11 de setembro de 2026 05:06

O ENCONTRO DE RUTE COM BOAZ O QUE ESTUDAREMOS?

O DEUS QUE GOVERNA O MUNDO E CUIDA DA FAMÍLIA
Os ensinamentos Divinos nos Livros de Rute e Ester para a Nossa Geração

A presente lição tem como tema o encontro de Boaz com Rute. Boaz aparece no capítulo dois do livro como um homem próspero e respeitado por todos. Ele tratou Rute como muito respeito. Nesse encontro, percebemos como Deus estava agindo para solucionar um problema familiar e, ao mesmo, configurar todo um plano de salvação que seria plenamente revelado em Jesus Cristo, o nosso Salvador.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES
O SENHOR lhe retribua o que você tem feito! Que seja ricamente recompensada pelo SENHOR, o Deus de Israel, sob cujas asas você veio buscar refúgio!”. (Rt 2.12 NVI). Vamos dividir esse texto bíblico em três pontos, todos começando com a letra “R”.
• Reconhecimento da Fidelidade. O verso inicia com a exclamação: “O SENHOR lhe retribua o que você tem feito!”. Essa frase, dita por Boaz à Rute, revela um profundo reconhecimento da fidelidade e das boas ações da moabita. Boaz observa a dedicação de Rute em cuidar de sua sogra Noemi, mesmo em um contexto de extrema dificuldade.
Recompensa Divina. A frase continua: “Que seja ricamente recompensada pelo SENHOR, o Deus de Israel…”. Essa promessa de recompensa divina é um lembrete de que Deus não se esquece daqueles que O servem com sinceridade. A fidelidade de Rute, demonstrada através de suas ações, não passaria despercebida aos olhos do Senhor.
Refúgio e Proteção. O verso finaliza com a frase: “…sob cujas asas você veio buscar refúgio”.Essa metáfora das asas de Deus transmite a ideia de proteção, cuidado e segurança. Ao buscar refúgio em Deus, Rute encontrava o amparo necessário para enfrentar as dificuldades da vida. O verdadeiro e puro modelo de bondade é servir uns aos outros de coração, confiando na fidelidade e justiça de Deus. O verdadeiro e puro modelo de bondade, conforme as Escrituras, é servir uns aos outros. Jesus Cristo exemplificou esse modelo durante Seu ministério terreno. Em Mateus 20.28, lemos: “assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Jesus, o Filho de Deus, assumiu a posição de servo, demonstrando que a grandeza no Reino de Deus é medida pelo serviço altruísta. Este modelo é contracultural, pois a sociedade frequentemente valoriza o poder, a autoridade e o prestígio. No entanto, a Bíblia nos chama a um caminho diferente. Em Filipenses 2.3-4, Paulo nos exorta: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” Servir uns aos outros de coração é um ato de bondade que reflete o caráter de Cristo em nós. A bondade verdadeira deve ser motivada por um coração sincero. Em 1 Coríntios 13.3, Paulo enfatiza a importância da motivação: “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá.” A bondade que agrada a Deus é aquela que flui de um coração cheio de amor genuíno e não de um desejo de reconhecimento ou recompensa. Ao servirmos uns aos outros de coração, devemos confiar na fidelidade e justiça de Deus. Muitas vezes, nossos atos de bondade podem não ser reconhecidos ou valorizados por aqueles ao nosso redor. Contudo, devemos lembrar que Deus vê e valoriza cada ato de serviço. Em Hebreus 6.10, lemos: “Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demonstraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los.” Confiar na fidelidade de Deus nos dá segurança de que Ele cuidará de nós e recompensará nosso serviço, mesmo que os homens não o façam. Em Gálatas 6.9-10, Paulo nos encoraja: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque no tempo certo colheremos, se não desanimarmos. Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé.”

INTRODUÇÃO
Vamos analisar o esboço do capítulo de número dois do livro Rute:
• Prólogo:
a. À procura de alimento (2.1-3c);
b. A entrada de um novo ator na peça teatral (2.1);
c. Rute sai para colher (2.2-3c).
