SEJAM FIRMES
Ensino Sadio e Caráter Santo nas Cartas Pastorai



INTRODUÇÃO
É uma tendência humana comum tomarmos decisões prematuras e imponderadas, sermos apressados quando deveríamos ser cautelosos. Embora o erro oposto seja sermos indecisos, ainda assim, no caso dos líderes, é melhor ter tempo para formar juízos e tomar decisões do que ser descuidado e se arrepender mais tarde. Timóteo deve aprender a discernir entre o visível e o invisível, a superfície e a profundidade, a aparência e a realidade. Se Timóteo seguir os princípios de liderança que Paulo apresentou, erros serão evitados, a igreja será preservada em paz e amor e o nome de Deus será protegido da desonra.

TEXTO PRINCIPAL
Eu o exorto solenemente, diante de Deus, de Cristo Jesus e dos anjos eleitos, a que procure observar essas instruções sem parcialidade; e não faça nada por favoritismo. (NVI – 1Tm 5.21). O texto principal, em seu contexto, refere-se a responsabilidade de Timóteo em administrar com sabedoria a disciplina eclesiástica. A disciplina é uma doutrina bíblica, e não uma invenção humana. A disciplina de membros da igreja é explicada em Mateus 18.5-18; Romanos 16.17,18; 1 Coríntios 5; 2 Coríntios 2.6-11; Gálatas 6.1-3; 2 Tessalonicenses 3.6-16; 2 Timóteo 2.23-26; Tito 3.10 e 2 João 9-11. Nesta passagem (1 Tm 5.19-21), Paulo trata da disciplina dos líderes da igreja. A disciplina bíblica é uma das marcas da igreja verdadeira. Nesse quesito, a igreja não pode inclinar-se nem para o rigor desmesurado nem para a frouxidão permissiva. Não pode ir além nem ficar aquém. O excesso de disciplina esmaga as pessoas, e a falta as mundaniza. A disciplina é um ato responsável de amor. Tem o propósito de restaurar o caído, e não de destruí-lo. Precisa ser aplicada com temor e imparcialidade, e não com irreverência e partidarismo. Precisa ser feita na luz da verdade, e não sob a penumbra da mentira caluniosa. A igreja nunca pode dar ao mundo a ideia de que está tolerando o pecado. O pecado é maligníssimo. É como um fermento: um pouco leveda a massa toda. Um mau exemplo é devastador na igreja. É como uma laranja podre numa cesta de laranjas saudáveis. Contamina as demais!Timóteo é exortado a não ter parcialidades na aplicação da disciplina (5.21). A igreja de Deus não pode ter dois pesos e duas medidas. Não pode tratar alguns membros com rigor e outros com complacência. Não pode aplicar a uns o rigor da lei e a outros, regalias e privilégios. Concordo com
Stott quando ele diz que um dos piores pecados é o favoritismo e uma das principais virtudes é a imparcialidade.

RESUMO DA LIÇÃO
O líder deve ser imparcial, sem se deixar influenciar por quaisquer fatores que o leve a favoritismos.
a. O líder cristão deve ser imparcial porque ele é um representante de Deus, que é justo e não faz acepção de pessoas.
b. O líder cristão deve ser imparcial porque ele é um exemplo para os seus liderados, que observam e imitam o seu comportamento. O líder cristão deve demonstrar integridade,
coerência e ética em suas atitudes, palavras e decisões, sem se deixar corromper ou manipular por interesses pessoais ou alheios.
c. O líder cristão deve ser imparcial porque ele é um servo de Deus, que presta contas ao Senhor de tudo o que faz. O líder cristão deve reconhecer que a sua autoridade vem de Deus e que ele deve usá-la para honrar e glorificar o seu nome.

