9 de setembro de 2026 11:51

O VERBO QUE SE TORNOU EM CARNE

O VERBO QUE SE TORNOU EM CARNE
O QUE ESTUDAREMOS?

Desde o princípio, o Verbo já existia, e Ele era Deus! Essa verdade extraordinária, registrada no Evangelho de João, revela um dos maiores mistérios da fé cristã: Deus se fez carne e habitou entre nós. Mas o que isso realmente significa? Como o Criador do universo poderia assumir a forma humana sem perder Sua glória? Neste estudo, mergulharemos na grandiosa doutrina da encarnação de Cristo, compreendendo Sua missão redentora e o impacto dessa verdade na nossa fé. Preparese para descobrir como o Verbo eterno se tornou acessível a nós, trazendo graça e verdade! Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

SOBRE O TÍTULO DA LIÇÃO
É importante que o professor, entre outras coisas, inicie está aula pontuando a diferença entre encarnação, reencarnação e ressurreição.
• Encarnação. Refere-se ao ato pelo qual o Filho de Deus, Jesus Cristo, assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus. Portanto, a encarnação de Cristo é um evento único e irrepetível, que trouxe a plena revelação de Deus aos homens (Jo 14.9).
• A ressurreição é a restauração da vida após a morte, mas em um corpo glorificado. Jesus ressuscitou corporalmente ao terceiro dia, provando Sua divindade (Rm 1.4) e garantindo a ressurreição futura dos crentes (1 Co 15.20-23). Diferente da reencarnação, onde se crê que uma alma assume repetidamente novos corpos, a ressurreição bíblica ensina que cada pessoa tem uma única vida, uma única morte e um único juízo (Hb 9.27). Os salvos ressuscitarão para a vida eterna, e os ímpios para a condenação eterna (Jo 5.28-29). A reencarnação, defendida em religiões orientais e no espiritismo, ensina que as almas passam por sucessivas vidas até atingirem um estado de perfeição. Esse conceito é incompatível com a Bíblia, pois nega a redenção única de Cristo e o juízo final. O ensino cristão enfatiza que a salvação vem pela graça, mediante a fé em Cristo, e não por ciclos de purificação através de reencarnações (Ef 2.8-9). Além disso, a Bíblia jamais sugere que alguém possa retornar em outro corpo, mas afirma que após a morte vem o juízo definitivo (Hb 9.27).

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES
Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1.14 NVI). Ao analisar esse texto, ideia por ideia, destacam-se, naturalmente, os seguintes pontos:
• Jesus é o Logos eterno, revelação suprema de Deus.
• Ele entrou na história de forma concreta e real.
• Assumiu plenamente a natureza humana, sem deixar de ser Deus.
• Sua vinda teve um propósito redentor: salvar os pecadores através de Sua obra na cruz.

VERDADE PRÁTICA
O Verbo de Deus inseriu-se na história, assumindo a forma de homem para redimir os pecadores. A doutrina da encarnação ocupa um papel central na teologia cristã, pois representa a manifestação de Deus na história humana por meio de Jesus Cristo. O conceito de que o Filho de Deus assumiu a natureza humana sem deixar de ser divino é fundamental para a compreensão da redenção e da relação entre Deus e os homens. Primeiramente, a encarnação demonstra o cumprimento das profecias veterotestamentárias. Desde Gênesis 3.15, passando por Isaías 7.14 e Miqueias 5.2, o Antigo Testamento anuncia a vinda de um Redentor que seria ao mesmo tempo divino e humano. Jesus Cristo, nascido de uma virgem, confirma essa promessa e evidencia a fidelidade de Deus em Seu plano de salvação. Além disso, a encarnação é essencial para a obra redentora de Cristo. Somente um ser que fosse plenamente Deus e plenamente homem poderia servir como mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Como homem, Jesus podia representar a humanidade e sofrer em seu lugar; como Deus, Ele tinha o poder de perdoar pecados e oferecer um sacrifício eficaz para a expiação. Sem a encarnação, a cruz perderia seu significado e eficácia, pois a salvação depende da perfeita união entre a natureza divina e humana de Cristo. Ademais, a encarnação permite uma compreensão mais profunda do caráter de Deus. Em Jesus, Deus se revela de forma acessível, demonstrando Seu amor, graça e justiça. Conforme registrado em João 1.14, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, mostrando que Deus não é um ser distante, mas próximo e participante da história humana. Por fim, a encarnação tem implicações para a prática da fé cristã. Ela serve como exemplo de humildade (Fl 2.5-8), chamando os crentes a uma vida de serviço e amor ao próximo. Dessa forma, a encarnação de Cristo é um pilar fundamental da fé cristã.

