24 de junho de 2026 06:29

LIÇÃO 07 – A DESCONSTRUÇÃO DA FEMINILIDADE BÍBLICA

DEFINIÇÃO PRELIMINAR
A feminilidade é um comportamento projetado e criado por Deus, um presente dado pelo Senhor à humanidade, e que não consiste somente em se cuidar ou se vestir-se adequadamente. Bem mais que isso, feminilidade é um conjunto de atitudes e comportamentos, um estilo de vida pelo qual a família e a sociedade experimentam doçura, amabilidade, afetividade, beleza e outros atributos mais.
PROCESSO DE DESCONTRUÇÃO
Houve um tempo – Era uma vez… – que ser contracultura era quebrar o que se chamavam de tabus, e contrariar normas, valores e padrões morais e culturais na sociedade edificada sobre valores judaicos-cristãos. Até então, por exemplo: o sexo definia o gênero, ou seja: masculino era homem e feminino era mulher, era binário e ponto final; o casamento era entre um homem (masculino) e uma mulher (feminino); a relação sexual era para ser desfrutada no contexto da aliança matrimonial, ou seja, no casamento – que sempre foi monogâmico, entre um homem (masculino) e uma mulher (feminino); e desse núcleo se formava a família e em torno dela a sociedade como um todo. Aborto? Nem pensar! Em hipótese alguma. Essa era a cultura; e tudo o que a isso se contrapunha era contracultural. Quando se olha para a história, as ações de contracultura, em geral, surgiram de jovens (já doutrinados e) descontentes com a vida e os valores estabelecidos por seus pais, os quais, obviamente, por sua vez, haviam sido criados dentro da cosmovisão judaico-cristã. O auge desse movimento contracultural se deu nos Estados Unidos, com o movimento hippie, na década de 1960, em convergência ao ápice da Guerra Fria (a polarização do mundo entre dois bloco: EUA – Estados Unidos da América e URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas; ou seja, a polarização entre capitalismo e socialismo). Foi nessa época que, na Inglaterra, surgiu o movimento punk – e de lá se espalhou pelo mundo (movimento punk é caracterizado pela contestação e desprezo pelos valores sociais). A doutrinação nesse período extrapolou os focos de ideologias ateístas localizados, geralmente apenas entre intelectuais e acadêmicos, e se disseminou, principalmente, pelas letras das músicas das bandas de Rock e outros gêneros – desde Elvis Presley e Beatles até todos os demais. Na década de 1980 e 1990, cantava “despretensiosamente”, sem prestar a devida atenção às letras das músicas desse período, posto que estavam quase todos entorpecidos pelo sexo, a droga e o rock and roll; e o que se cantava era sobre amor (a redefinição de amor, claro; amor de maneira contrária aos padrões judaicos-cristãos, amor “livre”); cantava-se também sobre crítica social, crítica à “imposição cultural norte-americana”, crítica à repressão ditatorial de qualquer natureza (na prática, era uma verdadeira apologia ao anarquismo; anarquismo, sim, posto que, espremendo tudo, o que se tem é o desprezo por qualquer conceito de autoridade ou de governo estabelecido, incluindo instituições educacionais, família e Estado). Portanto, houve um tempo em que ser contracultura era bater na cultura judaico-cristã. Hoje, a coisa inverteu completamente. Agora, contracultural é assumir os valores judaicos-cristãos; aliás, dependendo da forma como se expressa, passou a ser até crime. Veja bem, a maioria continua operando dentro dos valores bíblicos (no mínimo, aceitando os valores bíblicos), em termos de costumes e de moralidade, mas a minoria está muito bem organizada na formação de opinião e no doutrinamento cultural – nas universidades, na cúpula dos governos e de seus poderes, na grande imprensa, nas big techs, no mercado editorial, na indústria do entretenimento etc. Desse modo, o que outrora era absolutamente natural, cultural – por exemplo, afirmar-se que “Deus criou os seres humanos à sua própria imagem, […] homem e mulher os criou” (Gn 1.27), tornou-se não só contracultural como também quase um crime.
