23 de junho de 2026 16:16

A NATUREZA DA IGREJA

O CORPO DE CRISTO
Origem, Natureza, e Vocação da Igreja no Mundo

O QUE ESTUDAREMOS?
Nesta lição, estaremos estudando a Eclesiologia, isto é, o estudo sobre a natureza da Igreja, sua essência e dimensões. Para tanto, temos como particularidades da Igreja a sua extensão confessional, isto é, sua base doutrinária e ortodoxa; sua extensão local e espiritual que diz respeito à sua localização e influência na sociedade enquanto Corpo de Cristo; e, por fim, sua extensão comunitária no que tange a sua unidade e comunhão como estilo de vida.
DEFINIÇÃO
Vamos começar a nossa aula com a melhor definição de igreja que já li em toda a minha vida de estudo bíblico: A igreja é o povo de Deus salvo por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo e que foi incorporado a seu corpo por meio do Espírito Santo. Ela consiste em dois elementos inter-relacionados: a igreja universal é a comunhão de todos os cristãos que se estende desde o dia de Pentecostes até a segunda vinda e abrange tanto os crentes falecidos que já estão no céu quanto os crentes vivos de todo o mundo. Essa igreja universal se manifesta em igrejas locais caracterizadas por sua natureza doxológica, logocêntrica, pneumodinâmica, pactual, confessional, missional e espaçotemporal/escatológica. Igrejas locais são lideradas por pastores (também chamados presbíteros) e servidas por diáconos, têm e buscam pureza e unidade, praticam a disciplina e celebram as ordenanças do batismo e da ceia do Senhor. Capacitadas pelo Espírito Santo com dons espirituais para o ministério, essas comunidades se reúnem regularmente para adorar o Deus triúno, proclamar sua Palavra, apresentar o evangelho a não cristãos, discipular seus membros, cuidar das pessoas por meio de oração e contribuição e posicionar-se tanto em prol do mundo quanto contra ele. Ela é (1) doxológica, ou voltada para a glória de Deus; (2) logocêntrica , ou centrada na Palavra encarnada de Deus, Jesus Cristo, e na Palavra inspirada de Deus, as Escrituras; e (3) pneumodinâmica, ou criada, reunida, dotada e capacitada pelo Espírito Santo. Os quatro últimos são características que dizem respeito à reunião e o envio da igreja: ela é (4) pactual , ou reunida como conjunto de membros em um relacionamento de nova aliança com Deus e em um relacionamento de aliança uns com os outros; é (5) confessional , ou unida pela confissão pessoal de fé em Cristo e pela confissão coletiva da fé cristã; (6) missional, ou identificada como corpo de ministros divinamente chamados e divinamente enviados para proclamar o evangelho e promover o reino de Deus; e (7) espaçotemporal/escatológica, ou reunida como realidade histórica (situada no espaço e no tempo) e que tem esperança garantida e destino claro enquanto vivencia o caráter inusitado da existência eclesiástica no aqui e agora. Com essa definição em mente, temos fundamentação suficiente para expor com segurança está aula e as demais.


TEXTO ÁUREO – COMPARANDO TRADUÇÕES
Cristo é como um corpo, o qual tem muitas partes. E todas as partes, mesmo sendo muitas, formam um só corpo. (1Co 12.12 – NVI). Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo. (1Co 12.12 –NTLH). A igreja é comparada a uma família, a um exército, a um templo, a uma noiva. Porém, a figura predileta de Paulo para descrever a igreja é o corpo. Por que Paulo tem predileção por essa figura? Porque ela é uma das mais completas para descrever a igreja. O corpo humano ilustra a unidade com diversidade. O corpo é um e, no entanto, tem muitos membros. Apesar de todos os cristãos serem diferentes e desempenharem funções distintas, todos se combinam para formar uma unidade operante, o corpo. Assim como o corpo humano é um instrumento pelo qual a pessoa se expressa a outros, o Corpo de Cristo é o instrumento na terra pelo qual ele escolhe revelar-se ao mundo. Veremos, de forma detalhada, as verdades extraordinárias que essa metáfora revela no ponto
três de nossa lição.

