No ar com a reta final ‘Garota do Momento’, atriz teve oportunidade de debater machismo e avalia função social das novelas: “Unir o entretenimento a discussão útil“
Palomma Duarte, 48 anos de idade, encerra seu trabalho em Garota do Momento satisfeita com os debates que a novela trouxe. Ambientada nos anos 1950, a trama de Alessandra Poggi trouxe abordagens atuais aos conflitos daquela época. “Nessa novela pudemos mergulhar em terrenos relevantes até hoje. A gente cumpre nossa função de reunir o entretenimento com uma discussão útil”, diz .Na história, Lígia, sua personagem, passou parte da vida longe dos filhos. Sem vocação para as atividades domésticas e em busca do sonho de ser cantora, ela deixou as três crianças sob os cuidados do marido, Raimundo (Danton Mello). Ao voltar, com os filhos já crescidos, foi rejeitada por eles. “Lígia tem afeto e amor pelos filhos, mas não se enquadrava ao tempo em que ela nasceu. Ela não tem talento para a vida doméstica. Ela não tem talento para ser aquela figura que a sociedade daquela época considerava o lugar permitido para a mulher. A atriz, que também havia trabalhado com Alessandra Poggi na novela Além da Ilusão (Globo, 2022), enaltece os temas abordados nas tramas. “Nossa autora gosta de uma trama leve e aprofunda em temas densos. Garota do Momento traz um colorido maior que Além da Ilusão.”
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Maternidade
Mãe da estudante de medicina Maria Luiza, 31, do relacionamento com Renato Lui, da atriz Ana Clara Winter, de 27, da união com o ator Marcos Winter, e do caçula Antônio, de 9, do atual casamento com o ator Bruno Ferrari, Palomma vivenciou o cuidado com os filhos de maneira próxima. “A maternidade é um traço muito forte em mim. Sou mãe de três. Até antes de Garota do Momento, só havia interpretado mães presentes, dedicadas ou motivadas a recuperar o filho. Garota do Momento me trouxe a chance de interpretar o outro lado da moeda”, diz ela, que encanta os seguidores sempre que compartilha fotos com os filhos.
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Machismo
“Por mais que a gente tenha avançado ao longo das últimas décadas, ainda vivemos em uma sociedade extremamente machista. O machismo estrutural está a anos-luz de ser enterrado. Se um pai cria o próprio filho é impressionante como ele é enaltecido — ‘Fulano é um pai incrível’, ‘Que paizão’… Isso é reflexo da nossa cultura atrasada. O homem é enaltecido por algo que a mulher já faz há anos, mas ninguém comenta ‘que mãe incrível’ porque a dedicação à maternidade é um traço que já se espera de nós, mulheres.”
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Pressões sociais
“Ainda hoje, você reconhece mulheres que poderiam ter escolhido outros caminhos caso tivessem passado por outro tipo de educação, talvez não tivessem tido filhos. Isso é reflexo de situações sociais, econômicas, emocionais, culturais, financeiras… Muitos fatores envolvem o caminho de uma mulher para possibilitar essa saída para ganhar o mundo. Essa discussão não é simples. Há mulheres que viram mães por questões de violência, a contragosto, são muitas questões.”
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