TEXTO ÁUREO
A formosura é uma ilusão, e a beleza acaba, mas a mulher que teme o Senhor Deus será elogiada. (Pv 31.30 – NTLH).
Vejamos o texto em seu contexto:
Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera”. A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme o Senhor será elogiada. Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade. (Pv 31.28-31 – NVI). A mulher virtuosa investiu no marido, nos filhos e no próximo e, agora, estava recebendo efusivos elogios. Quatro elogios são destacados.
a. Primeiro, o elogio do marido. Ele olha nos olhos da esposa e diz: Muitas mulheres procedem
virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. O amor deleita-se em promover a pessoa amada. Essa mulher semeou amor e agora está colhendo os frutos de sua semeadura. O bem que ela fez ao marido está retornando sobre sua própria cabeça.
b. Segundo, o elogio dos filhos. Estes a chamam ditosa. Porque ela ensinou os filhos com sabedoria e bondade, agora recebe o retorno de seu investimento. Porque não amou mais um filho do que outro, todos estão unidos para enaltecer a mãe como uma mulher feliz!
c. Terceiro, o elogio de Deus. A mulher virtuosa é conhecida na terra e no céu. Sua vida é aprovada pelas pessoas e também por Deus. Apesar de seus refinados dotes administrativos, ela é enaltecida por Deus por causa de seu coração humilde.
d. Quarto, o elogio das suas obras. A mulher virtuosa fazia muitas obras de bondade sem nenhum alarde, mas o reconhecimento de suas obras foi público. O que ela fazia em secreto era agora proclamado dos terraços. Porque ela abençoava com generosidade os necessitados, agora suas obras resplandeciam como luz no topo de uma montanha, por todas as gerações.
VERDADE PRÁTICA
A mulher foi criada para cooperar com o homem. Deus lhe confiou a dádiva da maternidade e a função de ser esposa e auxiliadora. Vamos desembrulhar a verdade prática e expô-la em três pontos:
a. A mulher foi criada para cooperar com o homem. Isso significa que a mulher não é inferior nem superior ao homem, mas sim uma parceira igual e complementar. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, e lhes deu a mesma dignidade e valor, mas reponsabilidades diferentes (Gn 1.27).
b. Deus lhe confiou a dádiva da maternidade. Isso significa que a mulher tem um papel especial e sagrado na geração e na educação dos filhos. A maternidade é um dom de Deus, que reflete o seu amor criador e providente. A mulher é coparticipante com Deus na obra da vida, e por isso deve respeitar e valorizar a sua fertilidade e a sua sexualidade.
c. Deus lhe confiou a função de ser esposa e auxiliadora. Isso significa que a mulher tem um papel essencial e honroso na construção e na manutenção do casamento. O casamento é uma instituição divina, que representa a aliança entre Cristo e a sua Igreja (Ef 5.22-33). A mulher é chamada a ser uma companheira fiel, amorosa, respeitosa e submissa ao seu marido, assim como a Igreja é submissa a Cristo. A submissão não significa escravidão ou opressão, mas sim reconhecimento da autoridade e da liderança do marido como cabeça do lar.

