianismo
a uma ética humanista e social.
c. Secularização. O secularismo é uma cosmovisão e um estilo de vida que se inclina para o profano mais do que para o sagrado, o natural mais do que o sobrenatural. O secularismo é uma abordagem não religiosa da vida individual e social. O cristão infectado pelo secularismo, vive na igreja de acordo com os padrões do mundo.
d. Pragmatismo religioso. É quando a igreja abandona o que é certo em função do que dar certo. Uma igreja pragmática é aquela que torna a igreja um comércio, os crentes consumidores e o “evangelho” um produto. A igreja vira um palco, os pregadores tornam-se artistas e o cantores viram celebridades.
e. Sincretismo. O sincretismo religioso é a mistura da fé cristã com as práticas religiosas de outra religião. Abraçar o sincretismo é abandonar o evangelho verdadeiro. O cristianismo tem crescido em extensão, mas não tem crescido em profundidade. O povo evangélico tem abraçado práticas estranhas como lenço ungido, unção do riso, sal grosso e muitas outras práticas que não condizem com o Evangelho.
f. Relativismo. O relativismo apregoa que a verdade é plural. Não existe o certo e o errado. O que é certo para alguém, pode não ser para outro. Neste tempo, o relativismo tem governado a mente e o comportamento das pessoas.
2.2 No Sistema Político, Cultural e Econômico. O espírito da Babilônia exerce forte influência na política, na cultura e na economia.
a. Pautas Progressistas. Progressismo é um conjunto de doutrinas filosóficas, sociais e econômicas baseado na ideia de que o progresso é vital para o aperfeiçoamento da condição humana. O progresso é aí entendido como avanço científico, tecnológico, econômico e comunitário.Para Bobbio, filósofo e historiador, Progressismo é a ideia de que a sociedade caminha constantemente em direção ao progresso material, moral e social. Segundo seus defensores, a sociedade está em constante evolução, desde que se alie o progresso à técnica e à ciência. Os valores morais mudam de acordo com a época, se aperfeiçoando a medida que o tempo passa. Mediante as definições feitas, podemos mencionar as pautas progressistas. As pautas progressistas de inversão de valores são impostas ao cidadão em afronta aos valores cristãos, tais como: apologia ao aborto, ideologia de gênero, legalização das drogas e da prostituição.
b. Patrulhamento ideológico. Os que se manifestam contrários a tais práticas tornam-se alvo do patrulhamento ideológico. Por meio de termos pejorativos, são classificados de intolerantes, machistas, fascistas, homofóbicos, preconceituosos e outros adjetivos depreciativos.
c. Ativismo Judicial. O ativismo judicial é a extrapolação do Judiciário na interferência dos outros poderes republicanos, censura preventivo e pospositivo quem defende os valores bíblicos, estereotipa e profere conceitos prévios em desfavor dos seguidores de Cristo (Lc 12.11,12; 1
Tm 6.3-5). Inclusive, os cristãos foram designados em recente decisão como pessoas de “mentes sombrias”, “retrógrados”, “espantalhos da moral”, “fundamentalistas religiosos”, “reacionários morais” e outros aviltantes adjetivos. Expressões retiradas do acórdão (sentença de colegiado) da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADI) n.º: 26, do Supremo Tribunal Federal (STF). Disponível em. Acesso em: 24.jan.2023.
d. A Mídia. A grande mídia, as artes, a literatura e a educação promovem o doutrinamento contrário à fé cristã (Jo 15.19). Coagida pelo “politicamente correto”, a sociedade assimila e defende a “nova cultura” (1 Jo 4.5,6). As escolas e universidades, em muitos lugares, são campos de doutrinação.
III. A POSIÇÃO DA IGREJA
Ness ponto, em específico, me lembrei das cinco Solas hasteada como uma bandeira pelos protestantes. A igreja não pode abrir mão destas verdades fundamentais. Os 5 Solas são proposições teológicas que sintetizam os pilares da Reforma Protestante. Eles expressam em cinco frases latinas o conceito da teologia cristã em oposição à teologia heterodoxa. Os Cinco Solas são: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria. A palavra latina sola significa “unicamente” ou “somente”. Assim, os 5 Solas significam: Somente a Escritura, Somente Cristo, Somente a Graça, Somente a Fé e Somente a Deus a Glória.
a. Somente a Escritura. Reafirmamos a Escritura inerrante, como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de
revelação com igual peso da revelação bíblica.
b. Somente Cristo. Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai. Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.
c. Somente a Graça. Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo,soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual. Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos,
técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação.
d. Somente a fé. Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus. Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado; ou que uma instituição que reivindique ser igreja, mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.
e. Somente a Deus a glória. Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente. Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.
CONCLUSÃO
Depois de mais de 10 páginas de subsidio e mais de 30 páginas de leitura complementar
disponibilizada de forma exclusiva aos alunos da FERRAMENTA EBD, não tornaremos essa
conclusão mais longa. Faça bom uso do material e divida bem o tempo em classe.









