O DEUS QUE GOVERNA O MUNDO E CUIDA DA FAMÍLIA
Os ensinamentos Divinos nos Livros de Rute e Ester para a Nossa Geração





O QUE ESTUDAREMOS?
O livro de Rute começa com fome e mortes, mas termina com duas grandes celebrações: o casamento de Boaz e Rute e o nascimento de Obede, o avô de Davi. Nosso Deus é poderoso para reverter tragédias em bênçãos. Além de um redentor humano, a história nos apresenta parte da genealogia de Jesus Cristo, nosso Redentor divino-humano.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES
Agora, minha filha, não tenha medo. Na cidade toda gente sabe que você é uma mulher direita. Vou
fazer tudo o que me pede. (Rt 3.11 NTLH).
Vamos analisar o texto em um pequeno fluxograma, no qual todos os pontos começam com a letra ‘C’: Título: As Virtudes de uma Vida Piedosa
CORAGEM Agora, pois, minha filha, não temas
COMPROMISSO tudo quanto disseste te farei
CARÁTER pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa
Vamos aos pontos:
• Coragem. “Agora, pois, minha filha, não temas”. Boaz encoraja Rute a não temer. A coragem é uma virtude essencial na vida cristã. Em várias ocasiões na Bíblia, Deus e seus mensageiros dizem “não temas” (Is 41.10; Mt 28.5). Rute demonstra coragem ao seguir o plano de Noemi para se aproximar de Boaz, mostrando sua confiança na providência de Deus. Assim como Rute, devemos enfrentar nossos desafios e incertezas com coragem, confiando que Deus está conosco e nos guiará.
• Compromisso. “tudo quanto disseste te farei”. Boaz demonstra seu compromisso em cumprir o que Rute pediu, refletindo sua integridade e disposição em agir conforme a vontade de Deus. Rute também mostra compromisso com Noemi e com o Deus de Israel, deixando sua terra natal e abraçando um novo povo e uma nova fé. Nosso
compromisso com Deus deve ser refletido em nossas ações diárias, cumprindo nossas promessas e vivendo de acordo com a vontade dEle.
• Caráter. “pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa”. Rute é reconhecida por seu caráter virtuoso, um testemunho de sua vida piedosa e íntegra. A virtude e o bom caráter são fundamentais para um cristão, servindo como testemunho da nossa fé para os outros. Devemos nos esforçar para viver de maneira que nossa conduta e integridade sejam visíveis a todos, glorificando a Deus através de nossas vidas.

VERDADE PRÁTICA
Uma mulher virtuosa tem um valor incalculável, por seu caráter e sua disposição de servir a Deus e à amília. Encontramos com frequência mulheres belas, inteligentes, cultas, ricas e sofisticadas. Mas encontrar uma mulher que reúne em si mesma virtudes físicas e espirituais, intelectuais e emocionais, conhecimento e sabedoria, formosura e temor a Deus não é tão comum. A Bíblia diz: Mulher virtuosa, quem a achará? (Pv 31.10). Uma esposa vituosa é uma dádiva de Deus (19.14) e deve ser buscada, em parte, pela oração fiel (Pv 15.29; 16.3; Tg 1.6).
Vamos as aplicações:
• Valorize as mulheres virtuosas que Deus colocou em sua vida, principalmente, sua mãe ou esposa. Boaz reconheceu e valorizou o caráter virtuoso de Rute. Em nossas famílias, igrejas e comunidades, devemos honrar, apoiar e encorajar essas mulheres.
• Procure ser uma pessoa repleta de virtudes. A virtude de Rute não era apenas reconhecida, mas também admirada por toda a cidade. Cada um de nós, independentemente do gênero, é chamado a cultivar um caráter virtuoso que glorifique a Deus.
• Ore e Busque uma Parceira Virtuosa. Uma mulher virtuosa é uma dádiva de Deus, como mencionado em Provérbios 31.10 e 19.14. Para aqueles que estão buscando um parceiro de vida, é crucial orar e buscar alguém que possua essas qualidades espirituais, emocionais e intelectuais.

INTRODUÇÃO
A LIÇÃO DIZ: O livro de Rute começa com fome e mortes, mas termina com duas grandes celebrações: o casamento de Boaz e Rute e o nascimento de Obede, o avô de Davi. Francis Schaeffer disse que a vida é composta de dois andares. No andar debaixo, pensamos que as coisas acontecem por casualidade, mas, no andar de cima, temos a garantia de que as mãos de Deus dirigem nosso destino. As casualidades humanas são na verdade providências divinas. Deus transformou, da noite para o dia, toda uma história de dor em um novo capítulo de alegria. É a esse Deus que eu e você servimos.