VERDADE PRÁTICA
Conhecendo a Igreja em sua natureza, nos conscientizamos da importância de fazer parte dela. Philip Yancey apresenta quatro motivos para frequentarmos a igreja e participarmos ativamente dela. Em outras palavras, ele destaca argumentos que enfatizam a importância de fazer parte da igreja:
a. Primeiro, vou à igreja por causa do Dono. “A igreja existe, não para oferecer entretenimento, encorajar vulnerabilidade, melhorar a autoestima ou facilitar amizades, mas para adorar a Deus. Se falharmos nisso, a igreja fracassa”. Deus é a razão que temos para frequentar a igreja (Sl 84.1-4).
b. b. Segundo, vou à igreja por causa dos meus irmãos. Deus é quem escolheu as pessoas para fazer parte da igreja (1Co 1.26-27). Ele escolheu pessoas diferentes e complicadas para viverem juntas. As igrejas locais do Novo Testamento produziram uma revolução social: judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e livres, congregados por causa de Jesus. Isso é a igreja.
c. Terceiro, vou à igreja por causa dos “perdidos”. A igreja existe para alcançar e acolher os de fora. William Temple disse: “A Igreja é a única sociedade cooperativa do mundo que existe em benefício dos que não são membros”. A razão principal para que uma congregação seja unida e trabalhe é alcançar o seu bairro, cidade e o mundo.
d. Quarto, vou à igreja por causa das suas necessidades. Você não pode ser crente isolado da comunhão da igreja. “Existem duas coisas que não podemos fazer sozinhos: uma é casar e a outra é ser cristão” [Paul Tournier]. A igreja foi criada por Deus para suprir as necessidades dos cristãos. E a maior necessidade de uma ovelha é ser pastoreada (Hb 13.7 e 17). Toda ovelha precisa de pastor, de aprisco e da companhia de outras ovelhas. Resumindo, além de ser um grande privilégio congregar, ser membro da igreja é uma necessidade que temos como cristãos.


INTRODUÇÃO
A LIÇÃO DIZ: Nesta lição, veremos que uma igreja genuinamente cristã é confessional, ou seja, ela se fundamenta na Palavra de Deus; tem uma dimensão local e universal, ou seja, existe tanto na forma visível como invisível; e, finalmente, a igreja genuinamente cristã é una, isto é, não é dividida, pois sem unidade não há Igreja. A natureza da Igreja é o conjunto de características que definem a sua essência, identidade e missão como povo de Deus. A natureza da Igreja pode ser descrita a partir de diferentes perspectivas bíblicas, tais como:
• A Igreja é fundamentada na doutrina dos apóstolos (Ef 2.20).
• A Igreja é guiada pelo Espírito (Rm 8.14). A Igreja é formada e conduzida pelo Espírito Santo, que regenera, santifica, capacita e orienta os crentes.
• A Igreja tem uma expressão visível e local (1 Co 1.1-3).
• A Igreja é o aspecto invisível e universal de Cristo (Hb 12.23). A Igreja transcende as barreiras de tempo, espaço, cultura e denominação, e abrange todos os que pertencem a Cristo, tanto os que já partiram desta vida como os que ainda vivem.
• A Igreja é a unidade de Cristo (Ef 4.3). A Igreja é uma só, pois há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos. A Igreja é diversa, pois há variedade de dons, ministérios e operações. A Igreja é harmônica, pois há cooperação, interdependência e mutualidade entre os seus membros.

