Os ortopedistas, que participariam de um congresso, foram vítimas de mais de 30 tiros. A principal linha de investigação é de que os médicos tenham sido confundidos com milicianos por traficantes.
Por Jornal Nacional
Três médicos foram assassinados a tiros na madrugada desta quinta-feira (5) em um quiosque na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um outro médico, também baleado, segue internado. A principal linha de investigação é de que os médicos tenham sido confundidos com milicianos por traficantes.Uma ação de 30 segundos. O carro branco parou e rapidamente três homens desceram, atravessaram a ciclovia armados com pistolas e atiraram. Dois criminosos chegaram a voltar para perto do carro, mas logo retornam fazendo disparos assim que o terceiro bandido recuou. Eles teriam visto uma das vítimas tentando se proteger. O quarto bandido dirigia o veículo e ficou o tempo todo dentro do carro.Os alvos do bando foram quatro médicos que estavam em um quiosque na praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Segundo a perícia, eles atiraram, pelo menos, 33 vezes. Nada foi roubado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/B/y/ICjrHSRYWzBQjbLBSONQ/globo-canal-4-20231005-2000-frame-59629.jpeg)
Assassinato de 3 médicos no Rio assusta um país inteiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
“Não teve conversa, não teve voz de assalto nem nada. Simplesmente chegaram e atiraram. E foi muito, muito rápido. Assim, em questão de 30 segundos já tinha acontecido tudo”, conta uma testemunha.
Os médicos Marcos de Andrade Corsato, de 62 anos, Perseu Ribeiro Almeida, de 33, morreram na hora, e Diego Ralf Bomfim, de 35 anos, assim que deu entrada no hospital. Ele é irmão da deputada federal Sâmia Bomfim, do PSOL de São Paulo e cunhado do deputado federal Glauber Braga, do PSOL do Rio. Daniel Sonnewend Proença, de 32 anos, sobreviveu. Ele levou três tiros, passou por uma cirurgia nas pernas e segue internado. O grupo tirou uma foto momentos antes do crime. O ataque foi em uma das avenidas mais importantes da Barra, a Lúcio Costa, que margeia toda a praia. O carro dos bandidos parou bem em cima de uma faixa de pedestres. Os médicos conversavam em uma mesa. Eles estavam hospedados em um hotel do outro lado da rua, onde participariam de um congresso internacional de ortopedia, que começou na manhã desta quinta-feira (5). A brutalidade do caso deixou uma amiga dos médicos indignada. Ela também está no Rio para o congresso.
“A gente fica apavorado de vir para um evento importante, mundial, está todo mundo animado pensando que vai estudar, crescer, desenvolver a medicina, e a gente acorda com a notícia de que colegas super importantes foram assassinados de forma violenta e injustificada. A sociedade acorda triste, agredida, violentada e perdida com a morte desses colegas”, afirma a médica Tania Mann.
Investigação
Uma gravação de áudio é a pista que pode levar a polícia até os criminosos.
A principal linha de investigação indica que um dos médicos assassinados pode ter sido confundido por traficantes. O alvo do bando seria o miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, que tem características parecidas com as do médico Perseu Ribeiro de Almeida. Taillon conseguiu liberdade condicional há 13 dias, depois de ficar 2 anos e 9 meses preso por associação criminosa armada. O documento expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mostra que Taillon mora em um condomínio na mesma avenida Lúcio Costa, a poucos metros do quiosque. A execução teria sido ordenada por traficantes da maior facção criminosa do Rio. Para tentar chegar aos assassinos, a polícia usou informações da força tarefa que investiga a guerra entre traficantes e milicianos pelo controle de comunidades da Zona Oeste da cidade. A polícia obteve uma gravação em que o traficante Juan Breno Malta, o BMW, tenta falar com um comparsa para saber onde será o local do ataque. Posto 2 é um posto de salva-vidas na orla perto do quiosque onde os médicos foram executados. Juan Breno Malta é do grupo de Philip Motta, o Lesk. Lesk era miliciano, mas se aliou a traficantes. A quadrilha, que controla as favelas da Gardênia Azul e da Cidade de Deus, tenta tomar a comunidade de Rio das Pedras, reduto da milicia. Nesta quinta-feira (5), a Polícia Civil recolheu imagens de câmeras de segurança de vários pontos da Barra. Os investigadores tentam traçar a rota de fuga dos assassinos e acreditam que eles tenham fugido com o carro usado no ataque para a Cidade de Deus. No fim da manhã, as polícias Civil e Federal e o Ministério Público do estado fizeram um pronunciamento conjunto à imprensa, sem responder perguntas dos jornalistas.
“O que eu asseguro aos senhores é que todos os protocolos de homicídios estão sendo devidamente adotados. A Polícia Civil está se utilizando de todas as ferramentas possíveis para conseguirmos o máximo de provas o quanto antes para dar a efetiva resposta a esse caso”, declarou Henrique Damasceno, diretor da DHPP.
“Nós já fizemos a distribuição, já temos um promotor natural que vai se inteirar sobre o assunto e promover todas as medidas necessárias para o Ministério Público acompanhar essa investigação bem de perto, mas confiante de que a Polícia Civil vai chegar a uma solução o mais rápido possível”, afirmou Adriana Lucas, promotora do Ministério Público do Rio de Janeiro.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou que, em face da hipótese de relação com a atuação de dois parlamentares federais, a Polícia Federal acompanhe as investigações.
“Falei há pouco com a nossa equipe que está no Rio de Janeiro e eles estão firmes junto com a Polícia Civil na convicção de que vão elucidar esse crime, porque há indicações já que podem conduzir a configuração da materialidade da autoria do delito”, disse Dino.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Capelli, disse que é necessário combater o crime organizado de forma conjunta.
“O crime organizado não ameaça apenas à vida, ele ameaça o Estado Democrático de Direito, ele afronta as instituições, e essa é uma missão, enfrentar isso é uma missão de todo o país, que exige a mobilização e a união de esforços de todos”, afirmou.Em uma rede social, o presidente Lula afirmou que recebeu com grande tristeza e indignação a notícia da execução e prestou solidariedade aos familiares dos médicos, os deputados Sâmia Bomfim e Glauber Braga.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, cobraram rigor nas investigações e se solidarizaram com as famílias das vítimas.O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, publicou: “Quero expressar toda a minha solidariedade às famílias das vítimas do crime perverso que tirou a vida de três médicos e deixou outro gravemente ferido na orla da Barra da Tijuca nesta madrugada. Esperamos que o crime seja logo elucidado pelas forças policiais“.O governador do RJ, Cláudio Castro, se solidarizou com a família das vítimas e disse que a polícia está trabalhando para elucidar o crime o mais rápido possível.
“Queria me solidarizar com as famílias, com os amigos. É realmente um crime bárbaro. E crimes bárbaros como esse não terão refresco no Rio de Janeiro. A gente vai trabalhar duramente, até que a gente possa elucidar esse crime, que, com certeza, choca a todos nós. Esperamos que situações como essa não aconteçam mais e que se tornem cada dia mais pontuais, sabendo a gravidade que é e reiterando o nosso empenho em solucionar o mais rápido possível”, afirmou.
” Que pais é este? Inúmeras pessoas tem morrido inocentemente e quase tudo fica sem uma rigorosa punição.”
g1









