7 de setembro de 2026 00:16

Atrasos no PAC reduzem investimentos e obrigam Pernambuco a bancar obras federais

 A lentidão nos repasses do Novo PAC em Pernambuco vem reduzindo o volume de investimentos previstos no orçamento estadual e obrigando o governo a destinar recursos próprios para obras de responsabilidade federal. O último balanço do programa, divulgado pelo governo federal em abril, mostra o Estado com o terceiro menor índice de repasses do Nordeste (44,5%), melhor apenas do que Sergipe (39,3%) e Piauí (42,1%). No Brasil, Pernambuco tem o 9º pior desempenho. Apesar da situação estadual, o PAC está atrasado em todo o País.

Do total de R$ 35,4 bilhões previstos no orçamento para o Estado até o fim de 2026, apenas R$ 15,8 bilhões (44,5%) foram executados. Outros R$ 8,7 bilhões estão programados para o período pós-2026, o que eleva o total projetado para R$ 44,2 bilhões. No levantamento, Pernambuco aparece com 1.444 empreendimentos listados. Desses, 219 foram concluídos até o fim de 2024. A lista inclui veículos de transporte escolar, construção de creches e escolas, unidades do Samu, quadras esportivas e obras em universidades. Para o secretário estadual de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional, Fabrício Marques Santos, o problema não está apenas no atraso nos repasses, mas na falta de clareza na gestão do PAC. “O recurso federal chega com dificuldade. O Brasil precisa ter um modelo de governança do PAC. Eu sou um crítico disso nacionalmente. Porque, se a gente não tiver um modelo de governança, como é que eu posso ser parceiro de algo que eu não tenho clareza?”, questiona. O anúncio de R$ 91,9 bilhões em investimentos para Pernambuco no lançamento regional do programa, em setembro de 2023, criou uma expectativa que não se confirmou. Esse valor geral leva em consideração várias fontes, como recursos do governo federal (via Orçamento da União), estatais (como Petrobras e Eletrobras), parcerias público-privadas (PPPs) e investimento privado induzido (como concessões rodoviárias e ferroviárias). O disponível, de fato, no Orçamento da União para o Estado é R$ 35,4 bilhões. “Mais de 70% desses investimentos anunciados são na modalidade do ‘PAC intenção’: diz que vai fazer, se tiver orçamento, projeto e viabilidade. Isso gera frustração. Menos de 10% dos investimentos previstos no PAC chegaram à ponta até agora”, diz.

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