Temos acompanhado com apreensão o desenrolar de mais um conflito no mundo. Dessa vez se trata do Irã e Israel.
Além da guerra em si, uma das coisas que mais tem me surpreendido nessa guerra são as manifestações de rua em prol do Irã. Elas têm acontecido por todo o mundo, inclusive no Brasil. É claro que em uma guerra existe propaganda política de ambos os lados e manifestações públicas de apoio às partes envolvidas são de se esperar. Então, por que essas manifestações em prol do Irã me causam tanta perplexidade? Me permita explicar começando pelo contexto do Irã.
O regime dos Aiatolás
A revolução islâmica no Irã se deu em 1979, liderada pelo Aiatolá Khomeini. Desde então se desenvolveu um regime fortemente opressor. Veja:
- O país é governado pelo líder supremo. Atualmente Ali Khamenei. Ele é a autoridade suprema do país, com poderes totais sobre as forças armadas, o judiciário, o legislativo e a mídia.
- Não existe pluralismo partidário. Somente os partidos leais ao governo têm autorização para existir. A oposição é violentamente perseguida. Aqueles que se levantam contra o regime são presos, torturados e mortos.
- A liberdade de imprensa é inexistente. As emissoras, os jornais e noticiários são fortemente censurados.
- Os indivíduos não têm liberdade de expressão, de reunião, de organizar em ONGs, ou sindicatos.
- As mulheres são submetidas às leis que impõem um padrão de vestimenta. “Em 2022, um número crescente de mulheres apareceu em público sem o véu como um ato de desobediência civil. Dezenas foram presas, incluindo várias atrizes famosas. Em setembro de 2023, o parlamento aprovou um projeto de lei que imporia penas mais pesadas, incluindo multas mais pesadas e penas de prisão mais longas, para mulheres que não usassem o hijab (o véu islâmico).”[1] De acordo com relatórios oficiais 165 mulheres foram mortas por familiares do sexo masculino entre julho de 2021 e julho de 2023, embora especialistas acreditem que o número real seja significativamente maior.
O financiamento dos terroristas
O Irã tem patrocinado o terrorismo pelo mundo. O governo iraniano fomenta o terrorismo de grupos como o Hezbollah e Al-Qaeda, além de fornecer apoio irrestrito a grupos terroristas palestinos em Gaza e vários outros grupos terroristas no Iraque, Síria, Bahrein e em outros lugares do Oriente Médio.É por isso que seu crescente programa de energia nuclear é tão temeroso. Ele diz que é para fins pacíficos, mas há anos tem quebrado os acordos nucleares que assina, ao passo que não envida esforços para patrocinar o terror no mundo.
O Cristianismo no Irã
Na lista mundial de perseguição aos cristãos da Missão Portas Abertas, o Irã se encontra em 9º lugar. Segundo a Missão, os cristãos são divididos pelo Governo em duas classes: os cristãos reconhecidos pelo governo e os cristãos que o governo não reconhece como seguidores de Jesus. Os cristãos reconhecidos pelo governo são os armênios e assírios. Estes são protegidos pelo Estado, mas tratados como cidadãos de segunda classe, tendo seus direitos tolhidos. No Irã, a conversão do islamismo para o cristianismo é ilegal e pode ser punida com perda do direito à herança da família; ser obrigada a se casar com um muçulmano (no caso de mulher); sofrer a perda da guarda dos filhos; ser preso e até mesmo perder a vida. Muito bem, diante desse contexto atroz por parte do Estado Iraniano à sua própria população, era de se esperar manifestações de apoio a Israel. Que bom que Israel tomou a iniciativa de impedir os planos nefastos do Irã no que tange ao projeto de energia nuclear e, com isso, poder libertar a população iraniana da tirania do regime. Não é mesmo?! Entretanto, não é o que vemos. Ao contrário, temos visto manifestações de repúdio a Israel. E aí voltamos à questão inicial. Como