I. O COMPROMISSO DE BOAZ COM RUTE
1.1 No lugar da bênção.
A LIÇÃO DIZ: A colheita da cevada e do trigo havia terminado e Rute permanecia servindo a Noemi e lhe obedecendo em tudo (Rt 2.23). Seu lema era: “Tudo quando me disseres farei” (Rt 3.5). Rute teve oportunidades fora de casa, mas não se aventurou por parte alguma, como se fosse autônoma e independente (Rt 3.10). Não buscou falsas liberdades, como as que são pregadas hoje pela ideologia feminista. O casamento é uma instituição divina fundamental para a solidez da família, da igreja e de toda a sociedade (Gn 2.18; Ec 4.9-12; Hb 13.4). A bênção de Rute estava chegando e ela permanecia no lugar certo. Em primeiro lugar, queremos destacar a importância do casamento e suas implicações. “O casamento é uma aliança heterossexual exclusiva entre um homem e uma mulher, ordenada e selada por Deus, precedida por um deixar público dos pais, consumada na união sexual, resultando numa parceria permanente e mútua, e normalmente coroada pelo dom de filhos.”
IMPLICAÇÕES
1. O casamento foi criado e estabelecido por Deus. Portanto, quem define o que é o casamento e como ele deve funcionar, não é a mídia, os artistas, a cultura ou estado.
2. O casamento foi planejado para não acabar. Em segundo lugar, ressaltamos a fidelidade de Rute tanto durante o casamento quanto após a viuvez.
1. A fidelidade Rute durante sua vida conjugal. Analise o seguinte texto bíblico: Noemi disse às suas noras: — Vão agora e voltem cada uma para a casa de sua mãe. E que o SENHOR seja bondoso com vocês, assim como vocês foram bondosas com os que morreram e comigo. (Rt 1.8 NAA). Esse texto, em suas entrelinhas, revela a fidelidade de Rute ao seu esposo falecido.
2. A fidelidade de Rute após a viuvez. Leia com atenção o texto bíblico: Boaz respondeu: — Que você seja bendita do SENHOR, minha filha! Você se mostrou mais bondosa agora do que no passado, pois não foi procurar um homem mais jovem, fosse rico ou fosse pobre. E agora, minha filha, não tenha medo. Tudo o que você falou eu vou fazer, porque todo o povo da cidade sabe que você é uma mulher virtuosa. (Rt 310,11 NAA). Rute não se ateve as aparências e não enveredou pelas promiscuidades. Ela foi recatada, mesmo após a morte se seu marido. Destacamos algumas implicações: a. Na procura de escolher a pessoa certa, empreenda esforços para ser a pessoa certa.
b. Valorize mais o caráter do que a aparência.
c. Seja uma pessoa digna de confiança em todas as circunstâncias.
1.2 A iniciativa de Noemi.
A LIÇÃO DIZ: Os cereais colhidos eram levados para a eira, um terreno plano preparado para a debulha das espigas. Noemi soube que naquela noite Boaz faria aquele trabalho. Era uma grande oportunidade para Rute se aproximar dele e demonstrar seu interesse em ser remida. Sem que fosse notada, Rute deveria esperar que Boaz se deitasse, lhe descobrisse os pés e deitar-se discretamente. Boaz saberia o que fazer quando notasse sua presença (Rt 3.4-7), o que demonstra tratar-se de umcostume conhecido na época.
