29 de junho de 2026 21:16

O que cotas e brinquedos podem nos ensinar sobre igualdade racial

Esse é um dos efeitos das cotas: elas colocam pessoas negras em lugar de destaque, de protagonismo. Lugares que são admirados por crianças, para as quais a mensagem que fica é: “ele é igual a mim e está ali, o que significa que eu também posso ocupar esse lugar”. Funciona também na desconstrução da tão reforçada imagem inversa. Aquela que perdurou por anos, décadas, séculos, segundo a qual às pessoas negras eram reservados os lugares de subserviência, prestação de serviços, e as representações caricatas e estigmatizadas.
Cotas e outras políticas de ação afirmativa vem desempenhar papel extremamente importante na mudança dessa realidade. Mas é pouco. O trabalho precisa vir antes. Desde a primeira infância. Desde sempre. O tempo todo.
O que as cotas ensinam sobre lugares a serem ocupados, os brinquedos, os livros, filmes e personagens negros fazem em relação ao pertencimento e ao reforço da autoestima, de forma natural e desde muito cedo.
Meninas aprendem que não precisam ser loiras de olho azul, magras e longilíneas, quando brincam com bonecas que se parecem com elas, quando veem princesas e heroínas negras, com cabelos afro. Meninos confiam que podem ser super-heróis e protagonistas da própria história ao se verem representados pelo homem-aranha, por exemplo, que atrás da máscara não precisa ser branco, como nos foi ensinado.
Meu coração vira cambalhotas de alegria a cada “olha, mamãe, um protagonista negro!”, que eu escuto do meu filho, ao se ver representado, onde quer que seja.
#representatividadeimporta fica lindo nas redes sociais, mas ainda mais bonito fazendo brilhar os olhos de meninos e meninas que, a partir de brinquedos e cotas, podem ter a oportunidade de não reviver a invisibilidade experimentada pelos que vieram antes deles.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do IstoÉ.
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