29 de junho de 2026 19:44

APRENDIZAGEM COMO PROCESSO CONTÍNUO À MATURIDADE ESPIRITUAL

O ensino da EBD no desenvolvimento do intelecto cristão 

 A aprendizagem é um processo ou caminho para a formulação de idéias e conceitos que nos permitem adquirir o conhecimento. A instrução tem vínculo com o aprender, isto é, a capacidade de adquirir conhecimento por meio de estudo, observação ou experiência. Já o conceito de aprendizagem bíblica nos remete ao processo dinâmico do estudo, da compreensão e da prática das verdades contidas nas Sagradas Escrituras. Esse processo deve ser continuo e progressivo, considerando as limitações da mente humana ao acessar a revelação bíblica (Os 6.3). 

Como nossa ênfase está na aquisição da maturidade espiritual, é preciso definir o termo maturidade. Do ponto de vista físico, a maturidade é o estado ou qualidade de quem já se desenvolveu plenamente, aproximando-se da perfeição, que é o alvo de todo e qualquer crescimento, seja físico, mental, moral o espiritual. Um crente que é maduro apresenta marcas perceptíveis de um viver produtivo no Senhor, como amor pela Sua Palavra, vida santificada e uma conduta digna do nome de Cristo.  Dentre todos os requisitos para se alcançar a maturidade espiritual, a aprendizagem bíblica como um processo continuo tem relevante destaque, pois o responsável pelo processo de amadurecimento não é o tempo, mas a busca do pleno conhecimento do Senhor Jesus Cristo (2Pe 3.18). O salmista deixou registrado: “Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos. Sou mais prudente do que os velhos, porque guardo os teus preceitos” (Sl 119.99,100). O escritor da carta aos Hebreus declara: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitas de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus…” (Hb 5.12). Por essa razão, cremos que o amadurecimento do crente acontece à medida que ele se propõe a aprender sistematicamente a Palavra de Deus. Contudo, o aprendizado bíblico acontece por mediação de agentes educativos, bem como pela busca pessoal do conhecimento da Palavra de Deus. 

Família 

No Antigo Testamento, o ensino da Palavra de Deus estava intimamente ligado ao contexto familiar. Quando Moisés reiterou a Lei ao povo hebreu, ele exortou os hebreus, dizendo: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6.6-9). O ensino da Palavra de Deus deveria ser tarefa primordial dos pais aos filhos (Sl 103.13; Pv 22.6), para que aprendessem a temer ao Senhor bem como a andar nos Seus estatutos (Dt 10.12; Ef 6.4). 

Já nos tempos do Novo Testamento, a educação bíblica e teológica se tornou mais formal, ao ponto de o menino judeu começar a ler as Escrituras aos cinco anos, estudar a Lei aos 10 anos e com 13 anos fazer o Bar Mitzvah, que em hebraico significa “filho do mandamento”. Temos o exemplo de Timóteo, que veio a ser o pastor local da igreja de Éfeso, porém teve a sua formação nas sagradas letras iniciada anda na infância. O apóstolo Paulo exortou o seu querido discípulo, dizendo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3.14,15). Não se sabe ao certo de “quem” Timotéo recebeu toda a sua instrução, no entando sua fé teve como modelo a sua avó Lóide e a sua mãe Eunice, bem como o porprio Paulo (2Tm 1.5; 3.10). Aos irmãos de Éfeso, Paulo exortou: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4).  

Igreja 

No escopo da Grande Comissão outorgada pelo Senhor Jesus aos Seus discípulos, temos a função proclamadora (kerigma) e a função educadora (didásko) da Igreja: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém!” (Mt 28.19,20). Sendo assim, é tarefa da igreja ensinar todos os que se convertem a Cristo, conduzindo-os ao processo do discipulado bíblico cristão. 

Para os novos convertdos em Cisto, a aprendizagem bíblica como um processo contínuo terá seu inicio com “os primeiros rudimentos das palavras de Deus” (Hb 5.12), os quais são também conhecidos como “leite” (1Co 3.2; Hb 5.12c) e “leite racional não falsificado” (1Pe 2.2), isto é, o alimento adequado para alguém que tenha nascido de novo (Jo 3.3).  Contudo, a mesma Epístola aos Hebreus deixa claro que é preciso avançar: “Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição…” (Hb 6.1). Perfeição a que é derivado do adjetivo grego teleios , que significa “completo”, “adulto”, “maduro”, “homem”, “perfeito”. À medida que o crente vai crescendo, ele precisa fazer a transição do “leite” para o “manjar”, que também é conhecido como “alimento sólido” (1Co 3.2; Hb 5.11-14). Fica subentendido que esse processo é gradual e sistemático, e que se for seguido com a devida constância, levará à maturidade espiritual. 

Pois bem, como um agente educativo, de que maneira a igreja atua nesse processo de aprendizagem continuada? Certamente por meio do discipulado, onde proporcionará a íntima relação de mestre e discípulo aos que quiserem apender de Cristo (Mt 11.29). Na etimologia latina da palavra “discipulado”, o termo é discipulatus, que significa “reunião de estudantes, classe em que muitos aprendem”. É nesse contexto que entra a atuação dos ministros do Senhor Jesus: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não sejamos mais como meninos, arrastados pelas ondas e levados de um lado para outro por qualquer vento de doutrina, pela artimanha dos homens, que pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.11-14, ARA). 

Os ministros de Cristo, em especial aos mestres, atuam na educação dos crentes dentro da realidade das igrejas em que atuam, seja por meio dos cultos de ensino, da Escola Dominical ou até mesmo dos institutos bíblicos e teológicos. Tudo isso “para que não mais sejamos como meninos…” (Ef 4.14). 

 Busca Pessoal 

A busca pessoal pelo conhecimento da Palavra de Deus é um sinal claro do crescimento espiritual do crente. O salmista declarou: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97). Precisamos nos alimentar diariamente da Palavra de Deus a fim de que possamos viver a plenitude da vida em Cristo (Cl 3.16). 

Paulo aconselhou Timóteo quanto a esse aspecto do aprendizado bíblico: “Persiste em ler” (1Tm 4.13). Certamente, ele se referia à disciplina espiritual da leitura e meditação da Palavra de Deus, tão necessária não só aos obreiros, mas a todos os crentes. Essa era uma prática pessoal de Paulo: “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos (2Tm 4.13). Todo crente precisa manifestar interesse na busca do conhecimento das Sagradas Escrituras. Assim sendo, sigamos o exemplo de Esdras: “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos” (Ed 7.10). 

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