O texto bíblico diz:
Quando ele for dormir, note bem o lugar em que ele se deitar. Então vá, descubra os pés dele e deite-se. Ele lhe dirá o que fazer”. Respondeu Rute: “Farei tudo o que você está me dizendo”. Então ela desceu para a eira e fez tudo o que a sua sogra lhe tinha recomendado. Quando Boaz terminou de comer e beber, ficou alegre e foi deitar-se perto do monte de grãos. Rute aproximouse sem ser notada, descobriu os pés dele, e deitou-se. No meio da noite, o homem acordou de repente. Ele se virou e assustou-se ao ver uma mulher deitada a seus pés. “Quem é você?”, perguntou ele. “Sou sua serva Rute”, disse ela. “Estenda a sua capa sobre a sua serva, pois o senhor é resgatador.” (Rt 3.4-9 NVI). Introdução. A época da colheita era um tempo especialmente alegre para os israelitas (Is 9.3; 16.10), como Deus desejava que fosse. “O SENHOR, teu Deus, há de abençoar-te em toda a tua colheita e em toda obra das tuas mãos, pelo que de todo te alegrarás” (Dt 16.15). A ceifa e a debulha dos cereais eram trabalhos cooperativos. Os homens da vila se revezavam no uso da eira, que normalmente consistia numa plataforma elevada, com frequência no alto de uma colina, onde poderia pegar a brisa da noite. Os feixes eram colocados no chão e os grãos eram separados dos talos ao serem pisados por bois (Dt 25.4) ou batidos (ver Rt 2.17). Uma vez que os grãos haviam sido separados, os trabalhadores os lançavam para o alto, e a brisa levava embora o palhiço, enquanto os grãos caíam no chão. Em seguida, esses grãos eram juntados em montes a fim de serem transportados para o comércio ou para locais de armazenagem. Era comum os homens trabalharem à noite, quando a brisa era mais forte, e dormirem no chão da eira para proteger a colheita.” O conselho de Noemi parece estranho, mas não sugeria um ato de sedução. Na realidade, Noemi instruia Rute para que atuasse de acordo com o costume e a lei dos israelitas. Era comum que os serventes se deitassem ao pé de seu amo e que inclusive compartilhassem uma parte de suas mantas. Rute ia aplicar este costume à lei do parente redentor e do levirato e, portanto, recordaria Boaz da responsabilidade que tinha de procurar alguém ou que ele mesmo se casasse com ela. Como estrangeira, Rute pôde ter pensado que o conselho do Noemi era estranho. Entretanto, seguiu seu conselho porque sabia que Noemi era bondosa, confiável e cheia de integridade moral. Todos conhecemos um pai, a um amigo adulto ou parente que sempre vela por nossos melhores interesses. Esteja disposto a escutar os conselhos dos mais anciões e sábios. A experiência e o conhecimento de tais pessoas podem ser valiosos. Imagine como tivesse sido a vida do Rute se tivesse desatendido a sua sogra. Este capítulo faz menção dos pés em quatro ocasiões (3.4, 7, 8, 14). Rute havia se lançado aos pés de Boaz em resposta a suas palavras bondosas (2.10), mas dessa vez se colocava aos pés dele para propor que se casasse com ela. Estava lhe pedindo que obedecesse à lei do parente resgatador e que a tomasse como esposa.
Cena 01 – O pedido de casamento.
O que nos leva à pergunta: “Por que Rute não esperou que Boaz a pedisse em casamento?” As palavras dele em 3.10 indicam o primeiro motivo: ele estava certo de que ela se casaria com algum dos homens solteiros mais jovens de Belém. Boaz era um homem mais velho, e Rute ainda era moça (4.12). Evidentemente, ele concluiu que estava fora do páreo.
Cena 02 – A decisão de Boaz.
Como dizia um cachorro famoso das histórias em quadrinhos: “A vida é cheia de despertares abruptos!”, e mais de um personagem da Bíblia concordaria com ele. Adão adormeceu e, quando acordou, descobriu que havia sofrido uma cirurgia e que era um homem casado. Jacó despertou e descobriu que estava casado com a mulher errada! Boaz acordou à meia-noite e encontrou uma mulher deitada a seus pés.
Cena 03 – A resposta de Rute.
Quando perguntou quem era ela, Rute respondeu, mas não usou a designação “a moabita”. Havia se tornado “serva” de Boaz. Estava recomeçando. Neste pequeno livro, das doze vezes em que o nome de Rute é mencionado especificamente, em cinco ocasiões ela é identificada como sendo de Moabe (1.22; 2.2, 21; 4.5, 10). Explicação cultural – O significado da capa. Estender a capa sobre uma pessoa significava reivindicar essa pessoa para si (Ez 16.8; 1 Rs 19.19), especialmente pelo casamento. A palavra traduzida por “capa” também significa “asa”. Rute havia se abrigado sob as asas do Deus Jeová (2.12) e logo estaria sob as asas de Boaz, seu esposo
amado. Que imagem mais bonita do casamento!
