A CARREIRA QUE NOS ESTÁ PROPOSTA
O Caminho da Salvação, Santidade e Perseverança para Chegar ao céu




O QUE ESTUDAREMOS?
Nesta lição, veremos que o crente é desafiado cotidianamente a abandonar a fé em Cristo. Isso pode acontecer por meio da tentação. Por isso, veremos como ocorre a tentação e como nosso Senhor lidou com essa situação. Aprenderemos também que a resistência à tentação requer o firme posicionamento contra o pecado e o compromisso com a prática da Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO – COMPARANDO TRADUÇÕES
Vigiem e orem para que não sejam tentados. É fácil querer resistir à tentação; o difícil mesmo é conseguir. (Mt 26.41 NTLH). Vigiem e orem. De outro modo a tentação vencerá vocês. Pois o espírito na verdade está disposto, mas o corpo é fraco! (Mt 26.41 NBV). Aprendamos, com está passagem bíblica, que existe grande fraqueza até mesmo nos verdadeiros discípulos de Cristo, e que eles precisam vigiar e orar a esse respeito. Vemos Pedro, Tiago e João, três apóstolos escolhidos, dormindo quando deveriam estar vigiando e orando. Também vemos nosso Senhor dirigindo-se a eles com estas palavras solenes: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. Há uma dupla natureza em todos os crentes. Convertidos, renovados e santificados como são, ainda assim eles carregam consigo uma massa de corrupção, um corpo de pecado. Paulo refere-se a isso quando assevera: “[…] encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado […]” (Rm 7.21–23). A experiência de todos os verdadeiros cristãos, em todos os séculos, confirma isso. Eles encontram dentro de si dois princípios contrários e uma batalha contínua entre ambos. Nosso Senhor alude a esses dois princípios quando se dirige aos discípulos dormentes. Ele chama a um de “carne” e, ao outro, de “espírito”: “O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. Mas nosso Senhor procurou desculpar essa fraqueza em seus discípulos? Longe de nós pensar tal coisa. Os que chegam a essa conclusão interpretam muito mal o que ele quis dizer. Jesus usa essa mesma fraqueza como argumento para a vigilância e a oração. Ele nos ensina que o próprio fato de estarmos cercados de tanta fraqueza deveria despertar-nos continuamente para “vigiar e orar”. Se desejamos andar com Deus e não cair, como sucedeu a Davi e Pedro, então nunca nos esqueçamos de vigiar e orar. Que vivamos como soldados em território inimigo, montando guarda permanente! Nunca exercemos cuidado em demasia por nossa alma. O mundo é muito traiçoeiro. O diabo está sempre muito ocupado. Que as palavras de nosso Senhor soem em nossos ouvidos diariamente, como uma trombeta! Talvez o espírito possa estar pronto, mas a carne é sempre muito fraca. Portanto, vigiemos sempre e oremos sempre.

VERDADE PRÁTICA
No lugar de ceder à tentação, é melhor triunfar sobre ela. A frase propõe uma escolha consciente entre duas ações opostas diante da tentação. Em vez de “ceder”, que implica submeter-se a algo, sucumbir ao desejo imediato, o comentarista sugere “triunfar”, o que implica resistir e superar a tentação. A comparação feita através do termo “melhor” indica que o autor acredita que resistir à tentação traz benefícios superiores a simplesmente ceder a ela. Sempre será melhor lutar, lutar e lutar, do que desistir.







I. A TENTAÇÃO E SUA ESFERA HUMANA
1.1 Conceito bíblico de tentação.
O LIVRO DE APOIO DIZ: Pelas Escrituras, a tentação é descrita como prova, teste. Por intermédio dela, o cristão é desafiado a escolher fazer a vontade de Deus ou rejeitá-la; decidir fazer o que é certo ou errado; procurar submeter-se ao Espírito Santo de Deus ou render-se aos desejos pecaminosos da carne; viver sob o senhorio de Cristo ou ao comando de Satanás. Todo cristão pode ser tentado, como Jesus foi, o que não é pecado, mas, caso ceda, então aí pecará. A palavra “tentação” é usada de diversas formas (em diferentes contextos) na Bíblia. As mais importantes são (1) induzir ao pecado; (2) tentar (testar) a Deus; (3) Deus provar o homem e (4) vencer a tentação.
