25 de junho de 2026 05:24

O AVIVAMENTO E A MISSÃO DA IGREJA

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos a importância do avivamento no cumprimento da atividade missionária desenvolvida pela igreja. Pontuaremos as dificuldades que os missionários da igreja primitiva enfrentaram na obra da evangelização, bem como esboçaremos os sentimentos que norteiam uma igreja que ama missões. Por fim, abordaremos o perfil e as qualificações de um missionário. Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.
TEXTO ÁUREO
Jesus lhes disse: “Vão ao mundo inteiro e anunciem as boas-novas a todos. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem se recusar a crer será condenado. (Mc 16.15,16 NVT). Então ele disse: —Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. (Mc 16.15,16 NTLH).

DISCURSO E disse-lhes:
GRANDE COMISSÃO — Vão por todo o mundo
CONTEÚDO DA MENSAGEM e preguem o evangelho
PÚBLICO ALVO a toda criatura.
EXIGÊNGIA PARA SER SALVO Quem crer
AÇÃO QUE EVIDENCIA A FÉ e for batizado
RESULTADO DA PREGAÇÃO E DA FÉ será salvo;
RESULTADO DA INCREDULIDADE quem, porém, não crer será condenado.

Este parágrafo representa uma mudança de cena. Este foi outro aparecimento pós ressurreição. O Evangelho de Marcos é um relato do Evangelho (ou Boas Novas) desde o seu princípio (1.1). O término do livro não finaliza o Evangelho, que continua na vida dos seguidores de Jesus. A ordem de Jesus era que eles fossem por todo mundo, e pregassem as Boas Novas. Uma leitura superficial de Marcos 16.15,16 pode dar a entender que, a fim de ser salvo, é preciso que o pecador também seja batizado, mas essa interpretação incorreta não pode ser defendida, uma vez que observamos a ênfase sobre o crer. Se uma pessoa não crê, mesmo que seja batizada, está condenada (ver Jo 3.16-18,36). Jesus não disse que aqueles que não fossem batizados seriam condenados, mas que quem não crer será condenado. O batismo simboliza a submissão a Cristo, uma disposição para seguir o caminho de Deus e a identificação com o povo que tem uma aliança com Deus.
VERDADE PRÁTICA
Neste tempo marcado pela falta de fé, a Igreja só pode cumprir a sua missão se estiver imersa no avivamento espiritual. Gosto muito de uma frase do H. D. Lopes que diz: “A igreja que não evangeliza, precisa ser evangelizada”. Igreja precisa ser uma agência missionária. O resultado de um genuíno avivamento é obediência a Palavra, amor pelas almas e poder espiritual. Por essa razão, uma igreja fria e indiferente não tem relevância e nem fruto espiritual no campo das missões locais e transculturais. No livros Atos, Lucas registra o que o Senhor Jesus espera de uma igreja avivada: Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em toda parte: em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e nos lugares mais distantes da terra. (At 1.8 NVT).

                                                                                               

