21 de janeiro de 2026 17:30

A NATUREZA DO DEUS QUE SALVA

PLANO PERFEITO
A salvação da humanidade: a mensagem central das Escrituras

INTRODUÇÃO
Em um mundo onde o afeto é frequentemente proporcional ao mérito, costumamos acreditar que precisamos ser “suficientemente bons” para sermos aceitos pelas pessoas e, sobretudo, por Deus. Entretanto, a nossa experiência diária com falhas e fragilidades nos leva a uma inquietude: quem poderia amar e resgatar alguém imperfeito? A narrativa bíblica rompe essa lógica ao nos apresentar o Calvário, onde o Justo morreu pelos injustos “enquanto ainda éramos fracos e pecadores”. Portanto, vamos abordar a natureza do Deus que salva. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus?

TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES
Provem, e vejam como o SENHOR é bom. Como é feliz o homem que nele se refugia! (Sl 34.8, NVI).
Procure descobrir, por você mesmo, como o SENHOR Deus é bom. Feliz aquele que encontra segurança nele! (Sl 34.8, NTLH).
Deste texto bíblico, emanam algumas verdades espirituais:
1. Deus deseja ser conhecido de forma pessoal e direta. Não apenas obedecido, mas saboreado.
2. A verdadeira felicidade está em confiar. A bem-aventurança vem da dependência de Deus.
3. Fé é uma experiência viva. Ela passa pelos sentidos.
4. A bondade de Deus é absoluta e sempre acessível. Mesmo em meio ao sofrimento (como no contexto de Davi), o salmista declara: “Ele é bom.”

RESUMO DA LIÇÃO
A obra da salvação, que é revelada plenamente em Jesus Cristo, expressa a bondade, o amor e a santidade de Deus. BA obra da cruz resolve o “dilema divino”: como perdoar o pecador (expressão de Amor e Bondade) sem violar a justiça que exige a punição do pecado (expressão de Santidade). Em Cristo, Deus proveu o sacrifício que a Sua própria santidade exigia, permitindo que a Sua graça fluísse para a humanidade. Portanto, a salvação revela plenamente quem Deus é: um Pai amoroso que quer salvar, mas também um Juiz justo que não pode inocentar o culpado sem um resgate.

