29 de junho de 2026 19:44

Esboço Da Lição 07 Do 1º Trimestre De 2023

INTRODUÇÃO A história de Estêvão nos ensina que as pessoas podem se destacar não pela função que exercem, mas sim, pelo que são e pelo que fazem. Fazendo uma leitura do livro de Atos dos Apóstolos, vamos perceber que o diácono Estêvão ocupou muito mais destaque nas páginas das Escrituras do que muitos sacerdotes, reis, profetas e apóstolos.

Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus, e viu Jesus em pé no lugar de honra, à direita de Deus. Olhem!”, disse ele. “Vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé no lugar de honra, à direita de Deus!” (At 7.55,56 NVT). Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para o céu e viu a glória de Deus. E viu também Jesus em pé, ao lado direito de Deus. Então disse: —Olhem! Eu estou vendo o céu aberto e o Filho do Homem em pé, ao lado direito de Deus. (At 7.55,56 NTLH). William Barclay destaca três pontos importantes acerca de Estêvão neste texto:

    1. O segredo do seu valor. O primeiro diácono da igreja viu o martírio como sua entrada à presença de Cristo.
    2. 2. O protomártir do cristianismo seguiu o exemplo de Cristo em sua vida e também em sua morte. Assim como Jesus orou pelo perdão daqueles que o executavam (Lc 23.34), também o fez Estêvão.
    3. Para Estêvão, o terrível tumulto terminou em uma estranha paz. Ele dormiu na terra e logo foi recebido no céu pelo próprio Senhor Jesus.

                                                                                                                     

 PARA ILUSTRAR Um sujeito inconveniente gritou a um evangelista que pregava na rua: – Por que Deus não interveio quando Estêvão estava sendo apedrejado? Ao que o evangelista respondeu: – Deus interveio, sim. Concedeu a Estêvão a graça de perdoar seus assassinos e de orar por eles. Que resposta perfeita! Estêvão viu Jesus “em pé” à direita de Deus. Por que em pé? Talvez porque nas cortes judaicas a pessoa que dava testemunho ficava em pé diante do tribunal. Como Estêvão ficou em pé diante do Sinédrio testificando de Jesus, Cristo ficou em pé diante de Deus, falando por Estêvão. Momentos depois, Estêvão, que morreu com uma oração por seus assassinos nos lábios, estava na presença do Senhor. Pouco importa o que os homens dizem ou fazem em relação a nós. O que importa é o que Cristo diz a nosso respeito diante do trono do Pai.

VERDADE PRÁTICA

 A expressão mais importante na verdade prática é o termo “graça”. Mas afinal, o que é a graça? Trata-se de “uma palavra muito mal compreendida, e defini-la de maneira breve é notoriamente difícil. […] Uma das definições mais conhecidas do termo graça consiste em apenas quatro palavras: Favor imerecido de Deus. A. W. Tozer desdobrou isso: ‘Graça é o bom prazer de Deus que o inclina a dispensar benefícios aos não merecedores’. Berkhof é mais preciso: Graça é ‘a operação imerecida de Deus no coração do homem, efetuada por meio da ação do Espírito Santo’” (MACARTHUR, 2017, p. 61-62). Um dos benefícios ou operações da graça é convicção de que, quer na vida ou na morte, o nosso maior tesouro de um homem é Cristo. Se vivemos, é para honrar o Senhor. E, se morremos, é para honrar o Senhor. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. (Rm 14.8 NVT). Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. (Fl 1.21 NAA). Iniciado em Hernhut, Alemanha no século 18, o movimento de oração continua (24 horas) chamado Moravianos durou por quase 100 anos, e eles não oravam por aquilo que não estavam dispostos a ser a resposta. Dois jovens Moravianos, de 20 anos ouviram sobre uma ilha no Leste da Índia cujo dono era um Britânico agricultor e ateu, este tinha tomado das florestas da África mais de 2000 pessoas e feito delas seus escravos, essas pessoas iriam viver e morrer sem nunca ouvirem falar de Cristo. Esses jovens fizeram contato com o dono da ilha e perguntaram se poderiam ir para lá como missionários, a resposta do dono foi imediata: “Nenhum pregador e nenhum clérigo chegaria a essa ilha para falar sobre essa coisa sem sentido”. Então eles voltaram a orar e fizeram uma nova proposta: “E se fossemos a sua ilha como seus escravos para sempre?”, o homem disse que aceitaria, mas não pagaria nem mesmo o transporte deles. Então os jovens se venderam como escravos e usaram o valor para custear sua viagem. No dia que estavam no porto se despedindo do grupo de oração e de suas famílias o choro de todos era intenso, pois sabiam que nunca mais veriam aqueles irmãos tão queridos, quando o navio tomou certa distância eles dois se abraçaram e gritaram suas últimas palavras que foram ouvidas: “QUE O CORDEIRO QUE FOI IMOLADO RECEBA A RECOMPENSA DO SEU SOFRIMENTO”. Minha grande expectativa e esperança é que eu jamais seja envergonhado, mas que continue a trabalhar corajosamente, como sempre fiz, de modo que Cristo seja honrado por meu intermédio, quer eu viva, quer eu morra. (Fl 1.20 NVT).