I. DEFINIÇÃO DE FEMINILIDADE
No coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição de ratificar, receber e nutrir força e liderança de homens dignos, através de formas apropriadas aos diferentes relacionamentos de uma mulher. Jonh Piper. Desembrulhando:
NO CORAÇÃO… Estas palavras indicam que a definição de feminilidade não é exaustiva. Há mais sobre a feminilidade do que contém esta definição. Entretanto, aproxima-se bastante do significado da verdadeira feminilidade, mesmo que haja um mistério a respeito da existência complementar do homem e da mulher que jamais esgotaremos. FEMINILIDADE MADURA… O adjetivo “madura” sugere que há distorções na feminilidade. Ao falarmos de feminilidade, portanto, devemos fazer distinções cuidadosas entre as distorções do pecado e o desígnio original de Deus. A “feminilidade madura” refere-se não ao que o pecado fez da feminilidade ou o que a opinião popular faz dela, mas ao que Deus desejou que ela fosse, no seu melhor.UMA LIBERTADORA DISPOSIÇÃO… No coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição…John Piper focaliza a feminilidade madura como uma disposição, em vez de um conjunto de comportamento e papéis. Isto porque a feminilidade madura se expressará de muitas formas diferentes, dependendo da situação. Por exemplo, a submissão de uma esposa toma diferentes formas, dependendo da qualidade da liderança do marido. Ela deve possuir uma disposição para ceder à autoridade do marido e uma inclinação para seguir sua liderança. AGORA, importa muito que se destaque o seguinte: nenhuma submissão de um ser humano a outro é absoluta. O marido, por exemplo, não substitui Cristo como a autoridade suprema da mulher. Ela nunca deve seguir a liderança do marido, se esta for conduzi-la ao pecado ou a destruição da imagem de Deus nela (no caso de abuso ou agressão de qualquer natureza). POR OUTRO LADO, uma mulher pode ter um espírito de submissão, uma disposição para submeter-se, até mesmo quando tem de se posicionar ao lado de Cristo contra a vontade pecaminosa de seu marido. Ela pode mostrar, por sua atitude e comportamento, que não está resistindo à vontade de seu marido, e, sim, desejando que ele abandone o pecado e a lidere com justiça e retidão, para novamente poder honrá-lo como cabeça numa relação harmoniosa.
DE RATIFICAR, RECEBER E NUTRIR FORÇA E LIDERANÇA DE HOMENS DIGNOS… No coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição de ratificar, receber e nutrir força e liderança de homens dignos, … A “força e liderança de homens dignos” mencionada aqui se refere à responsabilidade da masculinidade madura de liderar, prover e proteger. Observe as três palavras que descrevem a resposta de uma mulher à força e à liderança de homens dignos: ratificar, receber e nutrir. “RATIFICAR” significa que mulheres maduras aprovam o aspecto complementar masculinofeminino que aqui descrevemos: homens lideram com espírito servil de Cristo, mulheres se submetem em amor a Cristo. “RECEBER” significa que a feminilidade madura se sente natural e alegre por aceitar a força e a liderança de homens dignos. Uma mulher madura fica contente quando um homem respeitoso e atencioso, servil e amoroso, oferece iniciativas apropriadas em seu relacionamento. Ela não quer inverter estes papéis. Ela se alegra quando ele não é passivo, mas servilmente ativo e amoroso. Ela se sente enriquecida, honrada e livre pela força, atenção e liderança oferecida por ele. “NUTRIR” significa que uma mulher madura sente uma responsabilidade não apenas de receber, mas de fortalecer as fontes da masculinidade. Ela deverá ser companheira dele; como Gênesis 2.18 afirma: “Uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Há contribuições que as mulheres trazem a um relacionamento que os homens não têm condições de trazer. Mulheres maduras oferecem observações que tornam os homens mais fortes e sábios e que tornam o relacionamento mais rico. Por fim, em nossa definição de feminilidade bíblica… ATRAVÉS DE FORMAS APROPRIADAS AOS DIFERENTES RELACIONAMENTOS DE UMA MULHER… No coração da feminilidade madura está uma libertadora disposição de ratificar, receber e nutrir força e liderança de homens dignos, através de formas apropriadas aos diferentes