1. O DEUS QUE SE REVELA COMO SALVADOR
Ideia central do ponto: A Escritura apresenta Deus como Redentor, bom e confiável, revelado plenamente em Jesus.
1.1 A história da salvação mostra Deus como o Redentor.
Ideia central: Deus toma a iniciativa de derrotar o mal e restaurar o relacionamento com o ser humano (Gn 3.15; Sl 105.5-6). O aluno deve sair sabendo: identificar a redenção como iniciativa de Deus.
A LIÇÃO DIZ: Desde Gênesis, Deus se revela como o Redentor que toma a iniciativa de colocar em prática um plano de salvação para derrotar o mal e restaurar o relacionamento do ser humano com Ele (Gn 3.15).
A história pode ser dividida em quatro grandes momentos:
1.1.1 Na criação, vemos o Deus trino todo-poderoso, transcendente, autoexistente, suficiente em si mesmo, eterno, santo e perfeito em todos os seus atributos, criando todas as coisas que existem, desde as mais remotas e distantes galáxias até a terra e tudo o que nela há. Vemos a criação do homem imago Dei, segundo a imagem do próprio Deus, em estado de inocência e liberdade, debaixo do governo moral de Deus, ordenado a ser responsável e obediente e a governar sobre todas as coisas criadas, para a glória do criador.
1.1.2 Na queda, vemos o homem transgredindo a lei de Deus e se afastando dele, caindo de seu estado de inocência e felicidade e legando para a humanidade esta condição de condenação, aprisionando sua liberdade às inclinações do pecado, sendo tanto responsável por ele como vítima de sua poluição. Vemos o efeito da queda na criação, trazendo maldição para este mundo e resultando na grande tragédia da história do homem.
1.1.3 Na redenção, vemos ainda que Deus resolveu oferecer salvação ao homem e o fez de modo que sua justiça, ofendida pela transgressão da lei causada pelo pecado do homem, fosse satisfeita. Em amor, desde os tempos eternos, Deus o Pai resolveu salvar pecadores em seu Filho, Jesus Cristo, o qual, sendo um com Deus o Pai, entrou na história, assumiu a natureza humana e viveu como homem, obedecendo toda a lei e cumprindo toda a justiça de Deus o Pai, a ponto de oferecer-se a si mesmo como sacrifício e propiciação a Deus em favor dos homens, justificando os pecadores que se achegam a ele, movidos pela ação do Espírito de Deus que os regenera, em arrependimento e fé, sendo reconciliados com Deus e adotados em sua família.
1.1.4 Finalmente, temos a consumação de todas as coisas, vemos como o cristão é preparado nesta vida para a vida porvir; sendo santificado e perseverando em sua peregrinação. Vemos o que acontece após a morte do homem, seja do justo ou do injusto, sobre o céu e o inferno, o julgamento final, a ressurreição do corpo e a redenção final e definitiva da criação: novos céus e nova terra; todas essas coisas operando segundo o propósito e decretos de Deus e para glória dele. Em toda a história de criação, queda, redenção e consumação, há um protagonista: o Deus triúno. Ele se revela na própria história como o Redentor, isto é, aquele que resgata o seu povo da culpa e do poder do pecado por iniciativa soberana, cumprindo suas promessas e restaurando o que foi corrompido. Esse fio redentor aparece já no início, em Gênesis 3.15, quando Deus anuncia que da semente da mulher viria aquele que esmagaria a cabeça da serpente. Ali, a Escritura não apenas descreve a gravidade da queda, mas também registra a primeira promessa de redenção, estabelecendo que a vitória sobre o mal não viria do esforço humano, mas do agir de Deus. Essa promessa não fica suspensa. Ela progride ao longo da revelação bíblica e alcança seu cumprimento na “plenitude do tempo”, quando, conforme Gálatas 4.4, Deus envia o seu Filho, “nascido de mulher”. Essa expressão retoma, em linha direta, a promessa de Gênesis 3.15 e mostra a fidelidade de Deus em conduzir a história para o cumprimento do que havia dito. Assim, a história revela Deus como Redentor: aquele que prometeu a redenção e que, em Cristo Jesus, efetivamente a realizou.
1.2 Deus é bom e digno de confiança.
Ideia central: A bondade de Deus sustenta a confiança e o temor do Senhor, e a salvação procede da sua benignidade (Tt 3.4-5).
O aluno deve sair sabendo: explicar que a salvação resulta da bondade e misericórdia de Deus, não de mérito humano.

A LIÇÃO DIZ: O Salmo 34 nos convida a experimentar a bondade divina e, como resultado, a felicidade alcança aquele que confia nEle (v.8). Quando provamos da sua bondade e nos entregamos a Ele com plena confiança, o temor do Senhor — uma atitude que caracteriza a verdadeira sabedoria espiritual (Pv 1.7) — passa a fazer parte da nossa vida. A Bíblia ensina que a bondade é um dos principais atributos de Deus. Ela está na sua essência. A bondade é uma expressão de sua natureza divina. Ele é intrinsecamente bom e amoroso. De acordo com a Bíblia, a bondade de Deus é manifestada de várias maneiras.
Primeiro: ela se manifesta na criação. A criação é descrita como sendo “bom” pelo menos sete vezes, refletindo, assim, o caráter do Criador. A bondade é sua marca registrada sobre todas as coisas e a criação foi o seu primeiro ato de bondade.