Conclusão
O capítulo 3 de Rute narra a história de como uma mulher moabita chamada Rute se aproximou de Boaz, um homem rico e influente de Belém, e lhe pediu em casamento. Rute era viúva e não tinha filhos, e Boaz era parente próximo do falecido marido dela. De acordo com a lei do levirato, Boaz era obrigado a resgatar Rute e a tomar como esposa. O caráter santo de Boaz e Rute novamente se manifestam. Sem qualquer contato íntimo, ela passou o restante da noite deitada aos pés dele e saiu bem cedo, para não ser percebida (Rt 3.9-14). Mesmo estando perto, uma bênção pode ser perdida se não soubermos esperar o tempo certo e respeitar o devido processo (Sl 27.14; Pv 20.21).
1.3 Respeitando o processo.
A LIÇÃO DIZ: Para encontrar-se com Boaz, Rute deveria banhar-se, se perfumar e vestir sua melhor roupa (Rt 3.3). Assim como não exclui a ternura, a santidade não despreza a beleza, desde que com simplicidade, em pureza e moderação (Gn 24.16; Is 39.2; 1 Tm 2.9,10). O caráter santo de Boaz e Rute novamente se manifestam. Sem qualquer contato íntimo, ela passou o restante da noite deitada aos pés dele e saiu bem cedo, para não ser percebida (Rt 3.9-14). Mesmo estando perto, uma bênção pode ser perdida se não soubermos esperar o tempo certo e respeitar o devido processo (Sl 27.14; Pv 20.21).
• Preparação Externa e Interna. No contexto de Rute 3.3, Rute é instruída a banhar-se, perfumarse e vestir-se com sua melhor roupa antes de encontrar-se com Boaz. Esta preparação externasimboliza não apenas o cuidado com a aparência, mas também uma preparação interna. A purificação física reflete uma disposição de coração e mente, pronta para um encontro significativo.
• Santidade e Beleza. A santidade não exclui a beleza, mas a abraça com simplicidade e moderação. Referências como Gênesis 24.16 e Isaías 39.2 mostram que a beleza é reconhecida e apreciada nas Escrituras. Contudo, 1 Timóteo 2.9-10 enfatiza que a beleza deve ser acompanhada de boas obras, modéstia e autocontrole. A verdadeira beleza, segundo a Bíblia, não está apenas na aparência externa, mas também na pureza de coração e na conduta digna. Devemos buscar uma santidade que se reflete tanto no interior quanto no exterior, onde a beleza é expressa de maneira simples e pura, glorificando a Deus em todas as coisas.
• Integridade e Pureza. O caráter santo de Boaz e Rute é exemplificado em sua conduta irrepreensível durante a noite que passaram juntos. Em Rute 3.9-14, vemos que, apesar da proximidade, não houve qualquer contato íntimo entre eles. Rute passou a noite deitada aos pés de Boaz e saiu discretamente pela manhã para não ser percebida. Este comportamento destaca a importância da integridade e da pureza em nossas interações, especialmente em situações potencialmente comprometedoras. Boaz e Rute servem como modelos de comportamento santo, mostrando que é possível manter a pureza e o respeito mútuo, mesmo em circunstâncias tentadoras.
• Esperar o Tempo Certo. A história de Boaz e Rute nos ensina que, mesmo estando próximos da bênção, é crucial saber esperar o tempo certo e respeitar o devido processo. Salmo 27.14 nos exorta a esperar no Senhor com paciência e coragem, enquanto Provérbios 20.21 nos alerta contra a obtenção prematura de bênçãos. Boaz e Rute demonstram uma compreensão profunda dessa verdade, pois, apesar de sua atração e proximidade, eles aguardam o momento apropriado para que sua união seja abençoada e aprovada por Deus e pela comunidade. Esta paciência e respeito pelos tempos de Deus nos lembram que a verdadeira bênção vem quando seguimos Seus planos e processos.