  1. O TESTEMUNHO DE ESTÊVÃO

1.1 Um novo problema que precisa de solução. Sobre o contexto do capítulo 6 do livro de Atos, fica muito evidente que a igreja havia crescido de forma inacreditável numericamente falando; veja os textos provas até então: Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. (At 2.41 NVI). Mas, muitos dos que tinham ouvido a mensagem creram, chegando o número dos homens que creram a perto de cinco mil. (At 4.4 NVI). Em número cada vez maior, homens e mulheres criam no Senhor e lhes eram acrescentados (At 5.14 NVI). Aquele grupo de 120 irmãos (At 1.15), agora, pelo poder do Espírito, através da pregação do evangelho, transformou-se em uma grande multidão. A congregação cresceu, e juntos com essa adição numérica, os problemas se multiplicaram. A matemática é simples, quanto mais gente para lidar, maior são os problemas para se resolver. Além dos problemas advindos da expansão quantitativa, H.D.L aponta algumas investidas de Satanás com finalidade de solapar as bases da igreja.

1.1.1 Em primeiro lugar, o diabo usou a arma da ameaça e da perseguição. (Medo). O sinédrio tentou calar os apóstolos, mas ousadamente eles continuaram a proclamar o nome de Jesus. A tentativa do diabo era destruir a igreja fora para dentro. (At 4.17).

1.1.2 Em segundo lugar, o diabo usou a arma da infiltração. (hipocrisia no serviço e no culto a Deus). Satanás encheu o coração de Ananias e de sua esposa com o intuito de contaminar os membros da igreja. Ele, o nosso inimigo, estava tentando destruir a igreja de dentro para fora, mas Pedro foi usado com poder do Espírito e os planos malignos foram frustrados. (At 5.1-11).

1.1.3 Em terceiro lugar, o diabo usou a arma da distração. (Fazer aumentar a murmuração entre os santos e minguar o ministério da Palavra de oração). Um tumulto no meio da comunidade cristã estava colocando em risco a comunhão da igreja. A comunhão, que fora atacada pela hipocrisia de Ananias e Safira, estava novamente sendo ameaçada pela injustiça. (At 6.1-6).

1.2 A solução apresentada. O problema é identificado

(6.1) a solução é apresentada

(6.2-6), e o resultado foi o crescimento da igreja

(6.7). Ralph Earle diz que temos aqui uma ajuda prática de como solucionar problemas: reconhecer o problema (6.1,2a); recusar-se a negligenciar o que é essencial

(6.2b); remover as causas de reclamações

(6.3-6); e colher os resultados de uma solução sensata

(6.7). A igreja tinha um público misto, judeus e gregos/helenistas. De maneira geral, os cristãos hebreus eram judeus majoritariamente bilíngues, que falavam o aramaico (ou hebraico) e o grego; eles faziam questão de usar o Antigo Testamento hebraico.

O homem cheio de graça é alvo de calunias e conspirações (11,14). Mesmo os homens avivados sofrem rejeição e oposição. Os ímpios investiram seus recursos para se oporem ao homem de Deus. Alugaram falsas testemunhas para caluniarem o santo homem de Deus.