relacionamentos de uma mulher. A feminilidade madura não se expressa da mesma forma em todos os seus relacionamentos com os homens. Uma mulher casada, por exemplo, não recebe bem, de outros homens (nem deverá receber), o mesmo tipo de liderança que recebe de seu marido. Mas, ela deve ratificar, receber e nutrir a força e a liderança de homens, de alguma forma, em todos os seus relacionamentos com eles. IMPORTANTE: É normal que em algumas ocasiões uma mulher seja colocada em uma posição de influenciar ou liderar homens (no trabalho, por exemplo). Nessa situação, ela está exercendo um tipo de liderança. Ela tem conhecimento superior no assunto, do qual o homem necessita e ao qual ele se submete em busca de orientação e liderança. Mas sabemos que existe uma forma correta pela qual esta mulher poderá orientar o homem, de modo que nenhum deles sinta sua feminilidade ou masculinidade comprometidas. Um belo exemplo de tal liderança foi o de Abigail, ao convencer Davi a não matar Nabal, seu marido tolo. Abigail exerceu grande influência sobre Davi e mudou o curso da vida do rei; mas, o fez com impressionante restrição, submissão e discrição; e em momento algum desonrou o próprio marido: 1Samuel 25.23-38 23 Quando Abigail viu Davi, desceu depressa do jumento e se curvou diante de Davi com o rosto em terra. 24Caiu a seus pés e disse: “A culpa é toda minha, meu senhor! Por favor, ouça o que sua serva tem a dizer. 25Nabal é um homem perverso; não dê atenção ao que ele disse. Ele é um insensato, como seu nome indica. Mas eu nem sequer vi os rapazes que o senhor enviou. 26“Agora, meu senhor, tenha certeza de que, tão certo como vive o SENHOR, e tão certo como a sua própria vida, foi o SENHOR que o impediu de matar e se vingar com as próprias mãos! Que todos os seus inimigos e os que procuram matá-lo acabem como Nabal! 27Aqui está um presente que sua serva trouxe para o senhor e seus companheiros. 28Por favor, perdoe-me se o ofendi de algum modo. Que o SENHOR lhe conceda uma dinastia duradoura, pois está lutando as batalhas do SENHOR. Que ele o livre de fazer o mal durante toda a sua vida! 29“Mesmo quando for perseguido por aqueles que procuram matá-lo, sua vida estará segura sob o cuidado do SENHOR, seu Deus, protegida como um tesouro. Mas a vida de seus inimigos desaparecerá como pedras atiradas de uma funda! 30Quando o SENHOR tiver feito tudo que prometeu e o tiver colocado como líder de Israel, 31não haverá em sua consciência a tristeza e o peso de ter derramado sangue e se vingado sem necessidade. E, quando o SENHOR tiver feito grandes coisas em seu favor, lembre-se de sua serva!”. 32Davi respondeu a Abigail: “Louvado seja o SENHOR, Deus de Israel, que hoje a enviou ao meu encontro! 33Graças a Deus por seu bom senso! Que você seja abençoada por me impedir de matar e me vingar com minhas próprias mãos. 34Pois, tão certo como vive o SENHOR, o Deus de Israel, que me impediu de lhe fazer mal, se você não tivesse vindo depressa ao meu encontro, amanhã pela manhã não haveria nenhum homem ou menino vivo na casa de Nabal”. 35Então Davi aceitou o presente de Abigail e lhe disse: “Volte para casa em paz. Ouvi o que você disse e farei o que me pediu”. 36Quando Abigail chegou em casa, viu que Nabal estava oferecendo um banquete digno de rei. Ele se divertia e já estava muito bêbado, de modo que ela só lhe contou sobre o encontro com Davi na manhã seguinte. 37Pela manhã, quando Nabal estava sóbrio, sua esposa lhe contou o que havia acontecido. Como consequência, ele teve um mal súbito e ficou completamente paralisado. 38Passados cerca de dez dias, o SENHOR o feriu, e ele morreu.

II. UMA BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE O FEMINISMO

Em poucas palavras, os mais variados partidos do movimento feminista defendem a ideia de que o feminismo afirma existir uma desigualdade social e econômica entre homens e mulheres, sendo preciso, portanto, desfazer essa desvantagem por meio de políticas públicas ou de ações diretas e afirmativas. Na verdade, é possível afirmar que o feminismo é um movimento social e político que, no decorrer dos anos, tem assumido características específicas em suas diferentes etapas, podendo ser, resumidamente, dividido em três ondas.