I. A NATUREZA DA IGREJA NA SUA DIMENSÃO CONFESSIONAL
1.1 Fundamentada na Palavra.
A LIÇÃO DIZ: Uma igreja verdadeiramente bíblica é centrada em Jesus. Em segundo lugar,
uma igreja bíblica é fundamentada nas Escrituras Sagradas, a Palavra Inspirada. O apóstolo Paulo foi quem escreveu em sua Carta aos Efésios que os redimidos – que constituem o povo de Deus – são “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina” (Ef 2.20).Os apóstolos e profetas são os que lançam os fundamentos e o fundamento é Cristo que está neles. Como diz Paulo “ninguém pode lançar outro alicerce, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1Co 3.11). Por essa razão, o diabo tem investido em filosofias e ideologias que desfigurem a pessoa de Cristo e sua obra, bem como na desconstrução ou reformulação das Escrituras. No entanto, a igreja verdadeira de Cristo jamais se deixará levar por essas influências. Queremos apresentar a estrutura teológica que caracteriza uma igreja centrada em Cristo e nas Escrituras:
• Ela crer e ensina que Jesus é o único caminho para Deus.
• Ele crer e ensina que a Bíblia é a inerrante, infalível e inspirada Palavra de Deus.
• Ela crer e ensina a doutrina da Trindade.
• Ela crer e ensina a justificação pela fé.
• Ela condena o pecado; crer e ensina a doutrina da Santificação.
• Ela crer e ensina que haverá condenação eterna e salvação eterna.
Concluímos que a igreja não é construída por meio de exibicionismo, manifestações
exageradas como pular e gritar, nem por mensagens falsas ou pregações de autoajuda. Uma igreja espiritualmente saudável está fundamentada em Cristo e em sua Palavra.
1.2 Habitada pelo Espírito.
A LIÇÃO DIZ: A Igreja é habitada pelo Espírito, dirigida e capacitada por Ele. Esse subponto revela uma forte característica da igreja, habitada, dirigida e capacidade pelo Espírito. Vamos definir as expressões habitar, dirigir e capacitar.
Habitar” significa viver ou residir em um lugar, ou ocupar um espaço de forma permanente ou temporária. Também pode se referir ao ato de preencher ou ocupar um lugar com algo. Quando dizemos que o Espírito Santo habita na igreja, estamos afirmando que Ele está presente de forma ativa e permanente no meio dos fiéis.
“Dirigir” pode ter vários significados, mas geralmente se refere a guiar, controlar ou gerenciar algo, como um veículo, uma organização ou um projeto. Também pode significar dar instruções ou orientações a alguém, ou liderar uma atividade ou empreendimento. Isso implica que a liderança e as decisões da igreja são influenciadas e direcionadas pela orientação do Espírito Santo, que é visto como a fonte de sabedoria e direção espiritual para o seu povo.
“Capacitar” significa fornecer a alguém os meios, habilidades ou conhecimentos necessários para realizar uma tarefa ou alcançar um objetivo específico. Isso pode envolver treinamento, educação ou o fornecimento de recursos que permitam que alguém atinja suas finalidades. O Espírito Santo capacita os membros da igreja a agir de acordo com os princípios e valores do Cristianismo, capacitando-os para servir por meio dos Dons Espirituais, amar e compartilhar sua fé de maneira eficaz.
1.3 Quem faz parte da Igreja anda no Espírito.
A LIÇÃO DIZ: Quando alguém responde à mensagem da cruz, o Espírito de Deus produz nele a certeza da salvação (Rm 8.16). Agora, regenerado, o cristão passa a andar ou ser dirigido pelo Espírito (Rm 8.14). Esse subponto está parcialmente explicado no anterior. Todavia, cabe-nos fazer dois destaques. A igreja de Cristo é formada pelo ajuntamento de um povo regenerado que tem convicção da salvação.
Regeneração. A regeneração diz respeito à mudança de natureza. Trata-se de uma nova criação (Jo 3.1-21; 2 Co 5.17). Strong a define assim: “A regeneração, ou o novo nascimento, é o lado divino da mudança do coração que, vista do lado humano, chamamos de conversão”. A igreja é o ajuntamento daqueles que nasceram de novo e que agora, vivem segundo o Espírito. O apóstolo Paulo escreveu: “Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja” (Rm 8.5 – NVI).
• Convicção de Salvação. Pode o crente ter certeza de salvação? Paulo nos dar a resposta “O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus. Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória” (Rm 8.16,17 – NVI). O salvo tem o Espírito que o mundo não pode receber (Jo 14.17); o salvo tem o Espírito recebeu o espírito como garantia de sua salvação (Ef 1.13,14). As duas características mencionadas definem de forma muito singular a verdadeira igreja. Devemos ter o cuidado de não apenas adotar o nome de igreja, mas sim de manifestar as características que a definem.