explicar as manifestações em defesa do Estado iraniano? A resposta para essa pergunta está na Ideologia. No caso, da Esquerda. Como despertei para isso? Outro dia estava assistindo a uma reportagem do Metrópoles[3] que mostrava uma dessas manifestações. Foi a manifestação de São Paulo. Entre os manifestantes tinham cartazes do tipo: “Palestina livre”, “Lula, rompa com Israel”, “Netanyahu é o Hitler do séc. XXI”, “Estudantes em solidariedade ao povo da Palestina”. Achei curioso que entre a pequena multidão havia várias mulheres. Elas estavam sem a hijab, com todos os seus direitos assegurados, protestando livremente contra o ataque de Israel ao Irã, país este, aliás, que oprime terrivelmente as mulheres, como já mencionei. Como essa incoerência absurda é possível? Em busca a essa resposta continuei a assistir o protesto insano. Nessa manifestação, um dos participantes entrevistados explicou o motivo de estar ali: “Pela primeira vez vemos Tel Aviv em chamas. Algo inimaginável ao longo das últimas décadas. Isso mostra que os países oprimidos estão saindo da condição de oprimidos e estão tentando nada mais nada menos que se defenderem e terem seus direitos nesse mundo imperialista que está indo à falência”.
Observe bem a fala contendo velhos conceitos como oprimido/opressor, imperialismo, oprimidos se defendendo. Tudo isso me deixou curioso e me levou a observar com mais cuidado os organizadores do evento. Eu vi bandeiras do PCO, CUT e APEOSP. Ou seja, entidades de Esquerda. Daí eu entendi! O que está por detrás de toda essa manifestação de apoio ao Estado nefasto do Irã é a Ideologia da Esquerda. A Esquerda no mundo (Rússia e China) tem financiado Estados como o Irã para fazer valer o seu projeto de poder. De acordo com reportagem da BBC, os grupos de esquerda apoiaram Khomeini, na Revolução Islâmica de 1979, inclusive o partido comunista Tudeh.
A Ideologia explica a nota do Itamaraty condenando os ataques de Israel ao Irã: “O governo brasileiro expressa firme condenação e acompanha com forte preocupação a ofensiva aérea israelense lançada na última madrugada contra o Irã, em clara violação à soberania desse país e ao direito internacional”, diz o comunicado.”Não podíamos esperar outra coisa vinda de um governo de Esquerda, como o do Brasil.
A ideologia de Esquerda tem corrompido corações e mentes por todo o mundo há décadas, inclusive na América Latina e no Brasil. Sua sedução tem cooptado as mentes de jovens a partir da militância de professores nas escolas e universidades públicas, de maneira que tem se tornado cada vez mais temeroso enviar os nossos filhos a estas instituições, sob risco de serem aliciados. Diante disso, a pergunta se faz pertinente: como a Igreja de Cristo pode fazer frente a esta Ideologia que se coloca contra os valores cristãos?
A resposta está na Palavra de Deus. O Nosso Senhor Jesus disse:
“Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.31,32) Assim como fomos instruídos e como sempre fizemos, nós cristãos somos livres da cegueira ideológica à medida que nos mantemos nas Escrituras. É a Palavra de Deus que abre bem os nossos olhos para que possamos rejeitar o que é falso e nos posicionar ao lado da verdade. Veja que Jesus disse “se permanecerdes na minha palavra”. O problema está exatamente aqui. Existem inúmeras igrejas que, embora ainda se apresentem como igrejas evangélicas, há muito deixaram a palavra de Deus, seja em detrimento de experiências místicas, seja por abraçar o humanismo de nossa época. Sendo assim, seus membros são presas fáceis da Ideologia que está à espreita. Nós, porém, pela graça do Nosso Bom Deus, nos manteremos nas Sagradas Escrituras, anunciando a todos os homens o Cristo Jesus ressurreto.
pibindaiatuba.com
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