• Induzir ao pecado. Na Bíblia, o impulso do homem para fazer o mal é, muitas vezes, atribuído a Satanás. Pedro adverte: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8). Paulo se preocupava com os crentes de Corinto, para que não fossem desviados pelo “tentador” (1Co 3.5). Em Efésios, ele estimula os leitores a “ficar firme contra as ciladas do diabo” (Ef 6.11). Porém, nem toda a responsabilidade da tentação do homem ao pecado deverá ser colocada como sendo externa à pessoa e, menos ainda, poderá ser atribuída a Deus. Respondendo aos que queriam culpar a Deus pela tentação, Tiago diz: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”
(1.13). Parte da culpa pela tentação reside, claramente, no indivíduo que é “induzido e seduzido por sua própria cobiça” (Tg 1.14).
• O homem testando a Deus. A tentação poderá incluir a ideia de o homem desafiar a Deus ou tentar submeter Deus à prova.
• Deus testando o homem. Deus prova o homem. As Escrituras apresentam diversas razões pelas quais Deus permite que Seus filhos passem por momentos difíceis. Por exemplo: Desenvolvimento do Caráter:
i. A provação serve para desenvolver qualidades como a perseverança, a paciência e a maturidade espiritual. (Tg 1.2-4).
ii. A provação lembra os crentes de sua dependência de Deus e os leva a buscar Sua ajuda e conforto. (2Co 12.9).
iii. As provações preparam os crentes para servirem a Deus de maneiras mais eficazes, equipando-os com experiência e empatia para ajudar os outros (2 Co 1.3-4).
iv. Deus usa as provações para disciplinar Seus filhos, corrigindo e guiando-os no caminho certo (Hb 12.5-11).
• Vencendo a tentação. A Bíblia nos ensina que a tentação ao pecado poderá ser resistida com sucesso. A vontade do homem é que dá o consentimento final ao pecado; portanto, essa vontade, fortalecida pelo poder de Jesus Cristo, poderá obter a vitória à pessoa que é tentada. Vencer a tentação uma vez concede ao indivíduo maior capacidade de vencer da próxima vez.
1.2 Duas vias da tentação.
A LIÇÃO DIZ: De acordo com a Palavra de Deus, a tentação pode vir primeiramente do Diabo (Gn 3) e, também, de dentro do ser humano (Tg 1.14,15).
• O Diabo. Como agente externo, promotor de tentação, ele usa várias estratégias. Ele se disfarça de anjo de Luz (2Co 11.14); ele distorce a Palavra de Deus de forma astuta (Gn 3.1- 6); ele usa pessoas que amamos, pessoas próximas (Mt 16.22,23). Entendamos que, ainda que o diabo tente uma pessoa, ela só cairá se ceder.
• A natureza pecaminosa. Três textos bíblicos são importantes aqui:
i. Porque é de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, os adultérios, a avareza, as maldades, as mentiras, as imoralidades, a inveja, a calúnia, o orgulho e o falar e agir sem pensar nas consequências. Tudo isso vem de dentro e faz com que as pessoas fiquem impuras. (Mc 7.21-23 NTLH).
ii. Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. (Gl 5.19-21 NVI).
iii. Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte. (Tg 1.13-15 NVI). Embora o nome de “tentador” seja atribuído ao diabo, vimos que o maior problema da tentação não é o diabo, e sim os nossos desejos. O Diabo se utiliza deles para nos tentar.