Silvan Santos

Eu Vencerei – Silvan Santos

Eu aprendi que a vida não é fácil
Eu sei que é difícil prosseguir
Eu sei que quando tudo está bem
Aí não falta nada, não falta ninguém
Amigos pra sorrir a gente sempre tem

Mas quando o plano dá errado
Aí te julgam fracassado
E do teu lado não fica ninguém
Os amigos se vão
E quem sorria com você
Te deixa jogado à solidão

É assim (é assim)
Nesse mundo de aparência
Só se vale o que se tem
Quem tem muito, vale muito
E quem não tem não é ninguém
Nem por isso vou deixar me abater

Mas na lei de Deus
Quem se exalta é humilhado
E quem se humilha é exaltado
Com amigo ou sem amigo
Eu sempre vou lutar
Na certeza que está comigo
O grande Deus, Jeová

Eu vencerei
Vou lutar, vou insistir
Eu sei que vencerei
Deus está comigo
Meu fiel amigo
Eu sei que vencerei
Qualquer dia esta muralha vai cair

Eu vencerei
A prova vai passar, a porta vai se abrir
Então eu passarei
E como recompensa de todas as lágrimas que chorei
O troféu da vitória eu receberei

É assim (é assim)
Nesse mundo de aparência
Só se vale o que se tem
Quem tem muito, vale muito
E quem não tem não é ninguém
Nem por isso vou deixar me abater

Mas na lei de Deus
Quem se exalta é humilhado
E quem se humilha é exaltado
Com amigo ou sem amigo
Eu sempre vou lutar
Na certeza que está comigo
O grande Deus, Jeová

Eu vencerei
Vou lutar, vou insistir
Eu sei que vencerei
Deus está comigo
Meu fiel amigo
Eu sei que vencerei
Qualquer dia esta muralha vai cair

Eu vencerei
A prova vai passar, a porta vai se abrir
Então eu passarei
E como recompensa de todas as lágrimas que chorei
O troféu da vitória eu receberei
O troféu da vitória eu receberei

REFLEXÕES PARA OS DIAS ATUAIS

“Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos” (Ageu 2:8).

Os cristãos helenistas, por sua vez, eram judeus vindos de Antioquia, Alexandria e outras partes da diáspora ocidental, os quais, em sua maioria, falavam apenas o grego (cf. BRUCE, 2017a). Os helenistas “foram fortemente influenciados pela cultura grega, provavelmente enquanto viviam fora da Palestina, ao passo que os judeus hebreus são cristãos que sempre viveram na terra nativa da Palestina” As viúvas dos judeus helenistas estavam sendo esquecidas durante a distribuição dos recursos. Os apóstolos não estavam dando conta de “servir as mesas”. Entende-se que a expressão servir às mesas é: “garantir que as necessidades das viúvas sejam atendidas” ou “ocupar-se de questões financeiras e administrativas”. Concordo com John Stott em que não há aqui nenhuma sugestão de que os apóstolos vissem a obra social inferior à obra pastoral, ou a considerassem pouco digna para eles. Era apenas uma questão de chamado. Aos apóstolos foram confiados os oráculos de Deus. Eles foram encarregados de ensinar a Palavra e fazer discípulos de todas as nações. A solução apresentada foi a nomeação de sete homens que preenchessem alguns pré-requisitos, a saber: boa reputação, cheio do Espírito Santo e sabedoria. Os candidatos escolhidos foram: Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, um convertido ao judaísmo, proveniente de Antioquia. Logo após a eleição e a consagração dos diáconos, quatro coisas acontecem (At 6.7,8). Primeiro: “crescia a palavra de Deus”. Segundo: “multiplicava[-se] muito o número dos discípulos”, isto é, havia tanto crescimento qualitativo (da Palavra) como quantitativo. Terceiro: “grande parte dos sacerdotes obedecia à fé”. Quarto: Estêvão “rouba” a cena, “elevando-se a tal eminência como pregador, que os próprios apóstolos ficaram ofuscados”.