II. O CASAMENTO ENTRE BOAZ E RUTE
2.1 Concluindo o negócio.
A LIÇÃO DIZ: Rute teve a iniciativa de sugerir a Boaz que exercesse o papel de remidor, conforme o costume da época. Mas era fundamental que ele superasse o obstáculo que havia: a preferência do parente mais próximo. Boaz agiu rapidamente, como Noemi havia dito: “Sossega, minha filha, […] aquele homem não descansará até que conclua hoje este negócio” (Rt 3.18). Todo homem deve ser preparado para tomar iniciativas na vida, principalmente quando o assunto for casamento e vida conjugal. A liderança masculina pressupõe atitude, amor responsável e honra à mulher como vaso mais fraco (Gn 2.24; Ef 5.25-28; 1 Pe 3.7). A narrativa de Boaz e Rute destaca a importância da liderança masculina no contexto do casamento e da vida conjugal. Boaz exemplifica atitude, amor responsável e honra à mulher, princípios que são fundamentais na liderança masculina conforme as Escrituras. A liderança masculina bíblica não é autoritária, mas é marcada por amor, responsabilidade e um compromisso profundo com o bem-estar da esposa, refletindo o amor de Cristo pela igreja. Boaz e Rute nos mostram que a liderança eficaz é baseada em ações justas, respeito mútuo e a coragem de tomar iniciativas. Ao seguir esses princípios, os homens podem liderar com integridade e honrar a Deus em seus relacionamentos e responsabilidades. Apêndice: Disse então Noemi: “Agora espere, minha filha, até saber o que acontecerá. (Rt 3.18a NVI). Quando Noemi soube de tudo o que havia acontecido, disse a Rute que aguardasse o resultado da série complicada de acontecimentos que estava por vir. Muitas vezes, esta é a parte mais difícil da fé: quando não há mais providências a tomar e a única coisa que resta a fazer é esperar que Deus opere sua vontade. É nesse momento que surgem as dúvidas e a ansiedade se instala. (Daily Notes of the Scripture Union [Notas diárias da União Bíblica].)
Precisamos aprender a ESPERAR!
2.2 Resgate e lei do levirato.
A LIÇÃO DIZ: Boaz foi para a porta da cidade e logo viu o remidor, que ia passando (Rt 4.1). Não seria este mais um ato da providência divina? Boaz o convidou para tratar do assunto que lhe inquietava, e chamou 10 homens importantes da cidade para testemunharem o ato. Em princípio, o remidor aceitou adquirir as terras que haviam sido de Elimeleque, mas desistiu quando Boaz o informou que o resgate incluía o dever de se casar com Rute, a moabita, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herdade” (Rt 4.5). A aplicação das duas leis nesse caso – a do resgatador e a do casamento por levirato – certamente se deu porque apenas a aquisição das terras não faria que ficassem na família de Elimeleque. Assim, o resgate deveria ser acompanhado do casamento sob a lei do levirato. O remidor alegou motivos econômicos para a sua desistência: ele não aplicaria recursos em terras que não seriam de sua própria família, e sim dos sucessores de Elimeleque (Rt 4.6,10).
1. A Providência Divina na Providência Humana Texto: “Boaz foi para a porta da cidade e logo viu o remidor, que ia passando” (Rt 4.1).
• Comentário: Este encontro não foi por acaso. Boaz estava no lugar certo e na hora certa, e o remidor também. A porta da cidade era um local de negócios e julgamentos, um ponto de encontro importante. Vemos aqui a mão invisível de Deus guiando os eventos para cumprir Seus propósitos.
• Aplicação: Devemos confiar que Deus está no controle de nossas vidas, mesmo em detalhes que parecem pequenos ou triviais. Ele guia nossos passos e orquestra eventos para o bem daqueles que O amam e estão alinhados com Seus propósitos.
2. Integridade e Transparência nas Decisões Texto: “Boaz o convidou para tratar do assunto que lhe inquietava, e chamou 10 homensimportantes da cidade para testemunharem o ato” (Rt 4.2).
• Comentário: Boaz demonstrou integridade e transparência ao chamar testemunhas para a transação. Ele queria que tudo fosse feito de forma correta e pública, sem qualquer sombra de dúvida ou questionamento futuro.
• Aplicação: Nossas ações devem ser marcadas pela integridade e transparência. Em todas as nossas interações e decisões, especialmente aquelas que envolvem outras pessoas, devemos buscar agir de forma justa e aberta, buscando sempre o bem-estar e a justiça.
3. Sacrifício e Devoção na Obediência a Deus Texto: “Em princípio, o remidor aceitou adquirir as terras que haviam sido de Elimeleque, mas desistiu quando Boaz o informou que o resgate incluía o dever de se casar com Rute, a moabita” (Rt 4.5).
• Comentário: O remidor inicial desistiu por razões econômicas, mas Boaz estava disposto a assumir a responsabilidade, não apenas pelas terras, mas também pelo casamento com Rute, seguindo as leis do resgate e do levirato. Aplicação: A verdadeira obediência a Deus muitas vezes exige sacrifício. Precisamos estar dispostos a ir além do mínimo necessário e a cumprir plenamente as responsabilidades que Deus nos dá, confiando que Ele honrará nossa fidelidade.