I. O EVANGELHO DE JOÃO
Mateus apresentou Jesus como Rei, Marcos como servo e Lucas como homem perfeito. João, por sua vez, apresenta Jesus como Deus. Os três primeiros evangelhos são chamados sinóticos porque têm grandes semelhanças entre si. João, porém, distingue-se dos demais em seu conteúdo, estilo e propósito. Charles Swindoll diz que não temos quatro evangelhos; temos apenas um evangelho, escrito de quatro pontos de vista diferentes. Temos uma biografia elaborada por quatro testemunhas, cada escritor provendo uma perspectiva peculiar. Nessa mesma linha de pensamento, Andreas Kostenberger afirma: “Os quatro evangelhos bíblicos apresentam o único evangelho da salvação em Jesus Cristo, segundo quatro testemunhas importantes: Mateus, Marcos, Lucas e João”.
1. 1. Autoria e data.
A LIÇÃO DIZ: O apóstolo João é o autor do Evangelho que leva o seu nome. A confirmação da sua autoria encontra-se no próprio texto (Jo 21.20,24) e também nos escritos dos denominados Pais da Igreja. Admitindo-se que tenha sido escrito entre os anos 80 e 90 d.C. O autor. Embora os quatro evangelhos sejam anônimos, ou seja, não tragam o nome de seu autor, há inconfundíveis e irrefutáveis evidências internas e externas de que esse evangelho foi escrito pelo apóstolo João, irmão de Tiago, filho de Zebedeu, empresário de pesca do mar da Galileia. Sua mãe era Salomé (Mc 15.40; Mt 27.56), a qual contribuiu financeiramente com o ministério de Jesus (Mt 27.55,56).Destacamos que há dois autores: o autor humano e o autor divino. Mesmo argumentando que o autor humano foi de fato o apóstolo João, o item mais importante deve ser conhecido e abordado — João estava escrevendo sob inspiração da Trindade Divina, e cada palavra, singular e única, provém de Deus. Em certo sentido, isso é tudo o que precisamos saber. No entanto, ainda é importante perceber que o canal por meio do qual Deus decidiu nos dar este escrito foi João, um dos doze. Quando buscamos um significado para tal, não estamos apenas indagando o que João pretendia dizer, mas o que Deus queria que João dissesse. O “porquê” de um texto é mais do que a intenção do autor humano, mas inclui também a inspiração divina.
• Evidências externas. Irineu (130-200 d.C., aproximadamente), um dos pais da igreja primitiva, foi discípulo de Policarpo (70-160 d.C., aproximadamente), que foi discípulo do apóstolo João. Ele testificou com base na autoridade de Policarpo que João escreveu o Evangelho já em idade avançada, durante o tempo em que morou em Éfeso, na Ásia Menor (Contra heresias, 2:22:5; 3:1:1). Depois de Irineu, todos os pais da Igreja aceitaram João como o autor do Evangelho. Clemente de Alexandria (150-215 d.C., aproximadamente) escreveu que João, ciente dos fatos relatados nos outros Evangelhos e sendo movido pelo Espírito Santo, compôs um “Evangelho espiritual” (veja História eclesiástica, de Eusébio, 6:14:7).
• Evidências internas. F. F. Bruce diz que a evidência interna da autoria joanina para esse evangelho decorre do fato de que ele foi escrito: a) por um judeu palestino; b) por uma testemunha ocular; c) pelo discípulo que Jesus amava; d) por João, filho de Zebedeu. Destinatários Sobre os destinatários, o Lopes escreve: Mateus escreveu precipuamente para os judeus; Marcos, principalmente para os romanos; e Lucas, especialmente para os gregos. O evangelho de João, porém, é endereçado ao público geral, a judeus e gentios. O escopo desse evangelho possui abrangência universal. Concordo com Joseph Mayfield no sentido de que os primeiros leitores do quarto evangelho provavelmente eram cristãos da segunda ou terceira geração. O que sabiam sobre a vida, o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus aprenderam ou de ouvir falar, ou por meio da leitura dos primeiros relatos cristãos. Data É consenso entre os estudiosos conservadores, estribados nas evidências históricas, que João escreveu esse evangelho da cidade de Éfeso, capital da Ásia Menor, onde morou por longos anos, pastoreou a maior igreja gentílica da época, liderou as igrejas da região e morreu já em avançada velhice, nos dias do imperador Trajano.Não podemos afirmar a data precisa em que esse evangelho foi escrito; todavia, há fortes evidências de que tenha sido entre os anos 80 e 96 d.C. Para F. F. Bruce, “parece provável que o evangelho foi publicado na província da Ásia uns sessenta anos depois dos acontecimentos que
narra”.
1.2 O propósito do Evangelho.
A LIÇÃO DIZ: O Evangelho de João tem como um de seus propósitos levar o leitor a crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, ao crer, encontrar a vida em seu nome (Jo 20.31). O Evangelho de João é o único dentre os quatro que contém uma afirmação precisa sobre o propósito do autor (20.30-31). Ele declara: “estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome” (20.31). Os propósitos primários, portanto, são dois: evangelístico (converter não crentes) e apologético (explicar e defender a verdade). O grande biblista Carlos Osvaldo Cardoso Pinto escreveu em seu livro Foco e Desenvolvimento do Antigo Testamento: O alvo de João era “estabelecer e confirmar a realidade histórica sobre a natureza do homem Jesus”. Fez isso enfatizando, desde o princípio (1.19ss.) até o dramático fim (12.12–19; 18.19– 21.25) os seguintes tópicos: (a) a natureza e a missão messiânica de Jesus;