1.3 O diácono avivado Estevão encabeça lista dos diáconos escolhidos para servir as mesas e, provavelmente, isso ocorre como uma forma de demonstrar que ele era o mais proeminente entre os sete candidatos escolhidos. Ele foi um judeu helenista usado por Deus para assistir os apóstolos, cuidar da parte administrativa da igreja, defender a fé diante de muitos opositores e edificar os santos por meio de seu ministério carismático. As qualidades impostas pelos apóstolos para a escolha dos diáconos eram muito especificas e, certamente, mesmo nos primórdios da igreja, era difícil encontrar homens com tais qualitativos. O processo seletivo iniciou, e os candidatos começaram a ser avaliados. Vamos a uma definição das exigências:

1.3.1 Em primeiro lugar, boa reputação. Boa reputação, na verdade, é a síntese de fidelidade, vigilância, irrepreensibilidade, sobriedade, honestidade, desapego dos bens materiais, amor, respeito para com o próximo. Os apóstolos e a igreja viram em Estêvão todas essas boas qualidades. O crente avivado precisa ter boa reputação:

1.3.1.1 Diante dos descrentes. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mt 5.16 NVI). Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo. (1 Tm 3.7 NVI). 1.3.1.2 Diante da igreja. Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus. (1 Co 10.32 NVI).

1.3.1.3 Diante de Deus. Disse então o Senhor a Satanás: “Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal”. (Jó 1.8 NVI).

1.3.2 Em segundo lugar, cheio do Espírito Santo. Esse qualitativo revela que, mesmo naqueles dias, nem todos eram cheios do Espírito. Como somos carentes de crentes e obreiros cheios. O termo “cheio do Espírito” refere-se, de modo geral, à vida controlada inteiramente pelo Paráclito. O ofício que os diáconos iriam desempenhar, exigia esse distintivo, pois eles não poderiam ser guiados por preferências pessoais. Estêvão, aliás, foi o primeiro não apóstolo a realizar milagres publicamente, visto que, até então, somente os apóstolos haviam sido usados por Deus para fazer maravilhas e sinais (cf. At 2.43; 3.4-8; 5.12). É bem possível que ele já tivesse realizado prodígios no meio do povo e que isso tenha sido uma das razões pelas quais ele foi eleito.

1.3.3 Em terceiro lugar, sabedoria. O apóstolo Paulo menciona o dom da palavra da sabedoria (1 Co 12.8), que não deve ser confundido com a sabedoria do alto que operava em Estêvão. Ambos vêm de Deus, mas o primeiro não é residente ou permanente; trata-se de uma palavra que é comunicada ao salvo quando ele está meditando na Palavra, expondo as Escrituras, evangelizando, aconselhando alguém, etc. Estêvão não só recebia esporadicamente uma palavra de sabedoria; ele era cheio da sabedoria celestial, isto é, por meio da capacitação do Paráclito, era sábio continuamente.

1.3.4 Em quarto lugar, o diácono Estêvão vai além das qualidades exigidas – cheio de fé/graça e poder. Com as palavras graça e poder, Lucas liga o trabalho de Estêvão de misericórdia, cura, ensino e pregação à obra dos apóstolos. Assim, Deus abençoa o trabalho de Estêvão no mesmo grau que tem abençoado os feitos dos apóstolos. Para ser exato, No grego, o tempo verbal indica que Estêvão continuava a realizá-los. Se ele já realizava milagres antes de os apóstolos o terem ordenado não está claro, mas é provável. Deduzimos que “grandes prodígios e sinais” descreva o ministério de cura de Estêvão. Especialmente em razão desses milagres, ele era uma bênção para o povo.