• Cena um:
a. Um encontro “por acaso” no campo de cevada (2.3d-17);
b. Boaz chega (2.3d-7);
c. Bondade e gratidão (2.8-13);
d. Mais bondade (2.14);
e. Ainda mais bondade (2.15-17).
• Cena dois: A volta para casa (2.18-22).
• Epílogo do segundo ato: O fim da colheita (2.23)

I. BOAZ, O REMIDOR
1.1 Um homem próspero.
A LIÇÃO DIZ: O capítulo 2 de Rute nos apresenta Boaz, um “homem valente e poderoso, da geração de Elimeleque” (Rt 2.1). Vamos ressaltar três verdades importantes sobre Boaz:
Em primeiro lugar, Boaz foi um rico remidor (2.1). Boaz era parente de Noemi e um homem rico. Ele era um homem íntegro, influente e grande fazendeiro. Seu nome significa “nele há força”. Ele podia cumprir os requisitos legais de casar-se com Rute, no regime do levirato, e suscitar descendência à família de Elimeleque. Boaz é um tipo de Cristo, o Redentor. Rute, por sua vez, é um tipo da Igreja, a redimida. O Filho de Deus é o Redentor não apenas de uma família pobre, mas de todos os pecadores que confiam na Sua graça. Ele é o rico remidor que se fez pobre para nos fazer ricos e herdeiros das Suas insondáveis riquezas (2Co 8.9).
Em segundo lugar, Boaz foi um homem de Deus (2.4). Boaz transforma as coisas comuns da vida em liturgia de adoração a Deus. Ele faz do seu trabalho um tributo de glória ao Senhor. Ele se dirige a seus empregados com devoção. Por onde passa, Boaz deixa as marcas de sua salutar influência.
Em terceiro lugar, Boaz foi um homem de qualidades muito especiais (2.8–16). Destacamos cinco pontos importantes sobre Boaz:
a. Boaz é um homem que oferece provisão (2.9). Ele não apenas permite que Rute recolha em seu campo, mas oferece a ela a mesma provisão dada aos trabalhadores.
b. Boaz é um homem que oferece proteção (2.9). Boaz toma medidas para proteger Rute de abordagens constrangedoras e inconvenientes dos segadores. Ela estava sob seus cuidados e proteção. Ninguém podia tocar em Rute.
c. Boaz é um homem que oferece consolação (2.13). Rute reconhece o tratamento amoroso de Boaz. Ele demonstrou graça a ela, dando-lhe conforto e falando-lhe ao coração. Rute não tinha necessidade apenas de pão, mas também de significado. Na verdade, ela estava mais carente de consolo do que de alimento.
d. Boaz é um homem que oferece comunhão (2.14). Agora, Rute é convidada para assentar se à mesa com Boaz, para comer pão com ele e molhar o seu bocado no vinho. Isso é um gesto de profunda intimidade e comunhão.
e. Boaz é um homem que transcende em seus atos de bondade (2.15,16). Ele não somente ofereceu a Rute seu campo, sua proteção, sua provisão, sua companhia, sua consolação, mas também deu ordens a seus trabalhadores que deixassem porções especiais para Rute recolher. Ele foi além do esperado, além do exigido pela lei.

1.2 “Goel” e “Levir”.