II. A NATUREZA DA IGREJA NAS SUAS DIMENSÕES LOCAL E UNIVERSAL
A igreja de Cristo tem duas dimensões: uma visível e outra invisível. A igreja no seu aspecto local e visível relaciona-se a esfera social e temporal. A igreja em seu aspecto invisível relaciona-se a espera espiritual e universal.
2.1 Local e visível.
A LIÇÃO DIZ: Biblicamente, podemos falar da Igreja em relação à sua dimensão espacial, isto é, em relação ao local ou ao espaço geográfico. A igreja no seu sentido local e visível diz respeito a uma ou outra congregação. Desse modo, constatamos nas Escrituras várias igrejas locais e visíveis: A igreja de Antioquia (At 13.1); a igreja de Jerusalém (At 8.1; 11.22); a igreja de Corinto (1 Co 1.2); as igrejas da Galácia (Gl 1.2); as sete igrejas da Ásia (Ap 1-3); ou a igreja que está no lar de alguém (Fm 1.2). Atualmente, as igrejas locais são identificadas não apenas pela localidade, mas também pelas denominações, tais como: Assembleia de Deus; Quadrangular, Deus é amor, Batista, Presbiteriana, Metodista etc. A igreja local, seja ela pequena ou grande, independente ou filiada a uma convenção, deve ser respeita na terra como é respeitada no céu. Em nome do denominacionalismo, devemos tomar cuidado para não falar mal da igreja de Deus. Outra informação importante é que a igreja visível e local é composta por indivíduos salvos e não salvos. Isso não é uma defesa do calvinismo, mas sim um alerta para todos nós, pois em nosso meio, muitos fingem ser crentes. Há pessoas que participam dos cultos, cantam e pregam, mas não fazem parte do corpo de Cristo.
2.2 As particularidades das igrejas locais.
A LIÇÃO DIZ: Pelo teor das cartas neotestamentárias, observamos que essas igrejas locais possuíam suas particularidades. Os problemas encontrados em uma não eram necessariamente os mesmos da outra (Fp 4.2,3 cf. 2 Ts 3.11,12). De igual modo, as virtudes. Por outro lado, embora estivessem todas sob a supervisão apostólica, observamos que eram autônomas uma em relação às outras. Assim possuíam sua dinâmica própria. Um método que funciona em determinada igreja pode ser inadequado em outra. O primeiro ponto que gostaria de enfatizar é que toda igreja local e visível tem e passa por problemas.
• A igreja de Corinto enfrentava divisões e contendas internas, imoralidade sexual e abusos na celebração da Ceia do Senhor.
• A igreja de Éfeso foi advertida sobre a perda do primeiro amor e a presença de falsos mestres.
A igreja de Filipos tinha conflitos entre duas mulheres, Evódia e Síntique, e também enfrentava oposição externa.
• A igreja de Tessalônica estava preocupada com a volta de Cristo e a questão do trabalho e ociosidade.
• A igreja de Laodiceia foi repreendida por sua complacência espiritual e falta de fervor.
• A igreja de Pérgamo enfrentava a influência de falsos mestres e a tolerância de práticas imorais. Se você encontrar uma igreja perfeita, saia dela para não estragá-la. O segundo ponto que gostaria de destacar é que cada igreja tem sua maneira particular de cumprir suas responsabilidades e missão. Embora a igreja deva ser bíblica, fundamentada em Cristo, santa e fiel, o modelo de trabalho e liturgia adotado pela Assembleia de Deus ou por qualquer outra denominação não é canônico. Como disse o comentarista: Um método que funciona em determinada igreja pode ser inadequado em outra.
2.3 Universal e invisível.
A LIÇÃO DIZ: A Igreja universal e invisível é formada por todos os cristãos regenerados que estão em todos os lugares e por aqueles que já estão também na glória (Hb 12.23), não se limitando somente à dimensão terrena. Aqui, é importante se diferenciar “Igreja” de “denominação”. Numa cidade, por exemplo, pode haver várias denominações; contudo, somente há uma Igreja. A igreja é divina, as denominações são humanas. As denominações podem ser temporárias, a Igreja não. As denominações podem desparecer, mas a Igreja é indestrutível (Mt 16.18). Podemos dar a seguinte definição: a igreja invisível é a igreja como Deus a vê. A Igreja invisível não é um edifício construído com blocos e cimento, mas, um edifício construído com pedras vivas (1Pe 2.5). Estas “pedras vivas” são chamadas os santos e membros da família de Deus (Ef 2.19-22). Uma característica marcante da igreja universal e invisível é que ela pode ser dividade em igreja triunfante e igreja militante. A igreja que existe atualmente na terra é a militante, porque é chamada e atualmente se acha empenhada numa guerra santa. A que está no céu é a triunfante, já que trocou a espada pela palma da vitória.

