20 de abril de 2024 03:31

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Brasil tem quase 3 vezes mais crianças com excesso de peso do que a média global

Necessidade de isolamento social instituída pela pandemia e a mudança de rotina que ela acarretou, em especial a diminuição de exercícios físicos, refletiu-se em aumento de peso

É o que mostra um levantamento inédito realizado pelo Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância – Fiocruz/Unifase). O estudo revela que, de 2019 a 2021, período que engloba a pandemia de covid-19, o número de crianças com excesso de peso cresceu 6,08% no Brasil. O aumento entre os adolescentes foi ainda maior: de 17,2%.

O levantamento utilizou dados do SISVAN-WEB, ferramenta de monitoramento de indicadores de saúde e nutrição.A análise foca na evolução dos dados de obesidade em crianças menores de 5 anos e adolescentes entre 10 e 18 anos, no Brasil, ao longo de um período de 10 anos (2013-2022).Os achados do estudo servem como um chamado à ação para políticas públicas, profissionais de saúde, escolas e famílias redobrarem os esforços na luta contra a obesidade infantil.

ÍNDICE DE CRIANÇAS COM EXCESSO DE PESO NO BRASIL É MAIOR QUE A MÉDIA GLOBAL

Se comparado com outros países, o Brasil possui quase três vezes mais crianças com excesso de peso do que a média global (14,2% no Brasil em 2022 e 5,6% da média global registrada no mesmo ano).Em relação aos adolescentes, a situação é ainda mais crítica. No Brasil, em 2022, a média nacional apontou que 31,2% dos adolescentes estavam com excesso de peso, quase o dobro da média global (18,2%).

ISOLAMENTO, SEDENTARISMO E CONSUMO DE ULTRAPROCESSADOS FAVORECERAM SOBREPESO

A necessidade de isolamento social instituída pela pandemia e a mudança de rotina que ela acarretou, em especial a diminuição de exercícios físicos, refletiu-se em aumento de peso em crianças e jovens. Segundo o boletim do Observa Infância, o período de 2019 a 2021 chama a atenção para um crescimento de 6,08% de crianças até 5 anos com sobrepeso ou obesidade. Entre os adolescentes brasileiros houve um aumento de 17,2% no número de jovens. “A obesidade infantil e de adolescentes no Brasil ainda é uma grande preocupação de saúde pública. Apesar de observarmos uma queda nos últimos anos, o Brasil ainda possui números acima da média global e da América Latina”, alerta o pesquisador do Icict Cristiano Boccolini, coordenador do Observa Infância. “Nos anos de pandemia, observamos um aumento nos índices de obesidade infantil possivelmente consequência do aumento no consumo de ultraprocessados durante o período de isolamento.”

REGULAÇÃO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS

“Acreditamos que os altos números da obesidade infantil no Brasil deve muito à falta de regulação dos alimentos ultraprocessados no País. A partir de outubro de 2023, passa a vigorar plenamente a nova rotulagem frontal dos alimentos industrializados indicando os excessos de sal, gorduras saturadas e açúcares na parte frontal das embalagens”, destaca Cristiano.

“As crianças são muito suscetíveis a esses produtos, e acreditamos que a implementação dessa política terá algum impacto nos números de obesidade a partir deste ano”, alerta.

HOUVE RECUO, MAS TAXAS DE EXCESSO DE PESO SEGUEM EM ALTA 

O levantamento mostra, entre 2021 e 2022, um recuo de 9,5% no número de crianças com excesso de peso e de 4,8% de adolescentes. Apesar do recuo, no entanto, as taxas seguem em alta. Em 2022, 14,2% das crianças brasileiras até cinco anos estavam com excesso de peso. Entre os adolescentes, o número é ainda maior: 31,2% deles estava com sobrepeso ou obesidade. De acordo com as análises das séries históricas feitas pelo Observa Infância, as realidades de crianças e adolescentes evoluem de forma distinta. Apesar de os números continuarem altos, entre as crianças é possível observar uma tendência de queda ao longo dos últimos anos, especialmente em 2021 e 2022, após o período de isolamento. Já os adolescentes preocupam mais: há uma tendência crescente ao excesso de peso desde o início da série, em 2013, com uma pequena queda apenas entre 2021 e 2022.

O excesso de peso

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