A LIÇÃO DIZ: A expressão “da geração de Elimeleque” não nos permite saber o grau de parentesco entre Boaz e o marido de Noemi. Segundo uma tradição rabínica, era sobrinho. Como parente próximo, poderia ser o “goel”, ou seja, o resgatador da terra que o falecido havia vendido (Rt 4.3), como também poderia cumprir o costume antigo do casamento (Gn 38.6-11). Eram duas prescrições distintas contidas na Lei de Moisés. A do resgatador previa que quando um israelita ficasse pobre e precisasse vender suas terras, seu parente mais próximo tinha o dever de comprá las de volta e restituí-lhe. E se o hebreu fosse comprado como escravo por um estrangeiro, um parente tinha o dever de resgatá-lo (Lv 25.25-28; 47-59). Já é a lei do levirato previa que o irmão do cunhado (“levir”) se casasse com a viúva e suscitasse descendência ao falecido (Dt 25.5-10; Mt 22.24-48). Sobre a responsabilidade do parente resgatador, o Comentário Histórico-cultural da Bíblia diz: O papel do parente resgatador era ajudar a recuperar as perdas da tribo, fossem elas humanas (nesse caso ele vingava o sangue da vítima, perseguindo o assassino até matá-lo), judiciais (oferecendo assistência nos julgamentos) ou econômicas (recuperando a propriedade de um membro da família). Visto que Yahweh garantira a terra aos israelitas pelo sistema de arrendamento, eles não podiam vendê-la, e se hipotecassem uma parte para pagar dívidas, era importante que a posse desse pedaço de terra voltasse ao proprietário original o mais rapidamente possível. Desse modo, a terra permanecia na posse daquela família como um sinal de que ela fazia parte da comunidade da aliança. (Walton et al., 2018, p. 362). Sobre a lei do levirato, a Bíblia diz: — Se dois irmãos morarem juntos, e um deles morrer sem filhos, a mulher do que morreu não se casará com um estranho, alguém de fora da família; seu cunhado a tomará, a receberá por mulher e exercerá para com ela a obrigação de cunhado. O primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o nome deste não se apague em Israel. — Porém, se o homem não quiser se casar com a cunhada, ela irá ao portão da cidade para falar com os anciãos, e dirá: “Meu cunhado se recusa a dar continuidade ao nome de seu irmão em Israel; não quer exercer para comigo a obrigação de cunhado.” Então os anciãos da cidade devem chamá-lo e falar com ele. Se ele persistir e disser: “Não quero casar com ela”, então a cunhada chegará perto dele, na presença dos anciãos, e lhe descalçará a sandália do pé, e lhe cuspirá no rosto, e protestará, dizendo: “Assim se fará com o homem que não quer edificar a casa de seu irmão.” E, em Israel, se dará à casa daquele homem o nome de “A casa do descalçado”. (Dt 25.5-10 NAA). O levirato era uma prática antiga que se torna lei para o povo de Israel em Deuteronômio 25.5-10. O texto se divide em duas partes: a lei em si (v. 5-6) e o procedimento para lidar com a recusa do cunhado (v. 7-10).
Lei do Levirato (v. 5-6):
a. Um homem sem filhos deveria se casar com a viúva de seu irmão para gerar descendentes em seu nome.
b. O filho primogênito do casamento levirato seria considerado filho do irmão falecido.
• Motivações do Levirato:
a. Herança da propriedade do falecido.
b. Manter a linhagem familiar e o nome do irmão falecido.
c. Cumprir a aliança de Deus com Israel, que prometia descendentes.
• Recusa do Cunhado (v. 7-10):
a. O cunhado tinha o direito de recusar, mas isso geraria desaprovação da comunidade.
b. Em caso de recusa, a viúva levaria o caso aos anciãos.
c. O cunhado declararia sua recusa formalmente.
d. A viúva removeria a sandália do cunhado e cuspiria em seu rosto como símbolo de humilhação.
e. A casa do cunhado seria conhecida como “Casa daquele que não levantou descendência
a seu irmão”.
f. A recusa provavelmente se devia ao desejo de herdar a propriedade do irmão falecido sem ter que dividir com um filho do levirato. Informação cultural: A remoção do sapato ou sandália indicava que o cunhado tinha fugido à responsabilidade e, portanto, mereceria a vergonha simbolizada pela cusparada. O nome dado à sua casa (v. 10) indica a vergonha que recairia sobre o homem que continuasse a viver na casa em que
não havia representante vivo de seu irmão falecido.