1.3 Tentação: um fenômeno humano.
A LIÇÃO DIZ: Na Epístola de Tiago está escrito: Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. (Tg 1.13,14). Verdades sobre a natureza da tentação:
• Inevitável. As principais versões da Bíblia em língua portuguesa indicam que todos passarão por tentações (Tg 1.13). A questão não é “se”, mas “quando” vamos ser tentados. Nem uma tradução portuguesa cogita como possibilidade, elas afirmam “quando for tentado”. O nosso primeiro desafio em relação à tentação é entender que estamos sujeitos a ela a todo momento. Precisamos prestar atenção continuamente. Ninguém pode dizer que não passa por tentação, pois é naturalmente humana. “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana” (cf. 1Co 10.13). “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (cf. 1Co 10.12).
• Maligna. A afirmação de que Deus não pode ser tentado pelo mal salienta o caráter bondoso de Deus. A natureza santa de Deus é solidificada no bem, e o mal é incapaz de seduzi-Lo. Habacuque 1.13 revela que a bondade de Deus é inabalável, a ponto de Ele sequer poder olhar o mal. Tiago afirma no versículo 13 que “Deus não pode ser tentado pelo mal”. A tentação, sendo o caminho do mal, é totalmente contrária à natureza de Deus.






II. O SENHOR JESUS E A TENTAÇÃO
2.1 A provação do Senhor Jesus.
A LIÇÃO DIZ: De acordo com o Evangelho de Mateus, após o batismo de Jesus, o Espírito Santo o conduziu ao deserto (cf. Mc 1.12,13; Lc 4.1,2). O objetivo de Satanás era fazer com que Jesus desviasse de seu propósito, satisfazendo desejos e necessidades, contrariando a vontade de Deus (cf. Jo 4.34). A perspectiva de cada evangelista: A seguir, [ Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Então o tentador, aproximando-se, disse a Jesus: — Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães. (Mt 4.1-3 NAA). E logo o Espírito conduziu Jesus ao deserto, onde ficou durante quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Estava com as feras, e os anjos o serviam. (Mc 1.1,2) Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome. Então o diabo disse a Jesus: — Se você é o Filho de Deus, mande que esta pedra se transforme em pão. (Lc 4.1-3 NAA).Pode parecer estranha a necessidade de Jesus ser levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado. Por que o Espírito Santo o levaria a tal encontro? A resposta é que essa tentação foi necessária a fim de demonstrar sua capacidade moral de executar a obra que veio realizar no mundo. O primeiro Adão, ao encontrar o adversário no jardim do Éden, provou que não estava capacitado para o domínio. Aqui, o último Adão se encontrou com o adversário frente a frente e saiu ileso. A palavra grega traduzida por “tentado” ou “testado” tem dois significados: 1) a fim de provar ou testar (Jo 6.6; 2Co 13.5; Hb 11.17); 2) a fim de seduzir ao pecado. O Espírito Santo testou ou provou Cristo. O Diabo tentou atraí-lo ao pecado. Há um mistério profundo ligado à tentação de Jesus. Questões inevitáveis surgem: “Ele poderia ter pecado?”. Se a resposta for “não”, temos de encarar outra pergunta: “Como poderia ser uma tentação verdadeira se ele não cederia?”. Se a resposta for “sim”, encaramos este problema: “Como o Deus encarnado poderia pecar?”. É primordial lembrar que Jesus Cristo é Deus e que Deus não pode pecar. Também é verdade que ele é humano; porém, afirmar que ele poderia pecar como humano, e não como Deus, é construir um caso sem fundamento nas Escrituras. Os escritores do NT escreveram da impecabilidade de Cristo em várias ocasiões. Paulo escreveu que ele “não conheceu pecado” (2Co 5.21); Pedro escreve que ele “não cometeu pecado” (1Pe 2.22); e João escreve: “… nele não existe pecado” (1Jo 3.5). Como nós, Jesus podia ser tentado externamente: o Diabo veio a ele com sugestões opostas à vontade de Deus. Mas, ao contrário de nós, ele não podia ser tentado internamente — nenhuma concupiscência ou paixão podia se originar nele. E mais: não havia nada nele que responderia às seduções do Diabo (Jo 14.30). O contraste entre este lugar e o cenário da tentação de Adão e Eva é chocante. Eles estavam em um bonito paraíso, no Jardim do Éden. Ele estava no deserto desolado. Eles tinham tudo o que alguém poderia desejar para comer. Ele estava faminto. Eles tinham um ao outro. Ele estava sozinho. Apesar disso, eles fracassaram, ao passo que Ele triunfou. Apesar de Jesus ser incapaz de pecar, a tentação foi verdadeiramente real. Foi possível ele deparar-se com a tentação ao pecado, mas era moralmente impossível para ele ceder. O propósito da tentação não era ver se ele pecaria, mas provar que, mesmo sob tremenda pressão, ele não podia fazer nada, a não ser obedecer à vontade de Deus. No entanto, reconhecemos que por melhor que sejam os argumentos, há um mistério em volta da tentação de nosso Salvador ao ponto de não conseguirmos explicar com a devida clareza.
