AS PROMESSAS DE DEUS
Confie e Viva as Bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu









O QUE ESTUDAREMOS?
Nesta lição, veremos que a Bíblia descreve uma paz que excede todo o entendimento humano. Esta paz faz parte do plano de Deus para a humanidade. Infelizmente, ela foi interrompida no jardim do Éden por conta do pecado original. Mas Jesus, o Príncipe da Paz, prometeu resgatá-la, reconciliando o ser humano novamente com Deus por meio de seu sacrifício na cruz.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES
“Eu lhes deixo um presente, a minha plena paz. E essa paz que eu lhes dou é um presente que o
mundo não pode dar. Portanto, não se aflijam nem tenham medo. (Jo 14.27 NVT). Uma pessoa que está para morrer normalmente escreve um testamento final no qual deixa suas posses aos entes queridos. Aqui o Senhor Jesus estava fazendo exatamente isso. Porém, ele não transmitiu coisas materiais, mas algo que o dinheiro não poderia comprar: paz, paz interior que vem da consciência de um sentimento de pecado perdoado e de reconciliação com Deus. Cristo pode dá la, porque a comprou com seu próprio sangue no Calvário. Não é dada como a dá o mundo, de forma reduzida, egoísta e efêmera. Sua dádiva de paz é para sempre. MacArthur fala sobre quatro características dessa paz que Cristo dá: 1) a natureza da paz: Deixo vos a paz […]; 2) a fonte da paz: […] a minha paz vos dou […]; 3) o contraste da paz: […] Eu não a dou como o mundo a dá […]; 4) a perverança na paz: […] Não se perturbe o vosso coração nem tenha medo.

VERDADE PRÁTICA
A Paz do Senhor Jesus traz quietude e calma para a nossa alma, principalmente, nos momentos difíceis da vida.
Vamos explicar a verdade prática em três pontos:
1. “A Paz do Senhor Jesus”. O início dessa frase nos lembra que a verdadeira paz não é a que o mundo pode oferecer, mas sim aquela que vem de Jesus.
2. “traz quietude e calma para a nossa alma”. Quando permitimos que a paz de Jesus habite em
nós, ela traz uma quietude que o mundo não entende.
3. “principalmente, nos momentos difíceis da vida”. É nos momentos de prova, de dor, e de incertezas que essa paz se torna mais evidente e mais necessária. Quando tudo ao nosso redor parece ruir, é então que descobrimos a verdadeira profundidade da paz de Jesus.






I. A PAZ NO PLANO DE DEUS
1.1 O significado de paz.
A LIÇÃO DIZ: No dicionário, encontramos os seguintes sinônimos para a palavra “paz”: “tranquilidade”, “repouso”, “silêncio”, “sossego”. No Antigo Testamento, encontramos a palavra “shalom” para “paz”, que tem o sentido de segurança, bem-estar, saúde, prosperidade, paz (Nm 6.26); representando tudo o que há de melhor para a vida. No Novo Testamento, em grego, a palavra “paz” é “eirene”, com significado semelhante, contudo, enfatizando a ideia de quietude e repouso (Fp 4.6). A palavra “paz” é uma das mais profundas e ricas em significado nas Escrituras, representada no Antigo Testamento pela palavra hebraica shalom e no Novo Testamento pela palavra grega eirene. Ela não se limita à ausência de conflitos ou guerras, mas abrange um conceito muito mais amplo que envolve plenitude, bem-estar, harmonia e saúde espiritual.
1. A Paz como Bem-Estar Integral (Shalom). No Antigo Testamento, shalom é frequentemente usado para expressar um estado de bem-estar e prosperidade. Não é apenas um sentimento, mas um estado que reflete a saúde física, emocional, espiritual e relacional (Is 48.18). Shalom também era uma saudação comum entre os judeus: “A paz seja contigo” (Gn 43.23), significando um desejo de prosperidade e segurança para a pessoa cumprimentada. Essa saudação revela a dimensão da paz como um estado de vida plena e abençoada por Deus.
2. A Paz no Relacionamento com Deus. A verdadeira paz, segundo as Escrituras, é um dom divino (Is 45.7). Deus é chamado de “o Deus da paz” (Rm 15.33; Fl 4.9). No centro da mensagem bíblica está a ideia de que, por meio da obra redentora de Cristo, a barreira que existia entre Deus e a humanidade foi destruída. O pecado que nos separava de Deus foi reconciliado pela morte de Cristo, que é chamado de “nossa paz” (Ef 2.14). Assim, quem coloca sua confiança em Cristo pode experimentar a paz com Deus (Rm 5.1).
