24 de junho de 2026 18:23

SOMOS CRISTÃOS

EM DEFESA DA FÉ CRISTÃ
Combatendo as Antigas Heresias que se Apresentam com Nova Aparência

O QUE ESTUDAREMOS?
Nesta lição, veremos o processo de transição entre as ideias e práticas judaicas para a doutrina do Evangelho da graça. Os primeiros cristãos precisaram de sabedoria divina para lidar com essa mudança de perspectiva introduzida pelos ensinamentos de Cristo. Eles não deveriam confundir a Lei de Moisés com a graça. Por essa razão, os apóstolos foram desafiados a estabelecer os limites entre o Judaísmo e o Cristianismo, principalmente o apóstolo Paulo, a fim de que os novos cristãos, judeus e gentios, recebessem a orientação devida para o exercício da fé cristã.

TEXTO ÁUREO – COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES
E Tiago continuou: — A minha opinião é esta: eu acho que não devemos atrapalhar os não-judeus que estão se convertendo a Deus. (At 15.19 NTLH). Antes de olharmos para o texto de Atos 15, será bom considerarmos algo que Paulo escreveu aos Gálatas. Paulo dedicou basicamente a carta inteira de Gálatas à mesma questão que estava sendo discutida no Concílio de Jerusalém, em Atos 15, a ameaça dos assim chamados judaizantes. Rever uma porção de Gálatas nos dará uma visão da importância que Paulo deu ao assunto: Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado! Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo. (Gl 1.6–10 NVI). Em seguida, em Gálatas 3, lemos essas palavras do apóstolo:
Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado? Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da Lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram? Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio? (v. 13).
• A heresia que precisava ser combatida: Alguns homens desceram da Judéia para Antioquia e passaram a ensinar aos irmãos: “Se vocês não forem circuncidados conforme o costume ensinado por Moisés, não poderão ser salvos”. (At 15.1 NVI).
• Os combatentes: Isso levou Paulo e Barnabé a uma grande contenda e discussão com eles. Assim, Paulo e Barnabé foram designados, junto com outros, para irem a Jerusalém tratar dessa questão com os apóstolos e com os presbíteros. (At 15.2 NVI).
• O Concílio: Toda a assembleia ficou em silêncio, enquanto ouvia Barnabé e Paulo falando de todos os sinais e maravilhas que, por meio deles, Deus fizera entre os gentios. (At 15.12 NVI).
• A conclusão: Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nada além das seguintes exigências necessárias: Que se abstenham de comida sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual. Vocês farão bem em evitar essas coisas. “Que tudo lhes vá bem”. (At 15.28,29 NVI).

VERDADE PRÁTICA
O Cristianismo é uma religião de relacionamento pessoal com o Cristo ressuscitado e não um conjunto de regras e ritos.
Devemos entender o significado do termo, legalismo. O comentarista está nos alertando quanto aos seus perigos. Legalismo é a ideia de que, para alcançar a salvação ou a aprovação de Deus, é necessário seguir um conjunto rígido de regras e regulamentos. O Novo Testamento, particularmente nas cartas de Paulo, nos ensina que a salvação vem pela graça de Deus, não pelas obras (Ef 2.8-9). Em outras palavras, embora a vida cristã envolva transformação e mudança moral, ela não é fundamentada em um sistema de rituais ou obrigações externas, mas na obra que Cristo realizou na cruz e na nossa fé nele. A mensagem central deste texto nos chama a considerar se estamos praticando o Cristianismo de maneira genuína e focada em Cristo, ou se estamos mais preocupados com regras externas e rituais. Existe o risco de cairmos em um Cristianismo superficial, que se limita a cumprir regras, enquanto negligenciamos a verdadeira transformação espiritual que vem da vivência de Cristo em nós.
O Cristianismo, em sua essência, é chamado para ser vivido em relacionamento, e é este relacionamento com Cristo, o Cristo ressuscitado, que traz salvação e transformação verdadeira.