2.2 As áreas que Jesus foi tentado.
O LIVRO DE APOIO DIZ: Pelo relato de Mateus 4.1-11, as tentações que Jesus sofreu da parte de Satanás foram nas áreas que qualquer ser humano pode sofrer. A primeira estava relacionada às fraquezas do corpo (comida); a segunda, relacionada à conquista do poder; e a terceira, ao orgulho humano.
A LIÇÃO DIZ: Podemos dizer que Jesus Cristo foi tentado em três áreas: a área física, a natureza divina e a área espiritual. Por que destaquei o texto do livro de apoio e o texto da revista? Porque quero enfatizar que o texto da revista, ao meu ver, foi infeliz na escolha da expressão “tentado na natureza divina”. Essa escolha inadequada de palavras pode conduzir alguns leitores a um entendimento errado. Portanto, o texto do livro de apoio é mais assertivo. O diabo é astuto e maligno. Na sua fúria tentadora, usa todo o seu arsenal, aproveita-se de cada circunstância e busca tirar proveito das realidades existenciais. Destacamos a seguir alguns pontos.
• Em primeiro lugar, o diabo não se afasta de nós pelo fato de sermos filhos de Deus e estarmos cheios do Espírito Santo (4.1–3).
• Em segundo lugar, o diabo não deixa de nos tentar pelo fato de orarmos e jejuarmos. Jesus estava orando e jejuando durante quarenta dias e nesse tempo o diabo tentou desviá-lo. Ele não tentou Jesus depois dos quarenta dias. Marcos nos informa que ele tentou Jesus durante os quarenta dias. Tentou-o não depois que ele orou e jejuou, mas enquanto orava e jejuava. Quem não vigia e ora, não consegue resistir. A oração não afugenta o diabo, mas fortalece você.
• Em terceiro lugar, o diabo nos tenta em coisas pertinentes. O diabo atacou Jesus em três
áreas:
i. A área física, a satisfação de uma necessidade. O Diabo tem uma solução, uma provisão pecaminosa para cada necessidade humana.
ii. A área religiosa, a presunção. Ao perceber que o desejo de Jesus era obedecer a Deus e glorificá-lo por meio da Palavra, o diabo o tenta com a Palavra. O diabo torceu o sentido do Salmo 91 e omitiu outra parte. Ele usou a Bíblia para tentar. Ele sempre torce a Palavra. É assim que surgem tantas seitas e heresias com gente de Bíblia na mão,
mas guiada pelo diabo. O diabo foi o primeiro teólogo liberal. Ele é o patrono dos falsos exegetas.
iii. A área política, a ambição. O diabo promete o que não tem. Ele diz a Jesus: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. O evangelista Lucas registra as palavras do tentador: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser (Lc 4.6). O diabo promete todos os reinos a Jesus, dizendo que ele tinha autoridade para fazer isso. Mentira! Ele promete o que não tem. Ele esconde que é um ser derrotado, condenado e infeliz. Concordo com R. C. Sproul: “A oferta que Satanás fez a Jesus não era algo que ele podia dar. Satanás não tem glória alguma para dar”. O preço era a apostasia. O diabo não sugere que Jesus desconfie, nem que tenha uma confiança falsa, mas que apostate de Deus. Aqui o diabo mostra as suas garras e quer assumir o lugar do Deus todo-poderoso.