  1. A PRECIOSA MORTE DE ESTÊVÃO

2.1 Estêvão confronta os opositores da igreja. O sermão de Estêvão, registrado em Atos 7, prova que ele tinha grande conhecimento. No entanto, o que fazia dele um pregador irresistível, capaz de emudecer grandes mestres do judaísmo, era o poder do alto: “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (6.10). “Inspirado pelo Espírito Santo, Estêvão falou com tanto poder de persuasão que seus adversários foram incapazes de sobrepujá-lo na argumentação” (WILLIAMS, 1996, p. 147). O termo “Libertos” (gr. libertinos) alude, possivelmente, a pessoas libertas da escravidão, vindas de diferentes áreas helenistas como, por exemplo, Cirene, Alexandria, Cilícia e Ásia. Como o jovem Saulo (Paulo), oriundo da Cilícia, era um dos inimigos de Estêvão (cf. At 7.58), possivelmente fazia parte de uma dessas sinagogas ou de uma das congregações da sinagoga dos Libertos. Acredita-se, que neste tempo, Estêvão, por diversas vezes, silenciou o jovem Saulo de Tarso com argumentos insuperáveis a respeito de Jesus. A pregação de Estêvão teve cinco características. Ela foi teocêntrica, pois exaltou a Deus do começo ao fim; Cristocentrica, porque girou em torno do Justo; ungida, já que esse apologista estava cheio do Espírito, de fé, sabedoria, poder e graça; verdadeira, uma vez que seu compromisso não era com a plateia, e sim com o Filho do Homem; e aprovada por Deus, haja vista Estêvão, que não recebeu aplausos, viu o Senhor Jesus em pé à direita de seu Pai.

 2.2 A perseguição e a morte de Estêvão, um homem cheio de graça.

Quatro fatos sobre um homem cheio de graça, precisam ser considerados tomando como exemplo a vida do primeiro mártir da igreja:

2.2.1 O homem cheio de graça é alguém sábio no combate a mentira (8,9). Estêvão foi resistente ao engano defendido pelos seus compatriotas. Ele não se calou diante das mentiras a respeito de Jesus.

2.2.2 O homem cheio de graça é alvo de calunias e conspirações (11,14). Mesmo os homens avivados sofrem rejeição e oposição. Os ímpios investiram seus recursos para se oporem ao homem de Deus. Alugaram falsas testemunhas para caluniarem o santo homem de Deus.

2.2.3 O homem cheio de graça é alguém que irradia santidade diante do mundo. Olhando para ele, todos os que estavam sentados no Sinédrio viram que o seu rosto parecia o rosto de um anjo. (At 6.15 NVI). Esse texto traz a ideia de que Estêvão, antes de estar em pé diante do sinédrio, estava prostrado diante de Deus.

2.2.4 O homem cheio de graça é alguém que vivendo ou morrendo honra o nome de Jesus. Durante o processo de apedrejamento de Estêvão, ele fez duas declarações fascinantes, ambas recordando as palavras de Cristo na cruz. A primeira, “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” é semelhante às palavras finais de Cristo em Lucas 23.46 (em alguns manuscritos). A segunda é uma palavra de perdão: “Senhor, não lhes imputes este pecado”. Estêvão obviamente tinha aprendido com o seu Mestre algumas lições importantes sobre como viver e como morrer. Lucas tem a intenção de demonstrar a semelhança de Estêvão com Cristo.

III. O AVIVAMENTO NO SOFRIMENTO

3.1 O sangue do primeiro mártir regou um grande despertamento. Os que tinham sido dispersos por causa da perseguição desencadeada com a morte de Estêvão chegaram até à Fenícia, Chipre e Antioquia, anunciando a mensagem apenas aos judeus. (At 11.19 NVI). “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos” (Tertuliano, Apologético, 50,13). O martírio de Estêvão provocou a perseguição; a perseguição desembocou na dispersão; e a dispersão redundou em evangelização. Warren Wiersbe acrescenta que a perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os cristãos em Jerusalém eram as sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em novo solo, a fim de que dessem frutos Esses evangelistas anônimos, em função da diáspora, avançaram até Samaria, Judeia Fenícia, Chipre, Antioquia e confins da terra.

3.2 A igreja avivada em tempos de perseguição.

3.2.1 A perseguição tornou a igreja evangelística. Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem. (At 8.4 NVI).

3.2.2 A perseguição trouxe a igreja de volta aos propósitos de Deus. Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra. (At 1.8 NVI).