I. PREVININDO-SE CONTRA A TENDÊNCIA JUDAIZANTE
1.1 Subindo outra vez a Jerusalém (Gl 2.1,2).
A LIÇÃO DIZ: Catorze anos depois da sua conversão a Cristo, Paulo sobe pela segunda vez a Jerusalém. Essa segunda visita foi por revelação (v. 2; At 11.27-30), não sendo uma convocação pelos apóstolos para prestação de contas. Não podemos confundir essa visita de Paulo com a sua ida ao Concílio de Jerusalém, registrado em Atos 15. Infere-se que a Epístola aos Gálatas foi escrita antes do referido Concílio, pois não há menção dele na carta, visto que o Concílio tratou do mesmo assunto (At 15:5-6). Somando os anos mencionados em Gálatas, podemos afirmar que essa visita aconteceu antes de sua Primeira Viagem Missionária. O texto bíblico que divide opiniões: Catorze anos depois, subi novamente a Jerusalém, dessa vez com Barnabé, levando também Tito comigo. Fui para lá por causa de uma revelação e expus diante deles o evangelho que prego entre os gentios, fazendo-o, porém, em particular aos que pareciam mais influentes, para não correr ou ter corrido inutilmente. (Gl 2.1,2 NVI). Paulo fez cinco viagens a Jerusalém depois de sua conversão. A primeira delas ocorreu três anos após sua conversão (1.17,18; At 9.26), quando passou quinze dias com o apóstolo Pedro e com Tiago (1.18,19). A segunda visita está relacionada ao socorro financeiro que Barnabé e ele levaram aos pobres da Judeia (At 11.29,30; 12.25). A terceira visita tem a ver com o Concílio de Jerusalém para resolver a questão judaizante (At 15.2–29). A quarta visita foi uma passagem muito rápida ao final da segunda viagem missionária e antes da terceira viagem missionária (At 18.22). A quinta e última visita de Paulo a Jerusalém aconteceu quando ele foi levar uma oferta das igrejas da Macedônia e Acaia aos pobres da Judeia, ocasião em que o apóstolo terminou preso (At 21.17). Um dos pontos mais difíceis dessa epístola é identificar se essa viagem de Paulo a Jerusalém foi a segunda ou a terceira. Não há consenso entre os estudiosos sobre essa matéria. Calvino, F. F.Bruce, Duncan, Ellis, Emmet, Hoerber, Knox, Stott são da opinião de que essa viagem é a segunda; porém, outros eruditos do mesmo calibre, como Berkhof, Eerdman, Findlay, Greijdanus, Grosheide, Lightfoot, Rendall, Robertson, Warren Wiersbe, defendem a tese de que se trata da terceira viagem. Há pontos fortes e fracos em ambos os lados. O comentarista se inclina a crer que essa viagem de Paulo a Jerusalém é uma referência à sua segunda e não à terceira visita.
1.2 Objetivo da reunião.
A LIÇÃO DIZ: É bom lembrar que essa reunião não foi um concílio nem um sínodo. É possível que essa segunda visita, por meio de revelação (v. 2), tenha ligação com Ágabo, pois a missão de Paulo, pelo que parece, foi levar donativos para os irmãos pobres da Judeia (At 11.27-30). No versículo 2, Paulo esclarece o motivo de sua visita. Ele não deseja fornecer argumentos aos judaizantes, que poderiam alegar que ele precisava da aprovação dos Doze. Por isso, explica de forma cuidadosa que sua ida a Jerusalém foi uma resposta a uma revelação divina: Deus o havia orientado a ir por meio de uma visão, e ele estava simplesmente obedecendo à direção de Deus, e não buscando conquistar a aprovação de pessoas ou cumprir uma exigência dos apóstolos para validar o seu evangelho. A tese de Paulo é que não havia conflito entre o evangelho da circuncisão e o evangelho da incircuncisão; entre o evangelho pregado entre os judeus e o evangelho pregado entre os gentios; entre o evangelho pregado pelos apóstolos de Jerusalém e o evangelho pregado por ele. A mensagem que Paulo pregou aos crentes da Galácia foi: “Portanto, meus irmãos, quero que saibam que mediante Jesus lhes é proclamado o perdão dos pecados. Por meio dele, todo aquele que crê é justificado de todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela Lei de Moisés”. (At 13.38,39 NVI).