III. A IGREJA NA SUA DIMENSÃO COMUNITÁRIA
3.1 A igreja é una. Isso significa que a igreja é indivisível.
A LIÇÃO DIZ: Na analogia onde compara a Igreja ao corpo humano, Paulo deixa bem claro
que uma igreja verdadeiramente cristã é unida porque não pode haver divisão no corpo (1 Co 12.12). Vamos ao contexto maior dessa passagem: Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer. Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. Com isso quero dizer que algum de vocês afirma: “Eu sou de Paulo”; ou “Eu sou de Apolo”; ou “Eu sou de Pedro”; ou ainda “Eu sou de Cristo”. Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo? (1Co 1.10-13 – NVI). “Acaso está Cristo dividido?” Paulo diz que as divisões na igreja são absurdas, porque elas estão levando os crentes a pensar que Paulo está pregando um Cristo, Apolo está pregando outro Cristo e Cefas está pregando ainda outro Cristo. Há somente um Salvador. Há somente um Evangelho. A igreja de Corinto começou a se dividir internamente. Por quê? Porque em vez de a igreja influenciar o mundo, o mundo é que estava influenciando a igreja. A igreja que é dividida se destrói de dentro para fora. O comentarista complemente: Devemos evitar, a todo custo, o partidarismo, as preferências e os exclusivismos, se quisermos preservar a unidade da igreja local (Ef 4.3).
• Partidarismo refere-se à tendência de favorecer um grupo específico dentro da igreja em detrimento de outros, muitas vezes levando a divisões e conflitos.
• Exclusivismo é a atitude de excluir ou marginalizar certos membros da igreja com base em critérios arbitrários, como origem étnica, status social ou preferências pessoais.
• Preferências, nesse contexto, se refere a mostrar favoritismo ou parcialidade em relação a certos indivíduos ou grupos dentro da igreja, em vez de tratar a todos com igualdade e amor.
3.2 Unidade na Igreja.
Unidade, do ponto de vista teológico, bíblico e devocional, é a expressão da comunhão espiritual entre os membros do Corpo de Cristo, a igreja. Fundamentada na natureza de Deus e enfatizada nas Escrituras, a unidade promove o testemunho eficaz ao mundo e fortalece a igreja para cumprir sua missão de proclamar o evangelho e fazer discípulos. É uma expressão tangível do amor de Deus entre os crentes, capacitando-os a viver em concordância, cooperação e amor mútuo, e assim manifestar a presença de Cristo no mundo.
Destacamos 4 benefícios da unidade:
• A unidade promove um ambiente agradável e atrai a benção de Deus. Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor ordena a sua bênção e a vida para sempre. (Sl 133.1,5 – NAA).
• A unidade legitima o nosso culto, pois a verdadeira espiritualidade pressupõe comunhão com Deus e com os irmãos. “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta”. (Mt 5.23,24 – NVI).
• A unidade produz crescimento espiritual. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função. (Ef 4.16 – NVI).
A unidade fortalece a igreja contra as investidas de Satanás. Quando vocês perdoam alguém, eu também perdoo. Porque, quando eu perdoo, se é que, de fato, tenho alguma coisa a perdoar, faço isso por causa de vocês, na presença de Cristo, a fim de que Satanás não se aproveite de nós; pois conhecemos bem os planos dele. (2Co 2.10,11 – NTLH).
3.3 Diversidade na unidade.
A LIÇÃO DIZ: Somos diferentes, diversos, temos temperamentos distintos e maneiras diferentes para fazer as coisas; mas, mesmo assim, somos um em Cristo Jesus para perseverar no mesmo alvo. Não podemos confundir unidade com uniformidade. Unidade refere-se à harmonia e cooperação entre indivíduos, enquanto uniformidade implica na semelhança ou padronização. A diferença fundamental entre as duas é que a unidade valoriza a diversidade e cooperação, enquanto a uniformidade busca a igualdade e padronização. A igreja de Cristo é como um corpo, composta por uma diversidade de membros, cada um desempenhando um papel único. Assim como no corpo humano, onde cada parte é importante, na igreja, tanto os ricos quanto os pobres, os letrados e os iletrados, os brancos e os negros, todos têm valor e desempenham um papel vital. Desde os pregadores até os porteiros, dos cantores aos zeladores, todos são essenciais para o funcionamento saudável do corpo de Cristo. Devemos valorizar cada membro da igreja da mesma forma que valorizamos cada parte do nosso próprio corpo, reconhecendo a importância de cada um para o todo.


CONCLUSÃO
Nesta lição, aprendemos os seguintes pontos:
• Uma igreja bíblica é fundamentada na Palavra Inspirada por Deus, habitada pelo Espírito, dirigida e capacitada por Ele.
• A Igreja de Cristo se revela numa dimensão terrena e, igualmente, numa dimensão espiritual.
• A igreja como Corpo de Cristo em sua forma coletiva deve zelar pela unidade e, da mesma forma, cada crente deve buscar isso.

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