CONCLUSÃO Estevão, um mártir avivado é um exemplo de cristão que deve ser imitado pelos crentes de todas as épocas. Ele nos ensina, entre outras lições, que devemos e viver como crentes e morrer como crentes. É um dos personagens mais proeminentes do Novo Testamento. O seu discurso é o mais longo do livro de Atos (At 7.2-53). Sua vida e trabalho são destacados em Atos 6 e 7, embora sua perseguição e morte sejam mencionadas mais tarde em Atos 11.19; 22.20. Estêvão chegou à proeminência nos primeiros dias da Igreja cristã, quando a comunidade se desenvolvia e experimentava os problemas e as dificuldades constantes. Uma das tensões surgidas foi em consequência da acusação de que as viúvas de origem grega eram esquecidas na distribuição diária de alimentos (At 6.1). Como resposta a essa crítica, os doze apóstolos reuniram toda a congregação, apresentaram abertamente o problema e propuseram uma solução razoável: “Escolhei, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At 6.3,4). Essa proposta recebeu a aceitação geral de toda a comunidade e foram escolhidos sete homens de reputação irrepreensível para lidar com a situação. Dois dos principais membros deste grupo foram Estêvão e Filipe. Quando o problema foi contornado, a Igreja em Jerusalém experimentou um crescimento extraordinário: “De sorte que crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava rapidamente o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.7). Conforme Lucas esclarece, Estêvão estava profundamente envolvido em todo esse crescimento, especialmente na expansão da Igreja de Jerusalém para Antioquia (At 6.1 a 12.25). Lucas dedica uma considerável atenção ao testemunho de Estêvão (6.8 a 7.60), descrevendo em detalhes sua prisão (6.8-15), sua brilhante “defesa” (7.1-53) e seu martírio (7.54-60). Estêvão não somente era um homem prático, hábil em lidar com a administração da Igreja e a obra social, mas também interessado na pregação do Evangelho aos outros. Sua mensagem era acompanhada de maravilhosas demonstrações do poder de Deus, que lhe davam condições de operar “prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6.8). Isso dava à sua palavra uma notável credibilidade, mas também suscitava a oposição dos judeus conservadores, preocupados com o novo movimento cristão, e invejosos por causa da evidente popularidade de Estêvão e de seu carisma. A despeito da oposição, seus inimigos não “podiam resistir à sabedoria e ao espírito com que ele falava” (At 6.10) . Determinados a atacar e enfraquecer seu trabalho, instigaram uma campanha sub-reptícia, ao fazer graves acusações contra Estêvão e alegar que blasfemava “contra Moisés e contra Deus” (At 6.11) . Ao mobilizar as multidões contra ele e usar as alegações de falsas testemunhas, asseguraram que fosse preso, a fim de anular seu radiante testemunho de Cristo e transformá-lo em algo sinistro e hostil à Lei mosaica (6.14). O fato inegável, entretanto, é que Estêvão manteve sua compostura diante do Sinédrio, e seus inimigos reconheceram sua santidade: “…fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo” (At 6.15). O discurso de Estevão diante do Sinédrio é uma memorável recapitulação da história judaica e uma defesa ousada da fé cristã diante de seus acusadores. Foi questionado pelo sumo sacerdote se as acusações feitas contra ele eram verdadeiras ou falsas. Tinham afirmado ruidosamente: o curso para pregadores iniciantes: O Pregador e a Pregação “Este homem não cessa de proferir blasfêmias contra este santo lugar e a lei. Pois o ouvimos dizer que esse Jesus de Nazaré há de destruir este lugar, e mudar os costumes que Moisés nos deu” (At 6.13,14). A resposta de Estêvão não representava uma tentativa de se livrar da perseguição ou do sofrimento; pelo contrário, foi uma magnífica confissão de sua fé em Cristo contra o pano de fundo do tratamento dispensado por Deus ao povo da Aliança através da história. O sermão realmente nos oferece uma “teologia bíblica” — um exame do Antigo Testamento à luz do advento de Cristo. Mostra um triste quadro de constantes escorregões por parte do povo de Deus e aponta a rejeição deles ao Messias prometido, como o trágico clímax de uma longa história de apostasia e desobediência (7.2-53). O discurso tem três partes principais: a primeira refere-se aos patriarcas (At 7.216); a segunda a Moisés (At 7.17-43); e a terceira ao Tabernáculo e ao Templo (7.4450). Essa revisão histórica é seguida pela repreensão por manterem a mesma atitude com relação ao advento de Cristo (7.51-53), pela resposta furiosa do povo, ao apedrejá-lo (7.54 a 8.1a) e pela dispersão da Igreja de Jerusalém, em consequência da perseguição resultante (8. lb-4). Depois de pedir que prestassem atenção ao que tinha a dizer (At 7.1; cf. 22.1), Estêvão fez um relato da história sagrada desde Abraão e falou da maneira como