20 de abril de 2024 04:57

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Como Cordeiros entre Lobos

  É um dos preceitos fundamentais da liderança que um líder deve servir de exemplo para seus liderados. O próprio apóstolo Pedro destaca este princípio em 1Pedro 5.3 ao escrever: “Não ajam como dominadores dos que foram confiados a vocês, mas como exemplos para o rebanho”. Ao longo da vida, infelizmente tenho visto muitos líderes cristãos que ignoram esse princípio. Devo confessar que algumas vezes eu também falhei em dar um bom exemplo aos que liderava. Com o tempo, fui aprendendo que, ao errar, posso ser um bom exemplo em pedir perdão e corrigir meu proceder.

Esses dias, ao fazer meu devocional em Lucas, cheguei a Lucas 10.3: “Vão! Eu os envio como cordeiros no meio de lobos”. Parei para refletir nesse ensino de Jesus. A característica mais marcante de ser enviado como cordeiro é que o cordeiro não tem, por si só, defesa contra lobos. Salta também à nossa mente a atitude de um cordeiro, que é a própria representação da vulnerabilidade e fragilidade. Diante desse contraste, Deus me conduziu a refletir sobre o fato de que a força, autoridade ou mesmo impacto do cordeiro não está em si mesmo, mas aponta para aquele que o envia, o próprio Jesus. Cordeiro entre lobos evidencia que o cordeiro não obtém vitória por sua astúcia, tamanho, ferocidade ou sagacidade. Sua expectativa de vitória, para não dizer sua própria sobrevivência, está no pastor que o acompanha.

O cordeiro não obtém vitória por sua astúcia, tamanho, ferocidade ou sagacidade. Sua expectativa de vitória, para não dizer sua própria sobrevivência, está no pastor que o acompanha.

Uma vez mais, confesso que tenho visto muitos líderes cristãos que buscam “vencer” por sua astúcia, tamanho, ferocidade ou raciocínio. Em outros, percebi que se portavam mais como lobos no meio de lobos do que cordeiros. Uma vez mais, confesso que algumas vezes eu fiz o mesmo. Ao invés de me comportar como cordeiro, crendo que Deus me havia chamado a combater o mal, eu me comportei como leão. Todas as vitórias que obtive assim foram efêmeras, ou pelo menos acrescentaram pouco aos propósitos de Deus. Dependendo do seu temperamento, talvez você, assim como eu, tenha algumas vezes tentado rugir como leão, esquecendo que nossa voz própria é um balido.

Entre as várias passagens que me vieram à mente enquanto meditava, uma que me fez parar e examiná-la foi Zacarias 4.6: “Esta é a palavra do Senhor para Zorobabel: ‘Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos”. A passagem se refere à reconstrução do templo de Jerusalém após o exílio. E a afirmação é que este seria reconstruído não por força ou poder, mas pelo Espírito de Deus. Importa lembrar que o templo de Jerusalém era o símbolo da própria presença de Deus na terra. Creio que podemos extrair desse relato que a vontade de Deus, sua expressão, não é obtida por força ou violência.

A vontade de Deus, sua expressão, não é obtida por força ou violência.

Nesses últimos meses tenho me submetido a uma série de exames médicos. Um exame é sempre uma experiência de fragilidade, assim, tenho tido minha fragilidade exposta para mim mesmo. Primeiro, por ter de investigar algo em meu corpo que não está funcionando como deveria; em segundo lugar, você tem que se submeter à equipe do hospital. Vestir roupas que não usaria em outras circunstâncias e aceitar procedimentos que são, no mínimo, desconfortáveis. Enquanto pensava ainda na passagem dos cordeiros entre lobos, eu me lembrei da encarnação de nosso Senhor! Ele certamente se fez frágil (dificilmente poderia se fazer mais frágil), se esvaziou de sua glória, aceitou uma forma humilde e, durante toda a sua vida, foi exemplo de humildade, no final aceitando a morte e morte de cruz (Filipenses 2.6-8). Ele demonstrou aquilo que somos chamados a fazer: ter a mesma atitude de Cristo Jesus (Filipenses 2.5). Nestes tempos em que somos desafiados por ideologias, manobras políticas, afrontas diretas e indiretas, nestes tempos em que o inimigo parece estar vencendo (imagine uma alcateia de lobos cercando um cordeiro), quando nossa derrota parece certa e quando somos tentados a reagir como lobos, nosso chamado é sermos como Jesus, como o cordeiro. Sabendo que qualquer vitória que tenha impacto eterno vem dele e não de nossa força. Minha oração é que o Natal, com o relato da encarnação, seja uma oportunidade para que você e eu reflitamos sobre a mansidão e a dependência do nosso Senhor, pois é a mesma à qual somos chamados.

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