O Brasil já é o “celeiro do mundo” por conta da grande produção de alimentos no campo. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) aspira, ainda, que o país se torne, um dia, também o “supermercado do planeta”. Essa aspiração é muito concreta, porque o Brasil já exporta alimentos industrializados para 190 países. Entretanto, o Brasil enfrenta uma realidade distinta em seu território, contabilizando mais de 33 milhões de habitantes em situação alimentar grave, segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).
Muitos fatores são atribuídos à volta da fome no país: a pandemia da covid-19, o cenário político externo com a guerra entre Ucrânia e Rússia, a perda do poder de aquisição da população e o aumento dos preços dos alimentos. Esse último, um ponto que pode ser corrigido com a reforma tributária, em tramitação no Congresso Nacional. Segundo estudos da Abia, os alimentos industrializados têm uma tributação ao redor de 24%, longe ainda da média nos países que compõem a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que gira em torno de 7%. Ou seja, quase um quarto do valor que o brasileiro paga na comida é destinado para tributos como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços (ICMS), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social.
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