O DEUS QUE GOVERNA O MUNDO E CUIDA DA FAMÍLIA
Os ensinamentos Divinos nos Livros de Rute e Ester para a Nossa Geração




O QUE ESTUDAREMOS?
A presente lição tem o propósito de, como ponto de partida da relação de amizade entre Noemi e Rute, nos ensinar o valor de uma amizade em Deus mediante a maturidade da vida cristã.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES
Porém Rute respondeu: — Não me proíba de ir com a senhora, nem me peça para abandoná-la! Onde a senhora for, eu irei; e onde morar, eu também morarei. O seu povo será o meu povo, e o seu Deus será o meu Deus. (Rt 1.16 NTLH).
Texto Paralelo: Boaz respondeu: — Eu ouvi falar de tudo o que você fez pela sua sogra desde que o seu marido morreu. E sei que você deixou o seu pai, a sua mãe e a sua pátria e veio viver entre gente que não conhecia. Que o SENHOR a recompense por tudo o que você fez. Que o SENHOR, o Deus de Israel, cuja proteção você veio procurar, lhe dê uma grande recompensa. (Rt 2.11,12 NTLH).
RUTE, REVELA COM SUAS PALAVRAS, A GRANDEZA DE SEU AMOROSO CORAÇÃO Porém Rute respondeu:
A DETERMINAÇÃO DE RUTE EM SEGUIR NOEMI — Não insista para que eu a deixe nem me obrigue a não segui-la!
A DETERMINAÇÃO DE RUTE EM NÃO SE DISTANCIAR DE NOEMI Porque aonde quer que a senhora for, irei eu;
A DETERMINAÇÃO DE RUTE DE ACOMPANHAR NOEMI EM QUALQUER CIRCUSNTÂNCIA e onde quer que pousar, ali pousarei eu.
A DETERMINAÇÃO DE RUTE SERVIR O DEUS DE NOEMI O seu povo é o meu povo, e o seu Deus é o meu Deus. A resposta de Rute é uma expressão clássica de lealdade até a morte. Aqui temos um ato assombroso de rendição e abnegação. Rute estava abrindo mão de toda a sua vida para servir a Noemi. Isso nos lembra das palavras de Cristo, “Todo aquele que dentre vos não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.33; cf. Jo 11.16).

VERDADE PRÁTICA
Amar uns aos outros sem nada exigir em troca evidência que Deus está em nós e nos une em relacionamentos fortes e duradouros. O amor cristão, diferentemente do amor natural, é marcado pela ausência de expectativas ou exigências. Este amor incondicional é um reflexo direto do caráter de Deus em nós e é essencial para a construção de relacionamentos sólidos e duradouros. Vamos explorar este conceito em três pontos principais: a natureza do amor incondicional, a evidência da presença de Deus em nós e a união que resulta deste amor.
• A Natureza do Amor Incondicional. O amor verdadeiro, conforme ensinado por Cristo, é um amor que não espera nada em troca. Em 1 Coríntios 13, Paulo descreve as características deste amor: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha… tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Co13.4-7). Este tipo de amor é radicalmente diferente do amor que vemos no mundo, que frequentemente vem com condições e expectativas. O amor incondicional é sacrificial e centrado no outro, refletindo a essência do amor de Deus por nós.
• A Evidência da Presença de Deus em Nós. O amor incondicional é uma evidência tangível da presença de Deus em nossas vidas. Em 1 Jo 4.12, lemos: “Ninguém jamais viu a Deus; se amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós.” O amor que não exige nada em troca é uma manifestação direta do Espírito Santo operando em nós. É através deste amor que mostramos ao mundo a realidade de Deus. Nossos atos de amor incondicional são testemunhos vivos da transformação que Deus realizou em nossas vidas. Eles provam que não somos mais guiados por interesses egoístas, mas pelo amor divino
que habita em nós.
• A União em Relacionamentos Fortes e Duradouros. O amor incondicional também é a base para relacionamentos sólidos e duradouros. Em Colossenses 3.14, Paulo nos exorta: “Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o vínculo da perfeição.” Este amor une os corações e cria laços que resistem às tempestades da vida. Relacionamentos construídos sobre este amor são resilientes, pois não dependem de circunstâncias ou sentimentos momentâneos, mas do compromisso e da dedicação contínua.