3. Paz Interpessoal e coletiva. A paz nas Escrituras não se limita ao relacionamento com Deus,
mas se estende aos relacionamentos interpessoais. No Antigo Testamento, vemos exemplos de alianças de paz entre homens e nações (Js 9.15; Pv 16.7). No Novo Testamento, o apóstolo Paulo exorta os cristãos a viverem em paz uns com os outros (Ef 4.3), buscando sempre a unidade do Espírito. Essa paz interpessoal é evidenciada pelo fruto do Espírito Santo que habita no coração dos crentes (Gl 5.22). O crente é chamado a ser um pacificador (Mt 5.9), promovendo a paz não só dentro da Igreja, mas também na sociedade, através de suas ações e orações (1 Tm 2.2).
4. A Paz como Esperança Futura. A Bíblia ensina que a paz completa e final só será plenamente realizada no reino vindouro de Cristo. O triunfo final do “Deus da paz” será manifesto quando Satanás for finalmente derrotado (Rm 16.20) e quando todo o universo for restaurado à harmonia original (Rm 8.20-22). A paz que temos em Deus nos dá serenidade, confiança e esperança, mesmo em um mundo marcado por conflitos e desafios.
1.2 A Paz na bênção sacerdotal.
A LIÇÃO DIZ: Os versículos 24-26 de Números 6 expressam a bênção sacerdotal sobre os filhos de Israel. Entre a bênção de proteção, benevolência e de misericórdia, encontra-se a bênção de paz (v.26). O sentido de paz que a palavra hebraica shalom carrega é de completude, satisfação e plena felicidade. Trata-se de uma bênção em que a ansiedade, a tensão e a contenda não teriam vez entre os filhos de Israel. A paz, em Números 6, revela um estado de plena satisfação em Deus a qual o povo judeu poderá desfrutar na sua peregrinação pelo deserto e ao entrar na Terra Prometida.
O texto Bíblico nos diz:
O Senhor disse a Moisés: — Fale com Arão e com os seus filhos, dizendo que abençoem os filhos de Israel do seguinte modo: “O Senhor os abençoe e os guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vocês e tenha misericórdia de vocês; o Senhor sobre vocês levante o seu rosto e lhes dê a paz.” (Nm 6.22-26 NAA). O famoso evangelista D. L. Moody gostava muito dessa passagem bíblica. Ele escreveu: Eis uma bênção para todo o mundo, a qual pode ser impetrada a todo tempo sem nunca perder a força. Que todo coração possa dizer: estas são as palavras de Deus; que toda carta seja assim concluída; que os dias comecem dessa maneira e as noites sejam santificadas com tais palavras. São bênçãos, alimento, luz; edificam nossa vida medíocre com o júbilo do alvorecer celestial. É o próprio Senhor que nos oferece esse compasso musical de seu infinito coral celeste.
Pontos a se considerar:
1. O SENHOR te abençoe e te guarde (24). “A bênção de Deus é a bondade de Deus em ação”, disse João Calvino. Esta bênção é a garantia da proteção de Deus e de sua mão estendida sobre as pessoas que lhe pertencem. A bênção não abrangia apenas os aspectos físicos da vida (Sl 91), mas também dizia respeito às questões espirituais mais profundas (Jo 17.9-15; 1 Ts 5.23).
2. O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti (25). O rosto de Deus é sua presença voltada em direção ao homem ou desviada dele. Os israelitas sempre foram incansavelmente lembrados do favor de Deus pela representação do rosto divino voltado em direção a eles e pela presença e glória celestiais em seu meio. Quando o rosto de Deus está voltado favoravelmente para o homem, há perdão; a graça de Deus é estendida para satisfazer a necessidade humana (Sl 21.6; 34.15).
3. SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz (26). Este é o ser total de Deus que se põe em ação pela salvação do seu povo. O resultado é paz; o tipo de paz que vem, não pela disciplina da mente humana, mas pela presença do Espírito Santo de paz (Jo 14.26,27).