(b) a singularidade de Jesus como “o Filho de Deus”, ou seja a pessoa verdadeiramente divina cujos milagres atestam a realidade das ousadas afirmações que João fez a seu respeito no capítulo 1; e (c) o escopo universal de sua obra redentora (3.16–17; 6.40). Assim, João consegue ser ao mesmo tempo evangelístico, polêmico, e pastoral. O propósito do Evangelho de João pode ser assim formulado: Estabelecer relacionamentos de fé com Deus proclamando a glória de Jesus, o Messias, o Filho encarnado, cuja vida, morte e ressurreição mediam vida eterna, graça e verdade aos crentes.
1.3 A Natureza de Jesus.
A LIÇÃO DIZ: Apesar de o Evangelho de João sublinhar de forma clara a dimensão divina de Jesus, o apóstolo também aborda sua natureza humana (Jo 8.39,40; 9.1). Nesse sentido, o Evangelho não só realça a divindade de Jesus como Filho de Deus, mas também discute sua humanidade por meio da morte expiatória do nosso Senhor em favor dos pecados da humanidade. Em João, tanto a divindade quanto a humanidade de Jesus são afirmadas. O termo “natureza” pode ser definido como o conjunto de atributos e qualidades que caracterizam um ser. Jesus possui uma natureza humana, pois reúne todos os atributos e qualidades que o tornam plenamente homem. Ao mesmo tempo, Ele também possui uma natureza divina, manifestando os atributos e qualidades próprios de Deus. A doutrina das duas naturezas de Cristo – sua humanidade e divindade – é central para a fé cristã. Esse ensino é claramente estabelecido nas Escrituras, sobretudo, no Evangelho segundo João, e foi historicamente defendido pela Igreja contra heresias que negavam ou distorciam qualquer um desses aspectos. A doutrina da união hipostática ensina que Cristo é uma pessoa com duas naturezas distintas: plenamente Deus e plenamente homem. Isso não significa que Ele era meio Deus e meio homem, nem uma fusão de ambas as naturezas em uma terceira natureza híbrida. Pelo contrário, as duas naturezas coexistem sem confusão, mudança, divisão ou separação, conforme definido pelo Concílio de Calcedônia (451 d.C.) A palavra “hipostática” vem do grego hypostasis, que significa “substância” ou “pessoa”. Assim, a união hipostática ensina que Jesus Cristo é uma única pessoa com duas naturezas distintas. Essa doutrina também é conhecida como a doutrina da “Natureza Teantrópica”. A natureza teantrópica é a natureza de Jesus Cristo, resultante da união de Sua natureza divina e humana. A palavra “teantrópica” vem do grego theos, que significa “Deus”, e anthropos, que significa “homem”. Jesus Cristo é considerado a única pessoa teantrópica, pois é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