I. O JULGAMENTO DOS PRESBÍTEROS







Caro professor e aluno da Escola Dominical, vamos seguir os pontos da lição, porém, vamos alterar os subpontos para que eles sigam o fluxo do texto bíblico (1Tm 5.17-22). 1.1 Honra devida aos presbíteros. Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: “Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal”, e “o trabalhador merece o seu salário”. (NVI – 1 Tm 5.17,18). É evidente que pelas palavras bispo e presbítero se indica a mesma pessoa, pois em ambos os casos somos informados de que esses homens governam e ensinam (cf. 1Tm 3.2, 5 com 5.17). Não causa estranheza que um supervisor ou bispo fosse chamado presbítero ou ancião, porque no antigo Israel, na sinagoga, e também na igreja primitiva os investidos com tal ofício eram os homens de mais idade. De forma bem adequada, o termo bispo (supervisor) é usado quando a ênfase recai sobre sua obra (1Tm 3.1), e o termo ancião, quando a ênfase recai sobre a honra que lhe é devida (nessa passagem, 1Tm 5.17).
A passagem nos revela três pontos importantes:
a. Primeiro, a posição dos presbíteros. A função deles é presidir, ou seja, exercer liderança nas igrejas locais.
b. Segundo, a distinção dos presbíteros. Eles têm o papel de presidir, governar e administrar, mas alguns se dedicam exclusivamente ao ministério do ensino; assim temos presbíteros regentes e presbíteros docentes, presbíteros administrativos e presbíteros mestres.
c. Terceiro, a sustentabilidade dos presbíteros. Naquela época, os presbíteros tinham dedicação exclusiva ao ministério e deveriam ser remunerados de forma digna para desempenharem seu trabalho. Os que presidiam bem e especialmente os que se esmeravam no ensino deviam ser dignos de redobrados honorários.Os presbíteros fiéis em seu trabalho não deveriam ser apegados ao dinheiro (3.3), mas eram dignos de receber honra e honorários. Com isso, Paulo considera que o pastorado é um ministério remunerado. Da mesma forma que nos dias do Antigo Testamento os sacerdotes eram sustentados a fim de se dedicarem à lei do Senhor (2Cr 31.4), também nos dias do Novo Testamento os pastores devem ser sustentados para que possam devotar-se à obra do evangelho.
1.2 Administrando a disciplina – Investigue bem antes de aplica-la.
Não aceite acusação contra um presbítero, se não for apoiada por duas ou três testemunhas. (NVI 1Tm 5.19). Por ocuparem uma posição de responsabilidade na igreja, os presbíteros se tornam o alvo principal de ataque de Satanás. Por essa razão, o Espírito de Deus toma medidas para protegê-los de falsa acusação. É estabelecido o princípio de que nenhuma ação disciplinar ocorra contra um presbítero, a menos que a acusação seja confirmada por duas ou três testemunhas. Em outras palavras, Timóteo não poderia agir por impulso ou precipitadamente. Devemos tomar muito cuidado com fofocas e histórias distorcidas que são transmitidas de forma irresponsável. O assunto é muito sério! Já é muito errado formar opinião sobre uma pessoa a partir de impressões pessoais ou de conversas de terceiros, imagine disciplinar ou excluir alguém fundamentado em uma mentira!
1.3 Administre a disciplina publicamente quando um líder (presbítero) errar. Os que pecarem deverão ser repreendidos em público, para que os demais também temam. (NVI 1Tm 5.20). Se for considerado culpado de pecado de modo a prejudicar o testemunho da igreja, o presbítero deve ser publicamente repreendido. Esta ação leva todos os cristãos a refletir na seriedade do pecado em relação ao serviço cristão e serve ainda de grande alerta na vida dos outros. Os pecados do líder são mais graves, mais hipócritas e mais danosos que os pecados dos demais membros da igreja. São mais graves, porque o líder peca mesmo tendo maior conhecimento. São mais hipócritas, porque o líder convoca o povo a viver em santidade e, muitas vezes, pratica o pecado em secreto. E são mais danosos, porque, quando um líder cai, mais pessoas são atingidas. Daí, os líderes que têm práticas pecaminosas não devem ser ignorados. Na realidade, a posição que ocupam não é um atenuante, mas um agravante. Eles devem ser tratados com mais severidade, como ensinava a lei (Lv 4.22,27).
1.4 A disciplina deve ser aplicada sem favoritismo ou parcialidade.
Eu o exorto solenemente, diante de Deus, de Cristo Jesus e dos anjos eleitos, a que procure observar essas instruções sem parcialidade; e não faça nada por favoritismo. (NVI 1Tm 5.21). Ao tratar da disciplina na igreja local, há dois perigos a serem evitados. O primeiro é a prevenção ou preconceito (NTLH), e o outro é a parcialidade ou o favoritismo (NVI). É fácil ter um preconceito contra alguém e assim prejulgar o caso com injustiça. Também é muito fácil mostrar parcialidade em relação a alguém por causa de sua riqueza, posição na comunidade ou personalidade. Assim, Paulo solenemente conjura Timóteo diante de Deus, e Cristo Jesus e também diante dos anjos eleitos, a obedecer a essas instruções sem julgar uma questão antes de todos os fatos serem conhecidos ou sem mostrar-se favorável a alguém simplesmente porque é amigo ou conhecido. Cada caso deve ser julgado diante de Deus, e Cristo Jesus e também diante dos anjos. Os anjos são os observadores do mundo onde vivemos e eles deveriam ver justiça perfeita em questões de disciplina na igreja. Os anjos eleitos são aqueles que não se envolveram com o pecado ou rebelião contra Deus e mantiveram a condição original.