Segundo: ela se manifesta na redenção: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” (Lc 2.14). A redenção é a expressão da bondade de Deus. Quando o homem caiu em pecado, a bondade agiu no sentido de resgatar o homem de seu estado miserável.
Terceiro: ela se manifesta na providência ao nos trazer conforto e orientação em meio às aflições da vida. Em dar respostas às nossas orações. Prover os recursos quando somos tentados, ao curar nossas doenças ou quando oferece gratuitamente perdão quando pecamos. A bondade de Deus é uma fonte de esperança e consolo para o cristão. Visto que a sua bondade dura para sempre, jamais deveríamos ficar desanimados. “O Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam.” (Na 1.7). Como não confiar e temer um Deus tão bondoso assim?
1.3 Jesus revela a natureza salvadora de Deus.
Ideia central: Em Cristo habita a plenitude da divindade; ver o Filho é conhecer o Pai como Deus bom e Salvador (Jo 14.9-10).
O aluno deve sair sabendo: afirmar que Jesus revela o Pai e fundamenta o conhecimento verdadeiro do Deus que salva.
A LIÇÃO DIZ: A Palavra de Deus nos mostra que, em Jesus Cristo, habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). Em João 14, Jesus declarou: “Quem me vê a mim vê o Pai; […] Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (Jo 14.9,10).
O termo grego pleroma, traduzido como “plenitude”, significa a soma total do que Deus é, todo o Seu ser, Seus atributos e Seus poderes. Paulo utiliza este termo, que era comum no vocabulário dos falsos mestres (gnósticos), para refutá-los. Enquanto os gnósticos ensinavam que a plenitude divina estava distribuída entre várias emanações espirituais ou anjos, Paulo afirma que toda a plenitude reside em Cristo. O verbo usado para “habita” (katoikeo) indica uma residência permanente e contínua, em contraste com uma estada temporária. Isso significa que a divindade não veio sobre Jesus apenas no batismo para deixá-lo na cruz (como ensinavam algumas heresias), mas que Ele possui essa plenitude de forma inalienável e eterna. No Evangelho de João, a revelação da divindade de Cristo é aprofundada através da explicação de Seu relacionamento com o Pai. Quando Filipe pede: “Senhor, mostra-nos o Pai”, Jesus responde com uma repreensão terna que revela Sua identidade: “Quem me vê a mim vê o Pai”. Ninguém jamais viu a Deus em Sua essência espiritual, pois Ele habita em luz inacessível. No entanto, Jesus, o Filho Unigênito, é quem o “revelou” (Jo 1.18). O termo grego implica que Jesus é a “exegese” ou a explicação completa de Deus. Ele não aponta apenas para Deus; Ele é a auto-revelação de Deus. Ver Jesus, Suas obras, Seu amor, Sua santidade, é ver o caráter e a natureza do Pai em ação. A declaração “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14.10) descreve uma união mística e ontológica conhecida como pericorese (habitação mútua). Eles são distintos como pessoas (o Filho não é o Pai), mas são um em essência e substância. Não há conflito de vontades ou separação de poder; as palavras que Jesus fala e as obras que Ele realiza são as palavras e obras do Pai que habita nEle.