1.3 Temor e respeito.
A LIÇÃO DIZ: A saudação de Boaz a seus empregados demonstra que ele temia a Deus. A invocação a Jeová (“o Senhor seja convosco”), dirigida a todos os segadores, indica, também, seu respeito aos que com ele trabalhavam. Os empregados lhe retribuem com uma saudação também amistosa e piedosa: “O Senhor te abençoe” (Rt 2.4). Patrões e empregados devem se tratar com mútua consideração, reconhecendo a posição e o papel próprios de cada um na relação de trabalho (Ef 6.5-9; Cl 3.22 – 4.1). John Peter Lange diz que um verdadeiro crente é também o melhor patrão. Uma fé viva em Deus é o melhor vínculo entre patrão e empregado, prevenindo o uso indevido de autoridade de um lado e a pretensiosa insubordinação do outro lado. O relacionamento de Boaz com os homens revela o seu íntimo relacionamento com Deus. A maneira de ele tratar seus empregados dava abundantes provas de que ele era um homem pleno de Deus. Você conhece um homem de Deus não pela alta posição que ele ocupa nem pelos cargos eclesiásticos que exerce, mas pela forma em que trata seus subordinados. A gentileza com que Boaz tratava seus trabalhadores falava mais de seu relacionamento com Deus do que todas as suas práticas religiosas. Pelo padrão bíblico, patrões e empregados devem tratar-se com mútua consideração, reconhecendo a posição e o papel próprios de cada um na relação de trabalho (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1). Quando o cristão não age assim, seja patrão, seja empregado, compromete a eficácia do evangelho com o seu mau testemunho (Mt 5.13-16), além de sujeitar-se ao juízo divino sobre a sua conduta aqui e na eternidade (Cl 3.24,25; 4.1).

II. O CARINHO DE BOAZ PARA COM RUTE
2.1 A pureza não exclui a ternura.
A LIÇÃO DIZ: Um viver santo não exige que sejamos rudes e descorteses. Boaz notou a presença de uma moça diferente entre os segadores e foi informado de que se tratava de Rute, a moabita, que voltara com Noemi dos campos de Moabe (Rt 2.5,6). Não somente a identificação da moça e a sua história, que já era conhecida, mas também o seu comportamento e dedicação ao trabalho sensibilizaram Boaz, que se dirigiu a ela terna e respeitosamente, chamando a de filha — certamente também em função da diferença de idade que havia entre eles (cf. 2.8). O gesto de Boaz ensina-nos que o dever de pureza de um homem para uma mulher não exclui o seu dever de educação, fineza e, com o devido respeito, expressão de ternura. No caso de Boaz, a última hipótese era ainda mais cabível, pois Rute era bem mais nova que ele; assim, poderia tratá-la como filha (1 Tm 5.1,2). Não é preciso ser rude para ser santo. Além disso, a generosidade de Boaz é uma das características da verdadeira masculinidade. Vamos explorar em detalhes o que não constitui santidade e discutir as características da verdadeira masculinidade. Em primeiro lugar, o que não é santidade. Na busca por uma vida santa, muitas vezes nos deparamos com armadilhas que distorcem a verdadeira essência da santidade. É crucial distinguirmos a santidade genuína de suas imitações enganosas, pois a santidade autêntica não se resume a posturas rígidas ou antipáticas. O que não é santidade:
Santidade Não é Fazer Bico e Ser Arrogante. Santidade não é fazer bico e ser arrogante. Muitas vezes, confundimos santidade com uma atitude de superioridade moral, onde nos consideramos melhores do que os outros por nossos comportamentos ou escolhas. A verdadeira santidade, porém, é marcada pela humildade. Santidade implica em reconhecer nossas próprias falhas e dependência da graça de Deus, sem nos colocarmos acima dos demais.
Santidade não é ser antipático e se isolar. Jesus, o exemplo supremo de santidade, era acessível e acolhedor. Ele passava tempo com pecadores, cobradores de impostos e aqueles que eram marginalizados pela sociedade (Mc 2.15 17). A verdadeira santidade nos leva a amar e servir os outros, e não a nos afastar ou nos isolar em uma bolha de suposta pureza.
Santidade Não é Perfeccionismo. Santidade não é exigir perfeição de si mesmo ou dos outros. Todos nós falhamos e cometemos erros. 1 João 1.8-9 nos lembra: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos  injustiça.” A santidade verdadeira reconhece a necessidade contínua de arrependimento e a dependência da graça de Deus. Em segundo lugar, as características da verdadeira masculinidade. Boaz, uma figura central no livro de Rute, exemplifica a verdadeira masculinidade através de suas ações. Vamos explorar essa característica a luz da Bíblia:
• Generosidade. Boaz demonstra generosidade de várias maneiras. Ele não apenas permite que Rute, uma estrangeira e viúva, respigue em seus campos, mas também instrui seus trabalhadores a deixarem grãos extras para ela (Rt 2:15-16).