Deus lidou com o grande antepassado do povo da aliança (7.2-8). O Todo-poderoso falara com o patriarca e lhe dera direção para ir à terra da promessa (At 7.3; cf. Gn 12.1-3). Abraão, em obediência à voz divina, saiu de Ur e estabeleceu-se em Harã, onde permaneceu até a morte de seu pai (At 7.4; cf. Gn 11.31 a 21.1,5; 15.7). Deus fizera promessas maravilhosas a Abraão, apesar de naquela época ainda não ter um filho (At 7.5; cf. Gn 12.7; 13.15; 15.2,18; 16.1; 17.8; etc.). Deus disse a Abraão: “A tua descendência será peregrina em terra alheia, e a sujeitarão à escravidão, e a maltratarão por quatrocentos anos” (At 7.6). o Senhor, contudo, julgaria seus opressores e levá-los-ia em segurança à Terra Prometida, onde eles o adorariam (At 7.7; cf. Gn 15.13,14; Êx 3.12). Era neste contexto de aliança que o ritual da circuncisão precisava ser entendido (At 7.8; cf. Gn 17.10-14); assim, no tempo determinado “Abraão gerou a Isaque, e o circuncidou ao oitavo dia. Isaque gerou a Jacó, e Jacó aos doze patriarcas” (At 7.8; cf. Gn 21.4). Semelhantemente, a história de José foi contada para lembrar a providência de Deus ao povo e preparar o cenário para a narrativa do poderoso livramento do Êxodo, sob a liderança de Moisés. Tanto um como o outro foram vítimas de inveja e rejeição nas mãos do povo (At 7.9, 27, 35; cf. Gn 37.11; Êx 2.14; 3.13,14). A despeito disso, Deus usou Moisés como “príncipe e juiz” de seu povo (At 7.35); de fato, a providência divina foi vista em seu nascimento (7.17-22), em seu  tempo no deserto (7.23-29), em seu comissionamento (7.30-34) e no livramento do Egito (7.35-38), apesar da idolatria de Israel desde a época do cativeiro (7.39-43). A parte final da revisão histórica lida com o contraste entre o Tabernáculo e o Templo (At 7.44-50). Estêvão claramente se opôs a uma visão estática da vida de Israel, em favor de uma visão dinâmica do povo de Deus durante a peregrinação. A repreensão no final foi uma tentativa de fazer com que os judeus encarassem sua dureza de coração e a rebelião que mantinham contra o Espírito Santo (7.51-53). Realmente, era um chamado ao arrependimento e à fé, o qual lamentavelmente caiu em ouvidos surdos. Acusou sua audiência de traidores e assassinos do “Justo” (Jesus Cristo). Numa explosão de fúria, eles o atacaram, arrastaram-no para fora da cidade e o apedrejaram até a morte (7.54,58). Estêvão morreu na presença de Saulo de Tarso, o qual “também… consentia na morte dele” (7.60; 8.1). Posteriormente, Paulo tornou-se cristão (At 9.1-19; 22.1-21; 26.2-23). A morte de Estêvão provavelmente foi um dos “aguilhões” que o levaram a Cristo (At 26.14). Vários aspectos são notados aqui. Primeiro, Estêvão, o “protomártir”, agiu como seu Senhor. Falou a verdade em seu julgamento (At 7.51-53; cf. Jo 18.37), perdoou seus agressores (At 7.60; cf. Lc 23.34), clamou em voz alta (Lc 23.46) e entregou seu espírito (At 7.59; cf. Lc 23.46; Sl 31.5). Esta entrega recebeu uma ênfase cristocêntrica em Atos, a qual é particularmente surpreendente: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59). Estêvão viveu, sofreu e morreu por Cristo; no momento da morte, olhou para o Senhor para a vindicação final. Dois outros elementos também são notados. Um é o testemunho de Estêvão. Em seu primeiro livro, Lucas registrara as palavras de Jesus: “Digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus” (Lc 12.8s; cf. Mt 10.32s). Estêvão, diante de seu martírio, reivindicou ousadamente essa promessa e pediu a Jesus, o Filho do homem, que o reconhecesse no céu, na presença de Deus, como verdadeiro discípulo. Seu pedido foi concedido e ele exclamou: “Olhai! Eu vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à direita de Deus” (At 7.56). O outro é o fato de que a vida de Estêvão estava claramente sob o total controle do Espírito Santo. Esse papel do Espírito é evidente em sua indicação (At 6.3,5), em seu poderoso testemunho de Cristo (6.9,10), em suas obras poderosas e sinais miraculosos (6.8) e em seu discurso corajoso diante do Sinédrio (7.2-53). O heroísmo e a coragem de Estêvão diante dos oponentes e sua atitude amorosa para com os inimigos — tudo isso faz dele um modelo digno de um discípulo fiel, um obreiro efetivo e um nobre mártir. Sua história tem grande relevância hoje, quando, no presente século, são martirizados mais cristãos do que em qualquer outra época da era cristã. A.A.T. OS SEGREDOS DE UM DIÁCONO DIFERENCIADO INTRODUÇÃO A Bíblia revela qualidades de Estêvão, um diácono diferenciado. A história de Estêvão nos ensina que muitas pessoas se destacam não apenas pela função que exercem, mas sim, pelo que são e pelo que fazem. Fazendo uma leitura do livro de Atos dos Apóstolos, vamos perceber que o diácono Estêvão ocupou muito mais destaque nas páginas das Escrituras do que muitos sacerdotes, reis, profetas e apóstolos.