I. A IMPORTANTE MISSÃO DA IGREJA – A PREGAÇÃO DO EVANGELHO
1.1 Os obstáculos que os primeiros missionários da igreja enfrentaram. Um pequeno grupo de onze homens; foram eles a quem Jesus encarregou de executar sua obra e levar o evangelho a todo o mundo (Mt 28.19). Eles não eram pessoas importantes, nem bem instruídas, e também não tinham pessoas influentes lhes apoiando. Não eram ninguém em seu país, o qual, de qualquer forma, não passava mesmo de uma província de segunda classe na extremidade oriental do mapa romano. Se tivessem parado para avaliar as probabilidades de sucesso de sua missão eles teriam desanimado; tão grandes eram as condições adversas. Eis algumas dificuldades: 1.1.1 A primeira dificuldade com que os primeiros missionários cristãos deparavam era o fato de que eles não eram ninguém. Um punhado de homens sem formação rabínica que estava tentando corrigir a teologia e a fé, sem mencionar as práticas religiosas de líderes religiosos profissionais e preparados adequadamente, os quais eram, além disso, os portadores de uma tradição oral que diziam remontar a Moisés. Que impertinência! Não é de estranhar que o sumo sacerdote os tratou com um misto de admiração e escárnio, como “homens simples e sem erudição” (At 4.13). A vontade de rir desapareceu, porém, quando esses leigos ignorantes começaram a atrair um séquito considerável, incluindo alguns sacerdotes (At 6.7), e a atiçar um vespeiro nos ouvidos das autoridades religiosas, acusando-as de assassinato judicial, ou seja, de uso injustificado da pena de morte. O movimento tinha de ser extirpado no nascedouro. Mas foi precisamente isso que se mostrou impossível. Não era fácil se livrar dos cristãos.1.1.2 A perseguição e a acusação de blasfêmia. As perseguições se multiplicavam, pois o sinédrio e seus lacaios não podiam aceitar a pregação de que Jesus de Nazaré, filho de Maria, fosse o Messias, o rei predito pelos profetas. No princípio da igreja, se identificar com Cristo tinha várias consequências sociais e religiosas. O novo crente, correria o risco de ser expulso da sinagoga, taxado como apóstata, preso e até condenado a morte. Como evangelizar e como aceitar Jesus nesse contexto? 1.1.3 O desprezo greco-romano. Os romanos tratavam o cristianismo como uma superstição judaica. Para eles, era loucura o conteúdo da pregação cristã. Eles pensavam: “Como pode um judeu, nascido em uma cidadezinha, sem nenhuma posição de destaque, morto pelo seu próprio povo em cruz, ser o Deus poderosos criador de todas as coisas? Como posso crer nele como meu salvador? 1.1.4 As falsas acusações. Os cristãos eram acusados de ateísmo, assim como os judeus antes deles, porque não prestavam homenagens aos deuses habituais da época. Além de ateísmo, havia boatos de incesto e canibalismo a respeito dos cristãos; eles tinham de refutar esses rumores constantemente. Incesto porque chamavam uns aos outros de irmãos; canibalismo devido a celebração da ceia. 1.2 Os sentimentos que fluem numa igreja avivada. Qual era o segredo de tal fervor ante as inúmeras adversidades? O que motivou os cristãos para esse empenho incansável e altruísta na evangelização mesmo em face de tanta perseguição? Parece que os evangelistas cristãos dos primeiros dois séculos tinham quatro motivações em comum: 1.2.1 Convicção na Ressureição de Jesus. Ao entardecer daquele primeiro dia da semana, os discípulos estavam reunidos com as portas trancadas, por medo dos líderes judeus. De repente, Jesus surgiu no meio deles e disse: “Paz seja com vocês!” Enquanto falava, mostrou-lhes as feridas nas mãos e no lado. Eles se encheram de alegria quando viram o Senhor. Um dos Doze, Tomé, apelidado de Gêmeo, não estava com os outros quando Jesus surgiu no meio deles. Eles lhe disseram: “Vimos o Senhor!”. Ele, porém, respondeu: “Não acreditarei se não vir as marcas dos pregos em suas mãos e não puser meus dedos nelas e minha mão na marca em seu lado”. Oito dias depois, os discípulos estavam juntos novamente e, dessa vez, Tomé estava com eles. As portas estavam trancadas, mas, de repente, como antes, Jesus surgiu no meio deles. “Paz seja com vocês!”, disse ele. Então, disse a Tomé: “Ponha seu dedo aqui, e veja minhas mãos. Ponha sua mão na marca em meu lado. Não seja incrédulo. Creia!”. “Meu Senhor e meu Deus!”, disse Tomé. (Jo 20.19,20; 24-28 NVT). 1.2.2 Sentimento de gratidão. Não restam dúvidas de que uma das principais motivações para a evangelização era a gratidão. A experiência extraordinária do amor de Deus por meio Jesus Cristo era o combustível da igreja de seus missionários. “O Filho de Deus me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20). 1.2.3 Sentimento de responsabilidade. O terceiro fator que pesou muito sobre os cristãos foi a responsabilidade diante de Deus no sentido de viver de forma coerente com a fé por eles professada. Viviam sob o olhar de Deus, e estavam decididos a agradá-lo em tudo o que faziam. Por essa razão, não podia ser indiferentes ao imperativo da grande comissão: “ide por todo o mundo”. 1.2.4 Sentimento de preocupação. Jesus veio buscar e salvar os perdidos (Lc 19.10). Esse foi o propósito supremo da sua encarnação e expiação. Ele tinha certeza de que o ser humano, por si mesmo, não poderia se acertar com Deus e com seu próximo. A preocupação com os não evangelizados era comum aos irmãos avivados e inflamados pelo Espírito, veja o que o apóstolo Paulo disse aos romanos: sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. (Rm 1.15 NVI).