• Proteção. Boaz também se preocupa com a segurança de Rute. Ele dá ordens explícitas aos seus homens para não a molestarem e para garantirem que ela esteja segura (Rt 2.9). Esta atitude protetora é uma marca da verdadeira masculinidade.
• Respeito e Dignidade. Boaz trata Rute com respeito e dignidade, chamando-a de “filha” e garantindo que ela se sinta bem-vinda e valorizada. Ele a vê como uma pessoa digna de respeito e consideração.
• Integridade. Boaz demonstra integridade ao seguir as leis e costumes de sua cultura, garantindo que tudo seja feito corretamente ao redimir Rute e a propriedade de sua família (Rt 4.9-10). A integridade é uma característica fundamental da verdadeira masculinidade, que envolve viver de acordo com princípios morais e éticos, mesmo quando ninguém está olhando.
• Liderança Servidora. Boaz lidera pelo exemplo, mostrando o que significa ser um líder servo. Ele cuida de seus trabalhadores, trata todos com justiça e assume a responsabilidade de proteger e prover para Rute e Naomi. A verdadeira masculinidade inclui liderança que serve aos outros e coloca suas necessidades acima das próprias.
2.2 Deus estava agindo.
A LIÇÃO DIZ: A atitude de Boaz surpreendeu Rute. Como estrangeira e pobre, certamente ela tinha receio de como seria tratada. Agia com educação e muita discrição (Rt 2.7). Impressionada com o gesto de Boaz, inclinou-se ao chão e, de forma humilde, reconheceu ser indigna do tratamento que recebeu (Rt 2.10). Havia uma motivação especial na conduta de Boaz: ele já conhecia a bela história de Rute (Rt 2.11). Um bom testemunho nos abre muitas portas. A Bíblia nos revela que a motivação especial de Boaz se baseava no conhecimento da “bela história de Rute” (Rt 2.11). Ao longo de sua jornada, Rute havia demonstrado fé, integridade, e amor por sua sogra, Noemi. Seu caráter exemplar e sua conduta virtuosa não passaram despercebidos por Boaz, que a viu como uma mulher digna de sua atenção e cuidado. Portanto, ele se dirigiu diretamente a ela e fez uma generosa oferta: Ouve, filha minha, não vás colher em outro campo, tampouco passes daqui; porém aqui ficarás com as minhas servas. Estarás atenta ao campo que segarem e irás após elas. Não dei ordem aos servos, que te não toquem? Quando tiveres sede, vai às vasilhas e bebe do que os servos tiraram. Então, ela, inclinando-se, rosto em terra, lhe disse: Como é que me favoreces e fazes caso de mim, sendo eu estrangeira? Respondeu Boaz e lhe disse: Bem me contaram tudo quanto fizeste a tua sogra, depois da morte de teu marido, e como deixaste a teu pai, e a tua mãe, e a terra onde nasceste e vieste para um povo que dantes não conhecias. O SENHOR retribua o teu feito, e seja cumprida a tua recompensa do SENHOR, Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio (Rt 2.8–12). Você consegue imaginar o impacto que essas palavras tiveram em Rute, a estrangeira? Essas foram as primeiras palavras gentis que tinha ouvido desde que tinha deixado Moabe. Mais do que isso, elas foram uma bênção que invocavam sobre ela o favor de Deus, como se ela também fosse um membro da comunidade da aliança. Rute é humilde o bastante para se curvar diante de Boaz e reconhecer que o seu tratamento generoso é um ato de graça. Ela sabe que o favor recebido é expressão de graça, e não de mérito. Ela tem consciência de que é estrangeira, pobre e viúva. Contudo, ao buscar abrigo sob as asas de Deus, encontrou provisão abundante, proteção constante e comunhão edificante. É valido ressaltar que o nosso testemunho, como vivemos e agimos, tem um impacto profundo nas pessoas ao nosso redor. Em Mateus 5.16, Jesus nos exorta: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.” Nossas ações falam mais alto que palavras e podem abrir portas que nunca imaginamos.