  1. AS QUALIDADES DO DIÁCONO ESTÊVÃO 1. Ao observar a lista dos sete homens escolhidos pelos apóstolos para administrar o departamento social da Igreja Primitiva, percebemos Estêvão no topo da lista (At 6.5). Os demais tiveram os seus nomes apenas citados; Estêvão, porém, foi qualificado como um “homem cheio de fé e do Espírito Santo”. 2. Em At 6.8, o historiador Lucas escreve mais algumas qualificações do diácono Estêvão, dizendo: “Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.” 3. Em At 6.10, Lucas ainda descreve o diácono Estêvão como um pregador convincente, dizendo: “E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava.” 4. Em At 7.55-56, ao se tornar o primeiro mártir da história do cristianismo, Estêvão teve o privilégio de ver o próprio Senhor Jesus se levantar do trono e se colocar de pé para recebê-lo na glória celestial.
  2. EXEMPLOS DE PESSOAS QUE OCUPARAM FUNÇÕES MENORES E REALIZARAM COISAS MAIORES 1. Além do diferenciado diácono Estêvão, temos muitas outras pessoas na Bíblia que se destacaram mais pelo que fizeram do que pela função que ocupavam. Obadias, o mordomo de Acabe, se destacou por temer ao Senhor e ter salvo a vida de cem profetas do Senhor (1Rs 18.3-4). 2. Ebede-Meleque, o etíope eunuco do rei Zedequias, se destacou por salvar a vida do profeta Jeremias de uma cisterna (Jr 38.1-13). 3. As parteiras Sifrá e Puá se destacaram por salvar a vida de muitas crianças hebreias no Egito (Êx 1.15-21). 4. Após a morte de Estêvão, Deus levantou outro diácono em seu lugar, Filipe, o qual foi usado poderosamente para promover um grande avivamento em Samaria (At 8.5-40). CONCLUSÃO Assim como o diácono Estêvão se destacou até mais do que um apóstolo, Deus pode fazer grandes coisas por meio de sua vida, independente da função que você exerça (1Co 1.26-29
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