II. OS PRINCÍPIOS DE UMA IGREJA MISSIONÁRIA

“Missões se fazem com os pés dos que vão, os joelhos dos que oram e as mãos dos que contribuem”

Segundo Horton (2006, p. 300), “na adoração, a Igreja volta-se para Deus; na edificação, atenta (corretamente) para si mesma; e, na evangelização, a Igreja focaliza o mundo”. A igreja não vive em função daquilo que dar certo, ela está alicerçada naquilo que é certo. Os princípios basilares para atividade missionária da igreja não podem ser extraídos do marketing comercial e empresarial, mas da Bíblia. Portanto, queremos expor 9 Princípios Bíblicos que marcam uma igreja missionária: 2.1.1 A obra missionária é a prioridade da igreja (Mt 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.46-49; At 1.8). A igreja que não evangeliza não é evangélica. Muitas igrejas morrem porque perdem o foco missionário. A igreja precisa multiplicar, conforme ordem de nosso Senhor: Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”. (Mt 28.18-20). 2.1.2 O Espírito Santo é o executivo da obra missionária. A obra missionária é promovida, motivada e dirigida por Deus, por intermédio do Espírito Santo. Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: “Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram. (At 13.2,3). Paulo e seus companheiros viajaram pela região da Frígia e da Galácia, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. (At 16.6). 2.1.3 A oração é extremamente importante para obra missionária. Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus. (At 4.31). Oração e pregação sempre caminhão juntas. 2.1.4 O homem é o método de Deus para a obra missionária. O livro de Atos é uma narrativa sobre pessoas usadas por Deus. A História da igreja é a história de pessoas usadas por Deus. 2.1.5 A pregação é o meio divino para promover a obra missionária. A pregação é o modo prescrito por Deus para salvar, santificar, encorajar e fortalecer a igreja. Então Filipe, começando com aquela passagem da Escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus. (At 8.35). Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que este é aquele a quem Deus constituiu juiz de vivos e de mortos. (At 10.42). 2.1.6 A igreja local é a base para a plantação de novas igrejas. A igreja local deve coordenar o trabalho missionário, recrutando, treinando, enviando, sustentando e recebendo relatório dos missionários. De Atália navegaram de volta a Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a missão que agora haviam completado. Chegando ali, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como abrira a porta da fé aos gentios. (At 14.26,27). 2.1.7 Missões acontecem em tribulações. Eles pregaram as boas novas naquela cidade e fizeram muitos discípulos. Então voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus”. (At 14.21,22). 2.1.8 . O dinheiro não é o mais importante para a obra missionária. Tem uma frase que diz: “Missões se fazem com os pés dos que vão, os joelhos dos que oram e as mãos dos que contribuem”. Mesmo assim, insisto em dizer: o dinheiro não é um fator decisivo para o trabalho missionário. Hudson Taylor disse: “O trabalho de Deus, feito a maneira de Deus, nunca faltará os recursos de Deus”. Pedro e João disseram a um coxo: “não tenho prata e outro, mas o que tenho, isso te dou”. FALTAM TRABALHADORES, MAS OS RECURSOS DE DEUS NÃO FALTAM.
2.1.9 Missões são ações. Paremos de ser estudiosos de missões e sejamos missionários.
IIII. AS QUALIDADES E QUALIFICAÇÕES DO MISSIONÁRIO