1.3 A Paz do Senhor.
A LIÇÃO DIZ: O Texto Áureo traz consigo a Paz do Senhor Jesus, em que nos lembra uma das principais características do Messias: “o Príncipe da Paz” (Is 9.6). Por que temos o costume de cumprimentar uns aos outros com a paz do Senhor? Esse cumprimento é semelhante à forma como o apóstolo Paulo cumprimentava os irmãos no início e no fim e no início de suas cartas. Por exemplo, em 2 Tessalonicenses 1.2, Paulo escreveu: “Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo, graça e paz a vós outros, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.” Mas o que significa esse cumprimento? Precisamos entender o significado dessa expressão para não permitirmos que essas palavras sejam ditas apenas por causa do hábito, precisamos entendêlas, a fim de que possamos expressar por elas um sentimento verdadeiro. Em Colossenses 3.15, Paulo encoraja os cristãos a deixarem que a paz de Deus domine no coração deles. A palavra grega empregada par a “domine” (do grego, brabeuo) significa agir como árbitro ou arbitrar. Portanto, a paz do Senhor deve agir como nosso árbitro quando a raiva, a inveja e outros sentimentos impetuosos surgem em nosso coração. Sendo assim, quando algum sentimento ou pensamento passar por nós tentando tirar a nossa paz, devemos permitir que o árbitro apite e dê cartão vermelho alertando que aquele sentimento ou pensamento não pode agir em nós. Quando desejamos a paz do Senhor para alguém que ainda não O conhece verdadeiramente, devemos expressar as palavras no sentido de desejar que essa pessoa reconheça a obra de Cristo na cruz e saiba que por aquele obra ela pode se reconciliar com Deus e ter uma vida plena de paz. Quando desejamos a paz do Senhor para um irmão em Cristo, devemos expressar a afirmação de que esse irmão já está reconciliado com Deus, por isso pode ter a paz de Deus, que excede todo o entendimento (Fl 4.7). Sempre que você desejar a paz do Senhor para alguém, faça-o com entendimento, lembrando-se de que por essas palavras você pode abençoar as pessoas, desejando que elas vivam na paz de Deus, que revela a verdadeira prosperidade. Quando você sentir raiva, ódio, amargura ou qualquer sentimento que perturbe seus pensamentos e suas emoções, lembre-se de que você tem a paz do Senhor e por isso você pode viver em tranquilidade desfrutando da paz que o Senhor dá a você.






II. A PAZ ILUSÓRIA DO MUNDO
2.1 Uma paz enganosa.
A LIÇÃO DIZ: Muitos buscam a paz nos vícios, em substâncias tanto ilegais quanto legalizadas,
nos jogos, nas baladas, em falsas religiões. Ao longo da história, as pessoas procuram sempre preencher uma lacuna em suas vidas com aquilo que não tem a capacidade de preenchê-las. Lendo esse subponto, me recordei de um homem que buscou intensamente paz e alegria nas coisas deste mundo, mas tudo o que encontrou foi vazio e aflição de espírito. Leia com muita atenção o texto bíblico a seguir: Então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida. Mas descobri que isso também é ilusão. Cheguei à conclusão de que o riso é tolice e de que o prazer não serve para nada. Procurei ainda descobrir qual a melhor maneira de viver e então resolvi me alegrar com vinho e me divertir. Pensei que talvez fosse essa a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a sua curta vida aqui na terra. Realizei grandes coisas. Construí casas para mim e fiz plantações de uvas. Plantei jardins e pomares, com todos os tipos de árvores frutíferas. Também construí açudes para regar as plantações. Comprei muitos escravos e além desses tive outros, nascidos na minha casa. Tive mais gado e mais ovelhas do que todas as pessoas que moraram em Jerusalém antes de mim. Também ajuntei para mim prata e ouro dos tesouros dos reis e das terras que governei. Homens e mulheres cantaram para me divertir, e tive todas as mulheres que um homem pode desejar. Sim! Fui grande. Fui mais rico do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, e nunca me faltou sabedoria. Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa. Mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento. (Ec 2.1-11 NTLH). No final do livro, ele conclui: De tudo o que foi dito, a conclusão é esta: tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos porque foi para isso que fomos criados. Nós teremos de prestar contas a Deus de tudo o que fizermos e até daquilo que fizermos em segredo, seja o bem ou o mal. (Ec 12.13,14 NTLH). A paz do mundo é enganosa.