1.3 Tito e a circuncisão (v. 5).
A LIÇÃO DIZ: Barnabé era judeu (At 4.36) e seu nome aparece três vezes nesse capítulo (vv. 1, 9, 8); sua presença na reunião em Jerusalém não seria um problema. Tito, no entanto, sendo grego, foi um risco que Paulo correu, mas não foi uma provocação introduzir um incircunciso no seio dos judeus. Os judaizantes queriam que Tito fosse circuncidado. Encontramos no Novo Testamento a compreensão e a tolerância de Paulo com os fracos na fé, a ponto de circuncidar Timóteo, mas ele era judeu, pois sua mãe era judia (At 16.3); no entanto, nessa reunião em Jerusalém, onde expôs o
Evangelho que pregava aos gentios, ele não cedeu nem um pouco, “nem por uma hora” (v. 5). Isso por duas razões: Tito era grego e porque estava em jogo a verdade do Evangelho e o futuro do próprio Cristianismo. Tito foi levado por Paulo como um exemplo de que é possível um gentio ser salvo sem ser circuncidado. Para os judaizantes a presença de um gentio incircunciso na igreja era uma afronta, enquanto para Paulo era a evidência da eficácia da graça e da liberdade do evangelho. Se cedesse à pressão dos judaizantes para circundar Tito, Paulo estaria comprometendo a essência do evangelho. A própria liberdade cristã estaria danificada. Isso seria voltar à escravidão da lei. Mais tarde, Paulo levaria Timóteo à circuncisão (At 16.3). À primeira vista isso parece contraditório, mas há diferenças significativas em relação ao incidente de Tito. Timóteo era judeu (ele tinha uma mãe judia e um pai gentio), e a decisão de Paulo foi motivada não por questões de salvação, mas com o propósito de ministério: Paulo queria que Timóteo fosse aceito pelos judeus com quem e para quem ele ministrava. A questão com Tito era bem diferente. Paulo recusou-se a circuncidar Tito porque isso teria contrariado a natureza livre da lei do evangelho, mas ele circuncidou Timóteo porque, fazendo isso, aprimorou e intensificou seu ministério evangélico nesse contexto. O objetivo de Paulo, na ocasião de Tito, era que “a verdade do evangelho fosse preservada para vocês”, os cristãos gentios em Gálatas. O evangelho de Cristo deve permanecer puro, e nenhum meio externo de salvação, como a circuncisão ou a aderência aos regulamentos mosaicos, pode ser acrescentado a ele. Se práticas religiosas ou observâncias legais se misturarem ao evangelho, ele é
despojado de sua pureza e verdade. Somente o sacrifício expiatório de Cristo na cruz pode ser suficiente, pois só isso tem poder redentor para perdoar nossos pecados e nos reconciliar com Deus. Qualquer outra ação, seja de boas obras, seja de ritos do pacto, irá destruir essa pureza e afastar a obra de Deus na salvação. Em nosso próprio tempo essa ameaça é levada adiante na abordagem igualmente herética da justiça pelas obras para salvação. A salvação não vem por meio de nossas boas ações, mas somente pela crença em Cristo e na cruz (Ef 2.8–9).

II. A TENDÊNCIA JUDAIZANTE NO INICIO DA IGREJA
2.1 O espanto do apóstolo.
A LIÇÃO DIZ: Tão logo Paulo retornou de sua viagem, ficou sabendo que os irmãos da Galácia estavam vivendo outro evangelho, e isso deixou o apóstolo estarrecido e atônito pela rapidez do desvio deles (Gl 1.6). O texto bíblico diz: Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. (Gl 1.6,7 NVI). Paulo expressa horror ante as notícias perturbadoras que recebeu sobre os gálatas, usando uma expressão de espanto: “Admiro-me”. Nos Evangelhos, esse adjetivo descreve o espanto daqueles que testemunharam os milagres de Jesus, mas aqui Paulo o usa negativamente para transmitir seu choque ao ouvir sobre o abandono deles da verdadeira fé. Quando ele fala dos gálatas “abandonando tão rapidamente”, ele provavelmente quer dizer tão logo após a conversão deles. Eles não estavam simplesmente abandonando os ensinamentos do evangelho de Paulo, mas estavam se afastando “daquele que vos chamou para viver na graça de Cristo” — de Deus Pai, cuja vontade, no versículo 4, levara ao seu resgate do mal. Uma coisa é se afastar de Paulo, outra bem diferente é se afastar de Deus, que em sua misericórdia tinha considerado adequado chamá-los do pecado deste mundo para a graça de Cristo. Embora eles tenham presumido que sua estrita adesão à lei os aproximaria mais de Deus, isso estava gerando o efeito oposto! O principal problema dos gálatas era que, ao serem influenciados pelo judaísmo dos falsos mestres, estavam no processo de “voltar-se para outro evangelho”. Observe o progresso da ação no versículo 6: eles não estavam apenas “se afastando” de Deus, mas “voltando-se para” outro evangelho. Esse “evangelho” dos opositores de Paulo não era verdadeiramente um evangelho, embora estivesse sendo proclamado como tal, e os gálatas estavam começando a aceitá-lo como verdade. Paulo exige que eles percebam que tal evangelho não tem nenhuma conexão com o evangelho de Cristo e que se trata, na verdade, de “outro evangelho”. Esse outro evangelho a que Paulo se refere é o evangelho das obras anunciado pelos judaizantes. A mensagem deles está sintetizada nos seguintes termos: “Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15.1). Eles não negavam a necessidade da fé em Jesus para a salvação, mas acrescentavam à fé as obras da lei. Para eles, era necessário que Moisés completasse o que Cristo havia feito, ou seja, era preciso acrescentar nossas obras à obra de Cristo, e assim concluir a obra inacabada de Cristo.
2.2 Quem eram os judaizantes (v.4)?
A LIÇÃO DIZ: O termo judaizante vem do verbo grego ioudaizo, que significa “viver como judeu, adotar costumes e ritos judaicos”, e aparece uma única vez no Novo Testamento (Gl 2.14). Eles eram os opositores de Paulo, identificados também como “falsos irmãos” (v. 4). São reconhecidos no capítulo anterior (Gl 1.7) como os que se apresentavam como enviados por Jerusalém, a igreja-mãe. Na verdade, esses homens saíram de Jerusalém por sua própria conta. Tiago negou formalmente as declarações deles, dizendo que não os havia enviado (At 15.24). O termo descritivo “judaizantes” é usado para tratar de um grupo de cristãos judeus que queriam tornar todos os cristãos praticantes do judaísmo. Rejeitando a conclusão do Concílio de Jerusalém em Atos 15, eles continuaram a acreditar que os gentios convertidos ao cristianismo tinham que se tornar judeus antes que pudessem se tornar cristãos. Para eles, ser circuncidados e seguir todos os regulamentos e ordenanças da Torá (a lei mosaica) era necessário para que os cristãos alcançassem a salvação. Na verdade, eles estavam substituindo a cruz pela lei. Substituir o sacrifício expiatório de Cristo na cruz por qualquer outra coisa — mesmo a lei — como a base da salvação é heresia. Isso é extremamente importante para nós hoje, quando muitas das chamadas igrejas estão buscando fontes alternativas — como boas obras ou adesão a certas práticas eclesiásticas — para a salvação. É imperativo que nos concentremos nas verdades cardeais da doutrina cristã e continuemos a lutar a boa luta (1Tm 1.18; 2Tm 4.7) pela sã doutrina (1Tm 1.10; 2Tm 4.3). 2.3 O clima de tensão (vv. 3-5).
A LIÇÃO DIZ: Os judaizantes, chamados de “falsos irmãos”, conseguiram “furar o bloqueio” e entraram sem serem convidados à reunião (v. 4). Eram inimigos da liberdade cristã, do Evangelho, de Paulo e do próprio Cristianismo. O pior de tudo é que essas pessoas estavam infiltradas na igreja e conseguiam até entrar em reuniões apostólicas. Eis o motivo da tensão: Os judaizantes faziam duas coisas: “lançando-os na confusão e […] tentando perverter o evangelho de Cristo”. O primeiro verbo (tarassō) significa “incomodar” ou “perturbar” os outros. Esses indivíduos tinham se tornado agitadores. Eles haviam se infiltrado nas igrejas gálatas, alegando exercer a autoridade dos líderes cristãos judeus em Jerusalém, e trouxeram confusão. Ao fazer isso, estavam tentando “perverter” ou “distorcer” o verdadeiro evangelho da cruz de Cristo. A linguagem de Paulo mostra que eles ainda não tinham tido pleno sucesso, mas estavam no processo de conquistar muitos dos gálatas. Então, as duas principais características dos falsos mestres são que eles estavam perturbando a igreja e modificando o evangelho. Essas duas ações andam juntas. Adulterar o evangelho implica perturbar a igreja. Não se pode tocar o evangelho e deixar a igreja intocada, porque a igreja é criada e vive pelo evangelho. De fato, os maiores perturbadores da igreja (tanto hoje como na época) não são os de fora que se opõem a ela, ridicularizam-na e perseguem-na, mas os de dentro que tentam modificar o evangelho. São eles que a perturbam. Por outro lado, a única maneira de ser um bom cristão da igreja é ser um bom cristão do evangelho. A melhor maneira de servir à igreja é crer no evangelho e pregá-lo.