2.3 O registro público.
A LIÇÃO DIZ: Seguindo mais um dos costumes da época, a transferência do direito de resgate foi selada com o remidor descalçando o sapato e entregando-o a Boaz (Rt 4.7,8). O testemunho público para a remição e o casamento com Rute foi invocado por Boaz e recebeu uma confirmação uníssona: “E todo o povo que estava na porta e os anciãos, disseram: Somos testemunhas; o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Léia, que ambas edificaram a casa de Israel […]” (Rt 4.9-11). Rute foi acolhida na comunidade de Israel com as mais elevadas honras. A decisão de resgatar as terras de Noemi tem dois procedimentos legais: a desistência formal do outro concorrente com a cerimônia de tirar o calçado (4.7,8) e a confirmação da compra das terras de Noemi diante de testemunhas (4.9). A cerimônia de tirar o sapato era uma transferência de direitos, e não de propriedade. Boaz era um homem que vivia dentro da legalidade. Ele respeitava as leis vigentes. Sua riqueza não foi adquirida de forma ilegal. Ele era um homem piedoso e íntegro. Ele tinha um relacionamento certo com Deus e com os homens.






III. A REMIÇÃO DA LINHAGEM DE DAVI ATRAVÉS DE RUTE E BOAZ
3.1 O nascimento de Obede.
A LIÇÃO DIZ: Consumado o casamento, Boaz podia tomar a Rute por mulher: “[…] e o Senhor lhe deu conceição, e ela teve um filho” (Rt 4.13). Foi grande a celebração das mulheres de Belém, pois entendiam como Deus estava agindo em favor de Noemi (Rt 4.14). O casamento de Boaz com Rute tem muitos aspectos cheios de encanto e beleza. Vamos destacar alguns desses aspectos:
• Em primeiro lugar, foi um casamento providenciado por Deus (2.20). Rute, antes de buscar um marido, buscou a Deus. Antes de buscar um lar, buscou abrigo debaixo das asas de Deus.
• Em segundo lugar, foi um casamento precedido por um belo relacionamento (2.10–12; 3.9– 14). Boaz tratou Rute com cavalheirismo, honra, gentileza e amor desde o primeiro encontro com ela. Embora tenha se afeiçoado a ela desde o começo, jamais se aproveitou dela. O caminho para um casamento feliz precisa ser pavimentado por atitudes nobres, pois onde se vê sinais de desrespeito, há prenúncios de relacionamentos desastrosos.
• Em terceiro lugar, foi um casamento grandemente desejado por ambos (3.9; 3.11; 4.10,11). O casamento não é um contrato temporário e experimental. É uma aliança para a vida toda. Não é sensato ir para o casamento com indecisão e insegurança. Ricardo Gondim, em seu livro Creia na possibilidade da vitória, fala sobre o amor de Boaz por Rute e diz que o verdadeiro amor se concretiza com gestos com a mesma profundidade que é proclamado pelos lábios. O verdadeiro amor não teme assumir compromissos. Em quarto lugar, foi um casamento público (4.10,11). O casamento de Boaz e Rute foi um ato público e legal, feito perante os anciãos e juízes da cidade. Isso significa que eles casaram de acordo com as leis vigentes da época. Nos dias de hoje, muitos consideram o casamento apenas uma aliança particular entre duas pessoas, que pode ser feita (e até mesmo desfeita) à vontade delas, por sua escolha pessoal. O casamento, porém, deve ser uma aliança pública. Hoje, muitas pessoas estão desprezando o casamento civil, dizendo que papel não tem nenhum valor. Contudo, o casamento é um contrato legal antes de ser uma união física.
