Tenho ouvido falar que os dias estão passando mais rápido, aquela sensação de piscar o olho e já ser abril, de piscar de novo e já ser Natal. Já tem gente vendo a roupa para o próximo Ano Novo. 2023 acabou de começar e já estamos em fevereiro. Eu mal consegui digerir a rabanada do Natal, quiçá os meus sentimentos que muitas vezes guardo na gaveta de “resolver depois”. Depois quando?Às vezes sinto que estou sendo atropelada por um turbilhão de informações, tendências, trends, lançamentos, novas versões de coisas que acabaram de ser lançadas. No celular, o tempo todo estamos atualizando versões. Só esquecemos de nos atualizar, de nos consultar, de pararmos e olharmos para nós, reiniciarmos o sistema, mandar para a lixeira o que já não nos serve mais.Esquecemos de colocar um antivírus no nosso HD para que nos seja alertado que estamos em perigo ao lidarmos com toxicidades de todos os tipos, desde pessoas até comida que ingerimos sem sequer prestar atenção no que é, porque estamos literalmente no automático. E o horário do almoço é ótimo para dar aquela navegada no Instagram ou escolher o próximo sapato. Estamos como máquinas, mas somos humanos; estamos como robôs, mas temos sentimentos; estamos suprimindo nossos sentimentos em detrimento à coisas que supostamente são mais importantes. Sim, isso também inclui trabalho e carreira. Estamos todas exaustas.Os dias podem até estar passando mais rápido, mas pouco importa, uma vez que raramente fazemos uso deles para cuidarmos de nós, e eu aqui também não estou falando dos milhares de tratamentos dermatológicos que você, ao sentar na cadeira, pensa silenciosamente: “esse é o meu momento”, “eu mereço”, “quero ficar com a pele igual a da fulana” ou até um “tenho certeza de que agora ele vai me querer, preciso me cuidar”.Você já viu como as mulheres estão se cuidando? É evidente que a indústria AMA, e por isso lança toda semana um novo aparelho ainda mais revolucionário, seu rosto ainda está descamando do último tratamento que você fez, mas calma, pois o próximo é melhor ainda. A sensação é de passar a vida com o rosto tostado. Então, voltando… Eu respeito e faço uso desse tipo de cuidado externos. Mas não é dele que estou falando. Antes de entrar no “X” da questão, gostaria de trazer mais um ponto de reflexão. Mulheres, esse é o nosso momento. O que era também para a trazer um pouco de alívio tem nos deixado aflitas, estamos conquistando espaços há muito tempo almejados por nós. O pacto com a perfeição, que desde muito tempo nos prestamos a cumprir, ganhou um novo desdobramento, estamos famintas por trabalho, sedentas por ocupar cargos que até ontem nem cogitávamos. E não porque não éramos competentes o suficiente, mas porque não era sequer nos dado a chance. E, para completar, você ainda tem que estar gata, bonita, elegante, cabelo escovado, unha feita e depilada, porque é isso que é esperado de você e é isso que você se cobra: dar conta de tudo e ainda chegar do trabalho, ser uma supermãe e super mulher, lavar a louça de body e salto alto, porque se não agradar o marido, ele te larga.
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