I. A PROPOSTA DE NOEMI
1.1 Uma crise em família.
A LIÇÃO DIZ: É importante considerar as circunstâncias da vida de Noemi para entender o valor e o significado de seus atos. Com pinceladas breves e cuidadosas, o narrador desenhou o pano de fundo para sua história. Localizou-a cronologicamente nos dias quando os juízes governavam. Com isso, o narrador coloca sua história contra um pano de fundo particularmente escuro. Israel lembrava-se do “Período dos Juízes (ca. 1200–1020 a.C.) – o tempo entre a morte de Josué (Jz 1.1) e a coroação de Saul (1Sm 10) – como sendo uma era de terrível caos social e religioso. A esse cenário trágico, o autor acrescentou que uma fome assolou a terra (i.e., o país inteiro). Finalmente, o narrador notou que a fome forçou a família de um homem de Belém em Judá a migrar para Moabe. A crise é uma encruzilhada, onde precisamos inevitavelmente tomar uma decisão. Na hora da crise, devemos olhar para Deus, em vez de mirarmos apenas as circunstâncias. Quando somos encurralados pelas circunstâncias adversas, precisamos acreditar que Deus está acima e no controle delas. Warren Wiersbe diz que, quando os problemas surgem em nossa vida, podemos fazer uma destas três coisas: suportá-los, fugir deles ou usá-los a nosso favor. Elimeleque tomou a decisão errada quando decidiu fugir e deixar sua terra. A fuga de Belém para Moabe foi marcada por muitos desastres na família de Elimeleque. Buscar refúgio fora da vontade de Deus é um consumado engano. Eles foram para Moabe em busca de sobrevivência e encontraram a morte. Elimeleque tombou em terra estrangeira. Ele morreu e deixou sua família órfã em terra estranha. A dor do luto é mais aguda do que a dor da pobreza. A escassez é menos dolorosa do que a morte. Dez anos se passaram. Malom e Quiliom casam-se em Moabe, e novamente uma luz de esperança volta a brilhar no caminho daquela família imigrante. A morte, porém, volta a rondar aquela família já marcada pelo sofrimento. De súbito, sem qualquer explicação, a vida dos jovens de Malom e Quiliom é ceifada em terra estrangeira. Noemi perdeu tudo: sua terra, seu marido, seus filhos, seus sonhos. Ela está velha, viúva, pobre, sem filhos, em terra estrangeira.
1.2 Tirando força da fraqueza.
A LIÇÃO DIZ: Todas as pessoas, inclusive as cristãs, estão sujeitas a dias maus (Ec 7.14). A diferença é como cada uma se comporta em meio às tempestades da vida (Ef 6.13; Mt 7.24-27). Noemi não escondeu seus sentimentos, mas também não os explorou, com autopiedade ou autocomiseração. Quando soube que Deus havia abençoado o seu povo, “se Ievantou” com suas noras para voltar a Belém (Rt 1.6,7). Ela teve uma atitude de liderança, mesmo em meio à tristeza e dor que sentia pela perda do marido e dos filhos. A distância entre os campos de Moabe e Belém era superior a 120 quilômetros. Idosa, Noemi soube tirar força da fraqueza subindo e descendo das montanhas, em tempos tão remotos (Hb 11.34). Se tivesse se entregado aos seus sentimentos, jamais teria tomado uma decisão tão desafiadora. Os problemas da vida não podem nos paralisar (Pv 24.10). Decidi incluir todo o texto do subponto, pois concluí que vale a pena comentar cada parágrafo encontrado aqui.
• Em primeiro lugar, o autor de Eclesiastes nos lembra que todos nós, sem exceção, estamos sujeitos a dias maus (Ec 7.14). A vida é marcada por altos e baixos, momentos de alegria e tristeza, e é importante reconhecermos isso. No entanto, a diferença crucial reside na formacomo lidamos com essas adversidades.