2.3 Sensível e espiritual.
A LIÇÃO DIZ: Boaz conciliava firmeza moral e sensibilidade; ternura e espiritualidade. O versículo chave do livro é uma declaração feita por ele a Rute (Rt 2.12). Boaz tinha uma profunda compreensão espiritual. Ele reconhecia que o Deus dos hebreus não estava limitado a fronteiras territoriais ou barreiras étnicas. E como servo de Yahweh, estava sendo usado para abençoar uma piedosa moabita.
Vamos considerar três pontos:
Boaz: Um Canal Usado por Deus na Vida de Rute. Boaz foi um instrumento nas mãos de Deus para abençoar a vida de Rute. Ele nos ensina que devemos ser canais de bênçãos na vida dos outros. Em vez de sermos pedras de tropeço, devemos nos esforçar para ser instrumentos de Deus, ajudando, encorajando e sustentando aqueles que nos cercam.
Boaz: Um Homem Espiritualmente Esclarecido. Boaz entendeu que a bênção de Deus não estava limitada a Israel. Ele acolheu Rute, uma moabita, reconhecendo sua fé no Deus de Israel. Como Boaz, devemos estar abertos a ver a obra de Deus na vida das pessoas ao nosso redor e estender a elas a mesma graça que recebemos.
Boaz: Um Homem que Invoca a Bênção de Deus. Boaz invocou a bênção de Deus sobre Rute. Ele não apenas reconheceu a bondade dela, mas também orou para que Deus a recompensasse ricamente. Em vez de amaldiçoar ou julgar, devemos ser aqueles que intercedem e oram pela prosperidade e bem-estar dos outros. As palavras de Boaz refletem um coração que deseja ver a obra de Deus na vida das pessoas, e nós também devemos buscar abençoar e edificar aqueles ao nosso redor.

III. A COLHEITA DE RUTE E A SUA SOBREVIVÊNCIA
3.1 A lei da semeadura.
A LIÇÃO DIZ: Rute decidiu servir ao Deus de Israel, em vez de Quemós, o deus dos moabitas, cuja adoração incluía o sacrifício de crianças (Nm 21.29; 1 Rs 11.7; 2 Rs 3.26,27). Agora, ela começava a experimentar a mão invisível de Jeová-Jireh agindo graciosamente em seu favor. A lei da semeadura funciona integralmente (2 Co 9.6; Gl 6.7). Vemos de forma clara um princípio importante no versículo abaixo, o princípio da semeadura: “…aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (2 Co 9.6). Isto fala da colheita na exata proporção do plantio! Deus não impõe o quanto devemos plantar. Cada um semeia segundo propôs em seu coração. A decisão é nossa! Não é Deus que decide o quanto eu semeio! Sou eu mesmo que faço a minha escolha e tomo a minha decisão! Todas as nossas atitudes são como sementes. Com certeza, colheremos aquilo que estamos plantando. Ao olharmos especificamente para a história de Rute, fica evidente que as bênçãos que ela começava a colher eram apenas os primeiros frutos daquilo que havia semeado.
3.2 Os “acasos” de Deus.
A LIÇÃO DIZ: O primeiro sinal da ação de Deus foi a escolha aparentemente aleatória que Rute fez, indo apanhar espigas no campo de Boaz (Rt 2.3). Para ela, era apenas uma casualidade, quando, na verdade, era um inequívoco ato da providência divina. A providência de Deus é o conceito teológico que descreve como Deus governa e sustenta o universo, ao mesmo tempo permitindo que os seres humanos exerçam o livre-arbítrio em suas decisões. Aspectos da Providência Divina
Sustentação (Preservação). Deus mantém a existência e a ordem de toda a criação. Ele continua a sustentar todas as coisas, garantindo que o universo funcione de acordo com Suas leis (Hb 1.3).
Governo (Direção). Nada foge do controle soberano de Deus, pois o livre-arbítrio dos homens não anula Sua soberania. Se Deus deixasse de ser soberano ao conceder livre-arbítrio aos homens, Ele seria realmente soberano? Precisamos refletir sobre isso! Todavia, é importante destacar que Sua presciência (conhecimento de todas as coisas futuras), em harmonia com Sua onipotência e sabedoria, é o firme fundamento de Suas ações providenciais na história humana e na vida pessoal de cada indivíduo. Rute saiu ao campo para colher espigas, mas é importante enfatizar que ela não era uma marionete ou um robô, controlada por Deus. Deus, que é dinâmico, presente, relacional e imanente, agiu providencialmente para que ela se encontrasse com Boaz, estabelecendo assim não apenas uma grande bênção para Rute, mas para toda a humanidade.
3.3 O resultado da colheita.
A LIÇÃO DIZ: Alguns frutos de nossas ações são colhidos de imediato. Outros levam tempo para aparecer. Pela forma graciosa como era tratada, Rute colhia cereais em abundância diariamente nos campos de Boaz (Rt 2.17,21). A colheita garantia sua sobrevivência e de sua sogra. O trabalho árduo durou toda a estação: entre março e abril colheu cevada; e de abril a junho, trigo. Assim como Rute, que colhia cereais em abundância nos campos de Boaz, desfrutando da recompensa imediata do seu trabalho árduo e da graça com que era tratada, muitos de nós experimentamos frutos instantâneos das nossas ações. Sejamos diligentes no trabalho, honestos nas relações, bondosos com o próximo, e colheremos o reconhecimento, a amizade e o bem-estar que brotam dessas atitudes. Mas, assim como a colheita de Rute se estendeu por toda a estação, aguardando o tempo certo para amadurecer, nem todos os frutos das nossas ações surgem de imediato. Há momentos em que a espera se faz necessária, exigindo paciência, fé e persistência. É nesse tempo de espera que a nossa confiança em Deus se fortalece, e aprendemos a discernir Seus planos perfeitos para nossas vidas.

CONCLUSÃO
O capítulo dois do livro de Rute é a história de um dia na vida de Rute que transforma a tragédia de um passado doloroso e abre largas avenidas para um futuro glorioso. David Atkinson diz que o dia da vida de Rute contido nesse capítulo é o dia em que ela vem a conhecer Boaz. No final do dia, depois do trabalho, ela conta a Noemi o que aconteceu. Só então, ela percebe o verdadeiro significado do seu encontro (2.20). O que para Rute foi uma mera coincidência em um conjunto de circunstâncias não planejadas, foi parte do cuidado gracioso de Deus. Não foi a sorte que conduziu Rute aos campos de Boaz, mas uma agenda traçada no céu. Destacamos três verdades finais:
Em primeiro lugar, a agenda de Deus prevalece sobre os planos humanos. A mensagem central desse capítulo é que a casualidade humana tem como pano de fundo a providência divina. Por trás dos aparentes acasos dos encontros comuns do dia-a-dia, Deus expressa o Seu cuidado e a Sua determinação providencial. Francis Schaeffer disse que a vida é composta de dois andares. No andar debaixo, pensamos que as coisas acontecem por casualidade, mas, no andar de cima, temos a garantia de que as mãos de Deus dirigem nosso destino. As casualidades humanas são na verdade providências divinas.
Em segundo lugar, uma história inteira de dor pode ser transformada num só dia. A dramática história de duas viúvas pobres é transformada em apenas um dia. Um fato novo surgiu, e a página da dor foi virada para sempre. Deus está com as rédeas da História em Suas mãos e Ele pode intervir na sua vida e transformar tragédias em triunfo. Em apenas um dia, todo um passado de dor pode se converter num lindo episódio de graça e amor.
Em terceiro lugar, o bem que você faz aos outros volta para você mesmo (2.11,12). Toda ação provoca uma reação igual e contrária. Esta é uma lei da física. Também há uma lei espiritual universal: “[…] certos de que cada um, se fizer alguma cousa boa, receberá isso outra vez do Senhor …” (Ef 6.8). O apóstolo Paulo coloca esse mesmo princípio em outras palavras: “[…] pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Nessa mesma vertente, o apóstolo Paulo prossegue: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (2Co 9.6).

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