• Em quinto lugar, foi um casamento abençoado pelas testemunhas (4.11,12). Os anciãos de Belém rogaram três bênçãos especiais sobre o casamento de Boaz e Rute: Eles pediram que Rute fosse uma mulher fértil (4.11). Os estudiosos acreditam que Rute, além de moabita, era também estéril, pois somos informados de que ela passou quase dez anos casada com Malom em Moabe sem ter filhos (1.4,5). Os anciãos pediram a Deus que ela fosse como Raquel e Lia, as únicas esposas de Jacó, as progenitoras de toda a nação. Raquel também era estéril, e Deus a curou. Quando Rute concebeu, somos informados de que foi o Senhor que lhe concedeu que concebesse (4.13).O neto de Noemi é alvo das orações das mulheres de Belém. Ele seria o resgatador de Noemi (4.14). A sua família se perpetuaria na terra por intermédio dele. Nesse sentido, não foi Boaz o goel de Noemi, mas seu neto. Foi ele quem fez perpetuar o nome da família de Noemi sobre a terra e foiseu arrimo na velhice. Ele, também, teria um nome afamado em Israel, para além das fronteiras da sua cidade (4.14b). Obede, ainda, seria o restaurador da vida de Noemi (4.15). Seria seu arrimo, seu provedor, seu sustentador. Finalmente, Obede seria o consolador da velhice de Noemi (4.15b). Noemi não teria uma velhice amargurada. Seus melhores dias não estavam enterrados no passado, mas estavam por vir.
3.2 Boaz, um tipo de Cristo.
A LIÇÃO DIZ: O Deus de Israel encontrou Rute, cuja vida foi guiada por um caminho de renúncia, amor, pureza e muita submissão. Ela, como um tipo da Igreja, encontrou-se com Boaz, um tipo de Cristo, nosso Redentor eterno (Jo 3.16; 1 Pe 1.18,19). Boaz, personagem central no livro de Rute, é frequentemente visto como um tipo de Cristo na teologia cristã. Essa tipologia é uma forma de interpretação bíblica onde uma pessoa, evento ou instituição do Antigo Testamento prefigura uma realidade futura, geralmente relacionada a Cristo. Ao examinar a vida e as ações de Boaz, encontramos várias características e eventos que apontam para a pessoa e obra de Jesus Cristo. Redentor. Boaz é descrito como o “go’el”, ou redentor, para Rute e Noemi. No contexto da lei israelita, um redentor tinha a responsabilidade de resgatar parentes próximos da pobreza ou escravidão, comprando de volta propriedades (Lv 25.25). Jesus Cristo é o Redentor supremo da humanidade. Ele veio ao mundo para resgatar a humanidade da escravidão do pecado e da morte. Assim como Boaz pagou um preço para redimir Rute, Jesus pagou o preço supremo com sua vida para redimir todos os que creem Nele (1 Pe 1.18-19).
• Protetor e Provedor. Boaz demonstrou grande cuidado e provisão para com Rute. Ele garantiu que ela tivesse acesso aos campos para colher grãos e ordenou aos seus servos que a tratassem com respeito e deixassem grãos propositadamente para ela (Rt 2.8-16). Ele também assegurou que ela estivesse segura durante seu trabalho. Jesus cuida e provê para seu povo. Ele nos oferece proteção contra o maligno e nos convida a encontrar descanso e provisão Nele (Mt 11.28-30). Ele nos dá tudo o que precisamos para a vida e a piedade (2 Pe 1.3). Amor e Misericórdia. A bondade e misericórdia de Boaz para com Rute, uma estrangeira moabita, refletem a graça de Deus que não faz acepção de pessoas. Boaz foi além das expectativas culturais e religiosas para demonstrar amor e misericórdia a Rute. Jesus Cristo demonstrou o amor supremo ao morrer pelos pecadores, enquanto ainda éramos inimigos de Deus (Rm 5.8). Ele quebrou barreiras culturais e sociais para alcançar e salvar todos os que Nele creem, independentemente de sua origem ou status (Ef 2.11-22).

CONCLUSÃO
O livro de Rute conclui com uma curta genealogia, ligando Perez (filho de Judá) com Davi. Obede, filho de Rute e Boaz, torna-se o pai de Jessé, e Jessé, o pai de Davi, o maior rei de Israel. O próprio Messias viria ao mundo mil anos depois do grande monarca, sendo chamado de Filho de Davi. O autor do livro de Rute não olha apenas para Obede. Ele levanta seus olhos e vê mais além. Ele olha para a história da redenção. Deus não estava trabalhando apenas para prover bênçãos materiais a Noemi, Rute e ao povo de Belém. Ele estava preparando o cenário para a chegada de Davi, o maior rei de Israel. O nome de Davi trazia consigo a esperança do Messias em um novo tempo de paz, justiça e liberdade, em que o pecado e a morte seriam vencidos. A história do livro de Rute abre as cortinas da esperança e nos aponta para Jesus!










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