8 de setembro de 2026 23:58

Educação: o que conseguimos conquistar e o que ainda não damos conta de enfrentar

RENATO CASAGRANDE Presidente do Instituto Casagrande, referência em práticas educativas movadoras Pesquisador, palestrante e escritor
N este 28 de abril, Dia Internacional da Educação, celebramos avanços significativos, mas não podemos silenciar diante das feridas abertas que continuam comprometendo o presente e o futuro da escola brasileira. Segundo o Censo Escolar 2023, o Brasil atingiu o maior número de matrículas em creches e pré-escolas desde que começou a série histórica. Houve um aumento de mais de 6% nas matrículas em creches públicas, com destaque para os municípios que ampliaram o acesso a tempo integral. Isso representa um passo importante para garantir o direito à educação desde os primeiros anos de vida. A ampliação da oferta é também um indicativo do reconhecimento da importância da primeira infância como base de todo o processo educativo. Com programas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e o aumento do acompanhamento individualizado de estudantes nos primeiros anos, muitos estados apontaram melhorias na taxa de alfabetização até o 2º ano. de Desenvolvimento da Educação Bá 23 revelou um dado animador, os Jo ensino fundamental apresentaram em 21 das 27 unidades federativas, sigancre com destaque para os estados do Centro-Oeste, como Goiás, que alcançaram os maiores índices nacionais. A melhoria nos resultados está diretamente relacionada a ações de fortalecimento da gestão escolar, formação continuada de professores e políticas focadas em aprendizagem de base. E um sinal de que o investimento nos primeiros anos tem gerado impacto real. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mostram que houve, em 2023, a retomada de mais de 3 mil obras paradas em escolas públicas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Entre as melhorias, estão reformas em espaços físicos, construção de creches e escolas, ampliação de salas de aula, banheiros e acessibilidade. Além dis so, cresceram os investimentos em conectividade. com escolas recebendo internet de alta velocidade, modernização de laboratórios e ambientes pedagógicos mais adequados .A pandemia impulsionou uma mudança importante: a introdução definitiva das tecnologias no cotidiano escolar. Muitos estados mantiveram plataformas digitais, kits tecnológicos e formação docente em ambientes virtuais, mesmo após o re torno presencial. Programas como o Educar para Conectar e outras iniciativas regionais passaram a integrar inclusão digital, inovação metodológica e personalização da aprendizagem, ampliando o repertório pedagógico e a autonomia do estudante.Por outro lado, o novo ensino médio ainda caminha com indefinição. Faltam clareza, materiais, formação e conexão com a vida real do estudante. Enquanto os anos iniciais do fundamental avan-çam, o ensino médio estagnou ou recuou, segun do o Ildeb 2023. É uma geração em espera, sem di-reção, sem perspectiva, sem pertencimento. Um
ciclo que se inicia sem raízes e que termina sem propósito claro. Mais de 1,5 milhão de crianças e adolescentes estão fora da escola ou com defasagem idade-série. Em regiões mais vulneráveis, faltam livros, bibliotecas, internet e professores formados. A pandemia aprofundou o abismo social, e ainda não conseguimos recuperar os estudantes que ficaram pelo caminho. A educação segue como espelho das desigualdades brasileiras vezes, também como sua amplificadora. e, muitas
A saúde mental e emocional dos educadores brasileiros entrou em colapso, Mais de 60% relatam sintomas de estresse crônico, segundo pesquisas recentes.
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