II. DESIGNAÇÃO DE LÍDERES
2.1 Sem precipitação.
Não tenha pressa para impor as mãos sobre alguém. Não seja cúmplice dos pecados dos outros.
Conserve-se puro. (NAA 1Tm 5.22). Impor as mãos em alguém no contexto do ministério é ordenar e confirmar essa pessoa para servir à congregação e representar a igreja em uma posição oficial. Paulo adverte Timóteo de evitar ordenar um homem rápido demais. A ordenação pode seguir uma de duas formas. Primeiro, a igreja não deve ordenar um homem sem primeiro ver o registro de uma rota de maturidade e integridade (cf. 3.6). Ou, segundo, a igreja não deve restaurar nenhum ministro caído a qualquer posição sem ter a garantia de ele ter dado tempo e atenção suficientes para permitir que o Senhor reforme seu caráter. Paulo adverte a não Timóteo participar dos pecados dos outros. Ordenar um homem apressadamente só para ele desgraçar a igreja com seu pecado é compartilhar um elo de vergonha, e não de alegria. Além disso, líderes apáticos que pensam tão pouco na igreja a ponto de ordenar homens indignos se tornam cúmplices do pecado deles.O ministro mais velho exorta o homem mais jovem a conservar-se puro. O termo significa na verdade “ritualmente puro” ou “cerimonialmente limpo”. No Antigo Testamento, um sacerdote se mantinha ritualmente imaculado e, depois, observava os rituais de purificação para se manter cerimonialmente puro. Do contrário, ele não podia desempenhar suas obrigações sacerdotais de liderar a adoração, sacrificar em nome das pessoas e ensinar a Escritura.
2.2 Pecados evidentes e boas obras
Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento, ao passo que os pecados de outros se manifestam posteriormente. Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não o são não podem permanecer ocultas. (NVI 1Tm 5.24,25). Em síntese, o pastor precisa ter discernimento espiritual. No versículo 24, Paulo está falando dos pecados, ou seja, os pecados de homens que não são aptos para o ofício. No versículo 25, ele está falando sobre os feitos nobres (ou obras excelentes), ou seja, os feitos nobres de homens que são aptos para o ofício.Por implicação, ele divide o primeiro grupo principal, os pecados de homens não aptos para o
ofício, em duas subdivisões:
a. os pecados claramente evidentes de alguns homens;
b. os pecados que não são claramente evidentes de outros homens (isto está mais implícito do que explícito). Expressamente, ele divide o segundo grupo principal – os feitos nobres de homens que são aptos para o ofício – em duas subdivisões similares:
a. os feitos nobres claramente evidentes de alguns homens;
b. os feitos não nobres claramente evidentes de outros homens.Na primeira categoria, devemos imaginar um bêbado conhecido por toda a comunidade. Na outra, o marido que tem um caso extraconjugal. A comunidade pode não saber disso no momento, mas depois geralmente todo o escândalo é revelado. É o mesmo que acontece com as pessoas boas. Algumas, obviamente, mostram ser boas à primeira vista. Outras são mais retraídas e modestas, e somente com o passar do tempo a verdadeira bondade vem à tona. Mesmo que não possamos ver a bondade agora, ela virá à luz depois. A lição tirada disso tudo é que não devemos julgar uma pessoa pela primeira impressão, mas permitir que com o tempo o verdadeiro caráter se revele.