3.10 perfil do missionário. 3.1.1 Ter convicção de sua chamada para obra de Deus e especificamente para o trabalho missionário, que exige muita dedicação e renúncia por parte do missionário. 3.1.2 Enxergar a obra missionária com olhos espirituais, ou seja, precisa ter visão de Deus.
Assim estará consciente da realidade que enfrentará e que o inimigo é real e fará de tudo para impedir a obra. 3.1.3 Ser experimentado na obra do Senhor, ou seja, ser uma pessoa dedicada aos trabalhos da igreja. Se o missionário foi um obreiro relaxado, preguiçoso e sem atitude, dificilmente conseguirá se sobressair no campo missionário. 3.1.4 Ter atitude de servo. Ao encarar o trabalho missionário, deverá estar ciente de que não será servido, mas servirá muito a mais a comunidade a que for enviado. 3.1.5 Se colocar como pessoa de fibra, dinâmico e audacioso. Haverá situações que exigirão muito do obreiro. 3.1.6 Não ser ambicioso e vaidoso querendo posições e reconhecimento dos homens. Deverá
buscar reconhecimento do Senhor Jesus e a única motivação deve ser em ganhar vidas para o Senhor. 3.1.7 Amar incondicionalmente as pessoas e a obra de Deus. 3.2 Os atributos necessários ao Missionário. 3.2.1 Maturidade desenvolvida através de íntima comunhão com o Senhor Jesus e experiência na vida cristã, sabendo enfrentar qualquer situação que se formar. O missionário não pode ser neófito, precisa de experiência na obra e isso começa e se desenvolve na igreja local. Querer adquirir experiência inicial da fé cristã no campo missionário seria quase um “suicídio” ministerial e espiritual. 3.2.2 Ser doutrinado dentro das Sagradas Escrituras, ou seja, firmado na Palavra genuína de Deus. Crentes vacilantes, que vivem somente por revelação, sonhos e adivinhações, jamais deveriam ir ao campo de batalha, pois lhes falta o essencial que é estar ancorado na Palavra de Deus. 3.2.3 Ser cheio do Espírito Santo é imprescindível para o sucesso na obra missionaria. Haverá momentos em que a única solução será confiar inteiramente no milagre e no sobrenatural de Deus. 3.2.4 Ser conhecedor e buscar os dons espirituais, pois são através deles que as fortalezas de Satanás caem por terra. 3.3. Qualificações Pessoais 3.3.1 Cuidado com a saúde: deverá cultivar uma boa saúde física e mental. Ir ao campo missionário em condições precárias de saúde, mais atrapalhará do que ajudará. Esse
cuidado se estende a toda a família também. 3.3.2 Equilíbrio e segurança emocional. A nosso ver, essa deve ser uma das preocupações primordiais tanto do missionário quanto daqueles que o estão enviando. Pois, no campo missionário, haverá situações de stress e outras coisas que vão mexer profundamente com o emocional do obreiro. 3.3.3 Desenvolver autocontrole. Não poderá tomar decisões precipitadas e nem atitudes impensadas. Deverá exercer autocontrole sobre seus sentimentos e controlar seu temperamento. 3.3.4 Manter a conduta ilibada. Nunca deverá esquecer que, embora esteja em outra cultura com costumes bem diferentes, não poderá se aproveitar da situação para ter atitudes
imorais.

CONCLUSÃO
Orlando Boyer faz algumas perguntas importantes em seu livro “Esforçar-te para ganhar almas” (1975, p. 08): Já ganhaste uma alma para Cristo? Já experimentaste? Conheces alguém atualmente na glória, com Cristo, levado por ti a Ele? Ou conheces alguém que está no caminho
para o céu, porque o informaste do Salvador? Reflita.

 PB. MURILO ALENCAR

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