• Em segundo lugar, Noemi retorna para Belém. O mesmo Deus que disciplina, também restaura. O mesmo Deus que envia a fome, envia também o pão como gesto de Sua graça. A crise não dura para sempre. David Atkinson afirma corretamente que as notícias que Noemi recebeu não são expressas em termos como: “o tempo melhorou”, ou “houve uma inversão econômica”, ou “a ameaça da invasão estrangeira desapareceu”. As notícias chegaram a Noemi em termos da ação do Senhor. O alimento que agora existia em Belém é entendido por Noemi como um dom de Deus.
• Em terceiro lugar, um exemplo de coragem, fé e resiliência. Ao se recusar a permitir que os obstáculos da vida a paralisassem, Noemi nos ensina que a fé verdadeira não se limita a palavras bonitas ou promessas vazias. Ela se manifesta em ações concretas, na perseverança diante das adversidades e na inabalável confiança no poder transformador de Deus (Pv 24.10).
1.3 Sem manipulação emocional.
A LIÇÃO DIZ: Rute e Orfa decidiram prontamente acompanhar a sogra. Mas tão logo começaram a viagem, Noemi decidiu liberá-las, para que voltassem à casa dos pais (Rt 1.7,8; 2.11). Mesmo de avançada idade, Noemi pensou primeiro em suas noras e no futuro delas. De volta às suas origens, Rute e Orfa poderiam casar novamente e constituírem família (Rt 1.8-13). Noemi assumiu sua condição pessoal, sem apelar aos sentimentos das noras. Esse tipo de conduta é fundamental para a construção de relacionamentos saudáveis. Pessoas emocional e espiritualmente sadias não são manipuladoras. É muito importante que leiamos o texto bíblico:
Noemi disse às suas noras: — Vão agora e voltem cada uma para a casa de sua mãe. E que o SENHOR seja bondoso com vocês, assim como vocês foram bondosas com os que morreram e comigo. O SENHOR faça com que vocês sejam felizes, cada uma na casa de seu novo marido. E deu um beijo em cada uma delas. Elas, porém, começaram a chorar alto e lhe disseram: — Não! Nós iremos com a senhora para junto do seu povo. Mas Noemi disse: — Voltem, minhas filhas! Por que vocês iriam comigo? Vocês acham que eu ainda tenho filhos em meu ventre, para que casem com vocês? Voltem, minhas filhas! Vão embora, porque sou velha demais para ter marido. E ainda que eu dissesse: “Tenho esperança”, ou ainda que casasse esta noite e tivesse filhos, será que vocês iriam esperar até que eles viessem a crescer? Ficariam tanto tempo sem casar? Não, minhas filhas! A minha amargura é maior do que a de vocês, porque o SENHOR descarregou a sua mão contra mim. Então, de novo, choraram em alta voz. Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela. Então Noemi disse: — Veja!
A sua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses. Vá você também com ela. Porém Rute respondeu: — Não insista para que eu a deixe nem me obrigue a não segui-la! (Rt 1.8-16a NAA). Moabe já não era um lugar viável para ela viver; ela não tinha escolha senão voltar para casa. Finalmente havia alimento em Belém e talvez até ela, mesmo viúva, pudesse sobreviver ainda que miseravelmente por lá. Porém, o que Noemi deveria fazer com relação às suas duas noras moabitas, Orfa e Rute? A princípio, todas elas se prepararam para voltar juntas para Judá. Mas esta decisão que Noemi estava tomando (voltar para Belém), era a escolha certa para todas elas? Esse foi o dilema que Noemi teve de enfrentar na estrada que saía de Moabe. O que essas mulheres deveriam fazer? Elas deveriam ficar ou partir? Embora Belém já tivesse sido a casa de Noemi, nunca havia sido a delas. O povo dela não era o povo delas. Noemi já estava velha demais e nada tinha a oferecer às suas noras (1.12). Além disso, ela não tinha mais filhos e não podia oferecer a felicidade de um lar às suas noras (1.9,12,13). Devemos considerar que diante desta dura realidade, Noemi não assumiu a posição de vítima e nem foi manipuladora.