III. UM POUCO DE VINHO
3.1 A questão da abstinência.
Vamos desembrulhar o pensamento do comentarista em 4 pontos:
a. O comentarista afirma que alguns eruditos veem neste versículo certo embaraço para o entendimento vigente em nossas igrejas, de abstinência total de vinho ou de quaisquer bebidas alcoólicas. Isso significa que alguns estudiosos da Bíblia acham que esse versículo pode causar confusão ou contradição com a doutrina de algumas igrejas, que defendem que os cristãos não devem beber vinho ou qualquer outra bebida que contenha álcool.
b. O comentarista também afirma que alguns intérpretes consideram que a referência do apóstolo seria ao vinho não fermentado ou não embriagante. Isso significa que alguns comentaristas da Bíblia entendem que o vinho que Paulo recomendou a Timóteo seria um suco de uva sem fermentação ou sem álcool, que não causaria embriaguez ou vício.
c. O comentarista explica que a dificuldade apontada pelos eruditos é apenas aparente, porque o texto é absolutamente claro quanto ao propósito do uso do vinho, que era medicinal e não embriagante. Isso significa que o comentarista argumenta que não há motivo para se preocupar com o versículo, porque ele deixa claro qual era o objetivo de Paulo ao sugerir o vinho a Timóteo, que era tratar os seus problemas de saúde e não se embriagar ou se viciar.
d. Por fim, o comentarista esclarece que o exame da motivação resolve a equação. Isso significa que o texto conclui que basta analisar a intenção de Paulo para entender o sentido do
versículo. A intenção de Paulo era cuidar do seu filho na fé, que sofria de doenças frequentes, e não incentivar o consumo de bebida alcoólica.
3.2 Os males do vinho.
Queremos destacar que a embriaguez ou uso de bebida alcoólica está sempre assoado a pecados terríveis.
a. Obras da Carne. A Bíblia condena a embriaguez como uma obra da carne, que impede a entrada no Reino de Deus (Gl 5.19-21).
b. A Bíblia alerta que o vinho e a bebida forte levam à miséria e à vergonha, e que quem se entrega a eles não se enriquecerá (Pv 21.17).
c. A Bíblia descreve os males do vinho como feridas, dores, olhos vermelhos, vômitos, tonturas
e maldições (Pv 23.29-35).
d. A Bíblia ensina que o vinho pode fazer com que o coração dos sábios se desvie, e que é bom não beber vinho nem nada que faça o irmão tropeçar (Ec 10.17; Rm 14.21).
e. A Bíblia adverte que o vinho tira a prudência e a capacidade de julgamento, e que quem bebe vinho se expõe ao perigo (Pv 31.4-5).
3.3 As enfermidades de Timóteo. Conforme Donald Stamps, “Timóteo começara a ter distúrbios gástricos, provavelmente devido ao teor de álcali [metais alcalinos como o lítio, o sódio e o potássio] na água em Éfeso. Paulo, portanto, declara que ele devia usar um pouco de vinho com aquela água para neutralizar os efeitos daninhos da alcalinidade.” Mas Paulo menciona também “frequentes enfermidades”, de forma indeterminada. Talvez fossem efeitos colaterais, decorrentes do problema estomacal, o que indica que Timóteo tinha uma certa debilidade em sua saúde. Isso provavelmente representava um desafio a mais na vida daquele jovem obreiro. Uma razão a mais para seu mentor espiritual demonstrar preocupação e encorajamento. Timóteo era um jovem tímido e doente. Cuidava dos outros, mas estava descuidando de si mesmo. Precisava dar atenção à sua saúde para poder cuidar da igreja.

CONCLUSÃO
Concluímos este estudo com as palavras de John Stott, que afirma que os líderes cristãos precisam ter em seus relacionamentos cinco virtudes: apreciação (reconhecer todo bom desempenho), justiça (não dar ouvidos a acusações sem fundamento), imparcialidade (evitar todo favoritismo), cautela (não tomar decisões precipitadas) e discernimento (ver além do que é aparente e enxergar o coração). Sempre que esses princípios forem observados, erros serão evitados, a igreja será preservada em paz e em amor, e o nome de Deus estará protegido da desonra.Além de todas essas virtudes, o líder não deve esquecer-se do cuidado com a sua saúde física. É muito comum ver pastores negligenciaram a saúde física e tiveram que encerrar sua trajetória muito cedo. Timóteo foi muito bem instruído. O apóstolo Paulo, embora, provavelmente não tenha ido a Éfeso, não deixou o jovem pastor daquela mega igreja desamparado.















