28 de fevereiro de 2024 01:51

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Casos de dengue mais que duplicam em Pernambuco, e governo vai orientar municípios a acionar plano de contingência

O número de casos prováveis por dengue em Pernambuco, em janeiro de 2024, cresceu 57,5% em relação ao registrado no mesmo período em 2023. O dado, ainda parcial, está no boletim epidemiológico de arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), que abrange notificações até o último dia 27 de janeiro. Segundo o balanço, o Estado totaliza 512 casos prováveis de dengue (confirmações + registros em investigações), com taxa de incidência de 5,7 casos prováveis a cada 100 mil habitantes. Do total, 55 registros já tiveram confirmação de infecção pelo vírus da dengue.  “Pernambuco está por duas semanas acima do limite máximo de notificações. Estamos entrando numa terceira semana já no limite. E até o fim dela, certamente o total ultrapassará mais uma vez. A tendência, então, é de aumento de casos de dengue no Estado”, avalia o diretor-geral de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador da SES-PE, Eduardo Bezerra.Ele informa que a secretaria está em processo de finalização de uma nota técnica com orientações para os municípios pernambucanos. “Eles poderão tomar decisões (para conter o avanço dos casos de dengue) com base no que está no Plano Estadual de Contingência das Arboviroses 2024.”

O plano foi lançado, ainda em novembro de 2023, com trabalhos que podem ser desencadeados e/ou intensificados para o enfrentamento das arboviroses nos municípios pernambucanos, a partir da análise do perfil epidemiológico no Estado e a organização da rede de atenção à saúde para atendimento desses casos.“É documento norteador para que os municípios desenvolvam seus planos de forma localizada”, destaca Eduardo Bezerra.No Sertão, especialmente nas regionais de Petrolina e Ouricuri, é onde temos visto um maior escape da linha de controle (casos aumentam além do limite máximo). Na Região Metropolitana do Recife, ainda não há esse panorama, mas o trajeto tende a ser de crescimento.”

Até o momento, no Estado, não houve notificação ou confirmação de óbito por arboviroses. 

O cenário epidemiológico de Pernambuco parece caminhar para o que tem ocorrido no Distrito Federal, em Minas Gerais e em São Paulo. São localidades onde os casos têm avançado de forma acelerada. O volume de adoecimentos chegou a levar Minas Gerais e o Distrito Federal a decretarem situação de emergência em saúde pública em razão do cenário epidemiológico de arboviroses. Em todo o País, os casos prováveis chegam a 217.481, com 15 mortes confirmadas e mais 149 em investigação.O Sistema Único de Saúde (SUS) começará em breve a oferecer vacinas contra a dengue, dentro de alguns critérios definidos pelo Ministério da Saúde, devido ao número insuficiente de doses e capacidade limitada de produção do laboratório. Segundo o ministério, os critérios foram definidos junto com representantes de estados e municípios, levando em consideração recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização e da Organização Mundial da Saúde (OMS).“A definição da estratégia foi feita a partir da análise da situação epidemiológica nas regiões de saúde do Brasil. Essas divisões correspondem às localidades formadas por municípios fronteiriços que compartilham identidades culturais, econômicas e sociais, redes de comunicação e infraestrutura de transportes. A finalidade dessas regiões é integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde”, diz o ministério.Foram selecionadas 37 regiões de saúde que tivessem pelo menos um município de grande porte, ou seja, mais de 100 mil habitantes, tivessem alta transmissão de dengue registrada em 2023 e 2024 e tivessem maior predominância do sorotipo 2 do vírus da dengue (DENV-2).No total, 521 municípios de 16 estados e o Distrito Federal preencheram os requisitos para o início da vacinação em 2024. Pernambuco está fora dessa etapa de imunização. 

Em São Paulo, as cidades escolhidas foram Guarulhos, Suzano, Guararema, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes, Poá, Arujá, Santa Isabel, Biritiba-Mirim e Salesópolis. A Secretária da Saúde informou que o estado aguarda o envio, pelo Ministério da Saúde, do documento técnico com as instruções da vacina contra a dengue.O público inicial será de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue, depois de pessoas idosas – grupo para o qual a vacina não foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O esquema vacinal é composto por duas doses com intervalo de três meses.

A primeira remessa, com cerca de 757 mil doses, chegou ao Brasil no último dia 20 e está no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde.O lote faz parte de um total de 1,32 milhão de doses fornecidas pela farmacêutica. A outra parte, com mais 568 mil doses, tem entrega prevista para fevereiro.Além desse número inicial, o Ministério da Saúde adquiriu o quantitativo total disponibilizado pelo fabricante para 2024: 5,2 milhões de doses. Para 2025, a pasta já contratou 9 milhões de doses.

jc

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