2.1 A primeira onda.

A primeira onda do feminismo surgiu no século XVIII, quando uma inglesa de nome Mary Wollstonecraft escreveu um texto cujo título era Uma Reivindicação dos Direitos da Mulher. Um ano depois dessa publicação, a americana Judith Sargent Murray publicou Sobre a Igualdade dos Sexos, corroborando assim com o pensamento de Wollstonecraft. Já no século XIX, em 1848, cerca de cem pessoas se reuniram numa igreja metodista em uma convenção em Seneca Falls, Nova Iorque, para ratificar a Declaração dos Sentimentos, escrita para defender os direitos naturais básicos da mulher.
As autoras da Declaração dos Sentimentos reclamavam que as mulheres estavam impedidas de galgar posições na sociedade com empregos melhores, além de não receberem pagamentos justos pelo trabalho que realizavam. Elas perceberam que as mulheres estavam excluídas de profissões importantes na sociedade e que eram proibidas de cursar uma universidade. Além disso, denunciavam um duplo padrão de moralidade, que condenava e punia as mulheres, enquanto excluía os homens das mesmas punições, em relação a crimes de natureza sexual.
2.2 A segunda onda.
Já a segunda onda do feminismo surgiu na primeira metade do século XX. Diferentemente do feminismo da primeira onda, mais prático, o feminismo da segunda onda apresentava um caráter mais ideológico, fundamentado em uma base filosófica existencialista, trazendo em seu bojo uma nova visão do conceito de feminilidade, em que os padrões sociais relacionados à família, ao casamento e à maternidade deveriam ganhar um novo significado. O feminismo da segunda onda foi sobretudo difundido por Simone de Beauvoir, Betty Friedan e Kate Millett, que, como arautas da desconstrução familiar e social, defendiam a legalização do divórcio, a legalização do aborto e o sexo casual. Simone de Beauvoir, por exemplo, defendia que crianças de onze anos já se enquadravam na idade de consentimento, mesmo que não tivessem alcançado a puberdade. Ela e Sartre, seu companheiro, com quem viveu anos a fio, fizeram parte da Front de Libération des Pédophiles (Frente de Liberação de Pedófilos), o que por si só expõe aquilo que defendiam e criam. Além de tudo, Beauvoir cunhou uma sentença que muito influencia as feministas:
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualifica o feminino.
2.3 A terceira onda
Por fim, a terceira onda do feminismo teve início na década de 1980, tornando-se ainda mais ideológica do que a segunda. Na verdade, essa onda feminista defende ostensivamente o aborto, a ideologia de gênero, os direitos dos homossexuais e transsexuais, a eliminação do conceito de que existem apenas dois gêneros fixos e imutáveis — sugerindo assim que o gênero é definido pela vontade da pessoa, não por fatores biológicos —, isso sem contar a necessidade de eliminar da cultura e da sociedade os princípios basilares do cristianismo. Judith Butler, filósofa americana que se destacou por seu trabalho nas áreas de igualdade de gênero, identidade e poder, embora concordasse com as ideias de Simone de Beauvoir, entendeu que o feminismo tradicional ignorava as implicações mais amplas dessa noção, visto que reforçava os estereótipos de “masculino e feminino”. Segundo Butler, tanto gênero quanto sexualidade não podem ser determinados biologicamente, mas devem sê-lo socialmente. Para ela, o gênero não é uma realidade inata, mas uma construção. Butler vai além de muitas feministas, defendendo a subversão deliberada e um comportamento que ultrapassa os atos de gênero convencionais, com aquilo que ela chama de performatividade de gênero. Em outras palavras, a filósofa norte-americana argumenta que nascer homem ou mulher não determina o comportamento de alguém, mas que a pessoa aprende a se portar de uma maneira ou de outra com o intuito de se encaixar na sociedade. Para ela, a ideia de gênero é um ato, ou uma atuação. Esse ato, ou performance, segundo ela, é a maneira como uma pessoa anda, fala, se veste e se comporta.