2.2 A “paz” das obras da carne.
A LIÇÃO DIZ: A Carta aos Gálatas apresenta uma lista das “obras da carne” que, muitas vezes, expressa a ilusão de uma falsa paz na vida das pessoas, e muitas confundem o prazer e os deleites da vida com a paz (Gl 5.19-21). Na verdade, é uma satisfação que ocorre por meio dos sentidos e, logo, se volta ao estágio de necessidade anterior. Assim, quem vive na prática das Obras da Carne imagina que desfruta de uma pretensa paz e, como consequência, pensa que vive uma vida feliz. Ledo engano! É impossível desfrutar da verdadeira paz que o Senhor Jesus oferece quando se viva na prática do pecado. Quem vive assim está se enganando, atendendo à vontade do Mundo, da Carne e do Diabo (Ef 2.3). Em Lucas 15, na parábola do filho pródigo, vemos um exemplo claro de alguém que busca a paz e realização em prazeres passageiros. O jovem deseja satisfazer seus desejos carnais e se afasta do pai, gastando tudo o que tinha em uma vida de excessos. Porém, quando a alegria passageira acabou, ele se encontrou em um lugar de grande sofrimento, distante da verdadeira paz que seu pai poderia oferecer. A verdadeira paz não está nos prazeres temporários, mas na presença de Deus. Não se engane! Os prazeres do mundo podem parecer atraentes, mas não trazem a paz que você tanto busca. A paz que vem de Deus é duradoura, enquanto o prazer que o pecado oferece é efêmero e vazio.
2.3 Uma falsa paz.
A LIÇÃO DIZ: Ensinando à igreja em Tessalônica, a respeito do Dia do Senhor, o apóstolo Paulo escreveu: “Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão” (1 Ts 5.3). Aqui, somos lembrados de uma falsa paz que haverá na Grande Tribulação. Uma paz superficial, frágil e apenas aparente. Quem se compromete com a falsa paz não saberá discernir os tempos de oposição tanto no presente quanto no futuro. Mas com Jesus, desfrutamos de uma paz verdadeira e duradoura. O comentarista, neste subponto, olha para o assunto de forma escatológica. Ele contempla o momento da grande tribulação e expõe como a falsa paz é enganosa. Jesus, em Lucas 17.26-30, faz uma comparação semelhante ao falar sobre os dias de Noé e Ló. Nos dias de Noé, as pessoas estavam comendo, bebendo e vivendo normalmente, até que o dilúvio veio e os pegou de surpresa. Da mesma forma, nos dias de Ló, as pessoas estavam ocupadas com suas rotinas diárias até que a destruição de Sodoma e Gomorra aconteceu. Essa “paz e segurança” era falsa e temporária, sem perceberem que o julgamento de Deus estava prestes a se abater sobre elas. Cuidado para não ser enganado com falsa paz, achando que, mesmo vivendo no pecado, está tudo bem.





III. A PAZ QUE JESUS PROMETEU
3.1 O Príncipe da Paz.
A LIÇÃO DIZ: O Profeta Isaías teve a revelação divina das características do Messias prometido a Israel e ao mundo. Uma de suas principais características é ser “O Príncipe da Paz” (Is 9.6,7). A vinda do Messias trará uma paz que o mundo não conheceu. Os Evangelhos apresentam o Senhor Jesus, o nosso Salvador, como esse “Príncipe da Paz”. Vamos entender melhor o texto de Isaías 9.6,7:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu”. A primeira oração se refere à humanidade de Cristo, e a segunda, a sua divindade. A parte seguinte do versículo aponta para o futuro, para o segundo advento.
• O governo está sobre os seus ombros: reinará como Rei dos reis e Senhor dos senhores. O restante do versículo descreve suas glórias pessoais.
• E o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro. Em algumas versões (p. ex., RC), as duas palavras aparecem separadas por vírgula, considerando Maravilhoso substantivo, e não adjetivo, numa referência à pessoa e obra de Cristo. Conselheiro diz respeito a sua sabedoria Mpara governar.
• Deus Forte. O Rei supremo onipotente.
• Pai da Eternidade. O termo “Pai” também pode ser traduzido por “Fonte”. Uma vez que ele próprio é eterno, Cristo tem poder para conferir vida eterna àqueles que creem nele.
• Príncipe da Paz (Sar-Shālôm). Aquele que enfim trará paz a este mundo atribulado.