II. JESUS, O VERBO DE DEUS
2.1 A revelação que ultrapassa o passado.
A LIÇÃO DIZ: Esse primeiro versículo do Evangelho mostra que o Verbo é Deus “no princípio”, possuindo assim uma existência infinita, ou seja, não tem começo nem fim. Assim, muito além do passado, desde o princípio, o Verbo já existia com Deus, estava com Deus e é Deus (Jo 1.1). João não começa com a genealogia de Jesus como Mateus e Lucas. Isso porque seu propósito é apresentar Jesus como Deus; e, como tal, ele não tem árvore genealógica. Ele mesmo não teve um começo, mas existiu desde a eternidade. Para além de onde a mente humana pode ir, o Senhor Jesus estava lá. Ele nunca foi criado. Ele não teve princípio. Jesus é a causa não causada que causou todas as coisas. João diz que “no princípio era o Verbo”. Ele não começou a existir quando os céus e a terra foram formados, muito menos quando o evangelho foi trazido ao mundo. Ele tinha a glória com o Pai “antes que houvesse mundo” (Jo 17.5). Existia quando a matéria foi criada e antes de os tempos começarem. “Ele é antes de todas as coisas” (Cl 1.17); existe desde toda a eternidade.
2.2 A natureza fundamental do Verbo.
A LIÇÃO DIZ: Tal como Deus é eterno, também o Verbo o é. Mais adiante, em Apocalipse, o apóstolo João descreve o Verbo como “o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). Vamos destacar alguns pontos complementares sobre a natureza do Verbo: Primeiro, aprendemos que nosso Senhor Jesus Cristo é uma pessoa distinta de Deus, o Pai; e, ainda assim, é um com ele. João diz que “o Verbo estava com Deus”. O Pai e o Verbo, embora sejam duas pessoas, são ligados por uma união inefável. Desde a eternidade, onde quer que Deus Pai estivesse, ali também estava o Verbo, o Deus Filho — iguais em glória, coeternos em majestade, porém uma só Divindade. Segundo, aprendemos que o Senhor Jesus Cristo é o próprio Deus. João diz que “o Verbo era Deus”. Ele não é meramente um anjo criado ou um ser inferior a Deus, o Pai, investido de poder, da parte do Pai, para redimir os pecadores. Não é menos que o Deus perfeito; é igual ao Pai, no que concerne à sua divindade; ele é Deus e tem a mesma natureza que o Pai, existindo antes da fundação do mundo. Terceiro, aprendemos que o Senhor Jesus Cristo é o Criador de todas as coisas. João diz que “todas as coisas foram feitas por intermédio dele e, sem ele, nada do que foi feito se fez”. Longe de ser uma criatura de Deus, como alguns hereges têm falsamente afirmado, ele é o Ser que fez o universo e tudo o que nele há. “Mandou ele, e foram criados” (Sl 148.5). Por último, aprendemos que o Senhor Jesus Cristo é a fonte de toda luz e vida espiritual. João diz que “a vida estava nele, e a vida era a luz dos homens”. Ele é a fonte eterna, e somente dela os filhos dos homens têm recebido vida.
2.3 “No princípio era o Verbo”.
A LIÇÃO DIZ: No Novo Testamento, a palavra que se traduz por “verbo” é logos e significa “palavra”. O conceito de logos traz consigo a noção de expressão tanto da razão quanto da linguagem. Nesse sentido, a forma mais adequada de compreender este termo relaciona-se com as maneiras pelas quais Deus se manifesta ao ser humano. Assim, o conceito mais apropriado para logos encontra-se em Jesus, que representa a expressão da divindade, a Revelação de Deus. Aqui é importante entender que a palavra “verbo” traduz o termo grego logos, que significa “palavra”. É verdade que o grego logos possui um significado muito amplo. Inclusive, o termo logos era usado na filosofia grega para indicar o princípio racional que ordenava todo o universo. Já no neoplatonismo e nas heresias gnósticas dos primeiros séculos, o Logos era um tipo de poder intermediário entre a divindade e o mundo. Mas obviamente não é com esse sentido que João emprega o grego logos para falar de Cristo. Ao falar do Logos, ou seja, do Verbo de Deus, João tinha em mente a teologia do Antigo Testamento que já representava a Palavra de forma personificada (cf. Sl 33.6; Pv 8.27-30). Através das palavras nós nos comunicamos; tornamos conhecida a nossa vontade. Isso quer dizer que as palavras revelam o que se passa em nossa mente e coração. É nesse sentido que João fala de Cristo como o Verbo de Deus, ou seja, Aquele que expressa a mente de Deus e O revela aos homens (Jo 14.9). A Bíblia diz que Cristo é a Palavra final de Deus para a humanidade; Ele é a expressão exata do ser de Deus (Hb 1.1-3).