• A pessoa vitimista tende a ter uma visão distorcida da realidade, focando predominantemente nos aspectos negativos da vida e nas situações que lhe causaram sofrimento. Essa postura as leva a se sentirem injustiçados, culpando os outros pelas suas dificuldades e circunstâncias.
• A manipulação é uma forma de abuso emocional que pode causar danos psicológicos profundos às suas vítimas. Através da culpabilização, do ressentimento e da vitimização, o indivíduo busca manipular as emoções dos outros, exigindo atenção, apoio e simpatia. Se você suspeita que está em um relacionamento com um manipulador, seja em suas amizades, no trabalho, no âmbito familiar ou ministerial, busque conselho e orientação. Se possível, fuja desse tipo de comunhão abusiva.





II. A CONVICÇÃO AMOROSA
2.1 Uma amizade provada e aprovada.
A LIÇÃO DIZ: Orfa amava Noemi, mas seu sentimento e força moral não eram tão fortes quanto os de Rute. Quando a sogra disse pela segunda vez que voltassem para a casa dos pais, Orfa se convenceu de que isso era o melhor para ela. Chorando, abraçou Noemi e voltou para seu povo. Rute, porém, se apegou a Noemi (Rt 1.14). A firmeza e o altruísmo de Noemi novamente se revelam. Ela insiste para que Rute faça o mesmo que sua cunhada (Rt 1.15). A atitude de Noemi extraiu o que havia no mais íntimo de Rute: uma convicção amorosa por sua sogra, além de uma declaração de fé no Deus de Israel: “[…] aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). As verdadeiras amizades resistem às mais intensas provas. Orfa encarou sua situação com clareza e tomou a decisão necessária usando exatamente a mesma lógica que Noemi tinha seguido anteriormente: os campos de Moabe pareciam ser muito mais verdes do que a terra de Israel. Com essa escolha sensata e simples ela se foi, deixando as páginas da Bíblia. Ela voltou para o povo dela e para os seus deuses. Embora com certeza ela não encarasse assim, havia, no entanto, um custo para sua escolha lógica. Quem agora se lembra de Orfa? Ela rejeitou a estrada para o vazio, mas, ao mesmo tempo, sem saber, deixou a única estrada que poderia conduzi-la a uma vida de sentido e significado duradouros. A escolha sábia do mundo para evitar o vazio leva, ao final, a um tipo diferente de esquecimento. Então lá estava Rute. Rute era uma ninguém, uma estrangeira e, além do mais, uma moabita. A sabedoria convencional gritava para que Rute seguisse pela estrada de Orfa: o caminho mais provável em direção à segurança e ao significado. Mas Rute não era Orfa e nada havia de convencional nela. Ela não deixaria que Noemi fosse sozinha para seu futuro vazio. Rute se apegou a ela – aqui o texto usa o mesmo verbo (davaq) que é usado em Gênesis 2.24 para descrever o vínculo existente no casamento. É uma palavra que descreve a lealdade a um compromisso de aliança. Rute estava apegada à sua sogra, e nada nem ninguém poderia mandá-la embora. Noemi disse: “Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada” (Rt 1.15). Mas mostrando um compromisso cada vez maior, Rute derramou o seu coração para Noemi: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti (Rt 1.16–17).
2.2 Amizade na adversidade.
A LIÇÃO DIZ: Rute estava disposta a enfrentar toda e qualquer dificuldade ao lado da sogra viúva e idosa. As expressões “onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu” e “onde quer que morreres, morrerei eu” (Rt 1.16,17) demonstravam o grau de companheirismo e comprometimento da jovem moabita. E isso não ficou somente em palavras; transformou-se em atitudes concretas por toda a vida. Nesses dias de tanto individualismo, qual tem sido o nível de nossos relacionamentos? Quando Rute declara: “Não insista para que eu a deixe nem me obrigue a não segui-la! Porque aonde quer que a senhora for, irei eu; e onde quer que pousar, ali pousarei eu”, ela demonstra uma devoção que vai além das convenções sociais e familiares. Vamos explorar dois pontos principais que emergem dessa poderosa declaração de Rute.