2. A SALVAÇÃO COMO PROVA DO AMOR DE DEUS
Ideia central do ponto: A cruz demonstra o amor de Deus e exige uma resposta prática de gratidão e testemunho vivencial.
2.1 A salvação como ato de amor.
Ideia central: Cristo morreu pelos ímpios; Deus prova seu amor ao agir por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5.6-8; Ef 2.1). O aluno deve sair sabendo: definir a salvação como ação amorosa de Deus em favor de quem não merecia.
A LIÇÃO DIZ: Romanos 5 descreve a morte de Cristo, o Justo, no lugar dos ímpios (Rm 5.6) e revela o ato mais amoroso de Deus: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Deus entregou seu Filho único por amor. Ele não o entregou depois que fomos justificados, regenerados e santificados; pelo contrário, Ele o entregou quando ainda estávamos “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Ora, se isso não é amor, então o que seria? Esse é o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta — um amor sofredor, bondoso, verdadeiro (1Co 13.4-7). Vamos focar em Romanos 5.8. A expressão no original que foi traduzida como amor é ágape. Esta é a palavra mais frequente no Novo Testamento para descrever o amor cristão e o amor divino. Refere-se a uma “benevolência invencível” e uma “infinita boa vontade”. Não é apenas uma emoção, mas uma atitude da vontade que busca o maior bem do outro, independentemente de seus méritos. É um amor abnegado, inteligente, com propósito e ativo. Diferente do eros (que busca satisfação própria), o ágape busca o bem do objeto amado, mesmo que este seja indigno ou inimigo. A causa do amor de Deus não está no objeto amado, mas nele mesmo. Cristo não morreu por alguém que merecia o amor de Deus. Ao contrário, Paulo diz que éramos fracos (5.6), ímpios (5.6), pecadores (5.8) e inimigos (5.10). Numa linguagem crescente, o apóstolo elenca quatro predicados sombrios da deplorável condição humana. Embora fôssemos merecedores do juízo divino, ele graciosamente derramou em nosso coração seu imenso amor. Deus não poderia achar nos fracos, ímpios, pecadores e inimigos algo que atraísse seu amor. O caráter incomum e singular do amor de Deus se revela no fato de que ele foi exercido a favor daqueles cuja condição natural era absolutamente repugnante diante da sua santidade. Deus amou infinitamente os objetos da sua ira.
2.2 O amor de Deus se manifestou na cruz.
Ideia central: Deus amou o mundo e enviou o Filho como propiciação; a cruz expressa amor universal (Jo 3.16).
O aluno deve sair sabendo: explicar que a cruz é a expressão objetiva do amor de Deus e o fundamento da salvação.
A LIÇÃO DIZ: A doutrina do amor de Deus é o fundamento da obra da salvação. Como pentecostais, afirmamos com convicção: o que motivou o envio de Jesus Cristo à cruz foi o incomparável amor de Deus. A Bíblia declara: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Aprendemos desde cedo, no discipulado, que a palavra graça significa favor imerecido. Contudo, à luz do texto bíblico que acabamos de ler, podemos ampliar esse conceito e afirmar que a graça é a maior de todas as dádivas concedidas a quem merecia o maior de todos os castigos. A graça é um presente de Deus aos homens: ela é oferecida gratuitamente, mas custou o sangue precioso de Jesus Cristo. João 3.16, é talvez, um dos versículos mais conhecidos Bíblia, é o Evangelho em miniatura, o Evangelho em ponto pequeno. Como em uma só gota de orvalho se vê todo o universo, aqui, nestas poucas palavras, vê-se toda a boa nova da salvação de Deus. Notem-se estes pontos: 1) Deus, o maior Ser. 2) Amou, o maior sentimento. 3) O mundo, o maior grupo. 4) De tal maneira, o maior grau. 5) Que deu, o maior ato. 6) O Seu Filho unigénito, a maior Dádiva. 7) Para que todo aquele, a maior oportunidade. 8) Que nEle, a maior atração. 9) Crê, a maior simplicidade. 10) Não pereça, a maior promessa. 11) Mas, a maior diferença. 12) Tenha, a maior certeza. 13) A vida eterna, a maior possessão.
2.3 Respondendo ao amor de Deus com gratidão.
Ideia central: A gratidão pela salvação aparece em escolhas diárias que honram a Cristo e servem ao próximo (Rm 5.8; 1Jo 4.19).
O aluno deve sair sabendo: aplicar a gratidão como prática: conduta, serviço e testemunho coerentes com o evangelho.
A LIÇÃO DIZ: A gratidão verdadeira se mostra no comportamento: nas decisões que tomamos, nas amizades que cultivamos, na maneira como lidamos com as tentações e na disposição em servir a Deus e ao próximo. Como escreveu o apóstolo João: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). A vida cristã não é uma tentativa de ganhar o favor de Deus através de esforços humanos, mas sim uma resposta amorosa à iniciativa divina. Como o apóstolo João declarou: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Esse versículo estabelece que o amor de Deus é a causa, e o nosso amor é a consequência; o amor dEle é a fonte, e o nosso é o fluxo que retorna a Ele.
Como, em forma de gratidão, devemos responder a esse tão grande amor?
2.3.1 Obediência. A pessoa que compreende a profundidade do amor de Deus não obedece por medo ou para acumular méritos, mas porque deseja agradar ao Pai. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15), indicando que a obediência é a prova irrefutável do amor e da gratidão temos a Deus.
2.3.2 Prioridades e recursos. As decisões sobre o uso do tempo e do dinheiro refletem onde está o coração. A gratidão nos leva a submeter com alegria tudo que somos e tudo que temos ao Senhor.
2.3.3 Santidade. Diante das encruzilhadas da vida, o cristão grato decide andar na luz, rejeitando as “obras das trevas”, pois entende que foi resgatado de um “vão modo de viver” para uma vida de propósito.
2.3.4 Amor fraternal. A prova de que amamos a Deus (a quem não vemos) é o amor pelos irmãos (a quem vemos).