2.3 Como Jesus venceu a tentação?
A LIÇÃO DIZ: Nosso Senhor venceu o Diabo com a Palavra de Deus. Em todas as áreas da tentação, Ele respondeu: “Está escrito”. Na primeira tentação, Ele disse: “Está escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). Na segunda tentação, Ele disse: Está escrito: “Não tentarás ao Senhor teu Deus” (Mt 4.7). Na terceira tentação, Ele disse: “Vai te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (Mt 4.10). Dois pontos admiráveis devem ser mencionados aqui:
• É importante observar que Jesus enfrentou o inimigo como homem, não como Filho de Deus. Suas primeiras palavras foram: “não só de pão viverá o homem” (Mt 4.4). Não devemos imaginar que Jesus usou seus poderes divinos para derrotar o inimigo, pois era justamente isso o que Satanás queria que ele fizesse. Jesus usou os mesmos recursos espirituais à disposição de todos nós hoje: o poder do Espírito Santo (Mt 4.1) e o poder da Palavra de Deus (“está escrito”).
• Todas as passagens bíblicas citadas por Jesus estão registradas no livro de Deuteronômio. Se sua vida espiritual dependesse de seu conhecimento sobre este livro, como você se sairia? Eu sei que a resposta é quase sempre decepcionante. Todavia, essa reflexão serve alerta e incentivo para estudarmos a Palavra de Deus.




III. RESISTINDO À TENTAÇÃO
Reformulamos os subpontos deste tópico para evitar repetições. Cinco orientações bíblicas de como resistir as tentações:
• Andar no Espírito. “Andem no Espírito, e jamais satisfarão os desejos da carne” (Gl 5.16). Quando vivemos guiados pelo Espírito Santo, somos capacitados a resistir às tentações carnais. Devemos buscar uma relação contínua e íntima com Deus, permitindo que o Espírito Santo guie nossos pensamentos e ações.
• Revestir-se da Armadura de Deus. “Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo” (Ef 6.11). A armadura de Deus inclui a verdade, a justiça, o evangelho da paz, a fé, a salvação e a Palavra de Deus. Cada peça dessa armadura espiritual nos protege e nos capacita a resistir aos ataques do maligno.
• Ser Sóbrio e Vigiar. “Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1 Pe 5.8). A sobriedade e a vigilância são essenciais para discernirmos as armadilhas do inimigo. Precisamos estar alertas e espiritualmente atentos para identificar e resistir às tentações.
• Sujeitar-se a Deus e Resistir ao Diabo. “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês” (Tg 4.7). Submeter-se a Deus envolve humildade e obediência à Sua vontade. Quando resistimos ao diabo com firmeza, confiando no poder de Deus, ele não pode permanecer em nossas vidas.
• Guardar a Palavra no Coração. “Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Precisamos ter a Palavra de Deus profundamente arraigada em nosso coração. A meditação constante e a aplicação prática das Escrituras nos fortalecem espiritualmente.

CONCLUSÃO
Se por acaso um crente ceder à tentação e cair, isso não é o fim. A Bíblia nos ensina que há esperança e restauração para aqueles que se arrependem e buscam o perdão de Deus. Aqui estão os passos para a restauração espiritual:
• Arrependimento Sincero. O primeiro passo é reconhecer o pecado e arrepender-se genuinamente. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9). Arrepender-se significa sentir pesar pelo pecado e decidir mudar de comportamento.
• Confissão a Deus. Confessar o pecado a Deus é essencial. “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado” (Sl 32.5).
• Buscar Apoio na igreja. Encontre apoio em outros crentes que possam orar por você, oferecer encorajamento e manter você responsável. “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tg 5.16).
• Perseverar na Fé. Finalmente, continue firme na fé, mesmo diante das dificuldades. “Bem aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1.12).