III. A ENCARNAÇÃO DO VERBO
3.1 A manifestação do Verbo e a Luz do mundo.
A LIÇÃO DIZ: João identifica Jesus como o Criador de todas as coisas, mediado pelo Pai através do poder da Sua Palavra (Jo 1.2-3). Em seguida, ele faz uma distinção entre luz e trevas (Jo 1.4-5). As “trevas” simbolizam a obscuridade espiritual provocada pelo pecado. No entanto, Deus enviou João Batista para testemunhar e proclamar sobre a Luz (Jo 1.6-8). A verdadeira Luz é Cristo, que foi anunciado por João Batista, mas que os homens decidiram rejeitar (Jo 1.9-12).
Há sete títulos maravilhosos de nosso Senhor Jesus Cristo no primeiro capítulo do evangelho. Ele é chamado: o Verbo (v. 1,14), a Luz (v. 5,7), o Cordeiro de Deus (v. 29,36), o Filho de Deus (v. 34,49), o Cristo ou Messias (v. 41), o Rei de Israel (v. 49) e o Filho do Homem (v. 51). Vamos destacar um deles: “a Luz (v. 5,7)”. Jesus é a verdadeira luz que ilumina o mundo, dissipando as trevas da ignorância e do pecado (Jo 1.9). João Batista foi enviado como testemunha dessa luz, mas ele próprio não era a luz—sua missão era apontar para Cristo, a luz perfeita que revela Deus aos homens (Jo 1.6-8). Desde a queda, a humanidade esteve mergulhada em trevas, mas a promessa da luz já brilhava desde Gênesis 3.15 e percorreu toda a história da redenção, manifestando-se plenamente na encarnação do Filho de Deus A luz de Cristo se manifesta de diversas formas. No Antigo Testamento, vemos essa luz na lei, nas profecias e nos tipos e sombras que apontavam para o Salvador—o cordeiro pascal em Êxodo, a serpente de bronze em Números, as profecias messiânicas em Isaías e tantos outros sinais. No Novo Testamento, essa luz resplandece de maneira plena e definitiva na vida, nos ensinamentos, na morte e na ressurreição de Jesus. Ele mesmo declara: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12). Essa verdade nos chama a andar na luz de Cristo, rejeitando as obras das trevas (Ef 5.8). Assim como a luz expõe tudo o que está oculto, Jesus revela nossa condição pecaminosa e nos chama ao arrependimento. Infelizmente, muitos rejeitam essa luz, pois amam mais as trevas (Jo 3.19-21). No entanto, aqueles que creem nEle recebem a verdadeira vida e se tornam filhos da luz (Jo 12.36).

3.2 O privilégio de nos tornarmos filhos de Deus.
A LIÇÃO DIZ: Enquanto Israel rejeitou a bênção da salvação através da obra do Calvário, Deus ofereceu a todas as pessoas, independentemente de sua raça, etnia ou língua, a oportunidade de se tornarem “filhos de Deus” pela fé no nome de Jesus (Jo 1.12-13). Tanto para judeus quanto para gentios, a Luz manifestou-se para revelar o plano divino de redenção para toda a humanidade.
O texto bíblico diz:
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. (Jo 1.12,13 NAA). A salvação, antes restrita ao povo de Israel, agora se estende a todas as nações da terra. Deus não limita Seu chamado a uma única etnia ou cultura, mas convida pessoas de todas as tribos, raças e línguas a fazerem parte de Sua família. Aqueles que recebem a Cristo não apenas se tornam descendentes espirituais de Abraão, mas, acima de tudo, são adotados como filhos de Deus. Esse privilégio não é concedido com base em méritos ou boas obras, mas unicamente pela fé no nome de Jesus. Na cultura bíblica, o “nome” de alguém não era apenas um rótulo, mas representava sua essência, caráter e identidade. Assim, crer no nome de Jesus significa confiar plenamente em quem Ele é e no que Ele fez para nos salvar. O apóstolo João destaca três verdades fundamentais sobre essa fé salvadora:
1. A fé é universal em seu alcance (Jo 1.12) – Não está restrita a um grupo específico, mas é oferecida a todos que crerem.
2. A fé concede uma posição de suprema honra (Jo 1.12) – Quem crê recebe o direito de ser chamado filho de Deus, uma posição que transcende qualquer privilégio humano.
3. A fé opera de forma sobrenatural (Jo 1.13) – Essa filiação divina não ocorre por herança natural, esforço humano ou decisão de outras pessoas, mas é resultado direto da obra de Deus na vida do crente. Essas verdades mostram que a salvação não é um direito adquirido, mas um presente divino, disponível a todos que depositam sua confiança em Cristo. 3.3 A manifestação e a habitação do Verbo.
A LIÇÃO DIZ: A frase “o Verbo se fez carne” sugere a humanização de Deus, que passou a viver entre os homens.
A Bíblia diz:
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. (Jo 1.14 NAA).
O bispo anglicano J. C. Ryle escreveu o seguinte a respeito desse texto bíblico:
• O Verbo realmente se fez carne? Então, ele é alguém sensível às aflições de seu povo, pois ele mesmo experimentou o sofrimento ao ser tentado. Ele é Todo-poderoso, pois é Deus; assim mesmo, identifica-se conosco, pois é homem.
• O Verbo realmente se fez carne? Então, ele pode ser um exemplo perfeito para nossa vida diária. Se tivesse andado entre nós como anjo ou espírito, jamais poderíamos imitá-lo. Mas, por ter vivido entre nós como homem, sabemos que o verdadeiro padrão de santidade é “andar assim como ele andou” (1Jo 2.6). Ele é um modelo perfeito, porque é Deus; mas também é um modelo que corresponde perfeitamente às nossas necessidades, porque é homem.
• Por último, o Verbo realmente se fez carne? Então, procuremos ver em nosso corpo mortal uma dignidade real e verdadeira, e não o corrompamos pelo pecado. Fraco e vil como pode parecer, é um corpo que o eterno Filho de Deus não se envergonhou de assumir e levar para o céu. Esse simples fato é uma garantia de que ele ressuscitará nossos corpos no dia final e os glorificará junto com seu próprio corpo.

CONCLUSÃO
A encarnação de Cristo não foi um evento comum, mas a maior manifestação do amor divino, cumprindo as profecias e oferecendo redenção à humanidade. Ele, sendo Deus, tornou-se homem para carregar nossos pecados, morrer em nosso lugar e ressuscitar, garantindo vida eterna aos que creem. Que esta verdade transforme nossa fé e nos conduza a um relacionamento profundo com Aquele que habitou entre nós. O Verbo se fez carne—Deus conosco, a esperança da glória!

 

REFERÊCIA BIBLIOGRAFICA
• CARSON, D. A.; MOO, Douglas; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. Tradução
de Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 2017.
• KÖSTENBERGER, Andreas J.; KELLUM, L. Scott; QUARLES, Charles L. Introdução ao Novo
Testamento: a manjedoura, a cruz e a coroa. Tradução de Carlos Lopes. São Paulo: Vida Nova,
2022.
• ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
• LOPES, Hernandes Dias. João: as glórias do Filho de Deus. São Paulo: Hagnos, 2015.
• MACDONALD, William. Comentário bíblico popular — Novo testamento. São Paulo: Mundo
Cristão, 2011.
• RYLE, J. C. (John Charles). Meditações no Evangelho de João. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018.

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