3. A SANTIDADE DO DEUS QUE SALVA
Ideia central do ponto: O Deus que salva é santo; a salvação inclui transformação e um chamado contínuo à santidade.
3.1 Deus é absolutamente santo.
Ideia central: A santidade é atributo essencial de Deus e a base do chamado ético do seu povo (Is 6.3; 1Pe 1.15-16; Lv 11.44). O aluno deve sair sabendo: relacionar o chamado “sejam santos” ao caráter do próprio Deus.
A LIÇÃO DIZ: A Bíblia revela que uma das características fundamentais de Deus é a sua santidade. No livro do profeta Isaías, lemos a proclamação dos anjos: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). O apóstolo Pedro escreve em sua Primeira Epístola: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15). Esse chamado à santidade está diretamente relacionado à própria natureza santa de Deus, como está escrito: “Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16; cf. Lv 11.44). A santidade de Deus, fundamentalmente, revela que Ele é separado e distinto de tudo o que existe. Essa separação possui dois aspectos principais:
3.1.1 Transcendência majestosa. Deus é “totalmente santo”. Ele está separado da criação e elevado acima dela em glória e majestade infinita. A santidade descreve a excelência superlativa de Sua natureza, a soma total de Suas perfeições. Quando os serafins clamam “Santo, Santo, Santo” em Isaías 6.3, a repetição (o triságio) enfatiza que essa qualidade nEle é suprema e inigualável, indicando que Ele não pertence à esfera do comum ou do profano.
3.1.2 Pureza absoluta. A santidade implica que Deus está eternamente separado de todo pecado, impureza e maldade. Ele é “tão puro de olhos, que não pode ver o mal” (Hc 1.13). Sua natureza é a própria antítese da corrupção e do mal; Ele é luz e nEle não há treva alguma. Por ser santo, Ele ama a justiça e abomina a iniquidade, sendo a Sua santidade o padrão moral para todo o universo . Portanto, em vez de imitar o mundo ímpio com seus modismos, nossa vida deve reproduzir o caráter santo daquele que nos chamou. Ser piedoso significa ser semelhante a Deus, que é santo em todos os seus caminhos. A fim de sermos como ele, precisamos ser santos em tudo o que fazemos e dizemos. Nesta vida, jamais seremos tão santos quanto ele, mas devemos ser santos porque ele é. O dever de ser santo envolve um duplo movimento: separação do pecado (aspecto negativo) e dedicação a Deus (aspecto positivo). O cristão foi chamado para fora do sistema de valores do mundo (“não vos amoldeis às paixões”, 1 Pe 1.14) para ser propriedade exclusiva de Deus.
3.2 A salvação é um chamado à santidade.
Ideia central: A salvação inclui santidade posicional e santidade progressiva (Rm 6.22; 1Co 1.2; Hb 10.10; 2Co 3.18; Fp 2.12-13).
O aluno deve sair sabendo: distinguir posição em Cristo e processo de transformação, mantendo responsabilidade e a dependência de Deus.
A LIÇÃO DIZ: A doutrina bíblica da salvação ensina que, ao sermos alcançados pela graça, experimentamos o que muitos estudiosos chamam de santidade posicional, ou seja, refere-se à condição de santos que o salvo recebe no momento em que a salvação é operada (1Co 1.2; Hb 10.10). Essa é uma realidade imediata e completa, vinda direta e exclusivamente de Deus. Além dessa realidade, há outra denominada de “santidade progressiva”, que se refere ao processo contínuo de transformação interior operada pelo Espírito Santo ao longo da caminhada espiritual (2Co 3.18; Fp 2.12,13). Gosto muito de uma frase que diz: Deus chama o ímpio para a salvação, o salvo para santificação e o santo, Ele chama para a obra. De fato, a salvação é um chamado para à santidade.A Bíblia apresenta a santificação como uma posição (status) conferida por Deus e um processo (vivência) desenvolvido no crente. A santidade posicional é um ato forense, instantâneo e definitivo de Deus. Ela não depende do grau de pureza moral que o crente alcançou, mas da sua união com Cristo. No momento da conversão, o crente é posicionalmente “santificado”. Isso significa que ele foi “separado” do mundo profano e transferido para a esfera do sagrado, tornando-se propriedade exclusiva de Deus. É uma mudança de status legal e de relacionamento, não necessariamente de caráter imediato. Por isso, Paulo pôde chamar os coríntios de “santificados em Cristo Jesus” e “santos”, apesar de seus muitos problemas morais e divisões internas. Enquanto a posicional é um ato único, a progressiva é um crescimento contínuo e moral. É a transformação do caráter interior, onde o crente, capacitado pelo Espírito Santo, mortifica os atos da carne e cultiva virtudes espirituais. santidade progressiva nunca será concluída nesta vida; ela aponta para a glorificação, quando nossa condição moral finalmente corresponderá perfeitamente à nossa posição legal.
3.3 A cruz: o encontro da justiça e do amor de Deus e o caminho para a santidade.
Ideia central: Na cruz, Deus julga o pecado e oferece graça; Cristo leva a culpa e garante justificação ao que crê (Hc 1.13; Is 53.5; Rm 3.26). O aluno deve sair sabendo: explicar como a cruz expressa a justiça e graça de Deus.