III. AS CARACTERÍSTICAS DO FEMINISMO


3.1 O feminismo e o ódio ao cristianismo.
Hoje é comum testemunhar, ao redor do mundo, manifestações agressivas por parte de muitas feministas contra o cristianismo. Não são poucas aquelas que consideram o cristianismo como seu inimigo, pensamento beligerante que se expressa em ataques, xingamentos ou mesmo invasões e destruições de igrejas. O feminismo usa uma roupagem politicamente correta que falsamente transmite a ideia de um movimento justo, enquanto suas estruturas conceituais defendem o fim do cristianismo, a relativização do matrimônio, a condenação da monogamia, da maternidade, da família e a superioridade da mulher, além de rejeitar com veemência a noção de que homens e mulheres são iguais diante de Deus, embora criados pelo Eterno de forma diferente, com papéis distintos, mutuamente complementares. Em outras palavras, o feminismo detesta o cristianismo porque ambos são sistemas doutrinários completamente antagônicos.
3.2 O feminismo e sua guerra contra o homem.


O feminismo trava uma hercúlea batalha contra os homens. Especialmente entre as líderes do movimento, há mulheres que manifestam um espírito de extrema beligerância, verbalizando, assim, sempre que podem, sua oposição e ódio à masculinidade. E, ainda que neguem, muitas feministas nutrem em seus corações um claro sentimento de misandria. Explicando cenários como o que acabei de citar, Campagnolo afirma que, na guerra contra os homens, as feministas investem tempo, dinheiro e propaganda em atacar tanto meninos quanto homens adultos, buscando desconstruir conceitos relacionados à verdadeira feminilidade. Basta navegar pela internet para encontrar textos de feministas manifestando publicamente seu ódio contra os homens. A página Feminismo Radical apresenta um texto em que a autora diz claramente que odeia os homens. No site Todas Fridas, há um texto interessantíssimo que detalha o ódio contra os homens. Exponho aqui um trecho: Não dá mais para olhar para uma mulher que odeia homens e fingir que ela não tem motivos para nutrir esse sentimento. É muito simples: se uma pessoa é mordida por uma cobra uma vez, ela pode desenvolver medo e repulsa por esse animal. Pois bem, mulheres são maltratadas por homens durante toda a vida, e é nisso que consiste o patriarcado. O ódio aos homens é, portanto, uma resposta a tudo aquilo que vivemos, é um sentimento real com uma base traumática real e não precisa necessariamente ser desconstruído. Querer viver afastada deles, se recusar a ser didática e compreensiva (principalmente acerca do feminismo), ser apática ou até mesmo rude para com eles: isso tudo é totalmente justificável.
3.3 Doutrinas defendidas pelo feminismo.
a. A mulher precisa competir com os homens, incluindo o próprio marido. As Escrituras, porém, declaram que o matrimônio não consiste numa disputa para ver quem é melhor ou pior, mas em uma união cuja essência é a cooperação mútua, cada um segundo seu papel
e sua vocação dados por Deus.
b. Casamento, família e filhos são desnecessários. Infelizmente, a ideia de que casamento, família e filhos são desnecessários tem ganhado espaço no coração de muitas mulheres. O mundo em que vivemos desconstrói a relevância e a importância da união matrimonial, da geração de filhos e de criá-los da melhor forma possível.
c. O que importa é ser feliz. Uma das características de nossa sociedade é a busca desenfreada por prazer. O hedonismo se manifesta na forma como as pessoas enxergam a vida, e não deixa de afetar até mesmo os cristãos. A busca pelo prazer a qualquer custo subverte os princípios bíblicos.
d. O sexo é libertador e, portanto, é preciso quebrar tabus. Já se afirmou que a própria Revolução Sexual queria indicar que as leis de Deus não mais governavam o mundo, e sim a volição humana, chafurdada em contrariedade e transgressão. Com o sexo instrumentalizado, a indústria cinematográfica passou a investir rios de dinheiro para injetar na cabeça de moças e rapazes valores que viriam a destruir uma geração. Desde então, relacionamentos heterossexuais e monogâmicos foram ainda mais afetados, a contracepção ganhou destaque e o sexo antes do casamento, o aborto, a infidelidade conjugal e a pornografia passaram a ser especialmente incentivados. Tudo isso,
consequentemente, se projeta em ataques contra a instituição do casamento, da família tradicional. Hoje, a virgindade é alvo de zombaria. Antigamente, quando iam ao ginecologista, moças ainda não casadas sentiam vergonha se já tivessem perdido a virgindade; agora, com um cenário totalmente invertido, elas sentem vergonha por terem se conservado virgens.