• Lealdade em Meio às Adversidades. Rute, uma moabita, estava decidida a permanecer ao lado de sua sogra Noemi, mesmo após a morte de seu marido e cunhados. A lealdade de Rute não se baseava em conveniências ou em momentos favoráveis, mas era uma escolha deliberada de permanecer fiel em tempos de grande dificuldade. Rute nos ensina que a verdadeira lealdade é provada nas adversidades.
a. A fidelidade de Rute nos ensina a importância de permanecermos firmes em nossos compromissos, mesmo em tempos difíceis.
b. Devemos ser leais àqueles que amamos, apoiando-os em suas jornadas, sejam elas fáceis ou árduas.
c. A lealdade verdadeira se manifesta na perseverança e na disposição de enfrentar desafios lado a lado com aqueles que nos são preciosos.
• O Amor Incondicional que Transcende Fronteiras O amor que une Noemi e Rute transcende barreiras culturais, sociais e até mesmo religiosas. Rute, uma moabita, demonstra um amor profundo por Noemi, uma israelita, recusando-se a abandoná-la em sua dor e solidão.
a. O amor que Rute demonstra nos convida a amarmos uns aos outros sem distinção, reconhecendo a dignidade e o valor intrínseco de cada pessoa.
b. O verdadeiro amor não se limita a laços familiares ou de amizade, mas se estende a todos aqueles que necessitam de nosso cuidado e compaixão.
2.3 Um amor prático.
A LIÇÃO DIZ: Chegando a Belém, Rute não ficou parada, envolta em expectativas fantasiosas. Encarando a realidade, prontificou-se a um trabalho humilde e penoso, que era feito por pessoas pobres e necessitadas: ir às plantações e catar espigas que caíam e ficavam no chão durante a colheita, como instituído nos dias de Moisés (Rt 2.2; Lv 19.9,10; 23.22.; Dt 24.19). Rute trabalhou – e muito nos campos de Boaz. Seu esforço impressionou o chefe dos trabalhadores. No fim do dia, recolhia tudo e levava para a sogra (Rt 2.7,17,18). Rute não apenas dizia amar, ela praticava o amor (1 Jo 3.18). Rute demonstrou disposição de trabalhar e buscar o seu sustento e o sustento da sua sogra. Ela não ficou esperando, de braços cruzados, um milagre acontecer. Ela se moveu, se mexeu na direção do trabalho. Ela assumiu sem traumas que era carente e necessitada. Rute teve iniciativa para cuidar de sua sogra. Ela assumiu a posição de provedora da sogra. Ricardo Gondim, em seu comentário sobre o livro de Rute, diz: Para vencer na vida não é necessário derrotar o inevitável; basta não permitir que o inevitável o derrote. Assim, Rute tomou iniciativa, crendo que as forças inevitáveis da vida não a sufocariam. Sua ação espontânea é o princípio da sua mudança de sorte. Dois pontos merecem destaque:
• Em primeiro lugar, uma fé que gera ação. A palavra “fé” é um substantivo, mas deve ser compreendida como um verbo, porque fé não é só boa concepção espiritual. Fé é acima de tudo ação. Isso tem a ver com seu trabalho, seus estudos, sua família e sua vida espiritual. Não cruze os braços, não coma o pão da preguiça. O exemplo de Rute nos ensina que o enfrentamento das crises, e não a fuga delas, é o caminho da vitória.
• Em segundo lugar, fica mais que provado que o amor verdadeiro não pode ser resumido apenas a meras palavras de declarações. Rute, assume a responsabilidade de buscar provisões para o sustento de sua sogra.





III. A CONVICÇÃO DA MULHER: “O TEU DEUS É O MEU DEUS”
(Neste tópico, estamos resumindo as informações que já foram comentadas).
3.1 Sete características de uma mulher virtuosa (Rute).
• Resoluta em suas decisões. “Não insista para que eu a deixe nem me obrigue a não segui-la!” “Quando Noemi viu que Rute estava mesmo decidida a acompanhá-la, deixou de insistir com ela.” (Rt 1.16a,18).