III. A TENDÊNCIA JUDAIZANTE HOJE
3.1 O mesmo Evangelho (vv. 7-9).
A LIÇÃO DIZ: O Evangelho é um só, não há dois. O Evangelho de Pedro e o de Paulo, também chamado respectivamente de Evangelho da Circuncisão e da Incircunciso, são meras formas de apresentação, pois o conteúdo é o mesmo. Ambos receberam uma incumbência da parte de Deus, mas com audiências diferentes. O compromisso de Paulo era com os gentios; ele foi constituído, por Deus, apóstolo e doutor dos gentios (1 Tm 2.7; 2 Tm 1.11) para pregar aos não judeus (Rm 11.13). O de Pedro era com os judeus, mas a mensagem é a mesma. As diferenças entre o “Evangelho da Circuncisão” e o “Evangelho da Incircunciso” referem-se apenas às audiências específicas para as quais Deus direcionou Pedro e Paulo. Pedro foi enviado aos judeus, enquanto Paulo foi chamado como apóstolo e mestre dos gentios (1 Tm 2.7). Contudo, a essência da mensagem – o chamado ao arrependimento, à fé em Cristo e à graça salvadora de Deus – permanece a mesma. Destaquemos algumas lições preciosas para a vida cristã:
• A Centralidade de Cristo: Pedro e Paulo tinham contextos diferentes, mas ambos apontavam para o mesmo Salvador. Cristo é o centro de nossa vida e de nosso testemunho, independentemente do ambiente em que Deus nos coloca.
• A Soberania de Deus nos Chamados: Deus escolheu Pedro e Paulo para missões específicas, conforme sua vontade. Portanto, devemos reconhecer que cada um de nós tem um papel único no plano de Deus, mas todos compartilhamos a mesma missão de proclamar o Evangelho.
• A Unidade na Diversidade: Embora haja diversidade nos métodos e abordagens, a mensagem do Evangelho une todos os crentes.
3.2 O perigo da doutrina judaizante.
A LIÇÃO DIZ: Os apóstolos viam em tudo isso dois problemas sérios: ameaça à liberdade cristã e o perigo de o Cristianismo se tornar uma mera seita judaica. Os cristãos judaizantes alteravam o cerne do Evangelho, pois colocavam a Lei como complemento da obra que Jesus efetuou no Calvário. Era, de fato, “outro evangelho”, por isso o apóstolo Paulo os amaldiçoou (Gl 1:8-9). Na verdade, quem tem o Espírito Santo vive pelo Espírito. Então, contra a tendência judaizante, é preciso aprender a viver na dependência do Espírito e não da Lei, lutando contra os vícios da carne e buscando as virtudes do fruto do Espírito. As doutrinas judaizantes representavam uma ameaça grave porque distorciam o cerne do Evangelho. A graça, que é o fundamento da nossa salvação, era substituída por um legalismo que tentava misturar a obra redentora de Cristo com as exigências da Lei mosaica. Isso, conforme o apóstolo Paulo deixou claro, constituía “outro evangelho” – um falso evangelho que não podia salvar (Gl 1.6-9). Os apóstolos, especialmente Paulo, foram claros ao defender a liberdade que Cristo conquistou para os crentes. Em Gálatas 5.1, Paulo declara: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.” A liberdade cristã não é uma licença para pecar, mas uma libertação da condenação da Lei e da escravidão do legalismo. Essa tentativa de mesclar a graça de Cristo com as exigências da Lei era, em essência, uma negação da suficiência do sacrifício de Jesus. Outro grande risco das doutrinas judaizantes era transformar o Cristianismo em uma mera extensão ou seita do Judaísmo. O Evangelho é universal. Ele não pertence a uma etnia, cultura ou tradição específica. Em Cristo, Deus rompeu as barreiras que separavam judeus e gentios, fazendo de ambos um só povo (Ef 2.14-16). Transformar o Cristianismo em uma mera extensão do Judaísmo seria um retrocesso no plano redentor de Deus. Em nossos dias, precisamos ter cuidado com movimentos que tentam acrescentar ao Evangelho práticas culturais, rituais ou tradições que obscurecem a simplicidade e a suficiência da fé em Cristo.
Isso não significa desvalorizar as raízes históricas da nossa fé, mas sim proteger a centralidade de Jesus em todas as coisas.
3.3 As práticas judaizantes atuais.
As práticas judaizantes atuais representam um desvio da simplicidade e suficiência do Evangelho. Embora seja legítimo estudar e valorizar as raízes judaicas do Cristianismo, isso não deve levar à adoção de práticas que obscurecem a graça de Cristo.
• Redescoberta das Festas Judaicas no Cristianismo Evangélico. Muitos movimentos cristãos modernos, influenciados por grupos judaizantes, têm adotado as festas judaicas como práticas obrigatórias ou espiritualmente superiores. Embora essas festas tenham significado histórico e profético (como em Levítico 23), sua observância não é exigida no Novo Testamento. Paulo adverte sobre isso em Colossenses 2.16-17, dizendo que tais práticas eram “sombra das coisas que haviam de vir”, mas a realidade é Cristo.
• Uso de Elementos Judaicos nos Cultos Cristãos. O uso de itens como o kipá, talit, shofar e menorás tornou-se comum em alguns círculos cristãos, como forma de conexão com as “raízes hebraicas” da fé. Embora esses elementos tenham valor cultural e simbólico, sua adoção em contextos cristãos pode gerar confusão teológica e dar a impressão de que são necessários para uma adoração “mais completa” ou “mais verdadeira”, o que contraria o ensino do Novo Testamento.
• A Imposição do Sábado como Dia de Adoração Exclusiva. Muitos grupos judaizantes enfatizam a guarda do sábado como obrigatório para os cristãos. O sábado, que era sombra dos bens futuros em Cristo, foi abolido com a chegada do Novo Concerto (Hb 8.7-13; Os 2.11): “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16,17). Jesus, portanto, é quem nos propícia o verdadeiro repouso (Hb 4.9).
• Terminologias Judaicas e a Rejeição de Termos Cristãos. Muitos grupos adotam exclusivamente termos hebraicos, como Yeshua em vez de Jesus, ou Adonai em vez de Senhor, sob o pretexto de “retomar as origens”. Embora o uso do hebraico não seja em si um problema, essa exclusividade pode desviar o foco da universalidade do Evangelho e criar divisões desnecessárias na Igreja, que é composta por pessoas de todas as línguas e nações.

CONCLUSÃO
O cristianismo teve origem no contexto judaico e deste recebeu uma rica herança teológica e ética. Haja vista o próprio Cristo. Nascido “conforme a lei” (Gl 4.4), cresceu e viveu dentro da cultura judaica (Lc 2.40-43). Durante o seu ministério, reconheceu as Escrituras Hebraicas e a autoridade de Moisés (Mc 7.13; Lc 5.14). Todavia, não pregou costumes judaicos; seus apóstolos não judaizaram o mundo. O apóstolo Paulo, discursando no Areópago, não deu uma aula sobre as quatro letras hebraicas que, no Antigo Testamento, formam o nome de Jeová. Sua preocupação era pregar a principal mensagem do cristianismo: a ressurreição de Jesus (At 17.31).

• SIRE, James W. O Universo ao Lado: um catálogo básico sobre cosmovisão. Brasília:
Monergismo, 2017.
• KELLER, T. Fé na era do ceticismo: como a razão explica Deus. São Paulo: Edições Vida
Nova, 2018.
• CRAIG, W. L. Em guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova,
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• GEISLER, N. L. Enciclopédia de apologética: respostas aos críticos da fé cristã. São Paulo:
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• GRUDEM, W. Bases da fé cristã: 20 fundamentos que todo cristão precisa entender. Rio de
Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018.
• MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas Bíblicas: os fundamentos da nossa fé. Rio de
Janeiro: CPAD, 1995.
• BOA, K. D.; BOWMAN, R. M. Manual de apologética: abordagens integrativas para a defesa
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