e. A mulher faz o que quiser com seu próprio corpo — afinal, “meu corpo, minhas regras”e, por isso, abortar é um direito e uma escolha. Uma das frases mais conhecidas no meio feminista e repetidas por inúmeras mulheres é: “Meu corpo, minhas regras”. Em outras palavras, o seguinte pensamento: “Faço do meu corpo o que eu quiser e ninguém tem
absolutamente nada que ver com isso”. Esse lema, cujo intuito é defender a todo custo a ideia de autonomia corporal e liberdade de escolha, defende que a mulher tem o direito de lidar com seu próprio corpo da forma que achar melhor, mesmo que sua decisão inclua devassidão sexual, homossexualismo, não engravidar e assassinato de bebês no útero. Alegalização do aborto, por exemplo, sempre representou para o feminismo uma questão prioritária dos “direitos das mulheres”.
IV O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE AS MULHERES
Num tempo em que tantas vozes têm se levantado para dizer o que significa ser mulher, tornou-se necessário, mais do que nunca, entender aquilo que Deus, em sua Palavra, diz acerca das mulheres.
4.1 Homens e mulheres são iguais diante de Deus, detentores da mesma importância e dignidade aos olhos do Criador.
As Escrituras ensinam que Deus criou tanto o homem quanto a mulher à sua imagem, dando a ambos, domínio sobre a terra (Gn 1.26–28). Segundo a Palavra de Deus, o Senhor concedeu tanto a homens quanto a mulheres as mesmas capacidades intelectuais e espirituais. Em nenhum momento a Bíblia afirma que Deus criou Eva para ser inferior a Adão, mas declara que ela foi formada para auxiliá-lo em sua missão (Gn 2.18).
4.2 Apesar de iguais diante de Deus, homens e mulheres possuem papéis diferentes. Apesar de homens e mulheres serem iguais perante Deus, e usados pelo Senhor segundo seu chamado e vocação, ambos, complementando-se, possuem papéis diferentes e funções distintas tanto na família como diante da sociedade: o homem recebeu do Criador a responsabilidade de ser o líder do lar, de proteger, prover e amar sua esposa, enquanto a mulher foi criada como sua auxiliadora e ajudadora idônea (Gn 2.18).
4.3 Mulheres devem ser honradas e tratadas com dignidade e respeito. Desde cedo, os filhos aprendiam a respeitar a autoridade da mãe, presente na educação deles até que se tornassem adultos. O Decálogo, por sua vez, ordena claramente que os filhos devem não só honrar o pai, como também a mãe (Êx 20.12). A lei incluía orientações detalhadas sobre a conduta entre pessoas do sexo oposto, que mostravam respeito pelas mulheres (Lv 18.6,9; Dt 22.25,26), e não houve quem mais valorizasse as mulheres do que Jesus. A mulher samaritana, por exemplo, aquela que teve cinco maridos, ou mesmo Maria Madalena, Marta e Maria eram amigas e discípulas do Salvador.
CONCLUSÃO
Por fim, a luz da Bíblia, queremos finalizar esse breve estudo elencando as características da mulher virtuosa:
a. A mulher sábia não vive murmurando ou reclamando, nem costuma causar rixas e conflitos.
b. A mulher sábia entende que nem sempre a melhor coisa a ser feita é responder à ofensa na mesma moeda, pois compreende que a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.
c. A mulher sábia teme ao Senhor, pois entende que esse é o princípio da sabedoria.
d. A mulher sábia honra, valoriza e respeita seu marido.
e. A mulher sábia fala com verdade, e a bondade encontra-se em sua língua. Poderíamos elencar muitos outros atributos, mas deixo como orientação, a leitura atenta de provérbios 31. Deus abençoe. Até a próxima aula.

Compartilhe: