26 de junho de 2026 03:04

O LIVRO DE ESTER

O DEUS QUE GOVERNA O MUNDO E CUIDA DA FAMÍLIA
Os ensinamentos Divinos nos Livros de Rute e Ester para a Nossa Geração

O QUE ESTUDAREMOS?
A partir desta lição, estudaremos o Livro de Ester. Veremos como o livro está organizado, a categoria a que pertence, características literárias, autoria e data. Procuraremos também situar o contexto histórico em que o livro foi produzido. Veremos que o exílio de Israel é uma informação essencial para remontar o contexto histórico do Livro de Ester. Finalmente, perceberemos que a providência divina apresentada no livro é um assunto que formula o propósito de Ester. Trata-se de uma providência divina não mencionada, porém, constatada ao longo do livro sagrado.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES Se você ficar calada numa situação como esta, do Céu virão socorro e ajuda para os judeus, e eles serão salvos; porém você morrerá, e a família do seu pai desaparecerá. Mas quem sabe? Talvez você tenha sido feita rainha justamente para ajudar numa situação como esta!”. (Et 4.14 NTLH). O versículo em evidência é um dos textos mais importantes do livro de Ester. Nele, nos é revelado o real motivo pelo qual uma judia, órfã de pai e mãe, chegou a ser a rainha da Pérsia. A história de Ester revela, de modo maravilhoso, a divina providência, o Deus que trabalha nos bastidores. Costumo, homileticamente, dividir a trajetória de Ester em três tempos:
1. O tempo da presciência: Deus estava abalando o reino mais poderoso do mundo para introduzi-la na história.
2. O tempo da providência: Chegar ao posto de rainha não foi sorte, foi providência.
3. O tempo da real vontade: Esse tempo é revelado justamente no texto em análise.

VERDADE PRÁTICA
A perfeita vontade de Deus é nos guiar por caminhos que levem ao cumprimento de seus eternos propósitos. O texto pode ser estruturado em três pontos principais. Vamos explorar cada um deles detalhadamente, usando referências bíblicas para embasar nossas reflexões.
1. A vontade de Deus é perfeita e boa. Referência Bíblica: Romanos 12.2 “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” A vontade de Deus é descrita como boa, agradável e perfeita. Tudo o que Ele deseja para nós é para o nosso bem, mesmo que nem sempre possamos entender Seus caminhos de imediato.
2. Deus nos guia através de seus caminhos Referência Bíblica: Salmos 23.3 “Restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.” Deus nos guia por caminhos de justiça, que são caminhos retos e corretos diante d’Ele. Essa orientação não é apenas para nosso benefício pessoal, mas para a glória de Seu nome.
3. O cumprimento dos propósitos eternos de Deus Referência Bíblica: Efésios 1.11 “Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade.” Deus tem um propósito eterno que Ele está cumprindo através de nossas vidas. Desde a fundação do mundo, Ele tem um plano que está sendo realizado. Nós somos parte desse grande plano, e nossas vidas têm significado e propósito dentro desse contexto maior.

I. A ORGANIZAÇÃO DO LIVRO
1.1 Título.
“Ester” tem sido usado como título sem variações ao longo do tempo. Tanto esse livro como o de Rute são os únicos do AT que receberam o nome em homenagem a mulheres. “Hadassa” (2.7), que significa “murta”, era o nome hebraico de Ester; este último deve ter se originado da palavra persa para “estrela” ou, possivelmente, do nome da deusa babilônica do amor, Istar. Ester era filha de Abiail, que havia morrido; ela cresceu na Pérsia com seu primo mais velho, Mardoqueu, que criou a prima órfã como se fosse sua própria filha (2.7,15).
1.2 Autoria.
O livro de Ester tem sido, há séculos, o centro de um debate com judeus e não judeus, cristãos e não cristãos que argumentam sobre seu valor e canonicidade. O livro é anônimo, e a atitude dos judeus o atribui aos membros da Grande Sinagoga. Flávio Josefo defendeu que a autoria é de Mardoqueu, talvez fundamentado em Ester 9.20, Mardoqueu escreveu estas coisas. Outros candidatos a autor seriam Esdras e Neemias, cujas vidas e ministérios se seguem aos eventos do livro de Ester cerca de vinte a trinta anos. Embora essa teoria seja possível, especialmente no caso de Esdras, não há qualquer semelhança linguística ou estilística entre Ester e as outras dua obras que justifique a mesma autoria. O que se pode descobrir a respeito do autor vem do próprio livro. A atenção que ele devota à Festa de Purim e à preservação dos judeus em todo o império persa indica que ele era judeu. A ausência de menções a Jerusalém e a Judá sugere que se tratava de um judeu da Dispersão, provavelmente morador da Pérsia, o que também fica evidente em seu conhecimento detalhado de costumes persas, de práticas da corte Aquemênida, bem como de seu acesso aos arquivos reais (é provável que ele tenha usado as Crônicas dos Reis Persas como uma de suas fontes, cf. Et 2.23; 6.1; e 10.2).
1.3 Data.
Ester surge como o 17º livro na cronologia literária do AT e encerra a sua parte histórica. Além de Ester, apenas Esdras 7—10, Neemias e Malaquias relatam a história posterior do AT. O livro de Ester surgiu claramente dentro da faixa de tempo geral entre 465 a.C. (o fim do reinado de Assuero) e 70 d.C. (quando Josefo fez uso completo da história em suas Antiguidades). A questão é: essa faixa de tempo pode ser reduzida ainda mais? O fato de não haver, em Ester, qualquer traço de influência grega sugere que o livro foi escrito antes do início do período helenístico, ou seja, antes de 331 a.C. A composição teria ocorrido, portanto, entre 450 e 350 a.C.
1.4 Característica literária e estrutura verotestamentária.
Vamos dividir nossa resposta em três pontos:
A Bíblia Hebraica. A tradição judaica divide os seus livros sagrados em apenas três grupos: Torá (a Lei), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos). Os livros são distribuídos nos três grupos da seguinte maneira:
Torá (A Lei)
Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números, Deuteronômio
Neviim (Os Profetas)
Profetas Anteriores:
Josué, Juízes, Samuel,
Reis,
Profetas Posteriores:
Isaias, Jeremias, Ezequiel,
Os doze
Ketuvim (Os Escritos)
Livros Poéticos:
Salmos, Provérbios, Jó
Cinco Rolos (Megilloth):
Cântico dos Cânticos, Rute,
Lamentações, Ester,
Eclesiastes
Livros Históricos:
Daniel, Esdras-Neemias,
Crônicas
• A Bíblia de Cristã. O Antigo Testamento da Bíblia cristã, ao contrário da Bíblia hebraica, é organizado em quatro partes.
A Lei (Pentateuco)
Gênese, Êxodo,
Levítico, Números,
Deuteronômio
Livros Históricos
Josué, Juízes,
Rute, 1 Samuel, 2
Samuel, 1 Reis, 2
Reis, 1 Crônicas, 2
Crônicas, Esdras,
Neemias, Ester
Poesia
Jó, Salmos,
Provérbios,
Eclesiastes, Cântico
dos Cânticos
Profetas
Profetas maiores:
Isaías, Jeremias,
Lamentações,
Ezequiel e Daniel.
Profetas menores:
Oséias, Joel,
Amós, Obadias,
Jonas, Miquéias,
Naum, Habacuque,
Sofonias, Ageu,
Zacarias e Malaquias.
• A Bíblia Católica. Na Bíblia Católica, existem sete livros que não estão presentes na versão protestante. Esses livros são chamados de Deuterocanônicos. É bom destacar que os judeus e os cristãos protestantes jamais aceitaram a inserção dos livros apócrifos no Antigo Testamento. Porém, o catolicismo romano os declarou canônicos no Concílio de Trento (1546). Desse modo, o Antigo Testamento católico possui os sete livros apócrifos acima citados, perfazendo um total de 46 livros.

Veja lista de acréscimos:
Tobias (Deuterocanônico)
Judite (Deuterocanônico)
Ester (com partes adicionais,
Deuterocanônico)
1 Macabeus (Deuterocanônico)
2 Macabeus (Deuterocanônico)
Sabedoria (Deuterocanônico)
Eclesiástico (ou Sirácida, Deuterocanônico)
Daniel (com partes adicionais,
Deuterocanônico)
1.5 Esboço sintético
I. Ester substitui Vasti (1:1—2:18)
1. A insubordinação de Vasti (1:1-22)
2. A coroação de Ester (2:1-18)
II. Mardoqueu supera Hamã (2:19—7:10)
1. A lealdade de Mardoqueu (2:19-23)
2. A promoção de Hamã e o decreto (3:1-15)
3. A intervenção de Ester (4:1—5:14)
4. O reconhecimento de Mardoqueu (6:1-13)
5. A queda de Hamã (6:14—7:10)
III. Israel sobrevive à tentativa de genocídio de Hamã (8:1—10:3)
1. A defesa de Ester e Mardoqueu (8:1-17)
2. A vitória dos judeus (9:1-19)
3. O começo de Purim (9:20-32)
4. A fama de Mardoqueu (10:1-3)

II. O CONTEXTO HISTÓRICO
2.1 Contexto histórico complementar.
Por que o subponto do subsidio foi nominado contexto histórico complementar? Porque a lição destaca o início, o fim e o período pós-exílio. Portanto, nosso objetivo é apenas complementar. Entre 545 e 538 a.C., os reis aquemênidas conquistaram todo o Oriente Médio (incluindo a Palestina) e estabeleceram o maior de todos os impérios do mundo antigo. Ciro (559-530 a.C.) foi particularmente responsável pela extensão das fronteiras do Império e, embora seus avanços militares fossem bastante conclusivos, até mesmo impiedosos, ele tratava as pessoas dentro de seu Império com respeito, vendo-se como seu libertador e não como um tirano. Ciro (que é retratado como o servo do Senhor em Isaías 45, permitiu que o povo judeu retornasse à Palestina no final do exílio babilônico (539 a.C.) para reconstruir o templo. Depois de algumas sucessões na monarquia, veio Xerxes (Assuero, 486-465 a.C.), em cujo reinado se passa a história de Ester (Et 1.1), e depois Artaxerxes I (464-423 a.C.), em cujo reinado provavelmente surgiu a primeira versão da história. Esse período foi dominado por preocupações territoriais e avanços intelectuais. O próprio Xerxes perdeu batalhas estratégicas contra os gregos em uma época em que a cultura grega florescia em Atenas com o surgimento de Sócrates, Péricles e Pitágoras. Nossa principal evidência sobre essa era vem de Heródoto, o historiador grego, cujas Histórias das Guerras Persas (490-480 a.C.) nos falam sobre os reis persas e suas campanhas. Embora devamos ser cautelosos quanto à confiabilidade dos relatos de Heródoto (afinal, ele era um escritor grego cuja lealdade ao povo grego o tornaria um inimigo do Império Persa), seus escritos apresentam evidências de personalidades e práticas persas. Por exemplo, Heródoto descreve Xerxes como alto e bonito, um governante e guerreiro ambicioso. Parece que Heródoto era bastante fascinado por Xerxes, pois cerca de um terço de seu livro de história é dedicado ao seu reinado.
Portanto, a história de Ester encontra seu significado em um cenário como esse. Ela diz respeito ao destino de um grupo de judeus que, cerca de cinquenta ou sessenta anos depois de terem sido autorizados a retornar a Jerusalém, ainda se encontravam no leste do Império Persa.
2.2 Contexto histórico atual.
O contexto histórico dos países mencionados no livro de Ester é fundamental para compreender a relevância e a influência desses locais na narrativa bíblica. Cinco regiões são mencionadas no livro de Ester.
Em primeiro lugar, o Egito, identificado como Etiópia no livro de Ester (Ester 1.1, Ester 8.9), é hoje uma república com capital em Cairo.
Em segundo lugar, a Babilônia, mencionada em Ester 2.6, corresponde ao atual Iraque, cuja capital é Bagdá.
Em terceiro lugar, Jerusalém/Israel, também mencionada em Ester 2.6, é hoje uma república parlamentarista com capital em Jerusalém.
Em quarto lugar, Susã, mencionada várias vezes no livro de Ester (Ester 1.2, 2.3, 3.5, 4.8, 8.14, 9.6), corresponde ao atual Irã, cuja capital é Teerã. O Irã.

III. PROPÓSITO E MENSAGEM
3.1 A providência divina
Embora o nome de Deus não seja mencionado, podemos ver claramente a ação divina do princípio ao fim do livro e dessa história maravilhosa de providência divina, soberania e cuidado com o Seu povo. Deus, em Sua infinita sabedoria, tem o poder e controle de toda a história, jamais sendo pego de surpresa. Seus propósitos são eternos. Não existem coincidências no reino de Deus; existem pessoas certas em lugares certos. Deus tem um propósito específico para cada ser, mesmo que não saibamos disso. Nossa função é obedecer e, quando chegar o momento, confiar em Deus e continuar obedecendo.
A providência de Deus está presente em todas as partes do livro:
• Ester 1.12 – A rainha se recusa a ir à festa do rei.
• Ester 2.7,8 – A formosura de Ester.
• Ester 2.17 – O amor do rei por Ester e sua escolha como rainha.
• Ester 2.21-23 – A denúncia da trama por Mardoqueu.
• Ester 6.1-3 – A insônia do rei.
• Ester 6.4-11 – O rei decide honrar Mardoqueu antes que Hamã o matasse.
• Ester 8.9 – O rei atende ao pedido de Ester.
• Ester 10.3 – Mardoqueu se torna influente e pode ajudar seu povo.
3.2 A festa do Purim
Comentários e introduções são quase unânimes em identificar o propósito de Ester como o de fornecer a base histórica para a Festa de Purim (cf. 3.7 e 9.24–26). Embora isso seja verdade, esse não é o único propósito do livro. Ester demonstra como o Deus da aliança abraâmica trabalha por meio das circunstâncias e detalhes aparentemente acidentais para cumprir Sua antiga promessa de proteção, recompensa, e castigo, dependendo de como o indivíduo ou a nação tratasse Israel (Gn 12.1–3). Para Carlos Osvaldo, no entanto, o principal propósito do livro é demonstrar como Deus provou ser fiel, mesmo quando Israel, quase em sua totalidade, se manteve alheio a Sua intervenção na História. A Festa de Purim é um meio de Israel relembrar tal fidelidade e regozijar-se por sua manifestação histórica nos dias de Mardoqueu. Vamos olhar o calendário judaico:
3.3 A Mensagem de Ester.
1. Deus está realizando seu propósito.
A providência de Deus é sugerida por meio do uso de coincidências e surpresas no texto. Na vida do povo de Deus, essas reviravoltas desafiam a explicação e a razão humanas, quer aconteçam na vida de indivíduos (como José, Daniel, Ana, Saulo e o próprio Jesus) ou de grupos de seu povo (do deserto à Terra Prometida, do exílio ao retorno, do local da crucificação ao local da ressurreição). Eles servem como exemplos da intervenção dramática de Deus na realização de seus propósitos por meio da preservação de seu povo e, finalmente, pela dádiva de salvação de seu Filho ao mundo.
2. Deus está atualmente ativo no mundo.
Parece inegável que a visão de mundo da história de Ester inclui a crença de que Deus está ativamente presente no mundo. Essa é a esperança que dá sentido à “leveza” da história. Desde o início, há um otimismo de que o povo judeu sobreviverá e, nessa história, essa crença não está ligada ao retorno a Jerusalém, à adesão a práticas cúlticas ou ao surgimento de uma figura messiânica esperada. Em Ester, a presença ativa de Deus vai além desses limites de expectativas geográficas e religiosas. Deus está ativamente presente no mundo de Ester e Mardoqueu. Eles também, em uma terra estrangeira sujeita a governantes e regimes seculares, podem se tornar instrumentos da presença ativa de Deus.
3. Deus trabalha com o comportamento e as respostas humanas a Ele. A história de Ester ilustra que Deus pode trabalhar com ou sem a cooperação humana (Et 4.16).
4. Deus protege e salva Seu povo. O significado da história está claramente ligado à perspectiva de que Israel ocupa um lugar protegido e privilegiado dentro dos propósitos de Deus. É isso que dá à história sua qualidade atemporal. Os judeus se lembravam continuamente dos eventos do livro de Ester porque eles são eternamente ilustrativos de uma realidade teológica: Deus salva Seu povo.
5. O povo de Deus pode comemorar.
O livro de Ester não se detém: quando coisas boas acontecem, até mesmo coisas milagrosas, o povo de Deus comemora com razão (Et 8.16-17). A instituição do festival de Purim oferece uma oportunidade para o povo de Deus comemorar regularmente (Et 9.18-22). Isso os lembra de que o mal foi derrotado, e essa vitória apresenta o riso e a alegria como respostas emocionais adequadas. Há pouca solenidade no festival de Purim, mas muita alegria e celebração. No Antigo Testamento, a gratidão a Deus e a confiança Nele levam a uma profunda alegria que permeia a adoração.
6. Deus chama Seu povo à fé.
A festa de Purim é um lembrete de que a história judaica resulta em uma fé que precisa ser praticada. Não faz sentido conhecer a história e não viver à luz dessa história. A fé no “aqui e agora” dá sentido ao “lá e depois”. O propósito da atividade divina que atende ao comportamento humano está correlacionado à fé que é produzida. Ester é, sem dúvida, um modelo de fé e piedade, mas sua história é mais do que isso: ela promove a fé e a piedade. É uma história que incentiva todo leitor a entender “o que está acontecendo” em “o que está acontecendo” e a responder de acordo com uma vida de fé e devoção.

CONCLUSÃO
Finalizamos nosso breve estudo introdutório sobre o livro de Ester. Portanto, nas próximas lições, vamos nos ater a detalhes mais específicos. Espero vocês na aula de número sete.

 

 

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