3.2 Uma promessa redentora.
A LIÇÃO DIZ: Em Gênesis, a paz foi transtornada por causa da estratégia do Diabo que iludiu o primeiro casal, fazendo-o desobedecer à ordem de Deus (Gn 3.1-7). Nesse contexto, Deus prometeu redimir o ser humano por meio da “semente da mulher” (Gn 3.15). Essa promessa se cumpriu em Cristo, reconciliando-nos e estabelecendo a nossa paz com Deus (Rm 5.1). A história da humanidade começou em um estado de perfeita paz no Jardim do Éden. Deus criou o homem e a mulher, colocando-os em um ambiente de harmonia e comunhão direta com Ele. No entanto, essa paz foi quebrada pela estratégia do Diabo, que enganou o primeiro casal, levando-os à desobediência (Gn 3.1-7). Como consequência, o pecado entrou no mundo, trazendo separação entre Deus e o homem, e transtornando toda a criação. Em Gênesis 3.15, vemos a primeira promessa de redenção. Deus declara que a “semente da mulher” esmagaria a cabeça da serpente. Esse é o primeiro vislumbre do plano divino de restaurar a paz perdida. Essa promessa é um prenúncio da vinda de Cristo, que traria reconciliação e a restauração da paz. A promessa feita em Gênesis se cumpriu plenamente em Jesus Cristo, que trouxe paz ao reconciliar-nos com Deus. Em Romanos 5.1, Paulo afirma: “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.”
3.3 Uma promessa que excede todo o entendimento.
A LIÇÃO DIZ: A paz que excede todo o entendimento nos acalma diante das inquietações da vida (Fp 4.6). Essa paz acalmará o nosso coração, nos fortalecerá para resistir às intempéries diante de nós, assim como aconteceu com o apóstolo Pedro que, mesmo preso numa cadeia típica do primeiro século, dormia um sono profundo e sereno (At 12.5-7). Esse episódio está de pleno acordo com o que o Senhor Jesus prometeu: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). Mesmo diante de aflições e lutas, podemos confiar no Senhor e experimentar a paz que só Ele pode nos dar. Portanto, confiemos nas promessas de Jesus, bem como em sua providência!
O apóstolo destaca três verdades importantes sobre a paz:
Em primeiro lugar, a paz que recebemos é uma paz divina, e não humana (4.7). É a paz de Deus. A paz de Deus não é paz de cemitério. Não é ausência de problemas. Essa paz não é produzida por circunstâncias. O mundo não conhece essa paz nem pode dá-la (Jo 14.27). Governos humanos não podem gerar essa paz. Essa paz vem de Deus. Bruce Barton afirma: “A verdadeira paz não é encontrada no pensamento positivo, na ausência de conflito, ou em bons sentimentos; ela procede do fato de saber que Deus está no controle”.
Em segundo lugar, a paz de Deus transcende a compreensão humana (4.7). Essa paz é transcendente. Ela vai além da compreensão humana. A despeito da tempestade do lado de fora, podemos desfrutar bonança do lado dentro. Ela coexiste com a dor, com as lágrimas, com o luto e com a própria morte. Essa é a paz que os mártires sentiram diante do suplício e da morte. Essa é a paz que Paulo sentiu ao caminhar para a guilhotina, dizendo: “A hora da minha partida é chegada. Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé. Agora, a coroa da justiça me está guardada…” (2Tm 4.6–8). Em terceiro lugar, a paz de Deus é uma sentinela celestial ao nosso redor (4.7). A palavra grega frourein é um termo militar para estar em guarda. Assim, “guardar” traz a ideia de uma sentinela, um soldado na torre de vigia, protegendo a cidade. A paz de Deus é como um exército protegendo-nos dos problemas externos e dos temores internos. Paulo diz que essa paz guarda os nossos corações (sentimentos errados) e nossas mentes (pensamentos errados), as nossas emoções e a nossa razão.

CONCLUSÃO
Vimos que a paz de Deus tem a ver com bem-estar, repouso e quietude, mesmo nas horas de grandes tormentos. Contrastamos essa perspectiva de paz com a do mundo que compreende que a paz é a mera ausência de guerra ou se resume a períodos limitados de prazeres. Aprendemos que a Paz de Deus é uma virtude profunda, elevada e eterna. Não se trata de algo passageiro, mas de um estado permanente, que independe das circunstâncias. É a paz que Jesus prometeu.











REFERÊCIA BIBLIOGRAFICA
• ANDRADE, Claudionor de. Dicionário teológico. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
• VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE Jr.; William. Dicionário Vine. Rio de janeiro: CPAD,
2002.