A LIÇÃO DIZ: A cruz de Cristo é o maior marco da história da salvação. Nela, a justiça de Deus e o seu amor infinito se encontram de forma perfeita, preparando e apontando o caminho da santidade. O dilema teológico fundamental resolvido na cruz é como um Deus santo e justo pode perdoar pecadores culpados sem comprometer a Sua própria integridade moral. A justiça de Deus exige que o pecado seja punido. Deus não pode simplesmente “fazer vista grossa” para a iniquidade, pois Sua natureza santa não tolera o mal. A lei divina declara que “a alma que pecar, essa morrerá” e que “maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei. Se Deus apenas perdoasse sem uma satisfação penal, Ele negaria Sua própria justiça e santidade. O pecado é uma ofensa contra a majestade infinita de Deus e exige uma reparação. Na cruz, Jesus atuou como nosso substituto. Ele não morreu como um mártir ou apenas como um exemplo, mas assumiu o lugar dos pecadores. A justiça de Deus foi satisfeita porque o castigo que nós merecíamos, a ira divina e a morte espiritual, foi derramado sobre Cristo. Ele bebeu o “cálice” da ira de Deus até a última gota. Ao mesmo tempo que a cruz é a suprema demonstração da justiça (julgando o pecado), ela é a prova máxima do amor de Deus (salvando o pecador). O crente foi “crucificado com Cristo” (Gl 2.20). Legal e espiritualmente, a velha vida sob o domínio do pecado acabou. O “corpo do pecado” foi despojado de seu poder tirânico. Portanto, é por meio da cruz que o caminho da santidade é possibilitado.
A cruz é o fundamento da história da salvação:
3.3.1 Para Deus é a satisfação de Sua justiça e a expressão suprema de Seu amor, permitindo que Ele perdoe sem deixar de ser santo.
3.3.2 Para o pecador é o único lugar de refúgio onde a culpa é removida e a paz com Deus é estabelecida.
3.3.3 Para o santo é a fonte de poder que quebra o domínio do pecado, purifica a consciência e motiva uma vida de consagração e serviço sacrificial.

CONCLUSÃO
Chegamos ao final deste estudo compreendendo que a salvação não é uma conquista humana baseada em obras, mas uma expressão soberana da graça de Deus. Vimos que Ele não é um Ser distante ou indiferente; Ele é o Redentor que, desde o Gênesis, tomou a iniciativa de resgatar a humanidade caída. A Cruz de Cristo permanece como o monumento central da história, o lugar onde o “dilema divino” foi resolvido: a justiça de Deus julgou o pecado e o amor de Deus absolveu o pecador. Aprendemos que fomos amados não quando éramos amáveis, mas quando éramos inimigos, o que torna a graça um favor escandalosamente imerecido. Portanto, a nossa resposta a esse grande amor não pode ser a passividade. A salvação nos confere uma nova posição de santos, mas também nos impulsiona ao processo de santificação progressiva. Que possamos sair desta lição não apenas com o intelecto preenchido, mas com o coração grato, decididos a viver uma vida de obediência e pureza que reflita o caráter do Deus que nos salvou.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, 2009.
HORTON, Stanley M. (ed.). Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996. Seções de Hamartiologia e Soteriologia.
PORTO, Gabriel de Oliveira. Homem, pecado e salvação. São Paulo: GOP Publicações, 2017.
OLSON, Roger E. Teologia Arminiana: mitos e realidades. 1.ed. São Paulo: Editora Reflexões, 2013.
SOARES, Esequias (org.). Declaração de fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

Compartilhe: