O CORPO DE CRISTO
Origem, Natureza, e Vocação da Igreja no Mundo




O QUE ESTUDAREMOS?
Nesta primeira lição, abordaremos o tema da origem da Igreja. Procuraremos responder as seguintes questões: Como o povo de Deus é formado na Bíblia? Como a Igreja foi planejada por Deus? O que a Igreja de fato é?
Nossos objetivos são: Descrever a trajetória do povo de Deus na Bíblia e na história; Apresentara Igreja como criação divina; Identificar a Igreja como a comunidade de salvos. Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
ORIGEM, NATUREZA E VOCAÇÃO DA IGREJA NO MUNDO
• Origem. A origem da igreja está fundamentada na obra redentora de Jesus Cristo. Ele mesmo disse em Mateus 16.18: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. A igreja tem sua origem na morte e ressurreição de Cristo, e foi estabelecida no dia de Pentecoste.
• Natureza. A natureza da Igreja é espiritual, pois ela é formada por pessoas que nasceram de novo pela fé em Jesus. A Igreja é santa, pois ela é separada do pecado e consagrada a Deus. A Igreja é universal, pois ela abrange todos os salvos em Cristo, de todas as nações, línguas e culturas. A Igreja é local, pois ela se reúne em comunidades específicas, para adorar a Deus, edificar uns aos outros e testemunhar do evangelho.
• Vocação. A vocação da Igreja é glorificar a Deus em tudo o que faz. A Igreja é chamada a ser o sal da terra e a luz do mundo, influenciando positivamente a sociedade com os valores do Reino de Deus. A Igreja é enviada a pregar o evangelho a toda criatura, fazendo discípulos de todas as nações. A Igreja é equipada com dons espirituais, para servir uns aos outros e ao próximo com amor. A Igreja é esperançosa, pois ela aguarda a volta de Cristo, que a levará
para a glória eterna.

TEXTO ÁUREO – COMPARANDO TRADUÇÕES
Pedro respondeu: — Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo. (At 2.38 – NTLH). (Esse texto será comentado no ponto 3, subponto 3.1).
VERDADE PRÁTICA
A Igreja é a família de Deus, comprada com o sangue de Cristo e selada com o Espírito Santo.
• Família de Deus. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus (Ef 2.19 – NVI).
• O preço pago pela igreja. Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo. (1Co 6.20 – NVI). Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito (1Pe 1.18 – NVI).
• O selo do Espírito. A mesma coisa aconteceu também com vocês. Quando ouviram a verdadeira mensagem, a boa notícia que trouxe para vocês a salvação, vocês creram em Cristo. E Deus pôs em vocês a sua marca de proprietário quando lhes deu o Espírito Santo, que ele havia prometido. O Espírito Santo é a garantia de que receberemos o que Deus prometeu ao seu povo, e isso nos dá a certeza de que Deus dará liberdade completa aos que são seus. Portanto, louvemos a sua glória. (Ef 1.13,14 – NTLH).

INTRODUÇÃO
A LIÇÃO DIZ: Nesta lição, mostraremos o que a Bíblia, de fato, revela sobre a Igreja de Deus.
Veremos que a ekklesia, a Igreja de Deus, longe de ser meramente uma associação de pessoas, é uma instituição divina. Definição importante: Eclesiologia é o ramo da teologia que estuda a natureza, a origem, a estrutura e a missão da igreja cristã. Ela busca compreender a natureza da igreja como o corpo de Cristo, sua relação com Deus e com os crentes, sua função na sociedade e sua missão de proclamar o evangelho e fazer discípulos. A eclesiologia também aborda questões relacionadas à liderança eclesiástica, as ordenanças, à adoração e à comunhão dos santos. Em resumo, a eclesiologia busca compreender o significado e o propósito da igreja dentro do plano de Deus para a redenção da humanidade. Sobre a igreja, vejamos o que diz a Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, pp.
119-120): Cremos, professamos e ensinamos que a Igreja é a assembleia universal dos santos de todos os lugares e de todas as épocas, cujos nomes estão escritos nos céus […]. A Igreja foi fundada por nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ele mesmo disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Essa pedra é o próprio Cristo: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” (At 4.11), tendo a doutrina dos apóstolos por fundamento e Jesus a principal pedra de esquina: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2.20). Ela, a Igreja, é a coluna e firmeza da verdade. É a comunidade do Senhor. Além de assembleia universal dos crentes em Jesus, o vocábulo “igreja” refere-se a um grupo de crentes em cada localidade geográfica. Ensinamos que a Igreja é una e indivisível: um só corpo, um só Espírito, uma só fé e um só batismo. A Igreja envolve um mistério que não foi revelado no Antigo Testamento, mas que foi manifesto aos santos na nova aliança.











I. O POVO DE DEUS NA BÍBLIA E NA HISTÓRIA
1.1 No Antigo Testamento.
A LIÇÃO DIZ: O termo hebraico qahal é usado para se referir a um ajuntamento do povo de Deus debaixo do Antigo Pacto. Nesse aspecto, o seu uso é o de “uma convocação para uma assembleia” ou “o ato de reunir-se em assembleia”. Dessa forma, qahal é descrito como o povo reunido (Dt 4.10); congregação do povo (Jz 20.2); multidão (1 Sm 17.47 – NAA); congregação (1 Rs 8.22); congregação de Israel (1 Cr 13.2) e grande ajuntamento (Ne 5.7). O termo qahal, portanto, no contexto do Antigo Testamento, se refere ao Israel étnico, uma nação que se juntava ou reunia tanto
com fins cúlticos ou não. Prezados professores e alunos da Escola Dominical, gostaria de chamar a atenção para um ponto de extrema importância. O Pastor José Gonçalves está analisando o Antigo Testamento e destacando que, nesse período, Deus tinha um povo que não era a igreja. Isso revela sua abordagem eclesiológica, que é dispensacionalista, pois ele reconhece a distinção entre Israel e a Igreja. O livro de apoio fornece esclarecimentos adicionais sobre esse tema. Vamos agora considerar as palavras do comentarista: Convém destacar que o significado de qahal como “congregação” ou “congregação do Senhor”, embora mantenha alguma semelhança semântica com a ekklesia neotestamentária, não significa dizer que a igreja já existia no Antigo Testamento. Na verdade, qahal apenas diz que o Senhor tinha um povo debaixo do Antigo Pacto.
1.2 No Novo Testamento
A LIÇÃO DIZ: O termo grego ekklesia se refere à igreja cristã. Contudo, no contexto neotestamentário, o seu sentido diferirá do que lhe é dado no Antigo Testamento, tanto na forma como na função. Não é apenas uma raça ou nação, mas todos aqueles, de diferentes raças e nações, que foram comprados pelo sangue de Cristo (Ef 3.6; At 20.28; Ap 5.9). No subponto em questão, o professor pode ressaltar que o pastor José Gonçalves, ao definir e comparar os termos “qahal” e “ekklêsia”, chegou à conclusão de que a Igreja não existia no Antigo Testamento e que a Igreja não substituiu Israel no Plano de Deus. Portanto, Israel e a Igreja são entidades distintas, e Deus lidará com cada uma de forma singular. Vamos agora examinar o que o comentarista diz no livro de apoio: No Antigo Testamento, o uso do termo qahal refere-se ao povo de Deus no seu sentido étnico, enquanto no Novo Testamento ekklesia não possui esse sentido. A ekklesia do Novo Testamento é constituída por pessoas de todas as raças, línguas e povos (Ap 5.9). E o mais significativo é que a ekklesia no Novo Testamento tem a função de tornar-se a habitação, o templo, do Espírito Santo (1 Co 3.16), o que não acontece com o povo do Antigo Pacto. Assim, podemos destacar que, no Novo Testamento, a ekklesia refere-se a crentes nascidos de novo, e não simplesmente a um ajuntamento de pessoas. Nesse contexto, Israel e a igreja ocupam papéis distintos no plano da salvação. Uma não é a extensão do outro. Como observa Gregg R. Alisson: “ambos participam, à sua maneira, do reino de Deus e de suas bênçãos multiformes”. A igreja foi idealizada por Deus para ocupar um lugar de destaque na plenitude dos tempos (Ef 1.4). A sua importância é inegável (At 20.28). Israel, contudo, não ficou esquecido por Deus (Rm 8.25). A seu tempo, terá cumprimento aquilo que o Senhor projetou para essa nação (Rm 11.26). Justo González, em sua obra Breve Dicionário de Teologia (2009, pp. 166-167), diz:
Termo que deriva do grego ekklesia através do latim ecclesia. A disciplina teológica que estuda a igreja se chama eclesiologia. Mesmo que sempre se refira à comunidade dos fiéis, o termo “igreja” tem diversos significados segundo seu contexto. Algumas vezes se refere à congregação local, como no caso da “igreja de Éfeso” ou “a igreja se reunirá esta noite”. Outras vezes inclui todos os crentes em todas as partes, como em Efésios 3.10. Também é utilizado como nome de uma denominação ou comunidade de fé particular, como quando se fala da Igreja Assembleia de Deus ou igreja Presbiteriana. John Davis, em sua obra Novo Dicionário da Bíblia (2005, p. 593), diz: Igreja – tradução do grego ekklesia, que nos Estados da Grécia significava a reunião dos cidadãos convocados às assembleias legislativas, ou para outros fins, At 19.32,41. Os escritores sagrados empregam essa palavra para designar uma comunidade que reconhece o Senhor Jesus Cristo como supremo legislador, e que congregam para a adoração religiosa, Mt 16.18; 18.17; At 2.47; 5.11; Ef 5.23,25. Stanley Horton (Org.), em Sua Teologia Sistemática Pentecostal (1996, pp. 537-38)
complemente as definições até aqui expostas quando diz: A palavra ekklesia é empregada frequentemente com referência a todos os crentes nascidos de novo, independentemente de suas diferenças geográficas e culturais (“a Igreja do Senhor Jesus Cristo”). Mas seja como for, o significado bíblico de “igreja” refere-se primariamente não às instituições e culturas, mas sim às pessoas reconciliadas com Deus mediante a obra salvífica de Cristo.
1.3 Na história cristã.
No livro de apoio, a intenção do comentarista fica mais evidente e melhor explicada. Seu objetivo é demonstrar a diferença entre a eclesiologia católica romana e a eclesiologia protestante. Na lição, o espaço para o comentário é bem resumido, portanto, vamos nos valer de ambos os textos.
A LIÇÃO DIZ: Há quem creia que a Igreja subsiste governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele. Evidentemente, a tradição protestante rejeita esse conceito, visto que ele não reflete o contexto do Novo Testamento onde a figura do sucessor de Pedro é totalmente estranha e desconhecida. Eclesiologia Católica Romana
“A Igreja Santa, Católica, Apostólica e Romana como a mãe e mestra de todas as igrejas […] o Pontífice Romano, o sucessor do bemaventurado Pedro, chefe dos apóstolos e representante [vicarius] de Jesus Cristo […] Esta verdadeira fé católica (sem a qual ninguém pode estar em estado de salvação)” Observa-se que a igreja católica é posta como
sendo a Igreja-mãe; o Papa, como sendo o sucessor do apóstolo Pedro e vigário de Cristo, e a fé católica, como garantia de salvação. Eclesiologia Protestante A Declaração de Fé das Assembleias de Deus diz: A Igreja foi fundada por nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ele mesmo disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno
não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Essa pedra é o próprio Cristo. A igreja que persevera e vence a morte e o inferno, não poderia está fundamenta em um homem frágil. O próprios Pedro reconhece que Cristo é a Pedra (1 Pe 2.4-8). Cristo é o fundamento.








II. A IGREJA COMO CRIAÇÃO DIVINA
2.1 A Igreja como um ideal de Deus.
A LIÇÃO DIZ: Desde a eternidade, a Igreja estava no coração de Deus e foi idealizada por Ele. Em sua essência, ela é um projeto divino: “Como também nos elegeu nele [Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.4).Na sua Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo fala de um “mistério” que estava oculto (Ef 3.3-6). Esse mistério que fora revelado era exatamente a Igreja! Na mente de Deus, portanto, a Igreja já existia. Quando Deus, na sua presciência, previu a queda do homem que haveria de criar, por seu grande amor concebeu um plano de salvação para esse homem, e isso através do sacrifício do seu Filho amado (cf. Ef 1.4,5; 1 Pe 1.19,20). O Filho aceitou o plano divino. E por isso que a Bíblia diz do “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8). No seu eterno plano, Deus também determinou as bases e a forma da comunhão que deveria haver entre os que aceitassem a salvação por Jesus Cristo. Foi então que a Igreja surgiu como um plano embrionário no coração de Deus. Esse embrião se manteve “oculto em mistério” (cf. 1 Co 2.7) desde os séculos dos séculos, até que o Pai, na plenitude dos tempos, o quis revelar pelo Espírito Santo (cf. Ef 3.2-6; 1 Co 2.10).
2.2 A Igreja como uma realidade concreta.
A LIÇÃO DIZ: Como vimos, a Igreja não ficou apenas na mente de Deus; ela passou a existir de uma forma concreta. “Quando a Igreja passou a existir de fato? Quando ela se estabeleceu na sua forma concreta?” A maioria dos teólogos defende que foi no Pentecostes. A Igreja, por exemplo, não é citada nos Evangelhos de Marcos, Lucas e João. Mateus fala de sua existência, mas como um evento futuro (Mt 16.18). Nos círculos teológicos, a questão da origem exata da Igreja do Novo Testamento tem sido alvo de muitos debates. Alguns têm adotado uma abordagem bastante ampla, e sugerem que a Igreja existe desde o início da raça humana, incluindo todas as pessoas que já exerceram fé nas promessas de Deus, a partir de Adão e Eva (Gn 3.15). Outros apoiam um início veterotestamentário para a Igreja, especificamente nos relacionamentos pactuais entre Deus e o seu povo, a partir dos patriarcas e continuando durante o período mosaico. Muitos estudiosos preferem uma origem neotestamentária para a Igreja, mas neste contexto também há diferenças de opinião. Alguns, por exemplo, acreditam que a Igreja foi fundada quando Cristo começou publicamente seu ministério e chamou os 12 discípulos. Sobejam os pontos de vista, inclusive o de alguns ultradispensionalistas, que acreditam não ter a Igreja começado realmente antes do ministério e viagens missionárias do apóstolo Paulo. A maioria dos estudiosos, quer sejam seus antecedentes pentecostais, evangélicos ou modernistas, acreditam que as evidências bíblicas são favoráveis ao dia de Pentecostes, em Atos 2, para a inauguração da Igreja. O pastor José Gonçalves, como exposta na revista e no livro de apoio, segue a corrente teológica de que a igreja nasceu em Pentecostes. Essa posição é defendida por Pentecostais e Reformados. Tomando por base Efésios 3.1-6, Norman Geisler pontua algumas razões por que a igreja começou no Pentecostes: Diversos fatos deixam claro que a igreja não começou até depois da ascensão de Cristo. Primeiro, ela envolvia um “mistério”, o que significa algo antes escondido, oculto, e agora revelado. Segundo, o mistério não foi revelado até o período dos “apóstolos e profetas do Novo Testamento. Terceiro, este período teve lugar depois do Antigo Testamento, um a vez que não foi em “outros séculos” antes do período em que Paulo escreveu. Quarto, gramaticalmente, “apóstolos” e “profetas” estão ambos precedidos por um artigo (“aos seus santos apóstolos e profetas”), indicando que devem ser considerados como um a única classe. Quinto, os “apóstolos e profetas do Novo Testamento” eram a base da igreja, o que mostra que a igreja se iniciou com eles. Sexto, Cristo é a “principal pedra da esquina” (Ef 2.20), e o edifício não pode existir, a menos que a pedra da esquina esteja no lugar. Sétimo, e finalmente, Efésios 3.4,5 (juntamente com passagens paralelas) revela que esta igreja do “mistério” não existiu antes do tempo de Cristo: A igreja é o mistério de Cristo, não revelado em outras gerações “como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” […]. A igreja simplesmente não existia no Antigo Testamento. Os gentios não eram coerdeiros das bênçãos de Deus, mas estavam “separados da comunidade de Israel” (Ef 2.12); e a parede de separação que estava no meio não foi derrubada (v. 14) até que a Cruz recebesse o suporte de
Romanos 16.25,26: “[Ele] é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora”. O contraste é claro: o mistério de como judeus e gentios se uniriam em um corpo em Cristo não estava presente no Antigo Testamento, que revelou que os gentios receberiam as bênçãos do evangelho; o Novo Testamento deu a conhecer como isto seria possível (Ef 3.6). A igreja não começou até depois que Jesus veio, morreu, ressuscitou e a estabeleceu sobre o fundamento dos apóstolos.
2.3 A Igreja no Pentecostes.
A LIÇÃO DIZ: Depois do Pentecostes, Lucas destaca que “todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.47). Dessa forma, a Igreja, que existia apenas no coração e na mente de Deus, se tornava uma realidade concreta quando o Espírito Santo é derramado no Pentecostes após a ressurreição de Jesus (At 2.1,2). O livro de Atos detalha o início da igreja e sua propagação miraculosa através do poder do Espírito Santo. Dez dias após a ascensão de Jesus ao céu (At 1.9), o Espírito Santo foi derramado sobre 120 seguidores de Jesus que estavam reunidos em oração (At 1.15, 2.1-4). Esses discípulos, que anteriormente haviam tremido de medo de serem associados a Jesus (Mc 14.30, 50), foram subitamente capacitados a proclamar corajosamente o evangelho do Messias ressuscitado, validando sua mensagem com sinais milagrosos e maravilhas (At 2.4, 41, 3.6-7, 8.7). Durante a Festa de Pentecostes, milhares de judeus de todas as partes do mundo estavam em Jerusalém. Eles ouviram o evangelho em suas próprias línguas (At 2.5-8) e muitos creram (At 2.41; 4.4). Os que foram salvos foram batizados, contribuindo para o crescimento diário da igreja. Quando a perseguição começou, os crentes se dispersaram, levando a mensagem do evangelho consigo, e a igreja se espalhou rapidamente por todas as partes da terra conhecida (At 8.4; 11.19-21). O início da igreja envolveu judeus em Jerusalém, mas logo se espalhou para outros grupos de pessoas. Em Atos 10, Deus deu a Pedro uma visão que o ajudou a compreender que a mensagem de salvação não se limitava aos judeus, mas estava aberta a todos que acreditassem (At 10.34-35, 45). As experiências de salvação do eunuco etíope (At 8.26-39) e do centurião italiano Cornélio (Atos 10) convenceram os crentes judeus de que a igreja de Deus era mais ampla do que
imaginavam. O chamado milagroso de Paulo no caminho de Damasco (At 9.1-19) preparou o terreno para uma difusão ainda maior do evangelho entre os gentios (Rm 15.16; 1 Tm 2.7). Millard J. Erickson observa que Lucas não emprega ekklêsia no seu evangelho, mas a palavra aparece 24 vezes em Atos dos Apóstolos. Este fato sugere que Lucas não tinha nenhum conceito da presença da Igreja antes do período abrangido em Atos. Imediatamente após aquele grande dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre os crentes reunidos, a Igreja começou a propagar poderosamente o Evangelho, conforme fora predito pelo Senhor ressurreto em Atos 1.8. A partir daquele dia, a Igreja continuou a propagar-se e a aumentar no mundo inteiro, mediante o poder e orientação daquele mesmo Espírito Santo.





III. A IGREJA COMO A COMUNIDADE DOS SALVOS
3.1 Regenerados pelo sangue de Cristo.
A LIÇÃO DIZ: No Pentecostes, o apóstolo Pedro disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados” (At 2.38). Com essas palavras, o apóstolo Pedro estava dizendo como se dá o ingresso de uma pessoa na Igreja, ou seja, por meio do arrependimento e do batismo. A Igreja é uma comunidade cristã formada por pessoas regeneradas que fizeram uma pública profissão de fé. O ingresso de alguém à Igreja não se dá por adesão, mas pela conversão. É exatamente esse o sentido da palavra grega metanoeo, traduzida aqui por arrependimento. Significa uma mudança de mente. Assim, a Igreja é formada por pessoas que estavam no pecado, a caminho da condenação eterna, mas que, graças ao Evangelho, tiveram suas vidas transformadas. Duas promessas são feitas aos arrependidos, uma relacionada ao passado e outra ao futuro: remissão de pecados e dom do Espírito Santo. O acesso à igreja de Cristo se dá por meio do arrependimento e da conversão, ou seja, pelo novo nascimento. Jesus ensinou a um homem chamado Nicodemos: Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus. Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhe digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. (Jo 3.3,5 – NVI). Nicodemos fazia parte da sinagoga, era membro do Sinédrio, mas não membro da igreja de Cristo (Me permita o anacronismo).
3.2 Selados pelo Espírito Santo.
A LIÇÃO DIZ: Já foi dito que a Igreja tem sua origem no dia de Pentecostes. Por meio do Espírito de Deus, somos batizados no Corpo de Cristo, a Igreja, então, passamos a fazer parte dela. É exatamente isso o que o apóstolo Paulo diz aos Coríntios na sua Primeira Carta: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (1 Co 12.13). Diferença entre bastimos em águas e o batismo do Espírito Santo: O batismo do Espírito Santo é a operação divina por meio da qual o cristão se torna parte do Corpo de Cristo. Não é sinônimo do batismo com água, como deixam claro Mateus 3.11; João 1.33 e Atos 1.5. Por exemplo, geralmente, os candidatos ao batismo em águas já são pessoas convertidas que foram batizadas pelo Espírito no corpo de Cristo. O batismo em águas é uma declaração pública de fé e o meio pelo qual o crente ingressa como membro na igreja local. Assim como muitos irmãos, antes do batismo nas águas já fazem parte do corpo de Cristo, ou seja, são membros da igreja invisível, muitos se batizam nas águas, passam a fazer parte da igreja local, mas não da igreja espiritual. O batismo nas águas não é sinônimo de salvação.
3.3 O Batismo de Cristo e do Espírito.
Quando recebemos a Cristo como Salvador, é o Espírito Santo que nos batiza no Corpo de Cristo. Esse é um batismo de iniciação. Ele faz de nós membros do Corpo de Cristo. A igreja, isto é, o Corpo de Cristo, é o elemento em que somos batizados, e o Espírito Santo (1 Co 12.13) é o agente desse batismo. Por outro lado, o batismo no Espírito, no qual Cristo é o agente, é um batismo de capacitação (At 2.1-4; 10.44-46; 19.1-6). São, portanto, duas coisas diferentes.

CONCLUSÃO
Em resumo, vimos que:
a. O desenvolvimento do povo de Deus é mostrado ao longo da Bíblia e da história cristã.
b. A Igreja surgiu como o ideal de Deus na eternidade e tornou-se realidade concreta no Pentecostes.
c. Como comunidade dos salvos, a Igreja é a reunião dos regenerados pelo sangue de Cristo e selados pelo Espírito
A LIÇÃO DIZ: Nesta lição vimos como surgiu a Igreja fundada por Jesus Cristo. Ela existiu, primeiramente, no plano de Deus até se estabelecer no Novo Testamento após a morte, ressurreição de Cristo e a infusão dos Cristãos no Corpo de Cristo por meio do Espírito Santo. A Igreja, portanto, não foi idealizada por homem algum, nem tampouco está fundada sobre teses humanas. O seu fundamento é Cristo, que é a cabeça da Igreja. Por isso, é um grande privilégio fazer parte da Igreja, o Corpo de Cristo. Três pontos se destacam ganham ênfase na conclusão:
• Origem divina da Igreja. A lição nos levou a compreender que a Igreja não é uma instituição humana, mas sim uma criação de Deus. Sua fundação está enraizada no plano divino, e sua manifestação no Novo Testamento é resultado da obra redentora de Cristo e da atuação do Espírito Santo.
• Fundamento em Cristo. A lição enfatizou o fato de que a Igreja tem Cristo como seu fundamento nos levando a refletir sobre a importância de manter Jesus como o centro de nossa fé e prática cristã. Isso nos desafia a buscar uma comunhão mais profunda com Cristo e a viver de acordo com os princípios que ele estabeleceu para a sua Igreja.
• Privilegio de pertencer à Igreja. A lição ressaltou o privilégio de fazer parte da Igreja, o Corpo de Cristo. Devemos valorizar a comunhão e a participação ativa na vida da Igreja.
