• Companheira inseparável. ” Porque aonde quer que você for, irei eu; e onde quer que pousar, ali pousarei eu.” “Onde quer que você morrer, morrerei eu e aí serei sepultada. Que o Senhor me castigue, se outra coisa que não seja a morte me separar de você.” (Rt 16b,17).
• Companheira Fervorosa. “O seu povo é o meu povo, e o seu Deus é o meu Deus.” (Rt 1.15c).
• Trabalhadora eficaz. “Rute, a moabita, disse a Noemi: — Deixe-me ir ao campo para apanhar espigas atrás daquele que me permitir fazer isso. Noemi respondeu: — Vá, minha filha!” (Rt 2.2).
• Reconhecida como uma mulher virtuosa. “Boaz respondeu: — Já me contaram tudo o que você fez pela sua sogra, depois que você perdeu o marido. Sei que você deixou pai, mãe e a terra onde nasceu e veio para um povo que antes disso você não conhecia.” (Rt 2.11).
• Fiel e obediente. “Noemi, a sogra de Rute, disse: — Minha filha, não é verdade que eu devo procurar um lar para você, para que você seja feliz? E esse Boaz, na companhia de cujas servas você esteve, não é um dos nossos parentes? Eis que esta noite ele limpará cevada na eira. Lave-se, ponha perfume, vista a sua melhor roupa e vá até a eira….Então vá, descubra os pés dele e deite-se ali. Ele lhe dirá o que você deve fazer. Rute respondeu: — Vou fazer tudo isso que a senhora está me dizendo.” (Rt 3.1-5).
• Amor Altruístico e incondicional. Em momento algum, Rute fala a sua sogra que a ama. Mas suas ações, seu despojamento, sua aliança de fidelidade, companheirismo, deixando sua pátria, seu povo, não abandonando sua sogra nos momentos que mais precisava, são demonstrações de um amor puro, verdadeiro, altruístico e incondicional.
3.2 Sensibilidade sob liderança. Não há dúvida de que as mulheres também são dotadas de talentos e dons (naturais e espirituais), que podem ser (e são) muito úteis no Reino de Deus. Contudo, é infestável que também se reconheça que Deus deu ao homem a missão de liderar, o que começa no seio da família. Isso não é diferente no âmbito da Igreja. As mulheres têm muito a contribuir com a obra de Deus, e assim o fazem em diversas áreas do serviço cristão. O Senhor, contudo, também reservou ao homem a liderança no contexto eclesiástico. Dito isso, é de fundamental importância ressaltar que o potencial feminino, marcado por essa sensibilidade ímpar, seja reconhecido e valorizado. Sob uma liderança sábia e sensível, que oriente o trabalho da mulher com discernimento e cuidado, esse potencial floresce e contribui de forma extraordinária para o bem da comunidade.
Liderança sensível significa:
• Criar um ambiente seguro e acolhedor: onde as mulheres se sintam livres para expressar suas ideias, crenças e sentimentos sem medo de julgamentos ou críticas.
• Oferecer oportunidades de desenvolvimento: investir na formação e no crescimento das mulheres, capacitando-as para alcançar seu pleno potencial.
• Orientar com sabedoria: prover direção e conselhos que considerem as características e necessidades únicas de cada mulher.
• Proteger contra exploração: zelar pelo bem-estar das mulheres, garantindo que seus direitos sejam respeitados e que não sejam vítimas de qualquer tipo de abuso.

CONCLUSÃO
Queridos irmãos e irmãs, o relacionamento de Noemi e Rute nos ensina o quão precioso é para Deus o amor altruísta. Este amor, que se manifesta no cuidado mútuo e na dedicação ao bem estar do outro, atrai o favor divino e transforma vidas. Que possamos aplicar esta lição em nossos lares e em nossas igrejas, vivendo de forma que o amor altruísta seja uma marca distintiva de nossa fé. Assim, refletiremos o caráter de Cristo e experimentaremos as bênçãos de Deus em nossas vidas. Amém.


















